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e dacombinaçãode ~
r---a-m-b-o-s-S-u-~-g-e-o-------l~~
oprocesso de pesquisa e
os enfoques quantitativo
e qualitativo: rumo a
um modelo integral
Síntese
o capítulo define os enfoques quantitativo e qualitarivo da pesquisa. Apresenta as etapas
do processo de pesquisa de maneira genérica e as aplica às duas perspectivas. Além disso,
propõe um ponto de vista em relação à pesquisa que envolve a possibilidade de mesclar as
duas modalidades de produção de conhecimento em um mesmo estudo, o qual se denomina
enfoque "multirnodal" da pesquisa.
Obietivos de
aprendizagem
Ae Eif1ªhZ<ilf~ eSllildQ·qeste
capí~10, você devefÓ ser
copoz de:
• Fortalecer seu conhecimento
sobre Q processo se
pesquisa.
• Conhecer a perspectiva ou
o enfoque multimodal na
pesquisa científica.
• Determinar as diferenças
ent~e os enfoques quantitativo
e qualitativo da pesquisa.
• Aprender a mesclar os
enfoques quantitativo
e qualitativo dentro do
processo de pesquisa.
METODOLOGIA DE PESQUISA
Advertência Neste capítulo são mencionados conceitos com os quais alguns alunos não estão fami-
liarizados, tais como hipótese, teoria, análise estatística, entrevistas etc, Tais conceitos são
definidos e explicados no decorrer do livro, por isso, os leitores não devem se preocupar agora
em entendê-los por completo, o importante é que fiquem claras as mensagens essenciais a
respeito dos enfoques quantitativo e qualitativo, bem como seu procedimento geral.
QUE ENFOQUES FORAM APRESENTADOS
PARA A PESQUISA?
Ao longo da História da Ciência, surgiram diversas correntes de pensamento, tais como o
empirismo, o materialismo dialético, o positivismo, a fenomenologia e o estruturalismo, os
quais deram origem a diferentes caminhos na busca pelo conhecimento. Agora não vamos
nos aprofundar nessas correntes, já que são abordadas extensamente em antologias e textos
sobre Sociologia.' Contudo, e devido às diferentes premissas que as sustentam.i desde a
segunda metade do século XX essas correntes foram polarizadas em dois enfoques principais:
o enfoque quantitativo e o enfoque qualitativo da pesquisa.
A seguir, comentaremos brevemente cada um e depois proporemos esquemas para
compreensão de sua inserção no processo de pesquisa, como também para visualizar que
podem fazer parte de um mesmo estudo ou de uma mesma aplicação de tal processo, o qual
se denomina os enfoque integrado "rnultimodal". Sabemos que esse enfoque enfrentará o
ceticismo de alguns colegas, em especial aqueles que se mostram radicais diante das posturas
estudadas. No entanto, há muitos anos acreditamos firmemente que ambos os enfoques,
quando utilizados em conjunto, enriquecem a pesquisa. Não se excluem, nem se substituem.
Nossa posição é de inclusão, e em toda a América Latina, aqueles que compartilharam
experiências canosco foram testemunhas disso.
Em termos gerais, os dois enfoques (quantitativo e qualitativo) utilizam cinco etapas
similares e relacionadas entre si (Grinnell, 1997):
a) Realizam observação e avaliação de fenômenos.
b) Estabelecem pressupostos ou idéias como conseqüência da observação e avaliação
realizadas.
c) Testam e demonstram o grau em que as suposições ou idéias têm fundamento.
HORTON, Paul B.; HUNT, Chester L. Sociology, Nova York: McGraw-Hill, 1985; e COSER, Lewis A.;
ROSENBERG, Bernard, Sociological Theory: A Book ofReadings, Nova York: Waveland Press, 1994.
2 O enfoque quantitativo nas ciências sociais tem origem na obra de Auguste Comre (1798-1857) e Émile Durkheim
(1858-1917). Eles propõem que o estudo dos fenômenos sociais deve ser "científico", ou seja, suscetíveis à aplicação
do mesmo método científico que se utilizava com considerável êxito nas ciências naturais. Sustentavam eles que
todas as coisas ou fenômenos podem ser medidos. Essa corrente levou o nome de positivisrno.
O enfoque qualitativo tem sua origem em Outro pioneiro das ciências sociais, Max Weber (1864-1920),
que introduz o termo versteben ou "entendimento", "compreensão", reconhecendo que além da descrição e da
medição de variáveis sociais, devem ser considerados os significados subjetivos e o entendimento do contexto no
qual ocorre um fenômeno. Weber propõe um método híbrido, com ferramentas como os tipos ideais, em que
os estudos não devem ser compostos unicamente de variáveis macrossociais, e sim de instâncias individuais.
o PROCESSO DE PESQUISA E OS ENFOQUES QUANTITATIVO E QUALITATIVO: RUMO A UM MODELO INTEGRAL~'.5
d) Revisam tais suposições ou idéias sobre a base dos testes ou da análise.
e) Propõem novas observações e avaliações para esclarecer, modificar e/ou fundamentar as
suposições e idéias; ou mesmo gerar outras.
Assim, o pesquisador de organizações buscará observar e avaliar aspectos das empresas ou
instituições, como o grau de satisfação dos funcionários. O pesquisador de direito tributário
fará o mesmo com os fenômenos tributários e tentará explicar a retenção de impostos em épocas
de crise. O pesquisador de engenharia civil, por exemplo, observará e/ou avaliará os novos
materiais para as estruturas. O pesquisador de ciências da comunicação aplicará tais etapas
para conhecer melhor os fenômenos comunicativos, como o surgimento de boatos quando
uma fonte emite mensagens contraditórias. Mesmo que os dois enfoques compartilhem das
mesmas etapas gerais, cada um terá, contudo, suas próprias características.
O enfoque quantitativo utiliza a coleta e a análise de dados para
responder às questões de pesquisa e testar as hipóteses estabeleci das pre-
viamente, e confia na medição numérica, na contagem e Ireqüenternen-
te no uso de estatística para estabelecer com exatidão os padrões de
comportamento de uma população.
O enfoque qualitativo, em geral, é utilizado sobretudo para descobrir e
refinar as questões de pesquisa. Às vezes, mas não necessariamente, hipóteses
são comprovadas (Grinnell, 1997). Com freqüência esse enfoque está baseado
em métodos de coleta de dados sem medição numérica, como as descrições e as observações.
Regularmente, questões e hipóteses surgem como parte do processo de pesquisa, que é fle-
xível e se move entre os eventos e sua interpretação, entre as respostas e o desenvolvimento
da teoria. Seu propósito consiste em "reconstruir" a realidade, tal como
é observada pelos atores de um sistema social predefinido. Muitas vezes
é chamado de "holístico", porque considera o "todo'? sem reduzi-lo ao
estudo de suas partes.
Do nosso ponto de vista, ambos os enfoques são bastante valiosos e
já realizaram contribuições notáveis ao avanço do conhecimento. Nenhum
é intrinsecamente melhor que o outro, são apenas diferentes em relação
ao estudo de um fenômeno. Pensamos que a controvérsia entre as duas
visões tem sido desnecessária e não está isenta de dogmatismo. A posição
assumida nesta obra é que os enfoques são complementares, ou seja, cada um exerce uma
função específica para conhecermos um fenômeno, e para nos conduzir à solução dos diversos
problemas e questionamentos. O pesquisador deve ser metodologicamente plural e guiar-se
pelo contexto, a situação, os recursos de que dispõe, seus objetivos e o problema do estudo em
questão. De fato, trata-se de uma postura pragmática.
A seguir, oferecemos exemplos de pesquisas que, utilizando um ou outro enfoque, se
dirigiram ao mesmo objeto-indivíduo de estudo.
Fundamentalmente, quais características se destacam no enfoque quantitativo da
pesquisa? Em linhas gerais, um estudo quantitativo regularmente seleciona uma idéia,
•Enfoque quantitativo: usa coleta
de dados para testar hipóteses com
base na medição numérica e na
análise estatística para estabelecer
padrões de comportamento.
Enfoque qualitativo: utiliza coleta
de dados sem medição numérica
para descobrir ou aperfeiçoar
questões de pesquisa e pode ou não
provar hipóteses em seu processo de
in terp retação.
3 Aqui, o "todo" é o fenômeno que interessa. Por exemplo, em seu livro Police Work, Peter Manning(1997) mergulha
por semanas no estudo, na informação e na análise do trabalho policial. O que interessa é estudar as relações e a
lealdade que surgem entre indivíduos que se dedicam a este trabalho. O objetivo é alcançado sem a "medição" de
atitudes: apenas captando o próprio fenômeno da vida neste trabalho.
METODOLOGIA DE PESQUISA
Exemplos TEMA-OBJETO ESTUDOS ESTUDOS (ESTUDOS (ESTUDOS
de estudos DE ESTUDO QUALITATIVOS QUANTITATIVOS QUALITATIVOS) QUANTITATIVOS)
: I
quantitativos
e quelitotlvos
sobre o A família Gabriel Careaga (1977): Ma. Elena Oto Mishima Dora Tognoli Guglielme (1988): Viviane Mendonça Pereira (2001):
mesmo tema Mitos y fantasías de Ia ela- (1994): Las migraciones Famílias modernas: um estu- O recente processo migratório
se media en México. a México y Ia contor- do da dinâmica familiar. interno brasileiro e seus deter-
mación paulatina de Ia minantes.
Quadro 1.1 familia mexicana.
Tipo de O livro é uma abordagem Descrição da procedên- Estudo de famílias de Utilizando microdados fornecidos
estudo crítica e teórica do surgi- cia dos imigrantes ao classe média paulistana pela PNAD - Pesquisa Nacional
mento da classe média México; sua integração consideradas a partir da por Amostra e Domicílios (IBGE),
em um país pouco desen- econõmica e social às aliança marido-mulher. este estudo, por meio de uma
volvido. O autor combina diferentes esferas da Foram realizadas oito en- análise gráfica e tabular, procurou
as análises documental, sociedade. trevistas com pares que primeiramente abordar as principais
política, dialética e psica- compunham esses grupos características, composição e estru-
nalítica com a pesquisa contatados individualmente. tura do atual processo migratório
social e biográfica para A partir dos dados obtidos brasileiro. Posteriormente, por meio
reconstruir tipologias ou pode-se ter acesso à de um modelo econcmétrico, o
família-tipo. dinâmica grupal, conflitos de atual trabalho procurou observar
papéis e expectativas não o comportamento das migrações
atendidas. intemas brasileiras atuais e seus
determinantes.
A comunidade Luis González y González Everett Rogers e Rafael Victorino Devos (2004): Maria José Carneiro (2002): O
(1995): Pueblo en vila. Frederick B. Waisanen Uma "ilha assombrada" na ci- ideal urbano: campo e cidade no
(1969): The impact of dade: estudo etnográfico sobre imaginário de jovens rurais.
communication on rural cotidiano e memória coletiva a
development. partir das narrativas de antigos
moradores da Ilha Grande dos
Marinheiros, Porto Alegre.
Tipo de O autor descreve com É determinado como se Tomando o Arquipélago en- A pesquisa foi realizada em duas
estudo detalhe a rnicro-bistória dá o processo de cornu- quanto um "territórto-rnito" da áreas essencialmente rurais e
de San José de Ia Gracia, nicação de inovações cidade, realiza-se a análise agrícolas: no Estado do Rio de
onde são examinadas e em comunidades rurais, da "arte de dizer" desses Janeiro e no Rio Grande do Sul.
entrelaçadas as vidas de e são identificados os narradores antigos e das A pesquisa teve a preocupação
seus residentes GOmseu motivos para aceitar constelações de imagens de levantar informações sobre
passado e outros aspectos ou recusar a mudança presentes ao repertório de filhos de não-agricultores. Ao todo
da vida cotidiana. social. Ademais, fica narrativas míticas, contos foram aplicados 105 questionários
estabelecido qual fantásticos e lendários o trajeto e entrevistas com 23 jovens entre
método de comunicação antropológico de assimilação 15 e 26 anos.
é mais proveitoso. e acomodação da figura de
um "Homem da Tradição" às
margens da cidade.
As profissões Howard Becker (1951): Linda D. Hammond Marcelo Almeida Gadelha Marta de Campos Maia (2005):
The professional dance (2000): Teacherquality (2004): Organização Metodologia de ensino e
musician and his au- andstudent Brown: identidade cultural e avaliação de aprendizagem.
dience. achievement. lideranças em um complexo de
organizações baianas.
continua
que transforma em uma ou vanas questões relevantes de pesquisa (Capítulo 3); logo,
hipóteses e variáveis são derivadas dessas questões; um plano é desenvolvido para testá-Ias;
as variáveis são medidas em um determinado contexto; as medições obtidas são analisadas
(freqüenternente utilizando métodos estatísticos), e é estabelecida uma série de conclusões
a respeito daís) hipóreseís).
Se observarmos o Quadro 1.1, os estudos quantitativos propõem relações entre variáveis
com a finalidade de chegar a proporções precisas e fazer recomendações. Por exemplo, a
investigação de comunicação em que Rogers e Waisanen (1969) propõem que a comunicação
interpessoal é mais eficaz que a comunicação da mídia nas sociedades rurais. Espera-se que, nos
estudos quantitativos, os pesquisadores elaborem um relatório com seus resultados e ofereçam
recomendações que servirão para a solução de problemas ou na tomada de decisões.
o PROCESSO DE PESQUISA E OS ENFOQUES QUANTITATIVO E QUALITATIVO: RUMO A UM MODao
Sê-
5
TEMA-oBJETO
DE ESYUDO
ESTUDOS
.QUAl,ITATI'lQS
Tipo de
estudo
Narração detalhada de
processos de identifica-
ção e outras condutas de
músicos de jazz com base
em suas competências e
conhecimento de música.
Organizações William D. Bygrave e Dan
de trabalho D'Heilly (Eds.) (1997):
The Portable MBA Entre-
preneurship Case Studies.
Tipo de
estudo
Compêndio de estudos de
caso que apóiam a análise
da viabilidade de novas
empresas e os desafios
que enfrentam nos merca-
dos emergentes.
O fenômeno
urbano
Manuel Castells (1979):
The Urban Question.
Tipo de
estudo
o autor critica aqueles que
tradicionalmente estudam
o urbanismo, e argumenta
que a cidade não é mais
que um espaço onde se ex-
pressam e se manifestam
as relações de exploração.
>ESTUDOS
.~Ul\NTlTATIVQ5
Estabelece correlações
entre estilos de ensino, de-
sempenho da ocupação
docente e êxito dos
alunos.
P. Marcus, P. Baptista e
P. Brandt (1979): Rural
Delivery Systems.
Pesquisa que demonstra
a pouca coordenação
que existe em uma rede
de serviços sociais.
Estabelece as políticas
a serem seguidas
para conseguir que os
serviços cheguem aos
destinatários.
E. Wirth (1964): i,Cuáles
son Ias variables que
afectan Ia vida social en
Ia ciudad?
A densidade populacional
e a escassez de habita-
ção se estabelecem co-
mo influências no desen-
volvimento político.
(ESTUDOS
QUALITATIVOS)
o objetivo da pesquisa
foi analisar como se dão
as complicadas relações
entre a cultura baiana, a
Comunidade Candeal e
Carlinhos Brown (artista
baiano, percussionista) nas
gestões das organizações.
Foram realizadas entrevistas
e observação participante.
Gabriela R. B. de Andrade;
Jeni Vaitsman (2002):
Apoio social e redes: conectan-
do solidariedade e saúde.
Baseado em pesquisa quali-
tativa, com entrevistas semi-
estruturadas e observação
participante, o trabalho ana-
lisa o papel de uma
associação, na visão de
profissionais do hospital
e pacientes, a partir dos
conceitos de rede social,
apoio social e empowennent.
Wencesláo Machado de Oli-
veira Jr. (1994): A Cidade
(tele) percebida.
Focaliza algumas das
principais relativizações
impostas ao conceito de
espaço na área do media.
Busca a imagem atual
da cidade, a partir da
interpretação de desenhos
realizados por jovens-das
cidades de Brasília, Rio de
Janeiro e São Paulo.
Exemplos
de es1uda5
quanti
e qual-
sobre o
mesmo
Neste trabalho será apresentada
uma síntese da visão teórica que
embasou este enfoque, onde
se evidencia a importância da
metodologia para a efetividade
do ensino-aprendizado e para a
avaliação de um curso. A seguir
apresentaremos os resultados da
pesquisa quantitativa sobre meto-
dologia de ensino utilizada e de
avaliação de um curso a distância,
que orientaram este trabalho.
Quadro
continuoc;:iD
Ana Lúcia Mendonça (2004):Metodologia de ensino e
avaliação de aprendizagem.
O objetivo desta pesquisa quan-
titativa (exploratória) é analisar os
resultados de uma avaliação apli-
cada aos alunos do curso GVnext,
curso de especialização lato
sensu a distância para executivos
do GVnet sobre a metodologia
de ensino-aprendizagem e de
avaliação.
Raquel Rolnik (1999):
Exclusão territorial e violência.
Explora o nexo entre urbanização
de risco e violência urbana, utili-
zando a experiência concreta
de diferentes cidades no Estado
de São Paulo. A base empírica
deste estudo é uma pesquisa
estruturada para avaliar o impacto
de regulação urbanístioa no
funcionamento de mercados
residenciais nas cidades do
Estado de São Paulo com mais
de 20 mil habitantes.
Essencialmente, quais características se destacam no enfoque qualitativo da pes-
quisa? As pesquisas qualitativas também são guiadas por áreas ou temas significativos da
pesquisa. Contudo, em vez da clareza sobre as questões e hipóteses preceder à coleta e análise
dos dados (como na maioria dos estudos quantitativos, pelo menos em intenção), os estudos
qualitativos podem desenvolver questões e hipóteses antes, durante ou depois da coleta e
da análise. Com freqüência, essas atividades servem, primeiramente, para descobrir quais
são as questões mais importantes na pesquisa; e, depois, para refiná-las e respondê-Ias (ou
testar hipóteses). O processo se move dinamicamente entre os "fatos"
e sua interpretação em ambos os sentidos. Como se observa no Quadro
1.1, seu tipo final muitas vezes consiste em compreender um fenômeno
social complexo. A ênfase não está em medir' as variáveis envolvidas no
fenômeno, mas em entendê-lo.
Modelo multimodal (triangolação):
convergência ou fusão dos enfoques
de pesquisa quantitativo e
qualitativo.
Daniela Batista
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Em uma pesquisa
qualitativa, o
importante é
compreender o
fenômeno, como as
normas e condições
próprias que regem a
profissão de
um músico de jazz.
Tomando como exemplo o estudo das profissões
e seus efeitos na conduta individual, no Quadro 1.1
notamos a divergência a que nos referimos. No estudo
clássico de Howard Becker (1951) sobre o músico de jazz,
o autor consegue fazer que compreendamos as regras e os
costumes no desempenho dessa profissão. E a utilidade
disso?, perguntarão algumas pessoas. Ela não está apenas
em compreender esse contexto, mas sim entender que as
normas que o regem podem extrapolar para outras situações
de trabalho. O estudo quantitativo de Hammond (2000),
por sua vez, estabelece com clareza as variáveis pessoais e
do desempenho da profissão de docente, que sirvam para
formular políticas de contratação e de capacitação para os
docentes. Para quê? Com a finalidade de desenvolver o
sucesso acadêmico dos estudantes.
Até agora, o principal é que o leitor se abstenha de
avaliar se um enfoque é melhor que o outro. É preciso
compreender, por enquanto, que tradicionalmente abordamos as diversas questões relativas a
este. Partimos das diferenças em relação ao epistemológico (ou teoria do conhecimento), que
em poucas palavras diz respeito à postura que o pesquisador ou qualquer outra pessoa deve
assumir perante a realidade. O conhecimento do social é a meta das ciências sociais em geral,
mas no particular interessam as divergências que estão sintetizadas no Quadro 1.2 (p. 9).
Que outras características possuem esses enfoques,
e como se diferenciam?
O enfoque qualitativo busca principalmente "dispersão ou expansão" dos dados ou da in-
formação; enquanto o quantitativo pretende intencionalmente "delimitar" a informação
(medir com precisão as variáveis do estudo, ter "foco")."
De acordo com M. A. Rothery (apud Grinnell, 1997), para gerar conhecimento o
enfoque quantitativo se fundamenta no método hipotético-dedutivo, considerando as
. .
segullltes premIssas:
1. Delineamos teorias e delas derivamos hipóteses.
2. As hipóteses são submetidas à prova utilizando os modelos de pesquisa apropriados.
3. Se os resultados sustentam as hipóteses ou forem condizentes com elas, é obtida
evidência em seu favor. Se os resultados as refutarem, são descartadas em busca de
melhores explicações e hipóteses.
Quando os resultados de diversas pesquisas trazem evidência em favor das hipóteses,
geram confiança na teoria que as sustenta ou apóia. Se esse não for o caso, as hipóteses são
descartadas e, eventualmente, também a teoria.
4 Usemos o exemplo de uma câmera forográfica: no estudo quantitativo é definido o que se vai forografar e tira-se
a foto. No estudo qualitativo é como se a função zoam in (aproximação) ou zoom out (distanciamento) fossem
acionadas constantemente para capturar em uma área qualquer figura de interesse.
o PROCESSO DE PESQUISA E OS ENFOQUES QUANTITATIVO E QUALITATIVO: RUMO A UM MODELO INTEGRAL
~ .
2'
6
META DAS CIÊNCIAS SOCIAIS
+
CONHECER O FENÔMENO SOCIAL
Meta das ciências sociais
ENFOQUE QUANTITATIVO ENFOQUE QUALITATIVO
Ponto de partida Quadro 1.2Há uma realidade a conhecer. Há uma realidade a descobrir.
Premissas A realidade do fenômeno social pode ser
conhecida com a mente.
A realidade do fenômeno social é a mente.
A realidade é construída pelo(s) indivíduo(s)
que dá (dão) significados ao fenômeno social.
Dados Uso de medição e quantíficação. Uso da linguagem natural.
Finalidade Busca relatar o que acontece. Fatos que
dêem informação específica da realidade
que podemos explicar e prever.
Busca entender o contexto e/ou o ponto
de vista do ator social.
Além dessas premissas, são levadas em conta outras considerações na pesquisa quantitativa.
Grinnell (1997) e Creswell (1997) apontam que não descartam a realidade subjetiva nem as
experiências individuais. Assim:
1. Existem duas realidades: "a primeira consiste em crenças, pressupostos e expenencias
subjetivas das pessoas. Essas chegam a variar: de muito vagas ou gerais (intuições) até
crenças bem organizadas e desenvolvidas logicamente por meio de teorias formais. A
"segunda realidade" é objetiva e independente das crenças que tenhamos em relação a ela
(a auto-estima, uma lei, mensagens televisivas, a Aids etc. acontecem, ou seja, constituem
realidades em forma independente de nosso pensamento sobre elas).
2. Essa "realidade objetiva" (ou realidades) pode ser conhecida. Sob essa premissa, torna-se
possível conhecer uma realidade externa e independente do indivíduo.
3. É preciso conhecer e obter a maior quantidade de informação sobte a "realidade objetiva". A
realidade do fenômeno existe e é certo que conhecemos os eventos à nossa volta por meio de
suas manifestações. Para entender nossa realidade, o porquê das coisas, é preciso registrar e
analisar tais eventos (Lesser, 1935). Portanto, para esseenfoque, o indivíduo existe e possui um
valor para os pesquisadores, mas de forma alguma está perto de demonstrar quão bem se ajusta
à realidade objetiva. Documentar essa coincidência é o objetivo central de muitos estudos
quantitativos (que os efeitos que consideramos apresentar uma doença sejam verdadeiros,
que captamos a relação "real" entre as motivações de um indivíduo e sua conduta, que o
material que se supõe ter uma determinada resistência realmente a tenha etc.).
5 Becker (1993) diz: "a 'realidade' é o pomo mais esrressante das ciências sociais. As diferenças entre os dois enfoques
tem um tom eminentemente ideológico. O grande filósofo alemão Karl Popper (1965) nos faz entender que a origem
das visões conflitivas, sobre o que é ou deve ser o estudo do fenômeno social, encontram-se nas premissas de diferentes
definições sobre o que é a realidade. O realismo desde Aristóteles estabelece que o mundo chega a ser conhecido pela
mente. Kant introduz a idéia de que o mundo pode ser conhecido porque a realidade se assemelha às formas que a
mente tem. Já Hegel vai rumo a um idealismo puro e propõe que: 'O mundo é minha mente'. Esse último é certamente
confuso,e assim o considera Popper, advertindo que o grande perigo dessa posição é que ela permite o dogmarismo
(como provou, por exemplo, o materialismo dialérico). O avanço no conhecimento, diz Popper, necessita de conceitos
que possamos refutar ou provar. Essa característica delimita o que é ou não ciência.n
METODOLOGIA DE PESQUISA•
4. Quando as investigações estabelecem que a "realidade objetiva" é diferente de nossas
crenças, essas devem ser modificadas ou adaptadas em torno da realidade.
Para esse enfoque, a forma confiável para conhecer a realidade é por meio da cole-
ta e análise de dados, de acordo com certas regras lógicas. Se essas regras são seguidas
cuidadosamente e os dados gerados possuem os padrões de validade e confiabilidade (Capítulo
10), as conclusões obtidas serão válidas, ou seja, a possibilidade de serem contestadas ou
replicadas com a finalidade de construir conhecimento.
Em geral, nos estudos quantitativos uma ou várias hipóteses são estabelecidas (su-
posições sobre uma realidade), um plano é desenvolvido para submetê-Ias à prova, os
conceitos incluídos nas hipóteses (variáveis) são medidos e se transformam as medições
em valores numéricos (dados quantificáveis), para serem analisados posteriormente com
técnicas estatísticas e estender os resultados a um universo mais amplo, ou para consolidar
as crenças (formuladas de modo lógico em uma teoria ou em um esquema teóricoj.?
Tais estudos levam a essência em seu título: quantificar e dar evidência a uma teoria que
se tem para explicar algo; a teoria se mantém até que seja refutada ou que se encontre uma
explicação melhor. Um estudo se baseia em outro. Os estudos quantitativos se associam
aos experimentos, as pesquisas a questões fechadas ou aos estudos em que se empregam
instrumentos de medição padronizados. Além disso, na interpretação aos estudos existe uma
humildade que deixa tudo sem conclusão e convida a seguir pesquisando para melhorar
o conhecimento, colocando à disposição de outros pesquisadores todos os métodos e os
procedimentos.
Por sua vez, o enfoque qualitativo, às vezes citado como investigação naturalista,
fenomenológica, interpretativa ou etnográfica, é uma espécie de "guarda-chuva", no qual
se inclui uma variedade de técnicas de estudos não-quantitativos (Grinnell, 1997).
Dentro da variedade de enfoques qualitativos existe um denominador comum que po-
deríamos situar no conceito de padrão cultural (Colby, 1996), que parte da premissa que
toda cultura ou sistema social tem um modo único para entender coisas e eventos. Essa
cosmovisão afeta a conduta humana. O estudo dos modelos culturais - que são pontos de
referência para o ator social e que são construídos pelo inconsciente, aquilo que é trans-
mitido pelos outros e pela experiência pessoal - são entidades flexíveis e maleáveis que se
transformam no objeto de estudo do qualitativo.
Em termos gerais, os estudos qualitativos envolvem a coleta de dados utilizando
técnicas que não pretendem medir nem associar as medições a números, tais como obser-
vação não-estruturada, entrevistas abertas, revisão de documentos, discussão em grupo,
avaliação de experiências pessoais, inspeção de histórias de vida, análise semântica e de
discursos cotidianos, interação com grupos ou comunidades e introspecção.
M. A. Rothery e R. Grinnell (Grinnell, 1997) e Creswell (1997) descrevem essas
pesquisas como estudos:
• Que são conduzidos basicamente em ambientes naturais, em que os participantes se
comportam como de costume em sua vida cotidiana.
6 Os pesquisadores que se guiaram por esse enfoque mewdológico pretendiam expandir o ripo de escudos sociais,
além do que se consideravam abordagens meramente especulativas.
o PROCESSO DE PESQUISA E OS ENFOQUES QUANTITATIVO E QUALITATIVO: RUMO A UM MODELO IN
~-e
=1'c:
5
• Nos quais as variáveis não se definem com o propósito de serem manipuladas nem con-
troladas experimentalmente (portanto, mudanças são observadas em diferentes variáveis e
suas relações).
• Em que as questões de pesquisa nem sempre foram conceituadas ou definidas por completo,
ou seja, na forma como serão medidas ou avaliadas (ainda que às vezes isso seja possível).
• Em que a coleta de dados é influenciada fortemente pelas experiências e as prioridades
dos participantes da pesquisa, mais do que pela aplicação de um instrumento de medição
padronizado, estruturado e predeterminado.
• Em que os significados são extraídos dos dados e apresentados a outros, e não precisam
ser reduzidos a números nem necessariamente analisados estatisticamente (ainda que a
contagem, a análise do conteúdo e o tratamento da informação utilizem expressões nu-
méricas para serem analisadas depois).
Patton (1980, 1990) define os dados qualificativos como descrições detalhadas de situa-
ções, eventos, pessoas, interações, condutas observadas e suas manifestações.
Um estudo qualitativo busca compreender seu fenômeno de estudo em seu ambiente usual
(como as pessoas vivem, se comportam e atuam; o que pensam; quais são suas atitudes erc.).
Neuman (1994) sintetiza as principais atividades do pesquisador qualitativo com os
seguintes comentários:
• Ele observa eventos ordinários e atividades cotidianas tais como ocorrem em seus ambientes
naturais, além de qualquer acontecimento incomum.
• Está diretamente envolvido com as pessoas que são estudadas e com suas experiências
pessoaIs.
• Adquire um ponto de vista "interno" (de dentro do fenômeno), ainda que mantenha uma
perspectiva analítica ou uma distância específica como observador externo.
• Utiliza diversas técnicas de pesquisa e habilidades sociais de maneira flexível, de acordo
com as necessidades da situação.
• Produz dados em forma de notas extensas, esquemas, mapas ou "quadros humanos" para
gerar descrições bastante detalhadas.
• Segue uma perspectiva holística (os fenômenos são concebidos como um "todo" e não
como partes) e individual.
• Entende os membros estudados e desenvolve empatia em relação a eles; não apenas registra
fatos objetivos e "frios".
• Mantém uma perspectiva dupla: analisa os aspectos explícitos, conscientes e manifestos,
bem como aqueles implícitos, inconscientes e subjacentes. Nesse sentido, a realidade
subjetiva em si mesma é objeto de estudo.
• Observa os processos sem alterar ou impor um ponto de vista externo, e sim tais como são
percebidos pelos atores do sistema social.
• É capaz de lidar com paradoxos, incertezas, dilemas éticos e ambigüidade.
Os estudos qualitativos não pretendem generalizar de maneira intrínseca os resultados
para populações mais amplas, nem necessariamente obter amostras representativas (sob a lei
da probabilidade); não pretendem nem mesmo que seus estudos sejam replicados. Assim, se
fundamentam mais em um processo indutivo (exploram e descrevem, e logo geram perspectivas
teóricas). Vão do particular para o geral.
Durante várias décadas considerou-se que os enfoques quantitativo e qualitativo são
perspectivas opostas, inconciliáveis e que não devem se misturar. Os críticos do enfoque
quantitativo acusam-no de ser "impessoal, frio, limitado, fechado e rígido". Por
sua vez, os críticos do enfoque qualitativo o consideram "vago, subjetivo, inválido,
meramente especulativo, sem possibilidade de réplica e sem dados sólidos que apóiem
as conclusões".
A base da separação entre os dois enfoques centra-se na idéia de que um estudo com
um enfoque pode neutralizar o outro. Trata-se de uma noção que tem impossibilitado a
reunião dos enfoques quantitativo e qualitativo. Superar uma conceituação, em nosso ver
"fundamentalista", chega a conceber a união dos dois enfoques, que Denzin (1978) chama
de "triangulação".
Se revisarmos os estudos científicos realizados nos últimos anos (buscando nas publicações
produzidas em distintas disciplinas e campos), observaremos uma tendência crescente nesse
sentido: a fusão, o casamento quanti-quali. Isso sedeve talvez ao fato de termos percebido
que, mais que beneficiar, as lutas ideológicas e as posições dogmáticas impediram o avanço
do conhecimento, por isso, é preciso buscar a convergência ou a triangulação.
A triangulação é complementar no sentido de sobrepor enfoques e em uma mesma
pesquisa mesclar diferentes facetas do fenômeno de estudo. Tal união ou integração agrega
profundidade a um estudo e, ainda que cheguem a surgir contradições entre os resultados de
ambos os enfoques, agrega-se uma perspectiva mais completa do que estamos investigando.
Diante da oportunidade de fundir ambos os enfoques, Grinnell (1997) considera
uma série de questionamentos: os paradigmas intuitivo e dedutivo devem estar vinculados
a enfoques específicos? Por exemplo, se empregamos um esquema indutivo, baseados em
uma postura qualitativa para um estudo, isso significa que também devamos utilizar
procedimentos de coleta de dados usualmente associados às investigações qualitativas?
Por sua vez, um estudo baseado em um esquema dedutivo e guiado por uma teoria
que seja produto da pesquisa quantitativa sempre terá que se vincular a procedimentos
de coleta de dados e esquemas ligados a tal tipo de investigação, como os experimentos
e as pesquisas? As respostas não são simples. Os "puristas" exigem a separação entre os
enfoques quantitativo e qualitativo, como se um velho inimigo do positivismo tivesse
atacado de novo, alegando que aquilo que chamamos de objetividade não existe. De seu
lado, os "situacionistas" asseguram que cada enfoque é apropriado para situações específicas;
os "pragmáticos" integram ambos os enfoques, sobretudo quando é apropriado em situações
concretas. Este livro adere à última posição.
Acreditamos que é preciso dar mais ênfase aos pontos positivos que às limitações
de cada enfoque, em todo caso, uma situação de pesquisa particular nos dirá se devemos
utilizar um enfoque ou outro, ou ambos.
É preciso esclarecer, contudo, que o enfoque selecionado (quantitativo, qualita-
tivo ou algum tipo de mistura entre ambos) não tem necessariamente relação direta
com os métodos de coleta de dados. Por exemplo, um experimento clássico (definido
como quantitativo) pode utilizar métodos de coleta de dados tanto qualitativos como
quantitativos (aplicar como prova testes e questionário fechado, estruturado, e entrevistas
abertas). Ou uma pesquisa qualitativa (um estudo que procure entender os sentimentos
de doentes terminais de Aids) pode coletar dados por meio de entrevistas abertas e aplicar
uma prova estruturada do sentido da vida.
Nossa sugestão aos estudantes seria que conhecessem a fundo ambos os métodos,
refletissem sobre suas vantagens e limitações, para assim decidir qual enfoque ou mescla
será mais útil para cada caso.
o PROCESSODE PESQUISA EOS ENFOQUES QUANTITATIVO EQUALITATIVO: RUMO A UM MODELO INTEGRAl.
f;;
2'
5
Para que o leitor iniciante tenha uma idéia da diferença entre ambos os enfoques, utili-
zaremos um exemplo muito simples e cotidiano relativo à atração física, explicado de forma a
facilitar o entendimento, ainda que para alguns professores isso possa parecer simples demais.
