Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

A sabedoria é a arma invencível de um povo 
1 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ 
FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, ATUÁRIA E CONTABILIDADE 
DEPARTAMENTO DE CONTABILIDADE 
DISCIPLINA: LEGISLAÇÃO SOCIETÁRIA E COMERCIAL 
PROFESSOR: ALBERTO SOARES 
 
CONTRATOS DE COLABORAÇÃO 
 
CONTRATOS DE COLABORAÇÃO 
Milhares de empresas se valem de contratos específicos e diversificados para viabilizar o 
escoamento de sua produção através do trabalho desvinculado prestado por terceiros, 
delegando a outras pessoas, físicas ou jurídicas, as tarefas que caberiam ao setor interno de 
vendas e distribuição, ou, ainda, para empreender logística de distribuição no atacado com 
menores custos, surgindo, assim, os contratos de colaboração. 
 
Os contratos de colaboração têm sido desenvolvidos pelo comércio com vistas ao fornecimento 
de bens ao mercado consumidor. São eles o mandato mercantil, a comissão, a representação 
comercial, a concessão mercantil, a franquia e a distribuição etc. 
 
Segundo Coelho (2007), os contratos de colaboração empresarial definem-se por uma 
obrigação particular, que um dos contratantes (colaborador), assume, em relação aos produtos 
ou serviços do outro (fornecedor), a criação ou ampliação do mercado. 
 
Mandato 
O mandato tem seu teor esculpido pelos artigos 653 a 692 do Código Civil de 2002, cujo 
conceito estampado no art. 653 é idêntico ao teor do artigo 1288 do Código Civil de 1916. 
 
A prática de qualquer negócio jurídico pode ser objeto de mandato. A adoção e o 
reconhecimento do filho natural podem ser efetuados por meio de mandato. E até casamento, 
mas não o testamento por causa de sua natureza personalíssima. Bem como a prestação de 
concurso público, mandato eletivo e o exercício do poder familiar e dos deveres conjugais. 
 
Conceito e características 
O étimo de mandato advém do latim mandatum oriundo de manu dare quem dava o encargo e 
quem o recebia apertavam as mãos, demonstrando a confiança que um depositava no outro e, 
este a segurança que corresponderia a essa confiança. 
 
O mandato é a causa do vínculo jurídico e, é distinto de seu eventual instrumento que é a 
procuração. Assim, também, distingue-se mandato de mandado, pois este corresponde à 
formalização, por escrito, de uma ordem judicial: um mando, sendo decorrente de uma relação 
jurídica processual, nada tendo haver com a celebração de negócio jurídico. 
 
A palavra mandato pode ter acepções diferentes. Pode ser entendido como uma ordem ou 
uma autorização para se fazer representar por alguém mediante procuração. Pode ser visto 
como uma delegação outorgada pelo povo a um político para agir como representante dos 
seus eleitores junto aos poderes legislativo e executivo. Pode ainda ser identificado como uma 
sentença ou decreto judicial. 
 
No campo do Direito Civil, art. 653, opera-se o mandato quando alguém denominado 
mandatário (outorgado) ou procurador recebe de outrem chamado mandante (outorgante) 
poderes expressos para, em seu nome, praticar atos judiciais ou não para administrar seus 
interesses, sendo a procuração, o instrumento do contrato de mandato, com ela, ocorrendo a 
formalização da representação. 
 
Analisando-se o parágrafo acima, sabe-se que o uso do trabalho alheio na defesa de 
interesses próprios surge sob duas formas: a representação (executada pelo mandatário, 
outorgado ou procurador e a preposição (excutada pelo preposto). 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
14 
A representação consiste na prática de negócios jurídicos através da utilização de serviços 
alheios por meio da prática de serviços alheios, enquanto que a preposição decorre da 
prestação de serviço ou do contrato de trabalho, consistindo no aproveitamento do esforço 
alheio, para realização de atos materiais. 
 
A representação pode surgir em virtude da lei como no caso dos absolutamente incapazes, ou 
de decisões judiciais (nomeação do advogado dativo ou defensor público) ou de acordo de 
vontades. 
 
Na representação, o representante atua no interesse do representado, podendo agir em nome 
próprio (como por exemplo, a comissão, que será estudada adiante) ou em nome do 
representado, como ocorre no mandato. 
 
A base do mandato é fiduciária, sendo contrato intuitu personae, ou seja, contrato realizado, 
levando-se em consideração a pessoa da parte contratada. O intuitu personae baseia-se, 
geralmente, na confiança que o contratante tem no contratado, em que só este pode executar 
sua obrigação. 
 
No direito brasileiro se o mandatário atuar em nome próprio, desnaturaria o contrato de 
mandato. Discute-se, a natureza jurídica dos atos praticados pelo mandatário. Para uns, são 
apenas atos jurídicos negociais que seriam o objeto do contrato de mandato. 
 
Os atos praticados por quem não tenha mandato, ou o tenha sem poderes suficientes, são 
ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados, salvo se este os ratificar. 
 
Do exposto, deduz-se que o mandatário que exceder os poderes do mandato, ou proceder 
contra eles, será considerado mero gestor de negócios, enquanto o mandante lhe não ratificar 
os atos. 
 
Instrumento do mandato 
A procuração constitui-se em negócio jurídico autônomo, abstrato e unilateral, pelo qual o 
representado outorga ao representante os poderes de representação. É, em suma, instrumento 
de outorga da representação. 
 
Como é unilateral se forma somente com a expressão de vontade do interessado sem 
necessidade de consentimento do procurador, nem de terceiro perante o qual será exercida. 
Não cria obrigação para o procurador, mas apenas o poder de agir em nome do outorgante. E 
dessa forma, diferencia-se do mandato pela geração de obrigações recíprocas. 
 
A procuração é negócio jurídico autônomo ainda que acompanhe outro negócio jurídico, como 
por exemplo, o contrato de mandato. A procuração como instrumento de representação é 
expediente pelo qual o mandatário faz valer seus poderes em relação a terceiros. 
 
A procuração é documento, é instrumento seja público ou particular por meio do qual uma 
pessoa estabelece quais são os poderes outorgados a outrem para que possa praticar atos ou 
administrar negócios em seu interesse. 
 
Na procuração, a outorga de poderes de representação ocorre através de declaração unilateral 
de vontade (que é negócio jurídico unilateral). Há de se distinguir, pois, o contrato do ato 
jurídico unilateral, o mandato da procuração em sentido técnico. O contexto da procuração já 
denuncia o caráter unilateral do negócio jurídico, consubstanciando a representação. 
 
A representação pode ser legal ou voluntária. É possível haver mandato sem representação, 
pois, o estabelecimento da relação contratual de mandato não outorga automaticamente os 
poderes de representação, sendo necessária a declaração unilateral de vontade, fixando tais 
poderes. Tradicionalmente, é conhecido o contrato de comissão como mandato sem 
representação. 
 
E, existe o que é mais comum representação sem mandato, como por exemplo, na 
representação legal de incapazes, da tutela, da curatela e, ainda, na representação judicial do 
inventariante ou do administrador da falência (síndico). 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
15 
 
Possui a procuração o papel relevante de ser o veículo externo dos poderes conferidos 
interpartes para que se realize em função do mandato. A procuração liberta-se de sua causa e 
tal abstração lhe vale como proteção de terceiro, pois deverá o representado arcar com 
despesas da atuação de seu procurador. 
 
Eventuais vícios na relação contratual interna entre representante e representado, não são 
relevantes, a princípio, nas relações com terceiros. É projeção externa e probatória do 
mandato, a procuração traduz e identifica a legitimidade e ainda os limites de atuação do 
mandatário em face de terceiros. A rigor, aprocuração é instrumento de representação e, não 
do mandato. 
 
A procuração é negócio jurídico pelo qual se constitui o poder de representação voluntária, não 
é contrato. É negócio unilateral, autônomo e, não se confunde com o contrato subjacente, que 
tanto pode ser de prestação de serviços, trabalho, compra e venda, corretagem etc., que, 
comumente, é o mandato. 
 
Já o mandato pode ser com representação ou sem ela; se o mandatário atua em nome e por 
conta do mandante, há representação; se só atua por conta, mas não em nome do mandante, 
então, não que se falar em representação. 
 
A doutrina dominante estabelece a existência de três tipos de representação: 
a) representação legal, que decorre da lei que lhe confere mandato para administrar bens e 
interesses de terceiros, a exemplo dos pais, tutores e curadores. 
b) representante judicial, aquele nomeado pelo juiz, sendo exemplos, o síndico da falência e 
o inventariante no processo envolvendo partilha de herança. 
c) representante convencional, considerado como tal quem recebe procuração para praticar 
os atos em nome do outorgante. 
 
A Procuração e seus requisitos 
A procuração é o instrumento do mandato e nela devem conter os seguintes elementos: a 
qualificação do outorgante e do outorgado; a natureza e a extensão dos poderes conferidos. 
 
O mandado pode ser materializado por um instrumento particular e dependendo da exigência 
legal, deverá ser outorgada por instrumento público. 
 
Os poderes conferidos ao outorgado podem ser transferidos para outra pessoa através do 
substabelecimento, com reserva de poderes (o outorgado original continua com os mesmos 
poderes) ou sem reserva de poderes (o outorgado na prática renuncia o mandato). 
 
Capacidade dos intervenientes 
Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, 
que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante, devendo conter também a indicação 
do lugar onde foi passada, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da 
outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. 
 
Exige-se capacidade jurídica plena das partes no contrato de mandato. Podem os incapazes 
outorgar mandato, devendo a procuração ser dada pelos seus representantes legais, ou pelos 
seus assistentes. 
 
O terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração tenha firma 
reconhecida. 
 
Em casos especiais, admite-se a procuração dada pelo relativamente incapaz (entre 16 e 18 
anos) sem a intervenção de seu assistente, assim dispondo a lei em relação: 
 aos conflitos trabalhistas, que de acordo com o art. 792 da Consolidação das Leis do 
Trabalho: “Os maiores de 16 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito) anos poderão pleitear 
perante a Justiça do Trabalho sem a assistência de seus pais ou tutores”; 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
16 
 à faculdade de apresentar queixa-crime, que pelos artigos. 34 e 50 do CPP: “Se o 
ofendido for menor de 18 (dezoito) e maior de 16 (dezesseis) anos, o direito de queixa 
poderá ser exercido por ele ou por seu representante legal”; 
 à faculdade de requerer o registro de nascimento (Lei nº 6.015/73, art. 50, § 3°: “Todo 
nascimento que ocorrer no território nacional deverá ser dado a registro no lugar em que 
tiver ocorrido o parto ou no lugar da residência dos pais, dentro do prazo de quinze dias, 
que será ampliado até três meses para os lugares distantes mais de trinta quilômetros da 
sede do cartório”). 
 
Pode o relativamente incapaz figurar como mandatário, mas nesse caso, o mandante não terá 
ação contra este, salvo em decorrência das regras e princípios gerais e princípios aplicáveis às 
obrigações contraídas pelos menores, conforme art. 666 do CC de 2002, que afirma: “O maior 
de dezesseis e menor de dezoito anos não emancipado pode ser mandatário, mas o mandante 
não tem ação contra ele senão de conformidade com as regras gerais, aplicáveis às 
obrigações contraídas por menores”. 
 
É relevante também frisar que o analfabeto só pode outorgar procuração por instrumento 
público, uma vez que não pode ler e assinar o instrumento particular, pois de acordo com o art. 
654 do CC, “Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento 
particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante”. 
 
Também quanto aos incapazes, mesmo quando assistidos só podem dar procuração mediante 
instrumento público. 
 
A procuração judicial pode ter dois tipos de cláusulas: 
a) cláusula ad judicia – a que outorga poderes gerais para foro, credenciando o advogado ou 
patrono a atuar em todos os atos processuais na defesa dos interesses do cliente 
(mandante); 
 
b) cláusula extra judicia – quando outorga poderes especiais para atos de maior relevância e 
disponibilidade sobre o processo e os direitos. E, que deveriam ser feitos pessoalmente pela 
parte. 
 
A cláusula ad judicia e extra judicia corroboram o somatório dos poderes para foro em geral 
adicionando os poderes especiais que credenciam a disponibilidade sobre o processo e 
direitos envolvidos. 
 
Classificação do mandato 
O mandato pode ser consensual, bilateral, unilateral, oneroso, comutativo, gratuito, típico etc., 
podendo ser classificado também em geral, especial e de causa própria. 
 
Mandato unilateral ou bilateral 
A natureza do contrato de mandato é unilateral, pois normalmente, só cria obrigações para o 
mandatário. Somente passa a ser bilateral quando o mandatário, em virtude da convenção ou 
em decorrência de profissão ou ofício, deve ser remunerado. Por exemplo, se o mandato 
decorre de ofício ou profissões, tais como despachante, advogado, representante comercial 
etc., presume-se que é oneroso e bilateral, traduzindo-se em obrigações recíprocas. 
 
Mandato consensual 
O mandato se aperfeiçoa pela simples concordância de ideias e opiniões de ambas as partes. 
O mandato é um contrato intuitu personae celebrado em razão da pessoa do mandatário, pois 
é a fidúcia seu principal requisito. Trata-se também de contrato consensual, presumido como 
gratuito, salvo se estipulada remuneração. 
 
O mandato é contrato consensual, individual e pessoalíssimo. É também contrato causal, de 
duração. Por sua função econômica consiste em um contrato de atividade, tipificada por 
prestação de uma conduta de fato, mediante a qual se conseguirá uma utilidade econômica. 
 
Mandato gratuito ou oneroso 
O mandato presume-se gratuito quando não houver sido estipulada retribuição, exceto se o 
seu objeto corresponder ao daqueles que o mandatário trata por ofício ou profissão lucrativa. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
17 
Se o mandato for oneroso, caberá ao mandatário a retribuição prevista em lei ou no contrato. 
Sendo estes omissos, será ela determinada pelos usos do lugar, ou, na falta destes, por 
arbitramento. 
 
Mandato geral ou especial 
Classifica-se ainda o mandato como geral quando se referir a todos os negócios do mandante, 
e especial quando for para fim específico e determinado. 
 
Quando conferido o mandato em termos gerais, só confere poderes de administração ou 
gestão, o que não inclui o poder de alienar, hipotecar, transigir, firmar compromisso, dar 
quitação, renunciar direitos, desistir de ação proposta, emitir ou endossar títulos de crédito, dar 
fiança ou cometer liberalidades em geral. 
 
Não há óbice legal para a prática de estabelecer procuração com poderes especiais com 
poderes gerais de administração cumulada com poderes específicos. A procuração que 
confere poderes especiais deve conter a identificação plena do objeto. 
 
O poder de transigir não importa o de firmar compromisso. 
 
Entretanto, de acordo com os artigos. 660 e 661 do CC, o mandato pode ser especial a um ou 
mais negócios determinadamente, ou geral a todos os negóciosdo mandante. A lei elenca os 
casos em que os poderes especiais devem ser expressos, admitindo-se, todavia que a 
existência de poderes mais amplos impliquem a faculdade de exercer poderes mais restritos. 
Dessa forma, quem pode acordar, transigir, certamente, também poderá desistir da ação 
demandada. 
 
Os poderes especiais estão elencados no bojo do art. 38 do CPC, a saber: receber citação 
inicial, confessar, reconhecer a procedência do pedido, transigir, desistir, renunciar a direito 
sobre o qual se funda a ação, dar quitação e formar compromisso. 
 
Mandato em causa própria 
O mandato em causa própria é outorgado no interesse do mandatário, daí ficar isento de 
prestação de contas, contendo poderes amplos. É muito usada na cessão de títulos e 
alienação de bens imóveis e, subsiste mesmo após a morte do mandante (nos chamados 
impropriamente de “contratos de gaveta”). 
 
É preciso não confundir procuração em causa própria com postulação em causa própria, que 
consiste na atuação de advogado em seu próprio interesse, não precisa de procuração e nem 
de prestação de contas. 
 
O mandato em causa própria representa uma exceção à vedação do autocontrato, aquele que 
é celebrado consigo mesmo. O autocontrato é anulável, salvo os casos em que a lei ou o 
representado permitem. 
 
Espécies de mandato 
O mandato pode ser expresso ou tácito, verbal ou escrito, destacando-se também o ad 
negotia, ad judicia, o civil e o mercantil. 
 
Mandato expresso ou tácito 
O mandato só passa exigir depois de aceito pelo mandatário, sendo que, essa aceitação não 
precisa ser necessariamente explícita, podendo ser tácita, decorrendo do comportamento do 
mandatário durante a execução do contrato. 
 
A aceitação do mandato pode ser tácita, e resulta do começo de execução. 
 
Mandato verbal ou escrito 
É possível haver mandato verbal, mas é impróprio cogitar-se em instrumento verbal de 
procuração posto que todo instrumento deverá ser forçosamente escrito. O mandato é em 
suma uma figura contratual típica, nominada, unilateral e, em geral, gratuito. 
 
A outorga do mandato está sujeita à forma exigida por lei para o ato a ser praticado. Não se 
admite mandato verbal quando o ato deva ser celebrado por escrito. 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
18 
 
Mandato ad negotia (extrajudicial) e ad judia (judicial) 
O mandato extrajudicial em geral é ad negotia, enquanto que o mandato judicial inclui a 
cláusula ad judicia onde apenas supletiva-mente se aplicam às normas civis (art. 692 do CC), 
que diz: “O mandato judicial fica subordinado às normas que lhe dizem respeito, constantes da 
legislação processual, e, supletivamente, às estabelecidas nesse Código”. 
 
Mandato civil ou mercantil 
Uma das mais utilizadas modalidades contratuais é o mandato que é previsto nos arts. 653 ao 
692 do CC. Traduz-se por ser negócio jurídico pelo qual uma pessoa mandatária, recebe 
poderes de outra, denominada mandante, para, em nome desta última, praticar atos ou 
administrar interesses. 
 
Não há mais a distinção do mandato mercantil e civil, tendo em vista, a unificação do direito 
obrigacional pelo novo código. Manteve-se, no entanto, a presunção de ser o mandato, um 
contrato gratuito. Mas podendo ser oneroso, se o seu objeto corresponder ao daqueles que o 
mandatário trata por ofício ou profissão lucrativa. 
 
É o contrato realizado entre empresários, e o objeto desse contrato deve ser reinserido na 
cadeia econômica. Esses contratos podem ser unilaterais, bilaterais, consensuais, reais, 
solenes, aleatórios, típicos e atípicos. O mandato mercantil é restrito aos negócios mercantis 
entre empresários. 
 
Aqui, deve ser lembrada, sucintamente, a teoria da empresa, pois no contrato mercantil quem 
está legitimado a contratar é apenas o empresário, que, conforme o art. 966 do Código Civil de 
2002, é aquele que exerce com habitualidade atividade, devidamente organizada, com vistas à 
produção ou circulação de bens e serviços, sendo certo a busca pelo lucro. 
 
Os atos praticados por quem não tenha mandato, ou o tenha sem poderes suficientes, são 
ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados, salvo se este os ratificar. A 
ratificação há de ser expressa, ou resultar de ato inequívoco, e retroagirá à data do ato. 
 
Sempre que o mandatário estipular negócios expressamente em nome do mandante, será este 
o único responsável; ficará, porém, o mandatário pessoalmente obrigado, se agir no seu 
próprio nome, ainda que o negócio seja por conta do mandante. 
 
Obrigações do mandatário 
Mnadatário é aquele que tem o mandato ou procuração para agir em nome de outrem; também 
chamado de procurador, representante, delegado. É a pessoa investida nos poderes 
outorgados pelo mandante, para em nome deste, praticar atos ou realizar negócios. 
 
O mandatário é obrigado a aplicar toda sua diligência habitual na execução do mandato, e a 
indenizar qualquer prejuízo causado por culpa sua ou daquele a quem substabelecer, sem 
autorização, poderes que devia exercer pessoalmente. 
 
Se, não obstante proibição do mandante, o mandatário se fizer substituir na execução do 
mandato, responderá ao seu constituinte pelos prejuízos ocorridos sob a gerência do 
substituto, embora provenientes de caso fortuito, salvo provando que o caso teria sobrevindo, 
ainda que não tivesse havido substabelecimento. 
 
Havendo poderes de substabelecer, só serão imputáveis ao mandatário os danos causados 
pelo substabelecido, se tiver agido com culpa na escolha deste ou nas instruções dadas a ele. 
 
Se a proibição de substabelecer constar da procuração, os atos praticados pelo substabelecido 
não obrigam o mandante, salvo ratificação expressa, que retroagirá à data do ato. 
 
Sendo omissa a procuração quanto ao substabelecimento, o procurador será responsável se o 
substabelecido proceder culposamente. 
 
O mandatário é obrigado a dar contas de sua gerência ao mandante, transferindo-lhe as 
vantagens provenientes do mandato, por qualquer título que seja. 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
19 
 
Prevalece também o direito de terceiro de exigir a apresentação do instrumento de mandato 
para conhecer dos limites dos poderes conferidos pelo mandatário. 
 
De acordo com o art. 669 do CC, o mandatário não pode compensar os prejuízos a que deu 
causa com os proveitos que, por outro lado, tenha granjeado ao seu constituinte. Por outro 
lado, aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e 
causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito, ficando obrigado a 
repará-lo. 
 
Pelas somas que devia entregar ao mandante ou recebeu para despesa, mas empregou em 
proveito seu, pagará o mandatário juros, desde o momento em que abusou. 
 
Se o mandatário, tendo fundos ou crédito do mandante, comprar, em nome próprio, algo que 
devera comprar para o mandante, por ter sido expressamente designado no mandato, terá este 
ação para obrigá-lo à entrega da coisa comprada. 
 
Sendo dois ou mais os mandatários nomeados no mesmo instrumento, qualquer um deles 
poderá exercer os poderes outorgados, se não forem expressamente declarados conjuntos, 
nem especificamente designados para atos diferentes, ou subordinados a atos sucessivos. Se 
os mandatários forem declarados conjuntos (atuarem conjuntamente), não terá eficácia o ato 
praticado sem interferência de todos, salvo havendo ratificação, que retroagirá à data do ato. 
 
O terceiro que, depois de conhecer os poderes do mandatário, com ele celebrar negócio 
jurídico exorbitante do mandato, não tem ação contra o mandatário, salvo se este lhe prometeu 
ratificação do mandante ou se responsabilizou pessoalmente. 
 
Embora ciente da morte, interdição ou mudança de estado do mandante, deve o mandatário 
concluir o negócio já começado, se houverperigo na demora. 
 
Em síntese, são obrigações do mandatário: 
 atuar com diligência na execução do contrato, principalmente em atenção que tem a gestão 
de seus próprios negócios; 
 executar pessoalmente o mandato, exceto quando permitido o substabelecimento (art. 667, 
CC); 
 prestar contas de sua atuação, transferir ao mandante as vantagens decorrentes do 
mandato, exceto no caso de procuração em causa própria; (art. 668, CC), o mandatário é 
obrigado a dar contas de sua gerência ao mandante, transferindo-lhe as vantagens 
provenientes do mandato, por qualquer título que seja; 
 pagar juros ao mandante se utilizou dinheiro dele para fins de interesse pessoal (art. 670, 
CC - Pelas somas que devia entregar ao mandante ou recebeu para despesa, mas 
empregou em proveito seu, pagará o mandatário juros, desde o momento em que abusou); 
atuar dentro dos limites dos poderes outorgados e ter conduta conforme instruções do 
mandante; 
 indenizar os prejuízos causados ao mandante por culpa ou dolo, não podendo compensar 
tais prejuízos com os proveitos que obteve pelo contrato para o mandante. 
 
Em verdade, o mandatário assume obrigação de fazer e, não obrigação de resultado ou fim. O 
risco da atividade é do mandante. Mas possui o mandante o direito subjetivo de demandar 
pelas perdas e danos sofridos em face do mandatário que descumpriu o mandato. 
 
Obrigações do mandante 
Mandante é a pessoa que delega ou outorga poderes ao mandatário para que este realize ou 
pratique em nome daquele atos ou negócios. É aquele que confere a outrem os poderes para a 
prática de atos determinados. 
 
O mandante é obrigado a satisfazer todas as obrigações contraídas pelo mandatário, na 
conformidade do mandato conferido, e adiantar a importância das despesas necessárias à 
execução dele, quando o mandatário lhe pedir. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
20 
O mandante é obrigado a pagar ao mandatário a remuneração ajustada e as despesas da 
execução do mandato, ainda que o negócio não surta o esperado efeito, salvo tendo o 
mandatário culpa. 
 
As somas adiantadas pelo mandatário, para a execução do mandato, vencem juros desde a 
data do desembolso. 
 
É igualmente obrigado o mandante a ressarcir ao mandatário as perdas que este sofrer com a 
execução do mandato, sempre que não resultem de culpa sua ou de excesso de poderes. 
 
Ainda que o mandatário contrarie as instruções do mandante, se não exceder os limites do 
mandato, ficará o mandante obrigado para com aqueles com quem o seu procurador contratou; 
mas terá contra este ação pelas perdas e danos resultantes da inobservância das instruções. 
 
Se o mandato for outorgado por duas ou mais pessoas, e para negócio comum, cada uma 
ficará solidariamente responsável ao mandatário por todos os compromissos e efeitos do 
mandato, salvo direito regressivo, pelas quantias que pagar, contra os outros mandantes. 
 
