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Apostila de Bioclimatologia I

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(kg/dia) 11,7 14,7 25,6 
Superfície corporal (kg/dia) 10,6 29,3 176,4 
Respiração (kg/dia) 7,6 11,7 53,9 
 
 
 
 O aumento no consumo de água observado com a elevação da 
temperatura é decorrente da necessidade de aumentar o efeito da água. Assim, 
para estimar este efeito, basta que se efetue a seguinte operação (LANHAN e 
colaboradores; MILLAN e colaboradores): 
 
TC - TA = Vr x Q = CA 
 
 Onde: 
 
 TC = temperatura do corpo em ºC 
 TA = temperatura da água em ºC 
 Vr = valor respiratório em Kcal / litro 
 Q = quantidade de água ingerida em litros 
 CA = calor absorvido em Kcal 
 
 Os estudos mostram que bovinos do mesmo peso requerem maior 
quantidade de água com o aumento da temperatura. Importante é que o animal 
possa beber repetidamente, provocando abaixamento da temperatura corporal. 
 Alguns estudos, mostram que vacas européias em lactação 
consomem menos água a temperaturas de 32ºC ou superiores. O fato prende-se a 
um menor rendimento em leite e consumo de alimentos, em condições de 
 
 
 
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afrontamento térmico. As vacas indianas em contraste aumentam o consumo de 
água quando aumenta a temperatura ambiente. Todavia, o gado indiano consome 
menos água que o europeu em valor absoluto e também por unidade de matéria 
seca ingerida. Diferenças em consumo de água encontram-se nas diversas raças 
de gado bovino europeu. A conclusão das observações é que a tolerância ao calor 
esta associada a um baixo consumo líquido e a sensibilidade a um maior consumo. 
 A temperatura influi ainda nos hábitos de pastejo dos ruminantes. 
Verifica que o bovino tem tendência a aumentar suas horas de pastejo noturno, 
quando ocorrem altas temperaturas diurnas. 
 A literatura cita, que vacas européias pastam menos de 3 horas 
durante o dia, porém 3 vezes mais durante a noite, sob temperatura média diária 
oscilando de 29 a 32ºC e noturna de 21,5 a 27ºC, com temperatura média diária 
oscilando de 20 a 24ºC, e noturna de 14 a 18ºC o pastejo durante o dia e de 2 a 3 
vezes o tempo despendido nos dias quentes. Estes resultados sugerem a 
necessidade de se adequar o manejo dos animais, para que o pastejo possa ser 
feito no maior número possível de horas e para que os animais desfrutem de 
sombras no período mais quente do dia. 
 Em síntese, a máquina-animal homeotérmica experimenta 
dificuldades para fazer a conversão de alimentos em utilidades no ecossistema de 
pasto nos trópicos, porque, ou não se adaptam ao calor, ou porque reduzem o 
consumo de matéria-prima alimentar ou ainda desviam a energia dos alimentos 
para outras funções prioritárias que não as de processo produtivo, mais ou menos 
acentuadamente de acordo com seus recursos anatomorfofisiológicos específicos, 
sugerindo ajustamentos estruturais e genéticos. 
 
 
Efeito da temperatura na reprodução 
 
 
 Os fatores ambientais, principalmente os climáticos (temperatura, luz), 
alimentação e manejo reprodutivo, tem efeito direto sobre a performance 
reprodutiva dos animais. Como sabemos, fertilidade é um caráter quantitativo da 
baixa herdabilidade. 
 O ambiente exerce marcada influência sobre a vida reprodutiva, com 
efeitos evidentes que resultam muitas vezes na supressão ou abaixamento da 
eficiência reprodutiva. 
 A literatura mostra que a eficiência reprodutiva dos ruminantes é 
geralmente menor nos animais localizados nos trópicos do que aqueles de zonas 
temperadas. A alta temperatura da maioria dos ambientes tropicais, afeta os 
processos reprodutivos diretamente e indiretamente através do stress na produção. 
 Nos machos das espécies domésticas, altas temperaturas podem 
provocar: esterilidade estival, degeneração do epitélio germinativo, abaixamento da 
produção de sêmen, queda da fertilidade, etc. Nas fêmeas: retardamento da 
maturidade sexual, interferência na fertilidade do óvulo e na sua implantação no 
útero, interrupção da prenhez, etc. Todavia, não tem sido observado alteração 
significante da prolificidade e do período de reprodução, onde espécies como a 
ovelha e a cabra apresentam atividade sexual ao longo do ano devido a 
inexistência de variações anuais significativas no fotoperíodo perto do equador. 
 A eficiência reprodutiva dos ruminantes nos trópicos pode ser 
melhorada protegendo os animais das altas temperaturas e umidade e 
providenciando uma alimentação adequada durante os períodos de seca. 
 Também através de esquemas reprodutivos de forma tal que períodos 
de maior requerimento nutricional dos animais coincidam com as épocas de maior 
 
