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19a edição
Rio de Janeiro
2017
DIREITO
DO SEGURO
É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de partes dele,
sob quaisquer formas ou meios, sem permissão expressa da Escola.
REALIZAÇÃO
 Escola Nacional de Seguros
SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO METODOLÓGICA
 Diretoria de Ensino Técnico
ASSESSORIA TÉCNICA
 Jonas Stipp de Andrade – 2016/2017
 Aluizio José Bastos Barbosa Junior – 2015
CAPA
 Coordenadoria de Comunicação Social
DIAGRAMAÇÃO
 Info Action Editoração Eletrônica
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da FUNENSEG
E73d Escola Nacional de Seguros. Diretoria de Ensino Técnico.
 Direito do seguro/Supervisão e coordenação metodológica da Diretoria de Ensino Técnico; 
assessoria técnica de Jonas Stipp de Andrade. – 19. ed. – Rio de Janeiro: ENS, 2017.
 104 p.; 28 cm
 1. Seguro e direito. I. Andrade, Jonas Stipp de. II. Título. 
0016-1776 CDU 368:347(072)
A Escola Nacional de Seguros promove, desde 1971, diversas iniciativas no âmbito educacional, que contribuem para um mercado de seguros, previdência complementar, capitalização 
e resseguro cada vez mais qualificado. 
Principal provedora de serviços voltados à educação continuada, para 
profissionais que atuam nessa área, a Escola Nacional de Seguros 
oferece a você a oportunidade de compartilhar conhecimento e 
experiências com uma equipe formada por especialistas que possuem 
sólida trajetória acadêmica.
A qualidade do nosso ensino, aliada à sua dedicação, é o caminho 
para o sucesso nesse mercado, no qual as mudanças são constantes 
e a competitividade é cada vez maior. 
Seja bem-vindo à Escola Nacional de Seguros.
DIREITO DO SEGURO4
SUMÁRIO 5
Sumário
2
1 DIREITO E O SEGURO NO BRASIL: NOÇÕES 9
Breves Noções sobre o Direito 11
O que É o Direito 11
Direito Objetivo e Subjetivo 12
Direito Público e Privado 12
Fontes do Direito 13
A Constituição Federal de 1988 14
As Normas Infraconstitucionais 14
O Seguro no Brasil 15
Generalidades sobre o Seguro 15
Fixando Conceitos 1 17
O CONTRATO DE SEGURO 19
Conceito Legal do Contrato de Seguro 21
Elementos do Contrato de Seguro 21
Risco 21
Interesse Segurável 22
Garantia 22
Prêmio 23
Empresarialidade 23
Partes do Contrato de Seguro 24
Proponente 24
Segurado 24
Seguradora 24
Beneficiário 24
Estipulante 24
Obrigações das Partes 25
Pagamento do Prêmio 25
Concessão da Garantia 26
Principais Características do Contrato de Seguro 28
Bilateral 28
Oneroso 28
Aleatório 29
Solene 29
Consensual 29
Nominado 29
Adesão 29
Instrumentos Contratuais 30
Proposta 30
Apólice 32
Endosso ou Aditivo 34
Averbação 34
Bilhete 34
Fixando Conceitos 2 35
DIREITO DO SEGURO6
3 O SEGURO E O CÓDIGO CIVIL 37
Considerações Iniciais 39
Disposições Comuns aos Seguros de Danos e de Pessoas 39
Riscos Predeterminados 39
Boa-Fé na Conclusão e na Execução do Contrato de Seguro 39
Efeitos do Descumprimento do Dever de Informação que Influi na Aceitação da Proposta 
ou na Tarifação do Prêmio 41
Ato Doloso do Segurado, do Beneficiário ou do Representante de um Deles 42
Agravamento do Risco 43
Contratação por Meio de Agente Autorizado da Seguradora 44
Renovação Automática 45
Mora do Segurado 45
Mora da Seguradora 47
Importância do Aviso de Sinistro 48
Aplicação Subsidiária do Código Civil aos Seguros Regidos por Leis Específicas 48
Disposições Relativas aos Seguros de Danos 49
Transferência do Contrato de Seguro a Terceiro 49
Rateio Proporcional 50
Novo Seguro sobre Mesmo Interesse Segurável e Mesmo Risco 51
Sub-Rogação 52
Seguro de Responsabilidade Civil 53
Disposições Relativas aos Seguros de Pessoas 54
Fixação do Capital Segurado e Contratação de Mais de um Seguro sobre o Mesmo Interesse 54
Instituição do(a) Companheiro(a) como Beneficiário(a) 55
Seguro sobre a Vida de Terceiro 56
Indicação e Substituição do Beneficiário 57
Efeitos da Não Indicação de Beneficiário ou da Invalidade (Parcial ou Total) da Cláusula Beneficiária 58
Transação para Pagamento Reduzido do Capital Segurado 59
Suicídio 59
Vedação à Exclusão de Certos Riscos 60
Sub-Rogação 60
Seguro Coletivo 61
A Exceção Contida no Artigo 802 do Código Civil 62
Prescrição 62
Prescrição do Segurado Contra a Seguradora no Seguro de Responsabilidade Civil 63
Prescrição do Segurado Contra a Seguradora nos Demais Seguros 64
Prescrição do Segurado em Grupo 65
Prescrição do Beneficiário 65
Prescrição do Terceiro Contra a Seguradora no Seguro de Responsabilidade Civil Obrigatório 66
Aviso de Sinistro como Causa Suspensiva da Prescrição 67
Fixando Conceitos 3 69
SUMÁRIO 7
4 O CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR 71
Origem e Objetivos 73
Conceito de Consumidor 73
Enquadramento da Atividade Securitária como Serviço 74
Vulnerabilidade e Hipossuficiência do Consumidor 75
Direitos Básicos do Consumidor 76
Direito à Informação 76
Direito à Proteção Contra a Publicidade Enganosa e Abusiva 77
Direito à Facilitação da Defesa dos Direitos, Inclusive com a Inversão do Ônus da Prova 78
Garantia de Cognoscibilidade 78
Responsabilidade Objetiva do Fornecedor pelo Fato do Serviço 79
Responsabilidade Subjetiva do Prestador de Serviço Profissional Liberal 81
Prescrição para a Ação de Responsabilidade Civil pelo Fato do Serviço 81
Desconsideração da Personalidade Jurídica 82
Oferta 82
Recusa do Fornecedor em Cumprir a Oferta 83
Solidariedade 84
Práticas Abusivas 84
Venda Casada 84
Seguro Não Solicitado 85
Comercialização de Seguro cujo Contrato Não Tenha Sido Submetido à Aprovação 
da SUSEP ou Esteja em Desacordo com as Normas Regulamentares 85
Prazo para Cumprimento da Obrigação 86
Cobrança de Dívida já Paga 86
Cláusulas Abusivas 87
Contrato de Adesão 87
Fixando Conceitos 4 89
TESTANDO CONHECIMENTOS 91
ESTUDOS DE CASO 97
GABARITO 99
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 101
DIREITO DO SEGURO8
UNIDADE 1 9
DIREITO E O SEGURO 
NO BRASIL: NOÇÕES11
Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:
• Saber o que é o Direito e quais são as suas principais fontes.
• Conhecer a estrutura do ordenamento jurídico brasileiro.
• Compreender a importância da Constituição Federal de 1988.
• Identificar e distinguir as normas infraconstitucionais.
• Entender como o seguro surgiu no Brasil.
DIREITO DO SEGURO10
UNIDADE 1 11
 BREVES NOÇÕES SOBRE O 
DIREITO
 O que É o Direito
O Direito nasceu junto com a civilização, sob a forma de costumes que se 
tornaram obrigatórios. Por mais que mergulhemos no passado, sempre 
encontraremos o Direito, ainda que em estágio rudimentar, regulando as 
relações humanas. É que os homens, obrigados ao convívio, labutando uns 
ao lado dos outros, carecem de certas regras de conduta, de um mínimo 
de ordem e direção. 
Essas regras de procedimento, disciplinadoras da vida em sociedade, 
recebem o nome do Direito. 
O Direito é uma ciência social que tem por objeto o estudo das normas 
jurídicas, de seus elementos, de seus atributos, de sua interpretação e 
aplicação. São as normas jurídicas que regulam as situações entre os sujeitos 
e são capazes de assegurar a convivência e a paz social.
A vida em sociedade seria impossível sem a existência de um certo 
número de normas reguladoras do procedimento dos homens, por estes 
mesmos julgadas obrigatórias, e acompanhadas de punições para os seus 
transgressores. É a punição que torna a norma respeitada. A coação, ou 
possibilidade de constranger o indivíduo à observância da norma, torna-se 
inseparável do Direito.
O Direito é, também, um fenômeno social, pois surge, essencialmente, 
das relações sociais intersubjetivas, a exemplo do que ocorre com outros 
fenômenos sociais, como a religião e a política, entre outros.
O chamado Direito Positivo (ou Direito escrito) consiste num conjunto ordenado 
e sistemático de normas jurídicas obrigatórias que o Estado, fazendo uso de 
suas competências,impõe à sociedade.
As normas jurídicas possuem, portanto, um caráter coercitivo, ou seja, não 
estão sujeitas ao livre-arbítrio da vontade individual. Regem condutas essenciais 
para o convívio social, o bem coletivo, o equilíbrio das relações humanas e a 
manutenção da ordem. Dividem-se em regras e princípios.
As regras impõem, permitem ou proíbem uma conduta de forma imperativa. 
Um exemplo de regra está no inciso I do artigo 162 do Código de Trânsito 
Brasileiro (CTB – Lei no 9.503, de 23/09/1997), que trata das infrações de trânsito 
e prevê que dirigir veículo “sem possuir Carteira Nacional de Habilitação ou 
Permissão para Dirigir” constitui infração gravíssima, sujeitando o infrator a 
multa e apreensão do veículo.
Os princípios enunciam valores ou abrigam direitos, mas não qualificam 
juridicamente as condutas. Pode ser citado, como exemplo, o princípio da 
dignidade da pessoa humana, presente no artigo 1o, III, da Constituição Federal 
de 1988. Este princípio trata do respeito à identidade e à integridade de todo 
e qualquer ser humano.
DIREITO DO SEGURO12
 Direito Objetivo e Subjetivo
A palavra direito tem diferentes sentidos ou acepções, tornando-se praticamente 
impossível reuni-las numa única fórmula significativa. As mais importantes são 
traduzidas pelas expressões direito objetivo e direito subjetivo.
O Direito objetivo designa o Direito enquanto regra de ação, isto é, o conjunto 
de regras vigentes num determinado momento para reger as relações humanas, 
que são impostas, coativamente, à obediência de todos. Temos como exemplo 
o Código Civil, o Código Penal ou a Lei do Inquilinato.
O Direito subjetivo, a seu turno, encerra o poder de ação derivado da 
norma, isto é, a faculdade ou prerrogativa de o indivíduo invocar a lei em seu 
interesse. Assim, ao direito subjetivo de uma pessoa corresponde sempre o 
dever de outra, que, se não o cumprir, poderá ser compelida a observá-lo 
através de medidas judiciais. Desta forma, se um inquilino não paga o aluguel, 
o proprietário tem o direito subjetivo de promover o despejo.
 Direito Público e Privado
O Direito pode ser dividido em dois ramos básicos: Direito Público e Direito 
Privado. Esta famosa classificação do Direito já era, de certa forma, conhecida 
na antiga Roma. 
O Direito público disciplina os interesses gerais da coletividade e se caracteriza 
pela imperatividade de suas normas, que não podem nunca ser afastadas 
por convenção dos particulares. Já o Direito Privado versa sobre as relações 
dos indivíduos entre si, tendo na supletividade de seus preceitos a nota 
característica, isto é, vigora apenas enquanto a vontade dos interessados não 
disponha de modo diferente que o previsto pelo legislador.
Desta forma, ocorre que: 
• Direito Público – regula os interesses predominantes da sociedade, 
considerada como um todo. Nas relações de Direito Público, o Estado 
participa como sujeito ativo (titular do poder jurídico) ou como sujeito 
passivo (destinatário do dever jurídico), mas sempre como órgão da 
sociedade e, portanto, sem perder a posição de supremacia ou poder 
de império. Exemplos: cobrança de impostos, ação criminal, matéria 
constitucional, entre outros.
• Direito Privado – regula as relações entre particulares. Nas relações jurídicas 
de Direito Privado, o Estado pode participar como sujeito ativo ou passivo, 
em regime de coordenação com os particulares, isto é, dispensando sua 
supremacia ou poder de império. Exemplos: contrato de seguro, locação 
de bens, cobrança de dívidas, casamento, entre outros.
UNIDADE 1 13
 Fontes do Direito
As fontes do Direito são a sua origem primária e, também, o seu modo de 
expressão. A palavra fonte deriva do latim fons, fontis, que significa nascente, 
designando tudo o que origina ou produz algo. A expressão fontes do Direito, 
portanto, encerra uma metáfora para indicar a própria gênese do Direito, ou 
seja, os meios pelos quais se formam as regras jurídicas.
As principais fontes do Direito são as seguintes:
• lei – é a norma jurídica escrita, comum e obrigatória, emanada pelo Poder 
competente e provida de sanção (força coercitiva). A expressão “lei”, 
portanto, abrange toda e qualquer norma jurídica, esteja ela inserida na 
Constituição, em lei complementar, lei ordinária, decreto ou regulamento, 
entre outros;
• costume – as leis escritas não compreendem todo o Direito. Há normas 
costumeiras, também chamadas consuetudinárias, que obrigam, 
igualmente, ainda que não constem de preceitos aprovados por órgãos 
competentes. Quando o caso concreto não se enquadra em qualquer 
norma jurídica existente no ordenamento, esta omissão legislativa exige 
que o juiz dê a sentença com base nos costumes. O costume pode ser 
entendido como a “norma jurídica que resulta de uma prática geral, 
constante e prolongada, observada com a convicção de que é juridicamente 
obrigatória”;
• doutrina – é o resultado do estudo de pensadores (juristas e filósofos) 
sobre o Direito, expresso em livros, pareceres e outros trabalhos. A doutrina 
desempenha o papel de guia para o julgador e de subsídio e orientação 
para o legislador; e
• jurisprudência – é o conjunto de reiteradas decisões dos tribunais 
sobre determinada matéria. A interpretação e a aplicação das normas 
jurídicas pelos tribunais repetidas vezes sobre um mesmo assunto 
tendem a criar precedentes que poderão ser invocados pelas partes e 
aplicados pelos juízes a casos análogos. Pode haver decisões conflitantes 
dentro do mesmo tribunal até que a questão seja pacificada, o que em 
nada desnatura o valor das decisões proferidas pelo Poder Judiciário. 
O entendimento predominante sobre determinada matéria num tribunal 
pode ser pacificado por meio da chamada “súmula”, a qual, no entanto, 
não é imperativa.1
1 A única exceção é feita à chamada “Súmula Vinculante”, que versa exclusivamente 
sobre matéria constitucional e somente pode ser emitida pelo Supremo Tribunal 
Federal, devendo, necessariamente, ser observada pelos outros tribunais. Ressalte-se a 
Súmula Vinculante 32: “O ICMS não incide sobre alienação de salvados de sinistro pelas 
seguradoras”.
DIREITO DO SEGURO14
 A Constituição Federal de 1988
O ordenamento jurídico brasileiro é composto por inúmeras normas jurídicas, 
e a Constituição Federal de 1988 ocupa o ponto mais elevado de todo o 
sistema. Ela é a lei fundamental ou magna. 
“A Constituição deve ser entendida como a lei fundamental e suprema 
de um Estado, que contém normas referentes à estruturação do Estado, 
à formação dos poderes políticos, forma de governo e aquisição do 
poder de governar, distribuição de competências, direito, garantias e 
deveres dos cidadãos. Além disso, é a Constituição que individualiza 
os órgãos competentes para a edição de normas jurídicas, legislativas 
ou administrativas.”
(SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo).
Uma vez que a Constituição Federal é a lei fundamental e suprema do Estado 
brasileiro, é nela que está o fundamento de toda autoridade, e somente ela 
confere poderes e competências governamentais. Além disso, as normas que 
integram o ordenamento jurídico brasileiro somente serão válidas quando o 
seu conteúdo estiver em conformidade com as normas constitucionais.
A Constituição Federal pode ser objeto de alteração através de emenda, 
com a finalidade de se adaptar às modificações da sociedade e do Estado. 
São leis constitucionais que modificam parcialmente a Constituição. 
As Emendas à Constituição assumem o vértice da pirâmide do processo 
legislativo, demonstrando não somente a superioridade hierárquica, mas 
também a necessidade premente da adequação das normas jurídicas à 
evolução social. 
A emenda é promulgada pela mesa da Câmara dos Deputados e do Senado 
Federal, sendo necessário, para tal, a aprovação por 3/5 dos membros de 
ambas as Casas Legislativas emduas sessões.
Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir a 
forma federativa de Estado; o voto direito, secreto, universal e periódico; a 
separação dos poderes; os direitos e garantias individuais.
 As Normas Infraconstitucionais
Abaixo da Constituição Federal estão todas as outras normas jurídicas, também 
chamadas de normas infraconstitucionais. 
Não há, entre os juristas, um consenso acerca da existência ou não de uma 
hierarquia entre as normas infraconstitucionais. Para fins meramente didáticos, 
consideraremos essa hierarquia, com base no artigo 59 da Constituição Federal 
de 1988:
• lei complementar – tem a finalidade de dispor sobre matérias que lhe 
são reservadas pela Constituição Federal, as quais, em sua maioria, são 
previstas em normas constitucionais de eficácia limitada ou reduzida. 
Sua edição depende de quórum privilegiado e maioria absoluta;
UNIDADE 1 15
• lei ordinária – elaborada pelo Poder Legislativo em sua função típica de 
legislar. Sua edição pode ocorrer por quórum simples, presente a maioria 
absoluta dos membros do Congresso Nacional. Para ser elaborada, 
passa a lei ordinária pelas seguintes fases: iniciativa, aprovação, sanção, 
promulgação e publicação;
• lei delegada – é aquela elaborada pelo Poder Executivo por delegação 
do Poder Legislativo. Refletem, sem dúvida, a contemporânea tendência 
do Direito Público quanto à admissibilidade de o Legislativo delegar 
ao Presidente da República poderes para elaboração de leis em casos 
expressos. Comparam-se às leis ordinárias, pelas quais podem ser alteradas 
ou revogadas;
• medida provisória – é emanada pelo Poder Executivo, com força de lei 
e validade por 60 dias, prorrogáveis uma única vez por igual período. 
Assim, a vigência máxima das medidas provisórias é de 120 dias. 
Tais normas devem ser, nesse prazo, apreciadas pelo Poder Legislativo, 
a fim de serem transformadas em lei ordinária ou revogadas. A medida 
provisória não apreciada pelo Poder Legislativo em 120 dias perde sua 
eficácia por decurso de prazo; e
• decreto e resolução – normas que regulamentam disposições previstas em 
lei. Ambos são redigidos por autoridades administrativas competentes.
É importante destacar que, antes da Constituição de 1988, havia a figura do 
decreto-lei, que era o ato normativo emitido unicamente pelo chefe do Poder 
Executivo, sem a necessidade de referendo do Congresso.
Com a atual Constituição, essa figura foi extinta. Contudo, aqueles decretos-lei 
cujo conteúdo não contraria a atual Constituição Federal permanecem válidos 
e são tidos como recepcionados constitucionalmente.
 O SEGURO NO BRASIL
 Generalidades sobre o Seguro
A expectativa do acontecimento de determinados riscos tornou praticamente 
imperativa uma atitude de constante prevenção, que veio a ser conhecida 
como previdência. 
No curso da história da civilização, várias técnicas de proteção social da pessoa 
humana contra eventuais contingências foram concebidas, mas nenhuma delas 
se mostra tão eficiente quanto o seguro, que, diante da incerteza sobre o que 
o futuro nos reserva, da precariedade da vida humana e da indefinição sobre a 
sua duração, bem como da possibilidade de destruição dos bens materiais que 
possuímos, surgiu para proporcionar a cobertura de determinados riscos.
O mutualismo constitui a base do seguro. Sem a cooperação de uma 
coletividade, seria impossível para cada indivíduo suportar os prejuízos 
isoladamente. 
Curiosidade
O incremento da atividade seguradora 
no Brasil ocorreu na mesma época da 
abertura dos portos para o comércio 
internacional por ato de D. João VI, que, 
em 1808, autorizou o funcionamento da 
primeira companhia seguradora brasileira, 
a Companhia de Seguros Boa-Fé, com 
sede na Bahia.
DIREITO DO SEGURO16
O auxílio de muitos para suprir as necessidades de poucos ameniza as 
consequências danosas e fortalece o grupo. É o amadurecimento do conceito 
de solidariedade. Diz Pedro Alvim:
“O seguro nasceu, portanto, de uma necessidade econômica, provocada 
pela instabilidade das coisas humanas. A partir daí nasce a finalidade 
primordial do seguro, a sua feição mais característica: a previdência.” 
(ALVIM, Pedro. O contrato de seguro)
O mesmo autor nos ensina que a previdência nada mais é do que a 
“fonte de inspiração de todos os processos imaginados para prevenir 
ou suavizar os efeitos negativos do risco para o patrimônio, a saúde 
ou a própria vida”. 
O contrato de seguro surgiu para formalizar as relações entre o segurado, a 
seguradora e, ainda em outros casos, também entre esses e outras figuras 
como o estipulante e o beneficiário.
FIXANDO CONCEITOS 1 17
Anotações:
Fixando Conceitos 1
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
[1] O Direito é caracterizado por um conjunto de regras obrigatórias 
chamadas:
(a) Normas jurídicas. 
(b) Condutas legais.
(c) Normas morais.
(d) Fenômenos sociológicos.
(e) Sanções.
[2] O conjunto de repetidas decisões judiciais dos tribunais sobre certa 
matéria, criando precedentes que podem ser aplicados a casos semelhantes, 
denomina-se:
(a) Doutrina.
(b) Costume.
(c) Subjetiva.
(d) Lei.
(e) Jurisprudência.
[3] A Constituição Federal somente pode ser alterada por meio de:
(a) Decreto. 
(b) Lei ordinária.
(c) Emenda.
(d) Lei delegada.
(e) Medida provisória.
DIREITO DO SEGURO18
Anotações:
Fixando Conceitos 1
[4] É correto definir o Direito como sendo: 
(a) O ato de elaborar leis pelo Congresso Nacional. 
(b) O conjunto de reiteradas decisões dos Tribunais sobre determinada 
matéria.
(c) Um complexo de normas reguladoras da conduta humana com força 
coercitiva. 
(d) Um conjunto normativo advindo do Congresso Nacional devidamente 
sancionado pelo Presidente da República. 
(e) O uso geral ou a prática reiterada de determinada conduta, de maneira 
uniforme e constante, pelos membros da comunidade.
[5] A norma legal infraconstitucional emanada pelo Poder Executivo, com 
Anotações: força de lei e validade por 60 dias, prorrogável uma única vez por 
igual período, é o(a):
(a) Lei complementar. 
(b) Constituição Federal.
(c) Medida provisória.
(d) Lei ordinária.
(e) Decreto.
[6] O Direito é um(a):
(a) Ciência humana. 
(b) Ciência social.
(c) Ciência exata.
(d) Conjunto de regras morais.
(e) Lei.
UNIDADE 2 19
O CONTRATO 
DE SEGURO22
Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:
• Entender o que é o contrato de seguro e identificar seus elementos, suas partes, seus instrumentos 
e suas principais características.
• Compreender as obrigações dos contratantes.
• Distinguir as garantias concedidas nos Seguros de Danos e de Pessoas.
DIREITO DO SEGURO20
UNIDADE 2 21
 CONCEITO LEGAL DO CONTRATO 
DE SEGURO
O artigo 757 do Código Civil busca conceituar o contrato de seguro, permitindo 
identificar os principais elementos que o compõem:
“Art. 757. Pelo contrato de seguro o segurador se obriga, mediante 
o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, 
relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados.
Parágrafo único. Somente pode ser parte, no contrato de seguro, como 
segurador, entidade para tal fim legalmente autorizada.”
Inicialmente, estudaremos os cinco elementos que compõem o contrato 
de seguro. 
Em seguida, identificaremos quem são as partes que integram do contrato e 
trataremos das obrigações dessas partes. 
Depois, conheceremos as principais características desse contrato, bem como 
seus principais instrumentos.
