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CENTRO UNIVERSITÁRIO PLANALTO DO DISTRITO FEDERAL
POLO ALTAMIRA
BACHARELADO EM ENFERMAGEM
DAIANA LOPES SOARES
ALESSANDRA MOTA DOS SANTOS
ANDREIA SOARES PALHETA
FABIANO SILVEIRA COSTA
MARIA CICERA TEIXEIRA DA SILVA
CLIMATÉRIO E MENOPAUSA: IMPACTOS NA SAÚDE, QUALIDADE DE VIDA E ASSISTÊNCIA INTEGRAL À MULHER
ALTAMIRA–PA
2026
ADAIANA LOPES SOARES
ALESSANDRA MOTA DOS SANTOS
ANDREIA SOARES PALHETA
FABIANO SILVEIRA COSTA
MARIA CICERA TEIXEIRA DA SILVA
CLIMATÉRIO E MENOPAUSA: IMPACTOS NA SAÚDE, QUALIDADE DE VIDA E ASSISTÊNCIA INTEGRAL À MULHER
Pré-projeto desenvolvido no Curso de Bacharelado em Enfermagem do Centro Universitário Planalto do Distrito Federal – UNIPLAN, Polo Altamira, como parte das atividades acadêmicas necessárias à construção do Trabalho de Conclusão de Curso, sob orientação da enfermeira docente Mylena Silva Neves.
ALTAMIRA–PA
2026
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO	1
2 DELIMITAÇÃO DO TEMA	3
3 PROBLEMA DE PESQUISA	4
4 OBJETIVOS	5
4.1 Objetivo geral	5
4.2 Objetivos específicos	5
5 JUSTIFICATIVA	6
6 REFERENCIAL TEÓRICO	8
6.1 Climatério e menopausa: conceitos e características	8
6.2 Manifestações e repercussões na qualidade de vida	9
6.3 Atenção integral à saúde da mulher no climatério e na menopausa	10
6.4 Assistência de enfermagem	11
6.5 Educação em saúde e autocuidado	12
6.6 Humanização, sexualidade e integralidade do cuidado	13
7 METODOLOGIA	14
7.1 Tipo de estudo	14
7.2 Questão norteadora e estratégia de busca	14
7.3 Critérios de inclusão e exclusão	15
7.4 Seleção e análise dos estudos	15
7.5 Aspectos éticos	16
8 CRONOGRAMA	17
9 ORÇAMENTO	18
REFERÊNCIAS	19
1 INTRODUÇÃO
O climatério constitui uma etapa do ciclo de vida feminino marcada pela transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo. A menopausa, por sua vez, corresponde à última menstruação e é reconhecida retrospectivamente após doze meses consecutivos de amenorreia, quando não existe outra causa fisiológica ou patológica que explique a interrupção menstrual. Embora esses acontecimentos façam parte do processo de envelhecimento, a forma como são vivenciados varia entre as mulheres e pode envolver repercussões físicas, emocionais, sexuais e sociais (DE LORENZI et al., 2009; OLIVEIRA et al., 2024).
As transformações hormonais características da transição menopausal podem estar associadas a irregularidade menstrual, ondas de calor, sudorese, alterações do sono, sintomas geniturinários, mudanças na sexualidade e variações de humor. A intensidade dessas manifestações não é uniforme. Algumas mulheres apresentam poucas queixas, enquanto outras vivenciam sintomas que interferem no descanso, nas atividades profissionais, nas relações familiares, na autoestima e na qualidade de vida. Estudos brasileiros mostram que a experiência do climatério é heterogênea e que seus efeitos devem ser compreendidos a partir da realidade de cada mulher (DE LORENZI et al., 2009a; DE LORENZI et al., 2006).
A compreensão contemporânea do climatério ultrapassa uma leitura exclusivamente biológica. Condições de vida, hábitos, contexto familiar, experiências culturais, acesso à informação e aos serviços de saúde influenciam a percepção dos sintomas e a maneira como a mulher procura cuidado. De Lorenzi et al. (2009) destacam a influência conjunta de fatores biológicos, psicossociais e culturais, reforçando a necessidade de assistência qualificada, integral e humanizada.