No exemplo não são consideradas, portanto, as implicações paradigmáticas que se en-
contram por trás de cada enfoque, mas é enfatizado que, em termos práticos, ambos os estudos
contribuem para o conhecimento de um fenômeno.
Um exemplo
para ajudar a
compreender
os enfoques
quantitativo e
qualitativo da
pesquisa.
Suponhamos que um estudante esteja interessado em saber quais fatores influem
para que uma pessoa seja definida e percebida como "conquistadora" (que cativa
indivíduos do sexo oposto e faz que se sintam atraídos por ele e se apaixonem).
Então, decide realizar um estudo (sua idéia para pesquisar) em sua escola.
Sob o enfoque quanricativo-dedutivo, o aluno estabeleceria seu problema de
estudo definindo seu objetivo e uma questão de pesquisa (o que quer fazer e o
que quer saber).
Por exemplo, o objetivo poderia ser "conhecer os fatores que determinam
o fato de uma pessoa ser vista como atraente e conquistadora"; e a questão de
pesquisa, quais fatores determinam o fato de uma pessoa ser vista como atraente e "conquistadora"?
Posteriormente, revisaria estudos sobre a atração física nas relações heterossexuais, os elementos
que interferem no inicio da convivência amorosa, a percepção dos jovens em torno de tais relações,
as diferenças por sexo de acordo com os atributos dos outros que os atraem etc.
Delimitaria seu problema de pesquisa; selecionaria uma teoria que explique sarisfatoriamente
- com base em estudos prévios - a atração física e a paixão nas relações entre jovens; e, se possível,
estabeleceria uma ou várias hipóteses (por exemplo: "os rapazes ou garotas que conseguem mais
conquistas amorosas são aqueles que têm maior prestígio social na escola, que são mais seguros de si
mesmos e mais extrovertidos").
Depois, poderia entrevistar colegas de sua escola e os interrogaria sobre o grau em que o pres-
ágio social, a segurança em si mesmo e a extroversão influem na conquista de pessoas de outro sexo.
Inclusive, chegaria a utilizar questionários já estabelecidos, bem projerados e confiáveis. Talvez
entrevistasse somente uma amostra de alunos. Também seria possível perguntar às pessoas que têm
fama de conquistadoras sobre o que pensam a respeito.
E analisaria os dados e informações provenientes das entrevistas para chegar a conclusões sobre
suas hipóteses. Talvez também realizasse experiências ao escolher pessoas com o perfil "conquistador",
dirigindo-as para a conquista de outras colegas.
Seu interesse seria, ao menos, generalizar os resultados do que ocorre em sua comunidade estudantil.
O pesquisador procura testar suas crenças e conseguir demonstrar que o prestígio, a segurança em si
mesmo e a extroversão são fatores relacionados com a conquista, tentaria outras explicações; talvez
agregando outros fatores como dimensões da atração física, a maneira de se vestir etc.
No processo, vai deduzindo da teoria o que encontra em seu estudo. Desse modo, se a teoria
selecionada for inadequada, seus resultados serão fracos.
Sob o enfoque qualirativo-indutivo, o estudante, mais que definir o problema de pesquisa,
sentaria na cantina da escola para observar as pessoas que têm fama de conquistadoras, levando em
conta suas características, a maneira como se comportam, seus atributos e a forma de se relacionar
com os demais (em especial, com pessoas do sexo oposto). Daí, poderia obter algum esquema que
explicasse as razões pelas quais essas pessoas conquistam outras.
Depois entrevistaria com questões abertas algumas dessas pessoas e também aquelas que foram
conquistadas por elas. Disso chegaria a conclusões e contrastaria seus achados com outros estudos.
ão seria indispensável obter uma amostra representativa nem generalizar seus resultados.
Seu procedimento seria indutivo: de cada caso de conquistador estudado se obteria, talvez, o
perfil procurado.
O pesquisador também poderia mesclar ambos os enfoques e proceder simultaneamente das
duas maneiras (encarregar um grupo de amigos de realizar o primeiro estudo, baseado na teoria
produto de investigações anteriores; e encarregar outro grupo de iniciar a pesquisa observando os
conquistadores na cantina [enfoque misto quantitativo-qualitativoj).
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Os métodos
quantitativos têm
sido mais utilizados
pelos pesquisadores
das chamadas
"ciências exatas".
J
o PROCESSO DE PESQUISA
Desde a primeira edição deste livro, insistimos na premissa de conceber a pesquisa como
um processo constituído por diversas etapas, passos ou fases, organizados de uma maneira
lógica, seqüencial e dinâmica. Isso não quer dizer que não seja possível retomar a uma
etapa anterior ou visualizar as etapas subseqüentes.
Em termos gerais, esse processo se aplica tanto ao enfoque quantitativo quanto ao qua-
litativo, portanto, com suasdiferenças, que serão analisadas em cada etapa dentro do livro.
Por enquanto, comentaremos que, no caso da maioria dos estudos quantitativos,
o processo se aplica de forma seqüencial: começa com uma idéia que vai sendo refinada
e, uma vez delimitada, os objetivos e questões da pesquisa são estabelecidos, a literatura é
revisada e um marco ou perspectiva teórica é construído. Depois, os objetivos e questões,
cujas tentativas de respostas são traduzi das em hipóteses, são analisados; um plano para testar
as hipóteses (projeto de pesquisa) é elaborado ou selecionado, e uma amostra é determinada.
Por último, os dados são coletados utilizando um ou mais instrumentos de medição, os quais
são estudados (a maioria das vezes pela análise estatística) e os resultados relatados.
Cabe apontar que, na coleta de dados, poderia haver o envolvimento de um instrumento
de natureza qualitativa como a aplicação de uma entrevista aberta.
Por sua vez, nas pesquisas qualitativas, o processo não é aplicado necessariamente
de maneira seqüencial (ainda que possa ser aplicado dessa forma). Na maior parte desses
estudos, a seqüência seria como mostra a Figura 1.1.
A diferenciação do problema (objetivos do estudo, as questões de pesquisa e a justificativa)
e as hipóteses conseqüentes surgem em qualquer parte do processo em um estudo qualitativo:
desde que a idéia foi desenvolvida até, inclusive, a elaboração do relatório de pesquisa.
E, do mesmo modo que na pesquisa quantitativa, tal definição é suscetível a
mudanças, como se menciona ao longo do livro.
O trabalho de campo significa sensibilizar-se com o ambiente ou lugar, identificar
informantes que tragam dados adicionais, entrar e concentrar-se na situação de pesquisa,
além de verificar a viabilidade do estudo.
Aqui as técnicas de coleta de dados, do mesmo modo que
na pesquisa quantitativa, podem ser múltiplas (entrevistas,
provas, questionários abertos, sessões de grupos, análise de
episódios, biografias, casos, gravações em áudio ou vídeo,
registros, revisão de arquivos, observação etc.).
Na fase da coleta de informações devemos levar um
caderno de notas ou diário pessoal - ou outras tecnologias,
como um laptop -, para registrarmos os fatos, as interpreta-
ções, as crenças e reflexões sobre o trabalho de campo e a
obtenção dos dados. Portanto, são anexados documentos e
discussões da equipe de trabalho.
Quais vantagens tem cada um dos enfoques
quantitativo e qualitativo?
Como insistimos anteriormente, ambos os enfoques são
proveitosos. A investigação quantitativa nos oferece a
a
e
o PROCESSO DE PESQUISA E OS ENFOQUES QUANTITATIVO E QUALITATIVO: RUMO A UM MODELO INTEGaAI.
~
~l
6
possibilidade de generalizar os resultados de
maneira mais ampla, concede-nos controle
sobre os fenômenos e um ponto de vista de
contagem emagnitude em relação a eles.Assim,
oferece uma grande possibilidade de réplica e
um enfoque sobre pontos específicos de tais
fenômenos, além de facilitar a comparação en-
tre estudos similares.
Por sua vez, a pesquisa qualitativa dá
profundidade aos dados, a dispersão, a riqueza
interpretativa, a contextualização do ambiente, os
detalhes e asexperiências únicas. Também oferece
um ponto de vista "recente, natural e holístico"
dos fenômenos, assim como flexibilidade.
Por isso, a mistura dos dois modelos po-
tencializa o desenvolvimento do conhecimento,
aconstrução de teorias earesolução deproblemas.
Ambos são empíricos, porque coletam dados do
fenômeno que estudam. Tanto um como outro
requer seriedade, profissionalisrno e dedicação.
Empregam procedimentos distintos e possíveis
de utilizar com acerto.
Desse modo, os métodos quantitativos
têm sido mais usados por ciências como a física,
a química e a biologia. Portanto, são mais ade-
quados para as ciências chamadas "exatas".
Os qualitativos têm sido empregados em disciplinas humanísticas como a antropologia, a
etnografia e a psicologia social. Não obstante, ambos os tipos de estudo são úteis para todos
os campos, como demonstraremos ao longo da presente obra. Por exemplo, um engenheiro
civil pode realizar um estudo para construir um grande edifício. Ele empregaria estudos
quantitativos e cálculos matemáticos para erguer a edificação, e analisaria dados estatísticos
sobre resistência de materiais e sobre estruturas similares construídas em subsolos iguais sob
as mesmas condições. Porém, também poderia enriquecer o estudo realizando entrevistas com
engenheiros muito experientes.
Um estudioso dos impactos de uma desvalorização na economia de um país complemen taria
suas análises quantitativas com sessões de discussões profundas com especialistas e realizaria
uma análise histórica (tanto quantitativa como qualitativa) dos fatos.
Um analista da opinião pública, ao investigar os fatores que mais incidem na votação
para uma próxima eleição, utilizaria grupos de enfoque com discussão aberta (qualitativos),
além de pesquisas por amostragem (quantitativos).
Um médico que indagasse sobre quais elementos devem ser levados em conta no momento
de tratar os pacientes com doenças em fase terminal, e conseguir que enfrentem essa situação crítica
da melhor maneira, revisaria a teoria disponível, consultaria pesquisas quantitativas e qualitativas
a esse respeito para conduzir uma série de observações estruturadas na relação médico-paciente em
casos terminais (realizando amostras de atos de comunicação e quantificando-os), e entrevistaria
I Desenvolvimento de uma idéia, tema ou área a investigar I,
I Seleção do ambiente ou lugar de estudo
T
I Escolha de participantes ou indivíduos do estudo
T
Inspeção do ambiente ou lugar de estudo
Trabalho de campo
Seleção de um projeto de pesquisa (ou estratégia a ser
desenvolvida no ambiente ou lugar e para coletar os
dados necessários)
Seleção ou elaboração de um instrumento para
coletar os dados (ou vários instrumentos)
Coleta de dados (obter as informações pertinentes) e
registro dos acontecimentos do ambiente ou lugar
T
Preparação dos dados para análise
T
Análise dos dados
t
Elaboração do relatório de pesquisa
I
Esquema do
processo de
pesquisa
Figura 1.1
I
I
Modelo de duas etapas: dentro
de uma mesma pesquisa,
aplica-se primeiro um enfoque
e depois o outro, de forma
quase independente, e a cada
etapa seguem-se as técnicas
correspondentes a cada enfoque.
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Exemplos de estudos
de autores com
enfoque integrado
Quadro 1.3
pacientes e médicos por meio de técnicas qualitativas, organizaria grupos de pacientes para
que conversassem abertamente sobre tal relação e o tratamento que desejam. Ao terminar seria
possível estabelecer suas conclusões e chegar a questões de pesquisa, hipóteses ou novas áreas de
estudo. É sempre melhor ter o melhor dos dois mundos.
-COMO SAO UTILIZADOS OS DOIS ENFOQUES
EM UMA MESMA PESQUISA OU ESTUDO?
Antes de responder à pergunta, cabe mencionar que os autores vêm trabalhando com os
dois enfoques. O Quadro 1.3 mostra exemplos disso.
Nau (1995) e Grinnell (1997) desenvolveram modalidades diferentes em que é
possível mesclar os dois enfoques:
o modelo de duas etapas
Aqui, em primeiro lugar se aplica um enfoque e em seguida o outro, de maneira relativamente
independente, dentro do mesmo estudo. Um precede o outro e os resultados são apresentados
de maneira independente ou em um relatório apenas.
Em cada etapa os métodos inerentes de cada enfoque são respeitados.
Por exemplo, o caso de um estudo na área de direito tributário realizado por
Acero (2001) para avaliar a "cultura tributária no México". Primeiramente,
o pesquisador realizou um estudo quantitativo, no qual analisou estatísticas
referentes ao pagamento de impostos e à evasão tributária.
Partiu-se da idéia de que as cifras disponíveis nessa matéria seriam
um indicador confiável do nível de cultura tributária entre os cidadãos.
Ao mesmo tempo, revisououtros estudos anteriores sobre o conhecimento
FASE QUALITATIVA FASE QUANTITATIVA
Hernández Sampieri, Roberto:
"EI sentido de vida de los afectados
por um siniestro" (2002)
Entrevistas abrangentes e não-estruturadas
com feridos e mutilados de
explosões de bombas.
Aplicação de uma escala de
sentido de vida estruturada
(Prueba en Celaya de Carmen
Núfíez, 2000)
Fernández Collado, Carlos:
UAutoinversión en el
trabajo" (1982)
Em um estudo-piloto são codificadas as
expressões e frases dos funcionários
e empregados, quando se referem às
suas experiências de trabalho.
Resultado de entrevistas,
foi a matéria-prima para construir
um questionário aplicado a 800
indivíduos com a finalidade de
estabelecer o grau de
envolvimento com seus trabalhos.
Baptista Lucio, Pilar:
"Percepciones dei director de
empresa en México" (1986).
Entrevistas abrangentes e não-estruturadas
com diretores de empresas de médio
porte para estabelecer suas percepções
em relação ao ambiente político e
empresarial.
Com base na pesquisa
qualitativa, foram estabelecidos
o tipo e a treqüência de condutas
de comunicação que buscavam
conhecer o meio ambiente para
tomar decisões bem informadas.
os
é
o PROCESSO DE PESQUISA E OS ENFOQUES QUANTITATIVO E QUALITATIVO: RUMO A UM MODELO INTEGRAL
S;
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5
questão tributária por parte dos contribuintes, atitudes em relação a essa, problemas
arrecadação e áreas que lhe permitiram deduzir o nível de desenvolvimento da cultura
ibutária mexicana.
Uma vez concluído seu estudo quantitativo, o entrevistado r passou a realizar entre-
. tas com informantes-chave sobre a cultura tributária (realizou entrevistas dirigidas entre
magistrados, funcionários governamentais, especialistas em direito triburário, assessores sobre
o assunto e contribuintes), mas com questões gerais e abertas como: qual é a cultura tributária?
uais elementos a integram? Existe uma cultura tributária no país? As entrevistas seguiram
método qualitativo básico (observação e registro das respostas, assim como o contexto em
ue foram realizadas; interpretação; busca de resultados etc.). Os resultados foram relatados e
conclusões foram obtidas.
Em primeiro lugar, o estudo foi abordado quantitativamente e, a seguir, qualitati-
nrnente; em seu relatório final, ambas as fases do processo de pesquisa foram incluídas.
modelo de enfoque dominante
_·este modelo, o estudo se desenvolve da perspectiva de um dos dois enfoques, o qual prevalece,
a pesquisa mantém um componente do outro enfoque.
Por exemplo, um estudo sociológico para conhecer as seqüelas do terrível ato de violência
ual contra jovens de ambos os sexos, realizado em uma cidade da Colômbia, Valledupar.
A pesquisa poderia ser enfocada qualitativamente, utilizando três ferramentas: a)
entrevistas com vítimas de violência sexual; b) sessões de grupo com discussão aberta sobre o
ema, também com jovens que sofreram uma agressão desse tipo; c) revisão
e registros nos julgamentos.
O pesquisador se aprofunda nas experiências das vítimas, seus traumas,
o impacto na sua percepção de mundo e da vida cotidiana, enfim, em outros
temas que pudessem surgir. Seu estudo começa sem questões de pesquisa,
muito menos com hipóteses. Apenas são estabelecidos tópicos gerais a
ser tratados nas entrevistas e nas sessões, assim como pontos a revisar nos
documentos jurídicos. Ou, se preferir, um método completamente aberto com uma questão
geral em entrevistas ou sessões relacionadas com o significado geral da experiência, como
gatilho para respostas e comentários.
Trata-se de uma pesquisa qualitativa, mas à qual poderia ser agregado um componente
quantitativo: administrar um teste padronizado para medir a ansiedade dos jovens após o
difícil evento.
Outro caso seria o de um experimento para avaliar o nível em que um novo método de
ensino de computação favorece a aprendizagem e a auto-estima das crianças entre 10 e 12
anos em Valência, Venezuela, estabelecendo hipóteses que afirmem que o método aumentará
essas duas variáveis. É um estudo quantitativo, ao qual poderia ser agregado um componente
qualitativo: sessões com as crianças para elaborar mapas cognitivos daquilo que aprenderam
e registrar suas experiências.
A vantagem desse modelo, segundo Grinnell (1997), consiste em apresentar um enfoque
que de modo algum é considerado incoerente e que enriquece tanto a coleta de dados como sua
análise. A desvantagem que os "fundamentalisras", de uma ou outra corrente, encontrariam é
que seu enfoque estaria sendo subutilizado.
Modelo de enfoque dominante:
é realizado da perspectiva de
um dos dois enfoques, o qual
prevalece, e o estudo conserva
componentes do outro enfoque.
•Modelo misto: constituí o maior
nível de integração entre os enfoques
qualitativo e quantitativo, no qual
ambos se combinam durante rodo
o processo de pesquisa.
METODOLOGIA DE PESQUISA•
o modelo misto
Esse modelo representa o mais alto grau de integração ou combinação entre os enfoques
qualitativo e qualitativo.
Ambos se combinam durante todo o processo de pesquisa, ou pelo menos, na maioria de
suas etapas. Esse modelo exige um domínio completo dos dois enfoques e uma mentalidade
aberta. Agrega complexidade ao projeto de estudo, mas contempla todas as vantagens de cada
um dos enfoques.
A pesquisa oscila entre os esquemas de pensamento indutivo e dedutivo, além de
exigir um enorme dinamismo por parte do pesquisador durante o processo. Chega a um
ponto de vinculação entre o qualitativo e o quantitativo que parece inaceitável para os
"puristas" .
Um exemplo seria o estudo mercadológico realizado pelos autores
para uma cadeia de centros comerciais no México e outros localizados na
América Central (Comunicometría, S. C; 2000). A pesquisa tinha como
objetivo geral conhecer aquilo que os clientes regulares achavam de cada
centro comercial, se a localização era funcional, se os agradava e satisfazia as
suas expectativas. Além disso, os diretores tinham um interesse em relação
à necessidade de efetuar mudanças na decoração, ou mudança das lojas, ou se era preciso sanar
alguma debilidade.
Essa idéia de pesquisa se transformou em uma série de objetivos de pesquisa de
mercados e em questões que orientariam a pesquisa. Alguns exemplos dos objetivos
foram: a) conhecer e analisar as percepções e condutas que têm os clientes que freqüentam
regularmente os centros comerciais, em relação à funcionalidade do local, seus atributos
e características; b) considerar as sugestões de mudanças nos centros comerciais propostos
pelos clientes para aumentar suas idas ao local e seu tempo de permanência; c) realizar uma
análise dos pontos fortes e fracos de cada centro comercial da óptica dos clientes e, d) obter
informações que ajudem a definir a estratégia de mudança para cada centro comercial.
Esses não foram todos os objetivos, ainda que sirvam para ilustrar o exemplo.
Os pesquisadores não estabeleceram hipóteses e iniciaram com um estudo que visava
descobrir as opiniões dos clientes.
O estudo compreendeu duas vertentes: uma tipicamente quantitativa eoutra qualitativa.
Foram realizadas oito pesquisas, uma para cada centro comercial. O quantitativo consistiu em
uma pesquisa realizada com uma amostra representativa dos clientes que freqüentava o centro
comercial. O tamanho da amostra foi obtido da estatística referente ao registro de freqüência
(contagem) dentro de uma semana típica (não em épocas de grande movimento como o
Natal), chegando ao número de 420 pessoas (60 pessoas a cada dia da semana). Aplicou-se
um questionário com questões fechadas e algumas abertas. Ao mesmo tempo, foram iniciadas
sessões de grupo em profundidade (com uma lista de tópicos que abordavam a forma como
definiam o centro comercial, o que lhes agradava ou não, a avaliação da variedade de lojas, o
tempo de permanência, as mudanças que deveriam ser efetuadas na localização, a avaliação
dos serviçosque eram oferecidos e outras dimensões). Cada sessão foi realizada com um
grupo de oito indivíduos de diferentes segmentos entre 18 e 60 anos (agrupados por idade
e foram incluídos grupos de homens, mulheres, e grupos mistos, em um total de dez sessões
por centro). Todas as sessões foram gravadas em vídeo, posteriormente transcritas e duas
equipes de pesquisa independentes analisaram os dados (uma a partir dos vídeos e a outra a
partir das transcrições).
a
o PROCESSODE PESQUISA EOS ENFOQUES QUANTITATIVO EQUALITATIVO: RUMO A UM MODELO INTEGRAl.
Ss
5
Foi utilizada uma técnica qualitativa para analisar os dados, além do fato de o condutor
das sessões e um observador que estava por trás da câmara de Gesell (com vidro polarizado)
terem tomado nota dos acontecimentos que se apresentaram durante as sessões, assim como
toda a interpretação que é própria no enfoque qualitativo.
Depois, realizou-se a análise estatística com os dados da pesquisa e aplicou-se uma análise
interprerativa dos dados resultantes das sessões.
Ao finalizar o estudo do primeiro centro comercial, surgirão novas questões de pesquisa.
Uma delas foi: os centros comerciais devem buscar ser, além de lugares de compra, espaços de
diversão?
Isso porque o primeiro estudo trouxe informações suficientes para pensar que os centros
comerciais, pelo menos nos países estudados, se converteram no que eram as grandes praças
públicas, e as pessoas vão tanto para comprar como para se divertir. Nesse sentido, cada vez
encontraremos espaços maiores de diversão nesses centros.
Assim, o estudo para o segundo centro comercial refinou o questionário da pesquisa e
a lista de tópicos das sessões. O resultado foi um estudo enriquecido pelos dois enfoques, os
quais conviveram dentro do mesmo processo de pesquisa.
Ao longo deste texto será mencionado outro exemplo mercadológico que combina ambos
os enfoques.
• Nos úlrimos anos surgiu uma controvérsia en tre dois enfoq ues para a pesquisa: o quantitativo
e o qualitativo.
Os defensores de cada um argumentam que o seu é o mais apropriado e produtivo para a
pesqUIsa.
O enfoque quantitativo se fundamenta em um esquema dedutivo e lógico, busca formular
questões de pesquisa e hipóteses para posteriormenre testá-ias, confia na medição pa-
dronizada e numérica, utiliza a análise estatística, é reducionista e pretende generalizar
os resultados de seus estudos mediante amostras representativas. Além disso, parte da
concepção de que existem duas realidades: aquela em torno do pesquisador e aquela
constituída pelas crenças dele; portanto, fixa como objetivo provar que as crenças do pes-
quisador estão próximas da realidade do ambiente.
Os experimentos e as pesquisas baseados em questionários estruturados são exemplos de
pesquisa centrada nesse enfoque.
O enfoque qualitativo, por sua vez, é baseado em um esquema indutivo, é expansivo
e em geral não busca criar questões de pesquisa anteriormente nem provar hipóteses
preconcebidas, e sim deixar que essas surjam durante o desenvolvimento do estudo. É
individual, não mede numericamente os fenômenos estudados nem tampouco tem como
finalidade generalizar os resultados de sua pesquisa; não realiza análise estatística; seu
método de análise é interpretativo, contexrual e etnográfico. Assim, preocupa-se em captar
~ eriências na linguagem dos próprios indivíduos e estuda ambientes naturais.
• •. --
RESUMO
•
•
•
•
METODOLOGIA DE PESQUISA•
••
RJ""
CONCEITOS
BÁSICOS
Exercício
••
Ir
• As entrevistas abertas e a observação não-estruturada são exemplos associados ao enfoque
qualitativo.
Esses dois enfoques são formas que se demonstraram muito úteis para o desenvolvimento
do conhecimento científico e nenhum é intrinsecamente melhor que o outro.
Ambos podem ser mesclados e incluídos no mesmo estudo, o que, longe de empobrecer
a investigação, a enriquece; são visões complemenrares.
Tanto o enfoque de pesquisa qualitativo como o quantitativo, com suas diferenças, têm
espaço no processo de pesquisa científica.
É possível seguir, pelo menos, três modelos para mesclá-Ios: 1. o modelo de duas
etapas, 2. o modelo de enfoque dominante e 3. o modelo misto.
No modelo de duas etapas primeiro é aplicado um enfoque e em seguida o outro,
de maneira independente, em um mesmo estudo; no modelo de enfoque dominante,
uma das modalidades prevalece sobre a outra e um componente do segundo enfoque
é incluído; no modelo misto ambos os enfoques estão interligados durante todo o
processo de pesquisa .
•
•
•
•
•
Esquema dedutivo
Esquema indutivo
Modelo de duas etapas
Modelo de enfoque dominante
Coleta de dados
Enfoque ou modelo multimodal
Enfoque qualitativo
Enfoque quantitativo
Modelo misto
Processo de pesquisa
Triangulação
(Após ter lido
todo o Iivro) 1. Desenvolva uma proposta de pesquisa para cada modelo (duas
etapas, enfoque dominante e misto) que em um único escudo
mescle os enfoques quantitativo e qualitativo .
CRESWELL,]. W. Qualitative inquiry and research designe Choosing harmony among traditions, Califórnia:
Sage Publications, 1997.
DE ZIN, N. K. The research act: a theoretical introduction to sociological methods. 2. ed. Nova York:
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GRINNELL, R. M. Social work research &- eualuatton: quantiracive and qualitative approaches. 5. ed. Itasca,
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SCHWARTZ, H.; ]ACOBS, O. Sociología cualitatiua: método para Ia reconstrucción de Ia realidad. México:
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••"..
OS PESQUISADORES
OPINAM
o PROCESSO DE PESQUISA E OS ENFOQUES QUANTITATIVO E QUALITATIVO: RUMO A UM MODELO INTEGRAL
~
ê'
6
Os estudantes ouvem tanto sobre como é difícil e enfadonha a pesquisa, que chegam nessa
etapa da escolaridade com a mente cheia de preconceitos e agem sob pressão, medo e, aliás,
ódio em relação a ela,
Antes que se ocupem das tarefas rotineiras da elaboração de um projeto, é necessário fazê-los
refletir sobre sua atitude diante de tal empreitada, para que valorizem a pesquisa em sua justa dimensão,
já que não se trata de Ievá-los a crer que todos os problemas serão resolvidos como em um passe de
mágica, ou que apenas nos países de primeiro mundo existe a capacidade para realizar tal feito,
A pesquisa representa mais uma das fontes de conhecimento pelas quais, se decidirmos
ampliar suas fronteiras, será indispensável realizá-Ia com responsabilidade ética,
Ainda que a pesquisa quantitativa esteja consolidada como o método predominante no
horizonte científico internacional, nos últimos cinco anos a pesquisa qualitativa teve maior
aceitação; entretanto, começa-se a superar o desgastado debate de oposição entre ambos os tipos,
Outro avanço na pesquisa é representado pela internet; no passado, a revisão da literatura
tornava-se longa e tediosa, agora ocorre o contrário, já que o pesquisador pode dedicar-se mais
à análise da informação em vez de escrever dados em centenas de cartões,
Ainda restam, contudo, pesquisadores e docentes que preferem adotar posições radicais,
Eles se comportam como uma criança que descobriu o martelo e agora martela tudo o que
encontra em seu caminho, sem a possibilidade de perguntar a si mesmo se o que precisa é um
serro te ou uma chave de fenda,
CARLOS G, ALO zo BLANQUETO
Professor-pesquisadortitular da Faculdade de Educação
Universídad Autónoma de Yucatdn
Mérida, México
Faculdade de Odontologia
Universidad Autónoma de Nayarit
Nayarit, México
Os estudantes que se iniciam na pesquisa começam elaborando um problema em um contexto
geral, em seguida localizam a situação no contexto nacional e regional para, por último,
projetá-Ia em âmbito local, ou seja, onde se encontram academicamente localizados (campo,
laboratório,sala de aula etc.).
Na Universidad de Oriente, na Venezuela, a pesquisa adquiriu relevância nos últimos
anos por duas razões: o crescimento do quadro de professores e a diversificação de cursos de
Engenharia, área na qual, em geral, as pesquisas são quantitativas-positivas, com resultados
muito satisfarórios.
Da mesma forma, no estudo de fenômenos sociais e em ciências da saúde, o enfoque
qualitativo, visto como uma teoria da pesquisa, apresenta grandes avanços. É uma ferramenta
metodológica utilizada com freqüência nos estudos de doutorado de Filosofia, Epistemologia,
Educação e Lingüística, entre outras disciplinas, As contribuições de tais estudos se caracterizam
por sua riqueza de descrição e análise.
Os enfoques qualitativo e quantitativo, vistos como teorias filosóficas, são completamente
diferentes; no entanto, como técnicas para o desenvolvimento de uma pesquisa, podem ser
mesclados, sobretudo em relação à análise e à discussão de resultados,
MARrANELLIS SALAZARDE GÓMEZ
Professora titular
Faculdade de Humanidades
Universidad de Oriente
Anzodtegui, Venezuela
provêm de
que podem ser =r.:»:
~
Textos, recursos
audiovisuais, teorias,
descobertas, conversas,
crenças, intuições,
Internet
Fontes
A idéia: nasce um
projeto de pesquisa
PROCESSO DE PESQUISA
Primeiro passo
CONCEBER A IDÉIA A SER INVESTIGADA
Síntese
o capítulo expõe a forma como se iniciam as pesquisas mediante idéias. Assim, falamos das
fontes que inspiram as idéias de pesquisa e a maneira de desenvolvê-Ias, para formulação de
projetos.
O capítulo, como toda a obra, assume também uma postura que defende a validade de
misturar os enfoques quantitativo e qualitativo na pesquisa, tal como foi explicado ao longo
do primeiro capítulo.
Capítulo
Ob1etivos de
aprendixélgém
Ao finalizar o estudo deste
capítulo, você deverá ser
capaz de:
• Produzir idéias com potencial
investigativo a partir de uma
perspectiva científica.
• Conhecer as fontes que
podem inspirar pesquisas
científicas, de um enfoque
quantitativo, qualitativo ou
misto.
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Como surgem as idéias de pesquisa?
COMO TÊM ORIGEM AS PESQUISAS?
•Idéias de pesquisa: representam a
primeira aproximação da "realidade"
que se pretende pesquisar, ou os
fenômenos, eventos e ambientes a
serem estudados.
As pesquisas se originam nas idéias, sem importar que tipo de paradigma
fundamenta nosso estudo nem o enfoque que seguiremos. Para iniciar
uma pesquisa sempre é necessária uma idéia; ainda não se conhece um
substituto para uma boa idéia. As idéias constituem a primeira aproximação
da "realidade" que se pretende pesquisar (em um enfoque quantitativo), ou
os fenômenos, eventos e ambientes a serem estudados (em um enfoque
qualitativo).
Fontes de idéias para uma pesquisa
Existe uma grande variedade defontes que podem produzir idéias depesquisa, entre as quais se
encontram experiências individuais, materiais escritos (livros, revistas, jornais, periódicos
e reses), materiais audiovisuais (a Internet em sua ampla gama de possibilidades como
páginas da Web, fóruns de discussão, entre outros), teorias, descobertas provenientes de
outras pesquisas, conversas pessoais, observações de fatos, crenças e até mesmo intuições e
pressentimentos. No entanto, as fontes que dão origem às idéias não se relacionam com a
sua qualidade. O fato de um estudante ler um artigo científico e extrair dele uma idéia de
pesquisa não necessariamente significa que essa será melhor que a de outro estudante que
a obtenha enquanto assiste a um filme ou a uma partida de futebol da Copa Libertadores.
Essas fontes também chegam a produzir idéias de modo separado ou conjuntamente. Por
exemplo, ao sintonizar um noticiário e observar casos de violência ou terrorismo, é possível,
a partir disso, desenvolver uma idéia para realizar uma pesquisa. Depois, pode-se discutir a
idéia com alguns amigos e refiná-Ia um pouco mais ou modificá-Ia; posteriormente busca-
se informação a esse respeito em revistas e jornais, até consultar artigos científicos so-
bre violência, terrorismo, pânico coletivo, multidões, psicologia das massas, sociologia da
violência etc,
O mesmo poderia acontecer para o caso de sexo, pagamento de impostos, crise
econômica de uma nação, relações familiares, amizade,
anúncios publicitários em rádio, as doenças sexualmente
transmissíveis, guerra bacteriológica, desenvolvimento
urbano e outros temas.
Existem várias
fontes geradoras
de idéias de
pesquisa, por
exemplo, as
notícias.
Uma idéia pode surgir em locais onde os grupos se encontram
(restaurantes, hospitais, bancos, indústrias, universidades e
demais formas de associação) ou ao observar as campanhas
eleitorais (alguém poderia questionar se toda publicidade
serve para alguma coisa, tantos letreiros, cartazes e muros
pintados têm algum efeito sobre os eleitores?). Desse modo,
é possível criar idéias ao ler uma revista de variedade (por
exemplo, ao terminar um artigo sobre a política externa
norte-americana, alguém poderia conceber uma pesquisa
sobre as relações atuais entre os Estados Unidos e a América
Latina), ao estudar em casa, ao ver a televisão ou ir ao cinema
Agnaldo
A IDÉIA: NASCE UM PROJETO DE PESQUISA
~
ê'
5
'"
(o filme romântico da moda sugeriria uma idéia para pesquisar algum
aspecto das relações heterossexuais), ao conversar com outras pessoas, ao
recordar alguma experiência. Por exemplo, um médico que, ao ler notícias
sobre o vírus da imunodeficiência humana (HIV), quer saber se existe ou
não diferenças no tempo que a Aids demora em se desenvolver nas pessoas
que foram infectadas pelo HN por transfusão sangüínea em relação àquelas
que se contagiaram pela via sexual. Ao navegar pela Internet, alguém pode
ter idéias de pesquisa, talvez por algum fato da atualidade (por exemplo, um aluno que leia,
na imprensa, notícias sobre o terrorismo em alguma parte do mundo e comece um estudo
sobre como seus concidadãos vêem tal fenômeno nos tempos atuais).
