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Projeto do canteiro de obras: avaliação das instalações provisórias e dos fluxos físicos de materiais
Andresa Aparecida Ribeiro da Silva Anacleto
RESUMO
Proposta: A organização do ambiente de trabalho deve ser prevista e dimensionada corretamente durante a fase de projeto do canteiro de obras. Este estudo tem como objetivo apresentar a importância da elaboração do projeto do canteiro de obras, a partir da reflexão sobre o planejamento das condições de trabalho e a importância dos fluxos físicos dos materiais na gestão da obra. Método de pesquisa/Abordagens: Será utilizado o método de estudo de caso, com as seguintes estratégias: diagnóstico do planejamento do canteiro, análise documental, registro de fotos e construção por método gráfico dos fluxos físicos de materiais. Resultados: Observa-se que, de forma geral, quando não é elaborado antecipadamente o projeto de canteiro de obras, podem ocorrer vários problemas e interferências na gestão da obra. Dessa forma, essa pesquisa apresenta um estudo das instalações provisórias e propõe melhorias e soluções alternativas para resolver as interferências encontradas nos fluxos de materiais em canteiro de obra.
INTRODUÇÃO
O canteiro de obras pode ser entendido como a “fábrica da obra” e, dessa forma, deve ser projetado segundo os princípios de organização e administração da produção. A adoção de ferramentas e princípios de outros setores industriais, como a lean production, tem auxiliado na organização eficaz de suprimentos em canteiros de obras.
Diversos pesquisadores enfatizam a importância do projeto da produção, que considere a distribuição espacial dos espaços internos do canteiro e sua relação com o ambiente externo da obra. A adoção de diretrizes e metodologias de planejamento e de projeto tem sido enfatizada como estratégia que, além de observarem o aspecto legal, apresentam também cuidados em relação à racionalização, qualidade e produtividade da produção.
Para Mourão; Novaes; Kemmer (2009), as dificuldades temporais e espaciais de locomoção e de localização das instalações em canteiros são uma das maiores causas de perdas na produtividade. Estas situações podem ser evitáveis e gerenciáveis se identificadas a tempo. Entretanto, nem sempre as empresas usam ferramentas de gerenciamento que consideram as necessidades de alocação de espaços no canteiro de obras.
Para Souza (2000), o estudo do canteiro de obras torna-se instrumento extremamente importante na busca da qualidade e da produtividade no processo produtivo, pois grande parte das ações acontece no próprio canteiro.
Passa a ser necessário prever a localização de cada área, entre elas as de trabalho, as de estocagem e as de circulação. Entretanto, a definição dos espaços de estocagem é, na maioria das vezes, feita em tempo real, no momento em que os materiais são recebidos. Isso frequentemente resulta em canteiros caóticos e operações ineficientes de manuseio dos materiais. O conhecimento antecipado do fluxo físico entre os diversos setores previstos torna-se fundamental para a eficiência do processo como um todo.
Ressalta-se que a combinação de espaço limitado com o amplo número de elementos que compõe um canteiro de obra, torna a concepção do projeto, similar à montagem de um “quebra cabeças”, necessitando empenho e criatividade por parte do projetista, para encontrar soluções viáveis e práticas (SAURIN; FORMOSO, 2006).
Existe também uma série de recomendações técnicas e legais que precisam ser seguidas durante a previsão do canteiro. A principal é a NR-18 (Norma Regulamentadora 18), referente às condições de segurança e saúde do trabalhador. São colocadas prescrições, como a previsão e dimensionamento das áreas de vivência e a restrição de circulação em áreas de cargas para gruas, por exemplo. Mas o atendimento somente às prescrições legais não garante que o canteiro possua uma boa organização logística.
Os fundamentos logísticos aplicados ao canteiro de obra tornam-se fundamentais para a eficiência e gestão do ambiente de trabalho. O enfoque na logística em projetos de canteiros, afeta o tempo de deslocamento de trabalhadores e o custo de movimentação dos materiais e aperfeiçoa a execução das atividades e na produtividade global da obra e serviços (MENEZES; SERRA, 2003).
Dessa forma, este trabalho pretende analisar um canteiro de obras real, que apesar de possuir uma boa estrutura de suporte à obra, como áreas de vivência bem dimensionadas, não utilizou amplamente os princípios de organização e de logística, fazendo surgir assim, vários problemas de fluxos físicos na circulação dos materiais e componentes.