 ELEMENTOS DO CONTRATO 
DE SEGURO
O contrato de seguro é constituído de cinco elementos: o risco, o interesse 
segurável, a garantia, o prêmio e a empresarialidade.
 Risco
O risco é a causa do contrato de seguro, já que o proponente recorre à 
seguradora com a finalidade de reduzir ou eliminar as consequências negativas 
que possamser experimentadas em razão de sua ocorrência.
O risco deve ser um evento possível, futuro, incerto ou de data incerta, e que 
não depende somente da vontade das partes.
A possibilidade significa que o risco deve ser algo sujeito a se manifestar no 
plano físico. 
O risco deve ser futuro, porque o seguro, via de regra, não admite a cobertura 
de eventos verificados antes da celebração do contrato. 
O Código Civil prevê que a seguradora que, ao tempo do contrato, sabe 
estar passado o risco de que o segurado se pretende cobrir e, apesar disso, 
chega a expedir a apólice pagará em dobro o prêmio estipulado (artigo 773). 
Estabelece, ainda, que não se inclui na garantia o sinistro provocado por vício 
intrínseco da coisa segurada quando não declarado pelo segurado (artigo 784). 
Portanto, somente como exceção prevista em lei se pode admitir a cobertura 
de riscos já decorridos quando da celebração do contrato de seguro. 
DIREITO DO SEGURO22
Acrescente-se que a noção de risco está claramente vinculada à de interesse 
segurável ou segurado, já que é necessário que o proponente/segurado tenha 
interesse legítimo em minorar ou eliminar as perdas que possam advir pela 
verificação do risco.
O contrato de seguro deve especificar claramente os riscos cobertos, indicando, 
para isso, as coberturas (garantias) contratadas. Também os riscos excluídos 
(coberturas ou garantias) não contratados devem, igualmente, aparecer em 
destaque. 
A obrigação da seguradora somente abrange aqueles riscos expressamente 
contratados, que devem ser limitados e particularizados nas condições 
(cláusulas) do contrato de seguro, não se obrigando por outros (artigos 757 
e 760 do Código Civil).
Nos Seguros de Danos, o risco compreenderá todos os prejuízos resultantes ou 
consequentes das providências adotadas pelo segurado para evitar o sinistro, 
minorar o dano ou salvar a coisa (artigo 779 do Código Civil).
 Interesse Segurável
O interesse segurável é o objeto do contrato de seguro, pois é sobre ele que 
recai a garantia. 
Pela “teoria da necessidade”, é indispensável que aquele que propõe a 
contratação do seguro tenha interesse concreto – o qual deve ser sempre 
legítimo e, em alguns casos, também econômico – em prevenir os danos ou 
perdas que possam afetar o bem sobre o qual recai o risco. 
Nos Seguros de Pessoas, todavia, o Código Civil admite que o interesse seja 
presumido em certos casos (art. 790, parágrafo único, do Código Civil).
O interesse não é uma coisa, mas, sim, a relação existente entre o segurado 
e a coisa ou pessoa sujeita ao risco. 
Embora não coincida com a própria coisa a ser segurada, o interesse deve 
corresponder a um bem que esteja exposto a risco, ou seja, que possa 
desaparecer ou deteriorar-se (como é o caso, por exemplo, de mercadorias 
transportadas), perder-se, extinguir-se ou sofrer limitações (a exemplo do 
que ocorre com a vida e as faculdades humanas), ou, até mesmo, a um fato que 
pode não se realizar (como ocorre, por exemplo, nos seguros de crédito ou 
de garantia de obrigações contratuais).
 Garantia
É o terceiro elemento do contrato e consiste na obrigação da seguradora com 
relação à proteção do interesse legítimo do segurado: ela deve assegurá-la. 
O limite dessa garantia deve estar previsto no contrato, na forma do artigo 
760 do Código Civil. A prestação que corresponde à garantia somente deve 
ser entregue se o segurado não estiver em mora (atraso) no pagamento do 
prêmio quando ocorrer um sinistro coberto.
UNIDADE 2 23
 Prêmio
O prêmio é o quarto elemento do contrato de seguro e consiste na obrigação 
daquele que contrata o seguro para fazer jus à garantia que pretende obter 
da seguradora.
Para fixação do prêmio, além de serem considerados o risco, a importância 
segurada e a duração do seguro, são utilizados, também, elementos estatísticos 
e financeiros.
A seguradora, ao aceitar a proposta de seguro, leva em conta as informações 
prestadas pelo proponente para definir a taxa do prêmio, que considera, 
portanto, apenas os riscos e as coberturas que a seguradora pretende 
assumir.
A falta de seu pagamento nas condições legais e contratualmente estabelecidas 
gera a perda do valor segurado, na forma do artigo 763 do Código Civil. 
Entretanto, a aplicação desse dispositivo deve ser feita com muito cuidado, 
pois há situações excepcionais em que o inadimplemento do prêmio não 
acarretará a perda do direito à indenização ou capital segurado.
O prêmio pode ser classificado como:
• contributário – quando pago exclusivamente pelo segurado.
 Exemplo: seguro contratado por uma empresa para seus empregados, 
sendo que a totalidade do prêmio é paga pelos empregados;
• parcialmente contributário – quando pago pelo segurado e pelo 
estipulante na proporção que for ajustada.
 Exemplo: seguro contratado por uma empresa para seus contratados, sendo 
parte do prêmio paga pelos funcionários e parte pela empresa; e
• não contributário – quando o segurado não tem responsabilidade ou o 
ônus do pagamento.
 Exemplo: seguro contratado por uma empresa para seus empregados, 
sendo a totalidade do prêmio paga pela empresa.
 Empresarialidade
Trata-se do quinto elemento do contrato. Significa que a seguradora deve ser, 
necessariamente, uma entidade legalmente autorizada a exercer a atividade 
seguradora, ou seja, deve ser uma pessoa jurídica (art. 757, parágrafo único, 
do Código Civil).
O artigo 24 do Decreto-Lei no 73/66 já se referia a esse elemento ao colocá-lo 
como condição para o exercício da atividade securitária no país, prevendo 
que somente podem operar em seguros privados as sociedades anônimas e 
as cooperativas. 
O mesmo decreto-lei aponta as sociedades seguradoras como integrantes 
do Sistema de Seguros Privados, disciplinando a forma da autorização para o 
seu funcionamento, estabelecendo critérios para suas operações e fixando o 
regime de sua fiscalização e liquidação.
DIREITO DO SEGURO24
 PARTES DO CONTRATO DE SEGURO
 Proponente
É o titular do interesse legítimo segurável, relativo a pessoa ou coisa. 
Deve ser plenamente capaz de exercer os atos da vida civil para que possa 
assinar a proposta de seguro, sob pena de nulidade ou anulabilidade. 
O proponente pode acumular a condição de segurado, de beneficiário e de 
estipulante.
 Segurado
É a pessoa física ou jurídica sobre quem recai o risco. Pode, ou não, ser o 
proponente do seguro. Pode, também, acumular a condição de estipulante 
ou de beneficiário.
 Seguradora
É a empresa legalmente constituída sob a forma de sociedade anônima que 
concede a garantia.
 Beneficiário
É aquele em favor de quem se institui a garantia. Pode ser pessoa física ou 
jurídica. 
 Estipulante
É a pessoa física ou jurídica que contrata seguro por conta de terceiros, 
equiparando-se, por isso, ao segurado para efeito de celebração e 
de manutenção do contrato. Pode, eventualmente, acumular a condição de 
beneficiário. O estipulante representa os interesses do grupo segurado perante 
a seguradora.
De acordo com o artigo 2o da Resolução CNSP no 107, de 16/01/2004, é 
expressamente vedada a atuação, como estipulante ou subestipulante, 
de corretoras de seguros, bem como seus respectivos sócios, dirigentes, 
administradores, empregados, prepostos ou representantes, corretores 
autônomos, sociedades seguradoras, bem como seus dirigentes, administradores, 
empregados, prepostos ou representantes. A vedação não se aplica quando a 
estipulação, por tais pessoas, for feita na condição de empregadores em favor 
de seus empregados.
UNIDADE 2 25
 OBRIGAÇÕES DAS PARTES
A obrigação assumida por aquele que contrata o seguro é a de pagar o 
prêmio, e a obrigação assumida pela seguradora é a de conceder a garantia. 
Estudaremos essas obrigações, detalhadamente, a seguir.
 Pagamento do Prêmio
A obrigação de pagar o prêmio éassumida por aquele que contrata o seguro, 
ou seja, o proponente. 
Normalmente, essa obrigação incumbe ao segurado, já que, via de regra, o 
seguro é contratado pela própria pessoa sobre a qual recai o risco de que ela 
pretende se proteger por meio seguro. 
No entanto, há casos em que uma pessoa pode deter interesse legítimo 
em contratar seguro para proteção contra um risco que recai sobre outra 
pessoa ou sobre o patrimônio de outra pessoa. Nesse caso, a obrigação 
de pagar o prêmio é da pessoa que propôs a contratação do seguro e pode, 
eventualmente, acumular a condição de beneficiária.
Já nos seguros estipulados por uma pessoa física ou jurídica (e não 
importando se o seguro é totalmente contributário, parcialmente 
contributário ou não contributário), a obrigação de repassar o prêmio à 
seguradora é do estipulante, que representa o grupo segurado na forma 
do § 1o do artigo 801 do Código Civil.
O Código Civil trata da obrigação de pagamento do prêmio no artigo 763:
“Art. 763. Não terá direito a indenização o segurado que estiver em 
mora no pagamento do prêmio, se ocorrer o sinistro antes de sua 
purgação.”
Assim, em princípio, na hipótese de o sinistro ocorrer em uma data na qual o 
pagamento do prêmio não esteja em dia, segurado ou beneficiário não terão 
direito à indenização ou capital. 
Contudo, a interpretação e a aplicação desse artigo serão objeto, neste manual, 
de seção específica: “Mora do Segurado”.
É importante esclarecer que o fato de o risco não se verificar no curso da 
vigência da garantia não afasta a obrigação de pagamento do prêmio, a não 
ser que o contrário tenha sido ajustado entre as partes ou esteja previsto em 
lei especial. É o que estabelece o artigo 764 do Código Civil:
“Art. 764. Salvo disposição especial, o fato de se não ter verificado o 
risco, em previsão do qual se faz o seguro, não exime o segurado de 
pagar o prêmio.”
Tal dispositivo legal protege o segurador em função da própria natureza 
do negócio, tendo por resultado final a proteção do grupo segurado. 
Pelo princípio do mutualismo, mesmo que o risco não se verifique em 
razão do segurado, o prêmio servirá para indenizar outros segurados 
integrantes do grupo. Desta forma, não se justifica, em hipótese alguma, a 
recusa de seu pagamento ou devolução.
DIREITO DO SEGURO26
O artigo 758 do Código Civil prevê que o comprovante de pagamento do 
prêmio, na falta da apólice ou do bilhete, serve para provar a existência 
do contrato de seguro:
“Art. 758. O contrato de seguro prova-se com a exibição da apólice ou 
do bilhete do seguro, e, na falta deles, por documento comprobatório 
do pagamento do respectivo prêmio.”
Neste artigo, a lei aumenta a possibilidade do consumidor de provar a existência 
do contrato de seguro, além da apólice ou do bilhete, através de qualquer 
documento que comprove o pagamento do prêmio. 
Na realidade, a lei cria apenas uma presunção relativa de existência do contrato 
de seguro, que pode ser afastada por prova em contrário. Nesse sentido, a 
interpretação do artigo mencionado deve ser feita em conjunto com a Circular 
SUSEP no 251/04.
O artigo 8o dessa circular prevê que somente os contratos de seguro cujas 
propostas tenham sido recepcionadas com adiantamento de valor pelo 
proponente terão início de vigência a partir da recepção da proposta 
pela seguradora, com a exceção de algumas hipóteses citadas na mesma 
circular.
Nada impede, no entanto, que a seguradora prove que recusou a proposta, 
dentro dos prazos estabelecidos no artigo 2o da Circular SUSEP no 251/04, de 
que restituiu ao proponente, na forma do § 3o do artigo 8o, o valor do prêmio 
que havia sido pago e de que o sinistro ocorreu depois disso. 
Em se tratando de Seguros de Danos, a seguradora deverá comprovar, também, 
que o sinistro ocorreu depois do prazo mencionado no §2o do artigo 8o da 
Circular SUSEP no 251/04. Com isso, fica afastada a presunção de existência do 
contrato de seguro que decorre do comprovante do pagamento do prêmio.
A presunção de existência do contrato de seguro que decorre da exibição do 
comprovante do pagamento do prêmio pode ser afastada, ainda, no caso de a 
seguradora provar que o prêmio foi pago por meio de cheque não compensado.
 Concessão da Garantia
A obrigação que a seguradora assume no contrato de seguro consiste em 
conceder uma garantia em prazo e condições que serão estabelecidos pelas 
partes. Todavia, o Código Civil traz algumas disposições específicas sobre 
o tema.
 Garantia nos Seguros de Danos
Nos Seguros de Danos, a prestação que vai representar a concessão da garantia 
pela seguradora, no caso de um sinistro coberto, pode se caracterizar pelo 
pagamento de uma indenização ou pela reposição da coisa, se prevista no 
contrato:
“Art. 776. O segurador é obrigado a pagar em dinheiro o prejuízo resultante 
do risco assumido, salvo se convencionada a reposição da coisa.”
A prestação devida pela seguradora, na ocorrência de sinistro coberto, consiste, 
a rigor, no pagamento de determinado valor. 
UNIDADE 2 27
Excepcionalmente, o Código Civil autoriza a reposição da coisa segurada, 
possível apenas nos Seguros de Danos, desde que prevista em cláusula 
contratual. 
Quando o contrato de seguro for de adesão, a reposição da coisa, se prevista 
em cláusula contratual, deve contar com a concordância do segurado no 
momento da regulação.
O valor da garantia concedida pela seguradora, também, não pode 
ultrapassar o valor do interesse segurado no momento da celebração do 
contrato (“conclusão do contrato”), sob pena da perda do direito ao valor 
do seguro pelo segurado. É o que prevê o artigo 778 do Código Civil, que 
veda o chamado sobresseguro:
“Art. 778. Nos seguros de dano, a garantia prometida não pode 
ultrapassar o valor do interesse segurado no momento da conclusão 
do contrato, sob pena do disposto no art. 766, e sem prejuízo da ação 
penal que no caso couber.”
Tal fato vem corroborar a máxima de que o objetivo do seguro não é o de 
enriquecer o segurado, mas, sim, assegurar a reposição do interesse segurável 
ou uma compensação por sua avaria ou perda.
Essas vedações decorrem do chamado princípio indenitário, típico dos 
Seguros de Danos, que consiste na noção de que o segurado deve receber 
da seguradora indenização que permita a recomposição do estado anterior 
(status quo ante) do seu patrimônio. Portanto, o segurado não deve receber 
indenização superior ao seu efetivo prejuízo.
Existe uma exigência de caráter técnico que justifica tal medida. 
Trata-se do princípio do mutualismo, viabilizado através da aplicação da lei dos 
grandes números, determinando que cada componente do grupo efetue um 
pequeno pagamento. Tal contribuição é somada a centenas ou milhares de 
outras, objetivando a satisfação de prejuízos comuns a qualquer grupo. Portanto, 
não é possível o pagamento que exceda o valor dos prejuízos ocorridos.
Excepcionalmente, é admitida a contratação do seguro por um percentual 
estimado do valor do interesse segurável, permitindo um ajuste do valor 
da garantia para mais ou para menos. Nos Seguros de Automóveis, o 
valor da garantia pode ser fixado com base num percentual sobre o valor do 
bem calculado por uma determinada instituição. Exemplo disso são os Seguros 
de Automóveis cuja garantia pode ser fixada entre 90% e 110% da tabela 
divulgada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).
De acordo com o artigo 779 do Código Civil, a garantia deve, necessariamente, 
abranger os prejuízos que o segurado sofrer para evitar o sinistro, minorar o 
dano ou salvar a coisa:
“Art. 779. O risco do seguro compreenderá todos os prejuízos 
resultantes ou consequentes, como sejam os estragos ocasionados 
para evitar o sinistro, minorar o dano, ou salvar a coisa.”
Este artigo traça norma de natureza técnica, determinando a abrangência 
da cobertura. Assim, acobertura alcançará também os prejuízos oriundos 
das despesas no sentido de se evitar o sinistro, quando possível, ou reduzir a 
extensão do dano, já que o objetivo foi salvar a coisa. 
Finalmente, nos Seguros de Responsabilidade Civil, a garantia deve abranger 
as perdas e danos que o segurado causou a terceiro na forma do artigo 787 
do Código Civil, conforme será estudado oportunamente.
DIREITO DO SEGURO28
 Garantia nos Seguros de Pessoas
Nos Seguros de Pessoas, a prestação que representará o cumprimento da 
obrigação da seguradora corresponderá a um capital, fixado no contrato, cujo 
caráter não é indenizatório, mas meramente compensatório, já que a vida e 
as faculdades humanas são inapreciáveis economicamente.
O proponente tem a liberdade de fixar o valor da garantia e de contratar 
mais de um seguro sobre o mesmo interesse, com a mesma ou com mais 
de uma seguradora (artigo 789 do Código Civil). Todavia, o exercício desses 
direitos deve observar a boa-fé.
Nos Seguros de Pessoas, o capital segurado que representa a garantia não 
pode ser consumido pelas dívidas do beneficiário nem integrar o inventário do 
segurado falecido, por não constituir herança, conforme estabelece o artigo 
794 do Código Civil:
“Art. 794. No Seguro de Vida ou de Acidentes Pessoais para o caso 
de morte, o capital estipulado não está sujeito às dívidas do segurado, 
nem se considera herança para todos os efeitos de direito.”
Este artigo expressa a finalidade do seguro, sua importância e os valores a 
ele relativos. Determina que o capital segurado não responderá por dívidas, 
não sendo considerado herança. Fica aqui caracterizada a finalidade social do 
contrato de seguro, pois será o único valor, decorrente da morte do segurado, 
que o beneficiário receberá livre de qualquer desconto.
 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS 
DO CONTRATO DE SEGURO
No Direito Civil brasileiro, os contratos se classificam em: unilaterais ou 
bilaterais; onerosos ou gratuitos; comutativos ou aleatórios; nominados 
ou inominados; consensuais ou reais; solenes ou não solenes; e de adesão.
O contrato de seguro é classificado, por sua natureza jurídica, em: 
 Bilateral
O contrato de seguro é bilateral porque gera obrigações para ambas as partes. 
A obrigação da seguradora é de garantia, e a do proponente é de pagamento 
do prêmio. O não cumprimento (inadimplemento) da obrigação por uma 
das partes, ao menos como regra, impede que a mesma exija da outra o 
cumprimento da obrigação que lhe compete.
 Oneroso
O contrato de seguro é oneroso porque ambas as partes almejam um benefício. 
O proponente busca uma garantia, que se traduz na proteção de um interesse 
legítimo contra determinados riscos. A seguradora almeja o recebimento do 
prêmio com o qual formará o fundo comum destinado a saldar a prestação 
correspondente à garantia.
UNIDADE 2 29
 Aleatório
O contrato de seguro é aleatório porque não há correspectividade entre as 
prestações das partes, relacionadas às obrigações que assumiram. 
Quando da celebração do contrato, enquanto a seguradora tem a certeza 
de que receberá o prêmio do segurado, este último (ou o beneficiário por 
ele designado) não tem a certeza de que receberá a indenização ou capital 
segurado, pois tal prestação (que materializa a obrigação da seguradora) só 
se verificará na hipótese de ocorrer um sinistro coberto. 
 Solene
O contrato de seguro é solene porque o consentimento das partes deve ser 
dado na forma prescrita pela lei. 
Em geral, esse consentimento é manifestado de forma escrita: o proponente 
apresenta proposta em formulário impresso, preenchido e assinado, e a 
seguradora manifesta sua aceitação mediante a emissão do bilhete, certificado 
ou apólice.
O consentimento da seguradora no sentido de aceitar a proposta poderá, 
igualmente, prescindir da forma escrita. Isto ocorrerá quando a seguradora 
deixar decorrer, sem manifestação formal, o prazo estabelecido nas normas 
regulamentares para aceitar ou recusar a proposta. O decurso desse prazo 
sem manifestação da seguradora acarretará a aceitação.
 Consensual
Contratos consensuais são os que se formam com a simples anuência das 
partes, não se exigindo nenhuma outra formalidade. 
O contrato de seguro é consensual porque a manifestação de vontade de ambas 
as partes, no mesmo sentido, faz surgir o contrato. Assim, a apresentação da 
proposta pelo próprio segurado (ou um terceiro), somada à aceitação dela 
pela seguradora, configura o vínculo contratual. 
 Nominado
O contrato de seguro é nominado (ou típico) porque se trata de espécie de 
contrato regulamentada pela legislação.
 Adesão
O contrato de seguro é contrato de adesão, pois a seguradora, na maioria dos 
casos, redige unilateralmente as cláusulas e as submete à aprovação do órgão 
regulador competente, restando ao proponente aderir ao seu conteúdo. 
A exceção ocorre nos seguros de grandes riscos, nos quais as partes, em razão 
da complexidade do risco e do envolvimento econômico do interesse segurável, 
discutem e ajustam conjunta e previamente as cláusulas contratuais.
DIREITO DO SEGURO30
 INSTRUMENTOS CONTRATUAIS
 Proposta
É o instrumento pelo qual o proponente manifesta, perante a seguradora, 
a sua vontade de contratar o seguro. Nesse documento, o proponente deve 
descrever o mais detalhadamente possível o interesse segurável e os riscos a 
que está sujeito, conforme estabelece o artigo 759 do Código Civil:
“Art. 759. A emissão da apólice deverá ser precedida de proposta 
escrita com a declaração dos elementos essenciais do interesse a ser 
garantido e do risco.”
As informações constantes da proposta, sejam aquelas previamente impressas 
no formulário pela seguradora, sejam aquelas prestadas pelo proponente, 
integram o contrato de seguro. 
A proposta é um instrumento poderoso para a adequada seleção de risco 
pelo segurador, pois pode ser acompanhada de questionário de avaliação de 
risco. Nos Seguros de Automóveis, por exemplo, o questionário de avaliação 
de risco é conhecido como “perfil”. Nos Seguros de Pessoas, o questionário 
de avaliação de risco é chamado de “declaração de saúde e atividade”.
A proposta não precisa, necessariamente, ser assinada pelo proponente. 
Pode ser assinada pelo corretor de seguros ou pelo representante legal 
do proponente, conforme o artigo 13 da Lei no 4.594/64, o artigo 9o do 
Decreto-Lei no 73/66 e o artigo 1o da Circular SUSEP no 251/04:
Lei no 4.594/64:
“Art. 13. Só ao corretor de seguros devidamente habilitado nos 
termos desta lei e que houver assinado a proposta deverão ser pagas 
as corretagens admitidas para cada modalidade de seguro, pelas 
respectivas tarifas, inclusive em caso de ajustamento de prêmios.”
Decreto-Lei no 73/66:
“Art. 9o. Os seguros serão contratados mediante propostas assinadas 
pelo segurado, seu representante legal ou por corretor habilitado, 
com emissão das respectivas apólices, ressalvado o disposto no artigo 
seguinte.”
Circular SUSEP no 251/04:
“Art. 1o. A celebração ou alteração do contrato de seguro somente 
poderá ser feita mediante proposta assinada pelo proponente, seu 
representante legal ou por corretor de seguros habilitado, exceto 
quando a contratação se der por meio de bilhete.” (Redação publicada 
no D.O.U., S.I., p.17, de 10/05/04)
Já o questionário de avaliação de riscos deve, necessariamente, ser preenchido 
e assinado pelo segurado, única pessoa capaz de prestar de forma verdadeira 
e completa as informações solicitadas pela seguradora por meio desse 
documento.
A Lei no 4.594/64 regula a profi ssão de 
corretor de seguros. Todo profissional 
que atue em corretagem de seguros deve 
conhecer essa lei. 
www.planalto.gov.br
Vale a pena ler 
na íntegra
Circular SUSEP no 251/04 – dispõe 
sobre a aceitação da proposta e sobre 
o início de vigência da cobertura 
nos contratos de segurose 
dá outras providências.
www.susep.org.br
UNIDADE 2 31
As declarações inexatas, se resultarem de má-fé do proponente, do corretor 
ou de seu representante legal, podem implicar a perda do direito ao valor 
do seguro, conforme o artigo 766 do Código Civil, dispositivo a ser estudado 
oportunamente.
