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DISCIPLINA: MARKETING DE RELACIONAMENTO AULA 3 Prof.ª Shirlei Camargo 2 CONVERSA INICIAL Caro aluno! Nesta aula você verá algumas práticas importantes na criação e manutenção de relacionamentos com os clientes. A primeira estratégia trata- se da utilização do marketing direto, porém, como veremos, é preciso utilizá-lo corretamente, porque, se não, apenas irritará os consumidores. Outra possibilidade é a utilização da customização ou ainda, de um novo conceito – a cocriação. Por meio dessas estratégias as empresas poderão oferecer mais valor para seus clientes e assim conseguirão captar, fidelizar e reter estes clientes. Com isso o objetivo central do marketing, conseguir a lealdade dos consumidores, será alcançado. Porém, você também perceberá, ao aprender sobre as comunidades virtuais, que estas precisam ser bem administradas ou monitoradas, pois elas têm um forte e imediato impacto nas pessoas, influenciando nos relacionamentos dessas com as empresas, mas principalmente na lealdade. CONTEXTUALIZANDO Sucesso nos anos 1990, os Pokémons voltaram com força total. A mais nova febre agora é o Pokémon Go, um jogo de realidade aumentada para smartphones. Por meio do GPS do celular, joga-se andando pelo mundo real e caçando bichinhos virtuais. Esse aplicativo já foi mais baixado que o Tinder e aumentou mais de US$ 7 bilhões o valor das ações da Nintendo desde seu lançamento. Segundo Goes (2016), esse aplicativo foi disponibilizado aqui no Brasil por apenas poucas horas em julho de 2016, porém logo saiu do ar, o que não diminuiu em nada a animação das pessoas. Inclusive na época, antes mesmo do jogo ser lançado oficialmente no Brasil, até já existia uma página oficial, comunidades virtuais e fanpages. Pensando agora no nosso campo de estudo, marketing de relacionamento, como você acha que as empresas poderiam se beneficiar destas comunidades virtuais? Você acha que elas oferecem apenas oportunidades ou podem também representar um perigo para as empresas? 3 TEMA 1 - MARKETING DIRETO: COMUNICAÇÃO COM O CLIENTE (BTOC) Você já deve ter recebido aquelas ligações chatas de vendedores insistentes tentando fazer com que você compre algo, certo? Este seria um exemplo de marketing direto, mas sendo utilizado da pior maneira possível. Muitas pessoas ainda veem o marketing direto apenas como um simples canal de distribuição que não possui intermediários ou uma forma de comunicação direta com os consumidores. Mas na verdade, ele não é só isso. Marketing direto, segundo Kotler e Armstrong (2007 p. 433), consiste em “comunicações diretas a consumidores individuais cuidadosamente definidos como alvo, com o objetivo de obter uma resposta imediata e cultivar relacionamentos duradouros com eles” (KOTLER; ARMSTRONG, 2007). Olha aí de novo a palavra relacionamento em um conceito importante do marketing! Ou seja, se você quer criar e manter um relacionamento com seus clientes, tem que usar, corretamente, as técnicas de marketing direto. Há inclusive empresas gigantes que não utilizam o marketing direto de forma complementar, mas sim trabalham somente com ele, como a Amazon.com e a Dell, que nem lojas físicas possuem! (KOTLER; ARMSTRONG, 2007). Porém, para fazer isto, é necessário um bom banco de dados desses clientes (falaremos mais sobre isso nas próximas aulas) para então criar estratégias de promoção e comunicação específicas para cada tipo de consumidor, às vezes até para apenas um consumidor. Inclusive, por conta disso, algumas pessoas o chamam de marketing one to one (um pra um). De acordo com Kotler e Armstrong (2007), o marketing direto pode assumir as seguintes formas: Mala direta: envio de ofertas, amostras, anúncios etc. para os endereços das pessoas, físicos ou virtuais (e-mails). Catálogos: de papel ou digital, anunciam a venda de vários produtos. Obviamente, os catálogos na internet têm benefícios como economia no custo impressão e envio; não têm limites de utilização de espaço; pode-se fácil e rapidamente fazer ajustes em preços, informações e criar promoções. Porém atrair novos clientes para um catálogo na internet, é muito mais difícil. O catálogo 4 impresso é invasivo e desperta atenção por si só (a pessoa recebe e já folheia mesmo sem muito interesse). Na web ele é mais passivo, tem que chamar a atenção do internauta