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Autora: Profa. Ivy Judensnaider
Métodos de Pesquisa
Professora conteudista: Ivy Judensnaider
Natural e residente em São Paulo, formou-se economista pela Faculdade de Economia da Fundação Armando 
Alvares Penteado (1981), mestre em História da Ciência pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2004) e 
doutoranda no Programa de Ensino de Ciências e Matemática da Unicamp. Atualmente, é professora da UNIP nos 
cursos de Ciências Econômicas.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
J92m Judensnaider, Ivy.
Métodos de Pesquisa / Ivy Judensnaider. – São Paulo: Editora 
Sol, 2023.
132 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230.
1. Pesquisa. 2. Projeto. 3. Comunicação. I. Título.
CDU 001.8 
U518.54 – 23
Profa. Sandra Miessa
Reitora
Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo
Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini
Vice-Reitora de Administração e Finanças
Prof. Dr. Paschoal Laercio Armonia
Vice-Reitor de Extensão
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora das Unidades Universitárias
Profa. Silvia Gomes Miessa
Vice-Reitora de Recursos Humanos e de Pessoal
Profa. Laura Ancona Lee
Vice-Reitora de Relações Internacionais
Prof. Marcus Vinícius Mathias
Vice-Reitor de Assuntos da Comunidade Universitária
UNIP EaD
Profa. Elisabete Brihy
Profa. M. Isabel Cristina Satie Yoshida Tonetto
Prof. M. Ivan Daliberto Frugoli
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Material Didático
Comissão editorial: 
 Profa. Dra. Christiane Mazur Doi
 Profa. Dra. Ronilda Ribeiro
Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista
 Profa. M. Deise Alcantara Carreiro
 Profa. Ana Paula Tôrres de Novaes Menezes
Projeto gráfico: Revisão:
 Prof. Alexandre Ponzetto Kleber Souza
 Ricardo Duarte
Métodos de Pesquisa
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................8
Unidade I
1 MÉTODO, METODOLOGIA E PESQUISA: CONCEITOS E DEFINIÇÕES ............................................. 11
2 OS DIFERENTES TIPOS DE PESQUISA ....................................................................................................... 12
3 EXPLORANDO E DETALHANDO OS MÉTODOS DE PESQUISAS QUALITATIVAS......................... 22
3.1 A análise do discurso .......................................................................................................................... 23
3.2 Os estudos de caso .............................................................................................................................. 25
3.3 Os estudos culturais e etnográficos .............................................................................................. 31
3.4 A pesquisa-ação .................................................................................................................................... 35
3.5 Os experimentos ................................................................................................................................... 38
3.6 A pesquisa documental ...................................................................................................................... 43
3.7 A pesquisa bibliográfica ..................................................................................................................... 45
4 EXPLORANDO E DETALHANDO OS MÉTODOS DE PESQUISAS QUANTITATIVAS ..................... 49
4.1 Os surveys ................................................................................................................................................ 49
4.2 Os web surveys (ou online surveys) .............................................................................................. 62
Unidade II
5 O PROJETO DE PESQUISA ............................................................................................................................. 71
5.1 A escolha do tema ............................................................................................................................... 72
5.2 A problematização ............................................................................................................................... 74
5.3 A formulação da hipótese ................................................................................................................ 76
5.4 A identificação de objetivos ............................................................................................................. 77
5.5 Os métodos e as técnicas: as escolhas metodológicas ......................................................... 78
5.6 A justificativa ......................................................................................................................................... 80
5.7 O referencial teórico............................................................................................................................ 81
5.8 O cronograma de atividades ............................................................................................................ 89
5.9 As referências ......................................................................................................................................... 91
5.10 Outros elementos do projeto ........................................................................................................ 91
6 ASPECTOS ÉTICOS ENVOLVIDOS EM PESQUISAS CIENTÍFICAS ...................................................... 92
7 A APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DE UMA PESQUISA: 
A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA PARA A COMUNIDADE ACADÊMICA .............................................. 96
8 A APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DE UMA PESQUISA: 
A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA PARA A COMUNIDADE NÃO ACADÊMICA .................................114
Sumário
7
APRESENTAÇÃO
Prezado aluno,
O livro-texto que aqui apresentamos servirá de apoio ao estudo da disciplina Métodos de Pesquisa. 
Note que ele está dividido em duas unidades. Em cada uma delas será possível encontrar:
• textos explicativos que elucidam a matéria;
• resumos do conteúdo estudado;
• exercícios comentados;
• tópicos para refletir, em que o convidamos a pensar sobre assuntos da atualidade;
• a seção saiba mais, em que indicamos filmes e livros que, de alguma forma, complementam 
os temas investigados; não deixe de explorar essas sugestões: garantimos a ampliação do seu 
conhecimento sobre os temas apresentados, o que será extremamente útil, não apenas na questão 
específica da disciplina, mas na sua vida profissional;
• lembretes que trazem anotações pontuais que o remetem a alguma informação já conhecida;
• observações que apresentam apontamentos que chamam sua atenção para algum ponto que 
merece ser destacado sobre o assunto em desenvolvimento – são recursos que reforçam algumas 
questões que quisemos salientar.
Na unidade I, você entrará em contato com os conceitos de metodologia, método e pesquisa. Em 
seguida, refletirá sobre os diferentes tipos de pesquisa e de métodos, e poderá compreender as principais 
características dos métodos quantitativos e qualitativos; para que possa decidir sobre quais métodos 
utilizar, traremos exemplos e aplicações de estudos do tipo survey, grupos focais, estudos de caso, 
observação e pesquisa-ação. Também investigaremos os experimentos, a análise do discurso, os estudos 
sobre estado da arte e, finalmente, os estudos documentais, culturaisassociação estruturada de indivíduos; 
o oikos, o ambiente natural e cósmico dentro do qual o homem se encontra 
a atuar; o chronos, o tempo, condição ao longo da qual, em continuidade de 
sucessão, se desenvolve a atividade humana.
O processo cultural ocorre por meio da ação dos quatro fatores, já que a ação de uma única pessoa 
deve ser apropriada pela coletividade para que se transforme em parte do patrimônio comum a todos. 
Por isso, o trabalho de campo requer visitar os domicílios, acompanhar a rotina do grupo que está 
sendo estudado, observar o comportamento e os rituais tradicionais; tal procedimento torna essencial, 
portanto, que haja “sensibilidade do pesquisador diante das situações com as quais se depara e da 
interação que estabelece com a população em estudo” (Lima et al., 1996, p. 24).
Os autores (1996, p. 25-26), com base nos trabalhos de outros pesquisadores, resumem as etapas de 
realização de um estudo etnográfico.
 
1) Exploração: envolve a seleção e definição de problemas, a escolha do local 
onde será feito o estudo e o estabelecimento de contatos para a entrada no 
campo. Nesta fase, são realizadas as primeiras observações com a finalidade 
de adquirir maior conhecimento sobre o fenômeno e possibilitar a seleção 
de aspectos que serão mais sistematicamente investigados. Essas primeiras 
indagações orientam o processo da coleta de informações e permitem a 
formulação de uma série de hipóteses que podem ser modificadas à medida 
que novos dados vão sendo coletados.
2) Decisão: consiste numa busca mais sistemática daqueles dados que o 
pesquisador selecionou como os mais importantes para compreender e 
33
MÉTODOS DE PESQUISA
interpretar o fenômeno estudado. Assim, os autores, citando Wilson (1977), 
afirmam que os tipos de dados relevantes são: forma e conteúdo da interação 
verbal dos participantes; forma e conteúdo da interação verbal com o 
pesquisador; comportamento não verbal; padrões de ação e não ação; traços, 
registros de arquivos e documentos. Os tipos de dados coletados podem 
mudar durante a investigação, pois as informações colhidas e as teorias 
emergentes devem ser usadas para dirigir a subsequente coleta de dados.
3) Descoberta: consiste na explicação da realidade; isto é, na tentativa de 
encontrar os princípios subjacentes ao fenômeno estudado e de situar as 
várias descobertas num contexto mais amplo. Deve haver uma interação 
contínua entre os dados reais e as suas possíveis explicações teóricas 
permitindo estruturação de um quadro teórico, dentro do qual o fenômeno 
pode ser interpretado e compreendido.
A pesquisa etnográfica com observação participante requer alguns cuidados por parte do pesquisador, 
que precisa ter claro o seguinte:
• Quais são as características do grupo a ser observado?
• Quais são os valores e a cultura do grupo do qual o pesquisador fará parte?
• Quais os limites da ação do pesquisador? Até que ponto ele poderá se envolver ou tomar parte de 
decisões do grupo?
Figura 9 – Na pesquisa etnográfica, o pesquisador deve afastar-se do 
grupo com a mesma delicadeza que usou para dele se aproximar. Afinal, ele 
integrou-se à comunidade e passou a fazer parte da vida dela
Disponível em: https://shre.ink/24di. Acesso em: 18 dez. 2020.
São muitas as variáveis envolvidas em um estudo de observação participante etnográfica. Valladares 
(2007) escreveu uma resenha sobre o trabalho de Whyte (1914-2000), um sociólogo americano que foi 
pioneiro em estudos de observação participante, em particular para a investigação de aspectos sociais 
em comunidades urbanas. Na década de 1930, durante três anos, Whyte observou uma área pobre da 
34
Unidade I
cidade de Boston, com a ajuda de outro pesquisador. Entre os “mandamentos” sugeridos por Whyte 
para a realização de uma observação participante, destacam-se: rigoroso planejamento dos passos a 
serem executados; flexibilidade por parte do pesquisador (que não tem como controlar os eventos); 
consciência de que ele, pesquisador, é um elemento estranho ao ambiente; auxílio de um intermediário 
que possa colaborar no contato com o grupo e que atue como assistente; consciência de que, além 
de observar, o pesquisador é observado; generosidade no contato com o grupo, de forma a escutar 
e ouvir; desenvolvimento de uma rotina de trabalho; capacidade de aprender com os próprios erros; 
compreensão de que nem todos os resultados poderão/serão divididos com o grupo observado.
 Saiba mais
A fim de conhecer melhor acerca do tema, leia a seguinte resenha:
VALLADARES, L. Os dez mandamentos da observação participante. 
Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 22, n. 63, p. 153-155, 
fev. 2007. Disponível em: https://shre.ink/238q. Acesso em: 31 ago. 2023.
Caso queira aprofundar os conhecimentos sobre pesquisas etnográficas 
com observação participante, sugerimos algumas leituras:
MICHEL, T.; LENARDT, M. H. O trabalho de campo etnográfico em instituição 
de longa permanência para idosos. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, 
v. 17, n. 2, p. 375-380, 2013. Disponível em: https://shre.ink/24Lr. Acesso em: 
31 ago. 2023.
Nesse texto os autores, no campo da saúde, mostram os resultados do 
seu trabalho em uma instituição de longa permanência para pessoas idosas. 
Eles relatam com detalhes os procedimentos, bem como as dificuldades 
encontradas ao longo da pesquisa.
Outro exemplo interessante de pesquisa etnográfica a partir de 
observação participante é:
ROCHA, A. L. C.; ECKERT, C. Etnografia de rua: estudo de antropologia urbana. 
Rua: Revista do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade da Unicamp, 
Campinas, n. 9, p. 101-127, 2003. Disponível em: https://shre.ink/23Uh. Acesso 
em: 31 ago. 2023.
Aqui foi realizado um estudo etnográfico baseado em narrativas 
poéticas e visuais nas cidades de Porto Alegre (Brasil) e Paris (França); os 
pesquisadores utilizaram instrumentos audiovisuais, buscando identificar 
formas de relacionamento social no meio urbano e suas variações culturais.
35
MÉTODOS DE PESQUISA
3.4 A pesquisa-ação
A pesquisa-ação é outro método aplicado em pesquisas qualitativas que, aparentemente, tem pontos 
de convergência com as técnicas de observação participante, já que se propõe a investigar um fenômeno 
ou situação no seu ambiente natural. No entanto, ela difere desta outra em função de ter como objetivo 
desenvolver uma ação com a intenção declarada de transformar a realidade. Veja bem: na observação 
participante, mesmo quando inserido no ambiente de pesquisa, o investigador deve agir de forma neutra. 
Na pesquisa-ação, em contrapartida, o pesquisador pode – e deve – intervir na realidade. “Ao enveredar 
por esse caminho, a pesquisa-ação conduz a uma nova postura e a uma nova inscrição do pesquisador na 
sociedade” (Barbier, 2004, p. 17). O pesquisador é, acima de tudo, um interventor e um agente de mudança. 
De forma resumida, a pesquisa-ação tem sua realização orientada para dois objetivos:
 
1. Objetivo prático (ou de resolução de problemas): a pesquisa-ação visa 
contribuir para o equacionamento do problema central na pesquisa, a partir 
de possíveis soluções e de propostas de ações que auxiliem os agentes (ou 
atores) na sua atividade transformadora da situação.
2. Objetivo de conhecimento (ou de tomada de consciência): a pesquisa-ação 
propicia que se obtenham informações de difícil acesso por meio de outros 
procedimentos e, assim, possibilita ampliar o conhecimento de determinadas 
situações. Desse item, são exemplos da pesquisa: reivindicações dos professores; 
suas representações, dos alunos e da sociedade sobre a profissão, sobre 
os alunos, sobre as questões pedagógicas; suas capacidades de ação ou 
mobilização etc. (Thiollent, 1994 apud Pimenta, 2005, p. 532).
Em função do seu caráter intervencionista, a pesquisa-ação insere-se no plano das próprias práticas 
políticas, já que facilita a decisão e cria as condições para que essa decisão materialize-se no campo 
da realidade. Por isso mesmo, há quem discuta o caráter puramente “científico”da pesquisa-ação, já 
que ela se propõe a ir além da mera construção do conhecimento. Em contrapartida, os defensores 
da pesquisa-ação afirmam que esta modalidade põe em debate a própria noção de construção do 
conhecimento e o papel do cientista:
 
Se por muito tempo o papel da ciência foi descrever, explicar e prever os 
fenômenos, impondo ao pesquisador ser um observador neutro e objetivo, 
a pesquisa-ação adota um encaminhamento oposto pela sua finalidade: 
servir de instrumento de mudança social. Ela está mais interessada no 
conhecimento prático do que no conhecimento teórico. Os membros de 
um grupo estão em melhores condições de conhecer sua realidade do que 
as pessoas que não pertencem ao grupo. A mudança na pesquisa clássica, 
quando há lugar para isso, é um processo concebido de cima para baixo. [...] 
A produção do conhecimento pode ser independente e distinta do progresso 
social. Contrariamente, a pesquisa-ação postula que não se pode dissociar 
a produção de conhecimento dos esforços feitos para levar à mudança 
(Barbier, 2004, p. 53).
36
Unidade I
Como Tripp (2005, p. 445) afirma, na pesquisa-ação “planeja-se, implementa-se, descreve-se e 
avalia-se uma mudança para a melhora de sua prática, aprendendo mais, no correr do processo, tanto a 
respeito da prática quanto da própria investigação”. Por conta dessa característica tão distinta de outras 
estratégias de pesquisa, a pesquisa-ação apresenta diferenças marcantes em relação à abordagem 
científica clássica. A seguir, resumimos as distinções quanto à maneira usual de se planejar e executar 
uma investigação no campo da ciência.
Quadro 2 – A pesquisa clássica e a pesquisa-ação: quadro 
comparativo
Etapa da pesquisa Pesquisa clássica Pesquisa-ação
Formulação de problemas 
de pesquisa e hipóteses de 
trabalho
A pesquisa clássica tem como origem 
um problema bem definido (uma 
pergunta que deverá ser respondida) 
e uma hipótese de trabalho clara 
(uma resposta supostamente correta 
para a pergunta que foi realizada)
A pesquisa-ação não formula hipóteses 
a priori. Nela, o problema já existe, porque 
está no grupo, e o pesquisador deve apenas 
determinar os elementos prioritários do 
problema por meio da conscientização do 
grupo que é mobilizado para a ação coletiva
Coleta de dados
A pesquisa clássica descreve a forma 
de coletar os dados, esclarecendo 
quanto às fontes de dados, à amostra 
a ser utilizada, aos instrumentos de 
investigação etc.
As questões são as da coletividade, não 
sendo suficiente investigar uma amostra.
Os instrumentos de coleta de dados são 
mais interativos, já que envolvem o contato 
e o aprofundamento das relações com o 
grupo e com o ambiente
Tratamento dos dados
O pesquisador busca reduzir a 
influência de fatores externos na 
confiabilidade e validade dos seus 
dados
O pesquisador transmite os dados para a 
coletividade para tornar possível encontrar 
soluções aos problemas apresentados
Análise dos dados Em geral, é feita pelo pesquisador de 
forma reservada
A interpretação e a análise são resultado 
do esforço do grupo. O feedback – a 
comunicação dos resultados da pesquisa – 
é etapa fundamental da pesquisa-ação, já 
que faz parte do processo intervencionista 
da pesquisa
Adaptado de: Barbier (2004).
Há inúmeros casos de pesquisa-ação nas áreas da pedagogia, das ciências sociais aplicadas e da 
saúde. Em especial no caso da educação, a sua realização tem resultado em transformações profundas 
no ambiente da escola por meio de mudanças nas atitudes e crenças dos docentes.
Com base nesse contexto, Cezar (2014) realizou uma pesquisa-ação junto a uma amostra de 32 alunos 
da licenciatura em Matemática do Ifes, campus Vitória (27 calouros e 5 concluintes), como ponto de 
partida. A autora considerou que a ocorrência de problemas em relação aos processos de ensino e 
aprendizagem da construção dos números reais não era tratada com a devida relevância nos cursos de 
formação docente de Matemática. Por entender que não bastava desenvolver uma pesquisa que limitasse 
o pesquisador à simples observação, e que era fundamental que os sujeitos da pesquisa participassem 
de forma ativa e atuassem como protagonistas de um processo transformador, ela escolheu realizar 
uma pesquisa-ação. Tal opção permitiu que fossem desenvolvidas as construções dos campos racional, 
irracional e real de maneira que pesquisador e sujeitos agissem de forma colaborativa e participativa.
37
MÉTODOS DE PESQUISA
Figura 10 – A pesquisa-ação entende que a intervenção é 
um dos passos para a construção do conhecimento
Disponível em: https://shre.ink/24dj. Acesso em: 31 ago. 2023.
Lodi, Thiollent e Sauerbronn (2017) estão entre aqueles que criticam o uso da pesquisa-ação no 
campo da administração e contabilidade. Para os autores, este tipo de pesquisa não apenas busca 
compreender os processos sociais, mas pretende intervir neles e resolver problemas concretos, existentes 
e reais. Ainda segundo os autores, esta modalidade de pesquisa não é recomendada apenas em situações 
problemáticas, mas em quaisquer circunstâncias em que pesquisadores e sujeitos estabelecem um 
acordo em relação à construção do conhecimento sobre a realidade social.
Em função dessa característica, a realização de pesquisas-ação no campo empresarial torna-se 
complexa, já que nem sempre os objetivos dos que as realizam coincidem com os daqueles que são 
convidados a participar.
 
Thiollent (2005) considera que nenhuma pesquisa dentro do ambiente 
organizacional é feita sem o consentimento dos empresários e em muitos 
casos é orientada e financiada por eles. Nesse caso, o resultado da ação será, 
obviamente, aquele que for mais interessante para o gestor da organização. 
Em muitos casos as formas de engajamento dos sujeitos e de acesso às 
suas experiências vividas, assim como as intervenções desenvolvidas 
nas pesquisas em administração e contabilidade com uso de métodos 
participativos, passaram a deixar de lado a perspectiva democrática e 
transformativa. Uma análise crítica da aplicação da PA nas áreas de 
administração e contabilidade aponta para essa distorção: a pesquisa é 
aplicada aos interesses particulares de dirigentes em detrimento do proveito 
dos pesquisados (Lodi; Thiollent; Sauerbronn, 2017, p. 9).
38
Unidade I
Figura 11 – No campo da administração, há críticas quanto ao uso da pesquisa-ação, já que a 
pesquisa é aplicada para defender os interesses da empresa, e não os dos funcionários
Disponível em: https://shre.ink/24vR. Acesso em: 18 dez. 2020.
 Saiba mais
Para observar em detalhes as características básicas da pesquisa-ação, 
contextualizando seu surgimento e desenvolvimento enquanto estratégia 
de pesquisa, leia:
TRIPP, D. Pesquisa-ação: uma introdução metodológica. Educação e Pesquisa, 
São Paulo, v. 31, n. 3, p. 443-466, 2005. Disponível em: https://shre.ink/238K. 
Acesso em: 31 ago. 2023.
3.5 Os experimentos
Os métodos experimentais são também frequentes em pesquisas qualitativas. Segundo Kerlinger 
(2007), um experimento é uma pesquisa em que variáveis independentes são manipuladas e os resultados 
são verificados em dois grupos de sujeitos: o grupo experimental e o grupo de controle.
 Lembrete
Quando queremos investigar uma relação de causalidade, estabelecemos 
algo como “se x, então y”. A variável x é a variável independente; a y é a 
dependente, quer dizer, ela depende de x.
Imaginemos, então, a seguinte situação: um profissional de recursos humanos pretende realizar um 
experimento no qual possa testar o efeito de determinadas condições no desempenho de candidatos a 
uma vaga de trabalho. Por suposição, ele imagina que o nível de luminosidade do ambiente da sala pode 
39
MÉTODOS DE PESQUISA
afetar o comportamento do candidato. Assim, ele reúne um grupo de candidatos e, aleatoriamente, monta 
dois grupos. O grupo A fará entrevistas individuais em uma sala com a luminosidade bem reduzida (e este 
será o grupo experimental); o grupo B, em uma sala com condições normais de luminosidade (eeste será 
o grupo de controle). Como já percebido, o desempenho do candidato é a variável y, e a luminosidade 
é a variável x. Se x, então y, quer dizer, no nosso caso, se luminosidade baixa, desempenho baixo. Para 
ser o mais objetivo possível, o profissional de recursos humanos estabelece um roteiro de perguntas que 
exigem cálculos aritméticos simples, e mede o tempo para a resposta e a quantidade de acertos: estes 
serão os indicadores de desempenho. Dessa forma, o profissional poderá verificar a existência ou não de 
desempenhos distintos em função de condições distintas de luminosidade na sala.
A realização de experimentos exige, portanto, alguns cuidados: identificação precisa das variáveis 
dependentes e independentes, mecanismos precisos para medir as variáveis, e possiblidade de criar as 
condições experimentais necessárias (a formação de um grupo de controle e um grupo experimental). 
É importante mencionar esses requisitos, já que nem sempre é possível identificar com clareza quais são 
as variáveis, tampouco planejar uma forma de mensurar os efeitos do experimento. Ainda, nem toda 
situação é passível de ser organizada sob a forma de um experimento.
Na pesquisa experimental, determina-se “um objeto de estudo, selecionam-se as variáveis que seriam 
capazes de influenciá-lo, definem-se as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável 
produz no objeto” (Silva; Menezes, 2001, p. 21); de forma simplificada, é assim que caracterizamos essa 
modalidade de pesquisa qualitativa. Na maior parte das vezes, especialmente nas áreas da saúde, elas 
são realizadas em laboratórios, locais em que “o pesquisador interfere diretamente no fenômeno que 
está sendo estudado por meio da manipulação e do controle das variáveis” (Zabella, 2013, p. 37).
No entanto, elas podem ser realizadas em “campo”, quer dizer, em ambientes nos quais as condições 
do experimento não precisam ser criadas artificialmente. Ainda, há experimentos que são realizados 
com dois grupos homogêneos (o grupo experimental e o grupo de controle) e há outros em que um 
mesmo grupo é observado antes e depois de determinada situação.
 Observação
No caso do nosso exemplo, um mesmo grupo participaria da entrevista: 
inicialmente, no ambiente ideal; depois, no ambiente com a luminosidade 
prejudicada.
Não à toa, o experimento é tido como uma das formas mais nobres de pesquisa. Kerlinger (2007, 
p. 124), um reconhecido e renomado psicólogo da área da educação, refletiu sobre a importância da 
pesquisa experimental da seguinte maneira:
 
Em geral pode-se acreditar mais nos resultados obtidos em pesquisas 
experimentais do que nos resultados de outras fontes de conhecimento. 
Colocando de forma diferente, dada a competência e dada a satisfação 
dos padrões e critérios científicos, pode-se acreditar mais nos resultados 
40
Unidade I
dos experimentos do que nos resultados de outros tipos de pesquisa. Este 
é o motivo primordial por que a pesquisa experimental é tão importante e 
por que os cientistas, podendo escolher, provavelmente farão experimentos. 
O experimento científico é uma das maiores invenções de todos os tempos. 
É também a fonte mais segura de conhecimentos e de compreensão dos 
fenômenos naturais, outras coisas mantidas constantes. Os motivos não 
são difíceis de compreender. O principal e central é expresso pela palavra 
“controle”. Num experimento bem conduzido, o controle é relativamente 
grande. Mas o que significa “controle” em um contexto experimental? 
Basicamente significa a definição, delimitação, restrição é isolamento das 
condições da situação de pesquisa de maneira a maximizar a confiança 
na validade empírica dos resultados. As possibilidades de explanações 
alternativas dos fenômenos em estudo são minimizadas.
Atualmente, dadas as dificuldades de montar grupos de controle e experimentais, bem como 
as de isolar as variáveis de estudo, os experimentos são mais utilizados nas áreas da saúde. Por 
exemplo, Taub et al. (2006, p. 293) realizaram um experimento com o objetivo de examinar aspectos 
neuropsicológicos de antigos trabalhadores de fábricas de lâmpadas fluorescentes que tivessem sido 
expostos ao vapor de mercúrio metálico. A hipótese de trabalho foi a de que esses colaboradores 
teriam desempenho pior do que os sujeitos do grupo de controle em uma série de testes. As autoras 
explicam, com detalhes, os procedimentos do experimento.
 
Foram submetidos à bateria de avaliação neuropsicológica 
26 ex-trabalhadores (20 homens e 6 mulheres) de fábricas de lâmpadas 
fluorescentes, encaminhados pelo Departamento de Medicina Legal, 
Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho da Faculdade de Medicina 
da Universidade de São Paulo e 20 indivíduos (18 homens e 2 mulheres) 
sem histórico de exposição crônica a agentes tóxicos, recrutados dentre 
os funcionários da USP, que constituíram o grupo de controle. Dados 
referentes à concentração de mercúrio urinário dos ex-trabalhadores foram 
coletados nos prontuários médicos do Hospital das Clínicas da Universidade 
de São Paulo. Foram utilizados como critério de exclusão histórico de 
distúrbios endócrinos ou metabólicos, lesão ou cirurgia cerebral, patologias 
vasculares, abuso de álcool ou outras drogas e tratamento prévio com 
agentes quelantes no grupo exposto. A média de tempo de aplicação do 
protocolo foi de aproximadamente uma hora e 30 minutos. O estudo foi 
aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Universidade de São Paulo 
e os voluntários foram informados sobre os objetivos e procedimentos da 
pesquisa e assinaram termo de consentimento informado.
Um dos experimentos mais intrigantes e ousados foi o realizado por Stanley Milgram no início 
da década de 1960, na Universidade Yale. A pergunta que norteou a pesquisa foi a seguinte: sob 
que condições pessoas normais se submeteriam à autoridade, mesmo que para realizar ações com 
as quais não concordassem? Essa questão surgiu em função das narrativas provenientes dos campos 
41
MÉTODOS DE PESQUISA
de concentração nazistas, contextos nos quais indivíduos aparentemente comuns haviam obedecido 
a ordens cruéis e desumanas. Um experimento foi delineado para responder à seguinte hipótese: 
“Se autoridade, então submissão”. Em termos básicos, Milgram queria descobrir qual autoridade seria 
forte o suficiente para que pessoas normais agissem de maneira anormal.
Para testar essa assertiva, ele imaginou uma situação na qual sujeitos experimentais aplicariam 
(falsos) choques em voluntários (supostamente inocentes) para que se pudesse testar a força da 
punição no processo de aprendizagem. Veja bem: os sujeitos que aplicaram os choques não sabiam 
que o equipamento elétrico não provocava choque algum; os voluntários, por sua vez, sabiam que o 
equipamento não provocava qualquer dano, mas fingiam sofrimento. Milgram informou os sujeitos 
experimentais que a pesquisa tinha a intenção de descobrir se punições diante de respostas erradas 
poderiam “estimular” os “aprendizes” na direção de respostas corretas. A situação, embora pareça 
absurda, consistia no seguinte procedimento: Milgram perguntava algo ao “aprendiz”; o “aprendiz” dava 
uma resposta errada; Milgram ordenava que o sujeito experimental aplicasse um choque no “aprendiz” 
e, a cada resposta errada, o choque, supostamente, deveria ser mais intenso.
Tal experimento pode gerar indignação! Afinal, “ninguém”, em condições normais, aceitaria aplicar 
um choque doloroso em outra pessoa, mesmo que a título de pesquisa. No entanto, os resultados do 
experimento foram surpreendentes: os indivíduos experimentais,
 
de forma consistente, demonstraram um alto índice de submissão 
à autoridade do pesquisador ao obedecerem à ordem de provocar 
choques elétricos, com a voltagem máxima, em indivíduos inocentes. 
Sobretudo em razão de suas consequências, o experimento tornou-se 
um dos mais impactantes e controversos das ciências humanas e sociais 
(Dahia, 2015, p. 227).
Assim, a anterior crença de que comportamentos abomináveis estariam,única e exclusivamente, 
relacionados a características individuais de personalidade sofreu um forte impacto: não era necessário 
que a pessoa fosse cruel para agir de maneira imoral; em determinadas circunstâncias, sob condições 
especiais, pessoas se submeteriam à autoridade e se comportariam de forma moralmente inadmissível. 
No caso do experimento de Milgram, o fato de a situação ter lugar em uma universidade de prestígio, 
bem como de a ordem ter sido emitida por um professor renomado, havia conseguido anular quaisquer 
impedimentos morais na aplicação de choques em pessoas inocentes. Como afirma Dahia (2015, p. 228),
 
como seria possível trair tão facilmente o senso moral, os caros valores 
humanitários, em favor de uma submissão cega a uma suposta autoridade 
científica? Em outros termos, por que seres humanos sensíveis e comuns 
tornaram-se agentes de dor e sofrimento em pessoas inocentes? A mais 
importante e mais contundente lição da pesquisa é a suposição de que a 
produção da crueldade humana se relaciona a determinados padrões de 
interação social de maneira muito mais significativa do que as características 
de personalidade dos indivíduos.
42
Unidade I
 Saiba mais
O experimento de Milgram não foi alvo de debates e críticas apenas em 
função dos seus resultados, mas dos métodos que o psicólogo utilizou para 
testar a sua hipótese. Afinal, do ponto de vista ético, é necessário reconhecer 
que os sujeitos experimentais foram expostos ao sofrimento emocional, 
durante e depois da pesquisa. Adiante, falaremos sobre os comitês de ética 
que normatizam e controlam experimentos que utilizem seres humanos 
e animais; por ora, deixamos como sugestão a reflexão sobre os limites 
éticos que Milgram pode ter ultrapassado na sua pesquisa, bem como a 
seguinte leitura:
DAHIA, S. L. M. Da obediência ao consentimento: reflexões sobre o 
experimento de Milgram à luz das instituições modernas. Sociedade e Estado, 
Brasília, v. 30, n. 1, p. 225-241, abr. 2015. Disponível em: https://shre.ink/24Hi. 
Acesso em: 31 ago. 2023.
Há também um filme a respeito do assunto:
O EXPERIMENTO de Milgram. Direção: Michael Almereyda. Estados 
Unidos: 2015. 98 min.
Figura 12 – O esquema apresentado mostra o modelo experimental adotado por Milgram. 
O indivíduo E é o entrevistador, o sujeito que dará ordem para que o sujeito S 
(o sujeito experimental) aplique os supostos choques no indivíduo A 
(um colaborador, que fingirá sentir dor a cada choque aplicado)
Disponível em: https://shre.ink/24v7. Acesso em: 31 ago. 2023.
43
MÉTODOS DE PESQUISA
Há inúmeros elementos a serem considerados previamente na elaboração e na execução de 
um experimento. Talvez por isso tal modalidade de pesquisa seja mais frequente nas áreas em que 
grupos experimentais e de controle possam ser rigorosamente montados e observados, bem como 
variáveis ser objetivamente manipuladas.
3.6 A pesquisa documental
A pesquisa documental é outra modalidade de pesquisa qualitativa e consiste na análise de algum 
material que ainda não recebeu qualquer tratamento analítico. Dessa forma, tabelas estatísticas, cartas, 
documentos pessoais ou oficiais, fotografias e vídeos podem ser objeto de pesquisa documental.
Embora muitos confundam a pesquisa documental com a pesquisa bibliográfica, é necessário 
distingui-las: esta faz uso de artigos ou textos de diversos autores sobre um determinado tema ou 
assunto; aquela tem como objeto documentos ainda não analisados, ou que foram analisados de outra 
forma. Assim, por exemplo, caso se queira fazer uma pesquisa bibliográfica sobre o uso da internet para 
o e-commerce, isso significa que serão reunidos artigos ou trabalhos que já versaram sobre o tema; caso 
se queira analisar as propagandas de e-commerce em publicações impressas, o material a ser utilizado 
será um conjunto de documentos que não foram alvo de análise por parte de outros pesquisadores, ou 
foram analisados por outros pesquisadores com objetivos distintos dos seus.
A pesquisa documental, portanto, utiliza documentos que não foram analisados ou sistematizados, 
e “o desafio a esta técnica de pesquisa é a capacidade que o pesquisador tem de selecionar, tratar e interpretar 
a informação, visando compreender a interação com a sua fonte” (Kripka; Scheller; Bonotto, 2015, p. 243).
Dessa forma, ainda conforme os autores (2015, p. 244),
 
a pesquisa documental é um procedimento que se utiliza de métodos e 
técnicas para a apreensão, compreensão e análise de documentos dos mais 
variados tipos. Ainda, uma pesquisa é caracterizada como documental 
quando essa for a única abordagem qualitativa, sendo usada como 
método documento.
 Observação
A análise de documentos pode ser uma etapa de outros tipos de 
pesquisa; quando isso ocorre, ela não recebe a denominação de documental. 
Por exemplo, a análise do discurso (AD), em geral, tem algum documento 
como objeto de estudo; caso estejamos fazendo a análise do discurso de 
um documento, não damos a este trabalho a denominação de pesquisa 
documental, mas o de AD, já que o foco do trabalho é a análise das 
condições de produção do discurso.
44
Unidade I
Qual a importância de utilizar documentos como evidências? Quando essa tradição tem origem? 
Segundo Vieira, Peixoto e Khoury (1995 apud Sá-Silva; Almeida; Guindani, 2009, p. 7):
 
a palavra documento com o sentido de prova jurídica, representação que se 
mantém até a atualidade, já era usada pelos romanos, tendo sido retomada 
na Europa Ocidental no século XVII. Assim, os historiadores positivistas, ao 
se apropriarem do termo, conservam o sentido de prova, agora não mais 
jurídica, e sim com status científico. O próprio fato de nomear a palavra 
documento aos testemunhos históricos traduz uma concepção de história 
que confunde o real com o documento e o transforma em conhecimento 
histórico. Captar o real nessa lógica cartesiana seria conhecer os fatos 
relevantes e fundamentais que se impõem por si mesmos ao conhecimento 
do pesquisador. Como resultado desse pensamento, só se considerava 
relevante para o campo da História aquilo que estava documentado, 
dando privilégio para os termos e ações da política governamental: ações 
do governo, atuações de personalidades, questões ligadas à política 
internacional, e outros assuntos.
Mesmo quando os historiadores deixaram de ver seu próprio trabalho como sendo o de mera coleta 
de evidências do passado, ainda assim os documentos mantiveram-se importantes como pistas ou 
fontes de informações. Em geral, eles podem ser divididos em documentos solicitados ou não solicitados 
para a pesquisa. Na primeira situação, estão os documentos que surgiram em função da necessidade 
da pesquisa; por exemplo, caso alguém queira pesquisar áreas degradadas da cidade, poderá pedir a 
outros que fotografem regiões que possam ser assim caracterizadas. Neste caso, os documentos foram 
solicitados especialmente para fins de pesquisa. Em outra situação, temos documentos não solicitados, 
o que equivaleria a analisar fotografias antigas ou fotografias apresentadas em uma exposição que 
tiveram como alvo regiões urbanas degradadas; neste caso, as fotografias não teriam resultado de uma 
solicitação específica (Kripka; Scheller; Bonotto, 2015).
Segundo Sá-Silva, Almeida e Guindani (2009), há diversos critérios a serem seguidos por um 
pesquisador interessado em realizar uma pesquisa documental. Após a confirmação de autenticidade 
e veracidade de um documento, o pesquisador deverá analisar o seu conteúdo tendo em mente que 
aquele registro foi realizado por alguém em um determinado momento histórico; isto significa que há 
um autor do documento, que viveu em certa época e que registrou, dentro de suas possibilidades, um 
fenômeno também datado. Esse aspecto é extremamente importante, porque não podemos “julgar” 
um documento a partir dos nossos olhos de agora, do presente; podemos analisá-lo, podemos tentar 
decifrá-lo, mas esses são propósitos bem distintos de realizar um julgamento. Devemos considerar queo documento reflete as condições e as limitações do tempo em que foi produzido, o que inclui uma 
linguagem específica e uma lógica interna particular.
Da mesma forma, é importante identificar se o documento foi preservado de forma intencional 
ou não. Por que esse documento chegou a nós? Ele foi preservado de modo a servir como evidência 
de algum fato especial, ou sua preservação foi devida ao acaso? Todas essas são perguntas que o 
pesquisador deve se fazer no momento de realizar uma pesquisa documental.
45
MÉTODOS DE PESQUISA
Figura 13 – O pesquisador deve procurar identificar o contexto da produção 
e da preservação do documento que está analisando
Disponível em: https://shre.ink/24ve. Acesso em: 31 ago. 2023.
Um exemplo de pesquisa documental é o trabalho de Santos (2003): com o objetivo de alimentar 
os arquivos da International Leprosy Association Global Project on the History of Leprosy, sediado na 
Universidade de Oxford, na Inglaterra, o autor vasculhou o Real Gabinete Português de Leitura do Rio 
de Janeiro, o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação 
Getulio Vargas (CPDOC-FGV), o Arquivo Nacional, várias coleções de periódicos e a Biblioteca Nacional 
para levantar informações a respeito da presença da doença (a hanseníase, mais conhecida como 
lepra) no território brasileiro, bem como para estudar os tratamentos já utilizados, os relatos médicos 
de pacientes tratados, os documentos referentes a centros médicos de atendimento aos leprosos, os 
documentos oficiais a respeito da doença e os registros das medidas sanitárias para seu controle.
3.7 A pesquisa bibliográfica
A pesquisa bibliográfica é outra modalidade importante no rol das pesquisas qualitativas; na 
verdade, ela antecede toda e qualquer pesquisa, já que não há investigação que tenha início em 
um marco zero, como se nada houvesse sido pesquisado antes. Muitas vezes, ela é chamada de 
pesquisa do estado da arte, ou seja, do que mais recentemente foi publicado a respeito do tema; 
outros pesquisadores usam a denominação revisão de literatura, objetivando dizer que se pesquisou 
o que a “literatura científica” tem a dizer a respeito daquele assunto. De forma geral, a pesquisa 
bibliográfica é realizada
 
a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por 
meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de websites. 
Qualquer trabalho científico inicia-se com uma pesquisa bibliográfica, que 
permite ao pesquisador conhecer o que já se estudou sobre o assunto. 
Existem porém pesquisas científicas que se baseiam unicamente na pesquisa 
bibliográfica, procurando referências teóricas publicadas com o objetivo de 
46
Unidade I
recolher informações ou conhecimentos prévios sobre o problema a respeito 
do qual se procura a resposta (Fonseca, 2002 apud
Gerhardt; Silveira, 2009, p. 37).
As maiores fontes das pesquisas bibliográficas são as bibliotecas (virtuais ou presenciais), os bancos 
de dados, os acervos de jornais ou revistas e os arquivos de organismos nacionais e internacionais.
 
