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APOSTILA DE DIREITO CIVIL II

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uma situação existente, pretendendo, portanto, 
incutir no espírito de alguém a inexistência de uma situação real. 
 
 
 
 
 
5.3) ESPÉCIES: 
 
a) RESERVA MENTAL: é a emissão de uma declaração não querida em 
seu conteúdo, tampouco em seu resultado, pois o declarante tem por único 
objetivo enganar o declaratário. Nela o agente quer algo e declara, 
conscientemente, coisa diferente para, eventualmente, poder alegar o erro em 
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seu proveito, enganando o outro contratante, sendo ineficaz, por não atingir a 
validade do negócio jurídico. O atual CCB não cuidou da reserva mental. 
 
b) SIMULAÇÃO ABSOLUTA: quando a declaração enganosa da vontade 
das partes exprime um negócio jurídico bilateral ou unilateral simulado, que 
não gerará efeito algum entre as partes, não havendo intenção de realizar 
negócio algum. O ato é ilusório, inexistente, fictício. Ex. Devedor que simula 
venda de seus bens a parente ou amigo, para que aqueles se subtraiam à 
execução dos credores. 
 
c) SIMULAÇÃO RELATIVA: quando resulta no intencional desacordo 
entre a vontade interna e a declarada. Dá-se quando uma pessoa, sob a 
aparência de um negócio fictício, pretende realizar outro que é o verdadeiro, 
diverso no todo ou em parte do primeiro. Tem a intenção de prejudicar 
terceiros. Há, neste caso, dois contratos, um aparente e um real, sendo este o 
que é querido pelas partes e que se lhe oculta de terceiros. A simulação 
relativa pode ser: 
c.1) Subjetiva: quando o negócio não é efetuado pela próprias partes mas por 
uma pessoa interposta ficticiamente, quando o negócio aparente conferir ou 
transmitir direitos a pessoa diversa a quem se confere ou se transmite (CCB, 
artº 167, par. 1º). 
c.2) Objetiva: se for relativa à natureza do negócio pretendido, ao objeto ou 
a um dos elementos contratuais. Será objetiva se o negócio contiver 
declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira. Ex. Doação do 
homem casado à concubina, efetivada mediante compra e venda. 
 
d) SIMULAÇÃO INOCENTE: quando não existir intenção de violar a lei 
ou de lesar outrem, devendo ser, por isso, tolerada (CCB, artº 103). Apresenta 
os seguintes elementos: intencional declaração contrastante com a vontade 
real das partes; ocultação do negócio real a terceiros e ausência de prejuízo a 
terceiros ou de violação a lei. Os contraentes poderão usar da ação 
declaratória de simulação ou opô-la sob a forma de exceção, em litígio de um 
contra o outro, ou contra terceiro. 
 
e) SIMULAÇÃO MALICIOSA: é a que envolve o propósito de prejudicar 
terceiros ou de burlar o comando legal, viciando o ato que perderá toda a 
validade. Os contratantes nada poderão alegar ou requerer em juízo quanto à 
simulação do negócio, em litígio de um contra o outro ou contra terceiro (artº 
167 do CCB). 
 
6) DA FRAUDE CONTRA CREDORES: 
 
6.1) DEFINIÇÃO E ELEMENTOS CONSTITUTIVOS: 
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É a prática maliciosa, pelo devedor, de atos que desfalcam o seu patrimônio, 
com o escopo de colocá-lo a salvo de uma execução por dívidas em 
detrimento dos direitos creditórios alheios. Desta feita, deverá o devedor 
responder, com seu patrimônio, por dívidas por ele contraídas, não podendo 
ser preso em decorrência do não pagamento dela, com exceção dos casos 
elencados pelo artº 5º, LXVII, da Constituição Federal. Algumas vezes, o 
devedor oferece ao credor uma garantia específica, que recai sobre 
determinado bem, móvel ou imóvel, como acontece no penhor e na hipoteca. 
A coisa dada em garantia fica sujeita por vínculo real, ao cumprimento da 
obrigação (artº 1.419 do CCB). Outras vezes, o credor não dispõe de garantia 
específica , contando apenas com a garantia comum a todos os credores, que 
é o patrimônio do devedor (artº 591 do CCB). 
 
