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2 ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA APRENDIZAGEM DO ENSINO FUNDAMENTAL I – ANOS INICIAIS Elizane Souza Nome do Professor RESUMO O presente trabalho analisa os desafios e as possibilidades da leitura e da escrita nos anos iniciais do ensino fundamental, como também destaca como desenvolver essas práticas numa concepção reflexiva por meio de suportes textuais adequados com a construção de sentidos. Para tanto, ao utilizar uma linguagem colaborativa na aprendizagem para uma compreensão crítica de mundo, deve-se conhecer e considerar métodos de leitura e escrita que possam facilitar a criatividade do indivíduo. Desse modo, faz-se necessário abordar a importância da leitura crítica para entender o mundo a nossa volta, no desejo de esclarecer o sentido das linguagens que nos cercam. Assim, concebe-se a linguagem como forma de interação e construção de sentido e defende-se a leitura e a escrita como práticas inerentes e substanciais para o processo de ensino-aprendizagem na escola, em especial nos anos iniciais. O aporte teórico para o desenvolvimento da pesquisa se ancora em estudos desenvolvidos por Mendonça(2018), BNCC (2019), Araujo (2015), Silva; Santa (2018), Moreira(1999) dentre outros. Este trabalho apresenta uma metodologia de caráter bibliográfico, descritivo, utilizando-se da abordagem de cunho qualitativo com o intuito de aprofundar os estudos da leitura e da escrita. Espera-se, dessa forma, contribuir para o ensino da leitura e da escrita nos anos iniciais, oferecendo alicerces para as aprendizagens significativas e, com isso, o domínio das inovações tecnológicas que o mundo das linguagens nos oferece. Palavras Chaves: Ensino Fundamental - Anos iniciais. Leitura. Escrita. Linguagem 1 INTRODUÇÃO A educação no Ensino Fundamental Anos Iniciais I é uma etapa da Educação Básica que pode ser explorada de modo a abrir muitas possibilidades e desafios de desenvolver metodologias e acessar o conhecimento de forma inovadora. No entanto, tradicionalmente, a Educação em si carrega o estigma de utilizar metodologias que não possibilitavam que o aluno participasse ativamente do ensino aprendizagem. Mas, assim como tudo se transforma e evolui, os espaços educacionais tem sentido o impacto da chegada de novas metodologias que proporcionam acesso ao conhecimento de forma mais ativa, como por exemplo, a tecnologia. Haja vista, que as transformações sociais trouxeram outros significados para o ensino, e assim, as tecnologias se tornaram uma importante ferramenta pedagógica. Dessa forma, a problemática que envolve esse trabalho surgiu da necessidade de questionar as práticas docentes tradicionais que não possibilitava que o aluno participasse ativamente do processo de ensino aprendizagem não aproveitando todas as formas do aprender. Diante dessa problemática se originou a seguinte questão: em que medida as tecnologias atuais podem representar uma importante ferramenta de aprendizagem no processo educativo de crianças matriculadas no Ensino Fundamental – Anos Iniciais? A justificativa se dá diante da necessidade de encontrar respostas à questão apresentada e que podem vir a contribuir de forma significativa na compreensão sob os modos de exercer a prática docente, suas ferramentas e interações. A metodologia utilizada para compor esse trabalho envolve a revisão bibliografica. Ademais, somam-se ao próprio percurso acadêmico da área educacional a necessidade de desenvolver ainda mais pesquisas sobre essa etapa da Educação Básica cuja problemática possibilita a ampliação de repertório sobre o fazer docente, educação e recursos pedagógicos. Nessa perspectiva, em termos acadêmicos, a relevância dessa pesquisa acrescenta aos estudos sobre educação e neles, os modos da prática docente, nos campos de Ensino e Educação. Sendo assim, o objetivo geral desse trabalho é analisar quais as possibilidades e desafios que envolvem o uso das tecnologias digitais como principal recurso pedagógico para desenvolvimento cognitivo no Ensino Fundamental – Anos Iniciais. 