Fontes geradoras de idéias de
pesquisa: situações das quais surjam
idéias de pesquisa, como materiais
escritos e audiovisuais, teorias,
conversas, crenças etc,
Imprecisão das idéias iniciais
As idéias iniciais em sua maioria são vagase requerem análise cuidadosapara que se venham a se
transformar em projetos mais precisos e estruturados. Como mencionam Labovitz e Hagedorn
(1976), quando uma pessoa desenvolve uma idéia de pesquisa, deve familiarizar-se com o
campo de conhecimento em que se inscreve a idéia. Por exemplo, uma jovem, ao refletir sobre
o noivado, pode se perguntar: quais aspectos influem para que um homem e uma mulher
tenham uma relação cordial e satisfatória para ambos? - e decidir realizar uma pesquisa que
estude os fatores que interferem na evolução do noivado. Contudo, até esse momento sua
idéia é vaga e deve especificar diversas questões, tais como se pretende incluir em seu estudo
todos os fatores que chegam a influir no noivado ou somente alguns deles, se vai se concentrar
em pessoas de certa idade ou de várias idades, se a pesquisa terá um enfoque psicológico ou
sociológico. Para que continue desenvolvendo sua pesquisa, é necessário introduzir-se na área
de conhecimento em questão. O pesquisador deverá conversar com outros pesquisadores
da área sobre as relações interpessoais (por exemplo, psicólogos clínicos, psicoterapeutas,
comunicólogos, psicólogos sociais, humanistas), procurar ler alguns artigos e livros sobre o
noivado, conversar com diversos casais, assistir a alguns filmes educativos sobre o tema, pesquisar
sites na Internet com informações úteis para sua idéia e realizar outras atividades similares
para se familiarizar com seu objeto de estudo. Uma vez aprofundado o tema, o pesquisador
estará em condições de definir sua idéia de pesquisa.
Necessidade de conhecer os antecedentes: Revisão Bibliográfica
Para aprofundar-se no tema, é necessárioconhecer estudos, pesquisas e trabalhos anteriores.
Conhecer o que já foi feito a respeito do tema:
• Não pesquisar algum tema que já tenha sido estudado muito a fondo. Isso implica que
uma boa pesquisa deve ser inovadora, o que pode ser alcançado tratando um tema não
estudado, aproíundando um tema pouco conhecido ou dando um enfoque diferente ou
inovador a um problema, mesmo que esse já tenha sido examinado repetidamente (por
exemplo, a família é um tema muito estudado; no entanto, se alguém analisá-Ia de um
ponto de vista diferente, digamos, a maneira como se apresenta nas telenovelas brasileiras
do começo do século XXI, isso daria à investigação um enfoque novo).
Estruturar mais formalmente a idéia de pesquisa. Por exemplo, uma
pessoa, ao assistir a um programa de televisão no qual se incluem cenas
com alto conteúdo sexual explícito ou implícito, talvez se interesse por
•
Temas de pesquisa: questão ou
assunto que se pretende estudar.
Agnaldo
Agnaldo
Sem dúvida, no enfoque qualitativo da pesquisa, a finalidade não é sempre contar
com uma idéia bem estruturada de pesquisa; mas mesmo assim, é conveniente consultar
fontes prévias para obter outras referências, mesmo que, por fim, iniciemos nosso estudo
partindo de bases próprias e sem estabelecer alguma idéia preconcebida.
• Delimitar o tema apartir do qual a idéia depesquisa seráabordada. De fato, mesmo que
os fenômenos do comportamento humano sejam os mesmos, é possível analisá-I os de
diversas formas, segundo a disciplina na qual se enquadre a pesquisa. Por exemplo,
se as organizações são estudadas basicamente do ponto de vista da comunicação, o
interesse estará centrado em aspectos como as redes e os fluxos de comunicação nas
organizações, os meios de comunicação, os tipos de mensagens que são transmitidos,
a sobrecarga de informação, a distorção e a omissão da informação. Se são estudados
de uma perspectiva sociológica, a pesquisa se ocuparia de aspectos como a estrutura
hierárquica das organizações, os perfis socioeconômicos de seus membros, a migração
dos trabalhadores de áreas rurais para as zonas urbanas e seu ingresso nos centros
industriais, as profissões e outros aspectos. Caso seja adotada uma perspectiva funda-
mentalmente psicológica, outros aspectos serão analisados, como os processos de
liderança, a personalidade dos membros da organização, a motivação no trabalho. E
se fosse utilizado um enfoque eminentemente mercadológico das organizações, seriam
pesquisadas questões como os processos de compra e venda, a evolução dos mercados,
as relações entre empresas que competem dentro de um mesmo mercado.
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Ao iniciar uma
pesquisa, a idéia
pode ser estruturada
do geral (a televisão)
para oparticular
(programas com
alto conteúdo
erótico e seus efeitos
na conduta dos
adolescentes).
realizar uma pesquisa voltada a esse tipo de programa.
No entanto, sua idéia é confusa, o pesquisador não sabe
como abordar o tema que não se encontra estruturado;
portanto, o pesquisador consultará diversas fontes biblio-
gráficas a esse respeito, consultará alguém que conheça o
tema e analisará mais programas desse tipo; e depois de
se aprofundar no campo de estudo correspondente, será
capaz de expor com maior clareza e formalidade o que
deseja pesquisar. Vamos supor que decida concentrar-
se no estudo dos efeitos que tais programas têm sobre
a conduta sexual dos adolescentes; ou enfocar o tema
de outro ponto de vista, por exemplo, pesquisar se há
ou não uma quantidade considerável de programas com
alto conteúdo erótico na televisão brasileira atual, em
quais canais e em quais horários são transmitidos, quais
situações mostram esse tipo de conteúdo, e de que for-
ma são feitas. E assim sua idéia terá maior precisão e
maior medida.
A maioria das pesquisas, apesar de enquadradas em uma perspectiva em particular,
não pode evitar, em maior ou menor grau, temas que se relacionem com outros campos ou
disciplinas (por exemplo, as teorias de agressão social desenvolvidas pelos psicólogos têm sido
utilizadas pelos comunicólogos para investigar os efeitos que a violência na televisão produz
na conduta das crianças que são expostas a ela). Portanto, quando se comenta o enfoque
selecionado, fala-se de perspectiva principal ou [undamental, e não de perspectiva única. A
seleção de uma ou outra perspectiva tem implicações importantes no desenvolvimento de
um estudo. Também é comum que se realizem pesquisas interdisciplinares que abordem
um tema utilizando várias perspectivas ou pontos de vista.
Agnaldo
A IDÉIA: NASCE UM PROJETO DE PESQ
~
=I'c:
6•....
Se uma pessoa quer saber como se desenvolve um município, ela deverá empregar
uma perspectiva urbanística, no qual analisará aspectos como vias de comunicação, solo e
subsolo, problemática econômica da comunidade, disponibilidade de terrenos, aspectos legais
etc, Mas não pode se esquecer de outros aspectos, E independentemente do enfoque adotado
- quer adotemos um qualitativo, quantitativo ou misto - precisaremos
escolher uma perspectiva principal para abordar o estudo, ou pelo menos
estabelecer quais perspectivas o conduzirão. Assim, estamos falando de
perspectiva (disciplina da qual a pesquisa é orientada de forma central) e
enfoque (paradigma: quantitativo, qualitativo ou misto) do estudo.
Estruturação da idéia de pesquisa:
consiste em esboçar com maior
clareza e formalidade o que se
deseja investigar.
esquisa prévia dos temas
É evidente que, quanto melhor se conhece o tema, mais eficiente e rápido será o processo de
refinar a idéia. Portanto, existem temas que têm sido mais pesquisados que outros e, por
conseqüência, seu campo de conhecimento se encontra mais bem estruturado. Esses casos
exigem projetos mais específicos. Poderíamos dizer que existem:
• Temas já pesquisados, estruturados e formalizados, sobre os quais é possível encontrar
documentos escritos e outros materiais que relatem os resultados de pesquisas ou
análises anteriores.
• Temas já investigados, porém menos estruturados e formalizados, sobre os quais se tem
pesquisado, mas existem poucos documentos escritos e outros materiais que relatem
essa pesquisa; o conhecimento pode estar disperso ou ser inacessível. Nesse caso, seria
necessário buscar as pesquisas não publicadas e recorrer a meios informais, como
especialistas no tema, professores, amigos etc. A Internet constitui uma ferramenta
valiosa nesse sentido.
• Temas pouco pesquisados epouco estruturados, os quais exigem um esforço para encontrar
o que já foi pesquisado, ainda que o material seja escasso.
• Temas não pesquisados.
A pesquisa qualitativa às vezes prefere esses últimos, ou até mesmo apresenta uma
nova visão a temas já estudados. Por vezes, é melhor não contar com essa estrutura.
Critérios para gerar idéias
Danhke (1986) menciona diversos critérios que os pesquisadores famosos sugeriram para
gerar idéias de pesquisa produtivas, entre os quais se destacam:
• As boas idéias intrigam, animam e excitam opesquisador de maneira particular. Ao escolher
um tema para pesquisar, e mais concretamente uma idéia, é importante que essa idéia
seja atraente. Não existe nada mais tedioso que trabalhar em algo que não nos interesse.
Na medida em que a idéia estimula e motiva O pesquisador, ele se compenetrará mais
no estudo e terá maior disposição para superar os obstáculos que se apresentam.
• As boas idéias de pesquisa "não são necessariamente novas, mas sim inovadoras". Em muitas
ocasiões é preciso atualizar ou adaptar os projetos derivados de pesquisas efetuadas em
contextos diferentes, ou por novos caminhos.
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
METODOLOGIA DE PESQUISA•
• As boas idéias de pesquisa podem servir para elaborar teorias e solução de problemas. Uma
boa idéia pode conduzir a uma pesquisa que ajude a formular, integrar ou testar uma teoria
ou a iniciar outros estudos que, juntos coma pesquisa, consigam constituir uma teoria.
Ou até mesmo, gerar novos métodos de coleta e análise de dados.
•••••
RESUMO
Em outros casos, as idéias dão origem a pesquisas que ajudam a resolver problemas.
Assim, um estudo projetado para analisar os fatores que provocam condutas de delitos nos
adolescentes contribuiria para o estabelecimento de programas que visem resolver diversos
problemas de delinqüência juvenil.
Outro exemplo se dá com o médico que desejou pesquisar a diferença entre o tempo
que a Aids demora para se desenvolver em uma pessoa infectada por via sexual em relação
àquela infectada por transfusão sangüínea. O médico pode chegar a uma teoria do porquê
a Aids se desenvolve com maior rapidez entre as pessoas que receberam uma transfusão de
sangue contaminado.
• As boas idéias podem servir para gerar novas questões e questionamentos. É preciso responder
algumas questões, mas também gerar outras. Por vezes um estudo acaba gerando mais
perguntas que respostas. É o que acontece com o enfoque qualitativo ou misto da
pesqmsa .
• As pesquisas se originam nas idéias, as quais podem ser provenientes de fontes diferentes,
e a qualidade de tais idéias não está necessariamente relacionada com a fonte de onde
provêm.
• Com freqüência, as idéias são vagas e devem ser traduzidas em problemas mais concretos
de pesquisa, exigindo assim uma revisão bibliográfica sobre a idéia. Essa revisão é
importante mesmo quando nosso enfoque for puramente qualitativo. Isso, no entanto,
não impede que adotemos uma perspectiva única e própria.
• As boas idéias devem investigar o pesquisador, devem ser inovadoras e servir para a
elaboração de teorias e resolução de problemas .
••
~~.
Enfoque de pesquisa
Esrruturação da idéia
de pesquisa
Fontes geradoras de
idéias de pesquisa
Idéias de pesquisa
Inovação da pesquisa
Perspectiva da pesquisa
Tema de pesquisa
Agnaldo
A IDÉIA: NASCE UM PROJETO DE
Sê-
5...,
na
1.
2.
3.
4.
5.
?==---~.~----_.,--_m~~~'~__.--"~--_I'------~U_--·--'~~·'·l;.l?xercício
Assista a um filme romântico e estruture duas idéias de pesquisa.
Selecione uma revista científica (ver lista de Critérios de Classificação do Qualis por Área
do Capítulo 4, p. 91·95) e um artigo dessa revista, e estruture duas idéias de pesquisa.
Compare as idéias deduzidas do filme e do artigo, e responda às seguintes questões: todas
as idéias são produtivas? Quais idéias são mais úteis, aquelas provenientes do filme ou
aquelas provenientes do artigo científico? Como surgiram as idéias?
Navegue na Internet e organize uma idéia de estudo como resultado de sua experiência.
Escolha uma idéia de pesquisa que você irá desenvolvendo durante a leitura deste livro.
REYNOLDS, P.D. A primer in theory construction. Nova York:Mcmillan, 1986. p. 21-43. -j
ATELEVISÃO E A CRIANÇA
Descrever os usos que a cqança faz da televisão e as satisfações que demonstra ao ver
programas televisivos.
O CONTÁGIO DA AIOS
Encontrar a diferença entre o 1:empOque a Aids demora para se desenvolver em uma
pessoa infectada por via sexual em comparação com outra pessoa infectada por transfusão
sangüínea.
DIAGNÓSTICO MUNICIPAL
Realizar o diagnóstico em quatro municípios do Estado de Guanajuato (México) e estabelecer
as bases para um projeto estratégico de desenvolvimento.
ESTUDO SOBRE A EVOLUÇÃO DA MODA ENTRE AS MEXICANAS (EXEMPLO
DE ENFOQUE MISTO DA PESQUISA: QUANTITATIVO E QUALITATIVO)
Conhecer como as mulheres mexicanas definem a moda e avaliar os lugares onde compram
suas roupas.
Exemplo
METODOLOGIA DE PESQUISA•
••
~ ..
OS PESQUISADORES
OPINAM
A formulação do problema nos leva a saber sobre o que desejamos pesquisar, identificar os
elementos que estarão relacionados com o processo e definir o enfoque; isso porque, nos
enfoques quantitativo e qualitativo está definido de forma clara qual é o objeto de análise em
uma situação determinada, e, dependendo do tipo de estudo que se pretenda realizar, como
ambos podem mesclar-se.
Na atualidade, existem muitos recursos para trabalhar na pesquisa qualitativa, entre os
quais se encontram os livros, onde se apresentam técnicas e ferramentas atualizadas, e as redes de
computação, das quais é possível que o pesquisador obtenha informação para novos projetos.
Na pesquisa quantitativa, destaca-se o desenvolvimento de programas de computação; por
exemplo, na minha área, que é engenharia de sistemas, existe o sofrware de monitoramenro, o
qual contribui para a avaliação e o rendimento do hardware. Em ambos os enfoques, a Internet
representa uma ferramenta de trabalho, além de permitir a realização de pesquisa em lugares
remotos.
É muito importante transmitir aos alunos o valor que representa obter conhecimentos
por meio de uma pesquisa, o mesmo que um pensamento crítico e lógico, além de recomendar
que, para iniciar um projeto, é necessário revisar a literatura existente e manter-se a par dos
problemas sociais.
No meu campo de trabalho, a docência, a pesquisa é escassa, porque não se dedica tempo
suficiente a ela; no entanto, na área de ciências, o governo desenvolve projetos muito valiosos
para o país.
DILSA ENElDA VERGARA D.
Professora em tempo integral
Faculdade de Engenharia de Sistemas da Computação
Universidad Tecnológica de Panamá
El Dorado, Panamá
o pesquisador não é apenas aquele indivíduo de avental branco que está preso em um laboratório. A
pesquisa tem relação com a comunidade, o âmbito social ou a indústria. Não é realizada unicamente
pelos gênios; também é possível que qualquer pessoa a realize, caso se prepare para isso.
Um projeto se inicia com a formulação de questões baseadas na observação; tais questões
surgem durante uma conferência, enquanto se lê o jornal ou na realidade cotidiana, e devem
ser validadas por pessoas que possuem conhecimento do tema abordado, com a finalidade de
verificar que sejam relevantes, que sirvam para realizar uma pesquisa, e se, na realidade, esta
contribuirá com a disciplina relacionada ou se solucionaria algum problema.
Depois, será feita a elaboração do problema, o qual, se for redigido de maneira clara e
precisa, representará um grande avanço. Sem descartar a possibilidade de que alguns ajustes
sejam feiros mais adiante ou que as idéias sejam refinadas, em essência, o problema deve conter
o que foi proposto no começo.
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
os
A IDÉIA: NASCE UM PROJETO DE PSQUISA
~
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6....,
No que diz respeito aos enfoques qualitativo e quantitativo da pesquisa, foram alcançadas
mudanças significativas, por exemplo, a pesquisa qualitativa se solidificou tanto no discurso
como em seu referencial epistemológico, além de terem sido desenvolvidos instrumentos muito
mais válidos para sua realização,
Na pesquisa quantitativa, os processos foram melhorados e foram criados softwares que
facilitam a tabulação de dados; assim, são gerenciados com maior propriedades os referenciais
epistemológicos.
Cabe mencionar que, nesse tipo de pesquisa, os testes estatísticos são valiosos para deter-
minar se existem diferenças significativas entre medições ou grupos, além de permitirem a
obtenção de resultados mais objetivos e precisos.
GERTRUDYS TORRES MARTfNEZ
Professorapesquisadora
Faculdade de Psicologia
Universidad Piloto de Colombia
Bogotd, Colômbia
Formulação
do problema: objetivos,
questões de pesquisa e
justificativa do estudo
PROCESSO DE PESQUISA
Segundo passo
FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA
• Estabelecer objetivos de pesquisa
• Desenvolver as questões de pesquisa
• Justificar a pesquisa e analisar sua viabilidade
Síntese
No presente capírulo será mostrada a maneira como a idéia se desenvolve e se transforma na
formulação do problema de pesquisa científica, ou seja, o capítulo trata de como formular
um problema de pesquisa científica. Três elementos são fundamentais para a formulação
do problema: objetivosde pesquisa, questões de pesquisa e justificativa da pesquisa. Esses
elementos são analisados no capítulo.
Aproveita-se também a formulação do problema com os enfoques quantitativo, qualitativo
e misto da pesquisa.
Gapítulo
,
Ohietivo5 de
aprendiz-agem
Ao finalizGIro estudo deste
capítulo, você deveró ser
copoz de:
• Formular de maneira lógica e
coerente problemas na
pesquisa científica.
• Redigir objetivos e questões
de pesquisa científica.
• Compreender os critérios
para avaliar um problema na
pesquisa científica.
• Relacionar a formulação do
problema com pesquisas
realizadas com os enfoques
quantitativo, qualitativo e
o QUE É FORMULAR O PROBLEMA DE PESQUISA?
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Uma vez concebida a idéia de pesquisa, tendo o pesquisador, estudante ou especialista se
aprofundado no tema em questão, é o momento de formular o problema de pesquisa.
Na realidade, formular o problema não é nada além de aperfeiçoar e estruturar mais
formalmente a idéia depesquisa. A etapa que se dá entre a idéia e a formulação do problema
algumas vezes pode ser imediata, quase automática, ou pode levar um considerável período
de tempo; isso depende de quão familiarizado com o tema a ser tratado esteja o pesquisador,
a complexidade da idéia, a existência de estudos antecedentes, o empenho do pesquisador,
o enfoque escolhido (quantitativo, qualitativo ou misto) e suas habilidades pessoais. O
fato de dividir um tema ou idéia não coloca o pesquisador imediatamente na posição de
considerar quais informações deverão ser coletadas, com quais métodos e de que maneira
os dados obtidos serão analisados. Antes é preciso formular um problema específico em
termos concretos e explícitos, de modo que seja suscetível à pesquisa com procedimentos
científicos (Selltiz et al., 1980).
No caso do enfoque qualitativo da pesquisa, ou quando esse prevaleça sobre o quan-
titativo, a formulação do problema pode se dar em diferentes momentos da pesquisa: 1.
neste segundo passo que segue o surgimento da idéia de pesquisa; 2. durante o processo
de pesquisa (ao consultar a literatura, elaborar o marco teórico, coletar informações ou
analisá-Ias); e 3. ao final do processo de pesquisa (ao redigir o relatório de resultados ou
informe final).
No enfoque qualitativo, nem sempre são necessários termos concretos e explícitos;
por vezes, aliás, é desejável que não seja assim.
Quando mesclamos os enfoques quantitativo e qualitativo, pode ser que tais termos
sejam necessários ou não: depende do fenômeno estudado, da maneira de enfocar o estudo,
das circunstâncias da pesquisa e da formulação do pesquisador, além do modo como os
dois enfoques são mesclados.
Como aponta Ackoff (1967), um problema formulado corretamente está em parte
resolvido; quanto maior a exatidão, maiores as possibilidades de obter uma solução
satisfatória (ainda que, como já foi mencionado, não se trate de uma regra inflexível, pois
em alguns estudos de origem qualitativo, o que se busca precisamente é
não ter idéias preconcebidas sobre o fenômeno estudado, nem definições
exatas, as quais vão se desenvolvendo e obtendo durante o processo de
pesquisa). De qualquer maneira, o pesquisador deve ser capaz não apenas
de conceituar o problema, mas também de verbalizá-Io de forma clara,
precisa e acessível. Em algumas ocasiões, o pesquisador sabe o que deseja
fazer, mas não como comunicá-Io aos demais, e é necessário que realize um
esforço maior para traduzir seu pensamento em termos compreensíveis, pois atualmente a
maioria das pesquisas exige a colaboração de muitas pessoas.
Formulação do problema: significa
aperfeiçoar e esrruturar mais
formalmente a idéia de pesquisa.
Critérios para formular o problema (basicamente para um enfoque
quantitativo ou misto; também para estudos qualitativos que,
em qualquer parte do processo de pesquisa, chegam a uma formulação)
Segundo Kerlinger (2002), os critérios para formular adequadamente o problema de
pesquisa são:
Agnaldo
Agnaldo
de
FORMULAÇÃO 00 PROBLEMA: OBJETIVOS, QUESTÕES DE PESQUISA E JUSTIFICATIVA 00
S
ê'
5
'"
o problema deve expressar uma relação entre duas ou mais variáveis (recordando que
nos estudos qualitativos esse não é um requisito).
O problema deve estar formulado claramente sem ambigüidade em forma de uma
pergunta (por exemplo, qual é o efeito?, em quais condições ... ?, qual é a probabilidade
de ...?, como se relaciona com ... ?). Ainda que nos estudos qualitativos a formulação do
problema não preceda necessariamente a coleta e a análise de dados, quando se chega
ao ponto de formular o problema de pesquisa, esse deve ser formulado com clareza,
evitando a ambigüidade (que é muito diferente da dispersão de dados ou abertura na
informação) .
A formulação deve implicar a possibilidade de realizar um teste empírico (enfoque
quantitativo) ou uma coleta de dados (enfoque qualitativo), ou seja, a viabilidade de
observação na realidade ou em seu meio. Por exemplo, se alguém pensa em estudar
quão sublime é a alma dos adolescentes, está formulando um problema que não pode
ser testado empiricamente, pois "o sublime" e "a alma" não são observáveis. Claro que
o exemplo é extremo, mas nos faz lembrar que as ciências trabalham com aspectos
observáveis e mensuráveis da realidade ou de determinado ambiente.
Lembremo-nos que os estudos qualitativos também são empíricos (o que é diferente
de "ernpiricistas").
Uma pesquisa qualitativa predominantemente indutiva coleta dados em um ambiente,
uma situação ou um evento; e ainda que a formulação do problema de pesquisa surja em
qualquer fase do processo, deve existir tal formulação. O qualitativo não deve ser confundido
com o não-científico ou com a desordem total na pesquisa, pois existem procedimentos e
ordem, apesar de existir abertura e variedade.
- -UAIS ELEMENTOS ESTAO CONTIDOS NA FORMULACAO,
O PROBLEMA DE PESQUISA?
Os elementos para formular um problema são três e estão relacionados entre si: os objetivos que
sepretendem alcançar, as questões de pesquisa e a justificativa do estudo. Isto é independente do
momento em que se desenvolva e se consiga alcançá-Io em um enfoque dedutivo ou indutivo.
Obietivos da pesquisa
Em primeiro lugar, é necessário estabelecer o que a pesquisa pretende, ou seja, quais são
seus objetivos. Existem pesquisas que buscam, primeiramente, contribuir para a solução de
um problema em especial (nesse caso, é preciso mencionar qual é esse problema e de que
maneira acredita-se que o estudo ajudará a resolvê-lo), e outras que têm como objetivo
principal testar uma teoria ou relatar evidências empíricas em favor dela. Também existem
estudos que, como resultado final, pretendem gerar uma formulação do problema ou
induzir o conhecimento (em especial os qualitativos).
É preciso expressar os objetivos com clareza para evitar possíveis desvios no processo de
pesquisa; e tais objetivos devem ser possíveis de alcançar (Rojas, 2001); são as orientações
do estudo, e é preciso rê-los em mente durante todo o seu desenvolvimento. Evidentemente
que os objetivos especificados devem ser congruentes entre si.
Continuamos com o exemplo da jovem interessada em realizar uma pesquisa sobre os
fatores que interferem no desenvolvimento do noivado. Uma vez familiarizada com o tema,
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
METODOLOGIA DE PESQUISA•
ela descobre que, segundo alguns estudos, os fatores mais importantes são a atração física, a
confiança, a proximidade física, o nível em que cada um dos noivos reforça positivamente
a auto-imagem do outro e a semelhança entre ambos. Então, os objetivos do estudo seriam
formulados da seguinte maneira:
Determinar se a atração física, a confiança, a proximidade física, o reforço da auto-
estima e a semelhança têm uma influência importante no desenvolvimento do noivado
entre jovens brasileiros.• Avaliar quais dos fatores mencionados têm maior importância no de-
senvolvimento do noivado entre jovens brasileiros.
• Analisar se existe ou não diferença entre os homens e as mulheres em
relação à importância atribuída a cada um dos fatores mencionados.
• Analisar se existe ou não diferença entre os casais de noivos de idades
diferentes em relação à importância atribuída a cada um dos mesmos
fatores.
•
•Objetivos da pesquisa: têm a
finalidade de mostrar o que se deseja
da pesquisa e devem ser expressos
com clareza, pois são as orientações
do estudo.
Uma pesquisa
qualitativa em
relação aosfatores
que integram o
noivado pode
ser iniciada com
entrevistas gerais
realizadas com
vários casais."II
Também é conveniente comentar que, durante a pesquisa, é possível que surjam
objetivos adicionais, que os objetivos iniciais sejam modificados ou até mesmo substituídos
por novos objetivos, segundo a direção que a pesquisa tome.
Em uma pesquisa iniciada dentro de um enfoque qualitativo, a jovem pode começar
entrevistando casais, sem um objetivo particular nem concepções prévias, e depois de
entrevistar vários casais, começar a visualizar o que lhe interessa pesquisar, construindo
indutivamente seus objetivos de estudo.
Questões de pesquisa
Além de definir os objetivos concretos da pesquisa, é conveniente formular, por meio de
várias questões, o problema a ser estudado. Formulá-Io em forma de questões tem a vantagem
de apresenrã-lo de maneira direta, minirnizando a distorção (Christensen, 2000).
Nem sempre a questão ou as questões conseguem
apresentar o problema em sua totalidade, com toda sua
riqueza e conteúdo. Às vezes, tudo o que se consegue
formular é somente o objetivo do estudo, ainda que as
questões devam resumir o que haverá de ser a pesquisa.
Nesse sentido, não podemos dizer que haja uma forma
correta de expressar todos problemas na pesquisa, pois
cada um desses requer uma análise particular. As questões
gerais têm que ser esdarecidas e delimitadas para esboçar
a área-problema e sugerir procedimentos pertinentes à
pesquisa (Ferman e Levin, 1979), especialmente dentro
do enfoque quantitativo ou misto. Apesar de isso também
ocorrer em alguns estudos qualitativos, seja no início ou
durante seu desenvolvimento.
No enfoque dedutivo e quantitativo, existem questões
demasiado gerais que não conduziriam a uma pesquisa
concreta, como: por que alguns casamentos duram mais
Agnaldo
Rsica, a
amente
da auto-
noivado
mais
FORMULAÇÃO DO PROBLEMA: OBJETIVOS, QUESTÕES DE PESQUISA E JUSTIFICATIVA DO
~
ê'
5..,
que outros? Por que existem pessoas mais satisfeitas com seu trabalho que outras? Em quais
programas de televisão há muitas cenas de sexo? AI> pessoas que se submetem à psicoterapia
mudam com o tempo? Os empresários se comprometem mais com suas empresas que os
funcionários? Como estão relacionados os meios de comunicação de massa com o voto?
As questões não devem utilizar termos ambíguos nem abstratos. Porém tais questões
constituem idéias iniciais que precisam ser refinadas e delimitadas para orientar o começo
de um estudo.
A última questão, por exemplo, fala de "meios de comunicação de massa", expressão que
abrange o rádio, a televisão, os jornais, as publicações, o cinema, os anúncios publicitários
em ambientes externos e outros mais. Do mesmo modo, o "voto" é mencionado sem
especificar o tipo, o contexto, ou o sistema social (se se trata de uma eleição pública em
âmbito nacional ou local, sindical, religiosa, para escolher um representante de uma câmara
ou outro funcionário). E mesmo pensando que o voto seja para uma eleição presidencial,
a relação expressa não leva a elaborar procedimentos pertinentes para o desenvolvimento
da pesquisa, a menos que se pense em um "grande estudo" que analise todos os possíveis
vínculos entre as duas designações (meios de comunicação de massa e voto).
De fato, a maneira como se formula a questão dá origem a grande quantidade de
dúvidas, tais como: serão investigados os efeitos que a difusão da propaganda, pelos referidos
meios, têm na conduta dos eleitores? Será analisado o papel desses meios como agentes de
socialização política em relação ao voto? Será investigado em que medida aumenta o número
de mensagens políticas nos meios de comunicação de massa durante épocas eleitorais? Por
acaso será estudado como os resultados de uma eleição refletem a opinião das pessoas que
ontrolarn esses meios? Ou seja, não fica claro o que será feito na verdade.
O mesmo ocorre com as outras questões muito amplas. No lugar dessas, é preciso
rmular questões muito mais específicas, como: no matrimônio, o tempo dedicado diaria-
ente a discutir a relação tem influência no tempo que esse casamento tende a durar?
Como estão relacionadas à satisfação dos funcionários e a diversidade no trabalho na
,., tão de grandes empresas industriais no Brasil? Os seriados norte-americanos dublados
em português falam mais de sexo que as telenovelas brasileiras? Conforme se desenvolvem
sessões de psicoterapia, aumentam ou diminuem as expressões verbais de discussão e
exploração de planos futuros pessoais manifestados pelos pacientes? Existe alguma relação
ue o nível hierárquico e a motivação intrínseca do trabalho nas grandes empresas estatais
o Brasil? Qual é a média de horas diárias que as crianças brasileiras de áreas urbanas passam
na frente da TV? A exposição dos eleitores aos debates entre os candidatos à presidência do
Brasil na televisão está relacionada com a decisão de votar ou anular o voto?
Em um enfoque qualitativo é possível que, em um primeiro momento, as questões
jam gerais e pouco a pouco se tornem mais precisas.
As questõespodem ser mais ou menos gerais, como se mencionou anteriormente, mas na
ioria dos casos é melhor que sejam mais precisas, sobretudo no caso de estudantes que se
iciam na pesquisa. Portanto, existem macroestudos que pesquisam muitas dimensões de
problema e que, inicialmente, chegam a formular questões mais gerais. No entanto,
e todos os estudos versam sobre questões mais específicas e limitadas.
Do mesmo modo, como sugere Rojas (2001), é necessário estabelecer os limites
porais e espaciais do estudo, e esboçar um perfil das unidades de observação (pessoas,
ais, moradias, escolas etc.), perfil que, apesar de provisório, é bastante útil para
a efinição do tipo de pesquisa que se realizará. Assim, é muito difícil que todos esses
Agnaldo
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Exemplo
Exemplos I;
adicionais
aspectos sejam incluídos nas questões de pesquisa; mas podem ser formulados em uma ou
várias questões, e acompanhadas de uma breve explicação do tempo, o lugar e as unidades
de observação do estudo.
Um consultor decide realizar um estudo sobre os meios de comunicação utilizados pelos altos
executivos e formula as seguintes questões de pesquisa: quais são os meios de comunicação
utilizados com maior freqüência nos níveis gerenciais, ou similares, em seu trabalho? Que
tipo de informação é transmitida por essesmeios? Com quais objetivos cada meio é utilizado?
Nessas questões não foram especificadas diversas perguntas que precisam ser esclarecidas
mediante uma breve explicação. No exemplo, a explicação poderia ser a seguinte:
I
A pesquisa incluirá as seguintes formas de comunicação nas organizações: a interação
direta, "cara a cara", as reuniões em pequenos grupos, o telefone, a comunicação por meio
de terceiros, a correspondência (cartas, memorandos, avisos, notas, ofícios), as reuniões
em grandes grupos, os quadros de aviso, os computadores em rede, o jornal interno e
outras publicações da empresa e as gravações. Serão abordados somente os três níveis
hierárquicos mais altos das empresas que contenham mais de mil trabalhadores da área
metropolitana da cidade de São Paulo.
Um exemplo de engenharia seria averiguar quais são os fatores que incidem na quebra de
embalagens de vidro de bebidasengarrafadas.
Aplicando o que vimos no exemplo da pesquisa sobre o noivado, as questões de pesquisa
poderiam ser:
J
A atração física, a confiança, a proximidade física, o reforço da auto-estima e a semel-
hança exercem uma influência significativa sobre a avaliação que os noivos fazem de seu
relacionamento, o interesse demonstrado e a disposição de continuar a relação?
Qual desses fatores exerce maior influência sobre a avaliação da relação, o interesse de-
monstrado e a disposição de seguir na relação?
Estão ligados entre si a atração física, a confiança, a proximidade física, o reforço da
auto-estima e a semelhança?
Existe alguma diferença entre os homens e as mulheres no que diz respeito ao peso
atribuído a cada fator na avaliação da relação, o interesse demonstrado e a disposição de
continuar a relação?
A idade está relacionada com o peso atribuído a cada fator na avaliação do relacionamento,
o interesse demonstrado e a disposição de seguir na relação?
I
a ou
des
FORMULAÇÃO DO PROBLEMA: OBJETIVOS, QUESTÕES DE PESQUISA E JUSTIFICATIVA DO
~
ª'5..,
Agora, por meio de uma simples observação no tema perceberíamos que se pretende
abranger demais o problema de pesquisa e, a menos que se conte com muitos recursos e
tempo, seria preciso limitar o estudo, por exemplo, à semelhança. Então, a questão seria: a
semelhança exerce alguma influência significativa na escolha do parceiro e na satisfação no
relacionamento?
No estudo que comentamos sobre o desenvolvimento municipal as questões se-
: com qual infra-estrutura já contam os municípios estudados? O que se pode
erecer ao investidor em relação à infra-estrurura, vantagens impo-
· ivas e disposição de recursos humanos? Quais são as leis locais que
rezulamentam o desenvolvimento municipal? Quais recursos locais,
ionais e nacionais seriam dispostos para impulsionar o desenvol-
rimento municipal?
Da mesma forma que acontece com os objetivos, durante o desenvol-
rimento da pesquisa as questões originais podem ser modificadas ou novas questões
icionadas, e como se vem sugerindo, a maioria dos estudos formula mais de uma questão,
que desse modo são abrangidos em diversos aspectos do problema a ser pesquisado.
