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Falência - Lei 11.101/05
(arts. 75 a 160)
Prof.ª Alexandra Vanessa Klein Perico
Definição	
- Processo de execução coletiva
- movido contra devedor empresário, empresa individual de responsabilidade limitada ou sociedade empresária, 
- onde todos seus bens serão arrecadados para venda forçada por determinação judicial, 
- com a distribuição proporcional de seu ativo entre todos os seus credores.
Surgimento
- Com as antigas corporações de ofício;
- Durante o renascimento comercial;
- Os burgueses se reuniam nas feiras das incipientes cidades- Estado italianas.
- Ante a ausência de um Estado organizado, passaram a deter o poder de julgar seus membros em questões comerciais;
- Criaram a prática da bancarrota, que depois se transformou em falência;
- O comerciante inadimplente tinha todos os seus bens compulsoriamente arrecadados para o pagamento de seus credores, tendo a sua banca na feira literalmente “quebrada”.
- Em casos extremos levava até o devedor perder a vida, como sanção inerente à bancarrota. 
- Portanto, foi prática medieval e renascentista. 
Fundamento constitucional
- Art. 5º, LIV, da Constituição Federal
“Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”.
- Devido processo legal deve ser interpretado como assegurar o pagamento igualitário à coletividade de credores do devedor que exerce atividade empresarial. 
Hipóteses de cabimento da falência 
(SERÃO MELHOR APROFUNDADAS MAIS ADIANTE)
- Quando estiver evidenciado que o empresário ou sociedade empresária teve afetada sua capacidade econômica, de forma:
a) A agir de modo impontual no cumprimento das suas obrigações (art. 94, I e II);
b) Ou quando demonstra que agirá de forma impontual (art. 94, III);
c) Quando não forem satisfeitos os requisitos para a concessão da recuperação judicial (art. 105);
d) Quando não cumprir devidamente o plano de recuperação judicial. 
Finalidades da falência
- Retirar do mercado o devedor inadimplente ou que esteja em vias de se tornar inadimplente
- Atingir os bens integrantes de seu patrimônio, para saldar o passivo
Afastamento do devedor
- De acordo com o art. 75, a falência afasta o devedor de suas atividades
- Visa preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens, ativos, recursos produtivos, inclusive os intangíveis. 
Art. 75. A falência, ao promover o afastamento do devedor de suas atividades, visa a:     I - preservar e a otimizar a utilização produtiva dos bens, dos ativos e dos recursos produtivos, inclusive os intangíveis, da empresa;     
II - permitir a liquidação célere das empresas inviáveis, com vistas à realocação eficiente de recursos na economia; e       
III - fomentar o empreendedorismo, inclusive por meio da viabilização do retorno célere do empreendedor falido à atividade econômica.     
§ 1º O processo de falência atenderá aos princípios da celeridade e da economia processual, sem prejuízo do contraditório, da ampla defesa e dos demais princípios previstos na 
§ 2º A falência é mecanismo de preservação de benefícios econômicos e sociais decorrentes da atividade empresarial, por meio da liquidação imediata do devedor e da rápida realocação útil de ativos na economia.  
Legitimidade ativa
De acordo com o art. 97:
- O próprio devedor, na hipótese de autofalência (art. 105);
- O cônjuge sobrevivente, qualquer herdeiro do devedor ou inventariante, que também poderão requerer a falência do espólio do devedor empresário;
- O quotista ou o acionista da sociedade empresária devedora;
- Qualquer credor, mas se for empresário deverá provar sua condição com certidão expedida pela junta comercial. 
Art. 97. Podem requerer a falência do devedor:
I – o próprio devedor, na forma do disposto nos arts. 105 a 107 desta Lei;
II – o cônjuge sobrevivente, qualquer herdeiro do devedor ou o inventariante;
III – o cotista ou o acionista do devedor na forma da lei ou do ato constitutivo da sociedade;
IV – qualquer credor.
§ 1º O credor empresário apresentará certidão do Registro Público de Empresas que comprove a regularidade de suas atividades.
Legitimidade Passiva
De acordo com o art. 2º:
- Devedor empresário;
- Empresa individual de responsabilidade limitada;
- Sociedade empresária;
- Espólio do devedor empresário falido. 
Características da falência 
- Para ser decretada, depende de requerimento;
- Excepcionalmente poderá ser decretara pelo juízo da recuperação judicial;
- Determina o vencimento antecipado das obrigações do devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis;
- Cria a força atrativa (vis atractiva) do juízo falimentar, pois instaura um juízo universal ao qual devem concorrer todos os credores do falido;
Fases do processo falimentar
São três fases distintas:
1) FASE PRELIMINAR OU DECLARATÓRIA
- Inicia com o requerimento de falência;
- Vai até a prolação da sentença declaratória de falência.