A seguradora dispõe de um prazo específico para se manifestar sobre a 
proposta. O artigo 2o da Circular SUSEP no 251/04 aborda tal prazo, que é 
de 15 dias contados a partir da data do recebimento da proposta, seja para 
seguros novos ou renovações, bem como para alterações que impliquem 
modificação do risco. O § 5o daquele artigo reduz o prazo para sete dias 
quando se tratar de contrato de Seguro do Ramo Transportes, cuja cobertura 
se restrinja a uma viagem apenas.
O prazo para a seguradora se manifestar sobre a proposta admite suspensão 
na forma dos parágrafos 1o a 3o do mencionado artigo.
De acordo com o § 4o, ficará a critério da seguradora a decisão de informar, 
ou não, por escrito, ao proponente, ao seu representante legal ou ao corretor 
de seguros sobre a aceitação da proposta. Contudo, em se tratado de recusa, 
deve haver comunicação formal e justificada.
Decorrido o prazo para manifestação sem que a seguradora se manifeste, tal 
silêncio implicará a aceitação tácita, conforme se infere do § 6o do referido 
artigo, bem como do artigo 432 do Código Civil.
Com base nessas premissas, o artigo 4o da mesma circular define a data 
em que a proposta é considerada aceita:
Art. 4o. A data de aceitação da proposta será:
I – aquela em que a sociedade seguradora se manifestar expressamente, 
observados os prazos previstos no artigo 2o desta Circular;
II – a de término dos prazos previstos no artigo 2o desta Circular, em 
caso de ausência de manifestação formal, por parte da sociedade 
seguradora.
Os Seguros de Danos e os Seguros de Pessoas com cobertura de risco 
submetem-se a essa sistemática, uma vez que as Circulares SUSEP no 256/04 
e 302/05 não tratam do tema. 
É importante mencionar que os seguros contratados por meio de bilhete 
dispensam a proposta escrita, como, por exemplo, o Seguro DPVAT.
Entretanto, alguns cuidados devem ser tomados na contratação do seguro, 
sobretudo no que diz respeito aos negócios jurídicos. 
DIREITO DO SEGURO32
O contrato é um negócio jurídico e requer, para sua validade, a observância dos 
requisitos do artigo 104 do Código Civil: agente capaz; objeto lícito, possível, 
determinado ou determinável; e forma prescrita ou não defesa em lei. 
Sendo o contrato um negócio jurídico bilateral, a vontade das partes é, 
também, um requisito para sua validade. Para que a manifestação de vontade 
das partes seja válida, é indispensável que elas tenham capacidade de fato.
A capacidade de fato é a aptidão da pessoa para exercer seus direitos na vida 
civil por si mesma, sem necessidade de assistência ou de representação por 
um terceiro. 
Uma vez que o exercício dos direitos (capacidade de fato) pressupõe que a pessoa 
tenha consciência e vontade para tanto, a lei exige que o exercício dos direitos por 
determinadas pessoas se verifique com a observância de certas formalidades. 
Dispõe o artigo 5o do Código Civil Brasileiro: 
“Art. 5o. A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a 
pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil.”
Desta forma, as pessoas que firmarem a proposta, bem como os corretores 
de seguro, para exercerem suas atividades, deverão ser pessoas maiores e 
capazes. 
No tocante às pessoas jurídicas, a proposta de seguro deve ser assinada por 
quem tenha poderes para administrá-la (artigo 47 do Código Civil). 
Considerando que a contratação por pessoa jurídica de Direito Público dispensa 
a intermediação de corretor, interessa, para efeito deste estudo, a pessoa 
jurídica de Direito Privado.
Os atos constitutivos da pessoa jurídica de Direito Privado (contrato ou estatuto 
social) indicam quem são os seus administradores, estabelecendo os limites 
dos poderes que lhes são outorgados.
 Apólice
A apólice, a exemplo do bilhete, é emitida pela seguradora para formalizar a 
aceitação da proposta e, consequentemente, a contratação do seguro.
Por isso é que o artigo 758 do Código Civil prevê que a apólice é um dos meios 
de provar a existência do contrato de seguro:
“Art. 758. O contrato de seguro prova-se com a exibição da apólice ou 
do bilhete do seguro, e, na falta deles, por documento comprobatório 
do pagamento do respectivo prêmio.”
A existência da apólice de seguro, portanto, presume a existência do contrato 
de seguro e, por conseguinte, de garantia na vigência nela especificada. 
Contudo, essa presunção é relativa e pode ser afastada, por exemplo, no caso 
de a seguradora provar que o contrato de seguro foi cancelado antes do prazo 
previsto para término de sua vigência por determinado motivo.
UNIDADE 2 33
O artigo 760 do Código Civil estabelece que a apólice deve ser nominativa, 
à ordem ou ao portador: 
 
“Art. 760. A apólice ou o bilhete de seguro serão nominativos, à ordem 
ou ao portador, e mencionarão os riscos assumidos, o início e o fim de 
sua validade, o limite da garantia e o prêmio devido, e, quando for o 
caso, o nome do segurado e o do beneficiário.
Parágrafo único. No Seguro de Pessoas, a apólice ou o bilhete não 
podem ser ao portador.”
A apólice nominativa é aquela que contém o nome do segurado e, quando 
for o caso, do beneficiário por ele indicado.
A apólice à ordem contém o nome do segurado, e a cláusula à ordem permite 
que ela seja transferida pelo segurado a terceiro, mas somente pelo chamado 
endosso em preto, que é aquele datado e feito com assinatura do endossante 
e do endossatário (conforme o § 2o do art. 785 do Código Civil).
A apólice ao portador é aquela que confere os direitos por ela garantidos a 
quem a portar, ou seja, a possuir.
A emissão de uma apólice à ordem ou ao portador deve ser objeto de acordo 
entre o proponente e a seguradora. Se a apólice é emitida à ordem ou ao 
portador, a sua transmissão implica a transferência do crédito decorrente da 
garantia.
É importante observar que o artigo mencionado veda a emissão de apólices 
ou bilhetes ao portador nos Seguros de Pessoas.
O mesmo dispositivo prevê que a apólice deve conter informações essenciais: 
riscos assumidos; o início e o fim de sua validade; o limite da garantia e o prêmio 
devido; e, quando for o caso, o nome do segurado e o do beneficiário.
O artigo 761 do Código Civil deixa claro que, quando houver cosseguro, 
a apólice deverá conter as informações sobre ele e informar o nome da 
seguradora que administrará o contrato:
“Art. 761. Quando o risco for assumido em cosseguro, a apólice indicará 
o segurador que administrará o contrato e representará os demais, para 
todos os seus efeitos.”
O cosseguro é uma forma utilizada pelo segurador para a pulverização do 
risco que lhe foi transmitido pelo segurado. Sob a ótica do segurado, ele estará 
contratando com várias seguradoras ao mesmo tempo, ficando configurada 
a divisão de responsabilidades entre várias companhias. 
A apólice também deve estar acompanhada das suas condições, ou seja, das 
cláusulas que regem o contrato de seguro.
As condições de apólice se dividem em condições gerais, que se referem aos 
ramos de seguro; condições especiais, que se referem às modalidades do 
ramo; e condições particulares, que dispõem sobre ajustes específicos feitos 
entre segurado e seguradora. As condições particulares estão presentes, via 
de regra, nos seguros de médios e grandes riscos. 
Isto é básico
Verifica-se o cosseguro quando duas 
ou mais sociedades seguradoras, em 
determinada apólice e com a anuência do 
segurado, distribuem percentualmente o 
risco entre si. Cada seguradora responderá 
por sua cota-parte no pagamento da 
indenização securitária na proporçãodo 
risco que assumiu. 
DIREITO DO SEGURO34
Assim, as cláusulas das condições particulares prevalecem sobre as das 
condições especiais. As cláusulas das condições especiais, por sua vez, 
prevalecem sobre as cláusulas das condições gerais. 
As condições de apólice não devem contrariar as normas legais nem as 
regulamentares e precisam ser previamente aprovadas pelo órgão regulador 
competente.
 Endosso ou Aditivo
São instrumentos contratuais utilizados em função da necessidade de se 
modificarem dispositivos contratuais, de se acrescentarem dispositivos novos 
ou de se incluírem bens na cobertura.
O endosso ou aditivo é utilizado para formalizar modificações, correções ou 
acréscimos na apólice. Exemplos: substituição de um veículo segurado, aumento 
da importância segurada, alteração de um dado pessoal do segurado.
 Averbação
A averbação é o instrumento típico das apólices denominadas abertas ou de 
averbação e é usada para individualizar detalhes variáveis sobre o risco. 
Nos seguros de transportes, por exemplo, por meio da apólice aberta, o 
segurado faz as averbações dos embarques realizados, agilizando, deste modo, 
a contratação do seguro.
Pode ser provisória ou definitiva. 
 Bilhete
O artigo 10 do Decreto-Lei no 73/66 autoriza a contratação de seguros 
por simples emissão de bilhete mediante solicitação do interessado. 
Contudo, cabe ao Conselho Nacional de Seguros Privados, órgão encarregado 
de estabelecer a Política Nacional de Seguros Privados, regulamentar 
as hipóteses em que se admite a contratação de seguro por bilhete, 
padronizando as suas cláusulas e os impressos necessários:
“Art. 10. É autorizada a contratação de seguros por simples emissão 
de bilhete de seguro, mediante solicitação verbal do interessado. 
§ 1o O CNSP regulamentará os casos previstos neste artigo, padronizando 
as cláusulas e os impressos necessários.”
Exemplos de seguros contratados por bilhete: Danos Pessoais causados por 
Veículos Automotores Terrestres – DPVAT –, Acidente Pessoal Individual e 
Incêndio Residencial.
O bilhete, a exemplo da apólice, é emitido pela seguradora para formalizar 
a contratação do seguro. A principal diferença é que os seguros contratados 
por bilhete dispensam a apresentação de proposta, bem como a emissão 
de apólice.
O já citado artigo 758 do Código Civil prevê que o bilhete é um dos meios de 
provar a existência do contrato de seguro.
FIXANDO CONCEITOS 2 35
Fixando Conceitos 2
Anotações:
[1] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
A pessoa física ou jurídica que contrata um seguro por conta de terceiros 
é o(a):
(a) Beneficiário. 
(b) Estipulante.
(c) Ressegurador.
(d) Seguradora.
(e) Segurado.
[2] ANALISE SE AS PROPOSIÇÕES SÃO VERDADEIRAS OU FALSAS E DEPOIS 
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA:
( ) Nos Seguros de Danos, a garantia pode, excepcionalmente, consistir na 
reposição da coisa segurada.
( ) Nos Seguros de Danos, vigora a regra de que o valor da garantia 
concedida pode ultrapassar o valor do interesse segurado no momento 
da contratação.
( ) Nos Seguros de Pessoas, a garantia tem natureza indenizatória.
( ) Nos Seguros de Pessoas, o capital segurado constitui herança.
(a) V,F,V,F
(b) V,F,F,F
(c) F,V,F,V
(d) F,V,V,F
(e) F,V,V,V
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
[3] O instrumento no qual devem ser descritos para a seguradora o interesse 
segurável e o risco é o(a):
(a) Proposta. 
(b) Apólice.
(c) Endosso.
(d) Averbação.
(e) Bilhete.
DIREITO DO SEGURO36
Anotações:
Fixando Conceitos 2
[4] A pessoa sobre a qual recai o risco segurável é a (o):
(a) Seguradora. 
(b) Estipulante.
(c) Segurado.
(d) Beneficiário.
(e) Ressegurador.
[5] Pelo princípio indenitário, que vigora nos Seguros de Danos, é correto 
afirmar que:
(a) É lícito ao segurado auferir lucro com o seguro.
(b) O seguro serve como uma espécie de investimento.
(c) A indenização visa à recomposição do estado anterior do patrimônio 
do segurado. 
(d) O segurado pode receber indenização superior ao prejuízo sofrido.
(e) O segurado deve contratar garantia que supere o valor do interesse 
segurável.
UNIDADE 3 37
O SEGURO E O 
CÓDIGO CIVIL33
Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:
• Entender que a seguradora responde apenas pelos riscos predeterminados no 
contrato de seguro.
• Compreender a importância da boa-fé para o contrato de seguro.
• Conhecer os efeitos do ato doloso praticado pelo segurado, pelo beneficiário ou 
por seus representantes.
• Identificar a ocorrência do agravamento do risco.
• Saber no que consiste a sub-rogação e quando ela ocorre.
• Ter uma visão geral sobre os principais dispositivos do Código Civil aplicáveis 
aos Seguros de Danos e de Pessoas.
DIREITO DO SEGURO38
UNIDADE 3 39
 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O contrato de seguro está disciplinado de forma especial no Código Civil (Lei no 10.406/02), que contém um capítulo inteiramente dedicado a ele (artigos 757 a 802). 
Esta unidade divide-se em três seções: uma contendo disposições gerais 
aplicáveis tanto aos Seguros de Danos quanto de Pessoas (artigos 757 a 777), 
outra contendo disposições específicas sobre Seguros de Danos (artigos 778 
a 788) e, finalmente, outra contendo disposições específicas sobre Seguros 
de Pessoas (artigos 789 a 802).
O estudo do contrato de seguro feito a seguir é baseado, essencialmente, 
nesses artigos (dispositivos).
 DISPOSIÇÕES COMUNS AOS 
SEGUROS DE DANOS E DE PESSOAS
 Riscos Predeterminados
A seleção de riscos é indispensável para o sucesso da atividade seguradora. 
Por esse motivo, o artigo 757 do Código Civil prevê, claramente, que a 
seguradora somente está obrigada a cobrir os riscos predeterminados no 
contrato de seguro:
“Art. 757. Pelo contrato de seguro o segurador se obriga, mediante 
o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, 
relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados.
Parágrafo único. Somente pode ser parte, no contrato de seguro, como 
segurador, entidade para tal fim legalmente autorizada.”
 Boa-Fé na Conclusão e na Execução 
do Contrato de Seguro
A boa-fé é um princípio que rege todos os contratos. Ela se divide em duas 
acepções: uma objetiva e outra subjetiva.
 Boa-Fé Objetiva
Na sua acepção objetiva, a boa-fé desempenha várias funções. A mais 
importante delas corresponde a um padrão de comportamento, um modelo 
de conduta que deve ser observado pelos contratantes e os obriga a observar 
e cumprir determinados deveres. 
Aprenda mais
sobre este assunto
Estude o capítulo do 
Seguro no Código Civil. 
Leia: TEPEDINO, Gustavo 
(et al.). Código Civil 
interpretado conforme a 
Constituição da República. 
Rio de Janeiro: Renovar, 2004. 
Art. 757 a 802.
DIREITO DO SEGURO40
Esses deveres dividem-se, basicamente, em três grupos: 
• deveres de informação e esclarecimento. 
 Exemplo: o dever do proponente de informar à seguradora, na proposta, 
tudo o que souber sobre o interesse segurável e o risco, conforme se extrai 
do artigo 759 do Código Civil. Se descumprir, de algum modo, esse dever 
de informação, o proponente estará violando a boa-fé objetiva;
• deveres de lealdade e cooperação. 
 Exemplo: o dever do segurado de cooperar com a seguradora no sentido 
de adotar todas as providências que estejam ao seu alcance para minorar 
o dano ou salvar a coisa segurada, conforme estabelece o artigo 779 do 
Código Civil. Se o segurado descumprir esse dever, ele estará violando a 
boa-fé objetiva; e
• deveres de proteção. 
 Exemplo: o dever da seguradora de proteger os dados pessoais fornecidos 
pelo segurado, impedindo que eles sejam indevidamente acessados por 
terceiros ou transferidos a estes. Se a seguradora deixar de adotar todas as 
medidas que estiverem ao seu alcance para, razoavelmente, evitar que isso 
ocorra, estará descumprindo a boa-fé objetiva.O artigo 765 do Código Civil trata, especificamente, da boa-fé objetiva no 
contrato de seguro e deixa claro que as partes devem considerá-la tanto no 
momento da celebração do contrato (fase de “conclusão”) quanto durante 
sua vigência, quando as partes devem cumprir suas obrigações (fase de 
“execução”):
“Art. 765. O segurado e o segurador são obrigados a guardar, na 
conclusão e na execução do contrato, a mais estrita boa-fé e veracidade, 
tanto a respeito do objeto como das circunstâncias e declarações a ele 
concernentes.”
A boa-fé objetiva, no contrato de seguro, é exigida com mais energia, 
consistência e profundidade do que em outros contratos. Isto porque, no 
seguro, o elemento da confiança tem maior peso, já que a seguradora aceita 
conceder a garantia baseada nas informações que lhe são prestadas pelo 
proponente sobre o interesse segurável, o objeto do contrato.
 Boa-Fé Subjetiva
Na sua acepção subjetiva, a boa-fé contrapõe-se à noção de má-fé. 
De acordo com o entendimento predominante na doutrina e na 
jurisprudência, age contrariamente à boa-fé (ou seja, age de má-fé) quem 
procede com dolo.
O dolo consiste em manobras ou maquinações feitas com o propósito de 
obter uma declaração de vontade que não seria emitida se o declarante não 
fosse enganado por outra pessoa.
UNIDADE 3 41
Assim, age dolosamente o contratante que procede de forma a enganar, iludir 
e prejudicar o outro contratante.
Como a boa-fé deve ser presumida, quando a seguradora se recusar a pagar a 
indenização ou o capital segurado baseada na suspeita de má-fé do segurado 
ou do beneficiário, ela deverá fazer prova dessa alegação se for acionada 
judicialmente.1
 Efeitos do Descumprimento do Dever de 
Informação que Influi na Aceitação da 
Proposta ou na Tarifação do Prêmio
O artigo 766 do Código Civil estabelece as consequências para o descumprimento 
do dever de informação pelo segurado ou pelo seu representante no caso de 
a informação inexata ou omitida influir na decisão da seguradora de aceitar 
a proposta ou na tarifação do prêmio.
“Art. 766. Se o segurado, por si ou por seu representante, fizer 
declarações inexatas ou omitir circunstâncias que possam influir na 
aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, perderá o direito à 
garantia, além de ficar obrigado ao prêmio vencido.
Parágrafo único. Se a inexatidão ou omissão nas declarações não resultar 
de má-fé do segurado, o segurador terá direito a resolver o contrato, 
ou a cobrar, mesmo após o sinistro, a diferença do prêmio.”
Nesse dispositivo, o legislador distinguiu, claramente, duas hipóteses e seus 
respectivos efeitos:
• na hipótese de a omissão de uma informação ou prestação de uma 
informação inexata decorrer comprovadamente de má-fé do segurado 
ou de seu representante, o segurado perderá o direito à garantia e ficará 
obrigado ao pagamento do prêmio vencido;
• na hipótese de a omissão ou inexatidão não decorrer de má-fé do segurado 
ou de seu representante (ou seja, se for fruto de um mero descuido), a 
seguradora, na altura em que descobrir o problema: 
– se ainda não tiver ocorrido um sinistro, poderá optar por resolver (ou 
seja, “cancelar”) o contrato de seguro, ou mantê-lo em vigor, cobrando 
a diferença de prêmio; e
– se já tiver ocorrido um sinistro, não poderá cancelar o contrato, 
restando-lhe como única alternativa pagar a indenização ou capital, 
abatendo, do valor a ser pago, a diferença de prêmio.
1 Enunciado 372 do Conselho da Justiça Federal espelha claramente essa realidade quando 
prevê o seguinte: “Enunciado 372 – em caso de negativa de cobertura securitária por 
doença preexistente, cabe à seguradora comprovar que o segurado tinha conhecimento 
inequívoco daquela”.
DIREITO DO SEGURO42
 Ato Doloso do Segurado, do Beneficiário 
ou do Representante de um Deles
O dever de proteção recíproco dos contratantes, derivado da boa-fé objetiva, 
exige do segurado, do beneficiário e dos representantes de ambos que se 
abstenham da prática de determinados atos. 
Um dos princípios típicos do contrato de seguro é o princípio do absenteísmo, 
segundo o qual tais pessoas devem se portar, em relação ao interesse segurado, 
como se seguro não houvesse. Isto significa que sua conduta deve ser no 
sentido de não querer, de não aumentar e de não provocar o risco.
O artigo 762 do Código Civil torna nulo o contrato de seguro especificamente 
em relação aos atos dolosos do segurado, do beneficiário e de seus 
representantes:
“Art. 762. Nulo será o contrato para garantia de risco proveniente de 
ato doloso do segurado, do beneficiário, ou de representante de um 
ou de outro.”
Desse modo, os atos do segurado, do beneficiário ou de seus representantes 
que decorrerem de dolo direto (também chamado de dolo puro) ou de 
dolo indireto (também chamado de dolo eventual) irão gerar a nulidade 
do contrato. 
No dolo puro ou direto, o agente tem a intenção de alcançar o resultado 
danoso, ou seja, quer produzi-lo. Exemplo disso ocorre quando, nos Seguros de 
Pessoas, o beneficiário encomenda a terceiro a morte do segurado, fazendo-o 
com o propósito de receber o capital segurado por morte acidental.
No dolo eventual ou indireto, o agente não tem a intenção de alcançar o 
resultado danoso, mas este é mencionado e, apesar disso, a pessoa se porta 
de maneira indiferente, ou seja, assume o risco da produção desse resultado. 
Exemplo disso ocorre nos Seguros de Automóveis, quando o segurado, apenas 
com o objetivo de cortar caminho para chegar ao seu destino, decide seguir 
por uma via na contramão e acaba provocando uma colisão.
É importante observar que estão fora do alcance do artigo 762 do Código 
Civil os atos culposos, que são aqueles por meio dos quais o agente não 
quer alcançar o resultado danoso, mas atua com imprudência, negligência 
ou imperícia.
• a negligência evidencia-se, usualmente, pela omissão. Relaciona-se, 
principalmente, com a desídia. É a ação necessária que se deixou de 
praticar, como, por exemplo, consertar uma marquise que está em mau 
estado de conservação; deixar de efetuar manutenção obrigatória em 
equipamentos, conforme determinação do fabricante; viajar sem fazer 
revisão no veículo; e demais condutas assemelhadas;
• a imprudência é a ação que não deveria ser praticada. Na imprudência, 
o sujeito procede precipitadamente ou sem prever integralmente as 
consequências da ação, como, por exemplo, colocar objetos soltos no 
parapeito da janela de um apartamento; 
UNIDADE 3 43
 • a imperícia é a ação praticada sem a habilidade ou competência necessária 
para fazê-lo, ou seja, o sujeito age ou deixa de agir com ou sem a habilidade 
técnica que deveria possuir como profissional habilitado (médico, 
motorista, engenheiro), como no caso de instalação elétrica realizada por 
quem não tem conhecimento de eletricidade.
A prática de ato doloso pelo segurado, pelo beneficiário ou pelo representante 
de um deles é difícil de ser provada de forma contundente. Por isso, a 
jurisprudência tem admitido que a seguradora, para o fim de demonstrar 
que a indenização ou o capital segurado não devem ser pagos com base 
nesse dispositivo, utilize-se da chamada prova indiciária, consistente em 
fortes evidências, em flagrantes indícios de dolo.2
 Agravamento do Risco
O agravamento do risco caracteriza-se pela alteração do estado original 
de risco, ou seja, pela modificação, na vigência do contrato de seguro, 
da situação de risco original, isto é, presente quando da celebração do 
contrato.
O agravamento do risco pode decorrer de vários fatores. Por exemplo, de 
um ato doloso ou culposo do segurado, ou, ainda, como resultado de uma 
conduta do segurado que não seja culposa, bem como de um fato totalmente 
alheio à sua vontade.
O agravamento do risco é tratado nos artigos 768 e 769 do Código Civil.
O artigo 768 trata do agravamento intencional dorisco:
“Art. 768. O segurado perderá o direito à garantia se agravar 
intencionalmente o risco objeto do contrato.”
Recente decisão do Superior Tribunal de Justiça se deu no sentido de que 
a intencionalidade citada no artigo está vinculada à própria ocorrência do 
sinistro.3 
2 Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a participação em disputa 
automobilística – “racha” – configura agravamento intencional do risco, por ato consciente 
e voluntário, ensejando a perda da cobertura securitária. (STJ REsp 1368766/RS. Recurso 
Especial 2012/0251038-0. Dje 06/04/2016. Disponível em: www.stj.jus.br. Acesso em 03 
out. 2016). 
