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SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 1 INDICE CAPÍTULO 1....................................................................................................................................11 CORROSÃO EM INSTALAÇÕES METÁLICAS ENTERRADAS OU SUBMERSAS .........11 1.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................11 1.2 COMO A CORROSÃO SE PROCESSA .................................................................................11 1.2.1 Contatos Elétricos entre Dois Metais Diferentes ...............................................................11 1.2.2 Heterogeneidades do Aço ...................................................................................................16 1.2.3 Heterogeneidades do Solo ..................................................................................................17 1.2.4 Corrosão Eletrolítica..........................................................................................................19 1.3 CORROSÃO POR BACTÉRIAS.............................................................................................20 1.4 MÉTODOS DE PROTEÇÃO CONTRA A CORROSÃO.......................................................20 1.4.1 Revestimentos Protetores....................................................................................................20 1.4.2 Proteção Catódica ..............................................................................................................20 CAPÍTULO 2....................................................................................................................................22 PROTEÇÃO CATÓDICA: PRINCÍPIOS BÁSICOS E MÉTODOS DE APLICAÇÃO .........22 2.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................22 2.2 PRINCÍPIOS BÁSICOS...........................................................................................................22 2.3 MÉTODOS DE APLICAÇÃO DA PROTEÇÃO CATÓDICA...............................................24 2.4 PROTEÇÃO CATÓDICA COM ANODOS GALVÂNICOS .................................................25 2.5 PROTEÇÃO CATÓDICA POR CORRENTE IMPRESSA ....................................................27 2.6 CORRENTE NECESSÁRIA PARA PROTEÇÃO CATÓDICA ............................................30 2.7 CRITÉRIOS DE PROTEÇÃO CATÓDICA............................................................................31 2.8 MANUTENÇÃO DO SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA ...........................................32 2.9 CUSTO DA PROTEÇÃO CATÓDICA...................................................................................32 CAPÍTULO 3....................................................................................................................................34 MEDIÇÕES DE CAMPO PARA A ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE PROTEÇÃO CATÓDICA ......................................................................................................................................34 3.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................34 3.2 INFORMAÇÕES LEVANTADAS ANTES DOS TRABALHOS DE CAMPO.....................34 3.3 MEDIÇÕES DE CAMPO.........................................................................................................35 3.3.1 Resistividades Elétricas ......................................................................................................35 3.3.2 Potenciais Estrutura/Eletrólito...........................................................................................36 3.3.3 Acidez do Solo.....................................................................................................................38 3.3.4 Pesquisa de Corrosão por Bactéria ou Corrosão Microbiológica ....................................38 3.3.5 Medições de Corrente.........................................................................................................38 3.3.6 Testes para a Determinação da Corrente Necessária para Proteção Catódica e das Condições de Polarização da Estrtutura.....................................................................................39 3.3.7 Testes nas Travessias com Tubos-Camisa..........................................................................40 3.3.8 Escolha dos Locais para a Instalação dos Retificadores, Leitos de Anodos e Equipamentos de Drenagem........................................................................................................40 3.3.9 Outros Testes, Medições e Observações ............................................................................40 3.4 CONCLUSÃO ..........................................................................................................................40 CAPÍTULO 4....................................................................................................................................41 INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO PARA PROTEÇÃO CATÓDICA......................................41 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 2 4.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................41 4.2 VOLTÍMETROS ......................................................................................................................41 4.2.1 Voltímetros Convencionais.................................................................................................41 4.2.1.1 Voltímetros convencionais de alta resistência ................................................................41 4.2.1.2 Voltímetros convencionais de baixa resistência..............................................................42 4.2.1.3 Voltímetros potenciométricos ..........................................................................................42 4.2.1.4 Voltímetros eletrônicos....................................................................................................42 4.3 AMPERÍMETROS ...................................................................................................................43 4.3.1 Amperímetro de Resistência Nula ......................................................................................43 4.4. MEDIDORES COMBINADOS ..............................................................................................43 4.5 INSTRUMENTOS PARA MEDIÇÕES DE RESISTIVIDADES ...........................................43 4.5.1 Vibroground........................................................................................................................43 4.5.2 Megger................................................................................................................................43 4.5.3 Outros Instrumentos ...........................................................................................................44 4.5.4 EM’S ...................................................................................................................................44 4.6 VOLT-OHM-MILIAMPERÍMETRO ......................................................................................45 4.7 REGISTRADORES..................................................................................................................45 4.8 DATA LOGGERS ....................................................................................................................46 4.8.1 Ramlog (de fabricação da A.B.I. Data)..............................................................................46 4.8.2 Tricorder (de fabricação da MC MILLER) ........................................................................46 4.8.3 Rectifier Controler (de fabricação da Cathodic TechnologyLimited) ..............................47 4.8.4 DLINK (de fabricação da Harco Technologies Corporation) ...........................................47 4.9 INTERRUPTORES AUTOMÁTICOS DE CORRENTE........................................................47 4.10 LOCALIZADORES DE TUBULAÇÃO................................................................................47 4.11 DETECTORES DE FALHA DE REVESTIMENTO PARA TUBULAÇÕES ENTERRADAS ..............................................................................................................................48 4.12 EQUIPAMENTOS PARA LEVANTAMENTO DE PERFIL DE POTENCIAL..................48 4.13 ACESSÓRIOS ........................................................................................................................49 4.13.1 Eletrodos de Referência....................................................................................................49 4.13.2 Caixa Padrão....................................................................................................................49 4.13.3 Fontes para Testes de Corrente........................................................................................50 4.13.4 Carretéis e Fios ................................................................................................................50 CAPÍTULO 5....................................................................................................................................51 DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA..................................51 5.