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CCJ0019-WL-B-PP-Ponto 07 - Direitos Políticos - Sabrina Rocha


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Curso completo de Direito Constitucional 
Profª. Sabrina Araújo Feitoza Fernandes Rocha 
Atualizada até a EC n° 71 de 29/11/12 
 
Esta apostila não é de autoria pessoal, pois foi produzida através das 
obras de doutrinadores constitucionalistas, dentre eles Ivo Dantas, J. 
J. Gomes Canotilho, José Afonso da Silva, Paulo Bonavides, Celso 
D. de Albuquerque Mello, Luís Roberto Barroso, Walber de Moura 
Agra, Reis Friede, Michel Temer, André Ramos Tavares, Sérgio 
Bermudes, Nelson Oscar de Souza, Alexandre de Moraes, Nelson 
Nery Costa/Geraldo Magela Alves, Nagib Slaibi Filho, Sylvio Motta & 
William Douglas, Henrique Savonitti Miranda e tomou por base a 
apostila do Prof. Marcos Flávio, com os devidos acréscimos 
pessoais. 
 
PONTO 07 - DIREITOS POLÍTICOS 
 
Art. 14 - A soberania popular será exercida pelo sufrágio(direito) 
universal e pelo voto(exercício) direto e secreto(escrutínio ou modo 
de exercício), com valor igual para todos, e, nos termos da lei, 
mediante: 
I - plebiscito; 
II - referendo; 
III - iniciativa popular. 
 
Consubstancia o Princípio democrático posto no parágrafo único do 
artigo primeiro da CF já estudado. 
 
Sufrágio (direito), o voto (exercício), escrutínio (modo do exercício) 
 
Classificação do Sufrágio: 
UNIVERSAL – concedido a todos os nacionais. 
RESTRITO – concedido a quem tem determinadas condições. 
Subdividem-se em Censitários (rendas, bens, etc) e Capacitários (intelectuais). 
 
Características do voto: personalidade (direto), obrigatoriedade; 
liberdade; sigilosidade; igualdade e periodicidade. 
 
Nos termos deste artigo soberania popular é o poder que tem o povo 
de impor sua vontade; é o poder de manifestar uma vontade que seja 
incontrastável por qualquer outra vontade. Poder que o povo tem de decidir 
uma questão política com definitividade. É uma vontade que está acima de 
todas as outras. 
Plebiscito e referendo são consultas formuladas ao povo para que 
delibere sobre matéria de acentuada relevância, de natureza constitucional, 
legislativa ou administrativa (art. 2º, da lei 9.709/98). 
O plebiscito é convocado com anterioridade a ato legislativo ou 
administrativo, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe 
tenha sido submetido (art. 2, §1º, da lei 9.709/98). 
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O referendo é convocado com posteridade a ato legislativo ou 
administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição (art. 2º, 
§2º, da lei 9.709/98). 
Esses direitos, componentes do direito de sufrágio, são exercidos 
através do voto. Voto é, portanto, o instrumento utilizado para o exercício do 
direito de sufrágio. 
Plebiscito, referendo e iniciativa popular são instrumentos da democracia 
direta. A Lei nº 9.709, de 18.11.1998. 
A iniciativa popular consiste na apresentação de projeto de lei à 
Câmara dos Deputados, subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado 
nacional, distribuído pelo menos por 5 (cinco) Estados, com não menos de 
três décimos por cento (3/10% = 0,3%) dos eleitores de cada um deles (art. 13 
da lei 9.709/98 e CF, art. 61, § 2º). 
Doutrinariamente soberania popular se manifesta pelo exercício de 
direitos pelo cidadão. São formas de manifestação da soberania popular: 
 
a) o direito de sufrágio – que é composto pelo direito atribuído 
aocidadão para eleger seus representantes, de ser eleito e pelo 
direito de decidir questões políticas através do voto relativas atos 
administrativos ou legislativos através de plebiscito e de referendo. O 
direito de sufrágio só é conferido a brasileiros; 
 
b) o direito de propor projetos de lei – direito que tem o cidadão de 
tomar a iniciativa para propor projetos de lei; 
 
d) o direito de propor ação popular; 
 
c) o direito de filiar-se a partidos políticos. 
 