2) FASE DE ARRECADAÇÃO DE BENS E CLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITOS
- Inicia com a decretação da falência;
- Arrecada e avalia os bens;
- Habilitação dos créditos existentes contra o falido;
- Elaboração do crédito geral de credores;
- Vai até a elaboração do quadro de credores; 
3) FASE DE LIQUIDAÇÃO OU SATISFATIVA
- Inicia com a conclusão do quadro de credores;
- Ocorre a venda judicial dos bens integrantes do ativo da massa falida e o pagamento dos credores;
- Termina com o encerramento da falência, com a declaração da extinção das obrigações do falido e sua reabilitação para fins civis e empresariais. 
HIPÓTESES LEGAIS DE CARACTERIZAÇÃO DA FALÊNCIA 
1) IMPONTUALIDADE (art. 94, I)
- é o ato do devedor que, sem relevante razão, não paga no vencimento uma obrigação líquida e já vencida, representada por título ou títulos executivos protestados, cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 salários mínimos, na data do pedido de falência. 
- o pedido precisa ser instruído com os títulos executivos originais ou cópias autenticadas (art. 9º, parágrafo único) e dos instrumentos de protesto.
- de acordo com o art. 94, parágrafo 1º, os credores podem se unir em litisconsório ativo para alcançar o limite pecuniário mínimo
Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:
I – sem relevante razão de direito, não paga, no vencimento, obrigação líquida materializada em título ou títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse o equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência;
Cuidado!
Súmula 361 do STJ: A notificação do protesto, para requerimento de falência da empresa devedora, exige a identificação da pessoa que a recebeu”.
II) IMPONTUALIDADE (art. 94, II)
- quando o devedor estiver sendo executado por qualquer quantia líquida e, uma vez citado ou intimado no processo de execução, no prazo legal não pagar, não depositar e também não nomear bens suficientes à penhora.
- ocorre a execução frustrada. 
- o pedido deve ser instruído com certidão expedida pelo juízo em que se processa a execução, a fim de caracterizar a aludida impontualidade. 
Art. 94. Será decretada a falência do devedor que:
II – executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita e não nomeia à penhora bens suficientes dentro do prazo legal;
III) PRÁTICA DE ATOS DE FALÊNCIA (art. 94, III)
- são atos que podem evidenciar, aos olhos dos credores, a possibilidade do devedor vir a agir com impontualidade no cumprimento de suas obrigações;
- Neste caso os créditos não precisarão estar vencidos. 
- É necessário demonstrar, de modo inequívoco, os fatos que caracterizam a prática de ato de falência. 
Art. 94. Será decretada a falência do devedor que: III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de recuperação judicial:
Consideram-se atos de falência (art. 94, III, alíneas)
- venda precipitada dos seus bens;
- pratica negócios simulados para retardar pagamentos ou fraudar credres;
- transfere estabelecimento para 3º, sem ficar com bens suficientes para solver seu passivo (de acordo com o art. 1.142 do CC, a alienação depende do consentimento de todos credores);
- simula a transferência de seu princialestabelecimento para burlar a legislação ou a fiscalização pelos credores;
- dá ou reforça garantias a alguns credores;
- ausenta-se sem deixar representante habilitado, tenta ocultar domicílio, do local da sua sede ou de seu principal estabelecimento;
- deixa de cumprir obrigação assumida no plano de recuperação judicial
Autofalência 
- Art. 105
- Consiste na obrigação imposta ao devedor empresário que se encontre em crise econômico-financeira de requerer a sua própria falência, na hipótese de constantar que não satisfaz os requisitos para pleitear sua recuperação judicial. 
- O devedor, na petição inicial, deverá expor as razões da impossibilidade de prossegumento da atividade empresarial, acompanhadas dos seguintes documentos: 
Art. 105. O devedor em crise econômico-financeira que julgue não atender aos requisitos para pleitear sua recuperação judicial deverá requerer ao juízo sua falência, expondo as razões da impossibilidade de prosseguimento da atividade empresarial, acompanhadas dos seguintes documentos:
a) demonstrações contábis dos 3 últimos exercícios;
b) relação nominal dos credores, com endereço, importância, natureza e classificação dos créditos;
c) relação de bens e direitos que compõem o ativo, com a estimativa de valor;
d) prova da condição de empresário ou sociedade empresária;
e) livros obrigatórios e documentos contábeis;
f) relação dos seus administradores nos últimos 5 anos.
Formas de manifestação do devedor 
a) DEPÓSITO ELISIVO
- nos casos de impontualidade (art. 94, I e II) e no caso de prática de atos de falência (art. 94, III), o devedor será citado para, nos termos do art. 98, apresentar contestação, no prazo de 10 dias.
- no caso de impontualidade, o devedor, independentemente de contestar, poderá depositar o valor, em dinheiro, correspondente ao total do crédito, acrescido de correção monetária, juros e honorários advocatícios, hipótese em que a falência não será decretada (art. 98, parágrafo único). 
Art. 98. Citado, o devedor poderá apresentar contestação no prazo de 10 (dez) dias.