Parte considerável do trabalho de pesquisa consiste na utilização de 
recursos fornecidos pelas bibliotecas. Isso é verdadeiro não apenas para as 
pesquisas caracterizadas como bibliográficas, mas também para os demais 
delineamentos. Qualquer que seja a pesquisa, a necessidade de consultar 
material publicado é imperativa. Primeiramente, há a necessidade de se 
consultar material adequado à definição do sistema conceitual da pesquisa e à 
sua fundamentação teórica. Também se torna necessária a consulta ao material 
já publicado tendo em vista identificar o estágio em que se encontram os 
conhecimentos acerca do tema que está sendo investigado (Gil, 2008, p. 60).
Em geral, as fontes bibliográficas estão sob a forma de livros, dissertações (trabalhos de conclusão de 
curso de nível de mestrado), teses (trabalhos de conclusão de curso de nível de doutorado), periódicos 
científicos (também chamados de artigos científicos) e anais de encontros científicos (quando vários 
pesquisadores se reúnem para apresentar trabalhos e resultados de pesquisas recentes).
 Observação
Não se deve confundir artigos científicos com artigos de revista de 
grande circulação. Os artigos científicos são publicados em revistas especiais 
e passam por pareceristas e revisores.
 Saiba mais
São vários os sistemas de busca de trabalhos na web. O mais famoso 
deles, o Google Acadêmico, reúne trabalhos do mundo inteiro e das mais 
diversas áreas. Acesse o site a seguir:
Disponível em: https://scholar.google.com.br/. Acesso em: 31 ago. 2023.
Para que a busca retorne com as informações desejadas, sugerimos que 
seja específico, identificando exatamente o que está procurando encontrar. 
Quanto mais focada for a pesquisa, melhores os resultados.
O Google Acadêmico também oferece algumas informações adicionais: na figura 14 a seguir é possível 
ver uma parte da página da web que resultou da busca pelos termos “ensino de metodologia EaD”. 
47
MÉTODOS DE PESQUISA
Logo abaixo do pequeno e breve resumo sobre o artigo, à esquerda, pode-se observar uma estrela: ela 
salva o arquivo na sua biblioteca pessoal. As aspas mostram as formas de realizar a referência daquela 
publicação segundo três diferentes critérios, sendo a NBR 6023 (da ABNT) uma delas. O link “Citado por” 
mostra todas as publicações que citaram este artigo, e “Artigos relacionados” exibe outras publicações 
com a mesma temática selecionada.
Figura 14 – Página de resultados do Google Acadêmico
 Saiba mais
O formato da referência sugerido pelo Google Acadêmico deve ser 
checado, de preferência no guia de normalização da instituição em que o 
aluno estuda. 
Também é possível formatar a referência por meio da plataforma More, 
da UFSC, caso deseje padronizar pela ABNT:
Disponível em: http://www.more.ufsc.br. Acesso em: 31 ago. 2023.
A pesquisa bibliográfica – ou revisão de literatura – costuma abarcar a pesquisa não apenas do 
tópico do estudo, mas da metodologia utilizada e dos resultados obtidos em estudos semelhantes. Flick 
(2013, p. 45) sugere os seguintes tipos de pesquisa:
a) literatura teórica sobre o tópico do seu estudo;
b) literatura metodológica sobre como realizar sua pesquisa e como 
utilizar os métodos que você escolheu;
c) literatura empírica sobre pesquisas anteriores no campo do seu estudo 
ou em campos similares;
d) literatura teórica e empírica para ajudar a contextualizar, comparar e 
generalizar seus achados.
48
Unidade I
O mesmo autor recomenda algumas perguntas que podem ajudar o pesquisador na busca 
bibliográfica. Ao procurar respostas para essas indagações, é bem provável que o pesquisador consiga 
coletar um conjunto bastante adequado de informações.
a) O que já é conhecido sobre esta questão em particular ou sobre a área 
em geral?
b) Quais são as teorias usadas e discutidas nesta área?
c) Quais conceitos são usados ou debatidos?
d) Quais são os debates teóricos ou metodológicos e as controvérsias 
neste campo?
e) Quais questões continuam abertas?
f) O que ainda não foi estudado? (Flick, 2013, p. 45).
- Texto completo online
- Material disponível na biblioteca
- Empréstimo entre bibliotecas
- Comut
- Diretamente com o autor
Fontes:
- Primária
- Secundária
- Terciária
Pesquisa na internet para 
localização de material 
bibliográfico
Delimitação do 
tema-problema
Levantamento e 
fichamento das citações 
relevantes
Aprofundamento e 
expansão da busca
Relação das fontes a 
serem obtidas
Localização das fontes
Leitura e sumarização
Redação do trabalho
Figura 15 – Processos e etapas da pesquisa bibliográfica
Fonte: Pizzani et al. (2012, p. 57).
49
MÉTODOS DE PESQUISA
4 EXPLORANDO E DETALHANDO OS MÉTODOS DE PESQUISAS 
QUANTITATIVAS
Como vimos no tópico anterior, temos várias estratégias e técnicas de pesquisas a serem utilizadas 
quando desejamos realizar uma abordagem qualitativa. A partir de agora, iremos explorar e detalhar os 
métodos maiscomumente empregados em abordagens quantitativas.
Como já observado, a pesquisa quantitativa tem como objetivo mensurar e quantificar fenômenos 
ou comportamentos. Por isso, em geral, ela é realizada quando o assunto já é de domínio do pesquisador 
(quer dizer, ele conhece as variáveis envolvidas) e há clareza quanto às relações de associação ou 
causalidade entre as variáveis. Diferentemente da pesquisa qualitativa, que busca lançar luz em um 
cenário ainda desconhecido, a pesquisa quantitativa pressupõe a existência de investigações anteriores 
sobre o tema e clareza sobre quais resultados serão medidos e com quais objetivos.
A seguir, trataremos de algumas técnicas de pesquisas quantitativas: os surveys, ou levantamentos, 
como costumam ser chamados.
4.1 Os surveys
Os surveys, ou levantamentos, são uma modalidade de pesquisa extremamente apreciada nas áreas 
das ciências humanas, ciências sociais aplicadas e outros estudos comportamentais. Essa utilização 
decorre da suposição de ser possível entender, de forma racional, o comportamento social, mesmo 
se este envolver elementos irracionais. Vejamos, por exemplo, os estudos sobre o comportamento de 
jogadores compulsivos: é difícil afirmar, nesta situação, que estamos lidando com aspectos racionais 
do comportamento; no entanto, é possível identificarmos os fatores, os aspectos ou as crenças que 
fazem com que os indivíduos joguem compulsivamente. Em outras palavras, os levantamentos partem 
do princípio de que é possível identificar as variáveis que determinam o comportamento humano, os 
fatores que levam pessoas a agir de tal ou qual modo (Babbie,1999).
Figura 16 – O survey tem como pressuposto o fato de se acreditar na possibilidade de 
identificar as variáveis que determinam o nosso comportamento
Disponível em: https://shre.ink/24Rk. Acesso em: 31 ago. 2023.
50
Unidade I
Uma pesquisa do tipo survey faz uso da aplicação de um questionário para obter informações 
relevantes ao tema que está sendo investigado; este questionário é aplicado junto a uma amostra 
(quer dizer, um grupo de pessoas que tenha as características da população que estamos estudando) 
e os resultados são, posteriormente, alvo de análises estatísticas. A depender da amostra (do seu 
tamanho e da maneira como foi composta), estes resultados podem ser projetados para a população 
como um todo.
Os estudos deste tipo têm se aproveitado sobremaneira dos desenvolvimentos tecnológicos em 
comunicação e informação: se, há 30 anos, era necessário imprimir vias e vias de questionário e 
ir até o entrevistado para a coleta de dados, hoje podemos realizar o levantamento online, sem 
quaisquer despesas de impressão ou deslocamento. Ainda, a maioria dos instrumentos disponíveis 
para a elaboração dos questionários tem interface com softwares estatísticos, o que possibilita a 
realização de análises avançadas. Aliás, o fato de todos esses instrumentos terem se tornado acessíveis 
possibilitou que inúmeros profissionais, desde que com os conhecimentos necessários, pudessem 
realizar pesquisas que, em tempos passados, apenas grandes institutos de pesquisa poderiam fazer.
 Observação
Falaremos destes instrumentos e aplicativos mais à frente, tanto em 
relação aos que facilitam a captação de informações quanto em comparação 
aos que podem ser usados para a análise estatística.
 
A pesquisa survey pode ser descrita como a obtenção de dados ou 
informações sobre características, ações ou opiniões de determinado 
grupo de pessoas, indicado como representante de uma população-alvo, 
por meio de um instrumento de pesquisa, normalmente um questionário 
(Freitas et al., 2000, p. 105).
 
Assim, a pesquisa survey se presta, em especial, para situações em que o objetivo é buscar entender 
o que está acontecendo, como está acontecendo e por que está acontecendo. Por sua própria natureza, 
a pesquisa survey pode ser utilizada nos casos de pesquisas explicativas, exploratórias ou descritivas, 
desde que o objetivo seja mensurar ou quantificar fenômenos ou comportamentos. Isso significa dizer 
que, a depender do propósito do pesquisador, a pesquisa buscará explicar relações de causalidade, 
familiarizar-se com uma situação ou descrever determinado fenômeno ou comportamento.
Uma das decisões centrais de um pesquisador envolvido em uma pesquisa do tipo survey tem relação 
com a amostra que será utilizada para o estudo. Como já dissemos, a amostra é um grupo de pessoas que 
possui as características de interesse para a pesquisa. Em função dos objetivos da pesquisa, portanto, 
pode ser que se deseje entrevistar pessoas do sexo feminino, jovens entre 18 e 25 anos, profissionais 
da área da saúde, ou consumidores que já tenham utilizado determinado produto. Como é oneroso e 
trabalhoso (e, às vezes, impossível) entrevistar todos os elementos de uma população, seleciona-se um 
grupo para que, a partir dele, os resultados possam ser projetados para o restante.
51
MÉTODOS DE PESQUISA
Figura 17 – A amostra é um grupo de pessoas que possui 
as características de interesse para a pesquisa
Disponível em: https://shre.ink/24Rl. Acesso em: 31 ago. 2023.
As amostras probabilísticas são aquelas em que todos os participantes de um grupo têm a mesma 
chance de participarem da composição da amostra. Caso a intenção seja entrevistar funcionários 
de uma empresa, por exemplo, é possível sortear alguns deles a partir de uma lista da qual todos os 
funcionários façam parte; nessa situação, todos os funcionários tiveram a mesma chance de participar 
da amostra. Há casos em que não é possível contar com listas prévias para o sorteio; nessas situações, 
utilizam-se outros critérios para compor a amostra, como, por exemplo, sorteando as ruas da cidade 
que serão visitadas pelos entrevistadores. Em função do processo de seleção e composição das amostras 
probabilísticas, os custos envolvidos costumam ser maiores do que em outros casos.
As amostras não probabilísticas são aquelas em que há prevalência de algum critério para a escolha 
dos participantes: por exemplo, você pode decidir entrevistar os seus amigos pessoais que tenham entre 
18 e 25 anos e que gostem de futebol. O critério, nesse caso, foi o da conveniência: você já conhece 
um grupo de pessoas que atende aos objetivos da pesquisa e, portanto, não vê necessidade alguma de 
realizar sorteios ou buscar constituir a amostra de forma probabilística. Outro exemplo: caso precise 
entrevistar consumidoras que façam uso de bancos digitais, você entrevistará pessoas conhecidas ou 
familiares. Dentre as amostras não probabilísticas, temos:
a) por conveniência (convenience): os participantes são escolhidos por 
estarem disponíveis;
b) mais similares ou mais diferentes (most similar/dissimilar cases): os 
participantes são escolhidos por julgar-se que representam uma 
situação similar ou, o inverso, uma situação muito diferente;
c) por quotas (quota): os participantes são escolhidos proporcionalmente 
a determinado critério; a amostra é composta por subgrupos;
d) bola de neve (snowball): os participantes iniciais indicam novos 
participantes;
52
Unidade I
e) casos críticos (critical cases): os participantes são escolhidos em virtude 
de apresentarem casos especiais ou chave para o foco da pesquisa;
f) casos típicos (typical cases): os participantes são escolhidos por 
representarem a situação típica, não incluindo extremos (Freitas et al. 
2000, p. 106-107).
Em relação ao tamanho da amostra, há cálculos estatísticos que indicam o número ideal em função 
do erro que o pesquisador está disposto a assumir, o nível de confiança que deseja para os dados, a 
proporção em que o comportamento ou a característica se manifesta na população etc. Como forma de 
auxiliarmos o pesquisador que pretenda fazer uma pesquisa quantitativa e necessite saber o tamanho 
de sua amostra, apresentamos a tabela 2. Tenha em mente o seguinte:
• A margem de erro indica o quanto o pesquisador imagina que o dado obtido pode variar; por 
exemplo, caso uma pesquisa mostre que37% do eleitorado prefere o candidato A, e caso a margem 
de erro seja de 3%, pode-se afirmar que entre 34% e 40% do eleitorado prefere o candidato A, ou 
seja, 37% mais ou menos 3%.
• O tamanho da população indica quantas pessoas ou elementos têm a característica desejada. 
Imagine que se tenha a intenção de identificar o grau de satisfação de alunos do Ensino Médio, 
em sua escola, em relação às instalações físicas destinadas aos esportes. Esse número pode ser 
menor do que 1.000, ou próximo a 2.000.
• A primeira coluna da tabela sugere alguns tamanhos da população; em geral, trabalha-se com 
populações infinitas, difíceis de serem mensuradas.
• Devemos ler os dados da seguinte forma: caso tenhamos uma população com menos de 
1.000 elementos, e caso aceitemos uma margem de erro de 5% nos nossos dados, nossa amostra 
máxima deverá ser de 222 elementos; caso aceitemos uma margem de erro de 10% nos nossos 
dados, nossa amostra máxima poderá ser de 83 elementos.
• Observe que o tamanho da amostra necessária diminui à medida que o erro aumenta. Isso quer 
dizer que, quanto maior for a variação admitida nos dados, menor será o tamanho mínimo 
da amostra necessária. Se quisermos mais acuidade nos dados (uma menor margem de erro), 
precisaremos de amostras maiores.
• Todas as amostras identificadas na tabela foram calculadas tendo como base um intervalo de 
confiança de 95%; isto significa que, caso realizemos 100 estudos similares, em 95 vezes os 
resultados estarão dentro do intervalo imaginado. Em outras palavras, o resultado estará dentro 
do intervalo indicado em 95 das 100 amostras utilizadas.
53
MÉTODOS DE PESQUISA
Tabela 2 – Tamanho da amostra em função da margem de erro 
esperada, considerando um intervalo de confiança de 95%
População
Margem de erro
1% 3% 5% 10%
 100.000 10.000 2.500 400 100
Fonte: Opinionbox (s.d.).
A pesquisa do tipo survey apresenta uma série de vantagens para o pesquisador e, dentre essas, 
distinguem-se as relacionadas às possibilidades de conhecimento da realidade, à economia e rapidez 
com que podem ser realizadas e às possibilidades de quantificação. Conforme explica Gil (2008, p. 56), 
a pesquisa survey permite:
 
a) Conhecimento direto da realidade. À medida que as próprias pessoas 
informam acerca de seu comportamento, crenças e opiniões, a 
investigação torna-se mais livre de interpretações calcadas no 
subjetivismo dos pesquisadores.
b) Economia e rapidez. Desde que se tenha uma equipe de entrevistadores, 
codificadores e tabuladores devidamente treinados, torna-se possível 
a obtenção de grande quantidade de dados em curto espaço de tempo. 
Por outro lado, quando os dados são obtidos mediante questionários, 
os custos tornam-se relativamente baixos.
c) Quantificação. Os dados obtidos mediante levantamentos podem 
ser agrupados em tabelas, possibilitando a sua análise estatística. 
As variáveis em estudo podem ser codificadas, permitindo o uso de 
correlações e outros procedimentos estatísticos. À medida que os 
levantamentos se valem de amostras probabilísticas, torna-se possível 
até mesmo conhecer a margem de erro dos resultados obtidos.
54
Unidade I
Há, no entanto, algumas limitações na utilização deste modelo de investigação. Por exemplo, no 
caso de entrevistas com pessoas, há que considerar possíveis erros, percepções distorcidas ou vieses 
introduzidos pelos próprios entrevistados. Em grande parte das vezes, os indivíduos respondem não 
o que realmente sentem ou acham, mas aquilo que supõem ser esperado que sintam ou achem; esse 
problema pode ser contornado por um pesquisador experiente, que formule perguntas que diminuam 
as chances de o entrevistado manipular respostas. Ainda, deve-se levar em consideração que as pessoas 
respondem a entrevistas em função das condições específicas do momento em que a abordagem ocorre; 
isto significa que as respostas dos entrevistados podem estar à mercê de mudanças que não são, e 
tampouco podem ser, observadas ou previstas pelo entrevistador.
Imagine, por exemplo, que um pesquisador entreviste os munícipes a respeito das condições 
do transporte urbano na cidade: caso essa pesquisa ocorra depois de uma tempestade que tenha 
alagado vários bairros, as reações dos entrevistados serão bem diferentes daquelas observadas 
se ela tivesse sido feita depois de uma semana de sol, ou logo depois de um feriado que tivesse 
diminuído a quantidade de pessoas nos ônibus.
Vejamos outro exemplo: caso façamos uma pesquisa para identificar o grau de importância que é 
atribuído a aspectos de sustentabilidade de um produto, e se a pesquisa for realizada logo depois de 
um desastre ambiental que tenha sido debatido intensamente pela sociedade, teremos opiniões talvez 
distintas daquelas que surgiriam caso o desastre não tivesse ocorrido.
Por conta disso, por melhor que seja o instrumento de pesquisa e por melhores que sejam os 
entrevistadores, o survey (assim como outras modalidades de investigação) “fotografa” uma determinada 
realidade sob determinadas condições; nada garante que a opinião dos entrevistados será a mesma no 
dia seguinte.
Figura 18 – Na pesquisa survey, busca-se identificar e mensurar as variáveis relacionadas ao 
objeto ou fenômeno de estudo, quantificando-se os resultados sob a forma de dados quantitativos
Disponível em: https://shre.ink/24gV. Acesso em: 31 ago. 2023.
55
MÉTODOS DE PESQUISA
Quais são os cuidados que um pesquisador deve adotar quando realiza um survey? Segundo Lameirão 
(2014), o survey deve ser realizado em função de uma pergunta feita, quer dizer, o levantamento precisa 
ter como objetivo responder a uma pergunta passível de ser respondida. Não adianta fazer uma pesquisa 
para descobrir qual é o caminho da felicidade, porque esta é uma questão que não pode ser respondida. 
A resposta provável a uma pergunta é a hipótese de trabalho, que será confirmada ou negada em 
função dos dados coletados.
Vamos exemplificar: imagine uma empresa de serviços de entrega que, nos últimos meses, tenha 
sido objeto de inúmeras críticas junto aos órgãos de proteção ao consumidor. Uma análise inicial revelou 
a existência de três áreas problemáticas na empresa, quais sejam, as de atendimento via web, as de 
atendimento presencial e as de recepção a queixas. O pesquisador pode, então, realizar a seguinte 
pergunta: caso implantemos um aplicativo que permita ao cliente acompanhar a entrega do produto, 
haverá uma diminuição significativa no número de reclamações? O pesquisador, assim, oferece uma 
resposta ao problema levantado: um aplicativo que permita ao cliente fazer o acompanhamento das 
entregas permitirá a redução do número de reclamações, já que será possível identificar com maior 
rapidez problemas causados por informações equivocadas ou exigências não cumpridas. O pesquisador 
fez uma pergunta possível de ser respondida e elaborou uma resposta provável da questão realizada. 
Os dados coletados no survey deverão ser capazes de confirmar ou negar a resposta provável oferecida 
pelo pesquisador. Caso o pesquisador tivesse elaborado perguntas do tipo “O que pode ser feito para 
deixar nossos clientes mais felizes?” ou “Quais os motivos da infelicidade dos nossos clientes?”, seria 
extremamente difícil supor uma resposta para quaisquer dessas perguntas e, consequentemente, 
complicado confirmar ou não esta resposta por meio do levantamento de dados. Dessa forma, segundo 
Lameirão (2014, p. 44-45),
 
para que possam ser postos à prova, os eventos precisam ser observados e 
mensurados, o que corresponde à etapa da coleta de dados. Contudo, para 
que possam ser mensurados os fenômenos sociais devem ser especificados 
por meio de conceitos, da forma mais clara e direta possível, e traduzidos 
em variáveis (operacionalização dos conceitos), através das quais serárealizada a medição. Na pesquisa de survey as variáveis são codificadas de 
forma padronizada – as alternativas de respostas serão iguais em todos 
os questionários aplicados – e os resultados de sua medição compilados 
de maneira quantitativa (em linguagem matemática, possibilitando, por 
exemplo, descrever os dados encontrados usando porcentagens), o que 
permite atender ao princípio de quantificação.
Embora possa parecer óbvio, nem sempre o pesquisador tem em mente a pergunta que seu trabalho 
deverá responder; assim, não são raros os casos em que o pesquisador sequer consegue identificar o que 
pretende com o seu trabalho, quais são os seus objetivos, qual imagina ser o resultado provável da sua 
pesquisa. Dessa forma, a elaboração de uma pergunta clara e a formulação de uma hipótese de trabalho 
são condições essenciais para que um survey possa ser realizado de forma bem-sucedida.
56
Unidade I
 Observação
Teremos a oportunidade de discutir as questões referentes à problematização 
e à elaboração da hipótese posteriormente, na unidade II.
Outros cuidados que o pesquisador deve levar em consideração quando da realização de um survey 
dizem respeito aos controles metodológicos que garantirão a credibilidade da pesquisa. Neste caso, 
estamos falando de dois critérios: a confiabilidade e a validade.
 
A confiabilidade diz respeito à precisão da medição, ou seja, quando uma 
variável for medida repetidamente ela deve apresentar sempre o mesmo 
resultado. O exemplo mais clássico é o da balança: a cada vez que, por 
exemplo, um quilo de alimento for pesado em uma mesma balança o 
resultado deve ser sempre o de um quilo, e não de oitocentos gramas numa 
pesagem, um quilo noutra e um quilo e duzentos gramas em uma terceira 
mensuração. Já a validade é entendida como a capacidade de acurácia (ou 
exatidão) de uma medida, isto é, sua habilidade de medir adequadamente os 
conceitos que estão sendo investigados (Lameirão, 2014, p. 46).
Exemplificando: suponha que um pesquisador queira investigar o grau de satisfação dos funcionários 
de uma empresa. A pergunta que norteará a pesquisa será: os funcionários da empresa estão satisfeitos 
com as condições de trabalho? Por hipótese (e podemos ou não concordar com ela), o pesquisador 
resolve medir o índice de assiduidade ao trabalho, supondo que funcionários assíduos estão satisfeitos 
com a companhia, e os não assíduos, insatisfeitos com a empresa. Para confirmar ou negar a sua 
hipótese de trabalho, o pesquisador faz um levantamento no sistema de ponto de horário da instituição, 
verificando o número de faltas. A partir disso, ele calcula o número de funcionários que faltaram mais 
de “x” vezes (os insatisfeitos, segundo sua hipótese) e os que faltaram menos de “x” vezes (os satisfeitos). 
Em conclusão, o pesquisador relata que a maioria dos funcionários da empresa encontra-se satisfeita 
com as condições de trabalho.
Pois bem: caso o pesquisador resolva refazer os cálculos de assiduidade, e retorne aos dados do 
departamento de horários, é esperado que os resultados sejam iguais aos que ele conseguiu na primeira 
vez. Se os resultados forem reproduzidos, dizemos que a confiabilidade da pesquisa é elevada, quer dizer, 
se repetida a investigação, os resultados serão próximos; em outras palavras, a precisão é elevada. No 
entanto, chega ao conhecimento do pesquisador que muitos funcionários insatisfeitos com as condições 
de trabalho estão no grupo dos colaboradores assíduos. Isso quer dizer que a pesquisa não mediu o que 
ela realmente queria medir, ela não alcançou o alvo desejado; nessa situação, dizemos que a pesquisa 
tem uma validade baixa, ela não foi exata. O pesquisador imaginou uma associação entre duas variáveis 
não exatamente relacionadas: assiduidade e satisfação com o trabalho.
O esquema a seguir representa as possibilidades em termos de exatidão e precisão em pesquisas do 
tipo survey:
57
MÉTODOS DE PESQUISA
Alta precisão
Baixa exatidão
Baixa precisão
Baixa exatidão
Alta precisão
Alta exatidão
Figura 19 – Precisão e exatidão de uma medida
Fonte: Kleinke (2017, p. 3).
• À esquerda, temos uma pesquisa que, quando repetida várias vezes, alcança sempre os mesmos 
resultados; no entanto, ela erra completamente o alvo, ou seja, ela não mede o que supostamente 
deveria ter medido, como no exemplo do qual falamos anteriormente; é uma pesquisa que 
apresenta alta precisão, mas baixa exatidão.
• Ao meio, temos uma pesquisa que, se repetida várias vezes, apresenta resultados distintos e 
distantes do alvo; é uma pesquisa que demonstra baixa precisão e baixa exatidão.
• À direita, temos uma pesquisa que, se repetida várias, apresenta sempre resultados semelhantes 
e consegue, efetivamente, medir aquilo que se propôs a medir; é uma pesquisa com alta 
precisão e alta exatidão.
O objetivo de todo pesquisador é realizar uma investigação que apresente uma alta precisão e 
uma alta exatidão; no entanto, esta não é uma meta fácil de ser concretizada. É possível que erros 
sejam cometidos em cada passo do processo de realização da pesquisa: o pesquisador pode errar no 
planejamento (na elaboração da pergunta e da hipótese de trabalho, como foi o caso usado como 
exemplo); no dimensionamento da amostra, entrevistando a mais ou a menos do que deveria ter feito; 
na coleta dos dados (cometendo erros na formulação das perguntas, não treinando adequadamente os 
entrevistadores etc.); e na interpretação dos dados, chegando a conclusões que não encontram suporte 
nas evidências coletadas. Outro erro bastante frequente é o viés de seleção, quando o pesquisador 
seleciona uma amostra que não representa a população que ele realmente quer estudar. Este tipo de 
erro pode ocorrer
 
quando uma amostra é selecionada a partir de uma população específica – 
por exemplo, quando se retira uma amostra de mulheres vítimas de violência 
doméstica e familiar somente dentre aquelas que registram a ocorrência nas 
Delegacias das Mulheres, excluindo-seas demais vítimas que não denunciam a 
violência sofrida – ou quando a amostra é selecionada por conveniência, 
muito comum em aplicação de questionário na rua, em pontos de grande 
fluxo, quando o entrevistado é selecionado em decorrência de estar 
passando pelo local e por disponibilizar-se a responder ao questionário. Mas 
58
Unidade I
também pode ocorrer da recusa à participação no estudo por parte de muitos 
indivíduos selecionados pela amostra ou, ainda, pela ausência de respostas 
quando não se consegue entrevistar todos os componentes da amostra 
(Lameirão, 2014, p. 49-50).
Exemplo de aplicação
Pense a respeito das duas situações expostas a seguir:
Situação 1: o pesquisador pretende investigar como famílias gastam sua renda, medindo a proporção 
de recursos financeiros destinados à saúde, ao aluguel, à educação e à alimentação. O pesquisador 
resolve realizar as entrevistas em um ponto de grande fluxo de pessoas; no entanto, a partir da décima 
entrevista, ele fica surpreso com a manifestação dos entrevistados em relação à proporção da renda 
destinada à saúde. Intrigado, ele resolve verificar se há algo errado com o questionário ou com o local 
em que estão acontecendo as entrevistas e, andando pelas ruas próximas àquela em que está, descobre 
que há um posto de saúde na redondeza, o que poderia, em parte, explicar os dados colhidos. Indeciso 
quanto ao que fazer, ele anula os questionários e muda o local das entrevistas.
Situação 2: o pesquisador pretende investigar o grau de satisfação dos usuários de um banco com os 
serviços digitais prestados por meio de aplicativos. Pressionado pelos prazos disponíveis para a realização 
das entrevistas, o pesquisador resolve fazê-las no dia seguinte a uma pane no sistema de informação do 
banco, que tirou o site da empresa do ar durante horas. Ao apresentar os dados para o banco, ele sinaliza 
o elevado grau de insatisfação dos clientes, sem mencionar a data em que foram realizadas as entrevistas.
Na sua opinião, houve ou não intencionalidade de erro emcada uma das situações? Os resultados 
destas pesquisas são confiáveis e exatos? Caso você fosse o pesquisador, como teria agido para aumentar 
a precisão e a exatidão da pesquisa?
O questionário é o formulário por meio do qual os dados serão coletados. O formulário pode ser 
preenchido pelo próprio entrevistado ou ser preenchido por um entrevistador treinado especialmente 
para este trabalho. Evidentemente, não são todas as situações de pesquisa que podem fazer uso de 
questionários; afinal, como lembra Gil (2008, p. 122),
 