para que este o acesse. Inclusive, segundo pesquisas, consumidores que recebem catálogos impressos têm mais chances de comprar online e gastam até 16% a mais em suas compras. Telemarketing: trata-se do uso do telefone para se vender diretamente aos consumidores. Ele poder ser ativo quando a empresa é ativa, ou seja, entra em contato com os clientes ou passivo quando os clientes entram em contato com as empresas (por meio dos famosos 0800) para gerar vendas de produtos que foram anunciados na televisão, catálogos, revistas ou mala direta. Porém Stone (1992) lembra que esta ferramenta deve ser usada com cuidado, pois o resultado de telefonemas insistentes em horas inconvenientes pode ser negativo. Ele funciona melhor quando é utilizado com quem já é consumidor ou um potencial consumidor. Televendas: utilizam a propaganda interativa com comercias na televisão de 60/120 segundos com mensagens persuasivas, que deixam um número de telefone grátis à disposição do consumidor para ele comprar o produto. Também podem assumir a forma de infomerciais, que são propagandas publicitárias de um único produto que podem durar 30 segundos ou mais. Já os canais ou programas de televendas são dedicados exclusivamente à venda de produtos ou serviços. Quiosques: conhecidos também como terminais multimídia são máquinas de informações e registro de pedidos que se proliferaram graças aos avanços tecnológicos, em que consumidores estão cada vez mais à vontade com computadores e tecnologias digitais. Marketing por telefone celular: está se tornando o grande veículo de marketing direto. Nos Estados Unidos, cerca de 89% das principais marcas em 2008 eram comercializadas pelos celulares, sendo que metade dessas marcas gastou cerca de 25% de seus orçamentos de marketing com marketing para celulares. Podcast e Vodcast: palavras que se originaram dos iPods da Apple. Com o podcasting os usuários podem baixar músicas ou vídeos (vodcast) da internet 5 para seus aparelhos e depois ouvi-los quando e onde quiser. Muitas empresas têm integrado o podcast e o vodcast em seus programas de marketing direto na forma de podcast com anúncios. TV interativa: “permite aos usuários interagirem com a programação e propaganda, utilizando seus controles remotos” (KOTLER; ARMSTRONG, 2007 p. 443). Ela dá às empresas possibilidades de atingirem públicos específicos de maneira interativa e mais envolvente. Marketing online: a internet criou uma maneira completamente nova de criar valor para os clientes e de construir relacionamentos com eles. Quase todas as empresas têm canais de comunicação e/ou vendas online. As empresas podem atuar online de quatro maneiras: criando um site (corporativo ou de e-commerce); divulgando anúncios ou promoções (banners, pop-ups, anúncios relacionados a buscas, tipo Google AdWords, marketing viral); criando ou participando de comunidades virtuais; utilizando e-mails. Vendas pessoais: são “interações interpessoais com clientes existentes e potenciais para realizar vendas e manter relacionamentos com o cliente” (KOTLER; ARMSTRONG, 2007 p. 407). É uma das atividades mais antigas do mundo que, durante muito tempo, teve uma péssima fama, pois a maioria dos vendedores eram pessoas que percorriam determinados territórios tentando empurrar suas mercadorias a compradores ingênuos (você lembra da nossa primeira aula sobre a era de vendas em que as empresas queriam vender a qualquer custo?). Atualmente, “é compostapor profissionais bem-educados e bem treinados, que se esforçam para construir e manter relacionamentos” (KOTLER; ARMSTRONG, 2007 p. 407). Enfim, aluno, como você pode ver, o marketing direto tem muitas ferramentas, das quais várias, graças aos avanços tecnológicos, podem criar interessantes oportunidades para as empresas se relacionarem com seus clientes. Mas como Kotler e Armstrong (2007) alertaram, em todas elas, das mais tradicionais as mais atuais, deve-se sempre utilizar a cautela para não ofender os consumidores que podem considerar este tipo de marketing uma invasão de 6 privacidade. As empresas devem oferecer valor real e não promover invasões inconvenientes. TEMA 2 - COCRIAÇÃO E CUSTOMIZAÇÃO Você provavelmente já ouviu falar em customização, certo? E cocriação? E crowdsourcing? Agora complicou, não é? Vamos lá descomplicar! Primeiramente, vamos falar de customização. Segundo