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Este livro apresenta um recorte do universo da gestão 
financeira estratégica, mostrando – por meio de alguns principais 
conceitos, elementos, ferramentas, estratégias e índices – a 
possibilidade de conhecer e melhor gerir um empreendimento. 
Com foco na gestão financeira das empresas, esta obra busca 
elucidar os aspectos mais importantes que envolvem as 
atividades financeiras empresariais, dando prioridade para o 
entendimento da gestão interna, mas considerando também o 
contexto externo das empresas.
Por meio do estudo das finanças corporativas, dos indicadores 
financeiros e dos diferentes tipos de análise, são mostradas 
algumas maneiras utilizadas pelas empresas para se organizar 
estrategicamente, visando ao crescimento e desenvolvimento 
de seus negócios.
Código Logístico
59499
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-6660-5
9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 6 0 5
Gestão financeira estratégica
Carolina Casella Galli
Gestão financeira 
estratégica 
Carolina Casella Galli
IESDE BRASIL
2020
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A. 
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
© 2020 – IESDE BRASIL S/A. 
É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito da autora e do 
detentor dos direitos autorais.
Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: metallic icon series/elements.envato.com
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
G16g
Galli, Carolina Casella
Gestão financeira estratégica / Carolina Casella Galli. - 1. ed. - Curiti-
ba [PR] : IESDE, 2020. 
84 p. : il.
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-387-6660-5
1. Administração financeira. 2. Gestão estratégica. I. Título.
20-64911 CDD: 658.15
CDU: 658.15
Carolina Casella Galli Doutoranda em Administração pela Pontifícia 
Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Mestra em 
Administração pela Universidade Federal do Paraná 
(UFPR). Especialista em Gestão Empresarial pela 
Universidade Estadual de Maringá (UEM). Economista 
também pela UEM. Experiência em tutoria e docência 
para graduação a distância. Professora conteudista 
e consultora em gestão financeira, de negócios, de 
pessoas e estratégica.
Agora é possível acessar os vídeos do livro por 
meio de QR codes (códigos de barras) presentes 
no início de cada seção de capítulo.
Acesse os vídeos automaticamente, direcionando 
a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet 
para o QR code.
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um leitor de QR code, que pode ser adquirido 
gratuitamente em lojas de aplicativos.
Vídeos
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SUMÁRIO
1 Fundamentos da gestão financeira estratégica 9
1.1 Alocação de recursos e organização financeira 9
1.2 Funções da administração financeira estratégica 12
1.3 Objetivos e atividades das empresas 14
2 Gestão de caixa e capital de giro 19
2.1 Ciclo e controle de caixa 19
2.2 Características do capital de giro 28
2.3 Análise de crédito e despesas 30
3 Orçamento, preço e custo 35
3.1 Classificação de custos e despesas 36
3.2 Formação de preço 42
3.3 Controle orçamentário e planejamento 45
4 Decisões, análise de investimentos e riscos 52
4.1 Avaliação de investimentos 52
4.2 Gestão de riscos e incertezas 60
4.3 Criação de valor 64
5 Estratégias corporativas e planejamento 68
5.1 Finanças corporativas 68
5.2 Análise financeira e de tendências 72
5.3 Avaliação e planejamento estratégico 76
Gabarito 81
Este livro apresenta um recorte do universo da gestão financeira 
estratégica, mostrando – por meio de alguns principais conceitos, elementos, 
ferramentas, estratégias e índices – a possibilidade de conhecer e melhor 
gerir um empreendimento. Com foco na gestão financeira das empresas, esta 
obra busca elucidar os aspectos mais importantes que envolvem as atividades 
financeiras empresariais, dando prioridade para o entendimento da gestão 
interna, mas ao mesmo tempo considerando o contexto externo das empresas. 
No primeiro capítulo, conhecemos os fundamentos da gestão financeira 
estratégica e os conceitos e termos essenciais para as finanças empresariais. 
Abordando a função básica da economia – a alocação de recursos escassos –, 
discutimos as principais funções da gestão financeira em relação ao cotidiano 
das empresas e às suas atividades, demostrando como é possível organizar as 
finanças quando temos o entendimento claro de quais são os objetivos que as 
empresas almejam alcançar. 
No segundo capítulo, tratamos das operações essenciais para a realização 
das atividades diárias da empresa, que dizem respeito à forma como esta 
aloca recursos e os organiza em curto prazo, bem como a questão da previsão 
de recursos, por meio de explicações e exemplos sobre o Fluxo de Caixa. 
Apresentamos, ainda, o capital de giro e sua relevância como indicador de 
saúde financeira em curto prazo. Nesse mesmo capítulo, abordamos também 
a classificação das atividades empresariais e os conceitos de despesa, custo, 
gasto, incentivo e crédito. 
No terceiro capítulo, discutimos a importância de conhecer e elaborar o 
orçamento e da realização do planejamento orçamentário como ferramenta 
estratégica de gestão financeira. Apresentamos exemplificações de tipos 
de orçamentos, acompanhadas de reflexões que analisam seus dados, 
o que configura ao orçamento um caráter de ferramenta estratégica. Para 
tanto, conceituamos os indicadores financeiros e econômicos da empresa, 
mostrando como são calculados e quais são as possíveis análises do gestor 
financeiro. Sem ignorar os fatores externos, incluímos alguns aspectos que 
devem ser considerados na elaboração de um planejamento orçamentário 
empresarial, como as taxas de juros e tributos.
Diante da importância de aprimorar o conhecimento sobre a tomada 
de decisão, no quarto capítulo, tratamos da análise de investimentos. 
APRESENTAÇÃO
Assim, discutimos a criação de valor como foco estratégico da gestão 
financeira das empresas e apresentamos diferentes formas de avaliação 
dos investimentos no que se refere à viabilidade, lucratividade e exposição 
aos riscos, com o intuito de trazer ao entendimento da administração 
estratégica a relevância da análise de investimentos. 
No quinto capítulo, abordamos as estratégias corporativas e o planejamento. 
O entendimento do conteúdo apresentado abarca a ideia de que as empresas 
estão inseridas em um contexto de mudanças e expansões, no qual os 
agentes econômicos precisam estar cada vez mais cientes e preparados para 
lidar com o conhecimento teórico-prático que envolve o mundo das empresas 
e, especialmente, em como colocá-lo em ação. Dessa forma, apresentamos 
importantes indicadores, internos e externos à empresa, para a tomada 
de decisão estratégica. Por meio do estudo das finanças corporativas, dos 
indicadores financeiros e dos diferentes tipos de análise, mostramos algumas 
maneiras utilizadas pelas empresas para se organizar estrategicamente, 
visando ao crescimento e desenvolvimento de seus negócios e pretendendo 
sempre o alinhamento entre as demandas, que se originam internamente, e 
as necessidades apresentadas pelo ambiente externo. 
Com base em uma abordagem conceitual e explicativa, nesta obra 
buscamos construir conhecimento a respeito de alguns dos principais 
aspectos que caracterizam a gestão financeira estratégica das empresas.
Bons estudos!
Fundamentos da gestão financeira estratégica 9
1
Fundamentos da gestão 
financeira estratégica
Quando falamos em gestão financeira, tal ideia nos remete a 
uma infinidade de imagens: um porquinho cheio de moedas para 
uma criança, uma conta bancária “recheada” para alguns, a aqui-
sição de um carro novo, a mudança para aquela casa e/ou apar-
tamento dos sonhos, a realização de uma viagem bacana, entre 
outras situações. Isso acontece porque gerir as finanças de ma-
neira estratégica nos remete a uma sensação de bem-estar, de 
sucessofinanceiro.
Neste capítulo, conheceremos quais são os fundamentos da ges-
tão financeira estratégica, ou seja, os principais conceitos, definições 
e termos utilizados no universo das finanças, lembrando que, neste 
conteúdo, o foco está sobre as finanças empresariais. Falaremos so-
bre como ela é feita, a importância da alocação de recursos e como 
organizamos inicialmente as finanças; apresentaremos as funções 
da administração financeira estratégica, isto é, como se dá no dia a 
dia das empresas e, por fim, exploraremos quais são os objetivos e 
as atividades mais comuns praticadas nas empresas para o desen-
volvimento de uma gestão financeira estratégica.
1.1 Alocação de recursos e 
organização financeira 
Vídeo
Alocar recursos significa organizá-los de forma eficiente. É uma 
prática que envolve muito mais do que “juntar” dinheiro, investi-
mentos e bens. Significa organizar de forma produtiva esses re-
cursos e destiná-los a um determinado fim, ou seja, para alguma 
atividade específica.
10 Gestão financeira estratégica
A alocação de recursos nas empresas envolve orientar os recur-
sos financeiros para alcançar lucros. Quando falamos em recursos, 
estamos nos referindo aos ativos que estão relacionados à produ-
ção e ao comércio de bens e serviços nas empresas. O objetivo da 
organização financeira empresarial, que ocorre a partir da alocação 
eficiente de recursos, é, para a empresa privada, um retorno finan-
ceiro compatível com o risco assumido, e, para a pública, um lucro 
que representa uma gestão eficiente que visa melhorar os serviços 
prestados à sociedade (BRAGA, 1989).
A otimização no uso dos recursos para que a empresa tenha ca-
pacidade de atingir seus objetivos também deve estar envolvida na 
alocação de recursos. Isso implica, para os gestores financeiros, a ne-
cessidade de conhecer todo o funcionamento da empresa, ou seja, os 
gestores precisam entender como todas as áreas da empresa intera-
gem (BRAGA, 1989). Isso significa que os gestores devem ter uma visão 
holística da empresa, isto é, uma visão integrada dos setores de atua-
ção. Dessa maneira, é possível entendermos como cada setor produz e 
interage com o outro e, assim, quanto recurso há disponível e como é 
possível trabalhá-lo de modo eficiente.
As fontes de recursos que podem estar disponíveis para a empresa 
também se diferem e podem ser: fontes de recursos próprios, que são 
as reservas, os lucros retidos; fontes de recursos de terceiros, advindas 
de dívidas e outros compromissos; fontes de recursos permanentes, ou 
seja, os recursos próprios e as dívidas de longo prazo; fontes de recursos 
advindos de compromissos de curto prazo, chamadas de recursos tempo-
rários; e fontes de recursos chamados onerosos, que implicam despesas 
financeiras e fontes de recursos não onerosos, que não implicam essas 
despesas. Gerir essas fontes de recursos requer que a empresa se ade-
que a prazos e custos, conforme interage com o ambiente em que está 
inserida e com seus parceiros (BRAGA, 1989).
Além disso, gerir eficientemente os recursos significa analisar os 
projetos de investimento, o que vai além de conhecer o funcionamento 
da empresa com relação à integração de suas áreas. Esses projetos são 
representados pela definição e distribuição de ativos, estoques e con-
tas a receber, bem como os também chamados ativos operacionais, por 
exemplo, além de imóveis, entre outros, que podem ser operacionais 
ou não, como aplicações financeiras. É importante entendermos que, 
Fundamentos da gestão financeira estratégica 11
quando aloca recursos na forma de ativos, a empresa está lidando com 
custos financeiros, porque ela sofre o custo de oportunidade em fazer 
essa escolha, buscando a geração de receitas, ou seja, de lucros futu-
ros, com cada ativo (BRAGA, 1989).
Segundo Neto (2012), no que implica articular de forma eficiente 
a busca e alocação de recursos em torno dos objetivos da empresa, a 
organização financeira depende cada vez mais da atuação do gestor 
financeiro, para além de um organizador das técnicas e ferramentas 
utilizadas na administração financeira. O administrador de finanças 
precisa ter mais atenção sobre as informações estratégicas e outros 
valores que a empresa integra.
Dessa forma, para organizarmos as finanças, é importante enten-
dermos melhor o que significa administrar. O processo de administrar 
é também decidir e, especialmente, com que qualidade as decisões são 
tomadas. Conforme aponta Neto (2012), a tomada de decisão é uma prá-
tica essencial porque requer conhecimento sobre diferentes funções da 
empresa, diferentes áreas e suas respectivas informações, o que reforça 
a ideia de Hoji (2012), para quem a empresa é um sistema dinâmico que 
necessita da interação eficiente entre seus setores e atores.
A administração financeira vem evoluindo ao longo do tempo, prin-
cipalmente após a década de 1920, época em que os negócios sofreram 
mudanças e se tornaram mais complexos. Devido a essas transforma-
ções, a área financeira não é mais apenas aquela que contabiliza os 
fatos, descrevendo-os e mensurando-os, mas sim a que busca sempre 
entender o motivo de determinados comportamentos e quais os efeitos 
deles. Segundo Neto (2012), com o passar do tempo, a administração 
financeira recebeu influência das teorias da administração, começando 
a olhar não apenas para fatores externos, como fornecedores, acio-
nistas, isto é, as formas de alocação de recursos, mas também para 
os fatores internos da empresa, buscando desenvolver e melhorar sua 
estrutura.
Essa evolução da administração financeira se refletiu na transfor-
mação e no aperfeiçoamento da alocação de recursos, que passou a 
olhar também para fontes de financiamento, investimentos – retorno 
e custo de capital – com foco nas decisões financeiras. Mais ainda, a 
partir da década de 1990, o tema da gestão de risco ganhou relevân-
cia, juntamente com o aprimoramento dos chamados indicadores eco-
Uma dica interessante 
para o melhor enten-
dimento da dinâmica 
da gestão financeira 
empresarial é conhecê-la 
e aplicá-la no âmbito 
pessoal. Um livro que 
pode abrir os olhos para 
aspectos importantes, 
alertar para uma mudan-
ça de comportamento 
e um possível caminho 
para novas realizações é 
o Do Mil ao Milhão. Sem 
cortar o cafézinho.
NIGRO, Thiago. São Paulo: 
HarperCollins, 2018.
Livro
12 Gestão financeira estratégica
nômicos e financeiros relacionados ao mercado, como taxa de juros, 
câmbio, cotações, entre outros. Também foi na década de 1990 que 
as estratégias da administração financeira se voltaram para o conceito 
de criação de valor, juntamente com o movimento da globalização das 
finanças, que assim se caracterizou devido à integração das economias 
mundiais, mais interdependentes e expostas aos riscos de mercado 
(NETO, 2012).
A administração financeira, como podemos notar, é uma área de 
estudo que envolve tanto a teoria quanto a prática. Conforme evolui e 
se modifica ao longo do tempo, é exigido cada vez mais que o gestor 
financeiro seja capaz de gerenciar os recursos financeiros de forma di-
nâmica, considerando metas estratégicas e o todo em que a empresa 
está inserida. Segundo Neto (2012), essa evolução conceitual e práti-
ca da administração financeira permite que explicações mais lógicas e 
completas deem significado aos comportamentos financeiros, distan-
ciando-se do pensamento meramente descritivo e restrito.
Com relação às atividades financeiras, ainda conforme Neto (2012), al-
gumas funções podem ser, por exemplo, planejamento e controle finan-
ceiro, administração de ativos e passivos, em que a empresa será avaliada 
segundo a forma com que toma decisões, como decisões de investimen-
tos – em que os recursos são aplicados –, e decisões de financiamentos 
– em que os recursos são captados. Além disso, as decisões financeiras 
também se referem a decisões de dividendos – que envolvem a distribui-
ção ou retidão de lucros aos acionistas –, em que há a integração e o ali-
nhamento das diferentes áreasresponsáveis por essas decisões.
1.2 Funções da administração 
financeira estratégica 
Vídeo Uma das principais funções da administração financeira é gerir o 
conjunto de atividades que ocorre dentro das empresas, especialmen-
te com relação aos seus recursos. Isso porque a função crucial da em-
presa é obter os recursos que são necessários para a determinação da 
estratégia que visa maximizar, isto é, otimizar esses recursos. Com isso, 
a função financeira, em qualquer empresa, importa essencialmente na 
estruturação das atividades operacionais, ou seja, seu desenvolvimen-
to a fim de que a empresa tenha sucesso (BRAGA, 1989).
Fundamentos da gestão financeira estratégica 13
As funções financeiras estão relacionadas desde a compreensão 
de elementos que compõem e caracterizam a gestão financeira, até 
o que é realizado com os lucros. Dessa forma, as funções financei-
ras estão na identificação dos investimentos que vão constituir as 
formas de produção e estruturar a empresa, como instalações, má-
quinas e imóveis. Já outras funções se referem ao estabelecimento 
das atividades operacionais, bem como a alocação de recursos para 
sua realização – dispêndio de mão de obra, pagamento de salários, 
demais despesas, outros custos.
Segundo Braga (1989), o financiamento das operações, a aplicação 
de recursos em estoques, a obtenção de recursos nas instituições fi-
nanceiras, assim como as receitas de vendas e a forma como será a 
distribuição de lucros são considerações que se referem a como os 
recursos estarão em movimento na empresa, ou seja, as funções da 
gestão financeira estão relacionadas a toda estruturação do fluxo de 
recursos que são definidos e desenvolvidos nas empresas.
Nesse sentido, segundo Braga (1989), a alocação de recursos e os 
objetivos e atividades das empresas se fundam a partir de como elas 
definem e desenvolvem suas funções. As duas tarefas essenciais que 
norteiam essas funções são a aquisição dos recursos para a empresa 
da forma mais proveitosa possível, com relação à facilidade de acesso, 
e a alocação eficiente desses recursos.
Dessa forma, garantir um fluxo de recursos, alocando-os e orga-
nizando-os, garantir liquidez e rentabilidade, estabelecer metas para 
a administração financeira, utilizar de forma eficiente as informações 
relacionadas à contabilidade, conhecer e desenvolver as áreas de de-
cisões financeiras, organizando de maneira eficiente o setor financeiro 
da empresa, contemplam, de modo geral, as funções da administração 
financeira estratégica (BRAGA, 1989; HOJI, 2012).
A partir disso, entendendo um pouco melhor quais são as funções 
da administração financeira, perguntamos: o que significa essa admi-
nistração ser estratégica? A importância de conhecer as funções da 
gestão financeira é nortear quais são os elementos e aspectos a serem 
pensados e desenvolvidos com relação ao universo financeiro da em-
presa. No entanto, essas funções só se tornam fundamentais para a 
gestão financeira quando entendidas pelo ponto de vista da estratégia.
14 Gestão financeira estratégica
Estratégia é um conceito polissêmico, isto é, estratégia é um constru-
to que possui diferentes significados, dependendo da vertente teórica 
e do contexto em que é empregada. No entanto, quando falamos em 
economia e finanças, especificamente, podemos pensar na estratégia 
como o caminho que a empresa traça para alcançar vantagens compe-
titivas. Vantagens competitivas são atributos que diferem a empresa 
de seus concorrentes, isto é, quando a empresa consegue gerar maior 
valor econômico no momento em que é comparada às suas concorren-
tes (BARNEY; HESTERLY, 2011).
Nesse sentido, ainda segundo os autores, por meio da estratégia, 
a empresa pode minimizar a probabilidade de realização de erros, ao 
passo que acompanha, de forma sistemática, o processo de adminis-
tração estratégica. Essa administração se refere a um conjunto de as-
pectos que busca orientar a empresa à adoção do que seria a melhor 
estratégia possível, para que a empresa atinja seus objetivos e, espe-
cialmente, obtenha vantagens competitivas.
Além das vantagens competitivas, há demais conceitos e aspec-
tos que se associam à gestão financeira estratégica e que compõem 
o processo de gestão estratégica da empresa, com relação tanto 
aos aspectos e elementos da dinâmica interna à empresa quanto à 
dinâmica externa.
1.3 Objetivos e atividades das empresas 
Vídeo
Os objetivos e atividades das empresas que dão sustentação para a 
gestão financeira estarão, muitas vezes, voltados para que a empresa 
priorize seu valor de mercado, o que significa buscar a maximização 
de sua riqueza. Segundo Hoji (2012), essa valorização dos recursos se 
refere tanto aos bens físicos e materiais das empresas, quanto ao seu 
capital investido, se esse for o caso.
Como objetivo principal, as empresas buscam ter retornos fi-
nanceiros que justifiquem, melhor dizendo, compensem sua ex-
posição ao risco assumido em determinadas decisões, transações, 
investimentos, novas atividades, entre outras situações do dia a 
dia. Essa recompensa ao risco se refere a resultados econômicos 
e financeiros, normalmente relacionados a períodos de médio a 
longo prazo (HOJI, 2012).
A visualização de como 
estratégias pessoais e 
empresariais podem 
coincidir e conflitar, 
não deixando de lado 
aspectos polêmicos sobre 
as escolhas estratégicas, 
mas não menos inspira-
dores, está implicada no 
filme The Founder ou, em 
português, Fome de Poder, 
lançado em 2016.
Direção: John Lee Hancock. 
Diamond Films. 2016.
Filme
Fundamentos da gestão financeira estratégica 15
Com isso, a empresa pode ser entendida como um sistema que 
visa reproduzir e aumentar os recursos financeiros nela investi-
dos, tanto em âmbito privado quanto público (BRAGA, 1989). Para 
Hoji (2012), a empresa pode ser entendida como um sistema que 
funciona de forma dinâmica – aberta ao ambiente – porque deve 
representar os interesses dos diferentes atores que estão a ela re-
lacionados, como os administradores, aqueles que lidam com os 
aspectos da gestão de forma direta, os colaboradores e as demais 
esferas que integram o ambiente em que a empresa opera, além 
do governo, dos fornecedores, dos clientes e demais parceiros.
Entender a empresa como esse sistema que visa criar e gerar rique-
zas implica reconhecer seus integrantes, administradores, colaborado-
res e parceiros e também as características do ambiente em que está 
inserida, como, por exemplo, se caracteriza seu setor produtivo, o setor 
de serviço que oferece, o ambiente virtual em que atua. Por isso, as 
atividades empresariais podem ser diferenciadas e classificadas. Uma 
forma de diferenciação é entre atividades de operações, de investimen-
tos e de financiamentos (HOJI, 2012).
As atividades operacionais dão estrutura ao aspecto operacio-
nal da empresa, ou seja, fazem referência às atividades de geração 
de lucro, das contas, compra e venda das matérias-primas, dos ele-
mentos que envolvem a prestação de serviço – como distribuição, 
aluguel, elaboração dos salários, aspectos jurídicos, controle das 
contas, entradas e saídas de recursos –, quando for o caso, entre 
outros aspectos que integram as atividades básicas e estruturantes 
da empresa. Dessa forma, segundo Hoji (2012), podemos classificar 
as atividades operacionais como aquelas que dão forma ao planeja-
mento estratégico empresarial.
