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14   TROCA E CONTRATO ESTIMATÓRIO

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CURSO DE DIREITO UDC 
DIREITO CIVIL IV – CONTRATOS 
PROFESSOR: ME. LUIS MIGUEL BARUDI DE MATOS 
 
BIBLIOGRAFIA: 
- GAGLIANO, Pablo Stolze. Novo curso de direito civil: contratos – tomo I e II. Vol. IV. São Paulo: Saraiva 
- GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: contratos e atos unilaterais. Vol. III. São Paulo: Saraiva 
- TARTUCE, Flávio. Direito civil: direito das obrigações e responsabilidade civil. Vol. 2. São Paulo: Método 
- TARTUCE, Flávio. Direito civil: Teoria geral dos contratos e contratos em espécie. Vol. 3. São Paulo: Método 
O PRESENTE MATERIAL SERVE DE ORIENTAÇÃO PARA O ESTUDO QUE DEVE SER EMBASADO NA 
BIBLIOGRAFIA INDICADA 
TROCA OU PERMUTA 
 
CONCEITO E CARACTERÍSTICAS JURÍDICAS 
 
 CONCEITO: consiste na entrega de uma coisa para recebimento de outra, que não seja dinheiro. 
 
 A troca ou permuta é a forma contratual mais antiga que se tem notícia. 
 
 A permuta deu origem ao contrato de compra e venda, quando os bens passaram a ser trocados 
por moeda. 
 
 O contrato de permuta tem a mesma natureza jurídica da compra e venda: é bilateral, oneroso e 
consensual. 
 
 Da mesma maneira que a compra e venda, a permuta não gera efeitos reais, mas sim a obrigação 
de transferir ao outro o domínio da coisa objeto de permuta. 
 
 Assim como na compra e venda, na permuta todas as coisas disponíveis para comércio (que não 
sofram indisponibilidade natural, legal ou convencional) podem ser permutadas, não sendo 
necessário que os bens sejam da mesma espécie ou valor. 
 
 Dessa forma e a partir dessas semelhanças, aplicam-se à permuta as regras da compra e venda, 
com algumas modificações que atendem às suas especificidades inerentes. 
 
Art. 533. Aplicam-se à troca as disposições referentes à compra e venda, com as seguintes modificações: 
I - salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes pagará por metade as despesas com o 
instrumento da troca; 
II - é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos 
outros descendentes e do cônjuge do alienante. 
 
 As diferenças restringem-se então: 
 
1. Rateio das despesas referentes à permuta, salvo disposição em contrário por comum acordo 
entre as partes. 
 
2. A troca entre ascendentes e descendentes referente a bens com valores desiguais deve contar 
com a anuência dos outros descendentes e do cônjuge do alienante. 
 
Nesse caso, se o bem pertencente ao ascendente for de maior valor, haverá necessidade de 
anuência. 
 
Caso o bem do ascendente tenha menor valor, não será necessária a anuência (não existe 
prejuízo aos demais ascendentes). 
 
 Caso os bens permutados tenham valores desiguais, a parte cujo bem tem valor inferior ao 
outro, completa sua prestação com dinheiro, conhecido neste caso como torna. 
 
 Esta se transformará em compra e venda se a torna representar mais de 50% do valor do bem. 
 
CONTRATO ESTIMATÓRIO 
 
CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA 
 
 CONCEITO: contrato estimatório ou de vendas em consignação é aquele em que uma pessoa 
(consignante) entrega bens móveis a outra (consignatária), ficando esta autorizada a vendê-los, 
obrigando-se a pagar um preço ajustado previamente ou restituir as coisas consignadas dentro 
do prazo ajustado. 
 
Art. 534. Pelo contrato estimatório, o consignante entrega bens móveis ao consignatário, que fica 
autorizado a vendê-los, pagando àquele o preço ajustado, salvo se preferir, no prazo estabelecido, 
restituir-lhe a coisa consignada. 
 
 Apenas os bens móveis e que estão no comércio podem ser objeto do contrato estimatório. 
 
 As partes estipulam um preço pelo bem, que é base do contrato entre ambas para fins de 
pagamento ou restituição. 
 
 A parte consignatária (que recebe o bem) pode vendê-lo a terceiro por qualquer valor, desde 
que pague à parte consignante (que entregou o bem) o preço que foi ajustado. 
 
 O consignatário é responsável pelo bem que lhe foi entregue durante o período de vigência do 
contrato estimatório, mesmo que o dano não seja por ele causado. 
 
 Nesse caso, não existindo mais a coisa ou sua devolução de forma integral não seja possível, o 
consignatário será obrigado a pagar ao consignante o preço ajustado. 
 
Art. 535. O consignatário não se exonera da obrigação de pagar o preço, se a restituição da coisa, em 
sua integridade, se tornar impossível, ainda que por fato a ele não imputável. 
 
 A coisa entregue em consignação não pertence ao consignatário. 
 
 Assim, esta não poderá ser penhorada ou sequestrada para garantir dívidas do consignatário 
(que recebeu), mas poderá sê-lo por dívidas do consignante (que entregou). 
 
Art. 536. A coisa consignada não pode ser objeto de penhora ou seqüestro pelos credores do 
consignatário, enquanto não pago integralmente o preço. 
 
 Durante a vigência do contrato estimatório, o consignante, mesmo sendo proprietário do bem, 
não poderá dispor (aliená-lo) antes do término do prazo estipulado, quando haverá a restituição 
do bem ou, em caso de antecipação da restituição ou informação expressa de que essa virá a 
ocorrer. 
 
Art. 537. O consignante não pode dispor da coisa antes de lhe ser restituída ou de lhe ser comunicada a 
restituição.