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................51 5.2 A IMPORTÂNCIA DOS LEVANTAMENTOS DE DADOS.................................................51 5.3 SELEÇÃO DO MÉTODO DE PROTEÇÃO CATÓDICA A SER USADO...........................51 5.3.1 Sistema Galvânico ..............................................................................................................51 5.3.2 Sistema por Corrente Impressa ..........................................................................................51 5.4 CÁLCULO DA CORRENTE DE PROTEÇÃO CATÓDICA.................................................51 ESTRUTURA......................................................................................................................................53 QUALIDADE DO REVESTIMENTO .......................................................................................................53 EFICIÊNCIA.......................................................................................................................................53 5.5 DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS GALVÂNICOS .....................................................54 5.5.1 Instalações Submersas........................................................................................................54 5.5.1.1 Escolha do material dos anodos ...................................................................................54 5.5.1.2 Determinação da massa de anodos...............................................................................54 5.5.1.3 Determinação do número de anodos ............................................................................55 5.5.1.4 Verificação da corrente liberada pelos anodos.............................................................55 5.5.2 Instalações Enterradas .......................................................................................................56 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 3 5.5.2.1 Escolha do Material e Determinação da Massa dos Anodos........................................56 5.5.2.2 Cálculo da corrente liberada pelos anodos ...................................................................56 5.5.2.3 Cálculo do número de anodos individuais ou do número de leitos de anodos.............57 5.5.2.4 Verificação da vida dos anodos....................................................................................57 5.6 DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS POR CORRENTE IMPRESSA.............................57 5.6.1 Definição do Número de Pontos de Injeção de Corrente...................................................57 5.6.2 Escolha do Material do Anodo...........................................................................................58 5.6.3 Cálculo da Massa de Anodos .............................................................................................58 5.6.4 Escolha do Número Mínimo de Anodos .............................................................................58 5.6.6 Cálculo da Resistência do Circuito ....................................................................................58 5.6.6.1 Resistência total do circuito .........................................................................................59 5.6.7 Verificação do Número de Anodos .....................................................................................60 5.7 AUXÍLIO DE MICROCOMPUTADORES.............................................................................60 CAPÍTULO 6....................................................................................................................................61 MATERIAIS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS EM SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA ......................................................................................................................................61 6.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................61 6.2 SISTEMAS GALVÂNICOS ....................................................................................................61 6.2.1 Anodos ................................................................................................................................61 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS APRESENTADAS PELOS ANODOS GALVÂNICOS61 6.2.2 Enchimento Condutor (Backfill).........................................................................................64 6.2.3 Cabos Elétricos...................................................................................................................64 6.2.4 Conectores Elétricos...........................................................................................................65 6.2.5 Caixas de Ligação ou de Passagem ...................................................................................65 6.2.6 Resistores Elétricos ............................................................................................................65 6.2.7 Materiais Diversos..............................................................................................................65 6.3 SISTEMAS POR CORRENTE IMPRESSA............................................................................65 6.3.1 Retificadores de Corrente...................................................................................................65 6.3.2 Equipamentos de Drenagem...............................................................................................67 6.3.3 Anodos Inertes ....................................................................................................................69 6.3.4 Enchimento (Backfill) Usados para os Anodos Inertes......................................................71 6.3.5 Cabos Elétricos...................................................................................................................71 6.3.6 Juntas Isolantes. .................................................................................................................72 6.3.7 Dispositivos de Proteção das Juntas Isolantes...................................................................73 6.3.8 Caixas de Medição, Interligação e Pontos de Teste...........................................................73 6.3.9 Resistores Elétricos ............................................................................................................746.3.10 Materiais Diversos............................................................................................................75 CAPÍTULO 7....................................................................................................................................76 LEITOS DE ANODOS EM POÇOS PROFUNDOS ....................................................................76 7.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................76 7.2 TIPOS........................................................................................................................................76 7.2.1 Estrutura Básica .................................................................................................................76 7.2.2 Tubos e Trilhos-Sucata.......................................................................................................76 7.2.3 Sistemas Não Recuperáveis. ...............................................................................................77 7.2.4 Sistemas Recuperáveis........................................................................................................79 7.3 VANTAGENS E DESVANTAGENS......................................................................................80 7.3.1 Vantagens ...........................................................................................................................80 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 4 7.3.2 Desvantagens......................................................................................................................80 7.4 PROJETO..................................................................................................................................81 7.4.1 Escolha do Local para a Cama ..........................................................................................81 7.4.2 Resistividade Elétrica do Solo ............................................................................................81 7.4.3 Seleção de Materiais...........................................................................................................81 7.4.4 Profundidade Máxima Admissível ......................................................................................83 7.4.5 Procedimento para o Dimensionamento ............................................................................83 7.5 MONTAGEM ...........................................................................................................................84 7.6 ENERGIZAÇÃO ......................................................................................................................84 7.7 OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO ............................................................................................85 7.7.1 Problemas Usuais Durante a Operação e Manutenção.....................................................85 7.7.2 Registros .............................................................................................................................85 7.8 CONCLUSÕES ........................................................................................................................85 CAPÍTULO 8....................................................................................................................................86 INSPEÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA ....................86 8.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................86 8.2 COMPONENTES DE UM SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA ...................................86 8.2.1 Para Tubulações Enterradas..............................................................................................86 8.2.2 Para Tubulações Submersas...............................................................................................87 8.2.3 Para Fundos de Tanques de Armazenamento ....................................................................87 8.2.4 Para Estacas de Aço Cravadas no Mar .............................................................................87 8.2.5 Plataformas de Petróleo .....................................................................................................87 8.2.6 Armaduras de Aço das Obras de Concreto ........................................................................87 8.3 ORIENTAÇÃO PARA OS SERVIÇOS DE INSPEÇÃO E MANUTENÇÃO.......................87 8.3.1 Tubulações Enterradas Protegidas com Sistema Galvânico..............................................88 8.3.2 Tubulações Enterradas Protegidas com Sistema por Corrente Impressa..........................88 8.3.3 Fundos de Tanques de Armazenamento .............................................................................88 8.3.4 Estacas Metálicas de Piers de Atracação de Navios com Sistema por Corrente Impressa .....................................................................................................................................................88 8.3.5 Plataformas de Petróleo com Sistema por Anodos Galvânicos .........................................89 8.3.6 Armaduras de Aço do Concreto .........................................................................................89 8.4 CONCLUSÃO ..........................................................................................................................89 CAPÍTULO 9....................................................................................................................................90 REVESTIMENTOS PROTETORES PARA INSTALAÇÕES METÁLICAS ENTERRADAS E SUBMERSAS................................................................................................................................90 9.