As atividades de investimento, por sua vez, são aquelas que dão 
suporte às atividades operacionais, caso a empresa trabalhe com as 
contas de investimentos, sejam eles temporários ou os chamados per-
manentes. Os investimentos, nesse caso, referem-se aos recursos apli-
cados que, quase sempre, servem para estruturar a empresa, como a 
obtenção de máquinas e equipamentos ou demais bens de valor con-
siderável e que estruturam a capacidade produtiva da empresa, e/ou o 
capital que é aplicado (HOJI, 2012).
16 Gestão financeira estratégica
Ainda, Hoji (2012) explica que as atividades de financiamentos são 
aquelasque refletem as decisões da empresa com relação à forma 
como irá financiar suas atividades de operações e de investimentos. 
Quando são estudadas as contas financeiras – aquelas que se referem 
aos chamados ativos e passivos financeiros –, é possível entendermos 
que as atividades de financiamentos são aquelas que caracterizam as 
contas do passivo financeiro e também do chamado Patrimônio Líquido.
Quando, então, pensamos na empresa como um sistema que deve 
buscar gerar riquezas por meio de seus integrantes e realização de 
suas atividades – sendo elas operacionais, de investimentos e financia-
mentos –, podemos entender a empresa como esse sistema dinâmico 
que funciona pela existência de ciclos (HOJI, 2012).
Os ciclos, nesse sentido, são o operacional – quando se pensa 
na atividade inicial de compra de matéria-prima e no recebimento 
da venda, por exemplo –, em que o ciclo é o tempo existente entre 
o prazo de rotação dos estoques e o prazo de receber pela venda 
efetuada; o ciclo econômico, que representa desde o processo de 
compra de matéria-prima até a venda do produto fabricado, quando 
a empresa recebe pela venda de determinado produto e/ou serviço 
advindo dessa matéria-prima. Assim, o ciclo econômico ocorre en-
quanto a empresa desembolsa com a compra das matérias-primas. 
O ciclo financeiro, no entanto, normalmente se caracteriza pelo iní-
cio da compra da matéria-prima com o primeiro recebimento refe-
rente à venda (HOJI, 2012).
Esses processos chamados também de ciclos são classificados em 
estratégias, ferramentas e instrumentos, que são base para a gestão, 
ou seja, para a administração financeira das empresas. É importante 
ressaltar, a partir dessas considerações, que a definição do objetivo da 
empresa não é algo fácil de se fazer porque implica se orientar ou para 
satisfação dos proprietários ou para o que pode ser a atribuição de um 
bem-estar social (NETO, 2012).
Nesse sentido, a maximização do lucro como objetivo principal da 
empresa está sujeita a diversas controvérsias, principalmente porque 
não mensura, por exemplo, o quanto a empresa é capaz de efetuar 
seus pagamentos. Não leva em consideração o risco, sendo o lucro en-
tão uma medida de desempenho que, no longo prazo, não leva em 
conta os riscos associados às atividades da empresa. Da mesma forma, 
Para entender um pouco 
mais sobre o que é o 
valor de mercado e como 
a empresa caminha na 
construção do seu valor, 
agregando seus objetivos 
buscando sempre ser 
bem-sucedida, especial-
mente no quesito dife-
renciação, em que preço 
não é entendido como 
valor, o livro “Como Vender 
Valor: O revolucionário 
sistema Venda + Valor 
para resolver os problemas 
dos clientes e vencer” é 
uma dica interessante de 
leitura e reflexão.
ROCCATO, P. L. 2. ed. São Paulo: 
Editora Portal do Canal, 2018.
Livro
Fundamentos da gestão financeira estratégica 17
o lucro não demonstra como os resultados da empresa podem ser dis-
tribuídos ao longo do tempo (NETO, 2012).
Por essas avaliações, segundo Neto (2012), é que o chamado valor 
de mercado se caracteriza como um critério bem utilizado para indicar 
a tomada de decisões financeiras na empresa. O valor de mercado é a 
riqueza dos acionistas, e é por meio de instrumentos decisórios – como 
fluxos de caixa, taxa de atratividade e risco, isto é, expectativas dos 
investidores, que podem se alterar ao longo do tempo – que se deter-
mina o valor de mercado de uma empresa.
Assim, os objetivos e atividades da empresa estão constantemen-
te sendo alinhados para que haja geração de riqueza, isto é, para o 
aumento do valor de mercado da empresa. Para isso, como colocado 
anteriormente, existem diferentes ferramentas e indicadores para 
nortear a tomada de decisão. No entanto, o gestor financeiro é um 
administrador que deve estar além de dados descritivos e ser um en-
tendedor de todo o contexto em que a empresa está inserida, conhe-
cendo sua dinâmica e buscando explicações cada vez mais completas 
sobre as mudanças de comportamentos financeiros e no âmbito da 
economia de forma geral.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conhecer os fundamentos da gestão financeira estratégica pode faci-
litar a forma como indivíduos, sendo gestores ou não, melhor compreen-
dem as atividades que envolvem os âmbitos econômico e financeiro das 
empresas, sejam atividades do contexto operacional ou do contexto da 
tomada de decisões estratégicas.
Diante da complexidade da sociedade moderna e das consequências 
da globalização em todos os setores, especialmente no financeiro, as 
transformações constantes na economia demandam maior capacitação 
de gestores e colaboradores no entendimento dos novos papéis das or-
ganizações atuais, especialmente no que se refere à competitividade e 
sobrevivência das empresas a longo prazo.
Nesse sentido, para participar dos processos, atividades e decisões do 
setor financeiro, é preciso que mais e mais pessoas sejam capacitadas e 
conheçam a área financeira, o que vai além da descrição de números e re-
gistros contábeis, mas buscar explicações cada vez mais completas para 
as questões que constantemente emergem na realidade empresarial.
18 Gestão financeira estratégica
ATIVIDADES
1. Por que a visão holística do gestor é importante na alocação eficiente 
de recursos para a empresa?
2. Sobre as diferentes funções desenvolvidas pela área financeira, é 
preciso entender quais são e como os recursos se movimentam na 
empresa, relacionando as funções com o fluxo de recursos que estão 
em constante circulação. Nesse sentido, descreva quais são essas 
funções que são desenvolvidas pela área financeira.
3. Sabendo que a maximização da riqueza é buscada incessantemente 
pelas empresas, explique qual é o objetivo principal do exercício da 
gestão financeira estratégica que corrobora para que a organização 
valorize sua riqueza.
REFERÊNCIAS
ASSAF NETO, A. Finanças corporativas e valor. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
BARNEY, J. B.; HESTERLY, W. S. Administração estratégica e vantagem competitiva. São Paulo: 
Pearson Prentice Hall, 2011.
BRAGA, R. Fundamentos e técnicas de administração financeira. São Paulo: Atlas, 1989.
HOJI, M. Administração financeira: uma abordagem prática. São Paulo: Atlas, 2012.
Gestão de caixa e capital de giro 19
2
Gestão de caixa e capital de giro
Neste capítulo, os temas tratados referem-se ao caminho per-
corrido pelos recursos financeiros dentro da empresa, a forma 
como esses recursos são alocados em atividades e operações 
essenciais para o funcionamento diário da empresa, consideran-
do-se o curto prazo e, ao mesmo tempo, direcionando-se para 
períodos posteriores.
Aqui conheceremos dois instrumentos importantes da gestão 
financeira: o ciclo ou fluxo de caixa e o capital de giro. Tratando-
se de como os gestores organizam as atividades empresariais, em 
operacionais, de investimento e financiamento, assim como no 
foco das entradas e saídas de recursos no curto prazo, apresen-
taremos diferentes formas de registrar as operações financeiras.
Para isso, abordaremos conceitos relacionados aos dispên-
dios financeiros – como despesas, custos e gastos – e aos incen-
tivos e o crédito.
2.1 Ciclo e controle de caixa 
Vídeo O caixa da empresa se refere ao que chamamos de fluxo de caixa. 
Conhecido também como ciclo de caixa, trata-se do registro das en-
tradas e saídas de capital líquido no exercício financeiro das empre-
sas em determinado período. O demonstrativo do fluxo de caixa (DFC) 
documenta as entradas e saídas de caixa da empresa em um período 
específico e, por isso, é um registro indispensável para que se faça uma 
análise eficiente da viabilidade financeira de determinada empresa.
O fluxo de caixa pode ser dividido em três segmentos de análise, o 
operacional, de investimentos e de financiamentos. O segmento opera-
cional descreve, por exemplo, a receita advinda das vendas; o segmento 
de investimentos descreve o quanto a empresa tem investido ou precisa 
20 Gestão financeira estratégica
investir; e o segmento de financiamentosapresenta como a empresa fi-
nancia suas operações, isto é, quais são as fontes do capital utilizado para 
investir. Fontes de investimento e financiamento podem ser, por exemplo, 
empréstimos em bancos, capitalização por meio de títulos e por meio da 
aplicação de investidores, entre outros (WAINBERG, 2018a).
O ciclo de caixa representa a quantidade de liquidez que a empresa 
tem disponível, por isso é tanto um registro fundamental para identi-
ficar a saúde financeira quanto um dado importante para investidores 
interessados em determinada empresa.
Pensando dessa maneira, como os agentes financeiros podem op-
tar por investir em uma empresa ao invés de outra a partir da análise 
do fluxo de caixa? É simples.
Quando positivo, o ciclo de caixa mostra que a empresa tem receita 
líquida crescente, o que significa dizer, por exemplo, que ela pode liqui-
dar suas dívidas, é capaz de remunerar seus investidores, reinvestir no 
próprio negócio, entre outras situações. Já quando se encontra negati-
vo, o ciclo de caixa aponta que a empresa tem dificuldades para realizar 
suas operações e, dependendo do tempo em que fica nessa situação 
ruim, indica que suas operações se inviabilizam ainda mais, o que se 
configura em um cenário muito preocupante.
Dessa forma, o fluxo de caixa, sendo o registro de tudo que entra 
e sai da empresa, é importante independentemente do tamanho do 
empreendimento – pequeno, médio ou grande –, e da quantidade de 
capital envolvida em suas operações, porque indica de forma precisa 
a quantidade de dinheiro disponível para o desenvolvimento das ati-
vidades da empresa. Pelo fato de as empresas se diferenciarem em 
necessidades, características de operações, clientela, entre outros fato-
res, existem também tipos distintos de fluxos de caixa.
O fluxo de caixa diário é aquele muitas vezes praticado pelas em-
presas que realizam uma quantidade significativa de transações finan-
ceiras diárias, como restaurantes, lojas, mercados, entre outras. Esse 
modelo de registro se refere especificamente aos recursos que entram 
e saem da empresa em determinado dia. Para um período maior, essa 
análise não traz contribuições.
Outro modelo é o chamado fluxo de caixa simples, utilizado em 
empresas menores, que possuem uma quantidade razoável de ope-
Gestão de caixa e capital de giro 21
rações diárias e/ou semanais e registram de forma simplificada as ati-
vidades financeiras. São anotações que se referem ao resultado da 
conta de subtração entre tudo que entrou e tudo que saiu de recursos 
em determinado período. É uma forma eficiente de registrar, no en-
tanto, mesmo que simplificada, é preciso que o fluxo de caixa simples 
seja feito com critérios.
O fluxo de caixa direto, entretanto, é o mais utilizado pelas empre-
sas, pois analisa, sem descontos, o quanto a empresa registrou de en-
tradas (recebimentos) e saídas (pagamentos). Assim, as informações 
são disponibilizadas diariamente (WEINBERG, 2018a; REIS, 2019).
O fluxo de caixa operacional, outro modelo, refere-se somente às 
receitas e despesas em determinado período, no qual é feita a soma 
do lucro antes mesmo de descontar os juros e impostos pagos pela 
empresa. O ciclo operacional não deixa de registrar o faturamento em-
presarial, porém não registra se há necessidade de capital de giro e não 
contabiliza os investimentos.
Outra forma de se registrar o ciclo de caixa da empresa é o livre, que 
se refere ao fluxo de caixa operacional, isto é, o quanto a empresa ob-
teve dele depois de ter realizado todos seus gastos. Esse fluxo se refere 
ao valor presente da empresa, o que fica disponível para ser utilizado 
(WEINBERG, 2018a).
Uma outra forma de registar as atividades financeiras da empresa é 
o fluxo de caixa indireto. Neste ciclo, a base é o chamado Demonstrativo 
de Resultado do Exercício (DRE), sendo assim, o gestor utiliza os lucros e 
prejuízos advindos das informações contábeis e Balanço Patrimonial para 
saber quanto a empresa tem disponível de ativo em liquidez. Como se ba-
seia nos valores de lucro e prejuízo, o registro de caixa indireto pode apre-
sentar distorções preocupantes nos resultados, mesmo sendo uma forma 
simplificada de registrar as operações financeiras (WEINBERG, 2018a).
Outro tipo de registro é o chamado ciclo de caixa projetado. Além de 
registrar, o gestor financeiro analisa as entradas e saídas de recursos, 
podendo então fazer projeções para as futuras operações. Com ele, o 
responsável pelo registro e pela análise passa a ser estratégico, pois 
começa a gerir investimentos que podem vir a ocorrer, faz projeções de 
pagamentos e recebimentos, consegue corrigir falhas conforme anali-
sa o que pode estar sendo gasto sem necessidade e onde podem haver 
oportunidades de recebimentos (WEINBERG, 2018a).
Balanço Patrimonial é um tipo 
de demonstração em forma 
de relatório que apresenta as 
situações econômica e contábil 
da empresa, pois registra as infor-
mações relativas a bens, valores e 
direitos que a empresa possui em 
determinado período. O Balanço 
Patrimonial é constituído por três 
principais grupos de contas, o Ati-
vo Circulante, o Passivo Circulante 
e o Patrimônio Líquido.
Saiba mais
22 Gestão financeira estratégica
Por fim, há, ainda, o ciclo de caixa chamado descontado. Por meio 
dele, são feitas projeções do quanto a empresa poderá gerar de re-
cursos no futuro, e é essa medida que estabelece seu valor presente. 
Nesse sistema de caixa, dois aspectos são levados em consideração, 
o risco e o retorno, variáveis importantes que se referem a possíveis 
resultados futuros e descontos do fluxo de caixa. O ciclo de caixa des-
contado permite que seja estimado um valor de investimento, bem 
como riscos e oportunidades a ele implicados (WEINBERG, 2018a).
Tendo em vista as diferentes formas de se registrar os ciclos de cai-
xa, é possível entender como a análise desse fluxo de operações é fun-
damental para a empresa, tanto na realização e manutenção de suas 
atividades quanto para a avaliação dela no mercado. Por isso, para os 
investidores, é tão relevante conhecer e analisar os ciclos de caixa.
Nesse sentido, vamos entender melhor como se constitui um fluxo 
de caixa. É preciso ter em mente que, por meio do fluxo de operações e 
do fluxo de financiamentos, a empresa tem acesso aos recursos, e, por 
meio do fluxo de investimentos, ela mostra como utiliza esses recursos.
O fluxo de caixa das operações, ou caixa líquido das atividades 
operacionais, refere-se ao lucro líquido gerado a partir das operações, 
além de ser a primeira conta no DRE. Forma-se o resultado de caixa 
das operações quando são descontadas transações que não afetam 
o caixa, como depreciação, impostos diferidos, depreciação, provisões 
para devedores, entre outras.
Por sua vez, o fluxo de caixa dos investimentos, ou caixa líquido das 
atividades de investimento, é o segmento que registra as entradas e 
saídas referentes aos investimentos que a empresa realiza. Caso a em-
presa compre um terreno, por exemplo, esse desembolso é registrado 
como uma saída de caixa. A venda de um terreno, em contrapartida, é 
registrada como uma entrada de caixa.
Já o caixa líquido das atividades de financiamento registra as tran-
sações que se referem à estrutura de capital da empresa, como a va-
riação de caixa, a obtenção e pagamento de empréstimos, o retorno de 
ações, entre outras atividades.
A partir do entendimento de como o fluxo de caixa é composto, in-
dependentemente do tipo de modelo que o gestor financeiro adote 
para a empresa, podemos, assim, representar o ciclo de caixa empre-
sarial por meio dessas relações:
Gestão de caixa e capital de giro 23
Caixa inicial + caixa líquido das atividades operacionais + caixa das 
atividades de investimento + caixa das atividades de financiamento = 
caixa final de determinado período.
Essas relações entre os componentes do ciclo de caixa também 
apontam para a importância de conhecermos e analisarmos o ciclo 
de caixa de uma empresa. Quando o gestor avalia as operaçõesque 
compõem o fluxo de caixa, ele pretende entender como a empresa 
está operando, por exemplo, se positivamente, ou seja, obtendo boas 
margens, tendo despesas compatíveis com o previsto, isto é, se tem 
geração de fluxo de caixa (WAINBERG, 2018a).
A partir dessas percepções, o gestor, e/ou demais interessados 
nas atividades da empresa, analisará como a empresa tem inves-
tido, ou melhor dizendo, se as decisões tomadas estão gerando 
o retorno esperado, bem como se a empresa tem o potencial de 
investir cada vez mais na busca pelo crescimento e desenvolvimen-
to do negócio. Se sim, será analisada também de que forma serão 
financiados os investimentos, quais são os prazos de pagamento e 
os juros implicados nas atividades de financiamento (WAINBERG, 
2018a).
Apesar de todas essas considerações, é relevante esclarecer que, 
mesmo sendo um indicativo fundamental sobre a saúde da empresa, 
a análise do ciclo de caixa deve ser feita juntamente com a análise de 
outros indicadores significativos para a empresa.
Dessa maneira, quando falamos em ciclo e controle de caixa, nos 
referimos à realização do demonstrativo de fluxo de caixa (DFC). A 
partir dele, é possível entender, de fato, como o caixa de uma empre-
sa é gerado, porque são apresentadas as entradas e saídas de caixa 
registradas em um período específico.
Para exemplificar, como o fluxo de caixa pode ser elaborado de acor-
do com a estrutura financeira de cada empresa, podemos visualizar 
duas representações de DFC. Uma delas está na Figura 1, que apresen-
ta um modelo de DFC simplificado e, como pode ser visto na ilustração, 
tem como objetivo registrar as atividades diárias da empresa, por isso 
lemos “Movimento do Dia” na parte superior do fluxo de caixa.
Uma dica para o melhor 
entendimento do Fluxo 
de Caixa e como elabo-
rá-lo de forma prática a 
fim de atender ao que 
determinada empresa 
necessita, é o livro Finan-
ças para Autônomos, que 
aborda, além do fluxo 
de caixa, a explicação de 
demais conceitos e como 
se aplicam nas atividades 
financeiras das empresas 
de acordo com suas 
necessidades. 
AMURI, E. São José dos Campos: 
Editora Benvirá, 2018. 
Livro
Para empresas classificadas 
como de capital aberto e aquelas 
cujo Patrimônio Líquido excede 
dois milhões de reais, o DFC 
é obrigatório, exigido pela 
Lei n. 11.638/2007.
Importante
24 Gestão financeira estratégica
Figura 1
Modelo simplificado de fluxo de caixa
ATIVIDADES
Movimento do Dia Saldo Acumulado
R$ US$ R$ US$
ATIVIDADES DE OPERAÇÕES
Recebimento de vendas
(-) Impostos sobre vendas e compras
(-) Materiais e serviços
(-) Salários e encargos sociais – fábrica
(-) Custos indiretos de fabricação
(=) Superavit (deficit) bruto operacional
(+) Outras receitas operacionais
(-) Outras despesas operacionais
(=) Resultado antes dos efeitos financeiros
(+) Juros recebidos
*** ***
(–) Juros pagos
(+/-) Ganho (perda) com inflação
(+/-) Ganho (perda) na conversão
 (=) Superavit (deficit) de operações
ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS
(-) Investimentos permanentes – aplicação
(-) Imobilizado – aplicação
(-) Diferido – aplicação
(+) Investimentos permanentes – venda/dividendos
(+) Imobilizado – venda
(+/-) Resultado não operacional
(=) Superavit (deficit) de investimentos
ATIVIDADES FINANCEIRAS
(+) Investimentos temporários – resgate
(+) Empréstimos – captação
(+) Integralização de capital
(-) Investimentos temporários – aplicação
(-) Empréstimos – amortização
(-) Dividendo pagos
(=) Superavit (deficit) de financiamentos
CAIXA
Superavit (deficit) (A + B + C)
(+) Saldo anterior
(=) Saldo final
Fonte: Adaptada de Hoji, 2012, p. 152.
Gestão de caixa e capital de giro 25
Podemos notar ainda que no modelo de DFC da Figura 1, apresen-
tam-se três segmentos que podem compor o ciclo de caixa: as atividades 
operacionais, as atividades de investimento e as atividades financeiras, 
referentes às atividades de financiamento. As operações caracteriza-
das pelo sinal de (+) indicam as entradas de recursos, as operações 
sinalizadas com (-) relacionadas às saídas de recursos, em que se tem 
espaço para o resultado das operações (=) no final de cada segmento, 
podendo apontar para um superavit (saldo positivo) ou deficit (saldo 
negativo).
Sobre as atividades presentes no DFC da Figura 1, destacamos algu-
mas que podem não ficar muito claras quanto ao que se referem. Na 
atividade Imobilizado – aplicação, o termo imobilizado se refere ao ativo 
formado pelos bens que estruturam a empresa, ou seja, que são essen-
ciais para a sua existência, como propriedades, automóveis, o próprio 
maquinário da empresa, entre outros bens tangíveis.
Em Diferido – aplicação, o termo diferido diz respeito a uma despesa 
que foi feita no momento do registro e ainda não foi consumida, por 
isso pode ser chamada de despesa pré-operacional. Exemplos dessas 
despesas são custos com estudos, despesas com organização, propa-
gandas, abertura de firma, dentre outros. Esses dispêndios são trata-
dos como ativos diferidos porque são cobrados das despesas antes 
que os benefícios advindos deles sejam consumidos.
A atividade Integralização de capital, ou dizendo de outra forma, ca-
pital a integralizar, refere-se a uma parte do capital da empresa que 
ainda não faz parte do caixa, ou seja, é o capital intencionado para ser 
investido na empresa, à vista ou parcelado, da parte de um sócio ou 
acionista, dependendo do contrato estabelecido.