Nesse contexto, a atenção à mulher climatérica deve favorecer acolhimento, acompanhamento, prevenção de agravos e identificação das necessidades individuais. A literatura de enfermagem ressalta que o cuidado pode integrar educação em saúde, diálogo, valorização dos saberes da mulher e construção compartilhada de estratégias de autocuidado, evitando abordagens reducionistas e exclusivamente centradas na doença (VIDAL et al., 2012; DE LORENZI et al., 2009).
A enfermagem possui contato privilegiado com as usuárias nos diferentes momentos da assistência. A consulta de enfermagem, o acolhimento e as atividades educativas podem favorecer a identificação das necessidades individuais e a construção de estratégias de cuidado que considerem tanto as manifestações clínicas quanto aspectos emocionais, sociais e relacionados à sexualidade (VIDAL et al., 2012).
A atuação profissional também pode contribuir para reduzir desinformação e interpretações equivocadas. O climatério não deve ser tratado automaticamente como doença, mas isso não significa ignorar sintomas ou condições que necessitem de investigação. A escuta qualificada possibilita reconhecer o impacto das manifestações sobre a vida cotidiana e orientar a mulher sobre possibilidades de cuidado, sinais que demandam avaliação e práticas de promoção da saúde (DE LORENZI et al., 2009).
Dessa forma, estudar a assistência de enfermagem às mulheres no climatério e na menopausa é relevante para a formação acadêmica e para a prática profissional. Este pré-projeto propõe analisar, na literatura, a contribuição da enfermagem para a educação em saúde, o manejo dos sintomas, o autocuidado e a promoção da qualidade de vida.
2 DELIMITAÇÃO DO TEMA
O recorte deste estudo concentra-se no cuidado de enfermagem oferecido às mulheres no climatério e na menopausa. Interessa compreender, sobretudo, como aparecem na literatura as orientações de saúde, o estímulo ao autocuidado, a identificação das necessidades e o manejo das manifestações que podem comprometer o bem-estar. A Atenção Primária à Saúde será o principal cenário de referência, embora estudos de outros serviços possam ser considerados quando ajudarem a compreender a atuação da enfermagem.
A investigação não pretende analisar apenas as alterações hormonais. Serão considerados aspectos físicos, emocionais, sociais e relacionados à sexualidade, uma vez que a experiência do climatério pode assumir diferentes significados e repercussões. O recorte busca manter a enfermagem no centro da discussão, evitando que o trabalho se transforme em uma revisão predominantemente médica sobre terapias farmacológicas.
O período de busca bibliográfica será prioritariamente de 2020 a 2026, de modo a privilegiar evidências recentes. Estudos anteriores considerados fundamentais para conceitos, construção histórica do cuidado e fundamentos da assistência poderão ser incluídos quando apresentarem relevância direta para o tema.
3 PROBLEMA DE PESQUISA
O climatério e a menopausa fazem parte do processo de envelhecimento feminino, mas podem ser acompanhados por manifestações que afetam diferentes dimensões da vida. A literatura demonstra que fatores biológicos, emocionais, sociais e culturais se relacionam à maneira como essa fase é percebida e vivenciada, o que reforça a necessidade de uma abordagem integral (DE LORENZI et al., 2009; DE LORENZI et al., 2009a).
A enfermagem pode participar de maneira expressiva do acolhimento, avaliação das necessidades, orientação e promoção do autocuidado. A educação em saúde baseada no diálogo favorece uma assistência mais participativa e sensível às experiências da mulher climatérica (VIDAL et al., 2012). Entretanto, é necessário compreender como essa atuação vem sendo apresentada na literatura e quais estratégias são apontadas como relevantes para o bem-estar das mulheres.
Assim, define-se como questão norteadora: Qual é a importância da assistência de enfermagem na orientação, no manejo dos sintomas e na promoção da qualidade de vida das mulheres durante o climatério e a menopausa?
4 OBJETIVOS
4.1 Objetivo geral
Analisar a importância da assistência de enfermagem às mulheres durante o climatério e a menopausa, considerando ações de educação em saúde, orientação para o autocuidado, manejo dos sintomas e promoção da qualidade de vida.
4.2 Objetivos específicos
• Descrever as principais alterações e manifestações relacionadas ao climatério e à menopausa;
• Identificar repercussões físicas, emocionais, sociais e sexuais que possam interferir na qualidade de vida;
• Investigar as ações de enfermagem direcionadas à assistência às mulheres durante essa etapa;
• Analisar a contribuição da educaçãoem saúde e do incentivo ao autocuidado;
• Discutir a importância da assistência humanizada e integral na promoção da saúde e da qualidade de vida.
