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PSICOLOGIA 
COMPORTAMENTAL
Revisão sobre controle aversivo
A punição funciona?
JÚLIA DAHER FINK
Objetivos da aula
• Revisar os conceitos envolvidos no estudo do controle
aversivo estudados no semestre anterior.
• Compreender a definição funcional de estímulo aversivo.
• Acompanhar a proposição dos estudos experimentais
sobre punição e seus resultados discutidos por Sidman no
capítulo 4 e saber responder se para o autor:
• Punição funciona?
• Se é possível um estímulo ter sua função transformada.
Definição de controle para a Análise
do Comportamento
• Apesar da palavra controle coloquialmente referir-se uma 
condição de exploração ou manipulação, para a Análise do 
Comportamento, essa é uma expressão que revela uma 
condição de dependência entre eventos.
Controle Aversivo
• Controle aversivo é o nome dado às contingências
operantes de reforçamento negativo (fuga e esquiva) e
punição positiva e negativa.
Reforçamento Negativo
• Contingência comportamental na qual o responder é
fortalecido (portanto tem sua probabilidade de recorrência
aumentada), pela eliminação ou evitação de um estímulo
aversivo. Pode ser uma relação de Fuga ou Esquiva.
Reforçamento negativo (fuga)
• O estímulo aversivo está presente no ambiente quando o 
responder é emitido pelo sujeito. A resposta do sujeito 
provoca a suspensão de contato com o estímulo aversivo, 
aumentando a probabilidade de que ela ocorra novamente 
no futuro.
𝑆𝐴𝑉 − R → 𝑆𝐴𝑉
Reforçamento negativo (esquiva)
• O estímulo aversivo não está presente no ambiente,
embora outros caracteres (estímulos aversivos
condicionados) sinalizem sua iminência. O responder é
preventivo e evita o contato com o estímulo aversivo,
sendo nesse caso, fortalecido.
𝑆𝐴𝑉 𝑐𝑜𝑛𝑑. − R → 𝑆𝐴𝑉
Punição
• São relações comportamentais cujas consequências
produzem redução abrupta da probabilidade de ocorrência
do responder.
• Punição Positiva: o responder produz contato com uma
estimulação aversiva e tem, portanto, a probabilidade de
ocorrer novamente reduzida abruptamente.
S − R → 𝑆𝐴𝑉
Punição 
• Punição negativa: o responder tem como consequência a
restrição de acesso a reforçadores positivos relevantes na
vida do sujeito em questão e tem, portanto, a probabilidade
de ocorrer novamente reduzida abruptamente.
S − R → 𝑆𝑅+
Como se define então estímulo 
aversivo?
• Faz pouco sentido, do ponto de vista analítico
comportamental, creditar aprioristicamente as definições
“reforçador” e “aversivo” aos estímulos a menos que
estejamos falando de estímulos incondicionados. Para
todos os outros casos, se fizéssemos isso, estaríamos
provavelmente sob controle da topografia dos estímulos ou
da nossa própria experiência com os mesmos. Cabe então
definir funcionalmente o que é um estímulo aversivo, ou
seja, definir através da relação resposta e estímulo e da
alteração probabilística advinda dessa relação.
Recuperando...
Definição funcional de estímulo 
aversivo 
• Um estímulo é definido como aversivo quando diante dele
uma resposta que o evite ou o elimine tenha sua
probabilidade ___________________ e/ou cujo responder que
o produza como consequência tenha sua probabilidade
____________________.
Definição funcional de estímulo 
aversivo
• Um estímulo é definido como aversivo quando diante dele
uma resposta que o evite ou o elimine tenha sua
probabilidade aumentada e/ou cujo responder que o
produza como consequência tenha sua probabilidade
diminuída.
Punição funciona?
Murray Sidman 1989 - 2003
“Punição é trivial em nosso mundo. Ela funciona? Ela atinge seus
propósitos? Ela é realmente um a maneira efetiva para impedir ou nos
livrar de comportamento? Seria conveniente se essas perguntas tivessem
simplesmente “sim” ou "não” como respostas. Elas não têm. O tópico é
excessivamente complexo. Sua resolução requer algo mais do que mera
especulação, viés filosófico ou emocional, preceitos religiosos, ou posturas
morais. Ninguém gosta de ser punido e alguns descobrem desprazer em
aplicar punição. O argumento de que punição não deveria ser usada é
frequentemente sustentado por apelos a religião, moralidade e decência
comum. Por outro lado, aqueles que acreditam que a punição é necessária
e desejável também sustentam sua posição por apelos a religião,
moralidade e, se não decência comum, senso comum. Só ocasionalmente
ouvimos solicitações de dados. O que realmente acontece à conduta que é
punida?”
