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semiologia - semiologiadoaparelhorespiratorio

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Apenas o segmento cefálico, por exemplo, ou um dos membros 
superiores, ou ainda um dos membros inferiores.
A cianose localizada ou segmentar significa sempre uma obstrução de uma veia 
que drena uma região, enquanto a cianose generalizada ou universal pode ser devida a 
diversos mecanismos.
Fisiopatologia.
A hemoglobina (Hb) saturada de oxigênio chama-se oxi-hemoglobina e tem cor vermelho-vivo, ao passar pelos 
capilares parte do O2 é liberado aos tecidos e a Hb é reduzida formando-se uma quantidade de desoxi-hemoglobina 
(ou hemoglobina reduzida) de cor azulada que, em condições normais, não pode ser percebida como alteração da 
coloração da pele. Em indivíduos anêmicos graves a cianose pode estar ausente pela falta de hemoglobina para ser 
oxidada. Por outro lado, na policitemia vera (aumento de hemácias) a cianose pode estar presente mesmo com 
saturações de O2 maiores que em indivíduos normais, situação que ocorre na doença pulmonar crônica.
Classificação da Cianose quanto à Intensidade.
Quanto à intensidade, a cianose é classificada em três graus: leve, moderada e intensa. Não há parâmetros 
que nos permitam estabelecer uma orientação esquemática para caracterizar os vários graus de cianose. Somente a 
experiência dará ao examinador capacidade para dizer com segurança se uma cianose é leve, moderada ou intensa.
Tipos de Cianose.
Caracterizada uma cianose generalizada ou universal, vai-se procurar definir o tipo de cianose em questão. Há 
quatro tipos fundamentais:
1. Cianose tipo central. Nestes casos, há insaturação arterial excessiva, permanecendo normal o consumo de 
oxigênio nos capilares. Ocorre principalmente nas seguintes situações:
 Diminuição da tensão do oxigênio no ar inspirado, cujo exemplo clássico é a cianose observada nas grandes 
altitudes.
 Hipoventilação pulmonar: o ar atmosférico não chega em quantidade suficiente para que a hematose seja 
realizada de maneira fisiológica, seja devido à obstrução das vias aéreas, seja por diminuição da 
expansibilidade toracopulmonar, seja ainda por aumento exagerado da frequência respiratória.
 Curto-circuito venoso-arterial: como se observa em algumas cardiopatias congênitas (Tetralogia de Fallot e 
outras).
2. Cianose periférica. Aparece em consequência da perda exagerada de oxigênio ao nível da rede capilar. Isto 
pode ocorrer por estase venosa ou diminuição funcional ou orgânica do calibre dos vasos da microcirculação.
3. Cianose tipo mista. Assim chamada quando se associam os mecanismos responsáveis por cianose de tipo 
central com os do tipo periférico. Um exemplo típico é a cianose por insuficiência cardíaca congestiva grave, na 
qual se encontra congestão pulmonar e estase venosa periférica com perda exagerada de oxigênio.
4. Por alteração da hemoglobina. Alterações bioquímicas da hemoglobina podem impedir a fixação do oxigênio 
pelo pigmento. O nível de insaturação se eleva até atingir valores capazes de ocasionar cianose. É o que 
ocorre nas metaemoglobinemias e sulfemoglobinemias provocadas por ação medicamentosa (sulfas, nitritos, 
antimaláricos) ou por intoxicação exógenas.
Arlindo Ugulino Netto –SEMIOLOGIA II – MEDICINA P5 – 2009.2
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ENFISEMA PULMONAR
O termo enfisema significa presença de gás no interior de um órgão ou 
tecido. A American Thoracic Society define o enfisema pulmonar como uma 
alteração anatômica caracterizada pelo aumento anormal dos espaços distais ao 
alvéolo terminal não respiratório, acompanhada por alterações destrutivas das 
paredes alveolares.
Esta doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é caracterizada, portanto, 
por uma considerável perda da superfície respiratória alveolar, a partir do momento 
que constituintes alveolares são destruídos nesta patologia.
Classificação.
Dependendo da extensão do comprometimento dos lóbulos ou dos ácinos, 
o enfisema divide-se em:
 Enfisema panlobular: caracteriza-se pela destruição uniforme e 
generalizada de todo o lóbulo, acompanhada de fenômenos obstrutivos 
discretos e aumento volumétrico do pulmão. Acomete preferencialmente 
as bases dos pulmões de idosos.
