Fonética e Fonologia - Adelaide H. P. Silva - pdf
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Fonética e Fonologia - Adelaide H. P. Silva - pdf


DisciplinaFonética e Fonologia do Português397 materiais20.009 seguidores
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condicionam 
a ocorrência de [l]. Elas estão modificando um fonema de modo que, diante delas, se realize como [l]. É 
justamente o fato ao qual se refere a primeira premissa, portanto.
Há ainda uma questão a ser resolvida quanto aos dados do Georgiano: qual é o fonema lateral? 
Se consideramos \u2013 como faz Pike \u2013 que o fonema é uma entidade invariante que reúne em si algumas 
variantes foneticamente aparentadas, então diremos que /û/ é fonema e [l], seu alofone. Podemos for-
malizar essa observação da seguinte maneira:
 [l]/_ [i,e]
/û/ 
 [û]/NDA
Lê-se: o fonema lateral velarizada /û/ se realiza como o alofone [l] diante das vogais [i] e [e] e como 
[û] \u201cnos demais ambientes\u201d (NDA). Note que a barra indica o ambiente que condiciona uma ou outra 
realização do fonema.
Atenção: a distribuição complementar é um fato evidente da presença de alofonia numa língua.
Livro_Fonética_e_Fonologia.indb - pg: 97 - QUARTA PROVA 09/11/2007 08:20:01
98 | Língua Portuguesa: Fonética e Fonologia
Transcrição fonológica (fonêmica)
A transcrição fonética \u2013 como você já sabe \u2013 é disposta entre colchetes e anota todos os sons de 
uma língua. Para a transcrição fonológica, ou fonêmica (mais especificamente neste caso, já que estamos 
abordando uma metodologia de análise fonológica chamada \u201cfonêmica\u201d), anotam-se apenas os fone-
mas de uma língua. Isso significa que não são quaisquer sons da língua contemplados pela transcrição 
fonológica, mas apenas os que têm estatuto de fonemas. A transcrição fonológica é disposta entre bar-
ras inclinadas. Voltando ao Georgiano, temos então:
Quadro 5 \u2013 Transcrição fonológica dos dados do georgiano
Lindamente Perda Mão
Objetivo Caneca Entretanto
Em casa Borboleta Fogo
Alegria Reduzir Eu derramo
Dente Uma vez Esposa
No quadro 5, os dados negritados correspondem àqueles que continham a lateral alveolar na 
transcrição fonética e que, por ser alofone de [û] não pode figurar aí.
Atenção: as barras e os colchetes não são meros detalhes de transcrição. Antes, eles carregam 
uma diferença teórica, relativa ao estatuto dos sons de uma língua, por isso a necessidade e importância 
de se observar essa convenção.
Você deve estar se perguntando, neste momento, sobre os outros sons do Georgiano e que não 
comentamos aqui: os dados de que dispomos não são suficientes para verificarmos seu estatuto. Mas, 
como nenhuma ressalva foi feita, podemos, para fins da análise desses dados apenas, considerar todos 
os demais sons também fonemas dessa língua. Daí a transcrição do quadro 5 ter sido elaborada dessa 
maneira. Eventualmente, se aumentássemos o inventário dos dados, poderíamos concluir que algum (s) 
do(s) outro(s) som(s) são também variantes de outros fonemas, o que nos levaria a refinar a análise para 
contemplar esses novos fatos. Entretanto, este não é o caso aqui.
O trabalho de análise fonológica termina aqui. Se fôssemos continuar seguindo os propósitos da 
análise fonêmica, nosso passo seguinte seria propor um sistema de escrita para o Georgiano, tomando por 
base o inventário de fonemas dessa língua. Mas essa é uma outra história, que foge aos nossos objetivos.
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99|Identificando os fonemas de uma língua
Texto complementar
Fonemas em Portugal e no Brasil
(FONSECA, 2007)
Nunca os contei [fonemas do Português brasileiro e do Português europeu], mas podemos 
falar de alguns dados curiosos. No Brasil, não há a vogal que em Portugal se chama e mudo, assim 
chamada porque muitíssimas vezes não se pronuncia (caso contrário, tem um som muito fechado, 
mais que o â, existente, com pequenas diferenças, no Romeno, no Russo e no Turco, por exemplo). 
