Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS (UEA) ESCOLA SUPERIOR DE CIÊNCIAS SOCIAIS (ESO) CURSO DE TECNOLOGIA EM LOGÍSTICA GESTÃO E OPERAÇÃO DE SERVIÇOS AOS CLIENTES Professores : Drº. Bernardo Laredo Esp. Rangel Batista Manaus/Amazonas Abril/2016 EMENTA.Introdução e conceitos fundamentais em serviços ao cliente; Marketing centrado no cliente; Marketing de transações versus Marketing de relacionamento; Serviço ao cliente: disponibilidade e desempenho operacional; Plataforma de serviços Básicos; Prestadores de Serviços Logísticos (PSLs), Fornecedores de serviços logísticos; Contratação e gestão de PSLs; Elementos fundamentais de Supply Chain Management; Gestão Integrada ; Capacidade de Resposta; Mapeando a cadeia de suprimentos ( FINE); Indicadores de desempenho em SCM; Globalização e Gestão da Logística Internacional. OBJETIVO: Fornecer aos discentes uma visão sistêmica e abrangente das operações de serviços e suas relações com clientes, fornecedores e mercado. METODOLOGIA: aulas expositivas, com utilização de vídeos, documentários e debates em tempo real. Avaliações parciais (AP1, AP2 e Final) a cada cinco aulas. Diariamente serão aplicados exercícios sobre o conteúdo ministrado – Dinâmicas Locais. SUMÁRIO 1 . Introdução e conceitos fundamentais em serviços ao cliente 1.1. Introdução 1.2. A evolução e o papel dos serviços na economia 1.3. Produto x Serviço 1.4. Características diferenciadoras dos Serviços 1.4.1. Intangibilidade 1.4.2. Perecibilidade 1.4.3. Inseparabilidade 1.4.4. Variabilidade 1.5. Serviço ao cliente 1.6.Elementos do serviço ao cliente 1.7.Os Serviços ao Cliente como fonte de Vantagem Competitiva 1.8.Orientação para mercado e relacionamento com clientes 2. Marketing de relacionamento com o cliente 2.1 Hora de colocar um produto no mercado e hora de aceitálo 2.2. O surgimento dos “ outros” 2.3.Marketing é uma questão de criar mercados, não de participar do mercado 2.4. Marketing tem a ver com processo, não com táticas promocionais 2.5. Marketing tem a ver com processo, não com táticas promocionais 2.6. Marketing de relações, tudo começa com o consumidor 3. Prestadores de Serviços Logísticos ( PSLs) 3.1. Conceito 3.2. Origem 3.3. Classificação 3.4. Linhas de Atuação 3.5. Tendências para o Setor 4. Análise e Avaliação do Desempenho dos Serviços de Transporte 4.1. Introdução 4.2.Evolução do conceito desempenho 4.3. Fundamentos para análise de desempenho 4.4. Desempenho nos serviços de transporte 4.5. Avaliação de desempenho 4.6. Medição do desempenho 4.7. Indicadores de desempenho 5. Supply Chain Management ( SCM) 5.1. Introdução 5.2. Fatores determinantes na Logística Integrada 5.3. Cadeia de Logística Integrada ou Supply Chain 5.4. EfficientConsomer Response ( ECR) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERTAGLIA, Paulo Roberto Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento. São Paulo :Saraiva, 2003. CHURCHILL, Gilbert A.; PETER, Paul J. Marketing: criando valor para os clientes São Paulo: Saraiva, 2000.KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de Marketing. 9. ed. Rio de Janeiro: Pearson, 2003.GIULIANI, Antônio Carlos. Marketing em um ambiente globalizado. São Paulo: Cobra Editora & Marketing, 2003. KOTLER, Philip. Marketing para o século XXI: como criar, conquistar e dominar mercados. São Paulo: Futura, 2002. MOREIRA, Júlio César Tavares ; OLIVIERI Neto, Rafael. Marketing business to business: é fazeroumorrer. São Paulo: Makron Books, 1998. NOVAES, Antônio Galvão. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição: estratégia, operação e avaliação. Rio de Janeiro: Campus, 2007. PIPKIN, Alex. Marketing internacional: Uma abordagem estratégica. São Paulo: Aduaneiras, 2003. VIEIRA, Guilherme Bergmann Borges. Logística e Distribuição Física Internacional. São Paulo: Editora Lex 2006. CHING, Hong Yuh. Gestão de Estoques na Cadeia de Logística Integrada – SCM, 4. São Paulo: Atlas 2010.McKENNA, Regis. Marketing de Relacionamento – Estratégias Bem Sucedidas para a era do Cliente. Rio de Janeiro: Campus 2010. 1.Introdução e conceitos fundamentais em serviços ao cliente 1.1.Introdução Os serviços aos clientes se transformaram em um assunto recorrente, tanto na literatura pertinente ao Marketing, quanto na literatura proveniente da área de Operações e Logística. Diversos autores vêm aprofundando o entendimento em torno do tema, ampliando a consistência e aplicabilidade no escopo estratégico das organizações. Ao abordar temas como competitividade, sustentabilidade, responsabilidade social, perenização dos negócios e aumento da performance organizacional, emergem outros temas correlatos e complementares. Daí a importância de se tratar o serviço ao cliente como forma de agregação de valor aos clientes, ampliando os benefícios provenientes da oferta de cada empresa. Como decorrência disso, é inevitável que se faça uma relação direta entre a obtenção de uma fonte de vantagem competitiva sustentável ao longo do tempo, o serviço ao cliente e uma filosofia empresarial coerente com tal encadeamento lógico, a orientação para o mercado. Não basta apenas imitar concorrentes bem sucedidos, há que se ter a convicção de que a empresa, orientada para o mercado, poderá melhor entender e atender seus clientes, construindo uma oferta de valor agregado, valor percebido pelos clientes, fazendo com que, por meio de diferenciais competitivos, os clientes atuais mantenham sua preferência por determinado fornecedor e que novos clientes se sintam atraídos por esse tipo de oferta. Independentemente do que se trate o núcleo da oferta de uma empresa, seja produto, seja serviço, é inegável que o serviço ao cliente surge, e está se consolidando, como uma significativa oportunidade de diferenciação perante os competidores. No entanto, é importante que os domínios da prestação de serviços sejam disseminados, uma vez que sua natureza e características são muito peculiares ao se comparar com os bens tangíveis, os produtos. O objetivo central é resgatar alguns pressupostos básicos da prestação de serviços, mais especificamente, do serviço ao cliente, estabelecendo uma forte relação com aspectos filosóficos e estratégicos das empresas na busca e na manutenção de vantagens competitivas sustentáveis e de um posicionamento mercadológico coerente e consistente. Elevando o serviço ao cliente como um fator de competitividade ou de diferenciação em relação aos concorrentes, o que pode, inclusive, resultar em um desempenho organizacional superior. 1.2.A evolução e o papel dos serviços na economia A prestação de serviços está consolidando sua relevância acadêmica e empresarial por sua representatividade na economia mundial e por sua importância na sociedade. Os serviços vêm se tornando uma fonte singular de geração de riqueza, além de absorver o nível excedente de postos de trabalho oriundos do setor industrial. Kotler (2000) e Bateson (2001), citando um estudo desenvolvido pela Bureau of Labor Statistics, comentam que há uma expectativa de que as ocupações advindas do setor de serviços serão responsáveis por todo o crescimento no número de empregos até o ano de 2010. Em 1900, cerca de 30%da força de trabalho dos Estados Unidos estava empregada no setor de serviços e , em 1929, representava 55% da população economicamente ativa, sendo que em 1948, 54% do PIB – Produto Interno Bruto americano era proveniente do setor terciário. Demonstrando uma tendência ascendente em sua representatividade na economia mundial, em 1990 o setor respondia por 58% do PIB do Japão e 60% do PIB na União Europeia. Em 1998, os serviços eram responsáveis por 76% do PIB americano, sendo que, atualmente, no Canadá, corresponde a 67% da geração de riquezas. ( Lovelock e Wright, 2001). Na economia norte americana, caracterizada por sua liderança mundial entre as décadas de 80 e 90, os serviços apresentavam um índice de empregabilidade de 70% em relação a população economicamente ativa . No Brasil, segundo estatísticas do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 1998, os serviços respondiam por 59,7% da economia brasileira, seguidos pela indústria 32,3% e agricultura 8%, dados estes que vêm se mantendo. Tais dados indicam que, em uma economia pós industrial, os serviços vêm assumindo um papel essencial quanto à competitividade das empresas. Com a mudança de foco da produção para a prestação de serviços, os serviços vêm ampliando sua importância na economia mundial. Por isso, Gronroos (1990) salienta que vivemos em uma economia de serviços, e que competir em serviços já é uma realidade para a maioria das empesas. 1.3.Produto X Serviço A distinção entre empresas prestadoras de serviços e fabricantes de produtos não é mais relevante, uma vez que a dimensão serviço é somente mais ou menos significativa de empresa para empresa, enfatizando, então, que todas as organizações, indistintamente, estão inseridas em negócios de serviços. Os clientes não compram produtos, nem serviços, mas sim os benefícios que tais produtos ou serviços lhes proporcionam (Gronroos 2000). Nesse contexto, Mc Kenna (1993) afirma que: A fronteira entre produtos e serviços está desaparecendo rapidamente. O que antes parecia ser uma polaridade rígida, atualmente está se tornando híbrido. Considerando a representatividade dos serviços na economia global, Téboul (1999) reflete sobre essa realidade, trazendo a luz da discussão, como consequência, o grau elevado de personalização e interação das empresas com seus clientes em um meio amplamente competitivo, no qual os clientes são cada vez mais exigentes, até pelo fato de existirem fornecedores alternativos e produtos e serviços substitutos. Assim os prestadores de serviços estão inserindo na atividade alguns aspectos tangíveis da área de produção, aumentando o valor dos serviços, tais como padronização, customização, confiabilidade e programas de qualidade. Por outro lado, empresas que trabalham com produtos estão cada vez mais entendendo a importância de agregar valor aos seus produtos pela adição de serviços complementares (SAC – serviço de atendimento ao cliente ), uma vez que os clientes percebem e passam a exigir tal valor, não mas adquirindo um bem ou serviço, mas um benefício que ambos podem proporcionar. 1.4.Características diferenciadoras dos Serviços Segundo os autores, ( Kotler, 2000 e HoffmaneBateson, 2003), as quatro características que diferem os serviços dos produtos são: intangibilidade, perecibilidade, inseparabilidade e heterogeneidade. 1.4.1Intangibilidade Os serviços são intangíveis. Ao contrário dos produtos físicos ou bens tangíveis, os serviços não podem ser vistos, sentidos ou ouvidos, cheirados ou provados antes de serem adquiridos (Kotler,2000). Por isso os serviços são experiências que o cliente vivencia enquanto que os produtos são coisas que podem ser possuídas. Gronroos (1990) complementa a definição da característica da intangibilidade dos serviços dizendo que , normalmente um serviço é percebido de maneira subjetiva. Portanto, quando os serviços são descritos pelos clientes, expressões como experiência, confiança, comprometimento, respeito e segurança são utilizados. 1.4.2.Perecibilidade Fitzsimmons (2000) conferem aos serviços uma capacidade perecível com o tempo. Como um serviço não pode ser estocado ou armazenado, consequentemente, se não for utilizado, estará perdido. Uma vez que o serviço é uma ação ou realização, e não um artigo tangível que o cliente guarda ou consome, ele é perecível e não pode ser estocado. Quando a demanda dos serviços é estável, a característica da perecibilidadenão se configura como um problema. Porém, quando a demanda oscila, as empresas prestadoras de serviços enfrentam alguns problemas ( Kotler, 2003). Em decorrência disso, um dos maiores desafios gerenciais em atividades de serviços é administrar a utilização total da capacidade de atendimento, tendo em vista que a demanda dos clientes apresenta variações consideráveis, não permitindo a possibilidade de formar estoques para absorver tais flutuações. 1.4.3. Inseparabilidade De modo geral, os serviços são produzidos e consumidos simultaneamente. Enquanto as mercadorias são produzidas e, então, vendidas e consumidas, os serviços, primeiramente, são vendidos e, a partir disso, produzidos e consumidos ao mesmo tempo. (Kotler,2000). Assim o cliente não é apenas um receptor dos serviços, mas também um recurso do próprio processo de produção, o que se traduz mediante sua participação efetiva . O cliente é o elemento que, de alguma forma, dispara a operação, muitas vezes em termos de quando e como esta deve realizar se , constituindo uma entrada do sistema de operações que não é diretamente controlada pela gestão da empresa que presta ou disponibiliza os serviços. ( Gianesi, 1994). A inseparabilidade ou simultaneidade nada mais é do que a produção e o consumo fisicamente unidos, onde tanto o prestador de serviços quanto o cliente afetam o resultado. No entanto , salienta se que , pelo fato de produção e consumo serem simultâneos, muitas oportunidades para intervenções do controle de qualidade são perdidas. ( Fitzsimmons, 2000). 1.4.4.Heterogeneidade De acordo com Zeithaml (1985), a heterogeneidade diz respeito ao potencial de alta variabilidade que os serviços apresentam em relação à sua performance. Pelo fato de dependerem de quem os fornece, além de onde e quando são fornecidos, os serviços são altamente variáveis. Um serviço prestado a um cliente não é exatamente o mesmo serviço prestado ao próximo cliente.( Gronroos,1990). Pela presença de pessoas na prestação de serviços, principalmente no sistema operacional, seja os colaboradores, seja dos clientes, trona se difícil controlara a variabilidade tanto no processo quanto no resultado final dos serviços.( Hoffman e Bateson,2003). Essa característica gera uma das maiores dificuldades para a gestão dos serviços, que é a manutenção de um nível de qualidade uniforme dos serviços produzidos e entregues ao cliente. Entretanto, nem todas as variações na entrega de serviço são necessariamente negativas, e as modernas empresas de serviços estão começando a reconhecer o valor de se personalizar pelo menos alguns aspectos da oferta de serviços segundo as necessidades e expectativas dos clientes. 1.5.Serviço ao Cliente O serviço ao cliente está se caracterizando como um fator de mudança na forma de atuação das empresas por estar presente em praticamente a qualquer tipo de oferta. Além disso, o nível de serviço ao cliente pode influenciar diretamente a satisfação do cliente e, por consequência, o resultado das organizações frente aos seus concorrentes. (Stock e Lambert,2001). O objetivo central do serviço ao cliente, para as empresas, repousa na repetição de compras do cliente, resultando em sua retenção ou lealdade. (Vavra e Pruden,1998). Ainda para esses autores, a criaçãode valor na oferta, que pudesse levar a esse tipo de resultado, deveria ser trabalhada tanto no momento anterior à experimentação do produto ou serviço, com ações relativas a comunicação, quanto posteriormente, quando o produto ou o serviço já conhecido, implementando ações relativas a manutenção dos padrões de qualidade, com o estabelecimento de relacionamento duradouros com os clientes e pela facilitação dos processos de compra e entrega do produto ou serviço. De acordo com Berman e Evans (1995), os serviços ao cliente se caracterizam como atividades identificáveis, porém, intangíveis, que têm como propósito atrair e manter os clientes, maximizando as vendas e os lucros. Alguns autores, por sua vez, abordam os serviços aos clientes como uma forma de orientação da empresa que busca seu diferencial na satisfação dos clientes por meio da prestação de serviços, o que inclui a distribuição física dos produtos, os serviços agregados a eles e qualquer outro serviço relacionado ao cliente. (Gronroos,2000). Basicamente, o serviço pode ser entendido em três dimensões: 1. como uma atividade, sugerindo que ele pode ser gerenciado; 2. em termos de níveis de desempenho, desde que possa ser mensurado com precisão; 3. como uma filosofia de gestão, salientando se a importância da função de Marketing, a qual deve ser orientada para o cliente. Com base nessas três dimensões, emerge outra definição de serviço ao cliente: O serviço ao cliente é um processo cujo objetivo é propiciar benefícios significativos de valor agregado à cadeia de suprimentos de maneira eficiente em termos de custos. (La Londe, 1988). Nesta edição ,Bowersox (2001) destaca que o desempenho dos serviços prestados, em nível de excelência, tende a agregar valor a todos os partícipes da cadeia de suprimentos, e não somente aos clientes. Cabe comentar que a dimensão filosófica proposta por La Londe (1988), pode ser compreendida, também, como uma visão estratégica da empresa, orientando seu processo de tomada de decisões, na definição de seu posicionamento e na implementação de ações mercadológicas, fazendo com que a empresa desenvolva uma cadeia de valor diferenciada. Consoante a isso, Heskett e La Londe (1998) afirmam que tal visão estratégica está centrada em quatro pilares básicos: 1. o serviço de entrega; 2. a estratégia operacional; 3. o conceito do serviço, ou o valor agregado à oferta; 4. os segmentos de mercado em que a empresa atua. 1.6. Elementos do Serviço ao cliente O serviço ao cliente está fortemente relacionado à interação existente entre a parte vendedora ( fornecedor) e a parte compradora (cliente). Considerando tal interação entre as partes envolvidas, o serviço ao cliente, em essência, pode ser examinado a partir de três grupos de elementos: pré transacionais, transacionais e pós transacionais. No entanto, é pertinente comentar que o grau de importância de cada um desses grupos de elementos varia de empresa para empresa, dependendo das características do negócio e , principalmente, de acordo com as necessidades e desejos dos clientes. (Stock e Lambert, 2001). Os elementos pré transacionais do serviço ao cliente são aqueles relacionados à política de serviços, programas da organização, estrutura organizacional, recursos disponíveis, bem como à flexibilidade do sistema de entrega dos serviços. Os elementos transacionais são aqueles atributos diretamente envolvidos na performance da função de distribuição física, como, por exemplo, a confiabilidade do produto e a responsabilidade da entrega. Finalmente, os elementos pós transacionais são aqueles que propiciam o suporte necessário ao produto enquanto este estiver em uso, como, por exemplo, garantia do produto, reposição de peças ou componentes, assistência técnica, SAC – serviço de atendimento ao cliente e, até mesmo, a substituição. (Stock e Lambert, 2001). Empresas que pretendem se posicionar como uma oferta de serviços de valor superior devem, inicialmente, entender como seus clientes avaliam ou julgam os serviços, identificando o que eles mais valorizam. Assim sendo, os elementos do serviço ao cliente podem ser utilizados no sentido de agregar valor ao produto ofertado pela empresa em relação as suas características e benefícios que proporciona ao cliente, como, também, em relação aos concorrentes. É importante ressaltar que esta possibilidade de agregação de valor somente poderá se concretizar se o mesmo for percebido pelos clientes, devendo resultar em atividades exclusivas ou específicas que aumentem a eficiência e a eficácia da empresa, fortalecendo os acordos e o relacionamento com os clientes (Closs,2001). Como o valor é um constructo que está intimamente relacionado à percepção dos clientes em relação aos benefícios obtidos em contrapartida aos sacrifícios incorridos para a sua obtenção, a qualidade do produto torna se imprescindível, tanto para a satisfação, quanto para a percepção de valor dos clientes.