5 JUSTIFICATIVA
A escolha deste tema parte de uma questão relevante para a formação em Enfermagem: a saúde da mulher não se encerra com o período reprodutivo. O climatério e a menopausa fazem parte do ciclo de vida e podem trazer demandas que exigem acolhimento, informação qualificada e acompanhamento. Conhecer essas demandas contribui para que o futuro profissional reconheça necessidades, oriente com segurança e desenvolva um cuidado mais sensível às singularidades femininas.
Apesar de ser um processo fisiológico, o climatério pode ser acompanhado por sintomas que afetam a rotina e a percepção de qualidade de vida. Pesquisas brasileiras mostram que sintomas somáticos, psicológicos, urogenitais e aspectos socioculturais podem assumir pesos diferentes entre as mulheres, o que reforça a importância de evitar generalizações e de considerar a experiência individual (DE LORENZI et al., 2006; DE LORENZI et al., 2009a).
A relevância profissional do estudo encontra-se na possibilidade de reunir conhecimentos aplicáveis à consulta e às ações educativas de enfermagem. Vidal et al. (2012) propõem uma educação em saúde dialógica e participativa, capaz de articular conhecimento científico e saberes construídos pelas próprias mulheres, fortalecendo autonomia e cuidado integral.
Há ainda uma dimensão social importante. Assuntos como ressecamento vaginal, dor nas relações, mudanças no desejo sexual, alterações urinárias ou sofrimento emocional podem ser difíceis de mencionar durante uma consulta. A literatura sobre climatério destaca que sexualidade, feminilidade, autoimagem e envelhecimento são atravessados por significados sociais e culturais, exigindo uma abordagem profissional respeitosa e sem julgamentos (VALENÇA; NASCIMENTO FILHO; GERMANO, 2010).
No âmbito científico, pesquisas recentes continuam examinando intervenções e estratégias capazes de reduzir sintomas e favorecer qualidade de vida. Sobral et al. (2024) sintetizaram evidências sobre Práticas Integrativas e Complementares em Saúde em mulheres no climatério, demonstrando a permanência do tema como objeto relevante de investigação e cuidado.
Para a formação em enfermagem, o estudo pode contribuir para consolidar uma visão de cuidado que articule conhecimento científico, educação em saúde e atenção às singularidades. Dessa maneira, justifica-se a realização da revisão integrativa para identificar e organizar evidências sobre a atuação da enfermagem junto às mulheres no climatério e na menopausa.
6 REFERENCIAL TEÓRICO
6.1 Climatério e menopausa: conceitos e características
O climatério corresponde à transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva da vida feminina e envolve mudanças progressivas na função ovariana. A menopausa constitui um marco dentro desse processo e corresponde à interrupção definitiva dos ciclos menstruais, reconhecida retrospectivamente. A distinção conceitual é importante porque climatério e menopausa não são sinônimos e porque as necessidades de cuidado podem surgir antes e permanecer depois da última menstruação (DE LORENZI et al., 2009; OLIVEIRA et al., 2024).
A redução da atividade folicular ovariana modifica o padrão hormonal e pode resultar em irregularidades menstruais e manifestações vasomotoras, geniturinárias e psicossociais. Essas alterações não ocorrem com igual intensidade em todas as mulheres. A experiência é influenciada por fatores individuais, condições clínicas e pelo contexto social e cultural (DE LORENZI et al., 2009a).
O envelhecimento feminino também coincide com um período em que condições crônicas e fatores de risco podem adquirir maior importância. A Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa, publicada em 2024 e disponível na SciELO, reúne evidências atuais para avaliação e prevenção cardiovascular nesse período, reforçando a necessidade de olhar para a saúde de forma abrangente e não restrita aos sintomas vasomotores (OLIVEIRA et al., 2024).
A forma como a mulher interpreta essa fase também merece atenção. Experiências culturais e sociais podem associar a menopausa a envelhecimento, mudanças na feminilidade ou transformações da vida sexual. Essas representações não são uniformes e devem ser compreendidas a partir da história e das relações de cada mulher (VALENÇA; NASCIMENTO FILHO; GERMANO, 2010).