2 A BNCC E METODOLOGIAS ATIVAS A Base Nacional Comum Curricular (2017) se apresenta como um dos mais importantes documentos educacionais e nele constam as dez competências gerais da Educação que visam abranger conhecimento, pensamento científico, crítico e criativo, repertório cultural, comunicação, argumentação, cultura digital, autogestão, autoconhecimento e autocuidado, empatia e cooperação, autonomia e responsabilidade. Essas competências se inter-relacionam e servem de base para as propostas didáticas que podem ser elaboradas, como por exemplo, especificamente na Educação Infantil através dos campos de experiências distribuídos pelos seguintes eixos estruturantes: O Eu, O outro e o Nós; Corpo, Gestos e Movimentos; Traços, Sons, Cores e Formas e Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação. Todos esses eixos se relacionam com meu itinerário formativo que envolve a prática docente através da graduação em Pedagogia. Em relação à Educação Infantil, esses eixos são muito importantes visto que a partir deles podem-se elaborar planos de aulas, atividades e projetos visando aplicar o conteúdo especifico dessa etapa educacional associado a habilidades que podem ser trabalhadas com música, jogos e brincadeiras as quais desenvolvam a capacidade da criança de aprender brincando e reconheça a si e ao outro como parte fundamental do viver em sociedade. No eixo Corpo, Gestos e Movimentos, o professor pode seguir as orientações que se encontram no BNCC (2017) que propõe a utilização didática de tudo o que compõe o corpo, como os próprios sentidos, mas, sobretudo os movimentos corporais que envolvem gestos, movimentos impulsivos, intencionais, coordenados ou espontâneos, pois é por meio do corpo que as crianças exploram o ambiente e o mundo ao seu redor. Trata-se de observar os movimentos e gestos para verificar quais os símbolos e mensagens que a criança está emitindo, sobretudo no ambiente escolar, pois os movimentos são também uma forma de comunicação entre a criança e o espaço em que ela se encontra. O papel do professor se transforma em “peça-chave” para mediar o compartilhamento de conhecimentos assim como promover estratégias que possam ir de encontro com a realidade vivenciada na escola e dos alunos e assim, alcançar melhores resultados. No ambiente escolar, o apoio e orientações da coordenação pedagógica são fundamentais para o sucesso dos objetivos traçados, pois sozinho o professor não alcança o máximo resultado. Espera-se que o professor possa optar por uma prática que valorize uma metodologia que se enalteça com a experiência e saberes (Freire, 1996) da criança de forma a promover principalmente a inclusão de todos nas atividades propostas. Vale ressaltar que em relação às competências gerais dispostas na BNCC (2017) sobre Pensamento Científico, Critico e Criativo se articula com o itinerário formativo da minha área de atuação que é a Pedagogia por suscitar no profissional de educação as vertentes necessárias para uma boa prática docente e até mesmo na área da gestão ou coordenação, pois, o profissional deve ter não só conhecimento, mas principalmente buscar sempre preencher a lacuna que se forma entre o “pensar e agir” por meio do pensamento científico, buscando formar cidadãos que saibam ouvir, dialogar, questionar, criticar e apreender com o outro para a construção do próprio conhecimento. Deve também estar disposto a ouvir criticas e sugestões para a melhoria da sua prática e também no desenvolvimento da prática ter criatividade para estimular e despertar a imaginação e curiosidade do aluno e principalmente, ser capaz de ter sensibilidade para formar não só laços físicos, mentais e sociais, mas principalmente, laços afetivos com respeito e dignidade para com o aluno que é o bem mais importante do processo de ensino-aprendizagem. É sabido que o fazer docente está cada vez mais relacionado com as diferentes metodologias ativas que vem sendo implementadas nas escolas. Essa evolução se faz necessária para acompanhar a própria evoluçãoque a sociedade imputa aos cidadãos. Dessa forma, como destacado por Mendonça (2018, p. 58), Instituições escolares e educacionais têm buscado adotar/inserir em seus projetos de cursos, as metodologias ativas de ensino e de aprendizagem. O objetivo é motivar, despertar e desafiar os estudantes a estudar e aprender de forma significativa, visto que no mundo atual, aprender não se reduz à memorização, mas associa-se à capacidade de compreender, raciocinar, analisar. Compreende-se que a escola vem buscando acompanhar as tecnologias de forma a inseri-las no contexto escolar como forma de ampliar os acessos ao conhecimento sempre em consonância com os documentos educacionais assim como a