Outra atividade que pode ser destacada é Dividendos pagos, 
que se referem aos recursos pagos pelas empresas a seus acionis-
tas, que podem ser remunerados em dinheiro ou por meio de juros 
sobre o capital. Esse pagamento ocorre para a corretora em que o 
acionista possui ação – o período de pagamento varia de empresa 
para empresa.
Já a Figura 2 apresenta um modelo analítico de DFC, em que são 
discriminadas as operações das atividades operacionais e financei-
ras. Esse exemplo de modelo também se refere a uma movimenta-
ção diária, e o que devemos destacar é que a escolha do modelo de 
26 Gestão financeira estratégica
DFC feita pelo gestor financeiro, bem como o período que ele quer 
analisar devem atender às demandas e necessidades do empreen-
dimento, por isso existem diferentes modelos e formas de dispor as 
atividades, sejam elas operacionais ou financeiras, relacionadas aos 
investimentos e financiamentos.
Figura 2
Modelo analítico de fluxo de caixa
ITENS E ATIVIDADES
Movimentos do Dia Saldo Acumulado
R$ US$ R$ US$
ATIVIDADES DE OPERAÇÕES
1.
(+) Recebimento de vendas
Vendas no mercado interno
Vendas no mercado externo
2.
(-) Impostos sobre vendas e compras
ICMS
IPI
Outros impostos
3.
(-) Materiais e serviços
Matérias-primas
Serviços contratados
4.
(-) Salários e encargos sociais/fábrica
Salários
Encargos sociais
5.
(-) Custos indiretos de fabricação
Aluguel
Manutenção industrial etc.
8.
(-) Outras despesas operacionais
Comissão sobre vendas
Salários e encargos sociais
Despesas com veículos
Imposto de Renda
Propaganda
Outras despesas
10.
(+) Juros recebidos
Juros sobre investimentos temporários
Juros de mora
Resultados de hedge recebidos
(Continua)
Gestão de caixa e capital de giro 27
ITENS E ATIVIDADES
Movimentos do Dia Saldo Acumulado
R$ US$ R$ US$
11.
(-) Juros pagos
Juros sobre empréstimos e financia-
mentos
Juros de mora
Resultados de hedge pagos
12.
(-) Ganho (perda) com inflação
Sobre o saldo de caixa
Sobre vendas financiadas
Sobre investimentos temporários
ATIVIDADES FINANCEIRAS
22.
(+) Investimentos temporários – 
resgate
Fundos de investimento financeiro
Certificado de depósito bancário etc.
23.
(+) Empréstimos – captação
Empréstimos para capital de giro
Financiamento de importação etc.
26.
(-) Investimentos temporários – 
aplicação
Fundos de investimento financeiro
Certificado de depósito bancário etc.
27.
(-) Empréstimos – regaste
Empréstimos para capital de giro
Financiamento de importação etc.
Fonte: Adaptada de Hoji, 2012, p. 153.
No modelo analíticoda Figura 2, também podemos destacar o sig-
nificado de algumas atividades. Na atividade 11, constam os chamados 
juros de mora, que se referem a uma penalidade advinda do atraso da 
quitação de uma dívida. Na mesma atividade, está descrita a operação 
resultados de hegde pagos, em que o hegde é um fundo de investimen-
to que se caracteriza por altas taxas de retorno, no qual os recursos 
são alocados sem levar em consideração políticas rígidas muitas vezes 
estabelecidas para a maioria dos outros fundos.
Notamos ainda que, no DFC analítico da Figura 2, o registro ter-
mina na atividade 27, que consta no segmento das atividades finan-
ceiras. Para finalizar esse registro de caixa, é preciso, assim como 
aparece na Figura 2, fechar o caixa, desse modo o saldo final será (=) 
o saldo inicial (anterior ao período presente) (+) o saldo resultante 
do período presente (superavit ou deficit).
28 Gestão financeira estratégica
2.2 Características do capital de giro 
Vídeo Capital de giro é o nome dado ao recurso financeiro fundamental 
que permite à empresa conseguir desenvolver suas atividades do dia a 
dia. É um recurso necessário para que a empresa tenha uma garantia 
financeira no período posterior ao pagamento de salários, desembol-
sos como custos e despesas, aquisição de estoques, entre outras situa-
ções que caracterizam a rotina financeira das empresas no curto prazo.
Assim como o ciclo de fluxo de caixa é um indicador eficiente para 
medir a saúde financeira de uma empresa, o capital de giro também o 
é, além de possuir foco no curto prazo (REIS, 2018b). O capital de giro 
então pode ser representado com a seguinte relação:
Ativo Circulante – Passivo Circulante = capital de giro
O componente Ativo Circulante se refere aos chamados ativos da 
empresa que são, por exemplo, o caixa, os estoques, as aplicações fi-
nanceiras, as contas a receber, entre outros recursos que indicam as 
entradas e/ou recursos disponíveis da empresa. O Passivo Circulante, 
por sua vez, indica as obrigações de curto prazo da empresa, como pa-
gamento de fornecedores, contas a pagar, dívidas e demais dispêndios.
Dada essa relação entre Ativo e Passivo Circulante, o que espera-
mos do capital de giro é que ele seja um montante sempre positivo, 
isto é, que os ativos sejam sempre superiores aos passivos. Mas e as 
empresas que trabalham com vendas a prazo, por exemplo, como con-
seguem se organizar? Vamos pensar sobre isso. Se os recebimentos se-
rão futuros, mas os dispêndios presentes se mantêm estáveis, de que 
forma o gestor financeiro pode se atentar à saúde financeira de curto 
prazo? Melhor dizendo, como saberá se terá capital de giro para que as 
atividades da empresa não sejam prejudicadas?
Para responder a essas perguntas, o gestor financeiro deve se 
atentar aos seguintes aspectos: se está havendo redução de vendas, 
se há crescimento de inadimplência, se as despesas financeiras estão 
aumentando, se os custos vêm aumentando, entre outros aspectos 
que mostram uma mudança de comportamento dos componentes fi-
nanceiros. Por isso, o gestor financeiro deve estar sempre atento ao 
que pode ser passível de redução de gastos, fazer a manutenção do 
controle da inadimplência e estar sempre revendo suas estratégias de 
recebimentos (REIS, 2018b).
Uma dica para conhecer-
mos melhor o capital de 
giro e, com isso, aperfei-
çoarmos sua gestão no 
dia a dia das empresas 
é o livro Administração 
do capital de giro, o qual 
é interessante por con-
textualizar o capital de 
giro enquanto conceito 
e técnica de gestão para 
a realidade brasileira, 
trazendo modernidade 
a essa análise vital para 
a manutenção da saúde 
financeira de qualquer 
empresa.
ASSAF NETO, A.; SILVA; C. A. T. 4. ed. 
São Paulo: Atlas, 2011.
Livro
Gestão de caixa e capital de giro 29
No entanto, uma ressalva importante sobre o capital de giro é que, 
como toda falta é prejudicial, o excesso de capital de giro também o é. Isso 
porque essa situação pode significar que a empresa está trabalhando com 
um excedente de estoques, ou seja, está com recursos parados por tempo 
e volume maiores do que o necessário, ou também, pode estar perdendo 
oportunidades de reinvestir seu excedente de caixa (REIS, 2018b).
Para ilustrar esse conceito e instrumento de gestão financeira tão im-
portante, na Figura 3, está representado um exemplo tradicional, e, por 
isso, aparentemente complexo, de ciclo de capital de giro de uma indústria.
Figura 3
Ciclo de capital de giro em uma indústria
Ve
nd
as
 à
 v
is
ta
Contas não Circulantes Ativos Circulantes Operações Passivos Circulantes
Estoques de 
matérias-primas 
e materiais 
auxiliares 
Compras
Pedidos
Fornecedores
Atividades 
administrativas e 
outras 
Despesas 
operacionais
Contas a pagar 
Remessas
Prov. Imp. 
Renda etc.
Baixa dos estoques
MOD e parte dos CIFDepreciação
ProduçãoAtivos Fixos
Estoques de 
produtos Custos de produção 
 Baixas (CPV) 
Vendas
Duplicatas a 
receber
Vendas a prazo
Cobrança
Desconto 
de 
duplicatas 
Duplicatas 
descontadas 
(redutora do AC)
Empréstimos a 
curto prazo 
Pagamentos
Incobráveis
Lí
qu
id
o 
cr
ed
ita
do
Capital de giro
Caixa e bancos
Excedente gerado 
Capital circulante 
líquido (parte do 
PL e do ELP) 
Recebimentos
Fonte: Adaptada de Braga, 1989, p. 83.
30 Gestão financeira estratégica
Apesar de parecer confuso, com relação à quantidade de atividades e 
operações descritas, o ciclo de capital de giro da Figura 3 chama a atenção 
sobre o capital de giro estar descrito como aquele que dá suporte para a 
realização das atividades da empresa, que é do segmento industrial.
Isso reforça o que sabemos, estando como alicerce, o capital de giro 
é o recurso financeiro que garante a saúde financeira da empresa no 
período posterior à realização de todas as suas obrigações de curto 
prazo, isto é, demonstra que o Ativo Circulante é maior do que o Passi-
vo Circulante. Assim como no DFC, o capital de giro pode ser ilustrado 
de diferentes formas, para que o gestor financeiro visualize e avalie, da 
melhor maneira possível, o fluxo de atividades e recursos transaciona-
dos na empresa no curto prazo.
2.3 Análise de crédito e despesas 
Vídeo Vamos falar de crédito e despesas, dois conceitos fundamentais 
para entender como os gestores podem conduzir de maneira eficiente 
as atividades financeiras das empresas. Primeiramente, conhecer a di-
ferença entre despesa, custo e gasto facilita a organização das finanças, 
isso tanto em âmbito pessoal quanto empresarial.
A despesa pode ser entendida como o dispêndio financeiro relacio-
nado a uma constância, isto é, um dispêndio recorrente, que normal-
mente ocorre mensalmente (MOSMANN, 2020). Exemplos de despesas 
são aluguel, contas de telefone, energia, água, condomínio, alimenta-
ção, entre outros.
O custo, por sua vez, refere-se a uma aquisição, assim como o gasto. 
Custo e gasto são conceitos parecidos e, muitas vezes, confundidos. No 
entanto, custo é uma aquisição necessária, isto é, não poderia ser subs-
tituída. Já o gasto pode ser entendido como uma aquisição supérflua, ou 
seja, poderia ser adiada, dispensada (MOSMANN, 2020). Veja que, por 
esse entendimento, a realização e classificação de custo e gasto depen-
dem, essencialmente, da gestão financeira, de como o gestor entende e 
toma decisão a partir dos recursos disponíveis, e essa importância reside 
tanto no âmbito empresarial, foco do nosso estudo, quanto no pessoal.
Nesse sentido, quando estudamos esses conceitos, crédito, despesa, 
custo, gasto, ciclo de caixa, capital de giro, ativos, passivos, entre outros, 
que dão nome e significado às atividades e aos valores do dia a dia fi-
Gestão de caixa e capital de giro 31
nanceiro das empresas, estamos nos referindo aos ciclos operacional e 
financeiro. Esses ciclos, então, compõem o cenário do setor financeiro.
Para reforçar, o ciclo operacional é aquele que auxilia o gestor no 
entendimento de quantas mercadorias, e/ou serviços, estão em mo-
vimento na empresa. Portanto,é o período referente ao desembolso 
inicial relacionado à produção, seguido do período de venda e, poste-
riormente, o recebimento das vendas, no relacionamento cliente-em-
presa. É esse período que mostra para o gestor quanto de capital de 
giro é necessário para dar continuidade às atividades e, com isso, po-
der expandir o empreendimento (REIS, 2018c). Com relação ao ciclo 
financeiro, o ponto principal é a estratégia, isto é, o conceito estraté-
gico começa a fazer parte da tomada de decisão do gestor financeiro, 
porque passa a se tratar da análise de projeção do ciclo de caixa, por 
exemplo, para além da necessidade de obter capital de giro.
Sobre as despesas, podemos classificá-las para melhor compreen-
dermos como se dá a composição dos ciclos operacional e financeiro. 
A despesa administrativa, por exemplo, é aquela que não está relaciona-
da de forma direta com a produção, além disso se refere normalmente 
às questões administrativas, como contas de telefone, recepção, dispên-
dios com limpeza, departamento jurídico. Pode ser chamada também de 
gastos gerais. As despesas operacionais, entretanto, estão relacionadas 
às atividades da produção de bens e serviços, à matéria-prima de fato 
(REIS, 2018d). Isso quer dizer que, existindo uma mudança na quantida-
de produzida pela empresa do produto x, os custos operacionais mu-
dam, mas os custos administrativos se mantêm estáveis.
Quando falamos sobre as despesas administrativas, podemos dizer 
que estamos falando também de custos fixos, que são também chama-
dos de gastos permanentes, como já dito anteriormente. Nesse sentido, 
a importância da gestão das despesas administrativas reside no enten-
dimento de que, quanto menor for o custo fixo da empresa, menores 
são os custos totais e maiores as oportunidades de a empresa fazer as 
melhores escolhas com relação ao quanto produzir. Dizendo de outra 
maneira, quanto mais a empresa produz, mais fragmentado, ou seja, 
mais diluído nos custos totais da empresa, o valor do custo fixo estará.
As despesas não operacionais, por sua vez, referem-se aos gastos 
que formam o DRE. Como ocorrem fora da produção, os gastos não 
operacionais não incidem sobre os custos da produção. Dessa forma, 
O fato de que a empresa pode 
conduzir suas escolhas para 
otimizar a forma e o quanto 
produz leva-nos a outro con-
ceito, o de economia de escala, 
que é recorrente para a gestão 
das contas de ciclo de caixa e 
capital de giro, no que se refere 
às despesas. Economia de escala 
é um conceito que dá nome ao 
momento em que a empresa 
produz uma quantidade a mais 
de bem e/ou serviço e, com 
isso, consegue reduzir o custo 
de produção por unidade. Esse 
aumento de produção a um 
custo menor torna a empresa 
mais competitiva nesse quesito. 
Saiba mais
32 Gestão financeira estratégica
como vimos, a despesa administrativa é não operacional. Outras des-
pesas não operacionais são: indenização de seguros, aluguéis, despe-
sas de ajuste de valor de mercado, despesas patrimoniais, juros sobre 
um empréstimo, entre outras.
Por último, temos as despesas classificadas como financeiras. Refe-
rem-se ao preço que uma empresa paga aos seus credores e aos juros 
de empréstimos feitos em prol do empreendimento. Dessa forma, nor-
malmente as despesas financeiras constam no DRE como vinculadas 
ao endividamento da empresa.
Feitas as considerações sobre as despesas, vamos então ao enten-
dimento do crédito. O crédito ao consumidor é uma modalidade de 
empréstimo e de financiamento de origem bancária, de lojas ou outras 
instituições financeiras, também chamado de Crédito Direto ao Consu-
midor (CDC). Normalmente o valor liberado para empréstimo, indepen-
dentemente de quanto, pois varia em cada caso, destina-se a compras, 
financiamento de imóveis, veículos, por exemplo. Tanto pessoa física 
quanto jurídica podem utilizar o CDC.
Alguns aspectos sobre a concessão de crédito para as empresas 
devem ser observados. A necessidade de resolver problemas de capi-
tal de giro insuficiente, obtenção de máquinas ou de um imóvel maior 
para o empreendimento são situações que exemplificam uma possível 
necessidade da concessão de crédito ser realmente utilizada para be-
neficiar a empresa. Entretanto, para ser feita com parcimônia, é impor-
tante o gestor financeiro atentar para a real necessidade desse tipo 
de operação e realizar seu planejamento, para que haja aumento da 
lucratividade, a fim de que a empresa possa ter condições de quitar o 
crédito. Dizendo de outra forma, é necessário que a taxa de retorno 
sobre o valor emprestado seja maior do que o custo para consegui-lo.
A análise de crédito trata da capacidade de pagamento dos juros, 
no período estabelecido para a operação, por quem assumiu o em-
préstimo. Na avaliação para a liberação do crédito, o banco avalia, por 
exemplo, histórico de pagamentos, situação patrimonial, garantias e 
fiadores. Quando se faz análise de crédito, o analista responsável pela 
gestão de risco do crédito deve fornecer ao credor o máximo de infor-
mações possíveis sobre o cenário real da capacidade do devedor em 
honrar os compromissos (WAINBERG, 2018b).
Para visualizar de forma 
mais concreta como os 
conceitos de gasto, des-
pesa, custo, receita, entre 
outros, dão forma ao dia 
a dia da gestão financeira 
das empresas, uma dica é 
assistir à série de vídeos 
do canal Suno Research 
com Alberto Amparo. 
De uma forma bastante 
didática, ele auxilia no 
entendimento de como 
os conceitos se aplicam 
no cotidiano da adminis-
tração financeira. 
Disponível em: https://youtu.
be/YpJemiJ4qo8. Acesso em: 16 
jun. 2020.
Vídeo
https://youtu.be/YpJemiJ4qo8
https://youtu.be/YpJemiJ4qo8
Gestão de caixa e capital de giro 33
Como vimos, o crédito é essencial tanto às pessoas quanto às em-
presas, para que haja continuidade e um melhor planejamento das 
finanças. No entanto, é relevante verificarmos se existe a real neces-
sidade de buscá-lo e, especialmente, onde alocar esse recurso, ao 
pensarmos principalmente no retorno financeiro que ele trará em de-
terminado planejamento pessoal e/ou empreendimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A gestão financeira estratégica envolve todos os aspectos que carac-
terizam uma empresa, o que significa conhecer desde as atividades es-
senciais até as políticas de tomadas de decisão estratégicas. Dessa forma, 
a gestão de caixa e capital de giro apresentada neste capítulo reforça o 
olhar minucioso e atento que o gestor financeiro deve ter com a transação 
de recursos e operações no dia a dia empresarial.
Entender como as atividades são organizadas e de que forma os recur-
sos são alocados implica conhecer a saúde financeira da empresa, se está 
em uma situação positiva ou negativa com relação ao desenvolvimento de 
funções, na busca por seus objetivos e, ainda, se está competitiva quando 
comparada a outras empresas.
Por isso, a forma escolhida pelo gestor para registrar a movimentação fi-
nanceira, e de que maneira identifica e trabalha sobre suas necessidades e di-
ferenciais implica o olhar para o curto prazo com planejamento para períodos 
posteriores. Assim, o conhecimento das ferramentas de gestão aqui apresenta-
das, além de conceitos essenciais, é também instrumento de direcionamento.
ATIVIDADES
1. Sabendo que o fluxo ou ciclo de caixa é instrumento essencial de 
gestão para o registro e acompanhamento da saúde financeira das 
empresas, diferencie o ciclo de caixa direto do ciclo de caixa livre.
2. Ao diferenciar as atividades de investimento das atividades de financiamento, 
o gestor financeiro consegue também alocar os diferentes recursos 
advindos dessas atividades de forma correta na elaboração do fluxo de 
caixa. Descreva por que o fluxo de caixa das atividades de investimento é 
diferente do fluxo de caixa das atividades de financiamento.
3. As despesas, assim como os gastos e custos, fazem parte da rotina 
financeira das empresas e saber registrá-las é tão importante quanto 
34 Gestão financeira estratégica
identificá-las. Para fazer esseexercício de identificação, explique por que 
as despesas administrativas se diferenciam das despesas operacionais.
4. Sabendo que, quando falamos em capital de giro, estamos também 
nos referindo às contas do Passivo e Ativo Circulantes das empresas, 
descreva qual é a operação simplificada que mostra como se calcula o 
capital de giro e explique a diferença entre Ativo e Passivo Circulantes.
REFERÊNCIAS
BRAGA, R. Fundamentos e técnicas de administração financeira. São Paulo: Atlas, 1989.
HOJI, M. Administração financeira: uma abordagem prática. São Paulo: Atlas, 2012.
MOSMANN, G. Entenda a diferença entre despesas, custos e gastos. 2020. Disponível em: 
https://www.sunoresearch.com.br/artigos/custos-e-gastos/. Acesso em: 20 maio 2020. 
REIS, T. Capital de giro: o que é qual sua importância para a empresa? Suno Research, 
2018b. Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/capital-giro/. Acesso em: 
20 maio 2020.
REIS, T. Ciclo operacional: veja como funciona esse aspecto vital de um negócio. Suno 
Research, 2018c. Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/ciclo-
operacional/. Acesso em: 20 maio 2020.
REIS, T. Fluxo de caixa direto: conheça esta análise financeira. Suno Research, 2019. 
Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/fluxo-de-caixa-direto/. Acesso 
em: 20 maio 2020.
REIS, T. O que é balanço patrimonial e qual a função desse demonstrativo contábil. Suno 
Research, 2018a. Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/o-que-e-
balanco-patrimonial/. Acesso em: 20 maio 2020.
REIS, T. O que são despesas administrativas? Saiba como analisá-las. Suno Research, 2018d. 
Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/despesas-administrativas/. 
Acesso em: 20 maio 2020.
WAINBERG, R. Análise de crédito: siga essas 3 dicas para se proteger de perdas. 2018b. 
Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/analise-de-credito/. Acesso em: 
20 maio 2020.
WAINBERG, R. Fluxo de caixa: o que é, qual sua importância e como analisá-lo? 2018a. 
Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/fluxo-de-caixa/. Acesso em: 20 
maio 2020.
Orçamento, preço e custo 35
3
Orçamento, preço e custo
Uma parte importante da gestão financeira estratégica é aque-
la que aborda o planejamento orçamentário como ferramenta es-
sencial para guiar a tomada de decisão do gestor com relação às 
finanças empresariais. A importância da elaboração orçamentária 
é que ela demonstra como a saúde financeira está, esteve e deve 
estar no decorrer do desenvolvimento das atividades empresa-
riais, o que implica, necessariamente, a análise de fatores internos 
e externos à empresa.
Os fatores internos podem ser chamados de indicadores finan-
ceiros e econômicos pertencentes à empresa. Envolvem o conheci-
mento da estrutura de custos, despesas, quantidades produzidas 
e vendidas, percentual de lucro e demais aspectos que o gestor 
financeiro deve conhecer para fazer a manutenção financeira das 
operações. Os fatores externos, por sua vez, não são menos im-
portantes, como as taxas de câmbio, juros, impostos e tributos pra-
ticados no ambiente em que a empresa atua e no cenário nacional.