6.2 Manifestações e repercussões na qualidade de vida
As manifestações mais conhecidas da transição menopausal incluem fogachos e sudorese, frequentemente denominados sintomas vasomotores. Também podem ocorrer alterações do sono, irregularidade menstrual, desconfortos geniturinários e mudanças na função sexual. A avaliação deve considerar frequência, intensidade, duração e impacto funcional, pois a simples presença de um sintoma não determina sua relevância clínica (DE LORENZI et al., 2009a; OLIVEIRA et al., 2024).
O sono pode ser afetado por despertares, sudorese noturna e outros fatores presentes nessa fase da vida. Quando persistentes, essas alterações podem repercutir na disposição, concentração e desempenho das atividades diárias. Estudos com mulheres climatéricas identificaram comprometimentos em diferentes domínios da qualidade de vida, incluindo sono, sintomas somáticos, vasomotores e aspectos emocionais (SILVA FILHO et al., 2005; DE LORENZI et al., 2006).
Alterações geniturinárias podem incluir ressecamento vaginal, desconforto, dor nas relações sexuais e sintomas urinários. Questões dessa natureza nem sempre são apresentadas espontaneamente. O profissional deve criar ambiente respeitoso para que a usuária possa falar sobre suas necessidades e para que a sexualidade seja abordada sem pressupostos ou julgamentos (VALENÇA; NASCIMENTO FILHO; GERMANO, 2010).
A qualidade de vida é resultado da interação entre diversas dimensões. Não é adequado afirmar que toda mulher terá redução de qualidade de vida ao entrar na menopausa. Algumas atravessam essa etapa sem limitações importantes; outras apresentam sintomas com impacto significativo. Em estudo realizado na Região Sul do Brasil, o estado menopausal, isoladamente, não explicou os escores globais de qualidade de vida, embora tenham sido observadas diferenças nos tipos e na intensidade de sintomas entre os grupos avaliados (DE LORENZI et al., 2009a).
Revisões recentes sobre intervenções no climatério reforçam a importância de estratégias individualizadas. Sobral et al. (2024), ao sintetizarem evidências sobre práticas integrativas e complementares, identificaram possíveis benefícios sobre sintomas e qualidade de vida, ressaltando a necessidade de interpretação crítica da qualidade dos estudos.
6.3 Atenção integral à saúde da mulher no climatério e na menopausa
A integralidade pressupõe reconhecer a mulher como sujeito que possui necessidades que não podem ser fragmentadas em sistemas ou sintomas isolados. Durante o climatério, isso significa considerar condições clínicas, hábitos, alimentação, atividade física, sexualidade, aspectos emocionais, vínculos sociais e contexto cultural. De Lorenzi et al. (2009) defendem que a assistência ultrapasse modelos reducionistas e considere a multiplicidade de fatores envolvidos nessa etapa.
As orientações de promoção da saúde precisam ser realistas e adaptadas às condições de vida da usuária. Recomendações genéricas, sem considerar rotina, recursos disponíveis, limitações físicas, crenças e prioridades individuais, tendem a ter menor utilidade prática. A educação em saúde pode ganhar maior significado quando ocorre de forma dialógica e participativa, valorizando a mulher como sujeito ativo no cuidado (VIDAL et al., 2012).
A continuidade do acompanhamento favorece a identificação de mudanças ao longo do tempo. A mulher pode procurar o serviço inicialmente por uma queixa específica e, em contatos posteriores, apresentar outras necessidades. Nesse sentido, acolhimento, escuta e cuidado compartilhado contribuem para uma abordagem mais integrale humanizada (DE LORENZI et al., 2009).
Grupos, rodas de conversa e outras atividades educativas podem complementar a consulta individual e favorecer troca de experiências. Contudo, temas íntimos exigem privacidade e sensibilidade, e a abordagem coletiva não substitui a avaliação individual quando necessária. A proposta educativa deve favorecer autonomia, reflexão e construção conjunta de conhecimentos (VIDAL et al., 2012).
6.4 Assistência de enfermagem
A enfermagem participa de diferentes pontos do cuidado à saúde da mulher e possui condições para desenvolver ações de acolhimento, consulta, educação em saúde, prevenção e acompanhamento. No climatério, a atuação pode começar pela escuta das queixas e pela compreensão das expectativas da usuária em relação ao atendimento.