6.2) REQUISITOS: 
Dois são os seus requisitos: 
a) objetivo: o “EVENTUS DAMNI”, que é todo ato prejudicial ao credor, 
por tornar o devedor insolvente ou por ter sido realizado em estado de 
insolvência, devendo haver nexo causal entre o ato do devedor e a sua 
insolvência; 
b) subjetivo: a “CONSILIUM FRAUDIS”, que é a má-fé, a intenção de 
prejudicar do devedor (renúncia da herança) ou do devedor aliado a terceiro 
(venda fraudulenta), ilidindo efeitos da cobrança. Na conceituação de consilium 
fraudis não tem relevância o animus nocendi, o propósito deliberado de 
prejudicar credores. Basta que o devedor tenha consciência de que de seu ato 
advirão prejuízos. A fraude pode existir sem ser premeditada. Igualmente, em 
relação ao cúmplice do fraudador não se cuida da intenção de prejudicar, 
bastando o conhecimento que ele tenha, ou deva ter, do estado de insolvência 
do devedor e das conseqüências que, do ato lesivo, resultarão para os 
credores. 
 
6.3) ATOS SUSCETÍVEIS DE FRAUDE: 
São suscetíveis de fraude os seguintes negócios jurídicos: 
a) a título gratuito (doação, dote) ou remissão de dívidas (CCB artº 386), 
quando os pratique independentemente de má-fé, o devedor já insolvente, ou 
por eles reduzido à insolvência, caso em que poderão ser anulados pelos 
credores quirografários (sem garantia) como lesivos dos seus direitos, se já o 
eram (credores) ao tempo desses atos (CCB artº 158, par. 2º); 
b) a título oneroso, se praticado por devedor insolvente ou quando a 
insolvência for notória ou se houver motivo para ser conhecida do outro 
contraente (CCB artº 159), podendo ser anulado pelo credor; 
c) outorga de garantias reais (CCB artº 1.419), pelo devedor a um dos 
credores quirografários estando em estado de insolvência, prejudicando os 
direitos dos demais credores (artº 163), acarretando a anulabilidade do ato; 
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d) pagamento antecipado do débito, que frustra a igualdade que deve haver 
entre os credores quirografários, podendo estes propor ação para tornar sem 
efeito esse pagamento, determinando que o beneficiado reponha aquilo que 
recebeu em proveito do acervo (artº 162). 
 
6.4) AÇÃO REVOCATÓRIA: 
A fraude contra credores, que vicia o negócio de simples anulabilidade, 
somente é atacável por AÇÃO PAULIANA ou AÇÃO REVOCATÓRIA. 
Só pode ser proposta por credor que já o fosse quando se praticou o ato 
acoimado de fraudulento. O credor posterior encontra comprometido o 
patrimônio do devedor, não tendo, pois, direito de reclamar contra a suposta 
fraude. Mas só o quirografário pode intentá-la. Ao credor com garantia real 
não assiste esse direito, por falta de interesse econômico ou moral. Os bens 
que acompanham os créditos os seguem por toda parte, ainda no caso de 
venda. Enquanto existirem tais bens os créditos estão garantidos e o 
pagamento assegurado. 
Requer os seguintes pressupostos: 
a) ser o crédito do autor anterior ao ato fraudulento; 
b) que o ato que se pretende revogar tenha causado prejuízo; 
c) que haja intenção de fraudar, presumida pela coincidência do estado de 
insolvência; 
d) pode ser intentada contra o devedor insolvente, contra pessoa que com ele 
celebrou a estipulação fraudulenta, ou terceiros adquirentes que hajam 
procedido de má-fé (artº 161); 
e) prova da insolvência; 
f) perdem os credores a legitimação ativa para movê-la, se o adquirente dos 
bens do insolvente que ainda não pagou o preço, que é o corrente, depositá-lo 
em juízo, com citação edital de todos os interessados (artº 160 - CCB). 
 
6.5) DISPOSIÇÕES ESPECIAIS: 
O principal efeito da ação pauliana é revogar o negócio lesivo aos interesses 
dos credores, repondo o bem no patrimônio do devedor, cancelando a 
garantia real concedida (artº 165, par. único) em proveito do acervo sobre que 
se tenha de efetuar o concurso de credores, possibilitando a efetivação do 
rateio, aproveitando a todos os credores e não apenas ao que intentou.