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................90 9.2 CARACTERÍSTICAS NECESSÁRIAS A UM REVESTIMENTO .......................................91 9.3 REVESTIMENTO PARA TUBULAÇÕES ENTERRADAS .................................................92 9.3.1 Revestimento à Base de Esmalte de Piche de Carvão........................................................92 9.3.2 Revestimento à Base de Esmalte de Asfalto de Petróleo....................................................93 9.3.3 Revestimento com Fitas Plásticas ......................................................................................94 9.3.4 Revestimento com Tintas Betuminosas (Epóxi Piche de Carvão ou Alcatrão Epóxi)........94 9.3.5 Revestimento com Espuma Rígida de Poliuretano.............................................................94 9.4 REVESTIMENTO PARA TUBULAÇÕES SUBMERSAS ....................................................95 9.5 REVESTIMENTO PARA TANQUES DE ARMAZENAMENTO ........................................95 9.5.1 Revestimento para Tanques de Aço Totalmente Enterrados..............................................95 9.5.2 Revestimento para Fundo de Tanque .................................................................................95 9.6 REVESTIMENTO PARA CASCO DE EMBARCAÇÕES.....................................................95 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 5 9.7 REVESTIMENTO PARA ESTACAS DE AÇO DE PIERS DE ATRACAÇÃO....................96 9.8 CONCLUSÃO ..........................................................................................................................96 CAPÍTULO 10..................................................................................................................................97 SISTEMAS DE DRENAGEM DE CORRENTE PARA CONTROLE DA CORROSÃO ELETROLÍTICA EM TUBULAÇÕES ENTERRADAS ............................................................97 10.1INTRODUÇÃO ......................................................................................................................97 10.2 A CORROSÃO ELETROLÍTICA..........................................................................................98 10.3 SISTEMAS DE DRENAGEM ...............................................................................................99 10.3.1 Ligação Direta..................................................................................................................99 10.3.2 Ligação por Meio de um Equipamento de Drenagem....................................................100 10.4 COMPLEMENTAÇÃO COM SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA .......................102 10.5 CONCLUSÃO ......................................................................................................................102 CAPÍTULO 11................................................................................................................................103 INFLUÊNCIA DAS LINHAS DE TRANSMISSÃO ELÉTRICA EM ALTA TENSÃO SOBRE AS TUBULAÇÕES ENTERRADAS .............................................................................103 11.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................103 11.2 ANÁLISE DO FENÔMENO................................................................................................103 11.3 MÉTODOS DE CÁLCULO DAS TENSÕES TUBO/SOLO ..............................................105 11.4 SOLUÇÕES PRÁTICAS PARA CONTORNAR O PROBLEMA .....................................106 11.5 EXEMPLO PRÁTICO..........................................................................................................107 11.5.1 Dados do Gasoduto ........................................................................................................108 11.5.2 Primeiro Cruzamento .....................................................................................................108 11.5.3 Segundo Cruzamento ......................................................................................................109 11.6 CONCLUSÃO ......................................................................................................................110 CAPÍTULO 12................................................................................................................................111 SISTEMAS DE ATERRAMENTO ELÉTRICO COM ANODOS DE ZINCO ......................111 12.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................111 12.2 INSTALAÇÃO .....................................................................................................................111 12.3 COMPARAÇÃO ENTRE OS ANODOS DE ZINCO E AS HASTES DE ATERRAMENTO CONVENCIONAIS......................................................................................................................112 12.4 VIDA DOS ANODOS..........................................................................................................113 12.5 CONCLUSÃO ......................................................................................................................113 CAPÍTULO 13................................................................................................................................114 ATERRAMENTO ELÉTRICO DE TANQUES METÁLICOS DE ARMAZENAMENTO .114 13.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................114 13.2 MÉTODOS DE ATERRAMENTO ELÉTRICO .................................................................114 13.2.1 American Petroleum Institute .........................................................................................115 13.2.2 National Bureau of Stantard Handbook.........................................................................115 CODE FOR PROTECTION AGAINST LIGHTNING .............................................................115 13.2.3 National Fire Protection Association.............................................................................115 FIRE PROTECTION HANDBOOK............................................................................................115 13.2.4 American Oil Company ..................................................................................................116 HAZARDS OF ELECTRICITY – BOOKLET Nº......................................................................116 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 6 13.2.5 Esso.................................................................................................................................116 ESSO ENGINEERING STANDARD B-14-86 ............................................................................116 13.2.6 Standard Handbook for Electrical Engineers ................................................................116 SEÇÃO 17-642................................................................................................................................116 13.3 ESTIMATIVA DAS RESISTÊNCIAS TANQUE/TERRA NA REPLAN .........................116 13.4 CONCLUSÕES ....................................................................................................................116 CAPÍTULO 14................................................................................................................................118 PROTEÇÃO CATÓDICA DE TUBULAÇÕES ENTERRADAS E SUBMERSAS................118 14.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................118 14.2 PROTEÇÃO CATÓDICA PARA TUBULAÇÕES ENTERRADAS .................................118 14.2.1 Proteção Catódica com Anodos Galvânicos ..................................................................118 14.2.2 Proteção Catódica por Corrente Impressa ....................................................................119 14.2.3 Como Saber se a Tubulação está Protegida Catodicamente .........................................121 14.2 PROTEÇÃO CATÓDICA PARA EMISSÁRIOS SUBMARINOS ....................................122 14.4 PROTEÇÃO CATÓDICA DE TUBOS-CAMISA PARA POÇOS PROFUNDOS ............122 14.5 CONCLUSÕES ....................................................................................................................123 CAPÍTULO 15................................................................................................................................124 PROTEÇÃO CATÓDICA DE TANQUES DE ARMAZENAMENTO DE PETRÓLEO E DERIVADOS..................................................................................................................................124 15.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................124 15.2 TIPOS DE TANQUES DE ARMAZENAMENTO .............................................................124 15.2.1 Tanques Aéreos Apoiados no Solo .................................................................................124 15.2.2 Tanques Enterrados........................................................................................................124 15.2.3 Tanques Submersos ........................................................................................................124 15.3 PROTEÇÃO CATÓDICA....................................................................................................124 15.3.1 Proteção Catódica Interna dos Tanques de Petróleo com Lastro de Água ..................125 15.3.2 Proteção Catódica Externa ............................................................................................125 15.4 CRITÉRIOS DE PROTEÇÃO..............................................................................................12915.5 DISTRIBUIÇÃO DA CORRENTE EM GRUPO DE TANQUES..........................................................129 15.6 CONCLUSÃO ......................................................................................................................130 CAPÍTULO 16................................................................................................................................131 PROTEÇÃO CATÓDICA PARA PIERS DE ATRACAÇÃO DE NAVIOS ...........................131 16.