A consulta de enfermagem permite organizar informações sobre história de saúde, hábitos, uso de medicamentos, sono, atividade física, alimentação, sexualidade e outros aspectos pertinentes. A identificação de necessidades deve orientar condutas dentro das competências profissionais e, quando necessário, encaminhamento ou cuidado compartilhado com outros membros da equipe.
A educação em saúde é parte essencial dessa assistência. Informações claras sobre o que é climatério, o significado da menopausa e a variabilidade dos sintomas podem reduzir inseguranças. Vidal et al. (2012) ressaltam a possibilidade de integrar cuidar e educar por meio de uma prática de enfermagem baseada no diálogo, na participação e no respeito aos conhecimentos da mulher.
De Lorenzi et al. (2009) defendem mudança de paradigma na assistência, considerando fatores biológicos, psicossociais e culturais. Essa perspectiva favorece um cuidado integral, individualizado e sensível às necessidades concretas da mulher.
O enfermeiro também pode atuar na prevenção e promoção da saúde ao identificar oportunidades para incentivo a hábitos saudáveis, acompanhamento de condições crônicas e reconhecimento de fatores de risco. A transição menopausal pode ser utilizada como oportunidade de ampliar o olhar sobre a saúde, inclusive sobre o risco cardiovascular (OLIVEIRA et al., 2024).
A comunicação profissional precisa respeitar autonomia e decisão compartilhada. A função educativa não consiste em impor comportamentos, mas fornecer informações compreensíveis, ouvir dúvidas e apoiar escolhas informadas. Essa postura favorece vínculo e torna a assistência mais compatível com uma abordagem humanizada (VIDAL et al., 2012).
6.5 Educação em saúde e autocuidado
Na prática, educação em saúde não se resume a entregar orientações prontas. Ela ganha sentido quando a informação é compreensível e dialoga com a realidade da mulher. Entender o que está mudando no próprio corpo, reconhecer sintomas e saber quando procurar o serviço de saúde são elementos que favorecem participação mais ativa no cuidado (VIDAL et al., 2012).
No climatério, ações educativas podem abordar hábitos alimentares, atividade física, sono, sexualidade, saúde óssea e cardiovascular, prevenção de agravos e importância do acompanhamento periódico. A seleção dos temas deve partir das necessidades identificadas e não da suposição de que todas as mulheres precisam das mesmas orientações.
O autocuidado não deve ser apresentado como transferência de responsabilidade do serviço para a usuária. Para que seja possível, a pessoa precisa ter acesso a informação, condições materiais e suporte profissional. O papel da enfermagem inclui reconhecer barreiras e construir estratégias possíveis dentro da realidade de cada mulher.
Atividades coletivas podem favorecer compartilhamento de experiências e reduzir a sensação de isolamento diante de mudanças pouco discutidas socialmente. Entretanto, temas íntimos devem ser tratados com sensibilidade, oferecendo também espaço individual para dúvidas sobre sexualidade, incontinência, sofrimento emocional ou outras questões (VALENÇA; NASCIMENTO FILHO; GERMANO, 2010).
Intervenções complementares também aparecem na literatura como objeto de investigação. Sobral et al. (2024) sintetizaram estudos sobre Práticas Integrativas e Complementares em Saúde e seus possíveis benefícios sobre sintomas e qualidade de vida. Esses achados ampliam o debate, mas não dispensam análise crítica da evidência e avaliação individual.
6.6 Humanização, sexualidade e integralidade do cuidado
Falar em cuidado humanizado, neste tema, exige ir além de uma consulta centrada em sintomas. O climatério pode tocar questões íntimas, a maneira como a mulher percebe o envelhecimento e suas relações afetivas. Por isso, uma pergunta bem conduzida e uma escuta sem julgamento podem ser tão importantes quanto a identificação de uma manifestação clínica (DE LORENZI et al., 2009).
A sexualidade deve ser abordada sem pressupostos. A menopausa não determina encerramento da vida sexual, e diferentes mulheres atribuem significados distintos a essa dimensão. Alterações no desejo, desconfortos e mudanças na percepção do corpo podem ser discutidas quando relevantes para a usuária, respeitando privacidade e limites pessoais (VALENÇA; NASCIMENTO FILHO; GERMANO, 2010).
