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Apostila Direito do Trabalho   OAB 1ª Fase (2017) Alexandre Teixeira Curso Prime

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a realidade, como acontece muito no comércio, 
onde um empregado tem a CTPS assinada como vendedor e ganhando salário mínimo, quando na verdade desempenha as 
funções de gerente e recebe bem mais que o salário mínimo. Isso acontece porque o empregado precisa trabalhar e acaba se 
submetendo às ilegalidades do empregador. 
Súmula 12 do TST. CARTEIRA PROFISSIONAL As anotações apostas pelo empregador na carteira profissional do 
empregado não geram presunção juris et de jure , mas apenas juris tantum (admitem prova em contrário). 
É princípio do Direito do Trabalho e do Processo do Trabalho a primazia da realidade sobre as formas, que quer dizer 
que muito mais vale a realidade dos fatos do que a prova documental, pois esta muitas vezes não reflete a realidade. 
Súmula 225 do STF. Não é absoluto o valor probatório das anotações de Carteira Profissional. 
O contrato pode ser expresso ou tácito, sendo expresso aquele em que as partes manifestam expressamente a 
intenção de contratar, já o contrato tácito, tem manifestação de vontade, mas não de maneira expressa. 
 
 
 
CURSO PRIME – Rua Maria Tomásia, 22 – Aldeota – Fortaleza/CE – Fone: (85) 3208.2222 9 
 
OS: 0194/9/16-Gil 
OAB – 1ª FASE – XXI EXAME DA ORDEM 
3. TEORIAS SOBRE O CONTRATO DE TRABALHO 
 
3.1. Teorias Acontratualistas/Anticontratualista: negam a importância ou existência do contrato de trabalho. As relações de 
emprego nascem independentemente da existência de um contrato. 
3.1.1 Institucionalista/Fundamentalista: nega veementemente a existência de contrato. Vigorou no Brasil até, mais ou 
menos, os anos 50. Afirma que inexiste completamente a vontade de trabalho. O empregado se engaja a empresa por 
necessidade (por adesão, sem discutir condições). A relação jurídica de emprego independe de contrato. Entre o empregado 
e o empregador inexiste qualquer contrato. O empregado não tem qualquer vontade de trabalhar, pois trabalha apenas por 
necessidade. 
De acordo com essa teoria, a empresa seria instituição de utilidade Pública. Esse entendimento é amparado na Carta 
Del Lavor, antiga Carta Italiana. 
3.1.2. Teoria da Relação de Emprego ou do Contrato Realidade: enquanto o empregado não começasse a trabalhar não há 
relação de emprego. Só há relação de trabalho quando no efetivo exercício da atividade. Admite a existência do 
contrato, mas nega a importância. O contrato existe, mas não é o importante, o que é importante é a real prestação 
de serviços, pois enquanto não existir a prestação de serviços, não existirá a relação de emprego. 
3.2. Teorias Contratualistas: para as teorias contratualistas toda relação jurídica de emprego decorre necessariamente de 
um contrato de trabalho. 
3.2.1. Clássica: admite a existência de um contrato, e esse contrato era de arrendamento, sociedade ou parceria e mandato. 
O contrato de trabalho seria de natureza cível. Não havia a ideia de novo contrato e sim um contrato já existente. Essa 
teoria não prosperou, pois o contrato de trabalho é sempre de trato sucessivo, na medida em que se prestam os 
serviços, se vai adquirindo o direito à remuneração. Apesar de parecer lógico que o contrato de trabalho poderia ser 
de compra e venda, a natureza dele é incompatível com o trato sucessivo inerente às relações de emprego. 
3.2.2. Moderna: o contrato de trabalho não é um contrato civil como outro qualquer. Essa relação jurídica nasce de um novo 
tipo de contrato, que é o contrato de trabalho. É a teoria que vigora na atualidade. 
 
 
4. REQUISITOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO 
a) trabalho prestado por pessoa física; b) Pessoalidade; c) não eventualidade; d) subordinação; e) onerosidade; f) 
alteridade; g) trabalho prestado a pessoa física, jurídica ou ente despersonificado. 
 