(Zeithaml,1988). Nesse sentido, Garvin (1987) afirma que a qualidade inerente a um produto pode ser avaliada em oito dimensões. 1. performance; 2. característica do produto; 3. confiabilidade; 4. conformidade; 5. durabilidade; 6. serviços agregados ao produto ( SAC); 7. estética ( design ); 8. qualidade percebida. 1.7. Os Serviços ao Cliente como fonte de Vantagem Competitiva Uma vantagem competitiva sustentável existe quando a estratégia de criação de valor adotado por uma empresa não está sendo implementada pelos concorrentes atuais ou potenciais, e quando tais concorrentes não são capazes de imitar, nem por meio da duplicação nem da substituição, os benefícios provenientes de tal estratégia. (Barnes, 1998). De acordo com Porter (1985), uma vantagem competitiva sustentável no longo prazo é o esteio fundamental para o desempenho acima da média das organizações. O autor amplia a discussão, afirmando que tal vantagem competitiva pode advir de três estratégias genéricas, que são, respectivamente: liderança em custo, diferenciação e enfoque. Entretanto, o grande perigo é a não definição, por parte da empresa, de qual estratégia adotar, dificultando o estabelecimento ou a consolidação de um posicionamento mercadológico. A indefinição estratégica ou a falta de um posicionamento de mercado fará com que a empresa venha a não possuir qualquer vantagem competitiva em relação aos concorrentes, a qual está intimamente relacionada à criação de valor para o cliente podendo advir da redução do custo ao comprador ou da elevação do desempenho. Quando uma empresa insere sua oferta no mercado e deseja tornar altamente competitiva, surge uma decisão crucial para o seu sucesso ao longo do tempo. E esta decisão está relacionada ao seu posicionamento. Posicionamento este que diz respeito a como o mercado percebe tal oferta e a própria empresa, sua estrutura, marca, imagem e reputação, ou seja, é o lugar que a oferta ocupa na mente dos clientes atuais ou potenciais. ( Berkowitz,2000). Aliás Trout e Rivkin (1996) comentam, de maneira pertinente que posicionar se é simplesmente se concentrar em uma ideia ou mesmo uma palavra que defina a empresa nas mentes dos clientes ou consumidores. Nesse contexto, os serviços ao cliente representam uma importante fonte de diferencial competitivo para as empresas, pois se caracterizam como um aspecto intrínseco a praticamente todo e qualquer produto ofertado, tendo a finalidade de ajustar ou adaptar às necessidades e desejos dos clientes. (Kotler,2000). Cabe ressaltar que o ajuste ou adaptação da oferta em si provém da agregação de valor adicional aos produtos e à cadeia de suprimentos como um todo, de forma eficiente em termos de custos.Tal diferenciação, se perseguida pelas empresas que utilizam o serviço ao cliente como uma estratégia, tem sido percebida e valorizada pelos clientes, os quais entendem o serviço ao cliente como um diferencial, podendo refletir, assim, em uma vantagem competitiva para as organizações. (Levy,1992). Dessa maneira, alcançar e manter um nível superior de serviços que confira à empresa uma vantagem competitiva deve iniciar pelo entendimento das necessidades e desejos dos clientes e pelo gerenciamento do atendimento aos mesmos. Para Hooley(2001), os serviços, além de serem um importante meio de diferenciação na compra de diversos tipos de produto, se prestados em um nível de qualidade superior ou de excelência podem criar um vínculo significativo entre o fornecedor e o cliente, fidelizando seu consumo, minimizando a busca de alternativas de fornecimento e menos suscetível a ofertas de preços mais baixos por parte da concorrência, agindo, assim, como uma barreira à entrada de competidores ou à substituição de fornecedor. No entanto, La Londe (1998) que a diferenciação, na verdade, se dará na forma como a empresa presta seus serviços, não apenas cumprindo uma exigência do mercado, mas suprindo ou excedendo as expectativas de seus clientes, utilizando os serviços ao cliente, efetivamente, como uma fonte de diferenciação e, por, consequência, de uma vantagem competitiva sustentável ante a concorrência. A diferença entre as empresas, deste modo, é evidenciada na forma como o serviço ao cliente é desempenhado, o que reforça a dimensão filosófica do serviço ao cliente, compreendida como a utilização dos serviços de forma estratégica pela empresa no intuito de estabelecer um diferencial competitivo. Emerge, assim, um novo desafio para as empresas, que é o de reduzir o número de clientes que tiveram experiências negativas e que propagam o seu sentimento negativo a outras pessoas e criar defensores que, por meio da propaganda boca a boca positiva se transformem em protetores da empresa, de sua marca e de seus produtos por terem tido suas expectativas supridas ou até mesmo excedidas pelo benefício provenientes de um serviço de alto valor.( Schneider,1999) Logicamente, a criação de valor superior resulta de uma gestão equilibrada dos condutores de valor da empresa, ou seja, dos ativos ou recursos disponíveis, das habilidades exclusivas de determinadas áreas, da cultura corporativa, de sua organização em relação aos seus processos e da qualidade dos recursos humanos que podem vir a sustentar uma vantagem competitiva. ( Clark,2004) Percebe se então, que as áreas de Marketing e Operações e Logística precisam estar integradas nas empresas, vivenciando na prática, os conceitos de sinergia e coordenação interfuncional. Para Stock (2001), há uma relação significativa entre as definições provenientes do Marketing e da Logística, tanto no que se refere à satisfação de clientes, quanto à maximização do lucro da empresa no longo prazo e à redução de seu custo total, dado um nível aceitável de serviço ao cliente. Por isso, um dos indicadores mais expressivos dessa nova realidade, ou um elo entre essas áreas de extrema importância estratégica para os negócios, é o serviço ao cliente. De certa maneira, a empresa que formaliza sua política de serviço ao cliente, que inclui disponibilidade de estoque, velocidade de entrega e acurácia, atendimento ao cliente e operacionalização de seus processos, demonstra estar dando o primeiro passo rumo ao sucesso. Interface entre Marketing e Logística A nova realidade, a qual ainda deve ser melhor difundida no meio empresarial, que apresenta a interface desejável entre o Composto de Marketing da empresa e suas respectivas decisões, ações e aspectos estruturais ligados à Logística. Além disso, também são levados em consideração: o mercado, a arena dos negócios, a inserção do serviço ao cliente, estratégia competitiva e a dimensão comportamental dos clientes.( Reinehart,1989) Composto de Marketing � Produto � Preço � Praça � Promoção Operações e Logística � Instalações � Estoque � Processamento de Pedidos � Transporte Estratégia de Serviços ao Cliente � Expectativas do Cliente � Transação � Performance do Serviço ao Cliente � Percepção do Serviço ao Cliente Satisfação ou Insatisfação do Cliente 1.8.Orientação para mercado e relacionamento com clientes Day (1994) observa que a orientação para o mercado tem sido enfocada como um tema crucial no estudo de questões atinentes à área mercadológica, principalmente pelas mudanças ocorridas no mercado, intensificação da competitividade no ambiente de negócios e pelo fato de que as expectativas, necessidades e desejos dos clientes constituem um processo evolutivo. Com base nesses argumentos, relacionar a orientação para mercado com o estabelecimento, manutenção e desenvolvimento de relacionamento mais estreitos com os clientes torna se oportuno e justiçável.A orientação para o mercado é compreendida por três componentes fundamentais, segundo Narver (1990), são eles: 1. a orientação para o cliente; 2. a orientação para a concorrência; e 3. coordenação interfuncional ( estratégia operacional A orientação para o cliente deve contemplar um conhecimento aprofundado sobre o mercado alvo da empresa no que diz respeito à criação sistemática de valor ao cliente. A orientação para a concorrência pressupõe que a empresa deva conhecer os pontos fortes e fracos de concorrentes atuais e potenciais. Finalmente, a coordenação interfuncional abarca a utilização integrada dos recursos organizacionais na criação de uma oferta de valor superior aos clientes. Além desses elementos comportamentais, os autores propõem, ainda, o foco no longo prazo, baseado na construção de uma cultura corporativa coerente com este tipo de direcionamento estratégico, e na lucratividade, caracterizada como sendo um objetivo do negócio. Nesse contexto, Slater (1995) postula que a orientação para o mercado é valiosa porque faz com que a organização enfoque a busca contínua de informações sobre seu mercado alvo, competências e limitações de seus concorrentes, empregando essas informações na criação sistemática de valor superior ao cliente. De uma perspectiva mais filosófica, inicialmente, Deshpandé e Slater (1993) definiram a orientação para o mercado como um conjunto de crenças organizacionais que colocam os interesses do cliente em primeiro lugar no intuito de desenvolver e consolidar a lucratividade da empresa no longo prazo. Ressalta se que, de forma alguma, os autores deixariam de considerar os interesses dos demais públicos partícipes da evolução do negócio, sejam os acionistas ou proprietários, sejam os colaboradores, tanto em nível gerencial, quanto operacional. Entende se, portanto, que a orientação para o mercado e seus preceitos contribui para a prática de relacionamentos mais estreitos entre as empresas e seus clientes, principalmente considerando a inserção de serviço, seja por sua natureza, seja por suas características. Para tanto, Homburg (2002) identifica importantes dimensões a serem consideradas na definição estratégica de empresas que adotam o serviço como forma de diferenciação. Relação entre as Perspectivas da Orientação ao Serviço e Orientação para o Mercado Fonte: Adaptado de Homburg (2002). Orientação ao Serviço Nível Individual Nível Organizacional Parâmetros de Arranjo Estratégia de Negócio Organizacional Orientação para o Mercado Entender e atender as necessidades e desejos dos clientes Exercícios de Revisão – Unidade 01 1. Explique três características diferenciadorasdos serviços. 2. Por que os serviços são intangíveis ? 3. Qual o objetivo central do serviço ao cliente, segundo Vavra e Pruden, 1998 ? 4. Explique as três dimensões para a compreensão de um serviço. 5. Quais os elementos que compõem a interação entre o vendedor e o comprador de um serviço ? 6.Qual a importância da orientação para o cliente ? 7.Qual a importância da orientação do mercado e do relacionamento com os clientes? 8.Descreva o composto de marketing ? 9.Qual a diferença entre bens e serviços ? 10.De que forma podemos agregar valor ao cliente com a prestação de serviço ? 11.Quais os componentes fundamentais para a compreensão do mercado ? 12.Comente sobre a interface do marketing e a logística. 13. Segundo Garvin a qualidade inerente a um produto pode ser avaliada em oito dimensões. Comente sobre 2 dimensões. 14. Descreva as pontos fortes e pontos fracos da prestação de serviço de sua região. 15.Quais as estratégias podem ser implementadas na prestação de serviço de sua região? 16. Explique os quatro pilares da visão estratégica, segundo La Londe,1998. 2.Marketing de relacionamento com o cliente Algumas questões enumeradas por de maneira relevante para se pensar em marketing de relacionamento, das quais observamos nitidamente pelo mercado: 1) Ofertas de produtos e serviços cresce continuamente; 2) A concorrência aumenta, cria novas identidades de produtos e serviços especialistas; 3) A segmentação domina o mercado e amplia o seu diferencial se especializando; 4) Diante de tantos produtos, o diferencial é pouco percebido; 5) A vida de um produto e/ou serviço tem um curto período de tempo; 6) O aceleramento dos canais de distribuição tem uma atividade rápida, isso diminui a comunicação a tempo com o cliente; 7) A poluição de mensagens publicitárias nos meios da mídia, passa a ter uma característica de ruídos apenas, que confunde o consumidor, diante de tantas ofertas que concorrem entre si mesmas; 8) A característica das empresas para sobreviver é uma constante reestrutura, passa a ser um fato indiscutível de sobrevivência; 9) As mudanças no tempo e espaço, no aceleramento tanto da tecnologia e concorrência, nos pegam de surpresa; 10) Atualmente dois fatos são incontestáveis, tanto a pesquisa quanto uma previsão, não oferece segurança a tempo com relação à tomada de uma decisão com ação certa. “A mudança gerencial não pode ser feita de forma abstrata. Tem que ser feita com um pé no mercado e outro na tecnologia. Desta forma, as decisões podem ser tomadas com inteligência, medindo as oportunidades do mercado e, ao mesmo tempo, avaliando os recursos das empresas. Todos da gerência têm que estar totalmente conscientes da dinâmica de mercado. O marketing em que se tornar um processo de aprendizagem e na empresa.” 2.1.Hora de colocar um produto no mercado e hora de aceitálo “O tempo é um perigo sempre presente para qualquer negócio. A janela da oportunidade fica aberta durante um período muito curto. Os concorrentes podem entrar e aproveitar- se de seus erros. “A hora de colocar um produto no mercado é a preocupação principal de toda gerência. Hoje, a tecnologia e a informação estão em pé de igualdade. A informação é tão penetrante que logo que se torna visível numa tecnologia já está disponível a todos. A liderança tem uma duração muito menor no negócio de tecnologia do que em outros setores. Exige-se que todos mantenham um prazo para comercializar o produto no mercado, da diretoria aos gerentes de engenharia.” “As empresas têm que pensar no marketing desde o início. A parceria com alguns possíveis clientes, cuidadosamente selecionados, durante os estágios iniciais de desenvolvimento proporciona: 1) feedback contínuo ao pessoal de desenvolvimento; e 2) oportunidade de obter a aceitação do produto antes dele ser lançado no mercado.” “As empresas têm de ficar próximas de seus clientes após o lançamento do produto, verificando o que gostaram, não gostaram e seus desejos. Elas têm que ver os pontos fracos do produto segundo a ótica de seus clientes. Porém as empresas têm que fazer mais do que apenas monitorar a resposta aos seus produtos. Têm também que reconhecer e corrigir os problemas, e olhar para frente, em direção ao futuro, aos avanços tecnológicos, à ampliação para novas gerações, além de oferecer suporte e serviços.” (Mckenna, 1999) “A única forma de impedir que o tempo se torne um inimigo é desenvolver relações fortes com o cliente e a infra estrutura. A gerência das empresas tem que ouvir os clientes e estar aberta ao que ouvem. Tem também que ficar de olho na concorrência. Não há nada de paranóico em ser paranóico em relação à concorrência.” 