Sendo assim, o planejamento orçamentário, bem como os indi-
cadores internos da empresa, especialmente os relacionados aos 
custos e à precificação de produtos e serviços, são uma ferramenta 
que oferece recursos matemáticos e conceituais para que o gestor 
elabore e desenvolva cada vez melhor a rotina financeira, especial-
mente as projeções futuras necessárias para a manutenção e o 
progresso do empreendimento.
36 Gestão financeira estratégica
3.1 Classificação de custos e despesas 
Vídeo Os custos e as despesas são conceitos relacionados aos gastos de 
uma organização na realização de suas atividades. Os custos se refe-
rem aos gastos vinculados às atividades principais da organização, nor-
malmente pertencentes à produção, como compras de matéria-prima, 
pagamentos de contas, entre outras operações essenciais.
As despesas, por sua vez, já não são diretamente relativas à produ-
ção, mas, sim, à continuidade do empreendimento, alguns exemplos 
de despesas podem ser os salários, as comissões pagas, entre outras. 
Quanto à classificação, ambos custos e despesas podem ser fixos – gas-
tos que não variam com a variação do volume produzido ou vendido 
– e variáveis – gastos que variam conforme a variação do volume pro-
duzido ou vendido.
O conhecimento da diferenciação existente entre custos e despesas, 
ou seja, saber classificá-los, tem importância porque é o acompanha-
mento das atividades e processos internos da empresa que permite ao 
gestor encontrar as melhores oportunidades e criar mecanismos de 
controle, com relação à organização e à maximização dos resultados.
O estudo dos custos e despesas se refere a uma parte das ciências 
contábeis que é a contabilidade de custos, fundamentalmente impor-
tante para a gestão econômica da empresa, já que, por meio dela, as 
informações financeiras transformam-se em indicadores de gestão, ali-
cerces para a tomada de decisão.
A partir disso, vamos nos aprofundar nos diferentes tipos de custos 
fundamentais para a administração financeira empresarial. O primeiro 
deles é o chamado custo de produção. Esse custo se refere a quanto 
se gasta para produzir algo e, a partir dele, é possível determinar por 
quanto um produto deve ser vendido para poder “cobrir” o custo de 
produção, isto é, o necessário para gerar lucro para a empresa.
De acordo com Reis (2018a), o cálculo do custo de produção está 
vinculado à viabilidade econômica do empreendimento, servindo como 
um indício para saber como estão a produção e a capacidade da em-
presa em maximizar seus retornos. O custo de produção está também 
associado a quanto a empresa consegue ser competitiva em relação 
Orçamento, preço e custo 37
ao mercado, isto é, quanto consegue produzir gastando menos e, por 
isso, a importância da análise constante dos processos e das atividades 
internos à organização.
Para formar o custo de produção, temos que olhar para os gastos 
com matérias-primas, gastos com materiais e gastos com fabricação. 
Custos com mão de obra, por exemplo, são salários, encargos sociais; 
assim como o cálculo de quanto custa a hora de trabalho. Depreciação, 
custos de energia elétrica e manutenção são custos de fabricação, por 
exemplo. De maneira geral, os custos de produção envolvem muitas 
variáveis, como cálculos de aluguel, custos de manutenção, máquinas, 
entre outras (REIS, 2018a).
Sobre os custos envolvidos no processo de produção, podemos 
apontar os custos fixos e variáveis, custo total, marginal e de oportunida-
de. Vejamos cada um deles a fim de saber identificá-los e mensurá-los 
para que a administração financeira empresarial seja eficiente.
Os custos fixos são aqueles que não sofrem variação conforme a va-
riação da quantidade produzida. O exemplo do aluguel caracteriza mui-
to essa definição de custo fixo, porque não se altera com a produção e 
é um dispêndio constante e necessário para que a empresa continue a 
realizar suas atividades. O custo fixo médio pode ser calculado a partir 
do custo fixo total, sendo então:
Custo fixo médio = custo fixo total / quantidade produzida total
O valor do custo fixo médio nos indica quanto a empresa gasta para 
produzir uma unidade.
Os custos variáveis, ao contrário, são aqueles que variam de acordo 
com a quantidade produzida, como, por exemplo, a compra de maté-
rias-primas. Dentro do custo variável, temos o chamado custo variável 
médio, que é o custo que varia para cada unidade produzida. Então 
podemos calcular assim:
Custo variável médio = custo variável total / quantidade produzida total
Esse cálculo é importante porque indica qual pode ser o preço do 
produto a ser vendido.
38 Gestão financeira estratégica
O indicador que aponta para a lucratividade da empresa, especial-
mente com relação ao lucro bruto é o chamado custo da mercadoria 
vendida (CVM). O cálculo do CVMé feito da seguinte forma:
CMV = E (inicial) + C – E (final)
Em determinado período específico, o custo da mercadoria vendi-
da será o estoque inicial adicionado do valor das compras feitas nesse 
mesmo período, subtraindo-se, desse valor, o estoque final.
O cálculo do CVM aponta para a necessidade de gerir os estoques, 
pois quanto maior o valor do estoque em determinado período, menor 
será, por exemplo, o capital de giro da empresa nesse mesmo período 
(REIS, 2019a). O conhecimento dos custos e despesas faz com que en-
tendamos de forma conjunta diferentes conceitos que, na prática, são 
indicadores fundamentais da saúde financeira empresarial.
Ainda pode ser calculado o custo total médio:
Custo total médio = custo total / quantidade produzida total
Esse custo é fundamental no processo de precificação do produto 
vendido, porque espera-se que esse preço seja, no mínimo, maior que 
o custo total médio.
O cálculo do custo marginal é outra operação fundamental à gestão 
financeira. O custo marginal indica quanto precisamos para produzir 
uma unidade a mais do que se produz. Então, quanto custaria produzir 
101 pregos, sendo que produzimos 100 pregos por dia? Essa resposta 
é dada quando encontramos o custo marginal. O cálculo do custo mar-
ginal tem como objetivo encontrar um ponto de otimização em que o 
custo de produzir uma unidade a mais seja igual ao custo total médio 
de toda produção.
Nesse sentido, podemos calcular o custo marginal dessa forma:
Custo marginal = variação do custo total / variação da quantidade 
produzida
Custo marginal então é a conexão entre as variações de custo e a 
quantidade produzida. Quando o custo marginal é zero – situação que 
normalmente acontece em empresas de tecnologia e inovação –, signi-
fica que as empresas conseguiram criar formas eficientes de produção 
Orçamento, preço e custo 39
que reduzem o custo marginal a níveis baixíssimos, ou seja, o custo fixo 
de produção é muito maior do que o custo variável.
Outro custo importante é o chamado custo de oportunidade, o custo 
de escolher uma coisa em detrimento de outra. Na gestão financeira, 
o custo de oportunidade significa renunciar a uma escolha porque foi 
feita outra, como por exemplo, escolher fazer um investimento em um 
novo empreendimento ao invés de utilizar um espaço que já se tem. 
Para isso, o gestor deve estar sempre pensando sobre quais são os ris-
cos de escolher algo em detrimento de outro, e quais são os benefícios 
que essa escolha deve trazer para a empresa.
Outro tipo de custo importante para o entendimento da gestão 
financeira é o chamado custo de transação. O custo de transação 
está relacionado ao lucro líquido gerado pela empresa, por isso é 
importante conhecê-lo para que se saiba qual é a lucratividade do 
empreendimento. O quanto a empresa gasta com a manutenção de 
suas atividades, bem como o quanto gasta na realização de suas 
transações, como as de captação de recursos, por exemplo, são con-
siderados custos de transação.
Alguns fatores são levados em consideração para a análise do custo 
de transação. No momento da escolha, o tomador de decisão deve ten-
tar maximizar suas informações, isto é, obter o máximo de informações 
possíveis a respeito do contexto que envolve determinada escolha, isso 
porque a chamada Teoria dos Custos de Transação tem o pressuposto 
de que a racionalidade dos indivíduos é limitada e, por isso, temos sem-
pre que buscar o máximo de conhecimento possível a respeito do que 
se quer entender (REIS, 2019b).
Outro fator a ser considerado no cálculo do custo de transação é o 
quanto uma oportunidade pode ser específica. Isso se refere ao fato 
de que, quanto mais específico for um produto, um serviço, um ativo, 
uma situação, maior será o custo de transação. O terceiro fator que 
impacta na percepção do custo de transação pelo gestor é o oportunis-
mo, ou seja, deve-se levar em consideração que os agentes econômicos 
têm interesses diferentes e, muitas vezes, podem buscar agir conforme 
esses interesses, causando incerteza e instabilidade na realização de 
contratos. Por isso, existe a necessidade de uma gestão constante e 
eficaz da administração dos custos e das práticas de gestão financeira 
da empresa (REIS, 2019b).
40 Gestão financeira estratégica
Além desses custos, uma diferenciação fundamental para a admi-
nistração financeira e contábil da empresa é a existente entre os custos 
direto e indireto. O custo direto é todo aquele ligado ao produto e/ou 
serviço que a empresa desenvolve ou que ela não produz, mas que 
faz parte da sua atividade funcional. Para obter, então, o preço base 
da venda de um produto e/ou serviço que será acrescido (mais tarde) 
pelos custos indiretos da produção, basta somar os custos diretos da 
empresa e dividi-los pela quantidade total produzida, assim:
Preço base de venda (sem adição dos custos indiretos) = Custo direto 
total / Quantidade produzida total
O custo indireto, por sua vez, é aquele composto pelos gastos com 
manutenção das atividades de mercado da empresa que não são di-
retamente relacionados à produção, como transporte para entrega de 
determinado produto, se for o caso, despesas administrativas, energia, 
tempo de trabalho, tempo de pesquisa, entre outros exemplos, porque 
não estão diretamente vinculados às atividades fim da empresa e, por 
isso, variam de empreendimento para empreendimento. A importân-
cia de conhecer os custos indiretos reside no fato de que eles precisam 
ser rateados para que o gestor os inclua na elaboração do preço do 
produto e/ou serviço que será comercializado.
Sobre as despesas, que são os dispêndios não relativos diretamente 
à produção da empresa, elas podem ser classificadas de diferentes for-
mas, assim como vimos os diferentes tipos de custos existentes. Desse 
modo, podemos identificar alguns tipos de despesas: fixas, pré-opera-
cionais, operacionais, não-operacionais, tributárias, administrativas, finan-
ceiras e despesas de capital.
As despesas fixas são aquelas não vinculadas ao custo do produto, 
ou seja, independe do custo de um produto e/ou serviço produzido 
ou vendido. Despesas fixas são, por exemplo, energia elétrica, telefo-
ne, internet. As despesas pré-operacionais, por sua vez, são as asso-
ciadas à abertura ou expansão de um empreendimento. Neste caso, 
esse tipo de despesa pode vir da produção, pois envolve todos os as-
pectos referentes ao início de um empreendimento, isto é, à abertura 
de um negócio. Podemos elencar alguns exemplos de despesas pré-
-operacionais, como licenças de funcionamento, instalação – local e de 
equipamentos –, capacitação de funcionários, entre outras.
Orçamento, preço e custo 41
Outros tipos de despesas são as operacionais, aquelas associadas 
ao funcionamento e à manutenção das operações, como a manutenção 
de uma máquina, por exemplo. No entanto, as despesas operacionais 
podem estar muitas vezes relacionadas a terceiros, como despesas 
com viagens, seguridade, despesas de escritório, folha de pagamen-
to, publicidade, entre outras. O cálculo e a administração das despe-
sas operacionais estão associados ao acompanhamento das finanças 
por meio da utilização do fluxo de caixa, do orçamento – tanto pessoal 
quanto empresarial –, do Balanço Patrimonial e também do Demons-
trativo do Resultado de Exercício (DRE).
As despesas não operacionais, no entanto, são aquelas que com-
põem o DRE e são, frequentemente, segmentadas em quatro tipos: as 
administrativas, comerciais, não operacionais e operacionais. O objetivo 
de conhecer as despesas não operacionais é analisar o desempenho da 
empresa no tocante à obtenção de lucro ou prejuízo. Exemplos de des-
pesas não operacionais são: indenização de seguros, implementação de 
um negócio, os juros implicados em um empréstimo, entre outras.
Outras despesas são as chamadas tributárias, aquelas destina-
das ao pagamento dos impostos, multas, e/ou qualquer penalidade 
que a empresa venha a sofrer. Pelo fato de as despesas tributárias 
variarem bastante conformeo tipo de empreendimento, alguns fa-
tores interferem na sua composição, como, por exemplo: o regime 
tributário adotado pela empresa, o tipo de produto que ela ofere-
ce, a sua localização geográfica e onde o produto e/ou serviço é 
comercializado.
A gestão das despesas tributárias deve ser feita por meio do orça-
mento, ou seja, precisam estar no orçamento adotado pela empresa, 
com o chamado planejamento tributário, porque, assim, o gestor conse-
gue administrar quais serão essas despesas em determinado período.
Quando falamos nas despesas administrativas, nos referimos às 
despesas que incidem sobre o funcionamento do negócio de forma 
indireta e não atreladas à produção. Nesse sentido, é importante 
ressaltar que as despesas administrativas muitas vezes são tam-
bém custos fixos e, quanto menores forem essas despesas e custos 
fixos, menor é o custo total da empresa e mais liberdade ela terá 
em escolher o quanto produzir.
42 Gestão financeira estratégica
Outra classificação para as despesas é chamá-las de financeiras. As 
despesas financeiras são aquelas registradas no DRE. De acordo com 
Reis (2018b), as despesas financeiras: “representam o preço a ser pago 
por um empreendimento aos seus credores e são relativas aos juros 
provenientes de empréstimos contraídos pelo negócio, independente-
mente de qual seja, de fato, o intuito dessa dívida”.
Além dos tipos de despesas estudados até aqui, outra classificação 
é a chamada despesa de capital, que são investimentos utilizados pelas 
empresas quando buscam expandir seus negócios. Exemplos de des-
pesas de capital, também chamadas de investimento de capital, podem 
ser: a construção de um novo espaço de atuação, a aquisição de bens 
de longa duração, como carros e alguma máquina/equipamento, entre 
outras. No fluxo de caixa, é no segmento de investimentos que as des-
pesas de capital são contabilizadas.
Como vimos, há uma extensa classificação para custos e despesas 
e, por isso, é importante saber identificá-los na estrutura de atividades 
da empresa para que seja possível a realização e acompanhamento de 
uma gestão financeira eficiente.
3.2 Formação de preço
Vídeo A formação do preço de venda, tanto para produtos quanto ser-
viços, é uma função especialmente importante do gestor financeiro, 
porque é preciso que o preço seja condizente com as necessidades 
internas da empresa e com o que é praticado pelo mercado. Nesse 
sentido, a empresa deve praticar um preço, ou seja, vender um produ-
to/serviço a um preço que não incorra em prejuízos para si, que não 
produza retornos negativos.
Dessa maneira, a formação do preço pode ser baseada no custo, 
na receita líquida, no valor do dinheiro no tempo, entre outras formas, 
sempre com uma análise recorrente das necessidades do empreendi-
mento e do que tem acontecido no mercado em que a empresa está 
inserida e/ou opera (HOJI, 2012).
O cálculo de um preço de venda líquido (PVL) e o cálculo do preço 
de venda bruto (PVB) com base nos custos da empresa, por exemplo, 
devem ser feitos a partir do conhecimento de qual é a receita líquida e 
Para complementar nosso 
estudo sobre os custos, 
tanto relativos a fatores con-
tábeis quanto financeiros, o 
livro Contabilidade de Custos, 
de Osni Moura Ribeiro, é 
uma leitura produtiva. Com 
uma construção didática, o 
autor esboça os construtos 
contábeis sobre os custos 
dos níveis mais fáceis até 
as concepções mais com-
plexas, fazendo com que o 
entendimento seja passado 
de forma clara e muito 
explicativa.
RIBEIRO, O. M. 5. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2018.
Livro
Orçamento, preço e custo 43
qual é a receita bruta empresarial a partir da identificação dos custos e 
despesas fixos e variáveis. Dessa forma, partimos das equações:
Receita líquida = custos (fixos e variáveis) + despesas (fixas e variáveis) 
+ lucro
e
Receita bruta = custos (fixos e variáveis) + despesas (fixas e variáveis) + 
lucro + tributos
Assim, para os cálculos do PVL e PVB, precisamos inicialmente cal-
cular as receitas líquidas e brutas para depois, dividindo esses valores, 
separadamente, pela quantidade produzida e pela que a empresa es-
tima vender, chegarmos aos preços de venda. Logo, o PVL unitário = 
receita líquida / quantidade produzida, e o PVB = receita bruta total / 
quantidade produzida.
No caso do cálculo do preço de venda com base na receita lí-
quida da empresa, podemos calcular o PVL a partir do percentual 
de lucro sobre a receita líquida ou deduzindo o percentual de lucro 
do percentual da margem de contribuição. Neste caso, para calcular 
a receita líquida, com base em uma margem de contribuição esta-
belecida pela empresa, e, a partir do lucro que o gestor financeiro 
pretende ter, temos a equação:
Receita líquida = Soma dos custos e despesas fixos / % margem de 
contribuição - % de lucro
A partir da receita líquida obtida, calculamos o PVL da mesma ma-
neira: dividindo a receita líquida pela quantidade produzida.
Já a margem de contribuição é calculada subtraindo-se os custos e 
despesas variáveis da receita de vendas, ou seja:
MC = receita das vendas – custos e despesas variáveis
A margem de contribuição é importante porque é a diferença entre 
a receita de uma venda e os seus custos diretos e indiretos, ou seja, o 
valor da margem de contribuição é o quanto sobra do valor da venda 
do produto/serviço após o pagamento de todos os custos e despesas. 
Ela mostra então o quanto uma empresa consegue gerar de capital 
Para encontrar o valor percen-
tual, aquele que aparece na 
equação do cálculo do PVL com 
base na receita líquida, utiliza-
mos a equação: MC % = (MC / 
receita de vendas) * 100%.
Saiba mais
44 Gestão financeira estratégica
para continuar funcionando e o quanto gera de lucro em determinado 
período (REIS, 2018c).
Para o cálculo do preço de venda em um mercado competitivo, 
por exemplo, muito frequentemente estabelecido no ambiente orga-
nizacional moderno, o gestor pode se basear no conceito do valor de 
dinheiro no tempo. Isso quer dizer que o gestor considerará a perda 
de valor do dinheiro no tempo, devido à ocorrência de amortizações e 
depreciações. Então a equação para o cálculo do preço de venda passa 
pela equação que calcula a receita bruta da seguinte forma:
Receita bruta = custos + despesas + lucro + tributos + custos financeiros 
- depreciações
Conforme a complexidade dos cálculos das receitas bruta e líquida 
e dos preços de venda líquido e bruto aumentam – devido à incidência 
de custos e tributos recorrentes –, o gestor financeiro está livre para 
buscar os melhores recursos possíveis para facilitar sua tarefa, como, 
por exemplo, a utilização de uma planilha do Excel, a partir do modelo 
que o empreendimento venha a necessitar (HOJI, 2012).
No tocante ao mercado, ou seja, pensando no cenário externo à 
empresa, podemos pensar na formação do preço de venda de algumas 
formas, com base em elementos distintos que englobam a realidade do 
empreendimento. No contexto da globalização em que todos nós nos 
encontramos, as empresas precisam cada vez mais dar conta de quali-
dade e bons preços aos consumidores, na manutenção de sua compe-
titividade. A ideia básica de precificação para a venda é lucro = receita 
- custos - despesas - encargos financeiros. Por isso, a busca incessante 
das empresas em diminuir dispêndios e maximizar receitas.
Quando pensamos então no mercado como aquele que pode definir 
o preço de venda, uma forma de precificar é por meio do preço corrente, 
em que concorrentes de um mesmo produto tendem a praticar preços 
semelhantes, e não há uma empresa que lidere essa precificação. Uma 
outra forma é praticar o chamado preço do concorrente, normalmente 
empresas adotam para determinado produto ou serviço um preço pra-
ticado pela empresa líder do setor, por exemplo. Preços agressivos são 
aqueles que as empresas adotam quando determinam uma estratégia 
mais arriscada, praticando preços muito abaixo do que normalmente se 
tem no mercado com a finalidade de aumentar sua participação no mer-cado. Essa prática de redução brusca dos preços é chamada de dumping 
Orçamento, preço e custo 45
em termos econômicos. Podemos também ter a prática do chamado 
preço promocional, ou seja, as empresas fazem promoções, reduzindo o 
preço dos produtos ou serviços, a fim de que mais clientes se atentem e 
busquem também novos produtos e serviços (HOJI, 2012).
Como vimos, a formação do preço de venda é uma função que deve 
considerar, para cada tipo de empreendimento, as condições e neces-
sidades internas da empresa pensando nos fundamentos básicos, que 
são os dispêndios – custos e despesas fixos e variáveis –, as receitas 
bruta e líquida e demais aspectos como o percentual de lucro que o 
gestor estabelece e pretende obter, assim como a margem de contri-
buição que o negócio tem e, de modo geral, os elementos e aspectos 
que envolvem a rotina financeira da empresa. Essa rotina, como vimos, 
também abrange o cenário externo à empresa, as condições econô-
micas e financeiras, taxas de câmbio e juros, tributação, entre outros 
indicadores ou contingências em determinados períodos de tempo.
3.3 Controle orçamentário e planejamento
Vídeo O orçamento é um tipo de planejamento financeiro amplamente 
utilizado na realidade das empresas. Como parte do registro das des-
pesas e receitas, a ideia é que ele seja estabelecido para determinado 
período com o propósito de que a empresa tenha um plano de gestão 
e consiga executá-lo.
Um entendimento sobre o orçamento é que tanto sua periodicidade 
e quanto a forma como é elaborado dependem do tipo de empreen-
dimento que a empresa desenvolve. Isso ocorre porque, quanto mais 
fluidas forem as atividades da empresa, modificando-se rapidamente 
no dia a dia, movimentando diferentes tipos de atividades e recursos, 
como acontece nas empresas de tecnologia, por exemplo, mais fre-
quente deve ser a elaboração do orçamento, ou seja, mais contínuo 
deve ser seu acompanhamento.
