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Direitos Reais   PROPRIEDADE
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Direito Civil • Universidade de CuiabáUniversidade de Cuiabá

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## Resumo sobre Aquisição Originária da Propriedade Imóvel por AcessãoA aula aborda a aquisição originária da propriedade imóvel por meio do instituto jurídico da **acessão**, previsto no artigo 1.248 do Código Civil brasileiro. Acessão é um modo originário de aquisição da propriedade, pelo qual tudo que se une ou incorpora a um bem principal passa a pertencer ao proprietário deste. Segundo Clóvis Beviláqua, a acessão ocorre quando duas coisas, antes separadas, se conjugam, e uma delas tem caráter acessório em relação à outra, que é principal. Assim, o proprietário do bem principal (acedido) é beneficiado pela incorporação da coisa acessória (acedente), enquanto o proprietário desta última pode ser prejudicado pela perda da porção incorporada. Para evitar enriquecimento sem causa, o Código Civil prevê indenização ao proprietário prejudicado.A acessão divide-se em duas espécies principais: **natural** e **industrial (ou artificial)**. A acessão natural ocorre por fenômenos da natureza, enquanto a acessão industrial resulta da ação humana, como construções e plantações. O artigo 1.248 enumera cinco espécies de acessão: quatro naturais — formação de ilhas, aluvião, avulsão e abandono de álveo — e uma artificial — plantações ou construções.---### Acessões Naturais1. **Formação de Ilhas (Art. 1.249)** Ilhas formadas em rios pertencem aos proprietários ribeirinhos fronteiros, com regras específicas para delimitação da propriedade conforme a posição da ilha no rio. Se a ilha surge no meio do rio, ela é dividida proporcionalmente entre os proprietários das margens, até a linha que divide o álveo (leito do rio) ao meio, chamada de meridiano. Se a ilha se forma entre o meridiano e uma das margens, pertence integralmente ao proprietário da margem correspondente. Caso a ilha resulte do desdobramento de um novo braço do rio, permanece pertencendo aos proprietários dos terrenos que deram origem à ilha. Importante destacar que ilhas fluviais em rios navegáveis, assim como ilhas oceânicas ou costeiras, são bens públicos pertencentes à União, Estados ou Municípios, conforme a Constituição Federal.2. **Aluvião (Art. 1.250)** O aluvião é o acréscimo gradual e imperceptível de terra nas margens dos rios, causado por depósitos naturais de sedimentos. Esse terreno adicional pertence aos donos dos terrenos marginais, sem necessidade de indenização. Se o aluvião se formar em terrenos de diferentes proprietários, será dividido proporcionalmente à testada (frente) de cada um. A ausência de indenização se justifica pela dificuldade de mensurar a origem e o valor exato do terreno acrescido.3. **Avulsão (Art. 1.251)** Avulsão ocorre quando, por força natural violenta (como enchentes, terremotos ou desmoronamentos), uma porção considerável e mensurável de terra se destaca de um imóvel e se junta a outro. O proprietário do imóvel que recebe a porção passa a ser dono dela, desde que indenize o proprietário original. Caso não haja indenização e o proprietário prejudicado não reclame em até um ano, a propriedade se consolida. Se o proprietário do imóvel receptor recusar pagar, deverá permitir a remoção da porção acrescida. A lei oferece ao proprietário receptor a opção de indenizar ou permitir a remoção, protegendo os direitos do proprietário original.4. **Álveo Abandonado (Art. 1.252)** O álveo é o leito do rio, a superfície normalmente coberta pelas águas. Se o rio secar ou mudar seu curso por fenômeno natural, o antigo leito (álveo abandonado) passa a pertencer aos proprietários ribeirinhos das margens, divididos pelo meridiano imaginário. Os proprietários não têm direito a indenização pela perda de terra submersa pelo novo curso do rio, pois decorre de fenômeno natural. Essa regra aplica-se também a rios navegáveis, que são bens públicos.