2.2. O surgimento dos “ outros” Os avanços tecnológicos permitiram ás empresas elaborar e produzir produtos eficazes em relação ao custo para segmentos de mercado cada vez menores. A tecnologia é capaz de produzir uma variedade quase que infinita de opções de produtos. Os consumidores, por sua vez, têm mais escolhas. Hoje, eles valorizam a escolha; não são necessariamente fiéis a uma marca. Com tantas opções, o poder está em suas mãos. Pode ser bastante instável quanto ao que comprar e onde comprar. Como, então, criar, e manter, a fidelidade do cliente? Como criar uma posição para você e seus produtos que gere a fidelidade do cliente?” “Chegou a hora de redefinirmos o conceito de marketing e posicionamento. O conceito promocional padrão precisa ser abandonado em favor de uma abordagem baseada nas relações com o cliente e com a infra estrutura do setor. Para entendermos a importância dessa abordagem, analisemos alguns dos novos temas em marketing.” Apresentação do produto para o mercado segundo Produto: Competição, a referência deste produto junto ao mercado, desde a qualidade, a representatividade, o canal de distribuição, enfim, desde o projeto do produto a sua colocação nas mãos dos clientes. Tecnologia: Utiliza os últimos recursos que a tecnologia oferece para produzir o melhor produto com mais qualidade e competitividade? Tempo: As mudanças ocorridas no mercado são cada vez mais rápidas, desta feita, é possível seguir no mesmo espaço do cronograma de lançamento e no momento certo? Serviço e suporte: Esta estrutura é a base vital para se manter um bom relacionamento com o cliente. Pessoal: O diferencial de uma empresa vem dos recursos maior que ela possui, o RH, são eles que faz a diferença, a máquina, a tecnologia não é nada se as mãos e a mente dos que verdadeiramente operam não corresponderem, daí a importância do talento, da arte, da criatividade, inventividade. A paixão pelo trabalho, a necessidade deve ser apenas a consequência da ação. Interessante a colocação de Mckenna sobre as relações num todo sobre o mercado, a capacidade que tem a empresa de seduzir seus clientes, na capacidade de construir projetos com parcerias capazes de competir com o mercado, e a relação com fornecedores, mesmo que não sejam assim laços de afinidades, mas de necessidades, relações de mútuos comprometimentos em benefício próprio. 2.3.Marketing é uma questão de criar mercados, não de participar do mercado “Trata-se claramente de uma batalha de recursos que apenas as empresas bem financiadas e com abundância de recursos podem travar. Mas existe outra estratégia que permite ao empreendedor, inovador e pequeno jogador ganhar. Essa nova estratégia é a criação de um novo mercado.” “As estratégias de participação no mercado e de criação de mercados exigem raciocínios diferentes. As estratégias de participação no mercado são comuns em setoresde bens de consumo desenvolvidos, como o de refrigerantes e aluguel de carros. A ênfase está na propaganda, promoção, preço e distribuição. Os clientes estão interessados principalmente no preço e na disponibilidade dos produtos. A diferenciação de produtos é, em grande parte, apenas maquilagem. Os fornecedores que tiverem os melhores recursos financeiros provavelmente terão a maior participação no mercado.” “Ao criar novos mercados, o pessoal de marketing deparou-se com muitos obstáculos. Primeiro, não pode se basear muito nas analogias e estudos de caso, como exemplo. Quando os produtos ou serviços são radicalmente novos e diferentes, os antigos produtos e serviços não podem oferecer muita ajuda. O computador pessoal, por exemplo, não tinha boas analogias.” “Em mercados desenvolvidos, o marketing é como um jogo de handebol – um ambiente fechado com poucos jogadores. Porém, em mercados emergentes, o marketing é como o futebol – um campo aberto com diversos jogadores, vários possibilidades e várias opções.” “Uma mentalidade de criação de mercado requer também uma visão diferente dos padrões do setor. As empresas têm que pensar em criar novos padrões, não em seguir os já existentes. Isso envolve um risco maior, mas as recompensas podem ser muito maiores.” 2.4.Marketing tem a ver com processo, não com táticas promocionais “Para criar posições duradouras no mercado, primeiro as empresas têm que criar relações fortes. Têm que desenvolver relações com os clientes, fornecedores, distribuidores, revendedores, pessoas influentes no setor e membros da comunidade financeira. Têm que tirar proveito da infra estrutura – as pessoas e empresas chave que fazem o setor ir em frente.” “As abordagens voltadas para o mercado envolvem o diálogo entre a empresa e o cliente, e entre a empresa e o mercado. Produtos, serviços e abordagens ao mercado são alterados, modificados, mudados e, frequentemente, criados por esses diálogos.” “Os produtos tecnológicos ou qualquer produto ou serviço complexo ou de alto risco exigem mais aceitação do que conhecimento. As referências e relações têm um papel importante nas decisões de compra desses produtos.” 2.5.Marketing é qualitativo, não quantitativo “Os homens de negócio adoram números. Os números fazem com que se sintam seguros. Porém, em mercados emergentes, raramente se pode confiar em números. O pessoal de marketing que se baseia em números tem poucas possibilidades de sucesso.” Na colocação do autor, não se pode confiar em números como previsão futura atualmente, pela mobilidade do mercado sobre os efeitos qualitativos ambientais, dentro do conjunto de informações em fluxos constantes de mobilidades e atualizações tecnológicas. “As empresas iniciantes com produtos realmente inovadores, criadores de mercado, muitas vezes têm dificuldade de levantar capital, pois não conseguem dimensionar com precisão o possível mercado. As empresas de capital de risco nem sempre se arriscam tanto se não conseguirem colocar números no mercado. Quaisquer previsões em tais circunstâncias são apenas indicadores. Muitos fatores influenciam a adoção do produto. Além disso, os mercados não existem independente do produto ou das pessoas que os criam.” “Precisamos de mais empresas que ajam de forma empreendedora. Os empreendedores bem-sucedidos não se preocupam com as projeções estatísticas do mercado. Não se importam se as projeções mostram um mercado de 5 ou de 500 milhões de dólares. Planejam a estratégia de forma qualitativa. Simplesmente investem nas boas idéias, transformam-nas em produtos, ajustando-os constantemente às necessidades do mercado. Criam suas próprias oportunidades, esforçando-se o mais que podem, com a maior rapidez possível.” “As abordagens quantitativas ao marketing frequentemente ignoram o ambiente. Vêem os produtos como objetos isolados, que podem ser definidos pelas estatísticas e especificações. Porém, no mundo real, os produtos não são objetos isolados. Existem apenas no contexto de seus ambientes. Abordagens qualitativas ao marketing usam o ambiente como um guia para ajudar as empresas e atender produtos e mercados.” “O ambiente funciona como uma lente através da qual o cliente vê o produto. Á medida que o ambiente sofre mudanças, a opinião do público sobre o produto também muda – mesmo se o produto em si não tiver mudado nada. Com o avanço tecnológico, os produtos antes considerados de ponta começaram a se tornar mundanos. Á medida que o preço caiu, os produtos que antes pareciam baratos hoje parecem caros. Á medida que surgem novas questões, eles se tornam parte do ambiente.” Marketing é trabalho de todos “Marketing é desenvolver e manter relações com a infra estrutura e com os clientes. É integrar os clientes no projeto, desenvolvimento, produção e processo de vendas da empresa. A fim de obter uma posição de destaque em qualquer setor, a empresa inteira tem que pensar em termos de marketing. Agindo como vendedores, o pessoal de engenharia e desenvolvimento pode ter uma melhor noção do que desenvolver, mudar, e de como encaixar o produto nos sistemas que o cliente possui. Atualmente, não é segredo algum que os departamentos de produção estejam participando de atividades de marketing.” Na definição do autor, marketing é uma viajem na lua, em criar mercado, com a forma de desenvolver, é mais qualitativo do que quantitativo, é integrado com o todo. 2.6. Marketing de relações, tudo começa com o consumidor “O posicionamento começa com o consumidor. Os consumidores pensam sobre os produtos e empresas comparando os com outros produtos e empresas. O que realmente importa é como os possíveis clientes e os já existentes vêem uma empresa em relação às concorrentes. Os consumidores definem uma hierarquia de valores, desejos e necessidades com base em dados empíricos, opiniões, referências obtidas através de propaganda de boca e experiências anteriores com produtos e serviços. Usam essas informações para tomar decisões de compra.” “Na verdade, no coração de toda boa estratégia de marketing está uma boa estratégia de posicionamento. Porém, o posicionamento não é bem o que você diz acerca de seu produto ou empresa aos clientes, mas o que você faz com seus clientes para definir sua posição no setor. […]Na era da informação não se pode mais fabricar uma imagem. A distancia entre a percepção e a realidade está diminuindo. Além disso, em um mundo onde os consumidores têm tantas opções, eles podem ser instáveis. Isso significa que o marketing moderno é uma batalha pela fidelidade do cliente. O posicionamento tem que compreender mais do que a simples consciência de uma hierarquia de marcas e nomes de empresas. Demanda uma relação especial como o clientes e a infra estrutura do mercado.” “Se as empresas quiserem desenvolver um estilo de marketing adequado a essa era de transformações rápidas, têm que começar com uma nova abordagem ao posicionamento.” “O posicionamento é vital ao sucesso. Todos os componentes do marketing – estratégia competitiva, preço, embalagem, distribuição, serviço, assistência técnica, comunicação – estão inter-relacionados na estratégia de posicionamento. Se os produtos de uma empresa forem inadequadamente posicionado, o problema pode estar em sua elaboração, fabricação ou marketing.” “As empresas que atuam em mercados estáticos costumavam se diferenciar simplesmente não sendo as maiores, mas oferecendo o melhor serviço.” (Mckenna, 1999) “O posicionamento de uma empresa ou de um produto é, de certa forma, como o desenvolvimento da personalidade de uma pessoa.” O posicionamento dinâmico considera o todo se inter-relacionando, ou seja, mercado, produto e empresa, o destaque maior sobre esse processo é a dependência de ambas as partes.“Os fatores intangíveis baseiam-se na opinião dos consumidores, não em dados e estatísticas. O marketing não é um processo racional. Preços baixos e especificações do produto nem sempre conseguem vende-lo. Ao contrário, os fatores intangíveis são a chave para a construção de relações com os consumidores e a conquista de um posicionamento sólido do produto.” “O posicionamento dinâmico traça uma linha em comum em todas as partes da empresa, conectando-as, em seguida, ao mercado. O posicionamento dinâmico tem que ser parte da organização total e, em troca, terá uma grande influência sobre todos os aspectos da organização.” a) Empresa: A referência quanto a sua imagem, para os funcionários, para o mercado tem haver com as relações e intercâmbio com a sociedade como um todo, de fato, é a partir do posicionamento que se abrem caminhos e se integra junto com a comunidade financeira. b) Planejamento do produto: As mudanças constantes obrigam os responsáveis desta área a estar mais perto dos acontecimentos a sua volta, observar o termômetro do ambiente competitivo. c) Marketing: Está constantemente em parceria com toda a estrutura da empresa, tanto interna quanto externa nos relacionamento, monitorando o projeto do posicionamento. d) Saúde Financeira: O posicionamento é um marco que colabora com a situação financeira, e sendo forte, a maior abertura é facilitada. “O posicionamento dinâmico é particularmente importante nas vendas, pois vendedores bem-sucedidos não vão atrás apenas de pedidos, mas de relações com os clientes.” “O conhecimento de um vendedor sobre seus produtos e sua adaptação aos ambientes muitas vezes voláteis de seus clientes pode ser a linha divisória entre o sucesso e o fracasso das empresas.” Exercícios de Revisão – Unidade 02 1. Marketing é qualitativo, não quantitativo. Explique a afirmativa. 2. Explique o que é o posicionamento de uma empresa ou de um produto. 3.Qual a importância do marketing em uma organização ? 4.Por que marketing é criar novos mercados ? 5.Qual o processo fundamental exercido pelo setor de marketing ? 6.Qual a importância da análise SWOT, no desenvolvimento de estratégias ? 7.Quais são as 5 forças competitivas de Porter ? 8.De que forma podemos coletar informações relacionadas ao mercado ? 9.Por que devemos analisar o mercado antes de fazermos parte dele ? 10.Escolha um produto qualquer e desenvolva uma estratégia de venda para o mesmo. 3. Prestadores de Serviços Logísticos ( PSLs) 3.1. Conceito Existem várias formas encontradas na literatura internacional para denominar e conceituar as empresas prestadoras de serviços logísticos. Fleury (1999) cita que expressões como provedores de serviços logísticos terceirizados; provedores de logística integrada; empresas de logística contratada e operadores logísticos são alguns dos termos comumente usados na literatura para denominar empresas prestadoras de serviços logísticos. Internacionalmente, a denominação mais utilizada é a 3PL, enquanto, no Brasil, costuma-se usar o termo operador logístico. Já a ABML – Associação Brasileira de Movimentação e Logística, apresenta uma definição mais específica de operador logístico: “ operador logístico é o fornecedor de serviços logísticos, especializado em gerenciar todas as atividades logísticas ou parte delas, nas várias faces da cadeia de abastecimento de seus clientes, agregando valor ao produto dos mesmos, e que tenha competência para, no mínimo, prestar simultaneamente serviços nas três atividades consideradas básicas: controle de estoques, armazenagem e gestão de transportes “ Serviços comumente prestados pelo operador logístico ou 3PLs : gerenciamento de armazém, consolidação de carga, sistemas de informação, operação ou gerenciamento de frota, negociação de frete, seleção de transportadora, emissão de pedido, importação e exportação, retorno de produtos, processamento de pedidos, separação de produtos para clientes e reposição de estoques. Diferentes critérios são utilizados para caracterizar os operadores logísticos ou 3PLs. Alguns são mais rigorosos, exigindo que, para ser classificado como operador logístico, a empresa prestadora dos serviços deva realizar um amplo conjunto de atividades de forma integrada; deva ter capacidade para elaborar projetos, operações, gerenciamentos e , também, possuir contratos de longo prazo com seus clientes. Outros, menos rigorosos, consideram que qualquer empresa que realize alguma atividade logística sob contrato, para terceiros, com capacidade de planejamento, operação e gerenciamento, pode ser considerada um operador logístico. 3.2. Origem Conforme Novaes (2001), os prestadores de serviços logísticos têm origem em vários setores, principalmente na distribuição de produtos, da indústria propriamente dita e do setor de transporte e de armazenagem. No Brasil, a maioria originou-se das transportadoras rodoviárias de carga nacionais. No Brasil, tal ampliação de negócios é recente, sendo resultado da abertura econômica entre os anos de 1990 e 1993. Essa tendência foi reforçada a partir de 1995, com a chegada dos grandes operadores logísticos internacionais ( RyderLogistics, MaclaneLogistics, TNT logistics, Fedex, DHL e Penske Logistics) e de grandes indústrias estrangeiras ( Renault, Audi, Chrysler, Toyota e Honda). Segundo Fleury (2000), quanto à origem, são duas as principais fontes para o surgimento de operadores logísticos: ampliação de serviços e diversificação de atividades. No primeiro caso, as fontes são as empresas especializadas em transporte, armazenagem, informação, que , mediante parcerias ou aquisições, ampliam sua atuação, para oferecer um serviço ampliado e integridade logística para seus clientes. No segundo caso, encontram-se empresas industriais ou comerciais que, por terem desenvolvido alta competência para o gerenciamento interno de suas operações logísticas, decidem diversificar sua atividade econômica por meio de criação de empresa prestadora de serviços logísticos integrados para terceiros. 3.3. Classificação Conforme Sink (1997), os operadores logísticos podem ser segmentados com base em pelo menos cinco dimensões: serviços oferecidos, escopo geográfico de atuação, tipos de indústria que atendem, infra estrutura disponível e atividade de origem. Em relação aos serviços prestados, os operadores logísticos podem ser classificados em dois grupos básicos: os especialistas operacionais e os integradores. O primeiro grupo, segundo Fleury(1999), corresponde às empresas que oferecem serviços específicos, como, por exemplo, o transporte, a armazenagem, a consolidação ou a etiquetagem. Nesse caso, apesar de executar somente uma atividade básica, há possibilidade de adicionar valor ao cliente, incorporando serviços extras, como processamento de pedidos, reparo e controle de estoques. A competência básica desse grupo é a excelência operacional. As empresas do segundo grupo, por outro lado, são capazes de desenvolver e prover uma solução logística completa, uma vez que abrangem uma grande gama de serviços planejados e gerenciados de forma integrada. Também, nesse caso, é possível oferecer atividades extras, fora do conjunto de serviços básicos, como fazem algumas empresas de consultoria, ao desenvolverem projetos logísticos complexos para clientes específicos. 