O mandatário tem sobre a coisa de que tenha a posse em virtude do mandato, direito de 
retenção, até se reembolsar do que no desempenho do encargo despendeu. 
 
Substabelecimento do mandato 
Substabelecimento é ato unilateral derivado da procuração, onde o procurador transfere no 
todo ou em parte, os poderes recebidos do outorgante. 
 
Pode o substabelecimento ser de todos os poderes (sem reserva) ou só de alguns poderes 
(com reserva). De sorte que se feito o substabelecimento com reserva de poderes o procurador 
permanece cumulativamente ou se afasta apenas temporariamente. 
 
A prerrogativa de substabelecer o mandato é direito subjetivo do mandatário que só pode ser 
suprimida expressamente por previsão legal específica ou cláusula contratual impeditiva. 
 
A responsabilidade do mandatário ao substabelecer é prevista no art. 667 e seus parágrafos, 
Código Civil de 2002. No caso do mandatário advogado é importante elucidar não ser incidente 
na relação o CDC, vigendo a responsabilidade subjetiva que determina a apuração da culpa ou 
dolo do advogado mandatário. 
 
O substabelecimento sem reservas da parte dos mandatários importa em renúncia ao 
mandato. O mandatário que atua em seu próprio nome, não é considerado como mandatário, 
mas como comissário (ocorre mandato sem representação). 
 
Mesmo o caráter intuitu personae do mandato, não impede que o mandatário originário possa 
transferir os poderes que lhe foram outorgados pelo mandante para terceira pessoa, de modo a 
facilitar o seu cumprimento. 
 
Os eventuais danos causados pelo substabelecido (art. 667 CC), responderá o mandatário 
original, se tiver agido com culpa na escolha deste ou na inobservância das instruções 
fornecidas a este. 
 
Conforme o art. 667, o mandatário é obrigado a aplicar toda sua diligência habitual na 
execução do mandato, e a indenizar qualquer prejuízo causado por culpa sua ou daquele a 
quem substabelecer, sem autorização, poderes que devia exercer pessoalmente. 
 
É possível mesmo num mandato por instrumento público ocorrer substabelecimento por 
instrumento particular (art. 655 C. C). Porém para os atos que exigirem instrumento público de 
mandato, será preciso que o substabelecimento siga a mesma forma pública. 
 
O mandato outorgado por instrumento público previsto no art. 655 C.C. somente admite 
substabelecimento por instrumento particular quando a forma pública for facultativa e não 
integrar a substância do ato. 
 
Irrevogabilidade do mandato 
A revogabilidade do mandato é a regra e, como é tipicamente contrato temporário e é 
perfeitamente possível ocorrer a resilição unilateral (seja por parte do mandatário que é 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
21 
também chamada de renúncia), seja por parte do mandante (chamada de revogação ou 
cassação). 
 
Mas, por exceção, admite-se a irrevogabilidade do mandato que pode ser relativa - quando 
derivada da autonomia privada, ou absoluta - quando imposta por norma de ordem pública, 
arts. 684 e 685 C.C. 
 
Extinção do mandato 
Cessa o mandato: 
I) pela revogação ou pela renúncia; 
II) pela morte ou interdição de uma das partes; 
III) pela mudança de estado que inabilite o mandante a conferir os poderes, ou o mandatário 
para os exercer; 
IV) pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio. 
 
Quando o mandato contiver a cláusula de irrevogabilidade e o mandante o revogar, pagará 
perdas e danos. 
 
Quando a cláusula de irrevogabilidade for condição de um negócio bilateral, ou tiver sido 
estipulada no exclusivo interesse do mandatário, a revogação do mandato será ineficaz. 
 
Conferido o mandato com a cláusula "em causa própria", a sua revogação não terá eficácia, 
nem se extinguirá pela morte de qualquer das partes, ficando o mandatário dispensado de 
prestar contas, e podendo transferir para si os bens móveis ou imóveis objeto do mandato, 
obedecidas as formalidades legais. 
 
A revogação do mandato, notificada somente ao mandatário, não se pode opor aos terceiros 
que, ignorando-a, de boa-fé com ele trataram; mas ficam salvas ao constituinte as ações que 
no caso lhe possam caber contra o procurador. 
 
É irrevogável o mandato que contenha poderes de cumprimento ou confirmação de negócios 
encetados, aos quais se ache vinculado. 
 
Tanto que for comunicada ao mandatário a nomeação de outro, para o mesmo negócio, 
considerar-se-á revogado o mandato anterior. 
 
A renúncia do mandato será comunicada ao mandante, que, se for prejudicado pela sua 
inoportunidade, ou pela falta de tempo, a fim de prover à substituição do procurador, será 
indenizado pelo mandatário, salvo se este provar que não podia continuar no mandato sem 
prejuízo considerável, e que não lhe era dado substabelecer. 
 
São válidos, a respeito dos contratantes de boa-fé, os atos com estes ajustados em nome do 
mandante pelo mandatário, enquanto este ignorar a morte daquele ou a extinção do mandato,por qualquer outra causa. 
 
Se falecer o mandatário, pendente o negócio a ele cometido, os herdeiros, tendo ciência do 
mandato, avisarão ao mandante, e providenciarão a bem dele, como as circunstâncias 
exigirem. 
 
Os herdeiros, no caso do artigo acima, devem limitar-se às medidas conservatórias, ou 
continuar os negócios pendentes que se não possam demorar sem perigo, regulando-se os 
seus serviços dentro desse limite, pelas mesmas normas a que os do mandatário estão 
sujeitos. 
 
Mandato judicial 
Instrumento de delegação de poder materializado em procuração que, pode ser pública 
(lavrada em cartório) ou particular (lavrada pelo próprio outorgante); previsto no artigo 38 do 
Código de Processo Civil Brasileiro. O mandato judicial configura poderes para que o 
advogado (outorgado) postule em juízo em favor de quem o contrata (outorgante). 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
22 
É o mandato outorgado a pessoa legalmente habilitada para defesa a defesa de direitos e 
interesses em juízo. 
 
O mandato judicial fica subordinado às normas que lhe dizem respeito, constantes da 
legislação processual, e, supletivamente, às estabelecidas no código civil (CC, art. 692). 
 
A extinção do mandato judicial implicará a constituição de outro advogado para prosseguir no 
patrocínio da causa (art.44 do CPC). 
 
Contrato de comissão mercantil 
Comissão vem do latim committere que significa incumbência, atribuir uma tarefa a alguém. 
Hoje em dia o contrato de comissão é usado por grandes empresas que trabalham, por 
exemplo, com exportação de café, soja, açúcar etc., pois, certamente, essas empresas não 
podem estar em todos os mercados. O comitente transfere seus negócios em busca do lucro 
ao comissário, que vai negociar ou vender bens a terceiros por conta do comitente. É contrato 
personalíssimo pois existe mútua confiança entre comitente e comissário. 
 
A comissão tem seu teor esculpido pelos artigos 693 ao 709 do Código Civil de 2002. 
De acordo com o art. 693 do CC, “O contrato de comissão tem por objeto a aquisição ou a 
venda de bens pelo comissário, em seu próprio nome, à conta do comitente”. 
 
É um contrato segundo o qual um empresário se obriga a realizar atos ou negócios de 
natureza empresária em favor e segundo instruções de outra pessoa, agindo, porém em seu 
próprio nome e, por tal razão, obrigando-se para com terceiros com quem contrata, ou seja, o 
comissário se obriga a praticar e administrar atos por conta e risco do comitente, mas ele age 
em seu nome próprio. 
 
Trata-se de contrato normalmente empregado em operações nas quais o comprador ou 
vendedor de mercadorias prefere não ser conhecido. Nem sempre convém ao empresário que 
se saiba do seu interesse em comprar ou vender certo bem. Há casos, por exemplo, em que o 
preço da coisa pode crescer, e muito, quando o vendedor sabe que o interessado é um grande 
empresário. 
 
A Comissão é o contrato pelo qual uma pessoa (comissário) adquire ou vende bens, em seu 
próprio nome e responsabilidade, mas por ordem e conta de outrem (comitente), em troca de 
certa remuneração, obrigando-se para com terceiros com quem contrata. 
 
Pessoas intervenientes 
Comitente é a pessoa que encarrega outra (comissário) de fazer qualquer ato, mediante o 
pagamento de uma comissão. 
 
Comissário ou comissionado é a pessoa que, em um negócio, age por ordem de outrem e 
recebe comissão em decorrência da prática do ato. Quanto a estas determinações e ordens a 
serem cumpridas, salvo disposição em contrário, pode o comitente, a qualquer tempo, alterar 
as instruções dadas ao comissário, entendendo-se por elas regidos também os negócios 
pendentes. 
 
Características da comissão mercantil 
Parte da doutrina entende que a comissão é um mandato sem representação, considerando 
que o comissário negocia em seu próprio nome, embora por conta do comitente. 
 
O contrato de comissão é bilateral, consensual, oneroso e não solene em que: 
 o comissário age em seu próprio nome, por conta do comitente; 
 o comissário deve ser sempre empresário; 
 a comissão é uma espécie de mandato, ausente a representação. 
 
O comitente contrata o comissário para comprar e vender a terceiros certos bens móveis, 
agindo o comissário em nome próprio, mas por ordem do comitente, que lhe confia o seu 
comércio e lhe paga uma remuneração, a comissão. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
23 
Obrigações do comissário 
Em relação comitente 
Embora o comissário desempenhe sua atividade em seu próprio nome, não tem liberdade 
absoluta. Está ele obrigado a agir de conformidade com as ordens e instruções do comitente. 
Na hipótese de não dispor das orientações e determinações do comitente, ainda assim, não 
poderá agir arbitrariamente, devendo, nesses casos, proceder segundo os usos em casos 
semelhantes. 
 
Perante o comitente, o comissário tem a obrigação de observar as instruções expedidas, bem 
como zelar pelos bens a ele confiados, agindo com diligência e lealdade e prestar contas do 
movimento econômico do contrato. 
 
O comissário é obrigado a agir de conformidade com as ordens e instruções do comitente, 
devendo, na falta destas, não podendo pedi-las a tempo, proceder segundo os usos em casos 
semelhantes. 
 
Ter-se-ão por justificados os atos do comissário, se deles houver resultado vantagem para o 
comitente, e ainda no caso em que, não admitindo demora a realização do negócio, o 
comissário agiu de acordo com os usos. 
 
Ainda quanto à conduta do comissário, além da obrigação evidente de não praticar atos ilícitos 
na exercício de sua atividade, deverá, no desempenho das suas incumbências, agir com 
cuidado e diligência, não só para evitar qualquer prejuízo ao comitente, mas ainda para lhe 
proporcionar o lucro que razoavelmente se podia esperar do negócio. Assim, responderá o 
comissário, salvo motivo de força maior, por qualquer prejuízo que, por ação ou omissão, 
ocasionar ao comitente. Por outro lado como regra, o comissário não responde pela 
insolvência das pessoas com quem tratar, exceto em caso de culpa e no caso de constar no 
contrato a cláusula “del credere”. 
 
Claúsula del-credere 
Cláusula pela qual, no contrato de comissão, o comissário, sujeitando-se a todos os riscos, se 
obriga a pagar integralmente ao comitente as mercadorias que este lhe consigna para serem 
vendidas. O del credere é a responsabilidade assumida pelo comissário de responder pela 
solvência daquele com que contratou no interesse e por conta do comitente. Ele, comissário, 
assume a obrigação de terceiros para com o comitente. Sendo firmada essa cláusula, ignora-
se, então, quem será a pessoa com quem o comissário contratará. Tem a vantagem de fazer 
com que o comissário selecione bem os clientes. 
 
Se do contrato de comissão constar a cláusula del credere, responderá o comissário 
solidariamente com as pessoas com que houver tratado em nome do comitente, caso em que, 
salvo estipulação em contrário, o comissário tem direito a remuneração mais elevada, para 
compensar o ônus assumido. 
 
Em relação a terceiros 
Perante o terceiro, o comissário tem todas as obrigações decorrentes do contrato realizado, 
pois não existe qualquer relação jurídica entre aquele e o comitente. 
 
O comissário fica diretamente obrigado para com as pessoas com quem contratar, sem que 
estas tenham ação contra o comitente, nem este contra elas, salvo se o comissário ceder seus 
direitos a qualquer das partes. 
 
O comissário obriga-se, perante terceiros em seu próprio nome, figurando no contrato como 
parte. Neste, em geral, não consta o nome do comitente, porque o comissário age em nome 
próprio. Entretanto, pode haver interesse mercadológico na divulgação do comitente, como 
fator de dinamização das vendas ou negócios em geral. 
 
Em síntese, são obrigações do comissário: cumprir fielmente o contrato, segundo as ordens e instruções recebidas do comi-tente e, 
sendo-lhe impossível, proce-der segundo os usos em casos semelhantes; 
 cuidar da conservação dos direitos e da guarda das coisas do comitente; 
 avisar ao comitente dos danos sofridos pelas mercadorias sob sua guarda ou divergências 
entre estas e as faturas; 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
24 
 pagar juros de mora por entrega dos fundos ou valores devidos ao comitente; 
 obrigar-se diretamente com terceiros, já que ele age em seu próprio nome. 
 
Obrigações do Comitente 
São obrigações do comitente: 
 pagar a remuneração ao comissário, a que faz jus pelo desempenho dos encargos que lhe 
cometidos; 
 fornecer fundos suficientes a fim de possibilitar a realização dos negócios pelo comissário; 
 ressarcir as despesas desembolsadas pelo comissário. 
 
Comissão 
Comissão e a remuneração calculada por meio de um percentual aplicado sobre as vendas. 
Não estipulada a remuneração devida ao comissário, será ela arbitrada segundo os usos 
correntes no lugar. 
 
O comissário tem direito a uma remuneração pelos seus serviços, denominada “comissão”. Ela 
varia de acordo com o valor e natureza do negócio a ser praticado. 
 
No caso de morte do comissário, ou, quando, por motivo de força maior, não puder concluir o 
negócio, será devida pelo comitente uma remuneração proporcional aos trabalhos realizados. 
Havendo rescisão do contrato, ainda que tenha dado motivo à dispensa, terá o comissário 
direito a ser remunerado pelos serviços úteis prestados ao comitente, ressalvado a este o 
direito de exigir do comissário prejuízos provocados por ele. 
 
Se o comissário for despedido sem justa causa, terá direito a ser remunerado pelos trabalhos 
prestados, bem como a ser ressarcido pelas perdas e danos resultantes de sua dispensa. 
 
Considerações finais sobre comissão 
Presume-se o comissário autorizado a conceder dilação do prazo para pagamento, na 
conformidade dos usos do lugar onde se realizar o negócio, se não houver instruções diversas 
do comitente. 
 
Se houver instruções do comitente proibindo prorrogação de prazos para pagamento, ou se 
esta não for conforme os usos locais, o comitente poderá exigir que o comissário pague 
incontinenti ou responda pelas conseqüências da dilação concedida, procedendo-se de igual 
modo se o comissário não der ciência ao comitente dos prazos concedidos e de quem é seu 
beneficiário. 
 
Salvo disposição em contrário, pode o comitente, a qualquer tempo, alterar as instruções 
dadas ao comissário, entendendo-se por elas regidos também os negócios pendentes. 
 
No que se refere à movimentação financeira entre os dois quanto à exigência de juros, 
assemelha-se ao contrato de mútuo com finalidade econômica. Assim, de acordo com o artigo 
706, o comitente e o comissário são obrigados a pagar juros um ao outro; o primeiro pelo que o 
comissário houver adiantado para cumprimento de suas ordens; e o segundo pela mora na 
entrega dos fundos que pertencerem ao comitente. 
 
O crédito do comissário, relativo a comissões e despesas feitas, goza de privilégio geral, no 
caso de falência ou insolvência do comitente. 
 
Ressalta-se o fato de que, para reembolso das despesas feitas, bem como para recebimento 
das comissões devidas, tem o comissário direito de retenção sobre os bens e valores em seu 
poder em virtude da comissão. 
Por fim, são aplicáveis à comissão, no que couber, as regras sobre mandato. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
25 
 
MANDATO MERCANTIL COMISSÃO MERCANTIL 
O MANDATÁRIO E COMISSÁRIO PRATICAM OS ATOS DE NATUREZA MERCANTIL 
 em nome do mandante;  em nome próprio, dele comissário; 
 por conta e risco do mandante.  por conta e risco do comitente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Mandante Mandatário Cliente 
 Comitente Comissário 
 
MM = mandato mercantil 
CM = comissão mercantil 
Figura-1 Diferença entre mandato e comissão mercantil 
Fonte: elaboração do autor. 
 
Contrato de agência e distribuição 
A agência e distribuição também denominada representação comercial tem sua legislação 
explícita: 
 nos artigos 710 a 721 do C.C de 2002; 
 na Lei nº 4.886 de 1965; 
 na Lei nº 6.729 de 1979; 
 na Lei nº 8.420 de 1992. 
 
Em se tratando do Código Civil de 2002, há duas correntes de opiniões. Uma observa que o 
legislador trata simultaneamente no capítulo XII de dois contratos: o de agência e o de 
distribuição; outra entende que agência e distribuição não são dois contratos distintos, mas um 
único contrato no qual se pode atribuir maior ou menor soma de funções ao preposto. Assim, 
pressupõe-se que agência e distribuição são a mesma coisa. 
 
Mas, como já foi mencionado, entende-se que há diferença considerável entre agência e 
distribuição. A agência não tem a disposição do bem a ser negociado; na agência, os produtos 
permanecem na esfera de disposição do proponente, que se liga diretamente à clientela, 
cabendo ao agente uma comissão pelo agenciamento prestado. 
 
Traçando-se um paralelo entre os conceitos de agência e distribuição, ter-se-á: 
 
 
CONTRATO DE AGÊNCIA CONTRATO DE DISTRIBUIÇÃO 
Negócio jurídico pelo qual uma das partes, o 
agente, obriga-se a promover, num exercício 
continuado ou não eventual, os negócios 
mercantis da outra parte, o agenciado ou 
proponente, dono do negócio, ou, como 
pretende alguns, "representado", sem 
Contrato pelo qual uma das partes, 
denominada distribuidor, obriga-se a adquirir da 
outra parte, denominada distribuído, merca-
dorias geralmente de consumo, para sua 
posterior colocação no mercado, por conta e 
risco próprio, estipulando-se como contrapres-
MM MM 
MM 
MM 
 CM CM 
 CM 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
26 
caracterização de vínculo de emprego ou 
dependência hierárquica, em troca de 
remuneração, nos limites territoriais 
pactuados. 
 
Na agência, esses produtos permanecem na 
esfera de disposição do proponente, que se 
liga diretamente à clientela, cabendo ao 
agente uma comissão pelo agenciamento 
prestado. 
tação um valor ou margem de revenda. 
 
 
 
Na distribuição, contrariamente, os produtos 
são transferidos à esfera patrimonial do distri-
buidor, de modo que o cliente com ele contrata 
a aquisição da coisa, e não com o proponente. 
A remuneração que lhe advém não é uma 
comissão, mas o lucro proveniente da diferença 
entre o preço de compra e o preço de revenda. 
 
Distribuidor caracteriza-se como tal ao dispor o 
bem a ser negociado. 
 
Muitos entendem que o distribuidor age apenas como depositário do proponente, de maneira que, 
ao concluir a compra e venda e promover a entrega de produtos ao comprador, não age em nome 
próprio, mas o fez em nome e por conta da empresa que representa. Ao invés de atuar como 
vendedor, atua como mandatário-vendedor. 
As similitudes entre os dois institutos por certo foi a razão de se apresentarem agrupados na ordem 
legislativa. A teleologia permite crer que o legislador os agrupou em razão de serem semelhantes, 
como de fato são. 
Assim é que, vale frisar, os contratos de agência e de distribuição são igualmente consensuais, 
bilaterais, onerosos, comutativos, nominados (hodiernamente o segundo, como pretendem alguns), 
típicos, intuitu personae, de duração e informais. Ambos se prestam ao mesmo objeto mediato: 
promover de forma continuada ou não eventual, os negócios mercantis do proponente, sem 
dependência hierárquica, em troca de remuneração a base de comissões, dentro de zona pré-
determinada.Apesar das sutilezas, vem à tona os questionamentos: a) afinal de contas, qual é a diferença entre 
eles? e b) qual a importância em diferenciá-los? 
Para responder ao primeiro item, toma-se o art. 710 do Código Civil, para análise de seu conteúdo: 
Art. 710. Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de 
dependência, a obrigação de promover, à conta de outra, mediante retribuição, a realização de 
certos negócios, em zona determinada, caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua 
disposição a coisa a ser negociada. (grifou-se). 
Figura 2 – Distinção entre contrato de agência x contrato de distribuição 
Fonte: elaboração do autor. 
 
O art. 721 do CC traz outra complicação, ao afirmar que: "Aplicam-se ao contrato de agência e 
distribuição, no que couber, as regras concernentes ao mandato e à comissão e as constantes 
de lei especial". 
 
Com o no código, tem-se que: 
a) agência e representação comercial são a mesma coisa e, 
b) agência e distribuição são só uma modalidade de contrato. 
 
Sendo assim, pode-se afirmar que distribuição é o mesmo que representação comercial. 
 
Concluindo, diz-se que ao conferir aplicação da lei especial para agência e para distribuição, 
estaria o art. 721 garantindo, por exemplo, ao distribuidor, os mesmos direitos e deveres 
reservados ao representante comercial, o que causaria no mercado usuário desses meios, 
verdadeira baderna jurídica. 
 
Continuando com o estudo de agência e distribuição, ou representação. 
 
Conceito e características 
A representação comercial, comumente chamada de “escritório de representação” consiste na 
pessoa física ou jurídica angariar negócios para outra pessoa física ou jurídica. Como exemplo, 
suponha-se que uma indústria de brinquedos de São Paulo quer vender esses brinquedos, 
aqui, no Ceará. Então ela celebra um contrato com uma pessoa física ou jurídica, para que 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
16 
essa pessoa passe a angariar negócios para ela, mediante o pagamento de certa 
remuneração. 
 
De acordo com o art. 710 do CC, pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter 
não eventual e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, à conta de outra, 
mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada, caracterizando-se 
a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. 
 
Do exposto acima, entende-se que a agência se materializa num contrato pelo qual uma das 
partes, o agente, sem relação de subordi-nação trabalhista, desempenha em caráter não 
eventual, por conta de outrem, a mediação para a realização de negócios, agenciando 
propostas ou pedidos de compra e venda de mercadorias fabricadas ou comercializadas pela 
outra parte, o agenciado ou o representado. 
 
O agente ou representante não tem poderes para concluir a negociação em nome do 
representado. Cabe a este aprovar ou não os pedidos de compra agenciados por aquele. 
 
Não existe vínculo de emprego entre eles. A subordinação tem caráter exclusivamente 
empresarial. O representante comercial é uma pessoa física autônoma, ou pessoa jurídica. 
Deve registrar-se no órgão profissional correspondente, o Conselho Regional dos 
Representantes Comerciais. Se for pessoa jurídica deve ser registrado também na Junta 
Comercial. 
 
A não ser por cláusula expressa, o representante não está sujeito à exclusividade, apenas não 
podendo (em qualquer caso) representar produtos ou serviços, ao mesmo tempo e na mesma 
área, que concorram entre si; a não ser por cláusula expressa, o representado não pode 
constituir mais de um representante ao mesmo tempo, com idêntica atribuição e para a mesma 
zona. 
 
Conforme a Lei nº 4.886 de 1965, no que diz respeito ao exercício da representação, não 
podem ser representantes: os impedidos para exercer a empresa, os falidos não reabilitados, 
os condenados por crimes de falsidade, estelionato, contrabando, apropriação indébita, roubo, 
furto, lenocínio e outros, e os que tenham tido seu registro empresarial cancelado como 
penalidade. 
 
Pessoas intervenientes 
Representante ou agente ou distribuidor é a pessoa contratada para angariar negócios para 
outra pessoa. (obrigação principal). 
 
Para ser representante, segundo a lei, deve a pessoa: 
 fazer dessa atividade a sua profissão; 
 executar essa atividade com plena autonomia, tendo livre execução do seu trabalho, não se 
subordinando à representada; entretanto, se a represen-tada estabelece, por exemplo, que 
o representante deve vender 100 unidades do produto “x” por $ 200, não deve ele então, 
vender por $ 195; com isso, pode-se notar que ele obedece às condições e não ao 
exercício da atividade; 
 realizar negócios empreariais; 
 ter exclusividade de área, por exemplo, se se dá a representação par Fortaleza, o 
representante, consequentemente, não atuará em outra praça. 
 
Representado ou proponente é a pessoa para a qual se coletam ou agenciam os negócios. 
 
Obrigações do agente e distribuidor 
São obrigações do representante autônomo ou representante pessoa jurídica: 
a) agir com toda diligência, atendo-se às instruções recebidas do proponente, no 
desempenho que lhe foi cometido; 
b) arcar, salvo estipulação diversa, com todas as despesas com a agência ou distribuição; 
c) agenciar os pedidos de compra e venda, ajudando o representado a expandir seu negócio; 
d) observar, se prevista, a cota de produtividade , ou seja, o número mínimo de pedidos a 
cada mês; 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
17 
e) seguir as instruções fixadas pelo representado; 
f) informar o representado sobre o andamento dos negócios; 
g) observar as obrigações profissionais; 
h) respeitar a cláusula de exclusividade de representação, se expressamente pactuada. 
 