Assim, os direitos políticos são “prerrogativas, atributos, faculdades 
ou poder de intervenção dos cidadãos ativos no governo de seu país, 
intervenção direta ou indireta, mais ou menos ampla, segundo a intensidade do 
gozo desses direitos. São o Jus Civitatis, os direitos cívicos, que se referem ao 
Poder Público, que autorizam o cidadão ativo a participar na formação ou 
exercício da autoridade nacional, a exercer o direito de vontade, os direitos de 
Deputado ou de Senador, a ocupar cargos políticos e a manifestar sua opiniões 
sobre o governo do Estado” (Pimenta Bueno, citado por Celso B. Ribeiro). 
 
§ 1º - O alistamento eleitoral e o voto são: 
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos; 
II - facultativos para: 
a) os analfabetos; 
b) os maiores de setenta anos; 
c)os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. 
 
Capacidade eleitoral ATIVA: é a aptidão para votar, mediante o 
alistamento, que é um procedimento administrativo (Alistabilidade). 
Obrigatório – maiores de 18 anos e menores de 70 anos. 
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Facultativo – analfabetos (obs), maiores de 70 anos, entre 16 e 18 anos; 
Proibição – estrangeiros e conscritos. 
 
§ 2º - Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, 
durante o período do serviço militar obrigatório, os conscritos. 
 
Conscritos são aqueles que prestam serviço militar obrigatório. Cessado 
este serviço, readquirem o direito de alistar-se como eleitores junto ao TRE. 
Nos termos da Jurisprudência do TSE, se já estiverem alistados quando do 
início daquela prestação de serviço militar, e durante o período em que 
permanecerem naquela condição, estarão impedidos de votar, terão a 
suspensão de seus direitos políticos. 
 
§3º - São condições de elegibilidade, na forma da lei: 
I - a nacionalidade brasileira; 
II - o pleno exercício dos direitos políticos; 
III - o alistamento eleitoral; 
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; 
V - a filiação partidária; 
VI - a idade mínima de: 
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e 
Senador; 
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do 
Distrito Federal; 
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou 
Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; 
d) dezoito anos para Vereador. 
 
§ 4º - São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos. 
Inelegibilidades – impedimento eleitoral pode ser: 
 
ABSOLUTO – impedimento para qualquer cargo –inalistáveis 
(estrangeiros e conscritos) e analfabetos. São características pessoais. 
RELATIVA – são situações especiais existentes no momento da eleição 
e podem ser: 
- por motivos funcionais; 
- por motivos de casamento, parentesco ou afinidade; 
- os militares; 
- previsão de ordem legal. 
 
§ 5º - O Presidente da República, os Governadores de Estado e do 
Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído 
no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período 
subseqüente. 
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Esta é a regra constitucional da REELEIÇÂO. 
A redação deste inciso é fruto da Emenda Constitucional nº 16, de 4-6-
97; a polêmica emenda que possibilitou a reeleição do Presidente FHC. Os 
chefes do executivo não precisam se afastar dos seus cargos para pleitearem a 
reeleição. 
 § 6º - Para concorrerem a outros cargos, O Presidente da 
República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos 
devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do 
pleito. 
Esta é a regra da DESENCOMPATIBILIZAÇÂO, tanto para assumir 
outros cargos, como para possibilitar que familiares possam ser elegíveis na 
sua circunscrição. 
 Com relação aos vices O TSE entende que: “Os vices podem 
candidatar-se a outros cargos estando no pleno exercício de seus 
mandatos, desde que não venham a substituir ou suceder os titulares nos 
seis meses anteriores ao pleito” (consulta nº 12). 
 
§ 7º - São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge 
e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por 
adoção, do Presidente da República, de Governador de Estadoou 
Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja 
substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já 
titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. 
 