3.4. Linhas de Atuação Considerando que as empresas, mesmo concorrentes, não atuam da mesma forma, isso ocorre também com os operadores logísticos, que podem optar por três linhas de atuação, segundo Gorodovits (2001). Na primeira delas, um gestor terceirizado de fretesdesloca sua equipe in house, ou seja, sua equipe passa a conviver diretamente com o cliente nas instalações deste , às vezes ficando responsável por todo o processo ,desde o picking ( separação dos produtos a embarcar) até o controle de entregas e ocorrências, passando pela solicitação de coleta, procedimentos de embarque, além evidentemente, da seleção dos transportadores e da negociação com os mesmos. Outra forma de atuação é quando o operador logístico concentra suas atividades em uma determinada região e linhas de produto, e assim, pode negociar fretes com transportadoras para vários de seus clientes ao mesmo tempo, assegurando o incremento da carga em relação à negociação isolada de cada embarcador. E ainda há a opção de o operador logístico atuar a partir de seu próprio CD ( centro de distribuição, para onde migram os produtos de seus clientes embarcadores. Neste modelo, o operador fica mais independente. 3.5. Tendências para o Setor Segundo Neves (2004), a tendência é de que os PSLs posicionem se da mesma forma que ocorre atualmente no setor automobilístico, organizado em tiers (camadas ou fileiras). Desta maneira, no centro da teia de relacionamentos encontram se os grandes embarcadores que optarem por uma gestão logística própria e os grandes operadores logísticos, na sua maioria, empresas norte americanas. No primeiro cinturão ao redor, compondo o tierone, estarão as grandes e médias transportadoras, médios operadores logísticos, empresas de tecnologia e grandes provedores de serviços logísticos especializados ( knowhow). Na segunda camada ao redor, formando o tiertwo, estarão pequenas e médias transportadoras e diversos provedores de serviço especializados. Na periferia , estarão as microempresas de transporte, caminhoneiros autônomos e outras pequenas empresas prestadoras de serviços em logística. O resultado dessas transformações será o estreitamento cada vez maior do relacionamento das empresas prestadoras de serviços logísticos com o profissional ou entidade que contrata o serviço. E isso levará a impactos consideráveis na estrutura, estratégia e cultura das empresas logísticas. Sofrerão alterações o nível de cobrança, a forma de remuneração, metodologia de avaliação de desempenho, a relação comercial, as estratégias de marketing, as margens operacionais, etc. Ou seja, é importante que as empresas PSLs iniciem com as mudanças necessárias para estar no centro ou ao redor dos poucos que comporão o concorrido mercado dos operadores logísticos. Exercícios de Revisão – Unidade 03 1.Quais são as denominações que as empresas prestadoras de serviços logísticos podem receber ? 2.Explique o que é um operador logístico. 3.Quais os serviços prestados por um operador logístico? 4.Comente sobre os critérios para diferenciar os operadores logísticos. 5.Qual a origem no Brasil dos prestadores de serviços logísticos ? 6.Explique a segmentação dos operadores logísticos. 7.Escolha um operador logístico de sua região e realize uma pesquisa sobre suas atividades. 8.Quais as linhas de atuação de um operador logístico ? 9.Qual a classificação dos operadores logísticos em relação aos serviços prestados ? 10.Quais as tendências para o setor dos PSLs ? 11. Comente sobre os modais utilizados pelos PSLs de sua região. 4. Análise e Avaliação do Desempenho dos Serviços de Transporte 4.1. Introdução Não se administra o que não se mede. Com essa frase, Peter Ducker, uma das maiores referência mundiais da administração, destaca a importância do desempenho para as organizações. Com o passar do tempo a logística vem-se integrando de tal maneira as demais funções das organizações, tanto interna quanto externamente. Hoje, não se pode discutir desempenho de seu principal pilar, o transporte, sem considerar também o desempenho da organização inteira, bem como a cadeia de suprimentos em que está inserida. É claro que existem diversos níveis de tratamento desse problema, mas, no sentido mais amplo, quando se fala em transporte de cargas, deve-se discutir o desempenho da organização principalmente nos processos que agregam valor de tempo e espaço à produção. Transporte de cargas é isso: garantir o deslocamento de bens dentro de algumas condições temporais e de forma integra. Exemplificando, quanto vale seu jornalentregue na casa do vizinho, ou entregue dois dias depois, ou ainda entregue molhado? Medir o desempenho dos serviços de transporte é considerar quanto é atingido dos principais objetivos do sistema de prestação de serviço e do conjunto das operações realizadas. Duas abordagens são possíveis quando se trata de desempenho: ou realiza-se sua monitoração visando acompanhar seu comportamento ou procura-se, com base em comparações com referências ou metas preestabelecidas, identificar e executar ações no sistema para alterar seu comportamento e, consequentemente, seus resultados. 4.2.Evoução do Conceito de Desempenho O conceito de desempenho de sistemas logísticos e de transporte está muito relacionado com a evolução histórica da forma de gestão desses sistemas. Poist (1989) apresenta a evolução históricas da forma de gestão dessa evolução, identificando três eras logísticas distintas. Num primeiro momento, na era prélogística, a grande ênfase de gestão é voltada para o custo do transporte, quer seja na busca da redução do frete das frotas contratadas, quer pela redução de custos operacionais das frotas próprias. Nessa fase, o transporte era administrado como uma função independente das demais dentro da organização. Já na segunda era, denominada de logística propriamente dita, amplia-se o conceito de desempenho, passando a considerar primeiro os custos dos outros componentes da logística da organização, principalmente o estoque, e em seguida os aspectos relativos à qualidade e nível de serviço. Nesse momento, o desempenho dos serviços de transporte passa ser analisado não mais de forma estanque, começando a destaca-se a importância dos relacionamentos ou trade-offs entre custos e serviços logísticos, primeiro no âmbito da organização e depois em toda a cadeia logística. Na terceira era, denominada neologística, e que compreende o momento atual, a ênfase é no desempenho do sistema em relação a seu meio, sendo a logística não mais um subsistema com desempenho independente, mas integrado em toda a organização e externamente também, surgindo o conceito de cadeia de suprimentos, que engloba desde a matéria prima e todos os fornecedores envolvidos até o cliente final e todos os resultados para a sociedade. Dimensões anteriormente tratadas como externalidades, como por exemplo: os impactos ambientais e sociais passam a ser incorporadas nas análises de desempenho. No âmbito privado, o objetivo das organizações tem sido até hoje o aumento e a sustentação do lucro. Como essa variável nem sempre é de fácil mensuração direta nos processos, tem-se adotado a estratégia de recorrer a outros indicadores que influenciam a rentabilidade, como custos, qualidade, capacidade, prazo de entrega e flexibilidade. Essas medidas permitem a análise de processos e podem dar boias interferências do comportamento da rentabilidade. Um erro comum é o foco nesses indicadores secundários fazer perder de vista o objetivo principal da empresa, que é o lucro de longo prazo. No caso das empresas do setor público e outras que não visam ao lucro, esse entendimento deve ser um pouco diferente, sendo necessária a caracterização do objetivo fim da organização, que em princípio não é a rentabilidade. Historicamente, houve uma grande valorização das questões contábeis da organização. Sempre se utilizaram mediçõesfinanceiras para avaliação do desempenho, tais como retorno do investimento, crescimento de vendas e receita operacional.Como o que é medido tende a ser mais bem administrada, essa postura reflete a forma de gerenciamento dessas empresas. Por exemplo, o primeiro instrumento de planejamento empresarial foi o orçamento, e nas crises, as decisões que prevalecem tem sido sempre as financeiras. A partir da década de 80, com o movimento da qualidade e a grande pressão de competidores internacionais, aumenta o espectro da avaliação do desempenho, que passa a considerar não só os produtos e resultados, mas também os processos para obtê- los. Surge o conceito de benchmarking competitivo. O Benchmarking compreende a identificação de concorrentes e empresas de outros setores, que exemplifiquem a melhor pratica em alguma atividade, função ou processo, e a comparação do desemprenho da própria empresa com esse padrão de referência. Já nos anos 90, essa avaliação expande-se para fora dos limites da organização, para incorporar a satisfação dos clientes, sendo que atualmente começa a transcender seu mercado, considerando os impactos sociais e ambientais que a organização gera no meio em que está inserida. Hoje, os executivos reconhecem a importância de entender desempenho como um conceito mais amplo, bem como de incorpora-lo como parte essencial de suas estratégias. Outro movimento gradativo que vem acontecendo é o questionamento sobre se as clássicas medidas financeiras são tão relevantes no novo cenário empresarial. Essas tendências podem ser identificadas pelos seguintes aspectos conforme Haskett et al. (1997), relacionados com a medição de desempenho. • Cresce a utilização de medições relacionadas com a satisfação e a lealdade do cliente e empregados, taxas de inovação, segurança e saúde no trabalho, além das medidas clássicas de rentabilidade de investimentos, crescimento e fluxo de caixa. • As bases e referencias adotada vem deixando de ser apenas monetária. • As medidas que antes tinham uma grande ênfase no passado começam a incorporar elementos para predição do futuro. • Passam a apresentar não só os resultados de crescimento e lucro, mas também os determinantes que levam a esses valores. • Busca-se a identificação do potencial de desempenho futuro. Visando atender a essa tendência de mudança na forma de considerar desempenho, estão surgindo novas técnicas de análise e medição, entre as quais se destacam o Balance Scorecard e a ABC ActivityBasedCosting. O Balanced Scorecard foi proposto por Kaplan e Norton (1993). O objetivo dessa técnica é integrar as medições dos fatores críticos para o sucesso da organização, considerando em todas as suas perspectivas com a visão de futuro e os seus objetivos finais. As principais perspectivas consideradas são a financeira, os clientes, os processos internos e o aprendizado e crescimento. Já o ABC ActivityBasedCosting, vem contornar a excessiva ênfase financeira dos sistemas de avaliação de desempenho empresariais, incorporando outras dimensões nessa avaliação, na medida em que relaciona os custos dos recursos (pessoal, equipamentos e instalações) com atividades, processos e produtos, possibilitando um maior entendimento das causas e dos resultados do desempenho global da empresa. Os sistemas ABC exigem menor precisão que os de controle operacional, pois baseiam se em custos estimados. Fazem um tratamento em termos de custeio estratégico, possibilitando entender as relações causais entre os custos dos fatores de produção, inclusive os relacionamentos com questões gerenciais para fabricar um produto ou atender a um cliente. Segundo um dos criadores das técnicas ABC e Balanced Scorecard, Robert Kaplan (1999). 4.3. Fundamentos para Análise de Desempenho As discussões relativas ao tema desempenho têm origem na filosofia. Diversos pensadores discutem os predicados ou categorias atribuídas a um sujeito. Para Aristóteles existiram 10 categorias: substância, quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, posição, posse, ação e paixão ou passividade. Definir, para esse pensador, seria encontrar para um sujeito ou substancia seus atributos essenciais ou predicados, sendo importante diferenciar propriedades intrínsecas associadas à essência desse sujeito das propriedades transitórias ou acidentais referentes a ele. Já Kant reduz o conjunto de categorias para quatro: quantidade, qualidade, relações e modo. Além dessas reflexões, as definições de qualidade e quantidade auxiliam o entendimento do desempenho. Qualidade, segundo Japiassu (1989), é uma característica ou propriedade de algo, e quantidade designa uma grandeza apenas mensurável, abstraída da qualidade. Baseado nessas considerações sugere-se que desempenho seja entendido como o resultado da combinação das categorias de dado sujeito ou sistema, relacionado com sua finalidade ou essência e representando principalmente por qualidades e quantidades. Exemplificando, o desempenho de determinado serviço de entregas urbanas é obtido com base na combinação dos atributos importantes para atingir a finalidade do serviço; em termos qualitativos e quantitativos, pode ser representado, por exemplo, pela porcentagem de entregas corretas realizadas no prazo. Para mais facilmente identificar as finalidades do serviço, bem como os atributos relevantes, deve-se utilizar o enfoque sistêmico. Essa abordagem já foi discutida por diversos autores; com destaque para Meredith, Wong, Woodhead e Wortman, livro Design e Plannigofengineering systems, para maior aprofundamento no tema. Esse método, na verdade, é um modo de pensar que procura identificar o sistema em estudo, sua inserção no ambiente, sua composição e suas finalidades, facilitando a delimitação das variáveis endógenas e exógenas do problema e as figuras de mérito que possibilitam a verificação do cumprimento dos objetivos globais do sistema em estudo, ou seja, de seu desempenho. O sistema deve ser entendido como um conjunto de componentes que atuam juntos na execução de um objetivo global em determinado ambiente, ou seja, procura caracterizar a estrutura e a função de dado objeto em estudo e sua interação com o meio em que está inserido. Manhein (1979) propõe que um sistema de transporte pode ser visto como um processo em que recursos são consumidos para produzir serviços de transportes em um particular ambiente, caracterizado o transporte como uma função desempenho composta por duas funções relacionadas com os serviços produzidos e com os recursos utilizados. Para dado sistema de transportes, essa função é dependente dos recursos, dos serviços e do volume de demanda. Cabe complementar o modelo, incluindo os clientes como uma entrada do processo e a função satisfação como outra dimensão da função desempenho, conforme proposto por Lima. (1999) Essas relações podem ser exemplificadas para um terminal multimodal de carga que apresente pelo menos dois níveis de desempenho: congestionado ou não. Seu desempenho poderia ser representado por funções que relacionam volume de movimentação, tempo de permanência de veículos e cargas, horas de operação e custos. Nesse caso, poderia ainda ser considerado o nível de satisfação dos usuários, incluindo o grau de importância dado pelas diversas categorias de usuários (transportadores e embarcadores) para os padrões de custos e congestionamentos apresentados, ponderado por sua participação em termos de volumes de cargas ou receitas, por exemplo. Dessa forma, seria possível avaliar decisões relativas ao impacto do congestionamento na rentabilidade do terminal, bem como do pagamento ou não de horas extras para melhorar o nível de serviços, representados pelo tempo de permanência de cargas e veículos no terminal.Existe uma fundamentação teórica da microeconomia para essas questões que são tratadas no âmbito da teoria da firma, especificamente nos conceitos de função de produção e de custos. A função de produção é a relação que mostra qual a maior quantidade de produto possível com base na quantidade dos fatores de produção e a função custos, a relação entre as quantidades dos fatores de produção utilizados e seus respectivos custos. Como se pode verificar, para analisar um sistema em termos de desempenho é necessário representa-lo, ou seja, descreve-lo em termos de suas características e comportamento previsto de respostas e resultados. É necessário retratar o sistema em estudo, principalmente em relação à estrutura e forma em face do meio ambiente. 