 
5. CARACTERÍSTICAS DO CONTRATO DE TRABALHO 
5.1. Consensualidade: é preciso o consentimento das partes, se faz pela livre manifestação da vontade. 
 
5.2. Bilateralidade: para a constituição de um contrato de trabalho, que é ato jurídico, é necessária a manifestação de, pelo 
menos, duas partes envolvidas: empregado e empregador. 
5.3. Informalidade: (não-solenidade) regra geral, os contratos de trabalho são informais, ou seja, elas não precisam seguir 
uma formalidade para ter validade. Por mais que os contratos de trabalho, em sua grande maioria sejam informais, há 
exceções, como o art. 428, CLT que prevê o contrato de aprendizagem, e o contrato de trabalho por prazo determinado, 
disposto na Lei 8.601/98, que só se constitui na forma escrita. 
Se a lei exige, para a validade do ato, que determinada característica esteja presente, faz-se necessário cumprir as 
formalidades sob pena de nulidade do ato. 
5.4. Pessoalidade: somente a pessoa contratada é que pode prestar o serviço. 
5.5. Intuito personae: o contrato de trabalho é celebrado tendo em vista a pessoa do empregado. Muitas vezes o 
empregador não leva em consideração os aspectos técnicos do empregado, mas a empatia do empregado. Além do 
contrato de trabalho ser intuito personae, as obrigações do contrato de trabalho são obrigações personalíssimas. Isso 
quer dizer que além de contratar o empregado considerando a pessoa do empregado, as obrigações decorrentes do 
 
 
 
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contrato de trabalho são obrigações que somente aquele empregado pode desempenhar as funções para as quais foi 
contratado. 
Para minimizar custos e a perda de tempo, a maioria das empresas possuem contratos de adesão, que são contratos 
já pré-definidos, onde a liberdade do empregado está no fato de decidir se quer ou não quer ser contratado. Se ele quiser 
terá que aderir às cláusulas contratuais pré-estabelecidas. Fica a critério do empregador discutir as cláusulas ou não. 
Contratos de adesão não são ilegais. Ilegal é impor uma cláusula abusiva ao empregado. Basta que o contrato de 
adesão obedeça ao art. 444 da CLT para que esse contrato valha. A regra geral é que os contratos sejam de adesão, que já 
tenham cláusulas pré-estipuladas. Há liberdade para o empregado assinar o contrato ou não. 
Há outro tipo de contrato que é muito menos comum que é o contrato tipo, em que há no contrato cláusulas pré-
constituídas e há clausulas que podem ser discutidas pelas partes. Também existe o contrato paritário, que é aquele em que 
as partes estão em pé de igualdade e que cada cláusula do contrato será discutida antes de firmado o contrato. 
5.6. Sucessividade: o contrato de trabalho é sucessivo, ou seja, na medida em que o empregado vai prestando serviços ele 
também vai adquirindo direitos. 
O contrato de trato sucessivo difere do contrato de execução instantânea, que é aquele que se forma e se extingue 
praticamente ao mesmo tempo, como por exemplo, o contrato de compra e venda, onde é pago o preço e entregue a coisa. 
 
5.7. Onerosidade: é o contrato em que há direitos e obrigações para ambas as partes, vantagens e desvantagens para 
ambas as partes. Ao contrário do que se possa pensar nem todo contrato é assim. Existem os contratos gratuitos, em 
que há obrigações para uma das partes e direitos para a outra. Um exemplo desse tipo de contrato é o contrato de 
estágio, pois esse tipo de contrato, regra geral, é gratuito, pois só existe a obrigação do tomador dos serviços de pagar a 
bolsa. O contrato voluntário é um típico contrato de trabalho gratuito, que só tem vantagens para a entidade tomadora 
de serviços, e o voluntário só tem obrigação de prestar os serviços. 
5.7.1. Comutatividade: contrato comutativo é aquele em que as partes já sabem de antemão as obrigações que devem 
cumprir e o que vão receber. Esteja o empregador no lucro, esteja no prejuízo, ele sempre deverá pagar os salários 
do empregado. O contrato de aposta não é um contrato comutativo, é aleatório, depende