Inelegibilidade REFLEXA no Território de jurisdição: 
 
a) do Presidente é o território nacional – seu cônjuge e parentes são 
inelegíveis para qualquer cargo eletivo; 
b) do Governador é o território do Estado, do Distrito Federal ou do 
Território Federal – seu cônjuge e parentes são inelegíveis para os 
cargos de Governador, Vice-Governador, Deputado Estadual, Deputado 
Federal, Senador, Prefeito, Vice-Prefeito e Vereador; 
c) do Prefeito é o território do município: seu cônjuge e parentes são 
inelegíveis para oscargos de Prefeito, Vice-Prefeito e Vereador. 
 Dentro do conceito jurídico de parentes consangüíneos ou afins, até o 
segundo grau incluem-se: 
- pai ou mãe e filho(a) - consangüíneo, de 1º grau; 
- sogro (a) e genro ou nora – afim, de 1º grau; 
- avô ou avó e neto (a) – consangüíneo, de 2º grau; 
- marido da neta ou esposa do neto – afim, de 2º grau; 
- avô ou avó do marido ou da esposa – afim, de 2º grau; 
- irmão – consangüíneo, de 2º grau; 
- cunhado – afim, de 2º grau. 
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Cônjuge é uma pessoa ligada à outra em decorrência da relação de 
matrimônio (p. ex.: a esposa de um Prefeito, o marido de uma Governadora 
etc.). 
 
Parentes consangüíneos são os ligados por laços de sangue, seja em linha 
reta (ascendentes – pais, avós, bisavós etc., e descendentes – filhos, netos, 
bisnetos etc.), seja colateral (irmãos, tios, tios-avós etc.). 
 
Parentes por afinidade são os que se adquirem a partir da relação 
matrimonial, tanto em linha reta (p. ex.: sogros), quanto na colateral (p. ex.: 
cunhados). 
 
 Em qualquer dos casos os graus de parentesco são contados pelas 
gerações, “degraus por degraus”, até ser encontrado o desejado. Desse modo: 
 
I - Parentesco em linha reta 
 
A 
| 
B 
| 
C 
 
1) A e B são parentes de 1º grau; 
2) A e C são parentes de 2º grau. 
 
 
II – Parentesco em linha colateral 
 
A 
| | 
B C 
| | 
D E 
| | 
F G 
 
1) B e C são parentes de 2º grau; 
2) B e E são parentes de 3º grau; 
3) D e G são parentes de 5º grau; 
4) F e G são parentes de 6º grau; 
5) D e E são parentes de 4º grau. 
 
Jurisprudência do STF 
NOTÍCIAS DO STF 07/04/2003 - 17:40 - Parentes podem 
concorrer a cargos eletivos desde que titular do cargo tenha 
direito à reeleição 
 
O Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu hoje (7/4) o julgamento do 
Recurso Extraordinário (RE 344882), onde se discutia o alcance da Emenda 
Constitucional 16/97, que instituiu a reeleição para chefes do Poder Executivo. 
Foi decidido que parentes podem concorrer nas eleições, desde que o 
titular do cargo tenha o direito à reeleição e não concorra na disputa. A 
6 
 
decisão foi por maioria de votos, ficando vencido o ministro Moreira 
Alves. 
 A tese vencedora foi a defendida pelo relator do processo, ministro 
Sepúlveda Pertence. 
O raciocínio seguido é que, se ao titular do cargo é permitido um mandato a 
mais, não se poderia vetar a possibilidade dos parentes concorrerem. De 
acordo com Sepúlveda Pertence, essa interpretação buscou a harmonia do 
parágrafo 7º, do artigo 14, com o novo sistema jurídico imposto pela Emenda 
16. 
 
 
§ 8º - O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes 
condições: 
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se 
da atividade; 
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela 
autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no 
ato da diplomação, para a inatividade. 
 
 O dispositivo refere-se aos militares que são alistáveis, pois o art. 14, § 
2º, estabelece que os militares conscritos são inalistáveis. 
 Para que o militar alistável possa concorrer, por exemplo, ao cargo de 
vereador, deverá passar para a inatividade, se contar menos de 10 anos de 
serviço. 
Se contar mais de 10 anos de serviço, não haverá necessidade de 
passar para a inatividade, devendo permanecer agregado, ou seja, não 
exercerá a atividade, mas continuará fazendo parte do quadro de servidores da 
corporação. 
Passará para a inatividade somente se for eleito, o que deverá acontecer 
no ato da diplomação. 
A passagem para a inatividade é efeito automático do ato de 
diplomação. 
 
