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SE JOGA: DESIGN GRÁFICO E COMUNICAÇÃO PROFUNDIDADE: Perspectiva, Luz, Sombra, Cor e Dimensão Olhe para as peças de design abaixo Com todas as diferenças de estilo entre elas, existe uma característica comum, que contribui para a percepção de qualidade da obra. Sabe o que é? A sensação de profundidade! Veja que os elementos não estão apenas dispostos, como se estivessem em um mesmo plano, ou seja, como se fossem colocados em uma mesa separadamente e sem interação. Pelo contrário, você percebe uma noção de profundidade, em alguns casos tão bem construída que parece ser possível entrar naquele universo. Essa sensação de profundidade é construída de diversas formas através de inúmeras técnicas e veremos algumas possibilidades na aula de hoje. Comecemos com o básico. Digamos que eu possua a seguinte situação: Estou montando um Estático para divulgar uma edição de um campeonato amador de futebol. Eu começo inserindo as bolas de futebol na minha área de trabalho, mas parece tudo muito... “chato”. . Isso ocorre porque podemos enxergar a realidade em nossa volta como sendo dividida em “planos”. Se você gosta de fotografia ou cinema já ouviu alguém dizer que algo está “no primeiro plano” ou que alguma coisa está como “plano de fundo”. Lembra que uma forma é uma sequência de linhas uma depois da outra? Então, se eu pego um quadrado, por exemplo, e coloco um em cima do outro de modo que não consiga ver o fim de um, ou início de outro, em algum momento eu formarei um cubo! Nosso mundo inteiro é feito de formas tridimensionais, ou seja, são como cubos, esferas, pirâmides, cones, etc. Podemos segmentar a realidade em “Planos”, em “folhas”. Quando eu coloco um elemento atrás do outro, por exemplo, em um design, eu estou transmitindo a ideia de que os dois elementos estão em planos diferentes, sendo que um está num Plano mais perto do observador e o outro em um plano mais distante. Quando eu transmito essa ideia para o espectador eu estou passando a noção de profundidade para ele. Colocar um elemento na frente do outro não é a única forma de transmitir a sensação de profundidade no design. Veja, por exemplo, essa sequência de quadrados: Eles não parecem ter qualquer sentido de profundidade. Parecem todos estarem um do lado do outro (e não um na frente do outro). Podemos iniciar o trabalho com profundidade apenas mudando as dimensões das formas. Em outros termos, vamos deixar alguns quadrados menores. Depois disso, podemos ir um pouco mais além e mudar a saturação e a luminosidade (tom) desses quadrados. Veremos mais sobre esses temas no futuro, porém pra hoje basta entender que a saturação é o quanto a cor é “forte” e “vibrante”, enquanto a luminosidade se trata se a cor está mais clara ou escura. Okay? Então veja o que acontece com essa simples mudança: Aos poucos a sensação de profundidade ganha forma. Não há nada de errado na distribuição desses quadrados, todavia vou deixá-los alinhados pela base apenas para estimular essas sensações ainda mais, pois não existem elementos ao redor para construir uma ideia de “espaço”. Agora, acrescentando um pouco de sombra para indicar que a forma ao lado está sombreando a forma anterior, chegamos num estágio bem satisfatório: Certinho... Mas como aplicar isso em uma peça de design real, complexa, com o intuito de comunicar algo e cumprir com objetivos? Vamos seguir nossa situação-problema de um Estático para um campeonato de futebol amador. Parei naqueles dois elementos chatos, sem profundidade. Como eu posso iniciar a construção dessa sensação? Primeiro, redimensionando! Com as formas redimensionadas, agora eu vou dessaturar a bola que eu quero que esteja em um plano atrás. Diferença sutil. Complemento sobrepondo uma bola na outra, para mostrar que a maior está na frente. Ressalto essas sensações adicionando sombras na forma do fundo. Posso adicionar o título agora. Esse título pode se incorporar no jogo de profundidade, se