Obrigações do proponente 
Ao proponente, ou representado, ou agen-ciador cabem as seguintes obrigações: 
a) salvo ajuste, o proponente não pode constituir, ao mesmo tempo, mais de um agente, na 
mesma zona, com idêntica incumbência; nem pode o agente assumir o encargo de nela 
tratar de negócios do mesmo gênero, à conta de outros proponentes (respeito à cláusula 
de exclusividade de representação); 
b) salvo ajuste, o agente ou distribuidor terá direito à remuneração correspondente aos 
negócios concluídos dentro de sua zona, ainda que sem a sua interferência; 
c) o agente ou distribuidor tem direito à indenização se o proponente, sem justa causa, 
cessar o atendimento das propostas ou reduzi-lo tanto que se torna antieconômica a 
continuação do contrato; 
d) a remuneração será devida ao agente também quando o negócio deixar de ser realizado 
por fato imputável ao proponente; 
e) ainda que dispensado por justa causa, terá o agente direito a ser remunerado pelos 
serviços úteis prestados ao proponente, sem embargo de haver este perdas e danos pelos 
prejuízos sofridos; 
f) se a dispensa se der sem culpa do agente, terá ele direito à remuneração até então 
devida, inclusive sobre os negócios pendentes, além das indenizações previstas em lei 
especial; 
g) se o agente não puder continuar o trabalho por motivo de força maior, terá direito à 
remuneração correspondente aos serviços realizados, cabendo esse direito aos herdeiros 
no caso de morte. 
 
Requisitos do contrato de agência 
São elementos essenciais do contrato de representação: 
 condições e requisitos gerais da representação, 
 indicação genérica ou específica dos produtos ou artigos objeto da representação, 
 estipulação do prazo (certo ou indeterminado), indicação da zona ou zonas em que será 
exercida a representação, 
 garantia de exclusividade ou ausência desta, bem como abrangência e tempo, 
 retribuição e época do pagamento pelo exercício da representação com dependência da 
efetivarealização ds negócios, 
 dependência ou não do recebimento pelo representado dos valores dos negócios 
efetivamente realizados, 
 casos em que se justifique a restrição da zona de exclusividade, 
 obrigações e responsabilidades das partes contratantes, 
 exercício exclusivo ou não da representação a favor do representado; 
 indenização devida ao representante pela rescisão do contrato fora das hipóteses legais. 
 
Extinção da agência ou representação 
A representação comercial só se extingue pela resilição ou vontade de uma das partes e pelo 
distrato quando as duas partes concordam. Extingue-se também pelo decurso de tempo, pela 
morte ou incapacidade em se tratando de pessoa física e pela falência em se tratando de 
pessoa jurídica. 
 
Considerações finais sobre agência e distribuição 
Se o contrato for por tempo indeterminado, qualquer das partes poderá resolvê-lo, mediante 
aviso prévio de noventa dias, desde que transcorrido prazo compatível com a natureza e o 
vulto do investimento exigido do agente, cabendo no caso de divergência entre as partes, o a 
razoabilidade judicial do prazo e do valor devido. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
18 
Aplicam-se ao contrato de agência e distribuição, no que couber, as regras concernentes ao 
mandato e à comissão e as constantes de lei especial. 
 
Em face da autonomia da vontade, a liberdade das partes é grande em misturar aspectos da 
compra e venda, comissão, do mandato, da agência e da distribuição, sempre com vistas ao 
lucro e ao aquecimento da economia. O que vai diferenciar a Agência da Comissão é porque 
na Agência a coisa vendida tem marca. É pela marca que deve ocorrer maior fiscalização ou 
delimitação da zona ou área de atuação - (art. 711). Além disso, na Agência não se aplica a 
cláusula “del credere” e o agente tem sempre que divulgar o nome do proponente, o que pode 
não ocorrer na Comissão. 
 
Fazendo-se uma síntese, dos art. Do CC sobre agência, tem-se um contrato pelo qual o 
agente/representante comercial, sob remuneração, mas sem vínculo trabalhista, obriga-se em 
caráter duradouro a negociar em certo lugar por conta do proponente (art. 710). Ao 
agente/representante comercial cabe fazer propaganda dos produtos do proponente, conhecer 
o mercado, captar clientela, intermediar os negócios, fiscalizar os concorrentes e encaminhar 
os pedidos, tudo sob orientação do proponente (art. 712). O agente deve ter cuidado para não 
vender além da capacidade de produção do proponente (arts. 713 a 715). O representante 
comercial precisa ser registrado no conselho da categoria, nos mesmos termos da OAB para 
os advogados, o CRC para os contadores e o CRM para os médicos. 
 
Distribuição 
A criação, consolidação ou ampliação de mercados, através da colaboração empresarial, 
podem resultar de atos do colaborador de aproximação ou de intermediação. No primeiro o 
colaborador identifica pessoas interessadas em adquirir (e, no caso da comissão, também 
vender) produtos do outro empresário contratante; no segundo, ele mesmo adquire os produtos 
(e, no caso da franquia, também serviços) do outro contratante e os oferece de novo ao 
mercado. 
 
A distribuição-aproximação é contrato em que um dos empresários (distribuidor) se obriga a 
promover, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência, a realização de certos 
negócios por conta de outro empresário (proponente), em zona determinada e tendo sob sua 
posse as mercadorias a serem vendidas. Se faltar à distribuição-aproximação o último 
requisito, o contrato é denominado “agência). 
 
A distribuição-aproximação e a agência são contratos típicos, regidos no Código Civil de 2002 
e sujeitos às mesmas regras. 
 
Na distribuição-aproximação, o distribuidor ou agente são remunerados por um percentual dos 
negócios que ajudam a realizar (a “comissão”). A obrigação principal do proponente é a de 
pagar a comissão, podendo o contrato condicioná-la ao efetivo pagamento do preço pelo 
terceiro adquirente das mercadorias. A obrigação principal que distribuidor ou agente assumem 
é a de encontrar interessados em adquirir os produtos do proponente e, encontrando-os, 
receber deles o pedido de compra. 
 
Por outro lado, a distribuição-intermediação é contrato atípico, não disciplinado na lei. É o 
celebrado entre distribuidoras de combustível e os postos de abastecimento de suas 
bandeiras, entre fábrica de cerveja e atacadistas zonais etc. Caracteriza-se pela obrigação que 
um empresário (distribuidor) assume, perante o outro (distribuído), de criar, consolidar ou 
ampliar o mercado dos produtos deste último, comprando-os para revender. Quando presente 
esta última característica no contrato de colaboração, não se aplicam as normas do Código 
Civil de 2002 sobre agência ou distribuição-aproximação, porque nem sempre são estas 
inteiramente compatíveis com sua estrutura e função econômica. 
 
Contrato de concessão mercantil 
Neste contrato o empresário (concessionário) se obriga a comercializar, com exclusividade ou 
sem ela, também cláusula de territorialidade, ou sem ela, os produtos fabricados por outro 
empresário (concedente). 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
19 
O Contrato de concessão de Vendas, também conhecido pela denominação de Contrato de 
concessão comercial, ainda não se encontra, entre nós, tipicamente regulado em lei, para as 
várias modalidades de produtos; exceção se faz, apenas, para o caso de concessão de vendas 
de veículos automotores de via terrestre, pois esta hipótese se encontra disciplinada pela Lei nº 
6.729/79. 
 
Destarte, trata-se de um contrato atípico no qual a empresa concessionária (distribuidora) 
compra diretamente do fabricante (concedente) produtos que revende por sua própria conta e 
risco. A remuneração obtida pela distribuidora resulta da diferença entre o preço de compra e o 
de revenda dos produtos, que deverá ser suficiente a suportar os encargos tributários, 
trabalhistas e todas as despesas necessárias ao exercício da atividade. 
 
Reforçando o que já foi dito acima, a lei somente disciplina a concessão comercial referente ao 
comércio de veículos automo-tores terrestres, como automóveis, caminhões, ônibus, tratores, 
motocicletas e similares. 
 
Obrigações do concedente 
São obrigações do concedente: 
a) permitir, gratuitamente, o uso de suas marcas pelo concessionário; 
b) vender ao concessionário os veículos de sua fabricação, na quantidade prevista em cota 
fixada; 
c) observar, na definição da área operacional de cada concessionária, distâncias mínimas 
segundo o critério de potencial de mercado; e 
d) não vender, diretamente, os veículos de sua fabricação na área operacional de uma 
concessionária, salvo à Administração Pública, direta ou indireta, ao Corpo Diplomático ou 
a clientes especiais. 
 
Obrigações do concessionário 
São obrigações dos concessionários: 
a) respeitar a cláusula de exclusividade, se houver; 
b) observar o índice de fidelidade para a aquisição de componentes que vier a ser 
estabelecido, de comum acordo com os demais concessionários e concedente, na 
Convenção de Marca; 
c) comprar do concedente os veículos na quantidade prevista na cota respectiva, sendo-lhe 
facultativo limitar o seu estoque; e 
d) organizar-se, empresarialmente, de forma a atender os padrões determinados pelo 
concedente, para a comercialização dos veículos e para a assistência técnica dos 
consumidores. 
 
O concessionário pode comercializar livremente os acessórios, pois a lei cogita atualmente 
fidelidade apenas para os componentes. Os preços dos veículos ao consumidor são fixados 
pelo concessionário e não mais pelo concedente. 
 
Contrato de franquia (franchising) 
A franquia é um contrato pelo qual um empresário (franqueador) licencia o uso de sua marca 
ou patente a outro empresário (franqueado) epresta-lhe serviços de organização empresarial, 
com a venda de produtos ou sem ela. Com esse contrato uma pessoa com algum capital pode 
estabelecer-se empresarialmente, sem precisar proceder ao estudo e equacionamento de 
muitos dos aspectos do empreendimento, pois o titular oferece-lhe subsídios indispensáveis à 
estruturação do negócio. 
 
Consiste na conjugação de dois contratos: o de licenciamento de uso de marca e o de 
organização empresarial. Ambas as partes têm vantagens, o franqueado já se estabelece 
negociando produtos ou serviços já trabalhado junto ao público consumidor, através de 
técnicas de marketing testadas e aperfeiçoadas pelo franqueador; e este pode ampliar a oferta 
da sua mercadoria ou serviço, sem novos aportes de capital. 
 
Os serviços de organização empresarial que o franqueador presta ao franqueado são, 
geralmente, os decorrentes de três contratos, que podem ser tratados automaticamente. 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
20 
Primeiro o contrato de engineering, pelo qual o franqueador define, projeta ou executa o 
layout do estabelecimento do franqueado. Em segundo lugar, o management, relativo ao 
treinamento dos funcionários do franqueado e à estruturação da administração do negócio. Por 
fim, o marketing, pertinente às técnicas de colocação de produtos ou serviços junto aos seus 
consumidores, envolvendo estudos de mercado, publicidade, vendas promocionais, 
lançamento de novos produtos ou serviços etc. 
Embora a lei discipline determinados aspectos da franquia, não as tornou modalidade de 
contrato típico. 
 
Partes intervenientes 
São pessoas envolvidas no contrato de franquia: 
 franqueador ou franchisor é o concedente, titular dos direitos de exclusividade da 
propriedade industrial que se transfere pelo contrato; 
 franqueado ou franchisee é o licenciado, que adquirindo a franquia, operacionaliza a 
distribuição dos respectivos produtos e serviços. 
 
O franqueado pode ser denominado de master franqueado quando lhe cabe o direito de 
subfranquiar a terceiros interessados. 
 
Na subfranquia, haverá a sub-rogação ou substituição de todas as condições impostas ao 
master franqueado, que não poderá modificá-las, em decorrência do contrato, geralmente, com 
cláusula rescisória. 
 
Obrigações do franqueado 
São encargos dos franqueados: 
a) o pagamento de uma taxa de adesão e de um percentual do seu faturamento; 
b) comercializar exclusivamente produtos franqueados; 
c) adquirir a matéria-prima indicada pelo franqueador; 
d) utilizar os equipamentos constantes dos projeto de instalação; 
e) cobrar os preços fixados pelo franqueador; 
f) formar e preparar pessoal conforme os padrões do franqueador; 
g) o pagamento pelos serviços de organização empresarial fornecidos pelo franqueador; 
h) a obrigação de oferecer aos consumidores apenas os produtos ou serviços da marca do 
franqueador e 
i) observar, estritamente, as instruções e o preço de venda ao consumidor estabelecidos 
pelo franqueador. 
 
Obrigações do franqueador 
Sempre que o franqueador tiver interesse na implantação de sistema de franquia empresarial, 
deverá fornecer ao interessado em tornar-se franqueado uma circular de oferta de franquia 
(COF), por escrito e em linguagem clara e acessível, contendo obirgatoriamente as seguintes 
informações: 
 histórico resumido, forma societária e nome completo ou razão social do franqueador e de 
todas as empresas a que esteja diretamente ligado, bem como os respectivos nomes de 
fantasias e endereeços; 
 balanços e demonstrações financeiras da empresa franqueadora relativos aos últimos 
exercícios; 
 indicação precisa de todas as pendências judiciais em que estejam envolvidos o 
franqueador, as empresas controladoras e titulares de marcas, patentes e direitos autorais 
relativos à operação e seus subfranqueadores, questinando especificamente o sistema da 
franquia em que possam diretamente vir a impossibilitar o funcionamento da franquia; 
 descrição detalhada da franquia, descrição geral de negócios e das atividades que serão 
desempenhadas pelo franqueado; 
 perfil do franqueado ideal no que se refere à experiência anterrior, nível de escolaridade e 
outras características que deve ter, obrigatória ou preferencialmente; 
 requisitos quanto ao envolvimento direto do franqueado na operação e na administração do 
negócio; 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
21 
 total estimado do investimento inicial necessário à aquisição, implantação e entrada em 
operação da franquia; 
 valor da taxa inicial de filiação ou taxa de franquia e de caução; 
 valor estimado das instalações, equipamentos e do estoque inicial e suas condições de 
pagamento; 
 informações claras quanto a taxas periódicas e outros valores a serem pagos pelo 
franqueado ao franqueador ou a terceiros por este indicados, detalhando as respectivas 
bases de cálculo e o que as mesmas remuneram ou o fim a que se destinam; 
 relação completa de todos os fornecedores, subfranqueados e subfranqueadores da rede, 
bem como dos que se desligaram nos últimos doze meses, com nome endereço e telefone; 
 em relação ao território, deve ser especificado se é garantido ao franqueado exclusividade 
ou se há preferência sobre determinado território de atuação e, caso positivo, em que 
condições o faz, bem como a possibilidade de o franqueado realizar vendas ou prestar 
serviços fora de seu território ou realizar exportações; 
 informações claras e detalhadas à obrigação do franqueado de adquirir quaisquer bens, 
serviços ou insumos necessários à implantação, operação ou administração de sua 
franquia, apenas de fornecedores indicados e aprovação pelo franqueador, oferecendo ao 
franqueado relaçào completa desses fornecedores; 
 indicação do que é efetivamente oferecido ao franqueado pelo franqueador, no que se 
refere à supervisão de rede, serviços de orientação prestados ao franqueado; 
 situaçào perante o Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI, das marcas ou 
patentes cujo uso estará sendo autorizado pelo franqueador; 
 situação do franqueado após a expiração do contrato de franquia, em relação ao know how 
ou segredo de indústria a que venha a ter acesso em função da franquia; 
 situaçào do franqueado, expirado o contrato de franquia, sobre implantação de atividade 
concorrente da atividade do franqueador; 
 modelo do contrato-padrão e, se for o caso, também do pré-contrato padrão de franquia 
pelo franqueador, com texto completo, inclusive dos respectivos anexos e prazo de 
validade 
 
Em síntese, são obrigações do franqueador: 
a) permitir ao franqueado o uso de sua marca; 
b) prestar os serviços de organização empresarial. 
 
A franquia engloba apenas a utilização da marca, do nome e do material necessário ao 
exercício da atividade empresarial. Não existe subordinação jurídica ou interferência na 
administração entre franqueador e franqueado. O primeiro apenas concede ao segundo os 
meios necessários à comercialização de seus produtos. O segundo não pode ser considerado 
comissionário, representante, empregado ou filial do franqueador. E, embora tenha o 
franqueador o direito de exigir que o franqueado siga certas normas de produção ou 
comercialização, são considerados empresá-rios distintos e independentes. 
 
Eveidencia-se também que, como o contrato de franquia é um contrato de adesão, 
unilateralmente elaborado pela franqueadora, que impõe todas as cláusulas que regem a 
relação com o franqueado, a jurisprudência reconhece, em geral, a abusividade da cláusula de 
eleição de foro, pois impossibilita ao franqueado efetuar regular defesa no Juízo 
contratualmente eleito, em face da desigualdade da situação econômica, decorrente do próprio 
contrato de franquia. 
 
Contrato de prestação de serviços 
Os contratos de prestação deserviços são bastante diversificados em decorrência da 
infinidade de serviços existentes, entretanto o Código Civil de 2002 elenca as principais 
condições em que os mais variados tipos de serviçios podem ser executados. Sendo assim, a 
prestação de serviço, que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial, reger-se-á, 
conforme dispõe os artigos 593 a 609 do Código Civil. 
 
Inicia-se esse estudo com a afirmação de que toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, 
material ou imaterial, pode ser contratada mediante retribuição. Entretanto, não se tendo 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
22 
estipulado, nem chegado a acordo, as partes fixarão por arbitramento a retribuição, segundo 
o costume do lugar, o tempo de serviço e sua qualidade. 
 
A retribuição será paga depois de prestado o serviço, se, por convenção, ou costume, não 
houver de ser adiantada, ou paga em prestações. 
 
Aquele que aliciar pessoas obrigadas em contrato escrito a prestar serviço a outrem pagará a 
este a importância que ao prestador de serviço, pelo ajuste desfeito, houvesse de caber 
durante dois anos. 
 
Pessoas intervenientes 
São pessoas envolvidas no contrato de prestação de serviços: 
 o tomador – é pessoa que contata o serviço, ou seja, o contratante; 
 o prestador – é pessoa que é contratada para realizar o serviço; é o contratante. 
 
Tempo da prestação do serviço 
A prestação de serviço não poderá ser convencionada por mais de quatro anos, embora o 
contrato tenha por causa o pagamento de dívida de quem o presta, ou se destine à execução 
de certa e determinada obra. Nesse caso, decorridos quatro anos, dar-se-á por findo o 
contrato, ainda que não concluída a obra. 
 
Findo o contrato, o prestador de serviço tem direito a exigir da outra parte a declaração de que 
o contrato está findo. Igual direito lhe cabe, se for despedido sem justa causa, ou se tiver 
havido motivo justo para deixar o serviço. 
 
Direitos e obrigações do prestador de serviço 
Não sendo o prestador de serviço contratado para certo e determinado trabalho, entender-se-á 
que se obrigou a todo e qualquer serviço compatível com as suas forças e condições. 
 
O prestador de serviço contratado por tempo certo, ou por obra determinada, não se pode 
ausentar, ou despedir, sem justa causa, antes de preenchido o tempo, ou concluída a obra. 
Entretanto, se se despedir sem justa causa, terá direito à retribuição vencida, mas responderá 
por perdas e danos. O mesmo dar-se-á, se despedido por justa causa. 
 
Obrigações recíprocas 
Nem aquele a quem os serviços são prestados, poderá transferir a outrem o direito aos 
serviços ajustados, nem o prestador de serviços, sem aprazimento da outra parte, dar 
substituto que os preste. 
 
Se o serviço for prestado por quem não possua título de habilitação, ou não satisfaça a outros 
requisitos estabelecidos em lei, não poderá quem os prestou cobrar a retribuição normalmente 
correspondente ao trabalho executado. Mas se deste resultar benefício para a outra parte, o 
juiz atribuirá a quem o prestou uma compensação razoável, desde que tenha agido com boa-
fé. Entretanto, não terá o prestador nenhum tipo de compensação, quando a proibição da 
prestação de serviço resultar de lei de ordem pública. 
 
Extinção do contrato de prestação de serviços 
O contrato de prestação de serviço acaba com a morte de qualquer das partes. Termina, ainda, 
pelo escoamento do prazo, pela conclusão da obra, pela rescisão do contrato mediante aviso 
prévio, por inadimplemento de qualquer das partes ou pela impossibilidade da continuação do 
contrato, motivada por força maior. 
 
Rescisão do contrato de prestação de serviço 
Não havendo prazo estipulado, nem se podendo inferir da natureza do contrato, ou do costume 
do lugar, qualquer das partes, a seu arbítrio, mediante prévio aviso, pode resolver o contrato. 
 
O aviso de rescisão contratual pode ser formalizado, conforme condições abaixo: 
Parágrafo único. Dar-se-á o aviso: 
I) com antecedência de oito dias, se o salário se houver fixado por tempo de um mês, ou 
mais; 
II) com antecipação de quatro dias, se o salário se tiver ajustado por semana, ou quinzena; 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
23 
III) de véspera, quando se tenha contratado por menos de sete dias. 
 
Não se conta no prazo do contrato o tempo em que o prestador de serviço, por culpa sua, 
deixou de servir. 
 
Se o prestador de serviço for despedido sem justa causa, a outra parte será obrigada a pagar-
lhe por inteiro a retribuição vencida, e por metade a que lhe tocaria de então ao termo legal do 
contrato. 
 
A alienação do prédio agrícola, onde a prestação dos serviços se opera, não importa a 
rescisão do contrato, salvo ao prestador, opção entre continuá-lo com o adquirente da 
propriedade ou com o primitivo contratante. 
 
No contrato de prestação de serviço, quando qualquer das partes não souber ler, nem 
escrever, o instrumento poderá ser assinado a rogo1 e subscrito por duas testemunhas. 
 
Contrato de transporte 
O transporte das pessoas e das coisas está elencado do art. 730 ao 756 do Código Civil de 
2002. 
Pelo contrato de transporte alguém se obriga, mediante retribuição, a transportar, de um lugar 
para outro, pessoas ou coisas. É um acordo de vontade pelo qual uma empresa assume a 
obrigação de remover uma coisa ou uma pessoa de um lugar para outro mediante o 
pagamento de um preço. 
 
O contrato de transporte é um contrato consensual, basta o acordo de vontade para que surta 
efeitos; bilateral – cria obrigações para ambas as partes: para o transportador, de remover a 
coisa ou pessoa de um lugar para outro e, para a outra parte, a obrigação de efetuar o 
pagamento do preço convencionado; comutativo, obrigações equivalentes e definidas e 
oneroso, há interesse e utilidade para ambas as partes. 
 
O transporte exercido em virtude de autorização, permissão ou concessão, rege-se pelas 
normas regulamentares e pelo que for estabelecido naqueles atos, sem prejuízo do disposto no 
Código Civil. 
 
Aos contratos de transporte, em geral, são aplicáveis, quando couber, desde que não 
contrariem as disposições do Código Civil, os preceitos constantes da legislação especial e de 
tratados e convenções internacionais. 
 
Nos contratos de transporte cumulativo, cada transportador se obriga a cumprir o contrato 
relativamente ao respectivo percurso, respondendo pelos danos nele causados a pessoas e 
coisas. 
 
O dano, resultante do atraso ou da interrupção da viagem, será determinado em razão da 
totalidade do percurso, inclusive se houver substituição de algum dos transportadores no 
decorrer do percurso, a responsabilidade solidária estender-se-á ao substituto. 
 
No contrato de transporte, a responsabilidade é sempre objetiva, ou seja, para que alguém 
possa indenizar outrem não decorre de culpa. 
O transporte subdivide-se em dois tipos básicos: o de pessoas e o de coisas, incluindo neste, 
os animais. 
 
O contrato de transporte admite qualquer prova permitida em direito, ressaltando, porém que o 
meio hábil para provar o recebimento da mercadoria por parte do transportador é o 
conhecimento de frete, no de pessoas, é o bilhete de passagem. 
 
 
1
 A rogo - assinar no lugar do outro que não tem condições de assinar. Coloca-se a impressão 
digital do analfabeto no documento e o outro coloca o nome e o número identidade ou CPF, e 
assina. Devendo duas pessoas maiores e capazes que presenciaram o fato, assinar no 
documento como testemunha. Assinar a rogo é assinar no lugar da pessoa. É a assinatura que 
alguém apõe em um documento a pedido de quem não sabe ou não pode assinar o seu nome. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
24 
Transporte de pessoas 
É aquele em que uma empresade transporte se obriga a remover uma pessoa e sua bagagem 
de um lugar para outro mediante o pagamento de um preço. 
 
Bagagem – são os objetos pessoais de uso ou propriedade do passageiro. Quando a 
bagagem é volumosa e não dá para ficar junta ao passageiro, deve o transportador conceder a 
Nota de Bagagem que pode ser uma senha, um talão ou um escrito com as especificações da 
bagagem. 
 