§ 9º -Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade 
e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade 
administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada a 
vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das 
eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício 
de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. 
 
Exata é a previsão de ordem legal. Lei ordinária não poderá criar outras 
hipóteses de inelegibilidade, esta tarefa, coube a Lei Complementar nº 64/90, 
que ao regulamentar este inciso, dispôs sobre importante comando que reforça 
as atribuições dos Tribunais de Contas : 
“São inelegíveis para qualquer cargo os que tiverem suas 
contasrelativas ao exercício de cargos ou funções 
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públicasrejeitadas por irregularidade insanável e por decisão 
irrecorrível do órgão competente, salvo se a questão houver 
sido ou estiver sendo submetida à apreciação do Poder 
Judiciário, para as eleições que se realizarem nos 5 (cinco) 
anos seguintes, contados a partir da data da decisão (LC nº 
64/90, de 18-5-1990, art. 1º, I, “a”). 
 
§ 10 -O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça 
Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação, instruída 
a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou 
fraude. 
Este é o parágrafo que autoriza a ação de impugnação de mandato 
eletivo. 
Para responder corretamente as questões basta atentar ao prazo, 15 
dias, e ao marco inicial: data da diplomação. As questões induzem o prazo de 6 
meses e a data da posse. 
 
§ 11 - A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de 
justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de 
manifesta má-fé. 
Está regra serve para não macular um político e depois ficar provada a 
sua inocência. 
 
Art. 15 -É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou 
suspensão só se dará nos casos de: 
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada 
em julgado;(PERDA) 
II - incapacidade civil absoluta;(SUSPENSÃO) 
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto 
durarem seus efeitos;(SUSPENSÃO) 
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou 
prestação alternativa, nos termos do art.5º, VIII;(PERDA) 
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 
4º.(SUSPENSÃO) 
 
O caput deste artigo determina que é vedada a cassação dos diretos 
políticos. A cassação foi sobejamente utilizada durante o regime ditatorial 
introduzido pelo golpe militar de 1964. Embora muito repetida pela mídia, a 
“cassação” não é admitida pelo ordenamento constitucional introduzido 
em 1988. 
A Constituição não separa quais hipóteses são de perda e quais são de 
suspensão dos direitos políticos (como nós fizemos). Embora ainda não tenha 
sido objeto de concurso público, os autores são unânimes em apontarem como 
hipótese de perda de direitos políticos apenas o inciso I e divergem quanto 
ao inciso IV (para Celso Bastos e José Afonso da Silva é perda; Alexandre de 
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Moraes e William Douglas entendem como suspensão). As demais são 
hipóteses de suspensão dos direitos políticos. 
 
Enquanto a perda dos direitos de cidadão se relaciona com uma 
situação de inexistência da condição de cidadão (p. ex.: cancelamento da 
naturalização), a suspensão se dá, de modo temporário, enquanto durarem os 
efeitos de sua ocorrência (p. ex.: condenação criminal transitada em julgado, 
enquanto duraremseus efeitos). 
 
 Incapacidade civil absoluta ocorre quando a pessoa natural (física) 
não detém ou perde a possibilidade, se a detinha, de praticar os atos da vida 
civil, autogovernando-se segundo a sua própria vontade. Exemplos de 
absolutamente incapazes para os atos da vida civil são os menores de 
dezesseis anos, os loucos de todo o gênero, os surdos-mudos que não 
expressem sua vontade, os ausentes declarados por ato judicial. 
 
 Improbidade administrativa é definida em lei, considerando-se falta de 
retidão, entre inúmeras outras hipóteses, as seguintes: 
 
1 - Constitui ato de improbidade administrativa, importando enriquecimento 
ilícito,auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do 
exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades 
da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da 
União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, de 
empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou 
custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinquenta por cento 
do patrimônio ou da receita anual; 
 
2 - Constitui ato de improbidade administrativa, que causa lesão ao erário, 
qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda 
patrimonial, desvio, apropriação, mal barateamento ou dilapidação dos 
bens ou haveres das mesmas entidades indicadas na letra anterior; 
 
3 - Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios 
da administração públicaqualquer ação ou omissão que violem os deveres 
de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições. 
 
