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Capitalsimo, desigualdade e pobreza na América Latina

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Capitalismo, Desigualdade e Pobreza na 
América Latina 
 
Luis Estenssoro 
Orientador: Prof. Dr. Sedi Hirano 
 
 
 
 
 
 
 
Tese de Doutorado 
Departamento de Sociologia 
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) 
Universidade de São Paulo (USP) 
São Paulo - 2003 
 2
 
Capitalismo, Desigualdade e Pobreza na 
América Latina 
 
Luis Estenssoro 
Orientador: Prof. Dr. Sedi Hirano 
 
 
Tese apresentada ao Departamento de Sociologia da 
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas 
(FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) para 
obtenção de título de Doutor em Sociologia 
 
 
 
 
Departamento de Sociologia 
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) 
Universidade de São Paulo (USP) 
 
 
São Paulo, 2003 
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AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço a solidariedade das pessoas e instituições que contribuíram de alguma 
forma em algum momento para que este trabalho se completasse: 
 
• Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP); 
 
• Núcleo de Apoio à Pesquisa em Democratização e Desenvolvimento 
(NADD) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da 
Universidade de São Paulo (USP). 
 
• Grupo de Análise de Conjuntura Internacional (Gacint) da 
Universidade de São Paulo (USP); 
 
• Coletivo de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores (PT), em 
especial os companheiros Profª. Ana Maria Stuart e Prof. Marco Aurélio Garcia; 
 
• Professores Maria Célia Paoli (FFLCH-USP), Sílvia Schor (FEA-USP), 
Eduardo Suplicy (EAESP-FGV), Lúcio Kowarick (FFLCH-USP), Sérgio Adorno 
(FFLCH-USP), Álvaro Comin (FFLCH-USP), Brasílio Sallum Jr. (FFLCH-
USP), Ricardo Antunes (UNICAMP), Márcio Pochmann (UNICAMP), Emir 
Sader (USP e UERJ) e Sedi Hirano (FFLCH-USP), meu orientador. 
 
• Amalia Estenssoro, economista para a América Latina, BBVA Securities-NY. 
 
 
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Aos meus pais, Enrique e Thereza, que acreditam. 
 
 
 
 
 
 
 
À memória do Prof. Maurício Tragtenberg. 
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“Comecemos, pois, por afastar todos os fatos, pois eles não se prendem à questão”. 
Jean-Jacques Rousseau 
Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens, 1754. 
 
 
 
 
 
 
“Uma estratégia cuidadosa e complexa pode, com o tempo, acabar transformando o 
capitalismo em socialismo, mas vale dizer que no momento presente ninguém tem 
uma idéia nítida de como isto pode acontecer, muito menos quando.” 
Eric J. Hobsbawm 
“Deveriam os Pobres se Organizar?” in: Mundos do Trabalho, 1984. 
 
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 “Se me fosse perguntado: O que é a escravidão? E eu respondesse numa palavra, 
É assassinato, o que quero dizer se entenderia de imediato. Nenhum argumento a 
mais seria necessário para mostrar que o poder que tira do homem seu 
pensamento, sua vontade, sua personalidade, é um poder sobre a vida e sobre a 
morte; e que escravizar um homem é matá-lo. Porquê, então, diante desta outra 
questão: O que é propriedade? Não poderia eu responder da mesma forma, É um 
roubo, sem ter a certeza de ser mal interpretado; pois a segunda proposição não é 
nada mais do que uma transformação da primeira?” 
Pierre-Joseph Proudhon 
O que é a Propriedade? 1890. 
 