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................131 16.2 CARACTERÍSTICAS DAS ESTRUTURAS ......................................................................131 16.3 CARACTERÍSTICAS DA ÁGUA DO MAR......................................................................132 16.4 CORROSÃO DO AÇO PELA ÁGUA SALGADA.............................................................133 16.5 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA .........................................................................134 16.5.1 Sistema Galvânico ..........................................................................................................134 16.5.2 Sistema por Corrente Impressa ......................................................................................135 16.5.3 Comparação Entre o Sistema Galvânio e o Sistema por Corrente Impressa ................137 Principais Características dos Sistemas Galvânicos e por Corrente Impressa........................137 SISTEMA POR ANODOS GALVÂNICOS ................................................................................137 SISTEMA POR CORRENTE IMPRESSA .................................................................................137 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 7 16.6 ZONA DE VARIAÇÃO DE MARÉ E DE RESPINGO......................................................137 16.7 CONCLUSÃO ......................................................................................................................138 CAPÍTULO 17................................................................................................................................139 PROTEÇÃO CATÓDICA DE NAVIOS .....................................................................................139 17.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................139 17.2 CORROSÃO E PROTEÇÃO CATÓDICA..........................................................................139 17.3 PROTEÇÃO CATÓDICA GALVÂNICA ...........................................................................140 17.3.1 Proteção Galvânica de Tanques de Lastro ....................................................................141 17.3.2 Corrente Necessária .......................................................................................................142 TANQUESmA/m2.................................................................................................................142 CASCO mA/m2 .....................................................................................................................142 1.4 PROTEÇÃO CATÓDICA POR CORENTE IMPRESSA .....................................................143 17.4.1 Quantidade de Corrente Necessária para o Sistema de Corrente Impressa..................145 17.5 COMPARAÇÃO ENTRE OS SISTEMAS GALVÂNICOS E POR CORRENTE IMPRESSA ...................................................................................................................................145 17.6 INFLUÊNCIA DO REVESTIMENTO DO CASCO SOBRE AS CONDIÇÕES DE OPERAÇÃO DO SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA ......................................................146 17.7 INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES DE OPERAÇÃO DO SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA SOBRE O REVESTIMENTO.................................................................................146 17.8 CONCLUSÃO ......................................................................................................................147 CAPÍTULO 18................................................................................................................................148 PROTEÇÃO CATÓDICA DE ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUA, ESGOTOS E EFLUENTES INDUSTRIAIS.......................................................................................................148 18.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................148 18.2 PROTEÇÃO CATÓDICA GALVÂNICA ...........................................................................148 18.8 PROTEÇÃO CATÓDICA POR CORRENTE IMPRESSA ................................................149 18.4 VERIFICAÇÃO DO FUNCIONAMENTO DO SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA .......................................................................................................................................................150 18.5 CUSTO..................................................................................................................................151 18.6 CONCLUSÃO ......................................................................................................................151 CAPÍTULO 19................................................................................................................................152 PROTEÇÃO CATÓDICA DE PLATAFORMAS FIXAS DE PETRÓLEO ...........................152 19.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................152 19.2 LEVANTAMENTO DE DADOS PARA O PROJETO.......................................................152 19.2.1 Parâmetros Associados à Estrutura ...............................................................................152 19.2.2 Parâmetros Associados ao Meio Ambiente ....................................................................152 19.2.3 Parâmetros Associados aos Sistemas de Proteção Catódica.........................................153 19.3 CRITÉRIO DE PROTEÇÃO................................................................................................153 19.4 VIDA ÚTIL DO SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA................................................153 19.5 DENSIDADES DE CORRENTE DE PROTEÇÃO.............................................................154 19.6 ESCOLHA DO TIPO DE SISTEMA ...................................................................................154 19.7 ISOLAMENTO ELÉTRICO ................................................................................................154 19.8 CORRENTES DE INTERFERÊNCIA.................................................................................154 19.9 SISTEMAS GALVÂNICOS ................................................................................................154 19.9.1 Dimensionamento ...........................................................................................................155 19.10 SISTEMAS POR CORRENTE IMPRESSA......................................................................159 19.10.1 Dimensionamento .........................................................................................................160 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 8 19.10.2 Materiais.......................................................................................................................160 19.11 SISTEMAS DE MONITORAÇÃO....................................................................................160 19.12 ACOMPANHAMENTO OPERACIONAL .......................................................................161 19.13 CONCLUSÕES ..................................................................................................................162 CAPÍTULO 20................................................................................................................................163PROTEÇÃO CATÓDICA DE PÉS DE TORRES DE LINHAS DE TRANSMISSÃO ELÉTRICA .....................................................................................................................................163 20.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................163 20.2 ATERRAMENTO ELÉTRICO ............................................................................................163 20.3 INSTALAÇÃO DOS ANODOS GALVÂNICOS ...............................................................163 20.4 INSTALAÇÃO DE SISTEMA POR CORRENTE IMPRESSA .........................................164 20.5 CONCLUSÃO ......................................................................................................................164 CAPÍTULO 21................................................................................................................................165 PROTEÇÃO CATÓDICA DE ARMADURAS DE AÇO DE ESTRUTURAS DE CONCRETO...................................................................................................................................165 21.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................165 21.1 HISTÓRICO .........................................................................................................................165 21.3 MECANISMO BÁSICO DA CORROSÃO DAS ARMADURAS NO CONCRETO ........165 21.4 PRINCIPAIS MÉTODOS UTILIZADOS PARA O COMBATE À CORROSÃO NO CONCRETO .................................................................................................................................169 21.4.1 Técnicas de Reparo Localizado......................................................................................169 21.4.2 Procedimentos de Projeto e Construção ........................................................................169 21.4.3 Métodos de Isolamento da Superfície de Concreto do Meio Ambiente Agressivo .........170 21.4.4 Método da Proteção Direta das Armaduras ..................................................................170 21.4.5 Métodos de Controle Direto da Corrosão......................................................................170 USO DE INIBIDORES QUÍMICOS............................................................................................170 PROTEÇÃO CATÓDICA.............................................................................................................170 21.5 MECANISMO BÁSICO DO FUNCIONAMENTO DA PROTEÇÃO CATÓDICA DE CONCRETO .................................................................................................................................171 21.6 CRITÉRIOS DE PROTEÇÃO..............................................................................................171 21.6.1 Potenciais Mínimos ........................................................................................................172 21.7 MEDIÇÕES DE POTENCIAL.............................................................................................172 