4.4. Desempenho nos Serviços de Transporte No âmbito das organizações, os sistemas operacionais criam com base nas entradas, utilizando recursos físicos, saídas que tem como função satisfazer aos desejos dos clientes, isto é, prover utilidades aos clientes. Considerando-se a utilidades produzida para os clientes, Wild (1979) sugere a existência de quatro funções principais. • Manufatura • Transporte • Suprimento • Serviços É importante considerar que essa classificação é teórica e dificilmente essas funções acontecem em sua forma pura; comum é encontrar nos processos produtivos uma combinação de ambas. Por exemplo, a movimentação de um contêiner de Santos para Campinas é um misto de transporte e serviço; o varejo é suprimentos com serviços e a distribuição, suprimentos e transportes. O transporte, em face de suas particularidades, apresenta algumas características que condicionam o desempenho de seus serviços, destacando-se entre elas as apresentadas a seguir: • Demanda derivada de outras atividades econômicas; • Mercados regulamentados ou sem diferenciação de produto; • Produção e consumo simultâneos, com o cliente participando dos processos; • Produção em movimento com interações com o meio ambiente físico; • Atividade-meio associada a uma rede de processos e parcerias; • Produto intangível; • Satisfação do usuário associada ao resultado e à participação no processo; • Produtos e processos heterogêneos; • Grandes oscilações espaciais e temporais de demanda; • Indivisibilidade de oferta; e • Diferentes tecnologias para a produção do serviço. Dessas características surgem algumas dificuldades a mais do que no caso de produtos físicos para se definir e quantificar o desempenho. O transporte é uma demanda derivada que gera utilidade de espaço. É desejado como meio para atingir outro objetivo que não a movimentação. Movimenta-se determinada mercadoria para coloca lá em um ponto-de-venda ou para seu destino final na casa de um consumidor. Não se realiza uma viagem como objetivo final. A intangibilidade e a grande diversidade de produtos dificulta a quantificação do desempenho. O fato de a qualidade do contato com o cliente e o grau de adequação a suas necessidades serem altamente variáveis e acontecerem durante o processo de produção do serviço torna as medidas de desempenho de difícil mensuração. Os serviços de transporte de carga são na verdade um pacote de benefícios explícitos (o transporte em si) e implícitos ( ex: segurança) apoiado por bens (veículos) e instalações (terminais) facilitadoras da operação, afetados pelo cliente que participa do processo, formando uma grande heterogeneidade de produtos (uma viagem é sempre diferente da outra). As empresas de serviços de transportes almejam maximizar seu desempenho de acordo com seus objetivos, que sempre incluem aspectos relativos a qualidade. Contudo, a intangibilidade dos resultados dos serviços torna a qualidade de difícil identificação, pois, em serviços, boa parte da qualidade final dos produtos está nos benefícios gerados aos clientes e é resultado do balanço entre expectativa e a percepção de desempenho dos clientes. Os resultados dos processos em serviços são heterogêneo e com baixa receptividade, levando à necessidade de criação de medidas de desempenho que levem em conta, além da diversidade de recursos, os multiprodutos obtidos dos processos. Enquanto na manufatura a produtividade está relacionada a uma programação de produção, em serviço, o consumo deve ocorrer simultaneamente à produção. De fato, a produtividade da mão-de-obra e demais fatores de produção é mais uma função de demanda prevista do que de demanda atual, complicando-se dessa forma a análise do desempenho. A maioria dos enfoques de desempenho de transporte de carga considera, segundo uma visão de curto prazo, os resultados imediatos de suas atividades empresariais, em vez de incorporar os resultados da interação com o ambiente extra organizacional. A atual tendência de consolidação de cadeias de suprimentos vai na direção contrária a essa, ampliando a consciência das empresas de que existem parceiros na cadeia logística e que o resultado tem que ser global. A avaliação do desempenho de um sistema logístico ou de transporte depende da ótica em que é analisado, podendo ter três abrangências distintas: a operação, o mercado e o ambiente. O primeiro enfoque aborda o sistema a eficácia do atendimento das necessidades dos clientes tanto individualmente quanto de forma coletiva, com uma abordagem eminentemente de operação. O segundo enfoque considera a eficácia do atendimento das necessidades dos clientes tanto individualmente quanto de forma coletiva, com uma ênfase mercadológica. Finalmente, quando considerados os impactos ou externalidades dos clientes tanto individualmente quanto de forma coletiva, com uma ênfase mercadológica. Finalmente, quando considerados os impactos ou externalidades ambientais, sociais e econômicas causadas pela operação do sistema em avaliação, tem-se a terceira abordagem. Essas formas de analise não são excludentes, mas encadeadas. 4.5.Avaliação de Desempenho Quando se considera um processo de avaliação de desempenho, três perguntas básicas devem ser respondidas: por que avaliar? O que avaliar? E como avaliar? Essas três respostas correspondem à definição da estratégia de avaliação a ser utilizada, quais dimensões e atributos deverão ser considerados, como estão inter-relacionados, e como realizar a medição das variáveis relacionadas, distinguindo-se as variáveis endógenas, e portanto controláveis pelo sistema, das variáveis exógenas, e portanto não controláveis. Cabe considerar que, para programar esse processo, duas outras perguntas devem ser respondidas: quando fazer? Quem será responsável? Por que avaliar desempenho? Discutindo um pouco a primeira questão – Por que avaliar? , tem-se como principal resposta a sobrevivência da organização, que só consegue agir adequadamente se tiver noção de seu desempenho. Podem ser identificados três objetivos distintos para a criação de uma sistemática de avaliação de desempenho. • A monitoração de variáveis e a antecipação de ações dentro de uma postura preventiva; • A resolução de problemas visando à eliminação de causas de insatisfações ou elevação do nível de satisfação, visando a um processo de melhoria continua. • A dissolução do sistema pela obsolescência de sua finalidade. O que avaliar como desempenho? Lima (1999) propõe um modelo para identificação de atributos de desempenho em sistemas de transportes com base no trabalho de Fielding et al. (1984), definindo relações básicas que devem ser monitoradas envolvendo recursos, produção, consumo e concorrência. Analisando se os serviços de transporte de cargas podem ser identificados quatro atores diretos no processo: os provedores de recursos (os fornecedores das empresas de transportee os funcionários), o transportador, seus concorrentes e os consumidores, além, é claro, de atores indiretos como o governo e a sociedade em geral. Em um dos planos estarão as relações entre provedores de recursos, produtor e concorrentes que definem os processos associados ao fornecimento de recursos, de vital importância para a sobrevivência da empresa. As relações entre os provedores de recursos, o produtor e os consumidores representarão dois outros planos, semelhante entre si, um relativo ao produtor dos serviços e outro relativo a seus concorrentes. Finalmente, o quarto plano compreende as relações entre o produtor, seus concorrentes e os consumidores e está associado à participação da empresa no mercado, onde os elementos de competitividade assumem maior importância. A existência e a importância relativa desses diversos planos para dada empresa é variável e depende basicamente da estrutura econômica dos mercados em que atua. Em mercados com característica de monopólio, sem diferenciação de produto e cujos mecanismos de participação estão associados apenas a preço, as relações mais importantes para as empresas estão associados ao componente de custos e fazem com que as mesmas priorizem as medidas de custo eficiência, definidas por Fielding et al. (1984). O mesmo acontece nos serviços regulamentados, em que a qualidade é uma restrição a ser atendida e não o fator de sobrevivência da empresa. Já em mercados como, por exemplo, os de concorrência monopolista e oligopólios, onde existe a possibilidade de diferenciação de produtos, a importância dos aspectos custo decai em relação aos aspectos de serviços-eficácia, sendo que outras dimensões competitivas passam a ter importância, entre elas a quantidade e a quantidade de atendimento a demanda. Existem alguns outros tipos de situações nas quais o aspecto qualidade passa a ter importância também. Exemplificando, os oligopsonios, monopsonios e os monopólios bilaterais, em que o poder dos consumidores é grande, criando condições efetivas para que consigam exigir maiores níveis de qualidade junto aos produtores. As relações entre recursos e resultados da empresa, ou seja, de custo-eficiência, são importantes para a rentabilidade de longo prazo e para as contribuições para a sociedade e o meio. Esse modelo está fundamentado na existência dos quatro vértices do tetraedro: os recurso, a oferta de empresa e de seus concorrentes e a demanda. A primeira preocupação para a estruturação de um sistema de medição de desempenho deve ser a identificação dos atributos representativos do desempenho de cada um dos vértices. No caso dos recursos, o esforço é voltado para a construção das funções de custos representativas do processo. Para a produção, tanto da empresa quanto da concorrência, deve-se identificar a função de produção envolvida relacionando os fatores de produção com medidas de quantidades (ex: tonelada movimentada) ou de momentos (veículos x quilometragem). Nessa etapa é necessário quantificar a capacidade dos processos, estimando as possíveis faixas de produção relacionadas com diferentes níveis de serviço e, se possível, incluindo outras variáveis relacionadas a qualidade. Em relação ao consumo, a principal função a ser obtida é a curva de demanda relacionada a preço e serviço. Como essa função não é obtida facilmente, procura-se obter elementos relativos ao volume de serviços consumidos, aos níveis de serviço realizados e ao nível de satisfação dos clientes. Com base nesses dados básicos, é possível a construção de medidas representativas das relações entre os atores e/ou vértices. No relacionamento “recursos – produção”, as medidas devem estar associadas aos aspectos de eficiência técnica dos processos; no relacionamento “produção – consumo”, medidas de eficácia e de competitividade; e no relacionamento “recursos – consumo”, medidas de eficiência econômica. A maior ou menor ênfase dada a cada uma das relações é função da estratégia adotada pela empresa. Em termos de estratégia, Porter (1989), analisando a competitividade de empresas, desenvolveu um modelo no qual identifica três formas básicas de competição: diferenciação em custos, diferenciação em produto e em nicho de mercado. Na competição por custos, a empresa desenvolve sua produção no mesmo nível de qualidade que as demais, mas com custos menores, o que acaba possibilitando margens a serem repassadas, total ou parcialmente, a seus distribuidores ou consumidores finais. Na competição por diferenciação de produto, a empresa, para os mesmos níveis de custos das demais, oferece produtos com melhor qualidade no mercado ou com outra forma de diferenciação (tempo, flexibilidade, inovação). O autor destaca que esses produtos, conforme a situação, poderão ter preços superiores aos demais. Na competição em um nicho de mercado, as duas estratégias apresentadas anteriormente são aplicadas em determinado segmento de mercado bastante especifico. Para implementação dessas três estratégias, cinco dimensões podem ser consideradas: custo, qualidade, tempo, flexibilidade e inovação. Nesse ambiente, o serviço de transporte, bem como o serviço logístico em muitas situações, é utilizado como elemento de diferenciação dos produtos nos mercados em termos de prazos, disponibilidade, integridade ou redução de custos. Diferenciação de produtos pelo desempenho de serviços já é hoje uma realidade, sendo que os serviços logísticos possibilitam uma maior competitividade para determinadas mercadorias. Nesses casos, o desempenho é uma variável de resultado. Os tipos de mercados podem influenciar bastante o tipo de estratégia competitiva a ser adotado pela empresa. Em mercados de difícil diferenciação de produtos e nos quais impera a competição em custos, a ênfase do desempenho será neste aspecto; já outros casos essa dimensão fica secundária; aspectos de diferenciação de serviços passam a ser mais valorizados. No contexto governamental e das organizações não governamentais (ONGS) em que, teoricamente, não estão inseridos ambientes competitivos, outras variáveis são valorizadas, entre elas a equidade, isto é, tratar todos de forma igual, ou outras relacionadas ao bem estar social. Basicamente, a questão colocada “O que avaliar?” pode ser respondida sugerindo-se a avaliação das relações contidas no tetraedro apresentado e suas interações com o meio ambiente, com prioridades que reflitam o tipo de mercado e estratégia em que a empresa está inserida. Como avaliar desempenho? O esquema de classificação adotado por McLaughlin e Coffey (1992) para produtividade é bastante útil para auxiliar na descrição e na seleção de medidas de desempenho de serviços de transporte de cargas. Essa classificação é baseada em três componentes: a complexidade das entradas e saídas, o grau de adequação às necessidades dos clientes e o nível de agregação das medidas. Cabe destacar uma delas, a Data EnvelopmentAnalysis (DEA), baseada em programação matemática, que possibilita análise comparativa entre diversas unidades produtivas, inclusive com significativas diferenças em termos de fatores de produção. Essa técnica é baseada na construção de fronteiras de produção. O DEA possibilita a análises comparativas de processos com escalas diferentes com o auxílio da fronteira de produção, possibilitando a hierarquização dos processos segundo um critério de desempenho previamente definido. Sugere-se a leitura de Novaes (1996), para o leitor que deseje mais elementos sobre o assunto. Outra técnica, embora não identificada por Lovelock (1992) muito útil para a avaliação de desempenho, é o AnalysisHierarquicProcess (AHP), proposto por Saaty (1990). Essa técnica possibilita, segundo critérios no processode avaliação de desempenho, diferentes visões dos técnicos responsáveis pela tomada de decisão inclusive com a ponderação das importâncias dos diferentes atributos. A aplicação dessas técnicas pressupõe a existência de um constructo representativo do desempenho. Essas definições estão bastante relacionadas com o ambiente em que estáinserida a organização. Se esse ambiente for competitivo, serão as variáveis importantes para esse mercado que definirão os atributos a serem considerados na avaliação do desempenho. 4.6. Medição de Desempenho Para a realização de uma efetiva avaliação de desempenho é necessário desenvolver o processo de medição do desempenho: • Definição de quais atributos ou tipos de fatores, como tempo, custo, nível de serviço, qualidade, são críticos para que o sistema atinja suas finalidades. • Mapeamento dos processos interfuncionais usados para obter resultados e identificação das relações de causa e efeito existentes; • Identificação dos elementos críticos e das capacidades necessárias para a execução dos processos satisfatoriamente; • Concepção de medidas que monitorem esses elementos e capacidade e respectivos padrões e metas. O objetivo básico de um processo de medição de desempenho é o planejamento e controle organizacional. O objetivo deve ser a concepção de um sistema de indicadores, buscando-se a montagem da cadeia de causa e efeitos tentando relacionar as ações operacionais com os resultados que afetam e com as metas e padrões a serem atingidos. Deve se também buscar um balanceamento dos componentes do sistema visando à capacidade desejada e ás demandas do mercado, minimizando ociosidades e desperdícios. Durante o processo de medição é importante considerar os possíveis comportamentos dos indicadores em função do comportamento do sistema. Existem três comportamentos típicos: • O sistema atinge um estado estacionário estável com o passar do tempo, isto é, após um regime de transiente, atinge um equilíbrio. • O sistema nunca chega nesse estado; • Existem oscilações periódicas. Associado a essa classificação tem-se ainda o conceito de regime, em que o sistema encontra-se em um estado de equilíbrio, e transmite, quando o sistema não atingiu esse estado. No segundo caso, sua variação pode ser representada em termos de valores absolutos e em termos da distância que se acha em relação ao estado estacionários ou de equilíbrio. Um problema com em sistemas de medição projetados sem muito critério é a profusão de indicadores, dificultando as análises em função de muitos dados, tirando o foco das análises dos fatores críticos de sucesso. O trabalho de Sink (1985) é bastante adequado para a definição dos atributos para avaliação de desempenho de uma empresa. Define ao menos sete medidas de desempenho de sistema organizacional distintas, contudo, não necessariamente exclusivas. • Eficácia; • Eficiência; • Qualidade; • Lucratividade; • Produtividade • Qualidade de vida no trabalho; • Inovação. E essa estrutura proposta por Sink (1985) deve ser dado um tratamento mais abrangente, principalmente em relação ás questões de mercado e de bem estar econômico, social e ambiental. Essas questões não são facilmente representadas por indicadores. O banco mundial propõe, para os projetos que avalia, uma estrutura de medição que considera as entradas de recursos, as atividades dos