3 Em julgamento mais recente sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça enfrentou 
hipótese na qual o segurado caiu de uma alta torre metálica, onde subira para ter acesso 
à vista panorâmica, tendo ficado paraplégico. O tribunal entendeu que não caracteriza 
agravamento de risco o ato do segurado que constitui “comportamento aventureiro 
razoável e previsível na vida das pessoas, como também acontece com escalada de 
árvores, pedras, trilhas íngremes, e coisas semelhantes” (BRASIL. Superior Tribunal de 
Justiça. Recurso Especial 795.027/RS. Relator: Ministro Aldir Passarinho Júnior. Brasília, 
18 de março de 2010. Disponível em: www.stj.jus.br. Acesso em 28 out. 2010).
DIREITO DO SEGURO44
Isso significa que o agravamento do risco, na forma do artigo 768 do Código 
Civil, só se caracteriza quando o segurado age com dolo; portanto, com o 
intuito de aumentar o risco ou desencadear o sinistro.
O artigo 769 do Código Civil trata do agravamento do risco decorrente de 
um “incidente”:
“Art. 769. O segurado é obrigado a comunicar ao segurador, logo 
que saiba, todo incidente suscetível de agravar consideravelmente o 
risco coberto, sob pena de perder o direito à garantia, se provar que 
silenciou de má-fé.
§ 1o O segurador, desde que o faça nos 15 dias seguintes ao 
recebimento do aviso da agravação do risco sem culpa do segurado, 
poderá dar-lhe ciência, por escrito, de sua decisão de resolver o 
contrato.
§ 2o A resolução só será eficaz trinta dias após a notificação, devendo 
ser restituída pelo segurador a diferença do prêmio.”
Para incidência do dispositivo, o agravamento deve ser “considerável”, ou 
seja, aumentar substancialmente o estado original de risco. O segurado, tão 
logo constate o agravamento, deve comunicar o fato à seguradora.
Feita a comunicação pelo segurado, a seguradora poderá, até 15 dias depois 
de avisada e desde que não tenha havido sinistro, optar por resolver (cancelar) 
o contrato, comunicando sua decisão ao segurado, ou poderá mantê-lo, caso 
em que deverá cobrar a diferença de prêmio. Se tiver ocorrido sinistro, a 
seguradora poderá descontar a diferença de prêmio da indenização.
No caso de resolução (cancelamento), esta somente produzirá efeitos após 
30 dias do recebimento da notificação pelo segurado. Portanto, se nesse 
intervalo ocorrer um sinistro, o pagamento da indenização ou capital é devido. 
Findo esse prazo, e se não tiver ocorrido sinistro, a resolução (cancelamento) 
produzirá seus efeitos, cabendo ao segurado o direito à restituição da diferença 
de prêmio.
Se o segurado não informar o agravamento e um sinistro ocorrer, o segurado 
somente perderá o direito à indenização ou capital se a seguradora puder 
provar que o silêncio do segurado sobre o agravamento foi intencional 
(proposital).
 Contratação por Meio de Agente 
Autorizado da Seguradora
A contratação de seguros pode ocorrer de forma direta, entre segurado e 
seguradora, e mediante intermediação.
A contratação intermediada pode ser feita por um corretor de seguros ou por 
um agente autorizado da seguradora.
UNIDADE 3 45
O agente autorizado da seguradora mantém com esta última uma relação 
contratual. Tal figura está prevista no art. 775 do Código Civil:
“Art. 775. Os agentes autorizados do segurador presumem-se 
seus representantes para todos os atos relativos aos contratos que 
agenciarem.”
Assim, o agente autorizado representa os interesses da seguradora, podendo 
intermediar operações de seguro diretamente com o segurado interessado. 
Esse agente autorizado pode ser pessoa física ou jurídica, e a seguradora 
responde solidariamente pelos atos praticados por esse representante caso 
ele cause dano ao segurado ou a terceiros.
O agente autorizado da seguradora não se confunde, portanto, com a figura 
do corretor de seguros, o qual, por força do artigo 17 da Lei no 4.594/64 e 
de normas regulamentares, não pode ser sócio, administrador, procurador, 
despachante ou empregado de sociedade seguradora. Na qualidade de 
intermediário com total independência em relação à seguradora, o corretor 
de seguros deve ter em vista os interesses do proponente/segurado.
 Renovação Automática
De acordo com o artigo 774 do Código Civil, a renovação automática 
(“recondução tácita”) do contrato de seguro, por força de cláusula contratual, 
somente poderá ocorrer uma única vez:
“Art. 774. A recondução tácita do contrato pelo mesmo prazo, mediante 
expressa cláusula contratual, não poderá operar mais de uma vez.”
Tal norma possui como objetivo a proteção do segurado relativa ao 
cálculo do prêmio ou dos aspectos de mudança do risco. Dessa forma, a 
renovação automática por prazo indeterminado constituiria obstáculo no 
acompanhamento constante do risco e sua eventual modificação. 
Portanto, excetuados o Seguro-Saúde e os seguros celebrados por prazo 
indeterminado, a renovação dos demais seguros com base em cláusula de 
renovação automática e pelo mesmo prazo ajustado originalmente somente 
poderá ocorrer uma única vez e por igual prazo. Depois disso, a renovação 
dependerá da concordância do segurado.
 Mora do Segurado
O artigo 763 do Código Civil estabelece o seguinte:
“Art. 763. Não terá direito a indenização o segurado que estiver em 
mora no pagamento do prêmio, se ocorrer o sinistro antes de sua 
purgação.”
Esse artigo, no entanto, deve ser interpretado em conjunto com as normas 
regulamentares editadas pela SUSEP, que abrandam a sua aplicação quando 
presentes algumas condições.
O artigo 7o da Circular SUSEP no 251/04 prevê que, nos contratos de seguro 
cujas propostas tenham sido recepcionadas sem pagamento do prêmio, o 
início da vigência da cobertura deverá coincidir com a data de aceitação da 
proposta ou com outra data acordada entre as partes. 
DIREITO DO SEGURO46
Assim, se antes da aceitação ocorrer um sinistro, não haverá cobertura. 
Porém, se depois da aceitação ocorrer um sinistro e o segurado ainda não tiver 
pago o prêmio apenas porque a primeira parcela ainda não venceu, haverá 
cobertura. Numa outra hipótese, se depois da aceitação a primeira parcela 
de prêmio vencer e não for paga, não haverá cobertura.
As normas regulamentares estabelecem, também, situações em que haverá a 
chamada cobertura técnica. Exemplo disso está no § 1o do artigo 8o da mesma 
circular, segundo o qual, nos Seguros de Automóveis, a vigência da garantia 
tem início, via de regra, a partir da realização da vistoria, independentemente 
de ter havido pagamento do prêmio. 
Já quando se tratar de veículo novo, ou de renovação junto ao mesmo segurado, 
a vigência começa desde a recepção da proposta, independentemente de 
pagamento do prêmio.
Nos Seguros de Danos, se a recusa da proposta ocorrer no prazo regulamentar, 
a cobertura prevalecerá por mais dois dias úteis, contados da data em que o 
proponente, seu representante ou corretor tiverem ciência formal da recusa, 
conforme o § 2o do artigo 8o da mencionada circular.
O problema maior se situa naqueles casos em que, na vigência da garantia, 
o pagamento dos prêmios, que vinha sendo feito de forma regular, deixa 
de ocorrer.
Na visão da seguradora, essa inadimplência acarreta, num primeiro momento, 
a chamada suspensão de cobertura, que,em geral, é fixada por cláusula 
contratual em 90 dias. Para a seguradora, se durante esse prazo ocorrer 
um sinistro, não haverá direito, por parte do segurado ou do beneficiário, à 
indenização ou ao capital.
Cessado o prazo de suspensão, sem que o pagamento dos prêmios tenha 
sido regularizado, a seguradora considera resolvido (cancelado) o contrato 
por força de cláusula contratual, que consta do contrato de seguro, prevendo 
o cancelamento automático.
Todavia, já é dominante no Poder Judiciário o entendimento de que os efeitos 
do atraso no pagamento do prêmio (suspensão de cobertura e cancelamento 
do contrato) só se produzem se o responsável pelo pagamento dos prêmios 
(segurado, beneficiário ou estipulante, conforme o caso) for notificado pela 
seguradora de sua inadimplência. 
Assim, para o Poder Judiciário, se a seguradora não notificar o responsável pelo 
pagamento dos prêmios, seja quanto à suspensão da cobertura, seja quanto 
ao cancelamento do contrato, não poderá se recusar a pagar a indenização 
ou capital.4 
4 A título de exemplo dessa hipótese, merece ser citado o seguinte julgado do Superior 
Tribunal de Justiça: “A Segunda Seção desta Corte Superior consagrou o entendimento 
de que o mero atraso no pagamento de prestação do prêmio do seguro não importa 
em desfazimento automático do contrato, pois exige-se, ao menos, a prévia constituição 
em mora do segurado pela seguradora, mediante notificação ou interpelação.” 
Agravo Regimental no Agravo de Recurso Especial no 625.973/CE. Publicada em 04/08/2015. 
Disponível em: www.stj.jus.br. Acesso em 03 out. 2016. Além disso, o Conselho de Justiça 
Federal editou o Enunciado 371, que tem a seguinte redação: “Enunciado 371 – a mora 
do segurado, sendo de escassa importância, não autoriza a resolução do contrato, por 
atentar ao princípio da boa-fé objetiva”.
UNIDADE 3 47
Nos seguros contratados por estipulante, os efeitos do atraso no pagamento 
do prêmio dependerão de onde provêm os recursos para saldá-lo.
No seguro não contributário (que o Código Civil denomina seguro “à conta 
de outrem”), no qual o prêmio é integralmente custeado com recursos do 
estipulante, a seguradora pode se recusar a cobrir o sinistro no caso 
de inadimplência. É o que estabelece o artigo 767 do Código Civil:
“Art. 767. No seguro à conta de outrem, o segurador pode opor 
ao segurado quaisquer defesas que tenha contra o estipulante, 
por descumprimento das normas de conclusão do contrato, ou de 
pagamento do prêmio.”
Desse modo, o segurado ou beneficiário terão que exigir do estipulante o 
valor equivalente ao da indenização ou do capital que não puderam cobrar 
da seguradora.
Já quanto aos seguros total ou parcialmente contributários, como o Código 
Civil não tratou deles, a conclusão é a de que a seguradora não poderá se 
recusar a cobrir o sinistro com base na inadimplência. Ela terá que pagar a 
indenização ou capital ao segurado ou beneficiário e poderá cobrar os prêmios 
do estipulante por meio de ação própria. 
 Mora da Seguradora
O atraso da seguradora no pagamento da indenização ou capital segurado 
torna necessária a atualização monetária do valor respectivo, na forma do 
artigo 772 do Código Civil:
“Art. 772. A mora do segurador em pagar o sinistro obriga à atualização 
monetária da indenização devida segundo índices oficiais regularmente 
estabelecidos, sem prejuízo dos juros moratórios.”
Uma vez caracterizada a mora do segurador no pagamento da indenização, 
fica o segurador obrigado à atualização da quantia indenizatória, incluindo 
os juros moratórios. É a única hipótese em que o segurador efetuará um 
pagamento superior ao limite máximo de garantia, conforme determina o 
artigo 781 do Código Civil Brasileiro. 
Nos Seguros de Danos, a mora da seguradora estará caracterizada depois de 
vencido o prazo previsto na cláusula de liquidação de sinistros constante 
da apólice que, de acordo com o art. 33, § 1o, da Circular SUSEP no 256/04, 
é de 30 dias, contados da entrega de todos os documentos básicos previstos 
nesse artigo.
Como a seguradora tem a faculdade de pedir outros documentos, o prazo 
poderá ser suspenso, na forma do § 2o do mesmo artigo, retomada a contagem 
após o primeiro dia útil subsequente à entrega pelo segurado.
O § 3o do artigo (a exemplo do artigo 772 do Código Civil) dispõe que a mora 
da seguradora acarretará atualização e juros de mora, esclarecendo que isso 
deverá constar de cláusula contratual. 
Nos Seguros de Pessoas, a sistemática é semelhante, como previsto no artigo 
72 da Circular no 302/05 da SUSEP.
DIREITO DO SEGURO48
 Importância do Aviso de Sinistro
O aviso de sinistro é o meio pelo qual o segurado, o beneficiário ou o 
estipulante levam ao conhecimento da seguradora a ocorrência do evento 
em tese coberto pelo contrato de seguro. 
Além disso, o aviso de sinistro influi na contagem do prazo prescricional para 
o exercício da pretensão do segurado em face da seguradora.
O Código Civil tratou do aviso de sinistro no artigo 771:
“Art. 771. Sob pena de perder o direito à indenização, o segurado 
participará o sinistro ao segurador, logo que o saiba, e tomará as 
providências imediatas para minorar-lhe as consequências.
Parágrafo único. Correm à conta do segurador, até o limite fixado no 
contrato, as despesas de salvamento consequente ao sinistro.”
Observação
O verbo participar foi empregado, no dispositivo, com o sentido de 
comunicar. 
É importante notar que o legislador não fixou um prazo para a efetivação 
do aviso. Esta omissão se deve, possivelmente, ao fato de que a fixação do 
prazo deve ser feita levando em consideração as peculiaridades de cada ramo. 
Portanto, seria adequado que as normas regulamentares disciplinassem a 
matéria.
O fato é que o artigo 39 da Circular SUSEP no 256/04 (que trata dos Seguros de 
Danos) e o artigo 74 da Circular SUSEP no 302/05 (que trata das garantias 
de risco nos Seguros de Pessoas) vedam expressamente a inclusão, nos 
contratos de seguro, de cláusula que disponha sobre a fixação de prazo máximo 
para a comunicação de sinistro. 
Essa vedação retira a eficácia da penalidade estabelecida pelo artigo 771 do 
Código Civil, que é a perda do direito à indenização ou capital.
 Aplicação Subsidiária do Código Civil aos 
Seguros Regidos por Leis Específicas
Determinados seguros são disciplinados por leis específicas. 
Mediante isso, as disposições gerais sobre o contrato de seguro, constantes dos 
artigos 757 a 777 do Código Civil (Seção I do Capítulo do Seguro no Código 
Civil), serão aplicadas apenas subsidiariamente a esses seguros:
“Art. 777. O disposto no presente Capítulo aplica-se, no que couber, 
aos seguros regidos por leis próprias.”
Exemplos de seguros regidos por leis especiais são o Seguro-Saúde (Lei 
no 9.656/98) e o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores 
de Vias Terrestres – DPVAT (Lei no 6.194/74).
UNIDADE 3 49
A aplicação subsidiária dos artigos 757 a 777 do Código Civil aos seguros 
regidos por leis especiais significa que os dispositivos do Código Civil somente 
se aplicarão a esses seguros naquilo em que a lei especial for omissa.
 DISPOSIÇÕES RELATIVAS AOS 
SEGUROS DE DANOS
 Transferência do Contrato de Seguro a 
Terceiro
O artigo 785 do Código Civil trata da transferência do contrato de seguro 
a terceiro em consequência da alienação ou da cessão do bem objeto do 
seguro:
“Art. 785. Salvo disposição em contrário, admite-se a transferência do 
contrato a terceiro com a alienação ou cessão do interesse segurado.
§ 1o Se o instrumento contratual é nominativo, a transferência só produz 
efeitos em relação ao segurador mediante aviso escrito assinado pelo 
cedente e pelo cessionário. 
§ 2o A apólice ou o bilhete à ordem só se transfere por endosso em 
preto, datado e assinado pelo endossante e pelo endossatário.”
O dispositivo,portanto, admite a transferência do contrato de seguro de 
danos a terceiro se houver a alienação ou a cessão do interesse segurado. 
Assim, por exemplo, se João vender o seu veículo para Maria, João também 
poderá, via de regra, transferir para Maria o contrato de seguro.
Por conta da frase “salvo disposição em contrário” contida no dispositivo, que 
deve ser entendida como uma ressalva, a exceção à regra ocorrerá quando 
houver, no contrato de seguro, cláusula que vede a transferência do contrato 
de seguro ou, ainda, se for editada lei especial que impeça, em determinado 
ramo, a transferência do contrato de seguro pelo segurado a terceiro.
Os parágrafos do artigo 785 do Código Civil criam formalidades para a eficácia 
da cessão. 
De acordo com dispositivo, quando a apólice ou o bilhete forem nominativos 
(ou seja, quando informarem o nome do segurado), a transferência do contrato 
de seguro somente produzirá efeitos em relação à seguradora mediante 
aviso escrito assinado pelo cedente (segurado) e pelo cessionário (aquele que 
pretende passar a ser o segurado).
Também de acordo com o dispositivo, a apólice ou o bilhete que contiverem 
a cláusula à ordem somente se transferem por endosso em preto, que 
é aquele no qual o titular da apólice ou bilhete (endossante), no verso do 
documento, indica o nome do beneficiário do endosso (ou seja, informa o 
nome do endossatário) e, em seguida, apõe a data e a sua assinatura.
Sem a observância a essas formalidades, a transferência do contrato de seguro 
seria, de acordo com a lei, ineficaz.
DIREITO DO SEGURO50
Ocorre que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido 
de que a transferência do contrato de seguro a terceiro é eficaz, mesmo quando 
não comunicada à seguradora, naqueles casos em que a seguradora não prova 
que o risco tenha sido agravado por conta dessa transferência5. 
Portanto, prevalece no Judiciário o entendimento de que a obrigação da 
seguradora de indenizar persiste, mesmo que o veículo e o seguro sobre ele 
sejam transferidos pelo segurado a terceiro sem comunicação à seguradora. 
A seguradora somente ficará liberada da obrigação de indenizar pelo sinistro 
ocorrido com o “novo segurado” se provar que a transferência do seguro para 
ele significou um aumento real do risco.
 Rateio Proporcional
O seguro por menos do que vale o interesse segurável, também chamado 
de infrasseguro, pode ou não, conforme o caso, acarretar a aplicação do 
rateio proporcional no caso de um sinistro parcial, previsto no artigo 783 do 
Código Civil: 
“Art. 783. Salvo disposição em contrário, o seguro de um interesse por 
menos do que valha acarreta a redução proporcional da indenização, 
no caso de sinistro parcial.”
Portanto, em princípio, quando não houver correspondência entre a 
importância segurada (ou limite máximo indenizatório) e o valor em risco no 
momento do sinistro, e este for parcial, a indenização deve ser reduzida na 
proporção do prêmio pago. Isto porque o segurado é considerado segurador 
de si mesmo em relação àquela parte do risco que não segurou.
Para saber quando a regra é aplicável, é fundamental verificar o tipo de 
seguro contratado e, também, o que foi ajustado pelas partes no contrato 
de seguro (em face da ressalva “salvo disposição em contrário”, constante do 
dispositivo).
Nos Seguros a 1o Risco Absoluto, o segurado pode fazer a sua própria avaliação 
e estimar qual o dano máximo provável a que seus bens estão expostos, fixando 
a importância segurada (ou limite máximo indenizatório) em função disso. 
Portanto, nos Seguros a 1o Risco Absoluto, não é preciso haver correspondência 
entre valor em risco e importância segurada (ou limite máximo indenizatório), 
de modo que não haverá aplicação de regra de rateio proporcional no caso de 
um sinistro parcial.
5 A título de exemplo dessa hipótese, merece ser citado o seguinte julgado do Superior 
Tribunal de Justiça: “A jurisprudência desta Corte sedimentou-se no sentido de que a 
simples ausência de comunicação de venda do veículo à seguradora não exclui o dever 
da seguradora perante o novo proprietário, desde que não haja agravamento do risco.” 
Recurso Especial: 771375/ SP. Publicada em 22/06/2010. Disponível em: www.stj.jus.br. 
Acesso em 03 out. 2016. Além disso, com base nesses precedentes, o STJ editou a Súmula 
465, que diz: “Súmula 465. Ressalvada a hipótese de efetivo agravamento do risco, a 
seguradora não se exime do dever de indenizar em razão da transferência do veículo sem 
a sua prévia comunicação”.
UNIDADE 3 51
Nos Seguros a 1o Risco Relativo também não é preciso haver correspondência 
entre importância segurada (ou limite máximo indenizatório) e valor em risco, 
mas é necessária a declaração do valor em risco na proposta. Se na regulação 
de um sinistro parcial for verificado que o valor em risco, no momento do 
sinistro, é superior ao valor em risco declarado na proposta, isto significa que 
duas situações podem ter ocorrido: 
• no momento da contratação, o segurado informou um valor em risco que 
não correspondia à realidade; e
• no momento da contratação, o segurado informou um valor em risco que 
correspondia à realidade, mas este, na vigência do contrato, elevou-se e, 
apesar disso, o segurado não solicitou a emissão de endosso e, 
consequentemente, não pagou prêmio adicional.
Tanto em um caso quanto no outro, a regra do rateio proporcional é 
aplicável.
Finalmente, nos Seguros a Risco Total, é necessária a correspondência entre 
a importância segurada (ou limite máximo indenizatório) e o valor em risco. 
Se no momento do sinistro parcial for verificado que a importância segurada 
(ou limite máximo indenizatório) é menor do que o valor em risco, deverá ser 
aplicada a regra do rateio proporcional.
 Novo Seguro sobre Mesmo Interesse 
Segurável e Mesmo Risco
O Código Civil autoriza o titular do interesse já segurado a instituir 
novo seguro sobre esse interesse e contra o mesmo risco junto a outra 
seguradora. Para isso, basta que comunique sua intenção, por escrito, à 
primeira seguradora, indicando a soma pela qual pretende fazer o novo 
seguro:
“Art. 782. O segurado que, na vigência do contrato, pretende obter 
novo seguro sobre o mesmo interesse, e contra o mesmo risco junto a 
outro segurador, deve previamente comunicar sua intenção por escrito 
ao primeiro, indicando a soma por que pretende segurar-se, a fim de 
se comprovar a obediência ao disposto no art. 778.”
A necessidade de contratar um novo seguro para o mesmo interesse e o mesmo 
risco pode decorrer de vários motivos: insuficiência superveniente da garantia 
originalmente contratada em virtude da elevação do valor em risco; risco de 
insolvência da primeira seguradora; e existência de mais de um titular para o 
mesmo interesse, visando a proteger o mesmo risco, entre outros motivos.
Exemplo da última hipótese anteriormente mencionada ocorre no seguro 
voltado para unidade residencial em condomínio edilício. O condomínio 
está obrigado, por força do artigo 20, alínea “g”, do Decreto-Lei no 73/66, 
a contratar Seguro Incêndio para todas as unidades. Todavia, o proprietário 
de uma unidade pode preferir contratar um segundo Seguro Incêndio para 
a sua unidade, temendo que a apólice contratada pelo condomínio seja, por 
exemplo, cancelada por inadimplência.
DIREITO DO SEGURO52
A comunicação prévia à primeira seguradora exigida pelo dispositivo tem 
por finalidade desestimular a fraude e impedir o sobresseguro (artigo 778 
do Código Civil). 
Sempre que houver mais de um seguro ligado ao mesmo interesse e ao 
mesmo risco, a regulação do sinistro deverá ser feita com base na cláusula 
de concorrência de apólices que, de acordo com o artigo 26 da Circular 
SUSEP no 256/04, deverá constar das condições gerais do seguro, nos termos 
definidos por esse órgão regulador.
A aplicação dessa cláusula fará comque, apurado o valor do prejuízo, cada 
seguradora participe, no pagamento da indenização, na proporção do risco 
que segurou.
 Sub-Rogação
O termo sub-rogação significa a substituição de uma pessoa pela outra. 
Precisamente no tocante ao pagamento com sub-rogação, esta significa a 
substituição de um credor por outro. 
Embora a sub-rogação, tanto legal quanto contratual, esteja prevista nos 
artigos 346 e 347 do Código Civil, o artigo 786 trata de forma específica 
dessa substituição nos Seguros de Danos:
“Art. 786. Paga a indenização, o segurador sub-roga-se, nos limites 
do valor respectivo, nos direitos e ações que competirem ao segurado 
contra o autor do dano.
§ 1o. Salvo dolo, a sub-rogação não tem lugar se o dano foi causado 
pelo cônjuge do segurado, seus descendentes ou ascendentes, 
consanguíneos ou afins.
§ 2o. É ineficaz qualquer ato do segurado que diminua ou extinga, em 
prejuízo do segurador, os direitos a que se refere este artigo.”
Portanto, a seguradora indeniza o segurado e, por força da sub-rogação, 
pode exercer contra o terceiro (que causou o dano ao segurado) o direito de 
regresso, ou seja, de obter o ressarcimento do quanto indenizou.