 
 
“Contra a burguesia coligada fora formada uma coalizão de pequenos burgueses 
e operários, o chamado partido social-democrata. (...) Quebrou-se o aspecto 
revolucionário das reivindicações sociais do proletariado e deu-se a elas uma 
feição democrática; despiu-se a forma puramente política das reivindicações 
democráticas da pequena burguesia e ressaltou-se seu aspecto socialista. Assim 
surgiu a social democracia.(...) O caráter peculiar da social-democracia resume-
se no fato de exigir instituições democrático-republicanas como meio não de 
acabar com dois extremos, capital e trabalho assalariado, mas de enfraquecer seu 
antagonismo e transformá-lo em harmonia. Por mais diferentes que sejam as 
medidas propostas para alcançar esse objetivo, por mais que sejam enfeitadas 
com concepções mais ou menos revolucionárias, o conteúdo permanece o mesmo. 
Esse conteúdo é a transformação da sociedade por um processo democrático, 
porém uma transformação dentro dos limites da pequena burguesia”. 
Karl Marx 
O 18 Brumário de Luis Bonaparte, 1852. 
 
 
 
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RESUMO 
 
Argumentamos que a superação da crise do modelo neoliberal de crescimento econômico, da crise do padrão de 
acumulação dependente e da crise do modo de produção capitalista tende a se dar por meio de mudanças estruturais vinculadas à 
situação dos 211 milhões de pobres na América Latina. Desta forma, encaramos a possibilidade da erradicação da pobreza como 
uma mudança social capaz de dar um mínimo de cidadania possível a essa população e de criar condições para futuras 
transformações. 
Afirmamos que a pobreza e a desigualdade, não sendo exclusivas do capitalismo, persistem e crescem neste modo de 
produção hegemônico no planeta devido a dois processos: 1) o crescimento econômico capitalista, ou seja, a expansão comercial e o 
investimento externo como processos que extraem o excedente dos setores e classes não-capitalistas (mercados externos) e 
constituem e consolidam nas áreas periféricas do sistema o imperialismo e sua contrapartida interna, a dependência; e, por outro 
lado, 2) a superexploração dos trabalhadores por meio da extração crescente de mais-valia (intensificando o trabalho e diminuindo 
os salários com relação ao valor da força de trabalho), e o processo simultâneo de inclusão marginal no sistema dos desempregados e 
pobres que trabalham (working poor). 
Isto é, o desenvolvimento e a dinâmica decorrente da própria expansão do capitalismo produz um exército industrial de 
reserva e, concomitantemente, um lumpemproletariado considerável. O exército de reserva é classicamente associado ao 
funcionamento econômico do sistema capitalista. Sustentamos aqui que o lumpemproletariado constitui-se também num produto do 
sistema capitalista, enquanto população economicamente marginalizada, socialmente excluída, e politicamente destituída dos seus 
direitos básicos. Em suma, uma transformação na condição dessa pobreza estrutural implica em mudanças estruturais que superem a 
condição de subcidadãos ou lumpencidadãos desses grupos excluídos. 
 
 
 
RESUMEN 
 
Argumentamos que la resolución de la crisis del modelo neoliberal de crecimiento económico, de la crisis del padrón de 
acumulación dependiente y de la crisis del modelo de producción capitalista tienden a darse por cambios estructurales vinculados a 
la situación de 211 millones de pobres en América Latina. De esta forma se plantea la erradicación de la pobreza como un cambio 
social capaz de generar niveles mínimos de participación ciudadana a esta población y de crear condiciones para futuras 
transformaciones. 
Afirmamos que la pobreza y desigualdad, sin ser exclusividad del capitalismo, persisten y crecen en este modelo de 
producción hegemónico en el mundo debido a dos procesos: 1) el crecimiento capitalista, o sea, la expansión comercial y la 
inversión externa como procesos de extracción de excedentes de sectores y clases no-capitalistas (mercados externos) que 
constituyen y consolidan en las áreas periféricas del sistema el imperialismo y su contrapartida interna, la dependencia; por otro 
lado, 2) la superexplotación de los trabajadores por medio de la extracción creciente de la plus-valia (intensificando el trabajo y 
disminuyendo los salarios con relación al valor de la fuerza del trabajo), con el proceso simultaneo de inclusión marginal en el 
sistema de los desempleados y pobres que trabajan (working poor). 
En suma, el desarrollo de la

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