21.8 PROJETO DE SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA PARA ESTRUTURAS DE CONCRETO .................................................................................................................................173 21.8.1 Generalidades.................................................................................................................173 21.8.2 Tipos de Estruturas que Podem ser Protegidas .............................................................174 21.8.3 Dados para o Projeto .....................................................................................................174 21.8.4 Levantamento de Dados .................................................................................................175 21.8.4.1 Instrumentos necessários..........................................................................................176 21.8.5 Tipos de Sistemas............................................................................................................176 21.8.5.1 Sobrecamada condutora ...........................................................................................176 21.8.5.2 Sistemas embutidos no concreto ..............................................................................176 21.8.5.3 Sistemas distribuídos com anodos em forma de tela................................................177 21.8.5.4 Sistemas com revestimentos condutores ..................................................................179 21.8.6 Dimensionamento ...........................................................................................................180 DENSIDADE DE CORRENTE DE PROTEÇÃO......................................................................180 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 9 DENSIDADE DE CORRENTE MÁXIMA ADMISSÍVEL NOS ANODOS............................180 DETERMINAÇÃO DA CORRENTE DE PROTEÇÃO............................................................180 CONTINUIDADE ELÉTRICA ....................................................................................................180 DISTRIBUIÇÃO DOS CIRCUITOS POSITIVOS ....................................................................181 TIPO DE SISTEMA.......................................................................................................................181 RETIFICADORES.........................................................................................................................181 MONITORAÇÃO ..........................................................................................................................182 VIDA ÚTIL.....................................................................................................................................182 ISOLAMENTO ELÉTRICO ........................................................................................................182 CORRENTES DE INTERFERÊNCIA........................................................................................183 21.9 CONCLUSÕES ....................................................................................................................183 CAPÍTULO 22................................................................................................................................184 PROTEÇÃO CATÓDICA PARA SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE COMBUSTÍVEL DE AEROPORTOS .......................................................................................................................184 22.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................184 22.2 SISTEMA DE TUBULAÇÕES E TANQUES PARA TRANSPORTE, ARMAZENAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DO QUEROSENE PARA AS AERONAVES.......184 22.2.1 Transporte Refinaria/Aeroporto.....................................................................................184 22.2.2 Armazenamento no Aeroporto........................................................................................184 22.2.3 Distribuição para as Aeronaves .....................................................................................184 22.3 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA UTILIZADOS ................................................185 22.3.1 Proteção Catódica para o Trecho Refinaria/Aeroporto ................................................185 22.3.2 Proteção Catódica para os Tanques de Armazenamento...............................................185 22.3.3 Proteção Catódica para as Tubulações de Querosene dentro do Aeroporto ................186 22.4 LEVANTAMENTOS DE CAMPO PARA O PROJETO DE PROTEÇÃO CATÓDICA..186 22.5 CONDIÇÕES DE OPERAÇÃO...........................................................................................187 22.6 CONCLUSÃO ......................................................................................................................187CAPÍTULO 23................................................................................................................................188 SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA DO GASODUTO RIO–SÃO PAULO ..................188 23.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................188 23.2 DESCRIÇÃO........................................................................................................................188 23.3 LEVANTAMENTOS DE CAMPO PARA O PROJETO DO SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA..................................................................................................................................189 23.3.1 Resistividades Elétricas do Solo.....................................................................................189 23.3.2 Avaliação das Correntes de Interferência......................................................................190 23.3.3 Verificação das Condições de Operação dos Sistemas de Proteção Catódica dos Dutos Existentes ...................................................................................................................................190 23.3.4 Escolha de Locais para Instalação dos Equipamentos e Dispositivos de Proteção Catódica e Drenagem................................................................................................................191 23.4 ORIENTAÇÕES ADOTADAS PARA O PROJETO ..........................................................191 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 10 23.5 FINALIDADE DO SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA E DE DRENAGEM..........192 23.6 DESCRIÇÃO DO SISTEMA ...............................................................................................192 23.7 CONCLUSÃO ......................................................................................................................194 CAPÍTULO 24................................................................................................................................195 COMO ESPECIFICAR SERVIÇOS DE PROTEÇÃO CATÓDICA.......................................195 24.1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................195 24.2 INFORMAÇÕES A RESPEITO DA ESTRUTURA A SER PROTEGIDA .......................195 24.3 ESPECIFICAÇÕES PARA OS LEVANTAMENTOS DE CAMPO ..................................195 24.4 ESPECIFICAÇÕES PARA O PROJETO DE PROTEÇÃO CATÓDICA ..........................195 24.5 CONDIÇÕES MÍNIMAS PARA A ACEITAÇÃO DO SISTEMA ....................................196 REPRESENTAÇÕES ....................................................................................................................197 CURRÍCULO SIMPLIFICADO DA IEC ..................................................................................199 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 11 CAPÍTULO 1 Corrosão em Instalações Metálicas Enterradas ou Submersas 1.1 INTRODUÇÃO O presente capítulo analisa os principais tipos de corrosão a que estão sujeitas as instalações metálicas enterradas ou submersais, tais como tubulações (oleodutos, gasodutos, minerodutos, adutoras, linhas enterradas em unidades industriais, emissários submarinos), piers de atracação, bases de tanques de armazenamento, navios, camisas metálicas de poços, cabos telefônicos, redes de incêndio, armaduras de aço de concreto e muitas outras, largamente utilizadas em obras de engenharia. O conhecimento dos processos corrosivos que atacam essas instalações é de extrema importância, não só pelo patrimônio valioso que elas representam para as indústrias, empresas de gás, de petróleo, de mineração, petroquímicas, estaleiros, armadores e companhias de saneamento e águas, mas também para o estudo adequado e perfeita aplicação das técnicas de combate à corrosão para esses casos, tais como a aplicação dos revestimentos protetores e da proteção catódica. 1.2 COMO A CORROSÃO SE PROCESSA A corrosão é, na grande maioria dos casos, fruto de uma reação eletroquímica que envolve metais e um eletrólito, composto, de um modo geral, de substâncias químicas e água, as quais se combinam formando pilhas capazes de gerar uma corrente elétrica. Os solos, por mais secos que pareçam, sempre contêm água e funcionam, normalmente, como excelentes eletrólitos para a passagem dessa corrente. Quando uma tubulação de aço ou de ferro é enterrada, ela fica sob a ação de processos corrosivos, ou pilhas de corrosão, que podem ser causados por: 1) contatos elétricos entre dois metais diferentes; 2) heterogeneidades do aço ou do ferro; 3) heterogeneidades do solo; 4) eletrólise causada por correntes elétricas de fuga oriundas de fontes externas de força eletromotriz (como os geradores de corrente contínua das estradas de ferro eletrificadas) ou; 5) pela combinação de alguns ou de todos esses fatores atuando ao mesmo tempo, como acontece na maioria das vezes. Em casos especiais, menos comuns, uma tubulação enterrada pode ser atacada também pela corrosão resultante da ação de certos tipos de bactérias. Analisemos cada uma dessas condições separadamente. 1.2.1 Contatos Elétricos entre Dois Metais Diferentes Se qualquer dos metais utilizados normalmente em instalações industriais é colocado em contato com o solo, existe uma diferença de potencial entre esse metal e o solo. Essa diferença de potencial, chamada normalmente de potencial natural, pode ser medida com facilidade por meio de um voltímetro e de um eletrodo de referência, tal como o eletrodo de cobre/sulfato de cobre (Cu/CuSO4), utilizado na prática, como mostrado na figura 1.1. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 12 Figura 1.1 – Medição do potencial, em relação ao solo, de qualquer material metálico (potencial estrutura/solo). Foto 1.1 – Corrosão de uma chapa de aço na água do mar. Para um determinado tipo de solo cada metal apresenta um potencial diferente, de acordo com a tabela 1.1, conhecida como Série Galvânica Prática. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 13 TABELA 1.1 Série Galvânica Prática Metal Potencial (volts) (1) Magnésio comercialmente puro –1,75 Liga de magnésio (6% Al, 3% Zn, 0,15% Mn) –1,60 Zinco –1,10 Liga de alumínio (5% Zn) –1,05 Alumínio comercialmente puro –0,80 Aço (limpo) –0,50 a –0,80 Aço enferrujado –0,20 a –0,50 Ferro fundido (não grafitizado) –0,50 Chumbo –0,50 Aço em concreto –0,20 Cobre, bronze, latão –0,20 Ferro fundido com alto teor de silício –0,20 Carbono, grafite, coque +0,30 (1) Potenciais típicos normalmente observados em solos neutros e água, medidos em relação ao eletrodo de Cu/CuSO4. Valores um pouco diferentes podem ser encontrados em diferentes tipos de solos. A diferença de potencial existente entre dois metais enterrados no solo pode ser medida conforme mostrado na figura 1.2 e os valores mostrados na Série Galvânica Prática podem ser facilmente conferidos. Figura 1.2 – Medição da diferença de potencial entre dois metais diferentes, em presença de um eletrólito. Quando, por exemplo, uma haste de magnésio é enterrada no solo e ligada eletricamente a um tubo de aço também enterrado, a diferença de potencial que existe entre o magnésio e o aço (1,0 V, aproximadamente) produzirá um fluxo de corrente entre o magnésio, o solo, o aço e o condutor elétrico, conforme mostrado na figura 1.3. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 14 Figura 1.3 – Formação de uma pilha galvânica. O sentido convencional da corrente se estabelece sempre a partir do metal de potencial mais negativo, através do solo, parao metal de potencial menos negativo (o movimento de elétrons se processa em sentido inverso), formando assim a chamada pilha de corrosão galvânica. Quando isso acontece, o metal que libera corrente para o solo se corróe, adquirindo comportamente anódico, sendo chamado de anodo e o metal que recebe a corrente do solo fica protegido, adquirindo comportamento catódico, sendo intitulado de catodo da pilha formada. Essa propriedade dos metais é utilizada para o combate à corrosão de uma estrutura de aço enterrada ou submersa e essa técnica recebe o nome de proteção catódica, como veremos mais adiante. A mesma técnica é utilizada há muitos anos, em escala industrial, para a construção de pilhas comuns de lanterna, como mostrado na figura 1.4. Figura 1.4 – Pilha comum de lanterna. A diferença de potencial entre o carbono e o zinco é da ordem de 1,5 V (tabela 1.1). Com base nesse raciocínio, extremamente simples, concluímos facilmente que devemos evitar, sempre que possível, o contato elétrico entre metais dissimilares, na construção de instalações industriais, principalmente quando as estruturas metálicas são enterradas ou submersas, conforme pode ser observados pelas figuras 1.5, 1.6, 1.7 e 1.8. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 15 Figura 1.5 – Corrosão da luva galvanizada em benefício do tubo de aço. Figura 1.6 – Corrosão no tubo de aço devido à ligação elétrica com a válvula de bronze. Figura 1.7 – Quando uma estrutura de aço enterrada é aterrada com hastes e cabos de cobre ela sofre ataque corrosivo severo. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 16 Figura 1.8 – Corrosão devido à diferença de potencial existente entre um tubo novo e um tubo velho. A corrosão que se processa em tubos de ferro fundido enterrados ou submersos, chamada de corrosão grafítica, resulta da ação, também, de uma pilha galvânica semelhante às mostradas acima. O ferro se corróe em benefício da grafite existente na matriz fundida, e o tubo mantém sua forma e suas dimensões originais, mas perdendo suas propriedades mecânicas, já que só restará a massa de grafite. 1.2.2 Heterogeneidades do Aço Os aços, largamente utilizados em instalações enterradas e submersas, não são homogêneos, possuindo inclusões não metálicas, variações de composição química e tensões internas diferentes resultantes dos processos de conformação e de soldagem. Essas variações fazem com que as superfícies do aço se comportem como se fossem constituídas de materiais metálicos diferentes. As pilhas de corrosão, formadas ao longo da superfície do aço, tanto podem ser microscópicas como macroscópicas e a intensidade do processo corrosivo dependerá, como no caso anterior, da magnitude da diferença de potencial que se estabelece nas pilhas formadas. O ataque corrosivo pode ser generalizado, porém nunca uniforme e a superfície corroída apresenta irregularidades com aspecto rugoso, resultante da alternância das áreas anódicas e catódicas, sendo comum incidir em zonas preferenciais, com o desenvolvimento de alvéolos mais profundos, podendo perfurar a parede metálica. Foto 1.2 – Corrosão em uma estrutura metálica. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 17 Figura 1.9 – Pilhas de corrosão devido à não uniformidade do aço. A corrosão ocorre nos pontos de potencial mais negativos, onde a corrente abandona o tubo e penetra no solo. 1.2.3 Heterogeneidades do Solo Os solos possuem heterogeneidades que, em conjunto com as heterogeneidades do aço, agravam os problemas de corrosão, uma vez que tais variações (resistividade elétrica, grau de aeração, composição química, grau de umidade e outras) dão origem, também, a pilhas de corrosão nas superfícies dos materiais neles enterrados. As variações da resistividade elétrica do solo, sempre presentes ao longo das instalações enterradas, são as que produzem as mais severas pilhas de corosão naquelas estruturas (figura 1.10). Figura 1.10 – Pilha causada pela variação da resistividade elétrica do solo. A resistividade elétrica do solo ou da água é um dos fatores mais importantes no processo corrosivo dos metais enterrados ou submersos, sendo que, quanto mais baixo o seu valor, mais facilmente funcionam as pilhas de corrosão e mais severo é o processo corrosivo. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 18 Foto 1.3 – Corrosão em permutador de calor. Acontece freqüentemente que, embora uma tubulação seja construída ao longo de uma faixa de alta resistividade elétrica (que nos levaria, inadvertidamente, em pensar na ocorrência de corrosão suave), ela atravessa alguns locais de resistividade elétrica mais baixa, sendo então severamente corroída devido ao aparecimento das chamadas macro-pilhas de corrosão, onde os trechos em contato com os solos de mais baixa resistividade funcionam como áreas anódicas severas, corroendo-se em benefício dos trechos em contato com as resistividades mais altas conforme mostrado na figura 1.11. Figura 1.11 – Macro-pilhas de corrosão causadas pelas variações das resistividades elétricas do solo. Outro aspecto que contribui para o agravamento da corrosão das tubulações enterradas, principalmente as de grande diâmetro, é o fato de haver variações no grau de aeração dos solos, conforme pode ser visto na figura 1.12. A pilha formada nesses casos recebe o nome de pilha de aeração diferencial, com corosão acentuada nas regiões mais pobres em oxigênio, que se comportam como áreas anódicas, em benefício das regiões mais aeradas. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 19 Figura 1.12 – Pilha de aeração diferencial. 1.2.4 Corrosão Eletrolítica A corrosão eletrolítica é um problema extremamente grave que, acelerando os processos acima citados, afligem as companhias proprietárias de tubulações metálicas enterradas ou submersas. Esse tipo de corrosão é conseqüência da existência de correntes elétricas estranhas (corrente contínua) no solo em que passa a tubulação. Essas correntes, cuja existência independe de quaisquer dissimilaridades dos materiais metálicos, dos solos ou das águas, podem ser oriundas de várias fontes, sendo as mais danosas e comuns, na prática, as provenientes das ferrovias eletrificadas em corrente contínua. Nesses casos, a parte da tubulação que é corroída (figura 1.13) funciona como anodo ativo de uma cuba eletrolítica, rigorosamente de acordo com a Lei de Faraday da Eletrólise, onde o peso teórico do material metálico destruído é proporcional à intensidade de corrente (ampéres), ao tempo de descarga para o solo (segundos) e ao Equivalente eletroquímico do metal em causa (gramas/Coulomb). A tabela 1.2 apresenta as perdas de peso para os materiais metálicos de uso mais comum. Figura 1.13 – Pilha de corrosão eletrolítica causada por estradas de ferro eletrificadas. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 20 TABELA 1.2 Perda de Peso Mínima de um Material Metálico, quando Sujeito à Corrosão Eletrolítica Metal Perda de peso Fe 9,1 kg/A . ano Cu 10,4 kg/A . ano Pb 33,8 kg/A . ano Al 2,9 kg/A . ano A corrosão, nessas circunstâncias, é extremamente severa, bastando lembrar-se que, para o caso das tubulações de aço revestidas, as fugas de corrente para o solo se processam em pontos concentrados nas falhas do revestimento, podendo ocasionar furos na tubulação até mesmo em poucos dias, dependendo do caso, com a perda de poucos gramas do metal. 1.3 CORROSÃO POR BACTÉRIAS A corrosão por bactérias ou corrosão microbiológica em instalações enterradas, menos freqüentemente de ser encontrada na prática, resulta, de um modo geral,da ação de certos tipos de bactérias, em especial as redutoras de sulfatos. A corrosão por bactérias pode ser facilmente eliminada com a utilização dos sistemas de proteção catódica, convenientemente ajustados. 1.4 MÉTODOS DE PROTEÇÃO CONTRA A CORROSÃO Todos os processos corrosivos acima citados podem ser eliminados com relativa facilidade e baixo custo mediante a utilização de um revestimento protetor convenientemente escolhido, complementado por um sistema de proteção catódica que, para o caso de existência de correntes de fuga de estradas de ferro eletrificadas, precisa ser utilizado por um sistema eficiente de drenagem das correntes tubo/trilho (interligações elétricas, através de diodos adequadamente dimensionados e instalados entre a tubulação enterrada e os trilhos da estrada de ferro). 