Bilhete de Passagem – é o documento que dá ao passageiro o direito de exigir do 
transportador a execução do contrato, ou seja, a sua remoção de um lugar para outro. É um 
título de legitimação que atestando o pagamento do preço assegura ao portador o direito de 
ser transportado de um lugar para outro. 
 
O transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens, 
salvo motivo de força maior, sendo nula qualquer cláusula excludente da responsabilidade. 
 
É lícito ao transportador exigir a declaração do valor da bagagem a fim de fixar o limite da 
indenização. 
 
A responsabilidade contratual do transportador por acidente com o passageiro não é elidida por 
culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva. No entanto, não se subordina às normas 
do contrato de transporte o feito gratuitamente, por amizade ou cortesia. 
 
Ressalta-se o fato de não se considerar gratuito o transporte quando, embora feito sem 
remuneração, o transportador auferir vantagens indiretas. 
 
O transportador está sujeito aos horários e itinerários previstos, sob pena de responder por 
perdas e danos, salvo motivo de força maior. 
 
A pessoa transportada deve sujeitar-se às normas estabelecidas pelo transportador, 
constantes no bilhete ou afixadas à vista dos usuários, abstendo-se de quaisquer atos que 
causem incômodos ou prejuízos aos passageiros, danifiquem o veículo, ou dificultem ou 
impeçam a execução normal do serviço. Inclusive se o prejuízo sofrido pela pessoa 
transportada for atribuível à transgressão de normas e instruções regulamentares, o juiz 
reduzirá eqüitativamente a indenização, na medida em que a vítima houver concorrido para a 
ocorrência do dano. 
 
O transportador não pode recusar passageiros, salvo os casos previstos nos regulamentos, ou 
se as condições de higiene ou de saúde do interessado o justificarem. 
 
O passageiro tem direito a rescindir o contrato de transporte antes de iniciada a viagem, sendo-
lhe devida a restituição do valor da passagem, desde que feita a comunicação ao transportador 
em tempo de ser renegociada. Sendo assim, ao passageiro é facultado desistir do transporte, 
mesmo depois de iniciada a viagem, sendo-lhe devida a restituição do valor correspondente ao 
trecho não utilizado, desde que provado que outra pessoa haja sido transportada em seu lugar. 
 
Entretanto, não terá direito ao reembolso do valor da passagem o usuário que deixar de 
embarcar, salvo se provado que outra pessoa foi transportada em seu lugar, caso em que lhe 
será restituído o valor do bilhete não utilizado. 
 
Nas hipóteses previstas no parágrafo acima, o transportador terá direito de reter até cinco por 
cento da importância a ser restituída ao passageiro, a título de multa compensatória. 
 
Interrompendo-se a viagem por qualquer motivo alheio à vontade do transportador, ainda que 
em conseqüência de evento imprevisível, fica ele obrigado a concluir o transporte contratado 
em outro veículo da mesma categoria, ou, com a anuência do passageiro, por modalidade 
diferente, à sua custa, correndo também por sua conta as despesas de estada e alimentação 
do usuário, durante a espera de novo transporte. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
25 
O transportador, uma vez executado o transporte, tem direito de retenção sobre a bagagem 
de passageiro e outros objetos pessoais deste, para garantir-se do pagamento do valor da 
passagem que não tiver sido feito no início ou durante o percurso. 
 
Transporte de coisas 
O transporte de coisas inclui a remoção de animais, e coisas denominam-se mercadorias. 
O contrato de transporte de coisas é aquele em que uma pessoa entrega a outra ou a uma 
empresa determinado objeto para que, mediante preço estipulado, seja remetido a outra 
pessoa em lugar diverso daquele em que a coisa foi recebida. 
 
Pessoas intervenientes 
Remetente 
O remetente ou expedidor é aquele que precisando remover mercadoria de um lugar para 
outro, contrata com alguém para fazer essa remoção. 
 
Transportador 
O transportador ou condutor é aquele que faz o transporte da mercadoria mediante o 
recebimento de um preço. 
 
Destinatário 
O destinatário ou consignatário é aquele a quem a mercadoria deve ser entregue, não 
assumindo obrigação na relação jurídica. É o terceiro elemento do contrato, existindo 
simplesmente para que o transportador possa completar sua missão. 
 
Sendo assim, diz-se que o contrato de transporte de coisas se aperfeiçoa mediante acordo e 
começa a ser executado no momento em que a coisa é recebida e só finda no instante em que 
a coisa é entregue. 
 
É o contrato feito entre o remetente e o transportador se bem que deva existir o destinatário ou 
consignatário. 
 
O remetente ou expedidor pode confundir-se com o signatário, no caso, por exemplo, de uma 
mudança. 
 
A coisa, entregue ao transportador, deve estar caracterizada pela sua natureza, valor, peso e 
quantidade, e o mais que for necessário para que não se confunda com outras, devendo o 
destinatário ser indicado ao menos pelo nome e endereço. 
 
Ao receber a coisa, o transportador emitirá conhecimento com a menção dos dados que a 
identifiquem, obedecido o disposto em lei especial. Para tanto o transportador poderá exigir 
que o remetente lhe entregue, devidamente assinada, a relação discriminada das coisas a 
serem transportadas, em duas vias, uma das quais, por ele devidamente autenticada, ficará 
fazendo parte integrante do conhecimento. 
 
Em caso de informação inexata ou falsa descrição no documento a que se refere o artigo 
antecedente, será o transportador indenizado pelo prejuízo que sofrer, devendo a ação 
respectiva ser ajuizada no prazo de cento e vinte dias, a contar daquele ato, sob pena de 
decadência. 
 
Poderá o transportador recusar a coisa cuja embalagem seja inadequada, bem como a que 
possa por em risco a saúde das pessoas, ou danificar o veículo e outros bens, inclusive aquela 
cujo transporte ou comercialização não sejam permitidos, ou que venha desacompanhada dos 
documentos exigidos por lei ou regulamento. 
 
Até a entrega da coisa, pode o remetente desistir do transporte e pedi-la de volta, ou ordenar 
que seja entregue a outro destinatário, pagando, em ambos os casos, os acréscimos de 
despesa decorrentes da contra-ordem, mais as perdas e danos que houver. 
 
O transportador conduzirá a coisa ao seu destino, tomando todas as cautelas necessárias para 
mantê-la em bom estado e entregá-la no prazo ajustado ou previsto. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
26 
A responsabilidade do transportador, limitada ao valor constante do conhecimento, começa 
no momento em que ele, ou seus prepostos, recebem a coisa; termina quando é entregue ao 
destinatário, ou depositada em juízo, se aquele não for encontrado. 
 
A coisa, depositada ou guardada nos armazéns do transportador, em virtude de contrato de 
transporte, rege-se, no que couber, pelas disposições relativas a depósito. 
 
Desembarcadas as mercadorias, o trans-portador não é obrigado a dar aviso ao destinatário, 
se assim não foi convencionado, dependendo também de ajuste a entrega a domicílio, e 
devem constar do conhecimento de embarque as cláusulas de aviso ou de entrega a domicílio. 
 
Se o transporte não puder ser feito ou sofrer longa interrupção, o transportador solicitará, 
incontinenti, instruções ao remetente, e zelará pela coisa, por cujo perecimento ou deterioração 
responderá,salvo força maior. 
 
Perdurando o impedimento, sem motivo imputável ao transportador e sem manifestação do 
remetente, poderá aquele depositar a coisa em juízo, ou vendê-la, obedecidos os preceitos 
legais e regulamentares, ou os usos locais, depositando o valor. 
 
Se o impedimento for responsabilidade do transportador, este poderá depositar a coisa, por 
sua conta e risco, mas só poderá vendê-la se perecível. 
 
Em ambos os casos, o transportador deve informar o remetente da efetivação do depósito ou 
da venda. 
 
Se o transportador mantiver a coisa depositada em seus próprios armazéns, continuará a 
responder pela sua guarda e conservação, sendo-lhe devida, porém, uma remuneração pela 
custódia, a qual poderá ser contratualmente ajustada ou se conformará aos usos adotados em 
cada sistema de transporte. 
 
As mercadorias devem ser entregues ao destinatário, ou a quem apresentar o conhecimento 
endossado, devendo aquele que as receber conferi-las e apresentar as reclamações que tiver, 
sob pena de decadência dos direitos. 
 
No caso de perda parcial ou de avaria não perceptível à primeira vista, o destinatário conserva 
a sua ação contra o transportador, desde que denuncie o dano em dez dias a contar da 
entrega. 
 
Havendo dúvida acerca de quem seja o destinatário, o transportador deve depositar a 
mercadoria em juízo, se não lhe for possível obter instruções do remetente; se a demora puder 
ocasionar a deterioração da coisa, o transportador deverá vendê-la, depositando o saldo em 
juízo. 
 
No caso de transporte cumulativo, todos os transportadores respondem solidariamente pelo 
dano causado perante o remetente, ressalvada a apuração final da responsabilidade entre 
eles, de modo que o ressarcimento recaia, por inteiro, ou proporcionalmente, naquele ou 
naqueles em cujo percurso houver ocorrido o dano. 
 
Contrato de locação das coisas 
A locação das coisas está prevista dos artigos 565 ao 578 do Código Civil de 2002. 
 
Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou 
não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. 
 
Obrigações do locador 
O locador é obrigado: 
I) a entregar ao locatário a coisa alugada, com suas pertenças, em estado de servir ao uso a 
que se destina, e a mantê-la nesse estado, pelo tempo do contrato, salvo cláusula 
expressa em contrário; 
II) a garantir-lhe, durante o tempo do contrato, o uso pacífico da coisa. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
27 
Se, durante a locação, se deteriorar a coisa alugada, sem culpa do locatário, a este caberá 
pedir redução proporcional do aluguel, ou resolver o contrato, caso já não sirva a coisa para o 
fim a que se destinava. 
 
O locador resguardará o locatário dos embaraços e turbações de terceiros, que tenham ou 
pretendam ter direitos sobre a coisa alugada, e responderá pelos seus vícios, ou defeitos, 
anteriores à locação. 
 
Obrigações do locatário 
O locatário é obrigado: 
I) a servir-se da coisa alugada para os usos convencionados ou presumidos, conforme a 
natureza dela e as circunstâncias, bem como tratá-la com o mesmo cuidado como se sua 
fosse; 
II) a pagar pontualmente o aluguel nos prazos ajustados, e, em falta de ajuste, segundo o 
costume do lugar; 
III) a levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros, que se pretendam fundadas 
em direito; 
IV) a restituir a coisa, finda a locação, no estado em que a recebeu, salvas as deteriorações 
naturais ao uso regular. 
 
Se o locatário empregar a coisa em uso diverso do ajustado, ou do a que se destina, ou se ela 
se danificar por abuso do locatário, poderá o locador, além de rescindir o contrato, exigir 
perdas e danos. 
 
Obrigações recíprocas 
Havendo prazo estipulado à duração do contrato, antes do vencimento não poderá o locador 
reaver a coisa alugada, senão ressarcindo ao locatário as perdas e danos resultantes, nem o 
locatário devolvê-la ao locador, senão pagando, proporcionalmente, a multa prevista no 
contrato. Entretanto se a obrigação de pagar o aluguel pelo tempo que faltar constituir 
indenização excessiva, será facultado ao juiz fixá-la em bases razoáveis. 
 
O locatário gozará do direito de retenção, enquanto não for ressarcido. 
 
Locação por tempo determinado 
A locação por tempo determinado cessa de pleno direito findo o prazo estipulado, 
independentemente de notificação ou aviso. 
 
Se, findo o prazo, o locatário continuar na posse da coisa alugada, sem oposição do locador, 
presumir-se-á prorrogada a locação pelo mesmo aluguel, mas sem prazo determinado. 
 
Se, notificado o locatário, não restituir a coisa, pagará, enquanto a tiver em seu poder, o 
aluguel que o locador arbitrar, e responderá pelo dano que ela venha a sofrer, embora 
proveniente de caso fortuito. Entretanto se o aluguel arbitrado for manifestamente excessivo, 
poderá o juiz reduzi-lo, mas tendo sempre em conta o seu caráter de penalidade. 
 
Alienação da coisa alugada 
Se a coisa for alienada durante a locação, o adquirente não ficará obrigado a respeitar o 
contrato, se nele não for consignada a cláusula da sua vigência no caso de alienação, e não 
constar de registro no Cartório de Títulos e Documentos do domicílio do locador, quando a 
coisa for móvel; e será o Registro de Imóveis da respectiva circunscrição, quando imóvel. 
 
Em se tratando de imóvel, e ainda no caso em que o locador não esteja obrigado a respeitar o 
contrato, não poderá ele despedir o locatário, senão observado o prazo de noventa dias após a 
notificação. 
 
Continuidade do contrato de locação 
Morrendo o locador ou o locatário, transfere-se aos seus herdeiros a locação por tempo 
determinado. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
28 
Salvo disposição em contrário, o locatário goza do direito de retenção, no caso de 
benfeitorias necessárias, ou no de benfeitorias úteis, se estas houverem sido feitas com 
expresso consentimento do locador. 
 
Contratos de empréstimos 
Empréstimo consiste na entrega de um bem: dinheiro ou outra coisa, a uma pessoa, mediante 
pagamento ou gratuitamente, para que esta consuma ou faça uso durante certo tempo, 
assumindo a obrigação de restituir o mesmo bem, em sua integridade, em caso de coisa não 
fungível, ou bem equivalente, na hipótese de coisa fungível. 
 
Os empréstimos se dividem nos seguintes tipos básicos: comodato e mútuo. 
 
Comodato 
O comodato está abordado do art. 579 ao 585 do Código Civil de 2002. 
Trata-se do empréstimo de coisas infungíveis (que não podem ser substituídas por outra da 
mesma espécie). 
 
O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. Perfaz-se com a tradição do 
objeto. Por exemplo, o empréstimo de uma máquina, de um equipamento etc., sem ônus. 
 
Trata-se, portanto de um contrato, unilateral porque obriga tão somente o comodatário; 
gratuito porque somente o comodatário é favorecido; real porque se realiza pela tradição, ou 
seja, entrega da coisa e não solene, pois a lei não exige forma especial para sua validade, 
podendo ser utilizada até a forma verbal. 
 
Pessoas intervenientes 
Comodante – pessoa que empresta a coisa, mas que continua a ser proprietária da coisa, 
ficando apenas o uso desta ao comodatário. 
 
Comodatário – pessoa que adquire o direito de usar a coisa. 
 
Características do comodato 
São características do comodato: 
 gratuidade do contrato; 
 infungibilidade da coisa; 
 tradição da coisa. 
 
Ressalta-se o fato de que embora o empréstimo seja gratuito, no comodato o comodatário 
pode assumir o ônus com manutenção do objeto ou mesmo, em caso de imóvel, pagar o 
condomínio, taxas e impostos do bem, sem, contudo, descaracterizar o comodato. 
 
Obrigações do comodatário 
As obrigações do comodatário consistem em: 
 
a) Conservação da coisa 
O comodatário éobrigado a conservar, como se sua fosse a coisa emprestada, evitando 
desgastá-la, não podendo usá-la senão de acordo com o contrato ou a natureza dela, sob pena 
de responder por perdas e danos. O comodatário responde pelas despesas de conservação, 
não podendo recobrar do comodante as despesas comuns como, por exemplo, alimentação, 
no caso de animal emprestado; lubrificantes com a utilização de uma máquina emprestada. 
Assim, o comodatário não poderá jamais recobrar do comodante as despesas feitas com o uso 
e gozo da coisa emprestada. 
 
O Código Civil preceitua que se, correndo risco o objeto do comodato juntamente com outros 
do comodatário, antepuser este a salvação dos seus abandonando o do comodante, 
responderá pelo dano ocorrido, ainda que se possa atribuir a caso fortuito, ou força maior. 
 
Se duas ou mais pessoas forem simultaneamente comodatárias de uma coisa, ficarão 
solidariamente responsáveis para com o comodante. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
29 
Em se tratando de despesas extraordinárias, salvo convenção em contrário, o comodatário 
como possuidor de boa-fé, tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem 
como, o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis.(CC, art. 1.219). 
 
b) Utilização da coisa de forma adequada 
O Comodatário só pode usar a coisa de forma adequada, se fugir do acordado contratual ou da 
natureza dela, responde por perdas e danos. Podendo também dar ensejo a causa de 
resolução do contrato. 
 
c) Restituição da coisa 
A coisa deve ser restituída no prazo convencionado, ou, não sendo este determinado, findo o 
necessário ao uso concedido. Por exemplo, o empréstimo de trator para colheita, presume-se 
que finda o prazo com o fim desta. Todo comodatário que negar-se a restituir a coisa, praticará 
esbulho e estará sujeito a ação de reintegração de posse, alem de incidir em dupla sanção: 
 
O comodatário constituído em mora, além de por ela responder, pagará, até restituí-la, o 
aluguel da coisa que for arbitrado pelo comodante. 
 
Em síntese, o comodato é o contrato unilateral, gratuito, pelo qual alguém (comodante) 
entrega a outrem (comodatário) coisa infungível, para ser usada temporariamente e depois 
restituída. Uma vez que a coisa é infungível, gera para o comodatário a obrigação de restituir 
um corpo certo. Difere-se assim do mútuo, que é empréstimo de coisa fungível, consumível 
(como o dinheiro), onde a restituição é de coisa do mesmo gênero. O comodante guarda a 
propriedade da coisa e o comodatário adquire a posse, podendo valer-se dos interditos 
possessórios. 
 
O comodante geralmente é o proprietário ou o usufrutuário. Pode ainda ser o locatário, desde 
que autorizado pelo locador. É contrato não solene, podendo assim ser oral, mesmo quando 
envolver bens imóveis. Contudo, a forma escrita é recomendável. É contrato unilateral, porque 
somente o comodatário assume obrigações. A gratuidade é o que distingue o comodato da 
locação. Segundo disposição prevista na súmula 573 do Supremo Tribunal Federal a saída 
física de máquinas, utensílios e implementos a título de comodato não constitui fato gerador do 
imposto sobre circulação de mercadorias. 
 
Extinção do comodato 
A extinção do comodato ocorre nas seguintes hipóteses: 
a) em decorrência do término do prazo contratual, ou este não existindo, findo o período de 
utilização para o qual foi acordado, a exemplo de término da obra. 
b) pela resolução do contrato feita pelo comodante em decorrência de quebra de cláusula 
contratual, sobretudo no uso inadequado do bem por parte do comodatário; 
c) por sentença do juiz, a pedido do comodante, provada a necessidade urgente prevista no 
artigo 581; 
d) pela morte do comodatário se a coisa emprestada era para uso exclusivo e pessoal do 
comodatário, não sendo neste caso repassado aos herdeiros. 
 
Contrato de mútuo 
O mútuo está elencado do art. 586 ao 592 do Código Civil de 2002. 
 
O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o 
que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Por este empréstimo 
transfere-se o domínio da coisa emprestada ao mutuário, por cuja conta, correm todos os 
riscos dela desde a tradição. 
 
Contrato pelo qual alguém transfere a propriedade de coisa fungível a outrem, que se obriga a 
lhe pagar coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Trata-se , portanto de um contrato 
também, unilateral, já que obriga tão somente o comodatário; gratuito, porque somente este é 
favorecido; real porque se realiza pela tradição, ou seja, entrega da coisa, e não solene, pois 
a lei não exige forma especial para sua validade, salvo se for oneroso, caso em que se 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
30 
aplicarão os preceitos do art. 1262, CC – “é permitido, mas só por cláusula expressa, fixar 
juros ao empréstimo de dinheiro ou de outras coisas fungíveis”. 
 
Pessoas intervenientes 
Mutuante – pessoa que dá a coisa fungível em empréstimo. 
 
Mutuário – pessoa que recebe a coisa fungível em empréstimo, ou seja, pessoa que toma 
emprestadas coisas fungíveis do mutuante. 
 
O mútuo se aperfeiçoa com a tradição da coisa mutuada. 
 
O mútuo feito à pessoa menor, sem prévia autorização daquele sob cuja guarda estiver, não 
pode ser reavido nem do mutuário, nem de seus fiadores, cessando essa disposição: 
I) se a pessoa, de cuja autorização necessitava o mutuário para contrair o empréstimo, o 
ratificar posteriormente; 
II) se o menor, estando ausente essa pessoa, se viu obrigado a contrair o empréstimo para 
os seus alimentos habituais; 
III) se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho; mas, em tal caso, a execução do credor 
não lhes poderá ultrapassar as forças; 
IV) se o empréstimo reverteu em benefício do menor; 
V) se o menor obteve o empréstimo maliciosamente. 
 
O mutuante pode exigir garantia da restituição, se antes do vencimento o mutuário sofrer 
notória mudança em sua situação econômica. 
 
Destinando-se o mútuo a fins econômicos, presumem-se devidos juros, os quais, sob pena de 
redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. 
 
Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: 
I) até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como 
para semeadura; 
II) de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; 
III) do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível. 
 
Extinção do contrato de mútuo 
Extingue-se o contrato de mútuo como os demais contratos, com o pagamento (arts.304/355) 
no prazo avençado cumprindo-se todas as obrigações pactuadas, ou ainda por meio de dação 
em pagamento (arts.356/359), novação (arts.360/367), compensação (arts.368/380), confusão 
(arts.381/384) e remissão (arts.385/388). 
 
O artigo 592 e seus incisos dispõem sobre hipóteses em que as partes contratantes não 
tenham convencionado o prazo do mútuo. Assim, ter-se-á como prazo: 
 até a próxima colheita, tratando-se de produtos agrícolas; 
 de trinta dias, se for de dinheiro, 
 o que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível. 
 
Questão controvertida, nesse aspecto, sempre foi quanto à possibilidade de o mutuário 
antecipar a restituição do dinheiro emprestado e exonerar-se dos juros a vencerem. Muitos 
doutrinadores opõem-se a tal entendimento, alegando que a legítima expectativa do mutuante 
ao contratar o mútuo consiste nos juros que receberá e que seria frustrada com a antecipação 
da devolução do capital mutuado. 
 
Diferenças entre o mútuo e o comodato 
Mútuo Comodato 
1. Empréstimo de consumo. 1. Empréstimo de uso. 
2. Empréstimo de bens fungíveis (podem ser 
substituídos por outros do mesmo gênero, 
qualidadee quantidade). 
2. Empréstimos de bens infungíveis (são 
encarados de acordo com suas qualidades 
individuais , em espécie). 
3. Ocorre a transferência do domínio do bem. 
3. Ocorre apenas a transferência da posse do 
bem. 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
31 
4. O mutuário desobriga-se, restituindo coisa da 
mesma espécie, qualidade e quantidade. 
4. O comodatário só se exonera, restituindo a 
própria coisa emprestada. 
5. O mutuário assume os riscos pelo extravio, 
danificação ou perda da coisa emprestada 
(res perit domino). 
5. O comodatário não assume os riscos pelo 
extravio, danificação ou perda da coisa se for 
constatado motivo de força maior ou caso 
fortuito. 
6. Permite a alienação da coisa emprestada. 6. Ao comodatário é proibido transferir a coisa a 
terceiro. 
Figura 3 – Distinção entre mútuo e comodato 
Fonte: elaboração do autor. 
 
Tais modalidades contratuais são bastante utilizadas em nosso cotidiano , afinal , quem não já 
emprestou um CD , uma fita de vídeo etc. (exemplos de comodato) , ou ainda , um livro, uma 
caneta , uma folha de caderno etc. (exemplo de mútuo) para alguém, para que este lhe 
devolvesse posteriormente. Daí a importância de sabermos diferenciá-los, sendo isto a 
proposta das diferença acima. 
 
Contrato de arrendamento mercantil (contrato de leasing) 
Conforme o art. 1º da Lei nº 6.099/74, arrendamento mercantil é o negócio jurídico entre uma 
pessoa jurídica, na qualidade de arrendadora, e pessoa física ou jurídica, na qualidade de 
arrendatária e que tenha por objeto o arrendamento de bens adquiridos pela arrendadora, 
segundo especificações da arrendatária e para uso próprio desta. Podem ser bens móveis, de 
produção nacional ou estrangeira, e bens imóveis adquiridos pela entidade arrendadora para 
fins de uso próprio da arrendatária. 
 
Trata-se de contrato complexo, misto de locação, financiamento e compra e venda, no qual à 
locação de coisas agrega-se uma opção de compra. 
 
As operações de leasing são realizadas pelas sociedades de arrendamento mercantil ou outras 
instituições financeiras que tenham a carteira de arrendamento mercantil. 
 
As operações de leasing foram regulamentadas pelo CMN através da Lei n.º 6.099, de 
setembro de 1974, e a integração das sociedades arrendadoras ao Sistema Financeiro 
Nacional, ocorreu através da Resolução n.º 351, de 1975. Do exposto, afirma-se que no Brasil, 
essas sociedades são controladas e fiscalizadas pelo Banco Central. 
 
