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Direito Processual Civil

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de declaração, artigo 535 do CPC. 
 
Precisão = a sentença deve ser precisa, limitada. Deverá traduzir certeza, como ato de 
inteligência ou como ato de vontade. 
 
Sententia debet esse conformis libello. Para ser precisa, deve a sentença conter-se nos 
limites do pedido (artigo 128 do CPC c/c o artigo 460 do CPC) 
 
Artigo 460, parágrafo único do CPC = relação jurídica condicional = sentença 
condicional = a eficácia depende de um evento futuro e incerto, determinado na 
própria sentença. 
 
VI - Efeitos secundários da Sentença 
 
Aos efeitos declaratório, condenatório ou constitutivo das sentenças, também 
denominados de efeitos principais, seguem-se outros que lhes são acessórios, 
chamados pela doutrina de secundários. 
 
 
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Os efeitos principais se manifestam em razão do pedido e por meio do 
pronunciamento explícito do juiz. Os efeitos secundários independem de pedido 
especial da parte ou de pronunciamento do juiz, mas resultam do fato da sentença. 
 
Exemplos: 
 
a) sentença que anula o casamento, produz o efeito secundário de dissolver a 
comunhão de bens; 
b) a perempção causa, secundariamente, a extinção do processo 
c) hipoteca judiciária. 
 
 
XIX – DA COISA JULGADA 
 
Artigo 5º, XXXVI da Constituição Federal e artigos 467 a 474 do CPC. 
 
Artigo 467 do CPC: "Denomina-se coisa julgada material a eficácia, que torna 
imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou 
extraordinário." 
 
COISA JULGADA MATERIAL: 
 
- A coisa julgada material é a coisa julgada por excelência. Quando se fala em coisa 
julgada, tem-se a idéia de coisa julgada material. 
- A coisa julgada material se produz quando se tratar de sentença de mérito. 
- Quando sobre determinada decisão judicial passa a pesar a autoridade de coisa 
julgada não se pode mais discutir sobre aquilo que foi decidido em nenhum outro 
processo. 
- Está ligada às sentenças de mérito, de conteúdo material, pertinente ao bem da vida 
que está em discussão nos autos. 
- Só se forma coisa julgada material nos casos do art. 269 do CPC, isto é, quando há 
julgamento de mérito, vale dizer, do PEDIDO. 
- Preclusas ficam as vias recursais. 
 
COISA JULGADA FORMAL: 
 
- Quando se verifica coisa julgada formal, é preciso que seja expressado 
especificamente o mencionado instituto. 
- Diz respeito às decisões que não apreciam o mérito da causa. 
- Aplica-se nos casos de extinção do processo sem resolução de mérito. 
- A ação poderá ser proposta e discutida novamente, porém sob nova roupagem, ou 
seja, somente após o início de um novo processo. 
- Aplica-se, portanto, à forma do caminho, ou seja, ao direito processual, não ao 
direito de ação propriamente dito. 
 
MOMENTO DE FORMAÇÃO: 
 
 
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- Tanto para a coisa julgada formal como para a coisa julgada material, o momento 
de formação ocorre com a decisão extintiva ou resolutiva do processo da qual já não 
cabe mais recurso. 
- Decorrido o prazo recursal in albis, ou utilizados todos os recursos cabíveis na 
espécie, tem-se o trânsito em julgado da decisão e a formação da coisa julgada. 
- Não faz coisa julgada material: 
 
 Motivos da decisão – artigo 469, I, II e III do CPC. 
o Não ficam protegidos pela coisa julgada os motivos que levaram o juiz 
a decidir, ainda que absolutamente determinantes no que diz respeito 
ao teor. 
 Sentenças ou acórdãos processuais 
o Estes comandos judiciais que extinguem o processo sem decidir o 
mérito, não fazem coisa julgada material, pois nada se decide a respeito 
de relação jurídica alguma. 
 