processos, as saídas, os resultados e impactos, desde que bem caracterizados o objetivo do projeto e as hipóteses críticas e os riscos associados. A questão ambiental, por exemplo, envolve atributos relativos à poluição do ar, da agua e da terra, geração de resíduos sólidos, riscos de acidentes e ruídos. Esses atributos não são de simples quantificação, e diversas dificuldades surgem na avaliação de desempenho que considera esses aspectos, existindo extensa literatura sobre o assunto. Cabe destacar que a definição de eficiência proposta por Sink (1985) é relacionada com o uso dos recursos e não com o resultado econômico dos processos, como comumente utilizada. Para o autor, essa medida é uma relação entre recursos utilizados e previstos. A expressão eficiência na economia e Administração é entendida de outra forma, e em Física e Engenharia tem um terceiro sentido. Nesses contextos envolve uma razão entre quantidades de output e quantidades de input. É necessário diferenciar a eficiência técnica da economia. No caso de dois sistemas de propulsão para um navio, um utilizando óleo diesel e outro utilizando óleo bruto, há, em termos mecânicos, maior eficiência economicamente do motor diesel, dado que aproveita melhor a energia do combustível por ter menores perdas de calor. Se se ampliar a análise e considerar os custos dos combustíveis envolvidos, pode-se ter umasituação inversa, sendo que outro motor é mais eficiente economicamente por usar combustível menos refinado e consequentemente bem mais barato. A definição econômica de eficiência é a razão entre a produção útil e a quantidade empregada de recursos, medidas em termos de utilidade ou valor para a sociedade. Um caminhão que realiza um percurso com o menor consumo de combustível e pneus pode estar apresentando uma alta eficiência técnica; todavia, se está rodando vazio, já não se pode dizer o mesmo de sua eficiência econômica. Alguns atributos básicos são muito importantes para a construção dos sistemas de indicadores. São eles: custos, capacidade, tempo, qualidade e nível de serviços. Custos O transporte junto com o estoque e a informação formam o tripé de sustentação das atividades logísticas, e em termos de custos, representa quase 2/3 do total dos gastos das operações logísticas brasileiras. Cabe destacar que existem outros custos implícitos, se se considerar a cadeia de suprimentos inteira. O tempo de retenção de veículos em filas e terminais e os custos de retrabalhos por erro no embarque ou avaria de embalagem são dois exemplos. Nesses casos, cabe a utilização do conceito de custo generalizado, que procura transformar em unidades monetárias esses elementos, por exemplo estimando um custo orçado para veículos parado e multiplicando pelo tempo médio em fila. Existem diversas formas de classificação de custo; por exemplo, variáveis ou fixos em relação aos fatores utilizados e diretos ou indiretos à produção. Capacidade A capacidade de um sistema de transporte é a medida dos volumes de produção possíveis desse sistema. No caso da capacidade dos sistemas de transporte, é muito importante associa-la a determinado nível de serviços desejado, já que ela é dependente dessa variável. Exemplificando, quanto mais congestionamento um terminal, maior seu volume de carga movimentado, pois dificilmente ocorrerão períodos de ociosidade, levando a plena utilização da capacidade instalada. Em contrapartida, existirão muitas filas, e os veículos ficarão retidos por bastante tempo e poderão aumentar a incidência de erros no embarque. Tempo de Ciclo A produção de transportes tem natureza cíclica, ocorrendo segundo processo que retornam a um estado inicial. O ritmo desses ciclos é determinado por sua frequência e, em última instância, pelo tempo de duração. Exemplificando, em operações de transferência de carga entre dois armazéns próximos tem-se uma viagem redonda (ida e volta) curta e podem ser realizadas muito mais viagens por um mesmo veículo, em dado período de tempo, se comparado a uma situação em que os armazéns estão bastante distantes entre si. Um ciclo corresponde a um conjunto de processos inter-relacionados que forma uma atividade cíclica no tempo. O tempo desses ciclos é fundamental para a definição da capacidade do processo, bem como de seu desempenho.Sugere-se para seu cálculo a elaboração de um fluxograma com as principais operações envolvidas no ciclo será a somatória desses tempos parciais. Qualidade e nível de serviço Nível de serviço é uma medida de qualidade. É formado por um conjunto de elementos quantitativos e representativos da qualidade do serviço prestado, passível de graduação em uma escala. Por exemplo, a operação de um pedágio pode ser classificada em níveis de serviço tipo A, quando não houver fila de veículos, a tipo E, com mais de cinco veículos em fila, passando pelos níveis B, C, D intermediários. Esse conceito deve atender a alguns requisitos: 1. Deve ser orientado para o cliente e não para a produção 2. Deve ter foco na prestação dos serviços 3. Deve ser especifico de determinado serviço; 4. Deve permitir ser quantificável por um observador independente; 5. Não deve ser influenciado por fatores higiênicos. Na avaliação da qualidade é também muito importante considerar a percepção do cliente. A qualidade pode ser definida como, segundo Juran, adequação ao uso, o que implica conformidade a especificações e satisfação do cliente. Em relação à recepção do cliente, é importante considerar a visibilidade que ele tem do serviço e a prioridade que dá aos atributos. Não adianta ter um excelente desempenho em um conjunto de atributos que o cliente não valorize. A qualidade de serviço é resultado da junção de um conjunto de características técnicas resultantes do processo realizado e um conjunto de características funcionais associadas à realização do processo, ambos influenciados pela imagem dos serviços. 4.7.Indicadores de Desempenho Os indicadores de desempenho possibilitam que as avaliações sejam feitas com base em fatos, dados e informações quantitativas, o que dá maior confiabilidade às conclusões. Os indicadores são relações matemáticas, medidas quantitativas de um processo ou de um resultado, tendo normalmente uma meta associada. Para que os indicadores sejam instrumentos efetivos para processos de decisão, é importante que não sejam ambíguos e sejam de fácil obtenção, compreensão e comparação. Os indicadores devem refletir tanto a estratégia de avaliação adotada quanto a estrutura de medição definida como representativa do desempenho do sistema em análise. É importante que os indicadores estejam inseridos em uma arvore de relações causais que possibilite uma integração entre eles e um efetivo uso para explicar o desempenho. Essa árvore de relações causais desdobra-se à medida que se desce os níveis gerenciais da empresa ou sua hierarquia funcional, sendo que para cada um dos níveis deve ter metas ou padrões a serem atingidos consistentes com os objetivos da empresa inteira. Essa não é uma tarefa fácil, mas é necessária para a boa utilização dos sistema de indicadores. É importante diferencias a existência de indicadores relacionados com causas e processos dos indicadores relacionados com os efeitos e resultados dos processos. Uma questão muito importante é a forma de acompanhamento e analise dos indicadores, sugerindo-se que haja um uso intenso de técnicas estatísticas visando a uma melhor qualidade nessas análises. O uso de modelos gráficos, identificação de tendências, analise de series temporais e controle estatísticos de processos são algumas das técnicas que devem ser consideradas. Produtividade Dos diversos tipos de indicadores existentes o mais utilizado é a produtividade. Por ser uma medida combinada de entradas e saídas de um processo torna-se bastante representativa de seu desempenho. A simplicidade do cálculo para algumas situações também torna-se o motivo de sua grande utilização. Produção é um valor absoluto e produtividade um valor relativo entre a produção e seus fatores de produção. Comparado com a manufatura, a produtividade do setor de serviços em geral, e de transportes, em particular, apresenta algumas diferenças significativas. Uma delas é a inexistência de uma unidade física bem definida para a quantificação da produção que, somada ao fato de uma mesma organização oferecer uma grande variedade de serviços dificulta bastante a medição da produtividade. Outro elemento importante a destacar é a impossibilidade de dissociação das medidas de produtividade das de qualidade. Não é possível simplesmente descartar as viagens realizadas fora dos padrões desejados, para evitar seu consumo, como é normalmente feito na manufatura. Em função da intangibilidade dos serviços é comum adotar como medida de produção contagens feitas baseadas nos bens facilitadores do processo de prestação do serviço, dado que o desempenho em si é uma utilidade de estado e, consequentemente, intangível. Uma dificuldade na qualificação da produtividade são as possíveis diferenças de qualidade dos output, que podem em algumas situações serem manifestadas em termos de preços e receitas. Por exemplo, uma transportadora oferece entregas mais rápidas, reduzindo os custos de estoque do embarcador e podendo por isso cobrar mais e ter receitas maiores. Podem existir situações em que essas melhorias de qualidade não reflitam diretamente nos preços, mas aumentem a participação da transportadora no mercado e, consequentemente, isso aumenta sua receita para um mesmo nível de preço. Finalmente, nos casos em que a qualidade não é um diferencial competitivo de mercado, podem não ocorrer variações no nível de saídas e resultados, o que dificulta a medição da produtividade, dado que os eventuais aumentos nos recursos para esse ganho de qualidade não serão identificados quantitativamente nos resultados, a menos que estejam incluídos na medição de desempenho elementos relativos à satisfação do cliente. Para definir produtividade, é importante que sejam definidas tanto as variáveis endógenas quanto os produtos gerados pelo sistema em análise. São consideradas como variáveis endógenas à prestação de serviços de transporte os seguintes fatores: trabalho, capital, insumos intermediários, como, por exemplo, combustíveis e tecnologia. Exercícios de Revisão – Unidade 04 1.Não se administra o que não se mede. Faça uma análise sobre a afirmativa. 2.Explique o que é transporte de carga. 3.Como podemos definir um processo ? 4.De que forma podemos medir o desempenho dos serviços de transporte ? 5.Qual o conceito de desempenho de sistemas logísticos ? 6.Comente sobre a segunda era logística. 7.O que é o benchmarking ? 8.Qual a importância da utilização do benchmarking ? 9.Qual o objetivo do BalancedScorecard ? 10.Exemplifique um indicador utilizado em empresas de serviços de entregas. 11.Qual a importância da avaliação de desempenho ? 12.Qual o procedimento à ser realizado em uma avaliação de desempenho ? 13.Diferencie oligopsônio de monopsônio. 14.O que é necessário estabelecer para a realização de uma avaliação de desempenho ? 15.Qual o objetivo de um processo de medição de desempenho ? 16.Quais os atributos básicos para a construção dos sistemas de indicadores ? 17. Comente sobre um atributo básico para a construção dos sistemas de indicadores. 18. O que são indicadores de desempenho ? 5. Supply Chain Management ( SCM) 5.1 Introdução A economia mundial está sofrendo grandes transformações com a Globalização. Muitas barreiras antes existentes estão caindo e, praticamente, já não há fronteiras a serem alcançadas. A formação de blocos econômicos, como o Nafta, Mercado Comum Europeu e o Mercosul, mostra a grande necessidade da união de países em busca de melhor desenvolvimento e manutençãode suas economias. Em virtude da globalização, tivemos diversos reflexos em vários seguimentos industriais, desde o aumento da competitividade e o acesso a diversas tecnologias. O mercado consumidor também se modificou, mostrando se cada vez mais exigente e mais bem informado na hora de adquirir bens e serviços. Esses fatores estão obrigando as empresas não só a mudar suas atividades e decisões, mas principalmente oferecer aos clientes produtos e serviços com menor preço e melhor qualidade, tendo como objetivo primordial a satisfação total dos cliente. Com essa nova característica do mercado globalizado, as empresas estão sendo obrigadas a reformular se para poderem adaptar sua nova estrutura as atuais exigências do mercado. Uma das soluções encontradas, embora ainda pouco praticada, é a mudança do conceito logística, agora responsável desde o recebimento da matéria prima até a entrega do produto acabado na casa do cliente. A logística pode atuar em diversas áreas, entre as quais à área de suprimentos, produção e distribuição. O conceito básico da logística é a integração das áreas e processos da empresa afim de obter melhor desempenho que seus concorrentes. Com isso, ela pode diminuir seus custos e melhorar a qualidade do produto, disponibilizando ao cliente o produto correto, no tempo e quantidade que deseja. É muito importante as empresas repensarem seu sistema logístico, pois se trata de um fator fundamental para que se alcancem o sucesso diante da competição acirrada, em que todos os processos e decisões devam ser analisados e integrados em seu conjunto. A logística tem se transformado em uma função em pleno desenvolvimento de seu potencial, no sentido da: � Integração e coordenação das atividades ao longo da cadeia logística; � Coordenação com outras funções da empresa e com outros fatores externos. A insuficiente discussão do tema logística nas empresas fez com que a grande maioria delas lhe dispensasse tratamento e enfoque puramente funcional e segmentado. A execução de atividades relativas a movimentação, armazenagem, seleção de fornecedores, compras, produção e realizada nas empresas de forma separada e funcional. Esse enfoque fracionado incutido nas empresas trás como consequência: � Falta de foco no cliente; � Nível de serviço abaixo do desejado; � Custo de logística elevados; � Excesso de capital operacional empregado em estoque; � Ciclos longos de produção e pouca flexibilidade. O modelo de produção, em que a gestão se baseava no culto da quantidade transformou se no modelo de competitividade, no qual a gestão se baseia no culto do serviço ao cliente. Alguns fatores estão fazendo as empresas repensar seus processos logísticos, principalmente no que toca a custos, que continua sendo um dos principais itens de competitividade em busca de novos clientes. Um desses fatores mais importantes é o estoque. O controle de estoque é fundamental no processo logístico, pois este pode absorver até 40% dos custos totais. O grande dilema é a decisão de manter ou não estoque. Manter elevado nível de estoque pode ser vantajoso quando se pensa na disponibilidade, na qualidade dos serviços à serem oferecidos aos clientes, economias de escala, proteção contra incertezas na demanda e no tempo de ressuprimento. Essa decisão, entretanto, pode também significar custos elevados de manutenção, que poderiam estar investidos em aumento da capacidade instalada, melhorias de processos e qualidade dos produtos. Essa economia pode garantir preços mais competitivos e agregar diferenciais aos produtos. Atualmente, fala se muito em ferramentas e técnicas de gestão de estoque, como o just in time, sistema push, sistema pull, fluxo sincrônico de material. A evolução nesse campo está em manter o mínimo estoque possível e em como fazêlo; ainda assim a decisão continua em torno de manter ou não o estoque. Utilizando a logística, a empresa passa a ter uma nova visão em relação aos estoques. O novo conceito de logística integrada tem justamente a intenção de promover o fluxo contínuo de entrada de matéria prima ( suprimento), de fabricação do bem ( produção) e da saída de produto acabado até o ponto de venda ( distribuição), não interrompendo em nenhum ponto o processo, minimizando assim cada vez mais o uso de estoque pela empresa. A ideia não é simplesmente cortar o estoque repentinamente, mas paulatinamente à medida em que a empresa vai implantando, desenvolvendo e aperfeiçoando o sistema logístico. A tendência é a diminuição dos níveis de estoque tanto de matéria prima como de produto acabado. Consequentemente, os custos relativos a manutenção deles diminuem, refletindo diretamente nos preços finais pagos pelo consumidor na aquisição do produto acabado. Temos que ter o conceito formado de que todos os custos incorridos antes, durante e depois do processo de fabricação do produto são repassados, de uma forma ou de outra, ao cliente final. A ideia é diminuir esses custos e consequentemente o preço final ao cliente. 