O leasing é um termo derivado do verbo to lease – que significa alugar. No Brasil, essa 
operação é conhecida como arrendamento mercantil. 
O leasing é uma operação realizada mediante contrato, na qual o dono do bem, o arrendador, 
concede a outra pessoa física ou jurídica, na qualidade de arrendatária, o direito de usufruto do 
mesmo por um prazo determinado, mediante o pagamento de contraprestações durante o 
período de duração da operação. 
Nesse período, a propriedade do bem é da empresa arrendadora e só é transferida ao 
arrendatário ao final do contrato, se este exercer sua opção de compra. Trata-se de 
financiamento de médio a longo prazo, no sentido financeiro, podendo o contrato incluir 
cláusula prevendo sua renovação ou compra do bem pelo arrendatário ao final do prazo de 
vigência. 
Ao final do contrato, a arrendatária tem a opção de compra do bem, por um valor previamente 
estabelecido que será menor do que o de sua aquisição primitiva, ou seja, um valor mínimo 
denominado de valor residual garantido – VRG, cujo percentual é predefinido no contrato. A 
empresa de leasing chega ao VRG com base no prazo da operação e no de depreciação do 
bem. 
O leasing financia integralmente, a longo prazo, qualquer bem móvel ou imóvel novo ou usado, 
de fabricação nacional ou estrangeira para uma empresa sem que ela precise se 
descapitalizar. Além do custo do leasing ser lançado como despesa operacional, esse tipo de 
operação permite a modernização constante do equipa-mento, através de sua substituição 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
32 
quando se tornar obsoleto. O funding para as operações de leasing deve ser compatível 
com o prazo do arrendamento, de forma a permitir o casamento dos prazos. 
Geralmente são considerados três tipos de encargos nos contratos de leasing: 
 taxa de abertura de crédito – TAC: cobrada, geralmente, por questões de aprovação do 
crédito; 
 taxa de compromisso ou taxa de adiantamento: normalmente são cobradas de forma 
mensal pelas arrendadoras, incorporando-se ao custo do bem para efeito de aluguel; 
 taxa de arrendamento ou aluguel ou contraprestação de arrendamento: cobrada 
mensalmente, sendo que a periodicidade máxima admitida é a semestral. O tributo direto 
que incide na operação é imposto sobre serviços de qualquer natureza - (ISS) e poderá 
estar ou não incluído no coeficiente do cálculo de contraprestação de arrendamento. 
Assim, as operações de leasing dispensam o pagamento do IOF, mas incluem o 
pagamento do ISS. 
Normalmente, as operações de leasing são garantidas por notas promissórias avalizadas, 
sendo permitidas outras formas de garantia. As empresas de leasing contam com a 
depreciação acelerada: 48 meses, excluindo-se veículos, máquinas, máquinas e equipamentos 
industriais e de informática, os quais têm depreciação normal: 60 meses. A depreciação de 
edificações e alvenarias se acelera de 300 meses para 240 meses. São termos técnicos 
envolvidos nessa operação: 
 arrendador: é a empresa de leasing e deve, naturalmente, ser uma pessoa jurídica; é 
responsável pela aquisição do bem e, por ser seu proprietário, tem o benefício fiscal sobre 
o valor da depreciação dele para fins de imposto de renda; em caso de inadimplência do 
arrendatário, basta pedir a reintegração de posse do bem; 
 arrendatário: é quem se beneficia pelo uso do bem arrendado; é responsável pelo 
pagamento das contraprestações e pode deduzi-las integralmente como despesa para fins 
de imposto de renda; 
 bens enquadráveis: qualquer bem de produção nacional ou bem de produção estrangeira 
que tenha sua importação permitida pela legislação em vigor; 
 VRG: é o valor residual garantido - é representado pela diferença entre o valor do bem 
arrendado e o valor das contraprestações pagas até o final do contrato; esse valor é 
calculado baseado no prazo da operação e da depreciação do bem; 
 depreciação: todo bem se desgasta e se desvaloriza com o tempo e com o uso; 
contabilmente, a desvalorização monetária de um bem é chamada de depreciação, que é 
calculada em função da vida útil econômica deste. 
Entre os principais tipos de leasing, pode-se destacar o leasing operacional e leasing 
financeiro. 
 
Leasing operacional 
Também chamado de operação de renting. É semelhante a uma operação de locação 
(aluguel). É aquele geralmente praticado pelos próprios fabricantes do bem. Sendo realmente 
um aluguel, dispensa a intermediação financeira de uma instituição financeira. Pode ou não 
haver cobrança de valor residual garantido - VRG, podendo conter ou não a opção de compra 
ao final do contrato. 
 
Se for do interesse do arrendatário, ele deve negociar a partir do valor de mercado. O prazo 
mínimo do contrato é de 90 dias e o máximo deve ser menor que 75% do prazo de vida útil 
econômica do bem. Uma das maiores vantagens desse tipo de leasing é o fato de o 
arrendador ou empresa de leasing ser o responsável pela manutenção do bem arrendado. É a 
modalidade mais utilizada fora do Brasil. Nesse tipo de leasing, o arrendatário pode rescindir o 
contrato a qualquer tempo, mediante pré-aviso contratualmente especificado. Esse tipo de 
leasing tem as seguintes características: 
 geralmente o bem arrendado é equipamento de rápida obsolescência; 
 o prazo dos contratos é mais curto; 
 a manutençãodo bem é feita pela arrendadora, que também fornece assistência técnica; 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
33 
 pode haver ou não opção de compra no final do contrato; 
 o arrendatário pode rescindir o contrato mediante condições predeterminadas. 
 
Leasing financeiro ou leasing puro ou leasing bancário 
É essencialmente uma operação de financiamento. Ao final do prazo do contrato, o 
arrendatário tem a opção de devolução ou de compra do bem pelo valor preestabelecido, ou 
ainda, renovar o contrato a novas taxas. O valor residual garantido pode ser pago durante o 
prazo do contrato, sem caracterizar uma opção de compra. É a modalidade de leasing mais 
utilizada no Brasil. O prazo mínimo da operação é de 2 anos para bens com vida útil de até 5 
anos e, para os demais, o prazo mínimo é de 3 anos. Esse tipo de leasing tem também as 
seguintes características: 
 apesar de poder optar pela devolução do bem, a arrendatária geralmente compra-o ao final 
do contrato, pelo valor residual, que é sempre baixo; 
 prazos mais longos, de acordo com a vida útil do bem; 
 as despesas de instalação, frete e seguros podem ser incluídas no contrato e pagas pela 
arrendatária através das contraprestações; 
 o contrato não pode ser rescindido unilateralmente; 
 apesar de ser considerado um financiamento, a propriedade do bem é da arrendadora até o 
final do contrato, quando a arrendatária pode comprá-lo. 
 
Nesse tipo de leasing, todas as prestações pactuadas serão devidas, ainda mesmo que a 
arrendatária queira dar fim ao contrato antes de terminado o prazo contratual. 
O que distingue o leasing operacional do leasing financeiro é o fato de que, enquanto neste há 
sempre a cláusula de obrigatoriedade do contrato por todo o período do arrendamento, no 
leasing operacional, o contrato pode ser rescindido a qualquer momento pelo arrendatário, 
desde que haja um aviso prévio. 
 
Sale and lease back ou leasing de retorno 
O sale and lease back é uma operação típica de obtenção de capital de giro a longo prazo. O 
proprietário de um bem vende-o à empresa de leasing e, simultaneamente, contrata seu 
arrendamento. Muito utilizado pelas empresas para o arrendamento de bens imóveis até então 
de sua propriedade, numa operação conhecida como lease-back imobiliário. É uma operação 
variante do leasing financeiro, pela qual uma pessoa jurídica vende bens de seu imobilizado a 
uma empresa de leasing e, simultaneamente, os arrenda com a opção de compra exercitável 
após o término do prazo contratual. 
O leasing pode ainda ser classificado em diversos tipos a seguir comentados: 
 leasing imobiliário: consiste na compra de um imóvel pela arrendadora que o aluga a uma 
pessoa física ou jurídica; pode ser um terreno, um prédio, ou mesmo uma fábrica; no 
caso de a arrendatária já possuir o imóvel, pode ser feito um lease-back, conforme já 
explicado; nesse tipo de leasing, os prazos podem ser longos, indo até 20 (vinte) anos, 
pois, geralmente, a depreciação do imóvel é bem menor do que a do objeto móvel; 
 leasing nacional: contrato entre pessoas jurídicas sediadas no Brasil, tendo como objeto 
bens produzidos no País ou bens importados; 
 leasing internacional: contrato entre uma pessoa jurídica sediada no Brasil e outra no 
exterior; a propriedade do bem é de uma empresa de leasing no exterior que o arrenda 
para um cliente localizado no Brasil; 
 leasing importação: contrato celebrado com entidades sediadas no exterior; a empresa 
sediada no Brasil, escolhe, no exterior, os bens de que necessita e os mesmos lhes são 
arrendados por uma companhia de leasing sediada no Brasil; 
 leasing exportação: um fabricante ou vendedor no País vende seu produto (bem) a uma 
companhia de leasing sediada no País e esta o arrenda ao usuário no exterior. 
Como vantagens das operações de leasing pode-se ressaltar: 
 financiamento total do equipamento ou imóvel; 
 liberação do capital de giro; 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
34 
 utilização de equipamentos com tecnologia atualizada; 
 prazo de operação compatível com a amortização econômica do bem; 
 encargos prefixados e totalmente quantificáveis; 
 conservação de linhas de crédito; 
 economia de imposto de renda; 
 custo menor do que a compra; 
 
O leasing é uma ferramenta importante na determinação do profit planing e da tax planing. 
 
Sociedades de arrendamento mercantil 
As sociedades de arrendamento mercantil são constituídas sob a forma de sociedade anônima, 
devendo constar obrigatoriamente na sua denominação social a expressão "Arrendamento 
Mercantil", aplicando-se a elas no que couber, as mesmas condições estabelecidas para o 
funcionamento de instituições financeiras, previstas na Lei nº 4.595/64 e legislação posterior 
relativa ao SFN. 
 
São instituições que trabalham com operações de leasing. Esta operação assemelha-se a 
uma locação, tendo o cliente, ao final do contrato as opções de: 
 renová-la; 
 devolvê-lo à empresa; 
 adquirir o equipamento pelo valor residual. 
 
As operações passivas dessas sociedades são a emissão de debêntures, dívida externa, 
empréstimos e financiamentos de instituições financeiras. Suas operações ativas são 
constituídas por títulos da dívida pública, cessão de direitos creditórios e, principalmente, por 
operações de arrendamento mercantil de bens móveis, de produção nacional ou estrangeira, e 
bens imóveis adquiridos pela entidade arrendadora para fins de uso próprio do arrendatário. 
São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN 2.309, de 1996). 
Operam com operações de "leasing", ou seja, a locação de bens de forma que, no final do 
contrato, o locatário pode renovar o contrato, adquirir o bem por um valor residual ou devolver 
o bem locado à sociedade. Atualmente, tem sido comum operações de leasing em que o valor 
residual é pago de forma diluída ao longo do período contratual ou de forma antecipada, no 
início do período. As Sociedades de Arrendamento Mercantil captam recursos através da 
emissão de debêntures, com características de longo prazo. 
 
São sociedades que nasceram do reconhecimento de que o lucro de uma atividade produtiva 
pode advir da simples utilização do equipamento e não da sua propriedade. Em linhas gerais, 
a operação de leasing se assemelha a uma locação, tendo o cliente, ao final do contrato, as 
opções de renová-la, de adquirir o equipamento pelo valor residual fixado no contrato ou de 
devolvê-lo à empresa. 
 
São instituições cuja principal finalidade é o arrendamento de bens, os quais são adquiridos 
pela sociedade de arrendamento para uso pelo arrendatário, que irá ou não, conforme seus 
interesses, exercer a opção de compra e venda ao final do contrato de arrendamento. 
O leasing é uma forma de ter sem comprar, dentro do princípio de que o lucro vem da 
utilização do bem e não de sua propriedade. As empresas de leasing normalmente captam 
recursos por meio da emissão de debêntures, títulos que têm como cobertura o patrimônio da 
empresa que os emitiu, já que, sendo operações de longo prazo, para sua segurança exigem 
um funding também a longo prazo. 
Nos contratos de arrendamento mercantil, devem constar, obrigatoriamente, alguns dados 
mínimos, tais como: 
 a descrição dos bens que constituem o objeto do contrato, com todas as características que 
permitam sua perfeita identificação; 
 prazo de arrendamento; 
 valor das contraprestações ou fórmula de cálculo das contraprestações, bem como o 
critério para seu reajuste; 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
35 
 condições para o exercício, por parte da arrendatária, do direito de optar, depois de 
cumprido o prazo do arrendamento, pela renovação do contrato, pela devolução dos bens 
ou pela aquisição dos bens arrendados.As operações de leasing devem observar, obrigatoriamente, o prazo mínimo de 2 (dois) anos, 
quando se tratar de bens com vida útil igual ou inferior a 5 (cinco) anos, ou de 3 (três) anos, 
para o arrendamento de outros bens. 
 
Contrato de faturização (factoring) 
O factoring ou faturização – ou “fomento mercantil” – é o contrato pelo qual uma instituição 
financeira (faturizadora) se obriga a cobrar os devedores de um empréstimo (faturizado), 
prestando a este os serviços de administração de crédito. 
 
O factoring é um contrato é um contrato misto de compra e venda, desconto e cessão de 
crédito, pelo qual uma empresa vende a outra seu faturamento a prazo, total ou parcial, sem 
garantir o pagamento dos créditos transferidos, recebendo como preço valor menor que o 
daqueles, consistindo essa diferença em remuneração da empresa adquirente. 
 
O esquema do factoring desdobra-se, assim, em dois momentos. No primeiro o empresário 
cede seus créditos (representados por títulos) ao factor. No segundo, este último, em 
contrapartida, entrega ao cedente o valor dos títulos, descontada sua comissão e encargos, 
ocorrendo, portanto, um adiantamento sobre as vendas, um financiamento no ato da cessão – 
é o convencional factoring; ou, simplesmente, compromete-se a pagar os créditos cedidos nos 
respectivos vencimentos – é maturity factoring, deduzindo sua comissão. 
 
Entretanto, isso não é tudo. O faturizador assume os riscos do não pagamento; por isso 
mesmo tem o direito de selecionar os créditos que receberá, podendo, inclusive, aprovar 
previamente os negócios contratados pelo cedente. Também é comum que o factor realize 
todos os serviços, contábeis ou não, relativos aos créditos cedidos, inclusive resolvendo todas 
as questões relacionadas com os mesmos, como, por exemplo, entrega das mercadorias, 
abatimentos, dilações de prazo etc. 
 
Pessoas intervenientes 
Faturizador 
Faturizador é uma empresa sob a forma jurídica de companhia, com características mais 
acentuadas de instituição financeira uma vez que asa operações que realiza se aproximam 
mais do desconto bancário do que compra e venda mercantil. De certa forma, essa empresa 
compra o faturamento da empresa vendedora. 
 
Faturizado 
Faturizado é a empresa que vende ao faturizador o seu faturamento a prazo. É a sociedade 
empresária ou empresário individual autorizados a emitir duplicata. 
 
Devedor ou sacado 
É a pessoa que, inicialmente, comprou a prazo os produtos da empresa faturizada. 
 
Na faturização, as faturas representativas dos créditos do faturizado podem ser remetidas ao 
faturizador e por ele serem liquidadas no vencimento (maturity factoring) das mesmas ou, 
antes, do vencimento (faturização tradicional ou old factoring). 
 
Em síntese, tem-se que: 
 uma empresa, considerada instituição financeira, aqui, denominada faturizador ou factor; 
 adquire os ativos financeiros (títulos) de outra, chamada de faturizada ou aderente; 
 sem responsabilidade deste pela solvência do devedor ou sacado (cliente do faturizado); 
 por preço inferior aos créditos adquiridos; 
 de modo que o sacado, devidamente notificado, deverá pagar ao faturizador. 
 
Obrigações e direitos do faturizador 
São obrigações do faturizador: 
 pagar ao faturizado as importâncias relativas às faturas recebidas e 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
36 
 assumir o risco pelo não pagamento, por parte do devedor; 
Entre os direitos do faturizador, destaca-se o fato de ele poder recusar a aprovação de uma 
fatura apresentada; cobrar as faturas e deduzir sua remuneração das quantias pagas ao 
faturizado, conforme acordado. 
 
Obrigações e direitos do faturizado 
Principais obrigações e direitos do faturizado: suas obrigações são pagar ao faturizador as 
comissões relativas ao factoring, submeter ao faturizador as contas cujos créditos tenciona 
ceder, remeter as contas ao faturizador, da forma convencionada, prestar ao faturizador todas 
as informações, sobre clientes e sobre o recebimento dos créditos; seus direitos são, receber o 
pagamento das faturas conforme acordado, transferir faturas não aprovadas ao faturizador, 
para cobrança, agora na qualidade de mandatário do faturizado e receber do faturizador 
informações e assistência, para que as relações se mantenham amigáveis. 
 
Contrato de cartão de crédito 
Pelo contrato de cartão de crédito uma instituição financeira (emissora) se obriga perante uma 
pessoa física ou jurídica (titular) a pagar o crédito concedido a esta por um terceiro, empresário 
credenciado por aquela (fornecedor). O cartão de crédito, propriamente dito, é o documento 
pelo qual o titular prova, perante o fornecedor, a existência de contrato com a instituição 
financeira emissora, servindo também para a confecção da nota de venda, que é o instrumento 
de outorga do crédito pelo fornecedor ao titular. 
 
As instituições financeiras devem manter sigilo sobre estes contratos. 
 
O consumidor não está obrigado a conceder crédito a seus consumidores. 
 
Sociedades administradoras de cartão de crédito 
São sociedades que fazem a intermediação entre os agentes envolvidos. São muitas vezes 
ligadas a instituições bancárias, mas não são empresas financeiras, pois não têm autorização 
legal para atuar como financeira, não podendo, portanto, valerem-se das mesmas 
prerrogativas. São empresas prestadoras de serviços, que fazem a intermediação entre os 
portadores de cartões, os estabelecimentos afiliados e as bandeiras (Visa, Mastercard, 
American Express etc.) e as instituições financeiras. Para tanto, cobram dos usuários dos 
cartões anuidades e taxas de administração. As anuidades variam de acordo com o tipo de 
cartão, a bandeira e abrangência. 
 
Essas sociedades recebem dos estabelecimentos comerciais uma comissão pelo uso do 
cartão por parte dos usuários e repassam parte desta à instituição que o afiliou. As taxas de 
administração são cobradas sempre que há um financiamento ao usuário. Os principais 
termos técnicos utilizados neste segmento são: 
 Bandeira – é a marca do cartão, identifica a instituição que autoriza o emissor a gerar 
cartões em seu nome, ou seja com a sua marca. É responsável pelo sistema de 
compensação, pela aceitabilidade internacional do cartão e pelo suporte negocial, pesquisa 
e desenvolvimento tecnológico às administradoras. 
 Portador – é a pessoa física ou jurídica usuária do cartão. 
 Emissor – é a administradora vinculada a uma instituição financeira autorizada pela 
bandeira a emitir cartões de crédito com o seu nome, com o nome de terceiros ou cartões 
de afinidade. 
 Acquirer – é a administradora que pode afiliar estabelecimento ao sistema de cartões de 
crédito da bandeira da qual é associada. Esse tipo de administradora tem a função de 
gerenciar, pagar e dar manutenção aos estabelecimentos afiliados da bandeira. 
 Estabelecimento – é a loja ou prestadora de serviços que aceita os cartões de crédito de 
uma determinada bandeira, para pagamento de bens ou serviços. 
 Instituições financeiras – são os bancos autorizados pelas bandeiras a emitir o cartão. 
 Anuidade – é a comissão paga pelo estabelecimento à instituição que o afiliou pela 
utilização do cartão por parte do usuário. 
 Remuneração da garantia – trata-se de uma receita que a administradora cobra do 
portador do cartão quando as compras são financiadas. 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
37 
 Taxa de administração – toda vez que há um financiamento por parte do portador 
algumas administradoras cobram também uma taxa mensal. 
 
Cartão de crédito 
É um documento financeiro que dá a seu possuidor o direito de fazer compras em 
estabelecimentos comerciais, independentemente de pagamento imediato; o possuidor apenas 
assina a fatura correspondente à compra. A instituição financeira que emitiu ocartão se 
incumbe de pagar ao vendedor e cobrar a dívida do comprador, que é o possuidor do cartão, 
geralmente em parcelas mensais acrescidas de juros. A principal função econômica dos 
cartões de crédito é estimular o consumo. 
 
Cartão de crédito é aquele que disponibiliza um limite de crédito para aquisição de bens e 
serviços. As compras consolidadas em certo período são consolidadas em uma única fatura e 
cobradas. É opção do cliente o pagamento à vista dessa fatura, ou conforme contrato, 
financiá-la total ou parcialmente, com os devidos encargos. Além disso, são permitidos saques 
em espécie, para pagamento também no vencimento da fatura. (sobre o valor sacado incidirá 
cobrança de encargos). 
 
São cartões utilizados para compras a crédito. O consumidor adquire os produtos em 
estabelecimentos conveniados e, posteriormente, recebe a fatura para efetuar o pagamento de 
suas compras. De acordo com a data da compra e a do vencimento do cartão, o prazo 
decorrido entre a compra e o pagamento pode chegar até 40 dias. Os cartões podem servir 
tanto a pessoas físicas quanto a jurídicas e ser nacionais, quando têm validade restrita ao 
território nacional, ou internacionais, quando permitem compras no exterior em moeda 
estrangeira. 
 
Para os comerciantes, é um importante indutor de vendas, pela facilidade de uso e segurança 
nas transações, e podem servir de diferencial entre um estabelecimento conveniado e outro que 
não o aceita. Para seu possuidor, pode ser também um símbolo de status. Atualmente, com os 
baixos níveis de inflação, as administradoras de cartões de crédito e, às vezes os próprios 
comerciantes, permitem o parcelamento de compras sem custo adicional para o consumidor. 
 
Essa forma segura de liquidez, principalmente para os lojistas, funciona da seguinte forma: 
suponha que certo cliente deseja comprar um par de sapatos, vai então ao estabelecimento 
comercial e, entre as várias opções de vendas oferecidas pela vendedora a de que mais gostou 
custa R$ 200,00. Não querendo comprar à vista, faz uso do cartão de crédito. Assim, ele 
adquire o par de sapatos mediante a liberação feita pela administradora do cartão, certamente 
pelo seu saldo disponível no limite. 
 
Do ponto de vista da liquidez, o lojista não precisa se preocupar se o cliente irá ou não pagar o 
par de sapatos, pois quem fará o pagamento desse produto será a administradora do cartão, 
que creditará na conta do lojista o valor do par de sapatos diminuído de uma taxa de 
administração. Esse prazo para o crédito do lojista se dá em até 30 dias e a taxa de 
administração gira entre 5% e 8%. Nesse caso, deve o lojista ser creditado de um valor entre 
R$ 184,00 e R$ 190,00. 
 
Resumidamente, o cartão de crédito é uma identificação que possibilita o pagamento à vista de 
produtos e serviços, obedecendo a requisitos preestabelecidos como validade, abrangência, 
limite, valores etc. Foi criado com a finalidade de promover o mercado de consumo, facilitando 
as operações de compra. O cartão é usado como uma espécie de dinheiro virtual. É um 
importante mecanismo de pagamento funcionando como uma linha de crédito pré-aprovada, 
onde o usuário adquire à vista do fornecedor o bem pretendido e paga a certo termo à 
emissora do cartão, podendo, ou não, ainda ser parcelada. 
Essa operação é representada por um contrato complexo, envolvendo elementos de compra e 
venda, abertura de crédito e prestação de serviços. Assim, as partes envolvidas numa 
operação de cartão de crédito são o consumidor, a administradora do cartão e o fornecedor de 
produtos e serviços que integra a rede credenciada. 
 
Cartões de débito 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
38 
Os cartões de débito (Private Labels) são cartões utilizados para aquisição de bens ou 
serviços nos pontos de emissão específicos, normalmente lojas de departamentos ou qualquer 
outro ponto comercial. Tem como vantagem para o recebedor, a garantia de crédito 
previamente aprovado, e, para o usuário do cartão, o status de cliente preferencial. 
 
São cartões usados para saques em espécie e também no pagamento de transações 
comerciais, sendo que para cada saque ou pagamento acontece um débito em sua conta 
corrente ou poupança, pela quantia correspondente. Assim, no momento de uma compra ou 
de um saque, há necessidade de que se possua saldo disponível e/ou linha de crédito para 
que a transação seja concretizada. 
 
Nos estabelecimentos que possuem terminal eletrônico para sua utilização (dispositivo 
semelhante às máquinas de cartão de crédito) pode ser utilizado para efetuar os pagamentos à 
vista. A diferença entre esses terminais e os de cartão de crédito é que possuem um pequeno 
teclado para que o cliente possa ditar sua senha. 
 
Após efetuar o pagamento em geral as máquinas imprimem um recibo, que deve ser conferido 
e guardado pelo menos até que o lançamento apareça no extrato da conta. 
 
A grande vantagem dos cartões é a cobrança de juros sobre o saldo devedor, a partir do 
momento da compra. Entretanto, cada cartão pode ter o perfil desejado pelo comerciante e, 
assim, em alguns casos pode oferecer prazos, carências e até taxas mais baixas que as 
praticadas no mercado. Apesar disso, representam um estímulo ao consumo. 
 