o questionário enquanto técnica de pesquisa também apresenta limitações, 
tais como: a) exclui as pessoas que não sabem ler e escrever, o que, em 
certas circunstâncias, conduz a graves deformações nos resultados da 
investigação; b) impede o auxílio ao informante quando este não entende 
corretamente as instruções ou perguntas; c) impede o conhecimento 
das circunstâncias em que foi respondido, o que pode ser importante na 
avaliação da qualidade das respostas; d) não oferece a garantia de que a 
maioria das pessoas devolvam-no devidamente preenchido, o que pode 
implicar a significativa diminuição da representatividade da amostra; e) 
envolve, geralmente, número relativamente pequeno de perguntas, porque 
59
MÉTODOS DE PESQUISA
é sabido que questionários muito extensos apresentam alta probabilidade 
de não serem respondidos; f) proporciona resultados bastante críticos em 
relação à objetividade, pois os itens podem ter significado diferente para 
cada sujeito pesquisado.
Figura 20 – Ao elaborar o questionário, o pesquisador deve ter em mente que questionários extensos 
e que contenham perguntas de ordem pessoal aumentam a chance de não resposta ou de 
desistência por parte de quem está sendo entrevistado
Disponível em: https://shre.ink/24gL. Acesso em: 31 ago. 2023.
A elaboração do questionário requer atenção especial do pesquisador, já que ele deve tomar 
cuidado com a clareza e a precisão dos termos utilizados na formulação das questões. Há dois formatos 
de perguntas: as abertas e as fechadas. As questões abertas são perguntas às quais o entrevistado 
responde livremente, sem ter que escolher alternativas. Em contrapartida, as questões fechadas têm 
alternativas como respostas, e o entrevistado deverá escolher uma delas. Se, por um lado, as questões 
fechadas facilitam a contagem das respostas, elas requerem que o pesquisador conheça a fundo o tema 
que está sendo pesquisado para que as alternativas possam ser oferecidas de maneira clara. Por outro 
lado, as questões abertas podem fazer surgir informações que de outra forma não surgiriam, embora 
tornem difícil a contabilização de respostas.
A ordem das questões também é importante, já que não se deve induzir o entrevistado a determinada 
resposta, tampouco confundi-lo com vai e vem de temas. As perguntas devem levar em conta o 
universo de referência do entrevistado e não podem exigir uma informação que o entrevistado não 
tem. Mesmo no caso de perguntas abertas, é necessário que não haja ambiguidade na formulação dos 
questionamentos; cada questionamento deve ter como foco uma única ideia, já que o entrevistado 
não tem como responder a vários elementos de uma só vez. Finalmente, o questionário não pode ser 
excessivamente longo, tampouco envolver questões indiscretas ou extremamente pessoais. Uma boa 
maneira de verificar a adequação do questionário é realizar pré-testes. São escolhidas e entrevistadas 
algumas pessoas com as características desejadas; caso o questionário apresente certo problema, este é 
corrigido antes de ser aplicado junto ao total da amostra.
60
Unidade I
 Saiba mais
Algumas pesquisas do tipo survey fazem uso de escalas nos seus 
questionários. Uma das escalas mais conhecidas é a de Likert, que mede 
o grau de concordância/discordância do entrevistado em relação a 
afirmativas especialmente elaboradas pelo pesquisador. Assim, colocado 
diante de uma assertiva, o entrevistado vai responder por meio de um 
valor de 1 a 5 (em geral, as alternativas são “concordo totalmente”, 
“concordo em parte”, “nem concordo nem discordo”, “discordo em parte” 
e “discordo totalmente”). Caso queira se aprofundar nesse assunto, 
sugerimos a leitura do artigo a seguir:
BERMUDES, L. W. et al. Tipos de escalas utilizadas em pesquisas 
e suas aplicações. Vértices, Campos dos Goytacazes, v. 18, n. 2, p. 7-20, 
maio/ago. 2016. 
A respeito da elaboração de questionários, destacamos o artigo sobre 
estratégias para a construção de questionários como ferramenta de 
pesquisa. O texto está disponível em:
MELO, W. V.; BIANCHI, C. S. Discutindo estratégias para a construção de 
questionários como ferramenta de pesquisa. Revista Brasileira de Ensino de 
Ciência e Tecnologia, v. 8, n. 3, 2015. Disponível em: https://shre.ink/24Lm. 
Acesso em: 31 ago. 2023.
As pesquisas survey são muito utilizadas por agências de propaganda, institutos de pesquisas 
e centros de opinião pública. Dentre as pesquisas realizadas no modelo survey, as mais conhecidas 
– e as mais expostas a críticas – são as pesquisas eleitorais. Em função da visibilidade que estas 
pesquisas costumam ganhar em períodos de eleição, elas têm sido alvo de contestação de suas 
práticas metodológicas e de seus resultados. Segundo Lameirão (2014, p. 42),
 
não é incomum pessoas fazerem perguntas tais como: “Eu nunca fui 
entrevistado/a, então, como pode uma pesquisa dessas representar a 
preferência, opinião e/ou valores de toda a população brasileira?”. Ou ainda, 
“Se só entrevistaram n eleitores e a população total é na casa dos milhões, 
como podem esses resultados ser verdadeiros?”. Até mesmo os políticos 
e os candidatos levantam dúvidas quanto à veracidade dos dados de 
pesquisas eleitorais, tanto que, de tempos em tempos, ressurge a proposta 
de proibição de divulgação de seus resultados na mídia com a finalidade de 
não influenciar a decisão do eleitor.
A principal dificuldade reside no fato de ser extremamente complexo para o cidadão comum e o leigo 
entenderem os conceitos relacionados a amostragem, população, erros e vieses. Afinal, como acreditar que 
entrevistas com 2 mil pessoas possam representar, realmente, a população como um todo? Assim, embora 
61
MÉTODOS DE PESQUISA
os pesquisadores tenham a obrigação de instruir os eleitores a respeito dos procedimentos e rigores 
metodológicos, é necessário reconhecer que esta é uma tarefa muito complexa.
O processo de planejamento e execução de um survey é longo e requer atenção a muitos detalhes, e 
o mesmo pode ser dito em relação à elaboração de um questionário. A seguir, selecionamos uma parte 
do questionário socioeconômico que os alunos candidatos ao Enem respondem quando da inscrição na 
avaliação. Será possível notar como as perguntas e as alternativas foram elaboradas de forma precisa 
e como a ordem das questões foi feita tendo em vista o conforto e a compreensão do respondente. 
Embora o questionário não faça uso de perguntas abertas, a quantidade de dados e de informações que 
ele permite coletar é imensa.
Figura 21 – Parte do questionário socioeconômico do Enem 2008
Fonte: Inep (2008, p. 3).
62
Unidade I
4.2 Os web surveys (ou online surveys)
O web survey é a pesquisa do tipo survey realizada por meio da utilização de tecnologias de 
informação e comunicação. Segundo Joncew, Cendon e Ameno (2014, p. 193), os surveys constituem
 
investigações que colhem dados de amostra representativa de uma população 
específica, que são descritos e analiticamente explicados. Pretende-se que 
os resultados sejam generalizáveis ao universo dessa população, evitando-se 
realizar o censo, ou seja, ouvir todos os indivíduos, o que é impossível, por 
questão de custo e de tempo (Babbie, 2005). Embora o conceito de survey 
não tenha sofrido grandes alterações ao longo dos anos, ele absorveu o 
impacto positivo das tecnologias de informação e comunicação. Os chamados 
websurveys alteraram gradualmente o alcance do número de respondentes, a 
velocidade do trabalho, as técnicas de abordagense os custos das pesquisas. 
Entre outras implicações, citam-se, ainda, a automatização, a simplificação da 
coleta e tabulação dos dados e a melhoria da apresentação dos dados.
Segundo Carneiro e Dib (2011), o avanço tecnológico ofereceu oportunidades para acesso a um 
conjunto imenso de pessoas e para a redução dos custos de entrevistas presenciais no caso de pesquisas 
que necessitam entrar em contato com os entrevistados para a coleta de informações.
Dentre os benefícios do uso do ambiente online para a realização de web surveys destacam-se a 
interatividade possível de ser estabelecida com o entrevistado, o uso de recursos visuais e um número 
menor de vieses introduzidos na pesquisa em função de características ou opiniões do entrevistador. No 
entanto, também há desvantagens no uso deste método:
• O público com o qual desejamos falar pode não ter acesso à internet, ou pode não ter facilidade 
para acessar formulários e enviar respostas online; ainda, é difícil obter endereços de e-mails 
atuais e que não estejam bloqueados para spam ou informações enviadas de forma massiva.
• A pesquisa pode ser respondida por outra pessoa que não aquela na qual estamos interessada; 
caso não haja qualquer restrição, um mesmo indivíduo pode participar da pesquisa várias vezes, 
comportamento que pode alterar os resultados.
• Na ausência de um entrevistador que estimule e resolva quaisquer dúvidas do respondente, é mais 
fácil desistir da pesquisa ou “pular” etapas, o que aumenta o número de não respostas; alguns 
elementos do questionário “podem ter influência sobre o padrão de respostas, em especial pelo 
fato de que, na ausência de um entrevistador para motivar e esclarecer dúvidas, o respondente 
busca auxílio nas próprias ‘pistas’ providas pelo instrumento, tais como seus elementos verbais e 
visuais” (Carneiro; Dib, 2011, p. 656).
• A dificuldade de garantir o anonimato dos respondentes. Segundo Carneiro e Dib (2011, p. 662), se 
“a resposta for encaminhada por meio de um e-mail, o respondente estará sendo implicitamente 
identificado. Mesmo que o questionário seja preenchido em um website, ainda assim é possível ter 
informação ao menos sobre o computador do respondente, por meio de seu IP (Internet Protocol)”.
63
MÉTODOS DE PESQUISA
Os surveys online podem utilizar vários instrumentos para a coleta de informações:
 
anúncio de uma página em um periódico semanal de negócios, chamada 
colocada em uma comunidade da rede, hyperlinks apresentados em websites que 
não o da pesquisa, e e-mail, não encontrando nenhum efeito estatisticamente 
significativo sobre a taxa de resposta (Carneiro; Dib, 2011, p. 649).
Caso o pesquisador preveja um alto nível de desistência entre os respondentes, ele pode incorporar 
alguns mecanismos: publicar um link para que o entrevistado possa entrar em contato a fim de 
resolver dúvidas ou adicionar um indicador da proporção da pesquisa realizada, mostrando o progresso 
das respostas ao questionário e estimulando a finalização da pesquisa por parte do respondente. 
O pesquisador também pode oferecer ao entrevistado algum bônus sob a forma de descontos ou do 
envio, de forma personalizada, dos resultados da pesquisa.
Outros cuidados devem ser tomados em relação ao visual do questionário e à incorporação de 
“botões” ou “caminhos” supostamente intuitivos. Ainda, trajetos que obrigam a resposta a todos os itens 
para que o entrevistado “avance” podem produzir respostas “forçadas”, ou respostas dadas de forma 
descompromissada. Segundo Carneiro e Dib (2011, p. 656),
 
esta exigência tem por objetivo evitar dados ausentes, mas pode acarretar 
a desistência de alguns respondentes – com o correspondente possível 
aumento do viés de não resposta – ou forçar outros a darem uma resposta 
que eles não julgariam como a mais apropriada – aumentando, assim, 
o erro de mensuração. Uma opção para minimizar esta fonte de erro de 
mensuração é oferecer uma opção de resposta do tipo “não sei” ou “não se 
aplica” ou “prefiro não responder”.
O pesquisador também deve evitar o uso de palavras, símbolos ou itens gráficos que não são de 
conhecimento geral, ou que podem gerar ambiguidade. Um exemplo típico é o pedido para que o 
entrevistado forneça a data de nascimento (dia/mês/ano) em um formato não usual (mês/dia/ano).
Figura 22 – No web survey, o planejamento e a elaboração do questionário 
são fatores fundamentais para o sucesso da pesquisa
Disponível em: https://shre.ink/24ox. Acesso em: 18 dez. 2020.
64
Unidade I
Outra questão importante diz respeito ao tamanho do questionário e ao número de questões 
em cada página: as pesquisas indicam que, quanto maior o questionário, menor a taxa de resposta; 
ainda, quanto mais agrupadas estiverem as questões em uma mesma página (evitando-se, assim, que o 
respondente tenha que “mudar” de página várias vezes), menor a taxa de desistência (Carneiro; Dib, 
2011). De fato, dada a ausência do entrevistador para corrigir qualquer falha, o planejamento prévio do 
questionário é etapa fundamental para a realização de um web survey.
 
As pesquisas na web são administradas pelos próprios respondentes, sem 
intermediação. A fonte de inspiração e elucidação de dúvidas foi transferida 
para o instrumento de pesquisa, o questionário ou script, que deve 
conduzi-los ao término da pesquisa, de forma completa, ótima e confiável. 
A comunicação entre respondente e pesquisador acontece através do 
questionário. Tal fato maximiza a importância do planejamento e desenho 
do instrumento de coleta de dados, foco de preocupação de vários estudiosos da 
área (Joncew; Cendon; Ameno, 2014, p. 194).
Ainda, segundo os autores (2014), a realização de exaustivos pré-testes pode diminuir a ocorrência de 
problemas de incompreensão por parte do entrevistado ou de ineficácia do instrumento. Outros cuidados 
envolvem usar uma linguagem simples, evitar dúvidas ou duplo sentido na formulação das questões, evitar 
o uso de cores berrantes ou símbolos piscando, disponibilizar mecanismos para corrigir respostas, usar um 
layout limpo, construir uma sequência lógica de perguntas, usar poucas opções como alternativas de resposta 
e disponibilizar a pesquisa para pessoas com necessidades especiais (Joncew; Cendon; Ameno, 2014).
É plausível imaginar que o web survey ganhe mais espaço à medida que aumente o número de 
pessoas com acesso à internet. No Brasil, o crescimento de domicílios conectados à web subiu de 69,3% 
para 74,9%, de 2016 para 2017. No mesmo período, a posse de telefone fixo caiu de 33,6% para 31,5%, 
e a posse de celular aumentou de 92,6% para 93,2% dos domicílios, o que pode explicar a mudança de 
comportamento em relação às formas de usar a internet, conforme pode ser visto a seguir.
Figura 23 – Dados do Pnad 2017: equipamentos usados para acesso à internet
Fonte: IBGE (2018, p. 6).
65
MÉTODOS DE PESQUISA
A porcentagem da população que acessou a internet pelo menos uma vez no período de três meses 
anteriores à pesquisa corresponde a quase 70%. Entre 2016 e 2017, aumentou o uso da internet entre os 
jovens (20 a 24 anos) e as pessoas idosas. Ainda, a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), 
organizada pelo IBGE, revelou que aumentou a porcentagem dos usuários de internet via aparelho 
celular ou televisão, simultaneamente à diminuição de pessoas que realizaram o acesso por computador. 
Em adição, a Pnad identificou que quase a totalidade de usuários da internet acessou a web para 
enviar ou receber mensagens de texto, voz e imagem; parcela extremamente significativa da população 
utilizou a web para conversar por chamada de vídeo e voz.
 
De 2016 para 2017, o percentual de utilização da internet nos domicílios 
subiu de 69,3% para 74,9%, ou três em cada quatro domicílios brasileiros. 
Foi um salto de 5,6 pontos percentuais, em um ano. Na área urbana, esse 
percentual de utilização cresceu de 75,0% para 80,1%, e na área rural, de 
33,6% para 41,0%. Nos 17,7 milhões de domicílios onde não houve utilização 
da internet no período de referênciae etnográficos.
Na unidade II, investigaremos quais os principais passos para a realização de pesquisas, incluídas 
a elaboração do projeto de pesquisa e a comunicação dos resultados da pesquisa. A respeito da 
comunicação científica, discutiremos como ela ocorre em dois ambientes: no ambiente acadêmico e no 
ambiente não acadêmico.
Os nossos objetivos não incluem, única e exclusivamente, a transferência de conteúdos. Nossa 
proposta é, em especial, a de colaborar para o desenvolvimento de competências relacionadas 
à pesquisa e à investigação científica. Por conta disso, não nos limitaremos a explicar as diferentes 
modalidades de pesquisas e métodos; procuraremos, também, trazer exemplos de estudos envolvendo 
escolhas metodológicas distintas, ou em função dos problemas de pesquisa que se colocaram diante 
dos pesquisadores ou por conta das áreas de conhecimento das quais essas investigações emergiram. 
Dessa forma, dará para notar que os conteúdos procuram dialogar com as diferentes vertentes do 
conhecimento científico.
8
INTRODUÇÃO
Provavelmente você, universitário, imagina que a pesquisa científica seja privilégio de cientistas 
trancados em laboratórios ou perdidos nas bibliotecas, sendo assunto de pouca importância para quem 
está desenvolvendo competências e habilidades no Ensino Superior. No entanto, realizar pesquisa 
é justamente uma das principais atividades dos alunos que estão em processo de formação nas 
universidades. A pesquisa científica faz parte do cotidiano dos discentes, sejam quais forem as suas 
áreas de formação, sejam quais forem os semestres sendo cursados.
Estamos fazendo pesquisa quando selecionamos e analisamos artigos acadêmicos sobre determinado 
tema; fazemos pesquisa quando entrevistamos, de forma sistemática, clientes ou fornecedores; 
fazemos pesquisa quando observamos o comportamento de pessoas ou animais; fazemos pesquisa 
quando investigamos a resistência de materiais para a construção de prédios ou viadutos. A atividade 
profissional requer que dominemos os principais métodos de pesquisa para que possamos dar conta de 
oferecer respostas aos problemas que encontramos, ou que estão colocados à nossa frente.
É claro que qualquer pessoa pode elaborar um questionário e entrevistar clientes ou fornecedores. 
Qualquer um pode testar um processo de gestão e concluir sobre a viabilidade ou não de sua utilização. 
Qualquer indivíduo pode selecionar textos em uma plataforma digital e resumi-los. Qualquer um 
pode afirmar que determinada substância tem poderes curativos. Para realizar essas tarefas, parecem 
ser suficientes o bom senso e a experiência pessoal. Por que, então, são necessários conhecimentos 
específicos para efetuar pesquisas? A explicação pode parecer óbvia, mas não o é: conhecer e dominar 
métodos de pesquisa garantem a formulação de problemas de qualidade, a oferta de soluções com 
fundamentação científica, a construção de um conhecimento que, embora possa ser modificado no 
futuro, nos dá alguma certeza, mesmo que probabilística, sobre o mundo no qual vivemos.
De fato, será realizada pesquisa científica em cada uma das disciplinas do seu curso, e o 
desenvolvimento de habilidades metodológicas será essencial para a formação e a atuação profissionais. 
O conhecimento crítico a respeito dos diferentes métodos de pesquisa lhe permitirá boas escolhas. 
Afinal, como já dissemos, qualquer um pode achar que está realizando pesquisa; no entanto, qual 
conhecimento nos proporciona maior grau de confiança? Certamente, aquele que foi produzido em 
condições nas quais eram conhecidas todas as variáveis envolvidas na situação.
Caso alguém diga que o chá de camomila é indicado para doentes que apresentem sintomas de 
gripe, estaremos mais seguros de utilizá-lo se soubermos que essa indicação foi fruto de um trabalho 
sistemático de investigação. Ficaremos mais tranquilos se tivermos a garantia de que este procedimento 
foi testado junto a um número grande de pessoas, que os sintomas anteriores e posteriores foram 
controlados de forma rigorosa, que a dosagem dele foi medida com instrumentos acurados, que a 
pesquisa foi realizada em diferentes regiões do país e em períodos distintos do ano.
Caso tenhamos que orientar uma empresa na descontinuidade de algum produto, podemos enviar 
e-mails para nossos amigos próximos e indagar sobre os usos e a satisfação no consumo deste bem. 
No entanto, garantiremos maior confiança na sugestão a ser dada se os resultados tiverem sido fruto 
de uma investigação sistemática, usando como amostra um grupo de pessoas que, de forma contínua, 
9
consuma o produto. Podemos procurar entrevistar pessoas de diferentes idades, níveis socioeconômicos, 
profissões e regiões geográficas. Podemos formular um questionário que permita abordarmos todos os 
entrevistados da mesma forma, buscando diminuir os efeitos e os vieses dos entrevistadores. Podemos 
submeter nossos dados a tratamento estatístico, buscando compreender se a população como um todo 
apresenta ou não o mesmo comportamento observado na amostra.
Tanto o conhecimento científico quanto o metodológico estão sujeitos a mudanças ao longo do 
tempo. Um método válido no início do século XIX pode não o ser mais no século XXI. Uma forma 
específica de estudar fenômenos da natureza pode ter se mostrado ineficaz depois de décadas (ou 
séculos) de uso. Perguntas que nunca foram colocadas antes podem emergir em função de modificações 
nas condições nas quais vivemos. Vazamentos de óleo nos oceanos provocaram discussões que não 
haviam acontecido antes; a pandemia do coronavírus estimulou o debate sobre o papel do isolamento 
social no controle de doenças e o processo de descoberta de vacinas; a escassez de recursos hídricos 
tem contribuído para aumentar o volume de pesquisas a respeito de processos produtivos; o aumento 
populacional nas grandes cidades tem tornado imperativo que discutamos as relações sociais, a violência 
e a mobilidade urbana.
Embora a produção do conhecimento científico seja histórica e socialmente determinada, a validação 
de métodos de pesquisa e o consenso da comunidade científica em torno deles tornam possível 
reconhecer como ciência os resultados obtidos a partir de certos procedimentos. Fazer ciência não 
significa afirmar certezas eternas sobre os fenômenos estudados, mas colocar à disposição da crítica e 
da mudança tanto os métodos utilizados para a investigação quanto os resultados obtidos.
Nossa proposta, a partir de agora, é a de possibilitar a reflexão sobre os métodos atualmente percebidos 
como válidos pela comunidade científica. Bem distantes da intenção de defender verdades perenes, 
buscaremos familiarizá-lo com os diferentes tipos de pesquisa e de procedimentos metodológicos.
Esperamos que você aprecie o texto.
Bons estudos!
11
MÉTODOS DE PESQUISA
Unidade I
1 MÉTODO, METODOLOGIA E PESQUISA: CONCEITOS E DEFINIÇÕES
Segundo Zanella (2013), a ciência é a produção humana na sua atividade de conhecer e refletir 
a respeito do mundo e dos fenômenos da natureza. Assim, a ciência é fruto da reflexão de um 
sujeito (quem busca saber) sobre um objeto (o alvo dessa reflexão). Por exemplo, o biólogo que busca 
compreender a transmissão de características genéticas nos seres humanos é o sujeito cognoscente, 
o indivíduo que busca o conhecimento; o seu objeto de estudo é a transmissão de características 
genéticas nos seres humanos. O geógrafo que procura entender os movimentos migratórios é o 
sujeito do conhecimento; os movimentos migratórios fazem parte do conjunto de objetos de estudo 
sobre os quais ele investiga.
O método diz respeito ao caminho que o sujeito cognoscente faz em direção ao seu objeto. 
Em outras palavras, são os procedimentos que o agente do conhecimento escolhe para que possa 
refletir, conhecer e entender um fato ou um aspecto da natureza. Essas práticas envolvem atividades 
e processos intelectuais e técnicos. Em outras palavras, incluem a razão e a ação, a ordenação dos 
pensamentos de forma a decidir sobreda pesquisa, os motivos indicados 
pelos entrevistados foram: falta de interesse em acessar a internet (34,9%), 
serviço de acesso à internet era caro (28,7%), nenhum morador sabia usar 
a internet (22,0%), serviço de acesso à internet não estar disponível na área 
do domicílio (7,5%) e equipamento eletrônico para acessar a internet ser 
caro (3,7%). A indisponibilidade do serviço de acesso à internet foi o motivo 
indicado em somente 1,2% dos domicílios da área urbana, contra 21,3% 
daqueles em área rural. [...]
A parcela da população que utilizou a conexão discada já era insignificante 
em 2016 (0,9%) e tornou-se ainda menor em 2017 (0,6%). Já o percentual 
da banda larga fixa subiu de 81,0% (2016) para 82,9% (2017) e continuou 
acima da banda larga móvel, que cresceu de 76,9% para 78,3% nesse 
período. O percentual que utilizou os dois tipos de banda larga subiu de 
forma mais acentuada, de 2016 (58,3%) para 2017 (61,4%). [...]
Os motivos mais apontados pelos 54,8 milhões de pessoas de 10 anos ou 
mais que não utilizaram a internet nos três últimos meses foram: não saber 
usar a internet (38,5%), não ter interesse em acessar (36,7%) e achar que 
serviço de acesso à internet era caro (13,7%).
O percentual de pessoas sem interesse em acessar a internet tinha diferença 
acentuada entre a área urbana (39,7%) e a rural (29,3%). O serviço de acesso 
à internet não estava disponível nos locais que costumavam frequentar foi o 
motivo indicado por 12,9% das pessoas que não utilizaram esta rede na área 
rural, enquanto na área urbana foi de 1,7% (IBGE, 2018b).
Finalmente, é importante ressaltar que a banda larga móvel é o tipo de conexão mais frequente na 
região Norte do país, enquanto a região Sul é a que tem a maior participação de conexão via banda 
larga fixa.
66
Unidade I
73,5
48,8
74,2 75,2 77,2 74,778,5
88,7
Brasil Norte Nordeste
Banda larga fixa Banda larga móvel
Domicílios em que havia conexão por banda larga na utilização da internet, 
segundo o tipo de banda larga (%)
Sudeste Sul Centro-Oeste
63,8
83,5 78,6 82,0
Figura 24 – Pnad 2017: conexão para utilização da internet
Fonte: IBGE (2018, p. 6).
 Saiba mais
São muitos os instrumentos disponibilizados na web para a elaboração 
e aplicação de questionários de web surveys. Os mais comuns, e gratuitos, 
são os fornecidos pelo Google e pela Microsoft.
GOOGLE. Formulários. Google, [s.d.]a. Disponível em: https://shre.
ink/24Bx. Acesso em: 31 ago. 2023.
MICROSOFT. Auxílio e aprendizado do Microsoft Forms. Microsoft, [s.d.]a. 
Disponível em: https://shre.ink/24Z6. Acesso em: 31 ago. 2023.
Ambos permitem a elaboração de questionários com perguntas abertas 
ou fechadas, com a inserção de imagens, com “desvios” ou “perguntas 
obrigatórias”. Ainda, os dois instrumentos apresentam a vantagem de 
transportar os seus resultados para planilhas de Excel, o que facilita 
sobremaneira o tratamento estatístico de dados.
É também possível encontrar na web pacotes estatísticos específicos 
ao tratamento de dados de pesquisa. O Bioestat foi originalmente pensado 
para o tratamento de dados de pesquisas ambientais, mas pode ser utilizado 
em quaisquer outras pesquisas do tipo survey. Ele é bastante amigável e 
intuitivo, e oferece muitas alternativas para gráficos e tabelas. Elaborado 
pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, ele é gratuito 
para alunos, pesquisadores e professores, e está disponível no link a seguir:
INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL MAMIRAUÁ. 
Programas. Tefé: Mamirauá, [s.d.]. Disponível em: https://shre.ink/24lw. 
Acesso em: 21 dez. 2020.
67
MÉTODOS DE PESQUISA
Outro software à disposição na web é o PSPP, um programa livre que emula o SPSS, um dos mais 
famosos e conhecidos pacotes estatísticos. O programa não é amigável e não oferece instrumentos 
gráficos; no entanto, ele é adequado para pesquisas que façam uso de amostras muito grandes e quando 
for necessário submeter os dados a técnicas estatísticas multivariadas.
Além das pesquisas eleitorais sobre as quais já falamos, há outras situações em que o survey é o 
método indicado para a coleta das informações: pesquisas sobre comportamento, consumo, satisfação, 
intenção de compra, viabilidade de políticas públicas e política. Considerando os recursos disponíveis na 
web, tem se tornado cada vez mais comum que os profissionais façam uso deste método para investigar 
fatos, fenômenos ou objetos.
 Saiba mais
Sugerimos que você conheça a pesquisa realizada por Amaral (2010) 
sobre a importância das competências relativas à inteligência competitiva 
nos perfis de atuação profissional. Em especial, examine com cuidado 
o questionário utilizado para a realização do survey. A pesquisa está 
disponível em:
AMARAL, R. M. Análise dos perfis de atuação profissional e de 
competências relativas à inteligência competitiva. 2010. Tese (Doutorado 
em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de São Carlos, São 
Carlos, 2010. Disponível em: https://shre.ink/24Db. Acesso em: 31 ago. 2023.
Na próxima unidade, trataremos das escolhas relacionadas aos métodos de pesquisa quando da 
realização de projetos de investigação. A seguir, exibiremos um resumo do conteúdo aqui tratado.
68
Unidade I
 Resumo
Vimos que a ciência é fruto da produção humana na sua atividade de 
conhecer e refletir a respeito do mundo e dos fenômenos da natureza. Em 
complemento, o método diz respeito ao caminho que o sujeito cognoscente 
faz em direção ao seu objeto. Em outras palavras, são os procedimentos 
que o agente do conhecimento escolhe para que possa refletir, conhecer e 
entender um fato ou um aspecto da natureza; por sua vez, a metodologia 
compreende o estudo dos métodos.
Costumamos dividir as pesquisas em dois grandes grupos: o das 
pesquisas teóricas e o das pesquisas aplicadas. As primeiras têm como 
proposta ampliar o conhecimento em determinada área, propondo novas 
questões ou novas explicações para problemas já estudados anteriormente. 
O segundo tipo, em contrapartida, tem como objetivo propor soluções a 
certos problemas. O campo desta pesquisa é a aplicação prática, ou seja, 
o uso da ciência em situações concretas para resolver questões existentes.
Em geral, as pesquisas podem ser caracterizadas em função dos 
objetivos, das abordagens e dos procedimentos. Em relação aos seus 
objetivos, a pesquisa pode ser explicativa, exploratória ou descritiva. 
A pesquisa exploratória tem o propósito de ampliar o conhecimento a 
respeito de determinado objeto ou fenômeno. A pesquisa descritiva se propõe 
a descrever com o máximo de exatidão possível os fatos, os fenômenos ou 
os objetos. Por sua vez, a pesquisa explicativa tem a finalidade de identificar 
fatores determinantes que explicam a ocorrência de fenômenos, sejam eles 
naturais ou sociais. Ela não quer apenas se aproximar do tema, mas quer 
explicar, quer mostrar a relação de causa e efeito entre variáveis.
As pesquisas também podem ser categorizadas em função da sua 
abordagem: há pesquisas qualitativas e pesquisas quantitativas. A pesquisa 
qualitativa não está preocupada em mensurar, mas em aprofundar 
o conhecimento sobre o fenômeno ou o objeto de estudo. De forma 
contrária, a pesquisa quantitativa tem a preocupação de mensurar, de 
medir a ocorrência do fenômeno. Seu material são os dados quantitativos, 
métricos, quantificáveis.
Observamos que outra forma de categorizar as pesquisas diz respeito 
aos procedimentos adotados para a coleta dos dados e das informações. 
Segundo esse critério, podemos dividir as pesquisas em dois grandes 
grupos: as pesquisas do tipo desk research e as pesquisas que envolvem 
investigação em campo.
69
MÉTODOS DE PESQUISA
Dentre os métodos e as técnicas mais comumente utilizados na 
pesquisa qualitativa, destacam-se a análise do discurso, os estudos de 
caso (por meio de grupos focais, entrevistas semiestruturadas ou pesquisas 
de observação), os estudos culturais e etnográficos, a pesquisa-ação, a 
pesquisa experimental e a pesquisa bibliográfica.
Dentre osmétodos e as técnicas mais comumente utilizadas na pesquisa 
quantitativa, destacam-se os surveys, incluídos aí os realizados pela 
internet. No caso de surveys realizados online, há uma série de aplicativos 
e pacotes estatísticos que podem facilitar a coleta de informações e o 
posterior tratamento dos dados.
70
Unidade I
 Exercícios
Questão 1. (Enade 2011, adaptada) A investigação quantitativa tem como campo de práticas e 
objetivos trazer à luz dados, indicadores e tendências observáveis. Deve ser utilizada para abarcar, 
do ponto de vista social, grandes aglomerados de dados, de conjuntos demográficos, por exemplo, 
classificando-os e tornando-os inteligíveis por meio de variáveis. A investigação qualitativa trabalha com 
valores, crenças, representações, hábitos, atitudes e opiniões. Adéqua-se a profundar a complexidade 
dos fenômenos, fatos e processos particulares e específicos de grupos mais ou menos delimitados em 
extensão e capazes de serem abrangidos intensamente.
MINAYO, M. C.; SANCHES, O. Quantitativo-qualitativo: oposição ou complementaridade? 
Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 9, n. 3, p. 239-262, jul./set. 1993. Adaptado.
As diversas áreas do conhecimento dispõem de métodos quantitativos e qualitativos, descritos 
sinteticamente no texto citado. Considerando essas definições, analise as afirmações que se seguem.
I – Os métodos qualitativos e quantitativos não podem ser empregados em uma mesma pesquisa.
II – Os métodos quantitativos são mais científicos que os qualitativos.
III – Os métodos qualitativos são utilizados em estudos de caso ou contextos delimitados.
IV – Métodos quantitativos e qualitativos não são mutuamente excludentes.
É correto apenas o que se afirma em:
A) I e II.
B) I e III.
C) II e III.
D) II e IV.
E) III e IV.
Resposta correta: alternativa E.
Análise da questão
Os métodos quantitativos e qualitativos podem ser empregados em uma mesma pesquisa. Não há 
diferença entre a cientificidade dos métodos qualitativos e a dos métodos quantitativos. Os estudos de 
caso são, tipicamente, exemplos de pesquisas qualitativas.
71
MÉTODOS DE PESQUISA
Questão 2. (Enade 2011, adaptada) A amostragem é naturalmente usada em nossa vida diária. 
Por exemplo, para verificar o tempero de um alimento em preparação, podemos provar (observar) 
uma pequena porção desse alimento. Estamos fazendo uma amostragem, ou seja, extraindo do todo 
(população) uma parte (amostra), com o propósito de avaliar a qualidade de tempero de todo o alimento. 
Nas pesquisas científicas, em que se quer conhecer algumas características de uma população, também 
é muito comum se observar apenas uma amostra de seus elementos e, a partir dos resultados dessa 
amostra, obter valores aproximados, ou estimativas, para as características populacionais de interesse. 
Esse tipo de pesquisa é usualmente chamado de levantamento por amostragem.
BARBETTA, P. A. Estatística aplicada às ciências sociais. Florianópolis: UFSC, 1998. p. 37. Adaptado.
A partir do texto citado e considerando o tema por ele abordado, conclui-se que:
I – A amostragem por conveniência consiste em uma amostragem por julgamento e seleção das 
pessoas que irão participar da pesquisa.
II – Chamamos de amostra ao grupo de pessoas que tenham as características desejadas e que 
responderão a uma pesquisa.
III – Chamamos a amostra de não probabilística quando ela tem as características que o pesquisador 
acredita necessárias para responder à pergunta de pesquisa de forma científica.
Em relação às afirmativas citadas, está correto apenas o que se afirma em:
A) I e III.
B) II.
C) III.
D) II e III.
E) I e II.
Resposta correta: alternativa E.
Análise da questão
A amostra não probabilística é aquela na qual os participantes não tiveram a mesma chance 
(probabilidade) de serem sorteados. A amostra de conveniência é composta em função da conveniência 
do pesquisador. A amostra é o grupo de pessoas que participarão de uma pesquisa, desde que tenham 
as características desejadas pelo pesquisador.
72
Unidade II
Unidade II
Na unidade I, investigamos os principais métodos e as técnicas mais utilizadas em pesquisas 
qualitativas e quantitativas. Assim, já temos condições de fazer as escolhas mais adequadas em relação 
aos objetivos do trabalho e à natureza do problema que pretende resolver.
Na unidade II, discutiremos duas etapas importantes do processo de realização de uma pesquisa. 
Evidentemente, não pretendemos com isso impor regras ou “receitas” rígidas; queremos apenas 
orientá-lo com relação às formas a partir das quais será possível colocar em prática o que já vimos a 
respeito das várias modalidades de pesquisa.
Nossa atenção estará voltada às etapas que dão início e fim a uma pesquisa: o planejamento, 
sob a forma de um projeto, e a divulgação dos resultados (sob a forma impressa ou não impressa, de 
maneira formal ou informal, para a comunidade acadêmica ou a comunidade não acadêmica). Também 
refletiremos sobre alguns aspectos éticos quanto à realização de investigações com seres vivos.
A opção por essas duas etapas justifica-se em função da diversidade de métodos e técnicas de 
pesquisas. Assim, sejam quais forem os objetivos da investigação e os procedimentos utilizados para 
coletar e analisar os dados, a elaboração do projeto e a divulgação do resultado são sempre realizadas 
como forma de planejar as etapas da pesquisa e de comunicar a todos a que conclusões o estudo chegou.
5 O PROJETO DE PESQUISA
O primeiro passo para realizar uma pesquisa é planejá-la. O planejamento de uma pesquisa costuma 
ser proposto sob a forma de um projeto. Assim, o projeto é algo similar a uma carta de intenções: 
expõe-se o que se pretende fazer, por que se pretende fazer, como se pretende fazer, quais os objetivos 
a serem alcançados e quais os resultados previstos. Posteriormente, e quando aprovado, o pesquisador 
deverá realizar aquilo que foi proposto no projeto.
O projeto de pesquisa reúne informações relevantes a respeito dos procedimentos que o pesquisador 
pretende realizar para dar conta de responder à problematização proposta. Inicialmente, deve-se 
escolher o tema; posteriormente, formular a pergunta de pesquisa, elaborar a hipótese de trabalho, 
expor os objetivos a serem atingidos, definir a metodologia adequada, explicitar o referencial teórico 
pelo qual o pesquisador pretende se orientar e propor um cronograma de atividades.
De maneira simplificada, a tomada de decisões a respeito de uma pesquisa envolve os seguintes 
aspectos:
• A problematização à qual se pretende oferecer uma resposta.
• A hipótese que se imagina ser uma resposta plausível para a pergunta.
73
MÉTODOS DE PESQUISA
• Os objetivos que se deseja alcançar com a pesquisa.
• A metodologia a ser utilizada para confirmar ou não a hipótese elaborada.
• Os motivos da escolha do tema/da problematização.
• O referencial teórico que dá suporte à problematização e à formulação da hipótese.
• O cronograma de atividades.
Veja, na figura a seguir, uma representação gráfica dessas etapas. Na sequência, discutiremos cada 
uma delas com mais detalhe.
Problema e hipótese O que fazer
Objetivos Para que fazer
Metodologia Como fazer
Justificativa Por que fazer
Referencial Com base em que fazer
Cronograma Quando fazer
Figura 25 – Etapas do processo de pesquisa
5.1 A escolha do tema
A escolha do tema é o primeiro passo para realizar uma investigação científica. O tema é o assunto, 
o que se pretende pesquisar. Inflação, comportamento organizacional, campanhas de aleitamento 
materno ou de vacinação, revitalização de centros urbanos, todos esses podem ser temas de pesquisa.
Sugere-se que o aluno escolha um tema com o qual ele tenha alguma familiaridade. Afinal, como 
já vimos, é fundamental o conhecimento prévio a respeito do tema que se pretende investigar. Quanto 
mais discernimento se tiver sobre o assunto, mais fácil será planejar e executar a pesquisa.
Além da familiaridade com o assunto, é recomendável que o aluno gostedo tema. Em geral, um 
pesquisador dedica entre um e cinco anos a uma pesquisa, considerando o período do planejamento até 
a finalização: há de se concordar que é tempo demais para se envolver com algo sobre o qual não se 
tem interesse ou alguma predileção. É importante ter afinidade com o tema. Caso o aluno não goste de 
74
Unidade II
estatística, sugere-se que ele não escolha um tema que envolva análise estatística; se ele não gosta de 
analisar documentos históricos, não faz sentido escolher um tema que obrigue a leitura de documentos 
históricos; se ele não é fluente em línguas estrangeiras, recomenda-se não escolher temas para os quais 
não há bibliografia em português.
 Observação
O aluno deve gostar do tema; entretanto, caso ele goste demais do 
tema, poderá introduzir vieses na investigação em função de suas crenças 
ou opiniões pessoais. Em outras palavras, o pesquisador pode confundir 
realidade e manifestação de vontade.
Vamos imaginar que se goste de determinado candidato e que se deva 
fazer uma pesquisa sobre a intenção de voto em uma eleição: o fato de se 
ter preferência pelo candidato pode fazer com que esse sentimento influa 
no momento de formular as questões, ou escolher a amostra, ou analisar 
os resultados. Lembre-se que, embora seja impossível de ser alcançada, a 
objetividade é uma meta do pesquisador.
Sugere-se que a grade curricular e os conteúdos programáticos das disciplinas sirvam de base para a 
escolha do tema. Um dos maiores problemas nesta etapa ocorre quando o aluno escolhe um tema que, 
a princípio, não é objeto de investigação na sua área do conhecimento: o tema pode ser extremamente 
oportuno e interessante; no entanto, o discente, ao menos no contexto do seu curso, precisa escolher 
temas que sejam objetos de estudo na sua área do conhecimento.
Figura 26 – Remeter-se à grade curricular pode ser de grande ajuda 
no momento de escolher o tema de uma pesquisa
Disponível em: https://shre.ink/24p3. Acesso em: 31 ago. 2023.
75
MÉTODOS DE PESQUISA
O estudante deve evitar modismos no momento de escolher o tema. Em certos momentos, 
determinados temas entram no “radar” de todos; nem sempre estes serão temas com os quais o aluno 
poderá se identificar. Outro cuidado a ser tomado diz respeito à assim chamada área de conforto. 
O estudante precisa escolher um tema com o qual tenha afinidade e familiaridade; isto não quer dizer, 
entretanto, que o aluno deva se acomodar ou evitar desafios.
Outra questão a ser considerada diz respeito ao tempo disponível para realizar a pesquisa, não 
apenas em relação ao prazo que deverá ser atendido, mas no que se refere ao tempo diário/semanal que 
o aluno poderá se dedicar à pesquisa.
5.2 A problematização
Pesquisas são realizadas para que encontremos respostas a perguntas feitas diante dos fenômenos 
que nos cercam. A problematização é o momento em que o aluno fará uma pergunta em relação ao 
tema, pergunta essa possível de ser respondida por meio da pesquisa.
A pergunta de pesquisa expressa o que o aluno pretende investigar e conhecer, materializa o problema 
de pesquisa. Sem a pergunta, ou seja, sem que a pesquisa proponha um problema a ser resolvido, não 
há como selecionar métodos, técnicas e referencial bibliográfico. A pergunta serve de norte para o 
pesquisador, já que ele desenvolverá a pesquisa com o objetivo de responder à pergunta feita. Por isso, 
quando o problema de pesquisa é formulado corretamente, não há como o pesquisador perder o rumo. 
Segundo Gil (2008, p. 33),
 