A escuta qualificada ajuda a evitar julgamentos e a identificar situações que exigem atenção adicional. Quando uma mulher relata sofrimento emocional, é necessário compreender contexto e intensidade, e não atribuir automaticamente a queixa às alterações hormonais. A literatura aponta que fatores psicossociais, culturais e clínicos podem influenciar a qualidade de vida durante o climatério (DE LORENZI et al., 2006; DE LORENZI et al., 2009).
A integralidade também envolve articulação entre profissionais e serviços. Algumas necessidades podem ser acompanhadas pela enfermagem e pela equipe de atenção básica; outras exigem avaliação médica, psicológica, nutricional, fisioterapêutica ou especializada. O cuidado compartilhado amplia a capacidade de resposta às necessidades da mulher.
Portanto, a assistência de enfermagem pode contribuir para que o climatério seja vivenciado com maior acesso à informação e suporte profissional. O acolhimento, a educação em saúde e o acompanhamento constituem elementos capazes de aproximar o conhecimento científico da realidade concreta das mulheres (VIDAL et al., 2012).
7 METODOLOGIA
7.1 Tipo de estudo
Será realizada uma revisão integrativa da literatura, com síntese descritiva e qualitativa dos achados. A escolha desse método se deve à possibilidade de reunir estudos com diferentes desenhos e organizar o conhecimento já produzido sobre o cuidado de enfermagem às mulheres no climatério e na menopausa. Como se trata de um pré-projeto, a quantidade final de artigos não será antecipada: esse número somente será informado depois da execução e do registro das buscas.
A revisão será desenvolvida em etapas: definição da questão norteadora; estabelecimento dos critérios de elegibilidade; busca nas bases de dados; seleção das publicações; extração e organização das informações; análise dos achados; e apresentação da síntese.
7.2 Questão norteadora e estratégia de busca
A questão norteadora será: Qual é a importância da assistência de enfermagem na orientação, no manejo dos sintomas e na promoção da qualidade de vida das mulheres durante o climatério e a menopausa?
As buscas serão realizadas na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados de Enfermagem (BDENF) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Serão utilizados descritores compatíveis com os Descritores em Ciências da Saúde, incluindo: Climatério, Menopausa, Cuidados de Enfermagem, Saúde da Mulher e Qualidade de Vida.
Os termos serão combinados com os operadores booleanos AND e OR conforme a necessidade de cada base. Uma estratégia inicial poderá utilizar combinações como: “Menopausa AND Cuidados de Enfermagem”; “Climatério AND Enfermagem”; e “Menopausa AND Saúde da Mulher AND Qualidade de Vida”. As estratégias definitivas e o número de resultados deverão ser registrados no momento da execução da revisão.
7.3 Critérios de inclusão eexclusão
Serão incluídos artigos científicos disponíveis na íntegra, publicados prioritariamente entre 2020 e 2026, em português, inglês ou espanhol, que abordem climatério e/ou menopausa e apresentem relação com assistência de enfermagem, educação em saúde, autocuidado, sintomas ou qualidade de vida.
Estudos anteriores ao recorte temporal poderão ser utilizados quando forem considerados fundamentais para a fundamentação conceitual, histórica ou assistencial do objeto de estudo.
Serão excluídos trabalhos duplicados, editoriais, publicações sem acesso ao texto integral quando isso impedir a análise, estudos sem relação com a questão norteadora e trabalhos cujo foco não permita extrair informações pertinentes aos objetivos propostos.
7.4 Seleção e análise dos estudos
A seleção ocorrerá inicialmente pela leitura dos títulos. Os estudos potencialmente elegíveis terão seus resumos avaliados e, posteriormente, serão lidos integralmente. As razões para exclusão na etapa de texto completo poderão ser registradas para tornar o processo mais transparente.
Para extração dos dados, será elaborado instrumento contendo, no mínimo, autor, ano, país, título, objetivo, método, população ou amostra quando aplicável, principais resultados e contribuições para a assistência de enfermagem.
Após a organização, os achados serão submetidos à análise descritiva e temática. Conteúdos semelhantes serão agrupados em categorias relacionadas aos objetivos do estudo, como manifestações e qualidade de vida, educação em saúde, autocuidado, acolhimento e integralidade da assistência.
7.5 Aspectos éticos
Como a pesquisa será desenvolvida exclusivamente com literatura científica de acesso público, não haverá recrutamento de participantes nem coleta direta de dados pessoais. Para esta proposta, portanto, não se prevê submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, ressalvadas as exigências específicas da instituição de ensino.