BNCC (2017), documento o qual garante o desenvolvimento de competências e habilidades necessárias que o aluno deve receber na escola. É preciso colocar o aluno cada vez mais como ator principal na construção do conhecimento, pois, “o século XXI nasceu exigindo múltiplas transformações em todos cos campos do conhecimento da vida ou existência planetária. No que diz respeito à educação, muito há o que se estudar e a compreender” (MENDONÇA, 2018, p. 63). Corroborando com essa perspectiva, o professor atualmente pode se apropriar das metodologias ativas que estão sendo inseridas no contexto escolar de forma positiva assim como destacado por Araújo (2015, p. 18), Metodologia é uma palavra que tem registro em língua portuguesa somente em 1858. Em relação à sua etimologia, que advém do grego, compõe-se de três termos: metá (atrás, em seguida, através); hodós (caminho); e logos (ciência, arte, tratado, exposição cabal, tratamento sistemático de um tema) [...]metodologia pode ser compreendida como tratado, disposição ou ordenamento sobre o caminho através do qual se busca, por exemplo, um dado objetivo de ensino ou mesmo uma finalidade educativa. Nessa perspectiva, inovar nas metodologias ativas é promover conhecimento de forma dinâmica, mas, o autor também aponta que a metodologia não deve ser concebida somente como um conjunto de métodos e procedimentos e sim, como algo que está sempre em movimento e, portanto, sempre haverá formas de inovar o fazer docente seja a curto ou em longo prazo. Assim sendo, para Araújo (2015, p. 45) “a metodologia de ensino tem como alvo a articulação e a efetivação das seguintes dimensões: relações entre professores e alunos e os objetivos da aprendizagem”, ficando a cargo do professor mediar essa relação entre conteúdos, teorias e forma de acesso e efetivação. Por outro lado, em relação à metodologias ativas, a partir do pressuposto de que a aprendizagem escolar pode ser proporcionada por meio de atividades lúdicas e corporais, as quais as crianças possam participar, e assim se conscientizar das suas potencialidades e limites, o professor deve então, observar quais são as atividades podem ser desenvolvidas de modo, não só, a possibilitar a aprendizagem, mas principalmente de incluir as crianças no campo dessas experiências. Trata-se de observar por meio dos movimentos e gestos quais os símbolos e mensagens que a criança está emitindo, sobretudo no ambiente escolar, pois os movimentos são também uma forma de comunicação entre a criança e o espaço em que ela se encontra. De modo geral, encontram-se diferentes concepções sobre as formas de fazer a prática docente com qualidade e uma dessas formas é a interdisciplinaridade por meio de um processo pautado na integração como destacado por Silva; Santana (2018), [...] a vivência da interdisciplinaridade nas práticas pedagógicas das [...] ocorre sob a perspectiva da multidisciplinaridade, a qual se traduz nas práticas investigadas em uma integração entre as disciplinas. [..] A integração de disciplinas pode e deve ser compreendida como um fenômeno importante para a dimensão pragmática da interdisciplinaridade..(SILVA;SANTANA, 2018, p. 119). As autoras destacam que a integração entre as disciplinas é um meio para se atingir o processo de ensino aprendizagem de forma concreta. Em relação à situações problemas que possam surgir no espaço escolar, como por exemplo, quando o professor constatar que possa estar ocorrendo um processo de dificuldade de aceitação ou de interação entre os alunos de uma determinada turma e que essas situações de algum modo possam impactar diretamente na interação de um ou mais alunos com a turma o professor pode , buscar auxílio junto à pedagoga ou à outros professores e desenvolver atividades interdisciplinares como forma de minimizar problemas de interação na turma. Esse tipo de situação em sala de aula possibilitam o professor a repensar as estratégias de ensino aprendizagem e refazer seu plano de aula e também aplicar uma metodologia ativa por meio de um projeto interdisciplinar. Através de um projeto interdisciplinar e elaborado coletivamente os professores podem obter resultados muito positivos e combater as percepções competitivas e de exclusão de alguns alunos. É urgente que se trabalhe com mais amplitude a questão da corporeidade na escola, pois, a “corporeidade da criança e adolescente merece ser respeitada, educada