quando se diz que toda pesquisa tem início com algum tipo de problema, 
torna-se conveniente esclarecer o significado deste termo. Uma acepção 
bastante corrente identifica problema com questão que dá margem 
a hesitação ou perplexidade, por difícil de explicar ou resolver. Outra 
acepção identifica problema com algo que provoca desequilíbrio, mal-estar, 
sofrimento ou constrangimento às pessoas. Contudo, na acepção científica, 
problema é qualquer questão não solvida e que é objeto de discussão, em 
qualquer domínio do conhecimento.
Há questões que não podem ser objeto de investigação científica e, portanto, não servem como 
perguntas de pesquisas. Vejamos alguns exemplos.
Exemplo 1. Qual é a melhor forma de administrar a área de custos da empresa? Esta é uma pergunta 
que não pode ser respondida de forma objetiva: o que é melhor para um pode não o ser para outro. 
Melhor em termos de quais aspectos? O que significa melhor? Não há como responder a essa pergunta 
por meio de uma pesquisa; no entanto, se formularmos a questão de forma diferente, é possível que 
consigamos chegar a uma resposta: de que maneira os processos burocráticos na área de custos da 
empresa auxiliam/dificultam os trabalhos dos funcionários ao final do mês, no fechamento de contas? 
Esta é uma pergunta que pode ser respondida por meio de pesquisa: podemos formular um questionário 
e perguntar aos funcionários, ou fazer testes com a inserção ou exclusão de processos burocráticos, 
cronometrando o tempo de trabalho para o fechamento de contas. Qualquer uma das duas formas 
possibilita que respondamos à pergunta feita.
76
Unidade II
Exemplo 2. Quais aspectos aumentam o bem-estar dos indivíduos? Esta é uma pergunta difícil 
de ser respondida, ao menos considerando a maneira como foi formulada. Há inúmeras variáveis que 
podem explicar ou determinar o bem-estar dos indivíduos: o hábito de realizar exercícios físicos, o 
tipo de alimentação e o acesso a serviços de saúde são algumas delas. Há outras, tais como fatores 
genéticos e ambientais. Há de se concordar que será muito difícil responder a essa pergunta se não 
fizermos um “recorte” que nos possibilite formular um problema passível de solução: considerando 
determinado grupo de pessoas idosas, podemos estabelecer alguma associação entre o hábito de 
realizar exercícios físicos e a ocorrência de doenças respiratórias? Esta pergunta pode ser respondida. 
Considerando determinado grupo de pessoas idosas, é possível relacionar a qualidade do sono (horas 
de sono sem quaisquer interrupções) e uma alimentação que faça menos uso de produtos processados? 
Esta pergunta também pode ser respondida.
Gil (2008) recomenda alguns cuidados quando da formulação da pergunta de pesquisa:
• O problema deve ser formulado de forma interrogativa. Ele tem que ser traduzido por meio de 
uma pergunta.
• O problema deve ser viável, ou seja, ele precisa estar sujeito à resolução.
• O problema deve ter clareza. Caso ele inclua algum conceito na sua formulação, o seu significado 
deve estar explicitado.
• O problema deve ser preciso.
A leitura de jornais e artigos acadêmicos pode auxiliar na formulação do problema de pesquisa. Se 
tivermos em mente que o problema é uma pergunta que se faz diante dos fenômenos do mundo que 
nos cerca, a primeira providência que devemos tomar é entrar em contato com esse mundo, de forma 
crítica e reflexiva.
Figura 27 – A primeira atitude que um pesquisador deve tomar é entrar 
em contato com o mundo de forma crítica e reflexiva
Disponível em: https://shre.ink/24p1. Acesso em: 31 ago. 2023.
77
MÉTODOS DE PESQUISA
5.3 A formulação da hipótese
O problema da pesquisa é formulado por meio de uma pergunta; em adição, a hipótese é uma 
resposta à pergunta, e que se supõe provável. A hipótese é uma afirmativa que responde ao problema, 
e o trabalho de pesquisa dirá se esta é correta ou não. Voltemos aos problemas sobre os quais falamos 
anteriormente.
Exemplo 1. Problema de pesquisa: de que maneira os processos burocráticos na área de custos da 
empresa auxiliam/dificultam os trabalhos dos funcionários ao final do mês, no fechamento de contas?
Hipótese: os processos burocráticos criam novas etapas de trabalho, que, por sua vez, atrasam o 
fechamento de contas no final do mês.
Como vimos anteriormente, é possível oferecer uma resposta à pergunta que fizemos. A hipótese, 
por sua vez, é uma resposta que entendemos ser provável. É possível, por meio de pesquisa, descobrirmos 
se a hipóteseestá correta ou não.
Exemplo 2. Problema de pesquisa: no caso de pessoas idosas, podemos estabelecer alguma associação 
entre o hábito de realizar exercícios físicos e a ocorrência de doenças respiratórias?
Hipótese: o hábito de caminhar meia hora por dia faz com que pessoas idosas, sem problemas 
preexistentes de saúde, diminuam o uso de serviços de saúde por conta de problemas respiratórios.
A pergunta que fizemos é passível de resposta. A hipótese, por sua vez, é uma resposta que 
imaginamos plausível e provável. O trabalho de pesquisa permitirá que afirmemos ser a hipótese correta 
ou não. O questionamento que deve surgir é: há uma infinidade de hipóteses que podem ser elaboradas 
em relação a um problema; como, então, escolher uma boa hipótese? Para Gil (2008, p. 46),
 
as hipóteses originam-se das mais diversas fontes. Algumas derivam da 
simples observação dos fatos. Outras de pesquisas já realizadas. Há hipóteses 
que são obtidas a partir de teorias e outras que têm origem na intuição. 
[...] As hipóteses decorrentes dos resultados de outra pesquisa conduzem a 
conclusões mais amplas. À medida que uma hipótese se baseia em estudos 
anteriores, e se o estudo em que se insere a confirma, o resultado auxilia 
na demonstração de que a relação se repete regularmente. Por exemplo, 
se uma pesquisa realizada nos Estados Unidos confirma que empregados 
de nível elevado são menos motivados por salários que por desafios, e 
pesquisa posterior a confirma no Brasil, estes resultados passam a gozar de 
significativo grau de confiabilidade. As hipóteses derivadas de teorias são 
as mais interessantes no sentido de que proporcionam ligação clara com o 
conjunto mais amplo de conhecimentos das ciências sociais. Todavia, nem 
sempre isto se torna possível, visto que muitos campos da ciência social 
carecem de teorias suficientemente esclarecedoras da realidade. Também 
78
Unidade II
há hipóteses derivadas de simples palpites ou de intuições. A história da 
ciência registra vários casos de hipóteses desse tipo que conduziram a 
importantes descobertas.
Segundo Gil (2008), alguns cuidados devem ser tomados quando formulamos hipóteses:
• A hipótese deve ser formulada de maneira clara.
• A hipótese deve ser formulada de maneira específica. Quanto mais específica for a resposta que 
imaginamos ser capaz de responder à pergunta feita, mais fácil confirmá-la ou não.
• A hipótese não deve implicar julgamentos de valor e deve envolver variáveis possíveis de serem 
medidas de alguma forma.
• A hipótese precisa ser formulada de maneira simples.
• A hipótese deve estar relacionada a uma teoria. As teorias servem de guias para as hipóteses, 
sugerindo caminhos já percorridos e resultados já alcançados.
5.4 A identificação de objetivos
Os objetivos estão relacionados aos propósitos da pesquisa, suas finalidades e intenções. Em resumo: 
se o problema e a hipótese identificam o que será pesquisado, os objetivos mostram por que será 
pesquisado. Os objetivos podem ser genéricos ou específicos, mas, como regra, eles são representados 
por meio de verbos de ação, quer dizer, os verbos de ação instrumentalizam os objetivos.
Prodanov e Freitas (2013, p. 124) recomendam alguns objetivos e os verbos de ação que podem 
representá-los. Sugerimos que, inicialmente, você identifique o que quer fazer, ou o que deve ser feito; 
em seguida, que selecione as ações que podem levá-lo ao que pretende alcançar.
a) quando a pesquisa tiver o objetivo de conhecer: apontar, citar, classificar, 
conhecer, definir, descrever, identificar, reconhecer, relatar;
b) quando a pesquisa tiver o objetivo de compreender: compreender, 
concluir, deduzir, demonstrar, determinar, diferenciar, discutir, interpretar, 
localizar, reafirmar;
c) quando a pesquisa tiver o objetivo de aplicar: desenvolver, empregar, 
estruturar, operar, organizar, praticar, selecionar, traçar, otimizar, melhorar;
d) quando a pesquisa tiver o objetivo de analisar: comparar, criticar, debater, 
diferenciar, discriminar, examinar, investigar, provar, ensaiar, medir, testar, 
monitorar, experimentar;
79
MÉTODOS DE PESQUISA
e) quando a pesquisa tiver o objetivo de sintetizar: compor, construir, 
documentar, especificar, esquematizar, formular, produzir, propor, 
reunir, sintetizar;
f) quando a pesquisa tiver o objetivo de avaliar: argumentar, avaliar, 
contrastar, decidir, escolher, estimar, julgar, medir, selecionar.
5.5 Os métodos e as técnicas: as escolhas metodológicas
O problema e a hipótese indicam o que fazer. Os objetivos, para que fazer. A metodologia indica 
como fazer, ou seja, ela envolve as escolhas a respeito dos processos, procedimentos e operações 
para investigar os fatos e os fenômenos. O que vai indicar quais os métodos deverão ser escolhidos 
são o problema, a hipótese e os objetivos. É em função deles que o pesquisador escolhe se fará uma 
pesquisa qualitativa ou quantitativa, e qual o método de pesquisa mais adequado para coletar as 
informações necessárias.
Figura 28 – No projeto, o item referente à metodologia da pesquisa esclarece quanto aos 
procedimentos a serem adotados para a investigação do objeto de estudo
Disponível em: https://shre.ink/24pp. Acesso em: 31 ago. 2023.
A metodologia ainda envolve o detalhamento dos procedimentos a serem adotados. Quanto mais 
detalhes forem dados, melhor será a compreensão em relação aos procedimentos para a investigação. 
Estas informações são relevantes não apenas para que se possa acompanhar a realização de pesquisa, 
mas para auditar o respeito às normas metodológicas e científicas por parte do pesquisador. Afinal uma 
das características da pesquisa científica é a possibilidade de ela ser replicada; isto quer dizer que, no 
caso de alguém assim o desejar, poderá repetir todos os procedimentos adotados pelo pesquisador e 
comparar os resultados. Para a realização de pesquisas qualitativas, o aluno deverá:
• No caso de análise do discurso: descrever as fontes discursivas e os procedimentos de análise.
• Nos estudos de caso: justificar a escolha da unidade de análise (o caso), detalhando suas 
características, esclarecer quais técnicas para coleta de informações serão utilizadas (se entrevistas 
80
Unidade II
semiestruturadas, grupos focais, observação etc.) e qual equipe será necessária para realizar o 
estudo. Se o estudo de caso envolver observação, deverão ser detalhados os objetos a serem 
investigados, as técnicas de observação, as condições a serem respeitadas durante a observação e 
os procedimentos para documentação e mensuração do resultado das observações.
• No caso de estudos etnográficos: detalhar qual comunidade ou qual grupo será observado, 
quais as formas de convívio com o grupo, quais os valores e a cultura do grupo pesquisado, quais 
os limites de ação do pesquisador.
• No caso de pesquisa-ação: explicitar quais os propósitos e objetivos da intervenção, em qual 
grupo será realizada a intervenção, quais os procedimentos a serem adotados pelos pesquisadores, 
como será realizada a coleta de dados, como os dados serão tratados.
• No caso de experimentos: identificar detalhadamente o grupo experimental e o grupo de 
controle, esclarecer quanto à seleção amostral, explicitar as relações que serão alvo de investigação 
e quais as formas de documentação.
• No caso de pesquisa documental: indicar quais documentos serão analisados, em que local 
estão armazenados, com que softwares os documentos serão tratados, qual a natureza dos 
dados coletados.
• No caso de pesquisa bibliográfica: assinalar quais os critérios para a seleção da bibliografia, 
quais as fontes e bancos de dados, qual a natureza dos dados levantados, quais os sistemas de 
busca utilizados, como os dados serão registrados ou armazenados.
 Observação
Posteriormente, discutiremos alguns aspectos éticos envolvidos 
na realização de pesquisas com seres vivos. Em especial no caso de 
pesquisa-ação e experimentos, é fundamental que o pesquisador siga as 
normas e regras da instituição em relação a estesaspectos éticos.
As pesquisas quantitativas também envolvem o detalhamento de um grande número de etapas, 
processos e recursos. No caso de surveys, por exemplo, é necessário pormenorizar:
• O público a ser entrevistado.
• O formato da entrevista: caso seja presencial, quantos entrevistadores serão necessários e qual o 
treinamento pelo qual eles deverão passar; caso não seja presencial, quais as mídias que serão 
utilizadas; o pesquisador deverá também esclarecer se o questionário será respondido por meio 
de autopreenchimento ou não.
81
MÉTODOS DE PESQUISA
• O modelo de questionário e os procedimentos de pré-teste do questionário (realização de algumas 
entrevistas para verificar se há algum problema com a formulação, compreensão ou ordem das 
perguntas); ainda é importante decidir se o questionário será elaborado com a ajuda ou não de 
algum software.
• A amostra a ser entrevistada (tamanho e composição da amostra): se ela será probabilística ou 
não, e quais os meios para a seleção dos participantes.
• O tratamento estatístico dos dados. Como serão tratados os dados e quais “pacotes” estatísticos 
serão utilizados.
5.6 A justificativa
Imagine que você tenha diante de si mais de uma centena de temas possíveis de serem investigados 
por meio de uma pesquisa. O que justifica a escolha do tema “A” ou “B”? O que justifica a pergunta 
que você pretende responder por meio da pesquisa? Quais os motivos que o levaram a escolher esta 
pergunta, dentre as tantas possíveis de serem feitas? Afinal, o que justifica a pesquisa e por que as 
pessoas deverão ler os seus resultados?
Esses são aspectos que devem ser explicitados no projeto de pesquisa e, em geral, eles estão relacionados 
à relevância (importância) do tema, à oportunidade (um evento ou acontecimento que possibilita ou 
facilita a realização da pesquisa), à demanda (no caso de a pesquisa ter sido solicitada por uma empresa 
ou instituição de pesquisa) e à iniciativa do pesquisador (algum interesse pessoal do pesquisador).
A justificativa é um item importante do projeto, já que nesse momento “se expõem as razões de 
ordem teórica (desenvolvimento da ciência) e de ordem prática (aplicação da ciência) pelas quais a 
pesquisa proposta é importante” (Gerhardt; Silveira, 2009, p. 98). De acordo com Prodanov e Freitas 
(2013, p. 82), a justificativa envolve refletir
 
sobre “o porquê” da realização da pesquisa, procurando identificar as 
razões da preferência pelo tema escolhido e sua importância em relação 
a outros temas. Perguntamos: o tema é relevante e, se é, por quê? Quais 
os pontos positivos que você percebe na abordagem proposta? Que 
vantagens e benefícios você pressupõe que sua pesquisa irá proporcionar? 
A justificativa deverá convencer quem for ler o projeto, com relação à 
importância e à relevância da pesquisa proposta. A justificativa, num 
projeto de pesquisa, como o próprio nome indica, é o convencimento de 
que o trabalho de pesquisa é fundamental de ser efetivado. Devemos tomar 
o cuidado, na elaboração da justificativa, de não tentarmos justificar a 
hipótese levantada, ou seja, tentar responder ou concluir o que vai ser 
buscado no trabalho de pesquisa. A justificativa exalta a importância do 
tema a ser estudado, justifica a necessidade imperiosa de levar a efeito 
tal empreendimento. Interesse pessoal, possibilidade de contribuir para o 
conhecimento em relação ao assunto.
82
Unidade II
Figura 29 – No projeto, o item da justificativa esclarece quanto aos motivos 
da seleção e da escolha do tema e do problema de pesquisa
Disponível em: https://shre.ink/24sY. Acesso em: 31 ago. 2023.
5.7 O referencial teórico
O referencial teórico, também chamado de marco teórico, revisão de literatura e estado da 
arte, diz respeito aos conceitos, teorias e constructos nos quais o pesquisador está se apoiando. 
Vejamos: caso se pretenda realizar uma pesquisa sobre o comportamento dos jovens diante de 
aplicativos para relacionamento social, é importante que sejam definidos alguns conceitos: o que 
se entende por comportamento? Quais as variáveis envolvidas no estudo do comportamento? 
O que se entende por relacionamento social?
Em outras palavras, o referencial teórico é a fundamentação teórica da pesquisa. Ninguém reinventa 
a roda; portanto, é difícil encontrar um tema ou assunto que já não tenha sido objeto de pesquisa 
anteriormente. O referencial teórico não envolve apenas o que já foi realizado e pesquisado sobre o 
tema, mas quais os principais resultados obtidos e as conclusões alcançadas que podem servir de apoio 
ao trabalho que está sendo realizado naquele momento.
 Observação
A teoria é o conjunto de conhecimentos que se propõe a explicar um 
fenômeno com algum grau de exatidão; quanto maior o grau de exatidão, 
melhor a teoria. A teoria busca explicar como ou por que as coisas acontecem.
As teorias são diferentes das leis: as leis descrevem fenômenos; as teorias 
explicam os fenômenos.
É importante que o pesquisador estabeleça qual intervalo servirá de base para a coleta bibliográfica 
de trabalhos anteriores: serão pesquisados apenas os trabalhos dos últimos dois anos? Serão 
considerados aqueles realizados nos últimos cinco anos? Deverão ser lidos os trabalhos executados 
apenas no Brasil ou deverão ser analisadas as pesquisas feitas em outros países? Serão lidos trabalhos 
somente em língua portuguesa ou deverão ser lidos trabalhos escritos em outros idiomas?
Quais as teorias que outros pesquisadores utilizaram para investigar o tema? Que autores e pensadores 
serviram de base para o trabalho que o pesquisador realizou? Quais os acordos e conflitos existentes 
entre as teorias que já foram utilizadas como referencial para as pesquisas sobre o tema?
83
MÉTODOS DE PESQUISA
Como já observamos, não há como realizar qualquer pesquisa sem ter como base algum referencial 
teórico. Aliás, deve já haver alguma fundamentação teórica no momento em que o pesquisador escolhe 
o seu tema e formula a sua problematização: afinal, como elaborar uma pergunta, e supor uma resposta, 
caso já não se conheça bastante sobre o assunto?
 
A revisão da literatura demonstra que o pesquisador está atualizado nas 
últimas discussões no campo de conhecimento em investigação. Além de 
artigos em periódicos nacionais e internacionais e livros já publicados, as 
monografias, dissertações e teses constituem excelentes fontes de consulta. 
Revisão de literatura difere-se de uma coletânea de resumos ou uma 
“colcha de retalhos” de citações. Destacamos que a finalidade da pesquisa 
científica não é apenas um relatório ou uma descrição de fatos levantados 
empiricamente, mas o desenvolvimento de um caráter interpretativo no 
que se refere aos dados obtidos. Para tal, é imprescindível correlacionar 
a pesquisa com o universo teórico, optando por um modelo que sirva de 
embasamento à interpretação do significado dos dados e fatos colhidos ou 
levantados (Prodanov; Freitas, 2013, p. 131).
Todo e qualquer problema de pesquisa envolve determinados pressupostos teóricos. Veja bem: 
não estamos falando de hipóteses, afirmativas que iremos ou não confirmar. Os pressupostos teóricos 
são conhecimentos que assumimos como verdadeiros e que permitem que formulemos indagações. 
Os pressupostos são premissas, pontos de partida. Vamos exemplificar: caso tenhamos interesse em 
pesquisar processos de gestão em uma empresa, podemos partir da premissa de que é possível identificar 
esses processos e que eles são importantes para a compreensão do funcionamento da instituição. Não 
há dúvidas sobre essa asserção, e a pesquisa não será realizada para confirmar ou não essa asserção.
Em várias ocasiões, os pressupostos envolvem conceitos (que materializam a abstração a partir 
de uma ideia sobre qualquer coisa ou fenômeno), expressos na linguagem científica. Se estamos fazendo 
uma pesquisa a respeito do desempenho de alunos em relação ao desenvolvimento de determinadas 
competências, é fundamental conceituarmos “desempenho”, “desenvolvimento” e “competências”.Há ainda situações em que os pesquisadores trabalham com indicadores. O indicador é um 
instrumento que se presta a dar informações a respeito de um objeto ou fenômeno. Em geral, ele assume 
características de mensuração e se apoia em fontes de informações confiáveis. O indicador é usado 
para identificar determinadas características; quando essas são de natureza subjetiva, os pesquisadores 
buscam formas de mensurá-las a partir de parâmetros claros e precisos. Por conta disso, os indicadores, 
na maioria das vezes, expressam quantidades; no caso de variáveis qualitativas, são elaborados índices 
para medir aspectos qualitativos, tais como índices para a mensuração da ansiedade, da expectativa em 
relação ao futuro, da satisfação a respeito do consumo de um produto etc.
Vejamos um exemplo: podemos definir classe social de diversas formas, cada uma delas construída 
a partir de certos pressupostos e informações. Podemos supor que classe social esteja associada à renda 
familiar, que ela é determinada pelo grau de instrução do chefe da família etc. Há várias maneiras de se 
fazê-lo, dependendo de como ela é percebida. Assim, caso queiramos criar um indicador de classe social, 
84
Unidade II
podemos assumir, por exemplo, que “classe social” representará o padrão de consumo de determinada 
pessoa. Consequentemente, embora possamos definir classe social por meio de características culturais, 
sociais, de ocupação profissional ou de valores e crenças, decidimos trabalhá-la em relação ao que 
representa em termos de potencialidade de consumo.
Esta é a forma como, por exemplo, a Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e a Associação 
Brasileira de Institutos de Pesquisa de Mercado (Abipeme) trabalham com a ideia de classe social. Por 
meio de um questionário, são mensurados o poder de compra da pessoa em função do consumo de 
determinados itens e outras variáveis percebidas como indicadoras de renda permanente. A pontuação 
na posse desses itens, assim, indica a classe social.
A Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa), em documento emitido em 2019, alterou os 
critérios para a aplicação do Critério Brasil. Este conjunto de procedimentos foi criado para estimar, de 
forma padronizada, a capacidade de consumo dos domicílios, permitindo que, a partir desses dados, fosse 
possível identificar grandes grupos com características específicas. Os grupos são, assim, diferenciados 
em função do nível educacional dos indivíduos, da ocupação, da posse de bens, das condições de 
moradia, do acesso a serviços públicos, da posse de ativos financeiros e não financeiros e da renda 
corrente. Portanto, quando, em qualquer trabalho de pesquisa, fizermos menção à classificação social 
por meio do Critério Brasil da Abep, todos estarão cientes de que essa classificação foi elaborada a 
partir da pontuação em termos da posse de bens de consumo e de outras variáveis indicativas de renda 
permanente. O sistema de pontos em uso pela Abep, atualmente, funciona conforme descrito a seguir.
Tabela 3 – Mecanismos de pontuação para atribuição 
de classe social segundo o Critério Brasil da Abep
Quantidade
0 1 2 3 4 ou +
Banheiros 0 3 7 10 14
Empregados domésticos 0 3 7 10 13
Automóveis 0 3 5 8 11
Microcomputador 0 3 6 8 11
Lava-louça 0 3 6 6 6
Geladeira 0 2 3 5 5
Freezer 0 2 4 6 6
Lava-roupa 0 2 4 6 6
DVD 0 1 3 4 6
Micro-ondas 0 2 4 4 4
Motocicleta 0 1 3 3 3
Secadora de roupa 0 2 2 2 2
Fonte: Abep (2019, p. 2).
85
MÉTODOS DE PESQUISA
Tabela 4 
Grau de instrução do chefe da família
Analfabeto / Fundamental I incompleto 0
Fundamental I completo / Fundamental II incompleto 1
Fundamental II completo / Médio incompleto 2
Médio completo / Superior incompleto 4
Superior completo 7
Serviços públicos
Não Sim
Água encanada 0 4
Rua pavimentada 0 2
Fonte: Abep (2019, p. 2).
Tabela 5 – Cortes do Critério Brasil
Classe Pontos
1 – A 45 – 100
2 – B1 38 – 44
3 – B2 29 – 37
4 – C1 23 – 28
5 – C2 17 – 22
6 – D – E 0 – 16
Fonte: Abep (2019, p. 3).
Tabela 6 
Estrato
socioeconômico
Renda média 
domiciliar
A 25.554,33
B1 11.279,14
B2 5.641,64
C1 3.085,48
C2 1.748,59
DE 719,81
Total 3.014,01
Fonte: Abep (2019, p. 3).
86
Unidade II
É possível formularmos outros indicadores de forma a operar com a ideia de classe social? Sim, 
é possível. Ao explicarmos o Critério Brasil, da Abep, desejamos apenas mostrar a complexidade 
envolvida na elaboração de um constructo, bem como a importância dos procedimentos adotados para 
esta elaboração.
Outros referenciais teóricos envolvem constructos, muito similares aos conceitos. O constructo 
estabelece relações entre variáveis, supondo um conjunto de propriedades que será assumido 
como consensual. Ele permite a operação do conceito. Vejamos um exemplo. Roberts et al. (2002) 
questionaram-se a respeito do constructo “inteligência emocional”. O que vem a ser inteligência 
emocional, afinal? Quais teorias já foram desenvolvidas com o objetivo de mensurá-la ou 
qualificá-la? É deveras instrutivo o que os autores identificam como obstáculos para a definição 
deste constructo.
 