Conforme o § 1o, a sub-rogação não se verifica quando o causador do dano ao 
segurado for seu cônjuge, descendente, ascendente, consanguíneo ou afim. 
O parágrafo único não faz alusão ao(à) companheiro(a), mas a aplicação do 
dispositivo deve ser estendida a ele(a). 
Exceção a essa vedação é feita quando o causador do dano tiver agido 
dolosamente: aí a seguradora ficará sub-rogada.
Finalmente, qualquer ato do segurado que vise a impedir ou limitar o direito 
de sub-rogação da seguradora é ineficaz em relação a esta. 
UNIDADE 3 53
 Seguro de Responsabilidade Civil
O Código Civil tratou de forma específica do Seguro de Responsabilidade 
Civil no artigo 787:
“Art. 787. No seguro de Responsabilidade Civil, o segurador garante o 
pagamento de perdas e danos devidos pelo segurado a terceiro.
§ 1o Tão logo saiba o segurado das consequências de ato seu, suscetível 
de lhe acarretar a responsabilidade incluída na garantia, comunicará 
o fato ao segurador.”
§ 2o É defeso ao segurado reconhecer sua responsabilidade ou confessar 
a ação, bem como transigir com o terceiro prejudicado, ou indenizá-lo 
diretamente, sem anuência expressa do segurador.
§ 3o Intentada a ação contra o segurado, dará este ciência da lide ao 
segurador.
§ 4o Subsistirá a responsabilidade do segurado perante o terceiro, se o 
segurador for insolvente.”
No Seguro de Responsabilidade Civil, a garantia concedida pela seguradora 
deve cobrir, necessariamente, as perdas e danos que o segurado causou a 
terceiro. 
As perdas e danos compõem-se de danos emergentes (prejuízos decorrentes 
direta e imediatamente do evento, sofridos pelo terceiro) e lucros cessantes 
(tudo aquilo que o terceiro, razoavelmente, deixou de lucrar em razão do dano 
causado pelo segurado).
O § 1o reforça a importância de o segurado efetuar o aviso de sinistro que, 
no caso, consistirá em comunicar à seguradora a ocorrência de qualquer 
evento do qual possa resultar a sua responsabilidade civil perante terceiro. 
O § 2o deixa claro que é vedado ao segurado praticar determinados atos sem a 
anuência prévia e expressa da seguradora. Esses atos consistem em reconhecer 
sua responsabilidade (admitir sua culpa extrajudicialmente), confessar a ação 
(reconhecer a procedência do pedido formulado em ação judicial pelo terceiro 
em face do segurado), transigir com o terceiro ou indenizá-lo diretamente 
(fazer acordo judicial ou extrajudicial com o terceiro).
DIREITO DO SEGURO54
Há uma tendência de o Poder Judiciário considerar que os atos mencionados 
no § 2o, se praticados pelo segurado, somente serão ineficazes em relação 
à seguradora quando, por exemplo, o reconhecimento da responsabilidade 
ou da procedência do pedido pelo segurado se mostrar incompatível com o 
caso concreto (ou seja, os fatos, à luz do Direito, mostrarem que a culpa é do 
terceiro), ou quando o valor pago pelo segurado, a título de indenização ao 
terceiro, exceder substancialmente aquele que seria devido por força de uma 
condenação judicial.6 
O § 3o estabelece que quando o terceiro ajuizar ação de responsabilidade civil 
contra o segurado, e este for citado para se defender, deverá dar conhecimento 
à seguradora da existência do processo judicial. 
Finalmente, o § 4o deixa claro que se a seguradora se tornar insolvente, 
caberá ao segurado pagar ao terceiro, com recursos próprios, a totalidade 
da indenização. 
 DISPOSIÇÕES RELATIVAS 
AOS SEGUROS DE PESSOAS
 Fixação do Capital Segurado e Contratação 
de Mais de um Seguro sobre o Mesmo 
Interesse
Inicialmente, cabe esclarecer que são considerados Seguros de Pessoas 
apenas os Seguros de Vida e de Acidentes Pessoais.
Nos Seguros de Pessoas, a lei prevê, em princípio, a liberdade do proponente 
para fixar o valor da garantia (ou seja, do capital segurado) e contratar mais 
de um seguro sobre o mesmo interesse com a mesma ou com mais de uma 
seguradora. É o que prevê o artigo 789 do Código Civil:
“Art. 789. Nos seguros de pessoas, o capital segurado é livremente 
estipulado pelo proponente, que pode contratar mais de um seguro 
sobre o mesmo interesse, com o mesmo ou diversos seguradores.”
A liberdade na fixação do capital segurado e a possibilidade de contratação 
de mais de uma garantia sobre o mesmo interesse se justifica pelo fato de 
a vida e de as faculdades humanas serem economicamente inestimáveis. 
Daí decorre, inclusive, a natureza meramente compensatória (e não 
indenizatória) do capital segurado. 
6 Merece ser citado o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça: “Se não há 
demonstração de que a transação feita pelo segurado e pela vítima do acidente de trânsito 
foi abusiva, infundada ou desnecessária, mas, ao contrário, sendo evidente que o sinistro 
de fato aconteceu e o acordo realizado foi em termos favoráveis tanto ao segurado quanto 
à seguradora, não há razão para exigir a regra do art. 787, § 2o, do CC em direito absoluto 
a afastar o ressarcimento do segurado”. Recurso Especial: 1133459/RSP. Publicada em 
03/09/2014. Disponível em: www.stj.jus.br. Acesso em 03 out. 2016. 
Essa tendência é reflexo do enunciado 373 do Conselho de Justiça Federal: “Enunciado 
373 – Embora defesos pelo § 2o do art. 787 do Código Civil, o reconhecimento da 
responsabilidade, a confissão da ação ou a transação não retiram do segurado o direito 
à garantia, sendo apenas ineficazes perante a seguradora.”
Aprenda mais 
sobre este assunto
Leia TZIRULNIK, 
Ernesto (et al.). O Contrato 
de Seguro de acordo com o 
novo Código Civil Brasileiro. 
São Paulo: Revista dos 
Tribunais, 2003.
UNIDADE 3 55
Isso não significa, contudo, que o exercício desses direitos pelo proponente 
não deva e nem possa sofrer limitações. Embora não se faça restrição, nos 
seguros de pessoas, à livre contratação, o segurador possui critérios próprios 
de análise e subscrição do risco.
O valor da garantia concedida pela seguradora, embora não tenha caráter 
indenizatório, deve guardar compatibilidade com o aspecto econômico do 
interesse segurável. 
Assim, por exemplo, o capital segurado para o risco de morte deve ser 
suficiente para garantir ao beneficiário, que dependa economicamente do 
segurado, a certeza de sua subsistência após o falecimento do segurado. 
Mesmo quando essa dependência econômica não existir, mas remanescendo 
a legitimidade do interesse segurável, a fixação do capital segurado não pode 
ser incompatível com a condição financeira do segurado (se couber a ele 
custear o prêmio) ou do beneficiário (se couber a ele instituir o seguro sobre 
a vida do segurado, pagando os prêmios). 
A fixação de uma ou mais garantias que, isoladamente ou em conjunto, 
afigurem-se incompatíveis como aspecto econômico do interesse envolvido se 
verifica, por exemplo, naqueles casos em que o valor do prêmio correspondente 
compromete substancialmente a renda de quem deve pagá-lo ou, ainda, 
quando o valor da(s) garantia(s) contratada(s) representa(m), para o segurado 
ou o beneficiário, uma substancial vantagem econômica. 
Em tais hipóteses, além de estarem presentes indícios de possível fraude, 
o direito de fixar livremente o capital segurado e de contratar mais de uma 
garantia está sendo exercido de forma claramente abusiva, violando a boa-fé 
objetiva (art. 187 do Código Civil).
 Instituição do(a) Companheiro(a) como 
Beneficiário(a)
O artigo 793 autoriza a instituição do(a) companheiro(a) como beneficiário(a) 
se, no momento em que ela ocorrer, o segurado for solteiro, separado de fato, 
separado judicialmente ou mesmo viúvo:
“Art. 793. É válida a instituição do companheiro como beneficiário, 
se ao tempo do contrato o segurado era separado judicialmente, ou 
já se encontrava separado de fato.”
Somente podem ser considerados companheiros aqueles que vivam em união 
estável, reconhecida pela Constituição Federal de 1988 (artigo 226, § 3o), e 
tal como definida no artigo 1.723 do Código Civil:
“Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre 
o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e 
duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família.
§ 1o A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos 
do art. 1.521; não se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a 
pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente.
§ 2o As causas suspensivas do art. 1.523 não impedirão a caracterização 
da união estável.”
Aprenda mais 
sobre este assunto
Leia MARTINS, João Marcos de 
Brito. O Contrato de Seguro: 
Comentado conforme as 
disposições do novo Código 
Civil. Rio de Janeiro: Forense 
Universitária, 2003.
DIREITO DO SEGURO56
As causas que impedem a união estável são as mesmas que impedem o 
casamento civil.7
 
Além disso, o artigo 1.727 do Código Civil prevê que “as relações não eventuais 
entre o homem e a mulher, impedidos de casar, constituem concubinato”.
Portanto, conclui-se que o(a) concubino(a) não pode ser indicado como 
beneficiário.
Finalmente, as uniões entre pessoas do mesmo sexo (uniões homoafetivas) 
são reconhecidas atualmente como entidade familiar, merecendo a mesma 
proteção que recebem as famílias constituídas pela união de pessoas de sexos 
diferentes. 
Portanto, o artigo 793 também se aplica aos companheiros do mesmo sexo.
 Seguro sobre a Vida de Terceiro
A legitimidade do interesse segurável tem particular importância no seguro 
instituído por uma pessoa sobre a vida de outra, regulado pelo artigo 790 
do Código Civil:
“Art. 790. No seguro sobre a vida de outros, o proponente é obrigado 
a declarar, sob pena de falsidade, o seu interesse pela preservação da 
vida do segurado.
Parágrafo único. Até prova em contrário, presume-se o interesse, 
quando o segurado é cônjuge, ascendente ou descendente do 
proponente.”
O dispositivo exige que, ao propor a contratação de seguro sobre a vida 
de terceiro, o proponente declare o seu interesse segurável. Nesse caso, 
o interesse, além de legítimo, deve ser econômico. A seguradora pode se 
contentar com a mera declaração, exigindo a comprovação do interesse 
alegado.
Tal interesse estará presente, por exemplo, quando ficar comprovada a 
existência de dependência econômica do proponente em relação ao segurado, 
bem como quando for demonstrada a existência de obrigação pecuniária do 
segurado com o proponente.
7 Elas estão mencionadas no artigo 1.521 do Código Civil: “Art. 1.521. Não podem casar: 
I – os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; II – os afins em 
linha reta; III – o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o 
foi do adotante; IV – os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro 
grau inclusive; V – o adotado com o filho do adotante; VI – as pessoas casadas; VII – o 
cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra 
o seu consorte.”
UNIDADE 3 57
O parágrafo único cria uma exceção à necessidade de declaração e comprovação 
do interesse, pois presume a existência dele quando o proponente é uma 
das pessoas mencionadas no trecho em questão: cônjuge, ascendente ou 
descendente do segurado. Em tais hipóteses, como há presunção de que o 
interesse exista, não cabe discutir se o mesmo teria conteúdo econômico, 
além do afetivo.
Cabe notar que a presunção mencionada no parágrafo único é relativa, ou 
seja, admite “prova em contrário”. 
O parágrafo único não cita o(a) companheiro(a), mas tal dispositivo se aplica 
a ele(a) também. 
 Indicação e Substituição do Beneficiário
A regra é a de que o segurado pode, durante a vigência do contrato, alterar 
a cláusula beneficiária estabelecida quando da contratação. No entanto, 
essa regra comporta duas exceções. Tanto a regra quanto as exceções estão 
previstas no artigo 791 do Código Civil:
“Art. 791. Se o segurado não renunciar à faculdade, ou se o seguro 
não tiver como causa declarada a garantia de alguma obrigação, é 
lícita a substituição do beneficiário, por ato entre vivos ou de última 
vontade.
Parágrafo único. O segurador, que não for cientificado oportunamente 
da substituição, desobrigar-se-á pagando o capital segurado ao antigo 
beneficiário.” 
Há casos em que o Seguro de Pessoas é instituído para garantir uma 
obrigação assumida pelo segurado perante terceiro (ex.: Seguro Prestamista). 
Nessa hipótese, em razão da própria função social e econômica do seguro, a 
cláusula beneficiária não poderá ser alterada pelo segurado.
Há outras situações, ainda, em que o Seguro de Pessoas é instituído com a 
finalidade de evitar que a morte ou a invalidez do segurado possa, por exemplo, 
levar à ruína um negócio (ex.: seguro de sucessão empresarial). 
Nesse caso, o beneficiário é a pessoa jurídica que poderá, com a morte ou 
invalidez do segurado, sofrer perdas financeiras. Em tal situação, deve o 
segurado renunciar ao direito de substituir o beneficiário indicado, pois, do 
contrário, a função social e econômica do contrato será frustrada.
A renúncia (que precisa ser expressa) deve ser formalizada por meio de 
instrumento à parte do contrato de seguro, datado e assinado pelo segurado. 
Se ela for objeto de cláusula constante do contrato, e se este possuir a 
característica da adesão, o segurado poderá, posteriormente, alegar que a 
renúncia lhe foi imposta, de modo a invalidá-la.
DIREITO DO SEGURO58
 Efeitos da Não Indicação de Beneficiário 
ou da Invalidade (Parcial ou Total) da 
Cláusula Beneficiária
O artigo 792 do Código Civil aponta a solução para os casos em que o segurado 
deixa em branco a cláusula beneficiária, bem como para as hipóteses em que 
a indicação do beneficiário não pode ser considerada válida:
“Art. 792. Na falta de indicação da pessoa ou beneficiário, ou se por 
qualquer motivo não prevalecer a que for feita, o capital segurado 
será pago por metade ao cônjuge não separado judicialmente, e o 
restante aos herdeiros do segurado, obedecida a ordem da vocação 
hereditária.
Parágrafo único. Na falta das pessoas indicadas neste artigo, serão 
beneficiários os que provarem que a morte do segurado os privou dos 
meios necessários à subsistência.”
A situação que cria maior dificuldade é a da cláusula beneficiária que no momento 
da regulação e pagamento do capital segurado revela-se inválida. Exemplo disso 
é quando a beneficiária nomeada é concubina do segurado.
Se nenhum beneficiário foi indicado, ou se a indicação for considerada inválida, 
o pagamento do capital segurado será feito na forma do artigo. 
De acordo com o dispositivo, metade do capitaldeve ser pago ao cônjuge 
não separado judicialmente. Todavia, deve ser admitido o pagamento a 
companheiro(a) de união heterossexual ou homossexual pelos motivos já 
mencionados.
No tocante à outra metade do capital segurado, é preciso verificar que a 
regra da sucessão hereditária mudou e que o Código Civil vigente incluiu o 
cônjuge sobrevivente como herdeiro legal nas condições estabelecidas no 
artigo 1.829. 
Assim, dependendo do regime de bens do casamento, o cônjuge pode vir a 
participar, com os demais herdeiros, da divisão dessa parte do capital segurado. 
O(A) companheiro(a) também pode vir a participar da divisão dessa outra 
metade nas hipóteses do artigo 1.790 do Código Civil. 
É importante reiterar que seguro não constitui herança (conforme artigo 794 
do Código Civil) e que o artigo 792 apenas se utiliza da ordem da vocação 
hereditária como um critério para dividir metade do capital segurado.
Saiba mais
O tex to do ar tigo 1.829 do Código 
Civil, que trata da ordem da vocação 
hereditária, é o seguinte:
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se 
na ordem seguinte:
I – aos descendentes, em concorrência 
com o cônjuge sobrevivente, salvo se 
casado este com o falecido no regime da 
comunhão universal, ou no da separação 
obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo 
único); ou se, no regime da comunhão 
parcial, o autor da herança não houver 
deixado bens particulares;
II – aos ascendentes, em concorrência 
com o cônjuge;
III – ao cônjuge sobrevivente;
IV – aos colaterais.
Saiba mais
O artigo 1.790 do Código Civil estabelece 
as condições para que o(a) companheiro(a) 
participe da sucessão:
Ar t . 1.790 . A companhei ra ou o 
companheiro participará da sucessão 
do outro, quanto aos bens adquiridos 
onerosamente na vigência da união 
estável, nas condições seguintes:
I – se concorrer com fi lhos comuns, terá 
direito a uma quota equivalente à que por 
lei for atribuída ao fi lho;
II – se concorrer com descendentes só do 
autor da herança, tocar-lhe-á a metade do 
que couber a cada um daqueles;
III – se concorrer com outros parentes 
sucessíveis, terá direito a um terço da 
herança;
IV – não havendo parentes sucessíveis, 
terá direito à totalidade da herança.
UNIDADE 3 59
 Transação para Pagamento Reduzido 
do Capital Segurado
O artigo 795 do Código Civil veda qualquer transação, entre seguradora e 
segurado ou beneficiário, para pagamento reduzido do capital, sob pena de 
nulidade:
“Art. 795. É nula, no seguro de pessoa, qualquer transação para 
pagamento reduzido do capital segurado.” 
Portanto, se o segurado falece em razão de doença e se a seguradora e o 
beneficiário fizerem acordo pelo qual a primeira pague ao segundo quantia 
inferior ao valor original do capital segurado previsto para o risco de morte 
natural, tal transação é nula.
É importante mencionar que há casos em que, em face da própria natureza 
da cobertura e do risco ocorrido, o segurado fará jus ao recebimento de um 
percentual do capital segurado. É o que ocorre, por exemplo, no caso de 
invalidez parcial e permanente por acidente, em que o segurado é submetido 
a uma avaliação médica que determinará seu percentual de incapacidade 
e terá direito a receber da seguradora capital segurado proporcional a ele. 
Não há, aí, qualquer nulidade. Ela somente existirá se a seguradora oferecer, 
e o segurado aceitar, o pagamento de quantia inferior à apurada como 
sendo devida.
 Suicídio
O suicídio do segurado é tratado no artigo 798:
“Art. 798. O beneficiário não tem direito ao capital estipulado quando 
o segurado se suicida nos primeiros dois anos de vigência inicial do 
contrato, ou da sua recondução depois de suspenso, observado o 
disposto no parágrafo único do artigo antecedente.
Parágrafo único. Ressalvada a hipótese prevista neste artigo, é nula 
a cláusula contratual que exclui o pagamento do capital por suicídio 
do segurado.”
De acordo com o dispositivo, o suicídio não estará coberto se ocorrer nos dois 
primeiros anos de vigência do contrato. 
Também de acordo com o dispositivo, se a cobertura for suspensa por 
inadimplência, mas os prêmios em atraso forem quitados ainda no prazo de 
suspensão, reabilitando a cobertura, o prazo de dois anos deve ser contado 
novamente, e o suicídio não estará coberto se ocorrer nesse período.
Além disso, o dispositivo prevê que o suicídio não pode figurar como risco 
excluído do contrato, a não ser pelos mesmos motivos ali previstos.
DIREITO DO SEGURO60
 Vedação à Exclusão de Certos Riscos
O artigo 799 do Código Civil veda a inclusão, no contrato de seguro, de cláusula 
que exclua a cobertura de risco decorrente da utilização de meio de transporte 
mais arriscado, da prestação de serviço militar, da prática de esporte ou de 
atos de humanidade em auxílio de terceiro:
“Art. 799. O segurador não pode eximir-se ao pagamento do seguro, 
ainda que da apólice conste a restrição, se a morte ou a incapacidade 
do segurado provier da utilização de meio de transporte mais arriscado, 
da prestação de serviço militar, da prática de esporte, ou de atos de 
humanidade em auxílio de outrem.”
Nada impede, contudo, que, por questão de política comercial, a seguradora 
se recuse a aceitar esses riscos ou preveja um prêmio maior para cobri-los. 
Para isso, é necessário que o questionário de avaliação de risco que acompanha 
a proposta formule perguntas que permitam que a seguradora identifique a 
possibilidade de esses riscos se verificarem. 
Caso o segurado, no momento da contratação do seguro, não esteja sujeito 
a um desses riscos, mas essa situação se altere no curso do contrato de 
seguro, ele deverá comunicar o fato à seguradora para que esta, conforme 
as circunstâncias, calcule e cobre a diferença de prêmio. 
 Sub-Rogação
O artigo 800 do Código Civil veda a sub-rogação da seguradora nos Seguros 
de Pessoas.
“Art. 800. Nos seguros de pessoas, o segurador não pode sub-rogar-se 
nos direitos e ações do segurado, ou do beneficiário, contra o causador 
do sinistro.”
Portanto, pago o capital segurado, conforme o caso, ao segurado ou ao 
beneficiário, a seguradora não se sub-roga no valor respectivo. Por causa disso, 
se o sinistro tiver sido causado por culpa ou dolo de terceiro, a seguradora 
não poderá exigir deste o ressarcimento do quanto pagou. 
O motivo para essa proibição é simples. Quando o sinistro sofrido pelo 
segurado for causado culposa ou dolosamente por um terceiro, haverá para 
o próprio segurado, se sobreviver, ou para seus herdeiros, se o segurado 
falecer, pretensão de reparação de dano contra o terceiro. Se a lei admitisse a 
sub-rogação da seguradora nos Seguros de Pessoas, o valor do capital pago 
por ela teria que ser, obrigatoriamente, abatido do valor da condenação 
eventualmente imposta ao terceiro na ação de reparação de dano movida 
pelo segurado ou pelos herdeiros dele. Daí resultaria um anacronismo, pois o 
capital segurado, que tem natureza compensatória, estaria sendo abatido de 
uma indenização fixada judicialmente e de típica natureza indenizatória.
UNIDADE 3 61
Além disso, a vedação permite que a reparação civil do segurado ou dos herdeiros 
dele contra o terceiro, causador do dano, seja a mais ampla possível.
Cabe observar que o Seguro-Saúde não está abrangido por essa disposição 
em razão do que foi tratado no artigo 802 do Código Civil e, também, porque 
tem natureza indenizatória. 
 Seguro Coletivo
O artigo 801 do Código Civil autoriza que o Seguro de Pessoas seja estipulado 
por pessoa física ou jurídica que mantenha vínculo com o grupo em proveito 
do qual o seguro é contratado:
“Art. 801. O seguro de pessoas pode ser estipulado por pessoa natural 
ou jurídica em proveito de grupo que a ela, de qualquer modo, se 
vincule. 
§ 1o O estipulante não representa o segurador perante o grupo segurado, 
e é o único responsável, paracom o segurador, pelo cumprimento de 
todas as obrigações contratuais.
§ 2o A modificação da apólice em vigor dependerá da anuência expressa 
de segurados que representem três quartos do grupo.”
O estipulante é o responsável pelo adimplemento dos deveres contratuais do 
grupo, inclusive pela arrecadação e pagamento dos prêmios de seguro. 
O § 1o deixa claro que o estipulante não é representante da seguradora. 
Melhor teria sido que o dispositivo tivesse, objetivamente, afirmado que o 
estipulante representa o grupo segurado. De fato, a jurisprudência do Superior 
Tribunal de Justiça já consolidou seu entendimento nesse sentido.
O dispositivo também atribui ao estipulante a responsabilidade pelo 
cumprimento de todas as obrigações contratuais assumidas com a seguradora, 
inclusive a de pagamento do prêmio. De fato, mesmo quando o seguro é parcial 
ou totalmente contributário, incumbe ao estipulante o dever de repassar o 
prêmio à seguradora.
O § 2o dispõe que a modificação da apólice em vigor dependerá da 
concordância expressa de segurados que representem ¾ (três quartos) 
do grupo, o que constitui um grande complicador do ponto de vista prático, 
pela dificuldade de implementação.
Entretanto, não é qualquer modificação da apólice que precisará ser submetida 
a essa aprovação, mas apenas aquelas que possam prejudicar os interesses 
do grupo segurado.
DIREITO DO SEGURO62
 A Exceção Contida no Artigo 802 
do Código Civil
Há determinados seguros e coberturas que, aparentemente, podem ser tidos 
como Seguros de Pessoas, mas que, na realidade, são típicos Seguros de Danos. 
O Seguro-Saúde e a cobertura de Assistência Funerária são exemplos disso.
