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Direito e Psicologia nas Varas de Família

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O LAÇO CONJUGAL, A QUESTÃO DO DESEJO 
Pereira contrapõe à moral sexual a necessidade de repensar os paradigmas do Direito a partir da Psicanálise a partir dos conceitos de sujeito, sexualidade e desejo. 
O sujeito do Direito é aquele que age consciente de seus direitos e deveres e segue leis estabelecidas pelo ordenamento jurídico. Para a Psicanálise o sujeito está assujeitado às leis regidas pelo inconsciente. 
A sexualidade para o Direito tem sido sempre genitalizada – “conjunção carnal”. Para a Psicanálise a sexualidade é da ordem do desejo, da satisfação.
 
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A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA: A IMPORTÂNCIA DA FALA, O LAÇO CONJUGAL, A QUESTÃO DO DESEJO 
Por ser a Psicanálise um experiência discursiva, propõe-se que se devolva a fala à pessoa e aos processos inconscientes que subjazem ao processo judicial. Fazer falar o sujeito e não seus porta-vozes tão somente (o advogado), a fim de que não se leve à cronificação do conflito. 
 O simples encaminhamento para o estudo psicológico, dá estatuto psicológico a algo que é vivido pelas partes como um problema meramente jurídico, concreto e externo a cada um deles. 
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A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA: A IMPORTÂNCIA DA FALA, O LAÇO CONJUGAL, A QUESTÃO DO DESEJO 
Num processo litigioso, o sujeito não fala o que lhe vem à mente (regra da Psicanálise), mas sim o que pode favorecer a sua causa, tornando difícil alguma retificação na sua posição.
O que se pretende, numa escuta orientada pela Psicanálise, é que se promova alguma retificação subjetiva em que o sujeito deixa de se queixar do outro para reconhecer sua participação no conflito. Tenta-se que o sujeito passe de um estado de vítima para o de responsável por seus atos e palavras. 
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A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA: A IMPORTÂNCIA DA FALA, O LAÇO CONJUGAL, A QUESTÃO DO DESEJO 
A inscrição da Psicanálise no campo jurídico produz uma diversidade de efeitos: a re-significação do conflito, a resolução dos aspectos processuais, a dissolução das queixas ou, na pior das hipóteses, nada acontece e continuam-se as disputas familiares. 
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A MEDIAÇÃO FAMILIAR
A mediação tem o objetivo de devolver ao casal a competência para gerar a própria solução do conflito. 
Em certas áreas judicativas, o tradicional processo litigioso não é o melhor meio para a reivindicação efetiva dos direitos. Entende-se então que o movimento de acesso à justiça encontra razões para caminhar em direção a formas alternativas de resolução de conflitos, entre eles, a mediação. 
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A MEDIAÇÃO FAMILIAR
A prática da mediação pelo mundo: Estados Unidos (1974), Canadá (desde os anos 70), China (1949). O recurso da mediação também é desenvolvido na França, Israel, Austrália, Japão. Na América do Sul, Colômbia, Bolívia e Argentina antecederam o Brasil no emprego das resoluções alternativas de disputa. 
Somente no início dos anos 90, a mediação ingressou do sul do nosso país. 
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A MEDIAÇÃO FAMILIAR
A mediação pode envolver todos os pontos do divórcio ou se limitar somente às questões da guarda da criança e de sua visitação. A mediação pode também ser pública, privada ou ambos. Alguns programas de mediação excluem os advogados das partes, enquanto outros estimulam essa participação. Algumas práticas são liberais e não diretivas, enquanto outras são mais restritivas e condutoras. 
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Diferenças entre Negociação, Conciliação, Mediação, Arbitragem e Litígio com Resolução Judicial 
NEGOCIAÇÃO: quando os acordos são espontâneos e diretos sem auxílio de um terceiro.
CONCILIAÇÃO: Quando algum impasse dificulta a negociação e um terceiro auxilia a mantê-la ou a restabelecê-la, reduzindo tensões e animosidades, opinando e sugerindo alternativas. O conciliador atua diretamente no conflito. 
 
