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22a edição Rio de Janeiro 2017 LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de partes dele, sob quaisquer formas ou meios, sem permissão expressa da Escola. REALIZAÇÃO Escola Nacional de Seguros SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO METODOLÓGICA Diretoria de Ensino Técnico ASSESSORIA TÉCNICA Afonso Lopes Teixeira Garcia Lamas – 2017 Gumercindo Rocha Filho – 2016 Aluízio José Bastos Barbosa Junior – 2015 CAPA Coordenadoria de Comunicação Social DIAGRAMAÇÃO Info Action Editoração Eletrônica Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da FUNENSEG. E73l Escola Nacional de Seguros. Diretoria de Ensino Técnico. Legislação e organização profissional/Supervisão e coordenação metodológica da Diretoria de Ensino Técnico; assessoria técnica de Afonso Lopes Teixeira Garcia Lamas. – 22. ed. – Rio de Janeiro: ENS, 2017. 226 p.; 28 cm 1. Seguro – Leis, decretos. 2. Corretor de seguros – Profissão – Leis, decretos. I. Lamas, Afonso Lopes Teixeira Garcia. II. Título. 0016-1794 CDU 368(094)(81)(072) A Escola Nacional de Seguros promove, desde 1971, diversas iniciativas no âmbito educacional, que contribuem para um mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e resseguro cada vez mais qualificado. Principal provedora de serviços voltados à educação continuada, para profissionais que atuam nessa área, a Escola Nacional de Seguros oferece a você a oportunidade de compartilhar conhecimento e experiências com uma equipe formada por especialistas que possuem sólida trajetória acadêmica. A qualidade do nosso ensino, aliada à sua dedicação, é o caminho para o sucesso nesse mercado, no qual as mudanças são constantes e a competitividade é cada vez maior. Seja bem-vindo à Escola Nacional de Seguros. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL4 SUMÁRIO 5 Sumário 1 2 O SISTEMA NACIONAL DE REGULAÇÃO, SUPERVISÃO E FISCALIZAÇÃO 7 DE SEGUROS PRIVADOS, DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA, CAPITALIZAÇÃO E CORRETAGEM As Principais Normas Legais e Regulamentares 9 O Sistema Nacional de Regulação, Supervisão e Fiscalização de Seguros Privados, 10 de Previdência Complementar Aberta, Capitalização e Corretagem Competências dos Órgãos Que Compõem o Sistema Nacional de Regulação, Supervisão e 14 Fiscalização de Seguros Privados, Previdência Complementar Aberta, Capitalização e Corretagem Compete ao CNSP – Conselho Nacional de Seguros Privados 14 Compete à SUSEP – Superintendência de Seguros Privados 18 Compete ao CRSNSP – Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, 23 de Previdência Privada Aberta e de Capitalização As Operações de Seguros Privados 25 Os Seguros Obrigatórios 29 O Resseguro – Lei Complementar no 126, de 15/01/2007 30 A Atuação do IRB Brasil RE 30 Das Normas Regulamentadoras do Resseguro e da Sociedade Corretora de Resseguros 33 Fixando Conceitos 1 35 O CORRETOR DE SEGUROS 37 O Sistema Sindical e o Corretor de Seguros 39 Vantagens da Associação Sindical 43 Funções das Entidades Sindicais 43 As Entidades Sindicais Representativas dos Corretores de Seguros 44 A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC 44 Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados, de Resseguros, de Capitalização, 45 de Previdência Privada e das Empresas Corretoras de Seguros e Resseguros – FENACOR Os Sindicatos de Corretores de Seguros nos Estados e no Distrito Federal (SINCORs) 46 A Lei que Regula a Profissão de Corretor de Seguros 48 O Papel de Intermediador do Corretor de Seguros 49 Requisitos para o Exercício Profissional e Registro na SUSEP 53 O Corretor de Seguros – Profissional Autônomo 53 As Corretoras de Seguros Pessoas Jurídicas 57 Qual a Melhor Opção? 60 Corretores de Seguros no SuperSimples 61 O que São Empresas Individuais de Responsabilidade Limitada – EIRELI 62 Habilitação Técnico-Profissional 63 Requerimento de Registro na SUSEP 63 Inexistência de Limitação Territorial para a Atuação do Corretor de Seguros 65 Os Prepostos do Corretor 65 Direitos e Deveres do Corretor 68 Deveres Básicos do Corretor 68 Direito à Comissão de Corretagem 70 LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL6 Dever de Registro das Propostas e de Demonstração à SUSEP 71 Dever de Repasse do Prêmio Recebido 72 Restrições Profissionais 74 Formas de Contratação e Aceitação das Propostas 76 As Responsabilidades do Corretor de Seguros 78 A Responsabilidade do Corretor de Seguros e o Código de Defesa do Consumidor – CDC 80 A Responsabilidade Penal e o Código Penal 83 A Responsabilidade Administrativa ou Profissional 83 A Lavagem de Dinheiro e a Responsabilidade dos Corretores de Seguros e Resseguros 88 em Face da Circular SUSEP no 445/12 Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF 91 Do Cadastro 92 Das Operações Suspeitas 93 Da Comunicação das Operações Suspeitas 94 Da Comunicação Feita de Boa-Fé 94 Da Responsabilidade Administrativa 94 Das Penalidades 95 A Estrutura Sindical da FENASEG 95 A Estrutura Representativa da CNseg 95 A Autorregulação do Mercado da Corretagem (Lei Complementar no 137, de 26/08/2010) 96 O Instituto Brasileiro de Autorregulação do Mercado de Corretagem de Seguros, de Resseguros, de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta – IBRACOR 97 Fixando Conceitos 2 99 TESTANDO CONHECIMENTOS 101 ESTUDOS DE CASO 111 ANEXOS 113 Anexo 1 – Lei Complementar no 126, de 15 de janeiro de 2007 115 Anexo 2 – Lei Complementar no 137, de 26 de agosto de 2010 125 Anexo 3 – Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966 127 Anexo 4 – Lei no 4.594, de 29 de dezembro de 1964 147 Anexo 5 – Resolução CNSP no 233, de 1o de abril de 2011 153 Anexo 6 – Resolução CNSP no 243, de 6 de dezembro de 2011 159 Anexo 7 – Resolução CNSP no 249, de 15 de fevereiro de 2012 187 Anexo 8 – Resolução CNSP no 295, de 25 de outubro de 2013 191 Anexo 9 – Circular SUSEP no 428, de 15 de fevereiro de 2012 195 Anexo 10 – Circular SUSEP no 435, de 25 de maio de 2012 197 Anexo 11 – Circular SUSEP no 445, de 2 de julho de 2012 205 Anexo 12 – Circular SUSEP no 510, de 22 de janeiro de 2015 213 Anexo 13 – Outras Legislações Importantes 221 GABARITO 223 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 225 UNIDADE 1 7 O SISTEMA NACIONAL DE REGULAÇÃO, SUPERVISÃO E FISCALIZAÇÃO DE SEGUROS PRIVADOS, DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA, CAPITALIZAÇÃO E CORRETAGEM 11 Após ler esta unidade, você deve ser capaz de: • Identificar as principais normas jurídicas sobre Seguros Privados, Previdência Complementar Aberta, Capitalização, Resseguros e Corretagem. • Conhecer a composição do Sistema Nacional de Regulação, Supervisão e Fiscalização de Seguros Privados, de Previdência Complementar Aberta, Capitalização e Corretagem. • Distinguir as competências do CNSP, da SUSEP e do CRSNSP. • Entender os fundamentos das operações de seguro e resseguro no Brasil. • Saber quais são os seguros legalmente obrigatórios no país. • Compreender e saber distinguir as responsabilidades administrativa, civil e penal do corretor de seguros. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL8 UNIDADE 1 9 AS PRINCIPAIS NORMAS LEGAIS E REGULAMENTARES As atividades de Seguros Privados, Previdência Complementar Aberta, Capitalização e Resseguros, bem como a Corretagem de Seguros, são regidas por um conjunto de normas legais (a Constituição Federal, além de leis complementares e ordinárias, decretos-leis e decretos) e normas infralegais regulamentares (ex.: resoluções editadas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP – e circulares emanadas pela Superintendência de Seguros Privados – SUSEP), as quais dispõem sobre a atividade dos seguros privados. Essas normas legais e infralegais contemplam a inserção da atividade seguradorano sistema financeiro; estabelecem os procedimentos operacionais dos setores de Seguros Privados, Previdência Complementar Aberta, Capitalização e Resseguro; disciplinam os respectivos contratos e regem as relações entre as partes; além de regular a profissão do corretor de seguros e a atividade da corretagem de seguros. Aqueles que pretendem atuar nesses setores devem conhecer as principais normas legais e infralegais regulamentares que se aplicam a tais atividades. São elas: Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB)1 – a Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, estabelece em seu art. 21, inciso VIII, que compete à União: “Administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de natureza financeira, especialmente as de crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros e de previdência privada”. No art. 22, inciso VII, dispõe que compete privativamente à União legislar sobre “política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores”. Lei no 4.594, de 29/12/1964 (com alterações posteriores)2 – regula a profissão de corretor de seguros. Decreto no 56.903, de 24/09/1965 – regula a profissão de corretor de seguros de Vida e de Capitalização, de conformidade com o artigo 32 da Lei no 4.594, de 29 de dezembro de 1964. Decreto-Lei no 73, de 21/11/19663 – dispõe sobre o Sistema Nacional de Seguros Privados, regula as operações de seguros e resseguros e dá outras providências. Decreto-Lei no 261, de 28/02/1967 – institui e regulamenta o Sistema Nacional de Capitalização. Decreto no 60.459, de 13/03/1967 – regulamenta o Decreto-Lei no 73, de 1966. 1 Lei maior do país, a qual estabelece os direitos e garantias individuais, a estrutura política, legislativa e judiciária. Na escala de hierarquia das leis, é a principal lei de um país, à qual todas as demais devem (em tese) submissão. 2 Lei ou lei ordinária são atos normativos primários, os quais contêm normas gerais de natureza abstrata. 3 Decreto-Lei é um decreto com força de lei, proveniente do Poder Executivo. Na verdade, a competência para a elaboração de leis é do Poder Legislativo. Em algumas ocasiões muito específicas, é dada ao Poder Executivo essa atribuição. Antes da Constituição Federal de 1988, denominava-se decreto-lei. Depois da promulgação da Constituição Federal de 1988, o Decreto-Lei foi substituído pela Medida Provisória, a qual trouxe diversas inovações. Alguns Decretos-Leis permanecem em vigor por terem sido recepcionados pela Constituição de 1988. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL10 Lei no 8.078, de 11/09/1990 – cria o Código de Defesa do Consumidor. Lei Complementar no 109, de 29/05/20014 – dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar e dá outras providências. Lei no 10.406, de 10/01/2002 (o Código Civil, de 2002) – contém disposições sobre a corretagem e seguros. Lei Complementar no 126, de 15/01/2007 – dispõe sobre a política de resseguro, retrocessão e sua intermediação, as operações de cosseguro, as contratações de seguro no exterior e as operações em moeda estrangeira do setor securitário; altera o Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, e a Lei no 8.031, de 12 de abril de 1990. Esse decreto-lei criou o Programa Nacional de Desestatização5. Lei Complementar no 137, de 26/08/2010 – autoriza a participação da União em fundo destinado à cobertura suplementar dos riscos do Seguro Rural, revogando e alterando disposições do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, instituindo, inclusive, as autorreguladoras da corretagem. O SISTEMA NACIONAL DE REGULAÇÃO, SUPERVISÃO E FISCALIZAÇÃO DE SEGUROS PRIVADOS, DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA, CAPITALIZAÇÃO E CORRETAGEM Inicialmente, os assuntos relacionados a Seguros e Capitalização eram conduzidos no âmbito do Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização – DNSPC –, vinculado ao então Ministério da Indústria e do Comércio, na forma do Decreto no 24.782, de 14 de julho de 1934. Em 21/11/1966 foi editado o Decreto-Lei no 73, que, no art. 35, criou a Superintendência de Seguros Privados – SUSEP –, para a qual foram transferidos todo o acervo e a documentação do antigo DNSPC. Cabe acrescentar que, em 1979, a SUSEP passou a ser subordinada ao Ministério da Fazenda. Foi esse mesmo Decreto-Lei que instituiu, no artigo 8o, o Sistema Nacional de Seguros Privados (SNSP), o qual, originalmente, tinha a seguinte composição: • Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP; • Superintendência de Seguros Privados – SUSEP; • Instituto de Resseguros do Brasil – IRB; • sociedades autorizadas a operar em seguros privados; e • corretores habilitados. 4 Lei complementar é a espécie de lei que objetiva complementar algum dispositivo da Constituição. Pode-se afirmar que, abaixo da Constituição Federal, é a norma de maior poder hierárquico. 5 “Ato ou efeito de desestatizar, fazer passar (empresa estatal) para a iniciativa privada” (Dicionário Caldas Aulete Digital). Vale a pena ler na íntegra Por força das alterações promovidas no Decreto-Lei no 73/66, pela Lei Complementar no 126/07, recomenda-se a leitura do texto integral atual daquele Decreto-Lei. www.planalto.gov.br UNIDADE 1 11 Com a promulgação, em 15/01/2007, da Lei Complementar no 126, que, entre outras matérias, dispôs sobre a política de resseguros e retrocessão, promovendo a abertura do mercado ressegurador brasileiro em definitivo, a redação do artigo 8o do Decreto-Lei no 73/66 foi modificada, de modo que o Sistema Nacional de Seguros Privados passou a ter a seguinte configuração: • Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP; • Superintendência de Seguros Privados – SUSEP; • resseguradores; • sociedades autorizadas a operar em seguros privados; e • corretores habilitados. Comentário 1 Antes da entrada em vigor da Lei Complementar no 126/2007, quando ainda havia o monopólio estatal do resseguro no Brasil, exercido pelo Instituto de Resseguros do Brasil – IRB –, cuja denominação social atual é IRB Brasil RE, este fazia parte diretamente do Sistema Nacional de Seguros Privados. Com a quebra desse monopólio, outros resseguradores puderam passar a atuar no mercado brasileiro, e o próprio IRB permaneceu funcionando como ressegurador, mais precisamente na modalidade de ressegurador local. Em 1988, como resultado do processo político de redemocratização, foi promulgada a Constituição da República Federativa do Brasil (também denominada “Constituição Federal”), que sucedeu a Constituição de 1969, instituída pelo regime militar. O artigo 192 da Constituição Federal de 1988, que trata do Sistema Financeiro Nacional, previa, originalmente, que a autorização e o funcionamento dos estabelecimentos de Seguro, Previdência e Capitalização, que compõem o referido sistema, seriam objeto de lei complementar. Assim, com a promulgação da Constituição Federal em 5 de outubro de 1988, o Decreto-Lei no 73/66 passou a ter status de lei complementar, já que, desde a época da edição da referida Constituição, o referido decreto-lei era o único diploma legal que dispunha sobre as operações de seguros privados no país, tanto é que a própria Lei Complementar 126/07 efetuou alterações ao teor original do Decreto-Lei no 73/66, o que, indubitavelmente, comprova a vigência e eficácia desse diploma legal. O artigo 192 da Constituição Federal foi objeto de sucessivas emendas constitucionais. A última foi a Emenda Constitucional no 40, de 29/05/2003. A redação atual daquele dispositivo é a seguinte: Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participaçãodo capital estrangeiro nas instituições que o integram. Como até hoje não foi editada nenhuma lei complementar tratando das operações de seguros privados no país, o Decreto-Lei no 73, de 1966, continua a ser recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de lei complementar. Vale a pena ler na íntegra A Lei Complementar no 126/07, que dispõe sobre a política de resseguro e retrocessão e dá outras providências, constituindo um importantíssimo marco para o resseguro no Brasil. www.planalto.gov.br LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL12 Com base nisso, a competência para formular a política de seguros privados, para legislar sobre suas normas gerais e para fiscalizar as operações do mercado nacional é do Governo Federal, conforme estabelecido no artigo 7o do referido Decreto-Lei: Art. 7o. Compete privativamente ao Governo Federal formular a política de seguros privados, legislar sobre suas normas gerais e fiscalizar as operações no mercado nacional (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967). Já as sociedades de capitalização, pertencem ao Sistema Nacional de Capitalização, instituído pelo artigo 3o do Decreto-Lei no 261, de 27/02/1967, tendo os seguintes integrantes: • Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP; • Superintendência de Seguros Privados – SUSEP; e • sociedades autorizadas a operar em Capitalização. Com a promulgação da Constituição Federal em 5 de outubro de 1988, o Decreto-Lei no 261/67 foi recepcionado pelo texto constitucional com status de lei complementar, a exemplo do que ocorrera com o Decreto-Lei no 73/66. Em 26/08/2010, foi editada a Lei Complementar no 137/2010, que modificou a redação dos parágrafos do artigo 3o do Decreto-Lei no 261/67, conforme segue: Art. 3o [...] § 1o Compete privativamente ao Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) fixar as diretrizes e normas da política de capitalização e regulamentar as operações das sociedades do ramo, relativamente às quais exercerá atribuições idênticas às estabelecidas para as sociedades de seguros, nos termos dos incisos I a VI, X a XII e XVII a XIX do art. 32 do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966. § 2o A Susep é o órgão executor da política de capitalização traçada pelo CNSP, cabendo-lhe fiscalizar a constituição, organização, funcionamento e operações das sociedades do ramo, relativamente às quais exercerá atribuições idênticas às estabelecidas para as sociedades de seguros, nos termos das alíneas “a”, “b”, “c”, “g”, “h”, “i”, “k” e “l” do art. 36 do Decreto-Lei no 73, de 1966. (NR) As Entidades Abertas de Previdência Complementar, por sua vez, eram regidas pela Lei no 6.435, de 15/07/1977, que, nos artigos 8o e 9o, atribuía ao órgão normativo e executivo do Sistema Nacional de Seguros Privados (portanto, à SUSEP) o poder de regulamentar e fiscalizar as Entidades Abertas de Previdência Privada, prevendo, ainda no artigo 10, que tais entidades seriam reguladas não apenas pelas disposições da mencionada lei, mas também pela legislação aplicável às sociedades seguradoras. Ocorre que, em 29/05/2001, a Lei Complementar no 109, que dispõe sobre o regime de Previdência Complementar, revogou, expressamente, a Lei no 6.435/77. UNIDADE 1 13 No entanto, o artigo 73 da Lei Complementar no 109/2001 prevê que as entidades abertas serão reguladas também, no que couber, pela legislação aplicável às sociedades seguradoras. O artigo 74, por sua vez, estabelece que as funções do órgão regulador e do órgão fiscalizador serão exercidas, no que toca às entidades abertas, pelo Ministério da Fazenda, por intermédio do Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP – e da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP. Constata-se, portanto, que o Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP – exerce, no âmbito do Sistema Nacional de Seguros Privados, do Sistema Nacional de Capitalização, bem como do Regime de Previdência Privada Complementar (somente no que se refere às entidades abertas), as mesmas atribuições. Idêntica situação se verifica no tocante à Superintendência de Seguros Privados – SUSEP. Por tais razões é que se pode falar na coexistência legal de dois Sistemas distintos, sendo um o de “Seguros Privados” e o outro o de “Capitalização”, conforme acima exposto. Considerando as competências privativas do órgão regulador (CNSP) e do órgão supervisor e fiscalizador (SUSEP), bem como a atuação e operacionalidade das sociedades seguradoras e resseguradoras; sociedades de capitalização; sociedades de vida e previdência; entidades abertas de previdência complementar; corretores de seguros e de resseguros; corretores de vida, de capitalização e de previdência complementar aberta, pode-se dizer que foi estabelecido um integrado Sistema Nacional de Regulação, Supervisão e Fiscalização para tais setores, mercados e atividades, assim constituídos: Órgãos Oficiais: • Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP (regulador); e • Superintendência de Seguros Privados – SUSEP (supervisor e fiscalizador); Administrados, supervisionados e fiscalizados: • resseguradores; • sociedades autorizadas a operar em seguros privados, incluindo as de vida e previdência; • entidades abertas de Previdência Complementar; • sociedades de capitalização; e • corretores habilitados. É fundamental acrescentar que o Seguro-Saúde, embora seja também uma modalidade de seguro, é regido de forma específica pela Lei no 9.656, de 03/06/1998, e se insere no Sistema Nacional de Saúde Suplementar. Tal seguro é operado exclusivamente por seguradoras especializadas, na forma do artigo 1o da Lei no 10.185, de 12/02/2001, regulamentado pelo Conselho de Saúde Suplementar – CONSU –, competindo a fiscalização das respectivas seguradoras à Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS (conforme o §3o do artigo 1o da mencionada Lei). LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL14 COMPETÊNCIAS DOS ÓRGÃOS QUE COMPÕEM O SISTEMA NACIONAL DE REGULAÇÃO, SUPERVISÃO E FISCALIZAÇÃO DE SEGUROS PRIVADOS, PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR ABERTA, CAPITALIZAÇÃO E CORRETAGEM Compete ao CNSP – Conselho Nacional de Seguros Privados O Decreto-Lei no 73/66 criou, por meio do art. 32, o Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP –, um órgão colegiado, sem personalidade jurídica, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, composto, atualmente, na forma da Lei no 10.190, de 14/02/2001 (que deu nova redação ao art. 33 do Decreto-Lei no 73, de 1966), pelos seguintes membros: • ministro de Estado da Fazenda ou seu representante; • superintendente da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP; • 1 representante do Ministério da Justiça; • 1 representante do Ministério da Previdência e Assistência Social; • 1 representante do Banco Central do Brasil; e • 1 representante da Comissão de Valores Mobiliários – CVM. Sua principal responsabilidade consiste na fixação das diretrizes e normas da política de seguros privados estabelecida pelo Governo Federal. Cabe analisar, a seguir, cada uma das competências atribuídas ao CNSP pelo referido Decreto-Lei: Art 32. É criado o Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP, ao qual compete privativamente (artigo retificado pelo Decreto-Lei no 296, de 1967): I – fixar as diretrizes e normas da política de seguros privados; Comentário 2 Nesse inciso, fica claro que o CNSP, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, é o órgão responsável por fixar as diretrizes e normas da política de seguros privados no país. O referido Conselho, baseado na política econômica estabelecida pelo Ministério da Fazenda, delimita a política de seguros privados, e esta deve estar, portanto, inteiramente integrada à política econômica. É necessário compreender que formular ou fixar as diretrizes e normas da política de seguros privados é competência privativa do PoderExecutivo, bem como enviar proposição de normas legais ao Poder Legislativo; assim como editar Decretos e Medidas Provisórias. Os órgãos jurisdicionados ao Ministério da Fazenda, no caso, o CNSP e a SUSEP têm, a competência privativa de editar normas infralegais, resoluções e circulares, respectivamente. UNIDADE 1 15 II – regular a constituição, organização, funcionamento e fiscalização dos que exercerem atividades subordinadas a este Decreto-Lei, bem como a aplicação das penalidades previstas; III – estipular índices e demais condições técnicas sobre tarifas, investimentos e outras relações patrimoniais a serem observadas pelas sociedades seguradoras; Comentário 3 Trata-se de mais uma atribuição relacionada à política econômica do país, objetivando evitar que as seguradoras apliquem tarifas/preços fora da realidade econômica ou, então, possam extrapolar o poder que exercerão nas operações que conceberão. O CNSP é órgão controlador dos respectivos índices. IV – fixar as características gerais dos contratos de seguros; Comentário 4 O Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor tratam das normas gerais – e algumas específicas – a respeito dos contratos. Por exemplo, o Código Civil estabelece limites para os contratos de adesão, mas não fixa as respectivas cláusulas. Cabe ao CNSP delimitar essas características gerais, sempre respeitando as normas já expressas nos referidos Códigos. V – fixar normas gerais de contabilidade e estatística a serem observadas pelas sociedades seguradoras; Comentário 5 Ao fixar as normas gerais de contabilidade e estatística que deverão ser observadas pelas sociedades seguradoras, o CNSP acaba exercendo uma espécie de controle, no concernente à gestão das próprias sociedades, zelando pelos investimentos dos segurados, bem como pelo lastro de capital necessário para garantir possíveis e futuras indenizações, além da veracidade dos lançamentos para efeitos tributários. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL16 VI – delimitar o capital das sociedades seguradoras e dos resseguradores; (inciso alterado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Comentário 6 Outra atribuição com características de proteção, no sentido de garantir o cumprimento das obrigações assumidas pelas sociedades seguradoras. Observe-se que esse inciso teve a redação alterada pela Lei Complementar no 126, de 2007, a qual deu nova concepção às operações de resseguro. VII – estabelecer as diretrizes gerais das operações de resseguro; Comentário 7 A Lei Complementar no 126, de 2007, estabeleceu uma sistemática específica para as operações de resseguro. O CNSP é o órgão responsável por estabelecer as diretrizes gerais dessas operações. VIII – disciplinar as operações de cosseguro (inciso alterado pela Lei Complementar no 126, de 2007); IX – (inciso revogado pela Lei Complementar no 126/07); X – aplicar às sociedades seguradoras estrangeiras autorizadas a funcionar no País as mesmas vedações ou restrições equivalentes às que vigorarem nos países da matriz, em relação às sociedades seguradoras brasileiras ali instaladas ou que neles desejem estabelecer-se; Comentário 8 O inciso X estabelece como atribuição do CNSP um princípio de Direito Internacional, denominado princípio da reciprocidade, pelo qual se dá ao estrangeiro o mesmo tratamento deferido ao nacional no país de origem daquele. XI – prescrever os critérios de constituição das sociedades seguradoras, com fixação dos limites legais e técnicos das operações de seguro; Comentário 9 As sociedades seguradoras devem ser concebidas na forma jurídica de sociedades anônimas, cabendo ao CNSP estabelecer os critérios pelos quais poderão ser efetivamente constituídas. UNIDADE 1 17 XII – disciplinar a corretagem de seguros e a profissão de corretor; Comentário 10 A corretagem de seguros e a profissão de corretor de seguros devem ser disciplinadas pelo CNSP, ao qual compete estabelecer as suas diretrizes e os seus requisitos. É preciso registrar que a Lei no 4.594, de 1964, estabelece os requisitos necessários para o exercício da profissão de corretor de seguros, exigindo o seu competente registro junto à SUSEP. A Circular SUSEP no 510, de 22 de janeiro de 2015, com alterações promovidas pelas Circulares SUSEP nos 514/2015, 520/2015 e 532/2016, dispõe sobre o registro de corretor de seguros, de capitalização e de previdência, pessoa física e pessoa jurídica, e sobre a atividade de corretagem de seguros, de capitalização e de previdência. XIII – (inciso revogado pela Lei Complementar no 126/07); XIV – decidir sobre sua própria organização, elaborando o respectivo Regimento Interno; Comentário 11 O próprio CNSP estabelecerá a sua organização, ditando como serão realizadas as suas atividades, compondo, inclusive, seu próprio regimento interno. XV – regular a organização, a composição e o funcionamento de suas Comissões Consultivas; Comentário 12 O CNSP está autorizado a criar e manter comissões consultivas com o objetivo não somente de analisar questões específicas, mas também de dirimir dúvidas sobre questões que lhe sejam apresentadas. XVI – regular a instalação e o funcionamento das Bolsas de Seguro. Comentário 13 Embora haja previsão legal para regulação, instalação e funcionamento das Bolsas de Seguro, na realidade, elas não existem, e não há qualquer marco regulatório nesse sentido. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL18 XVII – fixar as condições de constituição e extinção de entidades autorreguladoras do mercado de corretagem, sua forma jurídica, seus órgãos de administração e a forma de preenchimento de cargos administrativos; XVIII – regular o exercício do poder disciplinar das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem sobre seus membros, inclusive do poder de impor penalidades e de excluir membros; XIX – disciplinar a administração das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem e a fixação de emolumentos, comissões e quaisquer outras despesas cobradas por tais entidades, quando for o caso. (NR) Comentário 14 O CNSP editou, em abril de 2011, a Resolução no 233, que dispõe sobre as condições de constituição, organização, funcionamento e extinção de entidades autorreguladoras do mercado de corretagem de Seguros, Resseguros, de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta, na condição de auxiliares da SUSEP, e dá outras providências. Tal resolução foi alterada pela Resolução CNSP no 251/2012 e regulamentada pela Circular SUSEP no 435/2012. No ano de 2004, foi aprovada a Resolução CNSP no 111, a qual teve por objetivo adequar as competências do CNSP às determinações contidas no Decreto-Lei no 73, de 1966. A citada resolução praticamente reproduziu as mesmas atribuições presentes no Decreto-Lei no 73, de 1966. Além disso, conforme exposto anteriormente, a Lei Complementar no 137, de 2010, ampliou ainda mais as competências do CNSP, com a instituição das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem. Compete à SUSEP – Superintendência de Seguros Privados O artigo 36 do Decreto-Lei no 73/66 atribui à Superintendência de Seguros Privados – SUSEP – a missão de executar a política traçada pelo CNSP e, entre outras obrigações, conferiu-lhe, de forma especial, a missão de fiscalizar a constituição, a organização, o funcionamento e as operações das sociedades seguradoras. A SUSEP é uma entidade autárquica pertencente aos quadros da administração federal indireta, dotada de personalidade jurídica de Direito Público. É o órgão responsável pela fiscalização e supervisão dos mercados de Seguros, Resseguros, Previdência Complementar Aberta, Capitalização e Corretagem. Vale a pena ler na íntegra A Resolução no 233/11 do CNSP estabelece, no artigo 3o, que “as entidades autorreguladoras terão por objetivozelar pela observância às normas jurídicas, em especial pelos direitos dos consumidores, e fomentar a elevação de padrões éticos dos membros do mercado de corretagem, bem como as boas práticas de conduta no relacionamento profi ssional com segurados, corretores e sociedades seguradoras, resseguradoras, de capitalização e entidades abertas de previdência complementar”. www.susep.gov.br UNIDADE 1 19 Seus poderes estão estabelecidos no artigo 36 do Decreto-Lei no 73, de 1966, cujo texto é o seguinte: Art. 36. Compete à SUSEP, na qualidade de executora da política traçada pelo CNSP, como órgão fiscalizador da constituição, organização, funcionamento e operações das sociedades seguradoras: Comentário 15 No referido artigo está claro que as competências e atividades finalísticas da SUSEP devem, obrigatoriamente, seguir a política traçada pelo CNSP. Dessa forma, ela deve fiscalizar a constituição, a organização, o funcionamento e as operações das sociedades seguradoras com independência, incentivando o desenvolvimento do setor, mas nos limites da política estabelecida pelo CNSP. a) processar os pedidos de autorização para constituição, organização, funcionamento, fusão, encampação, grupamento, transferência de controle acionário e reforma dos estatutos das sociedades seguradoras, opinar sobre os mesmos e encaminhá-los ao CNSP; Comentário 16 As sociedades seguradoras devem submeter seus processos de constituição, organização, funcionamento, fusão, encampação, grupamento, transferência de controle acionário e reforma dos estatutos à SUSEP para fins de processamento, análise e cumprimento das condicionantes legais, bem como para fins de encaminhamento ao CNSP. b) baixar instruções e expedir circulares relativas à regulamentação das operações de seguro, de acordo com as diretrizes do CNSP; Comentário 17 A SUSEP, por meio de circulares e instruções normativas, edita normas e instruções complementares com vistas ao cumprimento das diretrizes estabelecidas pelo CNSP. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL20 c) fixar condições de apólices, planos de operações e tarifas a serem utilizadas obrigatoriamente pelo mercado segurador nacional; Comentário 18 O CNSP estabelece os índices e as demais condições técnicas a respeito das tarifas a serem observadas pelas sociedades seguradoras no caso de seguros cujos prêmios são tarifados. A SUSEP, por sua vez, cumpre tais determinações, fixando, nos limites estabelecidos pelo referido Conselho, as condições das apólices e os respectivos planos de operações. d) aprovar os limites de operações das sociedades seguradoras, de conformidade com o critério fixado pelo CNSP; Comentário 19 O CNSP deverá estabelecer os critérios para os limites de operações das sociedades seguradoras. Estes critérios devem ser observados pela SUSEP no exercício de suas atividades de controle e de fiscalização das referidas sociedades. e) examinar e aprovar as condições de coberturas especiais, bem como fixar as taxas aplicáveis (alínea retificada pelo Decreto-Lei no 296/67); Comentário 20 As seguradoras, muitas vezes, propõem coberturas especiais. Cabe à SUSEP examinar tais propostas, aprová-las e estabelecer as taxas que poderão ser exercidas por elas. f) autorizar a movimentação e liberação dos bens e valores obrigatoriamente inscritos em garantia das reservas técnicas e do capital vinculado; Comentário 21 As sociedades seguradoras, quando constituídas, devem obrigatoriamente manter reserva de bens e valores como lastro para suas operações. Esses bens e valores poderão, em algumas oportunidades, ser liberados ou movimentados. São os denominados bens garantidores das reservas técnicas. Cabe à SUSEP analisar as respectivas razões e circunstâncias dessas liberações ou movimentações, quando necessárias ou justificáveis, podendo ou não autorizá-las. UNIDADE 1 21 g) fiscalizar a execução das normas gerais de contabilidade e estatística fixadas pelo CNSP para as sociedades seguradoras; Comentário 22 É evidente que a contabilidade de uma empresa possui estreita relação com as obrigações tributárias, haja vista estabelecer um diagnóstico de suas operações financeiras. O CNSP fixa as normas contábeis e de estatísticas que deverão ser seguidas pelas sociedades seguradoras, cabendo à SUSEP fiscalizar o seu cumprimento. h) fiscalizar as operações das sociedades seguradoras, inclusive o exato cumprimento deste Decreto-Lei, de outras leis pertinentes, disposições regulamentares em geral, resoluções do CNSP e aplicar as penalidades cabíveis; Comentário 23 Assim, por esse texto legal, constata-se que a SUSEP é o órgão responsável pela fiscalização das operações securitárias, zelando pelo cumprimento do universo de leis que versam sobre seguros, inclusive as que tratam do regime repressivo. Obviamente, o poder fiscalizador somente se completa se aliado ao poder delegado e constituído de aplicar as penalidades cabíveis. Caso o operador do seguro cometa qualquer infração, será a SUSEP a responsável pela realização do respectivo procedimento administrativo sancionador, que apenará o infrator. As formalidades dos processos administrativos sancionadores, por força de determinação legal, inclusive da Constituição Federal, devem garantir os direitos fundamentais dos administrados (o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa). i) proceder à liquidação das sociedades seguradoras que tiverem cassada a autorização para funcionar no País; Comentário 24 A liquidação e o encerramento das atividades de uma sociedade seguradora, em decorrência de má gestão administrativa, implicam consequências danosas para a imagem do mercado. Nos regimes especiais, conforme previsto pelo Decreto-Lei no 73, de 1966, a sociedade supervisionada pela SUSEP, antes da decretação de sua liquidação extrajudicial, ainda passa pela direção fiscal (com um diretor fiscal indicado pela SUSEP) e pela intervenção. A Lei Federal no 6.024, de 13/03/1974, dispõe sobre a intervenção e liquidação extrajudicial de instituições financeiras. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL22 j) organizar seus serviços, elaborar e executar seu orçamento; Comentário 25 A SUSEP está organizada e estruturada em função do contido no Decreto no 7.409, de 23/12/2009, e de seu regimento interno. A título de ilustração, o regimento interno atual está contido no anexo da Resolução CNSP no 338, de 09/05/2016, o qual pode ser, no curso do tempo, mantido, alterado ou revogado quando for editado outro em substituição ao atual. k) fiscalizar as operações das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem, inclusive o exato cumprimento deste Decreto-Lei, de outras leis pertinentes, de disposições regulamentares em geral e de resoluções do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), e aplicar as penalidades cabíveis; e l) celebrar convênios para a execução dos serviços de sua competência em qualquer parte do território nacional, observadas as normas da legislação em vigor. Comentário 26 Esses dispositivos estão relacionados à fiscalização, pela SUSEP, das operações das entidades autorreguladoras e ao cumprimento da legislação pertinente. É importante salientar que as entidades autorreguladoras são entidades de Direito Privado autorizadas a funcionar como órgãos auxiliares da SUSEP, na forma da Resolução no 233/11 do CNSP, que foi alterada pela Resolução CNSP no 251/2012 e regulamentada pela Circular SUSEP no 435/2012. Nota Relativamente à competência da SUSEP, convém registrar que a Lei Complementar no 126, de 2007, no seu art. 3o, parágrafo único, estabelece o seguinte: “Art. 3o. A fiscalização das operações de cosseguro, resseguro, retrocessão e sua intermediação será exercida pelo órgão fiscalizador deseguros, conforme definido em lei, sem prejuízo das atribuições dos órgãos fiscalizadores das demais cedentes. Parágrafo único. Ao órgão fiscalizador de seguros, no que se refere aos resseguradores, intermediários e suas respectivas atividades, caberão as mesmas atribuições que detém para as sociedades seguradoras, corretores de seguros e suas respectivas atividades.” UNIDADE 1 23 Compete ao CRSNSP – Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, de Previdência Privada Aberta e de Capitalização Órgão integrante da estrutura básica do Ministério da Fazenda, o Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, de Previdência Privada Aberta e de Capitalização (CRSNSP) surgiu com o advento da Medida Provisória no 1.689-5, de 26 de outubro de 1998. A referida medida provisória apresentou o CRSNSP como órgão integrante do Ministério da Fazenda, mas suas atribuições foram então estabelecidas pelo Decreto no 2.824, de 27 de outubro de 1998, alterado pelo Decreto no 8.051, de 11 de julho de 2013 e revogado pelo Decreto no 8.634, de 12 de janeiro de 2016, publicado no D.O.U de 13/01/2016. A principal atribuição do CRSNSP consiste no julgamento, em última instância administrativa, dos recursos interpostos em face das decisões proferidas pela SUSEP, em processos administrativos sancionadores. O fato de o CRSNSP ser a última instância recursal administrativa não significa que os supervisionados não possam buscar a tutela jurisdicional do Estado pela via judicial. O que se deve ter em mente é que, no Poder Judiciário, o administrado pode produzir todas as provas admitidas pela legislação processual (documentais, testemunhais, periciais, entre outras). Já o processo administrativo sancionador que tramita na SUSEP comporta somente a produção de provas documentais ou materiais. O CRSNSP será integrado por seis conselheiros titulares e respectivos suplentes, de reconhecida capacidade técnica e possuidores de conhecimentos especializados nas matérias de competência do Conselho, observada a seguinte composição: I – três conselheiros indicados pelo setor público, dos quais dois pelo Ministério da Fazenda, e um pela SUSEP; e II – três conselheiros indicados, em lista tríplice, pelas entidades de classe dos mercados de seguro, de previdência privada aberta, de capitalização, de resseguro e de corretagem de seguro. Comentário 27 A composição, a organização e o funcionamento do CRSNSP serão fixados no Regimento Interno, o qual foi aprovado na forma do anexo à Portaria Ministério da Fazenda no 38, de 10 de fevereiro de 2016. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL24 O Presidente do Conselho terá como Presidente o representante do Ministério da Fazenda, designado pelo Ministro do Estado da Fazenda. Comentário 28 Portanto, o número de representantes no CRSNSP revelou a valorização da participação das entidades privadas nas decisões de última instância na esfera administrativa. Uma importante inovação do Decreto no 8.051/13 foi a possibilidade de Ato do Ministro da Fazenda criar Câmara Extraordinária, em caráter temporário, para reduzir a quantidade de recursos pendentes de julgamento ou acelerar seu julgamento no Conselho. A Câmara Extraordinária será composta pelos Conselheiros Suplentes e presidida por representante do Ministério da Fazenda. Comentário 29 É importante destacar que, junto ao CRSNSP, atuam Procuradores Federais, da estrutura da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional – PGFN –, com a atribuição de zelar pela fiel observância das leis, decretos, regulamentos e demais atos normativos. UNIDADE 1 25 AS OPERAÇÕES DE SEGUROS PRIVADOS As operações de seguros privados no Brasil estão representadas pelas várias modalidades de seguros facultativos, assim como os obrigatórios. É o Decreto-Lei no 73, de 1966, que estabelece as normas das operações de seguros privados no território nacional. Convém analisar, nesse aspecto, alguns de seus dispositivos: Art. 1o. Todas as operações de seguros privados realizados no País ficarão subordinadas às disposições do presente Decreto-Lei. Comentário 30 O referido decreto-lei determina que todas as operações de seguros privados realizadas no território nacional estão a ele subordinadas. Obviamente, isso não significa dizer que outras normas legais existentes, ou que venham a ser editadas, não se apliquem aos contratos de Seguros, de Previdência Complementar Aberta e de Capitalização. Tais contratos são regidos por outras leis, como, por exemplo, o Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor. Art. 2o. O controle do Estado se exercerá pelos órgãos instituídos neste Decreto-Lei, no interesse dos segurados e beneficiários dos contratos de seguro. Comentário 31 Este artigo esclarece que haverá o controle estatal das operações securitárias por meio da delegação de poderes aos órgãos instituídos pelo Decreto-Lei no 73, de 1966. No caso, esses órgãos são o CNSP e a SUSEP. Vale lembrar que a normatização e a fiscalização do Seguro- Saúde são feitas pelo CONSU e pela ANS. Art. 3o. Consideram-se operações de seguros privados os seguros de coisas, pessoas, bens, responsabilidades, obrigações, direitos e garantias. Comentário 32 Em outras palavras, pode haver interesse segurável relativo a coisas, pessoas, bens, responsabilidades, obrigações, direitos e garantias. Isto revela a abrangência das operações de seguros. Vale lembrar que o atual Código Civil agrupou os seguros em duas modalidades, quais sejam: os Seguros de Danos e os Seguros de Pessoas. Isto é básico O Seguro-Saúde está regulamentado por lei especial, a Lei no 9.656/98. www.planalto.gov.br LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL26 Parágrafo único. Ficam excluídos das disposições deste Decreto-Lei os seguros do âmbito da Previdência Social, regidos pela legislação especial pertinente. Comentário 33 Esse dispositivo estabelece que os seguros relacionados à Previdência Social, a exemplo do Seguro de Acidentes do Trabalho, não são regulados pelo Decreto-Lei no 73/1966. A Previdência Social é regida pela Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, não sendo alvo de análise no presente estudo. O artigo 4o trata do cosseguro, do resseguro e da retrocessão: “Art 4o. Integra-se nas operações de seguros privados o sistema de cosseguro, resseguro e retrocessão, por forma a pulverizar os riscos e fortalecer as relações econômicas do mercado. Parágrafo único. Aplicam-se aos estabelecimentos autorizados a operar em resseguro e retrocessão, no que couber, as regras estabelecidas para as sociedades seguradoras (Incluído pela Lei no 9.932, de 1999).” Comentário 34 O cosseguro, o resseguro e a retrocessão são operações que viabilizam a pulverização ou a distribuição dos riscos assumidos nas operações de seguros. O inciso I do artigo 5o do Decreto-Lei no 73, de 1966, estabelece as metas a serem atingidas pela política de seguros privados. Art. 5o. A política de seguros privados objetivará: I – promover a expansão do mercado de seguros e propiciar condições operacionais necessárias para sua integração no processo econômico e social do País; Comentário 35 A política de seguros privados concentra seus esforços no crescimento do mercado de seguros. Não se trata de uma expansão desenfreada, a qualquer custo, mas, sim, de forma harmônica com o processo econômico e social do país. Esta é uma das razões pelas quais as operações de seguros privados são controladas pelo Ministério da Fazenda, por intermédio do CNSP e da SUSEP, responsável pela formulação da política e manutenção da ordem econômica do Brasil. Cosseguro Ocorre quando duas ou mais sociedades seguradoras, com a anuência do segurado e com relação a determinada apólice, distribuem percentualmente o risco entre si. ResseguroÉ um mecanismo de repartição de riscos por meio do qual um segurador, de forma facultativa ou automática, cede a sua responsabilidade, no todo ou em parte, a um ressegurador. Assim como o segurado procura garantir-se contra os efeitos dos riscos por meio do seguro, também o segurador procura resguardar-se dos prejuízos tecnicamente desaconselháveis por meio do resseguro. Uma sociedade seguradora pode transferir os riscos que assumiu a um ressegurador. Este sistema é muito utilizado em casos de coberturas com valores vultosos. Retrocessão Consiste na operação de transferência de riscos de resseguro de um ressegurador para um retrocessionário (que pode ser um outro ressegurador ou uma sociedade seguradora local). UNIDADE 1 27 II – evitar evasão de divisas, pelo equilíbrio do balanço dos resultados do intercâmbio, de negócios com o exterior; Comentário 36 É fundamental para o país manter relações negociais com o exterior. A inexistência de mecanismos de controle para essas operações poderá gerar desequilíbrio entre a entrada e a saída de divisas de um país para outro. Se não possuirmos uma política de seguros bem estabelecida, com regras bem fundamentadas, a grande demanda pelo seguro poderia acarretar a procura por sociedades seguradoras estrangeiras e, cada vez mais, a interferência delas em nosso mercado. Assim, o respectivo inciso deixa patente ser a nossa política de seguros privados centrada no equilíbrio desse intercâmbio, objetivando evitar a saída descontrolada de divisas nacionais. III – firmar o princípio da reciprocidade em operações de seguro, condicionando à autorização para o funcionamento de empresas e firmas estrangeiras a igualdade de condições no país de origem (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967); Comentário 37 O princípio da reciprocidade é do Direito Internacional, pelo qual se aplica ao estrangeiro tratamento semelhante ao dado ao nacional em terras estrangeiras. Desta forma, objetiva-se, dentro do possível, conferir a uma sociedade seguradora estrangeira o mesmo tratamento dado a uma seguradora nacional no país de origem da primeira pelo governo local. IV – promover o aperfeiçoamento das sociedades seguradoras; Comentário 38 Ao determinar que seja promovido o aperfeiçoamento das sociedades seguradoras, a lei objetiva, assim, o desenvolvimento do setor com as melhores práticas de mercado e modernidade no emprego da tecnologia na operacionalidade de seus controles internos. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL28 V – preservar a liquidez e a solvência das sociedades seguradoras; Comentário 39 Um dos objetivos do controle exercido pela lei, principalmente a de proteção ao consumidor, é a preservação da liquidez e solvência do mercado supervisionado pela SUSEP, ou seja, estabelecer regras que promovam maior segurança no concernente à capacidade econômico-financeira das empresas de poderem cumprir efetivamente suas obrigações. Seguindo as determinações legais e a adoção de padrões internacionais recomendados pela IAIS [International Association of Insurance Supervisors] (entidade internacional que congrega supervisores de seguros de vários países), com foco na solvência, novas regras de capital e controles internos, a SUSEP vem adotando, na sua estrutura fiscalizatória, progressivamente, a supervisão contínua nas empresas por ela controladas. VI – coordenar a política de seguros com a política de investimentos do Governo Federal, observados os critérios estabelecidos para as políticas monetária, creditícia e fiscal. Comentário 40 Quando o presidente da República é empossado, escolhe e nomeia seus ministros de Estado, que passam a exercer cargos de confiança, demissíveis ad nutum, ou seja, podem ser demitidos, a qualquer tempo, por iniciativa e vontade de quem os nomeou. Cada ministro de Estado exerce sua função somando suas competências ao plano de governo estabelecido pelo chefe do Executivo, ou seja, pelo presidente da República. O Ministério da Fazenda e o Banco Central do Brasil – BACEN –, observadas as suas competências legais, formulam as diretrizes da política monetária, creditícia e fiscal. O objetivo desse inciso, portanto, é estabelecer conexões harmônicas entre essas estratégias e as de formulação de política securitária. Conclui-se, assim, que o objetivo essencial da norma legal foi o de promover a expansão do mercado de seguros de forma ordenada, sempre procurando preservar os interesses dos segurados e buscar o equilíbrio no relacionamento deles com as sociedades supervisionadas, além do necessário e importante acompanhamento das operações de Seguros e Resseguros, Capitalização e Previdência Complementar Aberta. Vale dizer que todos os recursos financeiros que constituem os bens garantidores das reservas técnicas das sociedades supervisionadas estão vinculados à SUSEP. Embora esse modelo de vinculação tenha sido combatido e considerado conservador por outros países, ele se mostrou plenamente eficaz diante da recente crise financeira mundial (2008/2010), pois o setor de seguros brasileiro, englobando Resseguros, Capitalização e Previdência Complementar Aberta, não só atravessou ileso tal período de crise, como ainda registrou o crescimento da atividade e o desenvolvimento de excelentes oportunidades de negócio. Isso demonstrou, efetivamente, a consistência do modelo do processo regulatório de seguros adotado no país. UNIDADE 1 29 OS SEGUROS OBRIGATÓRIOS Os seguros obrigatórios são aqueles determinados por lei e que especificam quais situações devem, compulsoriamente, ser cobertas. Os seguros legalmente obrigatórios constam do artigo 20 do Decreto-Lei no 73, de 1966. Art. 20. Sem prejuízo do disposto em leis especiais, são obrigatórios os seguros de: (Regulamento) a) danos pessoais a passageiros de aeronaves comerciais; b) responsabilidade civil do proprietário de aeronaves e do transportador aéreo; c) responsabilidade civil do construtor de imóveis em zonas urbanas por danos a pessoas ou coisas; d) bens dados em garantia de empréstimos ou financiamentos de instituições financeiras públicas; e) garantia do cumprimento das obrigações do incorporador e construtor de imóveis; f) garantia do pagamento a cargo de mutuário da construção civil, inclusive obrigação imobiliária; g) edifícios divididos em unidades autônomas; h) incêndio e transporte de bens pertencentes a pessoas jurídicas, situados no País ou nele transportados; i) ............ (revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007); j) crédito à exportação, quando julgado conveniente pelo CNSP, ouvido o Conselho Nacional do Comércio Exterior (CONCEX); l) danos pessoais causados por veículos automotores de vias terrestres e por embarcações, ou por sua carga, a pessoas transportadas ou não; m) responsabilidade civil dos transportadores terrestres, marítimos, fluviais e lacustres, por danos à carga transportada. Parágrafo único. Não se aplica à União a obrigatoriedade estatuída na alínea “h” deste artigo. A título de exemplo, os veículos automotores que trafegam pelas vias públicas impõem riscos à sociedade. Em razão desse risco em potencial, é necessário o pagamento do seguro obrigatório, o Seguro DPVAT, cujo objetivo principal é auxiliar a vítima de acidentes de trânsito em seus gastos médicos e hospitalares, além de proporcionar o pagamento de indenização aos beneficiários em caso de morte do acidentado. É necessário salientar, também, que o pagamento do seguro obrigatório não afasta o direito da vítima, ou de seus sucessores e/ou dependentes econômicos, de exigir em juízo indenização específica para reparação dos danos sofridos em decorrência do evento. Assim, por exemplo, uma vítima de acidente de trânsito poderá receber o valor correspondenteao seguro obrigatório (DPVAT) e, também, propor ação de reparação de dano em face do causador do acidente, visando receber pensionamento temporário ou vitalício (conforme o caso), além de indenização por danos materiais, morais e estéticos (se houver dano dessa natureza), entre outras verbas. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL30 O RESSEGURO – LEI COMPLEMENTAR No 126, DE 15/01/2007 A Atuação do IRB Brasil RE Antes do advento da Lei Complementar no 126, de 15 de janeiro de 2007, as operações de resseguro constituíam monopólio do Instituto de Resseguros do Brasil – IRB. O IRB, na condição de empresa mista com controle estatal, foi criado pelo Decreto-Lei no 1.186/1939, a partir de uma iniciativa do então presidente Getúlio Vargas, numa época marcada pelo nacionalismo, em que a proteção da indústria local era tida como uma das mais importantes funções do Governo. Era, então, denominado Instituto de Resseguros do Brasil – IRB. O mercado de seguros começava a melhor se desenvolver no país, formado, principalmente, por seguradoras estrangeiras. As brasileiras não tinham capacidade de assumir grandes riscos, e, nesse cenário, o Governo decidiu criar um ressegurador nacional único, sob a forma de empresa de capital misto, com metade das ações detidas pelo Estado e o restante por um pool de seguradoras, sem direito a voto. A tudo isto se somou a obrigatoriedade da realização do resseguro por meio desse ressegurador, nascendo aí o aspecto monopolístico que, durante muitos anos, viria a marcar essa atividade no país. Com essa medida, pretendeu-se fortalecer o desenvolvimento do mercado segurador nacional e aumentar a capacidade seguradora das sociedades do país, retendo maior volume de negócios na economia brasileira, ao mesmo tempo em que captaria mais poupança interna. Em 1966, com a edição do Decreto-Lei no 73 /66, que criou o Sistema Nacional de Seguros Privados, atribuiu-se ao IRB uma série de competências regulatórias e fiscalizatórias, posteriormente regulamentadas pelo Decreto no 60.459/67. Com o passar do tempo, no entanto, o modelo monopolista e centralizador que regia a atividade do IRB, começou a dar demonstrações de esgotamento, deixando de atender plenamente às novas exigências do mercado. Foi então que a Emenda Constitucional no 13, de 21/08/1986, alterou o art. 192, inciso II, da Constituição Federal, extinguindo a expressão “órgão oficial ressegurador”. Este foi o primeiro passo para a quebra do monopólio. UNIDADE 1 31 Em 17/06/1997, a Medida Provisória no 1.578/97 convertida na Lei no 9.482, de 13 de agosto de 1997, transformou o IRB em sociedade por ações, passando a denominar-se IRB-Brasil Resseguros S.A. Essa MP viria a ser convertida na Lei no 9.482/97. No dia 20/12/1999, foi aprovada a Lei no 9.932/99, que transferiu as atribuições regulamentares e fiscalizatórias até então exercidas pelo IRB-Brasil Re para a Superintendência de Seguros Privados – SUSEP. No dia 29/05/2003, foi aprovada a Emenda Constitucional no 40, que permitiu a regulamentação do art. 192 da Constituição Federal. Em 16/01/2007, foi publicada no DOU a Lei Complementar no 126/2007, que dispõe sobre a política de resseguro, retrocessão e sua intermediação, pondo fim ao monopólio até então detido pelo IRB. Mesmo assim, por cautela, no sentido de salvaguardar a estabilidade do mercado naquele momento, e prepará-lo para um novo cenário que se impunha por determinação legal, manteve-se, ainda, reserva de mercado ligada ao IRB, que foi estabelecida no art. 11 da citada lei. Finalmente, no dia 17/04/2008, com o advento da Resolução no 168/07 do CNSP, verificou-se a abertura formal do mercado de resseguros no Brasil a novos resseguradores. O IRB Brasil RE é o maior ressegurador da América Latina. Em 01/10/2013, o IRB foi transformado em empresa privada, deixando, assim, de ser uma sociedade de economia mista. Por força das mudanças imprimidas pela Lei Complementar no 126/07, o IRB Brasil RE foi autorizado a continuar exercendo suas atividades de resseguro e de retrocessão na qualidade de ressegurador local, conforme se extrai do artigo 22 da mencionada lei: Art. 22. O IRB-Brasil Resseguros S.A. fica autorizado a continuar exercendo suas atividades de resseguro e de retrocessão, sem qualquer solução de continuidade, independentemente de requerimento e autorização governamental, qualificando-se como ressegurador local. O mercado de resseguros, na concepção atual, tende a permitir uma participação maior das seguradoras, culminando numa sadia concorrência e, consequentemente, na redução dos custos desses serviços e emprego de novas tecnologias. Os reflexos nas demais operações de seguros, com o decorrer do tempo, deverão se mostrar ainda evidentes. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL32 Nessa linha, a Lei Complementar no 126/07, no seu artigo 4o, apresenta as qualificações dos resseguradores, apresentando as condições para o exercício da atividade de ressegurador eventual (parágrafo primeiro) e de ressegurador local (parágrafo segundo), conforme se depreende da leitura a seguir: Art. 4o. .................... I – ressegurador local: ressegurador sediado no País constituído sob a forma de sociedade anônima, tendo por objeto exclusivo a realização de operações de resseguro e retrocessão; II – ressegurador admitido: ressegurador sediado no exterior, com escritório de representação no País, que, atendendo às exigências previstas nesta Lei Complementar e nas normas aplicáveis à atividade de resseguro e retrocessão, tenha sido cadastrado como tal no órgão fiscalizador de seguros para realizar operações de resseguro e retrocessão; e III – ressegurador eventual: empresa resseguradora estrangeira sediada no exterior sem escritório de representação no País que, atendendo às exigências previstas nesta Lei Complementar e nas normas aplicáveis à atividade de resseguro e retrocessão, tenha sido cadastrada como tal no órgão fiscalizador de seguros para realizar operações de resseguro e retrocessão. § 1o É vedado o cadastro a que se refere o inciso III do caput deste artigo de empresas estrangeiras sediadas em paraísos fiscais, assim considerados países ou dependências que não tributam a renda ou que a tributam a uma alíquota inferior a 20% (vinte por cento) ou, ainda, cuja legislação interna oponha sigilo relativo à composição societária de pessoas jurídicas ou à sua titularidade (Renumerado do parágrafo único pela Lei complementar no 137, de 2010). § 2o Equipara-se ao ressegurador local, para fins de contratação de operações de resseguro e de retrocessão, o fundo que tenha por único objetivo a cobertura suplementar dos riscos do seguro rural nas modalidades agrícola, pecuária, aquícola e florestal, observadas as disposições de lei própria (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010). Comentário 41 Essa categorização adotada pela lei complementar serve não somente para melhor organizar as operações de resseguro e congêneres, como também – e principalmente – para adotar uma política de maior controle sobre as empresas estrangeiras que porventura atuem em território nacional, cuidando, sobretudo, de impedir a participação daquelas sociedades que sejam sediadas em paraísos fiscais (vide transcrição, a seguir, do art. 4o, III, § 1o, da Lei Complementar no 126, de 2007), sobre as quais não se permitam, de forma transparente, as devidas operações tributárias. UNIDADE 1 33 Das Normas Regulamentadoras do Resseguro e da Sociedade Corretora de Resseguros O artigo 12 da Lei Complementar no 126/2007 atribuiu ao CNSP a competência para regulamentar as operações de resseguro, retrocessão, de corretagem de resseguro e, ainda, a atuação dos escritórios de representação dos resseguradores admitidos: Art. 12. O órgão regulador de seguros estabeleceráas diretrizes para as operações de resseguro, de retrocessão e de corretagem de resseguro e para a atuação dos escritórios de representação dos resseguradores admitidos, observadas as disposições desta Lei Complementar. Parágrafo único. O órgão regulador de seguros poderá estabelecer: I – cláusulas obrigatórias de instrumentos contratuais relativos às operações de resseguro e retrocessão; II – prazos para formalização contratual; III – restrições quanto à realização de determinadas operações de cessão de risco; IV – requisitos para limites, acompanhamento e monitoramento de operações intragrupo; e V – requisitos adicionais aos mencionados nos incisos I a IV deste parágrafo. Fazendo uso dessa competência, o CNSP editou uma série de resoluções visando regulamentar a referida Lei Complementar. Algumas dessas Resoluções foram objeto de normatização pela SUSEP. Todos esses atos normativos podem ser consultados no site da SUSEP (www.susep.gov.br). No que se refere à corretagem de resseguros, a Lei Complementar no 126, de 2007, artigo 8o, § 2o, estabeleceu o seguinte: Art. 8o. A contratação de resseguro e retrocessão no País ou no exterior será feita mediante negociação direta entre a cedente e o ressegurador ou por meio de intermediário legalmente autorizado. ......... § 2o. O intermediário de que trata o caput deste artigo é a corretora autorizada de resseguros, pessoa jurídica, que disponha de contrato de seguro de responsabilidade civil profissional, na forma definida pelo órgão regulador de seguros, e que tenha como responsável técnico o corretor de seguros especializado e devidamente habilitado. A fim de regulamentar esse dispositivo, o CNSP editou a Resolução no 173, de 17/12/2007 (alterada posteriormente pela Resolução no 248, de 08/12/2011, e pela Resolução no 330, de 09/12/2015), que dispõe sobre a atividade de corretagem de resseguros, dando outras providências. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL34 FIXANDO CONCEITOS 1 35 Anotações: Fixando Conceitos 1 [1] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA (a) A profissão do corretor de seguros está regulamentada expressamente no Código Civil brasileiro, cuja edição ocorreu no início do século XX. (b) A atividade securitária, além de estar inserida na Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 05/10/88, também foi totalmente regulamentada pelo próprio texto constitucional. (c) Com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, em 1988, todas as normas legais anteriormente editadas, relativas aos contratos de seguros privados, perderam a eficácia. (d) A Lei no 4.594, de 1964 (com alterações posteriores), regula a profissão de corretor de seguros. (e) A FENACOR, no seu âmbito, representa os securitários, empregados de sociedades corretoras de seguros. [2] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA (a) O Decreto-Lei no 73, de 1966, criou o Sistema Nacional de Seguros Privados. (b) As sociedades de capitalização já operam resseguro independentemente da Emenda Constitucional no 13, de 1996. (c) O Estado, como poder central (União Federal e suas autarquias), não exerce qualquer tipo de fiscalização no mercado segurador, que tem natureza nitidamente privada. (d) O contrato de seguro não representa, no seu conjunto, uma das maneiras de fomentar a economia nacional. (e) A atividade securitária não faz parte do sistema financeiro brasileiro. MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA [3] De acordo com a legislação vigente, o órgão que integra o Sistema Nacional de Seguros Privados, responsável pela fiscalização da atividade do corretor de seguros, é o(a): (a) FENACOR. (b) FUNENSEG. (c) CNC. (d) SUSEP. (e) FENASEG. [4] O Decreto-Lei no 73, de 1966, que instituiu o Sistema Nacional de Seguros Privados, definindo seus objetivos, considera, também, como integrados nas operações de seguros privados: (a) Os sistemas de cosseguro, resseguro e retrocessão. (b) Somente os Seguros de Danos. (c) Somente os Seguros de Pessoas. (d) Somente os Seguros de Responsabilidade. (e) Somente os Seguros de Bens. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL36 Anotações: Fixando Conceitos 1 [5] De acordo com a legislação vigente, o órgão integrante do Sistema Nacional de Seguros Privados responsável pela autorização da movimentação e liberação dos bens e valores obrigatoriamente inscritos em garantia das reservas técnicas e do capital vinculado é o(a): (a) Ministério da Fazenda. (b) FENASEG. (c) SUSEP. (d) CVM. (e) CRSNSP. [6] O órgão regulador que estabelece as diretrizes gerais das operações de resseguro é o(a): (a) FENACOR. (b) IRB. (c) SUSEP. (d) FENASEG. (e) CNSP. [7] A legislação vigente define algumas restrições profissionais ao corretor de seguros, entre as quais podemos citar a de ser: (a) Advogado. (b) Contador. (c) Comerciante. (d) Dentista. (e) Empregado de seguradora. [8] O controle do Estado será exercido pelos órgãos instituídos pelo Decreto-Lei no 73, de 1966, sendo eles o CNSP e a SUSEP, no interesse dos(as): (a) Sociedades seguradoras e resseguradoras. (b) Segurados e beneficiários dos contratos de seguros. (c) Entidades de classe: FENASEG e FENACOR. (d) Sociedades corretoras, seguradoras e resseguradoras. (e) Corretores de seguros e securitários. UNIDADE 2 37 O CORRETOR DE SEGUROS22 Após ler esta unidade, você deve ser capaz de: • Saber como funciona o sistema sindical no qual se insere o corretor de seguros e as principais entidades que representam seus interesses. • Conhecer a lei federal que regula a profissão de corretor de seguros e disciplina a atividade de corretagem de seguros. • Aprender quais são os requisitos para o exercício da atividade de corretagem de seguros e como se procede à habilitação técnico-profissional. • Compreender os direitos e deveres do corretor de seguros. • Identificar as sanções administrativas aplicáveis aos corretores de seguros, bem como aos seus prepostos e às sociedades corretoras de resseguros. • Entender quais são as operações suspeitas de caracterização do crime de lavagem de dinheiro que devem ser comunicadas ao COAF. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL38 UNIDADE 2 39 O SISTEMA SINDICAL E O CORRETOR DE SEGUROS A Constituição Federal de 1988 preservou o Sistema Confederativo da Representação Sindical (art. 8o, inciso IV) e o princípio da unicidade sindical (art. 8o, inciso II), com a permissão legal de criação de entidades, cujas formas estão estabelecidas na Consolidação das Leis do Trabalho – CLT –, e que são três: sindicatos, federações e confederações. Os sindicatos são associações de base, ou de primeiro grau, cabendo-lhes, pela sua proximidade com os trabalhadores, dentro de sua base territorial, que pode ser municipal ou estadual, o papel mais atuante. As federações e as confederações são consideradas entidades sindicais em grau superior. De acordo com a CLT, um grupo de sindicatos (mínimo de cinco) pode criar uma federação, assim como um grupo de federações (mínimo de três) pode constituir uma confederação. As pirâmides sindicais, formadas por categorias econômicas, têm as bases constituídas pelos sindicatos; nas faixas intermediárias, estão as federações e, nos ápices, as confederações. Assim, as pirâmides sindicais, por categoria econômica, estão sob a forma de uma escala, tendo suporte nos sindicatos, acima dos quais se construíram as federações e, sobre estas, por sua vez, as confederações. As federações, que podem ser de âmbito estadual ou federal, situam-se no “segundo degrau”. Já as confederações se encontram no “terceiro degrau” da organização sindical, sendo sua esfera de atuação nacional. É necessário compreender que os sindicatos são filiados às respectivas federações, e estas, por sua vez, às correspondentes confederações, tudo em consonância com o Quadro Anexoao art. 577 da CLT, que foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Não há qualquer subordinação hierárquica entre sindicatos, federações e confederações. Tais entidades possuem autonomias administrativas, financeiras e políticas. Em razão da sua representatividade, na forma dos estatutos sociais das entidades sindicais, os sindicatos se obrigam a respeitar as decisões de suas assembleias gerais ordinárias ou extraordinárias, constituídas pela presença e participação de seus associados, de acordo com o quórum em cada uma delas estabelecido. Os sindicatos são representados nas suas respectivas federações, assim como estas são representadas nas suas correspondentes confederações, por meio de seus delegados, eleitos junto com a diretoria e o conselho fiscal para exercerem mandato específico. As unidades internas dos sindicatos são a assembleia geral, a diretoria e o conselho fiscal. As federações e confederações têm como unidades internas o conselho de representantes (formado por delegados representantes), a diretoria e o conselho fiscal. Nas federações, atuam os delegados representantes dos sindicatos filiados e, nas confederações, atuam os delegados representantes das federações filiadas. Curiosidade O sindicalismo nasceu nas chamadas “corporações de ofício”, na Europa medieval (precisamente, a partir do século XII), as quais consistiam em associações destinadas a regulamentar o processo produtivo artesanal nas grandes cidades. Instituições similares se constituíram na Inglaterra na época da Revolução Industrial (século XVIII): os trabalhadores industriais doentes e desempregados dr reuniam nas chamadas “sociedades de socorro mútuo”. A legalidade dos sindicatos e das associações somente veio a ser reconhecida, no Reino Unido, em 1871 e, na França, em 1884. Já nos Estados Unidos, o sindicalismo surgiu em torno de 1827, sendo que apenas em 1886 foi constituída a Federação Americana do Trabalho (AFL), que defendia o sindicalismo de resultados e não se vinculava a correntes doutrinárias e políticas. No Brasil, as primeiras organizações de natureza sindical foram constituídas por imigrantes europeus que, ao chegarem ao país, se depararam com uma sociedade escravocrata e a mais absoluta ausência de direitos trabalhistas. Em 1930, o Governo Federal criou o Ministério do Trabalho e, em 1931, regulamentou, por meio de decreto, a sindicalização das classes patronais e operárias. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL40 Por força da filiação sindical, os sindicatos se obrigam a respeitar e acatar as deliberações dos conselhos de representantes das federações, e estas, da mesma forma, em relação às confederações. A FENACOR, ainda que possua atuação em âmbito nacional, não tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade de leis, caso pretenda fazê-lo. O inciso IX do art. 103 da Constituição Federal reserva essa competência somente para as confederações. Portanto, uma das vantagens dessa filiação é a CNC poder propor ação direta de inconstitucionalidade de leis, quando houver interesse das entidades representativas dos corretores e deles próprios. No que se relaciona à organização sindical, a Constituição Federal prevê, no artigo 8o, que: Art. 8o. É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte: Comentário 42 A Constituição Federal de 1988, seguindo os princípios democráticos fortalecidos pela nova ordem constitucional, estabeleceu a liberdade de as categorias econômicas se organizarem em associações ou sindicatos. Convém esclarecer que, antes da promulgação da atual Constituição Federal, os sindicatos, para se organizarem e funcionarem, dependiam de autorização do Estado (Ministério do Trabalho), mediante expedição de carta sindical. Até então, os sindicatos eram fiscalizados pelo Estado, inclusive a aplicação de recursos arrecadados do antigo imposto sindical (atual contribuição sindical). I – a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical; Comentário 43 A Constituição Federal deixa claro que nenhuma lei poderá exigir autorização do Estado para fundação de sindicato. Portanto, os sindicatos, assim como as associações profissionais, são livres e possuem autonomia administrativa, política e patrimonial. O registro no órgão competente da constituição de sindicato, enquanto não houver disposição regulamentando o assunto, é feito junto ao Ministério do Trabalho e Emprego – MTE –, apenas para o controle da vedação prevista no inciso II desse artigo, conforme definido pelo STF. UNIDADE 2 41 II – é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um município; Comentário 44 Nesse inciso, está evidenciado o princípio da unicidade sindical, ou seja, a lei não permite a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau (sindicato, federação ou confederação), na mesma base territorial, ou seja, no mesmo município. III – ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas; Comentário 45 Embora não interfira na organização sindical, a Constituição Federal estabeleceu que cabe ao sindicato a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas. Como se observa, a organização de determinada categoria econômica em sindicato traz vantagens para os filiados ou associados, pois possibilita legalmente esse tipo de representação processual, tanto na via judicial quanto na administrativa. IV – a assembleia geral fixará a contribuição, que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da contribuição prevista em lei; Comentário 46 Trata-se da chamada contribuição confederativa. A parte final do texto do inciso IV do artigo 8o da Constituição Federal, que expressa: “... independentemente da contribuição prevista em lei.”, refere-se à contribuição sindical prevista na CLT. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL42 V – ninguém será obrigado a filiar-se ou manter-se filiado a sindicato; Comentário 47 A Constituição Federal dispõe que ninguém é obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato, mas torna compulsório o pagamento da contribuição sindical, por se tratar de tributo. VI – é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho; Comentário 48 Ninguém é obrigado a filiar-se ou manter-se filiado ao sindicato. Entretanto, o sindicato tem papel fundamental como representante da parte interessada, além de ser integrante nas negociações de acordos ou convenções anuais de trabalho. Os sindicatos de corretores, obrigatoriamente, são partes nos acordos ou convenções de trabalho com os sindicatos dos securitários, inclusive nos dissídios coletivos ajuizados junto às seções de dissídios coletivos dos Tribunais Regionais do Trabalho das respectivas bases territoriais. VII – o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais; VIII – é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei. Comentário 49 Trata-se de uma garantia aos candidatos a cargos sindicais contra dispensado trabalho, enquanto em campanha, durante e após o mandato. Na verdade, o objetivo dessa norma é evitar retaliações políticas àqueles que atuam na linha de frente sindical, preservando a independência das candidaturas e do próprio exercício dos cargos. Atenção É muito importante saber a diferença entre a contribuição sindical, a contribuição confederativa e a contribuição assistencial. A contribuição sindical, prevista nos artigos 578 a 610 da CLT, cujo valor equivale a um dia de trabalho, é descontada do empregado uma vez por ano de forma compulsória. Para que o trabalhador pague a contr ibuição, é necessário apenas que ele pertença a uma categoria econômica ou profissional, não sendo necessário que ele seja sindicalizado. O valor arrecadado é dividido entre o Estado (10% destinados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador), centrais sindicais com representatividade reconhecida pelo MTE (10%), confederação (5%), federação (15%) e respectivo sindicato (60%). Esta é a única contribuição que o trabalhador não sindicalizado é obrigado a pagar. A contribuição confederativa é aquela prevista no art. 8o, IV, da Constituição da República e deve ser aprovada em assembleia geral da categoria e fi xada em convenção ou acordo coletivo de trabalho. Sua fi nalidade é custear o sistema confederativo da respectiva representação sindical. De acordo com entendimento do Supremo Tribunal Federal (Súmula 666), ela só poderá ser cobrada dos fi liados do respectivo sindicato. A contribuição assistencial, por sua vez, não tem previsão legal e somente pode ser cobrada dos trabalhadores fi liados aos seus respectivos sindicatos, e, ainda assim, desde que tenha sido instituída em assembleia geral com ampla participação dos trabalhadores da categoria e esteja prevista em convenção ou acordo coletivo. UNIDADE 2 43 Vantagens da Associação Sindical Apesar de a filiação ao sindicato ser livre, nos termos do art. 8o, inciso V, da Constituição Federal, as vantagens da associação sindical residem no fato de que, através dela, os associados terão a defesa de seus interesses econômicos, individuais ou coletivos e de trabalhos comuns, e poderão ser representados e substituídos administrativamente e em juízo. Além dos benefícios assistenciais, existe a possibilidade jurídica de ser parte em espécies de ações judiciais, nas quais não se permite ingressar individualmente. Comentário 50 A ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade, no âmbito do Direito Constitucional, são as de maior importância, haja vista que, por intermédio da primeira, é possível obter a declaração de inconstitucionalidade de determinada lei, ao passo que, por meio da segunda, pode-se obter a declaração de que uma certa lei é constitucional. As decisões proferidas em ambos os casos, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), têm efeito erga omnes. As confederações sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional podem propor essas espécies de ações nos termos do art. 103, inciso IX, da Constituição Federal. Isso exclui, portanto, as Federações, ainda que de âmbito nacional. Funções das Entidades Sindicais As entidades sindicais que representam os corretores de seguros (Sindicatos de Corretores de Seguros nos Estados e no Distrito Federal, FENACOR e CNC) possuem as seguintes funções: Função Negocial A função negocial do sindicato é a que se observa na prática das convenções e acordos coletivos de trabalho, e eventuais dissídios coletivos. O sindicato participa diretamente das negociações coletivas que culminarão na concretização de normas coletivas (acordos ou convenções coletivas de trabalho a serem aplicadas à categoria). Função Assistencial Poder conferido às entidades sindicais de prestarem serviços aos seus representados, como: assistência judiciária e aprimoramento profissional, além do dever de promover a fundação de cooperativas de crédito. Erga omnes Expressão latina que indica que os efeitos de algum ato ou lei atingem a todos os indivíduos de uma determinada população ou membros de uma organização para o Direito nacional. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL44 Função de Arrecadação Direito conferido às entidades sindicais de arrecadar contribuições para o custeio e manutenção da estrutura sindical posta a serviço de seus representados. Função de Colaboração com o Estado Atribuição conferida às entidades sindicais de colaborar com o Estado no estudo e na solução dos problemas legais, econômicos e sociais que se relacionam a seus representados. Função de Representação Direito conferido às entidades sindicais de representar aqueles a elas vinculados perante autoridades administrativas e judiciais, agindo, assim, na defesa dos interesses coletivos ou individuais de seus associados. AS ENTIDADES SINDICAIS REPRESENTATIVAS DOS CORRETORES DE SEGUROS A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC A CNC foi fundada em 4 de setembro de 1945 e reconhecida pelo Decreto-Lei no 20.068, de 30/11/1945. Atualmente, integram a referida entidade 34 federações, sendo uma FECOMÉRCIO em cada Estado e Distrito Federal, no total de 27 unidades, e sete Federações de âmbito nacional, que agrupam o quantitativo de 1.088 sindicatos filiados em todo o território nacional, conforme contido no site da CNC, em 03/08/2015. É uma entidade sindical, de grau superior, que tem como objetivo orientar, coordenar, proteger e defender todas as atividades econômicas do comércio, serviços e turismo, harmonizando-as com os interesses superiores do país. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é a responsável pela criação, organização e administração, em âmbito nacional, do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) e do Serviço Social do Comércio (SESC), instituições privadas e sem fins lucrativos, reconhecidas pelos Decretos-Leis nos 8.621 e 9.853, de 10/01/1946 e 13/09/1946, respectivamente. Em conjunto com a CNC, o SESC e o SENAC formam um sistema mantido integralmente pela classe empresarial do comércio de bens, serviços e turismo, sem ônus para os empregados, trabalhadores autônomos ou para os cofres públicos. UNIDADE 2 45 Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados, de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada e das Empresas Corretoras de Seguros e Resseguros – FENACOR A Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados, de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada e das Empresas Corretoras de Seguros e Resseguros – FENACOR (denominação social aprovada na Assembleia Geral Extraordinária de 11/10/2007) – é uma entidade sindical, de grau superior, de âmbito nacional, reconhecida como entidade coordenadora dos interesses da categoria econômica dos corretores de seguros e de Capitalização, conforme Carta Sindical de 21/03/1975, estando filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC –, desde 2000, e integrando o Sistema Confederativo da Representação Sindical do Comércio – Sicomércio. A FENACOR tem sua sede na Rua Senador Dantas, 74, 10o andar, Centro, Rio de Janeiro – RJ – CEP: 20031-205; atende a 25 sindicatos filiados e 77 delegacias, e aproximadamente 80.000 corretores, localizados pelo país. Em 14/01/2013, o Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado do Rio de Janeiro teve a obtenção da sua desfiliação da FENACOR, em sentença prolatada pela Justiça do Trabalho, a qual transitou em julgado. A FENACOR, à exceção do SINCOR/RJ, representa, judicial e extrajudicialmente, os seus sindicatos de corretores filiados, inclusive o do Distrito Federal, tendo por finalidades básicas: • proteger e defender os interesses da categoria econômica que representa, perante as entidades privadas e as autoridadespúblicas; • colaborar com os poderes públicos no estudo e na solução dos problemas relacionados à categoria; e • prestar assistência técnica e jurídica aos sindicatos filiados, inclusive assessoria técnica e operacional no atendimento aos segurados e beneficiários do Convênio do Seguro DPVAT. No caso dos corretores de seguros, que formam uma categoria econômica de profissão regulamentada, estão eles organizados dentro de um sistema sindical em que se destacam: os sindicatos localizados nos Estados e no Distrito Federal, a Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados, de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada e das Empresas Corretoras de Seguros e Resseguros [FENACOR] (www.fenacor.org.br); e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo [CNC] (www.cnc.org.br). LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL46 Desde 2000, a FENACOR está completamente integrada ao Sistema Confederativo da Representação Sindical do Comércio, filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), tendo, inclusive, na sua estrutura interna, a Câmara Brasileira dos Corretores de Seguros (CBCS), fórum onde são discutidos os assuntos, propostas e iniciativas da classe. Além dos serviços técnicos e apoio político, os corretores podem, também, ter os benefícios oferecidos pelos sistemas SESC e SENAC. A FENACOR é, também, uma das instituições mantenedoras da Fundação Escola Nacional de Seguros – FUNENSEG –, e do Instituto Brasileiro de Autorregulação do Mercado de Corretagem de Seguros, de Resseguros, de Capitalização e Previdência Complementar Aberta – IBRACOR. Além de possuir um site institucional na Internet (www.fenacor.org.br), a FENACOR mantém, ainda, o Portal Nacional de Corretores de Seguros (www.corretoresdeseguros.com.br), de livre acesso. Ambos estão disponibilizados para consultas pelos corretores, seguradores, segurados e o público em geral. Os Sindicatos de Corretores de Seguros nos Estados e no Distrito Federal (SINCORs) Os sindicatos de corretores de seguros localizados nos Estados e no Distrito Federal (vide site www.fenacor.org.br) congregam uma categoria econômica formada por corretores de seguros (todos os ramos), corretores de seguros de Vida, de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta, trabalhadores autônomos, sociedades corretoras de seguros (todos os ramos) e sociedades corretoras de seguros de Vida, de Capitalização e de Previdência Privada Aberta. O principal objetivo dos sindicatos de corretores de seguros é valorizar, cada vez mais, o profissional corretor de seguros, proporcionando-lhe condições e qualificação profissional para o exercício de suas atividades, seja ele pessoa física ou jurídica. Além desse objetivo, os sindicatos de corretores de seguros prestam também: • atendimento direto ao corretor de seguros em sua base territorial; e • assessoramentos jurídicos, tributários, contábeis e sociais aos corretores de seguros. UNIDADE 2 47 Vários sindicatos de corretores de seguros, em função da integração ao sistema da CNC, mantêm convênios com o SESC e o SENAC. O objetivo é operar benefícios sociais ao corretor de seguros e aos funcionários de sociedades corretoras de seguros, extensivos aos seus dependentes. Merece ser destacada, também, a importância da atuação dos sindicatos de corretores de seguros em suas bases territoriais, pois eles prestam relevantes serviços administrativos e sociais. Os sindicatos de corretores de seguros têm, também, fundamental importância para as sociedades corretoras de seguros, pois participam da celebração de acordos ou convenções coletivas de trabalho com os sindicatos dos securitários, inclusive em dissídios coletivos, junto aos Tribunais Regionais do Trabalho, quando não há consenso entre as partes suscitantes (securitários) e suscitadas (sociedades corretoras de seguros) com relação às condições propostas e discutidas. Para fins de conhecimento, todas as decisões pertinentes à celebração de acordos ou convenções coletivas de trabalho devem emergir da assembleia geral extraordinária dos associados dos sindicatos especialmente convocada para este fim. Somente se frustradas as negociações, após garantida a data-base da categoria, parte-se para uma solução do litígio no âmbito da Justiça Especializada do Trabalho. Assim, no aspecto administrativo, os sindicatos de corretores de seguros representam todos os corretores de seguros, pessoas jurídicas, junto aos sindicatos dos securitários e são seus substitutos processuais nos dissídios coletivos. Em suma, a estrutura sindical dos corretores de seguros está organizada da seguinte forma: Confederação Nacional do Comércio – representa as federações a ela vinculadas, em âmbito nacional. Federação Nacional dos Corretores de Seguros – representa os profissionais em âmbito nacional. Sindicatos de Corretores de Seguros – representam os profissionais corretores de seguros em âmbito estadual e municipal. CNC FENACOR SINCORs LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL48 A LEI QUE REGULA A PROFISSÃO DE CORRETOR DE SEGUROS O seguro foi aperfeiçoado, gradualmente, pelos homens do comércio, que precisavam de instrumentos de defesa para proteger sua atividade contra os riscos que a ameaçavam. Os segurados designavam homens de sua confiança para lavrar o contrato, que, naquela época, equiparava-se às escrituras públicas e tinha força executiva. Aqueles homens de confiança eram os atuais corretores de seguros. Certo é que o seguro foi surgindo lentamente, razão pela qual se torna difícil precisar a época exata de seu aparecimento, bem como a do corretor de seguros. O desenvolvimento da atividade de seguros passa não só pela participação das sociedades, pela satisfação dos interesses dos particulares que pretendem ver seu patrimônio protegido, como também pelo Corretor de Seguros, que, dotado de conhecimentos técnicos, faz a aproximação entre o segurado e a seguradora. (O Contrato de Seguro – Pedro Alvim) Pode-se afirmar que o desenvolvimento da atividade de seguros contempla, também, o crescimento da consciência do segurado acerca das condições de sua sobrevivência, sobretudo no que diz respeito às garantias inerentes aos Seguros de Pessoas, à Capitalização e à Previdência Complementar Aberta. Diante da importância da participação do corretor nas operações de seguro, houve a necessidade de regulamentar a atividade, com a fixação de princípios, deveres e direitos. Assim, foi editada a Lei no 4.594, de 29 de dezembro de 1964. Antes, a profissão do corretor de seguros era exercida com base na experiência individual de cada um, passada de geração em geração. Em função da determinação contida no art. 32 da Lei no 4.594, de 1964, foi editado o Decreto no 56.903, de 24/09/1965, que regula a profissão de corretor de Seguros de Vida e de Capitalização. Cabe mencionar que, de acordo com o art. 29 da referida lei, seus dispositivos não se aplicam a operações de cosseguro e de resseguro entre as sociedades seguradoras É importante consignar que, além da referida lei, o Código Civil de 2002, nos seus arts. 722 a 729, inovou em relação ao Código anterior ao dispor sobre a corretagem de um modo geral. Vale a pena ler na íntegra Todo profi ssional que atua em corretagem de seguros deve conhecer detalhadamente o teor da Lei no 4.594/64, que regula a profi ssão de corretor de seguros. Consulte o texto integral no site da Presidência da República. www.planalto.gov.br Saiba mais Consulte a doutrina de Direito Civil sobre os artigos 722 a 729 do Código Civil. Leia: TEPEDINO, Gustavo (et al.). Código Civil interpretado conforme a Constituição da República. Rio de Janeiro: Renovar, 2004. UNIDADE 2 49 O PAPEL DE INTERMEDIADOR DO CORRETOR DE SEGUROSO papel de intermediador do corretor de seguros não se define exclusivamente pelo que estabelece a legislação específica, ou seja, pela Lei no 4.594, de 1964, e pelo Decreto-Lei no 73, de 1966. Deve, também, pautar-se pelo que estabelece o Código Civil, seja no que toca à disciplina do contrato de seguro (arts. 757 a 802), seja no que diz respeito ao que estabelece sobre a atividade da corretagem (arts. 722 a 729). Estes últimos são objeto de análise a seguir. Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obriga-se a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. Comentário 51 Este artigo, na realidade, firma o conceito da corretagem. Art. 723. O corretor é obrigado a executar a mediação com a diligência e prudência, e a prestar ao cliente, espontaneamente, todas as informações sobre o andamento do negócio. (Redação dada pela Lei no 12.236, de 2010.) Parágrafo único. Sob pena de responder por perdas e danos, o corretor prestará ao cliente todos os esclarecimentos acerca da segurança ou risco do negócio, das alterações de valores e de outros fatores que possam influir nos resultados da incumbência. (Incluído pela Lei no 12.236, de 2010.) Comentário 52 O artigo estabelece as obrigações básicas do corretor e sua responsabilidade civil perante seus clientes. Curiosidade A atividade de corretagem de seguros teria surgido em Portugal, no ano de 1578, e o papel do corretor já consistia em intermediar as relações entre segurados e seguradoras. A contratação de seguro somente era válida quando intermediada por um corretor de seguros, e a remuneração deste era custeada pelos segurados. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL50 Art. 724. A remuneração do corretor, se não estiver fixada em lei, nem ajustada entre as partes, será arbitrada segundo a natureza do negócio e os usos locais. Comentário 53 Quando a legislação não estabelecer o quantum de remuneração a ser recebido pelo corretor, ela será pautada pela natureza do negócio e pelos usos locais, ou seja, pelos costumes. Art. 725. A remuneração é devida ao corretor uma vez que tenha conseguido o resultado previsto no contrato de mediação ou ainda que este não se efetive em virtude de arrependimento das partes. Comentário 54 Atingido o resultado útil com a celebração do contrato, a remuneração será devida, ainda que o negócio não venha a se efetivar por arrependimento das partes. Art. 726. Iniciado e concluído o negócio diretamente entre as partes, nenhuma remuneração será devida ao corretor, mas, se, por escrito, for ajustada a corretagem com exclusividade, terá o corretor direito à remuneração integral, ainda que realizado o negócio sem a sua mediação, salvo se comprovada sua inércia ou ociosidade. Comentário 55 Concretizado o negócio sem a intermediação do corretor, a remuneração não será devida, salvo se houver ajuste, por escrito, de exclusividade no que concerne à corretagem, situação em que o corretor terá direito à remuneração integral, excetuando-se os casos de comprovada inércia ou ociosidade de sua parte. É importante, neste caso, que o corretor esteja sempre em contato com seus clientes. UNIDADE 2 51 Art. 727. Se, por não haver prazo determinado, o dono do negócio dispensar o corretor, e o negócio se realizar posteriormente, como fruto da sua mediação, a corretagem lhe será devida; igual solução se adotará se o negócio se realizar após a decorrência do prazo contratual, mas por efeito dos trabalhos do corretor. Comentário 56 Este artigo é muito importante para o corretor, haja vista que a remuneração de corretagem sempre será devida quando houver seu trabalho ou sua participação na mediação, ainda que seja dispensado antes da concretização do negócio. Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. Comentário 57 Este artigo dispõe sobre a cocorretagem, ou seja, o trabalho realizado por dois ou mais corretores, inclusive como deve ser paga a remuneração pelo trabalho por eles realizado, quando não há um acordo prévio de quanto cabe a cada um. Art. 729. Os preceitos sobre corretagem constantes deste código não excluem a aplicação de outras normas da legislação especial. Comentário 58 Pela redação deste artigo, entende-se que as disposições sobre a corretagem previstas no Código Civil não excluem a aplicação de outras normas da legislação especial, como, por exemplo, a Lei no 4.594, de 1964, e o Decreto-Lei no 73, de 1966. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL52 Ainda em relação ao contido no art. 729 do Código Civil, a própria Lei no 4.594, de 1964, em seu art. 1o, alterada pelo Decreto-Lei no 73, de 1966, no seu art. 122, cuidou de estabelecer um conceito formal para a profissão do corretor, destacando a função de intermediação exercida, inclusive as pessoas jurídicas dessa relação, conforme o comentário seguinte. Comentário 59 A Lei no 4.594, de 1964, em seu art. 1o, dispõe: Art. 1o. O corretor de seguros, seja pessoa física ou jurídica, é o intermediário legalmente autorizado a angariar e a promover contratos de seguros, admitidos pela legislação vigente, entre as sociedades de seguros e as pessoas físicas ou jurídicas, de Direito Público ou Privado. Igual procedimento adotou o Decreto-Lei no 73, de 1966, no seu artigo 122, tendo suprimido, no entanto, a expressão “público”. Art. 122. O corretor de seguros, seja pessoa física ou jurídica, é o intermediário legalmente autorizado a angariar e promover contratos de seguros entre as sociedades seguradoras e as pessoas físicas ou jurídicas de Direito Privado. Vale recordar que, conforme já mencionado, o Decreto-Lei no 73, de 1966, foi recepcionado pela Constituição Federal com status de lei complementar. Assim, ante o princípio da hierarquia das leis, o art. 122 do Decreto-Lei no 73, de 1966, prevalece sobre o contido na parte final da redação do art. 1o da Lei no 4.594, de 1964. Portanto, o corretor de seguros só pode intermediar contratos de seguros entre sociedades de seguros e as pessoas naturais e jurídicas de Direito Privado. Conclui-se, assim, que o papel do corretor de seguros, na condição de integrante do Sistema Nacional de Seguros, é promover a ligação entre os interesses dos segurados (os quais representa) e das sociedades seguradoras, o que faz na condição de intermediador. No exercício dessa intermediação, compete ao corretor de seguros identificar as necessidades daquele que pretende contratar o seguro (proponente); orientar o proponente sobre os tipos de seguro que deve contratar para garantir seu patrimônio, sua vida, faculdades humanas e saúde, além de outros interesses seguráveis que titularize; buscar no mercado as opções de seguro mais adequadas para o cliente; adverti-lo sobre a importância de prestar informações verdadeiras e completas acerca do interesse segurável e do risco; esclarecê-lo sobre o sentido e o alcance das cláusulas contratuais; e assisti-lo durante toda a vigência do seguro, inclusive na realização de aviso de sinistro e no fornecimento de documentos e informações durante o processo de regulação. Assim, o corretor de seguros exerce um papel importantíssimo no sentido de impulsionar o mercado de seguros e de disseminar a cultura do seguro. UNIDADE 2 53 REQUISITOS PARA O EXERCÍCIO PROFISSIONAL E REGISTRO NA SUSEP O Corretor de Seguros – Profissional Autônomo Como se trata de categoria econômica relevante para o cumprimento da missão de desenvolvimento da economia nacional, a própria Lei no 4.594, de 1964, regulamentadora da profissão, dispõe, no parágrafo único do art. 2o, queo número de corretores é ilimitado, em disposição harmônica com o texto da atual Constituição Federal, que assegura a liberdade profissional, como se constata da redação do art. 5o, inciso XIII: Art. 5o. ... ... XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. O artigo 2o da Lei no 4.594, de 1964, dispõe: Art. 2o. O exercício da profissão de corretor de seguros depende da prévia obtenção do título de habilitação, o qual será concedido pelo Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização, nos termos desta lei. Comentário 60 O referido artigo condicionou o exercício da profissão à obtenção de título de habilitação junto à SUSEP para o exercício da profissão, a qual depende do preenchimento de requisitos da Lei no 4.594, de 1964, entre os quais está incluída a necessidade de aprovação em exame de habilitação. Convém consignar que a Resolução CNSP no 249/2012, com alterações promovidas pelas Resoluções CNSP nos 252/2012, 258/2012 e 318/2014, estabeleceu as disposições sobre a habilitação, registro profissional e atividade dos corretores de seguros de ramos elementares e dos corretores de seguros de vida, capitalização e previdência, bem como seus prepostos. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL54 A Lei no 4.594, de 1964, em seu art. 3o, prevê os requisitos a serem atendidos por todos os interessados em realizar a intermediação de contratos de seguro, preenchidas todas as qualificações profissionais que a lei estabelecer, conforme o art. 5o, inciso XIII, da Constituição Federal. Art. 3o. O interessado na obtenção do título a que se refere o artigo antecedente requererá ao Departamento Nacional de Seguros Privados e de Capitalização, indicando o ramo de seguro a que pretende se dedicar, provando documentalmente: a) ser brasileiro ou estrangeiro com residência permanente; b) estar quite com o serviço militar, quando se tratar de brasileiro ou naturalizado; c) não haver sido condenado por crimes a que se referem as Seções II, III e IV do Capítulo VI do Título I; os Capítulos I, II, III, IV, V, VI e VII do Título II; o Capítulo V do Título VI; Capítulos I, II e III do Título VIII; os Capítulos I, II, III e IV do Título X e o Capítulo I do Título XI, parte especial do Código Penal; d) não ser falido; e) ter habilitação técnico-profissional referente aos ramos requeridos. Cada um desses requisitos merece ser comentado separadamente. • ser brasileiro ou estrangeiro com residência permanente. Embora a alínea “a” do art. 3o da citada lei não se refira ao brasileiro naturalizado, é possível concluir que ele está inserido naquele dispositivo, pois a alínea seguinte (“b”) faz menção expressa a ele. Comentário 61 A naturalização tácita não foi adotada pela Constituição de 1988, dispondo, apenas, sobre a naturalização expressa, a qual se divide em ordinária ou comum e extraordinária. A ordinária é concedida ao estrangeiro com idoneidade moral que resida no Brasil por 1 (um) ano ininterrupto, desde que seja originário de países de língua portuguesa. A extraordinária pode ser concedida a qualquer estrangeiro com domicílio no Brasil por mais de 15 (quinze) anos ininterruptos e sem condenação penal. Ressalta-se, porém, que a naturalização não importa a aquisição da nacionalidade ou radicação no Brasil do cônjuge ou filhos do recém-naturalizado. No que concerne ao requisito residência permanente, pode-se entender se tratar do local onde o indivíduo estabeleceu e organizou a sua vida familiar. • estar quite com o serviço militar, quando se tratar de brasileiro ou naturalizado. O serviço militar é obrigatório por força de lei (artigo 143 da Constituição Federal). Estão isentos do serviço militar, em tempo de paz, os eclesiásticos e as mulheres. Entretanto, poderão estar sujeitos a outros encargos que a lei lhes atribuir. Aquele que alegar qualquer imperativo de consciência ou de ordem religiosa para eximir-se do serviço militar estará sujeito à prestação de serviços alternativos determinados por lei. Curiosidade Foi o poeta Olavo Bilac, em torno de 1915, que desencadeou ferrenha campanha em favor da obrigatoriedade do serviço militar, ressaltando que o quartel seria uma escola de civismo. Inclusive, em sua homenagem, a data do seu nascimento, 16 de dezembro, foi consagrada como Dia do Reservista. A Lei do Serviço Militar foi promulgada em 1964, mas entrou em vigor em janeiro de 1966, com a publicação do respectivo regulamento. UNIDADE 2 55 De acordo com o artigo 5o da Lei do Serviço Militar no 4.375, de 17/08/1964, o brasileiro fica isento da apresentação do documento de situação militar a partir de janeiro do ano em que completar 46 (quarenta e seis) anos de idade. • não haver sido condenado por crimes a que se referem as Seções II, III e IV do Capítulo VI do Título I; os Capítulos I, II, III, IV, V, VI e VII do Título II; o Capítulo V do Título VI; Capítulos I, II e III do Título VIII; os Capítulos I, II, III e IV do Título X e o Capítulo I do Título XI, parte especial do Código Penal. Inicialmente, é necessário esclarecer que, segundo o artigo 5o, LVII, da Constituição Federal, a pessoa somente poderá ser considerada culpada após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória (em que não caiba mais recurso). Para ampliar conhecimentos, o interessado pode fazer uma leitura dos dispositivos acima mencionados do Código Penal e, também, dos abaixo relacionados: – dos crimes contra a inviolabilidade do domicílio (artigo 150); – dos crimes contra a inviolabilidade de correspondência (artigos 151 e 152); – dos crimes contra a inviolabilidade dos segredos (artigos 153 e 154); – dos crimes contra o patrimônio (artigos 155 a 180); – dos crimes contra os costumes (artigos 227 a 232); – dos crimes contra a incolumidade pública (artigos 250 a 285); – dos crimes contra a fé pública (artigos 289 a 311); e – dos crimes contra a Administração Pública (artigos 312 a 327). • não ser falido. Trata-se da decretação de falido em processo judicial, com trânsito em julgado da respectiva decisão. • ter habilitação técnico-profissional referente aos ramos requeridos. Atualmente, o interessado em exercer a profissão de corretor de seguros, todos os ramos, primeiramente tem que obter aprovação em exame ou curso de habilitação junto à Escola Nacional de Seguros – FUNENSEG. Posteriormente, ele deverá solicitar seu registro à SUSEP. A exigência de habilitação técnico-profissional feita pelo art. 3o da Lei no 4.594, de 1964, deve ser cumprida na forma do artigo 4o da mesma lei, com a redação que lhe foi dada pela Lei no 7.278/84: Art. 4o. O cumprimento da exigência da alínea “e” do artigo anterior poderá consistir na observância comprovada de qualquer das seguintes condições: a) haver concluído curso técnico profissional de seguros, oficial ou reconhecido; b) apresentar atestado de exercício profissional anterior a esta Lei, fornecido pelo sindicato de classe ou pelo Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização. Saliente-se que o artigo 3o da Lei no 4.594, de 1964, determina a comprovação documental dos referidos requisitos. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL56 Cabe acrescentar que a mesma lei estabelece a seguinte vedação ao exercício da atividade de corretagem de seguros, aplicável também aos prepostos do corretor: Art. 17. É vedado aos corretores e aos prepostos: a) aceitarem ou exercerem empregos de pessoa jurídica de Direito Público, inclusive de entidade paraestatal; b) serem sócios, administradores, procuradores, despachantes ou empregados de empresa de seguros. Parágrafo único. O impedimento previsto neste artigo é extensivo aos sócios e diretores de empresa de corretagem. Editado dois anos maistarde, o Decreto-Lei no 73/66 previu, no art. 123, o seguinte: Art. 123. O exercício da profissão de corretor de seguros depende de prévia habilitação e registro. § 1o A habilitação será feita perante a SUSEP, mediante prova de capacidade técnico-profissional, na forma das instruções baixadas pelo CNSP. Cabe acrescentar que o artigo 32, inciso XII, do Decreto-Lei no 73/66 atribuiu ao CNSP a competência privativa para disciplinar a corretagem de seguros e a profissão de corretor de seguros. O Decreto no 60.459/67, editado para regulamentar o Decreto-Lei no 73/66, ratificou, no inciso XIV do artigo 21, a competência do CNSP para dispor sobre a corretagem de seguros e a respectiva profissão. Conforme pontuado anteriormente, em 2012, o CNSP editou a Resolução no 249/2012, que dispõe sobre a atividade dos corretores de seguros de ramos elementares e dos corretores de seguros de vida, capitalização e previdência, bem como seus prepostos, e que veio a ser alterada pela Resolução no 252/2012 e, posteriormente, pelas Resoluções CNSP nos 258/12 e 318/14. A exemplo do contido no art. 3o, III, da Lei no 4.594, de 1964, o art. 4o da Resolução no 249/2012, prevê que a habilitação técnico-profissional é requisito para a concessão do registro: Art. 4o. É requisito necessário à concessão de registro profissional de corretor de seguros pela SUSEP, prevista no § 3o do art. 123 do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, a apresentação do comprovante de aprovação no Exame Nacional para Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros ou do certificado de conclusão do Curso de Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros, expedidos pela FUNENSEG ou por outra instituição de ensino autorizada pela SUSEP. (Artigo alterado pela Resolução CNSP no 258/2012) Parágrafo único. O certificado de conclusão do Curso de Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros será fornecido com base em aferições de aproveitamento e frequência, segundo critérios estabelecidos pela SUSEP. UNIDADE 2 57 A par disso, o artigo 4o-A da referida Resolução exige o atendimento a todos os demais requisitos previstos no art. 3o da Lei no 4.594, de 1964, para a obtenção do registro profissional de corretor de seguros, tendo acrescido a eles as vedações contidas no art. 17 da citada lei: Art. 4o-A. São condições necessárias à atuação profissional de corretor de seguros: (Artigo acrescentado pela Resolução CNSP no 252/2012) I – ser brasileiro ou estrangeiro com residência permanente no País; II – estar quite com o serviço militar e a justiça eleitoral, quando se tratar de brasileiro com idade entre dezoito e quarenta e cinco anos; III – não haver sido condenado por crimes a que se referem as Seções II, III e IV do Capítulo VI do Título I; os Capítulos I, II, III, IV, V, VI e VII do Título II; o Capítulo V do Título VI; os Capítulos I, II, III e IV do Título X e o Capítulo I do Título XI, parte especial do Código Penal. IV – não ser falido; V – não exercer cargo ou emprego em pessoa jurídica de Direito Público; VI – não manter relação de emprego ou de direção com sociedade seguradora. Para a obtenção do registro na SUSEP, o interessado deve, ainda, cumprir as disposições estabelecidas pela Circular SUSEP no 510, de 22 de janeiro de 2015. As Corretoras de Seguros Pessoas Jurídicas Sociedades Empresárias A expansão do setor de Seguros, Capitalização e Previdência Complementar Aberta, com maior participação no PIB nacional, foi verificada a partir de 1994, em virtude da estabilização da moeda e condições econômicas mais favoráveis, bem como a exploração de novos nichos de mercado, e as oportunidades de negócios vêm exigindo, dos corretores de seguros mais profissionalização, capacitação e especialização. As próprias entidades e sociedades dos mercados supervisionados têm demonstrado a preferência em operar e cadastrar corretores sob a forma de sociedades. A Lei no 4.594, de 1964, exige, no parágrafo 1o do art. 3o, que as sociedades corretoras de seguros tenham sede no país e sejam organizadas segundo as leis brasileiras. A Resolução CNSP no 249, de 2012, alterada pela Resolução no 252/2012, estabelece, no artigo 11, que a concessão de registro de corretor de seguros, constituído sob a forma de pessoa jurídica, somente será outorgada às empresas regularmente constituídas, que estejam organizadas sob a forma de sociedades simples ou empresárias: Art. 11. A concessão de registro de corretor de seguros constituído sob a forma de pessoa jurídica somente será outorgada às sociedades regularmente constituídas, que estejam organizadas sob a forma de sociedades simples ou empresárias. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL58 De acordo com o art. 1.150 do Código Civil, o empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro Público de Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais; e a sociedade simples, ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas. As empresas corretoras de seguros, dependendo de seu porte econômico, podem ser constituídas sob a forma de sociedades anônimas, regidas pela Lei no 6.404, de 1976, com as alterações das Leis no 9.457, de 1997, e no 10.303, de 2001. O Código Civil possui um capítulo inteiro dedicado ao Direito da Empresa (arts. 966 a 1.195), cuja leitura é recomendada para melhor aprofundamento no tema. Os corretores de seguros que pretenderem constituir uma sociedade corretora de seguros devem buscar a orientação de advogados e contadores. É importante mencionar que o art. 12 da Resolução CNSP no 249, de 2012, alterada pela Resolução no 252/2012, estabelece a seguinte condição para a constituição de uma sociedade corretora: Art. 12. A constituição de uma sociedade corretora, seja para atuar no ramo de Danos, no segmento de capitalização ou, ainda, em capitalização, no ramo de Pessoas ou em previdência complementar aberta, deve ter como diretor técnico, no caso de sociedade por ações, ou administrador, no caso de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, um corretor habilitado para o segmento de atuação da referida sociedade. A Resolução no 249/2012 dispõe, ainda, de forma semelhante ao artigo 17 da Lei no 4.594, de 1964, sobre as condições para que seja concedido o registro de corretora de seguros para a pessoa jurídica: Art. 13. Não será concedido registro às sociedades cujos sócios e ou diretores: I – aceitem ou exerçam emprego em pessoa jurídica de direito público; ou II – mantenham relação de emprego ou de direção com sociedade seguradora. Vale ressaltar, no entanto, que este mesmo dispositivo previa, no seu parágrafo único, o qual foi revogado pela Resolução CNSP no 252/2012, a vedação no sentido de que não poderiam obter registro as sociedades em que participem pessoas jurídicas integradas por sócios ou acionistas que se encontrem nas situações previstas nos incisos I e II do artigo 13, abrindo, dessa maneira, a possibilidade para que, em tais situações, seja concedido o registro de corretora de seguros à pessoa jurídica. Sobre o registro na SUSEP, devem sempre ser observadas as disposições da Circular SUSEP no 510/2015. UNIDADE 2 59 Sociedades Cooperativas Os corretores de seguros podem se organizar, também, sob a forma de sociedades cooperativas. O CNSP editou a Resolução no 175, de 17/12/2007, que dispõe sobre cooperativas de corretores de seguros. Posteriormente, a SUSEP baixou normas complementares através da Circular SUSEP no 367/2008. Já a Circular SUSEP no 374, de 24/10/2008, dispôs sobre os procedimentos de registro de sociedades cooperativas de corretores de seguros, dando outras providências. A sociedade cooperativa tem por objetivo a defesa da economia individual dos seus sócios. No art. 3o da Lei no 5.764/71, assim está definido o contrato entre os sócios(cooperados): Art. 3o. Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum sem objetivo de lucro. A cooperativa difere de uma empresa pelo fato de visar à prestação de serviços aos seus cooperados sem objetivo de lucro. Assim sendo, a cooperativa representará os interesses dos cooperados, além de organizar e operar todas as atividades necessárias, a fim de possibilitar ao cooperado auferir o melhor rendimento possível, respeitando e cumprindo plenamente a legislação aplicável. A cooperativa de corretores de seguros, por ser uma típica cooperativa de trabalho de profissionais da respectiva profissão regulamentada, possibilitará aos cooperados prestar serviços aos seus clientes por intermédio da cooperativa. Cabe à cooperativa efetuar o processamento operacional da produção dos seus cooperados junto às seguradoras e, nesse caso, conforme previsão legal, atuar como corretora de seguros pessoa jurídica, distinguindo-se, porém, das sociedades corretoras de seguros constituídas sob a forma empresarial. São necessários, no mínimo, 20 corretores de seguros, pessoas naturais, habilitados legalmente, para a constituição de uma sociedade cooperativa. Sua constituição requer a realização de uma assembleia para aprovação do estatuto social, integralização do capital social, definição da sede. Posteriormente, deve ser providenciado o registro da ata de constituição e do estatuto social na Junta Comercial da Unidade Federativa onde ficar instalada a sede, na Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB –, através de sua unidade regional correspondente, no CNPJ (emitido pelo Ministério da Fazenda), na Prefeitura Municipal e na SUSEP. O quadro de associados da sociedade cooperativa de corretores de seguros deve ser formado, obrigatoriamente, por corretores de seguros, pessoas naturais ou jurídicas, gozando do livre exercício profissional. Todos os sócios das pessoas jurídicas corretoras de seguros que participem de sociedade cooperativa deverão ser corretores de seguros registrados na SUSEP e em pleno gozo do livre exercício profissional. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL60 QUAL A MELHOR OPÇÃO? O corretor de seguros, que é um profissional autônomo, atuando como profissional autônomo, além das despesas inerentes à sua própria atividade, tem, no aspecto fiscal, a obrigatoriedade do recolhimento do ISS (dependendo da legislação de cada município e do percentual incidente), da contribuição para o INSS e do Imposto de Renda. Evidentemente, dependendo da carteira ou da produção do corretor, pode ser que o modelo simplificado seja mais atrativo. Vale dizer que o próprio sistema informatizado da Receita Federal – RFB –, quando da elaboração da declaração de ajustes, indicará qual modelo oferece mais vantagem. Ademais, existe, quando do pagamento da comissão pelas sociedades, a retenção na fonte dos valores correspondentes ao ISS, INSS e Imposto de Renda, que devem ser computados para efeito da elaboração do livro-caixa. Quanto às sociedades corretoras, além dos seus custos fixos e variáveis, elas têm a obrigatoriedade do pagamento do ISS, do INSS, da COFINS, do PIS e do Imposto de Renda, por legislação específica. A pessoa jurídica necessita cumprir a legislação fiscal, tributária, previdenciária e trabalhista, além de proceder à contabilização de suas operações, realizar balancetes e balanços, sendo essenciais a orientação e prestação de serviços de um contador. O corretor de seguros, no exercício da atividade profissional, para fins de opção, deve avaliar de forma segura e consistente a conveniência, ou não, de operar como pessoa natural ou pessoa jurídica, tudo em função da sua própria carteira ou produção e, principalmente, na busca por minimizar custos e ter resultados operacionais e financeiros positivos. É importante mencionar que algumas sociedades seguradoras preferem operar somente com sociedades corretoras de seguros, constituídas sob a forma empresarial ou sob a forma de cooperativas. Convém esclarecer, também, que, quando o corretor atua em mais de um município, em face do que dispõe a Lei Complementar no 116, de 31/07/2003, há a necessidade de ele melhor se instruir a respeito da incidência do ISSQN (ISS) para evitar, inclusive, a bitributação. Alguns sindicatos de corretores possuem, em suas estruturas, advogados e contadores que podem melhor esclarecer essa questão, devido à sua complexidade. De qualquer forma, a orientação a ser dada ao corretor de seguros, principalmente àquele que está ingressando na profissão e que tenha dúvidas ou dificuldades em fazer essa avaliação para escolher a melhor opção e outros temas correlatos, é consultar um profissional especialista em matéria tributária, que pode ser um contabilista, contador ou advogado, ou mesmo o sindicato de corretores da respectiva base territorial. Essa consulta deve ser aprofundada, haja vista a inserção dos Corretores de Seguros no Simples pela Lei Complementar no 147, de 07/08/2014, assim como a possibilidade de constituição de Corretora de Seguros, na forma de EIRELI (Lei no 12.441/2011), para cujo registro a SUSEP não faz qualquer tipo de objeção. UNIDADE 2 61 CORRETORES DE SEGUROS NO SUPERSIMPLES Sancionada em 7 de agosto de 2014, a Lei Complementar no 147/2014 permite a adesão das empresas corretoras de seguros no SuperSimples, antigo pleito da categoria econômica dos corretores de seguros. De acordo com a Lei Complementar no 147/2014, podem aderir ao SuperSimples empresas com faturamento bruto anual de até R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). A empresa que ultrapassar esse limite anual de faturamento deverá deixar o SuperSimples. Se o faturamento aumentar, mas não atingir o limite máximo de faturamento bruto, será preciso verificar a alíquota de incidência correta na tabela do SuperSimples. O proprietário de corretora de seguros que optar por aderir ao SuperSimples não terá nenhum custo adicional para formalizar o seu enquadramento, nem precisará fazer qualquer alteração no nome ou razão social da empresa ou no CNPJ. Também não será necessário alterar o contrato social da empresa corretora de seguros que for enquadrada no SuperSimples. Isso porque a mudança será restrita à forma de tributação e não atingirá a atividade. O SuperSimples conta com seis tabelas e alíquotas diferentes, de acordo com o setor e faixas de faturamento. O corretor de seguros aderente ao SuperSimples deve utilizar a Tabela III, por sinal a menos onerosa de todas. O que muda para a Corretora de Seguros? Em uma empresa no regime comum de tributação, é preciso apurar e recolher aos cofres públicos, separadamente, cada tributo e contribuições, sejam eles federal, estadual ou municipal. Já em uma empresa que optar pela adesão ao SuperSimples, todos os impostos são arrecadados em uma única guia de recolhimento (DAS), tendo como base da apuração do tributo e contribuições o faturamento, sobre o qual incide uma alíquota progressiva de acordo com o faturamento. No caso específico do Corretor de Seguros, as alíquotas do SuperSimples podem iniciar em 6% sobre o faturamento e ir até 17,42%. A inserção dos Corretores de Seguros no SuperSimples foi uma conquista da FENACOR, seus Sindicatos filiados e principais lideranças da categoria econômica do mercado da corretagem de seguros. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL62 O QUE SÃO EMPRESAS INDIVIDUAIS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA – EIRELI O Corretor de Seguros pode constituir sua sociedade na forma Simples Simples, Simples Limitada ou uma EIRELI – Empresa Individual de Responsabilidade Limitada –, na qual não é necessário ter um ou mais sócios. É possível também transformara sociedade já existente em EIRELI. Nota Transcrição abaixo de trechos contidos no Livro sobre EIRELI (www.fenacor.org.br): “Trata-se de nova modalidade de pessoa jurídica criada pela Lei 12.441/2011, que garante ao seu titular uma separação entre o seu patrimônio particular e o da EIRELI, a partir do registro no registro público competente (Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou Registro Público de Empresas). A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada – EIRELI – é uma pessoa jurídica unipessoal, o que significa que é composta por apenas um titular, sem a participação de sócios. Não se confunde com a figura do empresário, nem do microempreendedor individual (MEI), que é um tipo de empresário, pois estes não têm personalidade jurídica, nem limitação de responsabilidade ao capital declarado. Também não se confunde com a sociedade, pois esta tem que contar com a pluralidade de sócios. O nome “empresa” é usado na EIRELI de forma não técnica, como acontece normalmente na legislação e no próprio Código Civil, quando, por exemplo, trata sobre escrituração de livros. Quando a lei usa o nome empresa, muitas vezes está se referindo à pessoa jurídica, não se preocupando com o detalhamento se é de organização simples ou empresarial. .............. Os elementos do ato de constituição serão basicamente os previstos na norma das sociedades limitadas (art. 1.052 a 1.087 do Código Civil brasileiro), podendo prever, como norma subsidiária, a lei das sociedades anônimas e, na omissão, ficam valendo as normas das sociedades simples. Os elementos que precisam de maior atenção são a administração e o capital. Este terá que ser totalmente integralizado no valor de 100 (cem) salários mínimos e não precisa ser representado em quotas. A administração não deve permitir que haja confusão entre o patrimônio particular do titular com o da pessoa jurídica e deve ser garantida a continuidade da EIRELI mesmo diante do impedimento temporário ou permanente do titular. No site da Fenacor (www.fenacor.org.br/download/eireli.pdf), está disponível uma sugestão de contratos de constituição e legislação. UNIDADE 2 63 HABILITAÇÃO TÉCNICO-PROFISSIONAL No exercício do poder regulamentar que lhe foi atribuído, o CNSP tem a competência de editar resoluções, disciplinando não apenas a profissão de corretor de seguros, mas, também, a própria atividade de corretagem. Em 15 de fevereiro de 2012, a SUSEP, autorizada pelo CNSP, (ad referendum do referido Conselho (na forma do art. 5o, § 1o, da Resolução CNSP no 111/2004), editou a Resolução no 249/2012, que dispõe sobre a atividade dos corretores de seguros de Ramos Elementares e dos corretores de seguros de Vida, Capitalização e Previdência. É importante mencionar que a Resolução CNSP no 249/2012 foi alterada pelas Resolução CNSP no 252/2012 e, posteriormente, pela Resolução CNSP no 318/14. De acordo com o art. 3o da Resolução CNSP no 249/2012, a habilitação técnico-profissional prevista no § 1o do art. 123 do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, será concedida mediante aprovação em Exame Nacional de Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros ou em Curso de Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros. A SUSEP editou, em seguida, a Circular no 428/2012, que dispõe sobre a realização de Curso de Habilitação de Corretores de Vida, de Capitalização e de Previdência e dá outras providências. Ainda não foi editada pela SUSEP uma circular disciplinando a habilitação técnico-profissional para Ramos Elementares. Até que isso ocorra, esta se regerá, por analogia, pelas disposições contidas na Circular SUSEP no 428/2012. De acordo com o art. 6o da Resolução CNSP no 249/2012, “a comprovação prévia de conclusão de curso de ensino médio em estabelecimento educacional reconhecido é requisito básico para a inscrição do candidato no Exame Nacional para Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros ou no Curso de Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros”. REQUERIMENTO DE REGISTRO NA SUSEP O requerimento de registro na SUSEP deve ser efetuado na forma estabelecida no art. 3o da Circular SUSEP no 510/15: Art. 3o. O requerimento de registro de que trata o artigo anterior deverá ser efetuado por meio de formulário contendo dados cadastrais do corretor de seguros e declarações, e ser encaminhado por meio digital, por intermédio do sítio eletrônico da SUSEP na rede mundial de computadores. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL64 § 1o Tratando-se de corretor de seguros, pessoa física, o requerimento a que se refere o caput deverá ser acompanhado de cópia digitalizada do comprovante de aprovação no Exame Nacional de Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros ou no Curso de Habilitação Técnico-Profissional para Corretor de Seguros, promovido pela FUNENSEG ou por outra instituição autorizada pela SUSEP, referente aos ramos requeridos. § 2o Tratando-se de corretor de seguros, pessoa jurídica, o requerimento a que se refere o caput deverá ser acompanhado de cópia digitalizada do ato constitutivo, contrato ou estatuto social, devidamente arquivado no registro competente. Além da documentação mencionada naquele artigo, também aquela listada no artigo 9o da citada Circular deverá acompanhar o requerimento de registro: Art. 9o. Para efeito de composição de banco de dados, que ficará à disposição para posteriores fiscalizações, o requerimento de registro deve ser acompanhado da seguinte documentação, encaminhada por meio digital, por intermédio do sítio eletrônico da SUSEP na rede mundial de computadores. I – tratando-se de corretor de seguros, pessoa física, são exigidos os seguintes documentos: a) carteira de identidade, válida em todo o território nacional; b) comprovante de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF; c) comprovante de quitação com a justiça eleitoral ou recibo de votação da última eleição; d) comprovante de quitação com o serviço militar, quando se tratar de brasileiro com idade entre dezoito e 45 anos; e) comprovante de residência ou declaração de endereço, firmada pelo próprio, nos termos da Lei no 7.115/1983; e II – tratando-se de corretor de seguros pessoa jurídica, o administrador técnico deverá apresentar os seguintes documentos: a) os enumerados no inciso I deste artigo, relativamente a seus administradores, cotistas ou detentores de participação qualificada; b) comprovante de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ; e §1o. É obrigatório constar do ato constitutivo, estatuto ou contrato social do corretor de seguros pessoa jurídica que o administrador técnico seja corretor de seguros registrado na SUSEP, cabendo-lhe o uso do nome da empresa, relativamente aos atos de corretagem e aos documentos encaminhados à SUSEP. Uma vez concedido, o registro será válido por prazo indeterminado, conforme prevê o § 1o do art. 2o da referida Circular. UNIDADE 2 65 INEXISTÊNCIA DE LIMITAÇÃO TERRITORIAL PARA A ATUAÇÃO DO CORRETOR DE SEGUROS Não existe qualquer imposição legal estabelecendo limites territoriais para o exercício profissional do corretor de seguros, cuja atuação pode se dar em todo o território nacional. O art. 5o, inciso XIII, da Constituição Federal dispõe que: Art. 5o. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ... XIII – é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. O corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica, pode atuar em todo o território nacional, valendo o seu único registro naSUSEP, para todos os estados da Federação em que pretenda operar, inclusive no Distrito Federal. O assunto foi tratado com propriedade pelo procurador federal, lotado na SUSEP, Dr. Marcello Teixeira Bittencourt, conforme a seguir: A imposição de limitação territorial seria uma violação direta ao dispositivo previsto no art. 5o, XIII, da Constituição Federal, uma vez que não existe lei que venha a estabelecer limites para o exercício profissional do corretor de seguros. (BITTENCOURT, Marcello Teixeira. Manual de seguros privados. Lumen Juris: Rio de Janeiro, 2004, p. 59) OS PREPOSTOS DO CORRETOR A Lei no 4.594, de 1964, permite, também, que o corretor de seguros (todos os ramos) venha a ter prepostos, cuja finalidade é auxiliá-lo no exercício de suas atividades, funcionando como seus representantes, agindo em seu nome e sob sua responsabilidade e cuidado profissional. Os prepostos são de livre escolha do corretor. Portanto, devem ser pessoas de sua confiança. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL66 Contudo, para que não haja qualquer dúvida quanto à atuação dos prepostos, o art. 12 da Lei no 4.594, de 1964, estabelece que eles devem ser registrados na SUSEP, mediante requerimento do corretor de seguros, desde que atendam aos requisitos exigidos pelo art. 3o da referida lei. Art. 12. O corretor de seguros poderá ter prepostos de sua livre escolha, bem como designar, entre eles, o que o substitua nos impedimentos ou faltas. Parágrafo único. Os prepostos serão registrados no Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização, mediante requerimento do corretor e preenchimento dos requisitos exigidos pelo art. 3o. A parte final do parágrafo único do art. 12 da Lei no 4.594, de 1964, estabelece que o preposto do corretor de seguros deve ter a habilitação técnico-profissional, nos termos da alínea “e” do art. 3o do referido diploma legal. O CNSP, fazendo uso da competência que lhe foi atribuída pelo art. 32, inciso XI, do Decreto-Lei no 73, de 1966, editou a Resolução no 295, de 25 de outubro de 2013, dispondo sobre a atividade de Preposto de Corretor de Seguros e de Previdência Complementar Aberta, e requisitos básicos para sua nomeação e registro junto à SUSEP (alterada pelas Resoluções 307/14 e 334/15). A seguir, estão pontuadas algumas definições e exigências contidas na supracitada Resolução. O corretor de seguros, pessoa física ou jurídica, poderá nomear, sob sua responsabilidade e na forma prevista em tal norma infralegal, prepostos de sua livre escolha, inclusive aquele que o substituirá nos impedimentos eventuais (art. 1o) O preposto que substituir o corretor de seguros em seus impedimentos legais deverá estar registrado como corretor de seguros perante a SUSEP (§ 2o do art. 1o). Como se observa, o CNSP estabeleceu dois tipos de prepostos, para duas situações distintas, a saber: uma para os impedimentos eventuais do corretor de seguros, e outra para seus impedimentos legais. Consideram-se impedimentos legais aqueles previstos na Lei no 4.594, de 1964 (art. 17, alíneas “a” e “b”), e no Decreto-Lei no 73, de 1966 (art. 125, alíneas “a” e “b”). Considera-se preposto a pessoa física designada por único corretor de seguros, atuando exclusivamente em seu nome e sob sua responsabilidade (art. 2o). Assim, o preposto, pessoa física, somente poderá se vincular a um corretor de seguros. Cabe à SUSEP a concessão de registro de preposto (art. 3o). Cada corretor de seguros, pessoa física, poderá registrar, no máximo, 10 (dez) prepostos (§ 2o do art. 3o). O requerimento de registro deverá ser efetuado pelo corretor de seguros, por meio de formulário contendo dados cadastrais do preposto (art. 4o). UNIDADE 2 67 Para efeito de composição de banco de dados que ficará à disposição para posteriores fiscalizações, o requerimento do registro deve ser acompanhado da seguinte documentação, relativa a cada preposto (§ 1o do art. 4o): a) carteira de identidade, válida em todo o território nacional; b) comprovante de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF; c) comprovante de quitação com a justiça eleitoral; d) comprovante de quitação com o serviço militar, quando se tratar de brasileiro com idade entre 18 e 45 anos; e e) comprovante de residência. O cumprimento da obrigação de apresentação da documentação acima, junto à SUSEP, deverá ser efetuado a partir de 1o de junho de 2015 (§2o do art. 4o). Essa documentação deverá ficar arquivada em poder do corretor de seguros responsável, à disposição da fiscalização da SUSEP, enquanto durar o vínculo com os prepostos registrados na SUSEP, sem prejuízo do atendimento às demais exigências normativas aplicáveis (§3o do art. 4o). É vedado ao preposto de corretor de seguros atuar por conta própria no mercado de corretagem de seguros (art. 5o). Aplicam-se ao preposto as condições para atuação profissional do corretor de seguros, bem como os impedimentos a este imposto (§1o do art. 5o), cujo cumprimento desse disposto será efetuado por meio de declarações (§2o do art. 5o). O corretor de seguros deverá assegurar que seus prepostos mantenham as condições necessárias ao exercício de suas atividades (§1o do art. 6o), e o não atendimento a essa condição, a qualquer tempo, ensejará o cancelamento do seu registro perante a SUSEP (§2o do art. 6o). No § 3o do art. 6o, está expresso que o corretor de seguros deverá, assim que tomar conhecimento do descumprimento por parte de seu preposto de qualquer condição prevista nos artigos 4o e 5o da citada Resolução, requerer o cancelamento de seu registro. Sem qualquer motivação, o corretor de seguros poderá, a qualquer tempo, requerer o cancelamento do registro de seu preposto, mediante requerimento encaminhado à SUSEP (art. 7o). As alterações cadastrais dos prepostos de corretores de seguros obedecerão ao disposto nos normativos da SUSEP que dispõem sobre registro de corretor de seguros (parágrafo único do art. 7o). Em caso de irregularidade administrativa, estará o preposto de corretor de seguros sujeito à instauração de processo administrativo sancionador pela SUSEP para aplicação das sanções cabíveis, previstas nas normas específicas, sem prejuízo da responsabilidade do corretor de seguros que requereu a sua inscrição (art. 8o). LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL68 A SUSEP expedirá novo registro de preposto de corretor de seguros àquele que, na data da publicação da Resolução CNSP no 295, de 2013, vinha atuando como preposto de corretor de seguros ou cujo pedido de registro estiver arquivado nas bases de dados da SUSEP em data anterior à publicação da referida Resolução (art. 9o). A emissão desse novo registro está condicionada à ratificação pelo corretor de seguros da relação de seus prepostos, bem como o cumprimento da documentação exigida para a composição do banco de dados (parágrafo único do art. 9o). Não se aplica a limitação de inscrição de 10 (dez) prepostos em relação ao corretor pessoa física, quando ele já tiver um quantitativo superior já registrado na SUSEP, antes da vigência da Resolução CNSP no 295, de 2013 (art. 9-A). No caso de haver cancelamento desses registros, o corretor pessoa física somente poderá cadastrar novos prepostos junto à SUSEP até o limite de 10 (dez) prepostos. O corretor de seguros deverá comprovar a certificação técnica dos seus prepostos na forma disciplinada pelo CNSP (art. 10). A Resolução CNSP no 295, de 2013, foi publicada no DOU de 28/10/2013, e a sua vigência ficou estabelecida em 180 (cento e oitenta) dias, contados da data de sua publicação, iniciando-se, portanto, em 26/04/2014. DIREITOS E DEVERES DO CORRETOR Deveres Básicos do Corretor A Lei no 4.594, de 1964, além de prever as exigências de qualificação profissional para a atuação na corretagem, também estabelece os deveres básicos a seremobservados pelos habilitados, de forma a integrá-los no mercado de trabalho. O art. 5o da referida Lei diz: Art. 5o. O corretor, seja pessoa física ou jurídica, antes de entrar no exercício da profissão, deverá: a) prestar fiança em moeda corrente ou em títulos da dívida pública, no valor de um salário-mínimo mensal, vigente na localidade em que exercer suas atividades profissionais” (Alínea revogada – vide comentário a seguir). b) estar quite com o imposto sindical (atual contribuição sindical). Comentário 62 A alínea “a” do art. 5o da Lei no 4.594, de 1964, foi revogada pela Lei Complementar no 137, de 26/08/2010. Conforme já mencionado, o imposto sindical é a atual contribuição sindical, que possui natureza de tributo (20% são destinados ao Governo Federal), sendo obrigatório o seu pagamento. UNIDADE 2 69 Nota A contribuição sindical está prevista nos arts. 578 a 591 da CLT. Possui natureza tributária e é recolhida compulsoriamente pelos empregadores no mês de janeiro e pelos trabalhadores no mês de abril de cada ano. O art. 8o, IV, in fine, da Constituição da República prescreve o recolhimento anual por todos aqueles que participem de uma determinada categoria econômica ou profissional, ou de uma profissão liberal, independentemente de serem ou não associados a um sindicato. Tal contribuição deve ser distribuída, na forma da lei, aos sindicatos, federações, confederações e à “Conta Especial Emprego e Salário”, administrada pelo MTE. O objetivo da cobrança é o custeio das atividades sindicais, e os valores destinados à “Conta Especial Emprego e Salário” integram os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador. Compete ao MTE expedir instruções referentes ao recolhimento e à forma de distribuição da contribuição sindical. Legislação Pertinente: arts. 578 a 610 da CLT. Competência do MTE: arts. 583 e 589 da CLT. Fonte: http://portal.mte.gov.br/cont_sindical/ A SUSEP expediu a Circular no 447, de 09/08/2012, estabelecendo, em seu art. 2o, o seguinte: “Art. 2o As empresas que atuam nos mercados de seguros, capitalização, previdência complementar aberta e resseguros deverão exigir dos respectivos corretores a comprovação do recolhimento da contribuição ou imposto sindical, nos termos do art. 5o, alínea ’b“, da Lei no 4.594, de 29 de dezembro de 1964.” Dessa forma, o corretor que não comprovar estar adimplente com o pagamento da contribuição sindical, junto à seguradora, poderá ter a sua comissão retida, até a efetiva regularização da pendência. Havendo qualquer dúvida nesse sentido, o corretor deve contatar o Sindicato de Corretores de Seguros de sua base territorial. c) inscrever-se para o pagamento do Imposto de Indústrias e Profissões. Comentário 63 O Imposto de Indústrias e Profissões (IIP) foi substituído pelo Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), conhecido também como Imposto Sobre Serviços (ISS), conforme disposto no inciso III do art. 156 da Constituição Federal. O ISS é um tributo municipal e incide sobre as operações realizadas pelos corretores. Normalmente, as sociedades seguradoras fazem a retenção na fonte desse imposto. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL70 Direito à Comissão de Corretagem A retribuição pecuniária devida ao corretor de seguros, em razão da sua participação profissional na intermediação do seguro, tem o nome de comissão de corretagem e se encontra expressamente assegurada no art. 13 da Lei no 4.594, de 1964, conforme transcrição abaixo: Art. 13. Só ao corretor de seguros devidamente habilitado nos termos desta Lei e que houver assinado a proposta deverão ser pagas as corretagens admitidas para cada modalidade de seguro, pelas respectivas tarifas, inclusive em caso de ajustamento de prêmios. Comentário 64 Para fazer jus ao recebimento da comissão de corretagem, além de intermediar o contrato de seguro, o corretor deve ser habilitado nos termos da respectiva Lei, bem como ter assinado a proposta. As comissões serão pagas de acordo com a modalidade do seguro intermediado, respeitados os parâmetros das respectivas tarifas. § 1o Nos casos de alterações de prêmios por erro de cálculo na proposta ou por ajustamentos negativos, deverá o corretor restituir a diferença da corretagem. Comentário 65 O corretor deverá restituir a diferença da comissão recebida caso tenha havido qualquer erro de cálculo na proposta ou se existir ajustamento negativo. § 2o Nos seguros efetuados diretamente entre o segurador e o segurado, sem interveniência de corretor, não haverá corretagem a pagar. Comentário 66 A comissão de corretagem, portanto, somente é paga ao corretor quando houver a intermediação dele na operação de seguro. Na realidade, verifica-se que a presença do corretor de seguros não é obrigatória, a teor do disposto na alínea “b” do art. 18 da Lei no 4.594, de 1964. Na venda direta, ou seja, naquela em que não há a presença do corretor, a comissão é revertida para o Fundo de Desenvolvimento Educacional do Seguro, administrado pela FUNENSEG (art. 19 da Lei no 4.594, de 1964). UNIDADE 2 71 Vale observar em relação à comissão de corretagem que: • o corretor somente terá direito à comissão de corretagem se assinar a proposta de seguro, presumindo-se que aquele profissional foi o mesmo que assinou e intermediou o contrato de seguro; • se nenhum corretor participar da contratação do seguro, como menciona o § 2o do art. 13 da Lei no 4.594, de 1964, não haverá comissão de corretagem a ser paga a ele. No entanto, por determinação do contido no art. 19 da Lei no 4.594, de 1964, com a alteração promovida pela Lei no 6.317, de 1975, a comissão de corretagem é obrigatória e é revertida para a FUNENSEG, conforme exposto mais adiante no item Formas de Contratação e Aceitação de Propostas; • cada modalidade de seguro tem sua tabela de tarifas e prêmios, os quais servem de base para cálculo de comissão de corretagem a ser paga aos profissionais que intermedeiam os contratos de seguros; • o valor da comissão de corretagem deverá, necessariamente, guardar proporção com o montante do prêmio; e • o eventual erro na fixação do prêmio imporá o dever de restituição parcial da corretagem. Dever de Registro das Propostas e de Demonstração à SUSEP O corretor de seguros deve manter registro das propostas por ele encaminhadas às seguradoras e todos os assentamentos relacionados aos negócios de que participou. É o que determina a Lei no 4.594, de 1964, em seu art. 14, transcrito abaixo: Art. 14. O corretor deverá ter o registro devidamente autenticado pelo Departamento Nacional de Seguros Privados e de Capitalização, das propostas que encaminhar às sociedades de seguros, com todos os assentamentos necessários à elucidação dos negócios em que intervier. Tal medida se justifica para impor ao corretor uma disciplina administrativa e organizacional no exercício de suas funções, a fim de garantir aos segurados, que nele confiaram, a preservação dos registros de todos os atos relacionados ao negócio empreendido. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL72 Esses registros permitirão que o órgão oficial de fiscalização verifique o cumprimento das atividades dos corretores, razão pela qual esse registro deverá estar sempre à disposição da fiscalização da SUSEP, como prevê o art. 16 da Lei no 4.594, de 1964, transcrito abaixo: Art. 16. Sempre que for exigido pelo Departamento Nacional de Seguros Privados e de Capitalização e no prazo por ele determinado, os corretores e prepostos deverão exibir os seus registros, bem como os documentos nos quais se baseiam os lançamentos feitos. Comentário 67 Trata-se de uma medida administrativa com o objetivo de impor ao corretor certa disciplina organizacional. De certa forma, garante aos segurados a preservação dos registros dos negócios empreendidos.Dessa forma, sempre que o corretor for arguido pela SUSEP, no sentido do cumprimento de suas atividades, deverá ter à disposição os referidos registros e apresentá-los no prazo determinado pelo órgão fiscalizador. Comentário 68 A Circular SUSEP no 510, de 2015, dedica o Capítulo III ao estabelecimento de normas sobre a escrituração em registro obrigatório das propostas de seguro, admitindo o emprego de sistema de processamento de dados eletrônicos ou mecanizados na escrituração, assim como o arquivo das propostas. O prazo para a guarda da documentação da produção do corretor de seguros, cujo registro é obrigatório inclusive para eventuais comprovações no âmbito administrativo ou judicial, vem definido na Circular SUSEP no 74, de 25/01/1999, em sua tabela de temporalidade e, também, na Circular SUSEP no 277, de 30/11/2004. Dever de Repasse do Prêmio Recebido Cabe ao corretor de seguros, no exercício da intermediação que caracteriza a atividade, repassar às seguradoras as necessidades do segurado. O pagamento do prêmio deve ser realizado pelo segurado, conforme exposto mais adiante. No entanto, na maioria das vezes, ocorre de o segurado entregar ao corretor, diretamente, o valor correspondente ao prêmio ou parte dele, no caso de fracionamento em parcelas. UNIDADE 2 73 Ocorrendo essa hipótese, deve o corretor fazer imediatamente o repasse da importância recebida à seguradora, conforme prevê o art. 15 da Lei no 4.594, de 1964, transcrito a seguir: Art. 15. O corretor deverá recolher incontinenti à Caixa da Seguradora o prêmio que porventura tiver recebido pelo segurado para o pagamento do seguro realizado por seu intermédio. Comentário 69 Um dos requisitos de aperfeiçoamento do contrato de seguro é o recebimento, pela seguradora, do valor correspondente ao prêmio. Dessa forma, o corretor de seguros deverá repassar à seguradora o prêmio porventura recebido. Se não o fizer, pode estar incorrendo em crime de apropriação indébita. Dependendo da situação fática, o segurado ou pretenso segurado pode estar sem a devida cobertura (à sua revelia) e, em caso de sinistro, não fazer jus à indenização em caso de sinistro. O Código Penal assim dispõe, em seu art. 168, sobre a apropriação indébita: Art. 168. Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção: Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa (Redação alterada para adequar-se ao disposto no art. 2o da Lei no 7.209, de 11/07/1984, DOU 13/7/1984, em vigor seis meses após a data da publicação). Aumento de pena § 1o A pena é aumentada de um terço, quando o agente recebeu a coisa: I – em depósito necessário; II – na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário judicial; III – em razão de ofício, emprego ou profissão. Comentário 70 É estabelecido liame de confiança entre a seguradora e o corretor, bem como entre o corretor e o segurado. O valor do prêmio recebido pelo corretor pertence à seguradora. O corretor apenas detém a sua guarda provisória. Na hipótese de o corretor dolosamente (com a intenção) não repassar o prêmio à seguradora, incorrerá no crime de apropriação indébita, sujeitando-se às penalidades fixadas na lei, bem como à aplicação de sanções administrativas pela SUSEP e à reparação do dano por meio de ação cível promovida pelo segurado e pela seguradora. Ressalte-se que as esferas penal, administrativa e cível são independentes, sendo que, tecnicamente, dependendo da produção de provas, poderão resultar em decisões diversas. No entanto, se os mesmos elementos de provas forem carreados a todos os autos, pode haver uma uniformização nas respectivas decisões. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL74 Objetivando certa padronização, maior segurança e controle com relação ao valor dos prêmios recebidos, está estabelecido, por força de lei (artigo 8o da Lei no 5.627/70), que a cobrança de prêmios seja feita, obrigatoriamente, por meio de instituição bancária, conforme disposições da própria SUSEP e do Banco Central do Brasil, tendo aquela o poder discricionário de dispensa da cobrança bancária caso os prêmios tenham valor igual ou inferior a 25% do maior salário mínimo vigente no país, além dos prêmios de Seguro de Vida Individual. É importante observar que a Lei no 5.627, de 01/12/70, no seu art. 8o, dispôs sobre o pagamento dos prêmios de seguros, conforme transcrição seguinte: Art. 8o. A cobrança de prêmios de seguros será feita, obrigatoriamente, através da instituição bancária, de conformidade com as disposições da SUSEP em consonância com o Banco Central do Brasil. Parágrafo único. A SUSEP poderá dispensar da cobrança bancária os prêmios de valor igual ou inferior a 25% (vinte e cinco por cento) do maior salário mínimo vigente no País, bem como os prêmios de seguro de vida individual. De qualquer forma, evitar prejuízos à seguradora ou aos segurados, além de ser uma obrigação, resulta, enfim, numa melhoria de imagem, confiança e segurança no profissional da corretagem de seguros. Restrições Profissionais Algumas restrições de cunho profissional são legalmente impostas aos corretores de seguros, conforme na redação do art. 17 da Lei no 4.594, de 1964: Art. 17. É vedado aos corretores e seus prepostos: a) aceitarem ou exercerem empregos de pessoa jurídica de Direito Público, inclusive de entidade paraestatal; b) serem sócios, administradores, procuradores, despachantes ou empregados de empresa de seguros; Parágrafo único. O impedimento previsto neste artigo é extensivo aos sócios e diretores de empresa de corretagem. Também, a redação do art. 125 do Decreto-Lei no 73, de 1966, alíneas “a” e “b”, parágrafo único, que estabeleceu o seguinte: Art. 125. É vedado aos corretores e seus prepostos: a) aceitar ou exercer emprego de pessoa jurídica de Direito Público; b) manter relação de emprego ou de direção com sociedade seguradora. Parágrafo único. Os impedimentos deste artigo aplicam-se também aos sócios e diretores de empresas de corretagem. UNIDADE 2 75 Conclusão Entende-se, portanto, que o corretor não é um representante das seguradoras. O seu compromisso, naturalmente, é com os segurados, que são os seus verdadeiros clientes e que, por desconhecimento em seguros, dele dependem e nele confi am quanto à orientação no momento de proteção patrimonial e de benefícios. Enfim, a legislação em vigor determina que o corretor não pode manter vínculo empregatício com as sociedades seguradoras, sociedades de capitalização e Entidades Abertas de Previdência Complementar e, também, com entidades públicas de Direito Público. Comentário 71 O respectivo artigo proíbe aos corretores de seguro o exercício de algumas atividades, empregos ou funções. Estas proibições não objetivam cercear o exercício da profissão, mas, sim, impor maior isenção às atividades de corretagem, haja vista que o corretor deve exercer o seu labor como consultor do segurado, sem vínculos que possam macular essa relação de confiança. Não pode haver confusão entre o exercício dessas diversas funções. Os referidos impedimentos atingem, também, os sócios e diretores de empresas de corretagem. Os objetivos da proibição são claros. A intenção do legislador é impedir que o corretor seja ligado a qualquer entidade ou órgão da Administração Pública que tenha personalidade jurídica de Direito Público, de forma a evitar qualquer confusão entre o exercício das funções nos respectivos órgãos públicos com o da corretagem. Cabe mencionar que o artigo 4o-A da Resolução 249/2012, alterada pela Resolução no 252/2012, traz as mesmas vedações nos incisos V e VI: Art. 4o -A. São condições necessárias à atuação profissional de corretor de seguros: (Artigo acrescentado pela Resolução CNSP no 252/2012) I – ser brasileiroou estrangeiro com residência permanente no País; II – estar quite com o serviço militar e a justiça eleitoral, quando se tratar de brasileiro com idade entre dezoito e quarenta e cinco anos; III – não haver sido condenado por crimes a que se referem as Seções II, III e IV do Capítulo VI do Título I; os Capítulos I, II, III, IV, V, VI e VII do Título II; o Capítulo V do Título VI; os Capítulos I, II, III e IV do Título X e o Capítulo I do Título XI, parte especial do Código Penal. IV – não ser falido; V – não exercer cargo ou emprego em pessoa jurídica de Direito Público; VI – não manter relação de emprego ou de direção com sociedade seguradora. Todas essas restrições se aplicam, consequentemente, às corretoras pessoas jurídicas, tanto quanto às pessoas naturais que as dirigem e as representam. Nesse sentido, o elenco de vedações será, também, imposto aos diretores e sócios das corretoras que se formam na qualidade de pessoa jurídica. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL76 Ampliando conhecimentos Para um melhor entendimento da definição da personalidade jurídica das entidades e do conceito de pessoa jurídica de Direito Público, na qual é vedado ao corretor de seguros exercer ou aceitar emprego, convém transcrever os ensinamentos do mestre Hely Lopes Meirelles: “Entidade é pessoa jurídica, pública ou privada. Na organização política e administrativa brasileira, as entidades classificam-se em estatais, autárquicas, fundacionais, empresariais e paraestatais.” • entidades estatais – pessoas jurídicas de Direito Público (União, os Estados-Membros, os municípios e o Distrito Federal). • entidades autárquicas – pessoas jurídicas de Direito Público, de natureza meramente administrativa, criadas por lei específica, para a realização de atividades, obras ou serviços descentralizados da entidade estatal que as criou. • entidades fundacionais – pessoas jurídicas de Direito Público ou pessoas jurídicas de Direito Privado, devendo a lei definir as respectivas áreas de atuação. • entidades empresariais – pessoas jurídicas de Direito Privado, instituídas sob a forma de sociedade de economia mista ou empresa pública, com a finalidade de prestar serviço público que possa ser explorado no modo empresarial ou exercer atividade econômica de relevante interesse coletivo. • entidades paraestatais – pessoas jurídicas de Direito Privado que, por lei, são autorizadas a prestar serviços ou realizar atividades de interesse coletivo ou público, mas não exclusivos do Estado (SESI, SESC, SENAI e outros). Formas de Contratação e Aceitação das Propostas A missão primária do corretor de seguros é angariar e intermediar contratos de seguros. Isto não impede que o segurado possa, diretamente, negociar o seu contrato com o segurador tanto que a legislação admite a contratação direta. Como exemplo de contratação direta podemos citar os planos de Previdência, eventualmente contratados sem a presença do corretor. UNIDADE 2 77 Saiba mais A Circular SUSEP no 251/04 dispõe sobre a aceitação da proposta e sobre o início de vigência da cobertura nos contratos de seguros e dá outras providências. www.susep.gov.br Sobre a aceitação das propostas, dispõe o art. 18 da Lei no 4.594, de 1964, transcrito a seguir: Art. 18. As sociedades de seguros, por suas matrizes, filiais, sucursais, agências ou representantes, só poderão receber proposta de contrato de seguro: a) por intermédio de corretor de seguro devidamente habilitado; b) diretamente dos proponentes ou de seus legítimos representantes. Se a lei admite a contratação direta, sem a presença do corretor, seria possível presumir que o valor do seguro realizado dessa forma acabaria se mostrando mais baixo, uma vez que estaria reduzido do valor correspondente à comissão de corretagem. Todavia, para equilibrar o preço final do seguro nas duas hipóteses, o art. 19 da Lei no 4.594, de 1964, com a redação que lhe deu a Lei no 6.317, de 22 de dezembro de 1975, estabelece que, nos casos de contratação direta, sem a interveniência do corretor, ainda assim, será devida uma parcela de valor tarifário, a título de comissão. A redação do art. 19 da Lei no 4.594, dada pela Lei no 6.317, de 1975, estabelece o seguinte: Art. 19. Nos casos de aceitação de propostas pela forma a que se refere a alínea “b” do artigo anterior, a importância habitualmente cobrada a título de comissão e calculada de acordo com a tarifa respectiva será recolhida ao Fundo de Desenvolvimento Educacional do Seguro, administrado pela Fundação Escola Nacional de Seguros (FUNENSEG), que se destinará à criação e manutenção de: a) escolas e cursos de formação e aperfeiçoamento profissional de corretores de seguros e prepostos; b) bibliotecas especializadas. § 1o. As empresas de seguro escriturarão essa importância em livro devidamente autenticado pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e recolherão diretamente à FUNENSEG as importâncias arrecadadas, no prazo de 30 (trinta) dias de seu efetivo recebimento, cabendo à SUSEP fiscalizar a regularidade de tais créditos. Comentário 72 Nas relações particulares diretas entre segurador e segurado, o valor correspondente à comissão de corretagem, calculado de acordo com a tarifa respectiva, ao Fundo de Desenvolvimento Educacional, administrado pela FUNENSEG, para a criação e manutenção de atividades de cunho educativo, social e de pesquisa. Cabe à SUSEP fiscalizar a regularidade dos recolhimentos feitos pelas sociedades seguradoras, a esse título. Pelas disposições contidas no art. 18, alíneas “a” e “b” e caput do art. 19 da Lei no 4.594, de 1964, verifica-se que o legislador estabeleceu que a comissão de corretagem é obrigatória, seja pela remuneração ao corretor de seguros, seja pelo recolhimento de seu valor à FUNENSEG. Proponente Pessoa que pretende fazer um seguro e que já fi rmou, para esse fi m, a proposta. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL78 Entretanto, nos casos de contratação de seguros de bens públicos (editais/ licitação/Administração Pública, nos termos da Lei no 8.666, de 21/06/1993), a forma de contratação é diferente (seguradora/órgão público), pois não há a presença do corretor e comissão de corretagem. O que pode ocorrer é o corretor prestar assistência técnica à sociedade seguradora, por solicitação desta, e por ela ser remunerado. AS RESPONSABILIDADES DO CORRETOR DE SEGUROS A atividade dos corretores de seguros se encontra regulada pela Lei no 4.594, de 1964, e pelo Decreto-Lei no 73, de 1966. Reforça-se que a corretagem encontra disposições nos arts. 722 a 729 do Código Civil (Lei no 10.406, de 2002). Os dois primeiros diplomas legais mencionados se referem às responsabilidades do corretor de seguros, da seguinte maneira: Lei no 4.594, de 1964 Art. 20. O corretor responderá profissional e civilmente pelas declarações inexatas contidas em propostas por ele assinadas, independentemente das sanções que forem cabíveis a outros responsáveis pela infração. Art. 21. Os corretores de seguros, independentemente de responsabilidade penal e civil em que possam incorrer no exercício de suas funções, são passíveis das penas disciplinares de multa, suspensão e destituição. Decreto-Lei no 73, de 1966 Art. 126. O corretor de seguros responderá civilmente perante os segurados e as sociedades seguradoras pelos prejuízos que causar, por omissão, imperícia ou negligência no exercício da profissão. Art. 127. Caberá responsabilidade profissional, perante a SUSEP, ao corretor que deixar de cumprir as leis, regulamentos e resoluções em vigor, ou que der causa dolosa ou culposa a prejuízos às sociedades seguradoras ou aos segurados. Convém considerar, também, que o corretor de seguros tem responsabilidade civil em caso de dano causado por seus prepostos, a teor do que dispõeo art. 932 do Código Civil, a seguir transcrito: Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: ................................... III – o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; Assim, as sociedades seguradoras responderão pelos atos de todos aqueles que agirem em seu nome, por exemplo: seus prepostos, agenciadores, gerentes de banco, assessorias de seguros (empresas terceirizadas que prestam serviço a sociedades seguradoras). UNIDADE 2 79 Isto é básico O agente autorizado da seguradora é a pessoa natural ou jurídica que mantém com esta última uma relação contratual (contrato de trabalho, de prestação de serviços, de agência ou de outro tipo). Tal fi gura está prevista no artigo 775 do Código Civil: “Art. 775. Os agentes autorizados do segurador presumem-se seus representantes para todos os atos relativos aos contratos que agenciarem.” O agente autorizado representa os interesses da seguradora. Portanto, esta pode ser responsabilizada pelas ações ou omissões do agente que causarem dano ao segurado ou a terceiros. O agente autorizado da seguradora não se confunde, portanto, com o corretor de seguros, o qual, por força do artigo 17 da Lei no 4.594/64 e de normas regulamentares, não pode ser sócio, administrador, procurador, despachante ou empregado de sociedade seguradora. Na qualidade de intermediário com total independência em relação à seguradora, o corretor de seguros deve ter em vista os interesses do proponente/segurado. O corretor de seguros não deve ser confundido com o agente autorizado da seguradora, haja vista que não representa as sociedades seguradoras; ao contrário, exerce sua atividade com autonomia e independência, defendendo sempre os interesses do segurado. Vale lembrar, mais uma vez, o que dispõe o art. 723 do Código Civil, que trata da responsabilidade civil do corretor de um modo geral, a qual se aplica, também, ao corretor de seguros: Art. 723. O corretor é obrigado a executar a mediação com a diligência e prudência, e a prestar ao cliente, espontaneamente, todas as informações sobre o andamento do negócio. (Redação dada pela Lei no 12.236, de 2010.) Parágrafo único. Sob pena de responder por perdas e danos, o corretor prestará ao cliente todos os esclarecimentos acerca da segurança ou risco do negócio, das alterações de valores e de outros fatores que possam influir nos resultados da incumbência. (Incluído pela Lei no 12.236, de 2010.) O corretor de seguros deve, assim, ficar atento às disposições contidas no artigo 723 do Código Civil, pois, em caso de responsabilização e eventual condenação judicial, poderá responder por perdas e danos em decorrência de prejuízos que vier a dar causa a segurados ou sociedades seguradoras. Merece citação o trecho do artigo publicado na Folha de S. Paulo, em 27/09/1994, pelo consultor Antonio Penteado Mendonça, de seguinte teor: Um corretor de imóveis também é o intermediário entre o vendedor e o comprador, mas, após a concretização da venda, a sua tarefa termina, já que não há mais nada para ele fazer com relação ao negócio. O mesmo sucede com o corretor de valores: encerrada a transação, encerra-se o seu trabalho. Com o corretor de seguros, isso não ocorre. Pelo contrário. Em verdade, o seu trabalho começa depois da venda da apólice, já que, durante o seu período de vigência, ele deve cuidar para que o segurado tenha o risco adequadamente coberto. Assim, cabe ao corretor, depois da emissão da apólice, a obrigação de acompanhá-la para mantê-la atualizada no que tange a valores e coberturas. Isto é, cabe ao corretor de seguros aconselhar ao segurado as alterações necessárias, que são feitas através de documentos específicos – os endossos – para permitir que o risco continue coberto mesmo depois de modificado. O procurador federal Marcello Teixeira Bittencourt, lotado na Procuradoria da SUSEP, define, na obra Manual de Seguros Privados, as atribuições do corretor de seguros: • realizar cotações dos prêmios securitários junto às sociedades seguradoras; • auxiliar o segurado no preenchimento da proposta de seguros privados; • protocolar a proposta de seguros nas sociedades seguradoras; LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL80 • receber a apólice de seguros e remeter ao endereço do segurado, após verificar se há alguma pendência contratual; • assessorar o segurado ao longo do período contratual; • manter contato com a sociedade seguradora, na hipótese de ocorrência de sinistro; e • realizar os endossos e as averbações solicitadas pelos segurados ao longo do período contratual. Dessa forma, de acordo com as disposições legais supracitadas, podemos concluir que o corretor de seguros possui, no exercício da sua profissão: a responsabilidade civil, a responsabilidade penal e a responsabilidade profissional ou administrativa, esta última perante a SUSEP, que poderá aplicar as sanções administrativas previstas na lei e nas normas regulamentares. A RESPONSABILIDADE DO CORRETOR DE SEGUROS E O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR – CDC De acordo com as disposições legais já descritas, é pacífica a responsabilidade civil do corretor de seguros perante seus clientes segurados e os seguradores, pelos prejuízos que causar por dolo ou culpa (imprudência, imperícia ou negligência) no exercício da profissão. Com a Lei no 8.078, de 11/09/1990 (Código de Defesa do Consumidor), a responsabilidade civil do corretor foi ampliada, uma vez que é ele que faz a oferta do seguro ao segurado, devendo, por tal razão, prestar-lhe informações adequadas, claras e precisas sobre os diferentes serviços à sua disposição, com especificação correta de suas características, qualidade e preço, destacando todas as restrições de seus direitos (exclusões de cobertura). Cabe esclarecer que a atividade securitária é considerada prestação de serviços, conforme contido no parágrafo 2o do art. 3o da Lei no 8.078, de 1990, abaixo transcrito: Art. 3o [...] § 2o. Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. O corretor de seguros deve, também, atentar para o disposto nos arts. 14 e 34 do CDC. UNIDADE 2 81 O artigo 14 trata da responsabilidade civil pelo fato do serviço, ou seja, pelo dano decorrente de defeito na prestação de serviço ao consumidor. Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação de serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. § 1o. O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I – o modo de seu fornecimento; II – o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III – a época em que foi fornecido. § 2o. O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas. § 3o. O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: I – que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; II – a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. § 4o. A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa. Portanto, a responsabilidade civil da pessoa jurídica corretora é objetiva (independe da existência de culpa). Tal responsabilidade somente será afastada se a corretora provar uma das excludentes de responsabilidade previstas no parágrafo 3o do artigo 14. Já a responsabilidade civil do corretor de seguros que exerça sua atividade de maneiraautônoma, deve ser aferida mediante a verificação de culpa. Já o artigo 34 trata da responsabilidade solidária entre o fornecedor e seus prepostos ou representantes: Art. 34. O fornecer do produto ou serviço é solidariamente responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes autônomos. A SUSEP, em diversos processos administrativos, reiteradas vezes já se manifestou no sentido da obrigatoriedade do uso de uma das expressões: “corretora de seguros ou corretagem de seguros” seja na denominação social ou nome de fantasia, na forma da Circular SUSEP no 510, de 2015, com a exceção prevista na Circular SUSEP no 520, de 08/10/2015, em papel timbrado, cartões de visitas, propagandas e publicidade. O uso isolado da palavra seguros é próprio para definir uma sociedade seguradora. Exemplos: Mata Atlântica “Seguros” – uso correto para identificar a sociedade seguradora. Mata Atlântica “Corretora de Seguros” ou Mata Atlântica “Corretagem de Seguros” – uso correto, identificando-se, de pronto, tratar-se de uma sociedade corretora de seguros. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL82 Nesse aspecto, o corretor de seguros deve cumprir e observar a legislação, sendo que o Código de Defesa do Consumidor, nos arts. 36, caput, e 37, § 1o, estabelece o seguinte: Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal. Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva. § 1o. É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. Portanto, o uso indevido da palavra seguros por sociedades corretoras de seguros, sem a identificação ou inserção das expressões “corretora” ou “corretagem”, constitui publicidade enganosa, passível de punição com aplicação de penalidades pela SUSEP. Com os direitos básicos apresentados pelo CDC em favor do consumidor, o corretor de seguros deverá, entre outras coisas, fornecer informação completa ao segurado a respeito do serviço prestado, não podendo alegar desconhecimento, haja vista se tratar de profissional habilitado, que tem a obrigação de conhecimento a respeito da matéria. Ademais, o direito à inversão do ônus da prova, quando assimilada pelo juiz, obriga o corretor a fazer prova a respeito da sua alegação, tirando essa obrigação “dos ombros” do consumidor. Desta forma, demonstrado se tratar de consumidor hipossuficiente, o qual esteja em situação desvantajosa na relação de consumo, bem como sendo verossímeis as suas alegações, o juiz poderá inverter a obrigação de provar, transferindo-a ao corretor (prestador de serviço). Ressalte-se também que, em se tratando de corretor pessoa jurídica, o magistrado poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade, atingindo o patrimônio dos sócios, proprietários. Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. O corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica, deve estar atento às normas do Código de Defesa do Consumidor, inclusive no que diz respeito às formas de publicidade admitidas, bem como à objetividade e clareza das cláusulas restritivas de direito, as quais comportam os riscos não cobertos. Curiosidade A teoria da desconsideração da pessoa jurídica foi originalmente invocada no ano de 1809, nos Estados Unidos, onde foi denominada disregard of legal entity ou lifting the corporate veil, expressões que s igni f i c am, respec t ivamente, desconsideração da personalidade jurídica e levantamento do véu da personalidade jurídica. A teoria foi invocada no caso Bank of the United States v. Deveaux. O artigo 3o, II, da Constituição Americana limita a jurisdição das Cortes Federais às controvérsias entre “cidadãos” de diferentes estados americanos. Todavia, o juiz Marshall, com o objetivo de manter a jurisdição de uma Corte Federal sobre aquele caso, adotou a referida teoria para “olhar além do véu” da empresa (no caso, o banco) e, assim, alcançar seus sócios. Como estes eram cidadãos de diferentes estados americanos, o juiz Marshall concluiu que o caso poderia permanecer sob a jurisdição de uma Corte Federal. UNIDADE 2 83 A RESPONSABILIDADE PENAL E O CÓDIGO PENAL Como qualquer outro profissional no exercício de suas atividades, o corretor de seguros está sujeito à tipificação de seus eventos ilícitos penais, acaso cometidos, nos termos da legislação específica – Código Penal. Assim, na hipótese de o corretor de seguros receber importância para pagamento do prêmio de seguro e não repassá-la à seguradora, poderá estar incorrendo no crime de apropriação indébita, capitulado pelo Código Penal. Há de ficar claro que a responsabilidade penal (penalidade prevista pelo Código Penal) não exclui a responsabilidade civil (dever de indenizar prejuízos causados), nem, tampouco, a responsabilidade profissional ou administrativa do corretor (sanção a ser aplicada pela SUSEP ao profissional). Os cancelamentos de registro impostos pela SUSEP, geralmente, são decorrentes de corretores de seguros que se apropriam de valores de segurados, cujos prêmios deveriam ser por eles repassados incontinenti à seguradora, conforme prevê a Lei no 4.594, de 1964. A RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA OU PROFISSIONAL Os corretores de seguros, pessoas naturais ou jurídicas, e as sociedades corretoras de resseguros estão sujeitos à fiscalização da SUSEP, a qual poderá aplicar-lhes sanções administrativas fixadas em lei e em normas regulamentares. A lei que regula a profissão de corretor de seguros (Lei no 4.594/64), além das responsabilidades penal e civil, trata também da responsabilidade profissional ou administrativa do corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica. Esta responsabilidade administrativa se encontra claramente prevista no artigo 21 da mencionada lei: Art. 21. Os corretores de seguros, independentemente de responsabilidade penal e civil em que possam incorrer no exercício de suas funções, são passíveis das penas disciplinares de multa, suspensão e destituição. Cerca de dois anos depois da promulgação da referida lei, sobreveio a edição do Decreto-Lei no 73/66, que, no art. 128, repete o mesmo elenco de sanções, além de prever que estas devem ser aplicadas pela Superintendência de Seguros Privados – SUSEP – por meio de processo administrativo: Art. 128. O corretor de seguros estará sujeito às penalidades seguintes: a) multa; b) suspensão temporária do exercício da profissão; c) cancelamento do registro. Parágrafo único. As penalidades serão aplicadas pela SUSEP, em processo regular, na forma prevista no art. 119 desta Lei. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL84 A Lei Complementar no 126/2007 estabelece no art. 21, a seguir transcrito, o seguinte quanto ao descumprimento das normas relativas ao resseguro, à retrocessão e à corretagem de resseguros: Art. 21. As cedentes, os resseguradores locais, os escritórios de representação de ressegurador admitido, os corretores e corretoras de seguro, resseguro e retrocessão e os prestadores de serviços de auditoria independente bem como quaisquer pessoas naturais ou jurídicas que descumprirem as normas relativas à atividade de resseguro, retrocessão e corretagem de resseguros estarão sujeitosàs penalidades previstas nos arts. 108, 111, 112 e 128 do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, aplicadas pelo órgão fiscalizador de seguros, conforme normas do órgão regulador de seguros. É importante consignar que os artigos 108, 111, 112 e 128 do Decreto-Lei no 73/66 foram alterados pela Lei Complementar no 126/2007. No que toca às normas regulamentares, o CNSP editou a Resolução CNSP no 243, de 2011, e alterações posteriores, que dispõe sobre sanções administrativas no âmbito das atividades de seguro, cosseguro, resseguro, retrocessão, Capitalização, Previdência Complementar Aberta, de corretagem e auditoria independente; disciplina o inquérito e o processo administrativo sancionador no âmbito da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP – e das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem e dá outras providências. O artigo 2o dessa Resolução prevê que a prática das infrações administrativas nela previstas levam às seguintes sanções administrativas: a) advertência; b) multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais); c) multa no valor igual à importância segurada ou ressegurada, no caso das operações de seguro, cosseguro ou resseguro sem autorização; d) suspensão temporária do exercício da atividade; e) inabilitação para o exercício de cargo ou função do serviço público ou em empresa pública, sociedades de economia mista e respectivas subsidiárias, entidades de Previdência Complementar, sociedade de capitalização, instituições financeiras, sociedades seguradoras e resseguradoras, pelo prazo de 2 (dois) a 10 (dez) anos; e f) cancelamento do registro. Todavia, de acordo com a redação do § 1o desse mesmo artigo, os corretores de seguros, pessoas naturais e jurídicas, bem como as sociedades corretoras de resseguros, além de seus prepostos, estão sujeitos apenas à aplicação das seguintes sanções administrativas no âmbito dos processos administrativos sancionadores instaurados pela Superintendência de Seguros Privados – SUSEP –, abaixo discriminadas, sem prejuízo daquelas estabelecidas no âmbito da autorregulação: a) multa; b) suspensão temporária do exercício da atividade; e c) cancelamento do registro. O § 2o do mencionado artigo prevê que as referidas sanções poderão ser aplicadas pela SUSEP cumulativamente, sempre que couber, e, ainda, de forma fundamentada. Vale a pena ler na íntegra A Resolução CNSP no 243, de 2011, dispõe sobre sanções administrativas no âmbito das atividades de seguro, cosseguro, resseguro, retrocessão, Capitalização, Previdência Complementar Aberta, de corretagem e auditoria independente; disciplina o inquérito e o processo administrativo sancionador no âmbito da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP – e das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem e dá outras providências. www.susep.gov.br UNIDADE 2 85 Do § 3o daquele artigo se extrai que nenhuma infração ficará configurada quando o descumprimento das normas regulamentares ocorrer por motivo de caso fortuito ou força maior, quando devidamente comprovados. Segundo o § 4o do mesmo artigo, se não houver dolo por parte do infrator, e, ainda, a depender da gravidade da infração e dos antecedentes do mesmo, o órgão julgador poderá, a seu critério, deixar de aplicar a sanção, substituindo-a por uma mera recomendação ao infrator quando entender que isso é suficiente ao atendimento dos objetivos da regulação setorial. Cabe acrescentar que a referida Resolução categorizou as infrações e as respectivas sanções pela sua natureza, separando-as da seguinte forma: • operações sem autorização; • infrações contábeis; • infrações societárias; • infrações pertinentes aos produtos e à sua comercialização; • infrações aos mecanismos de supervisão; • infrações que afetam a solvência; • infrações pertinentes às intermediações; • infrações aos prestadores de serviços de auditoria independente e de avaliações atuariais; e • demais infrações. O artigo 4o da referida Resolução prevê que a sanção de multa será aplicada de acordo com os limites e critérios nela indicados “sempre que, a juízo da SUSEP, a aplicação exclusiva da pena de advertência for inadequada ou insuficiente para cumprir com os objetivos da repressão e da prevenção da pena”. Nesse aspecto, o texto da Resolução merece adequação, uma vez que estabelece que a sanção de multa se aplica ao corretor de seguros, mas afasta a aplicação da pena de advertência, por ausência de previsão legal. Merecem ser citados, a seguir, alguns exemplos de infrações praticadas pelo corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica, e pela sociedade corretora de resseguros, que acarretam a incidência da sanção de multa: • realizar atividade de corretagem sem a devida autorização: multa de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) (conforme art. 18); • não escriturar as operações nos livros e registro da contabilidade, com atualidade ou fidedignidade, nos termos da legislação: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) (conforme artigo 19); • não manter atualizadas, perante a SUSEP, informações sobre a instalação ou alteração de filiais, sucursais, agências ou representações, seus atos constitutivos ou não comunicar qualquer alteração relativa à sua atividade: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais) (conforme art. 22); • arquivar ou publicar atas e atos societários sem a prévia homologação da SUSEP: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) (conforme art. 25); • omitir ou sonegar informações que deva comunicar à SUSEP: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) (conforme art. 36); LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL86 • encaminhar na forma incorreta ou incompleta à SUSEP as informações que deve prestar, nos termos da legislação: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais) (conforme art. 37); • impedir ou dificultar, por qualquer forma, o exercício do poder de polícia administrativa da SUSEP, como (i) não fornecer relatórios, demonstrações financeiras, livros e registros obrigatórios ou contas estatísticas, quando solicitado, (ii) não atender, no prazo e na forma fixada, às solicitações da autarquia, (iii) impedir o acesso às dependências da fiscalizada: multa de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) (conforme art. 38); • falsificar quaisquer documentos ou prestar informação falsa à SUSEP: multa de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) (conforme art. 39); • não repassar imediatamente à sociedade seguradora, resseguradora, de Previdência Complementar Aberta ou de capitalização, na forma da legislação, o valor recebido em razão de atividade de intermediação: multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) (conforme art. 56); • cobrar do segurado qualquer outro valor relativo ao seguro, além daqueles especificados pela sociedade seguradora: multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais) (conforme art. 57); • exercer a atividade de corretagem tendo vínculo profissional, em desacordo com a legislação, com sociedade seguradora, resseguradora, de capitalização ou de Previdência Complementar Aberta: multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) (conforme art. 58); • intermediar resseguro com ressegurador estrangeiro que não atenda, quando exigível pela legislação, aos requisitos para atuar no país: multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) (conforme art. 59); e • não observar os deveres assumidos por entidade autorreguladora do mercado de corretagem que funcione comoórgão auxiliar da SUSEP: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) (conforme art. 71). A sanção de suspensão temporária do exercício da atividade ou da profissão será, de acordo com o art. 5o da Resolução, aplicada às infrações graves, que gerem efetivo prejuízo à entidade ou a terceiros, sempre que o infrator for considerado reincidente ou, ainda, quando não der cumprimento à determinação da SUSEP. A sanção administrativa de suspensão temporária do exercício da profissão quando aplicada ao corretor de seguros pessoa natural ou jurídica, que não mantiver atualizado perante a SUSEP seus atos constitutivos e endereço, bem como quando não comunicar qualquer outra alteração relativa a sua atividade, perdurará enquanto a irregularidade não for sanada, não se aplicando os prazos de que trata o caput (parágrafo único, do art. 5o incluído pela Resolução CNSP no 293/2013). UNIDADE 2 87 A sanção de cancelamento de registro é a mais grave de todas e está prevista no art. 7o da citada Resolução, que dispõe o seguinte: Art. 7o A pena de cancelamento de registro será aplicada ao corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica, que tenha sido, nos últimos cinco anos, condenado à pena de suspensão por infração da mesma natureza ou quando a infração cometida também for capitulada como crime ou, ainda, quando o infrator tiver sofrido condenação criminal, com trânsito em julgado, por ato praticado no exercício da profissão. Parágrafo único. A SUSEP não concederá novo registro ao corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica, penalizado na forma do caput deste artigo, durante o prazo de cinco anos, contados da data do cancelamento do registro. Na aplicação de qualquer sanção administrativa, a SUSEP deverá considerar, de forma sucessiva, determinados critérios definidos na Resolução CNSP no 243, de 2011, definidos no art. 9o. São eles os seguintes: • as sanções administrativas cabíveis dentro dos limites mínimos e máximos previstos na Resolução; • as circunstâncias administrativas da infração; e • as circunstâncias agravantes e atenuantes estabelecidas na mesma Resolução. As circunstâncias administrativas são, de acordo com o art. 10, a gravidade da infração e seus efeitos, a capacidade econômica do infrator, os seus antecedentes e o ganho obtido com o ato ilícito. As circunstâncias agravantes da sanção administrativa são as seguintes (conforme o art. 11): • ter o infrator obtido vantagem indevida ou dissimulado a natureza ilícita da infração; • ter a infração ocorrido em detrimento de menor de 18, maior de 60 (sessenta) anos ou de pessoa portadora de deficiência física, mental ou sensorial, interditada ou não; e • deixar o infrator de atender à recomendação da SUSEP para tomar providências que evitem ou mitiguem as consequências da infração. As circunstâncias atenuantes da sanção administrativa são as seguintes (conforme o art. 12): • ter o infrator utilizado, na tentativa de resolução de conflito de interesses, de ouvidoria ou de sistema similar reconhecido pela SUSEP; • ter o infrator evitado ou mitigado as consequências da infração até o julgamento do processo em primeira instância; e • a confissão da infração. Da decisão proferida em primeira instância, caberá recurso, total ou parcial, dirigido ao CRSNSP, no prazo de 30 dias, contados da ciência efetiva ou da divulgação oficial da decisão recorrida. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL88 A LAVAGEM DE DINHEIRO E A RESPONSABILIDADE DOS CORRETORES DE SEGUROS E RESSEGUROS EM FACE DA CIRCULAR SUSEP No 445/12 Já há algum tempo, a sociedade moderna tem se preocupado sobremaneira com as operações de lavagem de dinheiro, ou seja, quanto à ocultação de valores, bens e direitos. Tais operações objetivam disfarçar a origem ilícita desses valores, bens e direitos, os quais advêm, muitas vezes, de crimes graves, como o tráfico de entorpecentes, de armas. A SUSEP há muito se preocupa com esse tema, emitindo regras próprias a respeito de controles internos específicos para a prevenção e combate aos crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, ou que com eles possam se relacionar, realizando o acompanhamento das operações realizadas e as propostas de operações com pessoas politicamente expostas, bem como a prevenção e coação do financiamento ao terrorismo. Nesse sentido, inicialmente, emitiu-se a Circular SUSEP no 89/99, que abordava de forma bem genérica as operações passíveis de serem enquadradas como indício de lavagem de dinheiro. Posteriormente, essa Circular foi revogada pela Circular SUSEP no 181/02, que começava a estabelecer a obrigatoriedade de armazenamento de documentos inerentes a operações com valores específicos. A Circular SUSEP no 181/02 foi revogada pela Circular SUSEP no 187/02, que, posteriormente, foi revogada pela Circular SUSEP no 200/02. A Circular no 200/02 foi revogada pela Circular SUSEP no 327/06, que passou a dividir as operações passíveis de investigação para prevenção à lavagem de dinheiro em três grupos, o que foi seguido pela Circular SUSEP no 380/08, que a revogou. Atualmente, a norma vigente a respeito é a Circular SUSEP no 445, de 2 de julho de 2012, que revogou a Circular SUSEP no 380/08, sendo a norma atual a disciplinar a questão. Os §§ 1o e 2o do artigo 4o da Circular SUSEP no 445, de 2012, definem as pessoas politicamente expostas: brasileiras e estrangeiras. Além disso, dentre outras coisas, a Circular SUSEP no 445 determina que as sociedades a seguir listadas estarão obrigadas a identificar e manter cadastros atualizados de seus clientes, além de informar à SUSEP qualquer operação realizada por cliente que possa configurar um delito de lavagem de dinheiro: • sociedades seguradoras; • sociedades de capitalização; • resseguradores locais e admitidos; • Entidades Abertas de Previdência Complementar; • sociedades cooperativas de que trata o parágrafo 3o do art. 2o da Lei Complementar no 126, de 15 de janeiro de 2007; • sociedades corretoras de resseguros; Lavagem de dinheiro Nome dado às operações realizadas para a legalização do dinheiro oriundo da prática de atividades criminosas, como narcotráfi co, terrorismo, contrabando de armas e outros. Curiosidade A expressão lavagem de dinheiro é utilizada para designar as práticas destinadas a dissimular a origem ilícita de recursos fi nanceiros ou bens patrimoniais, de modo a conferir- lhes uma fonte aparentemente lícita ou a dificultar a identifi cação de sua origem ilícita. O termo, que tem origem no inglês money laundering, teria sido utilizado pela primeira vez pelo jornal inglês The Guardian e se disseminado nos anos 1970, por ocasião do Caso Watergate, ocorrido nos Estados Unidos, quando um informante (William Mark Felt, cujo codinome era Garganta Profunda), aconselhou o repórter Bob Woodward, do jornal The Washington Post, a “seguir o dinheiro”, com a fi nalidade de constatar que o Comitê de Reeleição do então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, havia se envolvido em transações financeiras que direcionavam fundos ilegais de campanha para o México e, depois, de volta para os Estados Unidos, por intermédio de uma companhia sediada em Miami. A história foi contada no fi lme Todos os Homens do Presidente, de 1976. UNIDADE 2 89 • sociedades corretoras e os corretores de seguros, de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta; e • filiais e subsidiárias no exterior, bem como as filiais das empresas estrangeiras atuantes em atividades análogas às das pessoas acima mencionadas. Importante Operações suspeitas são operações que podem configurar indício de ocorrência dos crimes previstos na Lei no 9.613/98. Algumas classificações, segundo o artigo 3o da Circular SUSEP no 445,de 2012: I – sociedades: sociedades seguradoras e de capitalização; entidades abertas de previdência complementar; sociedades cooperativas, nas condições estabelecidas pelo parágrafo 3o do art. 2o da Lei Complementar no 126, de 15/01/2007; suas subsidiárias e assemelhadas no exterior, além das filiais de empresas estrangeiras atuantes em atividades análogas; II – resseguradores: resseguradores locais, suas subsidiárias e assemelhadas no exterior e escritórios de representação dos resseguradores admitidos; III – corretores: sociedades corretoras de resseguro; sociedades corretoras e os corretores de seguros, de Capitalização, de Previdência Complementar Aberta, suas subsidiárias e assemelhadas no exterior; filiais de empresas estrangeiras atuantes em atividades análogas; IV – clientes: segurados, resseguradores, retrocessionários ou tomadores, participantes de planos previdenciários, titulares ou subscritores de títulos de capitalização e seus respectivos representantes; V – beneficiários: pessoas indicadas pelo segurado ou participante de plano previdenciário ou reconhecidos como tais por força da legislação em vigor ou indicados por decisão judicial; VI – terceiros: aqueles que não se enquadrem nos incisos anteriores e que sejam eventualmente indenizados, beneficiados ou estejam relacionados à aquisição ou liquidação de apólices de seguros, títulos de capitalização e Previdência Privada; VII – outras partes relacionadas: quaisquer outros envolvidos direta ou indiretamente nas atividades das pessoas relacionadas no caput e parágrafo 1o do artigo 2o, a exemplo de contrapartes em negociações privadas e em operações com ativos, intermediários financeiros, funcionários, prestadores de serviços, auditores independentes, consultores, administradores de recursos, gestores e custodiantes; e VIII – lavagem de dinheiro: crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, ou que com eles possam se relacionar. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL90 Os corretores estão obrigados a manter atualizadas as informações cadastrais de seus clientes, beneficiários, terceiros e outras partes relacionadas, e as cópias dos documentos, eletrônicos ou impressos, que dão suporte às referidas informações. O cadastro de clientes deverá conter, no mínimo, as seguintes informações: • no caso de identificação de clientes, beneficiários, terceiros e outras partes relacionadas que sejam pessoa natural: – nome completo; – número único de identificação, com a seguinte ordem de preferência: número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF/MF); número de identificação, válido em todo o território nacional, nesse caso acompanhado da natureza dos documentos, órgão expedidor e data da expedição; ou número do passaporte, com a identificação do país de expedição; – endereço completo (logradouro, bairro, código de endereçamento postal – CEP –, cidade, unidade da Federação); – número de telefone e código de discagem direta a distância – DDD –, se houver; – profissão; – patrimônio estimado ou faixa de renda mensal; e – enquadramento, se for o caso, na condição de pessoa politicamente exposta, na forma do art. 4o da Circular SUSEP no 445, de 2012. • no caso de identificação de clientes, beneficiários, terceiros e outras partes relacionadas que sejam pessoas jurídicas: – denominação ou razão social; – atividade principal desenvolvida; – o número de identificação no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) ou no Cadastro de Empresa Estrangeira/BACEN (CADEMP) para empresas offshore, excetuadas as universalidades de direitos que, por disposição legal, sejam dispensadas de registro no CNPJ e no CADEMP; – endereço completo (logradouro, bairro, código de endereçamento postal – CEP –, cidade, unidade da Federação, número de telefone e código de discagem direta a distância – DDD); – nomes dos controladores até o nível de pessoas físicas, principais administradores e procuradores, bem como menção a seu enquadramento, se for o caso, na condição de pessoa politicamente exposta na forma do art. 4o da Circular SUSEP no 445, de 2012; e – informações acerca da situação patrimonial e financeira. UNIDADE 2 91 Importante As sociedades (seguradoras, de capitalização e Entidades Abertas de Previdência Complementar), os resseguradores e os corretores poderão celebrar convênios ou contratos com instituições financeiras, estipulantes, instituidores, averbadores ou empresas que façam a administração de bancos de dados e possuam cadastros com informações, ou informações e documentos, que atendam a esse objetivo. Os convênios ou contratos, eventualmente celebrados nos termos acima, não afastam a responsabilidade da sociedade, do ressegurador ou do corretor pelo cumprimento do disposto na Circular SUSEP no 445, de 2012, sempre que solicitado pela SUSEP. De acordo com os termos da Circular SUSEP no 445, de 2012, os corretores são responsáveis pela exatidão e atualização das informações cadastrais de seus clientes, beneficiários, terceiros e outras partes relacionadas. CONSELHO DE CONTROLE DE ATIVIDADES FINANCEIRAS – COAF O Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF –, vinculado ao Ministério da Fazenda, foi criado com a finalidade de disciplinar, aplicar penas administrativas, receber, examinar e identificar as ocorrências suspeitas de atividades ilícitas previstas na Lei no 9.613, de 1998, sem prejuízo da competência de outros órgãos e entidades. Importante Os estudos, registros, cadastros e demais documentos mencionados, além de toda a documentação relativa à operação, inclusive a comprobatória da ocorrência e pagamento de sinistros, deverão ser mantidos organizados e à disposição da SUSEP, durante o período mínimo de cinco anos, a partir do término da vigência da operação ou do encerramento da transação, ressalvada a informação que trata do patrimônio estimado ou faixa de renda mensal, para produtos com benefício por sobrevivência, que não deve ser repassada à SUSEP, em hipótese nenhuma. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL92 Do Cadastro No caso de seguros comercializados por bilhete, Seguro DPVAT, seguros coletivos de apólice fechada, seguros coletivos de apólice aberta por meio de cartões de crédito, seguros coletivos de garantia estendida e seguros coletivos de apólice aberta com prêmio mensal inferior a R$ 50,00, o cadastro deverá ser efetuado: a) na devolução de prêmio, por cancelamento, de valor igual ou superior a R$ 10.000,00 ou no pagamento da indenização e registrando as informações cadastrais e obtendo cópia da documentação comprobatória. No caso de Seguros dos Ramos 0775 (Garantia Segurado – Setor Público) e 0776 (Garantia Segurado – Setor Privado), o cadastro deverá ser efetuado: a) no ato da contratação, registrando as informações cadastrais do tomador ou garantido e obtendo cópia da documentação comprobatória; e b) no pagamento da indenização, registrando as informações cadastrais do segurado e obtendo cópia da documentação comprobatória. Nos demais seguros: a) na contratação, registrando-se as informações cadastrais do segurado; b) na devolução de prêmio, por cancelamento, de valor igual ou superior a R$ 10.000,00, registrando as informações cadastrais e obtendo cópias da documentação comprobatória; e c) no pagamento da indenização ou de resgate, registrando as informações cadastrais e obtendo cópia da documentação comprobatória. No caso de produtos de Previdência Complementar, o cadastro deverá ser efetuado: a) na contratação, com base nas informações cadastrais do participante; b) no pagamento de resgate de valor igual ou superior a R$ 10.000,00, registrando as informações cadastrais do participante e obtendo cópia da documentação comprobatória; e c) no pagamento do benefício, registrando asinformações cadastrais e obtendo cópia de documentação comprobatória. No caso de títulos de capitalização da modalidade popular, conforme definido no art. 1o do anexo IV da Circular SUSEP no 365, de 27 de maio de 2008, o cadastro deverá ser efetuado no resgate, envolvendo um ou mais títulos, de valor total igual ou superior a R$ 10.000,00 e no pagamento de sorteio, registrando as informações cadastrais e obtendo cópia da documentação comprobatória. No caso de produtos de Capitalização não abrangidos conforme anteriormente, o cadastro deverá ser efetuado: a) na contratação, com base no registro de informações cadastrais do titular e do subscritor; e b) no pagamento do resgate de valor igual ou superior a R$ 10.000,00 e no pagamento de sorteios, obtendo cópia da documentação comprobatória. Em se tratando de pessoa politicamente exposta, deverá ser identificada a origem dos recursos de toda e qualquer operação de valor igual ou superior a R$ 10.000,00. UNIDADE 2 93 Das Operações Suspeitas A Circular SUSEP no 445, de 2012, dividiu as operações suspeitas em dois grupos, a saber: • Grupo 1 a) aportes no mês civil ou pagamento único de PGBL, VGBL ou de título de capitalização em valor igual ou superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais); b) compra de apólices por pessoas físicas, exceto para o seguro DPVAT, com prêmio de valor igual ou superior a R$ 100.000,00 (cem mil reais) no mês civil; c) resgate de valor igual ou superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) no mês civil; d) pagamento ou proposta de pagamento de prêmio, contribuição ou título de capitalização fora da rede bancária, em valor igual ou superior a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) no mês civil; e) resgate de títulos de capitalização da modalidade popular, conforme definida no artigo 1o do anexo IV da Circular SUSEP no 365/08 e alterações posteriores, cujo somatório seja igual ou superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais) no mês civil; f) sorteio de título de capitalização de valor igual ou superior a R$ 100.000,00 (cem mil reais); g) resgate, no caso de seguro de vida individual, cujo valor seja igual ou superior a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais); h) devolução de prêmio, com cancelamento ou não de apólice, cujo valor seja igual ou superior a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais); e i) recebimento, em uma ou mais operações, em nome próprio, na qualidade de cessionário de beneficiário, ou em nome de beneficiário, na qualidade de mandatário, de indenizações do seguro DPVAT que perfaçam em um mês valor igual ou superior a R$ 100.000,00 (cem mil reais). • Grupo 2 a) resistência em fornecer informações, ou fornecimento de informações incorretas, relativas à identificação ou à operação; b) contratação por estrangeiro não residente de serviços prestados pelas pessoas mencionadas no art. 2o desta Circular, sem razão justificável; c) propostas ou operações incompatíveis com o perfil socioeconômico, capacidade financeira ou ocupação profissional do cliente, beneficiário, terceiros e outras partes relacionadas; d) propostas ou operações discrepantes das condições normais de mercado; e) pagamento a beneficiário sem aparente relação com o segurado, sem razão justificável; f) mudança do titular do negócio ou bem imediatamente anterior ao sinistro, sem razão justificável; g) pagamento de prêmio, fora da rede bancária, por meio de cheque ou outro instrumento, por pessoa física ou jurídica, que não o segurado, sem razão justificável; LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL94 h) transações, inclusive dentre as listadas no Grupo 1 deste artigo, cujas características peculiares, principalmente no que se refere às partes envolvidas, valores, forma de realização, instrumentos utilizados, ou pela falta de fundamento econômico ou legal, mesmo que tragam vantagem à sociedade, ao ressegurador ou ao corretor, possam caracterizar indício de lavagem de dinheiro, de financiamento ao terrorismo ou de qualquer outro ilícito; i) utilização desnecessária, pelo ressegurador, de uma rede complexa de corretores para colocação do risco; j) utilização desnecessária, pelo ressegurador, de corretor na transação; k) avisos de sinistros aparentemente legítimos, mas com frequência anormal; l) variações relevantes de importância segurada sem causa aparente; e m) operações do Grupo 1 deste artigo, de valores inferiores aos limites estipulados, que, por sua habitualidade e forma, configurem artifício para a burla de referidos limites. Da Comunicação das Operações Suspeitas Os corretores devem comunicar à SUSEP, no prazo de 24 horas contadas de sua verificação, as operações mencionadas acima. Importante A comunicação negativa de que trata o art. 15 da referida Circular deve ser também realizada pelas sociedades ali mencionadas por meio de formulário eletrônico, disponível na página do COAF (www.coaf. fazenda.gov.br), até o dia 20 do mês subsequente ao mês no qual não foi verificada a ocorrência de operações suspeitas. Da Comunicação Feita de Boa-Fé Convém ressaltar que as comunicações feitas de boa-fé ao COAF, conforme previsto no § 4o do art. 14 da Circular SUSEP no 445, de 2012, e com base no § 2o do art. 11 da Lei no 9.613, de 1998, não acarretam responsabilidade civil, penal ou administrativa aos corretores pessoas físicas ou aos controladores, administradores e empregados de corretores pessoas jurídicas. Da Responsabilidade Administrativa Os corretores que deixarem de cumprir as obrigações estabelecidas pela Circular SUSEP no 327, de 2006, serão penalizados pela SUSEP na forma e com as sanções previstas na Resolução CNSP no 97, de 30 de setembro de 2002. Atenção Essa comunicação deve ser realizada por meio de formulário eletrônico disponível na página do COAF (www.fazenda.gov. br), sem que seja dada ciência aos envolvidos. UNIDADE 2 95 Das Penalidades É de suma importância que o corretor saiba que as penalidades previstas na legislação que trata dessa matéria são muito rigorosas, podendo inviabilizar a continuidade na própria atividade. A Resolução CNSP no 97/2002 regula o processo administrativo e estabelece critérios de julgamento a serem adotados pela SUSEP para aplicação de sanção às sociedades seguradoras, de capitalização, às Entidades Abertas de Previdência Complementar e às corretoras de seguros por descumprimento ao disposto nos arts. 10 e 11 da Lei no 9.613, de 03/03/1998. É importante mencionar que tal Resolução não foi expressamente revogada pela Resolução CNSP no 243/2011, embora esta também trate, no § 2o do art. 6o, bem como no art. 8o, dos crimes de “lavagem” de dinheiro e ocultação de bens. A ESTRUTURA SINDICAL DA FENASEG A Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados, Capitalização e de Previdência Complementar Aberta (Fenaseg) ainda continua sendo a entidade de representação sindical do mercado segurador. A ela estão filiados os oito Sindicatos Regionais – Bahia (Sergipe/Tocantins), Minas Gerais, Pernambuco (Norte/Nordeste), Paraná, Rio de Janeiro/Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. A ESTRUTURA REPRESENTATIVA DA CNseg A Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg) foi criada no dia 20 de agosto de 2008, em assembleia, pelas Federações associativas de Seguros Gerais (FenSeg), de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), de Saúde Suplementar (FenaSaúde) e a de Capitalização (FenaCap). A CNseg tem como missão congregar as principais lideranças, coordenar ações políticas, elaborar o planejamento estratégico do setor e representar o segmento perante o Governo, a sociedade e as entidades nacionais e internacionais. Entre os objetivos e prerrogativas da CNseg, estão os de representar, peranteos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, os direitos e interesses dos segmentos de Seguros, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização; de exercer a representação política e institucional dos setores representados; de defender, divulgar, estimular os segmentos representados e promover o aprimoramento das suas atividades; e de representar as associadas, judicial ou extrajudicialmente, independentemente de mandato. Sua sede está localizada no Rio de Janeiro, na Rua Senador Dantas, 74 – Centro. Há também um escritório em Brasília, na SCN, Quadra 1, Bloco C, Ed. Brasília Trade Center, Salas 1601 a 1610. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL96 Criada em 2007 para compor o novo modelo de representação institucional do mercado segurador brasileiro, a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) está voltada para o desenvolvimento das atividades específicas dos ramos de seguros do segmento denominado “seguros de danos”. A Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) visa congregar e representar empresas e entidades atuantes, no território nacional, nos segmentos de previdência privada e de seguros de pessoas e, tem por finalidade buscar o fortalecimento dos segmentos econômicos onde atuam suas associadas, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do País. Constituída em fevereiro de 2007, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) representa 17 grupos de operadoras de planos privados de assistência à saúde, totalizando 25 empresas dentre 1.219 operadoras em atividade com beneficiários. A Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), fundada em 7 de fevereiro de 2007, é uma associação civil, com sede e foro na Cidade do Rio de Janeiro, que representa as empresas de capitalização no território nacional. Essa entidade civil, localizada na Rua Senador Dantas, 74 – 8o andar – Centro, empenha-se pelo fortalecimento das empresas de capitalização, contribuindo, assim, para o desenvolvimento econômico e social do País. A AUTORREGULAÇÃO DO MERCADO DE CORRETAGEM (LEI COMPLEMENTAR No 137, DE 26/08/2010) A Lei Complementar no 137/2010 alterou dispositivos do Decreto-Lei no 73/66 e da Lei Complementar no 126/2007 para instituir a autorregulação do mercado de corretagem. Criou, com isso, um novo marco regulatório no tocante ao disciplinamento, à fiscalização e ao modelo punitivo a corretores, constituindo um avanço nas relações dos corretores com seus pares de mercado, os consumidores e a própria sociedade em si. A autorregulação consiste na criação de normas e procedimentos de condutas pelos integrantes de uma categoria profissional, bem como no poder para fiscalizar o cumprimento e aplicar sanções, tudo, naturalmente, em estrita observância às leis e normas regulamentares em vigor. Assim, por meio da autorregulação, haverá a uniformização de procedimentos de fiscalização e ações preventivas que melhor disciplinem a atividade de corretagem de seguros e, principalmente, maior celeridade na análise e julgamento de denúncias. A Resolução no 233/11 do CNSP, alterada pela Resolução CNSP no 251/2012, dispôs sobre as condições de constituição, organização, funcionamento e extinção de entidades autorreguladoras do mercado de Corretagem de Seguros, Resseguros, de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta na condição de auxiliares da SUSEP. UNIDADE 2 97 O artigo 2o, inciso I, da mencionada resolução define a entidade autorreguladora como sendo aquela constituída com personalidade jurídica de Direito Privado autorizada a funcionar como órgão auxiliar da SUSEP, na forma da mencionada Resolução, e com a incumbência de fiscalizar, processar, julgar e aplicar sanções por infrações a normas de conduta, por ela voluntariamente estabelecidas e também àquelas previstas na legislação, praticadas por seus membros associados. O artigo 3o da resolução estabelece que o objetivo das entidades autorreguladoras é o de “zelar pela observância às normas jurídicas, em especial pelos direitos dos consumidores, e fomentar a elevação de padrões éticos dos seus membros associados, bem como as boas práticas de conduta no relacionamento profissional com segurados, corretores, pessoas naturais e jurídicas, e sociedades seguradoras, resseguradoras, de Capitalização e Entidades Abertas de Previdência Complementar”. Para o fim de regulamentar a referida Resolução, a SUSEP editou a Circular no 435/2012. O artigo 1o estabelece que dependem de prévia e expressa aprovação da SUSEP a constituição, transformação, autorização para operar e o cancelamento da autorização para operar de entidades autorreguladoras do mercado de corretagem de Seguros, de Resseguros, de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta, na condição de órgãos auxiliares da SUSEP, de que tratam as Resoluções CNSP no 233, de 1o de abril de 2011, e no 251, de 9 de abril de 2012. O Instituto Brasileiro de Autorregulação do Mercado de Corretagem de Seguros, de Resseguros, de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta – IBRACOR A Assembleia de constituição do IBRACOR (Instituto Brasileiro de Autorregulação do Mercado de Corretagem de Seguros, de Resseguros, de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta) foi realizada no dia 1o de julho de 2013, na sede da Fenacor. Essa Assembleia foi composta pelos fundadores mantenedores (FENACOR e sindicatos filiados). Em outubro de 2013, a SUSEP, por meio de Portaria publicada no Diário Oficial da União, aprovou o funcionamento do IBRACOR; o seu Estatuto Social; e homologou a eleição e posse dos integrantes do Conselho Diretor, do Conselho Fiscal e do Ouvidor, efetivos e suplentes. A Portaria entrou em vigor a partir do dia 15 de outubro de 2013. Os atuais mantenedores do IBRACOR são: a FENACOR e os Sindicatos de Corretores de Seguros a ela vinculados. Os SINCOR/CE e do SINEC/RN, embora filiados à FENACOR, não são mantenedores do IBRACOR. O IBRACOR funciona na cidade do Rio de Janeiro, no mesmo endereço da FENACOR. Ainda será definido quando e onde serão instaladas as suas unidades regionais. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL98 FIXANDO CONCEITOS 2 99 Fixando Conceitos 2 Anotações: MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA [1] O corretor de seguros, elemento integrante do Sistema Nacional de Seguros Privados, promovendo a ligação entre os interesses dos segurados e das sociedades seguradoras, possui as responsabilidades: (a) Profissional, penal e trabalhista. (b) Civil, penal, administrativa e profissional. (c) Civil, trabalhista e administrativa. (d) Civil, penal e tributária. (e) Civil, trabalhista e tributária. [2] Se o corretor não repassar à seguradora o prêmio que receber do segurado, estará praticando um crime denominado: (a) Furto. (b) Roubo. (c) Extorsão. (d) Apropriação indébita. (e) Estelionato. [3] Quanto à limitação territorial para a atuação do corretor de seguros, pessoa física ou jurídica, é correto afirmar que: (a) Deve atuar somente no estado da Federação onde estiver sediado. (b) Pode atuar em qualquer estado da Federação, desde que faça, no respectivo estado, o seu registro. (c) Pode atuar em qualquer estado da Federação, não sendo necessário um registro para cada estado. (d) Deve atuar somente no município onde estiver sediado. (e) Deve, obrigatoriamente, atuar em todo o território nacional. [4] Na base territorial do município e do estado, os corretores de seguros são representados pelo(a): (a) Sindicato dos Securitários. (b) Federação Nacional dos Corretores de Seguros – FENACOR. (c) Confederação Nacional do Comércio – CNC. (d) CNC, FENACOR e SINCOR. (e) Sindicato dos Corretores de Seguros – SINCOR. [5] O órgão integrante do Sistema Nacional de Seguros Privados que possui competência para conceder inscrição ou registro ao corretor de Segurosde Vida, Capitalização e Previdência é o(a): (a) FENACOR. (b) Sindicato dos Corretores. (c) SUSEP. (d) CNSP. (e) FUNENSEG. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL100 Anotações: Fixando Conceitos 2 [6] O corretor de seguros, seja pessoa natural ou jurídica, antes de entrar no exercício da profissão, deverá: (a) Associar-se ao seu sindicato de classe. (b) Estar quite com a contribuição sindical, antigo imposto sindical. (c) Inscrever-se no PIS ou no PASEP. (d) Efetuar o seu cadastro junto à sociedade seguradora. (e) Recolher a contribuição confederativa. [7] MARQUE A ALTERNATIVA QUE PREENCHA CORRETAMENTE A(S) LACUNA(S): O termo “lavagem de dinheiro” é usado para designar as operações realizadas para o(a) ________________ do dinheiro proveniente da prática de atividades ________________. (a) legalização/criminosas (b) investimento/financeiras (c) apreensão/financeiras (d) legalização/filantrópicas (e) apreensão/criminosas MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA [8] A celebração de convenções e acordos coletivos de trabalho pelo sindicato corresponde ao exercício de sua função: (a) Negocial. (b) Assistencial. (c) De colaboração com o Estado. (d) De representação. (e) De arrecadação. [9] Em relação aos direitos e deveres do corretor de seguros, é correto afirmar que o corretor: (a) Tem direito à participação nos lucros das sociedades seguradoras. (b) Tem direito à comissão de corretagem, como retribuição de natureza pecuniária pela realização da intermediação do seguro. (c) Não pode intermediar com mais de uma sociedade seguradora. (d) Repassa às sociedades seguradoras, imediatamente, o valor do prêmio recebido, descontada a comissão de corretagem. (e) Apresenta ao COAF, sempre que solicitado, os registros das propostas por ele assinadas. TESTANDO CONHECIMENTOS 101 Anotações: Testando Conhecimentos MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA [1] De acordo com a legislação vigente, o corretor de seguros, seja pessoa física ou jurídica, é definido como um: (a) Profissional liberal, representante da seguradora. (b) Representante legal da seguradora. (c) Representante tanto do segurado quanto da seguradora. (d) Representante da seguradora, sendo seu preposto. (e) Intermediário do contrato de seguro e representante do segurado. [2] O Sistema Nacional de Seguros Privados, que foi criado pelo Decreto-Lei no 73, de 1966, é composto pelas seguintes entidades: (a) CNSP, SUSEP, resseguradores, sociedades seguradoras autorizadas a operar em seguros privados e corretores habilitados. (b) CNSP, SUSEP, resseguradores, ANAPP e corretores de seguros habilitados. (c) CNSP, SUSEP, resseguradores, FENASEG e corretores de seguros. (d) CNSP, SUSEP, resseguradores, sociedades seguradoras autorizadas a operar em seguros privados e ANAPP. (e) CNSP, SUSEP, resseguradores, FENASEG e corretores de seguros habilitados. [3] A comissão de corretagem é obrigatória, ainda que a contratação tenha sido realizada diretamente entre segurado e seguradora. No entanto, é correto afirmar que: (a) Quando o seguro for contratado diretamente com o segurado, a comissão é devida ao corretor com inscrição mais antiga na SUSEP. (b) Somente o corretor habilitado e devidamente inscrito na SUSEP fará jus ao recebimento das comissões dos contratos que efetivamente intermediar através da assinatura na respectiva proposta. (c) Quando a contratação do seguro for com órgão público, sempre haverá a intermediação do corretor. (d) É obrigatória a intermediação do corretor para a celebração do contrato de seguros. (e) Os seguros serão contratados mediante propostas assinadas, obrigatoriamente, pelo segurado e pelo corretor habilitado. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL102 Anotações: [4] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA: (a) Ao CNSP, em primeira instância, compete examinar o processo administrativo de penalidades do corretor. (b) A União Federal tem competência privativa para legislar sobre a política de seguros internacionais. (c) A União Federal tem competência privativa para legislar sobre a política de seguros privados. (d) Inexiste, no sistema jurídico brasileiro, o seguro obrigatório. (e) Os corretores de seguros habilitados não fazem parte do Sistema Nacional de Seguros Privados. [5] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA: (a) A SUSEP tem natureza jurídica de sociedade de economia mista. (b) O objetivo do Decreto-Lei no 73, de 1966, é, também, evitar a evasão de divisas, pelo equilíbrio de balanço dos resultados do intercâmbio de negócios com o exterior. (c) Compete ao CNSP fixar condições de apólice, planos de operações e tarifas a serem utilizados obrigatoriamente pelo mercado segurador brasileiro. (d) Compete à SUSEP fixar as diretrizes e normas de política de seguros privados. (e) Compete ao IRB organizar seus serviços, elaborar e executar seu orçamento, bem como proceder à liquidação das sociedades seguradoras que tiveram cassada a autorização para funcionar no Brasil. [6] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA: (a) As sociedades autorizadas a operar em seguros privados integram o Sistema Nacional de Seguros Privados. (b) A figura da corretagem de seguro não está prevista no Decreto-Lei no 73, de 1966. (c) A emissão da apólice deverá ser feita no prazo máximo de 60 dias da aceitação da proposta. (d) O corretor de seguros devidamente habilitado só poderá ser responsabilizado civilmente por seus atos, mas jamais haverá responsabilidade nos âmbitos administrativo e penal. (e) O exercício da profissão de corretor de seguro depende de prévia habilitação e registro perante o competente sindicato de corretores. TESTANDO CONHECIMENTOS 103 Anotações: [7] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA: (a) O corretor de seguro é o intermediário na contratação do seguro e está sempre subordinado aos interesses da sociedade seguradora. (b) As comissões de corretagem serão pagas ao corretor de seguros, independentemente de estar o profissional devidamente habilitado e registrado na SUSEP. (c) O corretor de seguros, pessoa natural, por ser profissional autônomo, pode manter, em conjunto com a corretagem de seguros, qualquer outra relação de emprego ou de direção em sociedades seguradoras. (d) Os corretores de seguros de Vida, Capitalização e Previdência estão sujeitos às penalidades de advertência, suspensão temporária, multa e destituição. (e) O IRB-Brasil Resseguros S.A. detém o monopólio do resseguro no território nacional. MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA [8] Conforme disposto no art. 20 do Decreto-Lei no 73, de 1966, entre outros, são obrigatórios os Seguros de: (a) Responsabilidade Civil do prestador de serviços. (b) Bens, dados em garantia de empréstimo na rede bancária. (c) Danos Pessoais a passageiros de aeronaves comerciais e tripulantes de aeronaves militares. (d) Edifícios, divididos em unidade autônoma e casa residencial. (e) Garantia do cumprimento das obrigações do incorporador e construtor de imóveis. [9] A Superintendência de Seguros Privados – SUSEP – é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério da Fazenda, em consonância com a organização e estrutura da Presidência da República. Assim, a personalidade jurídica da SUSEP é de: (a) Direito Privado. (b) Direito Público. (c) Direito Empresarial. (d) Direito Civil. (e) Direito Internacional Público. [10] O diploma legal que regulamenta a profissão de corretor é o(a): (a) Resolução CNSP no 243, de 2011. (b) Decreto-Lei no 73, de 1966. (c) Lei no 4.594, de 1964. (d) Constituição Federal – art. 192. (e) Lei Complementar no 109, de 2001. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL104 Anotações: [11] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA: (a) Desde que o restitua com todos os encargos, o corretor de seguros poderá reter o prêmio por até 60 dias. (b) Incorrerá na pena de advertência o corretor deseguros que sofrer condenação penal por motivo de ato praticado fora do exercício da profissão. (c) O corretor de seguros não tem direito a recurso em face da decisão proferida contra si em primeira instância em sede de processo administrativo. (d) O exercício da atividade de corretagem de seguro é vedado à pessoa jurídica. (e) Não pode haver interferência ou intervenção na organização sindical (art. 8o, inciso I, da Constituição Federal). MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA [12] O CRSNSP tem a competência legal para julgar, administrativamente, recursos de corretores de seguros em: (a) Última instância. (b) Instância extraordinária. (c) Única instância. (d) Instância preliminar. (e) Primeira instância. [13] Sobre a pena de cancelamento do registro, é correto afirmar que: (a) Não se aplica ao corretor de seguros. (b) Aplica-se exclusivamente ao corretor de seguros que tenha sofrido condenação criminal. (c) Pode ser aplicada ao corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica. (d) É uma pena leve. (e) Não está prevista nas normas regulamentares que regem a corretagem de seguros. [14] A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC – é uma entidade sindical que tem como objetivo orientar, coordenar, proteger e defender as atividades econômicas do(a)(s): (a) Empresas comerciais, industriais e corretores de seguros. (b) Corretores de seguros, profissionais liberais e comerciários. (c) Indústria, comércio e serviços. (d) Federações da indústria, do comércio e serviços. (e) Comércio, serviços e turismo. TESTANDO CONHECIMENTOS 105 Anotações: [15] Constitui-se em direito do corretor de seguros o(a): (a) Recebimento da comissão de corretagem das propostas por ele assinadas. (b) Registro de sua produção. (c) Restituição da diferença de corretagem, nos casos de alterações de prêmios por erro de cálculo. (d) Repasse imediato à seguradora, quando for o caso, do prêmio recebido da seguradora. (e) Exibição de seus registros de produção à SUSEP, quando solicitado. [16] MARQUE A ALTERNATIVA FALSA Relativamente às sociedades corretoras de seguros, podemos afirmar, em face da legislação vigente, que: (a) Devem possuir, pelo menos, um diretor ou um administrador com habilitação técnica de corretor de seguros. (b) Devem ter sua sede no território nacional. (c) Devem ser constituídas segundo as leis brasileiras. (d) Os impostos e as contribuições a serem recolhidos são os mesmos a que estão sujeitos os corretores de seguros, pessoas físicas. (e) Podem ser sociedades limitadas, simples ou empresárias. [17] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA: (a) O corretor habilitado integra o Sistema Nacional de Seguros Privados – SNSP. (b) O número de inscritos na profissão de corretor de seguros é limitado e proporcional ao número de contratos de seguros celebrados anualmente por cada estado brasileiro. (c) O CNSP exerce a função de órgão fiscalizador do Sistema Nacional de Seguros Privados. (d) É obrigatória a contratação do Seguro de Responsabilidade Civil – Prestador de Serviços para o exercício da atividade do corretor de Seguros de Vida, Capitalização e de Previdência Privada. (e) O exercício regular da profissão de corretor de seguros independe de prévia habilitação e registro, conforme legislação vigente. [18] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA: (a) O corretor de seguros de Vida, Capitalização e Previdência está sujeito à contratação do Seguro de Responsabilidade Civil Profissional. (b) A corretagem de seguros só poderá ser exercida por pessoa natural. (c) Somente a pessoa natural do corretor é passível de punição administrativa. (d) O Seguro Obrigatório de Edifícios é dividido em unidades autônomas. (e) O IRB fixa as diretrizes e normas da política de seguros privados, conforme disposição expressa do Decreto-Lei no 73, de 1966. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL106 Anotações: [19] MARQUE A ALTERNATIVA FALSA: (a) O corretor de seguros é o profissional técnico que faz a intermediação do contrato de seguro que será firmado entre o segurado e o segurador. (b) A SUSEP é autarquia federal; portanto é um ente público da administração federal indireta. (c) Um dos objetivos da política de seguros privados é a expansão do mercado de seguros. (d) O número de corretores de seguros não é limitado. (e) O CNSP é o ente público responsável pela fiscalização dos corretores de seguros. MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA [20] A legislação que dispõe sobre a política de resseguro, retrocessão e sua intermediação, as operações de cosseguros, as contratações de seguro no exterior e as operações em moeda estrangeira do setor securitário é o(a): (a) Lei Complementar no 126, de 2007. (b) Lei no 8.078, de 1990. (c) Lei Complementar no 109, de 2001. (d) Decreto no 56.903, de 1965. (e) Lei no 10.406, de 2002. [21] Pelo contido no artigo 22 da Lei Complementar no 126, de 2007, o IRB-Brasil Resseguros S.A. passou a ser qualificado como: (a) Retrocessionário. (b) Cossegurador. (c) Ressegurador admitido. (d) Ressegurador local. (e) Ressegurador eventual. [22] MARQUE A ALTERNATIVA FALSA Pode-se afirmar que cabe ao CNSP: (a) Estabelecer as diretrizes gerais das operações de resseguro. (b) Disciplinar e regular o Seguro-Saúde e as seguradoras especializadas nesse ramo. (c) Estabelecer os requisitos para registro dos corretores e prepostos. (d) Delimitar o capital das sociedades seguradoras e dos resseguradores. (e) Disciplinar as operações de cosseguro. MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA [23] A Lei Complementar no 126, de 2007, alterou o artigo 20 do Decreto-Lei no 73, de 1966, deixando de ser obrigatória a contratação de: (a) Seguro de Edifício dividido em unidades autônomas. (b) Bens dados em garantia de empréstimos ou financiamentos de instituições financeiras públicas. (c) Seguro de Danos Pessoais a passageiros de aeronaves comerciais. (d) Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres e por embarcações, ou por sua carga, a pessoas transportadas ou não. (e) Seguro de Crédito Rural. TESTANDO CONHECIMENTOS 107 Anotações: [24] A Lei Complementar no 126, de 2007, prevê os seguintes tipos de resseguradores: (a) Somente os locais. (b) Admitidos e eventuais. (c) Locais, admitidos e eventuais. (d) Locais e eventuais. (e) Locais, eventuais e estrangeiros. [25] Segundo a Lei Complementar no 126, de 2007, o ressegurador que possui sede em Londres, tenha sido cadastrado pela SUSEP e não tenha escritório de representação no Brasil deve ser considerado: (a) Admitido. (b) Local. (c) Eventual. (d) Permitido. (e) Multinacional. [26] É vedado ao corretor de seguros e seus prepostos, bem como aos sócios e diretores de corretoras de seguros: (a) Manter relação de emprego ou de direção com o segurado. (b) Manter relação de emprego ou de direção com o estipulante. (c) Manter relação de emprego ou de direção com sociedade seguradora. (d) Ser acionista de sociedade de economia mista. (e) Manter relação de direção com sociedade estrangeira. [27] NÃO constitui requisito para o exercício profissional do corretor de seguros: (a) Não ser falido. (b) Ter habilitação técnico-profissional referente aos ramos requeridos. (c) Estar quite com o serviço militar, quando se tratar de brasileiro ou naturalizado. (d) Possuir registro na SUSEP para cada estado onde pretenda operar. (e) Ser brasileiro ou estrangeiro com residência permanente no Brasil. [28] Órgão do Poder Executivo, responsável por reger as atividades securitárias no Brasil: (a) CNSP. (b) SUSEP. (c) Ministério da Fazenda. (d) COAF. (e) SNSP. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL108 Anotações: [29] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA: (a) Compete privativamente ao Governo Federal a formulação da política de seguros privados. (b) Compete privativamenteao Governo Federal a formulação da política de seguros privados, cabendo a cada estado a respectiva fiscalização no âmbito administrativo. (c) Somente o Governo Federal tem competência para formular a política de seguros privados, mas depende da anuência de cada estado. (d) Compete aos governos federal e estadual a formulação da política de seguros privados. (e) A fiscalização da política de seguros privados é atribuição do Poder Executivo de cada estado. MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA [30] NÃO faz(em) parte do Sistema Nacional de Seguros Privados (SNSP) o(a)(s): (a) Comissão de Valores Mobiliários (CVM). (b) Resseguradores. (c) Corretores habilitados. (d) Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). (e) Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). [31] Trata-se de órgão colegiado de cúpula das operações securitárias no País que foi criado em 1966 e cuja principal atribuição é fixar as diretrizes e normas da política nacional dos Seguros Privados e de Capitalização. Esta definição se refere ao(à)(s): (a) Resseguradores. (b) Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, de Previdência Privada Aberta e de Capitalização (CRSNSP). (c) Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). (d) Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). (e) Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). [32] MARQUE A ALTERNATIVA FALSA: (a) A SUSEP é entidade autárquica, dotada de personalidade jurídica de Direito Público. (b) Por determinação legal, o Seguro-Saúde e as seguradoras do ramo estão sob o campo de ação do CNSP. (c) É atribuição do CNSP a fixação das características gerais dos contratos de Seguros, de Capitalização e dos planos de benefícios das Entidades Abertas de Previdência Complementar. (d) O CRSNSP é o órgão responsável pelo julgamento, em última instância administrativa, dos recursos e decisões proferidos pela SUSEP. (e) É atribuição da SUSEP processar os pedidos de autorização para constituição, organização, funcionamento, fusão, encampação, grupamento, transferência de controle acionário e reforma dos estatutos das sociedades seguradoras, opinar sobre esses pedidos e encaminhá-los ao CNSP. TESTANDO CONHECIMENTOS 109 Anotações: MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA [33] Não faz parte do Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, de Previdência Privada Aberta e de Capitalização (CRSNSP) o representante do(a): (a) Agência Nacional de Saúde (ANS). (b) Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça. (c) FENASEG (Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização). (d) Ministério da Fazenda. (e) SUSEP. [34] A indicação dos membros do Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, de Previdência Privada Aberta e de Capitalização (CRSNSP) é feita: (a) Por meio de lista tríplice, apresentada ao chefe do Poder Executivo Federal. (b) Pelos titulares dos órgãos ou entidades a que pertencem. (c) Diretamente pelo ministro da Fazenda, sem ingerência dos demais órgãos. (d) Diretamente pelo ministro da Justiça. (e) Diretamente pelo chefe do Poder Executivo Federal. [35] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA: (a) Os sistemas de cosseguro, resseguro e retrocessão também fazem parte das operações de seguros privados, haja vista possuírem a mesma natureza. (b) O sistema de resseguro está sob o controle do IRB. (c) Somente o sistema de cosseguro faz parte das operações de seguros privados. (d) Somente o sistema de resseguro faz parte das operações de seguros privados. (e) Todas as alternativas são incorretas. [36] O Decreto-Lei no 73/1966, com as respectivas alterações, dita as normas das operações de seguros privados em território nacional, NÃO sendo atribuição do referido Decreto-Lei o(a)(s): (a) Seguros relacionados à Previdência Social. (b) Estipulação dos seguros obrigatórios. (c) Estabelecimento da política de seguros privados. (d) Regulação do Sistema Nacional de Seguros Privados. (e) Operações de Seguro Rural. [37] A respeito do seguro obrigatório, é correto afirmar que: (a) Somente poderá ser regido pelo Decreto-Lei no 73/1966, não sendo possível ingerência de lei especial. (b) O seu pagamento concede, automaticamente, isenção à ação indenizatória promovida por quem sofreu o prejuízo. (c) Atinge as operações de crédito rural. (d) O seu caráter compulsório termina com a contratação de seguro privado. (e) Todas as alternativas são incorretas. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL110 Anotações: [38] No concernente ao sistema sindical em que estão inseridos os corretores de seguros, NÃO se pode afirmar que: (a) É obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho. (b) Há liberdade de associação profissional ou sindical. (c) São os sindicatos entidades ou associações de primeiro grau, os quais atuam em proximidade ao trabalhador, necessariamente em sua base territorial – municipal ou estadual. (d) Apesar da liberdade concedida pela Constituição Federal no que diz respeito à criação das organizações sindicais, é proibida mais de uma representação sindical por categoria profissional numa mesma base territorial. (e) Os corretores de seguros somente se organizam em associações de primeiro grau, não havendo participação dessa categoria profissional no âmbito das confederações. [39] No que se refere ao processo administrativo e respectivas sanções a que estão sujeitos os corretores de seguros, podemos afirmar que: (a) O corretor de seguros, condenado na esfera administrativa, não poderá recorrer à esfera judicial. (b) O corretor de seguros somente poderá ser punido criminalmente por crime relacionado à sua função após a realização do devido processo administrativo. (c) O pagamento de indenização, resultado de uma condenação na esfera administrativa, constitui uma determinação da SUSEP para o corretor adimplir cláusulas contratuais. (d) O corretor de seguros, processado nas esferas administrativa, cível e criminal, poderá ser absolvido ou condenado, independentemente, em cada uma delas. (e) O corretor de seguros, condenado criminalmente por crime relacionado ao exercício de sua função, receberá automaticamente do órgão fiscalizador a respectiva sanção administrativa. [40] É correto afirmar que: (a) Assim que detectar qualquer operação suspeita de lavagem de dinheiro, o corretor de seguros deverá comunicar ao cliente. (b) Mesmo não ocorrendo, no período mensal, quaisquer das operações suspeitas mencionadas na Circular SUSEP no 445/2012, será necessário que se faça a respectiva comunicação negativa. (c) A prevenção à lavagem de dinheiro é responsabilidade somente das seguradoras. (d) O não cumprimento de qualquer uma das determinações contidas na Circular SUSEP no 445/2012 acarretará a aplicação da respectiva sanção, independentemente de procedimento criminal. (e) Caberá ao corretor de seguros, ao detectar qualquer operação suspeita de lavagem de dinheiro mencionada na Circular SUSEP no 445/2012, o poder de interpretá-la, podendo deixar de efetivar a comunicação. ESTUDOS DE CASO 111 Estudos de Caso Caso 1 Uma sociedade seguradora e uma empresa privada, esta última na condição de estipulante, celebraram a contratação de um Seguro coletivo de Vida e Acidentes, tendo como grupo segurado os empregados da segunda. A contratação foi feita sem a intermediação de qualquer corretor (pessoa natural ou jurídica). Pergunta-se: a quem deve ser paga a comissão de corretagem neste caso? Caso 2 Um corretor de seguros, pessoa natural, devidamente registrado na SUSEP, envia a uma sociedade seguradora uma proposta de seguro contendo informações inverídicas sobre o interesse segurável e o risco, além da assinatura falsificada do suposto proponente, tudo com o objetivo de viabilizar a contratação fraudulenta de umSeguro de Pessoas. Pergunta-se: a que tipo de sanção administrativa esse profissional está sujeito? LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL112 ANEXOS 113 Anexos 1 Lei Complementar no 126, de 15 de janeiro de 2007 2 Lei Complementar no 137, de 26 de agosto de 2010 3 Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966 4 Lei no 4.594, de 29 de dezembro de 1964 5 Resolução CNSP no 233, de 1o de abril de 2011 6 Resolução CNSP no 243, de 6 de dezembro de 2011 7 Resolução CNSP no 249, de 15 de fevereiro de 2012 8 Resolução CNSP no 295, de 25 de outubro de 2013 9 Circular SUSEP no 428, de 15 de fevereiro de 2012 10 Circular SUSEP no 435, de 25 de maio de 2012 11 Circular SUSEP no 445, de 2 de julho de 2012 12 Circular SUSEP no 510, de 22 de janeiro de 2015 13 Outras Legislações Importantes LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL114 ANEXO 1 115 Anexo 1 LEI COMPLEMENTAR No 126, DE 15 DE JANEIRO DE 2007 Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI COMPLEMENTAR No 126, DE 15 DE JANEIRO DE 2007 Mensagem de veto Dispõe sobre a política de resseguro, retrocessão e sua intermediação, as operações de co-seguro, as contratações de seguro no exterior e as operações em moeda estrangeira do setor securitário; altera o Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, e a Lei no 8.031, de 12 de abril de 1990; e dá outras providências. O VICE–PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei Complementar: CAPÍTULO I DO OBJETO Art. 1o Esta Lei Complementar dispõe sobre a política de resseguro, retrocessão e sua intermediação, as operações de co-seguro, as contratações de seguro no exterior e as operações em moeda estrangeira do setor securitário. CAPÍTULO II DA REGULAÇÃO E DA FISCALIZAÇÃO Art. 2o A regulação das operações de co-seguro, resseguro, retrocessão e sua intermediação será exercida pelo órgão regulador de seguros, conforme definido em lei, observadas as disposições desta Lei Complementar. § 1o Para fins desta Lei Complementar, considera-se: I – cedente: a sociedade seguradora que contrata operação de resseguro ou o ressegurador que contrata operação de retrocessão; II – co-seguro: operação de seguro em que 2 (duas) ou mais sociedades seguradoras, com anuência do segurado, distribuem entre si, percentualmente, os riscos de determinada apólice, sem solidariedade entre elas; III – resseguro: operação de transferência de riscos de uma cedente para um ressegurador, ressalvado o disposto no inciso IV deste parágrafo; IV – retrocessão: operação de transferência de riscos de resseguro de resseguradores para resseguradores ou de resseguradores para sociedades seguradoras locais. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL116 § 2o A regulação pelo órgão de que trata o caput deste artigo não prejudica a atuação dos órgãos reguladores das cedentes, no âmbito exclusivo de suas atribuições, em especial no que se refere ao controle das operações realizadas. § 3o Equipara-se à cedente a sociedade cooperativa autorizada a operar em seguros privados que contrata operação de resseguro, desde que a esta sejam aplicadas as condições impostas às seguradoras pelo órgão regulador de seguros. Art. 3o A fiscalização das operações de co-seguro, resseguro, retrocessão e sua intermediação será exercida pelo órgão fiscalizador de seguros, conforme definido em lei, sem prejuízo das atribuições dos órgãos fiscalizadores das demais cedentes. Parágrafo único. Ao órgão fiscalizador de seguros, no que se refere aos resseguradores, intermediários e suas respectivas atividades, caberão as mesmas atribuições que detém para as sociedades seguradoras, corretores de seguros e suas respectivas atividades. CAPÍTULO III DOS RESSEGURADORES Seção I Da Qualificação Art. 4o As operações de resseguro e retrocessão podem ser realizadas com os seguintes tipos de resseguradores: I – ressegurador local: ressegurador sediado no País constituído sob a forma de sociedade anônima, tendo por objeto exclusivo a realização de operações de resseguro e retrocessão; II – ressegurador admitido: ressegurador sediado no exterior, com escritório de representação no País, que, atendendo às exigências previstas nesta Lei Complementar e nas normas aplicáveis à atividade de resseguro e retrocessão, tenha sido cadastrado como tal no órgão fiscalizador de seguros para realizar operações de resseguro e retrocessão; e III – ressegurador eventual: empresa resseguradora estrangeira sediada no exterior sem escritório de representação no País que, atendendo às exigências previstas nesta Lei Complementar e nas normas aplicáveis à atividade de resseguro e retrocessão, tenha sido cadastrada como tal no órgão fiscalizador de seguros para realizar operações de resseguro e retrocessão. § 1o É vedado o cadastro a que se refere o inciso III do caput deste artigo de empresas estrangeiras sediadas em paraísos fiscais, assim considerados países ou dependências que não tributam a renda ou que a tributam a alíquota inferior a 20% (vinte por cento) ou, ainda, cuja legislação interna oponha sigilo relativo à composição societária de pessoas jurídicas ou à sua titularidade. (Renumerado do parágrafo único pela Lei complementar no 137, de 2010) § 2o Equipara-se ao ressegurador local, para fins de contratação de operações de resseguro e de retrocessão, o fundo que tenha por único objetivo a cobertura suplementar dos riscos do seguro rural nas modalidades agrícola, pecuária, aquícola e florestal, observadas as disposições de lei própria. (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) Seção II Das Regras Aplicáveis Art. 5o Aplicam-se aos resseguradores locais, observadas as peculiaridades técnicas, contratuais, operacionais e de risco da atividade e as disposições do órgão regulador de seguros: I – o Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, e as demais leis aplicáveis às sociedades seguradoras, inclusive as que se referem à intervenção e liquidação de empresas, mandato e responsabilidade de administradores; e II – as regras estabelecidas para as sociedades seguradoras. ANEXO 1 117 Art. 6o O ressegurador admitido ou eventual deverá atender aos seguintes requisitos mínimos: I – estar constituído, segundo as leis de seu país de origem, para subscrever resseguros locais e internacionais nos ramos em que pretenda operar no Brasil e que tenha dado início a tais operações no país de origem, há mais de 5 (cinco) anos; II – dispor de capacidade econômica e financeira não inferior à mínima estabelecida pelo órgão regulador de seguros brasileiro; III – ser portador de avaliação de solvência por agência classificadora reconhecida pelo órgão fiscalizador de seguros brasileiro, com classificação igual ou superior ao mínimo estabelecido pelo órgão regulador de seguros brasileiro; IV – designar procurador, domiciliado no Brasil, com poderes especiais para receber citações, intimações, notificações e outras comunicações; e (Redação dada pela Lei complementar no 137, de 2010) V – outros requisitos que venham a ser fixados pelo órgão regulador de seguros brasileiro. Parágrafo único. Constituem-se ainda requisitos para os resseguradores admitidos: I – manutenção de conta em moeda estrangeira vinculada ao órgão fiscalizador de seguros brasileiro, na forma e montante definido pelo órgão regulador de seguros brasileiro para garantia de suas operações no País; II – apresentação periódica de demonstrações financeiras, na forma definida pelo órgão regulador de seguros brasileiro. Art. 7o A taxa de fiscalização a ser paga pelos resseguradores locais e admitidos será estipulada na forma da lei. CAPÍTULO IV DOS CRITÉRIOS BÁSICOS DE CESSÃO Art. 8o A contratação de resseguro e retrocessão no País ou no exterior será feitamediante negociação direta entre a cedente e o ressegurador ou por meio de intermediário legalmente autorizado. § 1o O limite máximo que poderá ser cedido anualmente a resseguradores eventuais será fixado pelo Poder Executivo. § 2o O intermediário de que trata o caput deste artigo é a corretora autorizada de resseguros, pessoa jurídica, que disponha de contrato de seguro de responsabilidade civil profissional, na forma definida pelo órgão regulador de seguros, e que tenha como responsável técnico o corretor de seguros especializado e devidamente habilitado. Art. 9o A transferência de risco somente será realizada em operações: I – de resseguro com resseguradores locais, admitidos ou eventuais; e II – de retrocessão com resseguradores locais, admitidos ou eventuais, ou sociedades seguradoras locais. § 1o As operações de resseguro relativas a seguro de vida por sobrevivência e previdência complementar são exclusivas de resseguradores locais. § 2o O órgão regulador de seguros poderá estabelecer limites e condições para a retrocessão de riscos referentes às operações mencionadas no § 1o deste artigo. § 3o É o fundo que tenha por único objetivo a cobertura suplementar dos riscos do seguro rural nas modalidades agrícola, pecuária, aquícola e florestal autorizado a contratar resseguro, retrocessão e outras formas de transferência de risco, inclusive com pessoas não abrangidas pelos incisos I e II do caput deste artigo. (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) § 4o É o órgão regulador de seguros autorizado a dispor sobre transferências de riscos, em operações de resseguro e de retrocessão, com pessoas não abrangidas pelos incisos I e II do caput deste artigo, quando ficar comprovada a insuficiência de oferta de capacidade por resseguradores locais, admitidos e eventuais. (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) Art. 10. O órgão fiscalizador de seguros terá acesso a todos os contratos de resseguro e de retrocessão, inclusive os celebrados no exterior, sob pena de ser desconsiderada, para todos os efeitos, a existência do contrato de resseguro e de retrocessão. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL118 Art. 11. Observadas as normas do órgão regulador de seguros, a cedente contratará ou ofertará preferencialmente a resseguradores locais para, pelo menos: I – 60% (sessenta por cento) de sua cessão de resseguro, nos 3 (três) primeiros anos após a entrada em vigor desta Lei Complementar; e II – 40% (quarenta por cento) de sua cessão de resseguro, após decorridos 3 (três) anos da entrada em vigor desta Lei Complementar. § 1o (VETADO). § 2o (VETADO) § 3o (VETADO) § 4o (VETADO) § 5o (VETADO) § 6o (VETADO) CAPÍTULO V DAS OPERAÇÕES Seção I Disposições Gerais Art. 12. O órgão regulador de seguros estabelecerá as diretrizes para as operações de resseguro, de retrocessão e de corretagem de resseguro e para a atuação dos escritórios de representação dos resseguradores admitidos, observadas as disposições desta Lei Complementar. Parágrafo único. O órgão regulador de seguros poderá estabelecer: I – cláusulas obrigatórias de instrumentos contratuais relativos às operações de resseguro e retrocessão; II – prazos para formalização contratual; III – restrições quanto à realização de determinadas operações de cessão de risco; IV – requisitos para limites, acompanhamento e monitoramento de operações intragrupo; e V – requisitos adicionais aos mencionados nos incisos I a IV deste parágrafo. Art. 13. Os contratos de resseguro deverão incluir cláusula dispondo que, em caso de liquidação da cedente, subsistem as responsabilidades do ressegurador perante a massa liquidanda, independentemente de os pagamentos de indenizações ou benefícios aos segurados, participantes, beneficiários ou assistidos haverem ou não sido realizados pela cedente, ressalvados os casos enquadrados no art. 14 desta Lei Complementar. Art. 14. Os resseguradores e os seus retrocessionários não responderão diretamente perante o segurado, participante, beneficiário ou assistido pelo montante assumido em resseguro e em retrocessão, ficando as cedentes que emitiram o contrato integralmente responsáveis por indenizá-los. Parágrafo único. Na hipótese de insolvência, de decretação de liquidação ou de falência da cedente, é permitido o pagamento direto ao segurado, participante, beneficiário ou assistido, da parcela de indenização ou benefício correspondente ao resseguro, desde que o pagamento da respectiva parcela não tenha sido realizado ao segurado pela cedente nem pelo ressegurador à cedente, quando: I – o contrato de resseguro for considerado facultativo na forma definida pelo órgão regulador de seguros; II – nos demais casos, se houver cláusula contratual de pagamento direto. Art. 15. Nos contratos com a intermediação de corretoras de resseguro, não poderão ser incluídas cláusulas que limitem ou restrinjam a relação direta entre as cedentes e os resseguradores nem se poderão conferir poderes ou faculdades a tais corretoras além daqueles necessários e próprios ao desempenho de suas atribuições como intermediários independentes na contratação do resseguro. ANEXO 1 119 Art. 16. Nos contratos a que se refere o art. 15 desta Lei Complementar, é obrigatória a inclusão de cláusula de intermediação, definindo se a corretora está ou não autorizada a receber os prêmios de resseguro ou a coletar o valor correspondente às recuperações de indenizações ou benefícios. Parágrafo único. Estando a corretora autorizada ao recebimento ou à coleta a que se refere o caput deste artigo, os seguintes procedimentos serão observados: I – o pagamento do prêmio à corretora libera a cedente de qualquer responsabilidade pelo pagamento efetuado ao ressegurador; e, II – o pagamento de indenização ou benefício à corretora só libera o ressegurador quando efetivamente recebido pela cedente. Art. 17. A aplicação dos recursos das provisões técnicas e dos fundos dos resseguradores locais e dos recursos exigidos no País para garantia das obrigações dos resseguradores admitidos será efetuada de acordo com as diretrizes do Conselho Monetário Nacional – CMN. Seção II Das Operações em Moeda Estrangeira Art. 18. O seguro, o resseguro e a retrocessão poderão ser efetuados no País em moeda estrangeira, observadas a legislação que rege operações desta natureza, as regras fixadas pelo CMN e as regras fixadas pelo órgão regulador de seguros. Parágrafo único. O CMN disciplinará a abertura e manutenção de contas em moeda estrangeira, tituladas por sociedades seguradoras, resseguradores locais, resseguradores admitidos e corretoras de resseguro. Seção III Do Seguro no País e no Exterior Art. 19. Serão exclusivamente celebrados no País, ressalvado o disposto no art. 20 desta Lei Complementar: I – os seguros obrigatórios; e II – os seguros não obrigatórios contratados por pessoas naturais residentes no País ou por pessoas jurídicas domiciliadas no território nacional, independentemente da forma jurídica, para garantia de riscos no País. Art. 20. A contratação de seguros no exterior por pessoas naturais residentes no País ou por pessoas jurídicas domiciliadas no território nacional é restrita às seguintes situações: I – cobertura de riscos para os quais não exista oferta de seguro no País, desde que sua contratação não represente infração à legislação vigente; II – cobertura de riscos no exterior em que o segurado seja pessoa natural residente no País, para o qual a vigência do seguro contratado se restrinja, exclusivamente, ao período em que o segurado se encontrar no exterior; III – seguros que sejam objeto de acordos internacionais referendados pelo Congresso Nacional; e IV – seguros que, pela legislação em vigor, na data de publicação desta Lei Complementar, tiverem sido contratados no exterior. Parágrafo único. Pessoas jurídicas poderão contratar seguro no exterior para coberturade riscos no exterior, informando essa contratação ao órgão fiscalizador de seguros brasileiro no prazo e nas condições determinadas pelo órgão regulador de seguros brasileiro. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL120 CAPÍTULO VI DO REGIME DISCIPLINAR Art. 21. As cedentes, os resseguradores locais, os escritórios de representação de ressegurador admitido, os corretores e corretoras de seguro, resseguro e retrocessão e os prestadores de serviços de auditoria independente bem como quaisquer pessoas naturais ou jurídicas que descumprirem as normas relativas à atividade de resseguro, retrocessão e corretagem de resseguros estarão sujeitos às penalidades previstas nos arts. 108, 111, 112 e 128 do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, aplicadas pelo órgão fiscalizador de seguros, conforme normas do órgão regulador de seguros. Parágrafo único. As infrações a que se refere o caput deste artigo serão apuradas mediante processo administrativo regido em consonância com o art. 118 do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966. CAPÍTULO VII DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 22. O IRB-Brasil Resseguros S.A. fica autorizado a continuar exercendo suas atividades de resseguro e de retrocessão, sem qualquer solução de continuidade, independentemente de requerimento e autorização governamental, qualificando-se como ressegurador local. Parágrafo único. O IRB-Brasil Resseguros S.A. fornecerá ao órgão fiscalizador da atividade de seguros informações técnicas e cópia de seu acervo de dados e de quaisquer outros documentos ou registros que esse órgão fiscalizador julgue necessários para o desempenho das funções de fiscalização das operações de seguro, co-seguro, resseguro e retrocessão. Art. 23. Fica a União autorizada a oferecer aos acionistas preferenciais do IRB-Brasil Resseguros S.A., mediante competente deliberação societária, a opção de retirada do capital que mantêm investido na sociedade, com a finalidade exclusiva de destinar tais recursos integralmente à subscrição de ações de empresa de resseguro sediada no País. Parágrafo único. (VETADO) Art. 24. O órgão fiscalizador de seguros fornecerá à Advocacia-Geral da União as informações e os documentos necessários à defesa da União nas ações em que seja parte. Art. 25. O órgão fiscalizador de seguros, instaurado inquérito administrativo, poderá solicitar à autoridade judiciária competente o levantamento do sigilo nas instituições financeiras de informações e documentos relativos a bens, direitos e obrigações de pessoa física ou jurídica submetida ao seu poder fiscalizador. § 1o O órgão fiscalizador de seguros, o Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) manterão permanente intercâmbio de informações acerca dos resultados das inspeções que realizarem, dos inquéritos que instaurarem e das penalidades que aplicarem, sempre que as informações forem necessárias ao desempenho de suas atividades. (Renumerado do parágrafo único pela Lei complementar no 137, de 2010) § 2o O órgão fiscalizador de seguros poderá firmar convênios: (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) I – com o Banco Central do Brasil, a CVM e outros órgãos fiscalizadores, objetivando a realização de fiscalizações conjuntas, observadas as respectivas competências; (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) II – com outros órgãos supervisores, reguladores, autorreguladores ou entidades fiscalizadoras de outros países, objetivando: (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) ANEXO 1 121 a) a fiscalização de escritórios de representação, filiais e subsidiárias de seguradoras e resseguradores estrangeiros, em funcionamento no Brasil, e de filiais e subsidiárias, no exterior, de seguradoras e resseguradores brasileiros, bem como a fiscalização de remessas ou ingressos de valores do exterior originários de operação de seguro, resseguro e retrocessão; (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) b) a cooperação mútua e o intercâmbio de informações para a investigação de atividades ou operações que impliquem aplicação, negociação, ocultação ou transferência de ativos financeiros e de valores mobiliários relacionados com a prática de condutas ilícitas ou que, sob qualquer outra forma, tenham relação com possível ilicitude. (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) § 3o O intercâmbio de informações entre os órgãos e entidades mencionados nos incisos I e II do § 2o deste artigo não caracteriza violação de sigilo, devendo os referidos órgãos e entidades resguardar a segurança das informações a que vierem a ter acesso. (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) Art. 26. As câmaras e os prestadores de serviços de compensação e de liquidação autorizados a funcionar pela legislação em vigor bem como as instituições autorizadas à prestação de serviços de custódia pela Comissão de Valores Mobiliários fornecerão ao órgão fiscalizador de seguros, desde que por ele declaradas necessárias ao exercício de suas atribuições, as informações que possuam sobre as operações: I – dos fundos de investimento especialmente constituídos para a recepção de recursos das sociedades seguradoras, de capitalização e entidades abertas de previdência complementar; e II – dos fundos de investimento, com patrimônio segregado, vinculados exclusivamente a planos de previdência complementar ou a seguros de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência, estruturados na modalidade de contribuição variável, por eles comercializados e administrados. Art. 27. Os arts. 8o, 16, 32, 86, 88, 96, 100, 108, 111 e 112 do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 8o .................................................................................. ............................................................................................... c) dos resseguradores; .............................................................................................. ” (NR) “Art. 16. ......................................................................................... Parágrafo único. (VETADO).” (NR) “Art. 32. ................................................................................................ ...................................................................................................... VI – delimitar o capital das sociedades seguradoras e dos resseguradores; ........................................................................................ VIII – disciplinar as operações de co-seguro; IX – (revogado); .............................................................................................. XIII – (revogado); ................................................................................................. ” (NR) “Art. 86. Os segurados e beneficiários que sejam credores por indenização ajustada ou por ajustar têm privilégio especial sobre reservas técnicas, fundos especiais ou provisões garantidoras das operações de seguro, de resseguro e de retrocessão. Parágrafo único. Após o pagamento aos segurados e beneficiários mencionados no caput deste artigo, o privilégio citado será conferido, relativamente aos fundos especiais, reservas técnicas ou provisões garantidoras das operações de resseguro e de retrocessão, às sociedades seguradoras e, posteriormente, aos resseguradores.” (NR) LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL122 “Art. 88. As sociedades seguradoras e os resseguradores obedecerão às normas e instruções dos órgãos regulador e fiscalizador de seguros sobre operações de seguro, co-seguro, resseguro e retrocessão, bem como lhes fornecerão dados e informações atinentes a quaisquer aspectos de suas atividades. Parágrafo único. Os inspetores e funcionários credenciados do órgão fiscalizador de seguros terão livre acesso às sociedades seguradoras e aos resseguradores, deles podendo requisitar e apreender livros,notas técnicas e documentos, caracterizando-se como embaraço à fiscalização, sujeito às penas previstas neste Decreto-Lei, qualquer dificuldade oposta aos objetivos deste artigo.” (NR) “Art. 96. .................................................................................. ................................................................................................ c) acumular obrigações vultosas devidas aos resseguradores, a juízo do órgão fiscalizador de seguros, observadas as determinações do órgão regulador de seguros; ........................................................................................ ” (NR) “Art. 100. ................................................................................ ...... ........................................................................... c) a relação dos créditos da Fazenda Pública e da Previdência Social; ............................................................................................... ” (NR) “Art. 108. A infração às normas referentes às atividades de seguro, co-seguro e capitalização sujeita, na forma definida pelo órgão regulador de seguros, a pessoa natural ou jurídica responsável às seguintes penalidades administrativas, aplicadas pelo órgão fiscalizador de seguros: I – advertência; II – suspensão do exercício das atividades ou profissão abrangidas por este Decreto-Lei pelo prazo de até 180 (cento e oitenta) dias; III – inabilitação, pelo prazo de 2 (dois) anos a 10 (dez) anos, para o exercício de cargo ou função no serviço público e em empresas públicas, sociedades de economia mista e respectivas subsidiárias, entidades de previdência complementar, sociedades de capitalização, instituições financeiras, sociedades seguradoras e resseguradores; IV – multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais); e V – suspensão para atuação em 1 (um) ou mais ramos de seguro ou resseguro. VI – (revogado); VII – (revogado); VIII – (revogado); IX – (revogado). § 1o A penalidade prevista no inciso IV do caput deste artigo será imputada ao agente responsável, respondendo solidariamente o ressegurador ou a sociedade seguradora ou de capitalização, assegurado o direito de regresso, e poderá ser aplicada cumulativamente com as penalidades constantes dos incisos I, II, III ou V do caput deste artigo. § 2o Das decisões do órgão fiscalizador de seguros caberá recurso, no prazo de 30 (trinta) dias, com efeito suspensivo, ao órgão competente. § 3o O recurso a que se refere o § 2o deste artigo, na hipótese do inciso IV do caput deste artigo, somente será conhecido se for comprovado pelo requerente o pagamento antecipado, em favor do órgão fiscalizador de seguros, de 30% (trinta por cento) do valor da multa aplicada. § 4o Julgada improcedente a aplicação da penalidade de multa, o órgão fiscalizador de seguros devolverá, no prazo máximo de 90 (noventa) dias a partir de requerimento da parte interessada, o valor depositado. § 5o Em caso de reincidência, a multa será agravada até o dobro em relação à multa anterior, conforme critérios estipulados pelo órgão regulador de seguros.” (NR) ANEXO 1 123 “Art. 111. Compete ao órgão fiscalizador de seguros expedir normas sobre relatórios e pareceres de prestadores de serviços de auditoria independente aos resseguradores, às sociedades seguradoras, às sociedades de capitalização e às entidades abertas de previdência complementar. a) (revogada); b) (revogada); c) (revogada); d) (revogada); e) (revogada); f) (revogada pela Lei no 9.932, de 20 de dezembro de 1999); g) (revogada); h) (revogada); i) (revogada). § 1o Os prestadores de serviços de auditoria independente aos resseguradores, às sociedades seguradoras, às sociedades de capitalização e às entidades abertas de previdência complementar responderão, civilmente, pelos prejuízos que causarem a terceiros em virtude de culpa ou dolo no exercício das funções previstas neste artigo. § 2o Sem prejuízo do disposto no caput deste artigo, os prestadores de serviços de auditoria independente responderão administrativamente perante o órgão fiscalizador de seguros pelos atos praticados ou omissões em que houverem incorrido no desempenho das atividades de auditoria independente aos resseguradores, às sociedades seguradoras, às sociedades de capitalização e às entidades abertas de previdência complementar. § 3o Instaurado processo administrativo contra resseguradores, sociedades seguradoras, sociedades de capitalização e entidades abertas de previdência complementar, o órgão fiscalizador poderá, considerada a gravidade da infração, cautelarmente, determinar a essas empresas a substituição do prestador de serviços de auditoria independente. § 4o Apurada a existência de irregularidade cometida pelo prestador de serviços de auditoria independente mencionado no caput deste artigo, serão a ele aplicadas as penalidades previstas no art. 108 deste Decreto-Lei. § 5o Quando as entidades auditadas relacionadas no caput deste artigo forem reguladas ou fiscalizadas pela Comissão de Valores Mobiliários ou pelos demais órgãos reguladores e fiscalizadores, o disposto neste artigo não afastará a competência desses órgãos para disciplinar e fiscalizar a atuação dos respectivos prestadores de serviço de auditoria independente e para aplicar, inclusive a esses auditores, as penalidades previstas na legislação própria.” (NR) “Art. 112. Às pessoas que deixarem de contratar os seguros legalmente obrigatórios, sem prejuízo de outras sanções legais, será aplicada multa de: I – o dobro do valor do prêmio, quando este for definido na legislação aplicável; e II – nos demais casos, o que for maior entre 10% (dez por cento) da importância segurável ou R$ 1.000,00 (mil reais).” (NR) Art. 28. (VETADO) Art. 29. A regulação de co-seguro, resseguro e retrocessão deverá assegurar prazo não inferior a 180 (cento e oitenta) dias para o Instituto de Resseguros do Brasil se adequar às novas regras de negócios, operações de resseguro, renovação dos contratos de retrocessão, plano de contas, regras de tributação, controle dos negócios de retrocessão no exterior e demais aspectos provenientes da alteração do marco regulatório decorrente desta Lei Complementar. Art. 30. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL124 Art. 31. Ficam revogados os arts. 6o, 15 e 18, a alínea i do caput do art. 20, os arts. 23, 42, 44 e 45, o § 4o do art. 55, os arts. 56 a 71, a alínea c do caput e o § 1o do art. 79, os arts. 81 e 82, o § 2o do art. 89 e os arts. 114 e 116 do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, e a Lei no 9.932, de 20 de dezembro de 1999. Brasília, 15 de janeiro de 2007; 186o da Independência e 119o da República. JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA Guido Mantega Álvaro Augusto Ribeiro Costa Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 16.1.2007. ANEXO 2 125 Anexo 2 LEI COMPLEMENTAR No 137, DE 26 DE AGOSTO DE 2010 Autoriza a participação da União em fundo destinado à cobertura suplementar dos riscos do seguro rural; altera dispositivos da Lei no 10.823, de 19 de dezembro de 2003, da Lei Complementar no 126, de 15 de janeiro de 2007, do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, do Decreto-Lei no 261, de 28 de fevereiro de 1967, e da Lei no 4.594, de 29 de dezembro de 1964; revoga dispositivos da Lei no 8.171, de 17 de janeiro de 1991, da Lei no 10.823, de 19 de dezembro de 2003, e do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966; e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei Complementar: Art. 1o ........... ....................... Art. 19. Os arts. 32 e 36 do Decreto-Lei no 73, de 1966, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 32. .................................................................................................................................................................... XVII – fixar as condições de constituição e extinção de entidades autorreguladoras do mercado de corretagem, sua forma jurídica, seus órgãos de administração e a forma de preenchimento de cargos administrativos; XVIII – regular o exercício do poder disciplinar das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem sobre seus membros, inclusive do poder de impor penalidades e de excluir membros; XIX – disciplinar a administração das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem e a fixação de emolumentos, comissões e quaisquer outras despesas cobradas por tais entidades, quando for o caso.” (NR) “Art. 36. ....................................................................... ............................................................................................. k) fiscalizar as operações das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem, inclusive o exato cumprimento deste Decreto-Lei, de outras leis pertinentes, de disposições regulamentares em geral e de resoluções do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), e aplicar as penalidades cabíveis; e l) celebrar convênios para a execução dos serviços de sua competência em qualquer parte do território nacional, observadas as normas da legislação em vigor.” (NR) LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL126 Art. 20. O Decreto-Lei no 73, de 1966, passa a vigorar acrescido do seguinte art. 127-A: “Art. 127-A. As entidades autorreguladoras do mercado de corretagem terão autonomia administrativa, financeira e patrimonial, operando sob a supervisão da Superintendência de Seguros Privados (Susep), aplicando-se a elas, inclusive, o disposto no art. 108 deste Decreto-Lei. Parágrafo único. Incumbe às entidades autorreguladoras do mercado de corretagem, na condição de órgãos auxiliares da Susep, fiscalizar os respectivos membros e as operações de corretagem que estes realizarem.” Art. 21. O art. 3o do Decreto-Lei no 261, de 28 de fevereiro de 1967, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 3o ....................................................................... ............................................................................................. § 1o Compete privativamente ao Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) fixar as diretrizes e normas da política de capitalização e regulamentar as operações das sociedades do ramo, relativamente às quais exercerá atribuições idênticas às estabelecidas para as sociedades de seguros, nos termos dos incisos I a VI, X a XII e XVII a XIX do art. 32 do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966. § 2o A Susep é o órgão executor da política de capitalização traçada pelo CNSP, cabendo-lhe fiscalizar a constituição, organização, funcionamento e operações das sociedades do ramo, relativamente às quais exercerá atribuições idênticas às estabelecidas para as sociedades de seguros, nos termos das alíneas a, b, c, g, h, i, k e l do art. 36 do Decreto-Lei no 73, de 1966.” (NR) Art. 22. Revogam-se: ................... V – a alínea a do art. 5o da Lei no 4.594, de 29 de dezembro de 1964. Art. 23. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 26 de agosto de 2010; 189o da Independência e 122o da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Guido Mantega Wagner Gonçalves Rossi Paulo Bernardo Silva Este texto não substitui o publicado no DOU de 27.8.2010 e retificado no DOU de 27.8.2010 ANEXO 3 127 Anexo 3 DECRETO-LEI No 73, DE 21 DE NOVEMBRO DE 1966 Texto compilado Regulamento (Vide Lei no 6.704, de 1979) (Vide Decreto-Lei no 2.420, de 1988) Dispõe sôbre o Sistema Nacional de Seguros Privados, regula as operações de seguros e resseguros e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , usando da atribuição que lhe confere o artigo 2o do Ato Complementar número 23, de 20 de outubro de 1966, DECRETA: CAPÍTULO I Introdução Art 1o Tôdas as operações de seguros privados realizados no País ficarão subordinadas às disposições do presente Decreto-Lei. Art 2o O contrôle do Estado se exercerá pelos órgãos instituídos neste Decreto-Lei, no interêsse dos segurados e beneficiários dos contratos de seguro. Art 3o Consideram-se operações de seguros privados os seguros de coisas, pessoas, bens, responsabilidades, obrigações, direitos e garantias. Parágrafo único. Ficam excluídos das disposições dêste Decreto-Lei os seguros do âmbito da Previdência Social, regidos pela legislação especial pertinente. Art 4o Integra-se nas operações de seguros privados o sistema de cosseguro, resseguro e retrocessão, por forma a pulverizar os riscos e fortalecer as relações econômicas do mercado. Parágrafo único. Aplicam-se aos estabelecimentos autorizados a operar em resseguro e retrocessão, no que couber, as regras estabelecidas para as sociedades seguradoras. (Incluído pela Lei no 9.932, de 1999) Art 5o A política de seguros privados objetivará: I – Promover a expansão do mercado de seguros e propiciar condições operacionais necessárias para sua integração no processo econômico e social do País; II – Evitar evasão de divisas, pelo equilíbrio do balanço dos resultados do intercâmbio, de negócios com o exterior; III – Firmar o princípio da reciprocidade em operações de seguro, condicionando a autorização para o funcionamento de emprêsas e firmas estrangeiras a igualdade de condições no país de origem; (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) IV – Promover o aperfeiçoamento das Sociedades Seguradoras; V – Preservar a liquidez e a solvência das Sociedades Seguradoras; VI – Coordenar a política de seguros com a política de investimentos do Govêrno Federal, observados os critérios estabelecidos para as políticas monetária, creditícia e fiscal. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL128 Art 6o (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) CAPÍTULO II Do Sistema Nacional De Seguros Privados Art 7o Compete privativamente ao Govêrno Federal formular a política de seguros privados, legislar sôbre suas normas gerais e fiscalizar as operações no mercado nacional; (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) Art 8o Fica instituído o Sistema Nacional de Seguros Privados, regulado pelo presente Decreto-Lei e constituído: a) do Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP; b) da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP; c) dos resseguradores; (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) d) das Sociedades autorizadas a operar em seguros privados; e) dos corretores habilitados. CAPÍTULO III Disposições Especiais Aplicáveis ao Sistema Art 9o Os seguros serão contratados mediante propostas assinadas pelo segurado, seu representante legal ou por corretor habilitado, com emissão das respectivas apólices, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art 10. É autorizada a contratação de seguros por simples emissão de bilhete de seguro, mediante solicitação verbal do interessado. § 1o O CNSP regulamentará os casos previstos neste artigo, padronizando as cláusulas e os impressos necessários. § 2o Não se aplicam a tais seguros as disposições do artigo 1.433 do Código Civil. Art 11. Quando o seguro fôr contratado na forma estabelecida no artigo anterior, a boa fé da Sociedade Seguradora, em sua aceitação, constitui presunção “juris tantum“. § 1o Sobrevindo o sinistro, a prova da ocorrência do risco coberto pelo seguro e a justificação de seu valor competirão ao segurado ou beneficiário. § 2o Será lícito à Sociedade Seguradora argüir a existência de circunstância relativa ao objeto ou interêsse segurado cujo conhecimento prévio influiria na sua aceitação ou na taxa de seguro, para exonerar- se da responsabilidade assumida, até no caso de sinistro. Nessa hipótese, competirá ao segurado ou beneficiário provar que a Sociedade Seguradora teve ciência préviada circunstância argüida. § 3o A violação ou inobservância, pelo segurado, seu preposto ou beneficiário, de qualquer das condições estabelecidas para a contratação de seguros na forma do disposto no artigo 10 exonera a Sociedade Seguradora da responsabilidade assumida. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) § 4o É vedada a realização de mais de um seguro cobrindo o mesmo objeto ou interêsse, desde que qualquer dêles seja contratado mediante a emissão de simples certificado, salvo nos casos de seguros de pessoas. Art 12. A obrigação do pagamento do prêmio pelo segurado vigerá a partir do dia previsto na apólice ou bilhete de seguro, ficando suspensa a cobertura do seguro até o pagamento do prêmio e demais encargos. Parágrafo único. Qualquer indenização decorrente do contrato de seguros dependerá de prova de pagamento do prêmio devido, antes da ocorrência do sinistro. Art 13. As apólices não poderão conter cláusula que permita rescisão unilateral dos contratos de seguro ou por qualquer modo subtraia sua eficácia e validade além das situações previstas em Lei. Art 14. Fica autorizada a contratação de seguros com a cláusula de correção monetária para capitais e valôres, observadas equivalência atuarial dos compromissos futuros assumidos pelas partes contratantes, na forma das instruções do Conselho Nacional de Seguros Privados. ANEXO 3 129 Art 15. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 16. É criado o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, com a finalidade de garantir a estabilidade dessas operações e atender à cobertura suplementar dos riscos de catástrofe. (Vide Lei complementar no 137, de 2010) (Vide Lei complementar no 137, de 2010) Parágrafo único. (VETADO). Art 17. O Fundo de Estabilidade do Seguro Rural será constituído: (Vide Lei complementar no 137, de 2010) (Vide Lei complementar no 137, de 2010) a) dos excedentes do máxiino admissível tècnicamente como lucro nas operações de seguros de crédito rural, seus resseguros e suas retrocessões, segundo os limites fixados pelo CNSP; b) dos recursos previstos no artigo 23, parágrafo 3o, dêste Decreto-Lei; (Redação dada pelo Decreto- Lei no 296, de 1967) c) por dotações orçamentárias anuais, durante dez anos, a partir do presente Decreto-Lei ou mediante o crédito especial necessário para cobrir a deficiência operacional do exercício anterior. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) Art 18. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 1o (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 2o (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 19. As operações de Seguro Rural gozam de isenção tributária irrestrita, de quaisquer impostos ou tributos federais. (Vide Lei complementar no 137, de 2010) Art 20. Sem prejuízo do disposto em leis especiais, são obrigatórios os seguros de (Vide decreto No 61.867, de 11 de dezembro de 1967): a) danos pessoais a passageiros de aeronaves comerciais; b) responsabilidade civil do proprietário de aeronaves e do transportador aéreo; (Redação dada pela Lei no 8.374, de 1991) c) responsabilidade civil do construtor de imóveis em zonas urbanas por danos a pessoas ou coisas; d) bens dados em garantia de empréstimos ou financiamentos de instituições financeiras pública; e) garantia do cumprimento das obrigações do incorporador e construtor de imóveis; f) garantia do pagamento a cargo de mutuário da construção civil, inclusive obrigação imobiliária; g) edifícios divididos em unidades autônomas; h) incêndio e transporte de bens pertencentes a pessoas jurídicas, situados no País ou nêle transportados; i) (Revogado pela Lei Complementar no 126 de 2007) j) crédito à exportação, quando julgado conveniente pelo CNSP, ouvido o Conselho Nacional do Comércio Exterior (CONCEX); (Redação dada pelo Decreto-Lei no 826, de 1969) l) danos pessoais causados por veículos automotores de vias terrestres e por embarcações, ou por sua carga, a pessoas transportadas ou não; (Redação dada pela Lei no 8.374, de 1991) m) responsabilidade civil dos transportadores terrestres, marítimos, fluviais e lacustres, por danos à carga transportada. (Incluída pela Lei no 8.374, de 1991) Parágrafo único. Não se aplica à União a obrigatoriedade estatuída na alínea “h” deste artigo. (Incluído pela Lei no 10.190, de 2001) Art 21. Nos casos de seguros legalmente obrigatórios, o estipulante equipara-se ao segurado para os eleitos de contratação e manutenção do seguro. § 1o Para os efeitos dêste decreto-lei, estipulante é a pessoa que contrata seguro por conta de terceiros, podendo acumular a condição de beneficiário. § 2o Nos seguros facultativos o estipulante é mandatário dos segurados. § 3o O CNSP estabelecerá os direitos e obrigações do estipulante, quando fôr o caso, na regulamentação de cada ramo ou modalidade de seguro. § 4o O não recolhimento dos prêmios recebidos de segurados, nos prazos devidos, sujeita o estipulante à multa, imposta pela SUSEP, de importância igual ao dôbro do valor dos prêmios por êle retidos, sem prejuízo da ação penal que couber. (Incluído pela Lei no 5.627, de 1970) LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL130 Art 22. As instituições financeiras públicas não poderão realizar operações ativas de crédito com as pessoas jurídicas e firmas individuais que não tenham em dia os seguros obrigatórios por lei, salvo mediante aplicação da parcela do crédito, que fôr concedido, no pagamento dos prêmios em atraso. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) Parágrafo único. Para participar de concorrências abertas pelo Poder Público, é indispensável comprovar o pagamento dos prêmios dos seguros legalmente obrigatórios.’ Art 23. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 1o (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 2o (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 3o (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 24. Poderão operar em seguros privados apenas Sociedades Anônimas ou Cooperativas, devidamente autorizadas. Parágrafo único. As Sociedades Cooperativas operarão únicamente em seguros agrícolas, de saúde e de acidentes do trabalho. Art 25. As ações das Sociedades Seguradoras serão sempre nominativas. Art 26. As sociedades seguradoras não poderão requerer concordata e não estão sujeitas à falência, salvo, neste último caso, se decretada a liquidação extrajudicial, o ativo não for suficiente para o pagamento de pelo menos a metade dos credores quirografários, ou quando houver fundados indícios da ocorrência de crime falimentar. (Redação dada pela Lei no 10.190, de 2001) Art 27. Serão processadas pela forma executiva as ações de cobrança dos prêmios dos contratos de seguro. Art 28. A partir da vigência dêste Decreto-Lei, a aplicação das reservas técnicas das Sociedades Seguradoras será feita conforme as diretrizes do Conselho Monetário Nacional. Art 29. Os investimentos compulsórios das Sociedades Seguradoras obedecerão a critérios que garantam remuneração adequada, segurança e liquidez. Parágrafo único. Nos casos de seguros contratados com a cláusula de correção monetária é obrigatório o investimento das respectivas reservas nas condições estabelecidas neste artigo. Art 30. As Sociedades Seguradoras não poderão conceder aos segurados comissões ou bonificações de qualquer espécie, nem vantagens especiais que importem dispensa ou redução de prêmio. Art 31. É assegurada ampla defesa em qualquer processo instaurado por infração ao presente Decreto-Lei, sendo nulas as decisões proferidas com inobservância dêste preceito. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) CAPÍTULO IV Do Conselho Nacional de Seguros Privados Art 32. É criado o Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP, ao qual compete privativamente: (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) I – Fixar as diretrizes e normas da política de seguros privados; II – Regular a constituição,organização, funcionamento e fiscalização dos que exercerem atividades subordinadas a êste Decreto-Lei, bem como a aplicação das penalidades previstas; III – Estipular índices e demais condições técnicas sôbre tarifas, investimentos e outras relações patrimoniais a serem observadas pelas Sociedades Seguradoras; IV – Fixar as características gerais dos contratos de seguros; ANEXO 3 131 V – Fixar normas gerais de contabilidade e estatística a serem observadas pelas Sociedades Seguradoras; VI – delimitar o capital das sociedades seguradoras e dos resseguradores; (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) VII – Estabelecer as diretrizes gerais das operações de resseguro; VIII – disciplinar as operações de co-seguro; (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) IX – (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) X – Aplicar às Sociedades Seguradoras estrangeiras autorizadas a funcionar no País as mesmas vedações ou restrições equivalentes às que vigorarem nos países da matriz, em relação às Sociedades Seguradoras brasileiras ali instaladas ou que nêles desejem estabelecer-se; XI – Prescrever os critérios de constituição das Sociedades Seguradoras, com fixação dos limites legais e técnicos das operações de seguro; XII – Disciplinar a corretagem de seguros e a profissão de corretor; XIII – (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) XIV – Decidir sôbre sua própria organização, elaborando o respectivo Regimento Interno; XV – Regular a organização, a composição e o funcionamento de suas Comissões Consultivas; XVI – Regular a instalação e o funcionamento das Bolsas de Seguro. XVII – fixar as condições de constituição e extinção de entidades autorreguladoras do mercado de corretagem, sua forma jurídica, seus órgãos de administração e a forma de preenchimento de cargos administrativos; (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) XVIII – regular o exercício do poder disciplinar das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem sobre seus membros, inclusive do poder de impor penalidades e de excluir membros; (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) XIX – disciplinar a administração das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem e a fixação de emolumentos, comissões e quaisquer outras despesas cobradas por tais entidades, quando for o caso. (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) Art 33. O CNSP será integrado pelos seguintes membros: (Restabelecido com nova redação pela Lei no 10.190, de 2001) I – Ministro de Estado da Fazenda, ou seu representante; (Restabelecido com nova redação pela Lei no 10.190, de 2001) II – representante do Ministério da Justiça; (Restabelecido com nova redação pela Lei no 10.190, de 2001) III – representante do Ministério da Previdência e Assistência Social; (Restabelecido com nova redação pela Lei no 10.190, de 2001) IV – Superintendente da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP; (Restabelecido com nova redação pela Lei no 10.190, de 2001) V – representante do Banco Central do Brasil; (Restabelecido com nova redação pela Lei no 10.190, de 2001) VI – representante da Comissão de Valores Mobiliários – CVM. (Restabelecido com nova redação pela Lei no 10.190, de 2001) § 1o O CNSP será presidido pelo Ministro de Estado da Fazenda e, na sua ausência, pelo Superintendente da SUSEP. (Restabelecido com nova redação pela Lei no 10.190, de 2001) § 2o O CNSP terá seu funcionamento regulado em regimento interno. (Restabelecido com nova redação pela Lei no 10.190, de 2001) Art 34. Com audiência obrigatória nas deliberações relativas às respectivas finalidades específicas, funcionarão junto ao CNSP as seguintes Comissões Consultivas: I – de Saúde; Il – do Trabalho; III – de Transporte; IV – Mobiliária e de Habitação; V – Rural; LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL132 VI – Aeronáutica; VII – de Crédito; VIII – de Corretores. § 1o O CNSP poderá criar outras Comissões Consultivas, desde que ocorra justificada necessidade. § 2o A organização, a composição e o funcionamento das Comissões Consultivas serão regulados pelo CNSP, cabendo ao seu Presidente designar os representantes que as integrarão, mediante indicação das entidades participantes delas. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) CAPÍTULO V Da Superintendência de Seguros Privados SEÇÃO I Art 35. Fica criada a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), entidade autárquica, jurisdicionada ao Ministério da Indústria e do Comércio, dotada de personalidade jurídica de Direito Público, com autonomia administrativa e financeira. Parágrafo único. A sede da SUSEP será na cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, até que o Poder Executivo a fixe, em definitivo, em Brasília. Art 36. Compete à SUSEP, na qualidade de executora da política traçada pelo CNSP, como órgão fiscalizador da constituição, organização, funcionamento e operações das Sociedades Seguradoras: a) processar os pedidos de autorização, para constituição, organização, funcionamento, fusão, encampação, grupamento, transferência de contrôle acionário e reforma dos Estatutos das Sociedades Seguradoras, opinar sôbre os mesmos e encaminhá-los ao CNSP; b) baixar instruções e expedir circulares relativas à regulamentação das operações de seguro, de acôrdo com as diretrizes do CNSP; c) fixar condições de apólices, planos de operações e tarifas a serem utilizadas obrigatòriamente pelo mercado segurador nacional; d) aprovar os limites de operações das Sociedades Seguradoras, de conformidade com o critério fixado pelo CNSP; e) examinar e aprovar as condições de coberturas especiais, bem como fixar as taxas aplicáveis; (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) f) autorizar a movimentação e liberação dos bens e valôres obrigatòriamente inscritos em garantia das reservas técnicas e do capital vinculado; g) fiscalizar a execução das normas gerais de contabilidade e estatística fixadas pelo CNSP para as Sociedades Seguradoras; h) fiscalizar as operações das Sociedades Seguradoras, inclusive o exato cumprimento dêste Decreto- Lei, de outras leis pertinentes, disposições regulamentares em geral, resoluções do CNSP e aplicar as penalidades cabíveis; i) proceder à liquidação das Sociedades Seguradoras que tiverem cassada a autorização para funcionar no País; j) organizar seus serviços, elaborar e executar seu orçamento. k) fiscalizar as operações das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem, inclusive o exato cumprimento deste Decreto-Lei, de outras leis pertinentes, de disposições regulamentares em geral e de resoluções do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), e aplicar as penalidades cabíveis; e (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) l) celebrar convênios para a execução dos serviços de sua competência em qualquer parte do território nacional, observadas as normas da legislação em vigor. (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) ANEXO 3 133 SEÇÃO II Da Administração da SUSEP Art 37. A administração da SUSEP será exercida por um Superintendente, nomeado pelo Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Indústria e do Comércio, que terá as suas atribuições definidas no Regulamento dêste Decreto-lei e seus vencimentos fixados em Portaria do mesmo Ministro. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 168, de 1967) Parágrafo único. A organização interna da SUSEP constará de seu Regimento, que será aprovado pelo CNSP. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 168, de 1967) SEÇÃO III Art 38. Os cargos da SUSEP sómente poderão ser preenchidas mediante concurso público de provas, ou de provas e títulos, salvo os da direção e os casos de contratação, por prazo determinado, de prestação de serviços técnicos ou de natureza especializada. (Redação dada pelo Decreto-lei no 168, de 1967) Parágrafo único. O pessoal da SUSEP reger-se-á pela legislação trabalhista e osseus níveis salariais serão fixados pelo Superintendente, com observância do mercado de trabalho, ouvido o CNSP. (Redação dada pelo Decreto-lei no 168, de 1967) SEÇÃO IV Dos Recursos Financeiros Art 39. Do produto da arrecadação do impôsto sôbre operações financeiras a que se refere a Lei no 5.143, de 20-10-66, será destacada a parcela necessária ao custeio das atividades da SUSEP. Art 40. Constituem ainda recursos da SUSEP: I – O produto das multas aplicadas pela SUSEP; II – Dotação orçamentária específica ou créditos especiais; III – Juros de depósitos bancários; IV – A participação que lhe fôr atribuída pelo CNSP no fundo previsto no art. 16; V – Outras receitas ou valores adventícios, resultantes de suas atividades. CAPÍTULO VI Do Instituto de Resseguros do Brasil SEÇÃO I Da Natureza Jurídica, Finalidade, Constituição e Competência Art 41. O IRB é uma sociedade de economia mista, dotada de personalidade jurídica própria de Direito Privado e gozando de autonomia administrativa e financeira. Parágrafo único – O IRB será representado em juízo ou fora dêle por seu Presidente e responderá no fôro comum. Art 42. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 43. O capital social do IRB é representado por ações escriturais, ordinárias e preferenciais, todas sem valor nominal. (Redação dada pela Lei no 9.482, de 1997) Parágrafo único. As ações ordinárias, com direito a voto, representam, no mínimo, cinqüenta por cento do capital social. (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL134 Art 44. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 45. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) SEÇÃO II Da Administração e do Conselho Fiscal Art 46. São órgãos de administração do IRB o Conselho de Administração e a Diretoria. (Redação dada pela Lei no 9.482, de 1997) § 1o O Conselho de Administração é composto por seis membros, eleitos pela Assembléia Geral, sendo: (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) I – três membros indicados pelo Ministro de Estado da Fazenda, dentre eles: (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) a) o Presidente do Conselho; (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) b) o Presidente do IRB, que será o Vice-Presidente do Conselho; (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) II – um membro indicado pelo Ministro de Estado do Planejamento e orçamento; (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) III – um membro indicado pelos acionistas detentores de ações preferenciais; (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) IV – um membro indicado pelos acionistas minoritários, detentores de ações ordinárias. (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) § 2o A Diretoria do IRB é composta por seis membros, sendo o Presidente e o Vice-Presidente Executivo nomeados pelo Presidente da República, por indicação do Ministro de Estado da Fazenda, e os demais eleitos pelo Conselho, de Administração. (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) § 3o Enquanto a totalidade das ações ordinárias permanecer com a União, aos acionistas detentores de ações preferenciais será facultado o direito de indicar até dois membros para o Conselho de Administração do IRB. (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) § 4o Os membros do Conselho de Administração e da Diretoria do IRB terão mandato de três anos, observado o disposto na Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) Art 47 O Conselho Fiscal do IRB é composto por cinco membros efetivos e respectivos suplentes, eleitos pela Assembléia Geral, sendo: (Redação dada pela Lei no 9.482, de 1997) I – três membros e respectivos suplentes indicados pelo Ministro de Estado da Fazenda, dentre os quais um representante do Tesouro Nacional; (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) II – um membro e respectivo suplente eleitos, em votação em separado, pelos acionistas minoritários detentores de ações ordinárias; (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) III – um membro e respectivo suplente eleitos pelos acionistas detentores de ações preferenciais sem direito a voto ou com voto restrito, excluído o acionista controlador, se detentor dessa espécie de ação. (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) Parágrafo único. Enquanto a totalidade das ações ordinárias permanecer com a União, aos acionistas detentores de ações preferenciais será facultado o direito de indicar até dois membros para o Conselho Fiscal do IRB. (Incluído pela Lei no 9.482, de 1997) Art 48. Os estatutos fixarão a competência do Conselho de Administração e da Diretoria do IRB. (Redação dada pela Lei no 9.482, de 1997) Art 49. (Revogado pela Lei no 9.482, de 1997) Art 50. (Revogado pela Lei no 9.482, de 1997) Art 51. (Revogado pela Lei no 9.482, de 1997) Art 52. (Revogado pela Lei no 9.482, de 1997) Art 53. (Revogado pela Lei no 9.482, de 1997) Art 54. (Revogado pela Lei no 9.482, de 1997) ANEXO 3 135 SEÇÃO III Do Pessoal Art 55. Os serviços do IRB serão executados por pessoal admitido mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, cabendo aos Estatutos regular suas condições de realização, bem como os direitos, vantagens e deveres dos servidores, inclusive as punições aplicáveis. § 1o A nomeação para cargo em comissão será feita pelo Presidente, depois de aprovada sua criação pelo Conselho Técnico. § 2o É permitida a contratação de pessoal destinado a funções técnicas especializadas ou para serviços auxiliares de manutenção, transporte, higiene e limpeza. § 3o Ficam assegurados aos servidores do IRB os direitos decorrentes de normas legais em vigor, no que digam respeito à participação nos lucros, aposentadoria, enquadramento sindical, estabilidade e aplicação da legislação do trabalho. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) § 4o (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) SEÇÃO IV Das Operações Art 56. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 57. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 58. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 59. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 60. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 61. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 62. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 63. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 64. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) SEÇÃO V Das Liquidações de Sinistros Art 65. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 66. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 67. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 68. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 69. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) SEÇÃO VI Do Balanço e Distribuição de Lucros Art 70. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 71. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) CAPÍTULO VII Das Sociedades Seguradoras SEÇÃO I Legislação Aplicável Art 72. As Sociedades Seguradoras serão reguladas pela legislação geral no que lhes fôr aplicável e, em especial, pelas disposições do presente decreto-lei. Parágrafo único. Aplicam-se às sociedades seguradoras o disposto no art. 25 da Lei no 4.595, de 31 de dezembro de 1964, com a redação que lhe dá o art. 1o desta lei. (Incluído pela Lei no 5.710, de 1971) Art 73. As Sociedades Seguradoras não poderão explorar qualquer outro ramo de comércio ou indústria. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL136 SEÇÃO II Da Autorização para Funcionamento Art 74. A autorização para funcionamento será concedida através de Portaria do Ministro da Indústria e do Comércio, mediante requerimento firmado pelos incorporadores, dirigido ao CNSP e apresentado por intermédio da SUSEP. Art 75. Concedida a autorização para funcionamento, a Sociedade terá o prazo de noventa dias para comprovar perante a SUSEP, o cumprimento de tôdas as formalidades legais ou exigências feitas no ato da autorização. Art 76. Feitaa comprovação referida no artigo anterior, será expedido a carta-patente pelo Ministro da Indústria e do Comércio. Art 77. As alterações dos Estatutos das Sociedades Seguradoras dependerão de prévia autorização do Ministro da Indústria e do Comércio, ouvidos a SUSEP e o CNSP. SEÇÃO III Das Operações das Sociedades Seguradoras Art 78. As Sociedades Seguradoras só poderão operar em seguros para os quais tenham a necessária autorização, segundo os planos, tarifas e normas aprovadas pelo CNSP. Art 79. É vedado às Sociedades Seguradoras reter responsabilidades cujo valor ultrapasse os limites técnico, fixados pela SUSEP de acôrdo com as normas aprovadas pelo CNSP, e que levarão em conta: a) a situação econômico-financeira das Sociedades Seguradoras; b) as condições técnicas das respectivas carteiras; c) (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 1o (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 2o Não haverá cobertura de resseguro para as responsabilidades assumidas pelas Sociedades Seguradoras em desacôrdo com as normas e instruções em vigor. Art 80. As operações de cosseguro obedecerão a critérios fixados pelo CNSP, quanto à obrigatoriedade e normas técnicas. Art 81. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 82. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 83. As apólices, certificados e bilhetes de seguro mencionarão a responsabilidade máxima da Sociedade Seguradora, expressa em moeda nacional, para cobertura dos riscos nêles descritos e caracterizados. Art 84. Para garantia de tôdas as suas obrigações, as Sociedades Seguradoras constituirão reservas técnicas, fundos especiais e provisões, de conformidade com os critérios fixados pelo CNSP, além das reservas e fundos determinados em leis especiais. § 1o (Revogado pela Medida Provisória no 449, de 2008 e pela Lei no 11.941, de 2009) § 2o (Revogado pela Medida Provisória no 449, de 2008 e pela Lei no 11.941, de 2009) § 3o (Revogado pela Medida Provisória no 449, de 2008 e pela Lei no 11.941, de 2009) ANEXO 3 137 Art 85. Os bens garantidores das reservas técnicas, fundos e previsões serão registrados na SUSEP e não poderão ser alienados, prometidos alienar ou de qualquer forma gravados em sua previa e expressa autorização, sendo nulas de pleno direito, as alienações realizadas ou os gravames constituídos com violação dêste artigo. (Redação dada pelo Decreto-lei no 296, de 1967) Parágrafo único. Quando a garantia recair em bem imóvel, será obrigatòriamente inscrita no competente Cartório do Registro Geral de Imóveis, mediante simples requerimento firmado pela Sociedade Seguradora e pela SUSEP. Art 86. Os segurados e beneficiários que sejam credores por indenização ajustada ou por ajustar têm privilégio especial sobre reservas técnicas, fundos especiais ou provisões garantidoras das operações de seguro, de resseguro e de retrocessão. (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) Parágrafo único. Após o pagamento aos segurados e beneficiários mencionados no caput deste artigo, o privilégio citado será conferido, relativamente aos fundos especiais, reservas técnicas ou provisões garantidoras das operações de resseguro e de retrocessão, às sociedades seguradoras e, posteriormente, aos resseguradores. (Incluído pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 87. As Sociedades Seguradoras não poderão distribuir lucros ou quaisquer fundos correspondentes às reservas patrimoniais, desde que essa distribuição possa prejudicar o investimento obrigatório do capital e reserva, de conformidade com os critérios estabelecidos neste Decreto-Lei. Art 88. As sociedades seguradoras e os resseguradores obedecerão às normas e instruções dos órgãos regulador e fiscalizador de seguros sobre operações de seguro, co-seguro, resseguro e retrocessão, bem como lhes fornecerão dados e informações atinentes a quaisquer aspectos de suas atividades. (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) Parágrafo único. Os inspetores e funcionários credenciados do órgão fiscalizador de seguros terão livre acesso às sociedades seguradoras e aos resseguradores, deles podendo requisitar e apreender livros, notas técnicas e documentos, caracterizando-se como embaraço à fiscalização, sujeito às penas previstas neste Decreto-Lei, qualquer dificuldade oposta aos objetivos deste artigo. (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) CAPÍTULO VIII Do Regime Especial de Fiscalização (Renumerado pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) Art 89. Em caso de insuficiência de cobertura das reservas técnicas ou de má situação econômico- financeira da Sociedade Seguradora, a critério da SUSEP, poderá esta, além de outras providências cabíveis, inclusive fiscalização especial, nomear, por tempo indeterminado, às expensas da Sociedade Seguradora, um diretor-fiscal com as atribuições e vantagens que lhe forem indicadas pelo CNSP. § 1o Sempre que julgar necessário ou conveniente à defesa dos interêsses dos segurados, a SUSEP verificará, nas indenizações, o fiel cumprimento do contrato, inclusive a exatidão do cálculo da reserva técnica e se as causas protelatórias do pagamento, porventura existentes, decorrem de dificuldades econômico-financeira da emprêsa. (Renumerado pelo Decreto-Lei no 1.115, de 1970) § 2o (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 90. Não surtindo efeito as medidas especiais ou a intervenção, a SUSEP encaminhará ao CNSP proposta de cassação da autorização para funcionamento da Sociedade Seguradora. Parágrafo único. Aplica-se à intervenção a que se refere este artigo o disposto nos arts. 55 a 62 da Lei no 6.435, de 15 de julho de 1977. (Incluído pela Lei no 10.190, de 2001) Art 91. O descumprimento de qualquer determinação do Diretor-Fiscal por Diretores, administradores, gerentes, fiscais ou funcionários da Sociedade Seguradora em regime especial de fiscalização acarretará o afastamento do infrator, sem prejuízo das sanções penais cabíveis. Art 92. Os administradores das Sociedades Seguradoras ficarão suspensos do exercício de suas funções desde que instaurado processo-crime por atos ou fatos relativos à respectiva gestão, perdendo imediatamente seu mandato na hipótese de condenação. (Redação dada pelo Decreto-lei no 296, de 1967) LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL138 Art 93. Cassada a autorização de uma Sociedade Seguradora para funcionar, a alienação ou gravame de qualquer de seus bens dependerá de autorização da SUSEP, que, para salvaguarda dessa inalienabilidade, terá podêres para controlar o movimento de contas bancárias e promover o levantamento do respectivo ônus junto às Autoridades ou Registros Públicos. CAPÍTULO IX Da Liquidação das Sociedades Seguradoras (Renumerado pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) Art 94. A cessação das operações das Sociedades Seguradoras poderá ser: a) voluntária, por deliberação dos sócios em Assembléia Geral; b) compulsória, por ato do Ministro da Indústria e do Comércio, nos têrmos dêste Decreto-Lei. Art 95. Nos casos de cessação voluntária das operações, os Diretores requererão ao Ministro da Indústria e do Comércio o cancelamento da autorização para funcionamento da Sociedade Seguradora, no prazo de cinco dias da respectiva Assembléia Geral. Parágrafo único. Devidamente instruído, o requerimento será encaminhado por intermédio da SUSEP, que opinará sôbre a cessação deliberada. Art 96. Além dos casos previstos neste Decreto-Lei ou em outras leis, ocorrerá a cessação compulsória das operações da Sociedade Seguradora que: a) praticar atos nocivos à política de seguros determinada pelo CNSP; b) não formar as reservas, fundos e provisões a que esteja obrigada ou deixar de aplicá-las pela forma prescrita neste Decreto-Lei; c) acumular obrigações vultosas devidas aos resseguradores, a juízo do órgão fiscalizador de seguros, observadas as determinações do órgão regulador de seguros; (Redaçãodada pela Lei Complementar no 126, de 2007) d) configurar a insolvência econômico-financeira. Art 97. A liquidação voluntária ou compulsória das Sociedades Seguradoras será processada pela SUSEP. (Redação dada pelo Decreto-lei no 296, de 1967) Art 98. O ato da cassação será publicado no Diário Oficial da União, produzindo imediatamente os seguintes efeitos: a) suspensão das ações e execuções judiciais, excetuadas as que tiveram início anteriormente, quando intentadas por credores com previlégio sôbre determinados bens da Sociedade Seguradora; b) vencimento de tôdas as obrigações civis ou comerciais da Sociedade Seguradora liquidanda, incluídas as cláusulas penais dos contratos; c) suspensão da incidência de juros, ainda que estipulados, se a massa liquidanda não bastar para o pagamento do principal; d) cancelamento dos podêres de todos os órgãos de administração da Sociedade liquidanda. § 1o Durante a liquidação, fica interrompida a prescrição extintiva contra ou a favor da massa liquidanda. (Renumerado pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) § 2o Quando a sociedade tiver oradores por salários ou indenizações trabalhistas, também ficarão suspensas as ações e execuções a que se refere a parte final da alínea a dêste artigo. (Incluído pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) § 3o Poderá ser argüida em qualquer fase processual, inclusive quanto às questões trabalhistas, a nulidade dos despachos ou decisões que contravenham o disposto na alínea a dêste artigo ou em seu parágrafo 2o. Nos processos sujeitos à suspensão, caberá à sociedade liquidanda, para realização do ativo, requerer o levantamento de penhoras, arrestos e quaisquer outras medidas de apreensão ou reserva de bens, sem prejuízo do estatuído adiante no Parágrafo único do artigo 103. (Incluído pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) § 4o A massa liquidanda não estará obrigada a reajustamentos salariais sobrevindos durante a liquidação, nem responderá pelo pagamento de multas, custas, honorários e demais despesas feitas pelos credores em interêsse próprio, assim como não se aplicará correção monetária aos créditos pela mora resultante de liquidação. (Incluído pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) ANEXO 3 139 Art 99. Além dos podêres gerais de administração, a SUSEP ficará investida de podêres especiais para representar a Sociedade Seguradora liquidanda ativa e passivamente, em juízo ou fora dêle, podendo: a) propor e contestar ações, inclusive para integralização de capital pelos acionistas; b) nomear e demitir funcionários; c) fixar os vencimentos de funcionarios; d) outorgar ou revogar mandatos; e) transigir; f) vender valôres móveis e bens imóveis. Art 100. Dentro de 90 (noventa) dias da cassação para funcionamento, a SUSEP levantará o balanço do ativo e do passivo da Sociedade Seguradora liquidanda e organizará: a) o arrolamento pormenorizado dos bens do ativo, com as respectivas avaliações, especificando os garantidores das reservas técnicas ou do capital; b) a Iista dos credores por dívida de indenização de sinistro, capital garantidor de reservas técnicas ou restituicão de prêmios, com a indicação das respectivas importâncias; c) a relação dos créditos da Fazenda Pública e da Previdência Social; (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) d) a relação dos demais credores, com indicação das importâncias e procedência dos créditos, bem como sua classificação, de acôrdo com a legislação de falências. Parágrafo único. (Revogado pela Lei no 9.932, de 1999) Art 101. Os interessados poderão impugnar o quadro geral de credores, mas decairão dêsse direito se não o exercerem no prazo de quinze dias. Art 102. A SUSEP examinará as impugnações e fará Publicar no Diário Oficial da União, sua decisão, dela notificando os recorrentes por via postal, sob AR. Parágrafo único. Da decisão da SUSEP caberá recurso para o Ministro da Indústria e do Comércio, no prazo de quinze dias. Art 103. Depois da decisão relativa a seus créditos ou aos créditos contra os quais tenham reclamado, os credores não incluídos nas relações a que se refere o art. 100, os delas excluídos, os incluídos sem os privilégios a que se julguem com direito, inclusive por atribuição de importância inferior à reclamada, poderão prosseguir na ação já iniciada ou propor a que lhes competir. Parágrafo único. Até que sejam julgadas as ações, a SUSEP reservará cota proporcional do ativo para garantia dos credores de que trata êste artigo. Art 104. A SUSEP promoverá a realização do ativo e efetuará o pagamento dos credores pelo crédito apurado e aprovado, no prazo de seis meses, observados os respectivos privilégios e classificação, de acôrdo com a cota apurada em rateio. Art 105. Ultimada a liquidação e levantado e balanço final, será o mesmo submetido à aprovação do Ministro da Indústria e do Comércio, com relatório da SUSEP. Art 106. A SUSEP terá direito à comissão de cinco por cento sôbre o ativo apurado nos trabalhos de liquidação, competindo ao Superintendente arbitrar a gratificação a ser paga aos inspetores e funcionários encarregados de executá-los. Art 107. Nos casos omissos, são aplicáveis as disposições da legislação de falências, desde que não contrariem as disposições do presente Decreto-Lei. Parágrafo único. Nos casos de cessação parcial, restrita às operações de um ramo, serão observadas as disposições dêste Capítulo, na parte aplicável. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL140 CAPÍTULO X Do Regime Repressivo (Renumerado pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) Art 108. A infração às normas referentes às atividades de seguro, cosseguro, resseguro, retrocessão e capitalização sujeita, na forma definida pelo órgão regulador de seguros, a pessoa natural ou jurídica responsável às seguintes penalidades administrativas, aplicadas pelo órgão fiscalizador de seguros: (Redação dada pela Lei complementar no 137, de 2010) I – advertência; (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) II – suspensão do exercício das atividades ou profissão abrangidas por este Decreto-Lei pelo prazo de até 180 (cento e oitenta) dias; (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) III – inabilitação, pelo prazo de 2 (dois) anos a 10 (dez) anos, para o exercício de cargo ou função no serviço público e em empresas públicas, sociedades de economia mista e respectivas subsidiárias, entidades de previdência complementar, sociedades de capitalização, instituições financeiras, sociedades seguradoras e resseguradores; (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) IV – multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais); e (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) V – suspensão para atuação em 1 (um) ou mais ramos de seguro ou resseguro. (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) VI – (revogado); (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) VII – (revogado); (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) VIII – (revogado); (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) IX – (revogado). (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 1o Caso a penalidade prevista no inciso IV do caput deste artigo seja aplicada à pessoa natural, responderá solidariamente o ressegurador ou a sociedade seguradora ou de capitalização, assegurado o direito de regresso, e a penalidade poderá ser cumulada com aquelas constantes dos incisos I, II, III ou V do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei no 13.195, de 2015) § 2o Das decisões do órgão fiscalizador de seguros caberá recurso, no prazo de 30 (trinta) dias, com efeito suspensivo, ao órgão competente. (Incluído pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 3o O recurso a que se refere o § 2o deste artigo, na hipótese do inciso IV do caput deste artigo, somente será conhecido se for comprovado pelo requerente o pagamento antecipado, em favor do órgão fiscalizador de seguros, de 30% (trinta por cento)do valor da multa aplicada. (Incluído pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 4o Julgada improcedente a aplicação da penalidade de multa, o órgão fiscalizador de seguros devolverá, no prazo máximo de 90 (noventa) dias a partir de requerimento da parte interessada, o valor depositado. (Incluído pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 5o Em caso de reincidência, a multa será agravada até o dobro em relação à multa anterior, conforme critérios estipulados pelo órgão regulador de seguros. (Incluído pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 109. Os Diretores, administradores, gerentes e fiscais das Sociedades Seguradoras responderão solidàriamente com a mesma pelos prejuízos causados a terceiros, inclusive aos seus acionistas, em conseqüência do descumprimento de leis, normas e instruções referentes as operações de seguro, cosseguro, resseguro ou retrosseção, e em especial, pela falta de constituição das reservas obrigatórias. Art 110. Constitui crime contra a economia popular, punível de acôrdo com a legislação respectiva, a ação ou omissão, pessoal ou coletiva, de que decorra a insuficiência das reservas e de sua cobertura, vinculadas à garantia das obrigações das Sociedades Seguradoras. Art 111. Compete ao órgão fiscalizador de seguros expedir normas sobre relatórios e pareceres de prestadores de serviços de auditoria independente aos resseguradores, às sociedades seguradoras, às sociedades de capitalização e às entidades abertas de previdência complementar. (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) a) (revogada); (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) b) (revogada); (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) c) (revogada); (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) ANEXO 3 141 d) (revogada); (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) e) (revogada); (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) f) (revogada pela Lei no 9.932, de 20 de dezembro de 1999); (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) g) (revogada); (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) h) (revogada); (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) i) (revogada). (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 1o Os prestadores de serviços de auditoria independente aos resseguradores, às sociedades seguradoras, às sociedades de capitalização e às entidades abertas de previdência complementar responderão, civilmente, pelos prejuízos que causarem a terceiros em virtude de culpa ou dolo no exercício das funções previstas neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 2o Sem prejuízo do disposto no caput deste artigo, os prestadores de serviços de auditoria independente responderão administrativamente perante o órgão fiscalizador de seguros pelos atos praticados ou omissões em que houverem incorrido no desempenho das atividades de auditoria independente aos resseguradores, às sociedades seguradoras, às sociedades de capitalização e às entidades abertas de previdência complementar. (Incluído pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 3o Instaurado processo administrativo contra resseguradores, sociedades seguradoras, sociedades de capitalização e entidades abertas de previdência complementar, o órgão fiscalizador poderá, considerada a gravidade da infração, cautelarmente, determinar a essas empresas a substituição do prestador de serviços de auditoria independente. (Incluído pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 4o Apurada a existência de irregularidade cometida pelo prestador de serviços de auditoria independente mencionado no caput deste artigo, serão a ele aplicadas as penalidades previstas no art. 108 deste Decreto-Lei. (Incluído pela Lei Complementar no 126, de 2007) § 5o Quando as entidades auditadas relacionadas no caput deste artigo forem reguladas ou fiscalizadas pela Comissão de Valores Mobiliários ou pelos demais órgãos reguladores e fiscalizadores, o disposto neste artigo não afastará a competência desses órgãos para disciplinar e fiscalizar a atuação dos respectivos prestadores de serviço de auditoria independente e para aplicar, inclusive a esses auditores, as penalidades previstas na legislação própria. (Incluído pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 112. Às pessoas que deixarem de contratar os seguros legalmente obrigatórios, sem prejuízo de outras sanções legais, será aplicada multa de: (Redação dada pela Lei Complementar no 126, de 2007) I – o dobro do valor do prêmio, quando este for definido na legislação aplicável; e (Incluído pela Lei Complementar no 126, de 2007) II – nos demais casos, o que for maior entre 10% (dez por cento) da importância segurável ou R$ 1.000,00 (mil reais). (Incluído pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 113. As pessoas naturais ou jurídicas que realizarem operações de capitalização, seguro, cosseguro ou resseguro sem a devida autorização estão sujeitas às penalidades administrativas previstas no art. 108, aplicadas pelo órgão fiscalizador de seguros, aumentadas até o triplo. (Redação dada pela Lei no 13.195, de 2015) § 1o Caso a penalidade de multa seja aplicada à pessoa natural, responderá solidariamente a pessoa jurídica, assegurado o direito de regresso, e a penalidade poderá ser cumulada com aquelas constantes dos incisos I, II, III e V do caput do art. 108. (Incluído pela Lei no 13.195, de 2015) § 2o A multa prevista no caput será fixada com base na importância segurada ou em outro parâmetro a ser definido pelo órgão regulador de seguros. (Incluído pela Lei no 13.195, de 2015) Art 114. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 115. A suspensão de autorização para operar em determinado ramo de seguro será aplicada quando verificada má condução técnica ou financeira dos respectivos negócios. Art 116. (Revogado pela Lei Complementar no 126, de 2007) Art 117. A cassação da carta patente se fará nas hipóteses de infringência dos artigos 81 e 82, nos casos previstos no artigo 96 ou de reincidência na proibição estabelecida nas letras “c“ e “i“ do artigo 111, todos do presente Decreto-Lei. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL142 Art 118. As infrações serão apuradas mediante processo administrativo que tenha por base o auto, a representação ou a denúncia positivando fatos irregulares, e o CNSP disporá sôbre as respectivas instaurações, recursos e seus efeitos, instâncias, prazos, perempção e outros atos processualísticos. Art 119. As multas aplicadas de conformidade com o disposto neste Capítulo e seguinte serão recolhidas aos cofres da SUSEP. Art 120. Os valores monetários das penalidades previstas nos artigos precedentes ficam sujeitos à correção monetária pelo CNSP. Art 121. Provada qualquer infração penal a SUSEP remeterá cópia do processo ao Ministério Público para fins de direito. CAPÍTULO XI Dos Corretores de Seguros (Renumerado pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) Art 122. O corretor de seguros, pessoa física ou jurídica, é o intermediário legalmente autorizado a angariar e promover contratos de seguro entre as Sociedades Seguradoras e as pessoas físicas ou jurídicas de Direito Privado. Art 123. O exercício da profissão, de corretor de seguros depende de prévia habilitação e registro. § 1o A habilitação será feita perante a SUSEP, mediante prova de capacidade técnico-profissional, na forma das instruções baixadas pelo CNSP. § 2o O corretor de seguros poderá ter prepostos de sua livre escolha e designará, dentre êles, o que o substituirá. § 3o Os corretores e prepostos serão registrados na SUSEP, com obediência aos requisitos estabelecidos pelo CNSP. Art 124. As comissões de corretagem só poderão ser pagas a corretor de seguros devidamente habilitado. Art 125. É vedado aos corretores e seus prepostos: a) aceitar ou exercer emprêgo de pessoa jurídica de Direito Público; b) manter relação de emprêgo ou de direção com Sociedade Seguradora. Parágrafoúnico. Os impedimentos dêste artigo aplicam-se também aos Sócios e Diretores de Emprêsas de corretagem. Art 126. O corretor de seguros responderá civilmente perante os segurados e as Sociedades Seguradoras pelos prejuízos que causar, por omissão, imperícia ou negligência no exercício da profissão. Art 127. Caberá responsabilidade profissional, perante a SUSEP, ao corretor que deixar de cumprir as leis, regulamentos e resoluções em vigor, ou que der causa dolosa ou culposa a prejuízos às Sociedades Seguradoras ou aos segurados. Art. 127-A. As entidades autorreguladoras do mercado de corretagem terão autonomia administrativa, financeira e patrimonial, operando sob a supervisão da Superintendência de Seguros Privados (Susep), aplicando-se a elas, inclusive, o disposto no art. 108 deste Decreto-Lei. (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) Parágrafo único. Incumbe às entidades autorreguladoras do mercado de corretagem, na condição de órgãos auxiliares da Susep, fiscalizar os respectivos membros e as operações de corretagem que estes realizarem. (Incluído pela Lei complementar no 137, de 2010) ANEXO 3 143 Art 128. O corretor de seguros estará sujeito às penalidades seguintes: a) multa; b) suspensão temporária do exercício da profissão; c) cancelamento do registro. Parágrafo único. As penalidades serão aplicadas pela SUSEP, em processo regular, na forma prevista no art. 119 desta Lei. (Redação dada pelo Decreto-lei no 296, de 1967) CAPÍTULO XII Disposições Gerais e Transitórias (Renumerado pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) SEÇÃO I Do Seguro-Saúde Art 129. Fica instituído o Seguro-Saúde para dar cobertura aos riscos de assistência médica e hospitalar. Art 130. A garantia do Seguro-Saúde consistirá no pagamento em dinheiro, efetuado pela Sociedade Seguradora, à pessoa física ou jurídica prestante da assistência médico-hospitalar ao segurado. § 1o A cobertura do Seguro-Saúde ficará sujeita ao regime de franquia, de acôrdo com os critérios fixados pelo CNSP. § 2o A livre escolha do médico e do hospital é condição obrigatória nos contratos referidos no artigo anterior. Art 131. Para os efeitos do artigo 130 dêste Decreto-Lei, o CNSP estabelecerá tabelas de honorários médico-hospitalares e fixará percentuais de participação obrigatória dos segurados nos sinistros. § 1o Na elaboração das tabelas, o CNSP observará a média regional dos honorários e a renda média dos pacientes, incluindo a possibilidade da ampliação voluntária da cobertura pelo acréscimo do prêmio. § 2o Na fixação das percentagens de participação, o CNSP levará em conta os índices salariais dos segurados e seus encargos familiares. Art 132. O pagamento das despesas cobertas pelo Seguro-Saúde dependerá de apresentação da documentação médico hospitalar que possibilite a identificação do sinistro. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) Art 133. É vedado às Sociedades Seguradoras acumular assistência financeira com assistência médico- hospitalar. Art 134. As sociedades civis ou comerciais que, na data dêste Decreto-lei, tenham vendido títulos, contratos, garantias de saúde, segurança de saúde, benefícios de saúde, títulos de saúde ou seguros sob qualquer outra denominação, para atendimento médico, farmacêutico e hospitalar, integral ou parcial, ficam proibidas de efetuar novas transações do mesmo gênero, ressalvado o disposto no art. 135, parágrafo 1o. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) § 1o As Sociedades civis e comerciais que se enquadrem no disposto neste artigo poderão continuar prestando os serviços nêle referidos exclusivamente às pessoas físicas ou jurídicas com as quais os tenham ajustado ante da promulgação dêste Decreto-Lei, facultada opção bilateral pelo regime do Seguro-Saúde. § 2o No caso da opção prevista no parágrafo anterior, as pessoas jurídicas prestantes da assistência médica, farmacêutica e hospitalar, ora regulada, ficarão responsáveis pela contribuição do Seguro-Saúde devida pelas pessoas físicas optantes. § 3o Ficam excluídas das obrigações previstas neste artigo as Sociedades Beneficentes que estiverem em funcionamento na data da promulgação dêsse Decreto-Lei, as quais poderão preferir o regime do Seguro-Saúde a qualquer tempo. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL144 Art 135. As entidades organizadas sem objetivo de lucro, por profissionais médicos e paramédicos ou por estabelecimentos hospitalares, visando a institucionalizar suas atividades para a prática da medicina social e para a melhoria das condições técnicas e econômicas dos serviços assistenciais, isoladamente ou em regime de associação, poderão operar sistemas próprios de pré-pagamento de serviços médicos e/ou hospitalares, sujeitas ao que dispuser a Regulamentação desta Lei, às resoluções do CNSP e à fiscalização dos órgãos competentes. SEÇÃO II Art 136. Fica extinto o Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização (DNSPC), da Secretaria do Comércio, do Ministério da Indústria e do Comércio, cujo acervo e documentação passarão para a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). (Redação dada pelo Decreto-Lei no 168, de 1967) § 1o Até que entre em funcionamento a SUSEP, as atribuições a ela conferidas pelo presente Decreto-lei continuarão a ser desempenhadas pelo DNSPC. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 168, de 1967) § 2o Fica extinto, no Quadro de Pessoal do Ministério da Indústria e do Comércio, o cargo em comissão de Diretor-Geral do Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização, símbolo 2-C. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 168, de 1967) § 3o Serão considerados extintos, no Quadro de Pessoal do Ministério da Indústria e do Comércio, a partir da criação dos cargos correspondentes nos quadros da SUSEP, os 8 (oito) cargos em comissão do Delegado Regional de Seguros, símbolo 5-C. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 168, de 1967) Art 137. Os funcionários atualmente em exercício do DNSPC continuarão a integrar o Quadro de Pessoal do Ministério da Indústria e do Comércio. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 168, de 1967) Art 138. Poderá a SUSEP requisitar servidores da administração pública federal, centralizada e descentralizada, sem prejuízo dos vencimentos e vantagens relativos aos cargos que ocuparem. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 168, de 1967) Art 139. Os servidores requisitados antes da aprovação, pelo CNSP, do Quadro de Pessoal da SUSEP, poderão nêle ser aproveitado, desde que consultados os interêsses da Autarquia e dos Servidores. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 168, de 1967) Parágrafo único. O aproveitamento de que trata êste artigo implica na aceitação do regime de pessoal da SUSEP devendo ser contado o tempo de serviço, no órgão de origem, para todos os efeitos legais. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 168, de 1967) Art 140. As dotações consignadas no Orçamento da União, para o exercício de 1967, à conta do DNSPC, serão transferidas para a SUSEP excluídas as relativas às despesas decorrentes de vencimentos e vantagens de Pessoal Permanente. Art 141. Fica dissolvida a Companhia Nacional de Seguro Agrícola, competindo ao Ministério da Agricultura promover sua liquidação e aproveitamento de seu pessoal. Art 142. Ficam incorporadas ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural: a) Fundo de Estabilidade do seguro Agrário, a que se refere o artigo 3o da Lei 2.168, de 11 de janeiro de 1954; (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) b) O Fundo de Estabilização previsto no artigo 3o da Lei no 4.430, de 20 de outubro de 1964. ANEXO 3 145 Art 143. Os órgãos do Poder Público que operam em seguros privados enquadrarão suas atividades ao regime dêste Decreto-Lei no prazo de cento e oitenta dias, ficando autorizados a constituir a necessária Sociedade Anônima ou Cooperativa. § 1o As Associações de Classe, de Beneficência e de Socorros mútuos e os Montepios que instituem pensõesou pecúlios, atualmente em funcionamento, ficam excluídos do regime estabelecido neste Decreto-Lei, facultado ao CNSP mandar fiscalizá-los se e quando julgar conveniente. § 2o As Sociedades Seguradoras estrangeiras que operam no país adaptarão suas organizações às novas exigências legais, no prazo dêste artigo e nas condições determinadas pelo CNSP. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) Art 144. O CNSP proporá ao Poder Executivo, no prazo de cento e oitenta dias, as normas de regulamentação dos seguros obrigatórios previstos no artigo 20 dêste Decreto-Lei. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 296, de 1967) Art 145. Até a instalação do CNSP e da SUSEP, será mantida a jurisdição e a competência do DNSPC, conservadas em vigor as disposições legais e regulamentares, inclusive as baixadas pelo IRB, no que fôrem cabíveis. Art 146. O Poder Executivo fica autorizado a abrir o crédito especial de Cr$ 500.000.000 (quinhentos milhões de cruzeiros), no exercício de 1967, destinado à instalação do CNSP e da SUSEP. Art 147. (Revogado pelo Decreto-Lei no 261, de 1967) Art 148. As resoluções do Conselho Nacional de Seguros Privados vigorarão imediatamente e serão publicadas no Diário Oficial da União. Art 149. O Poder Executivo regulamentará êste Decreto-lei no prazo de 120 (cento e vinte) dias, vigendo idêntico prazo para a aprovação dos Estatutos do IRB”. (Redação dada pelo Decreto-Lei no 168, de 1967) Art 150. (Revogado pelo Decreto-Lei no 261, de 1967) Art 151. Para efeito do artigo precedente ficam suprimidos os cargos e funções de Delegado do Govêrno Federal e de liquidante designado pela sociedade, a que se referem os artigos 24 e 25 do Decreto no 22.456, de 10 de fevereiro de 1933, ressalvadas as liquidações decretadas até dezembro de 1965. Art 152. O risco de acidente de trabalho continua a ser regido pela legislação específica, devendo ser objeto de nova legislação dentro de 90 dias. Art 153. Êste Decreto-Lei entrará em vigor na data de sua publicação, ficando revogadas expressamente tôdas as disposições de leis, decretos e regulamentos que dispuserem em sentido contrário. Brasília, 21 de novembro de 1966; 145o da Independência e 78o da República. H. CASTELLO BRANCO Eduardo Lopes Rodrigues Severo Fagundes Gomes L. G. do Nascimento e Silva Raymundo de Britto Paulo Egydio Martins Roberto Campos * Este texto não substitui o publicado no DOU de 22.11.1966 LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL146 ANEXO 4 147 Anexo 4 LEI No 4.594, DE 29 DE DEZEMBRO DE 1964 Regula a profissão de corretor de seguros O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I Do Corretor de Seguros e da sua Habilitação Profissional Art. 1o O corretor de seguros, seja pessoa física ou jurídica, é o intermediário legalmente autorizado a angariar e a promover contratos de seguros, admitidos pela legislação vigente, entre as Sociedades de Seguros e as pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado. Art. 2o O exercício da profissão de corretor de seguros depende da prévia obtenção do título de habilitação, o qual será concedido pelo Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização, nos termos desta lei. Parágrafo único. O número de corretores de seguro é ilimitado. Art. 3o O interessado na obtenção do título a que se refere o artigo anterior, o requererá ao Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização, indicando o ramo de seguro a que se pretenda dedicar, provando documentalmente: a) ser brasileiro ou estrangeiro com residência permanente; b) estar quite com o serviço militar, quando se tratar de brasileiro ou naturalizado; c) não haver sido condenado por crimes a que se referem as Seções II, III e IV do Capítulo VI do Título I; os Capítulos I, II, III, IV, V, VI e VII do Título II; o Capítulo V do Título VI; Capítulos I, II e III do Título VIII; os Capítulos I, II, III e IV do Título X e o Capítulo I do Título XI, parte especial do Código Penal; d) não ser falido; e) ter habilitação técnico-profissional referente aos ramos requeridos. § 1o Se se tratar de pessoa jurídica deverá a requerente provar que está organizada segundo as leis brasileiras, ter sede no país, e que seus diretores, gerentes ou administradores preencham as condições deste artigo. § 2o Satisfeitos pelo requerente os requisitos deste artigo terá ele direito à imediata obtenção do título. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL148 Art. 4o O cumprimento da exigência da alínea “e” do artigo anterior poderá consistir na observância comprovada de qualquer das seguintes condições: a) haver concluído curso técnico profissional de seguros, oficial ou reconhecido; (Redação dada pela Lei no 7.278, de 1984) b) apresentar atestado de exercício profissional anterior a esta Lei, fornecido pelo sindicato de classe ou pelo Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização. (Redação dada pela Lei no 7.278, de 1984) c) apresentar atestado de exercício profissional anterior a esta lei, fornecido pelo sindicato de classe ou pelo Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização. Art. 5o O corretor, seja pessoa física ou jurídica, antes de entrar no exercício da profissão deverá: a) (Revogado pela Lei Complementar no 137, de 2010). b) estar quite com o imposto sindical. c) inscrever-se para o pagamento do imposto de Indústrias e Profissões. Art. 6o Não se poderá habilitar novamente como corretor aquele cujo título de habilitação profissional houver sido cassado, nos termos do artigo 24. Art. 7o O título de habilitação de corretor de seguros será expedido pelo Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização e publicado no Diário Oficial da República. Art. 8o O atestado, a que se refere a alínea “c” do art. 4o, será concedido na conformidade das informações e documentos colhidos pela Diretoria do Sindicato, e dele deverão constar os dados de identidade do pretendente, bem como as indicações relativas ao tempo de exercício nos diversos ramos de seguro e as empresas a que tiver servido. § 1o Da recusa do Sindicato em fornecer o atestado acima referido, cabe recurso, no prazo de 60 dias, para o Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização. § 2o Os motivos da recusa do atestado, quando se fundarem em razões que atentem à honra do interessado, terão caráter sigiloso e somente poderão ser certificados a pedido de terceiros por ordem judicial ou mediante requisição do Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização. Art. 9o Nos municípios onde não houver sindicatos da respectiva categoria, delegacias ou seções desses sindicatos, poderá o atestado ser fornecido pelo sindicato da localidade mais próxima. Art. 10. Os sindicatos organizarão e manterão registro dos corretores e respectivos prepostos, habilitados na forma desta lei, com os assentamentos essenciais sobre a habilitação legal e o “curriculum vitae” profissional de cada um. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, o Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização fornecerá aos interessados os dados necessários. Art. 11. Os sindicatos farão publicar semestralmente, no Diário Oficial da União e dos Estados, a relação devidamente atualizada dos corretores e respectivos prepostos habilitados. CAPÍTULO II Dos Prepostos dos Corretores Art. 12. O corretor de seguros poderá ter prepostos de sua livre escolha bem como designar, entre eles, o que o substitua nos impedimentos ou faltas. Parágrafo único. Os prepostos serão registrados no Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização, mediante requerimento do corretor e preenchimento dos requisitos exigidos pelo art. 3o. ANEXO 4 149 CAPÍTULO III Dos Direitos e Deveres Art. 13. Só ao corretor de seguros devidamente habilitado nos termos desta leie que houver assinado a proposta, deverão ser pagas as corretagens admitidas para cada modalidade de seguro, pelas respectivas tarifas, inclusive em caso de ajustamento de prêmios. § 1o Nos casos de alterações de prêmios por erro de cálculo na proposta ou por ajustamentos negativos, deverá o corretor restituir a diferença da corretagem. § 2o Nos seguros efetuados diretamente entre o segurador e o segurado, sem interveniência de corretor, não haverá corretagem a pagar. Art. 14. O corretor deverá ter o registro devidamente autenticado pelo Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização das propostas que encaminhar às Sociedades de Seguros, com todos os assentamentos necessários à elucidação completa dos negócios em que intervier. Art. 15. O corretor deverá recolher incontinenti à Caixa da Seguradora o prêmio que porventura tiver recebido do segurado para pagamento de seguro realizado por seu intermédio. Art. 16. Sempre que for exigido pelo Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização e no prazo por ele determinado, os corretores e prepostos deverão exibir os seus registros bem como os documentos nos quais se baseiam os lançamentos feitos. Art. 17. É vedado aos corretores e aos prepostos: a) aceitarem ou exercerem empregos de pessoa jurídica de direito público, inclusive de entidade paraestatal; b) serem sócios, administradores, procuradores, despachantes ou empregados de empresa de seguros. Parágrafo único. O impedimento previsto neste artigo é extensivo aos sócios e diretores de empresa de corretagem. CAPÍTULO IV Da aceitação das propostas de seguros Art. 18. As sociedades de seguros, por suas matrizes, filiais, sucursais, agências ou representantes, só poderão receber proposta de contrato de seguros: a) por intermédio de corretor de seguros devidamente habilitado; b) diretamente dos proponentes ou seus legítimos representantes. Art. 19. Nos casos de aceitação de propostas pela forma a que se refere a alínea "b" do artigo anterior, a importância habitualmente cobrada a título de comissão e calculada de acordo com a tarifa respectiva será recolhida ao Fundo de Desenvolvimento Educacional do Seguro, administrado pela Fundação Escola Nacional de Seguros (FUNENSEG), que se destinará à criação e manutenção de: (Redação dada pela Lei no 6.317, de 1975) a) escolas e cursos de formação e aperfeiçoamento profissional de corretores de seguros e prepostos; (Incluída pela Lei no 6.317, de 1975) b) bibliotecas especializadas. (Incluída pela Lei no 6.317, de 1975) § 1o As empresas de seguros escriturarão essa importância em livro devidamente autenticado pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e recolherão diretamente à FUNENSEG as importâncias arrecadadas, no prazo de 30 (trinta) dias de seu efetivo recebimento, cabendo à SUSEP fiscalizar a regularidade de tais créditos. (Redação dada pela Lei no 6.317, de 1975) § 2o A criação e funcionamento dessas instituições ficarão a cargo do Instituto de Resseguros do Brasil, que arrecadará essas importâncias diretamente das entidades seguradoras. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL150 CAPÍTULO V Das Penalidades Art. 20. O corretor responderá profissional e civilmente pelas declarações inexatas contidas em propostas por ele assinadas, independentemente das sanções que forem cabíveis a outros responsáveis pela infração. Art. 21. Os corretores de seguros, independentemente de responsabilidade penal e civil em que possam incorrer no exercício de suas funções, são passíveis das penas disciplinares de multa, suspensão e destituição. Art. 22. Incorrerá na pena de multa de Cr$ 5.000,00 a Cr$ 10.000,00 e, na reincidência, em suspensão pelo tempo que durar a infração, o corretor que deixar de cumprir o disposto nos arts 16 e 17. Art. 23. Incorrerá em pena de suspensão das funções, de 30 a 180 dias, o corretor que infringir as disposições desta lei, quando não foi cominada pena de multa ou destituição. Art. 24. Incorrerá em pena de destituição o corretor que sofrer condenação penal por motivo de ato praticado no exercício da profissão. Art. 25. Ficam sujeitos à multa correspondente a 25% do prêmio anual da respectiva apólice, e ao dobro no caso de reincidência, as empresas de seguro e corretores que, transgredindo o art. 14 desta lei e as disposições do Decreto-Lei no 2.063, de 7 de março de 1940, concederem, sob qualquer forma, vantagens que importem no tratamento desigual dos segurados. Art. 26. O processo para cominação das penalidades previstas nesta lei reger-se-á, no que for aplicável, pelos arts. 167, 168, 169, 170 e 171 do Decreto-Lei no 2.063, de 7 de março de 1940. CAPÍTULO VI Da Repartição Fiscalizadora Art. 27. Compete ao Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização aplicar as penalidades previstas nesta lei e fazer cumprir as suas disposições. CAPÍTULO VII Disposições Gerais Art. 28. A presente lei é aplicável aos territórios estaduais nos quais existem Sindicatos de Corretores de Seguros legalmente constituídos. Art. 29. Não se enquadram nos efeitos desta lei as operações de cosseguro e de resseguro entre as Empresas seguradoras. ANEXO 4 151 Art. 30. Nos Municípios onde não houver corretor legalmente habilitado, as propostas de contratos de seguro relativos a bens e interesses de pessoas físicas ou jurídicas nele domiciliadas continuarão a ser encaminhadas às empresas seguradoras por corretor de seguros ou por qualquer cidadão, indiferentemente, mantido o regime de livre concorrência na mediação do contrato de seguro em vigor na data da publicação desta lei. § 1o As comissões, devidas pela mediação de contratos de seguro de pessoa física ou jurídica, domiciliada nos Municípios a que se refere este artigo e neles agenciados e assinados, continuarão também a ser pagas ao intermediário da proposta, seja corretor habilitado ou não. § 2o As companhias seguradoras deverão encaminhar instruções, nos termos da presente lei, a fim de, os referidos corretores possam se habilitar e se registrar, dando ciência dessa providência ao sindicato de classe mais próximo. CAPÍTULO VIII Disposições Transitórias Art. 31. Os corretores, já em atividade de sua profissão quando da vigência desta lei, poderão continuar a exercê-la desde que apresentem ao Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização seus requerimentos, acompanhados dos documentos exigidos pelas alíneas “a”, “c” e “d” do art. 3o, “c” do art. 4o, e prova da observância do disposto no art. 5o. Art. 32. Dentro de noventa dias, a contar da vigência desta lei, o Poder Executivo regulamentará as profissões de corretor de seguro de vida e de capitalização, obedecidos os princípios estabelecidos na presente lei. Art. 33. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 34. Revogam-se as disposições em contrário. Brasília, 29 de dezembro de 1964; 143o da Independência e 76o da República. H. CASTELLO BRANCO Daniel Faraco LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL152 ANEXO 5 153 Dispõe sobre as condições de constituição, organização, funcionamento e extinção de entidades autorreguladoras do mercado de corretagem de seguros, resseguros, de capitalização e de previdência complementar aberta, na condição de auxiliares da SUSEP, e dá outras providências. A SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS – SUSEP, no uso da atribuição que lhe confere o art. 34, inciso XI, do Decreto no 60.459, de 13 de março de 1967, e considerando o que consta do Processo CNSP no 1/2011 e Processo SUSEP no 15414.004850/2010-72, torna público que o Superintendente da SUSEP, ad referendum do CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS-CNSP, com fundamento no art. 4o, § 1o e no art. 5o, § 1o do seu Regimento Interno aprovado pela Resolução CNSP no 111, de 2004, tendo em vista o disposto no art. 127-A do Decreto-Lei no 73, de 21de novembro de 1966, incluído pela Lei Complementar no 137, de 26 de agosto de 2010, RESOLVEU: CAPÍTULO I DA ABRANGÊNCIA DA NORMA Art. 1o Esta Resolução estabelece as condições de constituição, organização, funcionamento e extinção de entidades autorreguladoras do mercado de corretagem de seguros, de resseguros, de capitalização e de previdência complementar aberta, na condição de auxiliares da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP. Art. 2o Considera-se, para efeito desta Resolução: I – Entidade autorreguladora: entidade constituída com personalidade jurídica de direito privado autorizada a funcionar como órgão auxiliar da SUSEP, na forma prevista nesta Resolução, com a incumbência de fiscalizar, processar, julgar e aplicar sanções por infrações a normas de conduta, por ela voluntariamente estabelecidas e também àquelas previstas na legislação, praticadas por seus membros associados. (Inciso alterado pela Resolução CNSP no 251/2012) II – Mercado de corretagem: mercado de intermediação dos contratos de seguro, resseguro, capitalização e previdência complementar aberta, com exceção do seguro especializado em saúde; e III – Membros: todos os corretores, pessoas naturais e jurídicas, e seus prepostos associados às entidade autorreguladora. (Inciso alterado pela Resolução CNSP no 251/2012) Parágrafo único. Não se incluem na definição de membros do mercado de corretagem os agentes representantes das seguradoras de que trata o art. 775 do Código Civil. RESOLUÇÃO CNSP No 233, 1o DE ABRIL DE 2011 Anexo 5 LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL154 CAPÍTULO II DOS OBJETIVOS DAS ENTIDADES AUTORREGULADORAS Art. 3o As entidades autorreguladoras terão por objetivo zelar pela observância às normas jurídicas, em especial pelos direitos dos consumidores, e fomentar a elevação de padrões éticos dos seus membros associados, bem como as boas práticas de conduta no relacionamento profissional com segurados, corretores, pessoas naturais e jurídicas, e sociedades seguradoras, resseguradoras, de capitalização e entidades abertas de previdência complementar. (Artigo alterado pela Resolução CNSP no 251/2012) CAPÍTULO III DA CONSTITUIÇÃO E DO ESTATUTO SOCIAL Art. 4o As entidades autorreguladoras do mercado de corretagem serão constituídas na forma de associação civil sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial e prazo de duração indeterminado. §1o O funcionamento e a extinção das entidades autorreguladoras ou das atividades de autorregulação dependem de prévia autorização da SUSEP, observadas as condições constantes desta Resolução. §2o Fica vedada a interferência da administração da entidade que tiver outros objetivos institucionais nos assuntos relacionados diretamente às atividades finalísticas de autorregulação. Art. 5o Os estatutos sociais das entidades deverão ser registrados no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas, após autorização da SUSEP, e disporão sobre: I – a denominação, os fins e a sede da entidade; II – os requisitos para a admissão e exclusão dos seus associados; III – os direitos e deveres dos associados; IV – a forma da eleição, posse, substituição e destituição dos membros de diretorias, conselho fiscal e ouvidoria; V – os requisitos mínimos para nomeação aos cargos e funções no âmbito da entidade; VI – as atribuições e prerrogativas dos diretores, dos conselheiros e do ouvidor; VII – a convocação, a competência e o funcionamento da assembléia geral, prevista, no mínimo, uma assembléia anual, a realizar-se nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social; VIII – as fontes de recursos para sua manutenção, observado o disposto pelo CNSP; IX – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos; X – as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução da entidade; e XI – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. §1o É vedada às entidades qualquer atividade relacionada com autorregulação não especificada no respectivo estatuto social. §2o As alterações dos estatutos sociais, que tenham por objeto a autorregulação, dependem, para vigorar, de prévia aprovação da SUSEP. CAPÍTULO IV DOS ASSOCIADOS Art. 6o O quadro social das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem poderá ser composto exclusivamente por membros do mercado de corretagem e por entidades que representem legalmente seus interesses. Art. 7o As entidades autorreguladoras não poderão recusar a inscrição em seus quadros a membro do mercado de corretagem, ressalvado quando tenha cometido, nos últimos cinco anos, crime ou infração, administrativa ou estatutária, passível de expulsão nos termos do respectivo estatuto. §1o A qualidade de associado de entidade autorreguladora e os direitos inerentes são intransmissíveis, inclusive aos herdeiros. §2o A exclusão compulsória de associado da entidade só será admissível mediante justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa, nos termos previstos no estatuto. ANEXO 5 155 §3o O associado excluído da entidade, de forma voluntária ou compulsória, não fará jus à quota parte ou, de qualquer forma, à divisão do patrimônio da entidade. Art. 8o Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na legislação ou no estatuto. CAPÍTULO V DA ASSEMBLÉIA GERAL Art. 9o Compete à assembléia geral, no que concerne à autorregulação, dentre outras funções previstas no estatuto: I – eleger e destituir os dirigentes; II – aprovar as contas da entidade, após manifestação do Conselho Fiscal; e III – alterar o estatuto. §1o Para as deliberações a que se refere este artigo, a assembléia será convocada especialmente para esse fim, cujo quorum será o estabelecido no estatuto. §2o O edital de convocação das assembléias gerais das entidades autorreguladoras, juntamente com a proposta da administração, quando houver, devem ser enviados à SUSEP concomitantemente à sua divulgação. CAPÍTULO VI DA ESTRUTURA ORGÂNICA Art. 10. As entidades autorreguladoras serão constituídas de estrutura organizacional que contenha, no mínimo, Diretoria Administrativa, Diretoria de Fiscalização, Diretoria de Julgamentos, Conselho Fiscal e Ouvidoria, cujas formas e atribuições deverão estar definidas no respectivo estatuto social. Parágrafo único. A instância recursal das entidades autorreguladoras será composta por ao menos um representante dos consumidores do mercado de corretagem, indicado por entidade incumbida da proteção e defesa dos consumidores, na forma prevista no estatuto. Art. 11. Os diretores, conselheiros e ouvidor devem ser pessoas naturais com reputação ilibada, qualificação e capacidade técnica necessárias à assunção das responsabilidades inerentes às respectivas funções. §1o Os mandatos relativos aos cargos e funções previstos neste artigo terão duração máxima de quatro anos, permitida uma recondução. §2o São impeditivas da eleição de diretores, conselheiros e ouvidor e a contratação de empregado, encarregados de atividades relacionadas à autorregulação: I – a condenação por crime doloso; II – a condenação, no âmbito da SUSEP, das demais entidades públicas supervisoras ou de entidade autorreguladora, às sanções de suspensão de atividade, cancelamento de registro ou inabilitação profissional; e III – a prestação de declarações falsas, inexatas ou omissas, quando, pela sua extensão ou conteúdo, se mostrarem relevantes para aferição do disposto no caput deste artigo. §3o Os diretores, conselheiros e ouvidor, encarregados de atividades relacionadas à autorregulação, que não atendam, por fato superveniente ou desconhecido à época da aprovação de seu nome, os requisitos exigidos para a função, devem ser imediatamente destituídos, comunicando-seo fato à SUSEP. §4o Fica vedada a contratação de pessoa, natural ou jurídica, na condição de empregado ou prestador de serviços, que tenha relação de parentesco, por afinidade, em linha reta ou colateral, até terceiro grau, com quaisquer dos diretores, conselheiros ou do ouvidor, encarregados de atividades relacionadas à autorregulação. Art. 12. As entidades autorreguladoras poderão, mediante prévia autorização da SUSEP, celebrar e manter acordos, contratos e instrumentos congêneres com outras entidades, com o objetivo de executar, aprimorar ou complementar atividades finalísticas relacionadas à autorregulação. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL156 CAPÍTULO VII DOS RECURSOS E RECEITAS Art. 13. Os recursos e receitas das entidades, destinados aos investimentos e ao custeio das suas atividades de autorregulação, serão constituídos de doações, contribuições, emolumentos, comissões, multas e quaisquer outras fontes previstas no estatuto. CAPÍTULO VIII DA EXTINÇÃO Art. 14. As entidades autorreguladoras do mercado de corretagem só poderão ser extintas ou deixar de executar as atividades de autorregulação mediante cumprimento de todas as suas obrigações e conclusão de todos os seus trabalhos em curso, conforme estabelecido em seu estatuto social e pela SUSEP, ressalvada a hipótese de transferência de suas atribuições a entidade autorreguladora autorizada a funcionar. Art. 15. Cessadas as atividades de autorregulação, na forma do artigo anterior, os bens e recursos remanescentes a estas vinculados serão destinados a outra entidade autorreguladora ou à SUSEP. CAPÍTULO IX DOS PRINCÍPIOS E DEVERES Art. 16. As entidades autorreguladoras observarão, dentre outros, os princípios da boa-fé objetiva, da ampla defesa, do contraditório, do devido processo legal, da economia processual, da razoabilidade, da proporcionalidade e os valores da urbanidade e da lealdade profissional, tendo como referência as regras processuais estabelecidas pelo CNSP e pela SUSEP. Art. 17. As entidades autorreguladoras deverão: I – aprovar Código de Ética que contenha normas de conduta que disponham sobre as obrigações, restrições e impedimentos na atuação dos seus associados, dirigentes e contratados, prevendo sanções para a hipótese de seu descumprimento; II – promover o aperfeiçoamento profissional dos seus associados e zelar pela observância da legislação, em especial pelo respeito aos direitos do consumidor; III – manter equilíbrio entre seus interesses, os da categoria e os interesses públicos a que devem atender, como responsáveis pela promoção de boas práticas e pela autorregulação no mercado de corretagem; IV – fiscalizar, processar, julgar e aplicar sanções aos seus membros associados pelo descumprimento das normas de conduta, por ela voluntariamente estabelecidas e também àquelas previstas na legislação, praticadas por seus membros associados, observando os princípios e regras processuais aplicáveis; (Inciso alterado pela Resolução CNSP no 251/2012) V – colaborar com a fiscalização e a instrução de inquéritos e processos sancionadores no âmbito da SUSEP; VI – observar as orientações e se submeter às regras e à supervisão da SUSEP; VII – apresentar relatórios detalhados de suas atividades à SUSEP, com o conteúdo e a periodicidade por ela estabelecidos, dos quais deverão constar, no mínimo, os procedimentos de fiscalização realizados e os processos sancionadores abertos e concluídos no período, com os respectivos resultados; VIII – disponibilizar à SUSEP, sempre que solicitado, o acesso a todos os documentos, informações, processos, ativos ou não, livros contábeis, atos societários, entre outros, bem como o acesso a arquivos, instalações e sistemas de informática; IX – informar ou alertar a SUSEP acerca das infrações e processos sancionadores, devidamente identificados, com risco de prescrição administrativa da pretensão punitiva, no âmbito do mercado de corretagem; e X – informar, imediatamente, ao Ministério Público e à SUSEP sobre indícios de crime no âmbito do mercado de corretagem. Art. 18. Aplicam-se às entidades autorreguladoras e aos respectivos diretores, conselheiros, ouvidor e seus contratados, por violação aos deveres previstos nesta Resolução e à legislação federal, por dolo ou erro grosseiro, ação ou omissão, as seguintes penalidades: I – advertência; II – multa, de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais); ANEXO 5 157 III – suspensão do exercício de atividades ou de profissão relacionada a autorregulação, pelo prazo de trinta dias até 180 (cento e oitenta dias); e IV – inabilitação, pelo prazo de 2 (dois) a 10 (dez) anos, para o exercício de cargo ou função no serviço público ou em empresas públicas, sociedades de economia mista e respectivas subsidiárias, entidades de previdência complementar, sociedade de capitalização, instituições financeiras, sociedades seguradoras e resseguradoras. §1o As penalidades previstas neste artigo poderão, sempre que couber e de forma fundamentada, ser aplicadas cumulativamente. §2o Não há infração quando o descumprimento de norma ocorrer por motivo de caso fortuito ou força maior devidamente comprovado. §3o Constatada a ausência de má-fé, a SUSEP, considerando a gravidade da infração e os antecedentes do infrator, poderá deixar de aplicar sanção, quando, a seu juízo, concluir que uma recomendação ao agente ou à entidade supervisionada seja suficiente ao atendimento dos objetivos da regulação. CAPÍTULO X DO PODER DISCIPLINAR Art. 19. As entidades autorreguladoras editarão normas de conduta profissional e associativa, obrigatórias exclusivamente aos seus associados, dirigentes e empregados. Art. 20. As entidades autorreguladoras, na condição de órgãos auxiliares da SUSEP, fiscalizarão, processarão, julgarão e aplicarão sanções por infrações a normas de conduta, por ela voluntariamente estabelecidas e também àquelas previstas na legislação, praticadas por seus membros associados no que tange à observância da legislação, em especial das normas administrativas editadas pelo CNSP e pela SUSEP. (Artigo alterado pela Resolução CNSP no 251/2012) Parágrafo único. A abertura de processo sancionador por entidade autorreguladora fixa a competência para julgamento dos fatos em relação às demais. Art. 21. As entidades autorreguladoras fiscalizarão, processarão, julgarão e aplicarão sanções por infrações a seus membros associados por violação a normas de conduta, por elas voluntariamente estabelecidas, à legislação e os condenarão, se for o caso, às penas de multa, suspensão do exercício de atividade ou profissão ou de cancelamento de registro. (Artigo alterado pela Resolução CNSP no 251/2012) §1o Constatada a ausência de má-fé, as entidades autorreguladoras, considerando a gravidade da infração e os antecedentes do infrator, poderão deixar de aplicar sanção quando concluir que uma recomendação ao membro associado seja suficiente ao atendimento dos objetivos da regulação. (Parágrafo alterado pela Resolução CNSP no 251/2012) §2o Da decisão condenatória caberá recurso no âmbito da própria entidade autorreguladora, sendo irrecorrível à SUSEP ou ao Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, de Capitalização e de Previdência Complementar Aberta – CRSNSP. §3o A condenação no âmbito da autorregulação será considerada para fins de antecedentes e, quando definitiva, para caracterização da reincidência. §4o Os valores recolhidos a título de multa, na forma deste artigo, constituem receita originária das entidades autorreguladoras. §5o Caberá exclusivamente à SUSEP a implementação ou a execução das decisões condenatórias que tenham por objeto as sanções de suspensão do exercício de atividade ou profissão e de cancelamento de registro. Art. 22. As sociedades corretoras, pessoas naturais e jurídicas, seguradoras, resseguradoras, de capitalizaçãoe previdência complementar aberta deverão colaborar com as entidades autorreguladoras, informando-lhes sobre atos praticados por seus membros associados que supostamente violem as normas de conduta profissional, por elas voluntariamente estabelecidas, a legislação, bem como fornecendo documentos e subsídios úteis à sua apuração. (Artigo alterado pela Resolução CNSP no 251/2012) LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL158 CAPÍTULO XI DAS COMPETÊNCIAS DA SUSEP Art. 23. Cabe à SUSEP: I – aprovar o Estatuto, o Código de Ética e quaisquer regras de conduta estabelecidas por entidade autorreguladora, podendo recusar aprovação ou exigir-lhe a alteração quando os considere insuficientes ou inadequados para o bom funcionamento do mercado de corretagem ou contrários à legislação; II – autorizar o funcionamento de entidades autorreguladoras na condição de suas auxiliares, bem como alterar a abrangência das autorizações concedidas ou mesmo revogá-las, de acordo com critérios de conveniência e oportunidade, em decisão devidamente fundamentada; III – estabelecer o âmbito de atuação das entidades autorreguladoras e dirimir eventuais conflitos de competência; IV – encaminhar às entidades autorreguladoras denúncia, reclamação ou notícia sobre fatos relacionados a seus membros associados, dirigentes e empregados que supostamente violem as suas normas de conduta profissional e a legislação, em especial as normas do CNSP e da SUSEP. (Inciso alterado pela Resolução CNSP no 251/2012) V – fiscalizar, processar, julgar e punir as entidades autorreguladoras, bem como seus diretores, conselheiros, ouvidor e contratados, por violação aos deveres previstos nesta resolução e na legislação; e VI – determinar, em caráter preventivo, o imediato afastamento de diretor, conselheiro, ouvidor ou de contratado por entidade, no que tange às atividades relacionadas à autorregulação, quando houver indício de cometimento de infração incompatível com o exercício da função para a qual tenha sido eleito, nomeado ou contratado, até o prazo de cento e vinte dias contados da apresentação da defesa, após o que poderá ser reintegrado em suas funções, salvo se houver decisão condenatória recorrível. Art. 24. A tramitação de processo e a aplicação de sanção no âmbito de entidade autorreguladora não excluem a atuação da SUSEP, que poderá abrir processo próprio sobre o mesmo fato sempre que considerar moroso o processamento ou entender insuficiente ou inadequada a decisão proferida no âmbito da autorregulação. §1o A SUSEP poderá anular, de ofício, as decisões proferidas na autorregulação sempre que entender violados os direitos ao devido processo legal, ao contraditório ou à ampla defesa ou quando a sanção aplicada for manifestamente inadequada ou desproporcional. §2o Ao julgar processo sancionador que tenha por objeto violação às normas do mercado de corretagem, a SUSEP considerará, para fins de dosimetria da pena e em atenção ao princípio da proporcionalidade, as sanções aplicadas no âmbito da autorregulação. CAPÍTULO XII DA CELEBRAÇÃO DE CONVÊNIOS Art. 25. A SUSEP poderá celebrar e manter convênios, termos de cooperação, acordos ou outros instrumentos congêneres com entidades autorreguladoras, especialmente quando relacionados com a concessão de inscrição, registro e recadastramento periódico, bem como a fiscalização e o julgamento de membros associados às entidades autorreguladoras. (Artigo alterado pela Resolução CNSP no 251/2012) CAPÍTULO XIII DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 26. Os atos normativos, as deliberações administrativas e as decisões proferidas no âmbito dos processos sancionadores por entidades autorreguladoras do mercado de corretagem devem ser publicados no respectivo boletim oficial, o qual será disponibilizado na sua página na internet. Art. 27. Fica a SUSEP autorizada a expedir normas que sejam necessárias à complementação do disposto nesta Resolução. Art. 28. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário. Rio de Janeiro, 1o de abril de 2011. PAULO DOS SANTOS Superintendente da Superintendência de Seguros Privados ** Norma consolidada em maio de 2012. ANEXO 6 159 RESOLUÇÃO CNSP No 243, 6 DE DEZEMBRO DE 2011 Anexo 6 Dispõe sobre sanções administrativas no âmbito das atividades de seguro, cosseguro, resseguro, retrocessão, capitalização, previdência complementar aberta, de corretagem e auditoria independente; disciplina o inquérito e o processo administrativo sancionador no âmbito da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP e das entidades autorreguladoras do mercado de corretagem e dá outras providências. A SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS – SUSEP, na forma da Resolução CNSP No 229, de 27 de dezembro de 2010, e considerando o que consta do Processo CNSP No 5/2011, na origem, e Processo SUSEP no 15414.003478/2011-68, torna público que o CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS – CNSP, em sessão ordinária realizada em 29 de novembro de 2011, tendo em vista o disposto no § 3o do art. 21, no inciso II do art. 32, na alínea “h” do art. 36, nos arts. 108 a 121 e 128 do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966; nos incisos VII e XII do art. 34, nos arts. 90 a 99 e 110 do Decreto no 60.459, de 13 de março de 1967; nos §§ 1o e 2o do art. 3o e art. 4o do Decreto-Lei no 261, de 28 de fevereiro de 1967; no art. 5o, § 6o, da Lei no 7.347, de 24 de julho de 1985; nos arts. 9o a 12 da Lei no 9.613, de 3 de março de 1998; na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999; na Lei Complementar no 109, de 29 de maio de 2001; na Lei Complementar no 126, de 15 de janeiro de 2007; e na Lei Complementar no 137, de 26 de agosto de 2010, RESOLVEU: CAPÍTULO I DA ABRANGÊNCIA DA NORMA Art. 1o Esta Resolução dispõe sobre sanções administrativas aplicáveis às pessoas naturais ou jurídicas por infrações relativas à legislação concernente às atividades de seguro, cosseguro, resseguro, retrocessão, capitalização, previdência complementar aberta, corretagem e de auditoria independente e disciplina o inquérito administrativo e o processo administrativo sancionador no âmbito da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP. Parágrafo único. O disposto nesta Resolução também se aplica às entidades autorreguladoras do mercado de corretagem, aos liquidantes, aos estipulantes de seguros, aos representantes de seguros e aos distribuidores de título de capitalização. (Parágrafo alterado pela Resolução CNSP no 331, de 2015). LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL160 CAPÍTULO II DAS ESPÉCIES DE SANÇÕES ADMINISTRATIVAS Art. 2o A prática das infrações previstas nesta Resolução sujeitará a pessoa natural ou jurídica responsável às seguintes sanções administrativas: I – advertência; II – multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais); III – multa no valor igual à importância segurada ou ressegurada, no caso das operações de seguro, cosseguro ou resseguro sem autorização; IV – suspensão do exercício de atividade ou profissão abrangida por esta Resolução, pelo prazo de trinta dias até cento e oitenta dias; V – inabilitação para o exercício de cargo ou função no serviço público ou em empresa pública, sociedades de economia mista e respectivas subsidiárias, entidades de previdência complementar, sociedade de capitalização, instituições financeiras, sociedades seguradoras e resseguradoras, pelo prazo de dois a dez anos; e VI – cancelamento de registro de corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica. § 1o Ao corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica, são aplicáveis as penalidades previstas nos incisos II, IV e VI do caput deste artigo, sem prejuízo daquelas estabelecidas no âmbito da autorregulação. § 2o As sanções previstas neste artigo poderão, sempre que couber e de forma fundamentada, ser aplicadas cumulativamente. § 3o Não há infração quando o descumprimentode norma ocorrer por motivo de caso fortuito ou força maior devidamente comprovado. § 4o Não comprovado o dolo, o órgão encarregado pelo julgamento dos processos sancionadores no âmbito da SUSEP, considerando a gravidade da infração e os antecedentes do infrator, poderá deixar de aplicar sanção prevista nesta Resolução quando, a seu juízo, concluir que uma recomendação ao agente supervisionado seja suficiente ao atendimento dos objetivos da regulação setorial, hipótese na qual dará ciência ao órgão que instaurou o procedimento apuratório. § 4o-A O órgão encarregado pela instauração do processo sancionador poderá, emitindo decisão circunstanciada, deixar de instaurá-lo quando verificar que todas as consequências da conduta supostamente infracional já foram sanadas, não tendo sido verificado dano direto a consumidor, nem mesmo provisório, e, simultaneamente, avaliar que a conduta não acarretou prejuízo ao atendimento dos objetivos da regulação setorial. (Parágrafo acrescentado pela Resolução CNSP no 331, de 2015) § 5o Para efeito do disposto neste artigo, a Susep poderá considerar como agente responsável pela suposta infração, no caso de pessoa natural, na medida de sua culpabilidade, o titular de cargo ou função de presidente, diretor, administrador, conselheiro de administração ou fiscal, contador, atuário, analista, gestor de ativos, auditor, gerente ou assemelhado, corretor responsável, bem como qualquer outro que, comprovadamente, concorra para a prática da infração, ou deixe de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la. (Parágrafo alterado pela Resolução CNSP no 331, de 2015) § 5o-A Para efeito do disposto neste artigo, a Susep poderá considerar como agente responsável pela suposta infração, no caso de pessoa jurídica, as sociedades supervisionadas e as que atuem direta ou indiretamente vinculadas às atividades supervisionadas pela Susep, incluindo as que atuem sem a sua autorização. (Parágrafo acrescentado pela Resolução CNSP no 331, de 2015) § 6o Para efeito do disposto no inciso III deste artigo, a importância segurada ou ressegurada poderá ser arbitrada, por estimativa, pela SUSEP, sempre que a fiscalização não tiver acesso à contabilidade ou, ainda, nela verificar omissão ou adulteração; ANEXO 6 161 § 7o Sem prejuízo das sanções administrativas cabíveis, os diretores, administradores, gerentes e fiscais das sociedades seguradoras, resseguradoras, de capitalização e de previdência complementar que atuem sem autorização da SUSEP responderão solidariamente com a pessoa jurídica pelos prejuízos causados a terceiros. Art. 3o A pena de advertência poderá ser aplicada quando a infração, relacionada às atividades de seguro, cosseguro, resseguro, retrocessão, previdência complementar aberta, capitalização, auditoria independente ou de autorregulação do mercado de corretagem, for, a juízo da SUSEP, de menor gravidade, desde que o infrator não seja reincidente. Art. 4o A multa administrativa será aplicada, de acordo com os limites e critérios indicados nesta Resolução, sempre que, a juízo da SUSEP, a aplicação exclusiva da pena de advertência for inadequada ou insuficiente para cumprir com os objetivos da repressão e da prevenção da pena. § 1o A pena de multa será aplicada à pessoa natural ou jurídica responsável pela infração. (Parágrafo alterado pela Resolução CNSP no 293/2013) § 1o A – (Revogado pela Resolução CNSP no 331, de 2015) § 1o B – As sociedades supervisionadas respondem solidariamente pela multa às pessoas naturais, assegurado o direito de regresso. (Parágrafo incluído pela Resolução CNSP no 293/2013) § 2o A multa de que trata o inciso III do artigo 2o será imputada solidariamente aos agentes infratores envolvidos, assim entendidos a pessoa jurídica e seus dirigentes. § 3o As multas deverão ser pagas no prazo de trinta dias, contados a partir da data de recebimento da intimação, por meio da Guia de Recolhimento da União – GRU e, quando não forem recolhidas no prazo, serão atualizadas monetariamente e sofrerão os acréscimos previstos no art. 30 e art. 37-A da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, combinado com os artigos 389 e 486 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, bem como os encargos previstos no art. 1o do Decreto-Lei no 1.025, de 21 de outubro de 1969. § 4o É facultado ao interessado pagar a multa com desconto de até 25% (vinte e cinco por cento), com redução limitada ao valor mínimo previsto em lei, desde que renuncie ao direito de recorrer e efetue o pagamento dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados da intimação da decisão condenatória. (Parágrafo alterado pela Resolução CNSP no 331, de 2015) § 5o O não pagamento da multa no prazo previsto nesta Resolução acarretará a inscrição do correspondente crédito na Dívida Ativa da SUSEP e no Cadastro de Inadimplentes – CADIN, sem prejuízo de sua inscrição nos demais cadastros de inadimplentes. Art. 5o A pena de suspensão do exercício de atividade ou de profissão, pelo período mínimo de trinta dias e máximo de cento e oitenta dias, será aplicada nas infrações graves, que gerem efetivo prejuízo à entidade ou a terceiros, sempre que o infrator for considerado reincidente ou, ainda, quando não der cumprimento à determinação da SUSEP. Parágrafo único. A sanção administrativa de suspensão temporária do exercício da profissão quando aplicada ao corretor de seguros pessoa natural ou jurídica, que não mantiver atualizado perante a Susep seus atos constitutivos e endereço, bem como quando não comunicar qualquer outra alteração relativa a sua atividade, perdurará enquanto a irregularidade não for sanada, não se aplicando os prazos de que trata o caput. (Parágrafo incluído pela Resolução CNSP no 293/2013) LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL162 Art. 6o A pena de inabilitação, pelo período mínimo de dois e máximo de dez anos, será aplicada à pessoa natural que tiver sido punida com pena de suspensão nos últimos cinco anos por infração da mesma natureza ou, em qualquer caso, sempre que a infração cometida também for capitulada como crime ou, ainda, quando o infrator tiver sofrido condenação criminal, com transito em julgado, por ato praticado no exercício da profissão. § 1o Aplica-se a pena prevista neste artigo àquele que realizar operação de previdência complementar aberta sem autorização da SUSEP. § 2o Nas hipóteses de infração de “lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores, a inabilitação temporária será aplicada quando for verificada infração grave ou quando ocorrer reincidência específica, devidamente caracterizada em transgressões anteriormente punidas com multa. Art. 7o A pena de cancelamento de registro será aplicada ao corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica, que tenha sido, nos últimos cinco anos, condenado à pena de suspensão por infração da mesma natureza ou quando a infração cometida também for capitulada como crime ou, ainda, quando o infrator tiver sofrido condenação criminal, com transito em julgado, por ato praticado no exercício da profissão. Parágrafo único. A SUSEP não concederá novo registro ao corretor de seguros, pessoa natural ou jurídica, penalizado na forma do caput deste artigo, durante o prazo de cinco anos, contados da data do cancelamento do registro. Art. 8o Nas hipóteses de infração de “lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores, a pena de cassação da autorização para operação ou funcionamento será aplicada àquele que tenha sido, nos últimos cinco anos, condenado à pena de inabilitação decorrente da prática de infração de “lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores. Parágrafo único. A SUSEP não concederá nova autorização àquele que foi penalizado na forma do caput deste artigo, durante o prazo de cinco anos, contados da data da cassação da autorização para operação ou funcionamento. CAPÍTULO III DOS CRITÉRIOS DE APLICAÇÃO DAS SANÇÕES Art. 9oNa gradação das sanções administrativas serão consideradas, de forma sucessiva: I – as sanções administrativas cabíveis dentro dos limites mínimos e máximos previstos nesta Resolução; II – as circunstâncias administrativas da infração; e III – as circunstâncias agravantes e atenuantes. Parágrafo único. Ressalvada a hipótese de condenação pelo exercício de atividade não autorizada pela SUSEP, nenhuma pena de multa será superior ao valor máximo de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Seção I Das Circunstâncias Administrativas Art. 10. A autoridade julgadora, considerando a gravidade da infração e seus efeitos, a capacidade econômica do infrator e antecedentes, bem como ganho obtido com o ato ilícito, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para a reprovação e a prevenção do ilícito administrativo, dentro dos limites previstos, a sanção administrativa aplicável. § 1o Na aplicação de sanção à pessoa natural, além de observar os parâmetros expostos no caput deste artigo, a autoridade julgadora atentará para a sua culpabilidade, considerando para tanto, quando for o caso, as suas funções e responsabilidades no âmbito ou em relação à pessoa jurídica à qual esteja vinculada. ANEXO 6 163 § 2o A incidência das circunstâncias administrativas dispostas neste artigo não poderá conduzir a aumento do valor de multa ou prazo de suspensão ou de inabilitação superior a cinqüenta por cento da diferença entre o valor mínimo e máximo previstos para a respectiva infração. Seção II Das Circunstâncias Agravantes Art. 11. São circunstâncias que agravam a sanção administrativa: I – ter o infrator obtido vantagem indevida ou dissimulado a natureza ilícita da infração; II – ter a infração ocorrida em detrimento de menor de dezoito, maior de sessenta anos ou de pessoa portadora de deficiência física, mental ou sensorial, interditada ou não; e III – deixar o infrator de atender a recomendação da SUSEP para tomar providências que evitem ou mitiguem as conseqüências da infração. § 1o Cada circunstância agravante implicará o acréscimo máximo de vinte por cento da diferença entre os limites mínimos e máximos previstos para a respectiva sanção. Seção III Das Circunstâncias Atenuantes Art. 12. São circunstâncias que atenuam a sanção administrativa: I – ter o infrator utilizado, na tentativa de resolução de conflito de interesses, de ouvidoria ou de sistema similar reconhecido pela SUSEP; II – ter o infrator evitado ou mitigado as conseqüências da infração, até o julgamento do processo em primeira instância; e III – a confissão da infração. Parágrafo único. Cada circunstância atenuante implicará a redução de até vinte por cento, limitada ao mínimo previsto nesta Resolução para a respectiva infração, da diferença entre os limites máximo e mínimo previstos na sanção. Seção IV Da Infração Continuada Art. 13. Considera-se infração continuada aquela em que o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica duas ou mais infrações da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhanças, devam as subseqüentes ser havidas como continuação da primeira, para efeito de aplicação da pena. Parágrafo único. Configurada a natureza de continuidade das infrações, aplicar-se-á a pena de uma só das infrações, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços. Seção V Da Reincidência Art. 14. Verifica-se a reincidência quando o infrator comete nova infração, da mesma natureza, no período de três anos subseqüente à decisão condenatória administrativa definitiva. Parágrafo único. Em caso de reincidência, a multa será agravada até o dobro. LEGISLAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PROFISSIONAL164 CAPÍTULO IV DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE Art. 15. Extingue-se a punibilidade: I – pela morte do infrator; II – pela prescrição administrativa; ou III – pela retroatividade de lei que deixe de considerar determinada conduta como infração. Art. 16. Prescreve em cinco anos, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que houver cessado, a ação punitiva objetivando apurar infração à legislação. § 1o Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. § 2o Interrompe-se a prescrição: I – pela intimação do acusado, inclusive por meio de edital; II – por qualquer ato inequívoco que importe apuração do fato; III – pela decisão condenatória recorrível; ou IV – por qualquer ato inequívoco que importe em manifestação expressa de tentativa de solução conciliatória no âmbito interno da administração pública federal. § 3o Considera-se infração permanente aquela cuja execução se prolonga no tempo, terminando somente quando cessa a conduta descrita no tipo sancionador. CAPÍTULO V DAS INFRAÇÕES E SANÇÕES APLICÁVEIS Seção I Das Operações sem Autorização Art. 17. Realizar operação de seguro, cosseguro, resseguro ou capitalização sem a devida autorização, no País ou no exterior. Sanção: multa no valor igual à importância segurada ou ressegurada. No caso de capitalização, ao capital nominal contratado. Art. 18. Realizar atividade de corretagem, de auditoria ou de previdência complementar aberta sem a devida autorização. Sanção: multa de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil) a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Seção II Das Infrações Contábeis Art. 19. Não escriturar as operações nos livros e registros da contabilidade, com atualidade ou fidedignidade, nos termos da legislação. Sanção: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). Art. 20. Não manter na matriz e nas filiais, sucursais, agências e representações os registros exigidos, com escrituração completa das operações realizadas, em conformidade com a legislação. Sanção: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais). Parágrafo único. Incorre, também, na sanção aquele que: I – não mantiver conta corrente exclusiva de intermediação de resseguro; ou II – não mantiver conta em moeda estrangeira, quando obrigatória, ou utilizá-la em desacordo com a legislação. ANEXO 6 165 Seção III Das Infrações Societárias Art. 21. Não enviar à SUSEP, no prazo e na forma previstos na legislação, documentos referentes a nomeações de administradores, assembléias-gerais e a modificações na diretoria, no conselho de administração, no conselho fiscal ou assemelhado, bem como balanços, demonstrações financeiras e demais documentos que lhe forem solicitados. Sanção: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais). Parágrafo único. Incorre, também, na sanção prevista neste artigo a entidade aberta de previdência complementar que não enviar, em adição ao disposto no caput deste artigo, a documentação pertinente às reuniões de conselhos deliberativos, nomeações de diretores, conselheiros fiscais, conselheiros deliberativos, conselheiros consultivos ou assemelhados, modificações do conselho deliberativo, conselho consultivo ou assemelhado. Art. 22. Não manter atualizadas, perante a SUSEP, informações sobre a instalação ou alteração de filiais, sucursais, agências ou representações, seus atos constitutivos ou não comunicar qualquer alteração relativa a sua atividade. Sanção: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais). Art. 23. Não realizar assembléia geral ordinária no prazo fixado pela legislação. Sanção: multa de R$ 10.000,00 (dez mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais). Art. 24. Não promover, no prazo previsto, o arquivamento de ata de assembléia-geral no registro do comércio, bem como a publicação desse registro.