Para que não haja dúvida a esse respeito, o artigo 802 do Código Civil deixa 
claro que os artigos 789 a 801 do mesmo código (Seção III do Capítulo do 
Seguro no Código Civil) não se aplicam às garantias de reembolso de despesas 
hospitalares ou de tratamento médico, nem de custeio das despesas de luto 
e de funeral do segurado:
“Art. 802. Não se compreende nas disposições desta Seção a garantia 
do reembolso de despesas hospitalares ou de tratamento médico, nem 
o custeio das despesas de luto e de funeral do segurado.”
 PRESCRIÇÃO
Quando um direito subjetivo é violado, o titular desse direito passa a ter uma 
pretensão contra aquele que cometeu a violação. 
A pretensão é o poder de, pelas vias judiciais, exigir de alguém uma determinada 
prestação, positiva ou negativa.
Essa pretensão deve ser exercida dentro de um prazo específico, previsto 
em lei. 
A prescrição é o fenômeno que extingue a pretensão: passado o prazo fixado 
pela lei sem que a pretensão seja exercida, esta é extinta. Por isso, essa 
prescrição é chamada de extintiva (porque extingue a pretensão do titular 
de um direito).
Tudo isso está previsto no artigo 189 do Código Civil:
“Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual 
se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os artigos 205 
e 206.”
Em suma, a prescrição consiste na extinção, pelo decurso de determinado 
prazo previsto em lei, da pretensão do titular de um direito subjetivo que foi 
violado. 
Estudaremos, a seguir, os prazos prescricionais a que se submetem o segurado 
e o beneficiário para exigir o cumprimento do contrato de seguro pela 
seguradora.
UNIDADE 3 63
 Prescrição do Segurado Contra a Seguradora 
no Seguro de Responsabilidade Civil
De acordo com o artigo 206, § 1o, inciso II, do Código Civil, o prazo prescricional 
a que se sujeita o segurado para exigir da seguradora o cumprimento do 
contrato de seguro é de um ano.
Precisamente nos Seguros de Responsabilidade Civil, esse prazo pode ser 
contado de duas formas diferentes. Ambas estão previstas na alínea “a” do 
dispositivo: 
“Art. 206. Prescreve:
§ 1o Em um ano:
(...)
II – a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra 
aquele, contado o prazo:
a) para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, 
da data em que é citado para responder à ação de indenização 
proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, 
com a anuência do segurador;” (n.g.)
A leitura da alínea “a” permite identificar claramente duas hipóteses:
• a primeira é a do segurado que é citado para responder a uma ação de 
responsabilidade civil movida pela vítima do dano; caso em que o prazo 
de um ano para que o segurado exerça a sua pretensão de reembolso em 
face da seguradora tem início na data em que o segurado é citado para 
a ação movida pela vítima; e
• a segunda é a do segurado que efetua pagamento à vítima do dano a título 
de indenização, caso em que o prazo de um ano para que o segurado 
exerça a sua pretensão de reembolso em face da seguradora tem início 
na data do mencionado pagamento.
O fato é que o Superior Tribunal de Justiça tem entendido que, tanto 
num caso quanto no outro, o prazo prescricional do segurado em face da 
seguradora terá início somente na data do pagamento feito à vítima.
Para aquele tribunal, quando o segurado for citado para responder a uma 
ação de responsabilidade civil movida pela vítima, e quando ele for requerer 
a citação da seguradora para participar da demanda, o prazo de um ano 
para que ele, segurado, exerça, em face da seguradora, a sua pretensão 
de reembolso somente terá início na data em que pagar a indenização à 
vítima.8 
8 Como exemplo disso, deve ser citado o seguinte precedente: BRASIL. Superior Tribunal de 
Justiça. Agravo Regimental nos Embargos de Declaração no Recurso Especial no 1413595/RS. 
Relator: Ministro Ricardo Villas Boas Cueva. Brasília, 20 de maio de 2016. Disponível em: 
www.stj.jus.br. Acesso em 04 out. 2016.
DIREITO DO SEGURO64
Exemplo: na vigência de um Seguro de Automóvel, mais precisamente em 
04/08/2016, o segurado provocou um acidente que causou lesões físicas ao 
motorista do outro veículo. A vítima promoveu ação de reparação de dano em 
face do segurado. A vítima e o segurado fizeram um acordo nesse processo 
judicial em 07/10/2016, e o valor ajustado no acordo foi pago pelo segurado 
à vítima em 10/10/2016. A prescrição da pretensão do segurado, de reembolso 
do quanto pagou, que é de um ano, teve início na data do pagamento feito 
à vítima (10/10/2016).
 Prescrição do Segurado Contra a 
Seguradora nos Demais Seguros
O mesmo artigo 206, § 1o, inciso II, estabelece, na alínea “b”, que a contagem 
do prazo de um ano seja, nos demais seguros, a partir da ciência do fato 
gerador da pretensão:
“Art. 206. Prescreve:
§ 1o Em um ano:
(...)
II – a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra 
aquele, contado o prazo:
(...)
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da 
pretensão;”
A ciência do fato gerador da pretensão pode variar, dependendo das 
circunstâncias.
No Seguro de Pessoas, quando a cobertura pretendida pelo segurado for a 
de Invalidez, seja por doença, seja por acidente, aplica-se a Súmula 278 do 
Superior Tribunal de Justiça: 
“Súmula 278. O termo inicial do prazo prescricional, na ação de 
indenização, é a data em que o segurado teve ciência inequívoca 
da incapacidade laboral.”
De acordo com julgados do Superior Tribunal de Justiça, a ciência inequívoca 
da invalidez pelo segurado, não importando se por doença ou por acidente, 
é a data da concessão da aposentadoria pelo órgão de Previdência.9 
Nos demais casos, a ciência do fato gerador da pretensão é a data em que o 
segurado tem conhecimento do sinistro. 
9 A título de exemplo, deve ser citado o seguinte julgado: BRASIL. Superior Tribunal de 
Justiça. Agravo Regimental no Agravo de Instrumento no 1158070/BA. Relator: Ministra 
Maria Isabel Gallotti. Brasília, 13 de agosto de 2015. Disponível em: www.stj.jus.br. Acesso 
em 04 out. 2016.
UNIDADE 3 65
Aplicação prática do prazo prescricional da pretensão 
do segurado em faceda seguradora 
Exemplo 1: na vigência de um Seguro de Automóvel, o segurado e 
seu veículo se envolvem numa colisão, precisamente em 04/03/2016. 
A prescrição da pretensão do segurado, que é de um ano, teve início 
na data da ciência do fato gerador da pretensão, que é 04/03/2016.
Exemplo 2: na vigência de um Seguro de Vida e Acidentes, com cobertura 
para invalidez por doença, o segurado recebe de seu médico assistente, 
em 05/07/2016, a notícia de diagnóstico de uma doença que acarreta 
sua invalidez total e permanente. Entretanto, somente em 08/08/2016, 
o órgão de Previdência oficial lhe concedeu aposentadoria por invalidez. 
A prescrição da pretensão do segurado, em face da seguradora, que é 
de um ano, começou a correr em 08/08/2016.
 Prescrição do Segurado em Grupo
É importante mencionar que também nos seguros coletivos, ou seja, nos 
seguros em grupo, o prazo prescricional do segurado, em face da seguradora, 
é, igualmente, de um ano, já que o artigo 206, § 1o, inciso II, alínea “b”, do 
Código Civil não faz distinção entre os seguros individuais e coletivos.
Além disso, o STJ editou a Súmula 101, com o seguinte teor:
“Súmula 101. A ação de indenização do segurado em grupo contra a 
seguradora prescreve em um ano.”
 Prescrição do Beneficiário
Na vigência do Código Civil de 1916, o prazo prescricional de que o beneficiário 
dispunha para exercer, em face da seguradora, a sua pretensão de recebimento 
do capital segurado era de 20 anos (artigo 177 do Código Civil de 1916).
Esse prazo foi reduzido pelo Código Civil atual, que entrou em vigor em 
11/01/2003.
DIREITO DO SEGURO66
De acordo com o art. 206, § 3o, inciso IX, do Código Civil, prescreve em três 
anos a pretensão do beneficiário em face da seguradora:10
“Art. 206. Prescreve:
§ 3o Em três anos:
(...)
IX – a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do 
terceiro prejudicado, no caso de seguro de responsabilidade civil 
obrigatório.”
Exemplo: num Seguro de Vida, o segurado faleceu em 02/02/2016, e o 
beneficiário teve conhecimento do óbito no mesmo dia. A prescrição da 
pretensão do beneficiário, em face da seguradora, que no Código Civil vigente 
é de três anos, começou a correr em 02/02/2016.
 Prescrição do Terceiro Contra 
a Seguradora no Seguro de 
Responsabilidade Civil Obrigatório
De acordo com o art. 206, § 3o, inciso IX, do Código Civil, prescreve em três 
anos a pretensão do beneficiário em face da seguradora:
“Art. 206. Prescreve:
§ 3o Em três anos: 
(...)
IX – a pretensão do beneficiário contra o segurador, e a do 
terceiro prejudicado, no caso de seguro de responsabilidade civil 
obrigatório.”
O Superior Tribunal de Justiça tem observado, criteriosamente, esse prazo no 
julgamento das demandas envolvendo Seguro Obrigatório de Responsabilidade 
Civil, como as ações envolvendo o Seguro de Danos Pessoais Causados por 
Veículos Automotores de Vias Terrestres – DPVAT.11
Recentemente, aquela corte editou a Súmula 405, confirmando esse prazo:
“Súmula 405. A ação de cobrança do seguro obrigatório (DPVAT) 
prescreve em três anos.”
10 Apesar de a literalidade da lei não deixar dúvida de que o prazo do beneficiário para 
propor ação em face da seguradora é de três anos, vale mencionar que dois recentes 
julgados do Superior Tribunal de Justiça decidiram que esse prazo seria maior, mais 
precisamente de dez anos (art. 205 do Código Civil). Neste sentido, há precedentes no 
STJ, como, por exemplo, este: BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Agravo Regimental 
no Agravo em Recurso Especial no 266841/RO. Relator: Ministro Raul Araujo. Brasília, 03 
de agosto de 2015. Disponível em: www.stj.jus.br. Acesso em 04 out. 2016. 
11 A título exemplificativo, pode ser citado o seguinte julgado: BRASIL. Superior Tribunal 
de Justiça. Agravo Regimental no Recurso Especial no 1322977/SP. Relator: João Otávio 
de Noronha, 12 de agosto de 2015. Disponível em: www.stj.jus.br. Acesso em 04 out. 
2016.
UNIDADE 3 67
 Aviso de Sinistro como Causa Suspensiva 
da Prescrição
Há várias causas que impedem, suspendem ou interrompem o prazo prescricional. 
Elas estão previstas nos artigos 197, 198, 199 e 202 do Código Civil.
Para os objetivos pretendidos por este estudo, importa, de forma particular, 
uma das causas suspensivas do prazo prescricional: o aviso de sinistro. 
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento 
de que o aviso de sinistro é uma causa (ou condição) suspensiva do prazo 
prescricional (artigo 199, I, do Código Civil).
Assim, o aviso de sinistro suspende o prazo prescricional até que a seguradora 
informe se vai, ou não, pagar a indenização ou capital segurado. Por isso, esse 
tribunal editou a Súmula 229:
“Súmula 229. O pedido de pagamento de indenização à Seguradora 
suspende o prazo de prescrição até que o Segurado tenha ciência da 
decisão.”
É importante mencionar que, embora a súmula se refira apenas ao 
segurado, ela também se aplica ao beneficiário.
Portanto, a prescrição tem início na ciência do fato gerador da pretensão, 
é suspensa pelo pedido de pagamento de indenização/capital à seguradora 
(aviso de sinistro) e volta a correr na data em que o segurado ou beneficiário 
é comunicado da decisão da seguradora.12 
Deste modo, não há fluência de prazo entre a data do aviso de sinistro e a 
data da resposta da seguradora. Além disso, o prazo decorrido entre a ciência 
do fato gerador da pretensão e o aviso de sinistro deve ser considerado para 
efeito de contagem (não pode ser descartado).
Exemplo de como o Aviso de Sinistro Suspende 
a Prescrição
Na vigência de um Seguro de Automóvel, precisamente em 
05/05/2016, o segurado e seu veículo se envolvem numa colisão. 
A prescrição da pretensão do segurado, em face da seguradora, teve 
início em 05/05/2016. O aviso de sinistro foi feito em 05/06/2016, 
suspendendo a fluência da prescrição. O segurado foi informado 
da recusa em 05/07/2016, data em que a prescrição voltou a correr. 
Entre a ciência do fato gerador da pretensão (05/05/2016) e o aviso 
de sinistro (05/06/2016), decorreu um mês. Assim, a partir da recusa 
da seguradora, o segurado terá 11 meses para ajuizar a ação de 
cobrança em face da primeira.
12 A Súmula 229 do STJ é constantemente aplicada nas decisões judiciais, inclusive daquela 
própria corte. Exemplo disso é o seguinte julgado: BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. 
Agravo Regimental no Recurso Especial no 1536431/MG. Relator: Ministro Moura Ribeiro. 
Brasília, 28 de agosto de 2015. Disponível em: www.stj.jus.br. Acesso em 04 out. 2016.
DIREITO DO SEGURO68
FIXANDO CONCEITOS 3 69
Anotações:
Fixando Conceitos 3
[1] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
Se, avisada pelo segurado sobre o agravamento, a seguradora decidir cancelar 
o contrato de seguro, a garantia:
(a) Estará automaticamente terminada. 
(b) Vigerá por mais 30 dias, contados da notificação ao segurado.
(c) Vigerá por mais 15 dias, contados da notificação ao segurado.
(d) Será suspensa até que o segurado se manifeste.
(e) Será suspensa até que o segurado pague a diferença de prêmio.
[2] ANALISE SE AS PROPOSIÇÕES SÃO VERDADEIRAS OU FALSAS E DEPOIS 
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA:
( ) O contrato de seguro nunca pode ser renovado automaticamente.
( ) A mora do segurado só fica caracterizada se ele for notificado pela 
seguradora.
( ) O risco decorrente de ato doloso do segurado torna nulo o contrato de 
seguro.
( ) A ação de indenização do segurado em grupo contra a seguradora 
prescreve em cinco anos.
(a) V,F,V,F
(b) V,V,F,F
(c) F,V,F,V
(d) F,V,V,F
(e) V,V,V,V
[3] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
Podemos afirmar que, nos seguros de pessoas, é válida a instituição do 
companheiro como beneficiário se, na data da contratação:
(a) O segurado também for beneficiário de um seguro instituído pelo 
companheiro.
(b) O companheiro não tiverfilhos.
(c) O segurado for solteiro, viúvo ou estiver separado de fato ou 
judicialmente.
(d) O companheiro figurar como dependente do segurado na Previdência 
Social.
(e) O companheiro for maior de idade.
DIREITO DO SEGURO70
Anotações:
Fixando Conceitos 3
[4] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
No seguro instituído pelo proponente sobre a vida de terceiro, é correto 
afirmar que:
(a) Somente será beneficiário o filho mais velho.
(b) O proponente não poderá ser casado ou ter companheiro.
(c) O proponente precisa declarar, em qualquer caso, o interesse 
segurável.
(d) O proponente não precisa declarar o interesse segurável se for cônjuge, 
companheiro, ascendente ou descendente do segurado.
(e) A Cláusula beneficiária jamais poderá ser alterada.
[5] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
Em relação ao agravamento do risco no contrato de seguro, é correto 
afirmar que:
(a) O prazo para o segurado comunicar à seguradora um fato que agravou 
o risco é de 60 dias.
(b) Independentemente do agravamento do risco, o segurado sempre 
terá direito à indenização.
(c) A seguradora não precisa ser avisada sobre um incidente que agrave 
o risco.
(d) O segurado perderá o direito à garantia se agravar intencionalmente 
o risco objeto do contrato.
(e) A garantia jamais será afetada pela ocorrência do agravamento do 
risco se o segurado estiver em dia com o pagamento do prêmio.
UNIDADE 4 71
O CÓDIGO DE DEFESA 
DO CONSUMIDOR44
Após ler esta unidade, você deve ser capaz de:
• Saber quem pode ser considerado consumidor de acordo com o Código de Defesa do Consumidor.
• Entender quando a seguradora pode ser responsabilizada por defeito na prestação do serviço.
• Conhecer os principais direitos básicos do consumidor.
• Identificar práticas e cláusulas abusivas na relação de consumo.
• Compreender quando um contrato pode ser considerado de adesão.
DIREITO DO SEGURO72
UNIDADE 4 73
 ORIGEM E OBJETIVOS
O Código de Defesa do Consumidor (Lei n
o 8.078/90), também conhecido 
como CDC, foi editado conforme a ótica constitucional, e por força 
do artigo 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, para 
implementar a Política Nacional das Relações de Consumo, prevista nos artigos 
5o, XXXII, e 170, V, da CRFB/88. 
O CDC contém normas de ordem pública e de interesse social que têm por 
objetivo atender às necessidades dos consumidores brasileiros, respeitando 
sua dignidade, sua saúde e sua segurança, protegendo seus interesses 
econômicos, melhorando sua qualidade de vida e promovendo a transparência 
e a harmonia nas relações de consumo. Além disso, o CDC prestigia os critérios 
da vulnerabilidade e da hipossuficiência do consumidor.
 CONCEITO DE CONSUMIDOR
O artigo 2o do Código de Defesa do Consumidor prevê que “consumidor é 
toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como 
destinatário final”.
Mas, além do consumidor padrão, a lei define ainda três outros tipos de 
consumidores, denominados consumidores por equiparação.
O primeiro tipo de consumidor por equiparação é a coletividade de pessoas, 
ainda que indetermináveis, que tenha participado de relações de consumo 
(CDC, art. 2o, parágrafo único). O Objetivo desta equiparação é permitir a 
defesa geral, ou em bloco, de toda uma classe de consumidores, inclusive os 
não identificados.
O art. 2o, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor completa-se 
com o artigo 81, que trata dos interesses difusos, coletivos e individuais 
homogêneos, que podem ser defendidos mediante ação civil pública.
O segundo tipo de consumidor por equiparação são as pessoas prejudicadas 
por danos causados por produtos ou serviços (CDC, art. 17).
E o terceiro tipo refere-se a pessoas expostas a certas práticas comerciais 
previstas no Código de Defesa do Consumidor, como ofertas, publicidades, 
métodos abusivos, cobrança de dívida, banco de dados ou cadastros de 
consumidores (CDC, art. 29).
Curiosidade
A doutrina diverge sobre o conceito de 
“destinatário fi nal”. Existem, basicamente, 
duas correntes a esse respeito:
Finalista: para esta corrente, é considerado 
consumidor somente aquele não profi ssional 
que adquire produto ou contrata serviço, 
esgotando em si mesmo o consumo 
(ex.: pai de família que adquire um 
computador para uso doméstico).
Maximalista: para esta corrente, basta 
que o consumidor seja o destinatário fi nal 
daquele produto ou serviço específi co, não 
importando se esse produto ou serviço foi 
empregado para transformar ou produzir 
outro produto ou prestar outro serviço 
(ex.: empresa que adquire tecido para 
confeccionar roupas para venda).
DIREITO DO SEGURO74
 ENQUADRAMENTO DA ATIVIDADE 
SECURITÁRIA COMO SERVIÇO
O artigo 3o, § 2o, do CDC enquadra a atividade securitária no conceito 
de serviço:
“Art. 3o. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, 
nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que 
desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, 
transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização 
de produtos ou prestação de serviços. 
§ 1o Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.
§ 2o Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, 
mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, 
de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter 
trabalhista.”
Embora o Código de Defesa do Consumidor atribua à atividade seguradora 
a natureza de prestação de serviço, um relevante esclarecimento deve 
ser feito. 
A obrigação da seguradora consiste em conceder uma garantia e, em caso 
de sinistro coberto, a prestação que materializa essa garantia corresponde ao 
pagamento de uma indenização ou de um capital segurado. Eventualmente, a 
prestação da seguradora é feita por meio da reposição da coisa segurada. 
Se a prestação correspondente à obrigação da seguradora se efetiva pelo 
pagamento de soma em dinheiro, conclui-se que apenas excepcionalmente 
haverá, no contrato de seguro, a efetiva prestação de um serviço pela seguradora 
ao segurado ou ao beneficiário. 
Alguns exemplos de situações em que a seguradora efetivamente presta 
um serviço ao segurado podem ser citados: o serviço de carro reserva 
no Seguro de Automóveis e o serviço de Assistência 24 horas no Seguro 
Residencial. 
A compreensão desse aspecto tem extrema importância, porque somente 
quando a seguradora estiver obrigada a prestar um efetivo serviço ao segurado, 
e quando esse serviço não for prestado ou ocorrer um defeito na prestação 
dele, é que haverá, para o segurado, direito à reparação do dano com base 
no CDC.
UNIDADE 4 75
 VULNERABILIDADE E 
HIPOSSUFICIÊNCIA 
DO CONSUMIDOR
Um dos princípios da Política Nacional das Relações de Consumo estabelecida 
pelo CDC é o reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado 
de consumo, conforme artigo 4o, inciso I, desse código:
“Art. 4o. A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo 
o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua 
dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, 
a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e 
harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios: 
(Redação dada pela Lei no 9.008, de 21.3.1995)
I – reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de 
consumo;”
A vulnerabilidade do consumidor consiste na presunção legal da sua fragilidade 
frente ao poderio econômico do fornecedor e ao fato de este gozar de melhores 
condições técnicas e jurídicas. Esta situação de fragilidade torna o consumidor 
mais suscetível a ser iludido, enganado ou ludibriado pelo fornecedor.
A vulnerabilidade se divide em três tipos: 
• técnica – é aquela em que o comprador não possui conhecimentosespecíficos sobre o produto ou serviço que está adquirindo ou contratando, 
podendo ser mais facilmente enganado. Exemplo disso são os produtos 
eletroeletrônicos adquiridos por uma pessoa idosa que tenha dificuldades 
em lidar com esse tipo de equipamento;
• científica ou jurídica – consistente na falta de conhecimentos científicos 
específicos e/ou jurídicos que crie uma situação de desvantagem evidente 
do consumidor em relação ao fornecedor de produtos ou serviços. 
Exemplo disso são os contratos bancários, como o de empréstimo, quando 
celebrados por um consumidor com pouca instrução; e
• fática ou socioeconômica – ocorre quando o fornecedor, seja por sua 
posição de monopólio fático e por seu grande poder econômico, seja em 
razão da essencialidade do produto ou do serviço que oferece, impõe sua 
superioridade a todos os consumidores que com ele contratam. Exemplo 
disso são os softwares e licenças para uso de softwares da Microsoft, 
quando adquiridos por um profissional liberal (engenheiro, economista) 
que não entenda de informática.
A vulnerabilidade técnica e científica é presumida para o consumidor não 
profissional e para o consumidor pessoa física.
Presume-se não vulnerável o consumidor profissional quando adquire produto 
ou serviço sobre o qual detém considerável conhecimento técnico em razão 
de seu ofício.
DIREITO DO SEGURO76
Presume-se, igualmente, não vulnerável o consumidor pessoa jurídica, porque 
goza de condição econômica para contratar determinados profissionais para 
orientar técnica e juridicamente sua decisão de adquirir determinado produto 
ou serviço.
Já a hipossuficiência é uma característica pessoal do consumidor, que pode 
advir de sua condição econômica, social, cultural ou qualquer outra capaz de 
influir no seu juízo sobre a relação tratada. 
Daí se conclui que vulnerabilidade e hipossuficiência não se confundem:
“A vulnerabilidade é um traço universal de todos os consumidores, 
ricos ou pobres, educadores ou ignorantes, crédulos ou espertos. 
Já a hipossuficiência é marca pessoal, limitada a alguns – até mesmo a 
uma coletividade –, mas nunca a todos os consumidores.” 
(BENJAMIN, Antônio Herman de Vasconcelos. 
Código Brasileiro de Defesa do Consumidor)
 DIREITOS BÁSICOS 
DO CONSUMIDOR
 Direito à Informação
O Código de Defesa do Consumidor estabelece no artigo 6o, inciso III, como 
direito básico do consumidor a informação: 
“Art. 6o. São direitos básicos do consumidor: 
(... )
III – a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, 
com especificação correta de quantidade, características, composição, 
qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que 
apresentem;
O dever de informar é princípio fundamental do Código de Defesa do 
Consumidor.
Com efeito, na sistemática implantada pelo CDC, o fornecedor está obrigado 
a prestar todas as informações acerca do produto e do serviço, suas 
características, qualidades, riscos, preços, etc., de maneira clara e precisa, 
não se admitindo falhas ou omissões. 