o dicionário Priberan, customizar significa “adaptar às preferências do usuário”. Se você se lembra da nossa primeira aula, recordará que na era artesanal os produtores faziam os produtos sob medida e mediante encomenda para seus clientes, ou seja, era tudo customizado. O consumidor era atendido de maneira personalizada, sendo que o alfaiate fazia o terno sob medida, o sapateiro desenhava o sapato de cada pessoa e assim por diante. Porém, com a chegada da revolução industrial, a produção começou a ser massificada e por séculos esquecemo-nos dessa proximidade com o cliente, inclusive porque era oneroso e inviável para as empresas qualquer tipo de customização. Mas atualmente, graças à tecnologia, está sendo possível novamente atender aos consumidores de maneira personalizada. Segundo Kotler e Armstrong (2007, p. 177): “São computadores poderosos, bancos de dados superdetalhados, produção robotizada, fabricação flexível e meios de comunicação interativos e imediatos, como e-mail e internet – tudo isso tem se combinado para promover a customização de massa”. Podemos definir customização em massa como “o processo por meio do qual as empresas interagem em uma base de um para um com massas de clientes para desenvolver produtos e serviços feitos sob medida para atender às necessidades individuais” (KOTLER; ARMSTRONG, 2007 p. 177). Portanto o princípio do marketing do século XX foi a produção em massa substituída no século XXI pela customização em massa. Diferente da produção em massa, que eliminava a necessidade de interação com os clientes, agora o relacionamento com eles é mais importante que nunca. 7 Agora, antes de entender o que é cocriação, você precisa conhecer outro conceito importante: crowdsourcing. Entre no link e assista ao vídeo para saber o que é crowdsourcing: https://www.youtube.com/watch?v=-UgI7Lwy8xI Então crowdsourcing é um termo que vem do inglês crowd = multidão e outsourcing = terceirização (INOCROWD, 2016), ou seja, é buscar na multidão respostas ou soluções para algum problema. Agora ficou mais claro, não é? Bem, e cocriação? Segundo o dicionário Priberan, cocriar significa “criar juntamente com outrem”. Pode-se dizer que cocriação se relaciona tanto com crowdsourcing como com customização. Com crowdsourcing porque na verdade ela é um tipo de crowdsourcing feita pelos consumidores. Mas atenção: nem todo crowdsourcing é uma cocriação, pois pode ser realizado por profissionais ao invés de consumidores (COSTA, 2013). Também se relaciona com customização, porque, segundo Costa (2013), tanto a cocriação como a customização implicam no envolvimento dos clientes, porém em diferentes graus, sendo a cocriação um conceito mais amplo, que pode ir desde as primeiras etapas de um projeto envolvendo pesquisa e desenvolvimento até fases posteriores como serviços de pós-venda. Já na customização, os consumidores se envolvem em escolhas mais limitadas, quando o produto/serviço já está desenvolvido, como escolha de cor ou tamanho que não irão alterar o conceito do produto. Segundo Prahalad e Ramaswamy (2004), a cocriação busca solucionar problemas de forma aberta e colaborativa, unindo empresa, clientes e fornecedores, em que haverá geração de valor para ambos (BOSCO, 2013). É bem diferente do sistema tradicional, no qual as empresas é que decidem quais produtos/serviços irão produzir, ou seja, decidem o que é valor para o cliente, os quais têm pouca ou nenhuma influência na criação desse valor (PRAHALAD; RAMASWAMY, 2004). Um exemplo de cocriação foi utilizado pela construtora Tecnisa que, por meio das redes sociais, fez a campanha “Arquitetura Inclusiva”, possibilitando durante seis meses mais de 200 mil interações e centenas de https://www.youtube.com/watch?v=-UgI7Lwy8xI 8 ideias para um novo conceito de apartamento para a terceira idade” (BOSCO, 2013). A Gafisa foi outra construtora que, em 2013, lançou o Follow – The Eureka Building, "o primeiro prédio a ser feito com as ideias enviadas pelos usuários do Facebook". Resumindo, a customização se refere à alteração de alguma caraterística do produto/serviço já desenvolvido para se adequar ao desejo do consumidor. Já cocriação é um tipo de crowdsourcing feito pelos consumidores que são envolvidos no próprio processo de desenvolvimento de produtos/serviços. Em menor grau, no caso da customização, e maior no caso