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ALTERAÇÕES CELULARES BENIGNAS
METAPLASIA ESCAMOSA
É o processo pelo qual um epitélio maduro (cilíndrico) se transforma em outro epitélio maduro (escamoso).
Começa com uma proliferação de pequenas células de reserva que deslocam o epitélio cilíndrico para cima: Metaplasia imatura. Pouco a pouco, as células vão se diferenciando, sendo possível observar variados estágios de amadurecimento até chegar na Metaplasia madura.
O epitélio metaplásico pode apresentar alterações não relacionadas com doenças pré-malignas, chamado anomalias, como Paraqueratose e Hiperqueratose. 
A Metaplasia escamosa das células endocervicais apresenta-se como resposta hormonal fisiológica ao pH ácido da vagina; portanto, é um constituinte normal dos esfregaços com zonas de transformação desenvolvida. Esse processo também se apresenta como secundário à irritação crônica, com as consequentes alterações reativas associadas. 
A sequência das alterações morfológicas da Metaplasia escamosa é:
1 – Hiperplasia de células de reserva; 2 – Metaplasia imatura; 3 – Metaplasia madura.
Células de reserva subcolunares da endocérvix = Células pequenas (menores que as parabasais); Citoplasma escasso e vacuolizado; Configuração redonda, ovalada ou poligonal; Cromatina finamente granular; Cromocentros; ocasionais pequenos nucléolos; Fendas intranucleares podem ser vistas; Células frequentemente isoladas.
Metaplasia escamosa imatura = Arranjo celular em lençol frouxo; Configuração celular oval ou variações; Bordas celulares distintas; Tamanho das células parabasais; Citoplasma vacuolizado; Núcleo excêntrico; Cromatina finamente granular com raros pequenos cromocentros.
Metaplasia escamosa madura = Células isoladas e poligonais; Borda celular bem demarcada; Citoplasma abundante, homogêneo e denso; Núcleo excêntrico ou central.
A hiperplasia de células de reserva é observada poucas vezes em citologia; são células imaturas, pequenas, de escasso citoplasma, que nas seções histológicas estão entre o epitélio colunar e a membrana basal. Conforme essas células ganham citoplasma, adquirem a imagem de Metaplasia escamosa imatura. A Metaplasia escamosa madura é morfologicamente diferençável das células escamosas nativas. 
Se a JEC fica exposta ocorre uma Metaplasia escamosa para protege-la 
CAUSAS DA DEGENERAÇÃO
Processo de envelhecimento normal (células escamosas superficiais)
Condições inflamatórias
Trauma (químico, térmico ou mecânico)
Suprimento sanguíneo inadequado (área central de tumores malignos)
Degeneração metabólica (deg. gordurosa)
HIPERQUERATOSE E PARAQUERATOSE
Essas alterações que clinicamente correspondem a uma leucoplasia, refletem a queratinização do epitélio ectocervical e/ou vaginal. Estão associadas a irritação crônica, prolapso uterino ou tratamentos com laser e secundárias a hiperestrogenismo; também tem sido observado associação com atrofia.
A Hiperqueratose caracteriza-se pela presença de camada granular e formação de queratina, que citologicamente é representado por células escamosas maduras anucleadas ou com núcleos fantasmas.
Paraqueratose é quando a superfície queratinizada contem núcleos, citologicamente se vê células superficiais em miniatura com citoplasma eosinófilo e núcleos picnóticos.
ALTERAÇÃO PÓS-RADIAÇÃO
Efeito celular é diretamente proporcional à dose e inversamente proporcional a diferenciação da neoplasia. A citologia destes pacientes é importante para detectar recorrências locais precoces.
A radioterapia causa alterações citológicas tanto em células neoplásicas como nas células normais do Cérvix, o que pode causar problemas na interpretação. Os efeitos agudos aparecem poucos dias após a primeira dose e permanecem durante alguns meses, e as alterações crônicas podem persistir por longos períodos.
As alterações agudas desaparecem aproximadamente 6 meses após o fim da terapia. Na fase crônica observa-se atrofia, citomegalia, núcleos aumentados, hipercromasia e mudanças tintoriais do citoplasma.
Diagnostico diferencial: Recidiva ou persistência tumoral
Dados a favor de neoplasia: Alta relação núcleo/citoplasma; Núcleos hipercromáticos e com irregularidade cromatínica; Semelhança com a citologia do tumor original.
TECIDO DE REPARAÇÃO
Destruição do epitélio cervical desencadeia o reparo.
Causas de lesão epitelial: biópsias, cauterização, criocirurgia, histerectomia, radioterapia, inflamações agudas e crônicas, pressão exercida por DIU ou pólipo endocervical, etc.
Perda fisiológica das células, especialmente células epiteliais é seguida por degeneração.
Reconstituição do tecido lesado depois de injúria do colo uterino causada por irritação inflamatória, mecânica ou térmica é chamada de Tecido de Reparação
Inicialmente, células basais do epitélio sadio adjacente à área lesada, migram para cobrir o local do defeito celular
Posteriormente ocorre aumento da espessura do novo epitélio
Nos esfregaços cervicais, as células de reparo são predominantemente arranjadas em agregados ou grupos em lençol com boa coesividade celular.
Inicia como uma monocamada de células epiteliais com sinais de atividade biológica aumentada. Bordos celulares indistintos, resultando em sincício. Núcleos orientados na mesma direção. Núcleos vesiculares com leve variação do tamanho (1 a 2,5 vezes o núcleo de umas células intermediárias)
Tecido de reparação é comumente acompanhado por Metaplasia escamosa em diferentes estágios de maturação. Ao contrário das células malignas, os núcleos são uniformes em tamanho, regulares e arredondadas, sem irregularidades nuclear significativas
ATROFIA
É um fenômeno normal do envelhecimento. A população celular apresenta células basais e parabasais que mostram alterações degenerativas e pode estar acompanhada de inflamações ou infecções.
Quando existe vaginite atrófica também são encontradas alterações regenerativas, eosinofilia citoplasmática, núcleos de cromatina e podem aparecer nucléolos.
Diagnostico diferencial: Atipias nuclear, repetir estudo depois de poucos dias com estrogênios vaginais para avaliar um esfregaço com células maduras.

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