Para a elaboração de um orçamento, o gestor precisa ter conhe-
cimento de alguns indicadores financeiros da empresa, fundamentais 
na realização de um planejamento eficiente para determinado período. 
Esses indicadores são, por exemplo, entradas e saídas de capital, fon-
tes de renda da empresa, custos e despesas fixos e variáveis, e vendas 
de produtos e/ou serviços.
46 Gestão financeira estratégica
O planejamento orçamentário se dá em consonância com a es-
tratégia estabelecida pela empresa, isto é, de acordo com os obje-
tivos e demais aspectos que a empresa busca melhor desenvolver. 
Nesse sentido, a previsão orçamentária ocorre a partir de relatórios e 
demais documentos advindos de diferentes funcionários e por parte 
dos gestores no que diz respeito a tudo que precisa ser planejado e 
mensurado. Com isso, as informações desses relatórios devem ser 
utilizadas por meio da análise das receitas e despesas e demais indi-
cadores, especialmente sobre o que se deseja melhorar para que a 
empresa tenha um bom desempenho.
Ele também pode ser ajustado a partir do planejamento inicialmen-
te realizado. Isso porque, conforme as atividades da empresa se de-
senvolvem, é necessário ajustar as finanças de acordo com um novo 
plano de negócios, principalmente quando há alterações significativas 
com relação às receitas e despesas. Dessa maneira, podemos pensar 
nos orçamentos como de várias formas, mais flexível, mais estático, 
que envolvem mais indicadores, menos indicadores, dependendo da 
necessidade que cada gestor identifica na empresa (REIS, 2019c).
Um tipo de orçamento flexível é aquele utilizado pelo gestor como 
um auxílio na elaboração dos cálculos de quantidades e valores espe-
rados para determinado período, por exemplo. Pode estar mais rela-
cionado ao controle dos custos e das despesas. O orçamento contínuo, 
nesse sentido, é aquele que abrange um período de doze meses e que 
pode ser revisado periodicamente de acordo com a percepção do ges-
tor, na correção de erros e revisão de previsões.
Há orçamentos elaborados com base nas despesas fixas, no in-
tuito de controlar o fluxo dessas despesas. Enquanto outros são 
mais focados nos gastos, com relação ao que pode ser sempre evi-
tado e revisado, questionando de fato os dispêndios implicados nas 
atividades empresariais.
O planejamento orçamentário, desse modo, é uma ferramenta que 
auxilia o gestor na organização das atividades e finanças empresariais 
para que seja possível conhecer quanto de dinheiro a empresa tem, 
quanto precisará despender para que consiga desenvolver suas ati-
vidades e quanto deverá faturar para atingir seus objetivos. Por isso, 
Orçamento, preço e custo 47
para um orçamento ser eficiente, é preciso que a empresa tenha cla-
reza sobre quais são seus objetivos para o futuro e em quanto tempo 
pretende alcançá-los (REIS, 2019c).
Sendo assim, o relatório orçamentário deve ser detalhado, sempre 
revisado e discutido, e composto pelos demonstrativos financeiros da 
empresa, isto é, pelas informações sobre fluxo de caixa, custos, inves-
timentos e receitas. Tudo que envolve dispêndios e recebimentos de 
recursos deve ser registrado, bem como tudo que envolve todos os 
tipos de despesas, fixas, variáveis, além de um esforço contínuo na bus-
ca por otimizar as operações, isto é, cortar gastos. Mais do que isso, o 
orçamento deve conter as projeções que o gestor financeiro faz, com 
relação a atividades futuras, compras de terrenos, aquisição de máqui-
nas, consertos, entre outros, por exemplo.
Outro tipo de orçamento é o chamado de capital, ferramenta utiliza-
da para que os gestores façam as previsões dos investimentos e cená-
rios futuros para a empresa. No orçamento de capital, os investimentos 
são analisados conforme a previsibilidade de sua rentabilidade, ou seja, 
é um orçamento bastante estratégico, porque frequentemente implica 
altos valores. Segundo Reis (2019d), aspectos como o fluxo de caixa, se 
a empresa é ou será competitiva no mercado, custos possivelmente im-
plicados no crescimento da empresa, os riscos envolvidos no empreen-
dimento, são todos presentes na elaboração do orçamento de capital.
A elaboração do orçamento de capital envolve, então, cálculos do 
chamado valor presente líquido (VPL), uma das principais ferramen-
tas da gestão de investimentos, taxa interna de retorno (TIR), fluxo 
de caixa descontado (FCD), e, até mesmo, a análise do período ne-
cessário para a recuperação do investimento realizado. Ainda assim, 
outros aspectos são fundamentais para a elaboração de um orça-
mento de capital, como a localização geográfica da empresa – devido 
a impostos e demais tributações que possam incorrer e são diferen-
tes entre regiões –, análises que envolvem custos, mercados, supri-
mentos, preços, financiamentos, ou seja, relacionadas a indicadores 
dos mais variados segmentos da empresa. Além de ser necessário 
também considerar aspectos externos, como os cenários político e 
econômico, as taxas de câmbio, as taxas de juros, a inflação, o au-
mento salarial, por exemplo (REIS, 2019d).
48 Gestão financeira estratégica
Como ferramenta de planejamento e instrumento de controle, por 
acompanhar as atividades empresariais e os recursos alocados em cada 
uma delas, o orçamento gera informações para a tomada de decisão 
relacionada à natureza dessas atividades, ou seja, de modo completo, 
um orçamento é a junção dos orçamentos referentes, por exemplo, a 
vendas, produção, custos, investimentos, entre outros, de acordo com 
cada tipo de atividade que compõe a empresa.
Vamos entender um pouco mais sobre o que é o orçamento de cada 
atividade para que, depois, seja possível visualizar como pode ser um 
modelo orçamentário empresarial. Um orçamento referente a vendas, 
por exemplo, é aquele que registra a quantidade e o valor dos produtos 
a vender, juntamente com os impostos incorporados nessas vendas, a 
partir das projeções que o gestor de vendas, marketing, ou qualquer 
setor responsável por essas projeções faz.
O orçamento relativo à produção, por exemplo, deve registrara 
projeção dos produtos que serão produzidos em função das vendas 
planejadas, considerando estoques e outros aspectos que podem estar 
associados à produção. Outro orçamento é o de matérias-primas, esse 
é o que deve planejar a quantidade de materiais a comprar, a consu-
mir, no que concerne aos impostos, às necessidades, sempre envolven-
do os elementos que compõem a realidade de cada empreendimento.
Esses exemplos mostram, então, como o orçamento é uma fer-
ramenta de planejamento empresarial que deve ser feita de modo 
minucioso e, reforçando, adequado para a realidade de cada empreen-
dimento, de acordo com a percepção que o gestor tem dos objetivos da 
empresa. A Figura 1 é um exemplo do montante de informações que 
podem compor a elaboração orçamentária de uma empresa.
Orçamento, preço e custo 49
Figura 1
Estrutura de informações do planejamento orçamentário
ORÇAMENTO DE MARKETING
1 
ORÇAMENTO DE 
VENDAS 
2 ORÇAMENTO 
DE PRODUÇÃO 
3 ORÇAMENTO 
DE MATÉRIAS- 
-PRIMAS
4 ORÇAMENTO 
DE MÃO DE 
OBRA DIRETA 
6 ORÇAMENTO 
DE CUSTO DE 
PRODUÇÃO
DEMONSTRAÇÃO 
DE RESULTADO 
BALANÇO 
PATRIMONIAL
DE 3, 6, 8, 9, 10 
PARA 5, 7
ORÇAMENTO 
DE CAIXA
9 ORÇAMENTO 
DE APLICAÇÃO 
FINANCEIRA E 
EMPRÉSTIMOS
10 ANÁLISE DAS 
MOVIMENTAÇÕES 
FINANCEIRAS
5 ORÇAMENTO 
DE CUSTOS 
INDIRETOS DE 
FABRICAÇÃO
8 ORÇAMENTO 
DE 
INVESTIMENTOS
7 ORÇAMENTO 
DE DESPESAS DE 
VENDAS
ORÇAMENTO DE 
PROCESSO DE 
PRODUÇÃO
7 ORÇAMENTO 
DE DESPESAS 
GERAIS E 
ADMINISTRATIVAS
Fonte: Adaptada de Hoji, 2012, p. 410.
Feitas essas considerações a respeito do que é um orçamento, seus 
elementos e aspectos, com relação às informações e aos dados que 
podem compô-lo, em conformidade com o que o gestor pensa ser ne-
cessário registrar e planejar para o empreendimento, podemos discutir 
algumas vantagens e limitações da escolha de elaborar um orçamento.
50 Gestão financeira estratégica
Nesse sentido, as limitações do planejamento 
orçamentário podem ser: mudança dos indicado-
res econômicos; mudança das variáveis financeiras 
e econômicas que afetam os valores projetados; 
dificuldade em ajustar as projeções; o não acom-
panhamento eficiente das variações, o que pode 
atrasar a realização dos ajustes pontuais; o custo 
de implementar e acompanhar o sistema orçamen-
tário, relativo à manutenção do sistema, pessoal 
qualificado para isso, entre outras (HOJI, 2012).
No entanto, as vantagens são que o controle 
gerencial se torna mais robusto e objetivo; mais efi-
ciência na utilização dos recursos; a tomada de deci-
são se torna mais diversificada no que diz respeito à 
elaboração do orçamento de cada área/setor e suas 
O livro Orçamento Empresarial Passo a Passo, 
de Masakazu Hoji, explora de modo didático 
como elaborar um orçamento empresarial, no 
que diz respeito à antecipação das transações, 
acompanhamento e ferramenta de análise para 
a tomada de decisão. Trata-se, portanto, de 
uma boa opção de leitura.
HOJI, M. São Paulo: Saraiva, 2017.
Livro
atividades; manutenção dos hábitos de planejamento e controle a partir 
da continuidade das projeções. Além da elaboração, de acordo com Hoji 
(2012), o acompanhamento do orçamento pode se dar, muitas vezes, 
por meio de softwares, sendo estes de diferentes tipos, o que facilita ao 
gestor optar pelo que melhor atenda às suas necessidades.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Orçamento, preço e custo são aspectos essenciais para a gestão fi-
nanceira empresarial. Quando bem formulados e geridos pelos gestores 
financeiros, transformam-se em ferramentas que guiam a tomada de de-
cisão no tocante a quanto a empresa tem, teve e precisará ter, em termos 
de recursos físicos e financeiros, para que consiga realizar eficientemente 
suas funções.
Nesse sentido, é parte fundamental da gestão financeira estratégica 
elaborar e analisar continuamente diferentes maneiras de pensar, de 
acordo com as necessidades de cada empreendimento; a melhor escolha 
do relatório orçamentário, com o objetivo de criar e manter um planeja-
mento orçamentário que dê base aos gestores financeiros com relação às 
estratégias a serem tomadas, tanto no saber administrar os indicadores 
internos quanto no saber lidar com os indicadores externos à empresa.
Orçamento, preço e custo 51
ATIVIDADES
1. Sobre a equação a seguir, explique quais elementos constituem as 
relações estabelecidas e qual a finalidade da realização desse cálculo:
MC = receita das vendas – custos e despesas variáveis.
2. Discorra a respeito do custo de transação, o que é e qual é a sua 
importância para a gestão financeira estratégica.
3. O que é um orçamento? Por que dizemos que o planejamento 
orçamentário é estratégico para a empresa?
REFERÊNCIAS
HOJI, M. Administração financeira: uma abordagem prática. São Paulo: Atlas, 2012.
REIS, T. Custo de produção: a contabilidade fundamental de uma empresa. Suno Research, 
2018a. Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/custo-producao/. 
Acesso em: 15 jun. 2020.
REIS, T. As despesas financeiras e sua importância dentro de uma análise contábil. Suno 
Research, 2018b. Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/despesas-
financeiras/. Acesso em: 15 jun. 2020. 
REIS, T. Margem de contribuição: o indicador financeiro das vendas de uma empresa. Suno 
Research, 2018c. Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/margem-de-
contribuicao/. Acesso em: 15 jun. 2020.
REIS, T. CMV: o que é e como funciona o Custo de Mercadoria Vendida? Suno Research, 
2019a. Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/cmv/. Acesso em: 15 jun. 
2020.
REIS, T. Custos de transação: entenda como eles afetam a lucratividade. Suno Research, 
2019b. Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/custos-de-transacao/. 
Acesso em: 15 jun. 2020.
REIS, T. Orçamento ajustado: como funciona essa forma de controle. Suno Research, 2019c. 
Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/orcamento-ajustado/. Acesso 
em: 15 jun. 2020.
REIS, T. Orçamento de capital: saiba o que ele representa para uma empresa. Suno 
Research, 2019d Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/orcamento-de-
capital/. Acesso em: 15 jun. 2020.
https://www.sunoresearch.com.br/artigos/custo-producao/
https://www.sunoresearch.com.br/artigos/despesas-financeiras/
https://www.sunoresearch.com.br/artigos/despesas-financeiras/
https://www.sunoresearch.com.br/artigos/margem-de-contribuicao/
https://www.sunoresearch.com.br/artigos/margem-de-contribuicao/
https://www.sunoresearch.com.br/artigos/cmv/
https://www.sunoresearch.com.br/artigos/custos-de-transacao/
https://www.sunoresearch.com.br/artigos/orcamento-ajustado/
https://www.sunoresearch.com.br/artigos/orcamento-de-capital/
https://www.sunoresearch.com.br/artigos/orcamento-de-capital/
52 Gestão financeira estratégica
4
Decisões, análise de 
investimentos e riscos
O estudo para a tomada de decisão, bem como todos os as-
pectos que envolvem a gestão financeira empresarial, ganha uma 
nova dinâmica quando engloba a análise de investimentos. Investir 
é uma forma fundamental para que a empresa impulsione suas 
atividades e gere, de maneira consistente, cada vez mais lucrativi-
dade. Assim, a análise de investimentos ganha força quando estu-
dada com o processo de criação de valor para a empresa, no qual 
se leva em consideração a possibilidade do crescimento sucessivo 
do empreendimento.
No entanto, para que haja expansão, há exposição ao risco. 
Nesse sentido, a gestão financeira estratégica também deve recor-
rer a uma variedade de conceitos e ferramentas para que o agente 
econômico esteja cada vez mais seguro, com acesso ao máximo 
de informações possível, para a tomada de decisão estratégica. 
Por isso, neste capítulo, o intuito é estudarmos algumas formas 
de avaliar investimentos, como mensurá-los e, também, os riscos 
frequentemente implicados na análise de investimentos e na ges-
tão financeira de forma geral, apresentando, desse modo,como 
as empresas valorizam suas atividades por meio da agregação de 
valor para além da precificação de produtos e serviços.
4.1 Avaliação de investimentos
Vídeo Para as empresas, investir significa uma forma de direcionar recur-
sos financeiros para gerar mais receita, mais faturamento e melhorar 
constantemente o fluxo de caixa. Para investir de modo seguro e prós-
pero, as empresas contam com uma série de ferramentas matemáticas 
e computacionais que, a partir de cálculos e análises diversas, direcio-
nam a tomada de decisão dos investidores.
Decisões, análise de investimentos e riscos 53
Algumas taxas e números são calculados e interpretados pelos ges-
tores financeiros com o objetivo de que a empresa visualize o cenário 
possível para que possa fazer as melhores escolhas sobre como, quan-
to, quando e onde investir. Essas avaliações, mesmo com o apoio de 
técnicas exatas – os cálculos e as previsões –, devem refletir o contexto 
atual do mercado e das organizações, que é de adaptação constante, 
de ação e reação, caracterizando as mudanças e o movimento do cená-
rio financeiro. Isso porque, como consequência da globalização, o am-
biente financeiro reflete os cenários da sociedade moderna de maneira 
geral, o que envolve todos os âmbitos – política, saúde, educação, tec-
nologia, indústria, comércio – dos aspectos nacionais e internacionais e 
os demais que compõem o mundo globalizado.
Dessa forma, precisamos entender conceitualmente esses valores, 
mas também matematicamente, aprendendo a calcular, analisar e, 
com isso, avaliar os cenários econômicos com base em índices e taxas. 
São esses números que influenciam e direcionam as decisões de in-
vestimentos nas empresas. É importante lembrar que, dadas as condi-
ções da sociedade moderna, globalizada e que muda constantemente, 
o gestor financeiro decide sempre, considerando os aspectos internos 
da empresa – por meio de seus dados, cálculos, ferramentas gerenciais 
– e aspectos externos – os elementos do cenário econômico.
Um primeiro número que vamos conhecer é a chamada taxa de tur-
nover, um índice de investimentos que indica a situação geral da em-
presa quando mensura a rotatividade da carteira de investimentos, a 
frequência de compra e venda de ativos. Com base nessa taxa, o gestor 
financeiro consegue identificar a capacidade da empresa em gerar re-
ceitas por meio de seus investimentos, comparado-as com os valores 
de suas dívidas e Patrimônio Líquido. A partir da análise dessa taxa, o 
gestor entende quantas vezes a empresa consegue retornar o capital 
nela investido. Isso quer dizer que quanto maior a taxa de turnover, 
mais a empresa consegue valorizar seus próprios ativos e transformá-
-los em mais faturamento.
Para calcular a taxa de turnover de investimentos, podemos utilizar 
a seguinte fórmula:
Turnover = receita líquida / (Patrimônio Líquido + dívidas)
54 Gestão financeira estratégica
O valor obtido a partir dessa equação mostra que para cada x que sai 
do Patrimônio Líquido ou das dívidas da empresa, é gerado y em receita.
Interpretando o valor da taxa de turnover dos investimentos pelo 
aspecto financeiro, o valor alto de turnover indica que a empresa está 
eficiente tanto no pagamento de suas contas quanto na forma como 
capta seus recursos. Pelo aspecto operacional, significa que a empresa 
consegue alocar eficientemente os recursos no seu processo produtivo, 
diminuindo desperdícios, por exemplo – mostrando que não necessita 
de um excesso de investimentos e que o empreendimento é sustentá-
vel operacionalmente. Já na análise pelo aspecto comercial, o turnover 
elevado indica que a empresa está sendo capaz de transformar seus 
produtos e/ou serviços em vendas e faturamento, aproveitando a pro-
dução e formando poucos estoques.
O que podemos destacar, também, é que o turnover, como ou-
tras taxas e índices de investimento, não aborda todos os aspectos 
que caracterizam a decisão de investir, o que, sem dúvida, é natural. 
Por isso, contamos com uma variedade de cálculos e ferramentas 
que, analisada em conjunto, é essencial no direcionamento da to-
mada de decisão eficiente (HOJI, 2012). Tendo isso em vista, algumas 
limitações da taxa de turnover são:
 • não é um índice bom para comparar a efetividade de empresas 
de diferentes setores, porque cada empreendimento requer dife-
rentes necessidades;
 • é um cálculo elaborado em um determinado momento, então o 
valor dos investimentos pode mudar conforme a necessidade da 
empresa e o comportamento do mercado;
 • é uma taxa que não leva em consideração o lucro da empresa, 
pois somente a quantidade de vendas não significa que a empre-
sa está sendo necessariamente lucrativa (REIS, 2018a).
Um segundo indicador é o valor presente líquido (VPL), que infor-
ma o quanto a empresa tem de fluxo de caixa no momento presen-
te, considerando a totalidade de entradas e saídas dos recursos 
financeiros. Segundo Assaf Neto (2012), a base do cálculo do VPL 
é a diferença entre o valor presente do ciclo de caixa e o valor do 
investimento inicial – desembolso de caixa – , o que significa dizer 
que o VPL mostra como a empresa consegue criar valor por meio da 
realização de um determinado investimento.
Decisões, análise de investimentos e riscos 55
O VPL, então, diz respeito ao valor do dinheiro no tempo, o que 
significa que o valor do dinheiro hoje não é o mesmo valor no futu-
ro, e isso quer dizer que é preciso analisar como é possível valorizar 
esse dinheiro ao longo do tempo. O cálculo do VPL pode ser feito a 
partir da seguinte fórmula:
VPL = FCo+ ∑ 
(1 + TMA)i
FCi
(i=1)
n
O elemento FCo se refere ao investimento realizado pela em-
presa na data de hoje, no presente. Esse investimento pode ser 
a compra de uma ação ou a realização de um projeto novo, por 
exemplo. Por representar sempre uma saída de caixa, o sinal desse 
elemento é sempre negativo. O elemento FCi se refere ao valor do 
investimento estimado pela empresa para o próximo período. O 
elemento TMA, por sua vez, refere-se à chamada taxa mínima de 
atratividade, que indica qual é o custo de levantar o capital inicial 
para a realização do investimento na data presente FCo. Quando 
esse custo não é identificado, a TMA pode ser o valor dos juros im-
plicados nessa operação de financiamento inicial.
A interpretação do VPL é positiva quando seu valor for positivo, 
ou seja, significa que é viável a realização de determinado inves-
timento. Em caso negativo, o cálculo mostra sua inviabilidade. O 
VPL sempre mostra ao gestor financeiro qual investimento vale a 
pena realizar em detrimento de outro, isto é, apresenta o custo de 
oportunidade de se escolher uma alternativa em vez de outra (REIS, 
2017e).
Temos, ainda, um terceiro indicador muito utilizado por ser essen-
cial na tomada de decisão dos investimentos: a taxa de retorno, sendo 
mais conhecida a denominada taxa interna de retorno (TIR). A TIR indica 
com um grau muito considerável de exatidão se um investimento será 
rentável no futuro. O cálculo da TIR se dá pela seguinte equação:
∑ 
(1 + TIR)t
FCt
t = 0
n
 = 0
Os elementos que constituem a fórmula de obtenção matemática 
da TIR são: t como período de registro de ocorrência do ciclo de caixa 
(meses, trimestres, bimestres etc.); FCt, o fluxo de caixa de um determi-
56 Gestão financeira estratégica
nado período t; n como número dos períodos analisados; e ∑, que é o 
somatório dos fluxos de todos os períodos.
Para analisar a TIR, precisamos conhecer a TMA, isso porque é com 
base na comparação entre os valores da primeira com relação à segun-
da que definimos se a TIR indica que o investimento é ou não atrativo. A 
taxa mínima de atratividade da empresa frequentemente é o custo de 
capital, podendo a TMA ser, por exemplo, a taxa de juros para empres-
tar ou tomar Capital de Terceiros.