5.2. Fatores determinantes na Logística Integrada A cadeia logística tradicional, com seus diversos elementos que atuam de forma segmentada e voltados para si próprios, está com seus dias contados. FONTE, FORNECEDOR, PROCESSADORES, DISTRIBUIDORES, VAREJISTAS, CONSUMIDORES Pressões diversas estão levando as empresas a repensar como operam os elementos de sua cadeia logística. Eles estão sendo obrigados a mudar seu papel e suas atividades a fim de se adaptar aos fatores externos que exercem pressões nelas. Fatores Externos: Competição externa, ciclo de vida do produto, clientes mais exigentes e bem informados, racionalização da base de fornecedores, papel mais restrito dos distribuidores e demanda por parcerias. Competição Externa Preço baixo (custo), qualidade alta, entrega rápida e confiável, produtos e serviços inovadores (tecnologia), quantidade e flexibilidade de estoquese mix de produtos, são alguns fatores em relação aos concorrentes que influenciam a cadeia logística. O emprego da logística na gestão empresarial contribui para que os cliente receba o produto certo, na quantidade desejada, com a variedade e qualidade estabelecidas e no tempo contratado. Da mesma forma, o uso dessa filosofia logística contribui para que o funcionamento do conjunto da empresa torne se mais competitivo, pois reage mais rapidamente às mudanças e solicitações dos clientes ao oferecer maior confiabilidade e estabilidade na entrega da mercadoria solicitada. Essa concepção busca fundamentalmente fazer com que a empresa possa oferecer um alto nível de serviço ao cliente. Dessa forma, possuir transporte eficiente, contar com os níveis mínimos de estoques necessários, levar pouco tempo para processar os pedidos e oferecer serviço de entrega com nenhuma perda, tem impacto positivo sobre os clientes e consequentemente sobre as vendas. Contrariamente, se os serviços logísticos se deterioram, em geral as vendas diminuem. O cliente sente se motivado a dirigir seus pedidos a empresas que fornecem melhores serviços, o que significa para ele menores custos com inventários, maior confiabilidade e rapidez na entrega. Um fator importante para o sucesso da empresa e que ela possa fornecer produtos com vantagens competitivas em relação aos concorrentes. Dado o aumento da concorrência, as empresas estão sendo obrigadas a tornar se eficazes e a encontrar na logística um fator estratégico para proporcionar maior agilidade a seus negócios, bem como prever possíveis atitudes da concorrência. A empresa deve desenvolver todas as áreas relacionadas ou não com a produção, promovendo assim uma integração total. Ciclo de Vida do ProdutoDevido ao rápido avanço tecnológico e às constantes e crescentes mudanças dos produtos, o ciclo de vida desses diminui muito, principalmente na área de equipamentos eletroeletrônicos, máquinas e da área de informática. Produtos que são lançados hoje sofrem uma nova versão ou um novo upgrade um ano depois, ou então são substituídos por produtos inteiramente novos. Os produtos estão se tornando obsoletos rapidamente e sua vida útil diminuiu muito. As empresas estão sendo obrigadas a inovar sua linha de produtos, consequentemente, para se manterem atualizados no mercado. O mercado tornou se muito mais competitivo e os clientes exigentes. Isso se refere de várias maneiras dentro da empresa; seja implicando um marketing mais inteligente e agressivo, seja exigindo uma política comercial mais flexível, seja abrindo novos canais para escutar os clientes e suas necessidades, seja alterando a engenharia. Ela precisa atualizar suas máquinas, equipamentos e seus processos; a engenharia é obrigada a trabalhar constantemente no desenvolvimento de novos produtos a fim de tornar viável seus lançamentos. Um novo produto torna a empresa mais competitiva, visto que pode utilizar uma tecnologia mais avançada e conseguir uma fatia crescente do mercado. Clientes mais exigentes e mais bem informados Os clientes ou consumidores estão exercendo enorme pressão para a mudança das empresas. Antes de comprar, o cliente pesquisa preço, especificações, qualidade, garantia, assistência técnica, nível de serviço, enfim tudo o que melhor atenda a suas necessidades. Devido à grande quantidade de informações e opções de que ele dispõe, fica cada vez mais criteriosa a análise de qual opção mais lhe convém. Assim, fica mais difícil conquistar um cliente que é leal a uma marca ou produto. A empresa é obrigada a adotar uma postura que cative o cliente, em que os produtos e os serviços oferecidos satisfaçam plenamente a suas necessidades e a seus desejos. A empresa tem de se esforçar para criar um vínculo de confiança para com os clientes. Essa exigência por parte dos clientes contribui para que as empresas desenvolvam cada vez mais sua logística de produção para produzir e desenvolver produtos com qualidade e tecnologia de ponta. Racionalização da base de fornecedores As empresas estão cada vez mais racionalizando sua base de fornecedores. Empresa e fornecedor estão estreitando suas relações e criando sistemas de parceria em que ambos atuam de forma harmoniosa, na busca de qualidade, preço, tempo de entrega exato e muitos outros atributos que fazem parte da logística de suprimento. As empresas estão procurando adotar o que se prega como sistema modular de fornecimento, em que alguns fornecedores ficam responsáveis por manter abaixo de si uma cadeia de outros subfornecedores. Essa cadeia fornece peças e componentes para o fornecedor acima que se encarrega de montar conjuntos ou módulos e entregálos para a empresa. Isto está ocorrendo de maneira assustadora na indústria automobilística com seus fornecedores de autopeças.( Slack,1997) Outras empresas estão adotando à prática de trazer seus fornecedores para dentro de suas fábricas e fazendo com que a etapa final da produção do produto seja realizada em seus perímetros. Isso acontece com frequência com a fabricação de garrafas PET. A Kmart americana mantém uma ligação online, há muitos anos, com a Procter e Gaamble, em que, toda vez que passa um produto no caixa, a reposição do estoque é programada automaticamente pela P&G. Este conceito é denominado de EfficientConsumer Response – ECR. Adotando essas medidas, as empresas restringem o número de fornecedores, porém criam com isso um vínculo de maior confiança e qualidade. O contrato da empresa com os fornecedores tem necessidade de estabelecer relações mais estreitas, visando dinamizar o fluxo dos produtos na cadeia de suprimentos e obter melhor planejamento no processo de produção. A proposta com a racionalização da base de fornecedores é receber produtos de melhor qualidade, diminuir os estoques, reduzir o lead time de fornecimento e ter produtos disponíveis sempre que necessário. Papel mais restrito dos distribuidores Com a criação e o surgimento de novos canais de distribuição aos consumidores, as empresas necessitam replanejar suas estratégias de distribuição, de modo a depender menos dos distribuidores. O objetivo final é procurar atingir o consumidor de forma rápida e eficiente, com menor custo possível. É muito importante para o sucesso de qualquer empresa que seu produto esteja disponível ao consumidor em qualquer momento, independentemente da dificuldade, distância ou outro tipo de problema que separe o produto do consumidor. Essa área é de responsabilidade dos intermediários que estocam o produto acabado – atacadistas ou centros de distribuição. A melhoria no processo de distribuição, redefinindo a atuação dos distribuidores, permitirá tornar o produto mais disponível, reduzir o estoque de produtos acabados e repassar a economia de custos aos clientes. A LPC ( fabricante de produtos Danone ) reestruturou sua distribuição, fechando depósitos, otimizando as rotas de armazenamento e de entregas, melhorando o tempo de carga e descarga e separação de mercadorias. Com isso conseguiu não só dobrar o volume comercializado, como também reduzir seu custo com transporte e o tempo médio de viagem e descarga no cliente. Seu passo agora é eliminar uma etapa do abastecimento da fábrica, o resfriamento, que passará a ser feito nas fazendas. Algumas empresas estão se encarregando de distribuir seus produtos diretamente aos clientes, sem usar o canal via distribuidores. Uma empresa multinacional de cimento vende e distribui diretamente seus sacos de cimento a todos os seus clientes, sem distinção de tamanho, categoria, volume ou distância. Seu fluxo de produtos é mais dinâmico, sente mais de perto as necessidades de seus varejistas, detecta movimentos da concorrência mais prontamente e repassa parte da margem, que seria dos distribuidores, aos varejistas. Demanda por parcerias Existem três tipos de relações básicas cliente x fornecedor. Essas relações estão diretamente associadas aos fluxos logísticos descontínuos, contínuos e sincrônicos. O mundo globalizado leva as empresas a unirem forças para reduzir custos e aumentar sua competitividade no mercado. A Fiat automotiva, instalada na cidade de Betim, conseguiu atrair para os arredores de sua fábrica vários de seus fornecedores. Com isso, reduziu os custos de transporte, o nível de estoque de matéria prima e componentes, além de agilizar a entrega de material. Em troca, ofereceu a seus fornecedores contratos de longo prazo e exclusividade de fornecimento de peças. A Volks implantou na cidade de Resende uma filosofia revolucionária, instalando seus fornecedores dentro de sua fábrica de caminhões. Isso está sendo chamado de consórcio modular. O caminhão é fabricado em cinco módulos distintos e sequenciais, em que grupos de fornecedores, formados em consórcio, encarregam se de cada módulo. Cada consórcio tem um ou dois fornecedores líderes que são responsáveis pelo gerenciamento dos subfornecedores, pela produção de cada módulo e por seu envio ao módulo seguinte. Os módulos são os de carroceria; eixos; pneus; motor; estamparia e pintura. Os fornecedores estão trabalhando com seus funcionários dentro das instalações da fábrica da Volks e são eles que estão, na verdade, produzindo os caminhões. Não são mais simplesmente fornecedores de componentes e autopeças .Com isso, a Volks reduz os custos com mão de obra, não arca com o estoque de matéria prima e produtos em processo e divide com seus fornecedores o ganho com a venda de seuscaminhões. Com a criação de parcerias, as empresas precisam otimizar as oportunidades de negócio e fechar os elos com os clientes e com os fornecedores. Esse é o início da integração da cadeia logística. 5.3. Cadeia de Logística Integrada ou Supply Chain Discutimos no tópico anterior os diversos fatores de pressão que estão levando as empresas a analisar de forma crítica os vários elementos de sua cadeia logística e a posicionar se quanto ao novo papel da logística. Há uma corrida em andamento para a integração da cadeia logística. Está se tornando evidente a necessidade de estender a lógica da integração para fora das fronteiras da empresa para incluir fornecedores e clientes. A empresa somente poderá obter vantagens competitivas por meio de aumento de produtividade, diferenciação do produto e altos níveis de serviço ao cliente. Esse processo não pode inserir se exclusivamente nos limites da empresa, mas deve, para possibilitar o sucesso, estender se a todas as partes envolvidas fora da empresa. As empresas americanas estão integrando a cadeia logística agressivamente. A Motorola reduziu 75% sua base de fornecedores; 85% de seus fornecedores são preferenciais, e obteve assim uma economia anual de 5% a 7%. A P&G integrou se com a KMART, e as vendas dobraram em cinco anos; os custos da cadeia logística caíram 25% e os estoques foram limitados a no máximo 20 dias. O que vemos são resultados tangíveis substanciais. As empresas vencedoras já deixaram para trás o foco na redução de perdas, diminuição de transações, redução do nível de inventários e menor custo. Elas irão utilizar a integração da cadeia logística para gerar melhores resultados, tais resultados são perenes e trazem diferenciais competitivos que não podem ser rapidamente copiados. O foco do futuro é agregar maior valor ao cliente: melhoria das características e funções que atendam as suas necessidades, rápido tempo de resposta desde o atendimento do pedido até a entrega do produto, flexibilidade para lidar com lotes pequenos e variados, disponibilidade do produto e um preço justo. Existe uma oportunidade real que é de integrar processos por meio das fronteiras funcionais. Isto significa envolver toda a organização na formulação de um plano estratégico de logística que integre os fornecedores e os clientes. As áreas de vendas, marketing, manufatura e logística deveriam participar da integração do elo com os clientes, estes são interfaces orientadas para o mercado externo. As áreas de suprimento, pesquisa e desenvolvimento, manufatura e logística deveriam trabalhar na integração do elo com os fornecedores. Dando suporte a todos esses processos, deveriam estar as áreas de tecnologia de informação – TI, finanças e recursos humanos. Muitas iniciativas das empresas enfatizam a eficiência das operações e não buscam uma visão consensual do futuro. O enfoque está em operações e não na geração de maior valor para o cliente e em maior lucro ao longo de toda a cadeia logística. A integração da cadeia logística concentra se em alinhar os processos chave do negócio. Mercadorias e produtos fluem das fontes supridoras e vão em direção aos consumidores. As informações e os recursos correm em direção oposta, saem dos consumidores e vão até as fontes supridoras. Supply Chain Management (SCM) é todo esforço envolvido nos diferentes processos e atividades empresariais que criam valor na forma de produtos e serviços para o consumidor final. A gestão do SCM é uma forma integrada de planejar e controlar o fluxo de mercadorias, informações e recursos, desde os fornecedores até o cliente final, procurando administrar as relações na cadeia logística de forma cooperativa e para o benefício de todos os envolvidos. A gestão do Supply Chain é um conceito mais amplo e estrategicamente mais importante, que se inicia na saída das matérias primas dos fornecedores passa pela produção, montagem e termina na distribuição dos produtos acabados aos clientes finais. Inclui considerações estratégicas que passam por focalizar a satisfação do cliente, formular e implementar estratégias baseadas na retenção dos clientes atuais e obtenção de novos e gerenciar a cadeia de forma eficaz. O desempenho do Supply Chain depende principalmente de quatro fatores: � capacidade de respostas às demandas dos clientes; � qualidade de produtos e serviços; � velocidade, qualidade e inovação nos produtos; � efetividade nos custos de produção e entrega e utilização de capital. As empresas líderes utilizam a integração da cadeia logística para alcançar vantagens estratégicas, são elas: Fluxo de processos otimizados; Design em conjunto com engenharia; Planejamento conjunto fornecedor, empresa e cliente; Pesquisa e desenvolvimento em conjunto com Marketing; Melhores características dos produtos; Melhor funcionalidade dos produtos; Atendimento, disponibilidade, velocidade e qualidade; Melhor preço do produto; Melhor performance do negócio; Lucratividade a longo prazo. 5.4. EfficientConsomer Response (ECR) O segmento de supermercados tem tradicionalmente operado com margens operacionais muito pequenas e tem estado sob intensa pressão de várias fontes. De um lado, consumidores esperam uma variedade maior, qualidade, conveniência e preços baixos. De outro lado, novos canais de distribuição de produtos alimentares e não alimentares, como lojas de conveniência, depósitos de descontos e outros tipos de varejos mistos têm aumentado as pressões competitivas, impactando dessa forma nas margens. Ao mesmo tempo, o custo de fazer negócio e gerir empresa continua a crescer, apesar de várias iniciativas contrárias. Como resultado dessas pressões, o segmento de supermercados encontra se em uma encruzilhada. Como pode esse segmento agregar valor ao consumidor, enquanto mantém lucrativos seus negócios ? Valor ao consumidor é criado por meio de melhores produtos, preços baixos, maior variedade e conveniência, melhor disposição e produtos mais frescos. Para oferecer isso ao consumidores, a indústria precisa conseguir economias por meio de melhorias de eficiência, giros mais rápidos de estoque, menor nível de inventário e perda de produtos reduzida. A resposta que a indústria tem para a perguntar anterior é : o ECR é uma iniciativa em que fabricantes de produtos alimentares e não alimentares, varejo, atacado e demais facilitadores trabalham em conjunto para reduzir custos dessa cadeia de logística integrada e trazer maior valor ao consumidor de supermercados. Essa iniciativa está transformando as relações de negócio entre os integrantes dessa cadeia logística e apoia se em ferramentas e estratégias que permitam responder às necessidades crescentes e variadas dos consumidores. Estratégias utilizadas: � Introdução eficiente de novos produtos, ou EfficientProductIntroduction : maximiza a eficiência do desenvolvimento e da introdução de novos produtos; � Sortimento eficiente do ponto de venda (PDV), ou EfficientStoreAssortment : otimiza estoques, prateleiras e espaços da loja, objetivando encontrar o mix ideal de mercadorias que satisfaça às necessidades dos consumidores; � Promoção eficiente : busca a eficiência de promoção de venda do atacadista ou fabricante em relação ao cliente; � Reposição eficiente : otimiza a eficiência da reposição dos produtos na prateleira. As ferramentas que dão suporte à visão global do ECR e às estratégias são as seguintes: � Gerenciamento de categoria: forma de os varejistas gerenciarem categorias de produtos para maximizar a eficiência e lucratividade; � Reposição contínua: metodologia just in time para esse segmento de supermercado; � Custeio baseado em atividade: forma de entenderos custos