Hermenêutica e ordenamento jurídico - Resumo
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Hermenêutica e ordenamento jurídico - Resumo


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Métodos interpretativos tradicionais
O que é interpretar? Interpretar signica extrair sentido de um texto e, portanto, a ativida-
de interpretativa não é privativa do Direito. No entanto, evidentemente, há especicidades
quanto à interpretação do Direito.
Quem elaborou os métodos clássicos? Foi elaborado no século XIX, por Friedrich Savigny.
Ele foi um dos mais respeitados e inuentes juristas alemães.
Métodos clássicos
Interpretação literal: É o uso de técnicas de interpretação para extrair o sentido de
um texto escrito. Destaca-se que o texto é um elemento fundamental para a interpre-
tação do Direito. Ex.: o Código de Processo Civil estabelece que o prazo é de 15 dias
para a interposição de recurso de apelação. Aqui, o operador do direito irá interpre-
tar literalmente. Não espaço para juízos de valor, pois a norma diz que são 15 dias,
ou seja, não são 14 nem 16, são 15 dias.
Interpretação sistemática: Como diz Eros Grau, ex-ministro do STF, o Direito não
se interpreta em tiras, assim, é necessária uma coerência interna na interpretação do
sistema jurídico. Tal atividade interpretativa deverá ser realizada diante do conjunto
de normas. Desse modo, o intérprete não irá operar o Direito de forma isolada, pelo
contrário, será sistemático.
Interpretação histórica: É a busca da vontade histórica, da intenção do legislador
quando ele aprovou a norma. Nesse cenário, diversos elementos para perquirir
a vontade. Ex.: exposição de motivos da lei, debates legislativos, imprensa da época,
bem como o contexto social, político e econômico. Ou seja, o intérprete da norma irá
realizar um exercício de “ir de volta ao passado”.
Métodos Clássicos
Literal Teleológico
HistóricoSistemático
Hermenêutica e Ordenamento Jurídico
Introdução ao Direito
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Interpretação conforme: É a denominada interpretação conforme a Constituição. Ela
ocorre, pois, às vezes, é possível extrair de um enunciado normativo mais de uma nor-
ma jurídica. Dessa maneira, o intérprete deverá escolher a norma jurídica que melhor
satisfaça as nalidades públicas denidas no texto constitucional.
Concordância Prática: É o método utilizado para solucionar colisões entre normas
constitucionais. Tal artifício enumera que, o primeiro passo que o intérprete deverá
seguir é a busca de soluções conciliatórias e harmônicas. É dever do intérprete perqui-
rir soluções em que seja possível atender ao mesmo tempo as normas colidentes. Ex.:
imagine que o direito à intimidade e à privacidade de “A” esteja conitando com o direi-
to à liberdade de expressão de “B”, pois este realiza pregações/professa sua às 7h da
manhã de sábado no portão de “A”. O que o intérprete deverá fazer? Deverá promover
uma concordância prática para que nenhum dos dois direitos sejam sacricados inte-
gralmente. Assim, uma solução seria: “B” professar sua às 10h da manhã pois o direi-
to ao descanso, bem como a privacidade de “A” seria preservado, em alguma medida,
e a liberdade de expressão de “B” também.
Mutação Constitucional: É um mecanismo de reforma informal da Constituição, que
nada mais é que o processo hermenêutico de adaptação da Constituição conforme a
realidade social de cada época sem modicar seu texto. Essa técnica é muito utilizada
nos Estados Unidos (a Constituição deles é de 1786 – ou seja, possui mais de 200 anos
- e conviveu com a escravidão, a separação entre negros e brancos e hoje vive em ple-
nos direitos civis). Por m, é importante ressaltar que o STF vem adotando esse método
interpretativo em alguns julgados.
Breves apontamentos: Diante da complexidade da vida, os métodos clássicos demonstram-
se insucientes. Desse modo, alguns autores elaboraram outras técnicas. Destaca-se que
inúmeras metodologias e abordaremos as que reputamos essenciais.
Métodos contemporâneos
Interpretação teleológica: A teleologia da norma é a nalidade perseguida por ela, é
a ratio. O intérprete deverá perguntar-se: qual é o objetivo dessa lei? Qual é a sua nali-
dade? A partir da obtenção de tais respostas, a atividade interpretativa teleológica será
realizada.
Esses métodos são sucientes? Não, pois inúmeros hard cases que não poderão
ser solucionados com essas técnicas.
Métodos interpretativos contemporâneos
Métodos Contempoâneos
Interpretação
Conforme
Concordância
Prática
Mutação
Constitucional
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Interpretação restritiva: Em alguns casos, o legislador é infeliz ao redigir atos nor-
mativos e, diz mais do que queria dizer. Nesse cenário, a intepretação deverá ser
restritiva pois o intérprete eliminará a amplitude das palavras. Ex.: a lei diz “descen-
dente”, quando na realizada desejava dizer “lho”.
Interpretação extensiva: É a hipótese contrária à anterior. O intérprete constata que
o legislador agiu com impropriedade nos termos, dizendo menos do que gostaria de
armar. Desse modo, o operador do direito alargará o campo de incidência da nor-
ma. Não vamos trocar de exemplo não, vamos apenas invertê-lo: a lei diz “lho”, mas,
na verdade, o legislador desejava referir-se a “descendente”.
Interpretação declaratória: Nessa situação, o legislador dosa as palavras com ade-
quação aos signicados que realmente desejava imprimir na lei. Nesse panorama, o
intérprete chega à constatação de que as palavras expressam, com media exata, o es-
pírito da lei. Assim, o operador do direito realiza uma interpretação declaratória.
O que prevalece? Depende do hard case. O intérprete do Direito utilizará o melhor méto-
do, pois não é preto no branco, há zonas cinzentas.
Efeitos da Interpretação
Ramos do Direito: público e privado
Toda interpretação possui um resultado: A interpretação das normas jurídicas pode ser con-
siderada em sentido amplo, como a busca de uma solução para um caso concreto e, em sen-
tido restrito, como a busca do signicado de uma norma. Ou seja, a atividade do operador do
Direito/intérprete do Direito é buscar algo, é perquirir um signicado, de modo que, que será
extraído um resultado.
Efeitos da interpretação
Divisão clássica: A maior divisão do Direito positivo, também mais antiga, é a represen-
tada pelas classes do Direito Público e Direito Privado, peculiar aos sistemas jurídicos de
tradição romano-germânica. Esse tópico tem a nalidade de realizar um panorama da
árvore jurídica.
Efeitos da interpretação
Restritivo Extensivo Declaratório