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Direito Processo Penal   Renato Brasileiro

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civil.
A novidade é a Lei 12.037/09 que revogou expressamente a Lei 10.054/00. Essa lei deixou de prever o rol taxativo de delitos, como fazia a lei anterior.
A Lei 12.037/09 também revogou os artigos do “ECA” e das “Organizações Criminosas”.
Observações quanto a Lei 12.037/09:
Ao contrário da Lei 10.054/00, a Lei 12.037/09 não trouxe um rol taxativo de delitos em relação aos quais seria obrigatória a identificação criminal. Portanto, presentes os requisitos do Art. 3º, a identificação criminal poderá ser feita em relação a qualquer delito;	Comment by Everton: Art. 3º  Embora apresentado documento de identificação, poderá ocorrer identificação criminal quando:I – o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação;II – o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado;III – o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre si;IV – a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade policial, do Ministério Público ou da defesa;V – constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações;VI – o estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais.
Não pode a autoridade policial mencionar a identificação criminal do indiciado em atestados ou informações não destinados ao juízo criminal. Art. 6º.	Comment by Everton: Art. 6º  É vedado mencionar a identificação criminal do indiciado em atestados de antecedentes ou em informações não destinadas ao juízo criminal, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.
Arquivado o inquérito ou havendo a absolvição do acusado, é possível que o investigado solicite a retirada da identificação fotográfica dos autos, desde que apresente provas de sua identificação civil. Art. 7º.	Comment by Everton: Art. 7º  No caso de não oferecimento da denúncia, ou sua rejeição, ou absolvição, é facultado ao indiciado ou ao réu, após o arquivamento definitivo do inquérito, ou trânsito em julgado da sentença, requerer a retirada da identificação fotográfica do inquérito ou processo, desde que apresente provas de sua identificação civil.
ATENÇÃO
Lei 12.654/12
Acrescentou uma obrigação para determinados condenados. É a identificação do perfil genético (Art. 9º-A da LEP – vigência em 28/11/12).	Comment by Everton: “Art. 9o-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA - ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor. § 1o A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo. § 2o A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético.”
A lei determina que o condenado deve, obrigatoriamente, fornecer material genético para abastecer o banco de dados. Três correntes já discutem essa previsão:
1ª corrente – a lei é inconstitucional. É a aplicação do direito penal do autor. Criação do criminoso nato (Lombroso);
2ª corrente – a lei é constitucional. A obrigatoriedade do fornecimento é que é inconstitucional (princípio do nemo tenetur se detegere). O Estado deve utilizar materiais desprendidos do corpo do condenado;
3ª corrente – a identificação é legítima. A obrigatoriedade do fornecimento do material genético é justificável; o banco de dados não viola a CF.
Incomunicabilidade do indiciado preso
Art. 21, parágrafo único do CPP.	Comment by Everton: Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos autos e somente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o exigir.Parágrafo único. A incomunicabilidade, que não excederá de três dias, será decretada por despacho fundamentado do Juiz, a requerimento da autoridade policial, ou do órgão do Ministério Público, respeitado, em qualquer hipótese, o disposto no artigo 89, inciso III, do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei n. 4.215, de 27 de abril de 1963) (Redação dada pela Lei nº 5.010, de 30.5.1966)
Segundo a maioria da doutrina, esse dispositivo não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988.
A própria CF/88 assegura ao preso a assistência da família e do advogado. A CF veda a incomunicabilidade inclusive no Estado de Defesa, Art. 136, §3º, IV da CF.	Comment by Everton: § 3º - Na vigência do estado de defesa:IV - é vedada a incomunicabilidade do preso.
E o regime disciplinar diferenciado?
Art. 52 da Lei 7.210. HC 40.300 STJ.	Comment by Everton: Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, quando ocasione subversão da ordem ou disciplina internas, sujeita o preso provisório, ou condenado, sem prejuízo da sanção penal, ao regime disciplinar diferenciado, com as seguintes características: (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003)I - duração máxima de trezentos e sessenta dias, sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie, até o limite de um sexto da pena aplicada; (Incluído pela Lei nº 10.792, de 2003)II - recolhimento em cela individual; (Incluído pela Lei nº 10.792, de 2003)III - visitas semanais de duas pessoas, sem contar as crianças, com duração de duas horas; (Incluído pela Lei nº 10.792, de 2003)IV - o preso terá direito à saída da cela por 2 horas diárias para banho de sol. (Incluído pela Lei nº 10.792, de 2003)	Comment by Everton: 1. Considerando-se que os princípios fundamentais consagrados na Carta Magna não são ilimitados (princípio da relatividade ou convivência das liberdades públicas), vislumbra-se que o legislador, ao instituir o Regime Disciplinar Diferenciado, atendeu ao princípio da proporcionalidade.2. Legitima a atuação estatal, tendo em vista que a Lei n.º 10.792/2003, que alterou a redação do art. 52 da LEP, busca dar efetividade à crescente necessidade de segurança nos estabelecimentos penais, bem como resguardar a ordem pública, que vem sendo ameaçada por criminosos que, mesmo encarcerados, continuam comandando ou integrando facções criminosas que atuam no interior do sistema prisional -liderando rebeliões que não raro culminam com fugas e mortes de reféns, agentes penitenciários e/ou outros detentos -e, também, no meio social.
Segundo posicionamento do Supremo, o RDD não fere a Constituição.
Indiciamento
Indiciar é atribuir a alguém a autoria ou a participação em determinada infração penal.
Denominações do sujeito durante a persecução penal
Suspeito (investigado)	 Indiciado	 Acusado(denunciado) Condenado(réu)
Pressupostos para o indiciamento
Elementos informativos quanto à autoria e à materialidade do crime. O indiciamento depende de um despacho fundamentado da autoridade policial.
O promotor pode determinar que o Delegado indicie alguém?
NÃO. A atribuição é exclusiva do Delegado de polícia.
Momento para o indiciamento
O indiciamento pode ser feito a partir do início das investigações até o momento anterior ao início do processo. Se o processo já está em andamento o indiciamento não pode mais ser feito.
Desindiciamento
Ocorre quando anterior indiciamento é desconstituído em virtude de ilegalidade. O HC é o instrumento hábil para promover o desindiciamento. HC 43.599 STJ. Pode ser feito pela autoridade policial ou pelo judiciário.	Comment by Everton: O indiciamento configura constrangimento quando a autoridade policial, sem elementos mínimos de materialidade delitiva, lavra o termo respectivo e nega ao investigado o direito de ser ouvido e de apresentar documentos. Ordem CONCEDIDA em parte, para possibilitar ao paciente

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