da cocriação, essas duas ferramentas certamente podem ser diferenciais competitivos, já que aumentam o valor percebido pelos clientes (você viu no tema 2 da aula 1), justamente por esses estarem envolvidos na melhoria ou criação deste valor. TEMA 3 - CAPTAÇÃO, FIDELIZAÇÃO E RETENÇÃO DE CLIENTES Você se lembra que no tema 2 da nossa primeira aula vimos a diferença entre valor “do” cliente e valor “para” o cliente? Obviamente, o cliente só irá adquirir algo se enxergar valor neste produto/serviço (valor “para” o cliente). Contudo, estes três conceitos que vamos conhecer hoje (captação, fidelização e retenção) se relacionam ao conceito de valor “do” cliente, ou seja, o valor que o cliente representa para a empresa. Quando a lógica do marketing passou de transacional para relacional, ou seja, quando empresas perceberam que não adiantava vender a qualquer custo, mas sim que deveriam relacionar-se com os clientes, entende-se que “a captação, e sobretudo a manutenção de clientes, seria a chave para o sucesso empresarial” (MADEIRA, 2014 p.5). Segundo Madeira (2014), o cliente tem se tornado o ativo mais importante nas organizações e, para a sua captação, a empresa precisa ter uma proposição de valor superior (nosso tema 2 da aula 1). Porém, esta proposição http://gafisa.com.br/follow http://gafisa.com.br/follow 9 de valor superior será obtida somente por meio do conhecimento profundo dos clientes e de suas necessidades em conjunto com um atendimento personalizado. Saiba mais Leia esta reportagem para conhecer algumas estratégias de captação de novos clientes para pequenas empresas. Acesse: https:// revistapegn.globo.com/Empreendedorismo/noticia/2020/03/10-maneiras-de- atrair-novos-clientes.html Certamente a captação de novos clientes é essencial para as empresas, principalmente para aquelas cujo produto/serviço tem um prazo de uso muito limitado, como faculdades e universidades nas quais o aluno permanece por apenas certo período e, portanto, constantemente elas precisam estar captando novos clientes. Porém, para a maioria das empresas, principalmente devido à intensa competição em que praticamente não existe diferenciação dos produtos e serviços. A sobrevivência destas empresas reside principalmente na retenção dos clientes atuais (FERNADES, 2010). Segundo Fernandes (2012), citando Hoffman e Bateson (2006, p. 421): Retenção do cliente se refere a focalizar os esforços de marketing da empresa, na base de clientes existentes. Mais especificamente, em vez de procurar novos clientes, as empresas empenham-se em satisfazer os clientesatuais, com a intenção de estabelecer com eles relacionamentos de longo prazo. Téboul (2002) faz uma interessante analogia sobre a importância da retenção dos clientes, ao criar o modelo chamado de “balde furado”, no qual apenas captar clientes seria como tentar encher um balde que tem um furo pelo qual “escapa” certo número de clientes. Portanto, pensar só em “encher” esse balde (captar clientes), sem se preocupar em “tapar” o buraco (reter os clientes), seria um trabalho desperdiçado. https://revistapegn.globo.com/Empreendedorismo/noticia/2020/03/10-maneiras-de-atrair-novos-clientes.html 10 Os pesquisadores Berry e Parasuraman (1991) afirmam que a retenção de clientes pode envolver quatro dimensões: (1) Financeiras – oferecer preços melhores para quem já é cliente quando comprarem em maiores volumes ou com mais frequência; (2) Sociais - manter um relacionamento permanente e individual com o cliente e entre eles não só no ambiente de atividade da empresa; (3) Customização - obter informações sobre necessidades e preferências dos clientes para poder personalizar os produtos/serviços; (4) Estruturais – integrar sistemas de informação, equipamentos, processos nos quais o nível de interligação entre o cliente e a empresa aumentará assim como os custos de mudança de fornecedor (MIRANDA, 2007). Porém é importante fazer a distinção entre cliente retido e cliente fiel. Para Miranda (2007), o cliente fiel é pouco sensível a preço, tem a intenção de comprar mais e/ou frequentemente e também se torna um influenciador de terceiros. Porém, um cliente retido pode não ser fiel, por exemplo, em situações de monopólio, preço mais baixo ou, simplesmente por inércia. Miranda (2007 p.13), citando Barnes (2001), afirma que “o tempo, a continuidade e a duração