 Jurisdição voluntária – não há lide – artigo 1.111 do CPC. 
o Se não há processo contencioso, não existe possibilidade de coisa 
julgada material, ou mesmo formal. Nestes casos o provimento 
jurisdicional só poderá ser alterado se houver alteração fática que 
justifique o pedido. 
 Processos cautelares 
o Não transitam em julgado as decisões proferidas em processo cautelar, 
salvo se versarem sobre a prescrição ou a decadência do direito ligado 
ao processo principal (artigo 810 do CPC). 
o A decisão proferida no processo principal é efêmera e provisória, com o 
objetivo de tornar possível a eficácia do provimento a ser pleiteado no 
processo principal. 
 Relações continuativas – relação alimentícia. 
o Artigo 471, I, do CPC – "modificação da fortuna do alimentante e da 
necessidade do alimentado" 
o São os requisitos essenciais para solicitar em juízo a alteração do 
provimento jurisdicional anteriormente obtido. 
 
LIMITES OBJETIVOS E SUBJETIVOS DA COISA JULGADA: 
 
- Limites objetivos – a autoridade da coisa julgada recai sobre a parte decisória da 
sentença de mérito. 
- Limites subjetivos – os efeitos da coisa julgada atingem, do ponto de vista subjetivo, 
as partes. 
- Impugnação da coisa julgada. Ação rescisória, com fundamento no artigo 485 do 
CPC. 
 
 
 
 
 
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XX - DOS RECURSOS 
 
 Todos os atos judiciais são passíveis de impugnação. 
 
 Quando existe decisão que resolve ou não o mérito (sentença ou acórdão) ou 
decisão interlocutória que não atende às pretensões da parte ou das partes 
litigantes, aciona-se o sistema recursal previsto no Código de Processo Civil. 
 
 Conceito: "É o poder de provocar o reexame de uma decisão, pela mesma 
autoridade judiciária, ou por outra hierarquicamente superior, visando a obter a 
sua reforma ou modificação, ou apenas a sua invalidação" (Moacyr Amaral 
Santos) 
 
Princípio do duplo grau de jurisdição. 
 Todas as decisões podem ser submetidas ao reexame por dois órgãos 
jurisdicionais sucessivos. 
 O segundo superior hierarquicamente ao primeiro. 
 As sentenças, acórdãos e decisões proferidas pelos magistrados são passíveis de 
erros, injustiças, ilegalidades, e, às vezes, são movidas pelos sentimentos menos 
dignos. 
 
Interesse do recorrente. 
 
 O recurso é utilizado somente pela parte que foi prejudicada em face do ato 
judicial da sentença, acórdão ou decisão. 
 O recorrente tem os seguintes objetivos, dependendo do caso apresentado: 
- reforma 
- invalidação 
- esclarecimento ou integração – embargos de declaração – Artigo 535 do CPC. 
 
 O juiz que profere a decisão recorrida, ao receber o recurso, pode admitir ou não 
o recurso. Caso admita, o recurso poderá ser recebido nos seguintes efeitos: 
 devolutivo – devolve ao Tribunal toda a matéria ao órgão julgador; 
 não devolutivo – não analisa novamente a matéria. Embargos de Declaração e 
Embargos Infringentes. Os embargos de declaração interrompem o prazo 
recursal. (artigo 538 do CPC) 
 misto – devolutivo e suspensivo – devolve a matéria e suspende o curso do 
processo. Ex. Apelação Cível 
 sem efeito suspensivo – não suspende a execução. Exemplos: recurso 
extraordinário, agravo. 
 
TIPOS DE RECURSO - Artigo 496 do CPC. 
Atos recorríveis. 
 
Decisões interlocutórias – resolve questões processuais intermediárias; 
 
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Sentenças – o Juiz decide a lide. Sentenças terminativas e definitivas. 
Acórdãos. Decisões emanadas dos Tribunais 
Os despachos de mero expediente não desafiam qualquer recurso. (Artigo 504 do 
CPC) 
 
CONHECIMENTO DO RECURSO: 
 
 Quando admissível o recurso em face do cumprimento desses requisitos, se 
diz que ele é CONHECIDO; inadmissível, ele NÃO É CONHECIDO. 
 Uma vez CONHECIDO o recurso nada assegura que ele seja provido. 
 O acolhimento ou não das alegações constitui uma etapa posterior, 
denominada juízo de mérito. 
 Essas etapas não desapareceram