O PROJETO DO CANTEIRO DE OBRAS
Segundo Ferreira; Franco (1998), para as empresas atenderem às normas técnicas e regulamentadoras e a um mercado competitivo mais exigente, torna-se necessária a elaboração do projeto do canteiro de obras, como forma de atender às exigências legais e possibilitar a análise das condições de trabalho e segurança nas obras. Com isso, o sistema de produção do edifício torna-se mais eficiente.
O projeto do canteiro é o serviço integrante do processo de construção, responsável pela definição do tamanho, forma e localização das áreas de trabalho, fixas e temporárias, e das vias de circulação, necessárias ao desenvolvimento das operações de apoio e execução, durante cada fase da obra, de forma integrada e evolutiva, de acordo com o projeto de produção do empreendimento, oferecendo condições de segurança, saúde e motivação aos trabalhadores e execução racionalizada dos serviços (FERREIRA; FRANCO, 1998).
O arranjo físico ou layout é um estudo sistemático, que procura uma combinação ótima das instalações industriais que concorrem para a produção, dentro de um espaço disponível. Procura harmonizar e integrar equipamentos, mão-de-obra, administração indireta, enfim, todos os itens de uma atividade industrial.
O planejamento do canteiro
O planejamento ineficaz do projeto de canteiro de obras ou layout, irá continuamente afetar o custo da produção, encarecendo o produto. É importante que o setor responsável pelo arranjo físico seja constantemente alimentado por um sistema de informações da estrutura industrial. Portanto, o canteiro de obras é uma estrutura dinâmica, mutável com o desenvolver da obra. Enquanto a obra vai sendo executada, o mesmo assume características e formas especiais em função da diversidade dos serviços, materiais e equipamentos presentes, caracterizando diferentes fases de configuração do canteiro.
Mourão; Novaes; Kemmer (2009) citam que o problema de transporte de materiais pode ser minimizado através de um estudo do layout do canteiro, procurando a melhor posição para o guincho, a central de betoneiras, locais para o estoque de material e entrada de caminhões. Este estudo deve procurar a otimização das distâncias, de modo a reduzir o transporte.
Outros condicionantes que influenciam no dimensionamento são as programações físicas da obra, a frequência de abastecimento dos fornecedores, a disponibilidade de espaço no canteiro, a existência de compras com lote econômico, a necessidade de manutenção dos estoques mínimos, e as condições e restrições de armazenamento dos insumos no local. Em função das restrições e exigências existentes, diversas empresas alocam seus insumos ou áreas de vivência em edificações vizinhas alugadas, que devem ser consideradas na concepção de projetos de canteiros de obras.
De um modo geral, os principais pontos que determinam as alterações de um layout são: mudança no projeto do produto ou no processo produtivo, novo produto, melhoria das condições de trabalho, variações na demanda do produto, substituição de equipamentos, introdução de novos métodos de organização e controle. Portanto, o projeto do canteiro deve considerar a interface entre as estratégias de produção, as fases do planejamento de execução da obra e as instalações necessárias.
Diretrizes para o projeto do canteiro de obras
Os princípios que devemser respeitados na elaboração do layout de um canteiro de obras devem ser os mesmos do layout industrial, que de acordo com Borba (1998), são:
Integração de todos os elementos e fatores: almoxarifados, entradas e saídas para operários distintos, para os clientes, disposição dos equipamentos etc.;
Mínima distância: o transporte nada produz, portanto deve ser minimizado e se possível eliminado;
Obediência do fluxo de operações: evitar cruzamentos, retornos, interferências e congestionamentos;
Racionalização do espaço: aproveitar as quatro dimensões (geométrica e temporal) – subsolo, espaços superiores para transportar, canalizações, depósitos pouco usados;
Satisfação e segurança do empregado: um melhor aspecto das áreas de trabalho promove tanto a elevação da moral do trabalhador quanto a redução de riscos de acidentes;
Flexibilidade: possibilidade de mudança dos equipamentos, quando evoluir ou modificar a linha de produtos – condições atuais e futuras.
