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Vidigal, Alfredo Buzaid, Moacir Amaral dos Santos, Aguiar Dias, José Frederico Marques, 
HélioTornaghi, Martinho Garcez Neto, etc. Pertence também a Escola do Largo de São 
Francisco, o grupo realeano, criado na década de 50 em torno de Miguel Reale, para estudo e 
defesa da Teoria Tridimencional do Direito. 
 
4 - Administração da Justiça 
 
 4.1 – Evolução Histórica do Poder Judiciário. 
 O Poder Judiciário, enquanto função dos três Poderes foi consagrado após várias 
transformações sofridas no curso dos diversos cenários políticos da história da humanidade como 
um Poder independente e autônomo. Alguns doutrinadores passam a idéia de ser o Judiciário o 
Poder mais antigo, o que nos parece contestável, pois embora a função de julgar seja tão primitiva 
quanto a própria sociedade, nos tempos remotos, era desempenhada pela função executiva, o que 
nos leva crer que o Poder Executivo é o mais antigo. 
 No Estado antigo, em que imperava o regime autocrático, com a concentração de 
poder nas mãos de uma só pessoa ou grupo de pessoas, o direito de julgar era exercido pelo chefe 
do Estado ou seu agente. Em Atenas havia tribunais de justiça com atribuições específicas, 
embora as assembléias populares, órgãos de legislação e de administração, também eram 
incumbidas de julgar certos crimes. Em Roma, a magistratura era desempenhada pelos pretores, 
cuja função era aplicar a justiça; em certas ocasiões tais funções eram atribuídas ao Senado e ao 
próprio Cônsul. 
 Na Idade Média o panorama não sofre grandes alterações, até o advento do Estado de 
Direito, os condes e barões aplicavam a justiça em nome do soberano. Em algumas ocasiões o 
próprio rei a aplicava. O Poder Judiciário eclode como justiça independente na Inglaterra no século 
XVII, e na França com a Revolução Francesa; deixando de ser um favor real para ser um órgão da 
soberania. 
 
4.2 – O Poder Judiciário - da Colônia as Constituições Brasileiras 
 
 Na história constitucional brasileira, verifica-se a existência de um Estado unitário, sob 
a égide da Constituição política do Império, outorgada por D. Pedro I em 1824, reconhecendo em 
seu artigo 2º a divisão e a harmonia dos poderes políticos, explicita em seu artigo 10: ―Os poderes 
políticos reconhecidos pela Constituição do Império do Brasil são quatro: o Poder 
Legislativa, o Poder Moderador, o Poder Executivo e o Poder Judicial‖. Estabelecia, 
concernente ao Judiciário uma tríplice divisão, que se manteve com a reforma judiciária de 1832, 
introduzindo apenas algumas modificações, que apresentavam as seguintes características: 1º) 
considerava-se um duplo grau de jurisdição, sendo a primeira instância constituída de juízes 
singulares e a segunda por juízes colegiados. 2) A tricotomia completava-se com um órgão 
jurisdicional superior ou também chamado tribunal de cúpula, esta organização dava a idéia da 
existência de uma terceira instância, mas não era, tendo em vista a expressa vedação na própria 
Constituição vigente a época. 
 
4.2.1- Juízes Singulares – da Colônia ao Império 
 
 No período Colonial, os juízes singulares da primeira instância eram divididos em 
categorias: 
 a) Juízes de Vintena: eram nomeados pelas Câmaras Municipais, competia-lhes julgar 
causas com alçada até 300 réis, em aldeias com menos de 50 moradores, até 600 réis em aldeias 
de menos de 100 moradores, até 900 réis em aldeias com menos de 150 moradores e até 1.200 
réis em aldeias de maior número de moradores; não tinham competência para decidir causas 
imobiliárias; julgavam infrações cometidas contra as posturas municipais e prendiam criminosos. 
As sentenças por eles proferidas eram irrecorríveis. 
 b) Almotacés: eram escolhidas por sorteio, suas competências eram de: apreciar 
litígio acerca de servidões e nunciação de obra nova; apresentar ao juiz competente os casos de 
conchavo para retirada de multas. Suas sentenças eram passíveis de recurso. 
 