. zumas vezes os estudos qualitativos seguem o enfoque já comentado para produzir questões
pesquisa, buscando que delimitem o que se pretende pesquisar; ainda que, em outras
, a coleta e a análise de dados possam ser utilizadas para descobrir quais são as questões
levantes da pesquisa, para mais tarde "refiná-Ias" e agregar precisão a tais questões.
Alguns estudos qualitativos foram desenvolvidos por não estarem de acordo com as
quisas antecedentes nem com suas questões. Isso pode
r válido e, em algumas ocasiões, tem sido benéfico para
avanço do conhecimento. Por exemplo, um pesquisador
de acreditar que uma explosão ou desastre provocado
orno o choque dos aviões de passageiros contra as torres
.meas de Nova York no dia 11 de setembro de 2001; ou
explosão de pólvora na cidade de Celaya, no México,
m 1999) trará seqüelas psicológicas aos sobreviventes,
· em vez de se basear na literatura sobre o estresse pós-
umático, traumas específicos e medos detectados por
rudos antecedentes, decide iniciar seus estudos sem
redeterminar variáveis nem levantar hipóteses sobre os
-eitos, e sim apenas convivendo com os sobreviventes e
analisando sua condura, inclusive por meio de entrevistas
a depois revisar cuidadosamente suas observações
· a partir daí, desenvolver a formulação do problema
objetivos e quetões) para uma segunda etapa do estudo,
ou para pesquisas futuras.
enfoque qualitativo e as questões de pesquisa
Questões de pesquisa: orientam
para as respostas pretendidas pela
pesquisa.
Foram realizadas I
muitas pesquisas
sobre as seqüelas
psicológicas entre
os sobreviventes
dos atentados de
11 de setembro
de 2001 em
Nova York.
Justificativa da pesquisa: indica o
porquê da pesquisa ao expor suas
razões.
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Justificativa da pesquisa
Além dos objetivos e das questões de pesquisa, é necessário justificar um estudo expondo suas
razões. A maioria das pesquisas é efetuada com um objetivo definido, não simplesmente por
capricho de uma pessoa; e esse objetivo deve ser suficientemente forte para que se justifique
sua realização. Além disso, em muitos casos é preciso explicar por que é conveniente realizar
a pesquisa e quais são os benefícios que resultarão dela: deve-se explicar a um comitê escolar
o valor da tese que se pretende realizar, o pesquisador universitário fará o mesmo com o
grupo de pessoas que aprovam os projetos de pesquisa em sua instituição e até mesmo
com seus colegas, o consultor terá que explicar ao seu cliente as recompensas que virão de
um determinado estudo; o subordinado que propõe uma pesquisa ao seu superior deverá
explicitar as razões para a sua utilidade. O mesmo ocorre em quase todos os casos, sejam
estudos quantitativos, qualitativo ou mistos, essa justificativa sempre é importante.
Critérios para avaliar o valor potencial ele uma pesquisa
Uma pesquisa pode ser conveniente por diversos motivos: talvez ajude a resolver um pro-
blema social, a construir uma nova teoria ou a produzir questões de pesquisa. O que alguns
consideram relevante para a realização de uma pesquisa pode não sê-lo
para outros. Em relação a isso, a opinião das pessoas pode ser diferente. No
entanto, é possível estabelecer uma série de critérios para avaliar a utilidade
de um estudo proposto, os quais, evidentemente, são flexíveis e de nenhuma
maneira exaustivos. A seguir, indicamos alguns desses critérios formulados
como questões, os quaisforam adaptadosdeAckoff(1967) eMiller (2002). E
afirmaremos que quanto maior o número de respostas obtidas de forma positiva e satisfatória,
mais sólidas serão as bases para justificar a realização da pesquisa.
• Conveniência Quão inconveniente é a pesquisa?; isto é, para que serve?
Relevância social Qual é sua transcendência para a sociedade? Quem se beneficiará com
os resultados da pesquisa? De que modo? Em resumo, qual o alcance social?
Implicações práticas A pesquisa ajudará a resolver algum problema real?Tem implicações
que transcendem para uma ampla gama de problemas práticos?
Valor teórico Com a pesquisa, alguma brecha de conhecimento será preenchida? Os
resultados poderão ser generalizados para princípios mais amplos? A informação obtida
pode servir para comentar, desenvolver ou apoiar uma teoria? Será possível conhecer
mais a fundo o comportamento de uma ou de diversas variáveis ou da relação entre elas?
A pesquisa oferece a possibilidade de uma exploração frutífera de algum fenômeno ou
ambiente? Com os resultados, o que se espera saber que não se conhecia antes? Podem
surgir idéias, recomendações ou hipóteses para estudos futuros?
Utilidade metodológica A pesquisa pode ajudar a criar um novo instrumento para
coletar ou analisar dados? Ajuda a definir um conceito, ambiente, contexto variável
ou relação entre variáveis? Pode-se alcançar melhoras na forma de experimentar com
uma ou mais variáveis? A pesquisa sugere como estudar mais adequadamente uma
população? Pode ajudar a mesclar ambos os enfoques quantitativo e qualitativo e para
enriquecer a busca do conhecimento?
•
•
•
•
É muito difícil, portanto, que uma pesquisa possa responder positivamente a todas
essas questões; algumas vezes consegue apenas cumprir um critério.
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
suas
com
FORMULAÇÃO DO PROBLEMA: OBJETIVOS, QUESTÕES DE PESQUISA EJUSTIFICATIVA DO ESTUDO
~
ê'
5
""
bilidade da pesquisa
ém dos três elementos que conformam adequadamente a formulação do problema, é
reciso considerar outro aspecto importante: a viabilidade ou possibilidade de realização do
estudo; para isso, devemos levar em conta a disponibilidade de recursos
anceiros,humanos e materiais que determinarão, em última instância,
tipos de pesquisa (Rojas, 2001), Em outras palavras, ternos que nos per-
tar de forma realista: é viável realizar esta pesquisa? E quanto tempo
rã necessário para realizá-Ia? Tais questionamentos são particularmente
portantes quando se sabe de antemão que poucos recursos estarão
níveis para efetuar a pesquisa.
Viabilidade da pesquisa:
possibilidade da realização de um
estudo em relação à disponibilidade
de recursos.
UM EXEMPLO DE INVIABILIDADE
Um caso ilustrativo ocorreu alguns anos atrás, quando um grupo de estudantes de Ciência da
Computação decidiu realizar seu trabalho de conclusão de curso sobre o impacto que teria a
introdução da televisão em uma comunidade onde ela não existia. O estudo buscava, entre
outras coisas, analisar se mudavam os padrões de consumo, se as relações interpessoais se
modificavam, e se as atitudes e osvalores centrais dos habitantes (religião;atitudes em relação
ao matrimônio, a família, a estrutura familiar, o trabalho) se transformavam com a introdução
da televisão. A pesquisa parecia interessante porque havia poucos estudos similares, e esse
traria informações úteis para a análise dos efeitos de tal meio de comunicação, a difusão
inovações e outras muitas áreas do conhecimento. Contudo, o custo da pesquisa muito
elevado (seria preciso adquirir muitos televisores e ofertá-los aos habitantes ou alugá-Ios,
bzer que as transmissões chegassem até a comunidade, contratar uma equipe considerável,
cobrir muitos custos com viagens etc.) superava, em muito, as possibilidades econômicas
estudantes, ainda que considerassem um financiamento. Além disso, levaria muito
po para ser realizado (cerca de três anos), levando em conta que se tratava de uma tese.
ivelmente, para um pesquisador especializado na área, esse tempo não seria wn obstá-
o. O fator "tempo" varia em cada pesquisa; às vezes são necessários dados em um curto
espaço de tempo, enquanto em outras situações o tempo não é relevante. Existem estudos
duram vários anos porque sua natureza exige que seja assim.
ilBeqü""ênciosdo pesquisa
h.bmo sem fins científicos, é necessário que o pesquisador se questione sobre as conseqüências
estudo. No exemplo anterior, supondo que a pesquisa tivesse sido realizada, seria
;._~[]J·ente perguntar-se antes: corno a pesquisa afetará os habitantes dessa comunidade?
zinemos que se planeja realizar um estudo sobre o efeito de urna
uito forte, usada no tratamento de algum tipo de esquizofrenia.
portante refletir sobre a conveniência de efetuar ou não a pesquisa.
contradiz o pensamento de que a pesquisa científica não estuda
Jll!lIeCWS- morais nem formula julgamentos desse tipo. Não o faz, mas
-=0 significa que um pesquisador não possa decidir realizar ou não
Exemplo
Conseqüências da pesquisa:
repercussões positivas ou negativas
que o estudo implica nos âmbitos
ético e estético.
Agnaldo
Agnaldo
METODOLOGIA DE PESQUISA•
•••••
RESUMO
um estudo porque ele traria efeitos prejudiciais para outros seres humanos. Aqui estamos
falando de suspender uma pesquisa por questões de ética pessoal, e de não realizar um
estudo por questões éticas ou estéticas. A decisão de realizar ou não uma pesquisa pelas
conseqüências que ela possa trazer é uma decisão pessoal de quem a concebe. Do ponto
de vista dos autores, esse também é um aspecto da formulação do problema que deve ser
levado em conta, e a responsabilidade é algo muito digno de consideração sempre que se
vai realizar um estudo.
A pesquisa sobre a clonagem traz desafios interessantes nesse sentido .
• Elaborar o problema de pesquisa consiste em aprimorar e estruturar mais formalmente
a idéia de pesquisa, desenvolvendo três elementos da pesquisa: objetivos, questões e
justificativa.
• Na pesquisa quantitativa, os três elementos devem ser capazes de conduzir a uma
pesquisa concreta e com possibilidade de teste empírico.
• No enfoque quantitativo, a formulação do problema de pesquisa precede a revisão da
literatura e o resto do processo de pesquisa; ainda que essa revisão possa modificar a
formulação original.
• No enfoque qualitativo, a formulação do problema surge em qualquer momento da
pesquisa, incluindo o princípio ou o final.
• Em alguns casos, no enfoque qualitativo, a coleta e análise dos dados contribuem para
a formulação de questões na pesquisa.
Os objetivos e as questões de pesquisa devem ser congruentes entre si e seguir na
mesma direção.
Os objetivos estabelecem o que a pesquisa pretende, as questões nos dizem quais
respostas devem ser encontradas por meio da pesquisa e a justificativa nos indica por
que se deve realizar a pesquisa.
Os critérios principais para avaliar o valor potencial de uma pesquisa são: conveniência,
relevância social, implicações práticas, valor teórico e utilidade metodológica. Além
disso, devem analisar a viabilidade da pesquisa e suas possíveis conseqüências.
- A formulação de um problema de pesquisa científica não pode incluir conceitos
morais nem estéticos. Mas o pesquisador deve se perguntar se é ou não ético realizar
a pesqUlsa.
Enfoque quantitativo
Formulação do problema
Justificativa da pesquisa
Conseqüências da pesquisa
Critérios para avaliar uma pesquisa
Enfoque qualitativo
Objetivos da pesquisa
Questões de pesquisa
Viabilidade da pesquisa
que se
FORMULAÇÃO DO PROBLEMA: OBJETIVOS, QUESTÕES DE PESQUISA EJUSTIFICATIVA DO
e
ª'5
'"
1. Assista a um filme sobre estudantes (de ensino médio ou superior) e sua vida cotidiana,
estruture uma idéia, depois consulte alguns livros ou artigos que falem sobre o tema e,
finalmente, formule um problema de pesquisa em torno dessa idéia (objetivos, questões e
justificativa da pesquisa).
2. Selecione um artigo de uma revista científica que contenha os resultados de uma pesquisa e
responda às seguintes questões: quais são os objetivos dessa pesquisa? Quais são as questões?
Qual é a justificativa?
3. Visite uma comunidade rural e observe o que acontece nessa comunidade, converse com
seus habitantes e colete informações sobre um assunto de seu interesse. Tome notas e
analise-as. Dessa experiência, elabore um problema de pesquisa.
4. Em relação à idéia escolhida no Capítulo 2, transforme-a na elaboração de um problema
de pesquisa. Pergunte-se: os objetivos são claros, precisos e levarão à realização de
uma pesquisa na "realidade"? São ambíguas as questões? O que conseguirei com essa
formulação? É possível realizar essa pesquisa? Além disso, avalie sua elaboração de acordo
com os critérios expostos neste capítulo.
5. Compare os seguintes objetivos e questões de pesquisa. Qual das duas formulações é mais
específica e clara? Qual você acredita ser melhor?
Formulação 1
Objetivo: Analisar o efeito de se utilizar um professor autocrático versus um professor
democrático na aprendizagem de conceitos matemáticos elementares entre crianças de
escolas públicas localizadas nas zonas rurais. O estudo seria realizado com crianças que
freqüentam seu primeiro curso de matemática.
Questão: O estilo de liderança (democrático-autocrático) do professor está relacionado
com o nível de aprendizagem de conceitos matemáticos elementares?
Formulação 2
Objetivo: Analisar as variáveis que se relacionam com o processo de ensino-aprendizagem
nas crianças em idade pré-escolar.
Questão: Quais são as variáveis que se relacionam com o processo de ensino-aprendizagem?
Você acredita que a segunda formulação é muito global? Em relação à primeira, seria
possível melhorá-la? Em caso afirmativo, de que maneira?
6. Alguns adjetivos que não são aceitos na formulação de um problema de pesquisa são:
Ambíguo
Confuso
Geral
Vasto
Injustificável
Irracional
Preconceiruoso
Vago
Inimeligível
Incompreensível
Desorganizado
Incoerente
Inconsistente
Que outros adjetivos não podem ser aceitos em um problema de pesquisa?
ExercícioMETODOLOGIA DE PESQUISA•
.'rr
Exemplos
•HURTADO, J. Metodologia de Ia investigación holística. 2. ed. Caracas:SYPAL,1998.
KERLINGER,F.N.; LEE,H. B. Investigación dei comportamiento: métodosde investigaciónen cienciassociales.
México:McGraw-HillInterarnericanaEditores,2002. p. 16-28.
I
A TELEVISÃO E A CRIANÇA
OBJETIVOS
1. Descrevero uso que ascriançasda Cidade do Méxicofazemdosmeiosde comunicaçãode massa.
2. Indagar o tempo que as crianças da cidade passam na frente da televisão.
3. Descrever quais são os programas favoritos das crianças da Cidade do México.
4. Determinar as funções e gratificações da televisão para as crianças da Cidade do México.
5. Conhecer o tipo de controle que os pais exercem sobre seus filhos em relação à atividade de
ver televisão.
6. Analisar que tipos de crianças vêem mais televisão.
QUESTÕES DE PESQUISA
Qual é o uso que as crianças da Cidade do México fazem dos meios de comunicação de massa?
Quanto tempo os diferentes tipos de crianças passam na frente da televisão?
Quais são os programas preferidos dessas crianças?
Quais são as funções e gratificações da televisão para a criança?
Que tipo de controle os pais exercem sobre os filhos em relação à atividade de ver televisão?
JUSTIFICA TIVA
Para a maioria das crianças, ver televisão, dormir e ir à escola constituem suas atividades principais.
Do mesmo modo, a televisão é o meio de comunicação preferido dos pequenos. Estima-se que,
em média, a criança vê televisão diariamente por três horas, e foi calculado em um relatório
da agência de pesquisa Nielsen que, ao completar 15 anos, a criança assistiu a 15 mil horas de
conteúdo televisivo. Esse fato gerou diversos questionamenros de pais, professores, pesquisadores
e, em geral, da sociedade sobre a relação criança-televisão, e os efeitos disso sobre a sua formação.
Assim, foi considerado transcendente o estudo de tal relação, com o objetivo de analisar o papel
que um agente de socialização tão relevante como a televisão desempenha na vida da criança.
O estudo formulado ajudará, entre outros aspectos, a conhecer a relação criança-televisão, suas
implicações para o desenvolvimento da criança, e trará informações úteis aos pais e professores
sobre como lidar de modo mais proveitoso com a relação da criança e a televisão.
A pesquisa contribuiria também para contrastar os dados sobre usos e gratificações da
televisão em crianças de outros países com os dados obtidos no México.
A pesquisa é viável, pois se dispõem dos recursos necessários para sua realização.
!
iales.
de
FORMULAÇÃO DO PROBLEMA: OBJETIVOS, QUESTÕES DE PESQUISA E JUSTIFICATIVA DO
~
2'o...
o CONTÁGIO DA AIDS
OBJETIVOS
Conhecer a evolução e avaliar a siruação arual dos indivíduos que receberam transfusão de sangue
com a possibilidade de estarem contaminados (fator de risco) adquiridos de "Transíusiones y
Hematología, SA.", pelos Servicios Médicos de Pemex, no período de janeiro de 1984 a maio
de 1987 e de seus contatos, com o objetivo de tornar as medidas preventivas necessárias para
interromper a cadeia de transmissão e propagação do vírus da irnunodeficiência humana (HIV),
bem como para fundamentar a gestão administrativa e trabalhista nos casos de trabalhadores que
foram infectados (SIDA con Jactor de nesgo postramfosión, receptoresy contactos, Hernández Galicia,
Gerencia de ServiciosMédicos de Ia Subdirección Técnica Administrativa de Petróleos Mexicanos,
1989).
CONTEXTO
"Um número a ser determinado de pacientes atendidos entre janeiro de 1984 a maio de 1987,
nas unidades hospitalares de Petróleos Mexicanos, bem como de seus contatos diretos, é
portador do vírus da imunodeficiência humana (HIV) pelo fato de, por necessidades próprias
de seu sofrimento, terem recebido transfusões de sangue ou seus derivados, possivelmente
contaminados e provenientes do banco particular "Transfusiones y Hematología, S.A.".
QUEST6ES DE PESQUISA
Existe diferença em relação ao tempo que a Aids demora para se desenvolver nas pessoas infec-
tadas por via sexual e aquelas infectadas por transfusão sangüínea?
Existe diferença em relação ao tempo que a doença demora para se desenvolver nas pessoas
de grupos de diferentes faixas etárias?
Existem sintomas que evidenciam de maneira diferente o desenvolvimento da doença
entre os infectados por transfusão e os infectados por transmissão sexual?
JUSTIFICATNA
É necessário estudar os efeitos que as diferentes formas de adquirir o HN apresentam para
estabelecer medidas que limitem e controlem as possibilidades de transmissão da Aids. Isso
levará a implementar ações em hospitais e clínicas que evitem a transfusão de sangue sem o
controle necessário.
A pesquisa é conveniente, do pomo de vista médico, e contribuirá para o conhecimento da
Aids. Além disso, permitirá ações exatas e equilibradas nos casos de infecção pelo HIV.
METODOLOGIA DE PESQUISA
,.
ESTUDO SOBRE A MODA PARA AS MULHERES MEXICANAS
CONTEXTO
Um grupo de analistas de mercado foi contratado por uma empresa para realizar um estudo
sobre as tendências da moda entre as mulheres mexicanas. Basicamente, a empresa (uma grande
cadeia de lojas de departamento com uma área dedicada a roupas femininas para adolescentes
e adultos) desejava conhecer como a moda é definida pela mulher mexicana, quais elementos
compõem a moda a partir de seu ponto de vista, como avaliam as sessões do departamento de
roupas femininas e o que é necessário que a loja faça por suas clientes.
Os pesquisadores, com um conhecimento mínimo sobre a moda feminina, decidiram
iniciar a pesquisa de maneira indutiva e qualitativa; sem uma formulação definida nem
estruturada do problema, e muito menos com uma hipótese.
O primeiro passo foi enviar um grupo de mulheres treinadas para observar de maneira não
ostensiva as pessoas que chegavam ao departamento de roupas femininas (fazendo-se passar
por clientes). Não foi esrruturada uma linha de observação, elas apenas foram instruídas a
registrar o comportamento que percebiam nas clientes (o que elas viam). As observadoras
tomaram nota de uma grande variedade de comportamentos verbais e não-verbais (desde o
tempo que as clientes permaneciam no departamento até quais objetos, tipo de roupa e partes
da área chamavam mais a atenção delas; o que as motivava; as cores e modelos que provavam
e compravam), perfis físicos (aproximadamente quais idades, tipos de vestimenta, se vinham
sozinhas ou acompanhadas e, nesse último caso, de quem). A observação se prolongou durante
uma semana.
Os registros e observações serviram para que os pesquisadores começassem a definir as
áreas temáticas que poderiam estar contidas no estudo e elaborar uma linha geral de entrevistas
(com questões amplas como: o que é a moda? Como define "estar na moda"? O que é mais
importante para ser uma mulher que se veste na moda? etc.). Posteriormente, o grupo de
observadoras capacitadas realizou entrevistas com as pessoas que visitavam o departamento
feminino e outras pesquisadoras se fizeram passar por vendedoras da loja. Não foi determinado
nenhum tamanho da amostra, apenas foi pedido que entrevistassem de maneira informal as
clientes. (Por fim, foram realizadas 213 entrevistas.)
Depois, foram realizadas entrevistas abrangemes com mulheres de diferentes idades
(desde os 14 até os 65 anos) em suas próprias casas, para conversar sobre moda, gostos, marcas
favoritas e, de maneira geral, sobre como viam a loja, entre outras questões.
Em primeira instância, a obtenção de informação foi feita de forma individual, por
pesquisador, e depois em grupo (material produto das observações, entrevistas e conversas que
a equipe de campo teve em seu papel de vendedoras). Tal análise seguiu as técnicas qualitativas
que serão revisadas mais adiante no livro. À luz de tais experiências, finalmente foi formulado
o p:roblema de pesquisa (após coletar e analisar a informação).
~ O problema teve como objetivos:• Obter as definições e percepções da moda para as mulheres mexicanas .
Determinar quais fatores compõem a definição de moda para as mulheres mexicanas .
Conhecer o significado de "estar na moda" para as mulheres mexicanas.
•
- Definir quais características têm as roupas e os acessórios considerados "na moda" por
I~",~~~t~~~'s~m~ulmh~e.r.e~s~.~•••• ~~ •••• ~, •••••••••••~~ •• ~ __~~_-.4'~~'~'~'~:~~~~~"'MM.w~"t; '"'" m.. ".,.,"'. " •• - ~.~
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FORMULAÇÃO DO PROBLEMA: OBJETIVOS, QUESTÕES DE PESQUISA E JUSTIFICATIVA DO
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Avaliar quais comportamentos tais mulheres manifestam ao comprar roupa.
Obter um perfil ideal (natureza, características e atributos) de um departamento ou loja
de roupa feminina.
Conhecer quais lojas as mulheres mexicanas preferem para comprar roupa.
Avaliar o departamento feminino de uma loja (incluindo suas sessões).
Entre algumas das questões de pesquisa que foram estabelecidas estavam: o que é a moda para
mulheres mexicanas? O que significa "estar na moda" para elas?Quais dimensões integram tal
conceito de moda? Quais marcas, tipo de roupas, cores e estilos preferem as mexicanas? Quais
atributos devem estar presentes em um departamento ou loja de roupa feminina? Como são
avaliados os departamentos de roupa feminina?
A justificativa incluiu a necessidade que uma cadeia de lojas de departamento tem em
conhecer melhor o pensamentO de suas clientes e assim manter-se sempre à frente da crescente
concorrência local e internacional no mercado de roupas femininas.
Assim, o estudo foi elaborado com duas vertentes: quantitativa e qualitativa, situação que
será desenvolvida ao longo do texto,
SUGESTÃO DE PESQUISAS BRASILEIRAS SOBRE MODA
o CAMPO DA MODA
Alexandre Bergamo
(Mestrando doDepartamento de Sociologia,Universidade de São Paulo - USP/Brasil)
BARTHES, R. Sistema da moda. São Paulo: Editoral Nacional, EDUSP, 1979.
---o As regras da arte. São Paulo: Cia. das Letras, 1996.
KALIL, G. Chie: um guia básico de moda e estilo. São Paulo: Senac, 1997.
MELLO E SOUZA, G. O espírito das roupas: a moda no século XlX. São Paulo: Cia. das Letras, 1987.______ -s
METODOLOGIA DE PESQUISA
Creio que devemos fazer que os alunos compreendam que o método científico não é difícil
e qu@, portanto, investigar a realidade também não o é. A pesquisa bem utilizada é uma
ferramenta valiosa do profissional em qualquer área; não existe melhor forma de encontrar
soluções eficientes e criativas para os problemas do que ter conhecimento profundo sobre a
situação. Também é preciso fazer que compreendam que a teoria e a realidade não são pólos
opostos, mas que estão totalmente relacionados.
Um problema de pesquisa bem formulado é a chave da porta de entrada do trabalho em
geral, pois dessa maneira é possível precisar os limites da pesquisa, a organização adequada do
marco teórico e as relações entre as variáveis; conseqüentemente, é possível chegar a resolver
o problema e gerar dados relevantes para interpretar a realidade que se deseja aclarar.
Em um mesmo estudo é possível combinar diferentes enfoque, também estratégias e pro-
jetos, posto que é possível estudar um problema quantitativamente e, em certos momentos,
entrar em níveis de maior profundidade por meio das estratégias dos estudos qualitativos.
Trata-se de um excelente modo de estudar as complexas realidades do comportamento
social.
Em relação aos avanços que foram obtidos em pesquisas quantitativas, destaca-se a criação
de instrumentos para medir uma série de fenômenos psicossociais que até pouco tempo eram
considerados impossíveis de abordar cientificamente. Por sua vez, o desenvolvimento e o
uso maciço do computador na investigação propiciaram uma facilidade no uso de projetos,
com os quais é possível estudar múltiplas influências sobre uma ou mais variáveis. Isso
aproximou a complexa realidade social da teoria científica.
A pesquisa qualitativa se consolidou, demarcando seus limites e possibilidades; do
mesmo modo suas técnicas avançaram para coletar dados e gerenciar situações próprias.
Ao mesmo tempo, com esse modelo é possível estudar questões que não são possíveis de
analisar por meio do enfoque quantitativo.
Ainda que seja difícil precisar os parâmetros de uma boa pesquisa, é claro que ela se
caracteriza pela relação harmônica entre os elementos de sua estrutura interna; e também, por
ser inédita, por sua importância social e sua utilidade. A única coisa que não se recomenda
na atividade científica é que o pesquisador atue de forma negligente.
EDWIN SALUSTIO SALAS BLAS
Faculdade de Psicologia
Universidad de Lima
Lima, Peru
- BLAS
FORMULAÇÃO DO PROBLEMA: OBJETIVOS, QUESTÕES DE PESQUISA E JUSTIFICATIVA DO
~ê-
5
'"
A informação mais completa é a mais próxima, portanto, os estudantes que não sabem por
onde iniciar seu projeto de pesquisa devem recorrer às fontes mais próximas, como são os
problemas sociais, o desenvolvimento tecnológico interno e, mesmo, os pontos de vista dos
latino-americanos sobre a arte e a cultura.
A pesq uisa não deve ser nem obrigatória nem realizada sem en rusiasmo, daí a importância
do fato de o tema escolhido ser de interesse para o aluno e que, ao mesmo tempo, ele tenha
o compromisso de iniciar e concluir o trabalho com a mesma força.
A elaboração do problema é o aspecto mais importante para começar um projeto, já que
não é possível obter um bom resultado sem antes determinar o que se pretende conseguir.
Realizar bem essa primeira atividade fará da pesquisa um trabalho mais fluido e objetivo.
FELlPE ORTIZ VÁZQUEZ
Professor em tempo integral
Departamento de Controladoria
TecnoLógico de Estudios Superiores de Ecatepec
Estado do México, México
Capítulo
~.
com valor de
~finifãoda pesquisa
ser realizada:
loratória, descritiva,
rrelacional ou
licativa
se a pesquisa se inicia como exploratória, descritiva, correlacional ou explicativa, e até
·el chegará.
capítulo apresenta os tipos de pesquisa nas ciências: exploratórias, descritivas, corre'lacionais
plicativas. Neste capítulo, discutem-se a natureza e o objetivo desses estudos. Estabelece-se
as pesquisas quantitativas, qualitativas e mistas são capazes de apresentar todas as mo-
idades,
Capítulo
Obietivos de
aprendizagem
Ao finalizar o estudo deste
capítulo, você deverá ser
capaz de:
• Conhecer os tipos de
pesquisa nas ciências.
• Perceber os tipos dos
diferentes problemas de
pesquisa científica.
• Vincular os resultados
da pesquisa com os seus
enfoques (quantitativo,
qualitativo e misto).
QUE TIPOS DE ESTUDO SE FAZ EM PESQUISA?
Se, uma vez feita a revisão de literatura, decidirmos que nossa pesquisa vale a pena e que devemos
realizá-Ia, ou se levarmos adiante uma imersão no campo, ambiente ou acontecimento que
nos interessa estudar (do enfoque quantitativo, qualitativo ou misto), o passo seguinte
consiste em visualizar o tipo de estudo a ser efetuado.
os estudos quantitativos, isso ocorre antes da elaboração da(s) hipóresets), da definição
ou escolha de um projeto de pesquisa e coleta de dados. Nos estudos qualitativos, ocorre antes
ou durante a coleta de dados, ou em qualquer etapa do processo de pesquisa. Lembremos que
em uma pesquisa qualitativa a imersão no campo diz respeito à presença no local onde será
efetuado o estudo e coletados os dados (observando, entrevistando, interagindo etc.). É o
caso de uma comunidade, de um grupo, um evento ou de um contexto.
Diversos autores da metodologia da pesquisa classificaram os tipos de pesquisa em:
estudos exploratórios, descritivos e explicativos (por exemplo, Selltiz et al., 1980; e Babbie.
2001). Contudo, para evitar algumas confusões, neste livro adotaremos a classificaçãode Danhke
(1989), que divide esses estudos em: exploratórios, descritivos, correlacionaise explicatiuos.' E
mais do que falar de tipos de pesquisa, vamos visualizá-los como pontos ou espaços dentro
de uma "causalidade", como mostra a Figura 5.1.
Essa classificação é muito importante, pois a estratégia de pesquisa depende do tipo
estudo. O projeto, os dados coletados, a maneira de obtê-los, a amostragem e outr
componentes do processo de pesquisa são classificados em estudos exploratórios, descritivo
correlacionais e explicativos, tanto em relação à pesquisa quantitativa quanto à qualitativ
ou mista. Na prática, qualquer estudo pode incluir elementos de mais de um desses quatr
tipos de pesquisa.
Os estudos exploratórios servem para preparar o campo e, em geral, antecedem os outros tré
tipos (Danhke, 1989). Os estudos descritivos, em geral, fundamentam aspesquisas correlacionais:
que, por sua vez, proporcionam informações para dar continuidade aos estudos explicativos, q
geram um entendimento e são bern-estruturados. As pesquisas que estão sendo realizadas em
campo de conhecimento específico pod
incluir diferentes etapas de desenvolvimem
É possível que uma pesquisa se inicie co
exploratória, depois passe a ser descritiva
correlacional, e termine como explicativa;
estudo sobre a moda nas mulheres mexi
já comentado nos capítulos anteriores, é
exemplo, pois se iniciou como exploratóri
qualitativo e foi concluído como explicativ
misto. Igualmente, um estudo quantitatix
qualitativo ou misto pode se desenvolver como descritivo e concluir explicando relações ca
assim como gerar novas áreas de exploração para futuras pesquisas.
Tipos
de estudo
Figura S.l Exploratórios Correlacionais
Descritivos Explicativos
I Neste livro, utilizaremos a designação "estudo explicativo" em vez de "estudo experimental" (este é usado por Gordon Danhke), já
consideramos que algumas pesquisas não-experimentais podem proporcionar evidência para explicar por que ocorre um fenô
C'proporcionar certo senso de causalidade). Ainda que parte dos estudos explicativos seja de experimentos, não cremos que ambos
termos devam ser considerados como sinônimos.
Agnaldo
Agnaldo
DEFINIÇÃO DA PESQUISA A SER REALIZADA: EXPLORATÓRIA, DESCRITIVA, CORRELACIONAL OU EXPUCATlVA
~ê!' • •
6
'"
urge, porém, a questão: o quefoz que nossoestudo se inicie como exploratôrio, descritivo,
lacional ou explicativo? A resposta não é simples, mas diremos que isso depende
~"5ICamente de dois fatores: o estado do conhecimento sobre o tema da pesquisa, mostrado
revisão de literatura, e o enfoque que se pretende dar ao estudo. Entretanto, antes de
fundar nessa resposta, é necessário falar de cada tipo de estudo.
E SÃO OS ESTUDOS EXPLORATÓRIOS?
. m-se estudos exploratórios, normalmente quando o objetivo é examinar um tema ou
-.r'-"'de pesquisa pouco estudado, do qual se tem muitas dúvidas ou nãofoi abordado antes.
outras palavras, quando a revisão de literatura revela que há temas não pesquisados e
vagamente relacionadas com o problema de estudo; ou seja, se desejarmos pesquisar
alguns temas e objetos com base em novas perspectivas e ampliar os estudos já exis-
. Por exemplo, pesquisar a opinião dos habitantes de uma cidade sobre o novo
ito ou governador, e como ele pretende resolver seus principais problemas. A lite-
oferece muitos estudos similares, mas não nesse contexto específico, e sim outros,
'os ao objeto estudado.
Os estudos já existentes poderão ser úteis para se conhecer a situação no geral, no
to, o prefeito e os moradores da cidade são diferentes da realidade apontada na lite-
e a relação entre ambos é única. Além do mais, cada cidade tem os seus próprios
mas. Portanto, essa pesquisa será exploratória, pelo menos no seu início. De fato, se
. ador começa a perguntar aos amigos sua opinião
o prefeito, já está começando a explorar.
utro caso seria um pesquisador pretender ana-
fenômeno desconhecido ou novo: uma nova
uma catástrofe jamais vista antes no local a ser
o, inquietações que surgiram da decodificação do
genético humano, uma nova propriedade obser-
s buracos negros do universo, ou a visão de um
. tórico transformada pelo descobrimento de evi-
que antes estava oculta, entre outras.
estudos exploratórios são como realizar uma via-
um lugar desconhecido, do qual não conhecemos
lemos nenhum livro a respeito do qual pos-
uma rápida idéia oferecida por terceiros. Ao chegar
não sabemos que lugares visitar, a qual museu ir,
mer bem, como são as pessoas; em outras palavras,
ecemos tudo do lugar. A primeira coisa que temos
é explorar: perguntar sobre tudo, pedir ao taxista
otorista do ônibus que nos deixe próximo ao hotel
estamos hospedados e, por fim, tentar encontrar pessoas que nos pareçam
Ocas. Assim, se não soubermos procurar as informações necessárias, certamente
As pesquisas sobre 1
o genoma humano
são um exemplo de
estudo exploratório
Agnaldo
Agnaldo
Pesquisa exploratória: é realizada
quando o objetivo consiste em
examinar um tema pouco estudado.
METODOLOGIA DE PESQUISA•
perderemos dinheiro e muito tempo. Sem isso, talvez nos enganemos quanto à qualidade de
algum espetáculo nada agradável e caro, perdendo a oportunidade de assistir a um espetáculo
mais interessante e mais em conta. No caso da pesquisa científica, a consulta inadequada à
literatura existente pode trazer conseqüências mais inadequadas que a simples frustração de
gastar muito dinheiro com um espetáculo que nos tenha desagradado.