Para que o projeto de canteiro de obra seja o mais apropriado possível, é necessário que o mesmo se desenvolva segundo uma metodologia pré-estabelecida. Maia (2003) apresenta um método para subsidiar a definição do arranjo físico dos elementos do canteiro, considerando a elaboração de uma lista de critérios: acessibilidade, facilidade para a movimentação de materiais e de pessoal, interferência entre os fluxos, confiabilidade dos equipamentos, qualidade da estocagem, segurança patrimonial, segurança da mão-de-obra, flexibilidade, estética e marketing, interação administração e produção, salubridade e motivação do operário e custo.
As informações básicas para a realização do layout do canteiro de obras devem ser analisadas através de vários documentos, entre eles: projetos executivos revisados e compatibilizados, cronograma físico da obra, cronograma de compras, especificações técnicas da obra, definições sobre compra de argamassas e/ou concretos prontos, NR 18 (BRASIL, 1995), produtividade dos operários para os serviços da obra, estudos de inter- relacionamento homem/máquina e equipamentos, definição de equipe técnica, definição do número de funcionários na obra (empreiteiras e subempreiteiras), definição dos processos construtivos, rede de serviços públicos, visita ao local para verificação de: acessos, muros, desníveis e detalhes de projetos (FÉLIX, 2000).
Deve-se levar em consideração que o planejamento do arranjo físico de um canteiro de obras é desafiador, pois para ter sucesso, o planejador deve ter a experiência em projetos semelhantes. O arranjo físico do canteiro deve garantir a estabilidade das operações ao longo do processo de construção e evitar a necessidade de muitas alterações nas alocações dos elementos, além daquelas previstas durante o planejamento (FREITAS, 2009).
Deve-se primar pela minimização das interferências entre setores de produção, áreas de vivência e áreas administrativas no canteiro de obras, privilegiar a qualidade de vida no trabalho juntamente com a produtividade e qualidade dos serviços, e avaliar a capacidade do sistema atender à produção e o custo das alternativas.
As condições de trabalho no canteiro de obras
Os principais índices para dimensionamento de canteiros de obras são a NR-18 revisada em 1995 (BRASIL, 2011) e norma técnica ABNT 12.284, denominada por Áreas de Vivência em Canteiro de Obras - Procedimento (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1991). O atendimento aos requisitos legais garante a conformidade com a legislação e consequente melhoria do ambiente de trabalho, mas nem sempre aperfeiçoa a organização e a distribuição do ambiente visando a máxima produtividade e eficiência no canteiro. Muitas vezes, as decisões do arranjo físico são tomadas considerando-se somente os custos envolvidos e o atendimento mínimo e necessário para o funcionamento da obra.
Saurin (1997) propôs uma lista de verificação das condições de trabalho e de organização do canteiro de obras, tomando por base alguns requisitos da NR-18 e as diretrizes de planejamento logístico. Durante o preenchimento do questionário existem três possíveis respostas: “SIM”, “NÃO” e “NÃO SE APLICA”. As respostas assinaladas com a opção “SIM” representam a existência de boas práticas e as respostas assinaladas com “NÃO” significam que as práticas não estavam implementadas no canteiro em análise. Já as respostas “NÃO SE APLICA” (NA) indicam que as práticas não eram necessárias no canteiro, seja devido à tipologia da obra ou a fase de execução no dia da visita. Ao final da avaliação, obtém-se uma nota geral da obra, numa escala de zero a dez, que é um indicador do comportamento do canteiro em relação aos aspectos avaliados. A análise dos indicadores obtidos orienta a tomada de decisões e estratégias de melhoria das condições de trabalho no canteiro. Esta lista foi utilizada neste artigo como diagnóstico referencial das condições do canteiro.
Menezes; Serra (2003) verificou que as ações e práticas de segurança além de melhorarem as condições de vida do trabalhador, propiciam também maior eficácia ao processo produtivo, através do projeto do canteiro e correta previsão das instalações necessárias à administração da obra.
Gestão dos fluxos físicos
A organização e adequada sinalização do canteiro têm grande importância para o desenvolvimento dos fluxos físicos, aumentando a transparência dos processos. Com a definição e delimitação clara do local de estocagem de cada insumo, pode-se facilmente reconhecer os desvios. Essa prática pode reduzir a ocorrência de movimentações e manuseio desnecessários, além de poder reduzir a ocorrência de congestionamentos devido à movimentação de materiais, ferramentas e equipamentos, que se encontram espalhados de forma desorganizada pelo canteiro.