A psicologia de vez em quando se vê surpreendida com o surgimento 
de conceitos que caem rapidamente no gosto popular. Não há nada de 
errado em que isso aconteça, dado que é desejo de toda ciência que 
seus preceitos sejam compreendidos e aceitos pela população leiga. O 
problema reside em popularizar o termo antes de comprovar a veracidade 
dele. Na década de 1990, o termo inteligência emocional (IE) tornou-se 
conhecido graças à obra Emotional intelligence de Goleman (1995), um 
professor da Universidade de Harvard. Em um breve período, o termo 
entrou no vocabulário de diversos segmentos da sociedade. Inclusive, 
diversas instituições de Ensino Infantil propõem atualmente, como 
atrativo, a educação da IE para crianças cujos pais se mostram ansiosos 
por um ensino diferenciado e voltado para o desenvolvimento do cidadão. 
Também, no mundo do business se realizam numerosas palestras, cursos 
de treinamento, consultorias, seminários e outros congêneres oferecendo 
“dicas” sobre como aumentar a IE. No mercado editorial pode-se encontrar 
diversas obras com o mesmo objetivo. Por que as pessoas têm se interessado 
tanto pela chamada “inteligência emocional”? Ao que parece, a resposta 
pode estar relacionada com a suposição de que pessoas com melhor 
gerenciamento das próprias emoções são aquelas que provavelmente 
são mais bem-sucedidas no mercado de trabalho e apresentam melhor 
qualidade de vida. Numa época altamente tecnológica e competitiva, 
mas com baixo nível de emprego, o investimento na IE surge como uma 
alternativa promissora para aumentar o potencial de empregabilidade, se 
não o próprio pelo menos o dos filhos. Dado o impacto atual do conceito 
de “inteligência emocional”, a impressão que se tem é que a psicologia, 
enquanto ciência, ignorou a relação entre a condução adequada das 
emoções de um indivíduo e o alcance do bem-estar, social e profissional. 
Assim, a IE constituiria um novo construto na psicologia científica e viria 
preencher a lacuna deixada pelos tradicionais estudos da psicologia das 
diferenças individuais. A IE seria, então, um tipo de inteligência e diferente 
da personalidade. Como se verá a seguir, é prematuro considerar a IE como 
87
MÉTODOS DE PESQUISA
um novo construto científico. Embora as perspectivas sejam interessantes, 
as evidências sobre a natureza e estrutura da IE, veiculadas na literatura 
especializada, ainda não são suficientemente sólidas, pois existem 
problemas conceituais e, principalmente, dificuldades de mensuração 
(Roberts et al., 2002, p. 78).
Em conclusão, os autores (2002, p. 78) consideraram extremamente necessário fazer o “estado da 
arte” sobre a pesquisa a respeito da inteligência emocional, identificando “os instrumentos propostos 
para medi-la, sua relação com construtos clássicos como inteligência e personalidade e algumas 
tendências para pesquisas futuras“.
Figura 30 – O constructo explicita a operacionalizaçãodas relações que existem entre as variáveis
Disponível em: https://shre.ink/24s0. Acesso em: 31 ago. 2023.
Vários pesquisadores adotam como padrão organizar o seu referencial teórico sob a forma de um 
quadro, no qual podem ser identificados os autores estudados e os principais conceitos/constructos por 
eles utilizados. Por exemplo, Zacharias, Figueiredo e Almeida (2008) resumiram em um quadro o seu 
referencial teórico de forma a associá-lo com as hipóteses elaboradas. O trabalho para o qual eles se 
dedicaram dizia respeito aos determinantes da satisfação dos usuários de serviços bancários nas cidades 
do Rio de Janeiro e São Paulo. Veja, a seguir, como os autores justificaram o referencial teórico utilizado.
Quadro 3 – Autores referenciados no trabalho de Zacharias, 
Figueiredo e Almeida em função das hipóteses elaboradas
Hipóteses da pesquisa Autores cujos estudos suportam 
as hipóteses enunciadas
H1: A satisfação com os produtos e serviços oferecidos pelo 
banco é fator determinante da satisfação geral do cliente Levesque e McDougall, 1996; Krishnan e outros, 1999
H2: A satisfação com o uso dos caixas eletrônicos do banco 
é fator determinante da satisfação geral do cliente
Goode e Moutinho, 1995; Moutinho e Smith, 2000; Souza 
Neto, Fonseca e Oliveira, 2005
88
Unidade II
Hipóteses da pesquisa Autores cujos estudos suportam 
as hipóteses enunciadas
H3: A satisfação com o uso do banco por telefone é fator 
determinante da satisfação geral do cliente
Levesque e McDougall, 1996; Krishnan e outros, 1999; 
Souza Neto, Fonseca e Oliveira, 2005
H4: A satisfação com o uso do banco por internet é fator 
determinante da satisfação geral do cliente
Krishnan e outros, 1999; Moutinho e Smith, 2000; Oliveira, 
2001; Souza Neto, Fonseca e Oliveira, 2005; Gerrard, 
Cunningham e Devlin, 2006
H5: A satisfação com o atendimento nos caixas é fator 
determinante da satisfação geral do cliente Jamal e Naser, 2002
H6: A satisfação com os gerentes é fator determinante da 
satisfação geral do cliente
Lassar, Manolis e Winsor, 2000; Madill e outros, 2002; 
Souza Neto, Fonseca e Oliveira, 2005
H7: A satisfação com a forma como o banco resolve os 
problemas (recuperação do serviço) é fator determinante 
da satisfação geral do cliente
Hart, Heskett e Sasser, 1990; Levesque e McDougall, 1996; 
Smith e Bolton, 1998; Duffy, Miller e Bexley, 2006
Fonte: Zacharias, Figueiredo e Almeida (2008, p. 10).
Outro exemplo é fornecido por Oliveira et al. (2017), que realizaram uma revisão sistemática da 
produção científica sobre saberes escolares relacionados à saúde. Eles sistematizaram o seu referencial 
teórico da seguinte forma: no quadro 4, sintetizaram os estudos que foram utilizados para a análise; no 
quadro 5, identificaram a relevância da abordagem de cada estudo para a área da saúde.
Quadro 4 – Relação de estudos
Relação dos estudos que atendem aos critérios de seleção estabelecidos
Autor(es) Título Periódico Ano
Leonardo Docena Pina Atividade física e saúde: uma experiência pedagógica 
orientada pela pedagogia histórico-crítica Motrivivência – UFSC 2008
Evelyn Helena C. Ribeiro; 
Alex Antonio Florindo
Efeitos de um programa de intervenção no nível de 
atividade física de adolescentes de escolas públicas de 
uma região de baixo nível socioeconômico: descrição 
dos métodos utilizados
Revista Brasileira de 
Atividade Física e 
Saúde
2010
Angélica Caetano da Silva Tematizando o discurso da mídia sobre saúde com 
alunos do Ensino Médio Motrivivência – UFSC 2011
Heraldo Simões Ferreira; 
Braulio Nogueira de Oliveira; 
José Jackson Coelho Sampaio
Análise da percepção dos professores de educação 
física acerca da interface entre a saúde e a educação 
física escolar: conceitos e metodologias
Revista Brasileira de 
Ciências do Esporte 2013
Luiz G. B. Rufino; Suraya C. 
Darido
Educação física escolar, tema transversal, saúde e 
livro didático: possíveis relações durante a prática 
pedagógica
Revista Brasileira de 
Ciência & Movimento 2013
Daniel Zancha; Gabriela 
Bongiorno Sica Magalhães; 
Jessica Martins; Thais 
Argentini da Silva; Thaís 
Borges Abrahão
Conhecimento dos professores de educação física 
escolar sobre a abordagem saúde renovada e a 
temática saúde
Conexões 2013
Carla Francieli Spohr; Milena 
de Oliveira Fortes; Airton José 
Rombaldi; Pedro Curi Hallad; 
Mario Renato Azevedo
Atividade física e saúde na educação física escolar: 
efetividade de um ano do projeto “Educação Física +”
Revista Brasileira de 
Atividade Física e 
Saúde
2014
Daniel Teixeira Maldonado; 
Daniel Bocchini
Educação física escolar e as três dimensões do 
conteúdo: tematizando os esportes na escola pública Conexões 2014
Fonte: Oliveira et al. (2017, p. 100).
89
MÉTODOS DE PESQUISA
Quadro 5 – Relevância dos estudos para a área de saúde
Seleção
Referência Relevância para o tratamento dos saberes da saúde Referenciais 
teóricos
Pina (2008)
Superação da concepção de saúde e do papel atribuído e reproduzido 
pelos estudantes à educação física na escola, unicamente associados 
à prática de atividades físicas sem estabelecimento de uma 
contextualização mais ampla das relações sociais saúde = exercício
Soares et al. (2014)
Saviani (2006)
Ribeiro & 
Florindo (2010)
Superação de índices de comportamento relacionados negativamente 
à saúde. Especificamente, o comportamento sedentário
Nahas et al. (2009)
PCN (1998)
Silva (2011)
Proporcionar a análise do discurso midiático que mascara a realidade 
inerente aos determinantes sociais da saúde, articulando-a apenas à 
aquisição de hábitos
Fantin (2006)
Gomes (2009)
Ferreira, Oliveira & 
Sampaio (2013)*
Proporcionar o aprendizado acerca da relevância da prática do 
exercício físico para a saúde do ponto de vista físico, mental e 
relacional entre os seres humanos, considerando a importância da 
realização das atividades físicas para a saúde dos estudantes nas aulas 
de educação física
N/A
Rufino & 
Darido (2013)
O incentivo à prática da atividade física e a manutenção de um 
estilo de vida ativo pelo conjunto de disciplinas com o fim de 
permitir aos alunos o entendimento acerca da complexidade 
da saúde enquanto tema transversal, contemplando dimensões 
profiláticas, curativas e de reabilitação, assim como dimensões 
históricas e sociais acerca do tema
PCN (1998)
Zancha et al. 
(2013)*
Introduzir a saúde como um eixo norteador nas aulas da educação 
física, procurando atender a todos os estudantes, inclusive os que 
mais necessitam de suas aulas, como os sedentários, os pouco 
aptos fisicamente, os deficientes e os obesos, com o fim de garantir 
autonomia ao aluno com relação à prática de atividades físicas e 
hábitos saudáveis para toda a vida
Nahas (1997; 2001)
Spohr et al. (2014) Relacionada à diminuição da prática de atividade física na transição 
entre infância e adolescência Nahas et al. (2009)
Maldonado & 
Bocchini (2014)
Compreender os conceitos de saúde explorados pela mídia acerca 
da prática esportiva, no sentido de evidenciar que nem sempre tais 
conceitos estão corretos
Kunz (2004)
PCN (1998)
N/A = Não apresenta o item correspondente. *Nestes estudos, especificamente, a não apresentação de um ou mais 
itens relacionou-se ora à não menção, ora ao não objetivo do texto em tratar tais elementos.
Fonte: Oliveira et al. (2017, p. 102).
Qual o material que temos à disposição para a elaboração do referencial teórico? Os sistemas de 
busca na internet permitem que acessemos uma boa parte de tudo já publicado sob a forma de livros, 
artigos em revistas acadêmicas, monografias, dissertações e teses. A revisão bibliográfica, portanto, 
envolve buscar as fontes de informação, ler e criticar o material disponível por meio de critérios de 
sistematização e registro, dialogar com o material pesquisado em função das necessidades da pesquisa 
em termos de teorias, conceitos e constructos.
90
Unidade II
 Lembrete
Na unidade I, tivemos a oportunidade de discutir vários aspectos 
relacionados à pesquisa bibliográfica. Recomendamosque retorne a ela 
caso queira rever esse conteúdo.
5.8 O cronograma de atividades
O cronograma de atividades responde à questão de “quando” o trabalho será realizado. A pesquisa 
deve ser realizada conforme uma sequência de etapas, e precisa ser concluída dentro do prazo que 
há disponível. Algumas etapas podem ocorrer de forma simultânea: por exemplo, podemos redigir o 
referencial teórico e, ao mesmo tempo, analisar os dados estatísticos que foram encontrados; outros 
estágios devem ocorrer de forma concatenada, ordenada: ou seja, precisamos definir o referencial 
teórico antes de ir coletar os dados secundários.
Para que se possa elaborar o cronograma de atividades, sugerimos alguns aspectos que deverão 
estar nele contemplados:
• Leitura exploratória de artigos sobre o tema.
• Seleção de artigos e textos que serão a base do referencial teórico.
• Elaboração da pergunta e da hipótese de trabalho.
• Nova coleta de material bibliográfico.
• Elaboração do referencial teórico.
• Elaboração do instrumento de pesquisa (no caso de surveys ou outras modalidades que envolvam 
coleta de dados).
• Pré-teste do instrumento de pesquisa.
• Seleção da amostra, dos documentos e das fontes de informação.
• Coleta de dados.
• Tratamento de dados.
• Elaboração do relatório final.
• Revisão do relatório final.
91
MÉTODOS DE PESQUISA
Os cronogramas, em geral, identificam as etapas e o momento em que serão realizadas. Eles podem 
ser elaborados em função de dias, semanas ou meses. Na maioria das vezes, eles assumem a forma de 
quadros ou tabelas, de forma a mostrar cada etapa, as atividades de cada tempo e o período de duração 
de cada estágio. Vejamos, no quadro a seguir, um exemplo de cronograma realizado em função das 
tarefas e das semanas.
Quadro 6 – Cronograma de atividades (etapa versus semanas)
Etapa Sem 1 Sem 2 Sem 3 Sem 4 Sem 5 Sem 6 Sem 7 Sem 8 Sem 9 Sem 10
Etapa 1
Etapa 2
Etapa 3
Etapa 4
Etapa 5
Etapa 6
Etapa 7
 Saiba mais
Há muitos aplicativos disponíveis na web para a elaboração de 
cronogramas. A Microsoft disponibiliza, gratuitamente, o Microsoft To Do, 
um planejador diário que permite criar e compartilhar listas de tarefas, 
sincronizando-as com o Outlook e possibilitando o acesso remoto. Ele está 
disponível em:
MICROSOFT. Microsoft To Do: lists, tasks & reminders. Microsoft, [s.d.]b. 
Disponível em: https://shre.ink/24ZE. Acesso em: 31 ago. 2023.
O Trello permite organizar projetos com o uso de quadros, listas e 
cartões. Ele pode ser acessado em:
Disponível em: https://trello.com/. Acesso em: 31 ago. 2023.
O Freedcamp é um aplicativo bastante utilizado para a gestão de 
projetos e pode ser acessado em:
Disponível em: https://freedcamp.com/. Acesso em: 31 ago. 2023.
A Agenda do Google também tem recursos interessantes para montar 
cronogramas e encontra-se em:
GOOGLE. Google Agenda. Google, [s.d.]b. Disponível em: https://shre.
ink/24BD. Acesso em: 31 ago. 2023.
92
Unidade II
Figura 31 – Há vários aplicativos disponíveis na web que podem ajudar 
na elaboração do cronograma de atividades
Disponível em: https://shre.ink/24sR. Acesso em: 31 ago. 2023.
5.9 As referências
O pesquisador deverá arrolar as referências utilizadas para a elaboração do projeto. Elas deverão 
estar identificadas de acordo com as normas ABNT ou Vancouver, em ordem alfabética pelo sobrenome 
do autor.
5.10 Outros elementos do projeto
Em algumas situações, e a depender do pedido explícito de quem está orientando ou coordenando 
a pesquisa, outros elementos são adicionados ao projeto:
• Sumário do relatório final: para que o leitor possa apreender o quadro geral em que a pesquisa 
está inserida, sugere-se anexar o sumário do que deverá ser o relatório final da investigação. 
Isso mostra o quanto o pesquisador tem claros os objetivos que pretende alcançar, bem como 
os conteúdos que resultarão da sua investigação. Em alguns casos, o pesquisador também pode 
fazer uma breve descrição de qual será o conteúdo de cada item identificado no sumário.
• Listagem bibliográfica: as referências dizem respeito às fontes utilizadas para a elaboração do 
projeto; em contrapartida, a listagem bibliográfica indica quais fontes deverão ser consultadas 
para a realização da pesquisa. Assim, a listagem bibliográfica indica o que ainda será lido para que 
a investigação possa ocorrer dentro do planejado.
• Apresentação dos pesquisadores: em alguns casos, sugere-se apresentar os pesquisadores que 
farão parte da investigação. A apresentação pode ser feita por meio de um breve resumo do 
percurso profissional ou acadêmico e/ou ser acompanhada pelo link do histórico Lattes.
93
MÉTODOS DE PESQUISA
 Saiba mais
A plataforma Lattes reúne as informações de todos os pesquisadores e 
acadêmicos do Brasil. Caso queira montar o seu Currículo Lattes, acesse o 
seguinte site:
Disponível em: http://lattes.cnpq.br/. Acesso em: 31 ago. 2023.
Nossa sugestão é a inclusão apenas das informações que possam ser 
documentadas e provadas, tais como: cursos realizados, palestras dadas ou 
assistidas, trabalhos publicados etc.
6 ASPECTOS ÉTICOS ENVOLVIDOS EM PESQUISAS CIENTÍFICAS
Entre 1945 e 1946, mais de duas dezenas de oficiais nazistas foram julgados em Nuremberg, na 
Alemanha. Contra eles foram lançadas acusações de crimes contra a humanidade, crimes de guerra e 
ações visando limpeza étnica. Dentre os vários crimes pelos quais foram julgados, incluíram-se os de 
violação da ética em pesquisa científica. Segundo Alves e Tubino (2006, p. 27),
foram cerca de trinta experimentos diferentes, evidentemente sem o 
consentimento das vítimas, que provocaram dor intensa, mutilação, 
deficiência permanente e morte. No campo de concentração de Dachau, 
por exemplo, os prisioneiros foram submetidos a uma pressão de ar comparável 
à encontrada a 15.000 metros de altitude, na tentativa de determinar 
quão alto um piloto alemão poderia voar e sobreviver. Eram imersos em 
água gelada ou deixados na neve, sem roupas, de nove a 15 horas, na 
pesquisa de um método de tratamento para soldados expostos ao frio 
e ao congelamento. Em estudos que buscavam tornar a água do mar 
potável, eram privados de todos os alimentos e recebiam apenas água do 
mar processada quimicamente. Ainda em benefício do exército alemão, 
cujos soldados sofriam com gangrena gasosa, os médicos do campo de 
concentração de Ravensbrück, testaram a eficiência da sulfanilamida e 
outras drogas no controle da infecção. Para tal, provocaram ferimentos nas 
vítimas, infectaram as lesões com várias bactérias e agravaram a infecção 
resultante passando vidro moído, serragem e areia no local para simular um 
ferimento de guerra. Vinte e três pessoas, das quais 20 médicos nazistas, 
foram acusadas de crimes contra prisioneiros de guerra e julgadas no 
tribunal de Nuremberg [...]. Os acusados tentaram justificar seus crimes com 
a desculpa de que, na época, não havia regras governamentais explícitas 
que regulamentassem a pesquisa médica na Alemanha e que as práticas de 
pesquisa na Alemanha não eram diferentes das existentes nos países aliados. 
As sentenças foram divulgadas em agosto de 1947, com um documento 
94
Unidade II
formulado pelos juízes que conduziram o julgamento e que ficou conhecido 
como Código de Nuremberg. Dezesseis dos acusados foram considerados 
culpados e sete foram executados.
Os debates sobre as questões éticas envolvendo pesquisas vêm ganhando cada vez mais espaço na 
comunidade científica. É correto observar pessoas sem que elas assim o autorizem? É ético entrevistar 
pessoas alegando determinado motivo quando, na verdade, a intenção do pesquisador é outra? Em 
experimentos controlados, é ético negar tratamentos já consagrados para o grupo experimental com 
o objetivo de comparar resultados com os do grupo de controle? É ético ministrar medicamentos sem 
avisar aos indivíduos quais os riscos que eles estão correndo? Todas essas questões são discutidas no 
âmbito da ética em pesquisa. Vale a pena, aqui, distinguirmos moral e ética.Moral pode ser definida como qualquer conjunto de regras, valores e 
proibições, impostos pela política, costumes sociais, religiões ou ideologias. 
Por sua vez, a ética sempre implica reflexão sobre a validade da conduta 
humana, ou seja, é uma análise crítica das regras impostas pela moral 
(Alves; Tubino, 2006, p. 29).
Não incorramos, porém, no erro de imaginarmos que as aberrações éticas aconteceram há muito 
tempo, e apenas em regimes totalitários de exceção, como o nazista da década de 1940. Em 1932, 
em Tuskegee, no Alabama (Estados Unidos), 400 homens negros foram convidados a participar de um 
atendimento médico gratuito, na verdade inexistente. De fato, eles eram portadores de sífilis, e estavam 
sendo pesquisados para que fossem identificados os sintomas, problemas e evolução da doença. Para 
que esse objetivo fosse possível de ser concretizado, a todos eles foi negado o direito de tratamento, 
inclusive depois da descoberta da penicilina, em 1947. “Quando o estudo foi denunciado, em 1972, 
28 homens haviam morrido de sífilis, 100 tiveram complicações associadas, 40 esposas haviam sido 
infectadas e 19 crianças contraíram a doença ao nascimento” (Alves; Tubino, 2006, p. 27). Aliás, os 
“voluntários” para o estudo sequer haviam sido avisados que eram portadores de problemas médicos.
 Saiba mais
Uma boa indicação sobre o assunto é o filme a seguir. A narrativa dele 
refere-se ao experimento de Tuskegee, que foi realizado durante 30 anos, 
nos Estados Unidos, com homens negros, portadores de sífilis.
COBAIAS. Direção: Joseph Sargent. Estados Unidos: Anasazi Productions; 
HBO NYC Productions, 1997. 118 min.
Há outras questões éticas extremamente relevantes quando tratamos de pesquisas científicas. 
Por exemplo, é ético que laboratórios farmacêuticos experimentem medicamentos novos em países 
mais pobres, na África ou na América Latina? Por conta desse e de outros dilemas éticos, em 1996, 
95
MÉTODOS DE PESQUISA
em Helsinque, associações médicas de todo o mundo assinaram uma declaração de princípios éticos 
relacionados à pesquisa com seres humanos. Por meio dessa declaração,
 
eram garantidos, a todos os sujeitos que participassem de uma pesquisa 
biomédica, os melhores métodos existentes de diagnóstico e tratamento, 
incluindo-se os participantes do grupo de controle, caso houvesse. O uso 
de placebo foi permitido apenas nos casos em que não existissem métodos 
diagnósticos ou terapêuticos consagrados. Entretanto, em 1999, a Associação 
Médica Americana propôs, oficialmente, trocar “melhores métodos existentes” 
por “métodos disponíveis” com a argumentação de que os países pobres 
não têm acesso aos tratamentos ideais e que os indivíduos devem ser 
tratados de acordo com o padrão de cuidado existente em seu país, o que 
pode significar nada. Excluía-se, portanto, a obrigatoriedade de fornecer a 
terapêutica mais eficaz e legitimava-se o uso do placebo. Essas propostas são 
particularmente perigosas para os países pobres do terceiro mundo, além de 
representarem um flagrante retrocesso ético com o estabelecimento de um 
duplo padrão ético em pesquisa. Felizmente não foram aceitas, sobretudo 
pela ação firme dos representantes do Brasil e da Argentina (Alves; Tubino, 
2006, p. 31).
 Saiba mais
Esta declaração foi revisada ao longo dos anos. Caso haja interesse, ela 
poderá ser lida em sua integralidade em:
ASSOCIAÇÃO MÉDICA MUNDIAL. Declaração de Helsinque. AMM, 2001. 
Disponível em: https://shre.ink/24h0. Acesso em: 31 ago. 2023.
Em 1996, na Nigéria, durante um surto de meningite, cem crianças participaram de um teste para 
identificar os efeitos de um novo tratamento médico. As famílias não foram avisadas do diagnóstico, 
tampouco que as crianças seriam tratadas com uma medicação de eficácia ainda não comprovada. 
Recentemente, médicos franceses sugeriram testar medicamentos contra o coronavírus na África, sob 
a alegação de que lá não estava sendo realizado qualquer controle ou isolamento social por conta da 
doença. Segundo Santos (2012, p. 69),
 
se partirmos da premissa de que bioética é, segundo Singer (1994), uma 
ética aplicada (prática) que tem como foco principal resolver conflitos e 
controvérsias morais relacionados às ciências da vida e da saúde tendo 
como pressuposto filosófico algum tipo de sistema de valores éticos, a 
realização de testes com medicamentos em uma população humana sem o 
prévio consentimento dos pacientes fere tais valores. Complementando este 
raciocínio, podemos encontrar em Vergez e Huisman (1984) uma definição 
96
Unidade II
de ética: uma ciência do comportamento que busca explicar, compreender, 
justificar e criticar a moral de uma sociedade (sendo a moral entendida, aqui, 
como o conjunto de costumes, normas, princípios e valores que norteiam 
o comportamento do indivíduo no seu grupo social). Não ser informado 
acerca de testes para determinada doença já é um desrespeito ético, mas 
receber um medicamento novo para tratar doenças, ainda não totalmente 
testado, é um atentado à bioética.
 Saiba mais
Com o objetivo de se aprofundar mais no tema, sugerimos que se 
assista ao filme a seguir. A narrativa dele envolve um fictício teste de 
medicamentos, no Quênia, para tratamento de tuberculose e aids.
O JARDINEIRO fiel. Direção: Fernando Meirelles. Estados Unidos; 
Reino Unido: 2005. 129 min.
Figura 32 – Um dos eixos do intenso debate a respeito da ética em pesquisa científica diz respeito aos 
limites entre o que pode ser considerado ajuda humanitária (no caso de surtos e epidemias em países 
subdesenvolvidos) e a realização de pesquisas com seres humanos para a testagem de medicamentos 
de eficácia não comprovada
Disponível em: https://shre.ink/24si. Acesso em: 31 ago. 2023.
Os códigos de ética em pesquisa envolvendo seres vivos têm como base quatro princípios oriundos do 
corpo da ética em medicina e tratamento de seres humanos: o princípio da não maleficência, o princípio 
da beneficência, o princípio da autonomia e o princípio da justiça. Embora genéricos, eles dão conta de 
resolver a maior parte dos conflitos que surgem quando da pesquisa com seres humanos ou animais.
O princípio da beneficência diz respeito à obrigação de maximizar o benefício e minimizar o prejuízo 
ao sujeito. Em outras palavras, o tratamento deve trazer mais resultados positivos do que negativos ao 
97
MÉTODOS DE PESQUISA
participante, não sendo ético causar dano deliberado. O princípio da não maleficência é correlato ao 
anterior: não se deve causar o mal ou prejudicar a saúde. O princípio da autonomia defende que o 
paciente tem todo o poder para tomar decisões relacionadas ao seu tratamento; tal princípio pressupõe 
que o paciente esteja em posse de suas capacidades mentais e que toda a informação necessária seja 
dada a ele. O princípio da justiça está relacionado à noção de equidade: os indivíduos são diferentes e 
merecem tratamento diferenciado, de acordo com suas fragilidades e vulnerabilidades.
Toda e qualquer pesquisa com seres vivos que aconteça no âmbito do ambiente acadêmico deve 
receber autorização prévia para a sua realização. Esta autorização se dá mediante os esclarecimentos 
que o pesquisador faz em relação aos métodos e procedimentos da pesquisa, bem como aos cuidados 
tomados acerca dos princípios éticos que normatizam este tipo de investigação, de acordo com as 
Normas e Diretrizes Regulamentadoras da Pesquisa Envolvendo Seres Humanos - Resolução n. 466/12 
do Conselho Nacional de Saúde.
 Observação
A aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa é necessária quando a 
investigação envolve animais ou seres humanos, diretamente (entrevistas, 
experimentos com animais, coleta de células, amostras de tecidos humanos 
ou animais etc.) ou indiretamente (observação de pessoas ou animais, 
prontuários, banco de dados não acessível ao público etc.). 
7 A APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DE UMA PESQUISA: A COMUNICAÇÃO 
CIENTÍFICA PARA A COMUNIDADE ACADÊMICA
Vimos, nas seções anteriores, os aspectos que devem ser contemplados quandodo planejamento de 
uma pesquisa. Em geral, eles são detalhados no projeto de pesquisa, documento em que estão reunidas 
as informações básicas a respeito dos objetivos do trabalho, do problema que se pretende resolver, da 
resposta que se imagina alcançar, da metodologia a ser utilizada e do cronograma a ser seguido.
A realização da pesquisa tem, portanto, esses parâmetros a serem obedecidos. Quase sem exceção, 
um bom planejamento permite a realização da pesquisa sem grandes contratempos, embora eles possam 
sempre surgir. Em outras palavras, o pesquisador não consegue controlar todas as variáveis envolvidas 
na execução de sua pesquisa; no entanto, ele pode traçar algumas rotas e supor algumas soluções caso 
surjam problemas do tipo “A”, “B” ou “C”.
Se a realização da pesquisa encontra suas bases no planejamento, há outro instante no processo 
da execução de uma investigação que merece nossa atenção: a divulgação dos resultados. Seja quando 
a pesquisa for encomendada por uma instituição (e, portanto, for necessário respeitar o sigilo das 
informações coletadas), seja quando for promovida com o objetivo de esclarecer a comunidade em relação 
a um tema, as decisões relativas à publicação dos dados de uma investigação devem ser consideradas 
com bastante critério. De forma resumida, temos duas modalidades de comunicação científica:
98
Unidade II
• A acadêmica, destinada à própria comunidade científica.
• A não acadêmica, em geral associada à divulgação científica para o público em geral.
Figura 33 – A comunicação científica para a comunidade acadêmica pode ocorrer de maneira formal 
(por meio de artigos, publicações, apresentação em congressos ou seminários) ou informais (por meio 
de conversas, debates e grupos de estudo)
Disponível em: https://shre.ink/24s3. Acesso em: 31 ago. 2023.
Em relação aos canais de comunicação, Rosa e Gomes (2010, p. 20) fazem a seguinte diferenciação:
 
Os canais formais – ou de literatura – são representados pelas publicações 
impressas, que podem ser de natureza primária, secundária ou terciária. 
Os canais informais (interpessoais) caracterizam-se pela oralidade – conversas, 
telefonemas, palestras, discussões técnico-científicas, discursos, comunicações 
em eventos, e também cartas e documentos pré-impressos.
A comunicação científica para o público acadêmico é aquela realizada entre pesquisadores e 
instituições de pesquisa. Segundo Rosa e Gomes (2010, p. 13), a comunidade acadêmica envolve 
“pesquisadores/professores, pesquisadores/alunos, universidades/centros de pesquisa, órgãos de 
financiamento, editores, publicações científicas com dimensão comercial, publicações científicas 
de acesso livre e repositórios institucionais”. Assim, no caso da comunicação realizada no âmbito da 
própria comunidade acadêmica, temos cientistas falando com seus pares, mantendo uma tradição 
que, do ponto de vista histórico, teve início com a troca de correspondência entre pesquisadores 
e que, por conta do surgimento das universidades e das associações científicas, materializou-se por 
meio da criação de revistas acadêmicas e outros instrumentos formais de comunicação. Dessa forma, 
a comunicação científica
 
inclui todos os espectros das atividades associados à produção, 
disseminação e uso da informação a partir do momento que o cientista 
tem a ideia para sua pesquisa, até as informações sobre os resultados 
desta pesquisa para que eles sejam aceitos como um componente do 
conhecimento científico (Garvey, 1979 apud Rosa; Gomes, 2010, p. 19).
99
MÉTODOS DE PESQUISA
Há também que ser considerado o fato de a comunicação científica legitimar e institucionalizar 
a “propriedade intelectual” dos resultados de uma pesquisa. São conhecidos os confrontos entre 
instituições e pesquisadores quando da invenção ou descoberta de algum fenômeno: em geral, aquele 
que publica primeiro os resultados tem a primazia da autoridade e da patente dos achados, e as 
circunstâncias pouco amigáveis que costumam cercar esses conflitos ajudam a desmistificar o caráter 
solidário e desinteressado, em geral, atribuído aos cientistas.
 Saiba mais
O filme E a vida continua, de 1993, sob a direção de Roger Spottiswoode, 
resgata a narrativa da descoberta do vírus da aids, desde que a doença 
fez surgirem os primeiros casos nos Estados Unidos, em São Francisco, 
na década de 1980. Tratada como “câncer gay” (já que se manifestou, 
inicialmente, entre a comunidade homossexual dos Estados Unidos), a 
doença assumiu as dimensões de uma epidemia; por conta de estar associada 
ao comportamento sexual, os órgãos de governo e centros de pesquisa 
demoraram para tomar iniciativas e dedicar verbas à investigação do vírus.
Foi apenas com a mobilização política dos homossexuais que a pesquisa 
da doença tornou-se uma prioridade. De fato, a imagem de “grupos de 
risco” foi desconstruída somente quando surgiram os primeiros casos 
entre hemofílicos e crianças recém-nascidas, eventos esses explicados pela 
transmissão sanguínea do vírus, o que esgarçou a construção da doença 
como uma “punição” pelo mau comportamento sexual.
Um dos momentos interessantes do filme está relacionado ao embate 
que cercou a descoberta do vírus HIV e que contrapôs o Instituto Pasteur 
de Paris e o médico americano Robert Gallo: o conflito durou vários anos e 
o governo americano resolveu a contenda quando reconheceu os franceses 
como legítimos descobridores do vírus.
E A VIDA continua. Direção: Roger Spottiswoode. Estados Unidos: HBO, 
1993. 141 min.
Segundo Carmo e Prado (2005, p. 1), “a ciência, com uma atividade social, precisa ser divulgada, 
debatida, refletida. Uma das funções dos cientistas é exatamente a de possibilitar um amplo debate 
em torno de suas ideias, descobertas, teorias e proposições em geral”. Em consequência, a comunicação 
científica deve cumprir com determinados propósitos, entre eles os de
 
