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REFERENCIAL CURRICULAR NACIONAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL volume 1

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um e de todos com os valores e as atitudes que cultivam.
Iolanda Huzak
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Organização dos conteúdos por blocos
Os conteúdos são apresentados nos diversos eixos de trabalho, organizados por blocos.
Essa organização visa a contemplar as dimensões essenciais de cada eixo e situar os diferentes
conteúdos dentro de um contexto organizador que explicita suas especificidades por um
lado e aponta para a sua “origem” por outro. Por exemplo, é importante que o professor
saiba, ao ler uma história para as crianças, que está trabalhando não só a leitura, mas também,
a fala, a escuta, e a escrita; ou, quando organiza uma atividade de percurso, que está
trabalhando tanto a percepção do espaço, como o equilíbrio e a coordenação da criança.
Esses conhecimentos ajudam o professor a dirigir sua ação de forma mais consciente,
ampliando as suas possibilidades de trabalho.
Embora estejam elencados por eixos de trabalho, muitos conteúdos encontram-se
contemplados em mais de um eixo. Essa opção visa a apontar para o tratamento integrado
que deve ser dado aos conteúdos. Cabe ao professor organizar seu planejamento de forma
a aproveitar as possibilidades que cada conteúdo oferece, não restringindo o trabalho a um
único eixo, em fragmentando o conhecimento.
Seleção de conteúdos
Os conteúdos aqui elencados pretendem oferecer um repertório que possa auxiliar o
desenvolvimento das capacidades colocadas nos objetivos gerais. No entanto, considerando
as características particulares de cada grupo e suas necessidades, cabe ao professor selecioná-
los e adequá-los de forma que sejam significativos para as crianças.
Deve se ter em conta que o professor, com vistas a
desenvolver determinada capacidade, pode priorizar
determinados conteúdos; trabalhá-los em diferentes momentos
do ano; voltar a eles diversas vezes, aprofundando-os a cada vez
etc. Como são múltiplas as possibilidades de escolha de
conteúdos, os critérios para selecioná-los devem se atrelar ao
grau de significado que têm para as crianças. É importante,
também, que o professor considere as possibilidades que os
conteúdos oferecem para o avanço do processo de aprendizagem
e para a ampliação de conhecimento que possibilita.
Integração dos conteúdos
Os conteúdos são compreendidos, aqui, como instrumentos para
analisar a realidade, não se constituindo um fim em si mesmos. Para que as
crianças possam compreender a realidade na sua complexidade e enriquecer
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sua percepção sobre ela, os conteúdos devem ser trabalhados de forma integrada,
relacionados entre si. Essa integração possibilita que a realidade seja analisada por diferentes
aspectos, sem fragmentá-la. Um passeio pela rua pode oferecer elementos referentes à
análise das paisagens, à identificação de características de diferentes grupos sociais, à
presença de animais, fenômenos da natureza, ao contato com a escrita e os números
presentes nas casas, placas etc., contextualizando cada elemento na complexidade do meio.
O mesmo passeio envolve, também, aprendizagens relativas à socialização, mobilizam
sentimentos e emoções constituindo-se em uma atividade que pode contribuir para o
desenvolvimento das crianças.
ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS
Os conteúdos estão intrinsecamente relacionados com a forma como são trabalhados
com as crianças. Se, de um lado, é verdade que a concepção de aprendizagem adotada
determina o enfoque didático, é igualmente verdade, de outro lado, que nem sempre esta
relação se explicita de forma imediata. A prática educativa é bastante complexa e são
inúmeras as questões que se apresentam no cotidiano e que transcendem o planejamento
didático e a própria proposta curricular. Na perspectiva de explicitar algumas indicações
sobre o enfoque didático e apoiar o trabalho do professor, as orientações didáticas
situam-se no espaço entre as intenções educativas e a prática. As orientações didáticas são
subsídios que remetem ao “como fazer”, à intervenção direta do professor na promoção de
atividades e cuidados alinhados com uma concepção de criança e de educação.