Trata-se de um dever exigido mesmo antes do início de qualquer relação. 
A informação passou a ser componente necessário do produto e do serviço, 
que não podem ser oferecidos no mercado sem ela.
Em face dessa previsão, a seguradora deve fornecer ao segurado informações claras, 
precisas e completas sobre o seguro contratado ou em vias de contratação. 
UNIDADE 4 77
 Direito à Proteção Contra a Publicidade 
Enganosa e Abusiva
O artigo 6o, inciso IV, prevê que também é direito básico do consumidor a 
proteção contra a publicidade enganosa e abusiva: 
“Art. 6o. São direitos básicos do consumidor:
(...)
IV – a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos 
comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas 
abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços;”
Diz a lei que é enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação 
de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, capaz de induzir a erro 
o consumidor a respeito da natureza, das características, da qualidade, da 
quantidade, das propriedades, da origem, do preço e de quaisquer outros 
dados a respeito dos produtos ou dos serviços oferecidos.
Logo, o efeito da publicidade enganosa é induzir o consumidor a acreditar em 
alguma coisa que não corresponda à realidade do produto ou serviço em si 
ou relativamente a seu preço, forma de pagamento, ou, ainda, a sua garantia, 
entre outros. O consumidor enganado pensa que está em uma situação, mas, 
de fato, está em outra.
O CDC proíbe as propagandas abusivas, dizendo que é abusiva, entre outras, 
a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, 
explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento 
e experiência da criança, desrespeite valores ambientais, ou que seja capaz 
de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à 
sua saúde ou segurança.
O caráter da abusividade não tem necessariamente relação direta com o 
produto ou serviço oferecido, mas, sim, com os efeitos da propaganda que 
possam causar algum mal ou constrangimento ao consumidor.
A publicidade abusiva tem sido usada na forma de discriminação. É importante 
ressaltar que a lei expressamente proíbe qualquer forma de discriminação.
O CDC distingue a publicidade enganosa e a abusiva no artigo 37: 
“Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.
§ 1o É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de 
caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro 
modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a 
respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, 
origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.
§ 2o É abusiva, dentre outras, a publicidade discriminatória de qualquer 
natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, 
se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, 
desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o 
consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua 
saúde ou segurança.
§ 3o Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por 
omissão quando deixar de informar sobre dado essencial do produto 
ou serviço.”
DIREITO DO SEGURO78
 Direito à Facilitação da Defesa dos Direitos, 
Inclusive com a Inversão do Ônus da Prova
Também constitui direito básico do consumidor a facilitação da defesa de seus 
direitos em juízo, conforme estabelece o art. 6o, inciso VIII, do CDC. 
“Art. 6o. São direitos básicos do consumidor: 
(...) 
VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão 
do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, 
for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as 
regras ordinárias de experiências.”
Um dos meios que a lei prevê para promover essa facilitação é a inversão do ônus 
da prova em favor do consumidor. O ônus de provar as alegações incumbe, via 
de regra, a quem ajuíza a ação. O Código de Defesa do Consumidor possibilita 
que o ônus da prova seja invertido, ou seja, imposto ao fornecedor do produto 
ou serviço, para facilitar a defesa dos direitos do consumidor.
Essa inversão acontecerá a critério do juiz quando este entender que o 
consumidor é hipossuficiente e quando as alegações do consumidor lhe 
parecerem verossímeis (ou seja, tiverem aparência de verdade).
A inversão do ônus da prova é faculdade do juiz, sendo necessário apenas um 
dos requisitos apresentados no dispositivo, quer sejam: a verossimilhança das 
alegações ou, de forma alternativa, a hipossuficiência.
 GARANTIA DE 
COGNOSCIBILIDADE
Como requisito indispensável para que o contrato de consumo possa obrigar 
o consumidor, o fornecedor deve cumprir a garantia de cognoscibilidade,prevista no artigo 46 do CDC:
“Art. 46. Os contratos que regulam as relações de consumo não 
obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de 
tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos 
instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreensão de 
seu sentido e alcance”.
A garantia de cognoscibilidade significa que o contrato não obrigará o 
consumidor (embora obrigue o fornecedor) se, ao emitir sua declaração de 
vontade no sentido de contratar, este não havia tido prévio conhecimento 
do clausulado do contrato.
Portanto, se, ao preencher a proposta de seguro, o consumidor não tiver tido 
prévio conhecimento das cláusulas contratuais, a garantia de cognoscibilidade 
não terá sido cumprida, de modo que o contrato obrigará o fornecedor 
(seguradora), sem obrigar o consumidor (proponente).
UNIDADE 4 79
É importante mencionar que as normas regulamentares editadas pela SUSEP 
prestigiam a garantia de cognoscibilidade ao exigirem que o proponente tenha 
prévio conhecimento das cláusulas que regerão o contrato de seguro.1
 RESPONSABILIDADE OBJETIVA 
DO FORNECEDOR PELO 
FATO DO SERVIÇO
O artigo 14 do CDC, que trata da responsabilidade do fornecedor pelo fato 
do serviço, prevê o seguinte: 
“Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente 
da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos 
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem 
como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição 
e riscos.
§ 1o O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que 
o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as 
circunstâncias relevantes, entre as quais:
I – o modo de seu fornecimento;
II – o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
III – a época em que foi fornecido.
§ 2o O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas 
técnicas.
§ 3o O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando 
provar:
I – que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;
II – a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.
§ 4o A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada 
mediante a verificação de culpa.”
O chamado fato do serviço é o defeito na prestação do serviço, de que resulta 
o chamado “acidente de consumo”. O defeito, como causador do acidente de 
consumo, é o elemento gerador da responsabilidade civil objetiva (ou seja, que 
não depende da comprovação de culpa do fornecedor). 
1 Para confirmar isso, basta verificar que, com relação aos Seguros de Danos, o artigo 
3o, Anexo I, da Circular SUSEP no 256/04 prevê que “as condições contratuais do seguro 
deverão estar à disposição do proponente previamente à assinatura da respectiva proposta, 
devendo este, seu representante legal ou seu corretor de seguros assinar declaração, 
que poderá constar da própria proposta, de que tomou ciência das referidas condições 
contratuais”. Em relação aos Seguros de Pessoas com cobertura de risco, o artigo 97 da 
Circular SUSEP no 302/05 prevê que “as condições contratuais do seguro deverão estar à 
disposição do proponente previamente à assinatura da respectiva proposta de contratação, 
no caso de plano individual, ou da proposta de adesão, no caso de plano coletivo, devendo 
o proponente, seu representante ou seu corretor de seguros assinar declaração, que poderá 
constar da própria proposta, de que tomou ciência das condições contratuais”. Finalmente, 
com relação aos Seguros de Pessoas com cobertura de Sobrevivência, o artigo 68 da 
Circular SUSEP no 339/07 prevê que “o regulamento atualizado do plano será colocado à 
disposição do proponente, previamente à contratação, sendo obrigatoriamente remetido 
ao segurado no ato da inscrição, como parte integrante da proposta”, e o parágrafo único 
estabelece que “no plano coletivo, a entrega do regulamento será efetuada, também, ao 
estipulante, na data da assinatura do contrato”.
DIREITO DO SEGURO80
No contrato de seguro, somente como exceção, ocorrerá o fato do serviço e, 
consequentemente, o chamado “acidente de consumo”.
Alguns exemplos de fato do serviço no contrato de seguro podem ser citados: 
defeito mecânico do carro reserva fornecido ao segurado e demora excessiva 
e injustificada da seguradora, nos Seguros de Automóveis, em autorizar reparos 
no veículo. 
É importante mencionar que a recusa da seguradora em pagar a indenização 
securitária ou o capital segurado, por ausência de cobertura ou por outro 
fundamento contratual ou legal, consiste em mero inadimplemento contratual 
e, portanto, não constitui fato do serviço.2
De acordo com o artigo 14 do CDC, a responsabilidade do fornecedor pelo 
fato do serviço é objetiva, ou seja, prescinde da demonstração da culpa do 
fornecedor. 
Assim, basta ao consumidor provar o defeito na prestação do serviço, o dano 
sofrido e o nexo de causalidade (relação de causa e efeito) entre um e outro 
para que seja reconhecida a obrigação do fornecedor de reparar o dano. 
“A responsabilização do réu passa a ser objetiva, já que responde, 
independentemente da existência de culpa, pela reparação dos 
danos causados aos consumidores. A alteração da sistemática da 
responsabilização, retirando-se o requisito de prova da culpa, não implica 
dizer que a vítima nada tenha de provar. Ao contrário, cabe-lhe comprovar 
o dano e o nexo de causalidade entre este e o produto ou serviço. 
Lembre-se, contudo, que em relação a estes elementos o juiz pode 
inverter o ônus da prova quando ‘for verossímil a alegação’ ou quando 
o consumidor for ‘hipossuficiente’, sempre de acordo com as ‘regras 
ordinárias de experiência’ (art. 6o, VIII).” 
(BENJAMIN, Antônio Herman de Vasconcelos. 
Código Brasileiro de Defesa do Consumidor)
De acordo com o § 3o do artigo 14 do CDC, o fornecedor somente estará 
exonerado de responsabilidade se provar:
• a culpa do próprio consumidor; 
• a culpa de terceiro (o terceiro deve ser alguém totalmente estranho à 
relação de consumo. Não é considerado terceiro a pessoa física ou jurídica 
que foi subcontratada pelo fornecedor para prestar o serviço);
• que o serviço prestado não é defeituoso; e
• a ocorrência de caso fortuito ou de força maior (essa excludente não 
consta do texto da lei, mas é largamente admitida pela doutrina e pela 
jurisprudência).
2 O Superior Tribunal de Justiça já se manifestou diversas vezes a respeito desse tema, decidindo 
que a recusa da seguradora em pagar o capital segurado ou a indenização não constitui o 
chamado “fato do serviço”, mas, sim, inadimplemento contratual, sujeito à ação de cobrança a 
ser promovida pelo segurado (ou beneficiário, se for o caso) no prazo previsto no Código Civil 
para as ações envolvendo contrato de seguro. A propósito, pode ser citado o seguinte julgado: 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Agravo Regimental no Recurso Especial no 1321897/SP. 
Relator: Ministro Carlos Alberto Menezes Direito. Brasília, 06 de agosto de 2007. Disponível em: 
www.stj.jus.br. Acesso em 04 out. 2016.
UNIDADE 4 81
 RESPONSABILIDADE SUBJETIVA 
DO PRESTADOR DE SERVIÇO 
PROFISSIONAL LIBERAL
De acordo com o artigo 14, § 4o, do CDC, a responsabilidade do profissional 
liberal é subjetiva, ou seja, deve ser aferida mediante a verificação de culpa. 
É a única exceção ao princípio de responsabilização objetiva do CDC.
O profissional liberal é prestador de serviço solitário, que faz do seu 
conhecimento uma ferramenta de sobrevivência. 
O corretor de seguros pessoa física, que exerce sua atividade de maneira 
autônoma, enquadra-se nesse conceito de profissional liberal. Portanto, 
se causar um dano a um segurado ou beneficiário, sua responsabilidade é 
subjetiva (ou seja, deverá ser apurada mediante a verificação de culpa).
 PRESCRIÇÃO PARA A AÇÃO 
DE RESPONSABILIDADE CIVIL 
PELO FATO DO SERVIÇO
Eventualmente, a pretensão do seguradoem face da seguradora pode 
submeter-se a uma prescrição diferente de um ano. É o que ocorre quando a 
pretensão do segurado em face da seguradora é de reparação de dano pelo 
chamado fato do serviço.
Conforme já mencionado, fato do serviço é o defeito na prestação do serviço, 
previsto no artigo 14 do CDC, acarretando a responsabilidade objetiva do 
fornecedor.
Isso ocorre quando a prestação devida pela seguradora ao segurado consiste, 
efetivamente, na execução de um serviço, não importando se este for prestado 
por terceiro. 
Se houver defeito ou falha na prestação do serviço, a responsabilidade da 
seguradora pelos danos causados ao segurado é objetiva, e somente será 
afastada se comprovada uma das excludentes de responsabilidade previstas 
no § 3o do artigo 14 do CDC.
Nesse caso, a ação que o segurado moverá contra o segurador não terá como 
objeto o inadimplemento contratual da obrigação de pagar uma indenização 
ou um capital (caso em que se aplica a prescrição de um ano do Código Civil), 
mas, sim, a reparação dos danos sofridos pelo fato do serviço (caso em que 
se aplica a prescrição do artigo 27 do CDC):
“Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos 
causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste 
Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento 
do dano e de sua autoria.”
DIREITO DO SEGURO82
A Seção de Direito Privado do Superior Tribunal de Justiça consolidou esse 
entendimento em julgamento ocorrido no ano de 20023, conforme o Recurso 
Especial no 146.186 – RJ, publicado no DJ de 19/12/2002. Desde então, essa 
interpretação vem sendo mantida.4
É importante destacar, ainda, que a norma dispõe que o início da contagem do 
prazo prescricional se dá a partir do conhecimento do dano e conhecimento 
de sua autoria. É da conjugação dos dois elementos que se pode considerar 
iniciado o curso do prazo prescricional. 
 DESCONSIDERAÇÃO DA 
PERSONALIDADE JURÍDICA
O artigo 28 do CDC autoriza o juiz a desconsiderar a personalidade jurídica 
do fornecedor em determinadas hipóteses: 
“Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da 
sociedade, quando, em detrimento do consumidor, houver abuso 
de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou 
violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também 
será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, 
encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má 
administração.”
Esse dispositivo permite que, presentes as situações excepcionais nele previstas, 
a personalidade jurídica do fornecedor seja afastada para que se verifique 
a responsabilização do acionista e dos administradores da seguradora, 
chamando-os a responder com seus bens pessoais pelo prejuízo causado ao 
consumidor. 
 OFERTA
A noção de oferta do CDC equivale a de um negócio jurídico unilateral, pois 
vincula, ou seja, obriga, o fornecedor (artigo 30 do Código de Defesa do 
Consumidor). 
Pode ser dirigida a uma coletividade indeterminada de pessoas (por exemplo, 
quando veiculada em jornal ou outro meio de comunicação) ou dirigida a 
um específico consumidor (por exemplo, quando endereçada pelo correio 
à residência de certa pessoa). 
3 Eis o caso julgado pela Seção de Direito Privado: BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. 
Recurso Especial no 146.186/RJ, Rel. Ministro Ari Pargendler, Rel. p/ Acórdão Ministro Aldir 
Passarinho Júnior. Brasília, 12 de dezembro de 2001.
4 A título de exemplo, pode ser citado o seguinte precedente: BRASIL. Superior Tribunal 
de Justiça. Agravo Regimental no Recurso Especial no 995890/RN. Relator: Ministro 
Antonio Carlos Ferreira. Brasília, 12 de novembro de 2013. Disponível em: www.stj.jus.br. 
Acesso em 06 out. 2016.
Curiosidade
A teoria da desconsideração da pessoa 
jur ídica foi or iginalmente invocada 
no ano de 1809, nos Estados Unidos, 
onde foi denominada disregard of 
legal entity ou lif ting the corporate 
ve i l , e xp res sões que s ign i f i c am, 
respectivamente, desconsideração da 
personalidade jurídica e levantamento do 
véu da personalidade jurídica. 
Essa teoria foi invocada no caso Bank 
of the United States contra Deveaux. 
O artigo 3o, II, da Constituição Americana 
limita a jurisdição das Cortes Federais 
às controvérsias entre “cidadãos” de 
diferentes estados americanos. Todavia, 
o juiz Marshall, com o objetivo de manter 
a jurisdição de uma Corte Federal sobre 
aquele caso, adotou a referida teoria para 
“olhar além do véu” da empresa (no caso, 
o banco) e, assim, alcançar seus sócios. 
Como estes eram cidadãos de diferentes 
estados americanos, o juiz Marshall 
concluiu que o caso poderia permanecer 
sob a jurisdição de uma Corte Federal.
UNIDADE 4 83
Pelo sistema do CDC, qualquer informação ou publicidade dirigida a uma 
coletividade ou a um determinado consumidor que contiver os elementos 
essenciais para o negócio (coisa e preço) deve ser considerada como oferta 
vinculante, bastando do consumidor o consenso. 
No seguro, contudo, há uma peculiaridade típica dos contratos aleatórios (ou 
seja, fundados no risco): a maioria dos contratos de seguro deve ser precedida 
de uma proposta do segurado, tendo a seguradora a prerrogativa de aceitar, 
ou não, aquele risco. 
Porém, uma vez que a seguradora o aceite, as condições constantes da 
oferta que ela veiculou, e que conquistou aquele consumidor (isso quando o 
segurado puder ser entendido como tal), integram o contrato e prevalecem 
sobre qualquer cláusula em sentido contrário. 
É importante mencionar que o artigo 31 do CDC prevê a forma pela qual toda 
oferta feita pelo fornecedor ao consumidor deve ser realizada:
“Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem 
assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em 
língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, 
composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros 
dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança 
dos consumidores.”
 RECUSA DO FORNECEDOR 
EM CUMPRIR A OFERTA
Caso o fornecedor se recuse a cumprir uma oferta feita ao consumidor, este 
terá ao seu dispor as alternativas previstas no artigo 35 do CDC:
“Art. 35. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento 
à oferta, apresentação ou publicidade, o consumidor poderá, 
alternativamente e à sua livre escolha:
I – exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, 
apresentação ou publicidade;
II – aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente;
III – rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia 
eventualmente antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e 
danos.”
Verifica-se que a norma dá ao consumidor alternativas para o exercício de 
seu direito e que ele escolhe livremente (cumprimento forçado da oferta, 
aceitação de outro produto ou serviço, ou a rescisão do contrato). A opção 
por qualquer das hipóteses previstas é feita sem que o consumidor tenha que 
apresentar qualquer justificativa ou fundamento. Basta a manifestação da 
vontade; apenas sua exteriorização objetiva.
DIREITO DO SEGURO84
 SOLIDARIEDADE
De acordo com o artigo 34 do CDC, o fornecedor é solidariamente responsável 
pelos atos praticados por seus prepostos e representantes que causem dano 
ao consumidor:
“Art. 34. O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente 
responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes 
autônomos.”
Portanto, a seguradora responde, solidariamente, com seus prepostos e 
agentes autorizados, pelos atos destes que causem dano ao segurado ou ao 
beneficiário.
O corretor de seguros também é solidariamente responsável pelos atos 
praticados por seus prepostos que causem dano ao segurado ou ao 
beneficiário.
 PRÁTICAS ABUSIVAS
O CDC traz, no artigo 39, um rol de práticasconsideradas abusivas. 
Esse rol não é taxativo, razão pela qual o juiz pode, em cada caso concreto, 
analisando a conduta do fornecedor, identificar outras práticas que contenham 
característica de abusividade.
Serão destacadas, a seguir, algumas das práticas listadas no artigo em 
questão.
 Venda Casada
Entre as práticas consideradas abusivas pelo CDC, e por ele vedadas, está a 
chamada venda casada, prevista no inciso I do artigo 39:
“Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre 
outras práticas abusivas:
I – condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento 
de outro produto ou outro serviço, bem como, sem justa causa, a limites 
quantitativos.”
A norma proíbe a conhecida “operação casada” ou “venda casada”, por 
meio da qual o fornecedor pretende obrigar o consumidor a adquirir um 
produto ou serviço apenas pelo fato de ele estar interessado em adquirir 
outro produto ou serviço. 
A venda casada ocorre, por exemplo, quando, para conceder um empréstimo 
ao correntista para a aquisição de um veículo, o gerente da instituição 
financeira impõe, como condição, a contratação de um Seguro Residencial. 
Diversamente, não constitui venda casada a exigência, pela instituição 
ou agente financeiro que concede ao consumidor um empréstimo ou 
financiamento, da contratação de Seguro Prestamista, destinado a liquidar 
o saldo devedor no caso de morte, invalidez ou desemprego do consumidor 
Saiba mais
A regra é que, havendo pluralidade de 
devedores, cada um seja responsável 
por apenas uma parte da dívida. Porém, 
quando houver solidariedade passiva, 
mesmo aquele que deve apenas uma 
parte fi ca responsável por toda a dívida, 
se for escolhido pelo credor para cumprir 
a obrigação, conforme o ar tigo 904 
do Código Civil. Isto representa uma 
vantagem para o credor, que, em vez 
de receber de cada devedor o que lhe é 
devido, pode cobrar e receber totalmente 
a dívida de uma única pessoa, cabendo ao 
devedor que pagou a dívida ser restituído 
pelos demais devedores solidários.
UNIDADE 4 85
segurado. Neste caso, o seguro é condição essencial para a concessão do 
empréstimo ou financiamento, constituindo garantia da obrigação assumida 
pelo consumidor. 
Todavia, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, o consumidor não 
está obrigado a contratar o Seguro Prestamista com seguradora pertencente ao 
mesmo grupo financeiro da instituição ou agente financeiro que lhe concede 
o empréstimo ou o financiamento.5
 Seguro Não Solicitado
Outra prática abusiva muito comum, prevista no inciso III do artigo 39, 
consiste no fornecimento de produto ou serviço não solicitado previamente 
pelo consumidor:
“Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre 
outras práticas abusivas:
(...)
III – enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer 
produto, ou fornecer qualquer serviço;”
A norma é taxativa em proibir o envio ou a entrega ao consumidor sem que 
este tenha previamente solicitado qualquer produto ou serviço.
Alguns serviços fornecidos sem solicitação implicam graves violações aos 
direitos do consumidor, podendo causar-lhes severos danos.
Exemplo disso ocorre quando, sem que haja solicitação do consumidor, a 
administradora de cartão de crédito insere, na fatura do consumidor, cobrança 
de seguro contra furto ou roubo do cartão. 
 Comercialização de Seguro cujo Contrato 
Não Tenha Sido Submetido à Aprovação 
da SUSEP ou Esteja em Desacordo com as 
Normas Regulamentares
O inciso VIII do artigo 39 do CDC veda a comercialização de produto ou 
serviço que esteja em desacordo com as normas regulamentares ou que 
não tenha sido submetido à aprovação do órgão regulador competente, 
quando houver:
“Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre 
outras práticas abusivas:
(...)
VIII – colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em 
desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes 
ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de 
Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional 
de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro);”
5 Foi editada pelo Superior Tribunal de Justiça a Súmula 473, em 13/06/2012, que 
dispõe: “O mutuário do SFH não pode ser compelido a contratar o seguro habitacional 
obrigatório com a instituição financeira mutuante ou com a seguradora por ela indicada”. 
Disponível em: www.stj.jus.br. Acesso em 06 out. 2016.
DIREITO DO SEGURO86
Desse modo, as seguradoras não podem comercializar contratos de seguro 
que não tenham sido submetidos à prévia aprovação da SUSEP ou que se 
mostrem incompatíveis com as normas regulamentares vigentes.
 Prazo para Cumprimento da Obrigação
De acordo com o inciso XII do artigo 39 do CDC, constitui prática abusiva 
do fornecedor a ausência de fixação de um prazo para cumprimento de sua 
obrigação:
“Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre 
outras práticas abusivas:
(...)
XII – deixar de estipular prazo para cumprimento de sua obrigação ou 
deixar a fixação de seu termo inicial a seu exclusivo critério.”
Trata-se de uma norma de especial importância. O fornecedor tem que 
estipular quando cumprirá sua obrigação ou quando terá início sua obrigação. 
Constitui prática abusiva não fazê-lo. 
O prazo para que a seguradora liquide o sinistro nos Seguros de Danos, de 
acordo com o artigo 33, § 1o, da Circular SUSEP no 256/04, é de 30 dias, 
contados da entrega de todos os documentos básicos previstos naquele 
artigo. O prazo é o mesmo para os Seguros de Pessoas com cobertura de 
Risco, conforme o artigo 72 da Circular SUSEP no 302/05.
Esse prazo deve constar da cláusula de liquidação de sinistros do contrato 
de seguro.
 COBRANÇA DE DÍVIDA JÁ PAGA
De acordo com o artigo 42 do CDC, o consumidor que for cobrado 
indevidamente por dívida já paga tem direito a exigir do fornecedor a 
restituição em dobro do valor pago a mais:
“Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não 
será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de 
constrangimento ou ameaça.
Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem 
direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro ao que pagou 
em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo 
hipótese de engano justificável.”
A cobrança de uma dívida é ação regular do credor em relação ao devedor. 