1) fornecer respostas a perguntas específicas;
2) contribuir para a atualização profissional do cientista no campo 
específico de sua atuação;
100
Unidade II
3) estimular a descoberta e a compreensão de novos campos de interesse;
4) divulgar as tendências de áreas emergentes, fornecendo aos cientistas 
ideia da relevância de seu trabalho;
5) testar a confiabilidade de novos conhecimentos, diante da possibilidade 
de testemunhas e verificações;
6) redirecionar ou ampliar o rol de interesse dos cientistas;
7) fornecer feedback para aperfeiçoamento da produção do cientista 
(Rosa; Gomes, 2010, p. 19).
São várias e diferentes as circunstâncias relacionadas à publicação dos resultados de uma pesquisa 
no ambiente acadêmico. As conclusões podem ser apresentadas sob a forma impressa (por meio de 
relatórios ou artigos acadêmicos) ou fazendo-se uso de apresentações orais, sendo que cada uma dessas 
modalidades envolve decisões especiais.
Os relatórios são a modalidade mais comum: em geral, eles assumem a forma textual e são entregues 
para os solicitantes, antes ou depois de uma banca de avaliação (em especial, nos casos de monografias 
e trabalhos de conclusão de curso). Longe de desejarmos impor uma receita rígida e inflexível, sugerimos 
que os relatórios sejam organizados da seguinte forma:
• Introdução: o texto deverá informar o tema da investigação, o problema que norteou o trabalho, 
a hipótese que conduziu a pesquisa, a metodologia utilizada e a forma como serão organizados os 
capítulos seguintes. A intenção é que o leitor seja capaz de apreender o contexto todo do trabalho 
e se orientar em relação ao conteúdo que irá acessar.
• Capítulo com o referencial teórico: nessa etapa, o aluno/pesquisador deverá explicitar quais 
os referenciais utilizados, os conceitos e os constructos adotados, e as premissas e as teorias que 
deram suporte ao problema e à hipótese de trabalho; como já vimos, essa “revisão bibliográfica” 
pode envolver as teorias propriamente ditas, os trabalhos mais recentes sobre o tema ou os 
trabalhos mais importantes sobre a metodologia utilizada.
• Capítulo com a apresentaçãocomo compreender algo, e a subsequente atividade realizada 
com o objetivo de apreender este objeto.
Por sua vez, a metodologia compreende o estudo dos métodos. Quais são, afinal, os métodos 
adequados para conhecer o comportamento de uma coelha junto à sua cria? Quais são os caminhos 
para que se possa identificar falhas no processo de produção de uma lâmpada? Como compreender 
uma obra literária a partir da análise das personagens? Como identificar traços culturais comuns 
em dois grupos étnicos distintos? As maneiras como os sujeitos do conhecimento dirigem-se ao 
objeto: este é o campo da metodologia. Veja bem: não se trata de estudar a coelha, refletir sobre 
os processos de produção da lâmpada, realizar uma análise literária ou compreender as diferenças 
culturais entre dois grupos. Trata-se de discutir sobre as formas a partir das quais a coelha será 
observada, o processo de produção da lâmpada será investigado, as personagens serão interpretadas 
e os grupos serão estudados. Estamos, aqui, falando dos caminhos escolhidos pelos pesquisadores 
para atingir determinados objetivos, em geral associados a oferecer respostas a perguntas feitas; em 
outras palavras, associados à realização da pesquisa, este conjunto de procedimentos sistemáticos 
para a construção do conhecimento.
12
Unidade I
Figura 1 – O método é o conjunto de procedimentos que o agente do conhecimento (o pesquisador) 
escolhe para que possa entender um fato ou um aspecto da natureza
Disponível em: https://shre.ink/24qw. Acesso em: 31 ago. 2023.
Cada área do conhecimento legitima e consagra determinados métodos. Claro que há métodos 
comuns a todas as áreas do saber, mas, em geral, há especificidades metodológicas que surgem em 
função da especificidade dos problemas colocados à frente dos pesquisadores. As formas de investigar 
um objeto, portanto, dependem das intenções dos sujeitos do conhecimento e da natureza dos objetos 
que se deseja conhecer. Os biólogos desenvolveram métodos particulares para estudar a natureza e os 
seres vivos. Os físicos, por sua vez, têm feito uso de outros métodos para estudar a matéria, a energia 
e os movimentos. Os economistas vêm utilizando certos métodos para investigar como a sociedade 
utiliza recursos escassos para o atendimento de necessidades ilimitadas. Os psicólogos apropriaram-se 
de processos a fim de estudar os comportamentos e os fenômenos psíquicos humanos.
É plausível que os procedimentos para estudar processos inflacionários sejam distintos daqueles 
utilizados para estudar as relações sociais entre membros de “tribos urbanas”. Da mesma maneira, 
os métodos utilizados para compreender as variáveis associadas à produtividade do solo podem ser 
diferentes dos aplicados no estudo das bactérias patogênicas. O que há em comum é que todos os 
métodos buscam isolar fatores subjetivos na investigação dos objetos de estudo, fazer uso de formas 
racionais de entender as relações de causalidade entre variáveis, e sistematizar procedimentos que 
permitam o alcance de resultados e a redução de incertezas.
2 OS DIFERENTES TIPOS DE PESQUISA
Em geral, e provavelmente você fez isso até agora, costumamos dividir as pesquisas em dois grandes 
grupos: o das pesquisas teóricas e o das pesquisas aplicadas.
As pesquisas teóricas têm como proposta ampliar o conhecimento em determinada área, propondo 
novas questões ou novas explicações para problemas já estudados. Um exemplo de pesquisa teórica é 
o trabalho de Scognamillo-Szabó e Bechara (2010), no qual os autores propuseram uma revisão sobre 
a filosofia da acupuntura, em particular quanto às suas origens na China, a posterior expansão no 
Ocidente e suas aplicações em termos de efeitos terapêuticos na veterinária. Partindo do pressuposto 
de que a acupuntura defende a associação entre saúde e variáveis neurais e endócrinas – que, por sua 
vez, relacionam-se com a nutrição, os hábitos de vida e as condições do ambiente – os autores buscaram 
resgatar a aplicação de técnicas de acupuntura na veterinária no contexto brasileiro.
13
MÉTODOS DE PESQUISA
A pesquisa aplicada, em contrapartida, tem como objetivo propor soluções a determinados problemas. 
Seu campo é a aplicação prática, ou seja, o uso da ciência em situações concretas para resolver questões 
existentes. Em outras palavras, ela busca controlar ou provocar mudanças nos fenômenos da natureza e 
na sociedade; ela intervém e se pretende intervencionista, já que precisa lidar com situações reais.
Um exemplo de pesquisa aplicada pode ser visto no trabalho de Ilha e Cruz (2006), que envolveu 
conhecimentos nas áreas de pedagogia, geografia e engenharia de jogos eletrônicos. Os professores 
fizeram uso do SimCity4, um game no qual o usuário torna-se prefeito de uma cidade, tendo que decidir 
sobre assuntos financeiros e outras questões nos âmbitos estéticos, ambientais, culturais e burocráticos. 
O jogo foi utilizado por três professores (das disciplinas matemática, geografia e língua portuguesa) junto a 
alunos de 1ª série do Ensino Médio da Escola Técnica do Vale do Itajaí (SC), considerada problemática em 
função da quantidade de estudantes repetentes na sala. Como objetivos, os professores se propuseram a 
identificar os resultados de aprendizagem com a utilização do game, a importância de atividades lúdicas 
durante a aula e as possibilidades de trabalhar o desenvolvimento do conhecimento e de habilidades 
com o uso de tecnologia. A intenção envolveu a intervenção em sala de aula com o propósito de 
resolver uma questão prática: o desempenho dos alunos poderia melhorar caso fosse utilizado um jogo 
eletrônico em sala de aula?
É possível que surja o seguinte questionamento: essa tipificação (teórica versus aplicada) envolve 
categorias excludentes? Quer dizer, uma pesquisa é sempre puramente teórica ou aplicada? A resposta 
é negativa: pesquisas teóricas podem gerar tecnologias e instrumentos práticos; ao mesmo tempo, 
pesquisas aplicadas podem fazer surgir perguntas novas, antes não pensadas, e que exigem a ampliação 
do conhecimento teórico para serem resolvidas. Veja, por exemplo, o caso da pesquisa teórica sobre 
a radiação emitida por estrelas e planetas; esta investigação acabou por permitir o desenvolvimento 
de termômetros auriculares (que medem a temperatura do ouvido). Os estudos teóricos sobre física 
quântica originaram o conhecimento necessário para o surgimento e a utilização das tomografias 
computadorizadas e das ressonâncias magnéticas.
Figura 2 – A pesquisa teórica e o desenvolvimento tecnológico nem sempre caminham juntos, já 
que os desenvolvimentos tecnológicos não são, necessariamente, previstos pela pesquisa teórica em 
qualquer área. Em outras palavras, há ocasiões em que os artefatos tecnológicos ocorrem quase que 
desvinculados das pesquisas por meio das quais aquele conhecimento foi desenvolvido
Disponível em: https://shre.ink/24qX. Acesso em: 31 ago. 2023.
14
Unidade I
Há casos de descompasso entre o conhecimento teórico e o desenvolvimento de equipamentos 
tecnológicos. Um caso extremamente interessante é o da radiatividade e da aplicação tecnológica desse 
conhecimento. No século XIX, Marie Curie (1867-1934) já estudava o fenômeno da radiatividade, o que 
permitiu que ela descobrisse novos elementos, tais como o polônio e o rádio. No entanto, os efeitos do 
contato com materiais radiativos permaneceram desconhecidos por muito tempo, sendo que um dos 
exemplos mais simbólicos dessa falta de informação foi o das assim chamadas “garotas do rádio”.
No início do século XX, uma empresa norte-americana utilizava uma tinta à base de rádio para 
pintar relógios, recurso utilizado para que os ponteiros brilhassem no escuro. Dada a necessidade de 
afinar o traço, as operárias lambiam a base do pincel para a aplicação da tinta. Anos depois, essas moças 
começaram a apresentar fortes dores nas bocas e deformidades ósseas. Após um árduo processo na 
justiça, elas conseguiram uma indenização da empresa em que trabalhavam. A pergunta que moveu 
o processoe a análise dos dados coletados: nessa etapa, o aluno/pesquisador 
deverá apresentar os dados obtidos durante a pesquisa; sejam qualitativos ou quantitativos, 
eles deverão ser organizados e explicitados ao leitor. Em geral, eles são expressos a partir de 
textos, tabelas, gráficos ou figuras. É importante lembrar que devem ser adicionadas apenas as 
informações que são pertinentes e necessárias à compreensão da pesquisa: em outras palavras, via 
de regra, não são incluídas, no relatório, imagens apenas a título de ilustração. Ainda, é importante 
que todo dado apresentado seja analisado: isto significa dizer que os dados apresentados em 
uma tabela, por exemplo, devem ser descritos e alvo de reflexão por parte do aluno/pesquisador.
101
MÉTODOS DE PESQUISA
• Capítulo com as conclusões e recomendações finais: nessa etapa, o aluno/pesquisador irá 
resumir o conteúdo de cada capítulo. Ainda, deverá retomar o problema e a hipótese do trabalho, 
mostrando ao leitor que a pergunta da pesquisa foi respondida e que a hipótese de trabalho pôde 
ou não ser confirmada.
 Lembrete
Os guias de normalização de cada instituição explicam as regras para a 
apresentação de tabelas, gráficos e imagens, tanto para os casos de trabalhos 
formatados no padrão ABNT quanto no padrão Vancouver. Ainda, há que 
ser considerado o fato de que, em alguns casos, os cursos e/ou orientadores 
adotam regras e exceções especiais em relação a essas normas.
 Observação
Se você ainda duvidava da importância da pergunta e da hipótese de 
trabalho no contexto de uma pesquisa, agora deve ter percebido que, sem esses 
eixos condutores, não há propósito na investigação. A pergunta da pesquisa 
possibilita a formulação da hipótese; por sua vez, a pesquisa permitirá que 
o aluno/pesquisador confirme ou negue essa hipótese. No caso de negação 
da hipótese, alguma outra resposta deverá ser oferecida. Em outras palavras: 
o aluno/pesquisador deve propor uma resposta à pergunta, negando ou 
confirmando a hipótese, e isso deve ser explicitado no capítulo de conclusão.
Outras informações podem ser adicionadas à conclusão do trabalho:
• Quais as limitações encontradas pelo pesquisador durante a sua investigação? Quais foram os 
principais obstáculos e as dificuldades com os quais o pesquisador teve que lidar? Estas dificuldades 
puderam ser transpostas? Quais as lacunas que a pesquisa deixou em aberto? Essa autocrítica 
é importante, já que mostrará ao leitor que o pesquisador assume a impossibilidade de uma 
investigação sem falhas e algum grau de incerteza nas suas conclusões.
• Quais as sequências e continuidades permitidas pelo trabalho? Toda pesquisa abre novas rotas de 
investigação, adiciona perguntas, faz surgir outras dúvidas. Assim, caso o aluno ou qualquer outro 
pesquisador tenha interesse em dar sequência à investigação, quais outros aspectos poderiam ser 
investigados? A possibilidade de dar continuidade à pesquisa mostra, no mínimo, o quanto ela 
foi frutífera.
Os relatórios monográficos costumam ter entre 40 e 60 páginas e, em geral, cada capítulo contém 
entre 10 e 15 páginas. O aluno deve ficar atento: uma pesquisa pouco extensa pode sugerir falta de 
profundidade e reflexão; em contrapartida, relatórios muito extensos podem revelar falta de foco. 
102
Unidade II
Ainda, recomenda-se que o trabalho seja organizado de forma a não fragmentar demasiadamente as 
informações, fenômeno que pode ocorrer caso o pesquisador distribua o conteúdo em muitos capítulos.
No caso de monografias de conclusão de curso (de graduação ou especialização), dissertações 
(relatórios de pesquisa em nível de mestrado) ou teses (relatórios de pesquisa em nível de doutorado), a 
entrega de um relatório impresso é acompanhada por uma apresentação oral e pela avaliação da banca. 
Isso significa que, em situações como essas, não é suficiente que o pesquisador apresente os resultados 
sob a forma de texto impresso: ele deve, também, defender suas ideias perante professores ou colegas, e 
se submeter à arguição. Cada universidade tem as suas próprias regras em relação às bancas, em especial 
no que respeita à duração, ao número de componentes e ao formato (se presencial ou online, se há 
apenas questionamentos por parte da banca ou se o pesquisador ainda realiza alguma apresentação 
concisa sobre os resultados): em geral, o pesquisador tem de 10 a 30 minutos para apresentar sua 
pesquisa e os professores da banca (de dois a cinco) fazem questionamentos sobre escolhas, critérios e 
referenciais utilizados pelo pesquisador.
Figura 34 – As bancas de avaliação têm o propósito de oportunizar a apresentação dos resultados de 
pesquisa por parte do aluno e possibilitar a arguição e a discussão destes resultados pelos pares
Disponível em: https://shre.ink/24sS. Acesso em: 31 ago. 2023.
O quadro 7 resume a estrutura dos trabalhos de monografia, indicando a obrigatoriedade ou não de 
cada um dos elementos. Lembre-se que:
• Cada curso sugere uma cor da capa diferente para os trabalhos de monografia. Convém certificar-se 
com os orientadores quanto às exigências de cor da encadernação e das letras da capa.
• A epígrafe é um pequeno texto, em geral de autoria identificada e conhecida, que resume o 
sentido da obra ou os sentimentos do pesquisador.
• O resumo deve conter as informações básicas do relatório, tais como problema de pesquisa, 
hipótese de trabalho, metodologia e principais conclusões.
• Nos agradecimentos, é recomendado mencionar os orientadores, os professores que colaboraram 
com o trabalho e os professores da banca de qualificação (quando ela tiver acontecido).
103
MÉTODOS DE PESQUISA
Quadro 7 – Elementos de uma monografia
Estrutura Elemento Opção
Parte externa
Capa Obrigatório
Lombada Opcional
Parte interna
Elementos pré-textuais
Folha de rosto Obrigatório
Errata Opcional
Folha de aprovação Obrigatório
Dedicatória Opcional
Epígrafe Opcional
Resumo na língua vernácula Obrigatório
Resumo em língua estrangeira Obrigatório
Lista de atribuições Opcional
Lista de tabelas Opcional
Lista de abreviaturas e siglas Opcional
Lista de símbolos Opcional
Sumário Obrigatório
Elementos textuais
Introdução Obrigatório
Desenvolvimento Obrigatório
Conclusão Obrigatório
Elementos pós-textuais
Referências Obrigatório
Glossário Opcional
Apêndice(s) Opcional
Anexo(s) Opcional
Índice(s) Opcional
O aluno também deve se lembrar de elaborar a ficha catalográfica. Esta ficha, presente em todas 
as publicações, impressas ou não, dá as informações básicas a respeito da obra: autor(es), título, área 
temática, instituição, data e número de folhas.
Biblioteca da Instituição de Ensino Superior.
Guia de normalização para apresentação de trabalhos 
acadêmicos da Instituição de Ensino Superior: ABNT / Biblioteca 
da Instituição de Ensino Superior; revisado e atualizado pelos 
Bibliotecários. - 2019.
52 p. : il. color.
1. Normalização. 2 Trabalhos acadêmicos. 3. ABNT. I. Biblioteca da 
Instituição de Ensino Superior.
Figura 35 – Exemplo de ficha catalográfica
104
Unidade II
 Observação
Para a elaboração da ficha catalográfica, o aluno deverá colocar o nome 
correto e completo do(a) orientador(a) e, se for o caso, do(a) coorientador(a) 
(em geral, um professor que colaborou na realização do trabalho).
A errata é um documento que se insere na monografia, em papel avulso, caso sejam necessárias 
correções após a impressão. Assim, se o aluno notar que algum erro foi cometido, ele não precisará 
imprimir outra cópia, bastando anexar algo parecido com o conteúdo a seguir.
Errata
Guia de normalização para apresentação de trabalhos acadêmicos da Instituição 
de Ensino Superior. 51 p.
Folha Linha Onde se lê Leia-se
32 3 publicacao publicação
Figura 36 – Exemplo de errata
Além dos relatórios, outra forma de comunicação científica escrita e formal para a comunidade 
acadêmica ocorre por meio de publicação em revistas especializadas. Estas revistas têm características 
especiais e são diferentes das revistas voltadas para o públicoem geral, já que reúnem resultados de 
pesquisas de áreas específicas do conhecimento e possuem regras próprias para aceite e publicação 
de textos. Normalmente, essas normas estão explicitadas em seção específica e orientam autores e 
pareceristas para o processo de submissão e avaliação de trabalhos.
As revistas acadêmicas brasileiras são categorizadas por meio de critérios estabelecidos pela Capes 
e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Segundo Rosa e Gomes 
(2010, p. 17), “estes órgãos são atores de destaque na rede de associações, tendo em vista que ao mesmo 
tempo avaliam e financiam a pesquisa nacional e a edição de periódicos”. O indicador Qualis tem sido 
utilizado para avaliar revistas, categorizando-as em A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C. Os primeiros quatro 
estratos (A1, A2, B1 e B2) são identificados a partir do fator de impacto que apresentam. Os periódicos 
B3, B4 e B5 são atribuídos em função da base de dados em que estão indexados: bases internacionais 
de dados conferem indicador B3; a indexação no SciElo confere indicador B4; e a indexação em outras 
bases nacionais confere indicador B5. A ausência de indexação confere indicador C para a revista. Em 
consequência dessa categorização, quanto mais elevado for o indicador da revista, mais renome e 
prestígio uma publicação alcança, e mais bem avaliada é a pesquisa apresentada.
105
MÉTODOS DE PESQUISA
 Saiba mais
Para consultar revistas de todas as áreas do conhecimento, acesse uma 
das mais importantes bibliotecas virtuais brasileiras:
Disponível em: https://scielo.org/. Acesso em: 31 ago. 2023.
Em relação à classificação de publicações acadêmicas realizada pela 
Capes, é possível fazer consultas sobre a categoria das principais revistas 
publicadas no Brasil, por meio da pesquisa na Plataforma Sucupira:
PLATAFORMA SUCUPIRA. Qualis periódicos. [s.d.]. Disponível em: 
https://shre.ink/kHTo. Acesso em: 31 ago. 2023.
O fator de impacto é medido pelo ISI (Institute for Scientific Information) e se configura como uma 
métrica para avaliar a influência exercida por pesquisadores e publicações. Segundo a Agência USP de 
Gestão da Informação Acadêmica (Aguia) (2020), o impacto de citação (citation impact)
é calculado dividindo o número total de citações recebidas pelo número 
total de publicações. O impacto da citação mostra o número médio de 
citações que um documento recebeu em um dado período. O impacto 
de citação tem sido amplamente utilizado como um indicador bibliométrico 
na avaliação do desempenho de pesquisa e pode ser aplicado em todos os 
níveis organizacionais (autor, instituição, país/região, campo de pesquisa ou 
periódico). No entanto, há limites para o indicador, pois ignora o volume 
total da produção científica. Por exemplo, o Pesquisador A tem apenas uma 
publicação que recebeu 50 citações, enquanto o Pesquisador B publicou 
10 documentos que receberam 200 citações. O Pesquisador A tem um 
maior impacto de citação (50) do que o Pesquisador B (20), embora 
o Pesquisador B tenha publicado mais documentos e tenha recebido 
mais citações em geral. No nível do campo de conhecimento, o impacto 
da citação de certas disciplinas é muitas vezes maior do que em outros 
campos científicos devido a características próprias de cada área, como 
frequência e volume de publicações e citações. Por esse motivo, é preciso ter 
cuidado ao utilizar esse indicador.
Além da comunicação escrita, há a comunicação científica realizada por meio de apresentações orais 
durante eventos científicos. De acordo com Carmo e Prado (2005, p. 1), a necessidade de divulgar os 
resultados das pesquisas científicas faz com que se organizem
ocasiões especiais destinadas ao intercâmbio entre profissionais e à 
divulgação do conhecimento que produzem. Essas ocasiões podem 
ser acadêmicas ou, mais restritamente, científicas. Constituem-se nos 
106
Unidade II
congressos, simpósios, seminários, encontros, reuniões, os quais congregam 
comunidades de cientistas, pesquisadores, estudantes de vários níveis e 
outros interessados no debate e na divulgação científica.
Figura 37 – Congressos, seminários, encontros e simpósios são realizados com o propósito 
de apresentar os resultados de uma investigação para a comunidade acadêmica
Disponível em: https://shre.ink/24sD. Acesso em: 31 ago. 2023.
Segundo a Capes, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, órgão vinculado ao 
Ministério da Educação, os eventos científicos podem ser categorizados e definidos da seguinte forma:
 
Congresso: reunião ou encontro de pesquisadores e/ou profissionais com 
interesse em pesquisa acadêmica com vistas à apresentação de resultados 
de pesquisa em andamento, de desenvolvimentos em uma dada linha de 
pesquisa ou estado da arte em um dado campo ou tópico de interesse. Pode 
incluir várias atividades, tais como mesas-redondas, conferências, simpósios, 
palestras, comissões, painéis e minicursos, entre outras.
Simpósio: reunião de iniciativa de determinada comunidade científica 
em torno de um assunto específico com vistas a agregar resultados e 
considerações de modo a promover avanço no sentido de sua clarificação. 
Pesquisadores convidados apresentam suas considerações e/ou resultados 
sobre o tema, para debate amplo com um público com interesses comuns.
Encontro: reunião de iniciativa de determinada comunidade científica na 
qual pesquisadores, docentes, estudantes de pós-graduação e de graduação 
ou outros profissionais têm a possibilidade de apresentar seus resultados 
de pesquisa e relatos de experiências em determinada área ou tema para 
colocá-los em debate, com vistas a qualificá-los e validá-los. Nos encontros 
também pode haver atividades, tais como mesas-redondas, conferências, 
palestras, painéis, minicursos, entre outras atividades de atualização e 
divulgação com vistas ao avanço da área, bem como debates sobre temas 
relevantes, atuais e polêmicos no âmbito da área.
107
MÉTODOS DE PESQUISA
Colóquio: evento de menor porte do que um encontro, com vistas a intensificar 
o diálogo de pesquisadores, alunos e/ou profissionais em torno de um tópico 
ou questão específica, de modo a promover avanço no entendimento deste ou 
gerar questões a serem investigadas como continuidade.
Workshop: reunião de pesquisadores e/ou técnicos que dão apoio à pesquisa, 
em torno do desenvolvimento de técnicas, metodologias ou práticas que 
sejam úteis à condução de pesquisa em determinado campo. O workshop 
pode ser conduzido por um pesquisador/profissional ou sua condução pode 
ser compartilhada em função de seus objetivos específicos.
Reunião: reunião de pesquisadores, podendo ser estendida a profissionais 
vinculados à atividade científica e aos alunos, para a apresentação e 
discussão de assuntos pertinentes à atividade científico-acadêmica ou à 
gestão em ciência.
Seminário: reunião de um grupo de estudos/pesquisa em torno de um tópico 
exposto oralmente por um ou mais dos participantes, usualmente relativo à 
pesquisa em andamento a ser discutida pelos participantes.
Painel: exposição de visões, abordagens relativas a um tema por um pequeno 
número de especialistas. Usualmente, uma das atividades programadas 
em congressos.
Fórum: tipo de reunião menos técnica cujo objetivo é envolver a efetiva 
participação de um público interessado para o tratamento de questões 
relevantes sobre desenvolvimento científico, ações sociais em benefício de 
grupos específicos ou da humanidade em geral.
Conferência: apresentação pública ou preleção sobre tema (assunto técnico, 
artístico, científico ou literário) de interesse de uma comunidade por parte de 
pesquisador/profissional/especialista com notoriedade na área em que atua.
Palestras e ciclo de palestras: sequência de apresentações públicas sobre 
determinado tema de interesse oriunda de iniciativas da parte de instituições 
científicas/educacionais ou profissionais para as quais a apresentação do 
produto da pesquisa acadêmica seja relevante, ou oriunda deredes de 
cooperação nacionais ou internacionais.
Jornada: encontro curto (de um dia de duração), usualmente organizado 
por grupos de pesquisa, de âmbito regional ou local, para discutir assuntos 
de interesse do grupo. As conclusões podem definir linhas norteadoras para 
trabalho futuro.
Feira (ou mostra ou festival): exposição pública de trabalhos, materiais e 
outros produtos decorrentes de atividade acadêmica (científica, literária, 
artística) (Brasil, 2017).
108
Unidade II
Há modalidades híbridas, que mesclam formas impressas e orais para a comunicação científica. 
Assim, outra modalidade bastante utilizada na comunicação dos dados de uma pesquisa no ambiente 
acadêmico é o pôster, ou banner, como alguns denominam. O pôster nada mais é do que a síntese de 
um trabalho impressa em um cartaz. Esse cartaz pode ser pendurado ou exposto em local previamente 
escolhido ou pode ser apresentado sob a forma de seminário ou palestra. Assim, pode acontecer de ser 
agendada uma apresentação de pôsteres e, nesse caso, o pesquisador ficar diante de uma plateia ou 
de interessados, explicando o conteúdo da sua pesquisa; em outras ocasiões, os pôsteres podem ficar 
expostos durante algum tempo, sem que o pesquisador tenha o compromisso de estar à disposição para 
quaisquer esclarecimentos.
Há regras e normatização específicas para a realização de um pôster. A ABNT, por exemplo, sugere 
um padrão em termos de tamanho do pôster, tamanho de letras e outras disposições. Na maioria 
dos casos, os professores ou os organizadores do evento detalharão as características e os elementos 
obrigatórios do pôster.
 Observação
A realização de exposição de pôster é muito comum na comunidade 
acadêmica; no entanto, nada impede que o pôster seja colocado em um 
local de acesso público; caso isso aconteça, o pesquisador deve ter em mente 
a necessidade de utilizar uma linguagem que seja acessível a todos.
Outro aspecto a ser considerado diz respeito ao uso intensivo de tecnologias de informação 
e comunicação, ou seja, de aparatos tecnológicos desenvolvidos pela informática, para efeitos de 
comunicação científica, em especial para a própria comunidade acadêmica.
Figura 38 – Nas últimas décadas, a comunicação científica intensificou-se em função 
das inovações tecnológicas, em especial das tecnologias de informação
Disponível em: https://shre.ink/2DeI. Acesso em: 31 ago. 2023.
Como vimos anteriormente, as revistas acadêmicas são as principais vias para a publicação de 
resultados de investigações dentro da comunidade acadêmica. Há mais ou menos duas décadas, uma 
109
MÉTODOS DE PESQUISA
das maiores dificuldades para a criação e a gestão de revistas acadêmicas era o altíssimo custo de 
impressão e distribuição. Assim, apenas as instituições mais antigas e com acesso a verbas conseguiam 
publicar revistas acadêmicas. A revolução da informática mudou completamente esse quadro: não há 
mais custos de papel e gráfica, tampouco a necessidade de uma logística especial para distribuir a 
publicação. Como afirmam Rosa e Gomes (2010, p. 21),
 
o surgimento da internet e da www, em fins dos anos 80, veio acelerar 
mudanças na forma de publicação da produção científica, que passou 
do suporte exclusivamente em papel para o uso também do suporte 
digital, alterando o fluxo da comunicação científica. Entre os fatores 
que contribuíram para as mudanças no modelo clássico da comunicação 
científica destacam-se o custo alto das assinaturas de periódicos científicos 
e os avanços das tecnologias de informação e comunicação (TIC).
Este cenário mudou bastante em função da inovação tecnológica: nos dias de hoje, desde que 
haja um grupo de pesquisadores comprometidos com uma proposta editorial sólida e algum recurso 
financeiro, é possível publicar virtualmente uma revista acadêmica da melhor qualidade. Aliás, o fato de a 
tecnologia permitir a publicação virtual de revistas fez com que um maior número de pesquisadores, 
alunos e professores tivessem acesso a revistas de instituições pouco conhecidas ou distantes do centro 
de produção do conhecimento. Ainda, é importante considerar que os acervos virtuais de revistas 
eletrônicas dispensaram a criação e a manutenção de espaços especialmente preparados para abrigar 
grandes coleções impressas.
Apesar dessas mudanças, não se deve pensar que a inovação criou um “paraíso” no qual todos 
podem acessar quaisquer informações e todos podem publicar em quaisquer revistas. As revistas mais 
reconhecidas, por exemplo, só podem ser acessadas, via de regra, mediante assinaturas caras e impossíveis 
de serem realizadas por pessoas físicas ou instituições com poucos recursos financeiros. Ainda, quanto 
mais renomada for a revista, mais difícil e demorado é o processo de aceite de textos e artigos. Segundo 
Rosa e Gomes (2010, p. 22),
 
os altos custos das assinaturas tornaram difícil a manutenção atualizada das 
coleções de periódicos pelas bibliotecas, dificultando o acesso à informação 
pela comunidade leitora. Ao mesmo tempo, assiste-se a uma corrida 
para a publicação dos resultados das pesquisas nos periódicos científicos 
internacionais por parte dos pesquisadores, para atender a critérios de 
avaliação estabelecidos para as grandes áreas do conhecimento.
Como já demonstramos, nem tudo é perfeição no contexto da publicação científica: os pesquisadores 
são mais bem qualificados em função do acesso e do impacto que suas publicações conseguem; as revistas 
mais bem qualificadas são cada vez mais exigentes no aceite e na publicação de textos; os pesquisadores 
dependem da publicação de textos para divulgarem suas ideias e obter o reconhecimento dos seus 
pares; quanto mais renomada for uma revista, mais acessos os artigos por ela publicados conseguem 
obter. Essa estrutura rígida cria obstáculos difíceis de serem ultrapassados, embora a iniciativa de criar 
110
Unidade II
plataformas para consulta sem necessidade de assinatura e a publicação de livros e textos no formato 
de acesso livre tenham favorecido autores e leitores. Segundo Rosa e Gomes (2010, p. 23),
a Iniciativa de Arquivos Abertos e o Movimento de Acesso Livre modificaram 
inteiramente o cenário da comunicação científica. Tanto no que diz respeito 
ao processo de aquisição, quanto ao processo de produção, disseminação, 
uso e modo como os cientistas publicam os resultados de suas pesquisas 
e se relacionam com seus pares. Estes fenômenos possibilitaram mudanças 
estruturais no sistema de comunicação da ciência.
Figura 39 – Os repositórios e os bancos virtuais de dados têm desempenhado um importante papel 
no que diz respeito ao intercâmbio de informação nos mundos acadêmico e científico
Disponível em: https://shre.ink/2DPT. Acesso em: 18 dez. 2020.
De qualquer forma, são inegáveis os benefícios que a informática e a inovação tecnológica 
proporcionaram à comunicação científica. Por conta dessas mudanças, podemos acessar revistas de 
países africanos, do Oriente Médio e de todos os cantos da América Latina: o intercâmbio de ideias 
é cada vez maior e a conhecida dicotomia entre centro produtor de conhecimento versus periferia 
consumidora de conhecimento parece estar se enfraquecendo. Segundo Rosa e Gomes (2010, p. 27),
 
a comunicação científica foi bastante favorecida pelo uso das redes de 
computadores no ambiente de pesquisa. A velocidade da disseminação 
de resultados, o intercâmbio das ideias, a colaboração entre pesquisadores são 
contributos possibilitados pelo uso das TICs. Os pesquisadores incorporaram, de 
fato, no seu cotidiano científico, tecnologias da rede, na ação de desenvolver 
pesquisas e gerar conhecimentos, mas também nas dinâmicas de publicação 
e disseminação do conhecimento produzido. De igual modo, têm consciência 
crescente dos impactos decorrentes dessas redes eletrônicas, que favorecem 
a expansão das comunidades científicas, facilitando e intensificando a 
comunicação e ampliando o acesso aos diversos recursos de informação 
criados.
111
MÉTODOS DE PESQUISA
Vamos contextualizaressa discussão a partir da reflexão sobre a comunicação científica em uma 
área bem específica do conhecimento: a saúde. Segundo Castro (2006), a internet mudou não apenas 
a comunicação científica, mas provocou transformações na sociedade como um todo, em particular 
no que respeita à importância da informação. A informação, de forma bem diferente do que havia 
acontecido até então, passou a ser produzida e disseminada com extrema intensidade; por conta disso, as 
pesquisas e as redes de colaboração entre pesquisadores de diferentes países e especialidades cresceram 
em número e qualidade. Afinal, “o processo de globalização no século XXI teve maior desenvolvimento 
quando os indivíduos perceberam a capacidade de colaboração em redes no âmbito mundial, utilizando 
amplamente os recursos tecnológicos existentes” (Castro, 2006, p. 58). Em relação ao caso específico 
da saúde, essas novas tecnologias prestaram-se perfeitamente para a disseminação do conhecimento: 
exemplo disso foi a criação da Biblioteca Virtual da Saúde, que acolheu diferentes autores e promoveu 
um fluxo de comunicação que, colocado à disposição de todos, transformou o conhecimento científico 
em bem público.
 Saiba mais
Atualmente, a Biblioteca Virtual da Saúde encontra-se disponível no 
link a seguir:
Disponível em: http://brasil.bvs.br/. Acesso em: 31 ago. 2023.
No portal, é possível acessar material de pesquisa em diferentes 
temáticas, bem como literatura técnica e científica em bases especializadas 
nacionais, diretórios e portais.
Segundo Castro (2006, p. 61),
 
o Portal de Revistas Científicas da BVS registra cerca de 8.600 revistas 
científicas correntes da área da saúde, das quais 50% estão disponíveis 
em formato eletrônico. Das 5.236 revistas indexadas na base Medline e 
registradas no Portal da BVS, 3.457 (66%) estão em formato eletrônico, em 
acesso aberto ou controlado. No caso das revistas publicadas em países da 
América Latina e Caribe e indexadas na base de dados Lilacs, a percentagem 
de revistas eletrônicas passou de 18% em 2001 para 78% em 2006.
Ainda segundo o autor, as tecnologias de comunicação e informação também possibilitaram a 
criação de novos espaços para discussão e reflexão sobre a ciência, o que incluiu não apenas a criação 
de revistas acadêmicas, mas o surgimento de novos formatos de publicação que favorecessem o 
acolhimento de debates (por exemplo, fóruns e espaços para comentários ao final de artigos). Assim, 
para Castro (2006, p. 60)
112
Unidade II
a linearidade e a sequencialidade, inerentes ao modelo tradicional, foram 
substituídas por um fluxo de comunicação ágil, rápido, dinâmico e, por 
vezes, interativo, desenvolvido no espaço virtual criado pela internet. O novo 
fluxo permite a convergência entre autores, revisores e editores (produtores 
da informação), bibliotecas e centros de informação (intermediários) 
e usuários (leitores e pesquisadores) e estimula o compartilhamento 
de ideias e experiências. A comunicação se dá por meio de mensagens e 
arquivos digitais transferidos automaticamente de uma etapa a outra, que 
podem estar visíveis e acessíveis a vários desses atores simultaneamente, 
independentemente de distâncias físicas.
Uma das primeiras iniciativas de acesso aberto a conteúdo científico, no Brasil, foi criação da 
SciELO, em 1997: se no início o portal abrigava apenas dez títulos de revistas (sendo quatro da área 
da saúde), em 2006,
a SciELO Brasil incluiu 160 títulos, 83 (52%) das ciências da saúde e também 
indexados na base de dados Lilacs. Em toda a rede de coleções SciELO, 
que abrange países da América Latina e Caribe, Espanha e Portugal, há 
167 títulos da área da saúde (Castro, 2006, p. 61).
 Saiba mais
Caso exista o interesse de investigar com mais detalhes o panorama da 
comunicação científica em outras áreas, sugerimos, a título de exemplo:
Na área da administração de empresas:
MIRANDA, A. C. C.; CARVALHO, A. V.; RAMOS, A. S. M. Comunicação 
científica em administração. Revista de Ciência da Administração, Fortaleza, 
v. 22, n. 2, p. 573-604, jul./dez. 2016. Disponível em: https://shre.ink/24Zv. 
Acesso em: 31 ago. 2023.
Na área do turismo:
SANTOS, G. E. O.; REJOWSKI, M. Comunicação científica em turismo no 
Brasil: análises descritivas de periódicos nacionais entre 1990 e 2012. Revista 
Brasileira de Pesquisa em Turismo, v. 7, n. 1, p. 149-167, 2013. Disponível em: 
https://shre.ink/23rb. Acesso em: 31 ago. 2023.
113
MÉTODOS DE PESQUISA
Na área da educação científica:
OLIVEIRA, J. R. S.; QUEIROZ, S. L. Considerações sobre o papel da 
comunicação científica na educação em química. Química Nova, São Paulo, 
v. 31, n. 5, p. 1263-1270, 2008. Disponível em: https://shre.ink/244b. Acesso 
em: 31 ago. 2023.
Na área da ciência da informação:
COSTA, L. F. et al. O uso de mídias sociais por revistas científicas da área 
da ciência da informação para ações de marketing digital. Revista ACB, Santa 
Catarina, v. 21, n. 2, p. 338-358, 2016. Disponível em: https://shre.ink/24HU. 
Acesso em: 31 ago. 2023.
Figura 40 – As bibliotecas virtuais dispensaram a reserva de grandes espaços e verbas 
para manutenção de imensos arquivos de dados, textos, imagens e livros
Disponível em: https://shre.ink/2DPS. Acesso em: 31 ago. 2023.
De maneira geral, as tecnologias da informação mudaram o panorama da comunicação científica: 
a informação passou a ser produzida e armazenada em diferentes locais, e o modelo de trabalho 
passou a privilegiar o formato de rede, na qual vários colaboradores trabalhavam ao mesmo tempo, 
compartilhando dados e processos.
A realização de pesquisas colaborativas envolvendo um grande número de pesquisadores e instituições 
facilitou a transmissão de informação e incentivou a elaboração de artigos de autoria coletiva. De fato, 
as inovações tecnológicas favoreceram a democratização do processo de produção e distribuição de 
114
Unidade II
informação, distribuição essa realizada tanto de maneira formal quanto informal. Há, entretanto, que 
contextualizar esta democratização: se a velocidade da produção e do compartilhamento de informação 
aumentou significativamente, a importância das tecnologias de informação e comunicação fez 
surgirem dois mundos paralelos: o mundo no qual as TICs estavam acessíveis, e o mundo no qual 
não havia acesso algum às TICs. Em outras palavras, surgiram novos periódicos, simplificou-se e 
se tornou mais barato produzir cópias de textos e artigos, grupos periféricos puderam se fazer 
ouvir, novas estruturas organizacionais foram criadas e aspectos culturais e da oralidade passaram 
a ser compartilhados independentemente da distância geográfica; no entanto, aumentou o fosso 
existente entre países ricos e pobres, entre os digitalmente incluídos e os excluídos. Segundo Oliveira 
e Noronha (2005), a inovação tecnológica também provocou problemas em relação à inconsistência das 
informações, à complexidade do armazenamento e à banalização da autoria.
 
Inconsistência das informações: ao lado da quantidade de informações 
disponíveis na rede, não há uma forma de avaliação de sua qualidade e 
credibilidade; a facilidade de qualquer pessoa produzir e disponibilizar 
seus textos faz com que estes estejam acessíveis sem nenhum critério de 
avaliação; pré-prints que são colocados na rede para que o autor possa 
testar suas descobertas através de uma consulta prévia à comunidade, e que 
comumente são usados e citados em outros trabalhos.
Complexidade de armazenamento e do controle bibliográfico: devido 
à característica de imediatez, da facilidade de disponibilização e quantidade 
de informações da internet, torna-se complexo o armazenamento da 
informação por um longo período de tempo; é comum os relatos de 
usuários que tiveram acesso a um documento/informação, o imprimiram e 
posteriormente, ao tentarem recuperá-lo, este já não estava mais disponível 
na rede; este fato é de extrema importância para a elaboração de trabalhos 
científicos, onde as fontes de informações devem estar disponíveis paraconsulta e verificação dos dados. Outro ponto é como garantir a prioridade da 
descoberta científica e da produtividade dos pesquisadores em documentos 
que não têm garantia de permanência e conservação.
Banalização da autoria: ao mesmo tempo que agiliza o intercâmbio e 
compartilhamento de informações e a colaboração entre pesquisadores 
distantes geograficamente, inclusive com a elaboração de trabalhos com 
autoria múltipla, possibilita a facilidade de acesso ao texto original e sua 
modificação no ambiente digital, inclusive com o plágio de obras; isso 
é um ponto-chave no ambiente acadêmico, onde a produtividade e o 
reconhecimento são calcados na autoria (Oliveira; Noronha, 2005, p. 87).
115
MÉTODOS DE PESQUISA
8 A APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DE UMA PESQUISA: A COMUNICAÇÃO 
CIENTÍFICA PARA A COMUNIDADE NÃO ACADÊMICA
Não é apenas a comunidade acadêmica que tem interesse na divulgação de resultados de pesquisa: 
na verdade, e cada vez mais, o público em geral busca informações sobre a ciência, já que é dela que 
resultam processos, instrumentos e equipamentos que fazem parte da nossa vida. Assim, da mesma 
forma como as pessoas sentem que precisam estar informadas a respeito de política, elas percebem que 
o conhecimento científico é um diferencial para a compreensão do mundo.
Em função da necessidade crescente de informações a respeito de ciência, uma série de veículos 
foram criados e vêm sendo utilizados para levar o conhecimento às pessoas, em linguagem adequada e 
compreensível. Tal tarefa tem se mostrado imensamente difícil, já que, cada vez mais, a ciência trabalha 
no terreno da especialização, exigindo conhecimentos muito específicos e complexos.
Por meio de documentários ou através de revistas eletrônicas, blogs e vídeos, a comunidade científica 
tem buscado aproximar o público do conhecimento produzido nos laboratórios e institutos de pesquisa. 
É importante salientar: tal esforço não tem única e necessariamente a proposta de “educar” ou ampliar 
o conhecimento do público, mas orientá-lo quanto a cuidados a serem tomados ou a comportamentos a 
serem modificados. Valeiro e Pinheiro (2008, p. 165) refletem a respeito da importância da disseminação 
do conhecimento científico por meio de um exemplo.
 
