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01 - DIREITO PREVIDENCIÁRIO - 1ª Prova

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que é vedado ao legislador criar ou estender benefício ou serviço, ou aumentar seu valor, sem que, ao menos simultaneamente, institua fonte de custeio capaz de atender às despesas daí decorrentes.
O orçamento da Seguridade Social é autônomo, não se confundindo com o orçamento do Tesouro Nacional, conforme previsto no item III do §5º do art. 165 da Constituição. Sendo assim, as contribuições arrecadadas com fundamento no art. 195 da Constituição ingressam diretamente nesse orçamento, não constituindo receita do Tesouro Nacional.
O inciso X do art. 167 do texto constitucional, veda a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195,I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social de que trata o art. 201 da Constituição. Essa medida é muito salutar para a Previdência Social, pois impede que o Poder Executivo destine recursos das contribuições sociais, incidentes sobre a folha de salários e sobre o rendimento do trabalho, para cobrir outras despesas que não os benefícios previdenciários.
Autonomia a relação de Custeio
Sendo regida por lei, e não pela vontade de particulares, a relação obrigacional de custeio é autônoma com referência à relação jurídica de prestação previdenciária. Nesta, sujeito ativo é o Estado, passivo o cidadão ou a empresa, e objeto material da prestação a quantia em dinheiro devida pelo sujeito passivo ao ativo. Não há correspondência entre a obrigação de custeio e a de amparo. A obrigação de recolher contribuições não é, na maior parte dos casos, nem mesmo condição para o exercício do direito à prestação. Decorrentemente, a relação de custeio é autônoma, forma-se e se extingue por modos e em ocasiões diversas das que regulam as demais relações jurídicas de Direito Previdenciário. Em que pese a autonomia desta em relação à concessão de benefícios, tem-se que se torna inadmissível, uma vez atingida a condição de obtenção da qualidade de beneficiário do sistema, pela concessão da aposentadoria, ou no caso de falecimento do segurado, pela percepção da pensão post mortem por seus dependentes, a exigência de contribuição para o sistema por parte de inativos e pensionistas.
O ato concessivo de aposentadoria, ou de pensão, é ato jurídico perfeito, insuscetível de alteração, já que realizado nos estritos termos do que a lei vigente à época exigia como requisitos. Qualquer alteração do valor do benefício para menor poderá assim caracterizar, em tese, infringência a direito fundamental do indivíduo, por violação ao princípio presente no art. 5º, XXXVI, da Constituição.
A Constituição prevê, como princípio norteador da Previdência Social, entre outros, o da irredutibilidade dos benefícios (art. 194, parágrafo único, IV), e taxativamente impede a incidência de contribuição sobre aposentadorias e pensões (art. 195,I). A alegação de déficit nas contas públicas não pode ser considerada como fundamento razoável para a criação de contribuição sobre proventos, já que a causa de tal despesa não decorre do fato de que estes não tenham contribuído, mas sim da malversação do fundo previdenciário pelos entes de direito público interno, já que raras são as hipóteses de cumprimento da obrigação de manter a higidez dos regimes previdenciários, é dizer, não foi resguardado lastro suficiente para cobrir as despesas com os benefícios e, no mais das vezes, nunca houve a contribuição devida pelo ente público que admitiu agentes públicos a seu serviço.
Relação Jurídica de Custeio
No campo do Direito Previdenciário, há sempre relação de uma pessoa natural ou jurídica com o ente previdenciário estatal. Contudo, há duas espécies distintas de relações jurídicas decorrentes da aplicação da legislação previdenciária: a relação de custeio e a relação de prestação. Numa delas, o Estado é credor, noutra devedor. Na primeira, o Estado impõe coercitivamente a obrigação de que as pessoas consideradas pela norma jurídica como contribuintes do sistema de seguridade, contribuintes também da Previdência Social, vertam seus aportes, conforme as regras para tanto estabelecidas. Na segunda, o Estado é campelido, também pela lei, à obrigação de pagar benefício ou de fazer prestar serviço aos segurados e dependentes que, preenchendo os requisitas legais para a obtenção do direito, o requeiram.
A existência de uma relação jurídica de custeio própria para o âmbito da Previdência Social caracteriza o modelo de previdência de caráter contributivo. A ordem jurídica interna estabelece, desde a Lei Maior, este caráter (art. 201, caput). Pelo sistema contributivo, a receita da Previdência Social, e, no caso brasileiro, da Seguridade Social como um todo decorre de pagamentos feitos por pessoas com destinação específica para o financiamento das ações no campo da proteção social. A contrario sensu, há países que adotam o modelo de financiamento por meio da destinação de uma parte da arrecadação tributária, sem que se caracterize a existência de um ou mais tributos cuja receita seja destinada especificamente para a área do seguro social.
Definição da relação obrigacional
Obrigação previdenciária de custeio é a que decorre da relação jurídica representada pelo vínculo entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o contribuinte, ou entre o INSS e o responsável pelo cumprimento das obrigações previstas em lei, relativas ao pagamento de contribuições previdenciárias, ou das penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento dessas obrigações.
A obrigação de custeio tem evidente natureza tributária. Assim, ela decorre da existência de norma legal prévia que estabelece as hipóteses de incidência, ou seja, os fatos que, uma vez concretizados, estabelecem o nascimento do vínculo obrigacional entre o contribuinte ou responsável e o ente responsável pela arrecadação da contribuição. Por seu turno, o fato imponível (denominado pelo Código Tributário Nacional “fato gerador”) é a situação concreta que deflagra a aplicação da norma de índole tríbutária, independentemente da vontade do particular.
Há pessoas que têm obrigação de contribuir, porque desta decorre sua condição de beneficiário do sistema são os segurados do regime. A obrigatoriedade de sua participação se impõe para que possam fruir dos benefícios e serviços previstos em lei, sendo fundamental a comprovação das contribuições ou, pelo menos, do enquadramento como segurado obrigatório para este fim.
Outras pessoas têm a obrigação de contribuir, porque a lei simplesmente lhes determina tal ônus, sem que tenham qualquer contraprestação pelo fato de verterem recursos para o sistema. O liame obrigacional tem fundamento, nestes casos, no ideal de solidariedade que fundamenta a Previdência Social, embasado na teoria do risco social, segundo a qual toda a sociedade deve suportara encargo de prover a subsistência dos incapacitados para o trabalho. E o que ocorre com as empresas, ao contribuírem sobre a folha de pagamento de seus trabalhadores, bem como sobre o faturamento e o lucro; também é o mesmo fundamento para se exigir do empregador doméstico e do produtor rural que verta contribuições para o regime; também é o motivo invocado para a cobrança de contribuições sobre apostas em concursos de prognósticos.
Identidade com a relação obrigacional tributaria
Sendo a contribuição à Seguridade Social de matiz tributária, a relação obrigacional de custeio se identifica com as obrigações tributárias. Em ambas, o sujeito ativo é um ente pertencente ao Estado (no caso das contribuições à Seguridade Social, o sujeito ativo é uma autarquia federal, o INSS), que se vale de sua supremacia para exigir o cumprimento da obrigação, pela via coercitiva.
O sujeito passivo não tem possibilidade de alterar a incidência da norma, uma vez concretizado o fato imponível, nem transferir, por negócio entre particulares, a obrigação de prestar a devida contribuição. Assim é que, se a lei estabelece ao empregador que este venha a recolher a contribuição a que está