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Apostila de Bioclimatologia I

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três eventualidades, e em todas houve aclimamento 
hereditário, que se pode diversificar em : 
 
1) Aclimamento direto da raça com alterações, que não a desfiguram, e com 
manutenção das qualidades produtivas (aclimamento genético). 
 
2) Aclimamento direto com melhoramento sensível, das qualidades produtivas 
(naturalização). 
 
3) Aclimamento com perda das qualidades produtivas (aclimamento degenerativo). 
 
 
Acomodação ou Aclimamento do Indivíduo 
 
 
 Esta forma de aclimamento, consiste em uma acomodação do 
indivíduo, que sofre pequenas variações ou modificações, de tal sorte a permitir sua 
permanência e relativa prosperidade no novo meio. Tais variações, como se sabe, 
não chegam a alterar a herança biológica do animal, não são hereditárias. Sua 
descendência, para sobreviver, terá de passar novamente pelo processo de 
acomodação somática. 
 A acomodação não passa, então de uma adaptação individual. É o 
resultado puro e simples de faculdades reguladoras, próprias do organismo, 
capazes de corrigirem, normalmente até certo ponto, as deficiências e 
perturbações, que possam sobrevir no funcionamento da máquina viva. É uma 
regulação ou adaptação funcional, isto é, de funções. Também podemos denominá-
la aclimação somática ou ainda fenotípica. Segundo BAUR, aclimação modificada. 
A denominação modificada vem do fato de ocorrerem variações, que não passam 
de modificações. É fenotípica ou somática porque só interessa ao soma, ao 
fenótipo. Finalmente, diz-se individual, porque não é da raça. 
 Geralmente esta é a forma comum em nossas tentativas de 
introdução de raças de ruminantes de origem européia, nas condições tropicais. Os 
reprodutores importados “acomodam-se” ao nosso meio, e seus filhos refletem o 
mesmo processo biológico, de aclimação somática ou modificativa. 
 
 
 
 
 
 
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Falência da Raça 
 
 
 Os limites entre a acomodação e a ausência de adaptação (falência 
da raça) não são fáceis de estabelecer. Mas em qualquer dos dois casos, a raça 
deixa de interessar. 
 Dá-se a falência da raça quando, na tentativa de aclimação, ou, não 
se passa da acomodação dos animais importados, ou nem esta chega a ocorrer. 
Nem as animais importados resistem ao clima que lhes é impróprio, nem sua 
descendência. 
 Bom exemplo disto são repetidos ensaios de aclimação, de certas 
raças no Brasil, normalmente na região Nordeste e Norte. A vida dos reprodutores 
ali importados, de raças de corte européias, mostra-se precária, sua fisiologia é 
perturbada de modo que nem desenvolvem-se nem chegam a gerar, e se o 
conseguem, são descendentes de crescimento retardado, produtividade baixa ou 
nula. Trata-se de uma inadaptabilidade da raça. 
 
 
 Aclimação Indireta 
 
 
 Na aclimação é possível estabelecer uma distinção, considerando-se 
o processo que ela deve seguir o seu processo para se tornar vitoriosa. Podemos 
importar animais, e ensaiar a aclimação da raça em estado de pureza. Mas, muitas 
vezes, importam-se os machos para cruzá-los com fêmeas nativas (locais). 
 Ao primeiro passo chamei de aclimação direta e, ao segundo, 
aclimação indireta. 
 Na aclimação indireta procuramos contornar os percalços da 
adaptação de certas raças, empregando o cruzamento da raça de fora, com 
animais da região, biologicamente aclimados. Cruzamento absorvente ou formativo. 
 Sua aclimação vai ter, como base de segurança, a rusticidade dos 
animais locais (nativos) - qualidade hereditária. Juntar as qualidades econômicas 
da raça melhorada e importada, com a rusticidade da raça nativa. Dessa mistura de 
fatores genéticos surgem diversas formas biológicas, entre as quais algumas se 
mostram vitoriosas e produtivas, no novo meio. 
 Segundo a literatura, procedendo-se a uma seleção dirigida dessas 
formas, teremos obtido o plasma germinal, que nos garantirá o êxito da aclimação. 
 Segundo DOMINGUES e outros, o aclimamento indireto é o caminho 
com maiores probabilidades de êxito nos trópicos. É que toda mestiçagem é uma 
fonte de formas diferentes e novas. Sabemos que a seleção não cria nada. A 
mistura de estirpes diversas provoca sempre uma multiplicidade de mixovariações 
(BAUR). Se surgem formas novas, nas quais juntamos a carga genética de animais 
adaptados ao meio tropical com aquelas outras dos animais melhorados de climas 
temperados, é possível que entre elas haja algumas capazes de vitória no nosso 
meio e capazes de pela sua produção, satisfazerem aos criadores. 
 