Valor
Os estudos exploratórios servem para nos jàmiliarizarmos com fenômenos relativamente des-
conhecidos, para obter informações sobre a possibilidade de realizar uma pesquisa mai
completa sobre um contexto particular, pesquisar problemas do comportamento humano
que os profissionais de determinada área considerem cruciais, identificar conceitos ou
variáveis promissoras, estabelecer prioridades sobre pesquisas futuras, ou sugerir afirmações
e postulados.
Esse tipo de estudo é comum na pesquisa, sobretudo em situações para as quais há
pouca informação. Esse foi o caso das primeiras pesquisas de Sigmund Freud, surgidas
da idéia de que os problemas de histeria estavam relacionados com as
dificuldades sexuais, bem como os primeiros estudos sobre a Aids, os
experimentos iniciais de Ivan Pavlov sobre os reflexos condicionado
e as inibições, a análise de conteúdo dos primeiros vídeos musicais, as
pesquisas de Elton Mayo na fábrica Hawthorne da Companhia Western
Electric, os estudos sobre terrorismo depois dos atentados contra as torres
gêmeas de Nova York em 2001, a clonagem de mamíferos etc. Todos foram realizado
em diferentes épocas e áreas, mas com um denominador comum: explorar algo pouco
pesquisado ou conhecido.
Os estudos exploratórios em poucas ocasiões constituem um fim em si mesmos, geralment
determinam tendências, identificam áreas, ambientes, contextos e situações de estudo
relações potenciais entre variáveis; ou estabelecem o "tom" de pesquisas posteriores mais
elaboradas e rigorosas. Caracterizam-se por terem maior flexibilidade na sua metodologia
em comparação com os estudos descritivos, correlacionais e: explicativos, e são mais ampl
e dispersos que esses outros três tipos. Assim mesmo, implicam maior "risco" e requere
muita paciência, serenidade e receptividade por parte do pesquisador.
As pesquisas qualitativas normalmente estão associadas com os estudos exploratório
No entanto, nem todas as pesquisas de cunho qualitativo são necessariamente do tipo ex-
ploratório, pois também chegam a ser do tipo descritivo, correlacional (em um sentid
não-estatístico) e causal. Assim mesmo, é possível que os estudos quantitativos e mist
tenham qualquer tipo de pesquisa no contínuo exploratório-causal .
...
O QUE SAO OS ESTUDOS DESCRITIVOS?
Obietivo
Com muita freqüência, o objetivo do pesquisador consiste em descrever situações, acont -
cimentos e feitos, isto é, dizer como é e como se manifesta determinado fenômeno.
Agnaldo
, aconte-
o.DEFINIÇÃO DA PESQUISA A SER REALIZADA: EXPLORATÓRIA, DESCRITIVA, CORRELACIONAL OU EXPLlCATlVA
~
ê'
5
'"
Os estudos descritivos procuram especificar as propriedades, as características e os perfis
rportantes de pessoas, grupos, comunidades ou qualquer outro fenômeno que se submeta à
ilise (Danhke, 1989). Eles medem, avaliam ou coletam dados sobre diversos aspectos,
ensões ou componentes do fenômeno a ser pesquisado. Do ponto de vista científico,
rever é coletar dados (para os pesquisadores quantitativos, medir; para os qualitativos,
ar informações), Isto é, em um estudo descritivo seleciona-se uma série de questões e mede-
ou coleta-se informação sobre cada uma delas, para assim (vale a redundância) descrever o
sepesquisa,
Um censo nacional da população é um estudo descritivo, Seu objetivo é medir uma série
de características de um país em um momento específico: aspectos da moradia (número de
quartos e apartamentos, se conta ou não com energia elétrica e água encanada, número de cô-
modos, tipo de energia utilizada, condição de moradia (se alugada ou própria), localização do
imóvel), informações sobre os moradores (bens, renda, alimentação, meios de comunicação
disponíveis, idades, sexo, local de nascimento e residência, língua, religião, profissões) e
outras características que se considerem relevantes ou de interesse para o estudo. Nesse caso,
o pesquisador escolhe uma série de objetos a serem medidos, que também serão chamados
variáveis e que se referem a indicadores que podem adquirir diversos valores e ser medidos, É
feita a medição e os resultados servem para descrever o fenômeno de interesse.
Um pesquisador qualitativo que procura observar em uma comunidade rural com-
portamentos de intolerância familiar: ao fazê-Io, nota a presença de condutas agressivas e
intolerantes para com as mulheres que decidem trabalhar, aponta tais condutas, além de
concextualizá-las, e ainda classificá-Ias. Seria o caso de um estudo descritivo,
Outros exemplos de estudos descritivos poderiam ser: uma pesquisa que determine qual
dos partidos políticos tem mais militantes no país, quantos votos receberam cada um desses
partidos nas últimas eleições nacionais ou locais e qual é a imagem que cada um deles tem
para os cidadâosr' uma pesquisa que nos dissesse o nível de satisfação no trabalho, a motivação
intrínseca em relação ao trabalho, a identificação com os objetivos, a política e a filosofia
empresarial, a integração em relação ao seu meio de trabalho etc., verificáveis nos trabalhadores
e empregados de uma organização; ou um estudo que nos indicasse quantas pessoas fazem
psicoterapia em uma comunidade específica, a que tipo de psicoterapia recorrem e se há mais
mulheres que homens ou vice-versa. Da mesma maneira, a informação sobre o número de
fumantes em uma determinada população, as características de um condutor elétrico ou um
material de construção, a existênciaou inexistênciade uma cultura fiscalem uma cidade ou região,
o número de divórcios anuais em uma nação, o número de pacientes atendidos em um hospital,
a taxa de produtividade de uma fábrica e a atitude de um grupo de jovens, em particular, em
relação ao aborto, são exemplos de informação descritiva cujo propósito é apresentar um pa-
norama do fenômeno a que se faz referência (uma "fotografia"),
rtante notar que a descrição do estudo pode ser mais ou menos geral ou detalhada. Por exemplo, poderfarnos descrever a
de cada partido político em toda a nação, em cada estado, província ou região; ou em cada cidade ou população (e ainda nos
-eis).
Exemplo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Os estudos descritivos medem conceitos ou
coletam informa~ão sobre estes
METODOLOGIA DE PESQUISA•
•
Os estudos descritivos pretendem medir ou coletar informações de maneira independente ou
conjunta sobre os conceitos ou as variáveis a que se referem. Logo, podem integrar as medições
ou informação de cada uma dessas variáveis ou conceitos para dizer como é e como se
manifesta o fenômeno de interesse; seu objetivo não é indicar como se relacionam as va-
riáveis medidas. Por exemplo, um pesquisador organizacional que pretenda descrever várias
empresas industriais em relação à sua complexidade, tecnologia, tamanho, centralização e
capacidade de inovação, mede essasvariáveis para descrevê-Ias nos termos desejados. Mediante
seus resultados, descreverá o nível de automatização das empresas medidas (tecnologia),
o nível de hierarquização horizontal (subdivisão das tarefas), vertical (número de níveis
hierárquicos) e espacial (número de centros de trabalho e número de metas presentes nas
empresas etc.); o grau de liberdade que os diferentes níveis têm ao tomar decisões e quan-
tos deles têm acesso à tomada de decisões (centralização das decisões); e em que medida
chegam a modernizar ou realizar mudanças nos métodos de trabalho e maquinário (ca-
pacidade de inovação).
O pesquisador, contudo, não pretende analisar por meio do seu estudo se as empresas com
tecnologia mais auromatizada são aquelas que tendem a sermais complexas (relacionar tecnologia
com complexidade) nem dizer-nos se a capacidade de inovação é maior nas empresas menos
centralizadas (correlacionar capacidade de inovação com centralização).
O mesmo ocorre com o psicólogo clínico que tem como objetivo
descrever a personalidade de wn indivíduo. Se o enfoque for quantitativo,
ele se limitará às diferentes características da personalidade (hipocondria,
depressão, histeria, masculinidade-feminilidade, introversão social etc.),
para conseguir descrevê-Ia. Serão consideradas assim as dimensões da perso-
nalidade para descrever o indivíduo, ainda que não esteja interessado em
analisar se uma depressão maior está relacionada com uma introversão
social maior; ao contrário, se pretendesse estabelecer correlações, seu estudo seria basicamente
correlacional e não descritivo.
O observador de comportamentos intolerantes em relação às mulheres que trabalham
na zona rural não pretende analisar as causas de tais condutas, e sim tão-somente registrar suas
observações, comentá-Ias e contextualizã-las. Claro que se vai mais além, tendo como objetivo
estabelecer os tipos de famílias que apresentam maior intolerância, o observador será do tipo
correlacional. No caso de aprofundar-se nas origens dos comportamentos, será explicativo.
Pesquisa descritiva: busca
especificar propriedades e
características importantes de
qualquer fenômeno que se analise.
Valor
Assim como os estudos exploratórios se interessam fundamentalmente em descobrir e pre-
figurar, os descritivos se centram em coletar dados que mostrem um evento, uma comunidade,
um fenômeno, feito, contexto ou situação que ocorre (para ospesquisadores quantitativos: medir
com a maior precisão possível). Este é o seu valor máximo.
Nesse tipo de estudo o pesquisador deve ser capaz de definir, ou ao menos visualizar,
o que vai medir ou sobre o que serão os dados coletados. Ainda que às vezes, sobretudo nas
pesquisas quantitativas, durante o trabalho de campo, surjam novos tópicos ou situações
DEFINIÇÃO DA PESQUISA A SER REALIZADA: EXPLORATÓRIA, DESCRITIVA, CORRELACIONAL OU EXPLlCATlVA
S
2'
5
'"
•
sobre os quais é imperativo solicitar informação. Ainda assim, é necessário especificar quem
deve estar incluído na medição, ou coleta, ou qual contexto, feito, ambiente, comunidade
ou equivalente terá de ser descrito. Por exemplo, se vamos medir variáveis em empresas é
necessário indicar que tipo de empresas (industriais, comerciais, de serviços ou combinação
três classes, tamanhos etc.). Se vamos coletar dados sobre materiais pétreos devemos
indicar quais; se tratarmos de entrevistas qualitativas em uma comunidade, teremos de
nsar em quem e em qual comunidade (ainda que seja toda a população).
A discrição pode ser mais ou menos profunda, ainda que, de qualquer forma, esteja
eada na medição de um ou mais atributos do fenômeno descrito(se é quantitativa), ou
coleta de dados sobre o atributo e seu contexto (se é mista ou multimodal).
s estudos descritivos: previsões iniciais
Os estudos descritivos podem oferecer a possibilidade de previsões ou relações ainda que sejam
o elaboradas. Por exemplo, se obtemos informações descritivas do uso que um grupo de
ças faz da televisão, como o fato que em média vêem 3,5 horas a televisão (Fernández-
llado et al., 1998), se encontramos uma criança ("Alonso") que vive nessa tal cidade
em 9 anos, seríamos capazes de calcular o número provável de minutos que Alonso
.ca à televisão diariamente, utilizando certas técnicas estatísticas e com base na média
grupo de crianças ao qual Alonso pertence. Outro exemplo seria o de um analista de
inião pública que, baseando-se em dados descritivos obtidos em uma pesquisa realizada
m todos os futuros eleitores, para determinada eleição (número de pessoas que disseram
e votariam em cada um dos candidatos), tenta ver qual candidato vencerá a eleição, com
na probabilidade.
No caso do pesquisador interessado em observar comportamentos agressivos de into-
cia em relação às mulheres que trabalham em uma comunidade, se encontrar em suas
rvações que as mulheres são agredidas e objeto de intolerância, ao saber que "Carolina"
e vive nessa comunidade) vai começar a trabalhar, pode prever inicialmente que ela
rá agressão ou intolerância.
-UE SAO OS ESTUDOS CORRELACIONAIS?
estudos correlacionais pretendem responder a questões de pesquisa como: uma psi-
rapia orientada para o paciente pode aumentar sua auto-estima? Quanto maior a
de e a autonomia no trabalho, maior será a motivação intrínseca com as tarefas
rais? Existe diferença entre o rendimento obtido pelas ações de empresas de informática
alta tecnologia e o rendimento das ações de outros empreendimentos de menor grau
ológico na Bolsa de Valores? Os camponeses que adotam mais rápido uma inovação
mais cosmopolitas que os que a adotam depois? A distância física entre os casais de
orados tem uma relação negativa na satisfação na relação?
tipo de estudo tem como objetivo avaliar a relação entre dois ou mais conceitos, categorias
riáveis (em determinado contexto).
Agnaldo
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Em certas ocasioes só se analisa a relação entre duas vanaveis, o que poderia ser
representado como X -- Y,mas freqüentemente se encontram no estudo relação entre
três variáveis, o que poderia ser representado assim:X-- Y;outras vezes estão incluídas
\/
Z
várias relações: X-- Y-- WNesse último caso, cinco correlações são apresentadas
\/
Z --F
(cinco pares de correlações estão associados: X com Y,X com Z, Y com Z, Y com We Z
com F Observe que não estamos relacionando X com E X com W,Y com E Z com W nem
WcomF).
Os estudos quantitativos correlacionais medem o grau de relação entre duas ou mais va-
riáveis (quantiíicam as relações), ou seja, medem cada variável presumidamente relacio-
nada e depois também medem e analisam a correlação. Tais correlações são expressas em
hipóteses que são testadas. Por exemplo, um pesquisador que deseja analisar a relação
entre a motivação laboral e a produtividade em um grupo de trabalhadores (digamos, de
várias empresas industriais com mais de mil trabalhadores da cidade de Bogotá, Colômbia)
mediria a motivação e a produtividade de cada um, depois analisaria se os trabalhadores com
maior motivação são ou não os mais produtivos. É importante insistir que, na maioria
dos casos, as medições das variáveis correlacionadas provêm dos mesmos indivíduos.
Não é comum correlacionar medições de uma variável feitas em pessoas ou eventos com
medições de outra variável realizada em outras pessoas.' Assim, não
seria válido correlacionar medições da motivação dos trabalhadores de
Bogotá com medições da produtividade feitas com outros trabalhadores
(de outras empresas).
No caso das pesquisas qualitativas, também é possível a correlação
entre dois ou mais conceitos, categorias ou variáveis, ainda que não se
meçaím) aís) relaçãotões) nem se estabeleça numericamente sua magnitude.
No geral, tais relações não são prefixadas (não são preconcebidas), e sim descobertas durante
a pesquisa, isto é, são induzidas.
Pesquisa correlacional: tem como
objetivo avaliar a relação entre duas
ou mais variáveis ou conceitos.
Utilidade
A utilidade e o objeto principal dos estudos correlacionais quantitativos são para se saber como se
comporta um conceito ou uma variável conhecendo o comportamento de outras variáveis relacionadas.
Em outras palavras, tentar estimar o valor aproximado que um grupo de indivíduos ou fenômenos
terá em uma variável a partir do valor que tem naís) variável(eis) relacionadals).
Um exemplo talvez simples, mas que ajuda a compreender o objetivo de previsão dos
estudos correlacionais quantitativos, seria correlacionar o tempo dedicado para estudar para
um exame de estatística com a qualificação obtida. Nesse caso, em um grupo de estudantes
será medido o tempo dedicado a estudar para o exame de cada um deles e também as notas
obtidas no exame (medições na outra variável); posteriormente se determina se as duas
variáveis estão correlacionadas, isso significa que uma varia conforme a outra.
3 No capítulo sobre análise dos dados, serão comentados alguns pOntOS onde se cogitam correlações entre variáveis.
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
a ser
entre
uídas
•
DEFINIÇÃO DA PESQUISA A SER REALIZADA: EXPLORATÓRIA, DESCRITIVA, CORRELACIONAL OU EXPLlCATNA
~. .
5
'"
Pesquisa explicativa: pretende
estabelecer as causas dos
acontecimentos, fatos ou
fenômenos estudados.
A correlação pode ser positiva ou negativa. Se for positiva significa
que os indivíduos com altos valores em uma variável tenderão a mostrar
altos valores em outra variável. Por exemplo, quem estuda mais tempo
a o exame de estatística tende a obter uma nota mais alta no exame. Se
negativa, significa que o indivíduo com altos valores em uma variável
e a ter baixos valores em outra variável. Por exemplo, quem estuda
tempo para o exame tende a ter uma nota mais baixa.
Se não houver correlação entre as variáveis, isso não significa que elas variem sem seguir
padrão sistemático: haverá indivíduos com altos valores em uma variável e baixos valores na
indivíduos com altos valores em uma variável e altos valores também na outra, indivíduos
baixos valores em uma variável e baixos valores também na outra e indivíduos com valores
nas duas variáveis. No exemplo mencionado, haverá quem dedique muito tempo
do para o exame de estatística e obtenha notas altas, mas também quem dedique muito
e obtenha notas baixas, quem dedique pouco tempo e vá bem no exame e quem dedique
tempo e saia mal no exame. Se duas variáveis estão correlacionadas e conhecemos essa
•-o, temos base para estimar, com maior ou menor exatidão, o valor aproximado que um
de pessoas terá em uma variável, sabendo-se qual valor têm na outra variável.
Os estudos correlacionais quantitativos se diferenciam dos descritivos (também quan-
os) principalmente porque, enquanto esses últimos se concentram em medir as
eis individuais (várias podem ser medidas com independência em uma só pesquisa),
s correlacionais avaliam o grau de relação entre duas variáveis, podendo incluir vários
de avaliações dessa natureza em uma única pesquisa (geralmente é incluída mais de
rrelaçâo). Para entender melhor essa diferença, utilizaremos um exemplo simples.
uponha que, em uma pesquisa com cem estudantes do quinto semestre do curso de psicologia
de uma universidade, se encontrasse uma relação muito positiva entre o tempo dedicado ao
estudo para determinado exame de estatística e as notas e havia outros 85 estudantes do
mesmo semestre e escola, então, que previsão poderíamos fazer para esses outros estudantes?
emos que quem estuda mais tempo obterá as melhores notas. Porém, nunca poderemos
estimar com absoluta certeza.
os estudoscorrelacionais qualitativos, o valor não está na capacidade de previsão, e sim
possibilidade de entendimento de ambientes, eventos, indivíduos, contextos e fenômenos,
como na riqueza interpretativa que oferecem.
TO enfoque quantitativo, como sugerido, a correlação indica tendências (o que ocorre na
ria dos casos e não em casos individuais). Por exemplo, "Custavo" talvez tenha estudado
horas e conseguido uma nota baixa em seu exame, ou "Cecília" pode ter estudado
'[0 pouco tempo e conseguido uma nota alta. No entanto, na maioria dos casos, quem
mais tempo tende a obter uma nota mais alta no exame.
Dentro do enfoque qualitativo a correlação pode ou não indicar tendências e não ser esse
jetivo da pesquisa; mas ao estudar casos de maneira indutiva, poderíamos descobrir uma
âo ou a forma como essa relação se manifesta em casos individuais.
TO capítulo sobre análise e interpretação dos dados, aprofundaremos o tema da correlação do
ue quantitativo, e também veremos diferentes casosde correlaçãoque não foram mencionados
por enquanto basta que se compreenda qual é o objetivo dos estudos correlacionais.
Exemplo
Agnaldo
Agnaldo
Agnaldo
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Exemplo
Suponhamos que um psicanalista tenha como pacientes um casal, "Dolores" e "César",
Podemos falar deles de maneira individual e independente, quer dizer, comentar como é
Dolores (aspecto físico, sua personalidade, gostos, motivações etc.) e como é César; ou,
também, como se dão e como percebem seu casamento, quanto tempo passam juntos diaria-
mente, quais atividades compartilham e outros aspectos semelhantes. No primeiro caso, a
descrição é individual (se Dolores e César fossem as variáveis, os comentários do doutor
seriam produto de um escudo descritivo de ambos os cônjuges), enquanto, no segundo, o
enfoque é relacional (o interesse primordial é a relação matrimonial de Dolores e César).
Logo, em um mesmo estudo podemos nos interessar por descrever os conceitos e variáveis
de cada um bem como seu relacionamento.
Outro exemplo de um estudo, correlacional quantitativo é, no caso dos advogados, o que
indica que os advogados mais antigos trabalham com clientes institucionais e não utilizam
publicidade para obtê-los, enquanto os advogados recém-formados estão abertos a aceitar pu-
blicidade.
Um caso de tipo correlacional de um estudo qualitativo seria que, uma vez observados
os comportamentos de agressão e intolerância para com as mulheres que trabalham em urna
comunidade, notássemos que essa intolerância é mais notória no caso de pessoas mais velhas
e, depois de um profundo trabalho de campo, encontrássemos um tipo de relação entre
a idade e a intolerância em relação às mulheres que trabalham. Então, o nosso tipo seria
correlacional.
Valor
A pesquisa correLacionaL tem determinado ualor explicativo ainda que parciaL. Saber que dois
conceitos ou variáveis estão relacionados acarreta dada informação explicativa. Por exemplo.
se a aquisição de vocabulário por parte de um grupo de crianças de certa idade (digamos, entre
os 3 e os 5 anos) está relacionada com a exposição a um programa de televisão educativo, esse
fato explica, de certa maneira, como as crianças adquirem alguns conceitos. Ainda assim, se a
semelhança de valores (religião, sexo, educação etc.) em casais de determinadas comunidad
indígenas está relacionada com a probabilidade de que se casem, essa informação nos ajuda a
explicar por que alguns casais se casam e outros não. Também se observarmos que as pessoas
de mais idade são as mais intolerantes, tal descoberta pode nos ajudar a entender como
idade afeta a rejeição de mudanças de geração em dada comunidade.
Logo, a explicação é parcial, pois há outros fatores relacionados com a aquisição de
conceitos, a decisão de casar-se e a intolerância. Em termos quantitativos: quanto maior
número de variáveis correlacionadas ou associadas no estudo, maior será a força das relaçõ
mais completa será a explicação (estaremos mais à direita do contínuo explorar-explicar .
No exemplo da decisão de casar-se, além das "semelhanças" também estão relacionada'!
com a decisão de casar-se as variáveis "tempo de conhecimento", "vínculo entre as famíli
dos noivos", "trabalho do noivo", "atributo físico" e "tradicionalismo", o grau de explicaçã
será maior. E se acrescentamos mais variáveis, a explicação se torna ainda mais completa.
Em termos qualitativos, quanto mais conceitos são observados a fundo, adicionado -
análise e estão associados, melhor será o entendimento do fenômeno estudado.
Agnaldo
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DEFINIÇÃO DA PESQUISA A SER REALIZADA: EXPLORATÓRIA, DESCRITIVA, CORRELACIONAL ou EXI''lJ01lI'PI1Il
S
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5
'"
Risco: correlafões falsas
Em uma correlação
falsa, a explicação
"quanto maior a
estatura, maior
a inteligência" é
parcial e errônea.
Há casos em que duas variáveis estão aparentemente relacionadas, mas, na realidade, não
estão, isso é denominado correlaçãofalsa. Suponha que fizéssemos uma pesquisa com crianças,
com idades entre 8 e 12 anos, cujo objetivo é analisar quais variáveis estão relacionadas com
a inteligência e medíssemos sua inteligência com um teste.
Suponha também que obtivéssemos a seguinte tendência: "quanto maior a estatura,
maior a inteligência", ou seja, crianças mais altas tenderiam a ter uma nota melhor no
[este de inteligência em relação às crianças de menor estatura. Esses resultados não fariam
entido. Não poderíamos dizer que a estatura está correlacionada com a inteligência, ainda
que os resultados do estudo assim o indicassem.
A explicação é a seguinte: a maturidade está relacionada com as respostas em um
teste de inteligência. As crianças de 12 anos (que em média são mais altas) desenvolveram
mais habilidades cognitivas para responder o teste (compreensão, associação, retenção erc.)
que as crianças de 11 anos, estas, por sua vez, desenvolveram mais habilidades que as
rianças de 10 anos e assim sucessivamente até as crianças de 8 anos (em média as de
menor estatura), que possuem menos habilidades que as demais para responder o teste de
inteligência. Estamos diante de uma correlação falsa cuja "explicação" não é apenas parcial
mas também errônea, seria necessária uma pesquisa explicativa para saber como e por que
variáveis estão supostamente relacionadas. O exemplo é óbvio, porém, em certas ocasiões
não é tão simples detectar quando uma explicação não tem sentido.
O mesmo aconteceria se decidíssemos conviver, de maneira não estruturada, com
as mesmas crianças e notássemos que as mais altas constroem histórias mais elaboradas,
e induzíssemos a idéia de que as mais altas são as mais complexas, o que seria ridículo.
-QUE SAO OS ESTUDOS EXPLlCATIVOS?
-etivo
Os estudos explicativos vão além da descrição de conceitos
fenômenos ou do estabelecimento de relações entre
nceitos, estão destinados a responder as causas dos acon-
imentos, fatos, fenômenos ftsicos ou sociais. Como o no-
e indica, seu interesse está em responder por que ocorre
fenômeno e em quais condições ou por que duas ou
is variáveis estão relacionadas.
Por exemplo, conhecer as intenções do eleitorado
uma atividade descritiva (indicar, segundo uma pes-
. a de opinião antes do início da eleição, quantas pes-
votarão nos candidatos concorrentes é um estudo
ritivo) e relacionar tais intenções com conceitos, co-
idade e sexo dos eleitores, eficiência da propaganda
meios de comunicação de massa dos partidos dos
didatos e os resultados da eleição anterior (estudo
Agnaldo
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Exemplo
correlacional) é diferente de apontar por que alguém votara no candidato 1 e outro
nos demais candidatos" (estudo explicativo). Voltando à analogia do psicanalista e seus
pacientes, um estudo explicativo seria similar à opinião do doutor porque Dolores e César
levam a vida como o fazem (não como se dão, o que corresponde a um nível correlacional).
Supondo que conduzissem "bem" o seu matrimônio e a relação fosse percebida por ambo
como satisfatória, o doutor explicaria por que isso ocorre dessa forma. Além do mais
explicaria por que o casal realiza certas atividades e passa determinado tempo juntos.
No caso do observador de comportamentos intolerantes, analisar as causas ou os
fatores que levam a tais comportamentos leva sua pesquisa para um plano explicativo.
Exemplo das
diferenças entre
um estudo
explicativo, um
descritivo e um
correlacional
Os estudos explicativos responderiam a indagações como: quais efeitos
levam adolescentes, habitantes de zonas urbanas e de nível socioeconômico
elevado, a ver vídeos musicais com alto conteúdo erótico?; A que se
devem esses efeitos?; Quais variáveis tornam esses efeitos imediatos e de
que modo?; Por que tais adolescentes preferem ver vídeos musicais com
altos conteúdos eróticos em vez.de Outros tipos de programas e vídeos
musicais?; Que uso os adolescentes fazem dos conteúdos eróticos dos vídeos musicais?; Qual
a gratificação proveniente da exposição aos conteúdos eróticos dos vídeos musicais? etc.
Um estudo descritivo só responderia a questões como: por quanto tempo esses adolescentes
vêem vídeos musicais e especialmente vídeos com alto conteúdo erótico?; Qual seu nível de
interesse por esse tipo de vídeo?; Que lugar ocupam os vídeos musicais nas preferências por
vídeos televisivos?;Preferem ver vídeos musicais com alto, médio, baixo ou nenhum conteúdo
musical? Um estudo correlacional responderia a questões como: a exposição a vídeos musicais
com alto conteúdo erótico está relacionada, pelos adolescentes mencionados, com o controle
de seus pais com a escolha de seus programas?; Quanto maior a exposição dos adolescentes aos
vídeos musicais com alto conteúdo erótico, haverá mais estratégias nas relações interpessoais
heterossexuais para o contato sexual?; Quanto maior a exposição dos adolescentes a tais vídeos,
mais favorável será a atitude em relação ao aborto? etc,
Na pesquisa qualitativa, a diferença ocorre fundamentalmente pelo entendimento (d
associações a conhecimentos de causas ou explicações mais completas). A diferença sutil
entre ambos os estudos é maior nos estudos qualitativos.
Grau de estruturafão dos estudos explicativos
As pesquisas explicativas são mais estruturadas das demais classes de estudos e implicam o
seus objetivos (exploração, descrição, correlação ou associação), além do que proporcionam
um entendimento do fenômeno a que se referem. Para compreender isso, tomemos um
exemplo de Reynolds (1986, p. 7-8) que, ainda que se refira a um fenômeno natural, e
muito útil para compreender o que significa gerar um entendimento. Consideremos a
4 Como se mencionou, pode-se alcançar cerro nível de explicação quando relacionamos diversas variáveis ou conceitos e estes se encontrara
vinculados entre si (não somente dois ou três, 111as a maioria deles), a estrutura de variáveis apresenta correlações consideráveis e, ai'
do mais, O pesquisador conhece muito bem o fenômeno de estudo. Em razão da complexidade do tema, não aprofundamos alguma
considerações sobre a explicação e a causalidade, que serão discutidas adiante.
Agnaldo
outrO
plicam os
porcionam
roemos um
natural, é
ideremos a
seguinte correlação: "se o volume de um gás é constante, o aumento de temperatura
orresponderá a um aumento de pressão". Essa afirmação nos mostra como estão relacio-
adas três variáveis: uolume, temperatura e pressão do gás, e graças a elas podemos prever
que ocorre com a pressão se conhecemos o volume e a temperatura. Além do mais,
. um valor explicativo: por que a pressão? Porque a temperatura subiu e o volume do
. que se manteve constante. No entanto, trata-se de uma explicação parcial. Uma
plicação completa necessitaria de outras proposições que informassem por que e como
ão relacionadas tais variáveis.
DEFINIÇÃO DA PESQUISA A SER REALIZADA: EXPLORATÓRIA, DESCRITIVA, CORRELACIONAL OU EXPlICATlVA
Sê' ••
o
'"
Exemplo
• "Um aumento de temperatura eleva a energia cinética entre as moléculas do gás."
• "A elevação da energia cinética causa um aumento na velocidade de movimento das mo-
léculas."
• "Como as moléculas não podem ir além do recipiente com volume constante, estas se
chocam com maior freqüência contra a superfície interna do recipiente (em razão do
deslocamento mais rápido, percorrem maior distância e se chocam contra o recipiente
com mais freqüência)."
• "À medida que as moléculas se chocam contra as paredes do recipiente com maior
freqüência, a pressão sobre as paredes do recipiente aumenta."
Essa explicação, baseada no conceito que um gás é um conjunto de moléculas em
tante movimento, é muito mais completa que a anterior e gera maior entendimento.
Outro exemplo seria de um estudo policial feito sob o enfoque quantitativo, isso im-
'a que o pesquisador se intiltraria em um grupo de narcotraficantes, com o propósito
saber como pensam: se isso nos mostra apenas o modo de vida e como pensam os nar-
cantes, seu tipo seria descritivo; se associar o pensamento com sua origem familiar, seria
lacional; porém se aprofundar nas razões pelas quais possuem determinado pensamento,
será explicativo.
PESQUISA PODE INCLUIR ELEMENTOS DOS
ENTES TIPOS DE ESTUDO?
_~ •.••.•nas vezes, uma pesquisa pode caracterizar-se como exploratória, descritiva, correla-
al ou explicativa, mas não ser apenas isso, isto é, ainda que um estudo seja em essência
ratório, conterá elementos descritivos, ou melhor, um estudo correlacional incluirá
entos descritivos, e o mesmo ocorre com cada uma das classes de estudo.
Ainda assim, como mencionado, épossível que uma pesq uisase inicie como exploratória
critiva e depois torne-se correlacional e até explicativa. Por exemplo, um pesquisador
deseje um estudo para determinar quais são as razões pelas quais certas pessoas (de
erminado país) sonegam impostos. Seu objetivo seria de caráter explicativo.
o entanto, o pesquisador, ao revisar a literatura, não encontra antecedentes que se apli-
ao seu contexto (os antecedentes com os quais se depara são de países muito diferentes
onto de vista socioeconômico, a legislação fiscal, a mentalidade dos habitantes etc.).
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Então, começa a explorar o fenômeno fazendo algumas entrevistas com aspessoas que trabalham
na Secretária da Receita Federal (ou seu equivalente), contribuintes (causadores) e professores
universitários sobre temas fiscais e, ao descrevê-lo, obtém dados sobre níveis de sonegação de
impostos, motivos mais freqüentes para isso etc.
Posteriormente, descreve o fenômeno com maior exatidão e o relaciona com diversas
variáveis: correlaciona o grau de sonegação de impostos com o nível de renda (quem ganha mais
sonega mais ou menos impostos?), profissão (há diferenças no grau de sonegação de impostos
entre médicos, engenheiros, advogados, comunicólogos, psicólogos etc.?) e idade (quanto
maior a idade, haverá menor grau de sonegação de impostos?). Por fim, chega a explicar por
que as pessoas sonegam impostos, quem sonega mais e qual a razão (causas da sonegação).
Ainda que o estudo não possa ser situado unicamente dentro dos tipos citados, e
sim caracterizado como tal, ele se inicia como exploratório, para depois ser descritivo,
correlacional e explicativo.
O exemplo utilizado da moda feminina teve início com a exploração do comportamento
das mulheres que iam às lojas de departamento para comprar roupas, depois descreveu o
tipo e as características das roupas que mais gostavam de comprar, obteve definições do
que significa estar "na moda" (o que pareceu ter mais a ver com a mudança das estações
do ano e o conforto que com estilistas e marcas, por exemplo) e se aprofundou nas lojas de
departamento preferidas. Logo, o estudo relacionou variáveisou conceitos sobre a moda
(idade, nível socioeconômico, profissão). Por último, estudou as causas pelas quais certos
lugares são preferidos para comprar roupa (fidelidade à marca, crédito, promoções), e os
estilos que mais lhes agradam, além de apontar quais as mudanças as clientes gostariam de
fazer nas lojas e suas razões.
o QUE FAZ QUE UMA PESQUISA SE INICIE COMO,
EXPLORATORIA, DESCRITIVA, CORRELACIONAl
OU EXPLlCATIVA?
Como mencionado, são dois os fatores que influem para que uma pesquisa se inicie como ex-
ploratória, descritiva, correlacional ou explicativa: o conhecimento atual do tema de pesquisa
revelado na revisão de literatura e o enfoque do pesquisador.
Nos estudos quantitativos
Em primeiro lugar, a literatura pode revelar que não há antecedentes sobre o tema em questão
ou que não são aplicáveis aos contextos no qual o estudo terá de ser desenvolvido, então
a pesquisa deverá iniciar-se como exploratória. Se a literatura nos revela normas ainda
não estudadas e idéias vagamente vinculadas ao problema de pesquisa, a situação parece
semelhante, ou seja, o estudo se iniciaria como exploratório. Por exemplo, se pretendemos
iniciar uma pesquisa sobre o consumo de drogas em determinadas prisões, com o objetivo
de analisar se há ou não consumo de alucinógenos nesses lugares e, caso esse consumo
aconteça, em que medida se dá, que tipo de narcóticos são consumidos, quais são mais
consumidos, a que se deve esse consumo, quem os fornece, como eles são introduzidos
nas prisões, quem intervêm em sua distribuição etc. E se percebermos que não existem
antecedentes nem tivermos uma idéia clara e precisa sobre o fenômeno, o estudo seria
iniciado como exploratório.