1.4.1 Revestimentos Protetores A escolha do revestimento a ser utilizado é função, entre outras variáveius, das condições do meio onde a instalação será construída. Os revestimentos betuminosos, aplicados a quente, vêm sendo utilizados há muitos anos para a proteção de tubulações, apresentando grande eficiência. Mais recentemente estão sendo usados, também, revestimentos por meio de fitas adesivas. O revestimento possui a finalidade específica de formar uma barreira protetora, isolante, entre o metal e o solo ou água, impedind, com isso, o funcionamento das pilhas de corrosão. Desde que as correntes de corrosão sejam impedidas de circular através do solo, a corrosão cessa totalmente. Acontece, porém, que mesmo os revestimentos de boa qualidade, bem especificados e aplicados com o máximo rigor, mediante preparo adequado da superfície, aplicação de primer conveniente, inspeção com holiday detector e reparos, possuem falhas, devido à porosidade normal dos materiais utilizados e aos danos decorrentes do transporte, manuseio e instalação, sem falar nas uniões soldadas, que são revestidas, muitas vezes precariamente, por meio de processo manual. Além disso, as variações das condições do solo contribuem para o envelhecimento da camada isolante, com o passar do tempo diminuindo progressivamente sua eficiência. Sempre acontece que um revestimento com excelente eficiência imediatamente após a construção da obra fica sujeito a várias falhas em tempo relativamente curto. As correntes de corrosão fluindo através dessas falhas, normalmente em pontos concentrados, contribuem para corrosão localizada, podendo furar a parede metálica. No capítulo 9 estão descritos os principais tipos de revestimentos normalmente utilizados para as instalações metálicas enterradas ou submersas, de um modo geral. 1.4.2 Proteção Catódica O único método seguro e econômico para a proteção contra a corrosão de instalações metálicas enterradas ou submersas, consiste no uso de um revestimento adequado, com as preocupações normais de aplicação e inspeção, complementado pela proteção catódica. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 21 A correta aplicação de um sistema de proteção catódica equivale à obtenção de um revestimento perfeito, ou seja, totalmente isento de falhas, sendo que os revestimentos e a proteção catódica estão intimamente ligados. Quanto melhor o revestimento, mais baixo o custo da proteção catódica e quanto pior o revestimento, maior será a quantidade de corrente necessária para proteger os tubos. No capítulo seguinte são descritos os princípios básicos e os métodos de aplicação dos sistemas de proteção catódica, incluindo considerações a respeito do seu custo. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 22 CAPÍTULO 2 Proteção Catódica: Princípios Básicos e Métodos de Aplicação 2.1 INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento industrial que atravessa o Brasil, a utilização de instalações metálicas enterradas ou submersas, tais como oleodutos, gasodutos, adutoras, redes de incêndio, tubulações industriais enterradas, minerodutos, navios, emissários submarinos, plataformas de petróleo, piers de atracação de navios, tanques de armazenamento e muitas outras, tem sido cada vez mais freqüente. Em conseqüência, os problemas de corrosão aumentam em grandes proporções, obrigando ao desenvolvimento e ao aperfeiçoamento de novas técnicas para o seu combate e controle, tais como a aplicação de novos processos metalúrgicos, o uso de revestimentos protetores e o emprego de proteção catódica, já agora bastante conhecidas e difundidas entre nós. Esse capítulo trata da aplicação da técnica de proteção catódica, considerando desde os princípios envolvidos até os métodos utilizados para o seu emprego eficiente. A proteção catódica não é uma técnica recente, sendo utilizada há muitos anos nos países mais desenvolvidos, depois de ter sido experimentada pela primeira vez, na Inglaterra, em 1824, por Sir Humphrey Davy, para retardar a corrosão das chapas de cobre que revestiam os cascos de madeira dos navios, mediante a fixação, naquelas estruturas, de pequenos pedaços de outros materiais como o ferro, o estanho e o zinco. No Brasil, o início efetivo de sua utilização se deu por volta de 1964, com a construção do Oleoduto Rio–Belo Horizonte (ORBEL), da Petrobras. Mais recentemente, graças à aplicação eficiente das técnicas de proteção catódica, as companhias de águas, de mineração, de energia elétrica, de distribuição de gás, petróleo e derivados, as petroquímicas e indústrias, de um modo geral, têm encontrado maior facilidade para resolver os problemas de corrosão causados pelo solo, pela água ou por corrente de fuga, que aparecem com freqüência em suas instalações metálicas subterrâneas ou submersas. Mais recentemente, também as armaduras de aço das obras de concreto armado estão sendo protegidas catodicamente, com bastante sucesso, conforme apresentado com detalhes no capítulo 21. O emprego da proteção catódica no Brasil já se encontra bastante disseminado, sendo que todos os materiais e equipamentos utilizados para a construção dos sistemas de proteção estão sendo aqui fabricados, dentro das técnicas mais atualizadas. 2.2 PRINCÍPIOS BÁSICOS Quando uma instalação metálica encontra-se enterrada ou submersa, conforme mostrado no capítulo anterior, existe sempre um fluxo de corrente, através do eletrólito, desde a área anódica até a área catódica, sendo que o retorno da corrente se processa por intermédio do circuito externo, que no caso das tubulações enterradas é constituídos pelos próprios tubos. Quando a corrente deixa o anodo ou área anódica e penetra no eletrólito, produz uma reação eletroquímica na sua superfície. Essa reação envolve íons positivos do metal nas áreas anódicas e os íons negativos existentes no eletrólito, resultando, como produto de corrosão, no composto do metal. A corrente migra através do eletrólito e penetra na área catódica, sendo que nessa região os íons positivos provenientes da solução são liberados, geralmente sob a forma de hidrogênio atômico. Freqüentemente há o desprendimento de hidrogênio gasoso, podendo, ainda, através de reações secndárias, haver a formação de outros composto tais como hidroxilas, carbonatos e cloretos. Assim sendo, nas áreas catódicas as reações não se processam com o material metálico e, sim, c om o eletrólito, razão pela qual existe ausência de corrosão. A formação de hidrogênio e outros compostos sobre a superfície do catodo é conhecida com o nome de “polarizçaão catódica”, fenômeno que tende a reduzir a atividade da pilha de corrosão. Entretanto, agentes despolarizantes, tais como o oxigênio, SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 23 combinam-se com o hidrogênio, formando íons hidroxila ou água, o que mantém a atividade das pilhas de corrosão. As reações típicas que ocorrem, para o caso do aço, são as seguintes: Reação que ocorre com o metal Fe → Fe++ + 2e Reaçõesque podem ocorrer no meio • Meio neutro não-aerado 2H2O + 2e → H2 + 20 H – • Meio ácido não-aerado 2H+ + 2e → H2 • Meio ácido aerado 2H+ + ½ O2 + 2e → H2O • Meio neutro aerado H2O + 1/2 O2 + 2e → 2 OH – Evolução das Reações em Meio Aerado até a Formação da Ferrugem Fe++ + 20H– → Fe(OH)2 2Fe (OH)2 + H2O + ½ O2 → 2 Fe (OH)3 )ferrugem(OHOFeouOHFeQ2)OH(Fe2 232 OH2– 3 2 ⋅⋅ → Em função dessas considerações, fica fácil concluir que, se conseguirmos fazer com que toda a superfície de uma instalação metálica, enterrada ou submersa, adquira comportamento catódico, a estrutura não sofrerá ataque corrosivo, ficando completamente protegida pela ação da “proteção catódica”. Isso pode ser conseguido provendo-se a estrutura de um fluxo de corrente de proteção, proveniente de uma fonte externa, com uma intensidade tal que seja capaz de anular as correntes de corrosão das diversas pilhas existentes na superfície metálica. Quando a estrutura ficar totalmente polarizada, a corrosão cessará. Na realidade, a corrosão não é eliminada mas, sim, transferida para um material metálico de custo baixo que é usado como anodo, enquando a valiosa instalação metálica, que pode ser uma tubulação, um casco de navio, uma estaca cravada no mar, uma plataforma de petróleo, a base de um tanque de armazenamento, ou a armadura de aço de uma obra de concreto, fica protegida. Para melhor entender o fenômeno da proteção catódica, examinemos a equação fundamental da corrosão, mostrada abaixo: R Ec–Ea I = onde: I = corrente de corrosão, que flui do anodo para o catodo (ampéres); Ea – Ec = diferença de potencial entre o anodo e o catodo (volts); R = soma da resistência de saída da corrente do anodo para o eletrólito, com a resistência de entrada da corrente do eletrólito para o catodo (ohm). Pela equação, verificamos que quando existe a diferença de potencial “Ea – Ec” sobre a superfície de uma estrutura enterrada e quando a resistência “R” possui um valor finito, a corrente SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 24 de corrosão “I” flui, com o aparecimento do processo corrosivo, na área anódica. Proteger catodicamente a estrutura significa evitar que a corrente continue fluindo, fazendo com que a diferença de potencial entre as áreas anódica e catódica seja nula. Outra maneira de anular-se a corrente de corrosão, como é fácil concluir, consiste em aumentar infinitamente o valor da resistência “R”, o que pode ser conseguido mediante a aplicação de um revestimento “perfeito” sobre a superfície da estrutura, solução não utilizada na prática, uma vez que tal revestimento é economicamente inviável. Para a proteção da estrutura com a máxima economia são usados, com muita freqüência, os esquemas mistos de proteção anticorrosiva, utilizando-se um revestimento de custo vantajoso, com boas qualidades isolantes, complementado com a instalação de um sistema de proteção catódica, de custo bastante baixo, já que a corrente de proteção a ser aplicada, agora, pode ser de intensidade muito inferior. Raciocinando de outra maneira, podemos dizer que a proteção catódica consiste em tornar positivo o potencial do solo ou água que envolve a estrutura metálica que desejamos proteger, de tal maneira que as correntes de corrosão não possam mais abandonar, diretamente para o solo, a superfície do metal. Foto 2.1 – Furo, causado por corrosão, de uma tubulação de aço enterrada revestida, porém sem proteção catódica. 