A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
3 pág.
ARBITRAGEM NA ANTIGÜIDADE

Pré-visualização | Página 1 de 2

ARBITRAGEM NA ANTIGÜIDADE
A arbitragem é uma maneira proposta pela nossa jurisdição como alternativa para resolução de conflitos,Carmona (2009) aduz que a arbitragem é uma técnica para a solução de controvérsias, através da intervenção de uma ou mais pessoas, que recebe seus poderes de uma convenção privada, decidindo com base nesta convenção, sem intervenção do estado, sendo a decisão destinada a assumir eficácia de sentença judicial.
A história, por diversas vezes, tem revelado que as soluções de litígios entre grupos humanos encontraram procedimentos pacíficos através da mediação e da arbitragem, ao invés de optarem pelas guerras,em situações de conflitos entre Estados, ou pelo judiciário moroso, nas controvérsias entre particulares.
Embora atualmente a Arbitragem seja um tema incrivelmente recorrente, sendo base para inúmeros congressos pelo país a fora, o verdadeiro criador dessa forma de resolução de conflitos de maneira categórica e positivada, assim como se encontra hoje, nem foi se quer citado ao longo da história do desenvolvimento do mundo jurídico.
Há registros que confirmam que a arbitragem tem suas primeiras ocorrências há mais de 3.000 anos,sendo um dos institutos de direito mais antigos. Têm-se notícias de soluções amigáveis entre os babilônios,através da arbitragem pública e, entre os hebreus, as conten das de direito privado resolviam-se com a formação de um tribunal arbitral.
 A bíblia sendo o livro mais antigo de todos os tempos, conta que Jesus de Nazaré há cerca a mais de dois mil anos atrás, ensinava há cerca da necessidade da realização do acordo com o adversário litigante, enquanto houver tempo, ou seja, quando o adversário ainda não procurou ao magistrado, pois, depois de entregue ao oficial de Justiça, dali só se poderá sair quando for pago o último centavo. (Mateus 5:25)
Jesus traz uma interpretação que transcende a lei em Mateus 18 :15-16 – Se teu irmão pecar contra ti, vai conciliar-te entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou mais três testemunhas, toda palavra se estabeleça.
Jesus ensinava a necessidade da conciliação extrajudicial, um conceito extraordinário e totalmente atual, ensinava também há cerca da necessidade do auxílio de duas ou três testemunhas para que fosse estabelecida a conciliação com o ofendido, sendo assim a palavra estabelecida.
Um outro exemplo de arbitro que a bíblia cita é o rei Salomão , conta a bíblia que Então vieram duas mulheres prostitutas ao rei e puseram-se perante ele. E disse-lhe uma das mulheres: Ah, senhor meu, eu e esta mulher moramos numa mesma casa; eu tive um filho, morando com ela naquela casa. E sucedeu que, ao terceiro dia depois de meu parto, também esta mulher teve um filho. Estávamos juntas; estranho nenhum estava conosco na casa, senão nós duas naquela casa. E de noite morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre ele. E levantou-se à meia-noite e tirou meu filho de meu lado, dormindo, dormindo a tua serva, e o deitou no seu seio, e a seu filho morto deitou no meu seio. E, levantando-me pela manhã, para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto; mas atentando pela manhã para ele, eis que não era o filho que eu havia tido. Então disse a outra mulher: "Não, mas o vivo é meu filho e teu filho o morto." Porém esta lhe disse: "Não, por certo; o morto é teu filho e meu filho o vivo." Assim falaram perante o rei. Então disse o rei: "Esta diz: ‘Este que vive é meu filho, e teu o morto’; e esta outra diz: ‘Não, por certo; o morto é teu filho e meu o filho vivo’." Disse mais o rei: "Trazei-me uma espada." E trouxeram uma espada diante do rei. E disse o rei: "Dividi em duas partes o menino vivo, e dai metade a uma e metade a outra. "Mas a mulher cujo filho era o vivo falou ao rei (porque as suas entranhas se lhe enterneceram por seu filho) e disse: "Ah, meu senhor, dai-lhe o menino vivo e por modo alguns mateis." Porém a outra dizia: "Nem teu, nem meu seja; dividi-o antes. "Então respondeu o rei: "Dai a esta o menino vivo e de maneira nenhuma o mateis, porque esta é sua mãe." Rei Salomão é considerado o rei mais sábio de todas as épocas por esse feito.
Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Dinamarco prelecionam que, na mais remota Antigüidade, com a ausência de um Estado forte que assumisse a prerrogativa de dirimir os conflitos entre as pessoas, prevalecia a vingança privada, [02] evoluindo para a justiça privada.
Hammurabi sobressaiu-se, pelo notável monumento jurídico – O Código de Hammurabi, e teve como escopo maior fazer reinar a justiça em seu reino, podendo qualquer cidadão recorrer ao rei. Entre os babilônios, livre era o homem que tinha todos direitos de cidadão e era denominado awilum. [03]
Entre os povos antigos, a arbitragem e a mediação constituíam meio comum para sanar os conflitos entre as pessoas.
Na Grécia antiga, as soluções amigáveis das contendas faziam-se com muita freqüência, por meio da arbitragem, a qual poderia ser a compromissória e a obrigatória [04]. Os compromissos especificavam o objeto do litígio e os árbitros eram indicados pelas partes. 
A mitologia e a história da Grécia são ricas em exemplos característicos do emprego da arbitragemnas divergências entre deuses, usando-se também a mediação. Por causa da crença panteísta, que era comum a vários núcleos, deuses comuns uniam e aproximavam o povo grego, inspirando-o para soluções amigáveis de contendas. Enquanto que, nas questões de limites entre as Cidades - Estados, surge um direito intermunicipal que, também através da arbitragem, buscava superar as dificuldades. Assim que o laudo arbitral era proferidodava-se-lhe publicidade, sendo gravado em placa de mármore ou de metal que era colocada nos templos das respectivas cidades para reconhecimento de todo o povo. 
Na medida em que o relacionamento dos gregos com os estrangeiros se alarga e surgem litígios,começa a nascer o direito internacional privado na Grécia. Nota-se pari passu a utilização de outros dois procedimentos pacíficos de solucionar pendências: os bons ofícios e a mediação; porque nesta primeira fase o instrumento da arbitragem com estrangeiros não era praticado. 
No que diz respeito a soluções arbitrais intermunicipais, um exemplo característico de tratado com cláusula compromissória foi o Tratado de Paz de 445 a.C. entre Atenas e Esparta, enquanto que as questões entre particulares eram resolvidas por via judicial e também por arbitragem.
No Direito Romano, no primeiro período do processo, as legis acciones em muito se assemelhavam às câmaras ou às cortes arbitrais.
Ainda em Roma, as questões cíveis eram primeiramente apresentadas diante do magistrado, no Tribunal, para depois sê-lo, perante um árbitro particular (arbiter) escolhido pelas partes para julgar o processo. Trata-se da ordo judiciorum privatorum ou ordem dos processos civis. Este sistema, por ser muito rápido, perdurou por muito tempo, ou seja, até o período clássico.
Apesar da mentalidade imperialista dos romanos, a arbitragem encontrou em meio a eles campo para o seu desenvolvimento: no começo, na resolução de conflitos entre Estados e, depois, entre particulares, especialmente na fase do “jus peregrinus”, com o “praetor peregrinus” solucionando as contendas dos estrangeiros. 
Não obstante as características tipicamente contratuais da arbitragem estipulava-se cláusula compromissória e o compromisso era o de respeitar a decisão arbitral. Apresentava-se o “compromissum”, como um pacto legítimo e válido. A ação para assegurar o respeito ao compromisso e à cláusula compromissória era dada pelo pretor. 
O juízo arbitral, que era mais simples e mais aberto que a jurisdição togada, permitia ao árbitro decidir sem se submeter a qualquer lei. Já o pretor impunha ao árbitro a obrigação de aceitar o julgamento da controvérsia. O procedimento arbitral trazia mais vantagens e só se recorria à justiça togada quando a parte interessada estava

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.