A análise do fluxo de materiais consiste na determinação da melhor sequência de movimentação dos materiais através das etapas exigidas pelo processo, e na determinação da intensidade ou magnitude desses movimentos. O fluxo deve permitir que o material seja movimentado progressivamente durante o processo, sem retornos, desvios ou cruzamentos.
De acordo com Zegarra (2000), os baixos índices de produtividade podem ser relacionados a uma gestão logística deficiente, sendo as principais características observadas nos canteiros: (I) transporte interno excessivo de materiais; (II) estocagem sem critério; (III)grandes perdas; (IV) furtos; (V) falta de material; (VI) erros nas entregas; (VII) grande quantidade de materiais devolvidos ao fornecedor; (VIII) quebras e (IX) danos em trabalhos realizados. Além disso, os estudos mostraram que, em média, um operário passa aproximadamente um terço do seu tempo na obra, procurando e manuseando materiais.
Para proporcionar transparência aos fluxos físicos, podem ser utilizadas ferramentas para a coleta e divulgação de dados sobre a produção. Os gráficos, imagens, plantas, diagramas e mapofluxogramas podem ser utilizados como fonte de informações para auxiliar na tomada de decisão com base em dados e fatos, durante as reuniões de planejamento. Além disso, os diagramas e mapofluxogramas podem auxiliar na realização de simulações em planta com o objetivo de analisar e melhorar a forma de desenvolvimento dos trabalhos, através da eliminação de práticas que contribuem para a ocorrência de perdas e da identificação de sequências e formas de produção mais eficientes. Portanto, estas ferramentas podem fornecer informações para a elaboração dos planos com base em dados e fatos. Porém, deve-se ressaltar que a sua utilização, deve ser acompanhada por uma análise que vise identificar os pontos nos quais podem ser efetuadas melhorias.
Deve-se observar, porém, que nem todas as interferências entre atividades irão causar conflitos. Outro aspecto importante é a observação das características dos espaços necessários para cada atividade, pois essa caracterização irá auxiliar na identificação do tipo de conflito de tempo e espaço que se tem, e se o mesmo realmente pode causar problemas ou não.ESTUDO DE CASO
O canteiro de obras em estudo contemplou a execução de um empreendimento residencial na cidade de Franca, SP. O empreendimento de alto padrão é composto por torre única com vinte e quatro pavimentos, dois apartamentos por pavimento, construído em alvenaria convencional. As edificações destinadas a esse público são normalmente situadas em uma das áreas mais tradicionais e valorizadas da cidade. Normalmente possuem grande disponibilidade de espaço para a implantação do canteiro de obras, representada pelas áreas de circulação no térreo, 1º subsolo e 2º subsolo. As Figuras 1, 2 e 3 apresentam as implantações dos canteiros de obra em estudo, com a localização das principais áreas: estoque de materiais, elevadores–cremalheira, central de argamassa e grout, guarita, banheiros, vestiário, refeitório, engenharia e administrativo no térreo, já no 1º subsolo temos: depósito de hidráulica, elétrica, ferramentaria, equipamento de segurança, depósito de canos e D.M.L. No 2º subsolo as áreas de estoque de gesso (ensacado), poli corte, serra de bancada, aço e madeira. Ressalta-se que o acesso principal ao canteiro (entrada), caracteriza-se por uma via com fluxo intenso de veículos.
Os serviços em execução na fase de realização do estudo eram referentes às etapas de obra bruta e obra fina. A alvenaria já havia sido concluída, estando em fase de finalização. Dessa forma, estavam sendo executados os seguintes serviços: reboco, pintura externa, gesso, revestimento cerâmico (piso e parede). Pela complexidade dos serviços em execução e pelo planejamento da produção, pode-se afirmar que o canteiro encontrava-se em seu momento de pico do processo de execução, caracterizado por um grande número de operários e uma quantidade significativa de atividades realizadas de forma simultânea.
Figura 1. Implantação do canteiro de obras com a representação da torre
Figura 2. Implantação do canteiro de obras – 1º subsolo
Figura 3. Implantação do canteiro de obras – 2º subsolo
Áreas administrativas
O uso de construções em madeira é usual nos canteiros, devido ao baixo custo, facilidade de montagem e desmontagem e ocupação de menor área no terreno. A reutilização dos materiais é possível, principalmente quando se procura utilizar a mesma configuração dos espaços. As situações observadas são verificadas nas Figuras 4 e 5.
 