colocado entre as formas. Alterando um pouco a relação entre título e formas eu consigo melhorar a legibilidade e ainda dar mais sensação de tridimensionalidade. Incorporando no título o jogo de luz e sombra também. Posso complementar mais, incluindo agora bolas em planos ainda mais atrás e ainda mais à frente. Essas que estão de maneira mais “extrema” pra frente ou pra trás, podemos transmitir a ideia de que estão muuuuitooo pra lá ou pra cá através do desfoque, simulando movimento, mas também o desfoque da câmera, que quando capta um determinado plano desfoca os demais, seja os planos ao fundo seja os primeiros planos. Terminando de adicionar detalhes como mais informações, vinheta, textura, etc, concluo um design simples, mas que ganha um contorno de maior qualidade pelo jogo de profundidade criado: Além de todas as técnicas que usamos, poderíamos ter incluído outras. Um exemplo é a questão do contorno, que não se enquadraria nesses casos citados, porém sim, um desenho com traços mais finos traz ideia de maior distância, enquanto com traços mais grossos traz ideia de proximidade. Seguindo na onda dos traçados, objetos bem detalhados dão a ideia de estarem perto, enquanto objetos pouco detalhados passam a sensação de distância. Vejamos exemplos: Olhe como os traços dos prédios próximos são grossos e os traços ao fundo são finos. Observe como as janelas dos primeiros prédios são detalhadas e as dos prédios ao fundo são apenas linhas. Observe também como as sombras da frente estão fortes e escuras e, conforme nos afastamos, as sombras das janelas deixam de ser em preto para ser em cinza. Observe como os traços que revestem o personagem Pain, de Naruto, são mais grossos que os traços que revestem as casas da Vila destruída. Também perceba como a vila carece de muitos detalhes, se der um zoom verá traços finos e formas simples, nada muito preciso. Mesmo assim, não prejudica a qualidade, pelo contrário, se as casas fossem super detalhadas isso prejudicaria a sensação de profundidade da obra. Técnicas de perspectiva também são muito úteis na construção de profundidade. Durante o Renascimento surgiram inúmeras formas de trabalhar essas ideias, mas a principal foi através dos pontos de fuga. Se formos na Linha do trem e olharmos ela se perdendo no horizonte, perceberemos um fato intrigante: mesmo sendo formada por linhas paralelas, ou seja, que não se cruzam, ela parece ir se juntando conforme fica mais longe. Qualquer forma, quanto mais afastada se encontra de nós, menor é o seu tamanho, dentro de uma coerência provocada pela distância. No desenho em perspectiva, são as linhas inclinadas (diagonais) que criam a ilusão de profundidade. Essas linhas tendem a se reunir em um “ponto” em comum, encolhendo tudo ao redor para que caiba nesse ponto. Essa questão do tamanho é o que faz com que coisas muito grandes, se estiverem muito distantes, pareçam muito pequenas. A lua tem 3.474,8 km de diâmetro e mesmo assim parece menor do que um lápis de 17 cm quando colocamos eles lado a lado. O ponto para o qual todos esses objetos seguem é o “Ponto de Fuga”. Pode haver mais de um ponto de fuga, que fica colocado sobre a linha do horizonte, justamente o limite entre o céu e a terra. Conhecer essa técnica é primordial para dominar a transmissão de profundidade na sua peça, uma vez que a interação dos elementos tridimensionais precisa obedecer a uma lógica coerente, ou o resultado final ficará estranho. Observe que, para transmissão das ideias de profundidade e tridimensionalidade, faz-se necessário um domínio mínimo de uma série de técnicas e conceitos, bem como atentar-se a vários elementos: 1. Dimensão 2. Perspectiva 3. Luz e Sombra 4. Tonalidade das cores 5. Saturação das cores 6. Volume 7. Traçado 8. Nível de Detalhamento 9. Etc. Quanto mais avançarmos nasaulas e praticarmos cada fundamento, maiores serão nossas capacidades e nosso potencial em construir peças de design que tocam o público e alcançam seus objetivos.