 
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 c) Juízes Ordinários: estes juízes eram eleitos, competia-lhes: processar e julgar com 
os vereadores as injúrias verbais, os furtos praticados por escravos até a quantia de 1.200 réis, 
conhecer das decisões dos almotacés. 
d) Juízes de Fora: tinham que ser bacharéis, para que pudessem ser nomeados por 
carta régia; suas atribuições eram as mesmas dos juízes ordinários, dos quais eram substitutos 
eventuais. 
 e) Juízes de Órfãos: podiam ser eleitos ou nomeados, tinham as mesmas funções 
dos juízes já citados, como também era de sua alçada processar e julgar inventários, cujas partes 
fossem menores; nomear tutores e curadores e cuidar da subsistência dos menores órfãos. 
f) Juízes Alcaides: estavam encarregados da guarda e da polícia das vilas e cidades. 
g) Juízes de Sesmaria: nomeado pela mesa do Desembargo do Paço ou por 
governadores, cabendo-lhes decidir acerca de medição e demarcação de terras, nas hipóteses em 
que as partes litigantes não optassem pela justiça ordinária. 
h) Ouvidores da Comarca: sua nomeação era feita por carta régia, dentre suas várias 
atribuições podemos mencionar, que era esse magistrado responsável para decretar a prisão de 
criminosos, inspecionar as prisões, fazer observar os forais de cada local, etc. 
 
4.2.2- Segunda Instância – da Colônia ao Império (Juízes Colegiados e 
Tribunal de Cúpula) 
 
Neste período, os juízes colegiados compunham a instância superior que se dividia em: 
a) Desembargo do Paço: competente para apreciar matéria sobre liberdade, adoção, 
legitimação, emancipação, reintegração de posse e censura as obras literárias. 
b) Mesa da Consciência e Ordem: tratava de provimento de benefício, administração 
de comendas e dos negócios relativos a interditos, ausentes e defuntos. 
c) Conselho da Fazenda: cuidava da fiscalização das arrecadações tributária e os 
bens da Coroa. 
d) Tribunal da Relação: este Tribunal merece destaque, pois deu origem aos 
Tribunais de Justiça dos Estados, seus membros eram denominados de desembargadores e suas 
decisões, acórdãos. 
Em 1808, por um ato de D. João VI, foi criado um Tribunal de Cúpula, a Casa de 
Suplicação do Brasil, com a mesma alçada da Casa de Suplicação de Lisboa considerada como 
um Superior Tribunal de Justiça, dividia-se em: 
 
a) Duas Mesas: uma para julgar matéria cível e outra para matéria criminal. 
b) Grande Mesa: reunia-se uma vez por semana para conhecer das decisões das 
Mesas. 
 
A primeira e segunda instância sofreram alterações quanto às suas estruturas, com a 
reforma constitucional de 1832. Consoante o primeiro grau de jurisdição, os Juízes de primeira 
instância foram modificados da seguinte forma: Juízes de Direito de Comarca, Juízes de Órfãos, 
Juízes Municipais, Juízes de Paz e Juntas de Paz. Os Tribunais de segunda instância eram os 
seguintes: Juntas de Fazenda e Tribunais de Justiça. O Tribunal de Cúpula passou a se 
denominar Supremo Tribunal de Justiça, mais tarde em 1890 passou a Supremo Tribunal 
Federal, com as mesmas atribuições. 
 
Com a outorga da Constituição Imperial de 1824, o Judiciário ficou formalmente 
independente, porém, em relação aos seus membros, a independência era relativa, pois seus 
cargos eram perpétuos, mas não gozavam da prerrogativa da inamovibilidade e ainda podiam ser 
suspensos pelo Imperador. 
 
 
 
 
 
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4.2.3- Período da República 
 
No final do século XIX, início da República, fato importante se deu em relação ao 
Judiciário, o surgimento de uma justiça federal distinta da estadual, fato este que levantou 
discussão, Rui Barbosa foi um dos que resistiu à idéia, sendo combatido por outros que 
sustentavam ser necessária a dualidade, tendo em vista o regime federativo adotado. O 
coroamento do sistema se deu com o Supremo Tribunal Federal,