Cartão múltiplo 
O cartão múltiplo é aquele que apresenta funcionalidade tanto de crédito quanto de débito. O 
cartão de um banco, por vezes, disponibiliza além da função crédito, a função débito, o que 
viabiliza nos estabelecimentos que possuem terminal eletrônico, que se possa utilizar para 
efetuar pagamentos à vista. 
Algumas administradoras oferecem outros serviços ao consumidor tais como crédito rotativo, 
contratação de financiamento para saldo devedor, seguros, saques em estabelecimentos 
bancários ou comerciais. Esses serviços são prestados por empresas vinculadas 
contratualmente à rede credenciada. Entretanto, as administradoras não são autorizadas pelas 
normas do Banco Central a “emprestarem dinheiro”, ou seja, financiar saques e compras a 
prazo para o consumidor. Sendo assim, recorrem às instituições financeiras, tomando 
empréstimos para saldar o débito cujos custos são repassados para o consumidor. 
O contrato de cartão de crédito é um contrato de adesão uma vez que suas cláusulas são 
estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor, sem que o consumidor possa discutir ou 
modificar substancialmente seu conteúdo. O pagamento feito com cartão é considerado 
pagamento à vista, portanto não pode o comerciante exigir diferença no valor da mercadoria 
quando pagamento feito com cartão. 
A rede credenciada no ato do pagamento com cartão de crédito, para segurança do sistema e 
do consumidor, deve checar as listagens fornecidas pelas empresas e tem ainda a obrigação 
de conferir a assinatura do consumidor, bem como solicitar a apresentação de documento 
pessoal que comprove a titularidade do usuário do cartão. 
O seguro de perda, furto ou roubo é opcional e não obrigatório, sendo oferecido pelas 
administradoras de cartões de crédito e garantido por uma seguradora. O seguro tem a 
finalidade de cobrir os saques e compras derivadas do uso indevido por terceiros. 
As opções de pagamento de uma fatura resumem-se em quatro: 
 o consumidor paga a fatura com o valor integral, na data de vencimento; 
 o consumidor pagará o valor discriminado como pagamento mínimo, que em média 
corresponde a 20% do valor integral da fatura e utiliza o chamado crédito rotativo; assim o 
consumidor estará financiando o saldo da diferença verificada entre o valor total da fatura e 
o valor pago; 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
39 
 o consumidor poderá ainda efetuar pagamento maior que o mínimo; nessa opção o 
saldo será acrescido dos encargos contratuais (taxas de financiamento) que serão 
cobrados na próxima fatura; 
 ao consumidorno ato da aquisição de produtos ou serviços, nos estabelecimentos filiados, 
é oferecida a opção de parcelar a compra. 
Os encargos por atraso que incidirem no cartão de crédito são a multa moratória, juros de mora 
e taxa de refinanciamento. 
 
Cartões de afinidade 
São cartões de crédito com um apelo especial de venda. O emissor formaliza um convênio 
com uma entidade escolhida e o cartão traz em sua estampa a logomarca, o nome ou outra 
identificação daquela entidade, de forma a sensibilizar seus simpatizantes a aderirem àquele 
cartão. Essas entidades podem ser clubes de futebol, associações, entidades assistenciais etc. 
Seu funcionamento é semelhante ao de um cartão de crédito tradicional. A entidade 
conveniada receberá uma comissão em função do volume de negócios realizados. 
 
Dinheiro de plástico 
As cédulas de plástico, produzidas pelo mesmo maquinário adotado na impressão das notas de 
papel, duram quatro vezes mais que as de papel. Além de serem recicláveis e não se 
rasgarem. Essas notas são mais caras de produzir, mas por durarem mais se tornam baratas. 
Estudos do Banco Central mostram que as notas de R$ 10 duram, em média, 14,7 meses, 
enquanto a cédula de plástico, perto de cinco anos. 
 
Outra vantagem destacada é que elas podem ser impressas com a chamada “janela”, ou seja, 
um detalhe do desenho da nota é transparente. Nesse detalhe, pode ser feito outra ilustração 
em alto relevo. Além de dificultar a falsificação, esse detalhe permite que as pessoas cegas 
possam saber que cédulas estão manuseando. 
 
A maior vantagem da cédula de plástico é que elas são difíceis de falsificar. No total de 600 
milhões de cédulas em circulação, no mundo, somente 200 unidades sofreram uma alteração 
grosseira. Depois de copiar as cédulas, os falsificadores cortaram um pedaço e substituíram a 
“janela” transparente por um pedaço de durex. 
 
Dinheiro de plástico é também a denominação popular dos cartões de crédito que, em 
determinadas circunstâncias substituem, com vantagem, a moeda legal, seja o papel-moeda ou 
os cheques. Com esses cartões, podem-se efetuar compras de pequeno valor, que serão 
faturadas somente após um período estabelecido. É uma denominação comum para uma série 
de produtos baseados no uso de cartões, seja de crédito ou de débito. São assim chamados 
pelo fato de se chamar de plástico, o objeto físico desses cartões. 
 
Normalmente, possuem uma tarja magnética em seu verso, onde trazem as informações 
necessárias para que sejam efetuadas as diversas transações disponíveis, sendo assim, 
chamados de cartões magnéticos. Permitem desde a obtenção de extratos bancários até a 
transferência eletrônica de fundos. Estão se transformando em cheques eletrônicos, com a 
diferença de terem custos menores e mais segurança do que os cheques tradicionais de papel. 
 
Hoje, existe uma série de alternativas de dinheiro de plástico, que facilita o dia-a-dia das 
pessoas e representa um enorme incentivo ao consumo. Essas alternativas compreendem os 
cartões magnéticos e os cartões de débito. 
 
Cartões magnéticos 
São os cartões utilizados para saques nos quiosques do banco 24 horas, apresentando como 
vantagem a eliminação da necessidade de o cliente ir a uma agência bancária. Não 
representam um estímulo ao consumo, na medida em que apenas permitem o saque, no 
presente, de valores já existentes na conta corrente do cliente. 
 
Eventualmente podem ser utilizados como moeda para pagamento em locais onde haja 
equipamentos que permitam a transferência eletrônica de fundos. Nesse caso, substituem, 
com vantagem, os cheques. Estão simbolizando verdadeiros cheques eletrônicos, com grande 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
40 
vantagem de redução de custos para os bancos e garantia de recebimento pelos 
estabelecimentos comerciais, rapidez na operação de venda e eliminação das consultas prévias 
sobre a saúde financeira dos clientes. 
Perguntas mais comuns sobre cartões de crédito são as seguintes: 
01) O que é cartão de crédito? 
É um serviço de intermediação que permite ao consumidor adquirir bens e serviços em 
estabelecimentos comerciais, previamente credenciados, mediante a comprovação de sua 
condição de usuário. Essa comprovação é, geralmente, realizada no ato da aquisição 
através da apresentação do cartão ao estabelecimento comercial. O cartão é emitido pelo 
prestador do serviço de intermediação, denominado de administradora de cartão de crédito. 
 
02) Como ocorrem as transações comerciais com o cartão de crédito? 
O estabelecimento comercial registra a transação com o uso de máquinas mecânicas ou 
informatizadas, fornecidas pela administradora do cartão de crédito, gerando um débito 
para o usuário ou consumidor a favor da administradora e um crédito para o fornecedor do 
bem ou serviço contra a administradora, de acordo com o contrato firmado entre si. 
Periodicamente, a administradora do cartão de crédito emite e apresenta a fatura ao 
usuário ou consumidor, com a relação e o valor das compras efetuadas no período. 
 
03) Qual a relação estabelecida entre o consumidor e a empresa que emitiu o cartão? 
A empresa emitente do cartão, de acordo com o contrato firmado com o consumidor, fica 
responsável pelo pagamento das aquisições feitas por ele com o uso do cartão, até o valor 
limite combinado. 
 
04) Qual é a relação existente entre a empresa emitente do cartão e o fornecedor de bens e 
serviços? 
A empresa emitente do cartão, também de acordo com o contrato firmado com o 
fornecedor de bens e serviços, fica responsável, diretamente ou por meio de empresas 
especializadas, pelo pagamento das aquisições efetuadas pelo usuário do cartão de 
crédito. 
 
05) Qual a relação entre o consumidor e o fornece-dor de bens e serviços? 
A relação entre o consumidor e o fornecedor não se altera pela forma de pagamento, sendo 
mantida a característica de um contrato escrito ou não, de compra e venda ou de prestação 
de serviços. 
 
06) O Banco Central autoriza ou fiscaliza o funcionamento das empresas administradoras de 
cartão de crédito? 
Não. O Banco Central supervisiona somente as instituições financeiras e assemelhadas. 
Ele não autoriza nem fiscaliza o funcionamento dessas empresas. 
 
07) Qual a relação entre empresas administradoras de cartão de crédito e instituições 
financeiras? 
Quando o usuário do cartão de crédito opta por não pagar total a fatura mensal, as 
instituições financeiras são as únicas que podem conceder financiamentos para a quitação 
desse débito junto a empresa administradora. 
É importante esclarecer que as operações realizadas pelas instituições financeiras, inclu-
sive o financiamento referido aos usuários para o pagamento da fatura mensal, estão 
sujeitas à legislação própria e às normas editadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo 
Banco Central. 
 
08) O banco ou empresas administradoras de cartões de crédito pode enviar algum cartão de 
crédito que o cliente não tenha solicitado? 
Caso alguma empresa ou banco lhe envie algum cartão de crédito sem a sua prévia 
autorização, você tem todo o direito de não utilizar o cartão e, neste caso, você fica 
desobrigado do pagamento de anuidades e/ou outras despesas. Enviar um cartão de 
crédito sem prévia solicitação do consumidor é uma prática considerada abusiva, prevista 
no Código de Defesa do Consumidor. 
 
09) Devo informar dados pessoais por telefone? 
Não é recomendável fornecer dados pessoais e/ou senha por telefone, mesmo que a 
pessoa se apresente como funcionária da administradora de cartão de crédito. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
41 
10) Vale a pena ter vários cartões de crédito? 
O cartão de crédito é prático, tem inúmeras vantagens, mas é um serviço pago. Portanto, o 
consumidor deve avaliar qual a real necessidade de ter vários cartões,pois estará pagando 
por este serviço que se chama anuidade. 
 
Contrato de seguro 
O contrato de seguro está elencado do art. 757 ao 802 do Código Civil de 2002. 
O seguro é o contrato em que a sociedade seguradora se obriga, mediante o pagamento do 
prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, contra riscos predeterminados, relativos à 
pessoa ou à coisa. Essa garantia se materializa, em pagar ao segurado, ou a terceiros 
beneficiários, determinada quantia, caso ocorra evento futuro e incerto. 
 
Ressalta-se o fato de que somente pode ser parte, no contrato de seguro, como segurador, 
entidade para tal fim legalmente autorizada. 
 
Trata-se, de instrumento de socialização de riscos, em que os segurados contribuem para a 
instituição de um fundo, destinado a cobrir os prejuízos que alguns deles provavelmente irão 
sofrer. Pela atividade securitária, esses prejuízos previsíveis não são suportados 
individualmente, apenas pelo titular do interesse diretamente atingido, mas são distribuídos 
entre diversos segurados. Essa característica é denominada mutualidade. 
 
Apólice de seguro 
A apólice de seguro representa a garantia do risco. Por essa razão, diz-se que o contrato de 
seguro prova-se com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro, e, na falta deles, por 
documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio. 
 
A emissão da apólice deverá ser precedida de proposta escrita com a declaração dos 
elementos essenciais do interesse a ser garantido e do risco. 
 
A apólice ou o bilhete de seguro serão nominativos, à ordem ou ao portador, e mencionarão os 
riscos assumidos, o início e o fim de sua validade, o limite da garantia e o prêmio devido, e, 
quando for o caso, o nome do segurado e o do beneficiário. Entretanto, no seguro de pessoas, 
a apólice ou o bilhete não podem ser ao portador. 
 
Quando o risco for assumido em cosseguro, a apólice indicará o segurador que administrará o 
contrato e representará os demais, para todos os seus efeitos. 
Nulo será o contrato para garantia de risco proveniente de ato doloso do segurado, do 
beneficiário, ou de representante de um ou de outro. 
 
Prêmio de seguro 
Prêmio é a remuneração que se estipula ao interesse segurável, o qual deve ser pago pelo 
segurado em parcela único ou em prestações. 
 
Pela análise do risco apresentado na proposta de seguro, a seguradora calcula e cobra o 
prêmio na proporção do risco que aceitou. Entretanto, salvo disposição especial, o fato de se 
não ter verificado o risco, em previsão do qual se faz o seguro, não exime o segurado de pagar 
o prêmio. 
 
O prêmio, no seguro de vida, será conveniado por prazo limitado, ou por toda a vida do 
segurado. 
 
Em qualquer hipótese, no seguro individual, o segurador não terá ação para cobrar o prêmio 
vencido, cuja falta de pagamento, nos prazos previstos, acarretará, conforme se estipular, a 
resolução do contrato, com a restituição da reserva já formada, ou a redução do capital 
garantido proporcionalmente ao prêmio pago. 
 
Sistema Nacional de Seguros Privados 
O Sistema Nacional de Seguro Privado é integrado pelo Conselho Nacional de Seguro Privado 
(CNSP), pela Superintendência de Seguros Privado (Susep), pelo IRB Instituto de Resseguros 
do Brasil S.A., pelas sociedades seguradoras e pelos corretores de seguros. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
42 
O CNSP se incumbe de traçar a política geral de seguros, funcionamento e fiscalização das 
seguradoras, de fixar as características gerais dos contratos de seguro, aplicar sanções legais, 
normatizar as operações securitárias. 
 
A Susep é uma autarquia voltada para a execução da política definida pelo CNPS. A Susep é 
o órgão regulamentador, autoriza e fiscaliza a atuação das companhias de seguro e das 
corretoras de seguro. Nenhuma empresa poderá atuar no ramo de seguros sem a devida 
autorização da Susep. 
 
O IRB Brasil Resseguros S.A é uma sociedade de economia mista com capital representado 
por ações titularizadas, metade pela união e metade pela seguradoras. O IRB é o órgão 
ressegurador. As empresas seguradoras têm liberdade de agir até o seu Limite Técnico. O que 
exceder a esse limite deve ser ressegurado. (É o seguro do seguro). 
 
O funcionamento das seguradoras deve estar autorizado pelo governo federal. Admitem-se 
como seguradoras apenas sociedades anônimas e cooperativas, sendo que as cooperativas 
devem operar com seguros agrícolas ou de acidente de trabalho. 
 
Os fundadores de sociedade seguradora devem requerer a autorização para funcionamento no 
CNSP, depois devem comprovar junto à Susep, nos 90 dias seguintes ao atendimento das 
formalidades de constituição e de eventuais exigências. Na seqüência será expedita a carta-
patente. A sociedade não pode falir, a pedido de credor, deve possuir o capital mínimo 
estipulado pelo CNSP e a alteração de seu estatuto só terá eficácia após a aprovação pelo 
governo federal. 
 
Os corretores de seguro são pessoas físicas ou jurídicas. O exercício dessa profissão é 
fiscalizado pela Susep, que procede à habilitação e registro dos corretores. 
 
Natureza do Contrato de Seguro 
O seguro é contrato de adesão, comutativo e consensual. De acordo com a legislação, o 
contrato de seguro representa a obrigação do segurador, cobrir o risco do segurado, e do 
segurado, pagar ao segurador, um prêmio. Caso ocorra um sinistro, haverá a indenização ao 
segurado, de acordo com os limites e demais condições estabelecidos na apólice. 
 
De acordo com o Direito Civil, pode-se classificar o contrato de seguro, em face da sua 
natureza jurídica como: bilateral, oneroso, aleatório, formal, nominado, de adesão. 
 
a) Bilateral 
Porque obriga as partes: o segurado e o segurador. Se uma não cumprir uma sua obrigação no 
Contrato, desobriga a outra. O contrato de Seguro é regido por cláusulas e demais condições 
contratuais estabelecidas entre as partes contratantes, e é inserido na apólice, instrumento que 
efetiva o negócio jurídico do seguro. 
 
b) Oneroso 
Porque implica desembolsos para as partes: segurado (paga o prêmio) e segurador (paga a 
indenização e outras despesas). As vantagens econômicas é que o segurado transfere o risco 
ao segurador desembolsando o prêmio e o segurador, por sua vez, indeniza nos casos de 
ocorrência de riscos previstos e cobertos, além de efetuar desembolsos de ordem 
administrativa e operacional. 
 
c) Aleatório 
Porque o segurador assume a obrigação de indenizar o segurado por um evento (risco) futuro 
que pode ou não acontecer. 
 
d) Formal 
Pode ser na medida em que para prova, a lei obriga a que esteja formalizada, na apólice ou no 
bilhete de seguro. Há, no entanto, correntes que o consideram simplesmente consensual, 
considerando que as formalidades em questão são decorrentes do acordo de vontades. Essa 
segunda corrente tende a evoluir na medida em que, cada vez mais, são simplificados os 
instrumentos do contrato de seguro e em razão da aceitação de outros meios de prova, 
admitidos na realização do mesmo. 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
43 
 
e) Nominado 
Porque é estabelecido por lei. Os elementos jurídicos do contrato de seguro são 
regulamentados pelo Código Civil, Código Comercial e o Código de Proteção e Defesa do 
Consumidor. 
 
f) De adesão 
O segurado adere as condições da apólice, que são padronizadas e aprovadas pelos órgãos 
públicos encarregados da legislação e regulação dos seguros. As condições gerais e 
especiais, são impressas na apólice. Já as condições especiais ou modificações posteriores ao 
contrato de seguro, constam em alterações em instrumentos chamados aditivos ou endossos. 
 
Obrigações do segurado 
Celebrando o seguro, a seguradora assume a obrigação de garantir o interesse do segurado 
contra os riscos indicados em contrato. 
 
Juridicamente, o prêmioé considerado a principal obrigação do segurado. Sem o pagamento 
do prêmio não se pode exigir que a seguradora cumpra suas obrigações estipuladas no 
contrato de seguro, entre elas a de indenizar quando da ocorrência do sinistro. O contrato deve 
fixar datas de pagamento; o atraso dessa obrigação tem por conseqüência, a fluência de juros 
e correção monetária previstos em contrato. Caso ocorra o sinistro e o segurado esteja em 
mora no pagamento do prêmio, ele não terá, então, direito à indenização, se ocorrer o sinistro 
antes da purgação. Sendo assim, ele não pode cobrar da seguradora o pagamento do valor 
previsto em contrato, pois não terá direito de receber. 
 
O segurado perderá o direito à garantia se agravar intencionalmente o risco objeto do contrato. 
Dessa maneira, o agravamento do risco prejudica a seguradora. O agravamento do risco por 
culpa do segurado desobriga a seguradora do pagamento da indenização. 
 
O segurado não pode praticar qualquer ato ilícito porquanto acarreta a nulidade do contrato e a 
perda do direito indenizatório, como prevê o artigo 1436 do Código Civil. 
 
O segurado é obrigado a comunicar ao segurador, logo que saiba, todo incidente suscetível de 
agravar consideravelmente o risco coberto, sob pena de perder o direito à garantia, se provar 
que silenciou de má-fé. Nesse caso, cabe ao segurador, desde que faça nos quinze dias 
seguintes ao recebimento do aviso da agravação do risco sem culpa do segurado, dar-lhe 
ciência, por escrito, de sua decisão de resolver o contrato. 
 
Ressalta-se o fato de que a resolução só será eficaz trinta dias após a notificação, devendo ser 
restituída pelo segurador a diferença do prêmio. 
 
Também, sob pena de perder o direito à indenização, o segurado participará o sinistro ao 
segurador, logo que o saiba, e tomará as providências imediatas para minorar-lhe as 
conseqüências. 
 
O segurado que, na vigência do contrato, pretender obter novo seguro sobre o mesmo 
interesse, e contra o mesmo risco junto a outro segurador, deve previamente comunicar sua 
intenção por escrito ao primeiro, indicando a soma por que pretende segurar-se, a fim de se 
comprovar a obediência ao disposto no art. 778, que afirma: “Nos seguros de dano, a garantia 
prometida não pode ultrapassar o valor do interesse segurado no momento da conclusão do 
contrato, sob pena do disposto no art. 766, e sem prejuízo da ação penal que no caso couber”. 
 
Se o segurado, por si ou por seu representante, fizer declarações inexatas ou omitir 
circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, perderá o 
direito à garantia, além de ficar obrigado ao prêmio vencido. Entretanto, se a inexatidão ou 
omissão nas declarações não resultar de má-fé do segurado, o segurador terá direito a 
resolver o contrato, ou a cobrar, mesmo após o sinistro, a diferença do prêmio. 
 
Obrigações da seguradora 
Celebrando o seguro, a seguradora assume a obrigação de garantir o interesse do segurado 
contra os riscos indicados em contrato. 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
44 
 
O segurador é obrigado a pagar em dinheiro o prejuízo resultante do risco assumido, salvo se 
convencionada a reposição da coisa, correndo por sua conta, até o limite fixado no contrato, as 
despesas de salvamento conseqüente ao sinistro. 
 
A mora do segurador em pagar o sinistro obriga à atualização monetária da indenização devida 
segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, sem prejuízo dos juros moratórios. 
 
O segurador que, ao tempo do contrato, sabe estar passado o risco de que o segurado se 
pretende cobrir, e, não obstante, expede a apólice, pagará em dobro o prêmio estipulado. 
 
Interesse segurado 
O interesse segurado diz respeito ao que se pretende assegurar. Sendo assim, diz-se que 
há duas espécies de seguro: o de coisas também denominado seguro de dano e o de 
pessoas, votado para a vida ou acidentes pessoais com morte ou sem ela. 
 
Seguro de dano 
O seguro de dano diz respeito ao seguro do patrimônio, o qual deve ser assegurado pelo seu 
valor econômico. Sendo assim, nesse tipo de seguro, o segurado contrata uma seguradora, 
para assegurar a recomposição de seu patrimônio, caso venha a ser atingido por sinistro. A 
liquidação do seguro não pode ser meio de enriquecimento, mas apenas reposição de perdas. 
Portanto a indenização não pode ultrapassar o valor do interesse segurado no momento do 
sinistro, e, em hipótese alguma, o limite máximo da garantia fixado na apólice, salvo em caso 
de mora do segurador. 
 
É o contrato pelo qual se transfere o risco de determinado bem para outra pessoa mediante o 
pagamento de um preço, denominado prêmio. Assim, diz-se que o objeto do contrato de 
seguro é transferir o risco do bem para outra pessoa. 
 
Nos seguros de dano, a garantia prometida não pode ultrapassar o valor do interesse segurado 
no momento da conclusão do contrato, sob pena do disposto no art. 766, e sem prejuízo da 
ação penal que no caso couber. 
O art. 766 afirma que se o segurado, por si ou por seu representante, fizer declarações 
inexatas ou omitir circunstâncias que possam influir na aceitação da proposta ou na taxa do 
prêmio, perderá o direito à garantia, além de ficar obrigado ao prêmio vencido. 
 
O risco do seguro compreenderá todos os prejuízos resultantes ou conseqüentes, como sejam 
os estragos ocasionados para evitar o sinistro, minorar o dano, ou salvar a coisa. 
 
Em se tratando de coisas transportadas, a vigência da garantia começa no momento em que 
são pelo transportador, recebidas, e cessa com a sua entrega ao destinatário. 
 
Salvo disposição em contrário, o seguro de um interesse por menos do que valha acarreta a 
redução proporcional da indenização, no caso de sinistro parcial. 
 
Não se inclui na garantia o sinistro provocado por vício intrínseco da coisa segurada, não 
declarado pelo segurado; entendendo-se por vício intrínseco o defeito próprio da coisa, que se 
não encontra normalmente em outras da mesma espécie. 
 
Salvo disposição em contrário, admite-se a transferência do contrato a terceiro com a 
alienação ou cessão do interesse segurado. Entretanto se o instrumento contratual é 
nominativo, a transferência só produz efeitos em relação ao segurador mediante aviso escrito 
assinado pelo cedente e pelo cessionário. Por outro lado, a apólice ou o bilhete à ordem só se 
transfere por endosso em preto, datado e assinado pelo endossante e pelo endossatário. 
 
Paga a indenização, o segurador sub-roga-se, nos limites do valor respectivo, nos direitos e 
ações que competirem ao segurado contra o autor do dano. Todavia, à exceção de dolo, a 
sub-rogação não tem lugar se o dano foi causado pelo cônjuge do segurado, seus 
descendentes ou ascendentes, consanguíneos ou afins, sendo ineficaz qualquer ato do 
segurado que diminua ou extinga, em prejuízo do segurador, os direitos que lhes são 
garantidos nesse caso. 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
45 
 
No seguro de responsabilidade civil, o segurador garante o pagamento de perdas e danos 
devidos pelo segurado a terceiro, observando-se que: 
 tão logo saiba o segurado das conseqüências de ato seu, suscetível de lhe acarretar a 
responsabilidade incluída na garantia, comunicará o fato ao segurador; 
 é defeso ao segurado reconhecer sua responsabilidade ou confessar a ação, bem como 
transigir com o terceiro prejudicado, ou indenizá-lo diretamente, sem anuência expressa do 
segurador; 
 intentada a ação contra o segurado, dará este ciência da lide ao segurador; 
 subsistirá a responsabilidade do segurado perante o terceiro, se o segurador for insolvente. 
 