Durante todas as etapas serão preservados os princípios de integridade acadêmica, com indicação das fontes consultadas, registro do processo de seleção e proibição de criação ou alteração de resultados.
8 CRONOGRAMA
O cronograma abaixo apresenta uma proposta de distribuição das atividades e poderá ser ajustado ao calendário acadêmico da instituição.
	Etapas
	Período
	Delimitação do tema
	19/08 a 23/08
	Elaboração do pré-projeto
	24/08 a 29/09
	Busca bibliográfica
	30/08 a 04/09
	Seleção dos estudos
	05/09 a 08/09
	Leitura e extração dos dados
	09/09 a 11/09
	Organização das referências
	12/09 a 14/09
	Construção do referencial
	14/09 a 17/09
	Análise e discussão
	18/09 a 20/09
	Revisão e normalização
	21/09 a 27/09
	Entrega/apresentação
	29/09
9 ORÇAMENTO
Por se tratar de pesquisa bibliográfica, não estão previstos custos relacionados à coleta presencial de dados ou aquisição de equipamentos específicos. Os valores apresentados são estimativos e poderão ser adequados às condições reais dos acadêmicos.
	Material/serviço
	Quantidade
	Valor estimado
	Papel A4
	1 resma
	R$ 42,90
	Impressões e cópias
	124 páginas
	R$ 124,00
	Material de expediente
	1 conjunto
	R$ 37,00
	Encadernação
	2 unidades
	R$ 10,00
	Deslocamentos eventuais
	—
	R$ 150,00
	TOTAL ESTIMADO
	—
	R$ 363,90
REFERÊNCIAS
DE LORENZI, Dino Roberto Soares; BARACAT, Edmund Chada; SACILOTO, Bruno; PADILHA JÚNIOR, Irineu. Fatores associados à qualidade de vida após menopausa. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 52, n. 5, p. 312-317, 2006. DOI: 10.1590/S0104-42302006000500017. Disponível na SciELO.
DE LORENZI, Dino Roberto Soares; CATAN, Lenita Binelli; MOREIRA, Karen; ÁRTICO, Graziela Rech. Assistência à mulher climatérica: novos paradigmas. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 62, n. 2, p. 287-293, 2009. DOI: 10.1590/S0034-71672009000200019. Disponível na SciELO.
DE LORENZI, Dino Roberto Soares; CATAN, Lenita Binelli; CUSIN, Tiago; FELINI, Roberto; BASSANI, Filipe; ARPINI, Ana Claudia. Caracterização da qualidade de vida segundo o estado menopausal entre mulheres da Região Sul do Brasil. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 9, n. 4, p. 459-466, 2009a. DOI: 10.1590/S1519-38292009000400011. Disponível na SciELO.
OLIVEIRA, Gláucia Maria Moraes de et al. Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa – 2024. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 121, n. 7, e20240478, 2024. DOI: 10.36660/abc.20240478. Disponível na SciELO.
SOBRAL, Bárbara Angélica Bispo Fernandes de Nascimento; SILVA, Rafaela Almeida; SOUZA, Claudinalle Farias Queiroz de; ABRÃO, Fátima Maria da Silva; COSTA, Aurélio Molina da. Benefícios das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde na qualidade de vida e nos sintomas de mulheres no climatério: uma revisão sistemática. Saúde em Debate, v. 48, n. esp. 2, e9321, 2024. DOI: 10.1590/2358-28982024E29321P. Disponível na SciELO.
VALENÇA, Cecília Nogueira; NASCIMENTO FILHO, José Medeiros do; GERMANO, Raimunda Medeiros. Mulher no climatério: reflexões sobre desejo sexual, beleza e feminilidade. Saúde e Sociedade, v. 19, n. 2, p. 273-285, 2010. DOI: 10.1590/S0104-12902010000200005. Disponível na SciELO.
VIDAL, Cláudia Rejane Pinheiro Maciel; MIRANDA, Karla Corrêa Lima; PINHEIRO, Patrícia Neyva da Costa; RODRIGUES, Dafne Paiva. Mulher climatérica: uma proposta de cuidado clínico de enfermagem baseada em ideias freireanas. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 65, n. 4, p. 680-684, 2012. DOI: 10.1590/S0034-71672012000400019. Disponível na SciELO.
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