Art. 16 - A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na 
data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até 1 
(um) ano da data de sua vigência. 
 
 Preceito constitucional que esporadicamente é exigido nos concursos. 
A regra constitucional determina uma vacatio legis mínima de 1 (um) 
ano. Vacatio legis é o tempo que intermedeia entre a publicação e a entrada 
em vigor de uma lei, isto é, quando ela será considerada de observância 
obrigatória. 
 
 Trata-se de uma regra de segurança jurídica para os que pretendem se 
aventurar num processo eleitoral, assegurando a impossibilidade de normas 
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eventuais e casuístas, editadas de última hora pelos “administradores de 
plantão”. 
 
 
Questão de concurso 
A análise do art. 14 responde à questão de número 70, constante da prova para o 
cargo de Juiz Federal da 5ª Região, realizada em 2004, colocada nos seguintes termos: 
 
“70 – Há vedação absoluta para que os estrangeiros exerçam a soberania 
popular.” 
Como a soberania popular se manifesta através do exercício de direitos, a 
questão que se colocou ao candidato consistiu em se saber se os estrangeiros possuem 
esses direitos. 
 
Quanto ao direito de sufrágio, que é um dos direitos pelos quais se manifesta a 
soberania popular, só pode ser exercido através do voto. No entanto, para que alguém 
possa votar, é necessário que se aliste como eleitor. O art. 14, § 2º da Constituição 
Federal estabelece que os estrangeiros não podem se alistar como eleitores. 
 
 Se não podem se alistar, não podem votar. Se não podem votar, não podem 
participar de eleição de representantes ou ser eleitos representantes, não podem 
participar de plebiscito e nem de referendo. Concluindo: os estrangeiros não possuem 
direito de sufrágio. 
 
E quanto aos outros direitos, pelos quais se manifesta a soberania popular? 
São também atribuídos aos estrangeiros? 
 
Quanto ao direito de propor projetos de lei, o art. 61, § 2º, da Constituição 
Federal exige a subscrição de pelo menos 1% do eleitorado nacional, o que significa 
que somente quem for alistado como eleitor poderá propor projetos de lei. Para se 
alistar como eleitor, é necessário ter nacionalidade brasileira, donde se conclui que o 
estrangeiro não tem o direito de propor projetos de lei. 
 
Com relação ao direito de propor ação popular, o art. 1º, § 3º, da Lei nº 
4.717/65 confere legitimidade ao cidadão, exigindo como prova da cidadania o título de 
eleitor ou qualquer documento equivalente. Portanto, o estrangeiro não tem o direito 
de propor ação popular. 
 
Por fim, quanto ao direito de filiar-se a partidos políticos, o art. 16 da Lei nº 
9.096/95 (Lei Orgânica dos Partidos Políticos) estatui que só pode filiar-se a partido o 
eleitor que estiver no pleno gozo de seus direitos políticos, donde se conclui que para 
alguém poder filiar-se a partidos políticos, deve ser eleitor. Para se alistar como eleitor, 
é necessário ter nacionalidade brasileira, donde se conclui que o estrangeiro não tem o 
direito de filiar-se a partidos políticos. 
Vê-se, portanto, que em todos os casos, para que alguém possa exercer a 
soberania popular, deverá possuir a condição de eleitor. 
 Pelo que visto até agora há vedação para que os estrangeiros exerçam a 
soberania popular. No entanto, a análise do § 1º, art. 12 da CF, nos conduz a nos 
posicionar de forma diferente, vejamos: “aos portugueses com residência permanente no 
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País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos 
inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição” 
 
De fato, pode-se dizer que não há no texto constitucional vedação absoluta a 
que os estrangeiros exerçam a soberania popular, uma vez que, nos termos da CF, 
art. 12, §1º, com relação aos portugueses com residência permanente no país, 
poderão ser atribuídos todos os direito inerentes ao brasileiro, exceto aqueles que a 
própria Constituição restringir aos brasileiros natos. 
O gabarito oficial considerou a resposta como errada.