na escola e no dia a dia, buscando-se o contexto de suas vidas”. (MOREIRA, 1999). Por meio de um processo colaborativo entre professores pode-se realizar pesquisa sobre a melhor forma de elaborar interdisciplinarmente um plano que contemple, por exemplo, a temática do corpo na escola (FARAH, 2010). Dessa forma, os professores podem ter acesso a exemplos de atividades que contemple metodologias ativas que trabalhavam não só o corpo, movimento e gestos a partir de brincadeiras coletivas e individuais, mas que sobretudo, reforce o processo de alfabetização e letramento por meio da leitura de vários gêneros textuais voltados a compreender o fenômeno humano, “pois suas preocupações estão ligadas ao ser humano, ao sentido de sua existência, à sua história e à sua cultura” (MOREIRA, 1999). Seguindo esta linha de raciocínio, os professores podem elaborar atividades e conteúdos que corroborassem no desenvolvimento de projeto interdisciplinar como também novas percepções a respeito do corpo, movimento, gestos e situações de competitividade por meio da Língua Portuguesa e Artes. Ademais, as professores podem verificar a possibilidade da interdisciplinaridade entre as disciplinas, principalmente após a análise dos pressupostos do BNCC (2018) relacionados às habilidades a serem desenvolvidas a partir de eixos tais como, [...] Brincadeiras e jogos da cultura popular presentes no contexto comunitário e regional; Danças do contexto comunitário e regional; Brincadeiras e jogos populares do Brasil e do mundo; Brincadeiras e jogos de matriz indígena e Africana; Esportes de campo e taco; Esportes de rede/parede; Esportes de invasão; Lutas do contexto comunitário e regional; Lutas de matriz indígena e africana; (BNCC, 2017, p. 228) Nota-se apor meio das orientações (BNCC, 2017) inúmeras possibilidade de desenvolver planos de aulas, planos de ação, atividades e projetos escolares envolvendo as diversas áreas do conhecimento – Língua Portuguesa, Ciências, Matemática, Educação Física, Artes que versem sobre o tema exposto com abordagens relacionadas ao corpo e o movimento, sendo estas colocadas como uma forma de manifestação das possibilidades expressivas dos sujeitos no espaço escolar e assim combater pedagogicamente qualquer forma de competitividade negativa ou de exclusão que pode acontecer na escola. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS O processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita se tornou um grande desafio para a atualidade, tendo em vista o uso das ferramentas digitais, especificamente quanto ao celular e à televisão que apresentam inovações mais atrativas aos olhos dos estudantes. Assim, ainda é um desafio para o professor lidar com tais inovações as quais se apresentam a todo instante e em todas as esferas da vida, principalmente, na linguagem em que elas se propagam e se consolidam socialmente. Por isso, faz-se necessário que essas práticas sejam vistos com um olhar mais apurado pelos profissionaisda educação e pelas instituições escolares, introduzindo em suas metodologias uma proposta pedagógica que dê suporte ao pleno desenvolvimento delas. Isso porque é por meio da leitura e da escrita que o indivíduo realiza um trabalho ativo de construção e significados, correspondendo a um processo de compressão de como funciona os símbolos linguísticos e seus significados. É preciso alimentar a imaginação dos estudantes, compartilhar leituras e oferecer experiências de fruição para que descubram os encantos da leitura e escrita, como uma forma de arte que possibilitem conhecer melhor a si mesmos, ao mundo e a tudo que os cerca, a fim de que tornem-se pessoas mais sensíveis, críticas e criativas. 4 REFERÊNCIAS ARAÚJO, José Carlos Souza. Fundamentos da Metodologia de Ensino Ativa (1890 – 1931). 37ª Reunião Nacional da ANPED, 2015, UFSC – Florianópolis. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2017. MENDONÇA, A. A. dos S. Escolarização de crianças com deficiência intelectual nos anos iniciais do ensino fundamental. 2014. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade de Uberaba (UNIUBE), Uberaba, 2014. Moreira, M.A. (1999). Aprendizagem significativa. Brasília: Editora da UnB. SILVA, Maria de Fátima Gomes; SANTANA, Iolanda Mendonça de. Interdisciplinaridade nas práticas pedagógicas de professoras do Ensino Fundamental. Revista de Educação, Ciência e Cultura. Canoas, v. 23, n. 2, 2018.