da ligação são indicadores de retenção, mas não determinam se o cliente é ou não fiel”. Ou seja, o cliente pode realizar várias compras, mas não ser realmente fiel (MIRANDA, 2007). Enfim, a empresa precisa primeiramente “captar” clientes. Contudo não basta somente atrair novos clientes é preciso “retê-los”! Isso porque, segundo Kotler (1998), a conquista de novos clientes pode custar de cinco a sete vezes mais do que a satisfação e retenção dos atuais clientes. Mas, para realmente reter estes consumidores, é preciso torná-los “fiéis”, ou seja, a fidelidade à marca refletirá na taxa de retenção dos clientes. Resumindo, gerando valor “para” o cliente, vamos atraí-lo, fidelizá-lo e retê-lo e, assim, obteremos valor “do” cliente. 11 TEMA 4 - LEALDADE À MARCA Veja este trecho de reportagem em que um usuário fala sobre a marca Jeep: “Enrique Davidsohn, diretor-geral e fundador do Clube Jeep na Argentina, confessou em entrevista à Efe que não sabe exatamente por que gosta tanto da marca. "É a mesma forma que surge o gosto por uma mulher. Ou por um time de futebol. Ou por um país", comentou, sorrindo. "Tenho Jeep desde 1962. E ao longo dos anos fui tendo os modelos mais modernos que vieram. Tive por 8,10 anos e depois os mudei por gosto, porque na realidade nunca tive problemas com a marca Jeep". "É um veículo forte, é um veículo que significa aventura e liberdade", declarou. Fonte: http://economia.uol.com.br/noticias/efe/2016/08/02/jeep-chega-aos-75- anos-alimentando-paixoes-na-america-latina.htm Ao ler a fala deste consumidor, você percebe facilmente que ele é extremamente leal à marca Jeep. No tema 4 de nossa primeira aula, você viu a importância da lealdade. Agora você vai se aprofundar no tema lealdade e aprender a respeito da lealdade à marca. Segundo um grande estudioso do assunto, David Aaker (1998), a lealdade à marca é um dos pilares do marketing e uma medida da ligação entre consumidor e marca. Ela vai dizer se o consumidor mudará ou não de marca, principalmente se a concorrente alterar o preço ou produto. Segundo Freire (2005 p. 14), citando Mowen e Minor (2001), lealdade à marca é “o grau no qual a pessoa tem uma atitude positiva para com esta marca, possui comprometimento e tem intenção de continuar comprando-a no futuro” . Aaker (1998) também desenvolveu a pirâmide da lealdade, mostrando os diferentes níveis que a lealdade à marca pode ter: 12 Pirâmide da Lealdade Fonte: Adaptado de AAker (1998). No primeiro nível da pirâmide temos aqueles consumidores que não são leais e compram apenas por conveniência. Por exemplo, qualquer mudança de preço irá fazê-los mudar de marca. No nível seguinte estão aqueles consumidores satisfeitos e que habitualmente compram determinado produto/serviço e a princípio não têm intenção de mudar. Os consumidores do próximo nível por sua vez também estão satisfeitos e não mudam, mas não o fazem principalmente porque existem custos nesta mudança (dinheiro, tempo, qualidade). Mas se um concorrente cobrir estes custos, eles podem mudar. Ou seja, são leais sim, mas suscetíveis a mudanças. No nível seguinte temos os consumidores que realmente gostam das marcas e não pretendem mudar tão cedo. Essa preferência pela marca pode estar relacionada ao símbolo do que a marca representa (status por exemplo); conjunto de experiências passadas ou uma alta qualidade percebida. Neste nível 13 nem sempre as pessoas conseguem explicar porque gostam tanto da marca e geralmente são consumidores de longa data. Podem ser chamados de amigos da marca porque existe realmente uma ligação emocional de amizade. No último nível temos aqueles consumidores realmente comprometidos com a marca. Eles se orgulham dela, recomendam-na para outras pessoas, as defendem de quem as ataca. A marca é uma expressão do que eles são. O valor deste consumidor para as empresas não é tanto pela sua contribuição individual, mas sim pelo poder que eles têm de atração e divulgação da marca para os outros níveis da pirâmide abaixo deles. Porém, às vezes, essa lealdade à marca extrapola os limites da normalidade. Você já ouviu falar em fanboy ou brand lovers? São os “amantes das marcas”, ou seja, pessoas tão obcecadas por certas marcas que não aguentam sequer ouvir opiniões contrárias ou críticas sobre elas, ou ainda, podem ser capazes até de tatuar a marca em sua pele. Enfim, são