Com o título “Tsunami disaster: a failure in science communication”, o 
editorial de 17 de janeiro da Scidev.net (2005), ao comentar o desastre 
que provocou a tragédia divulgada ao mundo em poucos instantes, relata 
como foi possível salvar do efeito tsunami inúmeras vidas. O fato ocorreu 
em uma vila de pescadores em Nallavadu, na costa nordeste da Índia, no 
estado de Tamil Nadu. Essa vila, assim como outras, faz parte do projeto 
da Swaminathan Research Foundation, sendo beneficiada por um pequeno 
centro de telecomunicações ligado à internet, prestando serviços de 
prevenção quanto a fenômenos geológicos, evitando situações de perigo. 
Nesse fatídico dia, o responsável pelo centro de telecomunicações se 
ausentou para ir a Cingapura, justamente para procurar novos dados sobre 
recente terremoto ocorrido na Indonésia. Ciente do iminente perigo, ainda 
fora da vila, mandou a família abandonar o local e avisar a outros habitantes 
do perigo de inundação pelas ondas gigantes. Imediatamente, a notícia 
correu e houve tempo para que o centro de telecomunicações desse o alerta 
para a população, que se salvou a tempo. Em função da eficiente articulação 
da informação, da comunicação científica e da divulgação – enfatiza o 
editorial –, coordenadas na prestação de um serviço público, foram salvas 
cerca de 500 famílias. Nos outros locais o efeito tsunami, ao contrário, 
causou a tragédia que foi apontada como a maior falha da comunicação 
científica, dando origem ao título do editorial que também chama a atenção 
para o papel do cientista na sociedade.
116
Unidade II
 Saiba mais
Um filme bastante interessante sobre o tema é O informante. Ele narra a 
história de um ex-funcionário da indústria de tabaco que resolve contar os 
segredos da indústria para o público, em especial sobre o uso de substâncias 
destinadas a viciar os consumidores.
O INFORMANTE. Direção: Michael Mann. Estados Unidos, 1999. 157 min.
Há, atualmente, uma série de revistas destinadas ao público em geral 
que têm como proposta divulgar a ciência: a ComCiência é uma revista 
eletrônica organizada pela equipe de jornalismo científico da Unicamp (SP), 
e seus temas envolvem desde os relativos às ciências sociais aplicadas até 
os referentes às ciências naturais. Ela está disponível no link a seguir:
Disponível em: https://www.comciencia.br/. Acesso em: 31 ago. 2023.
Outra publicação que vale a pena conhecer é a Superinteressante, 
focada em adolescentes e curiosos em relação à divulgação científica, 
podendo ser acessada em:
Disponível em: https://super.abril.com.br/. Acesso em: 31 ago. 2023.
Entre as demais publicações, destacamos a mundialmente conhecida 
Scientific American, que tem uma plataforma disponível em português 
no link:
Disponível em: https://sciam.com.br/. Acesso em: 31 ago. 2023.
Outras formas de divulgação científica são os vídeos apresentados em 
canais do YouTube ou em outras plataformas de produções audiovisuais. 
Dado o alcance desse tipo de mídia, muitos pesquisadores têm procurado 
divulgar os seus trabalhos dessa forma, ampliando o acesso da população 
ao conhecimento científico de qualidade.
117
MÉTODOS DE PESQUISA
 Resumo
Observamos que o planejamento de uma pesquisa costuma ser proposto 
sob a forma de um projeto. A escolha do tema é o primeiro passo para 
realizar uma investigação científica. O tema é o assunto, é sobre o que se 
pretende pesquisar.
Pesquisas são realizadas para que encontremos respostas a perguntas 
feitas diante dos fenômenos que nos cercam. A problematização é o 
momento em que o aluno fará uma pergunta em relação ao tema, pergunta 
essa possível de ser respondida por meio da pesquisa. A hipótese é uma 
resposta à pergunta, e que se supõe provável. A hipótese é uma afirmativa 
que responde ao problema, e o trabalho de pesquisa dirá se esta resposta 
é correta ou não.
Os objetivos estão relacionados aos propósitos da pesquisa, suas finalidades 
e intenções. Em resumo: se o problema e a hipótese identificam o que será 
pesquisado, os objetivos mostram por que será pesquisado. Eles podem ser 
genéricos ou específicos mas, como regra, são representados por meio de 
verbos de ação, quer dizer, os verbos de ação instrumentalizam os objetivos.
Vimos que a metodologia indica como fazer, ou seja, ela envolve 
as escolhas a respeito dos processos, procedimentos e operações para 
investigar os fatos e os fenômenos. O que vai indicar quais os métodos 
deverão ser escolhidos são o problema, a hipótese e os objetivos.
O referencial teórico, também chamado de marco teórico, revisão de 
literatura e estado da arte, diz respeito aos conceitos, teorias e constructos 
nos quais o pesquisador está se apoiando.
O cronograma de atividades responde à questão de “quando” o trabalho 
será realizado. A pesquisa deve ser realizada conforme uma sequência de 
etapas, e precisa ser concluída dentro do prazo que há disponível.
Entendemos que há que tomar cuidados especiais quando a pesquisa 
envolver seres vivos: nas universidades, há comitês especializados em avaliar 
as questões éticas envolvidas na realização da pesquisa, e a continuidade da 
pesquisa, nesses casos, depende de aprovação para que possa ser executada.
118
Unidade II
A comunicação científica é ainda uma etapa importante do processo 
de pesquisa, já que ela tem o propósito de divulgar os resultados das 
investigações e submeter os dados à apreciação e avaliação da comunidade 
acadêmica. A comunicação científica pode ser formal e informal, e acontecer 
no ambiente acadêmico ou entre o público em geral.
Por fim, entendemos que as TICs vêm desempenhando um importante 
papel na disseminação da informação científica; apesar de todos esses 
benefícios, é de fundamental relevância estarmos atentos às desvantagensda circulação intensa e descentralizada da informação, em especial quanto 
à confiabilidade dos que divulgam dados sobre a ciência e a tecnologia.
119
MÉTODOS DE PESQUISA
 Exercícios
Questão 1. (IFPB 2013, adaptada) Segundo Gil (2007), não há regras fixas acerca da elaboração de 
um projeto. Sua estrutura é determinada pelo tipo de problema a ser investigado. É necessário que o 
projeto esclareça como se processará a pesquisa. Considerando os elementos que são indispensáveis 
em um projeto de pesquisa, na esfera acadêmica, independentemente da área de conhecimento à qual 
esteja relacionado, analise os itens a seguir:
I – Formulação do problema, fundamentação teórico-metodológica e objetivos.
II – Identificação do tipo de pesquisa e delimitação do objeto e cronograma a ser seguido.
III – Nomes dos indivíduos que serão entrevistados, caso a pesquisa seja quantitativa.
IV – Modelos dos questionários a serem aplicados, caso seja previsto o uso de mecanismos online 
para captação de respostas.
Está(ão) correto(s) apenas o(s) item(ns):
A) I.
B) I e II.
C) IV.
D) II e III.
E) II e IV.
Resposta correta: alternativa B.
Análise da questão
A formulação do problema, a fundamentação teórica por meio da revisão bibliográfica, a 
identificação do tipo de pesquisa, do objeto de estudo e do cronograma de atividades são informações 
essenciais em um projeto de pesquisa. Os nomes dos entrevistados não são divulgados, seja no projeto, 
seja no relatório de pesquisa; os modelos de questionários são apresentados no relatório de pesquisa, 
e não no projeto.
120
Questão 2. (IFPB 2013) Um dos elementos básicos numa pesquisa é a clareza na identificação 
do problema de pesquisa, considerando sua finalidade e demanda. Entretanto, nem todo problema é 
passível de tratamento científico. Com base nisso, analise as seguintes situações de pesquisa.
I – Como fazer para melhorar os transportes coletivos.
II – Em que medida a escolaridade determina a preferência político-partidária.
III – Como fazer para reduzir a violência urbana.
IV – Em que medida a violência urbana entre jovens e adolescentes está relacionada à ausência de 
políticas públicas sociais.
Dentre as situações apresentadas, qual(is) não corresponde(m) a um problema de pesquisa científico?
A) I, II, III e IV.
B) I e II, apenas.
C) III e IV, apenas.
D) II e III, apenas.
E) I e III, apenas.
Resposta correta: alternativa E.
Análise da questão
Os problemas I e III envolvem juízos de valor e não esclarecem quanto às formas que serão utilizadas 
para mensurar as variáveis da pesquisa.
121
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Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000
 
 
 TEXTO COMPLEMENTAR 
 
Disciplina: Métodos de Pesquisa 
Professor: Ivy Judensnaider 
 
 
Divulgação científica ganha mais relevância diante 
da quantidade de pesquisas sobre o coronavírus. 
 
Por Fernanda da Costa – Jornal da Universidade 
 
Fernanda Sobral é vice-presidente da SBPC Foto: Pablo Valadares/ Câmara dos 
Deputados 
 
Ciência | Circulação qualificada do conhecimento entre a população é necessária 
para que se elenquem estudos relevantes e se combata a desinformação 
Se a divulgação científica já era importante para levar a ciência para além das 
páginas das revistas acadêmicas e dos muros das instituições de pesquisa, com 
a pandemia ela se tornou ainda mais essencial para elencar os estudos 
relevantes e combater a desinformação. Vice-presidente da Sociedade Brasileira 
para o Progresso da Ciência (SBPC), Fernanda Sobral afirma que o coronavírus 
fez com que as pessoas se interessassem mais pela produção acadêmica, pois 
entenderam que precisam da ciência para conter a pandemia. Colaboradora 
sênior do Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade de Brasília 
http://portal.sbpcnet.org.br/
 
(UnB), a professora aposentada avalia que, antes da pandemia, o movimento de 
crítica e de negação da produção acadêmica, que chamou de “niilismo da 
ciência”, era maior. 
“Agora, estamos em um momento de recuperação da autoridade científica, e a 
divulgação tem um papel importante nisso. Tenho visto pessoas que não são da 
área científica discutindo sobre a vacina da Rússia, falando que não tem 
publicação sobre, por isso não é baseada em resultados e evidências científicas. 
Pessoas leigas estão conhecendo como se faz ciência. “ 
 
- Fernanda Sobral 
 
Esse é um tipo de conhecimento prioritário para o Brasil, do qual 93% dos jovens 
não souberam citar o nome de um cientista e 87% não conseguiram informar ao 
menos o nome de uma instituição nacional de pesquisa, conforme levantamento 
realizado no ano passado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em 
Comunicação Pública da Ciência e da Tecnologia (INCT-CPCT). “Eu acredito que 
se essa pesquisa for repetida agora, com a ciência em maior evidência na mídia 
por causa da pandemia, o cenário pode ser mais favorável, pois chegamos a ver 
quatro cientistas falando nos primeiros 10 minutos do Jornal Nacional. Acho que 
isso nunca aconteceu na história”, comenta a jornalista Sabine Righetti, 
coordenadora da agência de divulgação científica Bori. 
Realizada com 2.206 pessoas com idades entre 15 e 24 anos de todo o país, a 
pesquisa também mostrou que 68% dos entrevistados disseram achar impossível 
ou difícil identificar se uma notícia relacionada à ciência é verdadeira. “Isso é um 
grande problema, porque eu vejo que os jornalistas às vezes passam mais tempo 
desmentindo ou explicando informações sobre o coronavírus do que divulgando 
os resultados de novas pesquisas científicas. Há informações erradaspartindo 
inclusive de órgãos públicos, o que confunde a população e tira o tempo da 
divulgação científica”, lamenta Sabine. 
Criada em fevereiro deste ano com objetivo de aumentar a presença da ciência 
na mídia, a Bori já antecipou 104 estudos inéditos à imprensa e mantém um guia 
de fontes com o telefone celular de mais de 400 pesquisadores que podem dar 
entrevistas sobre diversos assuntos relacionados ao coronavírus. “Antes de 
desenhar a Bori, em 2019, fizemos uma pesquisa com 140 jornalistas, que 
disseram que tinham dificuldade de encontrar estudos e, quando encontravam, 
era ainda mais difícil conseguir falar com os pesquisadores. Além disso, devido 
ao volume de estudos publicados diariamente no país – mais de 230 por dia, fora 
preprints –, os jornalistas sentem dificuldade de elencar quais são os mais 
relevantes, diferenciar um estudo pequeno do que é o ‘pulo do gato’”, relata. 
Em relação ao volume e à relevância das pesquisas, a jornalista Jaqueline Sordi, 
do projeto Lupa na Ciência, que analisa artigos acadêmicos sobre a covid-19, 
afirma que a aceleração da produção científica por causa da pandemia apresenta 
o risco de “passar por cima” do rigor metodológico e chegar a conclusões 
precipitadas, como no caso da cloroquina. “Um dos primeiros estudos publicados 
em uma revista de peso sobre a droga, indicando que ela seria positiva no 
tratamento da covid-19, tinha erros que passaram despercebidos. Logo esses 
https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2019/06/93-dos-jovens-do-pais-nao-sabem-o-nome-de-um-cientista-brasileiro.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2019/06/93-dos-jovens-do-pais-nao-sabem-o-nome-de-um-cientista-brasileiro.shtml
https://www.inct-cpct.ufpa.br/index/
https://abori.com.br/
https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/04/15/lupa-na-ciencia-google-covid-19/
 
erros foram corrigidos, mas o processo gerou confusão no público em geral, o 
que pode levar a uma perda de confiança na ciência. Isso colaborou para grupos 
que têm interesses em deslegitimar esse campo, como os propagadores de fake 
news”, exemplifica. 
 
Agência Bori divulga quatro pesquisas inéditas semanalmente para uma lista de mais de 
mil jornalistas – Foto: Reprodução 
Divulgação é uma forma de democratizar a ciência 
Doutoranda em comunicação na UFRGS, Jaqueline leva viva na memória a 
afirmação de que “uma pesquisa só termina quando ela alcança a comunidade”, 
ouvida durante um congresso. Para ela, a frase resume de forma simples e 
sucinta o que considera um dos principais problemas da academia: “Perceber 
que o valor da ciência está também no seu papel social”. Ou seja, “precisa 
alcançar a população”, nas palavras da pesquisadora. 
“Existe um abismo entre a produção científica e a sua divulgação para além do 
universo acadêmico. Pesquisadores são, desde cedo, incentivados a produzir 
artigos para publicar em revistas especializadas. No entanto, esse tipo de 
publicação, por ser muito técnica, não alcança o público em geral. Jornalistas, 
por outro lado, são atropelados pelas rotinas de produção, por isso acabam se 
afastando de temas complexos que demandam tempo, reflexão e 
aprofundamento”. 
- Jaqueline Sordi 
 
Para a jornalista, iniciativas de divulgação acadêmica como a Lupa na Ciência 
são fundamentais para a democratização científica. “Elas são calcadas no 
princípio de aproximar a comunidade da produção científica, descomplicando a 
ciência e mostrando que o conhecimento é para todos. Trabalhando 
especificamente na divulgação de pesquisas sobre o novo coronavírus, percebi 
que existe uma grande dificuldade de a população entender como se dá o 
processo de produção científica, quais suas contribuições e também limitações”, 
afirma. 
A pesquisadora atribui essa dificuldade a dois fatores principais. O primeiro, 
segundo ela, é que a formação acadêmica e profissional parte, na maioria das 
 
vezes, de premissas cartesianas. “Conteúdos são estudados de forma separada, 
sem que se estabeleça uma relação entre as diferentes áreas do conhecimento. 
Isso prejudica nossa compreensão e a busca de soluções para fenômenos 
naturais e sociais”, explica. Já o segundo fator, de acordo com a pesquisadora, é 
que os leitores preferem manchetes definitivas. “Queremos saber se a cloroquina 
funciona ou não. Se o uso de máscara evita o contágio ou não. Pesquisas únicas 
não trarão essas respostas. Na maioria das vezes, é preciso que estudos, 
focados em diferentes elementos de um fenômeno, se somem para que a 
comunidade chegue a consensos. Isso demanda tempo, reflexão e 
aprofundamento acadêmico”, completa. 
 
Doutoranda em Comunicação na UFRGS, a jornalista Jaqueline Sordi produz conteúdo 
para a plataforma de divulgação científica Lupa na Ciência, da Agência Lupa – Foto: 
Jaqueline Sordi/ Arquivo pessoal 
Cortes na ciência prejudicam divulgação 
Com o atual cenário de cortes orçamentários para a ciência no Brasil, a 
divulgação está ainda mais desassistida, segundo a SBPC. “Faltam verbas para 
fazer a própria pesquisa, não há recursos para a divulgação. Estamos agora 
lutando no Senado pelo descontingenciamento do FNDCT [Fundo Nacional para 
Desenvolvimento Científico e Tecnológico]. As universidades e instituições de 
pesquisa precisam ter pessoas especializadas na divulgação científica, 
profissionais capacitados”, afirma Fernanda. 
No entanto, conforme Sabine, muitas vezes o trabalho de divulgar as pesquisas é 
feito “quando sobra tempo” por pequenas equipes com diversas outras tarefas 
dentro das instituições, o que prejudica enormemente a qualidade e a efetividade 
dessas divulgações. “A Bori nasceu graças ao apoio da Fapesp [Fundação de 
Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo], mas na linha de apoio tecnológico, 
não de apoio à divulgação científica. Faltam recursos para isso no Brasil; não 
temos para onde submeter os projetos, precisamos de oportunidades. Nos 
https://www.ufrgs.br/jornal/presidente-da-sociedade-brasileira-para-o-progresso-da-ciencia-critica-ameacas-a-projetos-de-fomento/
 
Estados Unidos, o EurekAlert! recebe apoio da American Association for the 
Advancement of Science, a ‘SBPC’ deles”, critica a jornalista. 
Jornalistas e pesquisadoras Ana Paula Morales, à esquerda, e Sabine Righetti, à direita, 
criaram a Agência Bori – Foto: Divulgação 
UFRGS mantém plataforma especializada há quatro anos 
Criado em 2016, o site UFRGS Ciência divulga semanalmente notícias sobre 
pesquisas produzidas na Universidade com uma linguagem acessível e didática. 
Conforme a vice-secretária de Comunicação, Édina Rocha, o veículo já 
conquistou reconhecimento no meio acadêmico, sendo muito procurado pelos 
pesquisadores para a divulgação dos estudos, e tem apresentado crescimento 
entre os jornalistas, que o usam como fonte de informações. 
“Alguns programas de pós-graduação estão tornando obrigatória uma disciplina 
que contemple a entrega de um resumo em linguagem acessível antes da defesa 
de teses e dissertações. Isso mostra claramente o interesse e a necessidade 
desse espaço, já que a atividade científica é a coluna vertebral da Universidade. 
Produzimos pesquisa de alta relevância tanto em nível nacional quanto 
internacional e muitas vezes a própria comunidade universitária desconhece o 
que fazemos” 
-Édina Rocha 
 
Os textos do UFRGS Ciência são produzidos pela equipe de jornalismo da 
Secretaria de Comunicação da Universidade, que recebe sugestões de 
pesquisas por e-mail e busca estudos relevantes em periódicos e repositórios 
científicos. Entre as pesquisas que tiveram maior número de acessos na 
plataforma, estão publicações sobre efeitos da Ritalina no cérebro, pensamento 
computacional, excesso de aminoácidos, transtorno bipolar e cuidados com 
idosos que sofreram AVC. 
https://www.eurekalert.org/
https://www.ufrgs.br/ciencia/
mailto:ciencia@ufrgs.br
https://www.ufrgs.br/ciencia/pesquisadores-analisam-efeitos-da-ritalina-sobre-o-cerebro-em-desenvolvimento/
https://www.ufrgs.br/ciencia/o-pensamento-computacional-no-ensino-fundamental/
https://www.ufrgs.br/ciencia/o-pensamento-computacional-no-ensino-fundamental/https://www.ufrgs.br/ciencia/mecanismos-e-efeitos-de-doencas-relacionadas-ao-excesso-de-metionina-e-de-homocisteina-sao-temas-de-pesquisas-na-ufrgs/
https://www.ufrgs.br/ciencia/transtorno-bipolar-pode-ser-toxico-para-o-sistema-nervoso/
https://www.ufrgs.br/ciencia/estudo-aborda-os-cuidados-com-o-idoso-apos-o-avc/
https://www.ufrgs.br/ciencia/estudo-aborda-os-cuidados-com-o-idoso-apos-o-avc/
 
Conheça 25 sites que divulgam pesquisas científicas 
– A Ciência Explica 
– Agência Bori 
– Canal Ciência 
– Ciência e Cultura 
– Ciência Fundamental 
– Ciência Hoje 
– Ciência na Rua 
– Com Ciência 
– Direto da Ciência 
– Divulgação Científica – UFOB 
– Fiocruz 
– Galileu 
– Jornal Ciência 
– Jornal da USP 
– Lupa na Ciência 
– Mulheres na Ciência 
– Nexo Acadêmico 
– Nossa Ciência 
– Pesquisa Fapesp 
– Questão de Ciência 
– Scientific American Brasil 
– Socientífica 
– Space Toda 
– Superinteressante 
– UFRGS Ciência 
 
Confira também no Jornal da Universidade a matéria de Vinícius Alves: Podcasts 
oferecem possibilidade de circulação da ciência. 
 