(Sidman, 2003, pp. 81 e 82)
• “Comecemos com um rato de laboratório que aprendeu a
pressionar um a barra e obter pelotas de alimento que
caem em um a bandeja abaixo da barra. O animal trabalha
estavelmente, ganhando sua vida de acordo com as
contingências que seu mundo estabeleceu.” (pp.85)
“Esse mundo agora muda suas regras. Pressionar a barra,
antes uma ocupação respeitável, não é mais considerada
desejável; assim, junto com a pelota de alimento o animal
recebe um choque em seus pés quando quer que pressione
a barra. O choque é relativamente suave e dura apenas um a
fração de segundo. Esta punição atenderá seu propósito,
fazendo com que o animal pare sua atividade“
indesejável"?” (pp.85)
Resultados
“O animal realmente pára de pressionar a barra. Poucos se
surpreenderão pelo aparente sucesso da punição. A maioria
de nós recebeu um choque acidental de um a fiação elétrica,
ou viu alguém receber um choque e podemos facilmente
empatizar com qualquer um, humano ou não, que sofra um
a experiência semelhante. Nós nos surpreenderíamos ao
observar qualquer um mantendo um ato que produz
choques. Mas a história não termina aqui. O animal
finalmente começa de novo. Após um período de supressão,
a atividade gradualmente se recupera; o animal acaba
pressionando a barra tão rapidamente como sempre, mesmo
que receba um choque cada vez que o faz.” (pp.85)
“Como pode um punidor, que originalmente suprimiu a
atividade, tornar-se incapaz de servir ao propósito
pretendido?”
““Por que, em primeiro lugar, o animal estava tão assiduamente
pressionando a barra?” O alimento, naturalmente, era
responsável. O animal estava ganhando todo seu sustento
pressionando a barra. Qualquer coisa que afastasse o animal de
seu trabalho apenas o deixaria mais faminto. As duas
consequências de pressionar a barra — alimento e choque —
estavam , portanto, em competição direta, uma tendendo a fazer
o animal pressionar mais frequentemente, a outra menos
frequentemente. Quanto mais tempo o animal parou, mais
faminto se tornou; finalmente o reforçamento positivo por
pressionar a barra tornou-se mais poderoso que a punição. O
animal retornou a sua atividade “ilegal” porque aquela era a sua
única maneira de obter alimento.” (pp.86)
“E se tivéssemos aproveitado a supressão temporária da
atividade do animal causada pela punição e ensinado-lhe um
novo modo de ganhar sua vida? Quando o animal para
temporariamente de pressionar a barra, poderíamos
pendurar um a corrente no teto da caixa; toda vez que ele
puxa a corrente obtém alimento, mas não recebe o choque.”
É possível que um estímulo tenha sua 
função transformada?
“Podemos ir um passo além. Acreditando incorretamente
que certos eventos são inerente e imutavelmente punidores,
podemos transformar a dor e o sofrimento em reforçadores
positivos. Eventos considerados como punidores então
sustentarão, em vez de eliminar, atos que os produzem. O
resultado de tal transformação será uma pessoa que busca a
punição. Isto é facilmente demonstrado no laboratório. Tudo
que tem os de fazer é tornar o choque um a pré-condição
necessária para comer.”
“Por exemplo, por querer que nosso sujeito pare de pressionar a barra, podemos dar-
lhe um choque suave e breve quando ele a pressiona. O animal recebe o choque, o
alimento vem a ele, então, ele o come. No início, o choque pode impedir o animal de
pressionar a barra, mas ele se torna mais faminto e recomeça, voltando para o
trabalho a despeito do choque. Se, então, aumentarmos gradualmente a intensidade
do choque, em pequenos passos, o sujeito continuará a pressionar a barra,ainda que
o choque finalmente se torne tão forte a ponto de derrubá-lo. O animal termina
pressionando a barra e sempre recebendo um choque intenso imediatamente antes de
comer.”
“...interrompa ambos: o alimento e o choque. Agora nada
acontece quando o animal pressiona a barra e depois de um
pouco ele a pressiona apenas raramente. Agora, reintroduza
apenas o choque; a próxima vez que o animal pressionar
receberá o choque, mas não o alimento. Ele imediatamente
começa a pressionar a barra rapidamente, mesmo que agora
ela produza nada além de choques intensos. A única razão
do animal para pressionar a barra é o choque consequente.”
“...se, então, tirarmos a barra e pendurarmos uma corrente
no teto. A primeira vez que o sujeito puxa a corrente
novamente recebe o choque, sem alimento. Ele continua a
puxar a corrente, produzindo um choque cada vez que o faz.
O choque tornou-se um reforçador positivo tão efetivo que
pudemos usá-lo para ensinar ao animal algo novo — puxar a
corrente — sem prover qualquer outra consequência.”
Referências bibliográficas
• SIDMAN, M. Coerção e suas implicações. Campinas: Editora
Livro Pleno, 2003.

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