- se chama de depósito elisivo pois o devedor foi acusado de impontualidade e elide, afasta, pagando. 
B) HIPÓTESES DESCRITAS NO ART. 96:
- falsidade de título;
- prescrição;
- nulidade de obrigação ou de título;
- pagamento da dívida;
- qualquer fato que extingua ou suspenda obrigação;
- vício no protesto ou em seu instrumento;
- apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo da contestação (precisa atender aos requisitos do art. 51)
- estar com as atividades cessadas há mais de 2 anos antes do pedido de falência, comprovada com documento do registro público de empresas, que não valerá se houver prova de exercício posterior ao ato registrado.
Art. 96. A falência requerida com base no art. 94, inciso I do caput, desta Lei, não será decretada se o requerido provar:
I – falsidade de título;
II – prescrição;
III – nulidade de obrigação ou de título;
IV – pagamento da dívida;
V – qualquer outro fato que extinga ou suspenda obrigação ou não legitime a cobrança de título;
VI – vício em protesto ou em seu instrumento;
VII – apresentação de pedido de recuperação judicial no prazo da contestação, observados os requisitos do art. 51 desta Lei;
VIII – cessação das atividades empresariais mais de 2 (dois) anos antes do pedido de falência, comprovada por documento hábil do Registro Público de Empresas, o qual não prevalecerá contra prova de exercício posterior ao ato registrado.
SENTENÇA DECLARATÓRIA DA FALÊNCIA 
- natureza declaratória e constitutiva
- declara o estado do devedor: insolvente e falido.
- constitui deveres específicos para o falido. 
De acordo com o art. 99, a sentença: 
- fixa o termo da falência
- ordena o falido para apresentar a relação nominal de credores, com endereço, importância, natureza e classificação do crédito, no prazo máximo de 5 dias, sob pena do crime de desobediência;
- fixa prazo para habilitar créditos;
- suspende as ações e execuções do falido;
- proíbe atos de disposição ou oneração de bens do falido (que dependem de autorização judicial e dos credores)
- anotação, no assentamentos do devedor, da expressão “falido”;
- nomeia AJ;
- decide sobre continuação provisória das atividades do falido ou sobre a lacração do estabelecimento do devedor (art. 99, XI - qdo existe mercadoria em estoque, por exemplo);
- arrecada os bens que serão entregues ao AJ (art. 116, I), exceto os absolutamente impenhoráveis (art. 108, parágrafo 4º), que são os bens do art. 833 do CPC, além do bem de família. 
O que acontece com a pessoa do falido
- a partir da decretação da falência e até a sentença que extingue suas obrigações, o falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial (art. 102);
- da decretação da falência, o falido não possui mais o direito de administrar o seu patrimônio ou dispor dos bens dele integrantes (art. 103)
Art. 102. O falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da falência e até a sentença que extingue suas obrigações
Art. 103. Desde a decretação da falência ou do seqüestro, o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor.
Parágrafo único. O falido poderá, contudo, fiscalizar a administração da falência, requerer as providências necessárias para a conservação de seus direitos ou dos bens arrecadados e intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada, requerendo o que for de direito e interpondo os recursos cabíveis.
Função do AJ na falência 
- responsável direto pela administração do ativo e passivo do devedor falido
- representa a massa falida
- remuneração nos termos do art. 24, não excedente a 5% do valor de venda dos bens
- sendo microempresas e EPP, a remuneração fica reduzida a 2%
- de acordo com o art. 24, parágrafo 2º, 40% da remuneração será paga após o julgamento de suas contas e apresentação de relatório final. 
- contas desaprovadas: não terá direito à remuneração -art. 24, parágrafo 4º
Liquidação do ativo (art. 140 e ss)
- compreende a efetiva alienação dos bens da massa falida
- poderão ser alienados em caráter unitário ou coletivo
- leilão, propostas fechadas
“o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidente de trabalho”. (art. 141)
- Ex.: se os antigos empregados do falido venham a ser reaproveitados, deverão ser contratados mediante novos contratos de trabalho (art. 141 , parágrafo 2º)
Término da falência 
Compreende duas etapas:
Encerramento do processo falimentar: quando distribuído o produto entre os credores, mesmo que insuficiente, o AJ apresenta as contas em 30 dias do término dos pagamentos (art. 154). 
As contas sendo aprovadas, o AJ apresenta, em 10 dias (art. 155), relatório final.
O juiz encerra a falência por sentença, sujeita a apelação, recomeçando a correr o prazo prescricional relativo às obrigações remanescentes do falido (art. 157);
b) Extinção das obrigações do falido:
- hipóteses do art. 158
1) pagamento de todos os créditos;
2) pagamento de mais de 50% dos créditos quirografários
3) decurso de 5 anos, contados do encerramento da falência, desde que o falido não tenha sido condenado por crime falimentar;
4) decurso de 10 anos, contados do encerramento da falência, se o falido tiver sido condenado pela prática de crime falimentar.

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