Com isso, sabe-se que, se a TIR for maior que a TMA, o investimento 
será atrativo; se a TIR for menor que a TMA, o investimento não será 
atrativo, porque significa que a rentabilidade de determinadoinvesti-
mento será menor do que a rentabilidade de qualquer investimento 
com um mínimo de retorno já definido; e se a TIR for igual à TMA, o 
investimento é neutro em relação à atratividade, pois significa que ren-
deria o mesmo valor que uma taxa livre de risco.
A interpretação da TIR, assim como os demais indicadores, apresen-
ta vantagens e desvantagens. As vantagens da TIR são: facilidade de 
interpretação; considera a perda de valor do dinheiro no tempo, por 
isso traz fluxos futuros de capital para o presente; pode ser utilizada na 
comparação entre investimentos, porque se trata de um valor relativo, 
como o cálculo do VPL, por exemplo. As desvantagens da TIR são:
 • pode ser que não haja taxa interna de retorno ou que existam di-
ferentes taxas dependendo do tipo de empreendimento existente;
 • é um cálculo com certo grau de dificuldade para ser realizado 
manualmente;
 • não serve para empreendimentos que tenham um ciclo de caixa 
diferente do convencional.
A TIR é um dos indicadores financeiros mais utilizados e, devido às 
suas características, muitas vezes é calculada e analisada por meio de 
planilhas eletrônicas e softwares estatísticos (REIS, 2018d).
Outra taxa a ser considerada na avaliação dos investimentos é a 
taxa de desconto. Seu cálculo é utilizado para analisar o retorno dos 
investimentos, ou seja, é realizado sobre um valor futuro para se saber 
qual é o valor equivalente no presente. Assim, a taxa de desconto é cal-
culada para identificar se o retorno de um determinado investimento 
será satisfatório ao investidor – ou, melhor dizendo, àquele que dispo-
Decisões, análise de investimentos e riscos 57
nibiliza o dinheiro. Para a empresa, esse valor pode ser o custo de um 
financiamento de origem interna (empréstimos) ou externa, como no 
caso de dinheiro dos sócios da empresa (REIS, 2019c).
Uma taxa de desconto conhecida é chamada de custo médio pon-
derado do capital (Weighted Average Capital Cost – WACC), que analisa 
a atratividade de um investimento com base no cálculo do retorno es-
perado de determinado investimento. O cálculo do WACC pode ser ex-
presso da seguinte forma:
WACC = E/V * Re + D/V * Rd * (1-Tc)
Os elementos que compõem a fórmula são: Re = custo de capital; 
Rd = custo da dívida; E = valor de mercado do patrimônio da empresa; 
D = valor de mercado da dívida da empresa; V = E + D = valor total de 
mercado do financiamento da empresa (patrimônio e dívida); E/V = por-
centagem de financiamento que é patrimônio; D/V = porcentagem de 
financiamento que é dívida; e Tc = taxa de imposto corporativo.
Uma ferramenta muito utilizada pelo mercado para avaliar os 
investimentos com relação à sua viabilidade e análise é o cálculo do 
payback simples e descontado. O payback é o nome dado ao tempo 
que se leva para recuperar o custo de um investimento, o prazo 
para que os rendimentos acumulados no tempo se igualem ao va-
lor inicialmente investido. A importância de se calcular o payback 
reside na exatidão sobre quanto tempo o agente econômico levará 
para recuperar o valor inicial investido.
Nesse sentido, a interpretação do valor calculado para o payback 
está diretamente relacionada ao tempo de recuperação do investimen-
to inicial, pois quanto maior esse tempo, maior é o risco envolvido na 
realização do investimento, e quanto menor for esse tempo, menor 
será o risco e mais atrativo o investimento se tornará. A fórmula para 
encontrar o valor do payback é:
Payback = investimento inicial / ganhos no período
Assim, as vantagens de calcular o payback de um investimento são:
 • trata-se de uma ferramenta simples e prática;
58 Gestão financeira estratégica
 • por lidar diretamente com o tempo, mostra uma ideia de como 
será o futuro da empresa;
 • colabora para a identificação dos graus de risco de determi-
nado investimento.
No entanto, há algumas desvantagens: o valor do payback varia 
para cada período analisado e, depois que o capital inicial é recupera-
do em determinado período, o payback passa a não ser mais um bom 
indicador (REIS, 2019a).
Um sexto indicador que revela o nível mínimo de rentabilidade que 
pode ser estimado como certo para um investimento é a chamada taxa 
livre de risco. Essa taxa diz respeito ao valor mínimo de rentabilidade 
que o investidor estima receber, com certo grau de certeza, com base 
no que foi investido – o capital investido, os juros atrelados à aplicação 
desse recurso sem risco.
Para escolher a taxa livre de risco, que norteará o investidor em rela-
ção à escolha de investir ou não (analisando o custo de oportunidade na 
tomada de decisão), o agente econômico olhará para o fator físico, geo-
gráfico – uma vez que a taxa livre de risco variará para cada país, porque 
um país que proporciona um risco menor ao investidor oferece uma me-
nor taxa –, e olhará para o fator temporal – os projetos que demandam 
maior duração de tempo oferecem riscos maiores (REIS, 2019d).
Outro instrumento para avaliar a viabilidade de um investimento é 
a taxa mínima de atratividade (TMA), já citada anteriormente neste capí-
tulo por aparecer nos cálculos e nas interpretações de outros índices e 
por ser um indicador que mostra o retorno financeiro mínimo que um 
investimento deve gerar para que seja viável economicamente. A TMA, 
além de ser uma rentabilidade percentual, pode ser a taxa mínima de 
um empréstimo ou financiamento que o agente econômico tomador 
se dispõe a aceitar.
Não se calcula a TMA com uma fórmula. Ela é tomada pelo agen-
te econômico com base em algum índice existente na economia – por 
exemplo, a taxa básica de juros do Brasil, a SELIC. Dizer que uma TMA 
é, no mínimo, o valor da SELIC, significa que, para um investimento ser 
viável, no mínimo ele precisa ter uma rentabilidade maior que a dessa 
taxa. Desse modo, para estabelecer uma TMA, levam-se em considera-
ção alguns aspectos, como o custo de oportunidade, o risco do negócio e 
o nível de liquidez de um projeto de investimento (REIS, 2019e).
A Selic é a taxa básica de juros 
da economia. É o principal ins-
trumento de política monetária 
utilizado pelo Banco Central 
para controlar a inflação. Ela 
influencia todas as taxas de 
juros do país, como as taxas 
de juros dos empréstimos, dos 
financiamentos e das aplicações 
financeiras (BCB, 2020). 
Saiba mais
Decisões, análise de investimentos e riscos 59
Podemos apontar ainda, sendo o nosso oitavo indicador e ferra-
menta de análise de viabilidade dos investimentos, o retorno sobre o 
investimento (ROI), que calcula o rendimento que a empresa pode gerar 
a partir dos ativos que tem disponíveis. O ROI mede quanto a empresa 
ganhou ou perdeu de recursos em um investimento, podendo também 
ser utilizado por qualquer agente econômico que queira saber sobre a 
eficiência de um investimento em relação a ações, fundos de investimen-
tos, títulos de renda fixa, aquisição de equipamentos, abertura de novos 
empreendimentos, capacitação de profissionais, entre outras situações.
O ROI é, por isso, uma ferramenta que pode ser utilizada para dife-
rentes finalidades e é importante por considerar o histórico dos inves-
timentos, o que faz dele um índice essencial para a tomada de decisão, 
mas não como indicador de previsão de eventos futuros. Assim, pela 
análise do ROI, o agente econômico avalia o desempenho de uma em-
presa quanto à sua aplicação de recursos; traz mais racionalidade para 
o processo da tomada de decisões; facilita o planejamento de objetivos 
com base na análise de resultados já atingidos, entre outras vantagens.
O cálculo do ROI pode ser feito com a seguinte fórmula:
ROI = (lucro obtido – investimento) / investimento
Uma ressalva a se fazer sobre seu uso é que a análise das op-
ções de um investimento deve ser feita utilizando-se outros indi-
cadores junto ao ROI, isso porque uma avaliação eficiente precisa 
levar em consideração outros fatores e variáveis de um ativo, como 
setor de atuação (se é o mesmo ou não) e período, isto é, tempo do 
investimento, por exemplo.
Comisso, podemos elencar algumas vantagens na utilização do ROI:
 • mensura o tempo que um investimento leva para ser recuperado;
 • é uma medida utilizada em diferentes países, sendo universal;
 • é de fácil interpretação e cálculo, além de permitir a comparação 
entre diferentes tipos de investimentos.
Por outro lado, algumas desvantagens do uso do ROI são: não leva 
em consideração o risco do investimento; não dispensa a utilização de 
outros índices para estimar o retorno de um investimento; e não leva 
em conta receitas e gastos de um período futuro, baseando-se apenas 
no período corrente (REIS, 2017d).
60 Gestão financeira estratégica
Outro indicador utilizado pelos gestores financeiros é o retorno so-
bre o Patrimônio Líquido (ROE), uma porcentagem que indica a eficiên-
cia da empresa quanto à sua capacidade de gerar lucros. O ROE pode 
ser calculado quando se chega ao valor do lucro líquido acumulado 
pela empresa no período de 12 meses com relação ao seu Patrimônio 
Líquido:
ROE = lucro líquido / Patrimônio Líquido
É necessário observar que o valor do Patrimônio Líquido pode ser o 
valor dos ativos menos os passivos da empresa, como também o valor 
que os sócios (acionistas) têm investido em determinado período (REIS, 
2017c).
Por medir a forma e o quanto a empresa está gerando de lucro 
aplicando recursos, ou seja, sendo eficiente, o ROE é um indicador de 
gestão e que também deve ser analisado em conjunto com demais in-
dicadores. Em casos de análise comparativa, devem-se utilizar empre-
sas pertencentes ao mesmo setor.
4.2 Gestão de riscos e incertezas 
Vídeo O risco financeiro está associado à perda de dinheiro, à perda de 
recursos e capital e está presente em todas as atividades (HOJI, 2012). 
Nesse sentido, aprender a lidar com os riscos, bem como evitá-los, 
 s ignifica se precaver a fim de tomar as melhores decisões em relação 
às escolhas feitas pelos agentes econômicos. Conforme a empresa atua 
em seu mercado, pode evitar ou atrair riscos financeiros por meio das 
atividades e das práticas que reverbera. Quando a empresa obtém e 
trabalha com informações de baixa qualidade, executa operações com 
alto grau de risco – dependendo do investimento que faz –; quando se 
expõe às variáveis econômicas como taxa de juros e câmbio sem me-
didas de gestão e se endivida em excesso, por exemplo, está sujeita a 
uma variedade considerável de riscos financeiros.
O cálculo do risco financeiro de um empreendimento ocorre 
quando se exercita a combinação entre a probabilidade de o risco 
ocorrer e o prejuízo que ele pode gerar, de modo a mensurar essa 
condição e suas consequências. Dessa maneira, a análise dos riscos 
Becoming Warren Buffett 
é um documentário clás-
sico para qualquer leitor 
interessado no mundo 
dos investimentos. Buffett 
é considerado, quase 
que de maneira unânime, 
o maior investidor dos 
nossos tempos. Com uma 
narrativa instigante, a vida 
de Buffett é perpassada da 
infância até ao dias atuais. 
Disponível em: https://
www.youtube.com/
watch?v=PB5krSvFAPY. Acesso em: 
27 jul. 2020.
Vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=PB5krSvFAPY
https://www.youtube.com/watch?v=PB5krSvFAPY
https://www.youtube.com/watch?v=PB5krSvFAPY
Decisões, análise de investimentos e riscos 61
é um exercício contínuo devido à tomada de decisão constante no 
dia a dia empresarial, tanto com relação às operações financeiras 
quanto à realização de investimentos.
Alguns tipos de riscos são o de liquidez, aquele que a empresa sofre 
quando não é capaz de cumprir seu passivo financeiro devido a cir-
cunstâncias como a má gestão do capital de giro; outro risco pode ser 
o de crédito, quando o credor está vulnerável à possibilidade de não 
recebimento; também há o risco de mercado, aquele a que a empresa 
está sujeita quando tem ações na bolsa de valores e há oscilações de 
preços e cotações, por exemplo (REIS, 2018c).
A gestão financeira e organizacional oferece uma forma de classi-
ficar e administrar os riscos e, dada a necessidade dessa ação no am-
biente empresarial, vamos conhecer algumas classificações. Uma delas 
é o chamado rating, que diz respeito a uma avaliação de risco de crédito 
atribuída por uma agência de classificação de risco a uma empresa ou 
ao governo. O rating mostra quão robusta e sólida é a qualidade finan-
ceira de determinado agente econômico, ou seja, qual é a incapacidade 
desse agente em cumprir com seus compromissos financeiros. Essa 
nota de risco de crédito não é definitiva, porque a classificação pode 
mudar ao longo do tempo, ao passo que as agências de risco sofrem 
modificações conforme as mudanças econômicas acontecem.
As agências de classificação de risco, dessa forma, avaliam diver-
sos aspectos e fatores econômicos, financeiros e sociais para emitir o 
rating de uma empresa ou país: resultados e projeções futuros; a con-
sistência do Balanço Patrimonial; o fluxo de caixa; a taxa de juros; o 
contexto político em que a empresa e o país estão inseridos; o nível de 
alavancagem, entre outros.
O rating é definido por meio da análise aprofundada dos fatores 
e aspectos descritos, englobando todas as informações referentes ao 
cenário em que a empresa se encontra. Além disso, o rating pode ser 
de diferentes tipos, por exemplo, analisar a relação entre retorno e ris-
co de um ativo, o chamado rating por grau, que classifica os ativos e 
os títulos pelo grau especulativo, que, por sua vez, identifica o risco 
da inadimplência; o grau de investimento, títulos e ativos classificados 
com menor grau de inadimplência; e o rating por nota, que classifica o 
título ou ativo de acordo com os graus de investimento e especulativo, 
avaliando a relação entre risco e retorno.
Alavancagem é uma operação 
financeira em que a empresa 
aumenta consideravelmente 
suas receitas sem aumentar 
seus gastos ou investimentos 
na mesma proporção. Nesse 
sentido, a alavancagem está 
relacionada ao endividamento 
da empresa em determinado 
momento, como na busca por 
uma alavanca financeira de fato, 
em um empréstimo no banco 
de desenvolvimento, no uso 
de recursos de terceiros para a 
realização de algo no empreen-
dimento, como a expansão 
de resultados, aumentando o 
Patrimônio Líquido. Assim, o uso 
da alavancagem deve ser feito 
com segurança, planejamento e 
confiança, partindo do pressu-
posto de que essa exposição será 
recuperada pela rentabilidade do 
investimento que será realizado.
Saiba mais
62 Gestão financeira estratégica
Com o rating, empresas e governos podem avaliar sua nota de risco 
e buscar, com isso, uma melhor gestão de dívidas e demais aspectos 
que impactam a saúde financeira, buscando mais estabilidade e con-
fiabilidade com níveis mais estáveis na atividade econômico-financeira.
Apesar da importância em conhecer o rating, as agências de classifi-
cação de risco não são isentas de críticas quanto a conflitos de interes-
ses entre grandes agências e suas respectivas avaliações às empresas. 
No entanto, o rating é uma ferramenta importante para que investido-
res relacionem os riscos e os retornos de títulos e ativos, o que minimi-
za a assimetria de informações no mercado e facilita os processos de 
gestão (REIS, 2019b).
Outra ferramenta utilizada pelo mercado para avaliar e classificar o 
grau de risco a que um fundo de investimentos ou um ativo pode estar 
exposto é o Value at Risk (VaR). O gerenciamento do risco por meio do 
VaR é feito pela quantificação do risco financeiro – dentro de um inter-
valo de confiança, é estimada uma perda máxima potencial que um 
investimento pode sofrer em um determinado período.
Desse modo, o valor do VaR será baseado em dois aspectos: no ní-
vel de confiança que um indicador oferece (recomenda-se que seja de 
no mínimo 95%) em determinado período analisado; e na possibilidade 
de perda, ou seja, o quanto uma carteira de ativos pode perder consi-
derando-se o valor total.
Há duas formas de calcular o VaR. Uma delas se baseia no método 
analítico chamado de valor paramétrico, pelo qual utilizam-se estimativasde rentabilidades: VaR = │R – zẟ │V, em que R se refere ao retorno espe-
rado; z é o valor do nível de significância; ẟ é o desvio padrão de rentabi-
lidade e V, o valor do investimento. Outra forma de calcular o VaR é por 
meio da análise dos rendimentos históricos dos retornos, então não se 
utilizam hipóteses e estimativas sobre a rentabilidade dos ativos.
Apesar de ser utilizado no mercado como um meio de classificar os 
riscos financeiros, o VaR não indica de fato o tamanho da possibilidade 
da perda de um retorno porque se baseia em um determinado nível de 
confiança, isto é, uma hipótese matemática que pode não se consoli-
dar. Além disso, há outras formas de calcular o VaR, e isso abre possibi-
lidades para diferentes interpretações e resultados divergentes, o que 
implica dizer que utilizá-lo em conjunto com demais indicadores é mais 
seguro e deve gerar mais eficiência na tomada de decisão (REIS, 2018e).
Decisões, análise de investimentos e riscos 63
Outra ferramenta utilizada na classificação dos riscos financeiros é 
o índice Beta, uma medida de risco que avalia o retorno dos investimen-
tos em relação a previsões de retorno que uma simulação de carteira 
diversificada de investimentos poderia gerar em um mercado específi-
co. Para isso, usam-se índices de mercado – como o da bolsa de valores 
de São Paulo, o Ibovespa – como base para o cálculo do índice Beta.
A fórmula para calcular o Beta como índice de gestão de riscos é:
Beta = Covariância (Rm, Ri) / Variância (Rm)
Em que Ri é o retorno da carteira e Rm, o retorno do índice do merca-
do. Assim sendo, o valor do Beta mostra quanto o retorno de uma cartei-
ra consegue responder às variações do índice de determinado mercado. 
Quanto maior o for Beta de uma carteira, maior será a propensão de 
retorno dessa carteira em relação às variações do índice do mercado e, 
com isso, maior é o risco sistêmico dessa operação (REIS, 2017b).
Quando uma empresa paga seus acionistas em retribuição por 
terem acreditado no empreendimento, isto é, terem investido na 
organização, chamamos esse pagamento de dividendos de ações. 
Uma companhia de capital aberto tem a opção de pagar dividendos 
aos seus investidores conforme o empreendimento gera valor ao 
longo do tempo. As empresas que pagam dividendos têm vanta-
gens em comparação àquelas que não pagam por alguns motivos, 
como apresentar menor volatilidade, alta rentabilidade e alta gera-
ção de caixa e lucratividade.
A menor volatilidade acontece porque empresas que pagam divi-
dendos tendem a ser mais previsíveis do que as que não pagam, pois 
podem pertencer, em maioria, a setores que têm uma demanda em 
 continuidade e que não cessa. A alta rentabilidade, por sua vez, está as-
sociada à capacidade que a empresa tem de gerar lucros, dividi-los por 
meio dos dividendos e, mesmo assim, continuar crescendo, como em-
presas do setor de fidelidade. A alta geração de caixa e a lucratividade 
correspondem à noção de que, normalmente, as ações de dividendos 
são mais lucrativas que as outras no longo prazo (REIS, 2017a).
No entanto, a percepção e a gestão do risco também incidem nas 
empresas que distribuem dividendos, e alguns aspectos devem ser le-
vados em consideração, como a liquidez, a concentração e o preço das 
64 Gestão financeira estratégica
ações. O preço da ação deve ter uma margem de segurança, ou seja, 
mesmo que a empresa tenha um bom desempenho operacional, isto 
é, lucre bastante, se pagar caro demais por uma ação, dificulta a distri-
buição de dividendos aos acionistas (WAINBERG, 2018).
No que diz respeito à liquidez, o risco que a empresa corre é o da 
falta dela, o que pode ocorrer, por exemplo, quando um investidor de 
longo prazo não pretende vender suas ações em um período menor de 
tempo e a empresa precisa de recursos por estar passando por uma 
emergência financeira ao perceber sua deterioração econômica.
Sobre a concentração, o risco é o de que a empresa esteja forte-
mente concentrada em algum tipo específico de ação – de algum setor 
em especial, por exemplo –, o que pode levar a uma perda drástica de 
capital caso a empresa erre em suas projeções quanto ao desempenho 
de determinada ação. Uma recomendação dos especialistas para mi-
nimizar ao máximo o risco de concentração excessiva é que o agente 
econômico, seja ele pessoa física ou de caráter empresarial, não tenha 
mais que 20% de seu portfólio em uma única ação, sendo indicado que 
o agente diversifique a carteira e, com isso, atue com maior segurança.
4.3 Criação de valor 
Vídeo Criar ou agregar valor para a empresa significa dizer que os 
produtos e/ou serviços oferecidos por ela são vistos pelos clientes 
como diferenciados se comparados aos produtos e serviços oferta-
dos por outras companhias. Agregar valor significa fazer com que 
o cliente crie significado, valor, na compra de determinado produto 
ou serviço, para além do valor pago pelo cliente, o que chamamos 
de preço. Quando a empresa consegue agregar valor nesse sentido, 
consegue também abertura para aumentar os preços ao longo do 
tempo, gerando mais lucratividade.
O preço serve como referência para a clientela e normalmente 
segue as leis de oferta e demanda que permeiam o mercado, mas 
também variam de acordo com a necessidade, os gostos e demais 
aspectos que influenciam o porquê, o quando e a quantidade que as 
pessoas compram. Dessa forma, os preços são formados pelas em-
presas com base na comparação com preços de concorrentes, na ca-
pacidade aquisitiva do público-alvo, na margem de lucro prevista pelo 
Uma leitura interessante 
para quem busca um 
conhecimento mais apro-
fundado sobre a tomada de 
decisão empresarial diante 
dos aspectos financeiros 
que perpassam a gestão de 
todas as áreas da empresa, 
de uma forma didática e por 
meio de uma abordagem 
clara sobre situações reais, é 
o livro Finanças Corporativas: 
teoria e prática, de Aswath 
Damodaran. 