consumidores extremamente leais. Saiba mais Leia: https://advertising.amazon.com/pt-br/library/guides/brand-loyalty Lealdade do cliente: Como Oliver (1999 p.33) alertou: “a satisfação é um passo necessário na formação da lealdade”, contudo somente a satisfação não é um indicativo que o consumidor será leal. Como você viu, a lealdade pode reduzir a vulnerabilidade da ação da concorrência, pois pode haver desmotivação em gastar recursos para atrair consumidores satisfeitos. Também “uma alta lealdade implica, ainda, em melhores negócios com o comércio, uma vez que os consumidores https://advertising.amazon.com/pt-br/library/guides/brand-loyalty 14 leais esperam que a marca esteja sempre disponível” (AAKER, 1998 p.19). Portanto, as empresas, além da satisfação, que é o mínimo esperado, devem buscar a lealdade de seus clientes e, assim, manter com eles relacionamentos vantajosos e de longo prazo. TEMA 5 - RELACIONAMENTO E COMUNIDADES VIRTUAIS “Estudos a respeito das comunidades de marca têm despertado grande interesse nos profissionais de marketing com o propósito de desenvolver e solidificar a lealdade dos consumidores de uma marca” (ALMEIDA et al., 2013 p. 236). Almeida et al. (2013 p.244), citando Muniz e O'guinn (2001, p. 412), definem comunidade de marca como uma “comunidade especializada, não limitada geograficamente, baseada em um conjunto estruturado de relações sociais entre os admiradores de uma marca”. Esses mesmos autores afirmam que essas comunidades possuem 3 características em comum: 1) Consciência do grupo: é a conexão que os membros sentem uns em relação aos outros e também o senso coletivo de se sentirem diferentes em relação a outraspessoas que não pertencem a comunidade. 2) Rituais e tradições compartilhadas: “os rituais e tradições perpetuam a história da comunidade pela cultura e pela consciência” (ALMEIDA et al., 2013 p. 253). 3) Senso de responsabilidade moral: sensação sentida de dever ou obrigação para com a comunidade e seus membros. Quando existe uma ameaça à comunidade é este sentimento de responsabilidade moral que produz a ação coletiva de seus membros. Porém, a disseminação da Internet está modificando a forma de interação entre os consumidores e empresas. Segundo Almeida et al. (2011), a ligação entre consumidores e empresa, nos processos de compra e comunicação, agora 15 é direta e sem intermediários, tornando-se mais clara e aberta. Com isso, surge um novo fenômeno: as comunidades virtuais de marca. Ainda segundo esses autores, comunidades virtuais “são grupos de indivíduos que se reúnem no ambiente digital em torno de um objetivo ou propósito compartilhado” (ALMEIDA et al., 2011 p.369). Almeida et al. (2011 p. 370), citando Achrol e Kotler (1999, p. 150), afirmam que uma comunidade de consumidores ou de marca é “um corpo de consumidores que estão envolvidos com a empresa em uma relação social”. Para Kotler e Armstrong (2007), são espaços virtuais como blogs e outros fóruns (mais atualmente redes sociais como Facebook) em que as pessoas trocam opiniões e informações sobre questões de interesse comum. Segundo Alves et al. (2014 p. 163), estas comunidades virtuais podem assumir duas formas básicas: Sites personalizados: sites dinâmicos, interativos em que cada consumidor dispõe de informações e identificação customizada por meio de seu perfil de usuário. Por exemplo, quando você entra no Youtube, logo abaixo do vídeo que você está assistindo aparecem outros vídeos como “recomendados”. Sites de comunidades de consumidores: são sites nos quais os consumidores se comunicam entre si e também com as empresas. Exemplos seriam blogs ou fóruns. Além disso, também você precisa saber da importância das redes sociais como Facebook, Linkedin, Instagram, etc. como meio de interação entre consumidores e empresas. Leitura obrigatória: agora para saber sobre a dinâmica das comunidades virtuais, leia no seu livro-texto base, na página 167, a “dinâmica das comunidades virtuais”. 