 Enfisema perilobular: caracteriza-se pela destruição de sacos alveolares 
da periferia do lóbulo, logo abaixo da pleura visceral, gerando as 
chamadas bolhas subpleurais (blebs).
 Enfisema centrolobular: as lesões localizam-se no centro do lóbulo, na 
extremidade proximal dos ácinos, de modo que os sacos alveolares e os 
alvéolos permaneçam íntegros. Isto gera áreas alternadas de enfisemas e 
parênquima são. Atinge, preferencialmente, os ápices pulmonares.
 Enfisema irregular: os ácinos são irregularmente acometidos, 
diferenciando-se, assim, do enfisema panlobular.
Etiologia.
Leva-se em consideração o fator desencadeante ou agravante do enfisema. Três aspectos etiológicos podem 
ser abordados:
 Tabagismo: é a mais importante causa da doença pulmonar obstrutiva. Por isso, é importante conhecer 
quantos cigarros o paciente consome e há quanto tempo. Os principais efeitos do cigarro são:
 Redução da mobilidade ciliar
 Aumento do número de células caliciformes
 Hipertrofia das células mucosas
 Inflamação das paredes brônquicas e alveolares
 Inibe a atividade anti-enzimática
 Agrava o enfisema por deficiência da alfa-1-antitripsina.
 Poluição atmosférica: é um fator agravante importante da enfisema, embora nem de longe se compare com a 
autopoluição causada pelo tabaco.
 Predisposição genética: deficiência na alfa-1-antitripsina, antiprotease que combate a ação das proteases 
contra os alvéolos pulmonares, predispõe a origem do enfisema.
Patogenia.
Acredita-se que esta DPOC seja resultante de um processo degenerativo ao 
nível das paredes dos alvéolos causado por um excesso de determinadas enzimas 
proteolíticas (proteases) ou por uma deficiência nos agentes encarregados de inibi-
las (antiproteases), das quais, a principal representante é a alfa-1-antitripsina.
A principal alteração fisiopatológica do enfisema é a redução da superfície 
alveolar e do fluxo respiratório, consequência da obstrução bronquiolar e da perda da 
sustentação elástica do pulmão. Tais alterações provocam distúrbios respiratórios 
(hipoventilação, distribuição respiratória irregular), circulatórios (comprometimento da 
bomba aspirante-premente que é o coração, hipertensão na circulação pulmonar) e 
no equilíbrio ácido-básico (aumento do PCO2 com diminuição do pH).
Arlindo Ugulino Netto –SEMIOLOGIA II – MEDICINA P5 – 2009.2
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Achados Semiológicos.
O principal sintoma da enfisema é a dispnéia, que pode ser após grandes esforços ou pequenos esforços. Em 
casos mais graves, a dispnéia acontece mesmo no repouso.
O enfisematoso em geral é magro, não só pelo esforço constante que apresenta para conseguir respirar, mas 
também pela alimentação com pacimônia, uma vez que refeições abundantes lhe trazem desconforto.
Por meio da inspeção, observa-se a postura e deformação torácica característica do paciente enfisematoso: 
fácies que demonstra sofrimento crônico; ao sentar-se apóia-se com os braços sobre o leito para facilitar a ação da 
musculatura acessória; em decúbito-dorsal, apresenta respiração torácica.
Nos portadores de DPOC de grau discreto ou médio, a ausculta pode ser normal. Nas formas graves da 
DPOC, tanto o murmúrio vesicular como os roncos e sibilos podem estar inaudíveis ou ausentes. Estertores finos 
podem estar presentes durante toda a expiração. Na percussão, é claro a hipersonoridade produzida devido ao 
aumento no volume aéreo intra-pulmonar, caracterizando uma síndrome de hiperaeração pulmonar.
As veias do pescoço distendem-se durante a expiração (diferentemente do que ocorre na ICC, que distendem-
se durante todo o ciclo respiratório) e se acompanham de pulso paradoxal. As bulhas cardíacas são hipofonéticas ou 
inaudíveis, por causa do parênquima pulmonar insuflado que se interpõe entre o esterno e o mediastino.