DAMODARAN, A. 2ª ed. São Paulo: 
Bookman, 2004.
Livro
Decisões, análise de investimentos e riscos 65
agente econômico e pela análise do custo de produção ou aquisição, 
ou seja, o preço pode ser estabelecido levando-se em consideração 
aspectos internos e externos à empresa.
O valor, por sua vez, é um conceito amplo, subjetivo e que é discu-
tido de diferentes formas pelas áreas do conhecimento, já que indiví-
duos atribuem valor de acordo com suas necessidades, seus desejos, 
suas expectativas, entre outros fatores. O valor está muito mais relacio-
nado à satisfação do cliente para com determinado produto ou serviço, 
por isso as empresas buscam incessantemente aprimorar suas estra-
tégias e melhorar a satisfação da sua clientela. Por essa perspectiva, 
entendemos por que o fato de algo ser caro ou barato pode ser muito 
distinto entre as pessoas, uma vez que essa classificação dependerá de 
vários aspectos que não são necessariamente explícitos.
Quanto mais valor as empresas conseguem atribuir aos seus pro-
dutos e serviços, maior vantagem competitiva ela gera em comparação 
aos seus concorrentes, pois consegue elevar seus preços, aumentar a 
oferta e demanda, gerando mais lucratividade (REIS, 2018b).
Para a empresa de capital aberto – aquela que tem ações –, criar ou 
agregar valor significa apresentar ao acionista uma rentabilidade maior 
que o custo de capital; melhor dizendo, a empresa deve remunerar o 
investidor para além do retorno esperado pelo capital investido.
Para aqueles que se fascinam pelo 
mundo dos negócios, especialmente 
pela história do dinheiro e sua 
trajetória transformadora na vida 
das pessoas e das empresas por 
todo mundo, o livro A ascensão do 
dinheiro: a história financeira do 
mundo, do autor Niall Ferguson, 
é uma excelente leitura. A obra é 
interessante para entender o poder 
do fator econômico em crises, 
expansões e demais acontecimentos 
que caracterizam a história do 
dinheiro. 
FERGUSON, N. São Paulo: Crítica, 
2017.
Livro
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise de investimentos, assim como a gestão de riscos e incer-
tezas ea criação de valor, são aspectos diretamente relacionados na 
gestão financeira empresarial. Assim, de maneira geral, é fundamental 
para as empresas e os agentes econômicos conhecer as possibilidades 
de investir e, com isso, gerar lucros e expandir o empreendimento. Co-
nhecer os tipos de investimentos, como mensurá-los, conhecer os ris-
cos e como minimizá-los, bem como entender sobre como as empresas 
criam valor em um mercado cada vez mais competitivo é essencial na 
maximização da eficiência da gestão empresarial.
Por isso, a gestão do risco aparece como ferramenta gerencial in-
dispensável para dar sustentação ao processo de investir. Quando 
realizada de modo eficiente, a avaliação de investimento e a tomada 
de decisão facilitam o processo de criação e agregação de valor pelas 
66 Gestão financeira estratégica
empresas. Essas considerações confirmam, de maneira clara, que a ad-
ministração financeira estratégica possui um arcabouço conceitual e 
ferramental que, quando utilizado em conjunto, fornece diversas possi-
bilidades de ação e decisão para os gestores e os agentes econômicos.
ATIVIDADES
1. Qual é a importância da avaliação de investimentos?
2. Explique os tipos de riscos financeiros.
3. No que consiste a criação de valor para as empresas?
REFERÊNCIAS
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Decisões, análise de investimentos e riscos 67
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REIS, T. TMA: entenda o que é a Taxa Mínima de Atratividade e como calculá-la. Suno 
Research, 2019e. Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/taxa-minima-
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WAINBERG, R. Gestão de riscos: descubra os 3 grandes perigos para o investidor. Suno 
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riscos/. Acesso em: 29 jul. 2020. 
68 Gestão financeira estratégica
5
Estratégias corporativas 
e planejamento
Quando falamos em estratégias corporativas e planejamento, 
estamos nos referindo a uma grande variedade de opções que 
os gestores organizacionais podem acessar a fim de otimizar a 
eficiência na tomada de decisão estratégica. Isso porque o en-
tendimento da empresa como parte de um todo, em constante 
transformação e expansão, passou a exigir dos estudiosos e agen-
tes atuantes na área corporativa, cada vez mais, conhecimento 
teórico-prático no tocante a novas ferramentas e alternativas de 
análises para a tomada de decisão.
Nesse sentido, este capítulo aborda conceitos, aspectos e 
elementos econômico-financeiros que interferem diretamente 
nas decisões que são tomadas pelos gestores, especialmente em 
relação à administração financeira das empresas. Esses elemen-
tos e aspectos abrangem tanto o ambiente econômico externo 
à empresa, que dá contorno a sua estrutura, quanto os diversos 
indicadores e variáveis de análise internos, que dão sustentação 
para a tomada de decisão. Além disso, são apresentadas, com 
base em uma definição de estratégia, formas e processos da ad-
ministração estratégica que levam a empresa à busca constante 
por melhoria e desenvolvimento.
5.1 Finanças corporativas 
Vídeo O tema das finanças corporativas está contido na evolução da socie-
dade contemporânea e se relaciona com as mudanças no arcabouço 
conceitual, bem como nos métodos de avaliação das empresas. Con-
forme se consolidaram as transformações da sociedade moderna, o 
administrador financeiro passou a ter mais atribuições e responsabi-
Estratégias corporativas e planejamento 69
lidades, sendo cada vez mais exigido em suas funções, o que conse-
quentemente demandou dele mais especialização.
No contorno das finanças corporativas temos a chamada governan-
ça corporativa – que teve seu crescimento após a expansão do mo-
vimento de globalização pelo mundo –, marcada pelo crescimento da 
interconectividade dos mercados, do aumento da complexidade das 
operações financeiras, do aumento dos riscos e, por isso, da maior ne-
cessidade de controle e gestão.
Essas transformações fizeram com que a governança corporativa 
trouxesse para a pauta das empresas temas como ética empresarial, 
transparência entre as organizações e seus stakeholders bem como 
sustentabilidade e responsabilidade. Isso implica dizer que a gover-
nança corporativa voltou o olhar da empresa para uma diversidade 
de novas responsabilidades, que, ao mesmo tempo, têm como obje-
tivo agregar valor econômico para a empresa, remunerando o capital 
de risco e atraindo investidores, ao passo que beneficia os stakehol-
ders e a sociedade como um todo.
Com a evolução da administração financeira e as responsabilidades 
das empresas se tornando gradativamente intensas, no que diz respeito 
ao gerenciamento dos recursos na busca pelas metas estabelecidas e à 
saúde financeira e econômica em longo prazo, os administradores finan-
ceiros ganharam ainda mais relevância, principalmente diante de cenários 
como a escassez de capital no mercado e o aumento das taxas de juros.
A taxa de juros ou os juros propriamente ditos se referem à pre-
ferência temporalde indivíduos, empresas ou governo em consumir 
determinados bens ou serviços no presente e no futuro. Isso quer dizer 
que os agentes, quando postergam seu consumo, esperam uma re-
compensa pelo sacrifício que fizeram em poupar, e é esse esforço que 
chamamos de juros (NETO, 2012). Quanto maiores forem as oscilações 
econômico-financeiras, maiores serão as variações de escolhas dos 
agentes em relação a postergar ou não o consumo e, por isso, maiores 
serão as modificações nas taxas de juros também.
Nesse cenário de mudanças, a tomada de decisão sobre a aplicação 
de recursos, definição de projetos e interpretação de modelos finan-
ceiros exige do administrador financeiro, além da capacitação técnica 
e especializada, uma visão estratégica que atue de maneira sinérgica 
para com o futuro dos negócios.
Stakeholders são grupos ou 
indivíduos que, de alguma 
forma, participam das atividades 
desenvolvidas ou vinculadas a 
determinada empresa, impac-
tando nos objetivos dela. Nesse 
sentido, stakeholders buscam se 
beneficiar da empresa e auxi-
liá-la a atingir seus objetivos de 
algum modo, pois fazem parte 
do que a empresa é, do que ela 
busca e do ambiente em que 
atua. Exemplos de stakeholders 
são: acionistas, fornecedores, 
clientes, governo, funcionários, 
entre outros (NETO, 2012).
Saiba mais
70 Gestão financeira estratégica
Dessa forma, quando falamos das finanças corporativas no ambien-
te empresarial, a gestão financeira tem como foco algumas funções 
essenciais que dizem respeito ao planejamento financeiro, ao controle 
financeiro e à administração de ativos e passivos. Por meio do planeja-
mento financeiro, o gestor pretende identificar e trabalhar com as ne-
cessidades de expansão do empreendimento, assim como selecionar 
quais ativos devem ser mais rentáveis para a empresa, isto é, buscar 
estabelecer a melhor rentabilidade para os investimentos. O controle 
financeiro, por sua vez, permite ao gestor acompanhar e administrar 
o desempenho financeiro, analisando desajustes e fazendo previsões, 
ajustando-os ao longo do tempo.
Com a administração de ativos, o gestor estuda continuamente quais 
são as melhores opções de risco e retorno dos possíveis investimentos, 
realizando também a gestão de capital de giro, fator primordial que 
demonstra a saúde financeira do caixa da empresa. A administração de 
passivos, por fim, é outra função primordial da gestão financeira corpo-
rativa, em que se estudam as opções de financiamento, a redução de 
custos, o aumento da liquidez e a administração dos riscos em relação 
ao gerenciamento dos fundos de financiamento.
Assim, com base nessas quatro funções essenciais da administra-
ção financeira, as empresas passam a ser avaliadas mediante duas 
principais decisões: a maneira como tomam as decisões sobre investi-
mentos, isto é, como aplicam recursos; e o modo como decidem finan-
ciamentos, ou seja, como captam recursos. Além disso, uma terceira 
decisão implica a alocação dos resultados líquidos das empresas: a de 
dividendos, que é uma forma específica e alternativa de a empresa fi-
nanciar suas atividades.
As decisões financeiras de investimento e financiamento, desse 
modo, devem ser tomadas de maneira integrada, já que representam 
duas importantes áreas de decisão das empresas, assim como a prá-
tica da distribuição de dividendos – na implicação entre a decisão de 
financiamento perante capital próprio, ao reter resultados, ou perante 
capital de terceiros, ao distribuir resultados – deve ser, também, inte-
grada por meio do que se justifica ser mais benéfico para a empresa.
Outro aspecto essencial a ser considerado no estudo das decisões 
financeiras é o ambiente inflacionário. A inflação é provocada quando 
o poder aquisitivo da moeda é corroído ao longo do tempo, ou seja, 
Os dividendos se referem à 
distribuição de parte dos lucros 
aos acionistas da empresa. A 
decisão de distribuir os dividen-
dos é tomada pelos gestores, 
com base na análise do custo de 
oportunidade existente entre a 
decisão de distribuir os recursos 
aos acionistas ou manter esses 
recursos retidos para que a 
empresa agregue mais valor aos 
seus negócios.
Saiba mais
Estratégias corporativas e planejamento 71
há uma diminuição do poder de compra da moeda. A inflação é uma 
ocorrência frequente em diversas economias do mundo, devido às va-
riações recorrentes nos índices gerais de preços delas.
Um problema especial causado pela inflação é a forma desigual com 
que atinge os agentes econômicos, pois aqueles que detêm mais rique-
za são menos atingidos pela perda de valor da moeda e, com isso, so-
frem menor perda do poder de compra. Sobre as finanças corporativas, 
especificamente, quando a inflação não é devidamente considerada, os 
resultados previstos podem ser distorcidos, tornando as decisões pre-
cárias, o que incorre em risco de perda do empreendimento.
Desse modo, podemos citar, dentre as consequências da inflação, 
a descaracterização dos valores patrimoniais da empresa e valoriza-
ção de outros valores, dando a impressão de um cenário de possíveis 
compensações que não será verdadeiro. Esse processo vai se tornando 
complexo e contínuo à medida que a desvalorização da moeda vai cau-
sando distorções dos valores financeiros. A problemática inflacionária, 
nesse sentido, deve estar sempre presente na elaboração dos modelos 
financeiros, como na projeção do lucro empresarial, porque os valo-
res estimados estarão comprometidos caso as variáveis de perda da 
moeda não sejam consideradas nos cálculos.
Outros aspectos importantes quanto à tomada de decisão com rela-
ção às finanças corporativas são, por exemplo, os objetivos da empre-
sa e a concentração de capital. Os objetivos podem envolver aspectos, 
como: a maximização da riqueza e do lucro, a melhoria do valor de 
mercado – foco na expansão da riqueza dos acionistas –, o ambiente 
financeiro e o valor da empresa, que são sempre fatores analisáveis, 
assim como a responsabilidade social.
Da mesma forma, a concentração de capital da empresa – no que 
diz respeito à organização das ações no mercado e às suas formas de 
gestão – impacta a eficiência de mercado de capitais e, por isso, é es-
sencial para a tomada de decisão.
O que podemos concluir com essas considerações é que as de-
cisões financeiras se baseiam em pressupostos que sustentam a 
adoção de diferentes modelos. Com a evolução das finanças, em 
conceitos e práticas, a administração financeira vem se tornando 
cada vez mais consistente diante de uma vasta possibilidade de 
propostas (NETO, 2012).
Para aqueles que se 
interessam pelas trans-
formações incessantes 
da sociedade moderna, 
especialmente no que se 
refere à estrutura e aos 
objetivos das empresas 
atuais, o livro Finanças 
para Startups: o essencial 
para empreender, liderar e 
investir em startups é uma 
opção essencial para o 
entendimento dessa nova 
forma de organização 
empresarial, as startups.
LOSADA, B. São Paulo: Saint Paul, 
2020.
Livro
72 Gestão financeira estratégica
No entanto, é importante evidenciar que as decisões devem ser 
tomadas não apenas com base em pressupostos e modelos exatos, 
mas conforme se apresenta o ambiente econômico, tentando ao má-
ximo aproximar as projeções da realidade das empresas em seus ce-
nários de atuação. Isso quer dizer que aspectos restritivos – como a 
ausência de crédito e ineficiência de recursos, por exemplo – limitam 
a capacidade de crescimento e competitividade das empresas e, nessa 
situação, é preciso criar e adaptar alternativas de ação. 
Desse modo, dadas as limitações e dificuldades que podem vir a 
interferir no processo decisório, as empresas devem trabalhar com as 
decisões de financiamento, investimento, concentração e distribuição 
de capital, bem como lidar com a taxa de juros, os aspectos inflacioná-
rios, entre outras situações, na busca da sua estabilidade financeira e 
da continuidade do negócio.
5.2 Análise financeira e de tendências 
Vídeo A análise financeira pode ser entendida como o acompanhamentoda saúde das finanças da empresa, sendo essencial para a gestão do 
empreendimento, porque vai além do estudo do caixa, da liquidez e da 
análise de investimentos, por exemplo. Esses são alguns aspectos que, 
juntamente com uma diversidade de variáveis, estruturam a vida finan-
ceira e, quando acompanhados de modo eficaz, permitem à empresa 
um crescimento e desenvolvimento sustentáveis ao longo do tempo.
Com isso, a análise financeira possibilita a visualização de aspectos 
que precisam de melhorias, setores que estão desajustados, gastos em 
excesso, investimentos que não dão retorno, entre outros pontos que, 
quando identificados e passíveis de correção, permitem uma realocação 
mais eficiente de recursos e impulsionam a empresa na direção da reali-
zação de suas atividades nas melhores condições possíveis.
Dessa maneira, podemos pensar em alguns aspectos essenciais da 
análise financeira para que, posteriormente, possamos entender como 
diferentes formas de análise podem ser utilizadas na empresa, sendo 
benéficas a ela, e, com base nisso, como identificar e trabalhar com 
algumas tendências de mercado.
Alguns indicadores fundamentais da análise financeira podem ser, 
segundo Reis (2018b):
Estratégias corporativas e planejamento 73
 • capital circulante: indica o quanto de valor a empresa tem, levan-
do em consideração o dinheiro e os estoques e descontando to-
das suas obrigações em um determinado período;
 • prazo médio de recebimento: refere-se ao tempo em média que 
a empresa leva para receber por suas vendas;
 • rentabilidade sobre as vendas: mostra o quanto a empresa lucra 
com suas atividades;
 • endividamento: demonstra o quanto a empresa tem de dívidas 
em comparação com o quanto ela tem para quitá-las;
 • liquidez: apresenta o quanto e como o empreendimento con-
segue se manter e sua capacidade de quitar obrigações em 
determinado período.
Esses indicadores apontam para o caminho onde poderia se iniciar 
uma análise financeira eficaz, na medida em que permitem ao gestor 
acessar dados e interpretá-los na tomada de decisão para o bom fun-
cionamento do empreendimento. No entanto, esses fatores não são os 
únicos, pois a análise contábil, com sua infinidade de informações e va-
riáveis, também é importante e compõe o cenário de uma gestão finan-
ceira eficiente – tal como no que diz respeito aos custos e às receitas.
Outros indicadores financeiros e suas respectivas análises devem 
ser levados em consideração conforme o gestor avalia a saúde financei-
ra da empresa. No caso da decisão pelos investimentos, por exemplo, 
o gestor financeiro deve olhar para aspectos, como: a liquidez corrente 
– indicador em curto prazo dos recebimentos da empresa em um ano, 
em relação ao quanto ela deve pagar nesse mesmo período –; indica-
dores de margens – demonstram o lucro em percentagem para cada 
venda líquida efetuada pela empresa –; dívida líquida – retrata, por meio 
da análise do fluxo de caixa, qual a dívida líquida da empresa no período 
de um ano –; e o retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) – valor que 
representa o cálculo obtido da divisão do lucro de um ano da empresa 
pelo seu Patrimônio Líquido –, sendo que, quanto maior for esse valor, 
mais rentável se caracterizará o empreendimento (REIS, 2018a).
Já para analisar o desdobramento de uma decisão futura, as em-
presas utilizam o recurso da modelagem financeira para direcionar a 
tomada de decisão a respeito de um projeto. Com a modelagem, os ges-
tores conseguem elaborar projeções de cenários futuros com base nos 
cenários atuais, mediante um conjunto de pressupostos. Por meio da 
74 Gestão financeira estratégica
construção de um modelo matemático, que tende a representar a rea-
lidade do mercado financeiro, o gestor consegue projetar os possíveis 
investimentos para a empresa, tanto em curto quanto em longo prazo.
As planilhas de Excel, ferramenta mais comumente utilizada entre 
outros softwares, dão base para a elaboração dos modelos, de acor-
do com o planejamento estratégico elaborado pelo gestor para atingir 
seus objetivos, em que os dados da empresa são analisados em con-
junto com os indicadores econômicos.
Nesse sentido, a modelagem financeira é uma ferramenta de análise 
para a tomada de decisão que, segundo Reis (2019), tem como objetivos:
 • avaliar se o cenário que se projeta é consistente e sustentável;
 • representar o valor da empresa para possíveis investidores 
e compradores;
 • melhorar o gerenciamento de riscos dos investimentos e, com 
isso, a estrutura e a dinâmica da organização também.
Além disso, a modelagem financeira serve para que a empresa con-
siga: arrecadar mais recursos; adquirir ativos ou outros negócios; ex-
pandir o empreendimento, abrindo novas lojas ou atuando em outros 
mercados; elaborar a previsão orçamentária, especialmente em longo 
prazo; dar prioridade para a alocação de capital em projetos que te-
nham maior potencial de crescimento; e fazer comparações entre em-
presas do mesmo setor – estudo dos concorrentes, por exemplo. Essa 
modelagem também pode ser utilizada como projeção antecipada do 
desempenho das ações da empresa, quando for o caso, dependendo 
de quais eventos futuros possam ocorrer (REIS, 2019).
Outros dois tipos de análises financeiras são as chamadas horizontal 
e vertical, que dão base para entender como o negócio evolui ao longo 
do tempo e são frequentemente utilizadas pelos gestores das empre-
sas e investidores. As análises vertical e horizontal têm como objetivo 
entender como as operações da empresa variam no decorrer do tempo, 
isto é, na dinâmica do negócio. Na análise vertical, busca-se entender 
qual é o percentual de cada setor da empresa em seus resultados. Já 
na análise horizontal, pretende-se compreender como os resultados da 
empresa evoluem ao longo do tempo (REIS, 2018c).
Vamos exemplificar o que seria uma análise vertical. Partindo de um 
demonstrativo de resultado da empresa X e focando, neste exemplo, 
Estratégias corporativas e planejamento 75
apenas o valor da sua receita líquida em três diferentes localidades de 
atuação, regiões que chamaremos de A, B e C, vamos analisar, então, 
qual o percentual de cada setor nos resultados dessa empresa.
Considerando as receitas líquidas obtidas pela empresa X no 
primeiro trimestre do ano de 2019, nas três regiões, temos: na lo-
calidade A, uma receita líquida de 480 milhões de reais; na B, de 
245 milhões; e na C, de 160 milhões. Para calcularmos o percentual 
de participação de cada local nos resultados finais da empresa X, 
temos que dividir a receita líquida de cada região pela receita lí-
quida total da empresa no período analisado e, ao multiplicar esse 
valor por 100, teremos o percentual.
A receita líquida total da empresa X no primeiro trimestre de 2019 
será, então, a soma das receitas das regiões A, B e C: 480 + 245 + 160 
= 885 milhões de reais. Com todos os valores necessários, podemos, 
enfim, calcular o percentual de cada região no resultado final da 
empresa X. Para a região A: (480 / 885) * 100 = 54,23%. Para a região B: 
(245 / 885) * 100 = 27,68%. Para a região C: (160 / 885) * 100 = 18,07%.
Para efetuarmos a análise vertical, dessa forma, não basta apenas 
calcularmos os valores, mas interpretarmos o que significam para a 
empresa X. Os valores calculados nos indicam que a região A é bastan-
te significativa para essa empresa no que se refere a valores de ven-
das, por exemplo, já que mais de 50% da receita líquida da empresa X 
é atribuída à localidade A. Se pensarmos nas regiões B e C, conjunta-
mente, ao somá-las percebemos que a empresa X tem mais de 45% 
de sua receita nesses locais, o que implica dizer que há uma parcela 
de mercado bastante significativa e que, caso essas regiões sejam em 
outros países, a empresa X pode ter ganhos importantes com a va-
lorização de determinadas moedas ou, caso contrário, perdas signi-
ficativas com a desvalorização. Além disso, se acontecer de uma das 
regiões ser instável economicamente ou mesmo susceptível a crisespolíticas, a empresa X deve se preocupar, pois ambas representam 
grande parte de suas vendas (REIS, 2018c).