Nos seguros de responsabilidade legalmente obrigatórios, a indenização por sinistro será paga 
pelo segurador diretamente ao terceiro prejudicado, demandado em ação direta pela vítima do 
dano, eo segurador não poderá opor a exceção de contrato não cumprido pelo segurado, sem 
promover a citação deste para integrar o contraditório. 
 
Seguro de pessoa 
O objetivo é garantir ao segurado ou a seus beneficiários, o pagamento de uma indenização 
em decorrência de um acidente pessoal sofrido pelo segurado, que gere a morte ou invalidez 
permanente total ou parcial, ou ainda tenha necessidade de se submeter a tratamento médico 
em função do acidente. 
 
Nos seguros de pessoas, o capital segurado é livremente estipulado pelo proponente, que 
pode contratar mais de um seguro sobre o mesmo interesse, com o mesmo ou diversos 
seguradores. 
 
No seguro sobre a vida de outros, o proponente é obrigado a declarar, sob pena de falsidade, o 
seu interesse pela preservação da vida do segurado, de sorte que até prova em contrário, 
presume-se o interesse, quando o segurado é cônjuge, ascendente ou descendente do 
proponente. 
 
Se o segurado não renunciar à faculdade, ou se o seguro não tiver como causa declarada a 
garantia de alguma obrigação, é lícita a substituição do beneficiário, por ato entre vivos ou de 
última vontade, cabendo ao segurador, que não for cientificado oportunamente da substituição, 
desobrigar-se, mediante o pagamento do capital segurado ao antigo beneficiário. 
 
Na falta de indicação da pessoa ou beneficiário, ou se por qualquer motivo não prevalecer a 
que for feita, o capital segurado será pago por metade ao cônjuge não separado judicialmente, 
e o restante aos herdeiros do segurado, obedecida a ordem da vocação hereditária. Assim, na 
falta das pessoas indicadas acima, serão beneficiários os que provarem que a morte do 
segurado os privou dos meios necessários à subsistência. 
 
É válida a instituição do companheiro como beneficiário, se ao tempo do contrato o segurado 
era separado judicialmente, ou já se encontrava separado de fato. 
 
No seguro de vida ou de acidentes pessoais para o caso de morte, o capital estipulado não 
está sujeito às dívidas do segurado, nem se considera herança para todos os efeitos de direito. 
 
É nula, no seguro de pessoa, qualquer transação para pagamento reduzido do capital 
segurado. 
 
No seguro de vida para o caso de morte, é lícito estipular-se um prazo de carência, durante o 
qual o segurador não responde pela ocorrência do sinistro. Entretanto o segurador é obrigado 
a devolver ao beneficiário o montante da reserva técnica já formada. 
 
O beneficiário não tem direito ao capital estipulado quando o segurado se suicida nos primeiros 
dois anos de vigência inicial do contrato, ou da sua recondução depois de suspenso, 
observado o disposto no parágrafo acima. Ressalta-se também que ressalvada a hipótese 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
46 
prevista nesse parágrafo, é nula a cláusula contratual que exclui o pagamento do capital por 
suicídio do segurado. 
 
O segurador não pode eximir-se ao pagamento do seguro, ainda que da apólice conste a 
restrição, se a morte ou a incapacidade do segurado provier da utilização de meio de 
transporte mais arriscado, da prestação de serviço militar, da prática de esporte, ou de atos de 
humanidade em auxílio de outrem. 
 
Nos seguros de pessoas, o segurador não pode sub-rogar-se nos direitos e ações do 
segurado, ou do beneficiário, contra o causador do sinistro. 
 
O seguro de pessoas pode ser estipulado por pessoa natural ou jurídica em proveito de grupo 
que a ela, de qualquer modo, se vincule. Aqui, destaca-se o fato de que o estipulante não 
representa o segurador perante o grupo segurado, e é o único responsável, para com o 
segurador, pelo cumprimento de todas as obrigações contratuais. E a modificação da apólice 
em vigor dependerá da anuência expressa de segurados que representem três quartos do 
grupo. 
 
Seguro saúde 
Há duas modalidades de plano privado de assistência à saúde. A primeira é a contratada com 
operadora de plano de assistência à saúde que presta, diretamente ou por terceiros, serviços 
médicos hospitalares ou odontológicos aos seus consumidores. A Segunda é o seguro-saúde, 
em que a operadora não presta serviço desta natureza aos seus consumidores, mas, como 
seguradora, oferece-lhes a garantia contra riscos associados à saúde. 
 
Nas duas modalidades, a operadora deve administrar empresarialmente os recursos de que 
têm a disponibilidade com vistas a manter-se em condições econômicas, financeiras e 
patrimoniais aptas ao pleno atendimento das obrigações contraídas perante os consumidores. 
Essa atividade empresarial é fiscalizada pelo governo, através de uma autarquia especializada, 
a Agência Nacional de Saúde. 
 
Considerações finais sobre seguros 
O segurado e o segurador são obrigados a guardar na conclusão e na execução do contrato, a 
mais estrita boa-fé e veracidade, tanto a respeito do objeto como das circunstâncias e 
declarações a ele concernentes. 
 
No seguro à conta de outrem, o segurador pode opor ao segurado quaisquer defesas que 
tenha contra o estipulante, por descumprimento das normas de conclusão do contrato, ou de 
pagamento do prêmio. 
 
Salvo disposição em contrário, a diminuição do risco no curso do contrato não acarreta a 
redução do prêmio estipulado; mas, se a redução do risco for considerável, o segurado poderá 
exigir a revisão do prêmio, ou a resolução do contrato. 
 
A recondução tácita do contrato pelo mesmo prazo, mediante expressa cláusula contratual, 
não poderá operar mais de uma vez. 
Os agentes autorizados do segurador presumem-se seus representantes para todos os atos 
relativos aos contratos que agenciarem. 
 
Contrato de depósito 
É o contrato segundo o qual uma pessoa confia a outra a guarda de um objeto móvel, cabendo 
à segunda a obrigação de restituí-lo, quando reclamado. 
 
As pessoas intervenientes nesse tipo de contrato são o depositante – pessoa que entrega a 
coisa e o depositário – pessoa que recebe e guarda a coisa. 
 
Entre as características desse tipo de contrato, destacam-se: 
 a entrega da coisa; 
 a coisa deve ser devolvida ao depositante quando reclamada. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
47 
Entre as espécies de depósito, destaca-se o depósito voluntário, o depósito necessário e o 
depósito judicial. 
Detalhando cada um dos tipos de depósitos acima elencados, tem-se o estudo que segue. 
 
Depósito voluntário 
Esse tipo de depósito está elencado nos artigos 627 a 646 do Código Civil de 2002. 
O depósito voluntário ou convencional é aquele que é feito mediante o acordo de vontade de 
ambas as partes. Assim, pelo contrato de depósito recebe o depositário um objeto móvel, para 
guardar, até que o depositante o reclame. 
 
O contrato de depósito é gratuito, exceto se houver convenção em contrário, se resultante de 
atividade negocial ou se o depositário o praticar por profissão. 
 
Ressalta-se que se o depósito for oneroso e a retribuição do depositário não constar de lei, 
nem resultar de ajuste, será determinada pelos usos do lugar, e, na falta destes, por 
arbitramento. 
 
Se o depósito se entregou fechado, colado, selado, ou lacrado, nesse mesmo estado se 
manterá. 
De acordo com o Código Civil, prova-se o depósito voluntário por escrito. 
 
Obrigações do depositário 
O depositário é obrigado a ter na guarda e conservação da coisa depositada o cuidado e 
diligência que costuma com o que lhe pertence, bem como a restituí-la, com todos os frutos e 
acrescidos, quando o exija o depositante. 
 
O depositário, que por força maior houver perdido a coisa depositada e recebido outra em seu 
lugar, é obrigado a entregar a segunda ao depositante, e ceder-lhe as ações que no caso tiver 
contra o terceiro responsável pela restituição da primeira. 
 
O herdeiro do depositário, que de boa-fé vendeu a coisa depositada, é obrigado a assistir o 
depositante na reivindicação, e a restituirao comprador o preço recebido. 
 
Salvo os casos previstos nos arts. 633 e 634, não poderá o depositário furtar-se à restituição 
do depósito, alegando não pertencer a coisa ao depositante, ou opondo compensação, exceto 
se noutro depósito se fundar. 
 
Sendo dois ou mais depositantes, e divisível a coisa, a cada um só entregará o depositário a 
respectiva parte, salvo se houver entre eles solidariedade. 
 
Sob pena de responder por perdas e danos, não poderá o depositário, sem licença expressa 
do depositante, servir-se da coisa depositada, nem a dar em depósito a outrem. 
Se o depositário, devidamente autorizado, confiar a coisa em depósito a terceiro, será 
responsável se agiu com culpa na escolha deste. 
 
Por fim, o depositário não responde pelos casos de força maior; mas, para que lhe valha a 
escusa, terá de prová-los. 
 
Obrigações do depositante 
O depositante é obrigado a pagar ao depositário as despesas feitas com a coisa, e os prejuízos 
que do depósito provierem. 
 
Restituição da coisa depositada 
Salvo disposição em contrário, a restituição da coisa deve dar-se no lugar em que tiver de ser 
guardada. As despesas de restituição correm por conta do depositante. 
 
Se a coisa houver sido depositada no interesse de terceiro, e o depositário tiver sido 
cientificado deste fato pelo depositante, não poderá ele exonerar-se restituindo a coisa a este, 
sem consentimento daquele. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
48 
Ainda que o contrato fixe prazo à restituição, o depositário entregará o depósito logo que se 
lhe exija, salvo se tiver o direito de retenção a que se refere o art. 644, se o objeto for 
judicialmente embargado, se sobre ele pender execução, notificada ao depositário, ou se 
houver motivo razoável de suspeitar que a coisa foi dolosamente obtida. Nesse caso, o 
depositário, expondo o fundamento da suspeita, requererá que se recolha o objeto ao Depósito 
Público. 
 
Art. 644. O depositário poderá reter o depósito até que se lhe pague a retribuição devida, o 
líquido valor das despesas, ou dos prejuízos, provando imediatamente esses prejuízos ou 
essas despesas. Entretanto se essas dívidas, despesas ou prejuízos não forem provados 
suficientemente, ou forem ilíquidos, o depositário poderá exigir caução idônea do depositante 
ou, na falta desta, a remoção da coisa para o Depósito Público, até que se liquidem. 
 
O depósito de coisas fungíveis, em que o depositário se obrigue a restituir objetos do mesmo 
gênero, qualidade e quantidade, regular-se-á pelo disposto acerca do mútuo. 
 
Depósito necessário 
Esse tipo de depósito está abordado nos artigos 647 a 652 do Código Civil de 2002. 
De acordo com o Código Civil, é depósito necessário: 
I) o que se faz em desempenho de obrigação legal; 
II) o que se efetua por ocasião de alguma calamidade pública, como o incêndio, a inundação, o 
naufrágio ou o saque. 
 
O depósito necessário é regido pela disposição da respectiva lei, e, no silêncio ou deficiência 
dela, pelas concernentes ao depósito voluntário. 
 
Ao depósito necessário, equipar-se o das bagagens dos viajantes ou hóspedes nas 
hospedarias onde estiverem. Assim, os hospedeiros responderão como depositários, assim 
como pelos furtos e roubos que perpetrarem as pessoas empregadas ou admitidas nos seus 
estabelecimentos. 
 
Cessa a responsabilidade dos hospedeiros, nos casos em que provarem que os fatos 
prejudiciais aos viajantes ou hóspedes não podiam ter sido evitados. 
 
O depósito necessário não se presume gratuito. Na hipótese da bagagem de hóspede a 
remuneração pelo depósito está incluída no preço da hospedagem. 
 
Seja o depósito voluntário ou necessário, o depositário que não o restituir quando exigido será 
compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano, e ressarcir os prejuízos. 
 
Depósito judicial 
Quando por motivo plausível o depositário não quer guardar a coisa e o depositante não a quer 
receber. 
 
Ao depositário será facultado, outrossim, requerer depósito judicial da coisa, quando, por 
motivo plausível, não a possa guardar, e o depositante não queira recebê-la. 
 
Se o depositário se tornar incapaz, a pessoa que lhe assumir a administração dos bens 
diligenciará imediatamente restituir a coisa depositada e, não querendo ou não podendo o 
depositante recebê-la, recolhê-la-á ao Depósito Público ou promoverá nomeação de outro 
depositário. 
 
Considerações sobre depósito 
Seguem-se, aqui, alguns exemplos de organizações que trabalham com depósitos. 
 
Trapiche 
É o mesmo que armazém de depósito, mas situado na beira-mar, na margem de enseadas, 
portos ou ancoradouros, destinado a receber mercadorias importadas ou a exportar. 
 
Entreposto 
Lugar onde mercadorias sujeitas ao pagamento de impostos federais são depositadas por 
certo espaço de tempo. 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
49 
 
Armazéns Gerais 
São empresas mercantis que têm por finalidade a guarda e conservação de mercadorias, com 
a faculdade de emissão, quando requerida de títulos especiais que os representam e que 
poderão circular conjunta ou separadamente, mediante endosso dos seus proprietários. 
 
 
Contratos bancários 
Os contratos bancários são os destinados à intermediação do crédito por meio de operações 
típicas que envolvem aqueles que emprestam dinheiro, e aqueles que o tomam emprestado. 
 
Principais características: a) uma das partes deve ser, necessariamente, um banco; b) o 
objetivo do contrato é a intermediação de crédito; c) os contratos são sigilosos. 
 
As operações bancárias são costumeiramente divididas pela doutrina em típicas e atípicas. 
São típicas as relacionadas com o crédito e atípicas as prestações de serviços acessórios aos 
clientes, como a locação de cofres ou a custódia de valores. As operações típicas se dividem 
em passivas (em que o banco assume a posição de devedor da obrigação principal, como, por 
exemplo: depósito bancário, conta corrente bancária e a aplicação financeira – são os contratos 
que têm a função econômica de captação dos recursos de que necessita o banco para o 
desenvolvimento de sua atividade) e ativas (em que o banco assume a posição de credor da 
obrigação principal, como, por exemplo: mútuo bancário, desconto, abertura de crédito. 
 
Além das operações ativas e passivas, existem outras operações, denominadas acessórias, 
tais como ordens de pagamento, cheques de viagens, cobrança de títulos recebimentos de 
terceiros etc. 
 
Bancos são empresas publicas ou privadas que têm por finalidade realizar a mobilização do 
crédito, principalmente mediante o recebimento, em depósito, de capitais de terceiros; e o 
empréstimo de importâncias, em seu próprio nome, aos que necessitam de capital. Como se 
observa, sua função econômica é a mobilização do crédito em benefício do desenvolvimento 
das atividades socioeconômicas, conforme disposições emanadas das autoridades monetárias 
do Sistema Financeiro Nacional – SFN. 
 
O Sistema Financeiro Nacional é formado por um conjunto de instituições financeiras voltadas 
para a gestão da política monetária do governo, sob a orientação do Conselho Monetário 
Nacional. 
 
Instituições Financeiras são pessoas jurídicas públicas ou privadas que tenham como atividade 
principal ou acessória a coleta, a intermediação ou a aplicação de recursos financeiros próprios ou 
de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira e custódia de valor de propriedade de terceiros. 
 
Geralmente, as operações ativas acontecem por meio de avisos de crédito, as passivas por 
meio de crédito em conta. 
 
Os múltiplos produtos e serviços que um banco disponibiliza para seus clientes geram também 
vários tipos ou modalidades de contratos. Como exemplo, têm-se: os empréstimos; 
financiamentos, os descontos, a abertura de crédito, o cheque especial, o depósito bancárioetc. 
 
Desconto 
É um contrato através do qual uma pessoa recebe do banco determinada soma de dinheiro, 
para tanto transferindo ao mesmo um título de crédito de terceiro. É um tipo de empréstimo em 
que se dá em garantia títulos de crédito de terceiros, recebendo-se um valor líquido, por conta 
dos títulos. Geralmente. É uma operação voltada para o custeio de capital de giro. Nesse 
contrato, tem-se os seguintes intervenientes: 
 descontário – é o favorecido que transfere títulos, via endosso a um banco, obtendo a 
antecipação de seu valor; 
 descontante – é a instituição financeira que antecipa o valor líquido. 
 
Abertura de crédito 
É o contrato através do qual o banco se obriga a pôr à disposição de um cliente uma soma de 
dinheiro por prazo determinado ou indeterminado, obrigando-se este a devolver a quantia, 
acrescida de juros ao se extinguir o contrato. 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
50 
 
 ÓRGÃOS DE REGULAÇÃO E FISCALIZAÇÃO 
INSTITUIÇÕES OPERADORAS 
 
ÓRGÃOS 
NORMATIVOS 
ENTIDADES 
SUPERVISORAS 
 
(1) CMN 
Conselho 
Monetário 
Nacional 
 
 
 
(2) CNSP 
Conselho 
Nacional de 
Seguros 
Privados 
 
 
 
(3) CGPC 
Conselho de 
Gestão de 
Previdência 
Complementar 
(4) BCB 
Banco Central do 
Brasil 
 
 
 
 
(5) CVM 
Comissão de 
Valores 
Mobiliários 
 
 
 
 
(6) SUSEP 
Superintendência 
de Seguros 
Privados 
 
 
 
 
(7) IRB 
Instituto de 
Resseguros do 
Brasil 
 
 
 
 
(8) SPC 
Secretaria de 
Previdência 
Complementar 
Instituições 
Financeiras 
Captadoras de 
Depósitos à 
Vista 
Bancos Múltiplos com Carteira 
Comercial 1;4 
Bancos Comerciais 1;4 
Caixa Econômica 1;4 
Cooperativas de Crédito 1;4 
 
Demais 
Instituições 
Financeiras 
Bancos Múltiplos sem Carteira 
Comercial 1;4 
Bancos de Investimento 1;4;5 
Bancos de Desenvolvimento 1;4 
Sociedades de Crédito, 
Financiamento e Investimento 1;4 
Sociedade de Crédito Imobiliário 1;4 
Companhias Hipotecárias 1;4 
Associações de Poupança e 
Empréstimo 1;4 
Agências de Fomento 1;4 
Sociedades de Crédito ao 
Microempreendedor 1;4 
 
Outros 
Intermediários 
ou Auxiliares 
Financeiros 
Bolsa de Mercadorias e Futuros 1;4;5 
Bolsa de Valores 1;5 
Sociedades corretoras de Títulos e 
Valores Mobiliários 1;4;5 
Sociedades Distribuidoras de 
Títulos e Valores Mobiliários 1;4;5 
Sociedades de Arrendamento 
Mercantil 1;4 
Sociedades Corretoras de Câmbio 1;4 
Representações de Instituições 
Financeiras Estrangeiras 1;4 
Agentes Autônomos de 
Investimento 1;4;5 
 
Administradores 
de Recursos de 
Terceiros 
Fundos Mútuos 1;4;5 
Clubes de Investimentos 1;5 
Carteiras de Investidores 
Estrangeiros 1;4;5 
Administradoras de Consórcios 1;4 
 
Entidades 
Ligadas aos 
Sistemas de 
Previdência e 
Seguros 
Entidades Fechadas de 
Previdência Complementar 3;8 
Entidades Abertas de Previdência 
Complementar 2;6 
Sociedades Seguradoras 2;6;7 
Sociedades de Capitalização 2;6 
Sociedades Administradoras de 
Seguro-Saúde 2;6 
 
Sistemas de 
Liquidação e 
Custódia 
Sistema Especial de Liquidação e 
Custódia - Selic 1;4 
Central de custódia e de Liquidação 
Financeira de Títulos - Cetip 1;4 
Caixas de Liquidação e Custódia 1;5 
Figura 4 – Composiçaão do Sistema Financeiro Nacional 
Fonte: adaptado de FORTUNA, Eduardo, 2005. 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
51 
 
Financiamento 
É o contrato através do qual o banco empresta dinheiro, geralmente, em quantia maior para a 
aquisição de bens de longa vida, tal como é o caso da aquisição de ativos permanentes e bens 
de consumo duráveis. São, portanto, empréstimos vinculados. Ou seja, se foi feito um 
financiamento para construir uma casa, não se pode comprar um sítio com o valor liberado. 
 
Conta garantida 
Conta garantida ou cheque garantido nasce de um contrato no qual estipula-se um limite 
determinado que garante a honradez do cheque dentro desse limite. Assim, pode o cliente não 
ter saldo em sua conta, mas ao emitir um cheque dentro do limite da conta garantida, o banco 
não se nega a pagar ou acatar o cheque, evitando, portanto,. Sua devolução. 
 
Redesconto 
É uma operação idêntica ao desconto, a qual ocorre entre o banco que anteriormente negociou 
o desconto com o seu cliente; e o Banco Central. Melhor detalhando: o desconto ocorre entre o 
banco e o seu cliente; o redesconto ocorre entre o banco e o Banco Central. 
 
Depósito bancário 
Ó contrato através do qual tem-se uma operação bancária em que uma pessoa entrega ao 
banco determinada importância em dinheiro, ficando o mesmo com a obrigação de devolvê-la 
no prazo e nas condições convencionadas. Entre as modalidades de depósitos, destaca-se o 
depósito em conta-corrente e o depósito a prazo. 
 
Contratos bancários impróprios 
Os bancos oferecem vários produtos e serviços aos seus clientes. E, em geral, cada um 
desses produtos se materiliza através de um contrato acordado entre o banco e o cliente. Por 
exemplo, em muitos dos contratos que já foram abordados nessa unidade, um dos 
intervenientes pode ser um banco; é caso de um arrendamento mercantil, alienação fiduciária, 
cartão de crédito etc. 
 
Para melhor compreensão, particulariza-se aqui o caso de um arrendamento mercantil. 
Existem as sociedades de arrendamento mercantil; cuja atividade principal, certamente, são as 
operações de leasing. Entretanto os bancos podem ter também entre suas atividades a de 
leasing, sem que sejam sociedades de arrendamento mercantil. Então essas atividades que o 
banco pode desenvolver e que para elas existem empresas específicas, geram, no banco, os 
chamados contratos bancários impróprios. 
 
Cartas de crédito 
Sao ordens escritas dadas por um banco a outro estabelecimento de crédito, localizado em 
praça diferente, para que esse ponha à disposição de uma ou mais pessoas determinadas, 
certa quantia que deve ser retirada total ou parcialmente em prazo especificado 
 
CONTRATO DE TRESPASSE 
Trespasse é modalidade de contrato que permite a transferência do fundo de comércio de um 
comerciante para outro. Vamos entender melhor o que é trespasse; é a alienação do 
estabelecimento empresarial, ou seja, a compra ou a venda do estabelecimento que é o 
conjunto de bens materiais, organizadas para fins específicos. Quando vendido o 
estabelecimento, ele é passado para o comprador e também muda a titularidade. A alienação 
do fundo de comércio se faz por meio do "contrato de trespasse", possui proteção específica, 
outorgada pela lei, em razão de ser ato de alienação com patente cunho de ordem pública. 
 
O estabelecimento empresarial deixa de integrar o patrimônio de um empresário (o alienante 
ou trespassante) e passa para o de outro (o adquirente ou trespassário). O objeto da 
transferência é o complexo de bens corpóreos e incorpóreos, envolvidos com exploração de 
uma atividade empresarial. 
 
Trespasse é o contrato de compra e venda do estabelecimento empresarial através do qual 
ocorre a transferência de sua titularidade. Através deste contrato, o comerciante/tres-passante 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
52 
se obriga a transferir o domínio do complexo unitário de bens instrumentais que servem a 
atividade empresarial e o adquirente/trespassário se obriga a pagar pela aquisição. 
 
Segundo Carvalho de Mendonça, a venda do estabelecimento como entidade unitária 
compreende todos os elementos que o integram principal ou acessoriamente. Abrange o 
aviamento, a clientela, o material, os utensílios, as máquinas, as mercadorias, as marcas de 
comércio, as patentes, a insígnia e os segredos de fabricação, salvo estipulação expressa em 
contrário. Assim, o alienante tem aobrigação de fazer boa ao adquirente a coisa vendida, o 
que acarreta a proibição de se estabelecer no mesmo ramo. 
 
Vale ressaltar que, para produzir efeitos jurídicos em relação a terceiros, o contrato que tenha 
por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento deverá ser averbado 
no Registro Público de Empresas Mercantis e publicado na imprensa oficial, de acordo com o 
artigo 1.144 do Código Civil de 2002. 
 
Alguém vende uma Padaria a outra pessoa, deve averbar isso na junta comercial, e não 
poderá abrir uma nova Padaria que venha a concorrer com a que ele vendeu. Vende com tudo 
que tem dentro, clientela etc.. 
 
Características 
Chama-se trespasse ou traspasso o contrato de compra e venda do estabelecimento 
empresarial através do qual ocorre a transferência de sua titularidade. 
 