16 Outras vantagens das comunidades virtuais, segundo Kotler e Armstrong (2007), é que os participantes destas comunidades desenvolvem um senso muito forte de coletividade, o que se torna para os anunciantes um público bem interessante, pois são pessoas com interesses comuns e fatores demográficos bem definidos, que visitam as páginas das comunidades frequentemente, nas quais dispensam um bom tempo, sendo, portanto, uma excelente oportunidade de abordá-las. No entanto: “algumas dessas comunidades são organizadas e gerenciadas pelos profissionais de marketing das próprias empresas, outras são fundadas e geridas independentemente pelos entusiastas dessas marcas” (ALMEIDA et al., 2012, p.205). Mas o que será melhor para a empresa? Qual dos dois tipos de gestão das comunidades virtuais? Segundo os pesquisadores Almeida et al. (2012), apesar de existirem muitas pesquisas sobre as comunidades de marcas virtuais em relação a sua importância teórica e econômica, poucos estudos se preocuparam em investigar diferenças entre as comunidades gerenciadas pelos consumidores daquelas gerenciadas pelas próprias organizações. Esses mesmo pesquisadores, após realizarem uma pesquisa com usuários do XBOX, concluíram que “os efeitos mais favoráveis para a empresa ocorrem na comunidade gerida pelos consumidores. A lealdade à marca, porém, é maior para membros da comunidade oficial” (ALMEIDA et al., 2012 p. 205). Ou seja, a comunidade oficial produz mais efeitos nas vendas, mas “os consumidores sentem-se mais conectados e participam mais das comunidades gerenciadas pelos próprios consumidores” (ALMEIDA et al., 2012, p. 215). Enfim, depende do que a empresa quer, de sua estratégia no momento (ALMEIDA et al., 2012). Mas certamente estas comunidades são importantes para as empresas. Leal et al. (2012) realizaram um estudo sobre a influência das comunidades virtuais nas decisões de consumo e comprovaram que a comunidade modifica as intenções e comportamentos de consumo das pessoas. Outro ponto positivo para as empresas é a comunicação boca a boca, a qual os consumidores acham mais confiável do que as propagandas patrocinadas pelas empresas, em que 17 consideram fortemente as opiniões e depoimentos dos demais membros da comunidade. Por outro lado, segundo Leal et al. (2012 p. 5), “a influência do boca a boca negativo é significativa, tendo forte relação com a avaliação da marca: o consumidor usa a informação de um boca a boca negativo para avaliar futuramente a marca, mesmo que com ela já tenha tido experiência satisfatória”. Enfim, as empresas precisam entender e monitorar estas comunidades, pois elas têm cada vez mais influência, positiva ou negativa, nos consumidores (LEAL et al., 2012). TROCANDO IDEIAS Caro aluno, agora você vai participar de um fórum no qual você deve discutir como as empresas precisam lidar com as comunidades virtuais em relação à propaganda boca a boca negativa para tentar minimizar seus impactos indesejados. NA PRÁTICA Pesquise e comente, baseando-se no conteúdo ministrado, um exemplo de: Uma empresa que utilizou de maneira errada o marketing direto; Uma empresa que utiliza a cocriação; Uma comunidade virtual de uma marca. SÍNTESE Nesta aula você viu que o marketing direto pode ser uma arma importante para criar e manter relacionamentos com seus clientes, já que ele tem o objetivo de falar diretamente com o consumidor, contudo, deve ser usado com cuidado para não ter efeito contrário! Outra forma de conquistar clientes é por meio da customização, ou ainda, por meio de um novo conceito – a cocriação, em que http://www.exame.com.br/topicos/consumidores 18 os clientes participam de várias etapas do processo de desenvolvimento de produtos/serviços. Por sua vez a customização e a cocriação também poderão ajudar no desenvolvimento de valor para o cliente para assim captá-los, fidelizá-los e retê- los. Dessa maneira, conseguiremos a sua lealdade, que deve ser o objetivo central do marketing. Contudo você deve ter entendido como é importante para a criação e manutenção destes relacionamentos o conhecimento e monitoramento das comunidades virtuais, porque estas podem interferir não só nos relacionamentos, mas também nas intenções de compra e até na lealdade. REFERÊNCIAS AAKER, D. A. Marcas: brand equity: gerenciando o valor da marca. Gulf Professional Publishing, 1998. ACHROL, R. S.; KOTLER, P. Marketing in the network economy. Edição Especial. Journal of Marketing, v. 63, p. 146-163, 1999. ALMEIDA, S. O. DE; MAZZON, J. A.; DHOLAKIA, U.; MÜLLER NETO, H. F. Os efeitos da participação em comunidades virtuais de marca no comportamento do consumidor: proposição e teste de um modelo teórico. 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