Para a análise horizontal, no entanto, devemos olhar para as Recei-
tas Líquidas da empresa X ao longo do tempo, comparando-as em cada 
período nas diferentes regiões. Caso a receita líquida tenha crescido 
mais na região A, por exemplo, é preciso interpretar o motivo dessa ex-
pansão – como no caso desse local ter sofrido uma expansão de consu-
Um livro considerado 
por muitos como um dos 
melhores quando se fala 
da obtenção de sucesso 
nos negócios é Iludidos pelo 
acaso: a influência da sorte 
nos mercados e na vida. A 
ideia do autor se dá na 
quebra da idealização de 
que tudo no mundo dos 
negócios acontece por 
razões definidas e, com 
isso, a leitura se torna ins-
piradora e surpreendente.
TALEB. N. N. São Paulo: Objetiva, 2019. 
Livro
76 Gestão financeira estratégica
mo interno, o que impactaria o aumento das vendas e o crescimento da 
receita em determinado período. Esse crescimento também pode estar 
relacionado a um melhor posicionamento da marca da empresa X na 
região A, aumentando as vendas. Já uma receita em queda em alguma 
região, como na B, pode expressar impactos de uma recessão econô-
mica, entre outros fatores (REIS, 2018c).
Essas considerações são exemplos de como as análises vertical e 
horizontal, com base no demonstrativo das receitas líquidas em de-
terminados períodos, podem orientar a tomada de decisão do gestor 
financeiro. Ainda assim, existem vários outros dados com valores es-
senciais para a análise financeira, que consideram os aspectos contá-
beis e demais fatores que estruturam o Demonstrativo de Resultado 
do Exercício (DRE), fluxo de caixa, entre outras ferramentas de gestão.
5.3 Avaliação e planejamento estratégico 
Vídeo Por que o estudo da estratégia é importante? Para respondermos 
a essa pergunta, temos que pensar no processo de administração es-
tratégica como fundamental para a sustentação das empresas, princi-
palmente no contexto globalizado e de constantes transformações em 
que estamos inseridos. Além disso, estudantes de uma vasta diversi-
dade de áreas serão os futuros gestores e estrategistas das inúmeras 
empresas ao redor do mundo.
Para além dessa consideração, a administração estratégica fornece 
ferramentas importantes de gestão, como aquelas que levam as em-
presas a garantir suas vantagens competitivas. A maioria das empresas 
possui estratégias voltadas para suas vantagens competitivas, portanto 
aquelas que não as têm proporcionam aos gestores eficientes poucos 
espaços de atuação e, com isso, eles se limitam em suas atividades e 
em seu desenvolvimento ao longo do tempo.
Outrossim, a administração e o planejamento estratégicos não 
estão necessariamente vinculados às grandes empresas. Muito con-
trariamente, são essenciais para a gestão de empreendimentos de 
qualquer dimensão, ao passo que pessoas capacitadas se tornam 
gestores conforme escolhem e implementam as estratégias mais 
convenientes para seus empreendimentos.
Estratégias corporativas e planejamento 77
Um dos entendimentos do que é estratégia, o qual vamos especi-
ficar aqui, é que ela, em uma empresa, se configura na forma como 
esta ganha vantagens competitivas. Falamos que se refere a um dos 
entendimentos, porque podemos entender estratégia como um con-
ceito polissêmico, ou seja, que possui diferentes significados e pode 
ser empregada em diversos contextos. Até mesmo dentro dos estu-
dos de administração e economia, bem como no assunto que trata-
mos neste tópico – em relação à administração estratégica e avaliação 
para a tomada de decisão –, poderíamos trabalhar com uma varieda-
de de abordagens estratégicas.
Porém, a fim de que tenhamos foco sobre como a gestão estratégi-
ca das empresas está muito vinculada na forma como capta e expande 
os recursos em um mercado cada vez mais complexo e competitivo, 
trataremos a estratégia da empresa como aquela capaz de fazer com 
que a empresa crie e mantenha vantagens diante de sua concorrência.
Isso significa dizer que o processo de gestão estratégica tem como 
finalidade concretizar as vantagens competitivas – em outras palavras, a 
empresa tem vantagem competitiva quando é capaz de criar valor eco-
nômico acima do que criam suas concorrentes. Esse valor econômico 
diz respeito à diferença entre os benefícios percebidos pelo consumi-
dor dos custos econômicos totais que a empresa tem em desenvolver 
e vender os bens e serviços adquiridos por esse consumidor. Ou seja, 
quanto mais essa diferença for positiva e os benefícios percebidos pelos 
consumidores superarem os dispêndios da empresa na produção e dis-
tribuição, maior será a vantagem competitiva (BARNEY; HESTERLY, 2011).
A vantagem competitiva, nesse sentido, pode se configurar como 
sustentável ou temporária, da mesma forma que ocorre com a des-
vantagem competitiva. Quando uma empresa cria um valor econômico 
igual ao de suas rivais, temos uma paridade competitiva; quando ela 
cria um valor inferior, há uma desvantagem competitiva. Duas medidas 
são significativas em relação à vantagem competitiva das empresas: 
o desempenho financeiro e o desempenho econômico. O primeiro se 
refere aos recebimentos e perdas das empresas por meio de índices de 
lucros e dispêndios, que são utilizados na comparação com o desempe-
nho financeiro de outras empresas. O segundo, no entanto, compara o 
quanto a empresa tem de retorno no que diz respeito ao seu custo de 
78 Gestão financeira estratégica
capital, isto é, o desempenho econômico mede a taxa de retorno que a 
empresa se propôs a entregar para seus investidores no intuito de que 
eles investissem na empresa (BARNEY; HESTERLY, 2011).
O processo de administração estratégica é uma forma da empre-
sa determinar a estratégia que quer seguir, com base num conjunto 
de análises e decisões que a levem a obter vantagens competitivas. 
O início do processo de administração estratégica pode ser entendi-
do quando a empresa identifica sua missão, sua finalidade em longo 
prazo. Por meio dos objetivos estabelecidos, as empresas conseguem 
avaliar se estão conseguindo alcançar a missão estabelecida.
Outro aspecto fundamental do planejamento estratégico é quan-
do a empresa passa a mapear seus ambientes interno e externo, 
estabelecendo, para o interno, suas forças e fraquezas organizacio-
nais e identificando, para o externo, suas oportunidades e ameaças. 
Com essa ferramenta de mapeamento, o gestor consegue fazer uma 
escolha estratégica.
Ameaças podem ser, por exemplo, os chamados novos entran-
tes – empresas que iniciam suas atividades em determinado setor ou 
ameaçam entrar no mercado e passam a concorrer com aquelas ali já 
estabelecidas. Barreiras à entrada, por sua vez, são atributos que um 
setor tem e que dificultam a entrada de qualquer organização, ou seja, 
exercem resistência às empresas entrantes. Quanto maior for o custo 
de uma empresa em entrar em determinado setor, maior será essa 
barreira. Um exemplo de barreira à entrada são as economias de esca-
la, em que uma organização consegue diminuir seus custos em função 
do aumento da quantidade que produz.
A diferenciação de produtos e serviços também se caracteriza como 
uma barreira, assim como as vantagens de custos independentes. Além 
disso, são exemplos de barreiras à entrada: a adoção de determinadas 
tecnologias ou o desenvolvimento de tecnologias próprias; o chamado 
know-how gerencial, isto é, o conhecimento e informações extremamen-
te relevantes de determinadas empresas de setor específico; o acesso 
facilitado de matérias-primas pelas empresas estabelecidas; as van-
tagens de custo em processos de aprendizagem das empresas es-
tabelecidas; e até mesmo as políticas governamentais que possam 
Estratégias corporativas e planejamento 79
dificultar entradas de empresas em determinados setores, como as 
regulamentações específicas.
Ameaças podem ser relacionadas a empresas que se configuram 
como substitutas, conformeos produtos e serviços que oferecem, as-
sim como o acesso aos fornecedores e compradores. No entanto, as 
forças podem ser: oportunidades de se consolidar em determinados 
setores, chamados de fragmentados por se caracterizarem por empre-
sas pequenas ou de médio porte; e chances de a empresa ser pioneira 
em setores emergentes, por exemplo, por meio de liderança tecnológi-
ca, pela posse de ativos com valor significativo de mercado, na criação 
de mudanças para o consumidor, entre outras.
Há, também, uma forma de classificar a estratégia em duas: a estra-
tégia a nível de negócios, que se refere à liderança em custos e diferen-
ciação de produtos, e a estratégia a nível corporativo, que diz respeito à 
integração vertical, aliança estratégica, diversificação, fusão e aquisição 
(BARNEY; HESTERLY, 2011). Ou seja, por meio da adoção de diferen-
tes ferramentas, de acordo com a necessidade que o gestor estabelece 
para a empresa, notamos as possibilidades de tomada de decisão e os 
diferentes caminhos que a administração estratégica oferece.
Nesse sentido, com as avaliações dos gestores, diante da escolha es-
tratégica, tem-se o processo de implementação, o que implica em proje-
tos de remuneração para as estratégias corporativas, políticas de controle 
gerencial e decisões sobre as estruturas organizacionais.
É importante destacar, como visto, que o processo de gestão estra-
tégica, em relação à avaliação, tomada de decisão e implementação, 
não acontece necessariamente por meio do uso de todas essas fer-
ramentas, em determinado período de tempo e de maneira concomi-
tante. A estratégia pode acontecer conforme os gestores se deparam 
com as questões a serem resolvidas e mudanças imprevistas, tanto em 
relação aos aspectos internos quanto aos externos à empresa.
É por esse motivo que entendemos a administração estratégica 
como um modo de se fazer estratégia por meio da obtenção de vanta-
gens competitivas, podendo ser considerada uma forma de se realizar 
uma gestão organizacional, haja vista a infinidade de ferramentas, pro-
cessos e demais aspectos que envolvem o mundo das organizações.
Um livro clássico do 
planejamento estratégico 
na área de administração 
é Safári da estratégia: um 
roteiro pela selva do plane-
jamento estratégico. Neste 
livro, os autores deter-
minam a importância da 
estratégia, bem como 
os diferentes aspectos e 
formas em que ela pode 
ser desenvolvida, em 
uma narrativa expressi-
vamente didática, tanto 
para alunos quanto para 
interessados no universo 
da gestão.
MINTZBERG, H.; AHLSTRAND, B.; 
LAMPEL, J. Porto Alegre: Bookman, 
2010.
Livro
80 Gestão financeira estratégica
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando os conceitos, indicadores, tipos de análises, processos 
de administração estratégica e demais aspectos e elementos apresentados 
neste capítulo, podemos entender a importância do conhecimento sobre o 
tema do planejamento estratégico no mundo organizacional. As empresas, 
por meio de sua estrutura de gestão, se organizam e buscam, constante-
mente, se estabelecer em seus mercados e desenvolver seus negócios.
Com isso, percebemos a necessidade de conhecer as ferramentas or-
ganizacionais, especialmente no que se refere à gestão financeira, a fim de 
que a empresa tenha uma estratégia condizente com suas necessidades 
internas e esteja apta a atender e dialogar com o ambiente externo, bus-
cando alcançar seus objetivos e se consolidando em longo prazo.
ATIVIDADES
1. Com relação à estrutura de tomada de decisão empresarial 
fundamental para as empresas, discorra sobre os tipos de decisões 
financeiras que os gestores devem conhecer.
2. Sobre a análise financeira, descreva sua importância e cite quais 
aspectos podem ser impactados por ela na gestão das empresas.
3. Conceitue administração estratégica e sua relação com a gestão 
empresarial.
REFERÊNCIAS
ASSAF NETO, A. Finanças corporativas e valor. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
BARNEY, J. B.; HESTERLY, W. S. Administração estratégica e vantagem competitiva. São Paulo: 
Pearson Prentice Hall, 2011.
REIS, T. Análise de indicadores: conheça a importância de levá-los em conta. 2018a. 
Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/analise-indicadores/ Acesso 
em: 10 jul. 2020.
REIS, T. Análise financeira: conheça o negócio para melhorá-lo. Suno Research, 2018b. 
Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/analise-financeira/ Acesso em: 
10 jul. 2020.
REIS, T. Análise vertical e horizontal: aprenda na prática como fazer. Suno Research, 2018c. 
Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/analise-vertical-e-horizontal/ 
Acesso em: 10 jul. 2020. 
REIS, T. Modelagem financeira: entenda como funciona essa ferramenta. Suno Research, 
2019. Disponível em: https://www.sunoresearch.com.br/artigos/modelagem-financeira/ 
Acesso em: 10 jul. 2020.
Gabarito 81
GABARITO 
1 Fundamentos da gestão financeira estratégica
1. A alocação de recursos envolve a otimização no uso dos recursos para 
que a empresa tenha capacidade de atingir seus objetivos. Por isso, a 
alocação de recursos implica aos gestores financeiros o conhecimento 
de todo o funcionamento da empresa, melhor dizendo, os gestores 
precisam entender como todas as áreas da empresa interagem. Isso 
significa dizer que os gestores devem ter visão integrada dos setores 
de atuação, pois, dessa maneira, é possível entender como cada setor 
produz e interage com outro, e assim quanto recurso tem disponível e 
como é possível trabalhar de forma eficiente com esses recursos.
2. As funções financeiras estão na identificação dos investimentos que 
vão constituir as formas de produção, que vão estruturar a empresa, 
como instalações, máquinas, os imóveis. Outras funções se referem ao 
estabelecimento das atividades operacionais, bem como a locação de 
recursos para sua realização – dispêndio de mão de obra, pagamento 
de salários, demais despesas, outros custos. O financiamento das 
operações, a aplicação de recursos em estoques, por exemplo, a 
obtenção de recursos nas instituições financeiras, assim como as 
receitas de vendas e a forma como será a distribuição de lucros.
3. O objetivo principal é que as empresas tenham retornos financeiros 
que justifiquem e compensem sua exposição aos riscos assumidos em 
determinadas decisões, transações, investimentos, novas atividades, 
entre outras situações do dia a dia. Essa recompensa ao risco se refere 
aos resultados econômicos e financeiros, normalmente relacionados a 
períodos de médio a longo prazo.
2 Gestão de caixa e capital de giro
1. O fluxo de caixa direto é o mais utilizado pelas empresas, pois analisa 
sem descontos quanto a empresa registrou de entradas (recebimentos) 
e saídas (pagamentos). A disponibilização das informações, assim, é 
feita diariamente. Outro tipo de forma de se registrar o ciclo de caixa 
da empresa é o livre, que se refere ao fluxo de caixa operacional (o 
quanto dele) a empresa obteve depois de ter realizado todos seus 
gastos. Esse fluxo se refere ao valor presente da empresa, o que fica 
disponível para ser utilizado.
82 Gestão financeira estratégica
2. O fluxo de caixa dos investimentos ou caixa líquido das atividades 
de investimento é o segmento que registra as entradas e saídas 
referentes aos investimentos que a empresa realiza. Caso a empresa 
compre um terreno, por exemplo, esse desembolso é registrado 
como uma saída de caixa. A venda de um terreno, em contrapartida, é 
registrada como uma entrada de caixa. Já o caixa líquido das atividades 
de financiamento registra as transações que se referem a estrutura de 
capital da empresa, como a variação de caixa, a obtenção e pagamento 
de empréstimos, o retorno de ações, entre outras atividades.
3. Sobre as despesas, podemos classificá-las para melhor compreender 
como se dá a composição dos ciclos operacional e financeiro. A despesa 
administrativa, por exemplo, é aquela que não está relacionada de 
forma direta com a produção, refere-se normalmente às questões 
administrativas, como contasde telefone, recepção, dispêndios com 
limpeza, departamento jurídico. Podem ser chamadas também de 
gastos gerais. As despesas operacionais, entretanto, estão relacionadas 
as atividades da produção de bens e serviços, a matéria-prima de fato. 
Isto quer dizer que, havendo uma mudança na quantidade produzida 
pela empresa do produto x, os custos operacionais mudam, mas os 
custos administrativos se mantêm estáveis.
4. O capital de giro pode ser representado com a seguinte relação: Ativo 
Circulante – Passivo Circulante = capital de giro. O Ativo Circulante 
se refere aos chamados ativos da empresa, que são, por exemplo, o 
caixa, os estoques, as aplicações financeiras, as contas a receber, entre 
outros recursos que indicam as entradas e/ou recursos disponíveis da 
empresa. O Passivo Circulante, por sua vez, indica as obrigações de 
curto prazo da empresa, como pagamento de fornecedores, contas a 
pagar, dívidas e demais dispêndios.
3 Orçamento, preço e custo
1. MC = receita das vendas – custos e despesas variáveis. Essa equação 
se refere ao cálculo da margem de contribuição. Receita de vendas 
é o valor calculado da soma entre os custos fixos e variáveis com as 
despesas fixas e variáveis mais o lucro – no cálculo da receita líquida. 
Para o cálculo da receita bruta fazemos essa soma e ainda somamos 
o valor dos tributos. Os custos e despesas variáveis são calculados a 
partir da identificação deles, utilizando a ferramenta de fluxo de caixa, 
por exemplo, e fazendo a soma entre custos e despesas não fixos 
que a empresa tem. O conhecimento da margem de contribuição 
é importante para o gestor financeiro porque é a diferença entre a 
Gabarito 83
receita de uma venda e os seus custos diretos e indiretos, ou seja, 
o valor da margem de contribuição é o quanto sobra do valor da 
venda do produto e/ ou serviço após o pagamento de todos os custos 
e despesas. A margem de contribuição mostra então o quanto uma 
empresa consegue gerar de capital para continuar funcionando e o 
quanto gera de lucro em determinado período.
2. O custo de transação está relacionado ao lucro líquido gerado pela 
empresa – o quanto a empresa gasta com manutenção de suas 
atividades bem como o quanto gasta na realização de suas transações. 
No momento da escolha de qual transação fazer, o tomador de decisão 
deve tentar maximizar suas informações para buscar o máximo de 
conhecimento possível a respeito do que se quer entender. Outro fator 
a ser considerado no cálculo do custo de transação é a especificidade 
do produto, quanto mais específico for um produto, um serviço, um 
ativo, uma situação, maior será o custo de transação. O gestor deve 
se atentar ao oportunismo porque os agentes econômicos têm 
interesses diferentes e, muitas vezes, podem buscar agir conforme 
esses interesses, causando incerteza e instabilidade na realização e 
cumprimento de contratos.
3. O planejamento orçamentário é uma ferramenta que auxilia o 
gestor na organização das atividades e finanças empresariais para 
que seja possível conhecer quanto de dinheiro a empresa tem, 
quanto precisará despender para que consiga desenvolver suas 
atividades e quanto deverá faturar para atingir seus objetivos. Para a 
elaboração de um orçamento, o gestor precisa ter conhecimento de 
alguns indicadores financeiros da empresa, fundamentais para que 
seja possível realizar um planejamento eficiente para determinado 
período. O planejamento orçamentário é estratégico porque se dá 
em consonância com a estratégia estabelecida pela empresa, isto é, 
de acordo com os objetivos e demais aspectos que a empresa busca 
melhor desenvolver. Nesse sentido, a previsão orçamentária ocorre 
a partir de relatórios e demais documentos advindos de diferentes 
funcionários e por parte dos gestores no que diz respeito a tudo que 
precisa ser planejado e mensurado.
4 Decisões, análise de investimentos e riscos
1. A avaliação de investimentos tem importância significativa para as 
empresas e também para os investidores, pois direciona a sua tomada 
de decisão. A partir dela, é possível analisar as possibilidades dos 
desdobramentos de um determinado investimento, como o grau de 
segurança, de risco e até mesmo a prosperidade do investimento.
84 Gestão financeira estratégica
2. Há três tipos de riscos financeiros: liquidez, crédito e mercado. O risco 
de liquidez é aquele que a empresa sofre quando não é capaz de 
cumprir seu passivo financeiro. O risco de crédito ocorre quando o 
credor está vulnerável à possibilidade de não recebimento. O risco de 
mercado acontece quando a empresa tem ações na bolsa de valores, 
caso ocorram oscilações de preços e cotações.
3. A criação de valor consiste em dizer que os produtos e/ou serviços 
oferecidos por uma empresa são vistos pelos clientes como 
diferenciados se comparados aos produtos e serviços ofertados 
por outras empresas, ou seja, a agregação de valor se refere a 
criar significado na compra de produtos e/ou serviços para além 
do valor pago pelo cliente.
5 Estratégias corporativas e planejamento
1. As decisões financeiras nas empresas se referem a: investimentos, 
ligados à aplicação de recursos; financiamento, relacionados à captação 
de recursos; e dividendos, que remetem à alocação dos resultados 
líquidos das empresas. As decisões financeiras de investimento e 
financiamento, dessa forma, devem ser tomadas de maneira integrada, 
já que representam duas importantes áreas de decisão das empresas. 
As decisões financeiras devem ser tomadas conforme o ambiente 
econômico, tentando ao máximo aproximar as projeções da realidade 
das empresas em seus cenários de atuação.
2. A análise financeira, por meio de um conjunto de aspectos, indicadores 
e variáveis, acompanham a vida financeira de uma empresa. Com as 
análises financeiras, é possível visualizar o que deve ser melhorado e/ou 
priorizado, quais são as operações que estão desajustadas, os gastos 
em excesso, o status dos investimentos, a realocação dos recursos, 
entre outros pontos que devem ser identificados e trabalhados.
3. A administração estratégica pode ser entendida como fundamental 
para a sustentação das empresas, fornecendo ferramentas importantes 
de gestão, como aquelas que levam as empresas a garantir suas 
vantagens competitivas. Nesse sentido, a estratégia empresarial pode 
ser entendida como aquela capaz de fazer com que a empresa crie e 
mantenha vantagens diante de sua concorrência.
Código Logístico
59499
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-6660-5
9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 6 0 5
Gestão financeira estratégica
Carolina Casella Galli
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