Vale lembrar que estas orientações não representam um modelo fechado que define
um padrão único de intervenção. Pelo contrário, são indicações e sugestões para subsidiar
a reflexão e a prática do professor.
Cada documento de eixo contém orientações didáticas gerais e as específicas aos
diversos blocos de conteúdos. Nas orientações didáticas gerais explicitam-se condições
relativas à: princípios gerais do eixo; organização do tempo, do espaço e dos materiais;
observação, registro e avaliação.
Organização do tempo
A rotina representa, também, a estrutura sobre a qual será organizado o tempo didático,
ou seja, o tempo de trabalho educativo realizado com as crianças. A rotina deve envolver os
cuidados, as brincadeiras e as situações de aprendizagens orientadas. A apresentação de
novos conteúdos às crianças requer sempre as mais diferentes estruturas didáticas, desde
contar uma nova história, propor uma técnica diferente de desenho até situações mais
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elaboradas, como, por exemplo, o desenvolvimento de um projeto, que requer um
planejamento cuidadoso com um encadeamento de ações que visam a desenvolver
aprendizagens específicas. Estas estruturas didáticas contêm múltiplas estratégias que são
organizadas em função das intenções educativas expressas no projeto educativo,
constituindo-se em um instrumento para o planejamento do professor. Podem ser agrupadas
em três grandes modalidades de organização do tempo. São elas: atividades permanentes,
seqüência de atividades e projetos de trabalho.
Atividades permanentes
São aquelas que respondem às necessidades básicas de cuidados, aprendizagem e
de prazer para as crianças, cujos conteúdos necessitam de uma constância. A escolha dos
conteúdos que definem o tipo de atividades permanentes a serem realizadas com freqüência
regular, diária ou semanal, em cada grupo de crianças, depende das prioridades elencadas
a partir da proposta curricular. Consideram-se atividades permanentes, entre outras:
• brincadeiras no espaço interno e externo;
• roda de história;
• roda de conversas;
• ateliês ou oficinas de desenho, pintura, modelagem e música;
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• atividades diversificadas ou ambientes organizados por temas
ou materiais à escolha da criança, incluindo momentos para
que as crianças possam ficar sozinhas se assim o desejarem;
• cuidados com o corpo.
Seqüência de atividades
São planejadas e orientadas com o objetivo de promover uma aprendizagem específica
e definida. São seqüenciadas com intenção de oferecer desafios com graus diferentes de
complexidade para que as crianças possam ir paulatinamente resolvendo problemas a partir
de diferentes proposições. Estas seqüências derivam de um conteúdo retirado de um dos
eixos a serem trabalhados e estão necessariamente dentro de um contexto específico.
Por exemplo: se o objetivo é fazer com que as crianças avancem em relação à
representação da figura humana por meio do desenho, pode-se planejar várias etapas de
trabalho para ajudá-las a reelaborar e enriquecer seus conhecimentos prévios sobre esse
assunto, como observação de pessoas, de desenhos ou pinturas de artistas e de fotografias;
atividades de representação a partir destas observações; atividades de representação a partir
de interferências previamente planejadas pelo educador etc.
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Projetos de trabalho
Os projetos são conjuntos de atividades que trabalham com conhecimentos
específicos construídos a partir de um dos eixos de trabalho que se organizam ao redor de
um problema para resolver ou um produto final que se quer obter. Possui uma duração que
pode variar conforme o objetivo, o desenrolar das várias etapas, o desejo e o interesse das
crianças pelo assunto tratado. Comportam uma grande dose de imprevisibilidade, podendo
ser alterado sempre que necessário, tendo inclusive modificações no produto final. Alguns
projetos, como fazer uma horta ou uma coleção, podem durar um ano inteiro, ao passo que
outros, como, por exemplo, elaborar um livro de receitas,

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