---### Acessão Artificial (Industrial) – Construções e PlantaçõesAcessão artificial refere-se à incorporação de construções ou plantações feitas por ação humana. O artigo 1.253 estabelece uma presunção relativa de que toda construção ou plantação em um terreno foi feita pelo proprietário e às suas custas, salvo prova em contrário. Essa presunção é relativizada por regras específicas nos artigos 1.254 a 1.259, que tratam de três hipóteses principais:1. **Proprietário que planta ou constrói em seu terreno com materiais alheios (Art. 1.254)** O proprietário do terreno adquire a propriedade das sementes, plantas ou materiais usados, mas deve indenizar o dono desses materiais pelo valor de mercado. Se agiu de má-fé (sabendo que os materiais não eram seus), além da indenização, responde por perdas e danos.2. **Quem planta ou constrói em terreno alheio (Art. 1.255)** O semeador ou construtor perde a propriedade das sementes, plantas ou construções em favor do proprietário do terreno. Se agiu de boa-fé, tem direito a indenização pelo valor investido. - Se a construção ou plantação exceder consideravelmente o valor do terreno, o construtor de boa-fé pode adquirir a propriedade do solo mediante pagamento de indenização judicial ou acordo. - Essa situação é conhecida como **acessão invertida** ou desapropriação no interesse privado, pois o valor econômico da construção ou plantação supera o do terreno, justificando a transferência da propriedade do solo ao construtor.3. **Ambas as partes de má-fé ou uso de materiais de terceiros (Arts. 1.256 e 1.257)** Se tanto o proprietário do terreno quanto o construtor estiverem de má-fé, o proprietário do terreno adquire as sementes, plantas e construções, devendo pagar o valor das acessões. Presume-se má-fé do proprietário se a construção ou lavoura foi feita em sua presença sem impugnação. No caso de terceiro de boa-fé usar materiais de outrem em terreno alheio, o dono dos materiais pode cobrar indenização do proprietário do solo, que responderá subsidiariamente.---### Acessão por Construção e Invasão de Solo AlheioO Código Civil também regula situações em que construções invadem parcialmente terrenos vizinhos, distinguindo entre boa-fé e má-fé do construtor:- **Invasão até 1/20 (5%) do terreno alheio (Art. 1.258):** - Construtor de boa-fé adquire a propriedade da parte invadida se o valor da construção exceder o da área invadida, devendo indenizar o proprietário pelo valor da área perdida e pela desvalorização da área remanescente. - Construtor de má-fé deve demolir a parte invasora, salvo se não for possível sem grave prejuízo à construção. Nesse caso, pode adquirir a propriedade da área invadida pagando indenização em dobro.- **Invasão superior a 1/20 do terreno alheio (Art. 1.259):** - Construtor de boa-fé adquire a propriedade da área invadida, respondendo por perdas e danos que incluam o valor da invasão acrescido à construção, o valor da área perdida e a desvalorização da área remanescente. - Construtor de má-fé é obrigado a demolir a construção e pagar perdas e danos em dobro.Essas regras buscam equilibrar os direitos dos proprietários e construtores, evitando enriquecimento sem causa e incentivando a boa-fé nas relações imobiliárias.---## Destaques- Acessão é modo originário de aquisição da propriedade imóvel, pela incorporação de coisa acessória ao bem principal.- Acessão natural ocorre por fenômenos da natureza: formação de ilhas, aluvião, avulsão e abandono de álveo.- Acessão artificial resulta da ação humana, como construções e plantações, com regras específicas para boa-fé e má-fé.- Em caso de invasão parcial de terreno alheio por construção, o construtor pode adquirir a propriedade da área invadida, mediante indenização, dependendo da extensão da invasão e da boa-fé.- O Código Civil protege o proprietário prejudicado, garantindo indenização e evitando enriquecimento sem causa, equilibrando interesses sociais e econômicos.

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