 
 
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produção de forragens. Contudo, ênfase deve ser dada na eficiência de adaptação 
dos animais aos trópicos, não somente para assegurar a reprodução das espécies 
mas também para superar os níveis reprodutivos. 
 
 
Efeito da temperatura no crescimento 
 
 
 O crescimento avaliado pelo ganho de peso, é a função fisiológica 
relacionada a produção de carne nos animais. 
 O crescimento é um conjunto de acontecimentos metabólicos 
controlados pela herança e pelo meio ambiente. 
 Alguns fatores ambientais estão relacionados a depressão do 
crescimento, prejudicando a produção de carne, entre eles as condições 
meteorológicas prevalecentes que podem causar redução na taxa de crescimento 
pré e pós-natal. 
 No stress calórico prolongado o efeito catabólico e a gliconeogênese, 
estimulados pelos glicocorticosteróides levam a perda de peso pelos animais, pois 
tecidos musculares ou gordurosos são transformados em glicose para produção de 
energia. 
 Observa-se também, um efeito catabólico sobre os tecidos 
conjuntivos e ósseos e orgãos linfáticos, resultando em balaço negativo de 
nitrogênio no organismo. Dessa forma ao invés de formação de deposição de 
músculo ou mesmo reposição de tecido, a síntese de proteínas e lipídeos da lugar 
a degradação de moléculas mais simples de açúcares, resultando em inibição do 
crescimento. 
 As condições climáticas afetam a quantidade e qualidade dos 
alimentos ingeridos, a ingestão de água, a energia potencial da forragem, o sistema 
termorregulador do organismo, etc. Segundo a literatura, esses fatores 
isoladamente e em conjunto, tem marcada influência no crescimento fetal. A 
temperatura é talvez o fator climático mais importante no crescimento fetal, 
justificando o fato de raças européias em ambientes tropicais darem bezerros 
menores que os nascidos em regiões temperadas. Alguns trabalhos, citam que 
vacas européias gestantes mantidas ao sol, apresentam temperatura retal e a 
frequência respiratória mais elevadas do que aquelas mantidas à sombra, e que 
bezerros das vacas mantidas à sombra nascem mais pesados em média, que os 
vacas expostas ao sol. Isso demonstra que o stress calórico parece retardar o 
crescimento fetal. 
 O crescimento pós-natal depende tanto do meio como incluindo os 
fatores ligados à mãe, como a idade, e habilidade leiteira e maternal, bem como os 
fatores genéticos. A estação em que ocorre o nascimento afeta os valores 
interferentes no desenvolvimento dos bezerros. 
 Alguns estudos afirmam, que o crescimento de raças bovinas 
européias diminui quando submetidas a temperatura constante de 
aproximadamente 24ºC, cessando-o por completo a temperatura de 29 a 32ºC. 
Outros trabalhos relatam a relação entre temperaturas ambientes variando de 15 a 
35ºC e os ganhos de peso de garrotes da raça holandesa com idade variando de 
15 a 21 meses. Observaram que os ganhos de peso se mantiveram quando a 
temperatura era 26 a 29ºC, porém perdas de peso diárias ocorreram durante a 
exposição dos animais de 32 a 35ºC. 
 Estudos relatam o crescimento de bezerros Holandeses, Jersey e 
Guernsey iniciando com aproximadamente 3 semanas de idade até 15 meses, 
mantidas a 10ºC e a 25 e 27ºC (stress calórico moderado) verificaram, que o 
 
 
 
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crescimento dos bezerros submetidos ao stress calórico moderado