e a rentabilidade associados aos produtos, serviços, canais, clientes e processos da empresa; � Benchmarking das melhores práticas: maneira de as empresas compararem suas performances em certas áreas com as melhores práticas da indústria; � Pedido acompanhado por computador: automação da emissão de pedido por computador e movimentação de mercadorias realizada por leitura óptica e recebimento eletrônico. A exemplo do que ocorre em um modelo de cadeia logística tradicional de uma indústria manufatureira, que utiliza o sistema push, empurrar estoques, também verificamos que a cadeia de distribuição tradicional do segmento de produtos de consumo de massa está estruturada de maneira muito similar. Nesse segmento, pelo sistema push, o processo de abastecimento inicia se pelo fornecedor, que empurra o máximo possível de mercadorias ao canal de distribuição atacadista e supermercados, utilizando promoções, descontos sobre volumes, vendas casadas e etc. O final do canal de distribuição varejista ou supermercado tenta empurrar adiante as mercadorias aos consumidores, utilizando estratégias de preços, promoções conjuntas aos fabricantes, ações de marketing e etc. Problema semelhante ocorre na casa do fornecedor, em que sua fábrica produz mercadorias segundo a previsão de vendas do pessoal de marketing e não segundo a demanda real. Após produzida a mercadoria a fábrica empurra o estoque acabado para o depósito, em que fica então entulhado, esperando que o pessoal de vendas faça a sua parte, isto é, empurre a mercadoria no canal de distribuição. A relação entre fornecedor e cliente é do tipo ganha e perde, marcada por conflitos de interesse, dificuldades e negociações pontuais. O vendedor do fornecedor negocia com o comprador do canal varejo ou atacado, a quantidade, o preço, o prazo de pagamento, os descontos e etc, e ambos preenchem o pedido. O vendedor preenche o pedido de venda e o comprador o pedido de compra; ambos os pedidos contém as mesmas informações. Alternativamente a essa operação que só agrega custos para ambas as empresas, o comprador dispara um pedido de compra automaticamente para o fornecedor toda vez que o estoque atinge o ponto de ressuprimentos. Os parâmetros de negociação entre ambos já estariam definidos previamente e não haveria desgaste a cada compra ou pedido. Para movimentar o estoque o computador do varejista ou do atacadista controlaria as mercadorias recebidas no depósito e baixaria as saídas captadas pelo check out, por meio de leitores de código de barras. A cadeia de distribuição moderna do segmento de produtos de consumo de massa é uma cadeia ágil na movimentação do fluxo de mercadorias e eficiente na transmissão de informações entre os integrantes. Esta é a visão ECR. O sistema que sustenta o ECR é um misto entre o sistema pull e sincrônico. O consumidor final dá início à cadeia de distribuição no momento em que suas mercadorias passam pelo check out. As informações relativas a essa compra são compartilhadas com todos os componentes da cadeia em tempo real. Quando o estoque do supermercado é baixado por leitores de código de barra, o atacadista começa o processo de ressuprimento do fornecedor e o fornecedor inicia o processo de produção. A relação entre fornecedor e cliente no ECR deve evoluir do tipo parceria para o tipo sincrônico marcado pelo relacionamento de confiança e unidade. Já não se discutem preço, volume e descontos; já não se barganham posições de conflito. Todos os integrantes estão conscientes que devem agregar valor ao consumidor. O consumidor elegerá a cadeia de distribuição mais eficiente. Nesse contexto, exige se eficiência produtiva para produzir rapidamente as mercadorias demandadas, eficiência na movimentação da mercadoria ao longo da cadeia, eficiência na reposição do estoque nas prateleiras e eficiência dos custos dos produtos. A consequência disso é a redução dos níveis de estoque em toda a cadeia de distribuição, a redução dos custos financeiros exigidos para a manutenção dos estoques, produtos mais frescos e de melhor qualidade e repasse dos ganhos nos preços para o consumidor. Quatro estratégias do ECR Vamos apresentar com mais detalhes as quatro estratégias que sustentam o ECR. 1.Introdução eficiente de novos produtos O ritmo de introdução de novos produtos tem aumentado bastante na última década. Várias são as razoes para tal: � Modificação frequente de tecnologia; � Fontes de suprimento mais baratas; � Mudança dos hábitos dos consumidores; � Imitação dos produtos líderes; � Alongar a vida útil do produto; � Tentativa de solucionar um problema do fabricante. Com frequência, os novos produtos não apresentam inovação perceptíveis para o cliente e suas necessidades não são consideradas. Os produtos fracassados foram responsáveis por grandes investimentos e acabaram onerando os resultados dos produtos bem sucedidos. Esse fenômenos ocorrem também no segmento de produtos de consumo. O volume de vendas não aumenta mais apenas desocupa espaço já estabelecido de outro produto nas gôndolas e prateleiras. Os distribuidores varejista e supermercados querem novos conceitos de produtos que gerem vendas incrementais e que sobretudo não agreguem custos para eles e sim valor para o consumidor. O método proposto no ECR de introdução de novos produtos segue 5 etapas: 1. Distribuidor e fornecedor concordam quanto ao produto a ser testado para a introdução: nessa primeira etapa, esses dois elementos da cadeia reúnem se regularmente para discutir os resultados de suas pesquisas de necessidades dos consumidores, discutir as tendências de consumo, identificar as necessidades comuns e escolher o produto para ser testado; 2. Preparação do teste: o teste a ser realizado com o consumidor é discutido e a metodologia estabelecida segundo acordo entre distribuidor e fornecedor. Eles podem escolher uma loja piloto para realizar o teste ou estabelecer um horário do dia em que o consumidor alvo do produto seja mais representativo; 3. Implementação do teste: normalmente, o teste é realizado com o pessoal destacado pelo fornecedor como supervisão do distribuidor; dessa forma fica assegurado que tudo ocorrerá adequadamente; 4. Avaliação: os resultados obtidos na pesquisa são tabulados, classificados e analisados; 5. Decisão: com base na avaliação dos resultados o distribuidor e o fornecedor decidem lançar o produto comercialmente, estender o teste para as demais lojas, modicálo ou abandoná lo. A inovação dessa metodologia é que o distribuidor é envolvido em todas as etapas do teste e, consequentemente, está comprometido com o resultado. Seu interesse é total nesse processo e faz parte do novo tipo de relacionamento simbiótico de fornecedor e cliente. 2.Sortimento eficiente da loja Essa estratégia é definida como processo colaborativo entre o fornecedor e o distribuidor, com o objetivo de determinar o nível de oferta ótimo de um produto, dentro de uma categoria, que atinja o objetivo de satisfação do consumidor e melhore os resultados do negócio. A ferramenta utilizada por estratégia é o gerenciamento de categoria. Essa ferramenta visa reduzir o espaço que não agrega valor, espaço de escritórios e depósitos, e o uso não comprovado como gerador de resultado do espaço da área de vendas. Busca se obter uma composição ótima das diversas categorias de produto da loja e da composição de produtos dentro da categoria. A ideia dessa estratégia é fazer com que tanto o fornecedor quanto o canal conheçam o perfil de clientes, cruzando as informações dos produtos em forma de matriz. O objetivo final dessa estratégia é aumentar a rotação de estoquedos produtos e incrementar o volume de vendas por metro quadrado. O canal deve possuir o perfil e os hábitos dos clientes de sua loja: que são, o que levam, dias e horários preferidos de compra; já o fornecedor do produto possui informações consolidadas sobre hábitos de consumo e preferências de todo o mercado O cruzamento e troca dessas informações que ambos possuem vai permitir ao canal a definição de um nível de oferta ótimo. Para os aficionados em marketing essa ferramenta de gerenciamento de categoria do ECR tem uma afinidade muito próxima com o marketing de relacionamento. É preciso tratar cada cliente de forma individual, respeitando suas necessidades e superando suas expectativas. Portanto, o marketing de relacionamento pressupõe que a empresa tenha um banco de dados poderoso com todas as informações a respeito do cliente relacionadas com seus produtos ou serviços. Assim, uma companhia área, ao receber uma confirmação de passagem do cliente, deve saber que tipo de refeição ele prefere, o lugar do assento, como prefere ser chamado, o jornal ou revista que gosta de ler durante o voo. Mas ainda, o conhecimento sobre os hábitos do cliente deve começar antes da compra da passagem. A empresa deve conhecer sua frequência de voo, locais para onde viajar à negócios e a passeio, horário preferidos, categoria de assento e etc. Assim, esse cliente vai preferir viajar com a companhia aérea com a qual mais tenha afinidade e saiba de suas necessidades. Não é uma questão só de preço ! 3.Promoção eficiente Para qualquer manual de marketing, toda promoção de vendas, para ser eficiente, tem que ser simples, ser de fácil compreensão pelas pessoas que vão participar dela, ter um início e um final determinado, ser de curta duração e sustentar as vendas de uma linha de produtos ou de um produto. Essa promoção pode ser tanto afeita pelo fornecedor para seu cliente, varejista, revenda ou distribuidor, como afeita pelo distribuidor ou revenda para seu consumidor final. Isso, porém, não ocorre com muita frequência na prática. O que se observa são ineficiências em consequência das práticas atuais de promoção. Há uma complexidade e sofisticação crescente da promoção aos clientes, uma série de itens diferentes e regras variáveis a serem cumpridas pelo cliente que mais parecem um rally ou uma gincana. Além disso, existem diferentes promoções de várias empresas com fornecedores que correm paralelamente por tipo de cliente, região e produto. Tudo isso acarreta um aumento de custos e enormes desperdícios na gestão desses processos, tanto pelo fornecedor como pela revenda ou distribuidor. Nossa memória ainda recente lembra nos o que ocorria na virada da tabela de preços em época da inflação alta. Todos os integrantes da cadeia logística desenvolveram cultura de formar estoques antes de virar o preço velho e, assim, as vendas se acumulavam em um período específico do mês. No entanto, para suavizar os picos de produção e venda as empresas ofereciam promoções de preço ou descontos promocionais aos clientes. Esse era mais um uso errado de promoção em que se agregava custo para a empresa. Essa estratégia visa simplificar os acordos promocionais entre os integrantes da cadeia de distribuição e negociar um preço, chamado de desconto contínuo. Significa repartir os ganhos derivados da simplificação e da redução da gestão das promoções de ambos os lados, além de ganhos nas demais áreas (estratégia). Quanto maior a eficiência obtida pelos integrantes maior poderá ser o desconto contínuo acordado. Aqueles que forem mais agressivos na implementação do ECR tendem obter melhores acordos. 4.Reposição eficiente O que o cliente deseja do fornecedor, após concluída a negociação e colocado seu pedido de compra? Deseja receber o produto certo, na hora certa, no local certo, na quantidade certa e qualidade certa! Tudo isso parece simples é não passa de obrigação por parte do fornecedor. No entanto, muitas vezes é complicado mais não complexo. A cadeia de logística tradicional, com sistema push de empurrar estoque, integrantes que não se comunicam entre si, relacionamento conflituoso e de ganha e perde, fluxo de informações e produtos independentes, processos não interligados e segmentados, gera muita ineficiência, a saber: � Altos níveis de estoque ao longo de toda a cadeia; � Custos de manutenção desses estoques; � Maior custo de produção; � Controle administrativos desnecessários; � e, a principal delas, insatisfação do cliente que acaba não recebendo o produto correto, ou na data errada, ou na quantidade errada e ou na qualidade indesejada. A estratégia de reposição eficiente não é diferente de uma indústria manufatureira. Ela é a ligação de toda a cadeia de distribuição do ECR em um único fluxo por meio dos elementos apresentados a seguir. 5.Recebimento eletrônico na loja Todo o processo de recebimento de mercadoria é informatizado por meio de software que estejam interligados com os fornecedores. O fornecedor, após sair a mercadoria da sua fábrica notifica, por meio do software, o cliente com informações da remessa: data esperada de chegada no cliente, número da nota fiscal, volume, produto e etc. Após a conferência da mercadoria eletronicamente, a informação é repassada automaticamente ao fornecedor e qualquer divergência é acatada por este último. 6.Sistema de inventário perpétuo O controle permanente do estoque da loja é mantido por meio da leitura por códigos de barra na saída das mercadorias no check out e do recebimento eletrônico. A quantidade exata de cada produto na loja é possível em tempo real. Para se obter a exatidão total dessa informação, que pode ser alterada por roubos e erros manuais, as lojas tem feito periodicamente contagens físicas de estoque. 7.Leitura por código de barra, no PDV Para que a reposição automática seja feita com precisão pelo fornecedor, é necessário, além do código de barra, para leitura correta do preço do produto, que seja feito o mesmo em relação a tamanho, embalagem, cor, ou sabor do produto. Na indústria isto é denominado de SKU, ou seja, cada produto pode ter um tamanho distinto, embalagem, cor e etc. Para a emissão de um pedido automatizado ao fornecedor, é importante que o dispositivo contenha todos esses dados. Assim, um supermercado, por exemplo, terá sempre a reposição certa de seus produtos. 8.Pedido emitido por computador A emissão automatizada de pedido por computador, transmitida via EDI ( Transmissão eletrônica de dados), é uma condição vital dessa estratégia. Isso vai permitir que a gestão da loja fique focada em outras atividades que agreguem valor e não percam tempo nem atenção com verificação de produtos nas prateleiras e emissão manual de pedidos. Considerações finais do ECR Focalizamos neste conteúdo alimentícios e não alimentícios, utilizando a estratégia do ECR, para demonstrar que eles já estão repensando a logística e apresentando uma nova visão, que vai ao encontro das necessidades dos clientes. É um exemplo concreto que já está vigorando na Europa e nos Estados Unidos e sendo introduzido no Brasil por meio das redes de supermercados estrangeiras, com adaptação à realidade local. Existem, no entanto, vários impedimentos à implantação rápida das práticas de ECR, quais sejam: � falta de comprometimento da cúpula das empresas em estimular mudanças nas práticas de negócio; � falta de conhecimento dos parceiros e integrantes em potencial a respeito de oportunidades, benefícios e princípios do ECR; � necessidade de investimento de tempo e recursos para levar cada novo parceiro à curva de aprendizado; � tempo e custosaltos para desenvolver e adaptar versões de sistemas de informação; � falta de gente com especialização técnica; � sistema de contabilidade e custos utilizados nas empresas que não medem os benefícios das práticas do ECR. A respeito desse último impedimento, o que as empresas americanas e europeias têm utilizado com muita propriedade e o ABC, custeio baseado em atividades. O ABC é utilizado no ECR para : � entender o custo real do produto e serviço; � determinar a rentabilidade dos produtos, serviços, canais, clientes e fornecedores; � analisar processos para entender os custos das atividades e ser capaz de eliminar ou reduzir as atividades que não agregam valor. Sua cadeia de distribuição tem a mesma base conceitual da cadeia de logística integrada Supply Chain. Envolve todos os integrantes da cadeia por meio de processos interligados e compartilhados. O relacionamento da empresa com o cliente evolui de um modelo de parceria para um modelo simbiótico. O sistema de gestão de estoque é um misto de pull, puxar estoque, e balanceamento sincrônico. A cadeia de distribuição integrada objetiva agregar valor ao consumidor final. Exercícios de Revisão – Unidade 05 1. Quais as mudanças ocorridas com a globalização no SCM ? 2. Explique a filosofiaJust in time (JIT). 3. Comente sobre o sistema de produção empurrada. 4. Comente sobre o sistema de produção puxada. 5. Quais as vantagens do sistema pull ? 6. Quais são os fatores determinantes na logística integrada ? 7. Quais são as pressões do mercado que estão influenciando nas mudanças da cadeia logística ? 8. De que forma o ciclo de vida dos produtos, pode influenciar na cadeia logística ? 9. Explique o que é a Suplly Chain Management – SCM. 10. Quais os fatores que influenciam no desempenho da SCM ? 11. Qual a função do EfficientConsomer Response – ECR ? 12. Explique o que é o ECR. 13. Quais as ferramentas que dão suporte ao ECR ? 14. Quais as vantagens da utilização do ECR ? 15. Faça uma pesquisa em sua região, para identificar empresas que utilizam o ECR em seus processos. 16. Quais os custos gerados por grandes estoques ? 17. Quais as vantagens da utilização de grandes estoques ?