 
Fatores de Êxito na Aclimação 
 
 
 Há fatores ou condições que facilitam a ambientação (aclimação). 
Esses fatores podem ser assim agrupados (FARIAS): 
 
 
 
 
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a) Relativos ao ambiente (clima): é claro que quanto maior for a semelhança 
entre os dois ambientes mais fácil será a aclimação; a ambientação mais fácil 
ocorre entre ambientes idênticos, isto, no nosso caso, só ocorre com animais de 
outros ambientes equatoriais, tropicais e subtropicais; todavia, uma semelhança 
não muito acentuada também contribui para facilitar a ambientação, assim, em 
princípio é mais aconselhável, por exemplo, importarmos animais do sul que do 
norte dos Estados Unidos; a introdução dos animais sendo feita no período do 
ano em que o clima do novo ambiente mais se assemelha ao da região de 
origem dos animais, também facilita a ambientação; portanto no Brasil, a 
introdução de animais de clima temperado deve ser feita no início do inverno; 
assim, os animais não passam bruscamente para um clima totalmente adverso. 
Em tempo, informo que os animais europeus apresentam, a priori, melhor 
desempenho zootécnico, nas regiões subtropicais, e nas regiões serranas 
(tropical de altitude) do Brasil. 
 
b) Relativos ao animal: há espécies , raças e indivíduos que, mesmo não sendo 
de origem tropical apresentam maior tolerância a esse ambiente; muitas vezes, 
entretanto, esse aspecto não apresenta maior importância, porque entre as raças 
aperfeiçoadas as diferenças são pequenas, quase sempre dizendo respeito a um 
só aspecto do ambiente (tolerância à temperaturas elevadas, por exemplo nas 
raças Schwyz e Jersey), nem sempre justificando a preterição de outras 
altamente especializadas, embora de difícil aclimação (Holandesa, por exemplo); 
outro fator do animal que se menciona é a sua idade; os animais jovens, embora 
não muito novos, para que já tenham resistência suficiente, são considerados os 
que tem maior facilidade de se ambientarem. 
 
c) Relativos ao criador: aqui estão incluídas as medidas relativas ao transporte 
dos animais, que deve ser confortável e, se possível, rápido, medidas de ordem 
sanitária, vacinação, etc., e todas as medidas relacionadas com o melhoramento 
do meio ambiente, principalmente a alimentação, manejo reprodutivo e conforto 
térmico e melhoramento genético dos animais. 
 
 
 
INFLUÊNCIA CLIMÁTICA NA REPRODUÇÃO DE RUMINANTES 
 
 
1) Produção de Sêmen 
 
 
 As temperaturas ambientes superiores a 29ºC influência a produção e 
a qualidade do sêmen. Parece existir também uma relação positiva entre o número 
de espermatozóides anormais e mortos e o nível da temperatura ambiente. A 
umidade se converte em outro inibidor adicional quando superior a 70% com 
temperaturas de 27ºC ou mais elevadas (McDOWELL). 
 RATHORE afirma que em carneiros há o desprendimento do 
acrossoma. O calor ocasiona ainda uma diminuição da atividade do sêmen a níveis 
mínimos, apresentados pelo baixo valor dos índices de frutose. O pH do esperma 
se eleva diante do calor. 
 Outt in MÜLLER submeteu carneiros da raça Southdown a duas 
temperaturas, uma de 32º e outra de 10ºC, e observou as condições físicas do 
sêmen conforme Quadro 13. Verificou-se que o volume, motilidade, concentração e 
percentual de esperamtozóides anormais sofreram a influência da temperatura alta. 
 
 
 
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Isto leva a concluir que a ação deletéria