Figura 4. Instalações provisórias: Guarita	Figura 5. Estoque de materiais 
As instalações provisórias destinadas à área administrativa e de estoque de materiais e ferramentas são compostas por ferramentaria, almoxarifado e administração. As instalações estão de acordo com as condições prescritas pela NR-18 e apresentam condições adequadas de trabalho.
 
Figura 6. Ferramentaria Figura 7. Almoxarifado
Figura 8. Administrativo 
 
Áreas de vivência
 
Figura 9. Refeitório Figura 10. Vestiário
A quantidade de operários presentes na fase de realização do estudo era de aproximadamente 80 trabalhadores, sendo que as áreas de vivência (Figuras 9 e 10) apresentavam diversos itens em acordo com a NR-18, como a previsão dos armários individuais e o refeitório com ampla iluminação. Analisando amplamente os itens da NR-18, pode-se afirmar que estas áreas foram consideradas adequadas para atendimento dos trabalhadores. Ressalta-se que as refeições eram realizadas em turnos diferentes, para que os trabalhadores tivessem espaço físico suficiente.
Figura 11. Planta baixa das áreas de vivência: vestiários, sanitários, refeitório, engenharia e administrativo.
Áreas de produção
Na fase de realização do estudo, a central de argamassa era a área de produção que estava sendo mais utilizada, apresentando cinco betoneiras em atividade devido à grande quantidade de frentes de trabalho de serviços argamassados (Figuras 12 e 13). Observou-se que o armazenamento dos agregados era realizado de forma adequada, em piso nivelado e com proteção de baias nas laterais. Outra constatação é que se procuraram posicionar a central de argamassa numa posição centralizada dentro do canteiro, de modo a diminuir o trajeto de distribuição de materiais entre os quatro cantos do edifício. Entretanto, como será visto a seguir, havia muita interferência do fluxo de transporte da argamassa com os de outros materiais (Figuras 14 e 15).
 
Figura 12. Central de argamassa Figura 13. Central de argamassa 
 
Figura 14 e 15. Estoque de blocos, pisos, cavaletes e tambores.
 
Depósitos de materiais
Os materiais como blocos, tubos, cerâmica (azulejo e piso), lajes, madeiras eram estocados no 1º subsolo e 2º subsolo do canteiro em local coberto (Figuras 16, 17 e 18), em concordância com as orientações de qualidade dos produtos. Os mesmos não estavam devidamente identificados e não havia controle do nível de estoque.
 
 
 
Figura 16. Estoque de materiais - 1º subsolo Figura 17. Estoque de materiais – 1º subsolo 
 
Figura 18. Estoque de materiais - 2º subsolo 
Sistema de transporte e movimentação
O sistema de transporte vertical de materiais utilizados, no momento do estudo, era realizado pelos próprios operários com uso de carriolas de pequena capacidade de transporte, e no sentido horizontal por elevadores-cremalheira. Em função disso, alguns materiais como as cerâmicas e blocos de concreto eram armazenados após entrega do fornecedor no pátio do canteiro, próximos ao local de utilização. Os caminhões não podiam adentrar ao canteiro e fazer o descarregamento dos materiais próximo aos locais fixados. Pode-se constatar que não havia planejamento logístico de distribuição e análise dos fluxos de transporte interno.
 