O CDC, obviamente, não a impede. O credor continua podendo cobrar, porém 
as ações que ele está autorizado a praticar somente podem ser aquelas que 
não configurem abuso do seu direito.
O que está proibido, portanto, é a chamada cobrança abusiva. Não pode 
o credor utilizar-se de ameaça, coação, constrangimento físico ou moral, 
interferir com seu trabalho, descanso ou lazer, nem promover sua exposição 
ao ridículo. 
UNIDADE 4 87
Por outro lado, salvo engano justificável, o consumidor terá direito ao 
valor igual ao dobro, por quantia que tenha sido cobrada e paga de forma 
indevida e excessiva.
Assim, por exemplo, se o prêmio de seguro mensal for pago por meio de 
débito automático em conta-corrente do segurado e o desconto de uma 
mesma parcela for feito em duplicidade, a seguradora terá que restituir em 
dobro o valor indevidamente debitado, caso não tenha uma justificativa 
plausível para o erro.
 CLÁUSULAS ABUSIVAS
O artigo 51 do CDC traz um extenso rol de cláusulas consideradas abusivas. 
Esse rol também não é exaustivo, podendo o juiz, em cada caso, identificar 
a presença, no contrato questionado pelo consumidor, de cláusulas 
abusivas.
Para fins deste estudo, merece destaque a previsão contida no inciso IV e no 
§ 1o do artigo 51:
“Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais 
relativas ao fornecimento de produtos e serviços que:(...)
IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que 
coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam 
incompatíveis com a boa-fé ou a equidade.
(...)
§ 1o Presume-se exagerada, entre outros casos, a vantagem que:
I – ofende os princípios fundamentais do sistema jurídico a que 
pertence;
II – restringe direito ou obrigações fundamentais inerentes à natureza 
do contrato, de tal modo a ameaçar seu objetivo ou o equilíbrio 
contratual;
III – se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se 
a natureza e o conteúdo do contrato, o interesse das partes e outras 
circunstâncias peculiares ao caso.”
A cláusula abusiva é aquela que é notoriamente desfavorável à parte mais 
fraca na relação contratual, que é, mais frequentemente, o consumidor. 
A existência de cláusula abusiva no contrato de consumo torna inválida a 
relação contratual pelo rompimento do equilíbrio entre as partes, já que 
tal cláusula estará presente em contrato de adesão cuja redação coube ao 
fornecedor.
É fundamental que não se confunda a cláusula abusiva, vedada pelo artigo 
51 do CDC, com a cláusula restritiva, admitida pelo mesmo código no artigo 
54, § 4o, a qual será estudada a seguir.
 CONTRATO DE ADESÃO
No contrato de adesão, a participação do consumidor limita-se à aceitação em 
bloco de uma série de cláusulas elaboradas antecipadamente pelo fornecedor. 
Caracteriza-se, assim, por permitir que seu conteúdo seja antecipadamente 
elaborado por uma das partes, eliminando a negociação quanto ao conteúdo 
das cláusulas que, normalmente, precede a formação de um contrato.
Curiosidade
Entre a segunda metade do século XVIII 
e a primeira do século XX, ocorreram 
profundas transformações no mundo, 
com destaque para o desenvolvimento 
científico e tecnológico, a Revolução 
Industr ial e os movimentos sociais 
destinados a alcançar direitos e garantias 
para as relações de trabalho. Nesse 
período surgiu, nos Estados Unidos, o 
movimento consumerista, que alterou 
substancialmente as relações entre o 
consumidor e o fornecedor. 
A massifi cação dos meios de produção 
e fornec imento, a necessidade de 
facilitar e abreviar a circulação dos 
bens e serviços e o dirigismo estatal 
exigiram a padronização dos contratos 
de consumo por meio da fixação de 
cláusulas unilaterais e previamente 
dispostas pelos fornecedores, impondo 
a utilização de instrumentos práticos, 
rápidos e uniformes. Surgiu, assim, o 
contrato de adesão.
DIREITO DO SEGURO88
A maioria dos contratos de consumo caracteriza-se pela adesão, seja porque 
ela implica redução de custos para o fornecedor, seja porque acarreta a 
uniformidade de tratamento dos consumidores. 
O contrato de adesão tem, portanto, a função de agilizar os negócios jurídicos, 
permitindo que um maior número de consumidores tenha acesso mais 
fácil/rápido a produtos e serviços. 
Porém, justamente pelo fato de o conteúdo dos contratos de adesão ser 
redigido unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, suas 
cláusulas, muitas vezes, têm caráter de abusividade. Além disso, não é 
incomum a prática de oferta em não conformidade com as regras do Código 
de Defesa do Consumidor.
O contrato de seguro, na maioria dos casos, é de adesão, pois as cláusulas 
contratuais são redigidas pela seguradora e submetidas à aprovação do órgão 
regulador competente (SUSEP) para posterior comercialização, restando ao 
consumidor aderir ao seu conteúdo.
A característica de adesão, contudo, não estará presente quando as cláusulas 
contratuais do seguro forem livremente ajustadas entre as partes, em igualdade 
de condições, o que ocorre, normalmente, em seguros de grandes riscos.
O dispositivo do Código de Defesa do Consumidor que disciplina especificamente 
os contratos de adesão é o artigo 54, que estabelece os critérios para que 
estes possam obrigar o consumidor e, ainda, para que suas cláusulas possam 
ser consideradas válidas.
“Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido 
aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente 
pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que o consumidor possa 
discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo. 
§ 1o A inserção de cláusula no formulário não desfigura a natureza de 
adesão do contrato.
§ 2o Nos contratos de adesão admite-se cláusula resolutória, desde 
que alternativa, cabendo a escolha ao consumidor, ressalvando-se o 
disposto no § 2o do artigo anterior.
§ 3o Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e 
com caracteres ostensivos e legíveis, cujo tamanho da fonte não será inferior 
ao corpo doze, de modo a facilitar sua compreensão pelo consumidor. 
§ 4o As cláusulas que implicarem limitação de direito do consumidor 
deverão ser redigidas com destaque, permitindo sua imediata e fácil 
compreensão.”
Os contratos de seguro se utilizam, frequentemente, das cláusulas restritivas, 
autorizadas pelo § 4o do artigo 54 do CDC. 
Como a seguradora pode particularizar os riscos que pretende assumir, não 
estando obrigada a pagar indenização ou capital segurado por aqueles que 
não se dispôs a cobrir (conforme o artigo 757 do Código Civil), é fundamental 
que o contrato de seguro contenha cláusulas restritivas que informem claramente 
quais riscos estão cobertos e quais estão excluídos.
Para que essas cláusulas restritivas sejam válidas, sua redação deve atender 
aos requisitos estabelecidos pelo artigo 54 do CDC.
Aprenda mais 
sobre este assunto
Leia MARQUES, Cláudia Lima. 
Contratos no código 
de defesa do consumidor: 
o novo regime das relações 
contratuais. 4. ed. São Paulo: 
Revista dos Tribunais, 2004.
FIXANDO CONCEITOS 4 89
Anotações:
Fixando Conceitos 4
[1] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
O Código de Defesa do Consumidor foi elaborado e editado em 1990 para 
cumprir um mandamento contido no(a):
(a) Constituição Federal de 1988. 
(b) Código Civil.
(c) Código Comercial.
(d) Código de Processo Civil.
(e) Código Tributário Nacional.
ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS, MARQUE A ALTERNATIVA 
CORRETA
[2] Sobre o contrato de adesão, é correto afirmar que:
I) Suas cláusulas são redigidas unilateralmente pelo fornecedor.
II) Deve ser escrito em termos claros e com caracteres ostensivos e 
legíveis.
III) É proibido pelo Código de Defesa do Consumidor.
IV) Não pode conter cláusulas restritivas.
Agora assinale a alternativa correta:
(a) Somente I é proposição verdadeira.
(b) Somente II é proposição verdadeira.
(c) Somente I e II são proposições verdadeiras.
(d) Somente I e IV são proposições verdadeiras.
(e) I, II, III e IV são proposições verdadeiras.
[3] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA 
De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, o fornecedor de produtos 
e serviços, em relação aos atos praticados por seus prepostos e representantes 
que causem dano ao consumidor, é considerado: 
(a) Parcialmente responsável.
(b) Administrativamente responsável.
(c) Responsável tributário.
(d) Solidariamente responsável.
(e) Penalmente responsável.
DIREITO DO SEGURO90
Anotações:
Fixando Conceitos 4
[4] Constitui prática abusiva:
I) Enviar ao consumidor produto ou serviço não solicitado. 
II) Inserir cláusula restritiva de direito no contrato.
III) Fazer venda casada.
IV) Descumprir a garantia de cognoscibilidade.
Agora assinale a alternativa correta:
(a) Somente I é proposição verdadeira.
(b) Somente II é proposição verdadeira.
(c) Somente IV é proposição verdadeira.
(d) Somente I e III são proposições verdadeiras.
(e) Somente III e IV são proposições verdadeiras.
[5] ANALISE SE AS PROPOSIÇÕES SÃO VERDADEIRAS OU FALSAS E DEPOIS 
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
( ) A vulnerabilidade do consumidor é a presunção legal de sua fragilidade 
no mercado de consumo.
( ) Só o consumidor profissional tem direito à inversão do ônusda prova.
( ) A publicidade inteira ou parcialmente falsa é enganosa.
( ) O direito à proteção contra a publicidade abusiva e enganosa é direito 
básico do consumidor.
(a) V,F,V,V
(b) V,F,F,V
(c) F,V,F,V
(d) F,F,V,F
(e) F,F,F,F
TESTANDO CONHECIMENTOS 91
Anotações:
Testando Conhecimentos
[1] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
O elemento do contrato de seguro que deve ser legítimo e, em alguns casos, 
também econômico é o(a):
(a) Prêmio.
(b) Indenização.
(c) Interesse segurável.
(d) Risco.
(e) Garantia.
[2] ANALISE SE AS PROPOSIÇÕES SÃO VERDADEIRAS OU FALSAS E DEPOIS 
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
( ) Nos Seguros de Danos, a sub-rogação não ocorre quando o dano for 
causado pelo cônjuge do segurado, salvo em caso de dolo.
( ) Nos Seguros de Responsabilidade Civil, a seguradora não cobre as perdas 
e danos causados pelo segurado a terceiro.
( ) Nos Seguros de Pessoas, o proponente deve contratar apenas uma apólice 
para o mesmo interesse.
( ) Nos Seguros de Pessoas, o(a) concubino(a) não pode ser indicado(a) 
como beneficiário(a).
(a) V,F,V,F
(b) V,F,F,V
(c) F,V,F,V
(d) F,F,V,F
(e) V,V,V,V
[3] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
A lei ou norma jurídica que ocupa o mais elevado plano do ordenamento 
jurídico brasileiro é o(a):
(a) Resolução. 
(b) Lei ordinária.
(c) Decreto.
(d) Constituição Federal.
(e) Lei complementar.
DIREITO DO SEGURO92
Anotações:
[4] ANALISE SE AS PROPOSIÇÕES SÃO VERDADEIRAS OU FALSAS E DEPOIS 
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
( ) A apólice de seguro pode ser ao portador nos Seguros de Pessoas.
( ) O endosso é utilizado para individualizar detalhes variáveis sobre o 
risco.
( ) A proposta não se faz necessária nos seguros contratados por bilhete.
( ) Nos Seguros de Danos, a apólice não pode ser nominativa.
(a) V,F,V,F
(b) V,V,F,F
(c) F,V,F,V
(d) F,F,V,F
(e) F,F,F,F
[5] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA 
O Código de Defesa do Consumidor veda a comercialização de produto ou 
serviço que esteja em desacordo com as normas regulamentares ou que não 
tenha sido submetido à aprovação do órgão regulador competente, quando 
houver. Desse modo, as seguradoras não podem comercializar contratos de 
seguro que não tenham sido submetidos à prévia aprovação do(a): 
(a) FENACOR.
(b) FENASEG.
(c) CNSP.
(d) SUSEP.
(e) SINCOR.
[6] MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
O segurado deve agir, em relação ao objeto do seguro, como se não houvesse 
feito tal contratação, zelando por sua integridade. Tal enunciado corresponde 
ao(à):
(a) Boa-fé objetiva.
(b) Princípio indenitário.
(c) Boa-fé subjetiva.
(d) Princípio do absenteísmo.
(e) Dolo.
TESTANDO CONHECIMENTOS 93
Anotações:
[7] ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA 
CORRETA
Sobre o prêmio, é correto afirmar que:
I) Nos seguros estipulados por pessoa física ou jurídica, o beneficiário ficará 
obrigado ao seu pagamento.
II) Se o risco não ocorrer na vigência do contrato de seguro, a seguradora 
está obrigada a devolvê-lo.
III) Seu comprovante de pagamento serve como prova da existência do 
contrato de seguro.
IV) Deve, de forma obrigatória, ser parcialmente contributário nos seguros 
contratados por estipulante.
Agora assinale a alternativa correta:
(a) Somente II é proposição verdadeira.
(b) Somente III é proposição verdadeira.
(c) Somente I e III são proposições verdadeiras.
(d) Somente III e IV são proposições verdadeiras.
(e) I, II, III e IV são proposições verdadeiras.
[8] Sobre o contrato de seguro, é correto afirmar que:
I) Pode ser gratuito.
II) É sempre de adesão.
III) O segurador só pode ser pessoa jurídica.
IV) É consensual.
(a) Somente I é proposição verdadeira.
(b) Somente II é proposição verdadeira.
(c) Somente I e II são proposições verdadeiras.
(d) Somente III e IV são proposições verdadeiras.
(e) I, II, III e IV são proposições verdadeiras.
[9] Sobre o agente autorizado da seguradora, é correto afirmar que:
I) Confunde-se com o corretor de seguros.
II) Representa os interesses do segurado.
III) Age no interesse da seguradora.
IV) A seguradora não poderá ser responsabilizada pelas ações ou omissões 
do agente que causarem dano ao segurado ou a terceiros.
Agora assinale a alternativa correta:
(a) Somente I é proposição verdadeira.
(b) Somente III é proposição verdadeira.
(c) Somente I e III são proposições verdadeiras.
(d) Somente III e IV são proposições verdadeiras.
(e) I, II, III e IV são proposições verdadeiras.
DIREITO DO SEGURO94
Anotações:
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
[10] O fornecedor poderá ter a sua personalidade jurídica desconsiderada 
quando:
(a) O consumidor requerer a desconsideração.
(b) Não apresentar sua defesa na ação movida pelo consumidor.
(c) O produto não for entregue ou o serviço não for prestado. 
(d) Houver abuso de direito pelo fornecedor.
(e) O fornecedor cometer prática tipificada como crime.
ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA 
CORRETA
[11] Sobre o contrato de Seguro de Pessoas, é correto afirmar que:
I) O suicídio jamais estará coberto.
II) A transação para pagamento do capital segurado, não importando o 
valor pago, é válida.
III) É vedada a exclusão da invalidez ou morte decorrente da prática de 
esporte pelo segurado.
IV) Não há sub-rogação.
(a) Somente I é proposição verdadeira.
(b) Somente II é proposição verdadeira.
(c) Somente IV é proposição verdadeira.
(d) Somente III e IV são proposições verdadeiras.
(e) I, II, III e IV são proposições verdadeiras.
[12] Sobre o consumidor, é correto afirmar que:
I) Não é considerada consumidora a pessoa jurídica.
II) É sempre hipossuficiente.
III) Tem direito à inversão do ônus da prova quando for hipossuficiente e 
suas alegações forem verossímeis.
IV) Tem direito a conhecer as cláusulas do contrato antes de vincular-se por 
meio dele ao fornecedor.
(a) Somente I é proposição verdadeira.
(b) Somente III é proposição verdadeira.
(c) Somente IV é proposição verdadeira.
(d) Somente III e IV são proposições verdadeiras.
(e) I, II, III e IV são proposições verdadeiras.
TESTANDO CONHECIMENTOS 95
Anotações:
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
[13] De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, a atividade 
seguradora é de:
(a) Comércio.
(b) Atividade financeira.
(c) Prestação de serviço.
(d) Operação de crédito.
(e) Fornecimento de produto.
[14] As cláusulas contratuais que estabelecem obrigações iníquas, que 
coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, são consideradas:
(a) Restritivas. 
(b) Válidas.
(c) Legais.
(d) Abusivas.
(e) Lícitas.
[15] A incerteza do recebimento da indenização ou capital segurado, que 
somente ocorrerá se um risco coberto se verificar na vigência da garantia, 
torna o contrato de seguro:
(a) Bilateral. 
(b) Solene.
(c) Aleatório.
(d) Nominado.
(e) Nulo.
[16] ANALISE SE AS PROPOSIÇÕES SÃO VERDADEIRAS OU FALSAS E DEPOIS 
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
( ) O fornecedor não precisa fixar o prazo para cumprir sua obrigação.
( ) A responsabilidade do profissional liberal perante o consumidor é 
objetiva.
( ) O contrato obriga o consumidor, ainda que este não tenha tido 
conhecimento antecipado de suas cláusulas.
( ) O ônus da prova pode ser invertido em favor do consumidor nos casos 
previstos no Código de Defesa do Consumidor.
(a) V,F,V,F
(b) V,V,F,F
(c) F,V,F,V
(d) F,F,F,V
(e) F,F,F,F
DIREITO DO SEGURO96
Anotações:
[17] ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA 
CORRETA
A responsabilidade civil do profissional liberal:
I) É objetiva.
II) É subjetiva.
III) Está prevista na Constituição Federal.
IV) Não é regulada pelo Código de Defesa do Consumidor.
Agora assinale a alternativa correta:
(a) Somente II é proposição verdadeira.
(b) Somente IV é proposição verdadeira.
(c) Somente II e III são proposições verdadeiras.
(d)Somente I, II e III são proposições verdadeiras.
(e) I, II, III e IV são proposições verdadeiras.
MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA
[18] A pretensão do segurado, em face da seguradora, para recebimento da 
indenização securitária prescreve em:
(a) 3 meses. 
(b) 1 ano.
(c) 2 anos.
(d) 5 anos.
(e) 10 anos.
[19] Condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento 
de outro produto ou serviço consiste em:
(a) Cláusula abusiva. 
(b) Ato doloso.
(c) Venda casada.
(d) Fato do serviço.
(e) Contrato de adesão.
[20] A inversão do ônus da prova em favor do consumidor é um(a):
(a) Meio de facilitação de sua defesa no processo civil. 
(b) Imposição da lei.
(c) Dever do fornecedor de produto ou serviço.
(d) Prática abusiva.
(e) Cláusula abusiva.
ESTUDOS DE CASO 97
Estudos de Caso
Caso 1
Luísa aliena a propriedade de seu veículo a João e, para documentar essa 
venda, assina o documento único de trânsito em favor dele. Além disso, 
pretendendo transferir o seguro do automóvel juntamente com a propriedade 
do bem, e sendo a apólice nominativa, Luísa e João fazem aviso escrito à 
seguradora, datado e assinado por ambos. No entanto, uma das cláusulas dessa 
apólice veda a transferência do contrato de seguro a terceiro. Pergunta-se: o 
instrumento particular firmado por Luísa em favor de João é eficaz? 
Caso 2
Laura contrata um Seguro de Vida e Acidentes e indica sua mãe, Carmem, 
como beneficiária. Na vigência do contrato de seguro, Carmem falece. Laura, 
no entanto, não substitui a beneficiária falecida por outra pessoa. Ainda na 
vigência dessa apólice, Laura falece em razão de risco coberto. Todavia, a 
segurada não tinha cônjuge ou companheiro, nem deixou outros herdeiros 
legais. Pergunta-se: é possível que alguém se habilite ao recebimento do 
capital segurado? 
DIREITO DO SEGURO98
Caso 3
João contrata um Seguro de Vida Individual com garantia adicional de 
Assistência Funeral. Por essa garantia, a seguradora se compromete a 
contratar terceiros para realizar o funeral (capela, urna, flores, carro funerário). 
O segurado falece, e a beneficiária comunica o sinistro. A seguradora informa 
que providenciará o serviço funerário. A empresa contratada pela seguradora 
para prestá-lo acerta com a beneficiária os detalhes, mas, no dia e horário 
combinados para o funeral, nenhum dos serviços é fornecido. A beneficiária 
se vê obrigada a providenciar tudo por conta própria. Mais tarde, impetra 
ação judicial contra a seguradora. Esta, em sua defesa, alega que está isenta 
de responsabilidade, porque a hipótese é de culpa de terceiro. Pergunta-se: 
o fundamento da defesa da seguradora procede?
Caso 4
Márcia contrata um seguro residencial com cobertura para Incêndio, Roubo, 
Responsabilidade Civil, Moradia Temporária e outras, além de lhe ter sido 
concedido, adicionalmente, um serviço de assistência residencial 24 horas. 
Na vigência da apólice, um pequeno vazamento ocorre na cozinha da 
residência. Márcia decide acionar o bombeiro hidráulico oferecido pelo serviço 
de assistência da seguradora para realizar o reparo. O bombeiro tenta efetuar 
o reparo, mas, por imperícia, acaba provocando o rompimento do cano e a 
completa inundação da residência da segurada. Em função disso, diversos 
bens são danificados, causando prejuízo a Márcia. Pergunta-se: a ação a ser 
proposta por Márcia para obter a reparação do dano está sujeita a qual prazo 
prescricional? 
GABARITO 99
Gabarito
 Fixando Conceitos
Unidade 1
1 – A
2 – E
3 – C
4 – C
5 – C
6 – B
Unidade 2
1 – B
2 – B
3 – A
4 – C
5 – C
Unidade 3
1 – B
2 – D
3 – C 
4 – D 
5 – D
Unidade 4
1 – A
2 – C
3 – D
4 – D
5 – A
Testando Conhecimentos
1 – C
2 – B
3 – D
4 – D
5 – D
 6 – D
 7 – B
 8 – D
 9 – B
10 – D
11 – D
12 – D
13 – C
14 – D
15 – C
16 – D
17 – A
18 – B
19 – C
20 – A
DIREITO DO SEGURO100
Estudos de Caso
Caso 1
Não, pois o contrato de seguro veda expressamente a transferência do seguro 
juntamente com a propriedade do veículo, e tal vedação é permitida pelo 
artigo 785 do Código Civil.
Caso 2
Sim. De acordo com o parágrafo único do artigo 792 do Código Civil, se 
não houver beneficiário designado, ou se por qualquer motivo não puder 
prevalecer a indicação de beneficiário feita pelo segurado, serão beneficiários 
os que provarem que a morte do segurado os privou dos meios necessários à 
subsistência. Portanto, qualquer pessoa que preencha esse requisito poderá 
se habilitar ao recebimento do capital segurado.
Caso 3
Não. A hipótese é de defeito na prestação, pois a garantia adicional de Auxílio 
Funeral consiste na prestação de um serviço ao beneficiário do seguro, 
que, embora executado por terceiro, é oferecido pela seguradora, sendo 
portanto, sua obrigação contratual. Deste modo, aplica-se à seguradora a 
responsabilidade objetiva do artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor. 
O fornecedor estará exonerado da obrigação de indenizar apenas se provar 
a ocorrência de uma das excludentes de responsabilidade mencionadas no 
§ 3o daquele artigo ou de caso fortuito ou força maior. No caso concreto, a 
empresa contratada pela seguradora para prestar o serviço, e que deixou de 
fazê-lo, não pode ser considerada “terceiro” em relação à seguradora, razão 
pela qual esta não pode arguir em sua defesa a culpa de terceiro para tentar 
se eximir de sua responsabilidade.
Caso 4
A ação será de reparação de dano pelo fato do serviço (defeito na prestação 
do serviço), baseada no artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor, 
submetendo-se, portanto, à prescrição de cinco anos, prevista no artigo 27 
do CDC.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 101
Referência Bibliográfica
ALVIM, Pedro. O contrato de seguro. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999.
BENJAMIN, Antônio Herman de Vasconcelos. Código brasileiro de defesa do consumidor comentado 
pelos autores do anteprojeto. 7. ed. São Paulo: Forense Universitária, 2001.
CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de Responsabilidade Civil. 4. ed. São Paulo: Malheiros, 2003.
DINIZ, Maria Helena. Código Civil anotado. 8. ed. São Paulo: Editora Saraiva, 2002.
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DOWER, Nelson Godoy Bassil. Instituições de Direito Público e Privado. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 
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de Aluizio José Bastos Barbosa Junior. 16. ed. Rio de Janeiro: Funenseg, 2014. 104 p.
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