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Diferenças entre Negociação, Conciliação, Mediação, Arbitragem e Litígio com Resolução Judicial 
ARBITRAGEM: quando um terceiro, escolhido pelas partes (árbitro), decide, segundo critério de merecimento ou não, sobre as questões que envolvem o litígio. 
LITÍGIO COM RESOLUÇÃO JUDICIAL: quando um terceiro (juiz), não decidido pelas partes, determina, segundo critério legal ou de merecimento, sobre as questões das partes. 
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Diferenças entre Negociação, Conciliação, Mediação, Arbitragem e Litígio com Resolução Judicial 
MEDIAÇÃO: quando algum impasse dificulta a negociação e um terceiro auxilia a mantê-la ou a restabelecê-la, desde que as partes sejam autores da decisão. Atuando na construção de um ambiente colaborativo e na desconstrução dos impasses, possibilita que um diálogo sobre as questões se estabeleça e decisões consensuais possam ter lugar. O mediador atua mais como facilitador do que como interventor ativo. 
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Diferenças entre Negociação, Conciliação, Mediação, Arbitragem e Litígio com Resolução Judicial 
A figura do mediador busca a resolução das controvérsias de forma pacífica, evitando o litígio e indo ao encontro de acordos que as partes possam compor entre si. O mediador evita fazer imposições e traz à discussão apenas o que o casal quer negociar, orientando e buscando ideias que facilitem a construção de um compromisso favorável ao invés dos antagonismos. 
Trata-se, portanto, na mediação, de devolver à família a responsabilidade pelo desfecho do litígio. 
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Impactos do divórcio, acordos em relação aos filhos e a não burocratização das visitas 
É muito comum a desorientação do casal e da família após a separação, impondo-se a cada um a busca de parâmetros para se situar diante da nova situação.
Os filhos vêem-se com pouco controle sobre as mudanças impostas pelo divórcio. Muitos não têm somente dificuldade para se ajustar a novos locais de residência ou à queda da situação econômica, mas também ao colapso do apoio e da proteção que até então esperavam encontrar na família. Os pais simultaneamente têm diminuída a sua capacidade parental. 
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Impactos do divórcio, acordos em relação aos filhos e a não burocratização das visitas 
Os filhos sentem-se vulneráveis, rejeitados, culpados, solitários, sendo muitas vezes usados, para agravar a situação, como suporte emocional de um ou ambos os genitores. A criança concentra amiúde seus esforços para reverter a decisão do divórcio. 
Diante desse panorama tem surgido vários programas de intervenção breve destinados a proporcionar atendimento psicológico e recomendações sociais e educacionais para famílias em dificuldades para elaborar a situação de divórcio. 
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Impactos do divórcio, acordos em relação aos filhos e a não burocratização das visitas 
Após a separação, alguns genitores acabam desaparecendo da vida dos seus filhos por não suportarem os constantes desentendimentos e não concordarem com o papel de visitantes a que são relegados. Muitos também não suportam pegar os seus filhos na casa que um dia já foi sua.
Convém ao psicólogo promover, junto aos demais profissionais, acordos de visita que possam manter, como é de direito, o estreito relacionamento da criança com seus pais. 
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A guarda compartilhada: o reforço da responsabilidade parental e o fim da falta conjugal e do pátrio poder 
A custódia conjunta é um dispositivo jurídico que está relacionado ao direito inalienável da criança de manter o convívio familiar. A criança tem o direito de ser educada por seus dois pais, salvo quanto o interesse torna necessária a separação. 
A guarda compartilhada ou conjunta tem o objetivo de reforçar os sentimentos de responsabilidade dos pais separados que não habitam com os filhos. Evita-se, assim, a exclusão de um dos pais do processo educativo de sua prole e a consequente sobrecarga do outro. 
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A guarda compartilhada: o reforço da responsabilidade parental e o fim da falta conjugal e do pátrio poder 
Com a vigência do “Novo Código Civil” (2003), o critério da falta conjugal na definição da guarda é definitivamente revogado e a Lei da Guarda