É um contrato consensual porque se perfaz pela simples anuência dos contraentes, sem 
necessidade de outro ato; é oneroso, pois traz vantagens para ambas as partes, onde cada 
contratante suporta um sacrifício de ordem patrimonial com o intuito de obter vantagem 
correspondente, de forma que ônus e proveito fiquem numa relação de equivalência; é 
sinalagmático ou bilateral perfeito, porque ambos os contraentes se obrigam reciprocamente, 
sendo credores e devedores uns dos outros; é comutativo, pois as partes podem antever o que 
receberão em troca das prestações que realizarem; é não solene, sendo desnecessário que se 
perfaça através de instrumento público, porém não pode deixar de ter forma escrita para 
regular as relações entre os contratantes. 
 
A tradição ocorre, com a verificação do inventário e mediante a entrega das chaves do 
estabelecimento. À falta de inventário, há de se presumir que se incluem todos os bens, forma 
conhecida como de "portas fechadas", em que não há qualquer reserva. 
 
O trespasse e a sucessão 
O trespasse ocorre quando o estabelecimento deixa de integrar o patrimônio de um empresário 
e passa a ser objeto de direito de propriedade de outro. Sendo assim, o estabelecimento que 
pertencia a determinado empresário individual ou coletivo, não mais a ele pertence. 
 
Pode ser que não ocorra a transferência do estabelecimento, verificando-se apenas a cessão 
de quotas sociais de uma sociedade, onde o estabelecimento não muda de titular, tendo 
apenas alteração na composição societária do empresário coletivo, o que não tipifica a 
transferência da titularidade, mas apenas a transferência de participação societária. 
 
Nesse caso, os credores continuam titulares de seus direitos de crédito, independentemente da 
alteração societária. 
 
Os esclarecimentos anteriores interessam, pois no trespasse não há sucessão, podendo, 
contudo ocorrer se se proceder a inserção de cláusula específica, dispondo que o adquirente 
se responsabiliza pelo passivo do alienante. Nesse caso, considera-se sucessor o adquirente, 
sucessão oriunda de contrato. 
 
O trespasse e o passivo 
Em relação aos débitos, fundamental é mencionar que o passivo não integra o estabelecimento 
do empresário, ou seja, o passivo não compõe o objeto transacionado quando o adquirente 
efetua o trespasse. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
53 
A regra no direito brasileiro é a de que o adquirente não se obriga pelas dívidas de seu 
antecessor, ou seja, os credores do alienante não são credores do adquirente. Não há sub-
rogação em decorrência do trespasse. 
 
Não obstante, a regra geral da não responsabilização não é absoluta, ou seja, 
independentemente de acordo, o adquirente é sucessor legal do alienante, em relação às 
obrigações trabalhistas e tributárias . 
 
A livre iniciativa a e livre concorrência versus a cláusula de 
não restabelecimento 
Ab initio, deve-se tratar do princípio da livre iniciativa, posto que figura como fundamento da 
Ordem Econômica, conforme determina a Constituição Federal de 1988. 
 
Tem-se, portanto sem dúvida um Estado onde o "livre mercado " é protegido. 
 
A livre iniciativa envolve a liberdade de indústria e comércio, ou liberdade de empresa e a 
liberdade de contrato. Isso significa que a todos é livre o exercício de qualquer atividade 
econômica, desenvolvendo-se no quadro estabelecido, independentemente de autori-zação de 
órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. 
 
Outro dos Princípios da Ordem Econômica - além do atinente à livre iniciativa - é o da livre 
concorrência. 
 
A livre concorrência é princípio geral para o fomento da sociedade, permitindo aos seus 
agentes econômicos o desenvolvimento de ações próprias para incremento do mercado. É o 
livre jogo das forças do mercado na constante disputa de clientela. Essa disputa é salutar 
numa economia de mercado, pois, impulsiona a competitividade das empresas, forçando-as a 
um constante aprimoramento dos seus métodos tecnológicos, dos seus custos, enfim, na 
permanente busca de condições mais favoráveis ao consumidor. 
 
A livre concorrência no campo das atividades econômicas é manifestação da liberdade de 
iniciativa, constituindo um fenômeno natural, legítimo e indispensável ao progresso e bem-estar 
da sociedade. 
 
Situação diversa, contudo é a concorrência desleal, que pelo seu caráter ilícito, deve ser e é 
reprimida, pois ao direito constitucional de explorar atividade econômica, expresso no princípio 
da livre iniciativa, corresponde o dever, imposto a todos, de respeitá-lo. 
 
No caso da alienação do estabelecimento empresarial a observância aos princípios da livre 
iniciativa e da livre concorrência, manifesta-se através de uma limitação, que consiste no 
impedimento do restabelecimento da parte alienante. 
 
Tem-se, portanto que a continuidade do exercício da atividade econômica do empresário-
alienante fica adstrita a determinadas condições que têm o intuito de evitar que essa prática 
mercantil assuma as características de concorrência desleal. 
 
Assim, a doutrina e a jurisprudência admitem a estipulação de convenções impeditivas ou 
restritivas de liberdade econômica, visando preservar a clientela. 
 
Portanto, nesse contrato, deve haver a chamada cláusula de interdição de concorrência. O 
comprador não visa apenas à aquisição do estabelecimento com as suas mercadorias e outros 
elementos materiais que o compõem, mas, principalmente, à sua freguesia, a qual, com toda a 
probabilidade, se manteria fiel ao antigo proprietário, se este voltasse a se estabelecer com o 
mesmo negócio ou indústria. Como a clientela não pode ser objeto de venda ou cessão, o 
adquirente do estabelecimento procura garanti-la, fazendo incluir no contrato a referida 
cláusula, pela qual o vendedor, obrigando-se a não fazer concorrência ao comprador, renuncia 
implicitamente à clientela que formou. 
 
Incontestável, portanto, é a possibilidade da pactuação da cláusula proibitiva, contudo certo é 
que ela não pode ser absoluta, uma vez que se estabelecida de forma ilimitada, sem quaisquer 
restrições, seria incompatível com os preceitos constitucionais que garantem a livre iniciativa e 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
54 
a livre concorrência. 
 
Estipulação nesses termos seria juridicamente nula e economicamente absurda já que 
representaria a morte do empresário. 
 
Conclui-se, portanto que, é lícita a estipulação contratual que obsta o restabelecimento, desde 
que subordinada a condições temporais, geográficas e substanciais. 
 
Dessa forma, tem-se que: 
 no que se refere ao aspecto temporal, a convenção impeditiva não pode impor ao alienante 
uma abstenção permanente de concorrência, pois configuraria uma renúncia definitiva do 
direito de exercer determinada atividade econômica, o que é irrenunciável por excelência; 
 no que se refere ao objeto da convenção, ou seja, ao aspecto substancial do pactuado, a 
restrição deve ser restrita ao ramo de atividade desenvolvidapelo estabelecimento titular 
da clientela, e não a outro tipo de atividade; 
 e finalmente no que se refere ao aspecto geográfico a abstenção da concorrência restringe-
se à zona em que a mesma se trava, não valendo fora do âmbito de influência dos 
estabelecimentos concorrentes. 
 
Resta agora esclarecer como se determina essa condicionalidade para a validade da cláusula, 
uma vez que o direito nada dispõe. 
 
Sobre o assunto, Barreto Filho (1988, p.116) expõe: 
"Na falta de lei expressa, em nosso país, não se deve admitir duração do pacto por prazo 
superior a cinco anos, que é o geralmente aceito pela legislação e pela jurisprudência de 
outros países, e que é também fixado pelo Decreto 24.150 , de 1934, como bastante para 
estabilizar o aviamento do fundo, em relação ao seu titular. Admite-se, portanto a validade da 
cláusula interditória de concorrência, se limitada razoavelmente no tempo e no espaço. Os 
nossos tribunais ainda têm reconhecido a validade da cláusula, quando restrita no espaço a 
não no tempo ou vice-versa. Dessume-se dos julgados, que prevalece o critério da 
razoabilidade na apreciação dos requisitos de duração e extensão da proibição convencional, 
de modo a excluir a possibilidade de concorrência qualificada pelo alienante do fundo". 
 
Pelo comentário transcrito, observa-se que a jurisprudência admite o pacto de não 
restabelecimento pelo prazo de cinco anos. 
 
Em matéria de Direito Comparado pode-se citar o Código Civil Italiano dispondo de forma 
expressa que o vendedor não pode, antes de um qüinqüênio, a contar da transferência, abrir 
nova empresa que, pelo objeto, localização ou outras circunstâncias seja idônea para desviar a 
clientela do estabelecimento transferido. 
 
Dessa forma, verifica-se que a cláusula de não restabelecimento representa uma garantia que 
o adquirente tem da integridade do valor despendido ao remunerar o estabelecimento. 
 
Após analisar as limitações da cláusula expressa, surge outra questão, qual seja, a omissão da 
estipulação e seus efeitos. Predomina na doutrina o entendimento de que se reputa implícita a 
cláusula de não restabelecimento, não sendo possível que o alienante atue em competição 
direta com o adquirente. 
 
Seguindo essa posição Carvalho de Mendonça afirma que não há necessidade de estipulação 
formal pela qual o vendedor se obrigue a não se restabelecer. 
 
Concluindo, pode-se afirmar que só é lícito o restabelecimento do alienante se expresso no 
contrato. 
 
Logo, em ocorrendo a violação da regra expressa ou implícita, poderá o adquirente promover 
ação visando à interdição do novo comércio e à indenização por perdas e danos diante da 
perda de clientela e da redução do aviamento. 
 
O restabelecimento indireto, ou seja, aquele realizado através de pessoas interpostas ou ainda 
como sócio ou empregado de empresa concorrente também é proibido. 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
55 
 
Segundo Comparato (1977) também é perfeitamente legítima a estipulação da cláusula de não 
restabelecimento nos negócios de cessão de controle, máxima quando o cedente goza de 
grande prestígio no setor empresarial em questão e exercia, efetivamente as funções de 
empresário, na companhia cujo controle cedeu. 
 
Assim, para evitar discussões acerca da possibilidade ou não do restabelecimento deve-se 
inserir nos contratos de trespasse a cláusula de interdição de novo estabe-lecimento, visando 
impedir o enriquecimento indevido do alienante, através do desvio eficaz de clientela, que 
naturalmente ocorrerá se o este continuar praticando a atividade que está transferindo. 
 
Trespasse e locação empresarial 
Com freqüência, verifica-se que o empresário encontra-se num imóvel locado quando da 
prática de sua atividade mercantil. Nesse imóvel locado o empresário faz surgir um elemento 
que integra o estabelecimento empresarial que é o ponto comercial. 
 
O ponto, que pertence ao empresário difere do imóvel onde a atividade é praticada, podendo 
ser considerado como o local qualificado onde se situa e ocorre determinada atividade 
empresarial. 
 
Diante do árduo e lento esforço do empresário em criar o ponto comercial, a lei lhe concede 
uma proteção especial para conservar esse bem imaterial. A sua conservação se materializa 
através do direito de obter a renovação compulsória do contrato de locação, possibilitando sua 
permanência no imóvel ou pela percepção de uma indenização. 
 
Quando da venda do estabelecimento empresarial é de extrema importância observar a 
problemática da cessão da locação, pois o imóvel não integra o trespasse. 
 
Assim têm-se situações nas quais a negociação deve ser efetuada com o alienante-empresário 
e com o proprietário-locador. 
 
Quando assim se configura a questão, mister se faz verificar os termos que envolvem o 
contrato de locação mercantil. O adquirente do fundo de comércio deve negociar a compra do 
fundo com o locatário-empresário e o uso e gozo do bem imóvel, ou seja, o contrato de 
locação, com o proprietário-locador, sem o que não terá como praticar sua atividade naquele 
espaço físico. 
 
Para que o adquirente possa praticar a atividade dando continuidade ao trabalho do alienante-
empresário é imprescindível ter a anuência do locador para que a cessão da locação ocorra, o 
que nem sempre acontece. 
 
Com o intuito de evitar aborrecimentos deve o empresário inserir no contrato de locação 
mercantil, quando da elaboração do ajuste uma cláusula estipulando anuência prévia do 
locador diante de eventual cessão. 
 
O adquirente do estabelecimento quando beneficiado pela cessão aproveita-se dos prazos 
relativos ao alienante para fins de ajuizamento de ação renovatória. 
 
O estabelecimento empresarial virtual, o trespasse e a 
locação empresarial 
O comércio é atividade inerente ao homem e está presente desde a fase primitiva da 
sociedade, sempre em permanente evolução. Paralela à atividade empresarial, a sociedade 
avança de forma avassaladora devendo citar a tecnologia e a informação como importantes 
ambientes de desenvolvimento. 
 
O comércio eletrônico (comércio-e) surge num novo ambiente de desenvolvimento, que é o 
ambiente virtual, conhecido como “cyberespaço”, que se vem tornando o maior centro de 
comércio e informação do planeta. 
 
O “comércio-e”, atividade de intermediação de produtos ou prestação de serviços realizados 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
56 
através de meios eletrônicos num estabelecimento virtual, consubstancia-se através da rede 
mundial de computadores "internetenáutico" ou fora dela, sem deixar de caracterizar a 
virtualidade do negócio. 
 
A evolução mostra que mercadores passaram a empresários e que empresários evoluíram 
para "mercanautas". 
 
No momento, interessa analisar o estabelecimento empresarial virtual, que semelhante ao 
físico, é um conjunto de bens materiais e imateriais utilizados pelo empresário como 
instrumento para o exercício da atividade empresarial. O que diferencia o estabelecimento 
físico do virtual não é a sua constituição, mas sim a virtualidade do acesso. 
 
Assim, se para a consecução de determinada compra e venda o consumidor necessita se 
deslocar para um espaço físico determinado tem-se o estabelecimento clássico. Se, contudo o 
consumidor não tiver que se deslocar fisicamente e sua compra efetivar-se por via de 
transmissão eletrônica de dados, tem-se o ambiente virtual. 
 
Verifica-se, pois, que a virtualidade ou imaterialidade do estabelecimento é caracterizada pela 
forma de acessibilidade do consumidor. Portanto a natureza jurídica do estabelecimento físico 
e do virtual em nada difere. 
 
Sendo o estabelecimento empresarial virtual um complexo unitário composto pelos mesmos 
bens que integram o estabelecimento físico não há óbice à possibilidade de ele figurar comoobjeto num trespasse. Uma peculiaridade que simplifica o contrato que tem por objeto o 
estabelecimento virtual é aquela referente à desnecessidade da cessão da locação para 
continuar no espaço físico. 
 
Cbservou-se, anteriormente, que, quando ocorre o trespasse é importante garantir a 
permanência do adquirente no imóvel para proteger o ponto comercial, sem o que as 
vantagens da alienação são bem menores. 
 
Esse cuidado, contudo, não impera quando o estabelecimento é virtual, posto que, nessas 
novas casas de comércio não ocorre a formação do ponto comercial "físico", já que na maioria 
das vezes o consumidor sequer sabe onde se localiza geograficamente o estabelecimento e 
nem precisa ter esta ciência, uma vez que as transações comerciais eletrônicas dispensam o 
deslocamento dos consumidores até o imóvel onde está situado o estabelecimento. 
 
Desse modo, em se tratando de empresa virtual, não é necessário preocupar-se com a 
renovação compulsória do contrato de locação do imóvel onde se instala a empresa virtual 
para garantir a efetividade econômica do trespasse. 
 
OUTROS CONTRATOS 
Contratos intelectuais 
Contratos intelectuais são os relacionados com os chamados direitos intelectuais, ou seja, com 
a propriedade industrial (a cessão de patente, cessão de registro industrial, licença de uso de 
patente de invenção, licença de uso de marca e transferência de tecnologia) ou com o direito 
autoral (a comercialização de logiciário). 
 
Cessão de direito industrial 
A cessão de direito industrial pode ter por objetivo uma patente (de invenção ou de modelo de 
utilidade) ou registro industrial (de desenho industrial ou de marca). 
No primeiro caso, o titular da patente (cedente) transfere, total ou parcialmente, ao outro 
contratante (cessionário), os direitos mencionados na respectiva patente. A cessão pode dizer 
respeito a patente já concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, ou apenas 
solicitada. 
 
A cessão pode ser total, quer dizer, compreende todos os direitos titularizados pelo cedente, ou 
parcial. Esta última pode ser limitada quanto ao objeto da patente (transfere-se alguns dos 
direitos industriais outorgados pelo instrumento) ou quanto à área de atuação do cessionário ( 
transfere-se o direito de exploração econômica com exclusividade dentro de certo país. A 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
57 
cessão parcial pode ser também utilizada para a instituição de condomínio sobre a patente. 
Quanto a este, registre-se que o condômino pode explorar a patente de forma isolada e 
independente do pagamento da remuneração aos demais co-proprietários. 
 
A cessão de registro industrial, por sua vez, é o contrato pelo qual o proprietário de registro de 
desenho industrial ou de marca (cedente) transfere ao outro contratante (cessionário), total ou 
parcialmente, os direitos por ele titularizados, de exploração econômica com exclusividade 
daqueles bens. 
 
A cessão de registro industrial de marca deve compreender todos os registros, concedidos ou 
solicitados pelo cedente, de marcas iguais ou semelhantes. Não pode a cessão limitar-se, 
portanto, a apenas algumas classes em que se encontra registrada a marca, sob pena de o 
INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) declarar, de ofício, o cancelamento dos 
registros ou pedidos não abrangidos pela transferência. 
 
Licença de uso de direito industrial 
O titular de direito industrial pode (e, em determinadas hipóteses, deve) licenciar o uso da 
patente ou do registro por terceiros. Difere-se a licença da cessão na medida em que a 
primeira não transfere a propriedade do direito industrial, que continua titularizado pelo 
licenciador. 
 
Há uma modalidade específica de licença de uso de registro industrial, de marca, denominada 
merchandising, em que o licenciado (merchandisee) está autorizado contratualmente a fazer uso 
da marca titularizada pelo licenciador (merchandisor) apenas em produtos ou serviços não 
oferecidos ao mercado per este último. Quando uma famosa fábrica de refrigerantes licencia o uso 
de sua marca em peças de vestuário, por exemplo, configura-se este tipo especial de licença. 
 
Transferência de tecnologia 
Em termos jurídicos, tecnologia é o saber industrial, isto é, aquele tipo de conhecimento que se 
pode utilizar na produção de um bem ou comodidade destinados à comercialização. Somente 
esta espécie de saber tecnológico tem valor de mercado, e, por isso, o direito se ocupa em 
disciplinar os muitos interesses que gravitam em torno de sua circulação econômica. 
Principalmente em um país da periferia do capitalismo, como o nossa, a intervenção de know-
how (importação de tecnologia) acaba interferindo em importantíssimos aspectos da economia, 
como, por exemplo, a política cambial ou de controle do capital estrangeiro. 
 
Costumam-se apontar as seguintes modalidades da transferência de tecnologia: a) licença de 
uso de patente; b) licença de uso de registro industrial (uso de desenho industrial ou de 
marca); c) fornecimento de tecnologia; d) prestação de serviços de assistência técnica e 
científica. As duas primeiras espécies contratuais, já examinadas, podem ou não servir de 
instrumento de transmissão de tecnologia, mas isso não é da essência do contrato. Para que o 
detentor de um saber tecnológico o repasse a outra pessoa, pode, perfeitamente, valer-se do 
licenciamento de uso de direito industrial. Contudo, nem sempre a licença importa em 
transferência de tecnologia. 
 
Comercialização de logiciário (software) 
O neologismo “logiciário”, sugerido por Vieira Manso, sinônimo de “programa de computador”, 
é uma expressão em português equivalente a palavra software e designa o conjunto de 
instruções indispensáveis ao tratamento eletrônico de informações. 
 
Os direitos titularizados pelo criador de um logiciário não são tutelados pela propriedade 
industrial, mas pelo direito autoral. Esta foi a alternativa seguida pela lei brasileira ao disciplinar 
a propriedade e a comercialização dos programas de computador (Lei n. 9.609/98), o que 
redunda em importantes conseqüências no tocante à extensão e natureza desta tutela, em 
razão das diferenças existentes entre ambos os regimes jurídicos. 
 
Com exatidão, a cópia de programa de computador (prática conhecida por “pirataria”) 
representa conduta ilícita, lesiva aos direitos do seu autor, mesmo que tenha sido feita sem 
qualquer intuito lucrativo. 
 
Um programa de computador pode ser objeto de contrato entre empresários (cessão ou licença 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo! 
58 
de uso ou, ainda, transferência de tecnologia) ou entre o titular dos direitos de 
comercialização e o usuário. Quanto a este último, previu a Lei n. 9.609/98 (arts. 7º e 8º), as 
seguintes condições, destinadas à tutela do usuário do programa (consumidor): a) obrigatória 
menção na embalagem, nos suportes físicos e no instrumento contratual, do prazo de validade 
técnica do logiciário; b) garantia da prestação de serviços técnicos complementares, com vistas 
ao adequado funcionamento do software. 
 
Capitalização 
Capitalização é o contrato pelo qual uma sociedade anônima, especificamente autorizada pelo 
governo federal a operar com este gênero de atividade econômica, se compromete, mediante 
contribuições periódicas do outro contratante, a pagar-lhe importância mínima ao término de 
prazo determinado. Firma-se cláusula contratual com a previsão de prêmios ou de antecipação 
do pagamento do capital a contratantes sorteados. 
 
É a essência econômica do contrato de capitalização a poupança do contratante que, ao se 
obrigar perante a sociedade pelas prestações periódicas, acaba forçando-se a economizar 
certa parte de sua renda. No prazo do contrato, ele terá direito à restituição do capital poupado, 
ou parte deste, acrescido dos consectários no título.Bibliografia 
ALMEIDA, Amador Paes de. Locação Comercial. 9ª edição. São Paulo: Editora Saraiva, 1997. 
 
BARRETO FILHO, Oscar. Teoria do estabelecimento comercial. 2ª edição. São Paulo: Editora 
Saraiva, 1988. 
 
BRASIL. Constituição Federal. 2.ed. Revista e atualizada. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1997. 
 
_____. Código Civil Brasileiro – Lei nº 10.406/02. 
 
_____. Lei nº 8.420, de 08 de maio de 1992. Introduz alterações na Lei nº 4.886 de 09 de dezembro de 1965, 
que regula as atividades dos representantes comerciais autônomos. Publicada no DOU de 11-05-1992. 
 
_____. Lei nº 6.729, de 28 de novembro de 1979. Dispõe sobre a concessão comercial entre produtores 
e distribuidores de veículos automotores de via terrestre. 
 
_____. Lei nº 4.886, de 09 de dezembro de 1965. Regula as atividades de representantes comerciais 
autônomos. Publicada no DOU de 10-12-1965. 
 
COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, 2004. 
 
COMPARATO, Fábio Konder. O poder de controle na sociedade anônima. 2ª edição. São Paulo: Editora 
Revista dos Tribunais, 1977. 
 
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 23.ed.rev.atual. 3.v. São Paulo: Saraiva, 2007. 
 
FAZZIO JUNIOR. Waldo. Manual de Direito Comercial. 8.ed. São Paulo: Atlas, 2007. 
 
FONSECA, João Bosco Leopoldino da. Direito Econômico. 3ª edição. Rio de Janeiro: Editora Forense, 
1993. 
 
MARTINS, Fran. Contratos e obrigações Comerciais. 15. ed., Rio de Janeiro: Forense, 2001. 542p. 
 
GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 7.ed.atual.e amp.São Paulo: Saraiva, 2002. 
 
GAGLIANO, Pablo Stolze. e PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo curso de direito civil. São Paulo: 
Saraiva, 2005 e 2008. Volumes I, IV, tomo 1 2. 
 
GRAU, Eros Roberto. A Ordem Econômica na Constituição de 1988. 4ª edição revista e atualizada. São 
Paulo: Malheiros Editores, 1998. 
 
MAMEDE, Gladston. Manual de Direito Empresarial. 3.ed. São Paulo: Atlas 2008 
 
OLIVEIRA, Juarez de. Código Comercial. 17.ed. São Paulo: Saraiva, 2002. 
 
PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de direito Civil. Rio de Janeiro,: Forense, 2005. Vol. III. 
 
RODRIGUES, Silvio. Direito Civil Parte Geral e Contratos. 28. ed. São Paulo: Saraiva, 1998. 
 
SIDOU, J. M. Othon. Resolução Judicial dos Contratos – Rio de Janeiro: Forense, 2000. 
 
_____. (coord) Dicionário Jurídico da Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Rio de Janeiro, 
Editora Forense Jurídica, 1998. 
 
 
A sabedoria é a arma invencível de um povo 
59 
TARTUCE, Flávio. Direito Civil, (teoria geral dos contratos e contratos e espécie), série concursos 
públicos. 2.ed. São Paulo: Editora Método, 2007. Volume 3 
 
_____. Direito Civil, Direito das obrigações; Série Concursos Públicos, São Paulo: Editora Método, 
2005. Volume 2 
 
TEPEDINO, Gustavo, BARBOSA, Heloisa Helena e MORAES, Maria Celina Bodin de. Código Civil 
interpretado conforme a Constituição da República, Rio de Janeiro: Editora Renovar, 2006. Volume 
II, 
 
WALD, Arnoldo. Curso de Direito Civil Brasileiro – Obrigações e Contratos. 12 ed. São Paulo: RT, 
1995, Volume II. 
Parágrafo único. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na 
conclusão dos contratos.

Mais conteúdos dessa disciplina