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A Organização da Rotina na Educação Infantil: Como Juntar o Lúdico, o Cuidar e 
o Educar no Dia a Dia 
Organizar a rotina na Educação Infantil é sempre um nó na cabeça dos 
professores de creche e pré-escola. Durante muito tempo, a escola separou as coisas 
de um jeito bem rígido: ou ficava naquela neura de antecipar o Ensino Fundamental 
com atividades cheias de papel e lápis, ou caía para o lado puramente assistencialista 
de só dar banho, comida e trocar fralda, tratando as crianças quase como robozinhos 
em uma linha de montagem. Só que hoje, tanto as diretrizes quanto o que a gente 
estuda na faculdade deixam claro que o cuidar, o educar e o brincar andam colados e 
não dá para separar. O grande desafio do professor no dia a dia é justamente conseguir 
planejar uma rotina onde essas três dimensões aconteçam juntas, sem parecer que a 
aula parou para a hora do cuidado. 
Para essa engrenagem funcionar, a primeira coisa que o professor precisa fazer 
é mudar a visão sobre o que é "conteúdo" com criança pequena. Momentos de higiene, 
alimentação e sono não são interrupções do trabalho pedagógico; eles são o próprio 
pedagógico. Como a Beatriz Ferraz explica no vídeo, ter intencionalidade na hora do 
banho não significa ficar inventando uma aula artificial, forçando a criança a apontar as 
partes do corpo ou cantando musiquinha do nariz e da bochecha o tempo todo. O 
cuidado intencional é, na verdade, criar um momento acolhedor, onde o vínculo se 
fortaleça e a criança ganhe segurança. Quando o professor conversa com o bebê na 
hora da troca ou do banho e respeita o tempo dele, o cuidar e o educar acontecem 
sozinhos. 
A hora do almoço ou do lanche segue a mesma lógica e deveria ser vista como 
um momento rico de socialização. Em vez daquela cena triste de ver um refeitório com 
todo mundo comendo em silêncio absoluto, a rotina precisa incentivar a autonomia. O 
vídeo mostra que quando a escola organiza um esquema de self-service para os 
maiorzinhos (de dois a três anos), as crianças aprendem a dosar o que comem, 
experimentam texturas novas e lidam com regras sociais de convivência. É óbvio que 
no começo eles vão se sujar, errar a boca com a colher e fazer uma certa bagunça, 
mas o professor precisa entender que esse processo de erro e acerto faz parte do 
aprendizado motor e da construção da independência deles. 
E no meio de tudo isso, a brincadeira entra como o eixo que amarra a rotina 
inteira. A criança pequena aprende e se constitui como ser social justamente jogando e 
inventando. A Tizuko Morchida pontua muito bem que o professor precisa saber 
organizar o espaço e os brinquedos pensando na idade de cada turma. Para os bebês 
de até dois anos, a rotina tem que focar na exploração dos sentidos — coisas de 
texturas diferentes, cores e movimentos. Já por volta dos três anos, o foco muda para o 
jogo de faz de conta. É quando eles começam a imitar o mundo dos adultos, fingindo 
que são pais, mães ou médicos, e usam esses enredos lúdicos para digerir e entender 
a realidade à sua volta. 
Nesse cenário todo, o papel do professor não é ficar sentado só olhando as 
crianças brincarem de longe. Ele precisa ser um mediador que dá suporte para as 
brincadeiras e, quando necessário, entra no jogo também. Quando o adulto entra na 
brincadeira com intencionalidade, ele consegue criar pequenos problemas para os 
pequenos pensarem e resolverem, o que melhora muito a qualidade do aprendizado. 
Dá trabalho e exige fôlego, mas estruturar o dia a dia desse jeito, entendendo que a 
criança se desenvolve por inteiro o tempo todo — seja comendo sozinha, explorando 
um brinquedo ou pegando confiança no professor durante o banho —, é o único 
caminho para termos uma Educação Infantil de verdade. 
Referências 
BRASIL. Ministério da Educação. D12 - Educação Infantil: Cuidar, Educar e Brincar. 
Programa Fundamentos e Princípios da Educação Infantil. Disponível em: 
. Acesso em: 20 out. 2026.

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