Fonte: https://www.ufrgs.br/coronavirus/base/divulgacao-cientifica-ganha-mais-
relevancia-diante-da-quantidade-de-pesquisas-sobre-o-coronavirus/ 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.cienciaexplica.com.br/
https://abori.com.br/
http://www.canalciencia.ibict.br/
http://portal.sbpcnet.org.br/publicacoes/ciencia-e-cultura/
https://cienciafundamental.blogfolha.uol.com.br/
http://cienciahoje.org.br/
https://ciencianarua.net/
http://www.comciencia.br/
http://www.diretodaciencia.com/
https://www.ufob.edu.br/pesquisa/divulgacao-cientifica%5D
http://portal.fiocruz.br/
https://revistagalileu.globo.com/
https://www.jornalciencia.com/
https://jornal.usp.br/%5D
https://piaui.folha.uol.com.br/lupa/2020/04/15/lupa-na-ciencia-google-covid-19/
http://mulheresnaciencia.com.br/
https://www.nexojornal.com.br/academico/
https://nossaciencia.com.br/
https://revistapesquisa.fapesp.br/
https://www.revistaquestaodeciencia.com.br/
https://sciam.com.br/
https://socientifica.com.br/
https://spacetoday.com.br/
https://super.abril.com.br/
https://www.ufrgs.br/ciencia/
https://www.ufrgs.br/jornal/podcasts-oferecem-possibilidade-de-circulacao-da-ciencia/
https://www.ufrgs.br/jornal/podcasts-oferecem-possibilidade-de-circulacao-da-ciencia/todo foi a seguinte: o quanto as empresas sabiam a respeito dos efeitos do rádio no corpo 
humano? O que as companhias, naquele momento, poderiam ter feito para proteger os trabalhadores 
desses efeitos? Há controvérsias sobre isso, já que a própria Marie Curie morreu por conta de uma 
leucemia, provavelmente em função da exposição a materiais radiativos.
 Saiba mais
Uma investigação mais detalhada sobre o caso das “garotas do rádio” 
está disponível em:
LEAL, K. P.; FORATO, T. C. M. História da radioatividade e natureza da 
ciência: possibilidades de diálogo. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE 
FÍSICA, 23., 2019, Salvador. Anais [...]. São Paulo: SBF, 2019. v. 1. p. 1-8. 
Disponível em: https://shre.ink/24lk. Acesso em: 31 ago. 2023.
Também é possível refletir sobre a questão do descompasso entre 
conhecimento e aplicação – por desinformação ou por descuido – a partir 
da narrativa da minissérie para a televisão Chernobyl (2019), que narra um 
desastre em uma usina nuclear na Ucrânia, em 1986.
Centenas de milhares de trabalhadores envolveram-se com os trabalhos 
de descontaminação naquele que é considerado um dos piores acidentes 
nucleares da história. A minissérie mostra como os soviéticos buscaram 
esconder do mundo o que havia acontecido, demora que só fez aumentar os 
prejuízos ecológicos, humanos e materiais. Ainda hoje, a região em torno da 
usina apresenta elevados índices de radiação, o que impede a permanência 
de seres humanos no local, e a cidade de Chernobyl foi abandonada.
CHERNOBYL. Direção: Johan Renck. Estados Unidos; Reino Unido: HBO, 
2019. 330 min. (5 episódios).
15
MÉTODOS DE PESQUISA
Há outras formas de categorizar as pesquisas que não apenas separando-as em teóricas e aplicadas. 
Em geral, elas podem ser caracterizadas em função dos objetivos, das abordagens e dos procedimentos. 
Vejamos essas divisões com mais detalhes.
Quanto aos objetivos
Em relação aos seus objetivos, as pesquisas podem ser exploratórias, descritivas ou explicativas. 
A pesquisa exploratória tem o propósito de ampliar o conhecimento a respeito de determinado objeto 
ou fenômeno. Em grande parte das vezes, ela é a primeira etapa de uma pesquisa mais complexa, em 
especial quando o pesquisador não conhece o tema com profundidade.
Imaginemos que um banco pretenda informatizar vários dos seus processos, diminuindo a necessidade 
de os clientes irem à agência física. Parece razoável pensar que a primeira coisa a ser investigada diz 
respeito aos hábitos dos consumidores em relação aos serviços digitais e às agências físicas. Uma 
pesquisa exploratória pode revelar quais as atitudes dos correntistas sobre o atendimento presencial, 
as dificuldades e desconfianças dos clientes em relação a aplicativos digitais, suas necessidades em 
termos de atendimento e suporte da gerência. O problema-alvo da pesquisa exploratória, depois, pode 
ser investigado mais detalhadamente em outra fase da pesquisa – e a partir de outros métodos – mas, 
no primeiro instante, é fundamental que o pesquisador conheça o chão em que está pisando, que ele 
tenha as informações básicas para planejar uma investigação mais profunda.
Este é o sentido da pesquisa exploratória: promover uma primeira aproximação com o objeto de 
estudo ou com o problema que orienta a investigação, em especial quando o tema é novo ou pouco 
conhecido. Por exemplo, em função da inexistência de estudos sobre a influência da tecnologia no 
comportamento do jovem, Nicolaci-da-Costa (2004) entrevistou vinte jovens cariocas, na sua maioria 
estudantes do Ensino Médio ou Ensino Superior; como resultado, a autora identificou que o uso do celular 
havia promovido mudanças profundas no comportamento dos entrevistados, que, por conta do uso da 
telefonia móvel, haviam conseguido ampliar sua autonomia e liberdade, bem como sentiam-se menos 
solitários. Esta pesquisa caracteriza-se como exploratória, já que o tema (mudanças no comportamento 
em função do uso de celular) havia sido pouco estudado até então.
A pesquisa descritiva tem objetivos distintos dos da pesquisa exploratória: ela não pretende uma 
primeira aproximação com o tema; ao contrário, ela se propõe a descrever com o máximo de exatidão 
possível os fatos, os fenômenos ou os objetos. Seu propósito não é levantar informações iniciais, mas 
elaborar um panorama que apresente a realidade com detalhes.
Em geral, faz-se pesquisa descritiva quando se pretende descrever as características de determinado 
grupo, ou se deseja descobrir a proporção de pessoas que, em um grupo, apresentam comportamentos 
específicos. Matsuura, Costa e Folegatti (2004), por exemplo, realizaram entrevistas pessoais com 
quatrocentos consumidores de uma cidade da Bahia com o objetivo de apontar quais os atributos 
da fruta banana eram percebidos como mais relevantes. A pesquisa descritiva fez uso de métodos 
estatísticos e, como resultado, identificou que o sabor, a vida útil e a aparência eram os atributos que 
os entrevistados percebiam como mais importantes. Outra pesquisa descritiva, desta vez na área da 
Sociologia, foi realizada por Costa Júnior e Silva (2018), que buscaram descobrir os atributos associados 
16
Unidade I
à qualidade dos candidatos ao poder executivo municipal, por meio de 252 entrevistas com eleitores de 
duas cidades do Maranhão; como resultado, os autores encontraram que as variáveis associadas a plano 
de governo, propostas políticas, equipe de governo e condutas éticas dos candidatos eram os atributos 
mais relevantes no momento de decidir o voto.
Diferentemente da pesquisa exploratória e da pesquisa descritiva, a pesquisa explicativa tem o 
objetivo de identificar fatores determinantes que explicam a ocorrência de fenômenos, sejam eles 
naturais ou sociais. Ela não quer apenas se aproximar do tema, tampouco limitar-se a descrever a 
realidade; a pesquisa explicativa quer explicar, quer mostrar a relação de causa e efeito entre variáveis. 
Se a pesquisa descritiva ocupa-se em descrever o que é, a explicativa busca entender o porquê de os 
fenômenos ou os fatos acontecerem.
 Observação
As variáveis são características dos elementos de uma amostra ou 
população. Por exemplo, a idade, o sexo, o grau de instrução, a nacionalidade 
caracterizam pessoas ou grupos. Em um teste de produto, o grau de 
satisfação dos consumidores é uma variável. No processo de fabricação 
de camisetas, o tempo de duração de cada etapa do processo fabril é uma 
variável. Em uma pesquisa eleitoral, a intenção de voto é uma variável; a 
rejeição a candidatos é outra.
Figura 3 – A variável corresponde a determinada característica de um fenômeno, uma amostra ou 
uma população. Por exemplo, no processo de fabricação de camisetas, o tempo de duração de cada 
etapa do processo fabril é uma variável
Disponível em: https://shre.ink/24qS. Acesso em: 31 ago. 2023.
Com o propósito de determinar as variáveis responsáveis pelo IDH-M dos municípios do Paraná, 
Scarpin e Slomski (2007) realizaram uma pesquisa explicativa. O IDH-M é o Índice de Desenvolvimento 
Humano do município, e varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior é o desenvolvimento humano; 
quanto mais próximo de 0, menor o desenvolvimento humano. O IDH, do qual o IDH-M deriva, foi 
elaborado para mensurar o desenvolvimento humano de forma mais qualitativa, não usando como 
parâmetro única e exclusivamente a renda. São três os fatores que participam do índice: a longevidade 
17
MÉTODOS DE PESQUISA
(média de idade da população), a educação (o número de anos de escolaridade da população) e a renda 
da população corrigida pelo custo de vida. O estudo mostrou que, dentre 87 variáveis independentes 
(10 variáveis não contábeis e 77 contábeis), as seguintes explicavam o aumento ou a diminuição do 
desenvolvimento humano nas cidades: distância do município em relação à capital, altitude geográfica, 
proporção da população vivendo na área rural, receita tributária, gastos e despesas com pessoal na área 
administrativa, saúde e saneamento, nível de investimentos egastos com indústria e comércio.
 Observação
Uma variável dependente é aquela que acontece por conta de outra, 
independente. Simplificando: se tivermos uma relação do tipo “se X, então 
Y”, X será nossa variável independente e Y a dependente. A variável Y 
depende da variável X; se X aumentar/diminuir, ou se X ocorrer, então 
Y aumentará/diminuirá, ou Y ocorrerá. Pense na seguinte relação: renda e 
consumo. É bem provável que à medida que a renda aumente, o consumo 
também o faça. Pessoas com mais renda consomem mais, pessoas com 
menos renda consomem menos. No nosso exemplo, a renda é a variável 
independente e o consumo é a variável dependente.
Outro exemplo de pesquisa explicativa pode ser visto no estudo de Sgroi (2008), no qual a autora 
pesquisou quais variáveis poderiam explicar o peso ao nascimento; partindo da premissa de que o peso 
ao nascimento determinava a probabilidade de sobrevivência do nascituro e a ocorrência de doenças 
na vida adulta, ela estudou os dados de 383 crianças com menos de 11 meses completos, na cidade 
de São Paulo. Como conclusão, a autora identificou que a probabilidade de a criança nascer com peso 
médio inferior ao de outras aumentava caso a mãe fosse fumante, tivesse ganho pouco peso durante 
a gravidez, fosse hipertensa e tivesse comparecido a poucas consultas de acompanhamento pré-natal.
 Lembrete
Nos termos de que falamos anteriormente, o peso da criança ao 
nascimento é a variável dependente. Número de visitas de pré-natal, 
tabagismo, ganho de peso durante a gravidez e pressão arterial da mãe são 
as variáveis independentes.
Quanto à abordagem
As pesquisas também podem ser categorizadas em função da sua abordagem: há pesquisas 
qualitativas e pesquisas quantitativas.
As pesquisas qualitativas não estão preocupadas em projetar os seus resultados para a população 
como um todo. Caso uma pesquisa qualitativa mostre que a maior parte da amostra (grupo de pessoas 
que correspondem à população, em relação a características específicas) prefere o sorvete de morango 
18
Unidade I
ao de chocolate, nada permite concluir que tal fato também ocorra na população. A preocupação da 
pesquisa qualitativa não é estatística, e por isso ela não costuma fazer uso de instrumental ou de 
técnicas estatísticas. A pesquisa qualitativa não está preocupada em mensurar, mas em aprofundar 
o conhecimento sobre o fenômeno ou o objeto de estudo. Ela trabalha com dados qualitativos, não 
métricos. De forma contrária, a pesquisa quantitativa tem a preocupação de mensurar, de medir a 
ocorrência do fenômeno. Seu material são os dados quantitativos, métricos, quantificáveis.
Vejamos como um mesmo tema pode ser abordado de duas diferentes formas. A segurança alimentar 
é um tema que vem recebendo atenção de nutricionistas e outros profissionais da área de saúde, 
economistas e gestores públicos. De forma resumida, a segurança alimentar diz respeito ao direito da 
população ao acesso e à qualidade da alimentação.
Para investigar o assunto, Sampaio et al. (2006) realizaram entrevistas junto a dois grupos focais, 
cada um deles com 12 participantes. Diferentes segmentos da população rural estavam representados 
no grupo (assentados, agricultores, quilombolas etc.) e os participantes foram convidados a refletir 
sobre o significado de termos relacionados à segurança alimentar, tais como: “qualidade de 
alimentação”, “alimentação saudável” e “fome”. Os pesquisadores não se preocuparam em quantificar 
os resultados, mas em compreender quais significados e sentidos os entrevistados atribuíam aos 
termos pesquisados. Como resultado, os autores identificaram que os participantes entendiam 
que segurança alimentar estava associada ao trabalho, à saúde, à moradia e à renda; qualidade de 
alimentação, por sua vez, estava relacionada a alimentos sem agrotóxicos. Como pode ser visto, esta 
foi uma pesquisa qualitativa.
 Observação
Os grupos focais reúnem pessoas com determinadas características 
para debater um assunto proposto pelo pesquisador. É um método 
menos “engessado” do que o uso de questionários, porque as pessoas 
são livres para comentar o que quiserem. O pesquisador funciona como 
mediador, buscando conduzir o debate e identificar pontos em comum ou 
discordâncias latentes. É um método muito utilizado na área de marketing 
e comunicação e, principalmente, no caso de pesquisas eleitorais.
Também tendo a segurança alimentar como objeto de estudo, o Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE) executa levantamentos periódicos sobre orçamentos familiares e gastos das famílias 
com vários itens de alimentação. Esta pesquisa, chamada POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) 
foi realizada três vezes: em 2002/2003, 2008/2009 e 2017/2018. Na última edição, os pesquisadores 
introduziram no estudo a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, que busca quantificar 
a percepção dos respondentes em relação ao acesso aos alimentos. Segundo o IBGE (2019a), os 
resultados “referem-se às aquisições monetárias e não monetárias efetuadas, aos rendimentos e à 
variação patrimonial das famílias – aspectos básicos para a análise dos orçamentos domésticos –, os 
quais são apresentados para Brasil e Grandes Regiões, em nível de total”. Apenas para exemplificar, 
e mostrar os resultados de pesquisas quantitativas, apresentamos um recorte de uma das tabelas de 
19
MÉTODOS DE PESQUISA
resultados. A escolhida por nós mostra os dados sobre despesas com alimentação no domicílio, em 
especial no consumo de açúcares e derivados. Essas informações estão segmentadas por classe de 
rendimento familiar, no Brasil, no período de 2017-2018.
Tabela 1 – Despesa monetária e não monetária média mensal familiar, 
com alimentação, por classes extremas de rendimento total e variação 
patrimonial mensal familiar, segundo os tipos de despesa, com 
indicação do número e tamanho médio das famílias – Brasil – 
período 2017-2018
Tipos de despesa
Despesa monetária e não monetária média mensal familiar, com alimentação (R$)
Total
Classes de rendimento total e variação patrimonial mensal familiar (1)
Até 
1908
Mais de 
1908 a 
2862
Mais de 
2862 a 
5724
Mais de 
5724 a 
9540
Mais de 
9540 a 
14310
Mais de 
14310 a 
23850
Mais de 
23850
Açúcares e 
derivados 19.93 10.07 13.38 19.71 26.66 36.65 40.55 58.63
Açúcar refinado 2.11 1.89 1.93 2.31 2.11 2.30 2.30 2.15
Açúcar cristal 2.84 2.86 3.02 3.20 2.67 2.05 1.80 1.39
Light e diet 0.19 0.06 0.03 0.13 0.18 0.39 0.93 1.78
Outros 14.79 5.26 8.38 14.07 21.69 31.91 35.51 53.30
Fonte: IBGE (2019b).
Como pudemos perceber, a pesquisa do IBGE busca quantificar, mensurar o consumo de alimentos. 
Os dados com os quais ela trabalha são quantitativos. A pesquisa de Sampaio et al. (2006), citada 
anteriormente, não se preocupou em quantificar, mas sim em identificar valores, sentimentos e atitudes 
em relação à segurança alimentar; os dados com os quais os pesquisadores trabalharam foram de 
natureza qualitativa. Assim, um mesmo tema pode ser objeto de abordagens diferentes; o que determina 
a perspectiva é o objetivo do pesquisador.
Figura 4 – A escolha da abordagem, se qualitativa ou quantitativa, 
depende dos objetivos da pesquisa e do pesquisador
Disponível em: https://shre.ink/24qB. Acesso em: 31 ago. 2023.
20
Unidade I
Quanto aos procedimentos
Outra forma de categorizar as pesquisas diz respeito aos procedimentos adotados para a coleta dos 
dados e das informações. Segundo esse critério, podemos dividir as pesquisas em dois grandes grupos:
• Pesquisas do tipo desk research: são pesquisas de “gabinete”, quer dizer, que não necessitam de 
contato com pessoas ou situações. Elas são realizadas “na mesa”, a partir de dados já existentes. 
Gomes, Salvador e Domingos (2010), por exemplo, selecionaram algumas campanhas publicitárias 
de uma empresa de cosméticos e, analisando o conteúdo das peças, identificaram as estratégias 
persuasivas utilizadas na comunicação para criar identidade entre o produto e as consumidoras, 
em especial incluindomulheres que não seguem os padrões de beleza tidos como ideais.
Outro exemplo de pesquisa desk research é oferecido por Silva, Kushano e Ávila (2008): após a 
análise dos dados estatísticos sobre a segmentação da população brasileira por faixa etária, os 
autores sugeriram a segmentação do mercado de turismo, propondo serviços diferentes para o 
público infantil, os adolescentes, e o público de terceira idade. Este trabalho foi feito “na mesa”, a 
partir das informações já coletadas pelo IBGE.
Finalmente, outro tipo de pesquisa do tipo desk research é aquele realizado tendo como base 
documentos históricos: por exemplo, Iacomini Júnior, Cardoso e Prado Júnior (2018) usaram 
como fonte documental os dois primeiros discursos presidenciais proferidos por Michel Temer 
(quando da sua posse como interino e após a perda de mandato da presidente Dilma Rousseff). 
Os pesquisadores analisaram os textos discursivos e mostraram como estes materializaram a 
disposição do presidente de governar com a ajuda da elite parlamentar.
• Pesquisas que envolvem investigação em campo: estas dependem de informações dadas por 
pessoas. Elas não podem ser realizadas “na mesa”; ao contrário, elas necessitam que o pesquisador 
entre em contato com pessoas ou grupos com as características desejadas ou envolvidas na 
situação de interesse. Por exemplo, Silva et al. (2014) estudaram o papel do Agente Comunitário 
de Saúde (ACS) no município de Cubatão, entrevistando pessoas e observando, no local, as 
relações entre os agentes e a comunidade. Outra pesquisa realizada em campo pode ser vista 
em Souza e Loureiro (2014): após as fortes chuvas ocorridas no estado do Rio de Janeiro (entre 
2010 e 2013), os autores entrevistaram profissionais que atuaram de forma voluntária junto aos 
desabrigados, buscando levantar os principais aspectos socioambientais e psicossociais envolvidos 
nesta atividade.
Categorizando pesquisas
Como já deu para perceber, podemos caracterizar a pesquisa a partir de diferentes critérios. Portanto, 
não há nada de errado em classificarmos uma pesquisa como sendo exploratória, qualitativa e do tipo desk 
research. Quais são as características de uma pesquisa assim? Ela é exploratória, pois pretende conhecer 
um assunto com o qual o pesquisador não está familiarizado; ela é qualitativa, pois o pesquisador não 
pretende mensurar fenômenos, mas tão somente investigar razões, sentimentos e motivos associados 
a determinado fenômeno ou objeto; ela é do tipo desk research, pois não necessita que o pesquisador 
21
MÉTODOS DE PESQUISA
entre em contato com pessoas ou situações, por meio de entrevistas ou de observação. A pesquisa é 
exploratória do ponto de vista de seus objetivos; ela é qualitativa em relação à abordagem; ela é do tipo 
desk research em termos de seus procedimentos.
No que se refere aos seus objetivos, à abordagem e aos procedimentos, podemos caracterizar uma 
pesquisa como descritiva, quantitativa e de campo. Quais são os aspectos de uma pesquisa assim? 
Ela é descritiva por descrever determinada realidade ou situação; ela é quantitativa por mensurar o 
fenômeno ou características específicas; ela é de campo por conta de o pesquisador fazer contato com 
as pessoas ou com a situação que está sob estudo.
A seguir, apresentamos um quadro que descreve as principais características das pesquisas em 
termos de suas categorias.
Quadro 1 – Categorização das pesquisas
Quanto aos 
objetivos
Pesquisas exploratórias: 
pretendem uma primeira 
aproximação com o tema, 
em geral pouco estudado 
e conhecido
Pesquisas descritivas: preocupam-se 
em descrever uma situação ou 
fenômeno, buscando identificar 
as características de determinado 
grupo, ou desejam descobrir 
a proporção de pessoas que, 
em um grupo, apresentam 
comportamentos específicos
Pesquisas explicativas: 
buscam explicar os motivos 
pelos quais os fenômenos 
ou fatos ocorrem. Em geral, 
estão preocupadas em 
identificar relações de causa 
e efeito
Quanto à 
abordagem
Pesquisas qualitativas: não 
têm a pretensão de quantificar 
ou mensurar características 
ou fenômenos. Elas envolvem 
descobrir razões, motivos e 
sentimentos associados a 
determinadas ocorrências, 
e trabalham com dados 
qualitativos, não métricos
Pesquisas quantitativas: buscam mensurar e quantificar os 
fenômenos. Elas envolvem mensurar, medir a ocorrência 
do fenômeno. Seu material são os dados quantitativos, 
métricos, quantificáveis
Quanto aos 
procedimentos
Pesquisas do tipo desk research: 
são realizadas “na mesa”, a 
partir de dados já existentes ou 
de documentos
Pesquisas de campo: requerem o contato com pessoas ou 
situações in loco, e envolvem entrevistas e observações
Exemplo de aplicação
Para permitir a reflexão a respeito desses diferentes tipos de pesquisa, sugerimos que, tendo a sua 
área de interesse como foco, você imagine situações em que seja necessário realizar uma:
• Pesquisa explicativa, quantitativa e de campo.
• Pesquisa descritiva, quantitativa e do tipo desk research.
• Pesquisa descritiva, quantitativa e de campo.
• Pesquisa exploratória, qualitativa e documental.
22
Unidade I
A fim de atingir os objetivos do nosso livro-texto, faremos, a partir de agora, uma reflexão a respeito 
dos diferentes métodos utilizados nas pesquisas científicas. Apenas para efeito de simplificação, 
adotamos o critério de dividir esses métodos (e suas respectivas técnicas) em dois grupos: métodos 
utilizados nas pesquisas qualitativas e métodos utilizados nas pesquisas quantitativas.
Em relação a esse critério de categorização, algumas considerações devem ser feitas:
• Uma pesquisa quantitativa pode ser realizada após uma qualitativa; na verdade, a pesquisa 
qualitativa costuma anteceder a quantitativa, especialmente quando o pesquisador não conhece 
bem o assunto que será estudado; assim, um mesmo projeto de pesquisa pode envolver elementos 
das duas modalidades.
• Há pesquisadores que adotam, como categoria, a pesquisa quali-quanti. Nessa modalidade 
estariam as pesquisas que fazem uso de técnicas ou processos da pesquisa qualitativa e da 
pesquisa quantitativa. Neste livro-texto, nossa opção foi pela separação das duas abordagens, 
buscando identificá-las com as técnicas mais comumente utilizadas.
• Em outros livros, a respeito de métodos de pesquisa, poderão ser encontradas outras divisões e 
outros formatos de categorização. Há inúmeras formas de classificar os métodos empregados 
nos estudos científicos, sendo que os critérios não dependem apenas do autor, mas da área na 
qual a investigação está sendo realizada. Aqui, optamos pela divisão em função da abordagem 
(qualitativa ou quantitativa), considerada por nós ideal para a reflexão a respeito das ocasiões e 
dos contextos em que estes métodos poderão ser utilizados.
3 EXPLORANDO E DETALHANDO OS MÉTODOS DE PESQUISAS 
QUALITATIVAS
Como vimos, temos várias formas de categorizar e tipificar pesquisas. A partir de agora, iremos 
explorar e detalhar os métodos mais frequentemente utilizados, bem como as técnicas que os 
acompanham no caso de pesquisas qualitativas.
 Lembrete
O método diz respeito aos processos de investigação; por sua 
vez, as técnicas são os instrumentos que materializarão a adoção do 
procedimento adotado.
Em relação às pesquisas qualitativas, abordaremos a análise do discurso, o estudo de caso (e as 
técnicas de grupos focais, de realização de entrevistas semiestruturadas e de observação), os estudos 
culturais e etnográficos, a pesquisa-ação e os experimentos.
23
MÉTODOS DE PESQUISA
3.1 A análise do discurso
Há muita controvérsia a respeito de a análise do discurso (AD, como costuma ser denominada) 
configurar uma metodologia ou uma técnica. Os pesquisadores geralmente tipificam a AD em função 
de suas várias vertentes, e distinguem a análise do discurso da análise de conteúdo. Essas questões 
extrapolam os limites e objetivos deste nosso livro-texto e, portanto, não avançaremos nessa discussão.
Passando ao largo desse conflito, é importante considerarque a AD tem como objeto o discurso, 
que corresponde ao texto (verbal e não verbal) emitido por um sujeito que se apropria de regras de 
linguagem e que “fala” a partir de um determinado contexto social e histórico.
Quando alguém fala, escreve, canta, desenha ou interpreta, e quando esta fala, esta escrita, 
esta canção, este desenho ou esta interpretação produzem algum sentido, estamos nos referindo 
a um discurso. Sentido, aqui, está associado aos significados atrelados à produção textual: quando 
escrevemos, escrevemos algo que esteja carregado de algum significado. Assim, a AD ocupa-se com 
o sentido produzido, seja ele intencional ou não. O texto (verbal ou não verbal) deve ser interpretado 
e seu sentido apreendido para além do que está visível.
O que pode não estar visível? Podem não estar claras as intenções do sujeito que emitiu o discurso, 
as marcas históricas de vida desse sujeito, as marcas sociais dos grupos aos quais o sujeito pertence; o 
trabalho da AD é justamente o de identificar o que está oculto e que, de certa forma, explica o discurso 
feito pelo sujeito.
Tomemos como exemplo a letra de uma música muito popular na década de 1970.
 Destaque
Eu te amo, meu Brasil
As praias do Brasil ensolaradas
O chão onde o país se elevou
A mão de Deus abençoou
Mulher que nasce aqui tem muito mais amor
O céu do meu Brasil tem mais estrelas
O sol do meu país mais esplendor
A mão de Deus abençoou
Em terras brasileiras vou plantar amor
Eu te amo, meu Brasil, eu te amo
Meu coração é verde, amarelo, branco, azul anil
Eu te amo, meu Brasil, eu te amo
Ninguém segura a juventude do Brasil [...].
Fonte: Farias (1970).
24
Unidade I
À primeira vista, a música fala das belezas e das maravilhas do Brasil. Ela faz referência ao céu, às 
estrelas, ao sol, às bênçãos de Deus e à força da juventude. O refrão, que se repete várias vezes, menciona 
o profundo amor pelo país. Para qualquer um que leia a letra, trata-se de um hino, de uma homenagem 
a um país muito querido.
Há algo oculto na letra da canção? Vejamos: essa música foi composta na década de 1970 e, 
praticamente, tornou-se o fundo musical das campanhas e mensagens do governo àquele momento. 
No entanto, esse governo não havia sido eleito de forma democrática; ele havia se imposto por meio 
dos arranjos políticos entre a elite industrial, o capital internacional e as forças militares brasileiras. 
Uma das expressões mais propagandeadas naquele período dizia que, caso alguém não amasse o Brasil, 
deveria deixá-lo. Assim, o sentimento nacionalista pressupunha o apoio a um regime que governava 
por meio da perseguição política, da censura e da violência. Os alvos preferenciais da ação do governo 
eram, justamente, os jovens, insatisfeitos com os rumos da política brasileira e desejosos do retorno à 
normalidade democrática.
Assim, apesar do tom ufanista e nacionalista da música, a leitura das camadas invisíveis do texto 
nos leva a concluir que, aos olhos dos dias de hoje, ela simboliza, com perfeição, um período triste da 
história brasileira, quando a crítica e a discordância em relação ao governo eram confundidas com 
atitudes antigovernistas e de desamor ao país.
Figura 5 – Há o discurso e há os sentidos visíveis e invisíveis do discurso
Disponível em: https://shre.ink/24Wz. Acesso em: 31 ago. 2023.
A descoberta dos sentidos produzidos por um discurso é feita pela AD, e esta é uma modalidade 
de pesquisa muito utilizada nos casos de estudos qualitativos; aliás, trata-se de uma pesquisa que se 
adequa perfeitamente às necessidades e características da pesquisa qualitativa, já que seu foco é o de 
identificar motivos, razões e sentimentos por trás dos fenômenos, sem preocupar-se com a quantificação 
e a mensuração.
25
MÉTODOS DE PESQUISA
Oliveira e Facundes (2018), por exemplo, selecionaram charges sobre política, com os respectivos 
comentários publicados em uma página de rede social que tinha, àquele momento, mais de 3 milhões 
de seguidores. Partindo do pressuposto de que as charges eram produzidas em função de determinadas 
condições históricas e sociais, os autores buscaram identificar quais sentidos eram gerados pelo 
discurso do chargista, sentidos esses que podiam ser apreendidos tanto na análise do discurso da charge 
propriamente dita quanto nos comentários dos usuários em relação ao conteúdo.
Gonçalves (2013) realizou a análise do discurso científico de três diferentes revistas: Scientific 
American Brasil, a Pesquisa Fapesp e a Superinteressante. Assumindo que os discursos das revistas 
poderiam evidenciar distintos modos de produção, a autora revelou que a Scientific American Brasil 
buscava apoiar-se em fontes e mostrar-se próxima à ciência; a Pesquisa Fapesp, por sua vez, adotando 
um tom jornalístico, buscava mostrar o trabalho e a opinião de cientistas brasileiros; por fim, a 
Superinteressante era o veículo com menor compromisso com o linguajar científico, sendo comum 
a adoção de gírias e analogias de fácil compreensão.
3.2 Os estudos de caso
Os estudos de caso são uma modalidade de pesquisa qualitativa muito utilizada nas áreas de 
administração, contábeis e economia. Também é frequente o seu uso no campo da psicologia e da 
pedagogia, bem como em marketing, comunicação e gestão de RH.
Eles têm a proposta de investigar, a fundo, um assunto, fenômeno, fato ou comportamento específico. 
Buscam-se as principais, e únicas, características do objeto, supondo-se que ele seja representativo; 
assim, o alvo dos estudos de caso é uma unidade individual, seja ela uma empresa, uma área da empresa 
ou um grupo muito específico de pessoas.
Segundo Yin (2001, p. 19),
 
os estudos de caso representam a estratégia preferida quando se colocam 
questões do tipo “como” e “por que”, quando o pesquisador tem pouco 
controle sobre os eventos e quando o foco se encontra em fenômenos 
contemporâneos inseridos em algum contexto de vida real.
Assim, um estudo de caso pode envolver o uso de vários instrumentos simultaneamente, somando 
métodos de campo e de desk research; em outras palavras, ele tanto pode incluir a coleta de dados 
estatísticos quanto incluir entrevistas com poucas pessoas ou a observação do ambiente. Como seu 
propósito é investigar profundamente uma situação específica, ele fará uso das técnicas necessárias 
para levantar as informações desejadas. A sua investigação costuma ser detalhada e exaustiva, quer 
dizer, explora-se a fundo a análise dos casos, que devem ser selecionados de forma bastante rigorosa.
Souza, Machado e Noronha (2015) realizaram um estudo de caso no qual foram analisadas as 
Unidades de Saúde da Família em um município de médio porte do Rio de Janeiro. Por meio de análise 
de documentos, de observação durante as visitas às unidades e de entrevistas com os gestores e outros 
profissionais, os autores buscaram identificar as condições de atendimento aos munícipes e as formas 
26
Unidade I
como estavam articulados os vários serviços de saúde da cidade. Como resultado, eles perceberam que, 
apesar da ampliação do atendimento e do acesso aos serviços de saúde, inúmeros obstáculos persistiam, 
tais como: falta de adequação da infraestrutura das unidades e de clareza quanto ao papel e às funções 
das clínicas instaladas recentemente.
Quais critérios foram utilizados por Souza, Machado e Noronha (2015, p. 168) para que as unidades 
de saúde do município de Três Rios fossem escolhidas? Segundo os autores, o município foi escolhido
 
em função dos seguintes critérios: ser de médio porte populacional e 
ter relevância regional; ter uma abrangência populacional da Estratégia 
Saúde da Família superior a 70%; contar com diferentes tipos de serviços 
de saúde (atenção básica, serviços especializados e hospitalares, públicos 
e privados).
Em outras palavras, o município tinha as características que, na opinião dos pesquisadores, eram as 
ideais para investigar os aspectos necessários.
Como selecionamos um caso para estudo? Ele deve, a princípio, conter as características principais 
que supomoscorresponder ao conjunto do qual ele faz parte. Imagine a seguinte situação: você 
pretende descobrir como se dá o processo de transição de uma empresa familiar para uma estrutura 
organizacional não familiar. Qual instituição escolherá como objeto do seu estudo? Ela deverá ser grande 
ou pequena? Ela precisará ser líder de mercado ou bastará que tenha apenas uma porcentagem dele? 
Ela necessitará ter contratado uma consultoria para acompanhar o processo de transição ou poderá ter 
realizado o processo sem ajuda de terceiros? As respostas a essas perguntas devem ser de conhecimento 
do pesquisador, já que elas indicarão quais empresas serão investigadas com profundidade.
Os estudos de caso costumam ser criticados justamente por conta daquilo que é sua principal 
característica: como eles estudam um ou poucos casos, é difícil estabelecer generalizações a partir 
de seus resultados. Por mais que o objeto tenha as características do conjunto ao qual pertence, 
a situação é única e, por isso, seus resultados são únicos. Em função disso, os estudos de caso são 
amplamente utilizados nos eventos de pesquisas exploratórias e, algumas vezes, nas situações de 
pesquisas descritivas; em relação à utilização do estudo de caso para investigações explicativas, há que 
se tomar cuidado com a reduzida possibilidade de projeção dos dados levantados para o conjunto de 
casos do universo estudado.
Segundo Yin (2001, p. 81), o pesquisador envolvido em estudos de caso deve mostrar determinadas 
habilidades e competências bem específicas:
• Deve ser capaz de fazer boas perguntas – e interpretar as respostas.
• Deve ser um bom ouvinte e não ser enganado por suas próprias ideologias e preconceitos.
27
MÉTODOS DE PESQUISA
• Deve ser adaptável e flexível, de forma que as situações recentemente encontradas possam ser 
vistas como oportunidades, e não como ameaças.
• Deve ter uma noção clara das questões que estão sendo estudadas, mesmo que seja uma orientação 
teórica ou política, ou que seja de modo exploratório. Essa noção tem como foco os eventos e as 
informações relevantes, que devem ser buscados em proporções administráveis.
• Deve ser imparcial em relação a noções preconcebidas, incluindo aquelas que se originam de uma 
teoria. Assim, deve ser sensível e estar atento a provas contraditórias.
São diversas as técnicas empregadas em estudos de caso. As mais utilizadas são a realização de 
grupos focais, de entrevistas semiestruturadas e de observação. Os grupos focais, dos quais já falamos 
anteriormente quando da apresentação do trabalho de Sampaio et al. (2006), constituem uma técnica 
de pesquisa que permite identificar opiniões convergentes e divergentes em um grupo de pessoas com 
as características desejadas.
Em geral, reúnem por volta de dez pessoas em uma sala preparada para a atividade, e a discussão 
é coordenada por um moderador, cuja função é apresentar tópicos para o debate e conduzir a 
conversa de forma a permitir a participação de todos e a identificar pontos de conflito ou de 
concordância. Os participantes costumam ser recrutados em razão de características como idade, sexo, 
classe social, histórico de compras e hábitos de consumo. Para que não haja a formação de “grupinhos”, 
e para que tampouco alguns monopolizem o debate, procura-se escolher pessoas que não se conheçam 
previamente.
Figura 6 – Os grupos focais são realizados a partir da seleção de um grupo de indivíduos com 
as características desejadas. O objetivo do pesquisador, nesses casos, é o de identificar 
pontos de consenso e de conflito entre os participantes
Disponível em: https://shre.ink/24Wo. Acesso em: 31 ago. 2023.
28
Unidade I
 Observação
As agências de propaganda e marketing que realizam grupos focais 
costumam utilizar salas com espelhos falsos. Assim, as pessoas que estão 
debatendo na sala não veem os pesquisadores em outra sala, assistindo, 
gravando e filmando o que está acontecendo. Segundo os preceitos éticos 
de pesquisa, os participantes devem ser informados de que estão sendo 
observados e que suas reações e falas estão sendo registradas.
Francisco et al. (2009) realizaram três grupos focais, cada um com dez adolescentes matriculados 
em três escolas públicas na cidade de Araçatuba, no estado de São Paulo. Os pesquisadores partiram 
da premissa de que havia pouco estudo sobre o conhecimento dos adolescentes acerca de saúde 
bucal; inclusive, tal lacuna prejudicava estudos quantitativos, já que não se conhecia a adequação 
da terminologia ao vocabulário dos jovens. Tratou-se, portanto, de uma pesquisa exploratória, de 
abordagem qualitativa.
Outro exemplo do uso desse método em pesquisas qualitativas é oferecido por Reinaldo et al. (2016), 
que realizaram seis grupos focais (cada um com seis professores) com o objetivo de compreender as 
opiniões e os sentimentos dos docentes em relação ao uso de smartphones pelos alunos em sala de aula. 
Os pesquisadores perceberam contradições, receios e ambiguidades nas respostas dos professores, que 
expressaram preocupação quanto ao fato de os objetos serem percebidos como “salvadores” do ensino, 
sem que seu uso seja realizado de forma a se adequar às práticas e propostas pedagógicas. Ainda, os 
participantes manifestaram-se quanto à importância da informática e das TICs como instrumentos a 
serem utilizados no processo de ensino-aprendizagem, em particular quando forem parte de um projeto 
educativo global.
 Observação
TIC é a abreviação de Tecnologia de Informação e Comunicação e se 
refere a qualquer tecnologia que seja usada para tratamento da informação 
ou para comunicação, independentemente de ser na forma de hardware ou 
software.
Além de grupos focais, os estudos de caso podem envolver a realização de entrevistas semiestruturadas. 
Ao contrário das entrevistas estruturadas, que são rígidas e conduzidas por questionários, as 
semiestruturadas utilizam roteiros que reúnem temas a partir dos quais o entrevistado será estimulado a 
falar de forma livre. Assim, em vez de responder a perguntas diretas que envolvam respostas sob a forma 
de alternativas padronizadas, ou que exijam objetividade e concisão, o entrevistado será conduzido a 
dissertar sobre um tema ou assunto relacionado ao interesse do pesquisador. As opiniões do entrevistado, 
inclusive, podem fazer com que o pesquisador adicione algo ou retire algum tópico do roteiro, de forma 
a aproveitar a entrevista o máximo possível.
29
MÉTODOS DE PESQUISA
Essa modalidade é muito adequada às situações de pesquisas exploratórias, já que permite que o 
pesquisador investigue o seu objeto de estudo com mais liberdade. Como a elaboração de um questionário 
requer um conhecimento bastante sólido para que as perguntas sejam formuladas (mesmo no caso de 
perguntas “abertas”, que não têm respostas padronizadas, mas exigem objetividade), o roteiro pode ser 
utilizado por meio da sugestão de debate sobre elementos nos quais o pesquisador está interessado.
Esse foi o caso, por exemplo, de Calixto (2008), que investigou a percepção de oito diretores de escola 
de Ensino Fundamental de Marília (SP) a respeito do Programa Progestão de formação continuada. Este 
programa, de responsabilidade da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, tem como um de seus 
objetivos realizar cursos de formação para gestores escolares, capacitando-os para o exercício de uma 
liderança comprometida com propostas de gestão democrática. O tema havia sido pouco investigado até 
então, dado o fato de o programa ter pouco tempo de vida. Assim, para que os diretores pudessem verbalizar 
suas opiniões com liberdade, a pesquisadora achou por bem realizar entrevistas semiestruturadas.
Este também foi o caso de Sales e Dimenstein (2009), que realizaram entrevistas semiestruturadas 
com dez psicólogos que atuavam na saúde pública em Natal (RN). Em sua maioria formados pela 
UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), estes profissionais foram questionados sobre a 
relação entre a formação acadêmica no curso de graduaçãoe as atividades profissionais desenvolvidas no 
ambiente de trabalho. O estudo identificou fragilidades na formação dos profissionais, que atuavam 
em um cotidiano para o qual não haviam sido preparados. Da mesma forma que ocorreu no exemplo 
anterior, tratou-se de uma pesquisa qualitativa exploratória.
A observação é outra técnica utilizada em estudos qualitativos, e ela permite observar como os 
fenômenos ocorrem no seu ambiente natural. Vejamos um exemplo: caso um pesquisador tenha 
interesse em compreender o comportamento de consumidores diante da gôndola de determinado 
produto, ele pode realizar uma abordagem direta, perguntando aos consumidores o que procuram, o 
que levam em consideração no momento de decidir a compra, o que buscam evitar etc. No entanto, essas 
respostas podem estar contaminadas por erros: os consumidores podem oferecer como resposta aquilo que 
consideram um comportamento desejável, omitindo informações ou escondendo suas reais intenções ou 
motivações. Uma forma de se averiguar o comportamento tal como ele ocorre é a pesquisa de observação: 
no nosso exemplo, bastaria que alguém ficasse próximo à gôndola, observando os consumidores e anotando 
os aspectos considerados relevantes.
Figura 7 – As pesquisas de observação são bastante comuns nas áreas de 
comunicação e marketing, especialmente nos pontos de venda
Disponível em: https://shre.ink/24WI. Acesso em: 31 ago. 2023.
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Unidade I
Você deve estar se perguntando: é possível que o consumidor altere o seu comportamento em 
função de saber que está sendo observado? Sim, ele pode comportar-se de certa forma por conta de se 
saber observado, e é por isso que o pesquisador deve procurar se incorporar ao ambiente da forma mais 
natural e discreta.
Enquanto técnica utilizada para pesquisas qualitativas, a observação apresenta inúmeras 
vantagens: ela permite que determinada situação ou fenômeno seja investigado de forma exploratória, 
levantando-se informações que possibilitam a coleta de dados em situações em que a comunicação não 
pode ser realizada facilmente, e permite que o pesquisador descubra aspectos até então desconhecidos 
a respeito do seu objeto de estudo. Em contrapartida, ela tem como desvantagem a subjetividade na 
qual pode incorrer o observador, levando-o a cometer erros na coleta de dados, ou a apropriar-se de 
maneira parcial da realidade que está colocada à sua frente.
Há vários tipos de técnicas de observação possíveis de serem utilizadas: a observação pode ser 
espontânea e informal, ou pode ser planejada e sistemática. O observador pode listar, com minúcias, o 
comportamento ou os fatos que pretende verificar, ou pode agir de modo a ter liberdade na seleção dos 
elementos a serem considerados.
Em relação à observação, é importante considerar que um determinado fenômeno, fato ou 
comportamento pode ser observado por um único ou por vários pesquisadores. A presença de vários 
pesquisadores torna a pesquisa mais evidente, o que pode introduzir mais “ruídos” no comportamento 
que se quer observar; no entanto, garante maior imparcialidade na coleta de dados, já que esta não 
depende única e exclusivamente de uma só pessoa.
Embora pareça simples de ser realizada, a pesquisa de observação depende de uma série de decisões 
e escolhas do pesquisador:
• Qual fenômeno (fato ou comportamento) será observado?
• Quais devem ser os elementos que caracterizarão o fenômeno de interesse? O que precisa 
acontecer para que entendamos ter ocorrido o fenômeno que nos interessa?
• Por quanto tempo devemos realizar a observação?
• O observador deve ficar visível ou evitar que sua presença seja notada?
• Como deverão ser anotados os elementos observados?
• Quantos pesquisadores participarão da observação?
A pesquisa de observação pode trazer inúmeras informações aos pesquisadores que não poderiam 
ter sido coletadas de outra forma. Quase sempre esta pesquisa é realizada de forma associada a 
outras técnicas, em especial à análise de documentos (ou dados secundários) e à realização de 
entrevistas semiestruturadas.
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MÉTODOS DE PESQUISA
A observação pode ocorrer em duas situações distintas: no ambiente natural, sem que haja qualquer 
controle, e no ambiente controlado. Vamos supor que queiramos entender como pessoas se comportam 
em filas de atendimento no supermercado: é possível observar, de fato, uma fila no supermercado, ou 
podemos criar uma situação artificial na qual exista uma fila que permita observarmos o comportamento 
dos indivíduos. Vejamos outro exemplo: caso queiramos estudar o efeito do ruído na produtividade de uma 
fábrica, podemos fazê-lo de duas diferentes formas: observando o comportamento dos trabalhadores 
em uma fábrica quando da ocorrência de um barulho intenso, ou convidando colaboradores para que 
executem determinada tarefa em um ambiente com muito ruído. Nos dois exemplos, a primeira situação 
é de observação natural, e a segunda é uma situação de laboratório, forjada para que certos aspectos 
sejam analisados.
O observador também pode escolher entre duas diferentes maneiras de se relacionar com o ambiente 
observado: ele pode manter-se à distância, buscando não se envolver com o fenômeno a ser observado 
(como no caso que citamos sobre o comportamento do consumidor no supermercado), ou ele pode 
participar (em diferentes graus de intensidade) com a situação objeto de estudo.
 
O participante total é aquele que se propõe a participar em todas as atividades 
do grupo em estudo, atuando como se fosse um de seus membros; a 
identidade e os propósitos do pesquisador são desconhecidos pelos sujeitos 
observados. Na modalidade de participante como observador, o pesquisador 
estabelece com o grupo uma relação que se limita ao trabalho de campo; a 
participação ocorre da forma mais profunda possível através da observação 
informal das rotinas cotidianas e da vivência de situações consideradas 
importantes (Lima; Almeida; Lima, 1999, p. 132).
No caso em que o observador mistura-se ao ambiente, envolvendo-se, de alguma forma, com 
o fenômeno investigado, dizemos que a observação é participante. Loureiro et al. (2018), por 
exemplo, investigaram o compartilhamento de conhecimento em uma empresa inovadora do setor 
sucroenergético. Por meio do uso dessas técnicas, os pesquisadores identificaram a inexistência de 
uma política organizacional que orientasse os funcionários quanto à proteção da informação, o que 
fragilizava um dos aspectos vistos como críticos no ambiente competitivo empresarial, qual seja, o 
tratamento do ativo conhecimento. Com relação à observação participante, ela tornou possível que os 
pesquisadores entendessem a dinâmica e o cotidiano organizacional da instituição.
3.3 Os estudos culturais e etnográficos
Há uma modalidade de pesquisa participante que, pelas suas características, destaca-se no conjunto 
de estudos realizados por meio de observação. Segundo Lima, Almeida e Lima (1999), a observação 
participante torna possível um contato mais direto do pesquisador com o seu objeto de estudo, o que 
lhe permite conhecer as experiências cotidianas dos sujeitos da pesquisa, sua realidade e suas ações. 
Assim, ela pode ser especialmente indicada para as situações em que as pessoas estão desenvolvendo 
suas atividades no ambiente natural, e nas ocasiões em que o foco se dá na investigação da realidade 
por meio de uma perspectiva cultural. Tais situações exigem uma abordagem específica, qual seja, a de 
compreender o ambiente a partir da investigação cultural.
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Unidade I
Figura 8 – Na pesquisa etnográfica, o pesquisador deve visitar os domicílios, acompanhar a rotina do 
grupo que está sendo estudado e observar o comportamento, os rituais e as tradições da comunidade
Disponível em: https://shre.ink/24dH. Acesso em: 31 ago. 2023.
Bernardi (1974) apud Lima et al. (1996, p. 23) afirma que, em relação à cultura, há quatro elementos essenciais:
 
o anthropos, ou seja, o homem na sua realidade individual e pessoal; o ethnos, 
comunidade ou povo entendido como

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