Agnaldo
corno ex-
depesquisa
ção parece
retendemo
o objetivo
consumo
DEFINIÇÃO DA PESQUISA A SER REALIZADA: EXPLORATÓRIA, DESCRITIVA, CORRELACIONAL OU EXPLlCATIVA
~.•
5
'"
Em segundo lugar, a literatura pode nos revelar que há "partes" de teoria com poder
írico moderado, estudos descritivos que têm detectado e descrito certas variáveis. Nesse
· nossa pesquisa deve se iniciar como descritiva, pois foram detectadas certas variáveis
re as quais podemos fundamentar o estudo. Mesmo assim, é possível adicionar variá-
a serem medidas. Se estivermos pensando em descrever o uso que um grupo específico
crianças faz da televisão, encontraremos pesquisas que nos sugerem variáveis a serem
·das: tempo que vêem televisão diariamente, conteúdos que vêem com maior freqüência,
idades que realizam enquanto vêem televisão etc. Podemos somar a essas outras, como
ntrole dos pais sobre o uso que as crianças fazem da televisão; ou correlacional, quando
is de uma cuidadosa análise das variáveis pressupomos uma relação entre elas.
Por exemplo, ao ler cuidadosamente os estudos efetuados sobre a relação criança-tele-
- . teríamos uma base para sugerir uma relação entre o tempo que as crianças vêem televisão
ontrole dos pais quanto ao uso da televisão pelos filhos, e realizar tal pesquisa para
~".:JIirara relação e outras mais.
Em terceiro lugar, a literatura pode nos revelar que existe uma ou várias relaçõesentre
'tosou variáveis. Nesse caso, a pesquisa seria iniciada como correlacional. Por exemplo,
'sermos analisar a relação entre a produtividade e a satisfação laboral de certos fun-
. 'os em determinadas empresas, e se há estudos a respeito, a pesquisa poderá ser ini-
como correlativa.
Em quarto lugar, a literatura pode nos revelar que existe uma ou várias teorias que se
m ao nossoproblema depesquisa. Nesse caso, o estudo pode iniciar-se como explicarivo.
nsarmos em analisar por que certos executivos estão mais motivados intrinsecamente
u trabalho que outros, ao revisarmos a literatura encontraremos a teoria da relação
as características do trabalho e a motivação intrínseca, a qual possui evidência empírica
· -ersos contextos. Então, pensaríamos em realizar um estudo para explicar o fenômeno
osso contexto .
• TO entanto, o sentido que o pesquisador dá ao seu estudo determinará o seu início. Se
,alSarmos em uma pesquisa sobre um tema já estudado, mas dando-lhe uma perspectiva
te, o estudo pode ser iniciado como exploratório. Desse modo, a liderança foi
isada em diversos contextos e situações (em organizações de vários tamanhos e
erísticas, com trabalhadores de linha, gerentes, supervisores etc.: no processo de ensino-
dizagem; em diversos movimentos sociais em massa e muitos outros contextos).
Do mesmo modo, as prisões, como forma de organização, também já foram estudadas.
, talvez alguém pretenda realizar uma pesquisa para analisar as características das
nças nas prisões ou casa de reabilitação feminina e quais fatores permitem que essa
ça seja exercida. O estudo seria iniciado como exploratório, supondo que não hajam
entes desenvolvidos sobre os motivos que provocam esse fenômeno de liderança.
Da mesma maneira, um pesquisador pode pretender só indicar qual é o nível de
· 'ação intrínseca no trabalho e a satisfação laboral em determinado grupo de diretores
ústrias e, ainda que exista uma teoria explicando relação dos conceitos, o estudo será
o e concluído como descritivo. Se o pesquisador procurasse primeiro descrever tais
itos e logo relacioná-Ios, seu estudo começaria como descritivo e posteriormente seria
_U~Ld.uvo.
logo, quanto mais antecedentes houver, maior será a precisão inicial da pesquisa.
mesmo, como vimos anteriormente, é possível que o estudo comece exploratório e
e explicativo.
METODOLOGIA DE PESQUISA
li
••. --
RESUMO
Nos estudos qualitativos
A maior parte desses estudos começa exploratória e descritiva, mas se delinea com tipos
correlacionais (sem importância estatística) ou de associação e explicativos. Mais do que
a revisão de literatura e o que se encontre nela, o que influencia o tipo de pesquisa é o
trabalho de campo inicial e posterior. Por exemplo, um pesquisador que pretende entrevistar
terroristas para descrever sua maneira de operar (de esquemas não estruturados), no entanto,
durante as entrevistas iniciais começa a se interessar por motivações, pensamentos, formas
de perceber o mundo, razões pelas quais atuam de determinada maneira, inicia sua pesquisa
como descritiva e a conclui como causal.
QUAL DOS QUATRO TIPOS DE PESQUISA É O MELHOR?
Os autores ouviram essa pergunta dos estudantes, e a resposta é muito simples: nenhum
deles, os quatro tipos de pesquisa são iguaLmente váLidos e importantes. Todos contribuíram
para o avanço das diferentes ciências. Cada um tem seus objetivos e razão de ser. Nesse
sentido, um estudante não deve se preocupar se seu estudo vai começar como exploratório,
descritivo, correlacional ou explicativo, mas deve se interessar em [azê-lo bem e contribuir
para o conhecimento de um fenômeno. Que a pesquisa seja de um tipo ou outro, que
inclua elementos de um ou mais tipos, depende de como se delinea o problema de pesquisa
(se o enfoque quantitativo) ou do trabalho de campo (se o enfoque é qualitativo), ou
ainda de ambos os aspectos (se o enfoque é de uma perspectiva mista). A pesquisa deve
ser feita "segundo" o problema formulado ou o trabalho de campo estabelecido, ou seja
não dizemos a priori "vou fazer um estudo exploratório ou descritivo", e sim que primeiro
delinearemos o problema e revisaremos a literatura e depois analisamos a classe da pesquisa
(enfoque qualitativo), ou efetuamos uma imersâo no campo e começamos a coletar dados
e depois fixamos o tipo de estudo (enfoque qualitativo) .
• Uma vez efetuada a revisão de literatura e refinamos o levantamento do problema (em
estudos quantitativos) ou realizamos uma imersâo no campo ou iniciamos a coleta
dos dados (em estudos qualitativos), consideramos quais tipos inicial e final terá nossa
pesquisa: exploratória, descritiva, correlacional ou explicativa. Em outras palavras, em
termos de conhecimento, qual é o tipo de nosso estudo?
• Em certas ocasiões, ao desenvolvermos nossa pesquisa, nos darmos conta queo tipo
da pesquisa será diferente do que havíamos projetado. Por exemplo, será explicativa
quando pensamos que seria descritiva.
• Nenhum tipo de estudo é superior aos demais, todos são importantes e valiosos. A
diferença para escolher um ou outro tipo de pesquisa está no grau de desenvolvimento
do conhecimento sobre o tema a ser estudado e os objetivos planejados, assim como o
enfoque dado (quantitativo, qualitativo ou misto).
• Os estudos exploratórios têm como objetivo essencial familiarizarmo-nos com um
tópico desconhecido ou pouco estudado ou novo. Esse tipo de pesquisas serve para
desenvolver métodos a serem utilizados em estudos mais profundos.
• Os estudos descritivos servem para analisar como é e como se manifestam um fenômeno
e seus componentes.
DEFINIÇÃO DA PESQUISA A SER REALIZADA: EXPLORATÓRlA, DESCRITIVA, CORRELACIONAL OU EXPLlCATlVA
~
ê'
5
'"
• Os estudos correlacionais pretendem observar como relacionam ou não diversos fenô-
menos entre Sl.
• Os estudos explicativos procuram encontrar as razões ou causas que provocam certos
fenômenos. Em nível cotidiano e pessoal, seria o mesmo que pesquisar por que Brenda
gosta tanto de dançar em uma danceteria, por que um edifício foi incendiado ou por
que foi realizado um atentado terrorista.
• Uma mesma pesq uisa pode reunir fins exploratórios, em seu início, e terminar descritiva,
correlacional e até explicativa: tudo segundo os objetivos do pesquisador.
Correlação
Descrição
Enfoque qualitativo
Enfoque quantitativo
Explicação
Exploração
Tipo genérico de estudo
1. Elabore uma questão de pesquisa sobre um problema de pesquisa quantitativo-explora-
rório, um descritivo, um correlacional e um explicativo.
Encontre um lugar de reunião de várias pessoas (um estádio de futebol, a lanchonete da
nossa instituição, um cenrro comercial, uma festa) e observe tudo o que for possível do
lugar e o que está aconrecendo, e estabeleça uma pesquisa exploratória. Depois discuta com
algwnas pessoas o tema e defina um estudo qualitativo de tipo descritivo, correlacional e
explicativo.
A que tipo de estudo correspondem as seguinres questões de pesquisa (ver as respostas no
Apêndice 2 ao final do livro):
2.
3.
a) Qual o nível de insegurança dos habitantes de uma cidade como São Paulo? Em média,
quanros assaltos ocorreram diariamente nos últimos 12 meses? Quantos roubos por
domicílio? Quantos homicídios? Quanros assaltos a estabelecimenros comerciais?
Quantos roubos de veículos automotivos? Quanros feridos?
b) O que os empresários brasileiros acham dos impostos que suas empresas pagam?
c) O alcoolismo das esposas gera maior número de separações e divórcios que o dos maridos?
d) Quais são as razões para que uma novela tenha a maior audiência na história da televisão?
4. Em relação ao problema de pesquisa levanrado no Capítulo 3, a que tipo de estudo
corresponde?
."R!~.
CONCEITOS
BÁSICOS
Exercícios
METODOLOGIA DE PESQUISA• ."Ir
FONTES
SUGERI DAS
Exemplos
A TELEVISÃO E A CRIANÇA
- r--
A pesquisa começa como descritiva e finaliza como descritiva/correlacional, já que pretende
analisar os usos e benefícios da televisão em crianças de diferentes níveis socioeconôrnicos,
idade, sexo e outras variáveis (serão relacionados nível socioeconômico e uso da televisão,
entre outros).
ri
O CONTÁGIO DA AlDS
Esse estudo começou como exploratório, já que naquele momento se sabia pouco do controle
exercido pelas organizações de saúde e os laboratórios dedicados à transfusão de sangue. Além
do mais, o conhecimento do desenvolvimento do HN adquirido por diferentes mecanismos
não era completo nem suficiente.
Ao finalizá-lo, o estudo tornou-se correlacional, pois abrangeu elementos para determinar
a relação entre o tempo que se desenvolve a Aids e o meio de contágio.
DIAGNÓSTICO MUNICIPAL
Trata-se de uma pesquisa descritiva para determinar como se encontra um município nas
dimensões econômicas e outras variáveis vinculadas ao desenvolvimento social, que servirão
para elaborar um plano de desenvolvimento. Porém, com as informações obtidas, podem-se
relacionar com variáveis e analisar as causas.
A
Cll
in
pai
id
~I--=--=------------~=---------------====---=--~==~.~tec
qu'
A MODA
o esrudo começou como explorarório e qualitativo (procurando observar os comportamentos
das mulheres nas lojas de departamento ao comprar roupa). Depois se tornou do tipo des-
critivo (ao relatar o tipo de roupa, acessórios, marcas e estilos que preferem, bem como as
definições da moda). E logo tornou-se correlacional (marcas e estilos comprados segundo a
idade, nível socioeconôrnico, tipo de cidade e profissão, entre outros). Concluiu-se como
causal: razões para preferir certo tipo de roupa, lojas, necessidades e motivações de compra.
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DEFINIÇÃO DA PESQUISA A SER REALIZADA: EXPLORATÓRIA, DESCRITIVA, CORRELACIONAL OU EXPLltATIVA
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.."
Uma boa pesquisa é aquela que dissipa dúvidas com o uso do método científico, ou seja, esclarece
as relações entre variáveis que afetam o fenômeno em estudo planeja com cuidado os aspectos
metodológicos, com a finalidade de assegurar a validade e confiabilidade dos seus resultados.
Sobre a forma de abordar um fenômeno, seja qualitativa, seja quantitativamente, existe
um antigo debate que, no entanto, não chega a uma solução satisfatória. Alguns pesquisadores
consideram tais enfoques como modelos separados, pois estão baseados em suposições muito
diferentes sobre como funciona o mundo, como se constrói o conhecimento e qual é o papel
dos valores.
Apesar de os processos e objetivos diferirem em ambos os enfoques, de empregarem os
resultados de maneira divergente, alguns pesquisadores consideram que existe a possibilidade
de que os dois agreguem meios complementares para conhecer um fenômeno.
Há estudos que combinam métodos qualitativos e quantitativos de pesquisa, ainda que
sem uma base teórica sólida. Tal superficialidade não só se manifesta no âmbito conceitual,
como também no técnico, já que quase não há exemplos de combinação de técnicas estatísticas
complexas com técnicas qualitativas sofisticadas.
A escolha de um ou outro métodos depende dos objetivos - talvez criar teoria ou
transformar a realidade - e do contexto do pesquisador, que terá que definir o enfoque a ser
empregado, já que é importante que seja rigoroso, no técnico e no metodológico, além de
coerente com o seu propósito.
CECILIA BALBÃS DIEZ BARROSO
Coordenadora da Ãrea de Psicologia Educativa
Faculdade de Psicologia
Universidad Anáhuac
Estado do México, México
Antes de iniciar um projeto de pesquisa, é necessário que o estudante avalie seus gostos e conhe-
cimentos, bem como a capacidade de escolher um orientado r que seja especialista na sua área de
interesse, e também é preciso que analise os trabalhos que foram realizados na escola e em outros
paises.
Em seguida, será delineado o problema a ser esclarecido, o que o ajudará a ordenar suas
idéias e definir as variáveis, e também contribuirá para estabelecer o contexto da pesquisa.
Nesse sentido, os professores devem apontar a diferença entre uma pesquisa descritiva e
uma pesquisa explicativa, bem como explicar que essa última contém uma hipótese e um marco
teórico muito preciso, por isso requer um excelente uso dos instrumentos metodológicos, os
quais, em seu caso, permitirão contrastar as hipóteses.
MARlA ISABEL MARTfNEZ
Diretora da Faculdade de Economia
Faculdade de Economia
Universidad Católica Andrés Bello
Caracas, Venezuela
••
~ ..
OS PESQUISADORES
OPINAM
Capítulo
Também em Causal
tem
cuies
Objetivos
Orientar a
pesquisa
'ormulação
hipóteses
a conveniência de formular ou não hipóteses que orientem o restanteda pesquisa, levando
conta o enfoque do estudo e seu tipo.
considere conveniente formular hipóteses, estas deverão ser estabelecidas.
-nir conceitualrnente as variáveis das hipóteses
- . operacionalrnenre as variáveis das hipóteses
capítulo assinala que neste ponto da pesquisa se faz necessário analisar se é conveniente ou não
ular as hipóteses, dependendo do enfoque do estudo (quantitativo, qualitativo ou misto)
ipo de estudo (exploratório, descritivo, correlacional ou explicativo). Ainda define o que
a hipótese, apresenta uma classificação dos tipos de hipóteses na pesquisa científica da
ectiva dedutivo-quantitativa, define o conceito de variável e explica formas de deduzir
e formular hipóteses. Também é estabelecida, de um lado, a relação entre o problema pro-
o, o marco teórico, o enfoque e o tipo de estudo e, do outro, as hipóteses.
Capítulo
Obietivos de
aprendizagem
Ao finalizar o estudo deste
capítulo, você deverá ser
capaz de:
• Compreender os conceitos de
hipótese, variável, definição
conceitual e definição
operacional de uma variável.
• Conhecer e entender os
diferentes tipos de hipóteses
• Aprender a deduzir e
formular hipóteses, bem
como definir conceitual
e operacionalmente as
variáveis em uma hipótese.
• Responder as questões moi
comuns com referência às
hipóteses.
• Relacionar as hipóteses e
os enfoques quantitativo e
qualitativo da pesquisa.
Hipóteses: As tentativas de explicações
do fenômeno pesquisado, formuladas
como proposições.
METODOLOGIA DE PESQUISA•
o QUE SÃO AS HIPÓTESES?
São diretrizes para uma pesquisa. As hipóteses indicam o que estamos buscando ou tentando
provar e se definem como tentativas de explicaçõesdo fenômeno pesquisado, formuladas como
proposições. De fato, na nossa vida cotidiana, constantemente elaboramos hipóteses acerca
de muitas coisas e em seguida indagamos sua veracidade. Por exemplo, estabelecemo
uma questão de pesquisa: Ana gosta de mim? E uma hipótese: "Ana me acha atraente?
Essa hipótese é uma tentativa de explicação e é uma proposição. Depois, pesquisamos se a
hipótese é aceita ou rejeitada, observando Ana e o resultado.
As hipóteses são o centro, a medula ou o eixo do método dedutivo quantitativo.
DEVEMOS FORMULAR HIPÓTESES EM TODA PESQUISA?
Não, nem todas as pesquisas suscitam a formulação de hipóteses. O fato de formularmos
ou não hipóteses depende de dois fatores essenciais: o enfoque do estudo e tipo de estudo.
As pesquisas quantitativas cujo método é dedutivo formulam hipóteses, sempre e
quando se define desde o início que seu tipo será correlacional ou explicativo, ou no caso
de um estudo descritivo, que tente prever um número ou um fato.
Um exemplo desse último caso seria um estudo que apenas pretenda medir o índice
de delitos em uma cidade, como parte de medições quantitativas que pretendam descreve
o grau de insegurança (não busca relacionar a incidência de delitos com outros fatores
como o crescimento populacional, o aumento nos níveis de pobreza ou do vício em drogas:
nem muito menos estabelecer as causas de tal índice). Em uma tentativa, preveríamo
mediante uma hipótese que "o índice de delitos para o semestre seguinte será menor que
certo número ou que dada proporção de atos criminosos" (digamos, um delito para cada
mil habitantes).
Os estudos qualitativos normalmente não formulam hipóteses antes de coletar dado
(ainda que nem sempre é o caso, como comentado no primeiro capítulo). Sua natureza e
indutiva, o que é verdade sobretudo se seu tipo for exploratório ou descritivo. Sem dúvida..
quando seu tipo é correlacional ou explicativo, os estudos explicativos podem formular
hipóteses durante a obtenção das informações, depois-de reunir dados, ao analisá-Ios ou a
chegar às conclusões.
Um exemplo de um estudo qualitativo na recompilação dos dados que estabelece
hipótese foi o de Miura (2002). Sua pesquisa se dedicou a analisar a crise de identidad
sofrida por mulheres que perderam os maridos, seja por acidente, sej
por doença, e a propor alternativas para enfrentar a crise.
A revisão de literatura indicava que essa crise se apresentava e
pesquisador decidiu formular a seguinte hipótese entre outras: "A cri
de identidade pela morte do ente querido se origina porque não
transcende o nível da consciência". Posteriormente, foram realizadas entrevistas abert
para saber se estaria se configurando uma crise, como se manifestava em sentimentos
emoções, que processo experimentavam e a forma como a viviam e também se transcendi
o nível de consciência.
Feitas as entrevistas, o pesquisador desenvolveu e implantou um workshop que consis .
em duas fases: a primeira para se aprofundar nas emoções que tinham sido reveladas n
Agnaldo
o índice
descrever
fatores,
drogas;
atureza é
dúvida,
formular
-los ou ao
trevistas: medo, angústia, tristeza, vazio existencial, baixa auto-estima etc., e vincular a
'se com a transcendência do nível de consciência; a segunda para que, na sua experiência,
mulheres com suas próprias palavras sugerissem a maneira com que se devesse abordar
saorkshop. Comprovou sua hipótese (ainda que não fora seu objetivo central) e gerou um
rkshop que serviria às mulheres que tivessem de enfrentar a morte de seu cônjuge.
Os estudos mistos também podem ou não ter hipóteses. Na modalidade das duas fases,
a(s) hipóteseís) estariamlrn) na etapa quantitativa e ocasionalmente em ambas. Na vertente
do enfoque principal, é possível formular hipóteses se o estudo for do tipo quantitativo.
Finalmente, no enfoque misto, no qual se mi.sturam ambos os métodos, também surgiriam
as hipóteses antes da coleta dos dados. Isso é apresentado no Quadro 6.l.
Quando propusemos o problema da pesquisa, revisamos a literatura e contextualizamos
tal problema mediante a construção do marco teórico, vimos que nosso estudo iniciaria
como descritivo, correlacional ou explicativo e, como pesquisadores, decidimos aonde
queremos e podemos chegar; além de haver certa visão dedutiva, o seguinte passo quase
sempre consiste em estabelecer guias precisas do problema de pesquisa ou de fenômenos
que estudamos: as hipóteses.
Em uma pesquisa podemos ter uma, duas ou várias hipóteses.
Dados os argumentos desta seção, agora comentaremos a respeito das hipóteses,
basicamente de uma perspectiva dedutivo-quantitativa.
TIPO DE ESTUDO ENfOQUE QUANTITATIVO ENFOQUE QUALITATIVO
Exp/oratório Sem formulação de hipóteses Sem formulação de hipóteses
Descritivo Formulação de hipóteses para prever um fato Sem formulação de hipóteses
Corre/aciona/ Formulação de hipóteses A formulação de hipótese pode acontecer ou não
Causa/ Formulação de hipóteses Potencial formulação de hipóteses
TIPO
DE ESTUDO
MODALIDADE
DE DUAS ETAPAS
MODALIDADE
DE ENFOQUE PRINCIPAL
MODALIDADE
MISTA
Exp/oratório Sem formulação de hipóteses Sem formulação de hipóteses Sem formulação de hipóteses
Descritivo Formulação de hipóteses
para prever um fato na etapa
quantitativa
Formulação de hipóteses para
prever um fato, se o enfoque
principal for quantitativo
Formulação de hipóteses para
prever um fato
Corre/aciona/ Formulação de hipóteses
na etapa quantitativa e
possivelmente na qualitativa, se
for realizada como segunda fase
Formulação de hipóteses quando
o enfoque principal é quantitativo e
variável, se este for qualitativo
Muito provável formulação de
hipóteses
Explicativo Formulação de hipóteses
na etapa quantitativa e
possivelmente na qualitativa,
se for realizada como a
segunda fase
Formulação de hipóteses quando
o enfoque principal é quantitativo e
variável, se este for qualitativo
Muito provável formulação de
hipóteses
FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES
S
ê'
5
e-
Formulação
de hipóteses
antes do coleta
dos dados
dependendo do
enfoque e do
tipo inicial
de estudo
(o que
geralmente
ocorre no
pesquisa)
Quadro 6.1
METODOLOGIA DE PESQUISA•
ExemplosUm exemplo
de hipótese é a
afirmação: "O
índice de câncer
pulmonar é
maior entre os
fumantes que
entre os não
fu "mantes.
• A proximidade física entre as residências dos casais de namorados está relacionada
positivamente com o nível de satisfação que a relação Ihes proporciona.
• O índice de câncer pulmonar é maior entre os fumantes que os não fumantes.
• Conforme se desenvolvem as psicoterapias orientadas ao paciente, aumentam as ex-
pressões verbais de discussão e exploração de planos futuros pessoais e diminuem as
expressões de fatos passados.
• Quanto maior variedade houver no trabalho, maior será a motivação intrínseca para o
trabalhador.
• AAids desenvolve-se mais tardiamente em uma pessoa infectada pelo HIV por transfusão
sanguínea que uma pessoa infectada por contato sexual.
• Se a rocha calcária extraída do subsolo é tratada com o procedimento ECA, se obtém dela
um agregado de maior qualidade como base para a construção de estradas, que se não for
processada por esse método.
• Os brasileiros não possuem uma cultura fiscal.
• As ações das companhias aéreas diminuíram sua demanda e, em conseqüência, seu valor
com o aumento do número de acidentes.
# -AS HIPOTESES SAO SEMPRE VERDADEIRAS?
As hipóteses não são necessariamente verdadeiras, podem ou não ser comprovadas com os fato .
São tentativas de explicação, não os fatos em si. Ao formulá-Ias, o pesquisador não está certo
da sua comprovação. Como mencionam e exemplificam Black e Champion (1976), uma
hipótese é diferente de uma afirmação de fato. Se alguém elabora a hipótese de que em
determinado país, as famílias que vivem em zonas urbanas têm menor número de filhos qUê
as famílias que vivem em zonas rurais, essa hipótese pode ou não ser comprovada. No entanto.
se alguém afirma o mesmo baseando-se em informação
de um censo populacional recém-efetuado nesse país.
não estabelece uma hipótese, e sim afirma um fato
ou seja, ao estabelecer suas hipóteses, o pesquisado
desconhece se serão ou não verdadeiras.
Na pesquisa científica, as hipóteses são pro-
posições quanto às relações entre duas ou mais va-
riáveis e se fundamentam em conhecimento orga-
nizado e sistematizado.
As hipóteses podem ser mais ou menos gerais o
precisas, e envolver duas ou mais variáveis, mas e
todo caso são apenas proposições sujeitas à comprov > -
empírica e à verificação (para a pesquisa quantitativa
e observação no campo (para a pesquisa qualitativa.
O primeiro exemplo vincula duas variáveis: "proxi-
midade física entre as residências dos namorados" e
"nível de satisfação".
FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES
S
ê'
5
o-- ,
UE SAO VARIAVEIS?
ra é necessário definir o que é uma variável. Uma varidvel é uma propriedade que
variar cuja variação é suscetível à medição e à observação. Exemplos de variáveis são
o motivação intrínseca para o trabalho, atributos físicos, aprendizagem de conceitos,
ecimento histórico sobre um fato, religião, resistência de um nativo, agressividade
al, personalidade autoritária, cultura fiscal e exposição a uma campanha de propaganda
'rica. A variável se aplica a um grupo de pessoas ou objetos, os quais adquirem diversos
res ou manifestações com respeito à variável. Por exemplo, a inteligência: é possível
ificar as pessoas de acordo com a sua inteligência; nem todas as pessoas possuem o
mo nível de inteligência.
Outras variáveis são a produtividade de determinado tipo de semente, a rapidez com
se oferece um serviço, a eficiência de um procedimento de construção, a eficácia de
vacina, o tempo que uma doença demora para se manifestar etc. (há variação em todos
casos).
As variáveis adquirem valor para a pesquisa científica quando chegam a se relacionar com
(formar parte de uma hipótese ou de uma teoria). Nesse caso, se costuma denominá-
como "constructos hipotéticos".
, -
O SE RELACIONAM AS HIPOTESES, AS QUESTOES
S OBJETIVOS DE PESQUISA NO ENFOQUE
UTIVO-QUANTITATIVO?
hipóteses propõem tentativas de respostas às questões da pesquisa; a
ção entre ambas é direta e Íntima. As hipóteses relevam os objetivos e
uestões da pesquisa para orientar o estudo, no enfoque quantitativo
misto, por isso as hipóteses normalmente surgem dos objetivos e das
tões de pesquisa, uma vez que elas foram reavaliadas baseando-se na
. ão de literatura.
Variável: propriedade que uma
variação tem em poder ser medida
ou observada.
ONDE SURGEM AS HIPÓTESES?
o enfoque quantitativo, e se tivermos seguido passo a passo o processo de pesquisa,
rural que as hipóteses surjam da proposição do problema que, como recordamos, vol-
os a avaliar e, caso seja necessário, propomos novamente depois de revisada a literatura,
seja, provêm da própria revisão de literatura. Nossas hipóteses podem surgir de um pos-
de uma teoria, da análise de uma teoria, de generalizações empíricas pertinentes ao nosso
blema de pesquisa e de estudos revisados ou antecedentes consultados.
Existe uma relação muito estreita entre a proposição do problema, a revisão de literatura e
ipôtese. A revisão inicial de literatura feita para que nos familiarizemos com o problema
tudo nos leva a propô-lo. Depois, revisamos a literatura e refinamos ou precisamos a
osição, da qual deriva a hipótese. Ao formular as hipóteses, voltamos a avaliar nossa
posição do problema.
METODOLOGIA DE PESQUISA•
E acrescentam:
Recordemos que os objetivos e as questões de pesquisa podem ser reafirmados ou
melhorados durante o desenvolvimento do estudo. Ainda assim, durante o processo talvez
nos ocorram outras hipóteses, o que não foram abortadas na proposição original, podem
ser produto de novas reflexões, idéias ou experiências, discussões com professores, colegas
ou especialistas na área, inclusive, "de analogias, mediante o descobrimento de semelhanças
entre a informação atribuída a outros contextos e a que se possui para a realidade do objeto
de estudo" (Rojas, 2001, p. 95). Esse último caso ocorreu várias vezes nas ciências sociais. Por
exemplo, algumas hipóteses na área da comunicação não-verbal sobre o uso da territorialidade
humana surgiram de estudos sobre esse tema, entretanto, com animais. Algumas concepções
da teoria do campo ou psicologia topológica (cujo principal expoente foi Kurt Lewin) têm
antecedentes na teoria do comportamento dos campos eletromagnéticos. A teoria de Galileo
proposta por Woelfel e Fink (1980), para medir o processo da comunicação, tem origem na
física e em outras ciências exatas (as dinâmicas do "eu" se fundamentam na noção da álgebra
devetores). Selltiz et al. (1980, p. 54-55), ao mencionar as fontes das hipóteses, escrevem:
As fontes das hipóteses de um estudo são muito importantes para determinar a natureza da
contribuição da pesquisa no âmbito geral dos conhecimentos. Uma hipótese que simplesmente
provém da intuição ou de uma suspeita pode trazer uma importante contribuição à ciência.
Entretanto, se apenas foi comprovada em um estudo, existem duas limitações quanto à sua
utilidade. Primeira, não há certeza de que as reações entre duas variáveis encontradas em
determinado estudo serão observadas também em outros estudos (... ) Segunda, uma hipótese
baseada simplesmente em uma suspeita não deve ser relacionada a outro conhecimento ou
teoria. Assim sendo, as descobertas de um estudo baseado em tais hipóteses não tem uma clara
conexão com o amplo conhecimento da ciência social. Podem suscitar questões interessantes,
podem estimular pesquisas posteriores e inclusive podem ser integradas mais tarde a uma
teoria explicativa. Mas, a menos que tais avanços aconteçam, há muita probabilidade de que
permaneçam como partes isoladas de uma informação.
Uma hipótese que surge das descobertas de outros estudos está, de alguma maneira, livre da primeira
dessas limitações. Se a hipótese estiver baseada em resultados de outros estudos, e se esse estudo apoiar
a hipótese daqueles outros, o resultado terá servido para confirmar essa relação de uma formanormal
(...) Uma hipótese que se fundamenta não nos achados de um estudo prévio, mas em uma teoria geral
está livre da segunda limitação: a do isolamento de uma doutrina mais geral.
Tais comentários são próprios de uma visão quantitativa da pesquisa.
As hipóteses podem surgir ainda que não existam muitas teorias
Concordamos de acordo que as hipóteses surgidas de teorias com evidência empírica superam
duas limitações que mencionam Selltizet al. (1980), e também com a afirmação que uma hipót
que surge das descobertas de pesquisas anteriores supera a primeira dessas limitações. Entretan
é necessário frisar que hipóteses úteis e frutíferas também podem ser originadas de proposiçõ
do problema cuidadosamente revisadas, ainda que a teoria que as sustente não seja abundante.
Às vezes, a experiência e a observação constante oferecem potencial para o estabelecimento ;
hipóteses importantes, e o mesmo é dito da intuição. Quanto menor fundamento empíri
prévio tenha uma hipótese, maior será o cuidado que se deverá ter na sua elaboração e avalia -
porque, de qualquer forma, não é recomendável formular hipóteses superficiais.
ados ou
o talvez
podem
colegas
elhanças
do objeto
iais. Por
orialidade
da primeira
do apoiar
anormal
teoria geral
superam as
uma hipótese
. Entretanto,
proposições
'a abundante.
ecimento de
to empírico
ão e avaliação,
o que realmente constitui uma grave falha na pesquisa é formular hipóteses sem ter
do com cuidado a literatura, pois cometeríamos erros tais como "formular hipótese"
00 comprovado ou algo que já foi contundentemente rejeitado. Um exemplo grosseiro,
. ustrativo, seria pretender estabelecer a hipótese de que "os seres humanos podem voar,
ente com seu corpo". Definitivamente, a qualidade das hipóteses está relacionada,
rma positiva, com o grau de exaustividade com que se tenha revisado a literatura.
TO enfoque qualitativo, as hipóteses podem surgir da imersão inicial no campo, ao
dados ou como produto da análise.
AIS CARACTERíSTICAS UMA HIPÓTESE DEVE TER?
enfoque quantitativo, para que uma hipótese possa ser considerada, deve reunir certos
UlSltOS:
As hipóteses devem referir-se a uma situação sociaL real. Como argumenta Rojas (2001), as
hipóteses só podem ser testadas em um universo eum con texto bem-definidos. Por exemplo,
uma hipótese relativa a uma variável do comportamento gerencial (digamos, a motivação)
deverá ser testada em uma situação real (com certos gerentes de organizações existentes,
reais). Em determinadas ocasiões, na mesma hipótese, se torna explícita essa realidade
"crianças que vivem em zonas urbanas imitarão mais a conduta violenta da televisão que
as crianças que vivem em zonas rurais") e, outras vezes, se define por meio de explicações
que acompanham a hipótese. Assim, a hipótese "quanto maior o feedback de um gerente
do desempenho no trabalho de seus supervisores, maior será a motivação intrínseca que
eles terão para com suas tarefas" não explica quais gerentes e nem quais empresas. E será
necessário contexrualizar a realidade de tal hipótese, portanto, é necessário afirmar que se
trata de gerentes de todas as empresas com mais de mil funcionários e localizadas no Brasil.
É muito freqüente que, quando nossas hipóteses venham de uma teoria ou de uma
neralização empírica (afirmação comprovada várias vezes na realidade), elas sejam
manifestações contextualizadas ou casos concretos de hipóteses gerais abstratas. A hipótese
"quanto maior a satisfação laboral, maior a produtividade" é geral e pode ser testada em
diversas realidades (países, cidades, parques industriais ou ainda em uma só empresa; com
diretores, secretárias ou operários etc.; em empresas comerciais, de serviços, indústrias ou
uma combinação destas etc.). Nesses casos, ao provar nossa hipótese contextualizada,
tornamos evidente a hipótese mais geral. Éóbvio que os contextos ou as realidades podem
ser mais ou menos gerais e, normalmente, foram explicados com clareza na proposição do
roblema. O que fazemos ao estabelecer as hipóteses é voltar a analisar se são adequados
para nosso estudo e se é possível ter acesso a eles (reconfirmando o contexto, buscamos
outro ou ajustamos as hipóteses).
Os termos (variáveis) da hipótese devem ser compreensíveis, precisos e o mais concreto possível.