Figura 19. Pátio e acesso ao subsolo Figura 20. Pátio 
Figura 21. Elevadores 
 
ANÁLISE DOS DADOS
Avaliação do planejamento da obra
Na obra analisada, a nota das instalações provisórias reproduz a avaliação visual do arranjo físico, é satisfatória. A segurança do trabalho foi parcialmente atendida, obtendo desempenho satisfatório e ausência de acidentes do trabalho. O sistema de movimentação, particularmente, demonstra a avaliação ruim destacada pela grande movimentação de materiais e componentes. As centrais de produção apresentaram desempenho satisfatório.
CONCLUSÃO
O projeto do canteiro deve prever as condições mínimas de segurança e saúde prescritas na NR-18. O canteiro estudado atende satisfatoriamente aos requisitos, atingindo pontuação considerada boa. Estas condições colaboraram também, para que a obra conseguisse cumprir as metas de produções fixadas pela administração do empreendimento. Para melhorar a armazenagem e a movimentação dos materiais devem-se prever as áreas na elaboração do projeto do canteiro, bem como a quantidade de fluxos físicos e sua relação com outras áreas produtivas. A visão precisa ser sistêmica e considerar a diversidade e especificidade de cada fase de evolução da obra.
Também a análise da logística deve ser pensada antecipadamente, de forma a facilitar o fluxo físico dos recursos alocados no canteiro. O projeto do canteiro de obras auxilia na análise do processo de produção de uma edificação, diminuindo os desperdícios, custos e tempo de duração da execução dos serviços. Entretanto, percebe-se que a edificação em estudo, em fase de execuçãode várias atividades, sem uma análise preliminar, ocasionou um transporte de materiais com muitos conflitos. Esses conflitos poderiam ser minimizados com o planejamento adequado a longo, médio e curto prazo da logística do canteiro de obras. O planejamento do canteiro deve ser iniciado antes do início da execução da obra e deve se consolidar na proposta de um projeto específico.
Assim, é importante que as empresas construtoras tenham a consciência das perdas inerentes ao não planejamento de canteiros de obras, e que a proposição do projeto de forma sistêmica e integrada com a produção, trará benefícios sociais, econômicos e ambientais para a sociedade.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 12284: Áreas de
vivência em canteiros de obras - Procedimento. Rio de Janeiro, 1991. 14 p.
BORBA, M. Arranjo Físico. 42p. 1998. Apostila do curso de Engenharia de Produção, UFSC. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/51933460/6/Principios-do-Arranjo-Fisico. Acesso em maio de 2011.
BRASIL, Ministério do Trabalho. Norma Regulamentadora N. 18. Considerações e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção. Brasília: Fundacentro, 1995. 70 p. Disponível em: < 59 phttp://portal.mte.gov.br/legislacao/norma-regulamentadora-n-18- 1.htm>. Acesso em maio de 2011.
FÉLIX, M.C. Layout em canteiros de obras. Seminário Sul Brasileiro sobre Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção. 2000. Disponível em: www.fundacentro.sc.gov.br. Acesso em março de 2001.
FERREIRA, E.A.M.; FRANCO, L.S. Metodologia para Elaboração do Projeto do Canteiro de Obras de Edifícios. Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP, São Paulo, n. BT/PCC/210, 1998, 20p.
FREITAS, M.R. Ferramenta Computacional para Apoio ao Planejamento e Elaboração do Leiaute de Canteiro de Obras. 2009. 191 p. Tese (Doutorado em Engenharia) – Departamento de Engenharia Civil, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.
MAIA, A.C.; SOUZA, U.E.L. Método para conceber o arranjo físico dos elementos do canteiro de obras de edifícios: fase criativa. Boletim Técnico EPUSP/PCC/338. 2003. 31p.
MENEZES, G.S.; SERRA, S.M.B. Análise das Áreas de Vivência em Canteiros de Obra. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GESTÃO E ECONOMIA DA CONSTRUÇÃO, 3, 2003, São
Carlos. Anais... São Carlos: UFSCar, 2003. 10 p.
MOURÃO, C.A.M.A.; NOVAES, M.V.; KEMMER, S.L. Gestão de fluxos logísticos internos na construção civil - o caso de obras verticais em Fortaleza-CE. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GESTÃO E ECONOMIA DA CONSTRUÇÃO, 6., 2009, João Pessoa, PB.
Anais ... João Pessoa, PB: IF-PB, 2009. 10 p
SAURIN, T.A. Método para diagnóstico e diretrizes para planejamento de canteiros de obras de edificações. 1997. 150f. Dissertação (Mestrado em Engenharia) – Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
SAURIN, T.A.; FORMOSO, C.T. Planejamento de Canteiros de Obra e Gestão de Processos. Porto Alegre: Associação Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído - ANTAC, 2006. 112 p. Recomendações Técnicas HABITARE.
SOUZA, U.E.L. Projeto e implantação do canteiro. São Paulo: Editora O Nome da Rosa, 2000. 92p.
ZEGARRA, S.L.V. Diretrizes para elaboração de um modelo de gestão dos fluxos de informações como suporte à logística em empresas construtoras de edifícios. 2000. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.

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