Em Português europeu, a não ser dialectadamente, já não se usa o ditongo que se ouve em bem, 
pronunciado à brasileira (ei, com til no e), transformando-se sempre em -ãe, igual ao de mãe. 
A contagem varia de foneticista para foneticista, mas não deixa de ser interessante que as diferen-
ças de pronúncia, correspondentes à ortografia, das variantes lusitana e brasileira, no Português 
europeu apresentam o dobro das complicações, no sentido de as combinações alfabéticas terem 
muito mais numerosas equivalências sónicas. O que acima se diz pode ser verificado na obra do pro-
fessor suíço Dr. Max Mangold Aussprachelehre der Bekannteren Fremdsprachen (Ensino da Pronúncia 
das Línguas Estrangeiras mais Conhecidas), Mannheim, 1964.
Atividades
 Com base no texto que você acabou de ler, responda às questões seguintes:
1. O objetivo da análise fonêmica é:
a) fornecer um sistema de escrita para línguas ágrafas, através da análise fonológica de dados 
fonéticos dessas línguas.
b) fornecer um sistema de escrita alternativo para línguas que já têm um, com base nas variantes 
sonoras dessas línguas.
c) verificar quais sons são fonemas de uma dada língua para fazer um levantamento dos traços 
distintivos que operam nessa língua.
d) verificar quais são os sons de uma língua a partir da transcrição fonológica e das variantes dos 
fonemas.
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100 | Língua Portuguesa: Fonética e Fonologia
2. Considere a seguinte análise fonológica para um dialeto do Português brasileiro (por exemplo, o 
dialeto falado no Rio de Janeiro):
 [ ] /_[ ]
/t/ 
 [ ]/NDA
 Lê-se:
a) Há dois fonemas no dialeto, , sendo a distribuição de mais ampla que a de .
b) O fonema realiza-se como o alofone [ ] diante de [ ] e como [ ] nos demais ambientes.
c) O fonema realiza-se como dois alofones, [ ] e [ ], cujas distribuições são imprevisíveis.
d) Não há fonema no dialeto, mas duas variantes, [ ] e [ ], sendo a distribuição de [ ] mais 
restrita.
3. O fato de a transcrição fonética ser anotada entre colchetes e a transcrição fonológica entre 
barras inclinadas retrata:
a) uma mera convenção, que pode inclusive ser desconsiderada pelo pesquisador.
b) que os sons que estão entre colchetes não variam, diferente daqueles entre barras.
c) uma distinção do estatuto das unidades, tal que os fonemas estão entre colchetes.
d) uma convenção para a natureza da transcrição, sem implicação para o estatuto das unidades.
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Fonemas do Português 
brasileiro: consoantes
Aqui, daremos especial ênfase aos fonemas consonantais.
Se procedermos à análise fonológica da língua, podemos chegar a um quadro como o reproduzi-
do a seguir abaixo. De antemão, é preciso notar que nem todos os fonemas apontados aí são consensu-
ais. Nesse caso, eles estão marcados com um asterisco.
Quadro 1 \u2013 Fonemas consonantais do Português brasileiro
Bilabiais Lábio- dentais Alveolares
Pós- 
alveolares Palatais Velares
Oclusivas
Nasais
Vibrantes
Tap
Fricativas
Laterais
Aproximantes
Note que, no quadro \u2013 baseado na tabela do Alfabeto Fonético Internacional (IPA) \u2013 não cons-
tam a aproximante lábio-velar e a lateral velarizada . Sobre esta, aliás, há controvérsias quanto a 
considerá-la fonema na Língua Portuguesa.
Estabelecido o quadro de fonemas consonantais, passemos a observar como se distribuem cada 
um dos fonemas listados e como se comportam, além das controvérsias subjacentes ao estatuto de 
alguns deles.
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102 | Língua Portuguesa: Fonética e Fonologia
Distribuição dos fonemas
Fonemas oclusivos
Na Língua Portuguesa, os fonemas /p, b, t, d, k, g/ podem ocorrer nas seguintes posições:
 Início de sílaba e de palavra, como em ::::
 Início de sílaba, no meio de palavra, como em ::::
 Final de sílaba, no interior da palavra, como em ::::
Cabe observar, sobre a distribuição dos fonemas oclusivos em final de sílaba, que a sua ocorrência 
em encontros consonantais heterossilábicos \u2013 isto
Meire
Meire fez um comentário
Alguém tem as respostas dos exercícios desse livro?
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