Termos vagos ou confusos não têm cabimento em uma hipótese. Assim, "globalização
da economia" e "sinergia organizacional" são conceitos imprecisos e gerais que devem
r substituídos por outros mais específicos e concretos.
A relação entre variáveis propostas por uma hipótese deve ser clara e verossímiL (Lógica).
Deve ficar claro como as variáveis estão se relacionando e essa relação não pode ser
. ógica. A hipótese "A diminuição do consumo de petróleo nos Estados Unidos está
relacionada ao grau de aprendizagem de álgebra por crianças que freqüentam escolas
públicas em Buenos Aires" seria inverossímil. Não é possível considerá-Ia.
FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES
S~.
c:
5
o-
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Exemplo
QUE TIPOS DE HIPÓTESE PODEM SER ESTABELECIDOS?
4. Os termos da hipótese e a relação proposta entre eles devem ser observáveis emensuráveis.
ou seja, ter referências na realidade. As hipóteses científicas, assim como os objetivos e
as questões de pesquisa, não incluem aspectos morais nem questões que não podemo
medir na realidade. Hipóteses, como "os homens mais felizes vão para o céu" ou "a
liberdade de espírito está relacionada à vontade do criador", implicam conceitos ou
relações que não possuem referências empíricas, portanto, não são úteis como hipótes
para investigar cientificamente nem podem ser testadas na realidade.
S. As hipóteses devem estar relacionadas às técnicas disponíveis para comprová-Ias. Esse re-
quisito está estreitamente relacionado ao anterior e indica que, ao se formular uma hi-
pótese, temos de analisar se existem técnicas ou ferramentas da pesquisa para podermo
verificá-Ia, se é possível desenvolvê-Ias e se estão ao nosso alcance.
Essas técnicas podem existir, mas por certas razões não tenhamos acesso a elas. Alguém
poderia tentar testar hipóteses sobre o desvio orçamentário no gasto público de um país
latino-americano ou a rede de narcotraficantes na cidade do Rio de Janeiro, porém sem
dispor de formas realistas de obter esses dados. Então, ainda que teoricamente sua hipótese
seja valiosa, não pode ser testada na realidade.
No caso de hipótese que são formuladas para estudos qualitativos, basta que sejam
compreensíveis e as variáveis sejam avaliadas de maneira empírica ou que seja possíve
coletar dados sobre elas (no contexto, ambiente ou comunidade estudada).
Existem diversas formas de classificar as hipóteses, mesmo considerando que neste capítulo
nos concentraremos na seguinte classificação, que é bastante apropriada fundamentalmente
para o enfoque quantitativo: 1. hipóteses de pesquisa, 2. hipóteses nulas, 3. hipóteses alter-
nativas e 4. hipóteses estatísticas.
- ,
O QUE SAO HIPOTESES DE PESQUISA?
O que definimos neste capítulo como hipótese é, na realidade, as hipóteses de pesquisa. Elas
são definidas como "proposições acerca das possíveis relações entre duas ou mais variáveis, e
que atendem os cinco requisitos mencionados". Essas variáveis são representadas como [ffi
oulHl' H2, H3letc. (se são várias), sendo também denominadas hipóteses de trabalho.
Por sua vez, as hipóteses de pesquisa podem ser:
Hipóteses desuitivas do valor dos variáveis que serõo observados em
um contexto ou no manifestacõo de outro variável 1,
Hi: "A expectativa de salário mensal dos trabalhadores da Corporação TEAQ do Paraguai
oscila entre 800 e mil dólares".
Alguns pesquisadores consideram essas hipóteses como afirmações "univariadas". Argumentam que não se relacionam variáveis. Di=
que em vez de simplesmente relacionar as variáveis, a proposta é de como se manifestará urna variável em uma "constante" (afinal, D
exemplos, o grupomedido de pessoas ou objetos é constante). Esse raciocfnio é válido e então talvez deveríamos dizer que "relacionare
termos". Entretanto, consultamos alguns grupos de estudantes que afirmam que para eles é diffcil compreender a noção de relacionar
uma variável com uma constante. Por isso, mencionamos hipóteses descritivas que relacionam duas variáveis.
irulo
ente
alter-
FORMULAÇÃO DE HIPÓTESESi·.o
o-
•Hipótese de pesquisa: proposições
sobre a possível relação entre duas
ou mais variáveis.
As hipóteses desse tipo às vezes são utilizadas em estudos descritivos.
cabe comentar que não são formuladas hipóteses em todas as pesquisas
itivas ou que as hipóteses são afirmações mais gerais ("a ansiedade
jovens alcoólatras será elevada", "durante esse ano, os orçamentos de
licidade terão aumentos entre 50% e 60%", "a motivação extrínseca
operários das fábricas de zonas industriais de São Paulo diminuirá", "o número de tra-
entos psicoterapêuticos aumentará nas cidades sul-americanas com mais de três milhões
habitantes"). Não é simples realizar estimativas com certa precisão quando se estuda o
portamento humano.
, eses correlacionais
Ii:lpel:I'hcamas relações entre duas ou mais variáveis. Correspondem aos estudos correlacio-
e podem estabelecer associação entre duas variáveis ("a inteligência está relacionada à
ória"), "a exposição dos adolescentes a vídeos musicais com alto conteúdo erótico está
.ada àmanifestação de estratégias nas relações interpessoais heterossexuais para estabelecer
tatO sexual"); ou estabelecer a associação entre mais de duas variáveis ("atributo físico,
onstrações de afeto, semelhança nos valores e satisfação com o namoro estão vinculadas",
inteligência, a memória e as notas nos exames estão relacionadas em estudantes de pós-
uação em ciências sociais)."
Entretanto, as hipóteses correlacionadas não só podem estabelecer que duas ou mais
iaveis estão associadas, mas também como se associam. Alcançam o nível preditivo e
cialmente explicativo.
Exemplos
"Quanto maior a exposição dos adolescentes a vídeos musicais com alto conteúdo erótico, maior
a manifestação de estratégias nas relações inrerpessoais heterossexuais para estabelecer contato
sexual." (Essa hipótese nos indica que quando uma variável aumenta, a outra também aumentará,
e vice-versa, quando uma variável diminui, a outra também dirninui.)
"Quanto maior a auto-estima, haverá menor medo de sucesso." (Essa hipótese nos indica
que quando uma variável aumenta, a outra diminui, e se essa diminui, a outra aumenta.)
"As novelas brasileiras mostram cada vez mais conteúdo erótico em suas cenas." (Nessa
hipótese se correlacionam as variáveis "época ou tempo em que se produzem as telenovelas"
e "conteúdo erótico'")
"Quanto maior a cultura fiscal, maior será a arrecadação de impostos." (Aumenta a
"cultura fiscal" e se incrernenra a "arrecadação tributãria'")
esses exemplos não só se estabelece que há relação entre as variáveis, mas também
mo é essa relação (seu sentido). Édiferente elaborar hipóteses de que duas ou mais variáveis
ão relacionadas do que elaborar hipóteses de como são essas duas relações. No Capítulo
se explica mais a fundo a questão da correlação quantitativa e os tipos de correlação
tre variáveis. Por enquanto afirmaremos que, quando duas variáveis são correlacionadas,
mos o que se conhece por "correlação bivariada", e quando se correlacionam mais de duas
raüáve\.s, d.en.om.\.n.'ó.-se"c.ou.eh ..~~o m.ú.b"\I~i' .
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Exemplo
Exemplos
É necessário acrescentar que, em uma hipótese de correlação, não é importante a ordem
das variáveis (nenhuma variável antecede a outra, não há relação de causalidade). É o mesm
que indicar "a maior X, maior Y" ou "a maior Y,maior X", ou ainda "a maior X, menor -
" e que "a menor Y,maior X".
"Aqueles com pontuações mais altas no exame de estatística tendem a ter pontuações mais
elevadas no exame de economia" é igual a: "os que tendem a ter aspontuações mais elevadas no
exame de economia são os que obtêm as pontuações mais elevadas no exame de estatística".
Como aprendemos desde pequenos: "a ordem dos fatores (variáveis) não altera o
produto (a hipótese)". Sem dúvida, isso ocorre na correlação, mas não nas relações de
causalidade onde veremos que o que realmente importa é a ordem das variáveis. Porém, na
correlação não falamos de variáveis independentes e dependentes (quando só há correlação, esses
termos não fazem sentido). Os estudantes que começam a pesquisa nos cursos costumam
indicar em toda hipótese qual é a variável independente e qual é a dependente. Isso é um
erro, pois podemos fazê-Io apenas em hipóteses causais.
Por sua vez, quando na pesquisa se pretende correlacionar várias variáveis, é comum haver
diversas hipóteses, e cada uma delas relacione um par de variáveis. Por exemplo, se quiséssemos
relacionar as variáveis "atração físicà', "confiança', "proximidade física" e "igualdade" em um
namoro (todas entre si), estabeleceríamos as seguintes hipóteses.
H, "Quanto maior a atração física, menor a confiança."
H2 "Quanto maior a atração física, maior a proximidade física."
H3 "Quanto maior a atração física, maior a igualdade.".
H4 "Quanto maior a confiança, maior a proximidade física."
Hs "Quanto maior a confiança, maior a igualdade."
H6 "Quanto maior a proximidade física, maior a igualdade."
Essas hipóteses devem ser contextualizadas em sua realidade (com quais casais) e s ~
testadas empiricamente.
Hipóteses da diferença entre grupos
Essas hipóteses são formuladas em pesquisas cuja finalidade é comparar grupos. Por exem-
plo, suponhamos que um publicitário acredite que um comercial de televisão em preto-e-
branco cujo objetivo é persuadir adolescentes que começam a fumar a abandonar o hábito
tenha uma eficácia diferente de um comercial em cores. Sua questão de pesquisa seria:
comercial de televisão em preto-e-branco é mais eficaz que um em cores cuja mensagem ~
persuadir os adolescentes que começam a fumar a abandonar o hábito? E sua hipótese seri
formulada assim:
e
Hi: "O efeito persuasivo para deixar de fumar não será igual ao dos adolescentes que virem a
versão do comercial de televisão em cores e ao dos adolescentes que virem a versão em preto-e-
branco."
Outros exemplos desse tipo de hipótese seriam:
Hi: Os rapazes atribuem maior importância ao atributo físico que as moças em suas relações
heterossexuais.
Hi: "As pessoas infectadas pelo HIV por transfusão sanguínea demoram menos tempo para
desenvolver aAids que aquelas que o adquirem por contato sexual" (as primeiras o adquirem
mais rapidamente).
Em ambos os exemplos é proposta uma possível diferença entre grupos, só que, no
primeiro, apenas se estabelece que "há diferença" entre os grupos comparados. Entretanto,
não se afirma em qual dos grupos está a diferença. Não é estabelecido se o efeito persuasivo
é maior nos adolescentes que vêem o comercial em preto-e-branco ou naqueles que o vêem
em cores. Limita-se a dizer que espera-se haver uma diferença. Porém, no segundo, além
de estabelecer a diferença, se especifica qual dos grupos a ser comparado é o favorecido (os
jovens do sexo masculino são os que, segundo se acredita, atribuirão maior importância ao
"atributo físico").
Quando o pesquisador não tem base para pressupor qual grupo apresentará a diferença,
ormula uma hipótese simples de diferença de grupos (como no primeiro exemplo dos
comerciais). E quando tem base, estabelece uma hipótese direcional de diferença de gru-
pos (como no segundo exemplo). Essa última possibilidade geralmente ocorre quando a
ipótese é derivada de uma teoria de estudos antecedentes, a não ser que o pesquisador
reja bastante familiarizado com o problema de estudo.
Esse tipo de hipóteses pode reunir dois, três ou mais grupos.
Hi: "As cenas da novela 'x' apresentarão maior conteúdo erótico que as cenas da novela 'y',
e essas, por sua vez, apresentarãomaior conteúdo erótico que as cenas da novela 'z ."
Alguns pesquisadores consideram as hipóteses de diferença de grupos como um tipo
hipótese de correlações, porque, em última instância, relacionam duas ou mais variáveis.
caso da importância do atributo físico relaciona a variável "sexo" com "atribuição da
portância do atributo físico nas relações heterossexuais". A diferença entre ambas as
es de hipóteses está em que normalmente nas hipóteses de diferença de grupos uma
FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES
s
ê'
5
o-
Exemplo
Exemplos
Exemplo
METODOLOGIA DE PESQUISA
11
Exemplos
Representação
da hipótese
causal
das variáveis (aquela que divide os grupos) adquire um número mais limitado de valores
(haverá tantos valores quantos grupos a serem comparados) que os valores que adquirem as
variáveis das hipóteses de correlações. E têm sido diferenciadas pelo fato de, em seu nível de
medição, requererem análises estatísticas diferentes. Se você não entendeu bem esse último
parágrafo, não se preocupe, pois não falamos em níveis de medição. Essa discussão foi
inrroduzida porque há algumas pesquisas que diferem quanto aos comentários. Pensamos
que, após ter visto os temas "níveis de medição" (Capítulo 10) e "métodos ou testes estatís-
ticos paramétricos e não-paramétricos" (Capítulo 11), será possível compreender melhor
essa discussão.
É possível que as hipóteses de diferenças de grupos formem parte de estudos de correla-
ções se unicamente estabelecerem que há relação entre os grupos, ainda que estabeleçam a
favor de qual grupo está a diferença. Porém, se, além de estabelecer tais diferenças, explicam
o porquê delas, então são hipóteses de estudos explicativos. Assim mesmo, pode-se pensar
no caso de uma pesquisa que se inicie como correlacional e termine como explicativa. Em
síntese, os estudos correlacionais se caracterizam por ter hipóteses correlacionais, hipóteses
de diferenças de grupos ou ambos os tipos.
Hipóteses que estabelecem relações de causalidade
Esse tipo de hipótese não apenas afirma as relações entre duas ou mais variáveis e como
ocorre tais relações, como também propõe um "entendimento" em relação a elas. Esse
entendimento pode ser mais ou menos completo, dependendo do número de variávei
incluídas, mas todas essas hipóteses estabelecem relação de causa e efeito.
Hi: "A desintegração familiar provoca baixa auto-estima nos filhos", No exemplo, além de se
estabelecer uma relação entre as variáveis, é proposta a causalidade dessa relação.
Hi: "Todas as pessoas que em 1984 receberam transfusão de sangue ou derivados infectados
pelo HIV morrerão antes de 1994."
Hi: "A falta de preparação de assessores contábeis gera menor cultura fiscal."
As hipóteses correlacionais podem representar-se como 'X -- Y"; e as hipóteses
causais como no quadro.
Correlação e causalidade são conceitos
associados, porém distintos. Se duas variá-
veis estão correlacionadas, isso não implica
necessariamente que uma será causa da outra.
Suponhamos que uma empresa fabrica um
produto que vende pouco e decide melhora-lo
e lança uma campanha de rádio e televisão
para anunciar o novo produto.
Influi ou causa
"X Y"
(uma variável) (outra variável)
Depois observa que as vendas do produto aumentaram. Os executivos da empresa
eriam dizer que o lançamento da campanha está relacionado com o aumento nas vendas,
se a causalidade não for demonstrada, não é possível assegurar que a campanha tenha
-ocado esse aumento. Talvez a campanha seja a causa do aumento, mas sim a causa em
ja a melhora do produto, uma excelente estratégia de comercialização ou outro fator,
ainda tudo isso pode ser a causa.
Outro caso é o que se explicou no capítulo anterior. Onde a "estatura" parecia estar
elacionada com a "inteligência", em crianças cujas idades variavam entre 8 e 12 anos (as
ças com maior estatura tendiam a obter maior nota na prova de inteligência), porém,
realidade era que a "maturidade" era a variável que estava relacionada com "a resposta a
prova de inteligência" (mais que a inteligência em si). A correlação não fazia sentido,
'to menos estabelecia uma causalidade, afirmando que a estatura é causa da inteligência
ue, pelo menos, tem sua influência, ou seja, nem todas as correlações fazem sentido,
m sempre que se encontra uma correlação é possível inferir a causalidade. Se cada vez
uma correlação é obtida se supusesse a causalidade, isso equivaleria a dizer que cada vez que
observa uma senhora e uma criança se supusesse que ela é sua mãe, quando pode ser sua
uma vizinha ou uma senhora que se colocou muito perto da criança por casualidade.
Para estabelecer a causalidade épreciso antes demonstrar a correlação, além disso, a causa
e ocorrer antes do efeito. Assim sendo, as mudanças na causa devem provocar mudanças
efeito.
Ao mencionar-se hipóteses, as supostas causas são conhecidas como "variáveis indepen-
tes" e os efeitos como "variáveis dependentes". Só é possível falar de variáveis independentes
endentes quando se formulam hipóteses causais ou hipóteses da diferença de grupos,
pre e quando nessas últimas se explica qual é a causa da diferença hipotética.
A seguir, são apresentados diferentes tipos de hipóteses causais:
Hipóteses causais bivariadas. Delinea uma relação entre uma variável independente e uma
rariãveldependente. Por exemplo: "Perceber que uma pessoa do sexo oposto tem a mesma
religião, valores e crenças nos provoca maior atração física por ela." (Figura 6.1)
Hipóteses causais multivariadas. Delinea uma relação entre diversas variáveis indepen-
dentes e uma dependente, ou uma independente e várias dependentes, ou diversas
-ariáveis independentes e várias dependentes:
FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES
~
iiiir
5
o-
Percepção da semelhança de
religião, valores e crenças
Atração física
x y
(geralmente a variável independente se
simboliza como X em hipóteses causais,
enquanto em hipóteses correlacionais
não significa variável independente,
visto que não há causa suposta)
(variável dependente se
simboliza como 1')
Esquema de relação
causal bivariada
1
Figura 6.1
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Exemplo
Exemplo
Exemplo
"A coesão e a central idade em um grupo submetido a uma dinâmica e o tipo de liderança
exercida dentro do grupo determinam a efetividade deste para alcançar suas metas primárias."
(Figura 6.2)
"A variedade e a autonomia no trabalho, assim como oftedback do desenvolvimento do traba-
lho, geram maior motivação intrínseca e satisfação laboral." (Figura 6.4)
As hipóteses multivariadas esboçam outro tipo de relações causais, nas quais certas
variáveis modificam a relação (hipóteses com presença de variáveis intervenientes).
"O pagamento aumenta a motivação intrínseca dos trabalhadores, quando é administrada de
acordo com o desempenho." (Figura 6.5)
Esquema de relação
causal multivariada
Figura 6.2
INDEPENDENTES DEPENQlNTE5
I Coesão k ~
--------'~ ~I Efetividade no
1
,-- I . 11>1 alc.ance.das metas
Centralidade .
. ~ana~ ~
Tipo de liderança
Representadas como
y
iL-..._\?"~._~_....._._.__,_C.l_B_.I ' _' ~_&_~"_W __ ~JIIIIY»s-;.,~\n ••.~~)s<
INDEPENDENTES DEPENDENTES
Esquema de relação
causal multivariada
Variedade no Figura 6.3trabalho
Motivação
intrínseca
Autonomia no
trabalho
Satisfação
laboral
Feedback
do trabalho
Representadas como:
x,
~
X2
~
X'3
É possível que existam estruturas causais de variáveis mais completas que sejam difíceis
expressar em uma única hipótese, pois as variáveis se relacionam entre si de diferentes
eiras. Portanto as relações causais são delineadas em duas ou mais hipóteses, ou de
nna gráfica (Figura 6.5).
O esquema da Figura 6.5 poderia ser separado em múltiplas hipóteses, por exemplo:
H
1
: "O pagamento aumenta a satisfação laboral."
H
2
: "A integração, a comunicação instrumental e a comunicação formal aumentam
a satisfaçãolaboral."
H
3
: "A centralização diminui a satisfação laboral."
H
4
: "A satisfação no laboral influi na recolocação de pessoal."
H5: "A oportunidade de capacitação e emprego torna imediata a vinculação entre a
satisfação laboral e a recolocação de pessoal."
H6: "A recolocação de pessoal afeta a integração, a efetividade organizacional, a for-
malização, a centralização e a inovação."
Quando as hipóteses causais são submetidas à análise estatística, são avaliadas a influência
e cada variável independente (causa) na dependente (efeito), e a influência conjunta de
odas as variáveis independentes na dependente ou nas dependentes.
FORMULAÇÃO DE HIPÓnsES
~.
5
e-
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Esquema causal
com variável
intecveniente
Figuro 6.4
Estrutura causal
complexa
multivariadaê
Figuro 6.S
Motivação intrínseca I
(Variável dependente)
Pagamento
(Variável independente)
Condições de
administração do
pagamento
(Variável interveniente)
Representadas comoX--1--+-...Y
z
Oportunidade ]
Satisfação
laboral
Recolocação
de pessoal
Comunicação
instrumental
.- _..:: .._~
Comunicação
formal
[ Centralização
l!_ntegraçãiJ I Efecividade II Formalização II Centralização I [InovaçãO
2 As variáveis foram exrraídas de Priee (1977).
AS HIPÓTESES NULAS13
'tesesnulas são, de certo modo, o oposto das hipóteses de pesquisa. Também constituem
ições sobre a relação entre variáveis, porém refutam ou negam o que afirma a hipótese
uisa. Se a hipótese propõe: "os adolescentes dão mais importância à atração física em
ções heterossexuais que as adolescentes", a hipótese nula postularia: "os jovens não
is importância à atração física em suas relações heterossexuais que as adolescentes".
Pelo fato de esse tipo de hipótese ser a contraposição da hipótese de pesquisa, há prati-
te o mesmo número de tipos de hipóteses nulas que de pesquisa. Em outras palavras, a
.açãa de hipóteses nulas ésimilar à tipologia da hipótese depesquisa: hipóteses nulas descritivas
varidvel que será observada em um contexto, hipóteses que negam ou contradizem a relação
duas ou mais varidveis, hipóteses que negam que haja diferença em grupos comparados, e
que negam a relação de causalidade entre duas ou mais varidveis (em todas as suas
). As hipóteses nulas são representadas assim:
'ejamos alguns exemplos de hipóteses nulas que correspondem a exemplos de hipó-
de pesquisa que foram mencionadas.
: "A expectativa de ingresso mensal dos trabalhadores da corpo ração TEAQ varia entre
800 e mil dólares." (É uma hipótese nula descritiva de uma variável que será observada
em um contexto.)
o: "Não há relação entre a auto-estima e o medo de sucesso." (Hipótese nula com relação a
uma correlação.)
o: "As cenas da novela x' não apresentarão maior conteúdo erótico que as cenas da novela
y', tampouco estas, maior conteúdo erótico que as da novela z~"Essa hipótese nega a
diferença entre grupos e também poderia ser formulada assim: "Não existem diferenças
de conteúdo erótico entre as cenas das novelas x; y e Z"'. Ou ainda, "o conteúdo
erótico nas novelas x; y e z' é o mesmo".
o: "A percepção da semelhança na religião, valores e crenças não provoca maior atração
física." (Hipótese que nega a relação causal.)
E SÃO AS HIPÓTESES ALTERNATIVAS?
o sua designação indica, são possibilidades "alternativas" ante a hipóteses de pesquisa e
. oferecem outra descrição ou explicação diferente das que proporcionam esses tipos de
teses. Se a hipótese de pesquisa estabelece: "esta cadeira é vermelha", a nula afirmará: "esta
ira não é vermelha", e uma ou mais hipóteses alternativas poderiam ser formuladas: "esta
FORMULAÇÃO DE HIPÓ~
~
ê'
5
ao
Exemplos
sentido dado à hipótese nula é o mais comum, O de negação da hipótese de pesquisa que foi pro-
to por Fisher. Não se discutem outras conorações ou usos do termo (por exemplo, especificar um
parâmetro de zero) porque gerariam confusões entre estudantes que se iniciam na pesquisa. Para aqueles
e desejam conhecer mais O tema, são recomendadas as seguintes fontes: Van Dalen e Meyer (1944,
.403-404) e, sobretudo, Henkel (1976, p. 34-40).
Hipóteses nulas: proposições que
negam ou refutam a relação entre
variáveis.
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Exemplos
Exemplos
•
cadeira é azul", "esta cadeira é verde", "esta cadeira é amarela" etc. Cada uma constitui uma
descrição diferente daquela proporcionada pelas hipóteses de pesquisa e nula.
As hipóteses alternativas são representadas como Ha e só podem ser formuladas efe-
tivamente quando há outras possibilidades além das hipóteses de pesquisa e nula. Se esse
não for o caso, elas não são formuladas.
Hi: "O candidato 'A' obterá, na eleição para a presidência do conselho escolar,
entre 50% e 60% da votação total."
Ho: "O candidato 'A' não obterá, na eleição para a presidência do conselho escolar, entre
50% e 60% da votação total."
Ha: "O candidato 'A' obterá, na eleição para presidência do conselho escolar, mais de 60%
da votação total."
Ha: "O candidato 'A' obterá, na eleição para a presidência do conselho escolar, menos de
50% da votação total."
Hi: "Os rapazes dão mais importância à atração física em suas relações heterossexuais que as
garotas."
Ho: "Os rapazes não dão mais importância à arração física em suas relações heterossexuais que
as garotas."
Ha: "Os rapazes dão menos importância à arração física em suas relações heterossexuais que as
garotas."
Hipóteses alternativas: são
possibilidades diferentes ou
"alternativas" diante das hipóteses
de pesquisa e nula.
Nesse último exemplo, se a hipótese nula tivesse sido formulada
. .
segulll te maneira:
Ho: "Os rapazes não dão mais importância ou menos importância à atração física em suas
relações heterossexuais que as garotas."
Não haveria possibilidade de formular uma hipótese alternativa, já que as hipóteses
pesquisa e nula englobariam todas as possibilidades.
As hipóteses alternativas, como se pode observar, constituem outras hipóteses de
quisa adicionais à hipótese de pesquisa original.
Hi:X> 200 (Média ponderada de casos atendidos.)
- O AS HIPÓTESES ESTATíSTICAS?
es estatísticas são exclusivas do enfoque quantitativo (ou se tivermos um componente
tiue] deste) e representam as transformações das hipóteses de pesquisa, nulas e alternativas
olos estatísticos. Podem ser formuladas apenas quando os dados do estudo (que
letados e analisados para provar ou refutar as hipóteses) são quantitativos (nú-
porcentagens, médias ponderadas), ou seja, o pesquisador traduz sua hipótese de
e sua hipótese nula (e também hipóteses alternativas quando são formuladas) em
estatísticos. Basicamente, há três tipos de hipóteses estatísticas, que correspondem
ificação de hipóteses de pesquisa e nula: 1. de estimativa, 2. de correlação e 3. de
de médias. Explicaremos de cada uma delas dando exemplos.
eses estatísticas de estimativa
pendem às que foram denominadas "hipóteses descritivas de uma variável que será
-ada em um contexto quando se mencionou hipóteses de pesquisa". Elas avaliam
sição de um pesquisador sobre o valor de uma característica em uma amostra de
ríduos ou objetos, e em uma população. Fundamenta-se em informação prévia.
do-se em certos dados, suponhamos que um pesquisador formule esta hipótese: "a
. ponderada mensal de casos de transtorno psiconeurótico caracterizados por reação
enia, que foram atendidos nos hospitais da cidade de Linderbuck, é maior que 200".
ja transformar essa hipótese de pesquisa em hipótese estatística. O primeiro passo
isar qual é a estatística a que sua hipótese faz referência (no exemplo se trata de
média ponderada mensal de casos atendidos). O segundo passo consiste em descobrir
o se representa essa estatística (média ponderada é representada com X). O terceiro
consiste em traduzir a hipótese de pesquisa em uma forma estatística:
A hipóteseestatística nula seria a negação da hipótese anterior:
Ho: X < 200 (''A média ponderada mensal de casos ... é menor que 200.")
e a hipótese alternativa seria:
Ha: X = 200 (''A média ponderada de casos ... é igual a 200.")
Posteriormente, o pesquisador comparará a média ponderada estimada pela hipótese
com a média ponderada atual da amostra que selecionou. A exatidão de sua estimativa
é avaliada com essa comparação. E como assinalam Black e Champion (1976), alguns
pesquisadores consideram as hipóteses estatísticas de estimativa como hipótese de diferença,
pois, em última instância, o que se avalia é a diferença entre um valor hipotético e um valor
observado em uma única amostra.
A estimativa dessas hipóteses não se limita a médias ponderadas: pode ser incluída
qualquer estatística (porcentagens, médias ...). Para isso, sugerimos consultar as estatísticas
descritivas no Capítulo 10.
FORMUlAÇÃO DE HIPÓTESES
~.•
5
e-
Hipóteses estatísticas de correla~ão
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Essas hipóteses têm por objetivo traduzir, em termos estatísticos, uma correlação entre duas
ou mais variáveis. O símbolo de correlação entre duas variáveis é "r" (minúscula), e entre
mais de duas variáveis ''R'' (maiúscula). A hipótese "quanto maior coesão em um grupo
maior a eficácia no alcance de suas metas primárias" se traduzirá assim:
Hi: :;é O (não é igual a zero, ou,
o que é o mesmo, ambas as
variáveis estão correlacionadas)[
x
a correlação
entre duas variáveis (coesão e eficácia)
Ho: r = O (''As duas variáveis não estão correlacionadas, sua correlação é zero.")
>ry
Outro exemplo:
Hi: Rxyz :;é O (não é igual a zero, ou, o que é o mesmo, ambas as variáveis estâ
correlacionadas)
O (''A correlação entre as variáveis autonomia, variedade e motivaçã
intrínseca não é igual a zero.")
Ho: Rxyz = O ("Não há correlação.")
Hipóteses estatísticas das diferensas de médias ou outros valores
Nessas hipóteses é comparada uma estatística entre dois ou mais grupos. Suponhamos q
um pesquisador elabore a seguinte questão de estudo: os jornais 'x" e ''y'' diferem quanto
média de editoriais mensais que dedicaram, durante o último ano, ao tema do desarmamen
mundial? Sua hipótese de pesquisa poderia ser: "Existe uma diferen
entre as médias ponderadas de editoriais mensais que o jornal "x" dedico
durante o último ano, ao tema do desarmamento mundial e a mé
dedicada pelo jornal ''y''.'' A estatística que se compara entre os gru
(editorial de 'X': um grupo, e editorial de 'y", outro grupo) é a mé
ponderada mensal (X). A hipótese estatística seria formulada assim:
Hipótese estatística: representa
a transformação das hipóteses de
pesquisa, nulas e alternativas em
símbolos estatísticos.
é diferente
-~-
Hi: ~ :;é X
2
(média do grupo 2: editoriais de 'y")
t
(média do grupo 1: editorial "x")
Ho = ~ = X2 ("Não há diferença entre as médias dos grupos.")
Com outra estatística (porcentagem) e três grupos, se obteriam hipóteses estatísticas
Hi: %1 ~ %2 ~ %3 ("As porcentagens dos três grupos são diferentes.")
Ho: %1 = %2 = %3 ("Não há diferenças.")
N
UMA PESQUISA SAO FORMULADAS E ENUNCIADAS
HIPÓTESES DE PESQUISA, NULA,
;
ERNATIVA E ESTATISTICA?
s que
toa
re isso não há regras universais nem sequer consenso entre os pesquisadores. Pode-se ler
um artigo de uma revista científica um relatório de pesquisa no qual só se estabeleça a
, tese de pesquisa, e, nessa mesma revista, ler outro artigo no qual apenas se estabelece
ipótese nula. Um terceiro no qual se podem ler somente as hipóteses estatísticas
pesquisa e nula, ou nada além de uma delas. Outro artigo que contenha hipótese de
uisa e as alternativas traduzidas em termos estatísticos. Ainda outro no qual apareçam
, teses de pesquisa, nulas e alternativas, com suas hipóteses estatísticas correspondentes.
situação é similar nos relatórios elaborados por um pesquisador ou por uma empresa
'cada à pesquisa. O mesmo ocorre em teses, estudos de divulgação popular, relatório de
uisa governamental, dissertações de doutorado, livros e outras formas de apresentação
estudos e análises de muitos tipos diferentes. os estudos que contêm análises de
os quantitativos, são comuns as seguintes opções: 1. hipótese de pesquisa unicamente, 2.
'tese de pesquisa mais hipótese estatística de pesquisa mais hipótese estatística nula, 3. hipó-
estatística de pesquisa e nula.
Alguns pesquisadores só enunciam uma hipótese estatística (nula ou de pesquisa)
upondo que quem leia seu relatório deduzirá a hipótese contrária. Inclusive, há
m omita a apresentação de suas hipóteses no relatório, pensando que o leitor deverá
uzi-las facilmente, ou que o usuário do estudo não esteja familiarizado com elas e não
interessará revisá-Ias, ou que não fazem sentido para ele. Nossa recomendação é que
estejam presentes, não apenas ao elaborar a hipótese, mas durante toda a pesquisa.
ajuda para que o pesquisador esteja sempre alerta para todas as possíveis descrições
explicações do fenômeno que estuda, assim poderá ter um panorama mais completo
uilo que analisa. Mas aconselhamos que em seu relatório você anote as hipóteses que
idera conveniente incluir para que usuários, consumidores ou leitores da pesquisa
mpreendam melhor seu propósito e tipo.
Além do mais, e como muitas questões na vida, tudo depende do contexto ou da
ação. Um professor pode exigir que os trabalhos de pesquisa de seus alunos incluam
os os tipos de hipóteses, e outro pode pedir apenas um tipo de hipótese. Nesse caso, o
alho (relatório de pesquisa do aluno) incluirá as hipóteses pedidas pelo professor. O
mo ocorrerá em uma tese sobre as senodais, em pesquisas comerciais com os clientes,
estudos governamentais com o superior, nos artigos enviados a uma revista científica
m o regulamento de publicações e com o comitê de revisão.
FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES
~.•
5
00
METODOLOGIA DE PESQUISA
11
QUAN1ASt\\PÓliSIS Di"iM SiR fORMUlADAS
EM UMA PESQUISA?
Quando o pesquisador é o único a tomar decisões, é preciso pensar muito bem, pois e
sua decisão e nada mais (novamente, não existem normas a respeito). Nossa recornendaçã
é: "pense no receptor, em quem vai ler a sua pesquisa", ou melhor, em todo caso, consulte
o manual da sua universidade ou da American Psychological Association (2001) (ou uITl2.
versão mais atualizada no futuro).
Cada pesquisa é diferente. Algumas têm grande variedade de hipóteses porque o problema
de pesquisa é complexo (por exemplo, pretendem relacionar 15 ou mais variáveis), enquanto
outras contêm uma ou duas hipóteses. Tudo depende do estudo que será realizado.
A qualidade de uma pesquisa não está necessariamente relacionada com o número de
hipóteses que contenha. Nesse sentido, deve-se ter o número de hipóteses necessárias para
orientar o estudo, nem uma a mais nem uma a menos. Logo concluímos que a pesquisa é
complexa e não é estranho ler estudos com múltiplas hipóteses, mas não é um requisito.
EM UMA PESQUISA, PODEM-SE FORMULAR HIPÓTESES
DESCRITIVAS DE UMA VARIÁVEL, HIPÓTESES
CORRELACIONAIS, HIPÓTESES DA DIFERENCA
DE GRUPOS E HIPÓTESES CAUSAIS? '
A resposta é "sim". Em uma pesquisa é possível estabelecer todos os tipos de hipóteses,
porque o problema de pesquisa assim o requer. Suponhamos que alguém tenha decidido
fazer um estudo em uma cidade latino-americana, por exemplo, a cidade do Rio de Janeiro.
e suas questões de pesquisa são entre outros:
• No fim do ano, qual será o nível de desemprego na cidade do Rio de Janeiro?
Qual é a média da renda familiar mensal na cidade do Rio de Janeiro?
Existem diferenças entre os bairros da cidade do Rio de Janeiro em relação ao nível de
desemprego? (Há bairros com maiores índices de desemprego?) .
Qual é a média de escolaridade dos rapazes e das garotas que vivem na cidade do Rio de
Janeiro? E existem diferenças por sexo a esse respeito?
O desemprego está relacionado com o aumento da delinqüência nessacidade?
O nível de desemprego provoca uma rejeição da política fiscal do governo?
•
•
•
•
•
As hipóteses do estudo poderiam ser:
"O nível de desemprego na cidade do Rio de Janeiro será de 15% para o fim do ano?"
(Hi: % = 15).
"A média de renda familiar mensal varia entre R$ 300,00 e R$ 400,00" (Hi: 400 > X>
290).
em diferenças em relação ao nível de desemprego entre os bairros da cidade do
Janeiro" (Hi: X; 7' X
2
7' X
3
7' X).
to maior o desemprego, maior a delinqüência" (Hi: Txy 7' O).
emprego provoca uma rejeição da política fiscal do governo."
--~.l).
exemplo, encontramos todos os tipos gerais de hipóteses. Observamos também
uestões que não se traduziram em hipóteses. Isso talvez se deva ao fato de ser difícil
.-las, já que não se dispõe de informação a respeito.
estudos (se há um componente dedutivo-quantitativo) que se iniciam e concluem
•• Ioou"rt"tivosformularão hipóteses descritivas, os correlacionais poderão estabelecer hipóteses
, correlacionais e de diferenças de grupos (quando estas não expliquem a causa que
a diferença), e os explicativos poderão incluir hipóteses descritivas, correlacionais, de
de grupos e causais. Não podemos esquecer que uma pesquisa pode abordar parte
lema de maneira descritiva e parte de maneira explicativa. Danhke (1989) aponta
estudos descritivos costumam não conter hipóteses, e isso se deve ao fato que, em
•• ocasiões, é difícil precisar o valor que uma variável manifesta.
tipos de estudos que não estabelecem hipóteses são os exploratórios. Não se pode pressupor
ando) que apenas vamos explorar. Seria como se antes de um primeiro encontro
a pessoa desconhecida do sexo oposto, tratássemos de "formular hipóteses" sobre se
rica, quais são interesses e valores etc, Nem poderíamos antecipar se a consideraremos
e, e talvez em um primeiro encontro nos deixaríamos levar por nossa imaginação, mas
pesquisa issonão deve acontecer. Se tivermos acesso a mais informações (lugares que lhe
ir, profissão, religião, nível socioeconômico, tipo de música que gosta e grupos a que
), poderemos fazer muito mais hipóteses ainda que nos baseamos nos estereótipos. E
.crI:>êssemos informações pessoais e íntimas sobre essa pessoa, poderíamos criar hipóteses
ue tipo de relação vamos estabelecer com ela e por que (explicações).
E É TESTE DE HIPÓTESES?
tem sido mencionado neste capítulo, as hipóteses quantitativas são submetidas ao teste
escrutínio empírico para determinar se são sustentadas ou refutadas, de acordo com o
o pesquisador observa. De fato, as hipóteses são formuladas na tradição dedutiva. Na
e, não podemos provar que uma hipótese seja verdadeira ou falsa, apenas argumentar
- i apoiada ou não de acordo com certos dados obtidos em uma pesquisa particular. Do
o de vista técnico, uma hipótese não é aceita por meio de um estudo, apenas apresenta-
ridências a seu favor ou contra.' Quanto mais pesquisas apóiem uma hipótese, mais
ibilidade ela terá, e, logicamente, será válida para o contexto (lugar, tempo, indivíduos ou
os) em que foi comprovada. Pelo menos segundo a probabilidade.
Unos evirar a discussão da lógica do resre de hipóteses que indica que a única alternativa aberta em um resre significarivo para
hipótese em poder rejeitar U1TIa hipótese nula ou equivocar-se ao rejeitar urna hipótese nula. Mas a frase "enquivocar-se ao rejeitar"
- é sinônimo de "aceitar", e a razão para não incluir essa discussão esrã no faro de que, ao fazê-I o, poderíamos confundir mais que
esdarecer o panorama que se inicia no rema. Aquele que quiser aprofundar-se na lógica da prova de hipótese, recomendamos Henkel
.9-6, p. 34-35) e outras referências que sustentam filosoficamente as posições a respeiro: Popper (1992 e 1996) e Hanson (1958).
FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES~.;;1'
5
e-
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Quando Albert
Einstein provou
suas hipóteses,
surgiu a teoria
da relatividade.
As hipóteses, no enfoque quantitativo, são submetidas
teste na "realidade"aplicando um projeto depesquisa, coleta
dadospor meio de um ou de vários instrumentos de medição
analisando-os e interpretando-os. E como aponta Kerli
(1979, p. 35): ''As hipóteses constituem instrumentos mui
poderosas para o avanço do conhecimento, pois, ainda q
sejam formuladas pelo homem, podem ser submetidas a t
e demonstradas como provavelmente corretas ou incorre
sem que interfiram os valores e as crenças do indivíduo".
No enfoque qualitativo, as hipóteses, mais que ser
provadas, aumentam o conhecimento sobre um event
um contexto ou uma situação. Sua simples geração aju
a dar maior entendimento ao fenômeno analisado.
também, quando uma hipótese é reforçada em diver:
estudos qualitativos, isso seria muito frutífero para o des
volvimento de qualquer ciência ou disciplina.
QUAL É A UTILIDADE DAS HIPÓTESES?
Alguém pode pensar que com o que foi exposto neste capítulo fica claro o valor
hipóteses em uma pesquisa. No entanto, é necessário nos aprofundarmos mais sobre
assunto, mencionando as principais funções das hipóteses.
1. Primeira, são as diretrizes de uma pesquisa no enfoque quantitativo e também podem:
no qualitativo. No primeiro, formulá-Ias nos ajuda a saber o que estam os tentan .
buscar, provar. Proporcionam ordem e lógica ao estudo. São como os objetivos de
plano administrativo: "as sugestões formuladas nas hipóteses podem ser soluciona
nots) problemaís) de pesquisa. Se efetivamente são ou não, é a tarefa do estudo
(Selltiz et al., 1980.)
2. Segunda, têm uma função descritiva e explicativa, conforme o caso. Cada vez que
hipótese recebe evidência empírica a seu favor ou contra, por um enfoque, nos diz alto
sobre o fenômeno ao qual está associado ou faz referência. Se a evidência é a favor.
informação sobre o fenômeno é acrescida, se a evidência é contra, descobrimos alg
sobre o fenômeno que não sabíamos antes (Black e Champion, 1976).
3. A terceira função, totalmente dedutiva, é provar teorias, se são encontradas evidênci
que a comprovem. Quando confirmam-se as evidências de várias hipóteses de uma r
ria, a teoria se torna mais embasadas; e quanto mais evidência houver confirmado
várias hipóteses, mais evidência confirmará a teoria.
4. Uma quarta função consiste em sugerir teorias (ibidem). Algumas hipóteses não es -
associadas a nenhuma teoria, mas pode acontecer que, como resultado da prova de
hipótese ou sua indução, é possível construir uma teoria ou suas bases. O anterior -
é muito freqüente mas já ocorreu.
RRE QUANDO NÃO SE ENCONTRA EVIDÊNCIA
IRMA AS HIPÓTESES DA NOSSA PESQUISA?
ouvir o seguinte diálogo como o seguinte entre dois estagiários que acabam de
dos de sua tese (que é uma pesquisa):
- "Os dados não sustentam nossas hipóteses."
o: "E agora o que vamos fazer? Nossa tese não serve."
"Teremos de fazer outra tese."
mpre os dados sustentam as hipóteses. Mas ofoto de que os dados não confirmam
das hipóteses elaboradas, não significa que a pesquisa não tenha utilidade. É claro
..,.,QUUos que o que supomos esteja de acordo com a nossa "realidade" (esquema
- "o). Se afirmarmos questões como: "eu gosto de Pablo", "o grupo mais popular
desta cidade é o meu favorito", "tal equipe vai ganhar no próximo campeonato
e futebol", "Paola, Talía, Mariane e Brenda vão me ajudar muito a superar este
-, ficaremos satisfeitos se forem comprovadas. Inclusive, há quem formule uma
ição e a defenda a todo o custo, ainda que tenha percebido que está enganado.
a atitude humana, entretanto, na pesquisa, a meta é o conhecimento e, nesse
também os dados contra uma hipótese oferecem conhecimento. O importante é
por que não se encontrou evidência que confirme as hipóteses e contribuir para o
ento do fenômeno que se está investigando.
re o assunto, podemos citar Van Dalen e Meyer (1994, p. 193):
que as hipóteses tenham utilidade, não é necessário que sejam as respostas corretas aos
lemas expostos. Em quase todas as pesquisas, o estudioso formula várias hipótesese espera
alguma delas proporcione uma solução satisfarória ao problema. Ao eliminar cada uma das
"reses,o campo no qual deverá achar a resposta vai estreitando.
acrescentam:
que uma
diz alg
a favor, a
os alg
prova de "hipóteses falsas" (que preferimos chamar "hipóteses que não receberam evidência
pírica") também é útil se orientar a atenção do pesquisador ou de outros cientistas para fatores
relações insuspeitadas que, de alguma maneira, poderiam ajudar a resolver o problema.
• ·0 enfoque qualitativo, o teste de hipóteses não é o centro da pesquisa, mas sua ge-
e sua contribuição para o avanço do conhecimento.
ARIÁVEIS DE UMA HIPÓTESE DEVEM SER DEFINIDAS
EITUAL E OPERACIONALMENTE COMO PARTE-UA FORMULACAO?,
nrmular uma hipótese, é indispensável definir os termos ou variáveis que estão sendo
uídos nela, ainda que o nosso enfoque escolhido seja o quantitativo, o qualitativo, ou
mistura dos dois. Isso é necessário por vários motivos:
FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES
~.•
5
o-
MHODOlOGIA Di Pil;QUIl;A
1. Para que o pesquisador, seus colegas, os usuários dos estudos e, em geral, qualq
pessoa que leia a pesquisa dêem o mesmo significado aos termos ou variáveis incluí
nas hipóteses, é comum que um mesmo conceito se empregue de maneiras diferen
O termo "noivos" pode significar para alguém uma relação entre duas pessoas do s
oposto que se comunicam com a maior freqüência possível, que, quando estão "cara-
"cara", se beijam e se dão as mãos, que se sintam atraídas fisicamente e compartilh
informação que ninguém mais compartilha. Para outros significaria uma relação en
duas pessoas do sexo oposto que têm como finalidade casar-se. Para um terceiro,
relação entre dois indivíduos do sexo oposto que mantêm relações sexuais; e outra p
soa poderia ter alguma das concepções anteriores, exceto o "sexo oposto". E no caso
considerarmos um estudo com casais de noivos, não saberíamos com exatidão que
seria excluído e quem não, a menos que se definisse com a maior precisão possível
conceito de "noivos". Termos como "atitude", "inteligência" e "aproveitamento" podem
vários significados ou definições de diversas formas.
2. Assegurarmos que as variáveis podem ser medidas, avaliadas, induzidas ou infirid.z:J
(possibilidade de coletar dados ou informação, recordemos que a pesquisa qualitati
também é ernpírica), o que, no enfoque qualitativo, é duplamente necessário para
prova empírica, condição das hipóteses.
3. Confrontar nossa pesquisa com outras similares. Se tivermos nossas variáveis definidas,
poderemos comparar nossas definições com as de outros estudos para saber se "falam
da mesma coisa". Se a comparação é positiva, confrontaremos os resultados da no
pesquisa com os resultados das outras.
4. Avaliar melhor os resultados da nossa pesquisa, porque as variáveis, e não só as hipóres
são contextualizadas.
Concluindo, sem definiçáo das variáveis náo hápesquisa. As variáveis devem ser definidas
de duas formas: conceitual e operacionalmente. A seguir, explicamos as duas maneiras.
-DEFINICAO CONCEITUAL OU CONSTITUTIVA~
Uma definição conceitual trata o termo ou variável com outros termos. Assim, "inibi -
proativa" é "a dificuldade de evocação que aumenta com o tempo", e "comunicação in-
terpessoal diádica" se definiria com "o intercâmbio de informação psicológica entre duas
pessoas que desenvolvem predições sobre o comportamento do outro baseadas em ta,
informação e estabelecem regras para sua interação que somente elas conhecem"; "poder
é "influir mais nos demais do que eles influem em alguém". Trata-se de definições de livr
ou dicionários especializados (Kerlinger, 2002; Rojas, 2001) e quando descrevem a essên '-
ou as características do objeto ou fenômeno são denominadas "definições reais" (Reynolds.
1986). Essas últimas constituem a adequação da definição conceitual às exigências práticas da
pesquisa. Dessa forma, o termo "atitude" se definiria como "uma tendência ou predisposição
a avaliar, de certa maneira, um objeto ou símbolo desse objeto" (Katz e Stotland, 1959, apu
Kahle, 1984). Se nossa hipótese fosse: "quanto maior a exposição dos eleitores indecisos -
entrevistas televisivas concedidas pelos candidatos, mais favorável será a atitude em rela -
ao ato de votar", teríamos de contextualizar a definição conceitual de "atitude" (formular
definição real). A "atitude em relação ao ato de votar" poderia definir-se como "a predisposiçã
em avaliar como positivo o ato de votar em uma eleição".
Essas definições são necessárias, mas insuficientes para definir as variáveis da pesquisa,
ue não nos relacionam diretamente com "a realidade" (no sentido quantitativo) ou com
nômeno, contexto, expressão, comunidade ou situação" (no sentido qualitativo). Depois
seguem como conceitos. Os cientistas necessitam ir mais além, devem definir asvariáveis
nas suas hipóteses, de forma que possam ser comprovadas (enfoque quantitativo). O
rior é possível usando o que se conhece como definições operacionais.
,.,
INICOES OPERACIONAIS~
a definição operacional é um conjunto de procedimentos que descreve as atividades
um observador deve realizar para receber as impressões sensoriais, as quais indicam
. tência de um conceito teórico em maior ou menor grau (Reynolds, 1986, p. 52).
outras palavras, indica que atividades ou operações devem ser realizadas para medir
variável (enfoque quantitativo) ou coletar dados ou informações a seu respeito
oque qualitativo).' Seguindo a linha de F. N. Kerlinger, uma definição operacional
a que para medir ou coletar dados a respeito de uma variável, é preciso fazer isso
aquilo. Assim, a definição operacional quantitativa da variável "temperatura" seria o
ôrnetro; "inteligência" se definiria quantitativa e operacionalmente como as respostas
eterminado teste de inteligência; o conhecido Inventário Multifásico Minnesota de
nalidade (MMPI) é uma definição operacional quantitativa da "personalidade" em
tos e adolescentes alfabetizados. Um guia aberto de entrevistas poderia ser a definição
racional qualitativa de "sentido da vida", um plano para entrar em uma comunidade
rrilheira, e conhecer seu modo de vida, assim como o manual de observação poderia
iderar como uma definição operacional qualitativa desse modo de vida.
A variável "renda familiar" poderia ser operacionalizada quantitativamente fazendo
questão sobre a renda pessoal de cada um dos membros da família e somando as
tidades que cada um indicou. O "atributo físico" em um concurso de beleza se opera-
naliza aplicando uma série de critérios que um jurado utiliza para avaliar as candidatas;
membros do júri atribuem uma nota às concorrentes para cada critério e depois obtêm
pontuação total do atributo físico.
Quase sempre dispomos de várias definições operacionais, ou formas de operacionalizar,
uma variável. Para definir operacionalmente a variável "personalidade", contamos com
ersas alternativas quantitativas e qualitativas; os testes psicométricos, como as diferentes
- es do mencionado MMPI; testes projetivos (qualitativos), o teste de Rorschach ou o
e denominado técnica de apercepção temática (TAT); técnicas de entrevistas diretas
nas não estruturadas.
É possível medir a "ansiedade de uma pessoa" por meio da observação direta dos
cialistas, que julgam o nível de ansiedade dessa pessoa; com medições da atividade
istema psicológico (pressão arterial, respirações etc.) e analisando as respostas a um
Kerlinger (1979), em um sentido quantitativo, fala de definições operacionais de medida e experimentais. Por enquanto, nos ocupa-
remos com o primeiro tipo; em experimentos se falará também do segundo tipo.
FORMUlAÇÃO DE HIPÓTESES
~.
5
o-
METODOLOGIA DE PESQUISA•
questionário de ansiedade (Reynolds, 1986, p. 52). A aprendizagem de um aluno durante
uma pesquisa se mediria utilizando-se vários exames, um trabalho, ou uma combinação de
exames, trabalhos e práticas.
Inclusive, há provas que apresentam um componenteou uma parte quantitativa e
outra qualitativa, esse é o instrumento para medir o propósito de vida: PIL.
Nas projeções macroeconôrnicas, costuma ser útil combinar estatísticas disponíveis
projeções quantitativas com sessões de enfoque qualitativas, as quais reúnem economistas
especialistas.
Na física, em que é mais comum utilizar definições operacionais quantitativas, às
vezes um componente qualitativo ajuda a avaliar melhor as variáveis.
Quando o pesquisador dispõe de várias alternativas para definir operacionalmen
uma varidvel, deve escolher aquela que proporciona mais informação sobre a variáv
capte melhor sua essência, se adapte melhor ao seu contexto e seja mais precisa ou ampla
conforme o caso, ou ainda, uma mistura das alternativas.
Os critérios para avaliar uma definição operacional são basicamente quatro: adequaçã
ao contexto, capacidade para captar os componentes da varidvel de interesse, confiabilidade.
validade. No Capítulo 9, na seção que trata da elaboração dos instrumentos de coleta de
dados, serão discutidos em mais detalhes os critérios. Uma correta seleção das definiçõ
operacionais disponíveis ou a criação da própria definição operacional está relaciona
com adequada revisão da literatura. Quando esta é cuidadosa, tem-se uma gama m '-
ampla de definições operacionais para serem escolhidas ou mais idéias para criar uma nov:
definição.
Nos estudos, geralmente temos várias variáveis e, portanto, serão formuladas diver
definições conceituais e operacionais.
Na formulação de hipóteses ou antes da coleta dos dados é sugerido como as va-
riáveis deverão ser operacionalizadas, mas é na etapa correspondente à elaboração d
instrumentos de coleta dos dados que são selecionados, projetados e adaptados ao con-
texto do estudo.
Não há necessidade da definição conceitual de algumas variáveis no relatório
pesquisa, porque essa definição é relativamente óbvia e compartilhada. O próprio título
variável já define, por exemplo, "sexo" (diferente de prática sexual), "idade", "renda". Ma.5
são poucas as variáveis que não precisam de uma definição operacional para serem avalia
de maneira empírica, quando no estudo não são formuladas hipóteses. Sempre que houver
variáveis, estas devem ser definidas operacionalmente. Na Figura 6.6 é mostrado o exempl
de uma hipótese quantitativa com as correspondentes definições operacionais das variáveis
que a integram.
O questionário de motivação intrínseca seria desenvolvido e adaptado ao contexto d
estudo na fase do processo de pesquisa denominada elaboraçãodos instrumentos de coleta dos
dados, o mesmo ocorreria com o procedimento para medir a "ausência no trabalho".
No caso dos estudos qualitativos, é possível que as variáveis sejam selecionadas durante
a primeira imersão no campo ou no contexto da pesquisa, e sejam definidas posteriormente
ainda que por tentativa, tanto de maneira conceitual como operacional, antes de coletar o
dados. Portanto, também durante essa fase as variáveis podem a ser objeto de modificaçã
ou ajuste e, em conseqüência, também suas definições.
Quanto maior a motivação intrínseca, menor a ausência no trabalho."
"Motivação intrínseca no trabalho."
1
"Ausência no trabalho."
1
Definições
conceituais:
"Estado cognitivo que reflete o grau
que um trabalhador atribui à força de
seu comportamento no trabalho nas
satisfações ou nos benefícios obtidos das
tarefas desenvolvidas no trabalho, ou seja,
sucessos que não são imediatos derivados
a urna fonte externa às tarefas do trabalha-
dor. Este estado de motivação pode ser
apontado como uma experiência
auto-satisfatória. "
"O grau no qual o
trabalhador não se
apresenta para
trabalhar na hora
em que estava
programado
f '1 "para aze-io.
Definições
operaClOnaJS:
"Auro-relaro de motivação intrínseca
(questionário auro-administrado) do
Inventário de Características do Trabalho,
versão mexicana."
"Revisão do cartão
de ponto."
~ este ponto da pesquisa, é necessário analisar se é conveniente formular ou não hipó-
teses, dependendo do enfoque do estudo (quantitativo, qualitativo ou misto) e seu tipo
inicial (exploratório, descritivo, correlacional ou explicativo),
As hipóteses são proposições sobre as relações entre duas ou mais variáveis e se sustentam
em conhecimentos organizados e sistematizados .
.As hipóteses são o centro do enfoque quantitativo-dedutivo.
As hipóteses contêm variáveis, estas são propriedades cuja variação é suscetível a
medição, observação, inferência ou dedução.
As hipóteses surgem normalmente da exposição do problema e da revisão de literatura,
e algumas vezes de teorias. Ainda é possível que sejam resultado da situação e da coleta
dos dados.
As hipóteses contêm variáveis e devem se referir a uma situação, um contexto, um
ambiente ou um evento empírico. Para o enfoque quantitativo, as variáveis devem ser
precisas, concretas e passíveis de observação na realidade; a relação entre as variáveis
deve ser clara, verossímil e mensurável. Do mesmo modo, as hipóteses têm de estar
vinculadas com técnicas que possam prová-Ias.
FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES
~
ê'
5
o-
Exemplo de
uma hipótese
com definições
conceituais e
operacionais de
suas variáveis
Figura 6.6
•••••
RESUMO
METODOLOGIA DE PESQUISA•
b) Hipóteses correlacionais
r::Multivariadas
• O enfoque quantitativo nem sempre gera hipóteses e quase sempre seu objetivo essen .
não é prová-Ias.
• Dependendo do tipo de estudo (exploratório, descritivo, correlacional ou explicativo
do enfoque (quantitativo, qualitativo ou uma mistura de ambos), o pesquisador deci
ou não estabelecer hipóteses. De qualquer enfoque, nos estudos exploratórios não
estabelecem hipóteses. Nas pesquisas qualitativas muitas vezes ashipóteses são estabeleci
ou sugeridas depois da imersão inicial no campo ou da coleta dos dados, ainda q
às vezes nesse tipo de estudo é possível criar hipóteses com um tipo correlacional
explicativo. Quando mesclamos os enfoques quantitativo e qualitativo, fixar ou -
hipóteses depende do grau de presença do componente quantitativo.
• k hipóteses a partir do enfoque quantitativo se classificam em: a) hipóteses de pesq
b) hipóteses nulas e c) hipóteses alternativas.
• Nesse mesmo enfoque, por sua vez, as hipóteses de pesquisa são classificadas da seguin
maneira:
a) Hipóteses descritivas do valor de variáveis que será observado em um contexto.
Hipóteses que estabelecem
simplesmente relação entre
as variáveis.
Hipóteses que
estabelecem como é a
relação entre as variáveis
(hipóteses direcionais)
[
Bivariadas
Multivariadas
c) Hipóteses da diferença de grupos
Hipóteses que especificam qual grupo
(dos que se comparam) apresenta a
diferença
Hipóteses que só estabelecem relação
entre os grupos que serão comparados
d) Hipóteses causais
Multivariadas
Bivariadas
• Hipóteses com diversas variáveis
independentes e uma dependente
• Hipóteses com uma variável
independente e várias dependentes
• Hipóteses com diversas variáveis tanto
independentes como dependentes
• Hipóteses com presença de variáveis
intervenientes
• Hipóteses altamente complexas
. erando que as hipóteses nulas e as alternativas são derivadas das hipóteses de
elas podem ser classificadas, mas com os elementos que as caracterizam.
'teses estatísticas se classificam em: a) hipóteses estatísticas de estimativa, b)
es estatísticas de correlação, c) hipóteses estatísticas das diferenças de grupos. São
de estudos quantitativos.
a pesquisa podem ser formuladas uma ou várias hipóteses de tipos diferentes.
o do enfoque dedutivo-quantitativo, as hipóteses contrastam com a realidade
aceitação ou rejeição em um contexto determinado.
ipóteses constituem as diretrizes de uma pesquisa.
rmulação de hipóteses é acompanhada das definições conceituais e operacionais das
. veis da hipótese.
pesquisas que não podem formular hipóteses porque o fenômeno aser estudado é
onhecido ou não há informação para estabelecê-Ias (mas ele só ocorre nos estudos
~ mô.\,{)\,\,Ç)'i, e, ~'ffi. 'ó\."b\).\\''i, ~'i,\.\).c..Ç)'::.c..1:.'::."\'\\'\'1Ç)'::.\, '::.I:.\êm. ,\\\'lli\.\.\.ê..\'\''1Ç)'i:. Ç)\l. ,\\l.ô.\\.\.ê..\'\,~Ç)'i:.,
l' amoém há.pesquisas que não têm com oojeúvo esta'oe\ecer ou não uevem esta'oe\ecer
hipóteses, se o enfoque é qualitativo.
Definição conceitual
Definição operacional
Enfoque qualitativo
Enfoque quantitativo
Hipóteses
Hipótese alternativa
Hipóteses causais bivariadas
Hipóteses causais
multivariadas
Hipóteses correlacionais
Hipóteses de pesquisa
Hipóteses da diferença de
grupos
Hipóteses descritivas do
valor de variáveis
Hipótese estatística
Hipótese estatística de
correlação
Hipótese estatística de
diferença de grupos
Hipótese estatística
de estimativa
Hipótese nula
Teste de hipóteses
Tipo de hipótese
Variável
Variável dependente
Variável independente
Variável intervenienre
1. Procure por meio físico ou eletrônico um estudo qualitativo e observe se ele contém ou
não hipóteses e responda: é justificado que a pesquisa tenha ou não estabelecido hipóteses?
Por quê? A escolha do pesquisador foi adequada?
2. Procure um estudo em que, na coleta de dados, tenha utilizado um método qualitativo
como entrevistas abertas, observação não estruturada, grupos de discussão etc., e que haja
estabelecido hipóteses. Foi con:,eniente estabelecer hipóteses? Que papel desempenharam
as hipóteses nessa pesquisa?
3. Leia as instruções de um estudo qualitativo e formule, pelo menos, uma hipótese para
futuras pesquisas. Qual enfoque deve ser seguido?
to
FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES
~.•
o
ao
••
m""
CONCEITOS
BÁSICOS
Exercícios
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Formulação de
hipóteses
Figuro 6.1
4. A hipótese "As crianças de 4 a 6 anos que vêem televisão por muitas horas desenvolvem
maior vocabulário que as crianças que vêem menos televisão".
:É uma hipótese de pesquisa _
5. A hipótese "As crianças de zonas rurais do Estado do Rio Grande do Sul vêem três horas
de televisão em média".
:É uma hipótese de pesquisa _
6. Redija uma hipótese de diferenças de grupos e indique quais são as variáveis integradas.
7. Que tipo de hipótese é a seguinte?
"Amotivação intrínseca em relação ao trabalho por parte de executivos de grandes empresas
influi em sua produtividade e em sua ascensão profissional dentro da organização."
8. Formule as hipóteses que correspondem à Figura 6.7.
9. Formule as hipóteses nula e alternativa que corresponderiam à seguinte hipótese de pesquisa.
Hi: "Quanto mais assertiva for uma pessoa em suas relações interpessoais íntimas, maior
número de conflitos verbais terá."
10. Detecte as variáveis do exemplo relativo à moda e à mulher mexicana.
11. Formule uma hipótese e defina conceitual e operacionalrnente suas variáveis, de acordo
com o problema que está sendo exposto nos exercícios anteriores do livro.
IL__ A_p_a_ti_a_J
f-_ ..•.~nU(rição
I
Retard~ mental~l Marginalidadesocioeconômica
~aixas defesas do
L~l
r-------~. r-~---~--~
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ras
NELL, R. M. SociaL work research 6- evaLuation: quantitarive and qualitative approaches. 5. ed. Itasca,
lllino\s·. Peacock Pub\.\snets, 1997.
A TELEVISÃO E A CRIANÇA
Algumas hipóteses que poderiam ser formuladas são:
Hi: "As crianças da Cidade do México vêem, em média, mais de três horas diárias de
televisão."
Ho: "As crianças da Cidade do México não vêem, em média, mais de três horas diárias de
televisão."
Ha: "As crianças da Cidade do México vêem, em média, menos de três horas diárias de
televisão."
Hi: "O meio de comunicação de massa mais utilizado pelas crianças da cidade de São Paulo
é a televisão."
Hi: "Quanto maior a idade, maior o uso de televisão."
Hi: "As crianças da Cidade do México vêem mais televisão durante a semana que nos fins
de semana."
Hi: "Os meninos e as meninas diferem em relação aos conteúdos televisivos preferidos."
O CONTÁGIO DA AIDS
Hi: "O tempo que aspessoas infecradas pelo HIV por transfusão sangüínea levam para desen-
volver aAids é menor que nas pessoas que adquirem o vírus por relação sexual."
Hi: "O tempo que a Aids leva para se desenvolver varia de acordo com a idade."
Hi: "Os sintomas do desenvolvimento da Aids serão diferentes entre os infectados por
transfusão e os infectados por relação sexual."
A MODA E AS MULHERES MEXICANAS
o caso sobre a moda e as mulheres mexicanas é importante comentar que o estudo se iniciou
como exploratório e qualitativo e, por conseguinte, "sem estabelecimento de hipóteses".
Depois se elaborou o problema de pesquisa (objetivos, questões e justificativas) e se desenhou
um estudo misto (quantitativo-qualitativo), que foi iniciado como descritivo e terminou
como causal. Para ambos os enfoques algumas hipóteses foram estabelecidas. Por razão de
espaço somente incluiremos as seguintes:
FORMULAÇÃO DE HIPÓnscs
s
ê·
5
o-
..
Exemplos
METODOLOGIA DE PESQUISA•
Hi: "A moda para a mulher é determinada basicamente pela estação, o que implica a
mudança de estações do ano, as marcas e a comodidade."
Hi: "Quanto mais velha a mulher, maior a preferência pela compra de suas roupas nas lojas
do nosso cliente que nas lojas da concorrência."
Hi: "As mulheres preferem os pijamas casuais que os pijamas formais, e os fatores que
determinam sua escolha são o sentimental e a comodidade."
Essa última, por causa das entrevistas abertas revelou que mais que usar pijamas formais
preferem usar os pijamas dos seus maridos (as casadas), camisetas (camisetas grandes), calças
(conjuntos esportivos), macacões curtos, o chinelo do namorado, pijamas curtos, cueca ou
dormir sem pijama.
Uma das principais qualidades que um pesquisador deve ter é a curiosidade, ainda que também
necessite da observação,para que seja capaz de detectar idéias que o motivem a pesquisar sobre elas.
Não importa se a pesquisa é básica ou aplicada, um bom trabalho é aquele no qual a equipe
especialista coloca todo o seu empenho na busca de conhecimento ou soluções, mantendo
sempre a objetividade e a mente aberta para tomar as decisões adequadas.
Nas pesquisas de caráter multidisciplinar, quando o propósito é encontrar a verdade a partir
de diferentes ângulos do conhecimento, é possível misturar os enfoques quantitativo e qualitativo,
já que no enfoque aplicado, cada ciência tem seus próprios métodos, categorias e especialidade.
Apesar da pesquisa realizada no meu país ainda não ser suficiente, a qualidade sempre
pode ser melhorada. Para promover projetos em todas as áreas, é necessário o trabalho conjunto
das universidades, do governo e da indústria.
GLADYS ARGENTINA PlNEDA
Professora em tempo integral
Faculdade de Engenharia
Universidad Católica Nuestra Seiiora de Ia Paz
Tegucigalpa, Honduras
Na pesquisa, o estudante deve aplicar ações para descartar hipóteses desnecessárias e sair do
empirismo mal-entendido. O docente facilitará essa tarefa se orientá-lo quanto ao desenvolvimento
e início de um projeto.
Uma boa pesquisa será obtida à medida que o especialista tenha bem claro o que quer
fazer, suas idéias, suas resoluções e sua visibilidade.
ERJC DEL ROSARIO J.
Diretor de RelaçõesPúblicas
Universidad Tecnológicade Panamá
Professorde Publicidade
Universidad Interamericana de Panamá
Professorde Marketing, Publicidade e Vendas
Columbus University de Panamá
Panamá
Para quem seguiu a modalidade da pesquisa quantitativa, além de apresentar um projeto
coleta e análise de dados com pouca margem de erro, a produção de dados estatísticos permite
trolar a geração de respostas e obter resultados positivos, caso conte com recomendações
melhorar os trabalhos quantificáveis.
O avanço em pesquisa qualitativa tem sido de reforço, já que esta tem alternativas, o que
ocorre com a recompilação de dados matemáticos exatos.
Cada modelo experimentallevou em conta os elementos que são mais convenientes para
atividade, e ambos podem ser misturados, por exemplo, quando em um projeto de pu-
idade ou técnica mercadológica é necessário definir uma série de problemas primários e
dários, tal conjunção permitirá obter melhores resultados.
Para realizar pesquisas de mercado, utilizo um pacote de análises qualitativo, algo que muita
te vê como uma operação para obter informação e dados, com o que estou de acordo, porque
do os resultados não são favoráveis se reforça a idéia da utilidade limitada de tal pesquisa.
Também apliquei a análise qualitativa em temas propagandísticos e acadêmicos. No
á, esse tipo de pesquisa se utiliza principalmente em nível comercial e para combater as
iões políticas.
10. Paz
je mais do que nunca são necessários novos conhecimentos que permitam a tomada de
isões a respeito dos problemas sociais, o qual só pode ser conseguida por meio de pesquisa.
Para ter êxito na conclusão de um projeto, é necessário começar com uma boa exposição
problema e, dependendo do tipo de estudo, definir seu enfoque.
Algumas pesquisas, como as de mercado e as de negócio, tratam, de maneira conjunta, de
ctos qualitativos e quantitativos. Em tais casos, são utilizados ambos os enfoques, sempre e
do seja de maneira complementar.
e sair do
enro
MARfA TERESA BUITRAGO
Departamento de Economia
Universidad Autónoma de Colombia
Manizales, Colômbiaque quer
FOIlMUlAÇÃO DE HIPÓTESES
;.•
o...