2.3 MÉTODOS DE APLICAÇÃO DA PROTEÇÃO CATÓDICA Existem dois métodos para a aplicação de um sistema de proteção catódica: o método galvânico, ou por anoidos de sacrifício, e o método por corrente impressa. Em qualquer dos dois existe um suprimenro de corrente contínua em quantidade tal que, penetrando, por exemplo, em uma tubulação enterrada, é suficiente para eliminar as pilhas de corrosão normalmente nela existentes. A escolha, na prática, do método a ser utilizado, depende da análise de várias considerações técnicas e econômicas, sendo que cada qual tem suas vantagens e desvantagens. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 25 2.4 PROTEÇÃO CATÓDICA COM ANODOS GALVÂNICOS Os anodos galvânicos, ou anodos de sacrifício, são normalmente os escolhidos quando se precisa de pouca quantidade de corrente para proteger a estrutura (revestimento de boa qualidade e estruturas de pequenas dimensões) e quando o solo possui baixa resistividade elétrica. As principais vantatgens da utilização de anodos galvânicos para proteger, por exemplo, um oleoduto enterrado, são as seguintes: – não requer suprimento de corrente alternada no local; – os custos de manutenção, após o sistema instalado, são mínimos; – raramente aparecerão poblemas de interferência com outras instalações metálicas enterradas; – os custos de instalação são baixos. Por outro lado, as desvantagens são as seguintes: – a quantidade de corrente fornecida à estrutura é limitada pela diferença de potencial, bastante baixa, entre os anodos e a tubulação; – a proteção ficará muito mais difícil se as resistividades elétricas do solo no local não forem suficientemente baixas (no máximo 6.000 ohm.cm); – se o revestimento dos tubos não for muito bom, ou se o oleoduto tiver grande diâmetro e grande comprimento, a proteção com anodos galvânicos ficará muito cara, devido à grande quantidade de anodos a ser utilizada; – se a tubulação estiver influenciada por correntes de fuga, provenientes, por exemplo, de uma estrada de ferro eletrificada, dificilmente os anodos galvânicos serão eficientes. Quando um anodo galvânico é ligado a uma estrutura metálica enterrada, suge uma pilha galvânica, conforme mostrado na figura 2.1. Figura 2.1 – Proteção catódica com anodo galvânico. O anodo galvânico é constituído de um metal eletronegativo em relação à estrutura e, quando ligado a ela, dentro de um eletrólito como o solo ou a água, adquire comportamento anódico, liberando a corrente de proteção. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 26 A corrente emitida pelo anodo penetra na tubulação através do solo ou da água, bloqueia as correntes de corrosão e retorna ao seu ponto inicial, fechando o circuito por intermédio do fio de cobre. Para a utilização em solos, o magnésio e o zinco são bastante eficientes, sendo que para a água do mar o zinco e, mais recentemente, o alumínio, são os melhores anodos. Esses metais, utilizados em ligas apropriadas, são eletronegativos em relação ao aço, podendo protegê-lo com facilidade. Os anodos galvânicos são geralmente enterrados envoltos em uma mistura de gesso, bentonita e sulfato de sódio, que é utilizada como enchimento condutor. Esse enchimento permite a diminuição da resistividade elétrica anodo/solo, reduz os efeitos da polarização do anodo e distribui uniformemente o seu desgaste. As características mais importantes de um anodo galvânico são o seu potencial em circuito aberto (potencial medido em relação ao solo, utilizando um eletrodo de referência), a sua capacidade de corrente (expressa normalmente em A . hora-kg) e sua eficiência (expressa em %), conforme mostrado no capítulo 6. Quando se dimensiona um sistema de proteção catódica com anodos de sacrifício, uma das primeiras preocupações do projetista é o cálculo de sua vida, uma vez que em função dela serão considerados os aspectos econômicos para a decisão sobre a sua utilização. A vida dos anodos galvânicos é propocional ao peso, à capacidade de corrente dos anodos utilizados e inversamente proporcionalmente ao peso, à capacidade de corrente dos anodos utilizados e inversamente proporcional à corrente liberada, sendo que o resultado precisa ser multiplicado pelo fator de utilização, normalmente em torno de 85%, uma vez que, na medida emque o anodo se consome, a corrente liberada diminui, devido à redução das suas dimensões. Os anodos galvânicos podem ser instalados isoladamente ou em grupos que recebem o nome de “camas” ou “leitos”. Assim sendo, outra preocupação do projetista é determinar a quantidade de corrente que um leito de anodos poderá liberar para a proteção da estrutura. Os principais fatores que influenciam essa determinação são as dimensões e condições do revestimento da estrutura a ser protegida, a profundidade em que eles são enterrados, o número e espaçamento dos anodos utilizados, o potencial da estrutura em relação ao solo e a composição química do metal empregado, sendo esta última fundamental, inclusive para o desempenho do anodo. As composições químicas dos anodos precisam ser controladas com rigor, mediante especificações existentes, sob pena do sistema projetado falhar totalmente se forem adquiridos e utilizados anodos com composição química for a de determinados limites para alguns elementos importantes. Esse aspecto nos leva à necessidade de escolher com rigor o fabricante do material a ser utilizado. Para exemplificar a utilizados dos anodos galvânicos, podemos indicar, em função de nossa experiência com a proteção de diversas estruturas enterradas, que uma tubulação de aço com diâmetro de 8” e comprimento de 5 km, com revestimento convencional bem aplicado, à base de piche de carvão, enterrada em solo com resistividade média em torno de 1.200 ohm.cm, pode ser totalmente protegida contra a corrosão, por um período mínimo de 20 anos, mediante a instalação de apenas 20 anodos convencionais de magnésio, convenientemente localizados em relação aos tubos. Com relação à escolha do tip de anodo a ser utilizado, precisamos analisar tanto o aspecto técnico quanto o econômico. De um modo geral, dependendo da flutuação do mercado, o custo por quilo do magnésio é maior que o custo por quilo do zinco. Por outro lado, o anodo de magnésio, por ter o seu potencial em circuito aberto mais alto, possui a propriedade de liberar mais corrente, podendo ser usado em solos com resistividade elétrica um pouco mais alta. Como indicação geral, podemos dizer que os anodos de zinco são mais econômicos quando utilizados em solos com resistividade elétrica abaixo de 1.000 ohm.cm. Como as resistividades elétricas que temos encontrado, na maioria das regiões onde realizamos medições de campo, raramente se situam abaixo desse valor, podemos adiantar que, para instalações terrestres, os anodos de magnésio são muito mais utilizados que os de zinco. Os anodos de zinco possuem maior aplicação na proteção catódica de estruturas de aço mergulhadas em água do mar. Outra aplicação dos anodos de zinco, nos últimos anos, tem sido no aterramento elétrico de equipamentos, tais como torres de linhas de SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 27 transmissão elétrica e tanques de aramazenamento, em substitução às tradicionais malhas e hastes de cobre. Os anodos galvânicos, nesse caso, além de proporcionarem bom aterramento, eliminam a pilha de corrosão aço/cobre antes existente e fornecem proteção catódica às estruturas enterradas. Os anodos de alumínio estão sendo muito usados nos últimos anos, sendo que os resultados têm sido excelentes, melhoes, inclusive, que os anodos de zinco, na proteção de estruturas de aço no mar, como, por exemplo, nas plataformas de petróleo, conforme mostrado no capítulo 19. 2.5 PROTEÇÃO CATÓDICA POR CORRENTE IMPRESSA O outro método de aplicação de proteção catódica em uma instalação metálica enterrada ou submersa utiliza uma fonte externa de força eletromotriz, sendo, por isso mesmo, denominado de método por corrente impressa. As fontes externas de força eletromotriz, largamente utilizadas na prática, são os retificadores, equipamentos extremamente simples que, alimentados por intermédio de um circuito de corrente alternada, fornecem a quantidade de corrente contínua necessária para a eliminação das pilhas de corrosão existentes na superfície metálica que se deseja proteger. Além dos retificadores de corrente, podem também ser utilizados, como fontes de f.e.m., embora menos comuns, as unidades geradoras alimentadas a gás, os geradores termoelétricos, os geradores movidos a vento, ou outro tipo qualquer de equipamento capaz de fornecer a corrente contínua necessária ao sistema de proteção catódica. Foto 2.2 – Anodos galvânicos de alumínio para a proteção de plataformas de petróleo. Nesse capítulo consideraremos apenas os retificadores, uma vez que, no mundo inteiro, eles constituem a grande maioria dentre as fontes de força eletromotriz utilizadas para a aplicação da proteção catódica por corrente impressa. Em conjunto com os retificadores, o método por corrente impressa utiliza anodos, tanto quanto possível inertes no solo ou na água. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 28 As vantagens para a apliação do método por corrente impressa são: – possibilidade de fornecer maiores quantidades de corrente às estruturas; – possibilidade de controlar as quantidades de corrente fornecidas; – possibilidade de ser aplicado em qualquer eletrólito, mesmo naqueles de elevada resistividade elétrica; – possibilidade de ser aplicado, com eficácia, para a proteção de estruturas nuas ou pobremente revestidas; – possibilidade de ser aplicado, com economia, para a proteção de instalações metálicas de grande porte. Figura 2.2 – Proteção catódica por corrente impressa. As desvantagens para a utilização desse método são a necessidade de manutenção periódica, ainda que de fácil realização, o dispêndio com a energia elétrica consumida, embora de pouca monta, e a possibilidade de criar problemas de interferência com outras estruturas metálicas enterradas nas proximidades, o que pode ser evitado com facilidade. No sistema por corrente impressa, uma pilha eletrolítica é gerada, na qual fazemos com que a estrutura a ser protegida funcione como catodo e a cama de anodos utilizada libere corrente para o solo. Os anodos utilizados na prática são construídos de grafite ou de ligas metálicas, como as de ferro e silício, e as de chumbo, antimônio e prata, sendo que as hastes de titânio ou nióbio com revestimento muito fino de platina ou de óxidos especiais, são também utilizadas. Nos últimos anos foram desenvolvidos anodos não metálicos, à base de polímeros especiais. Para os diversos tipos e características dos anodos inertes, consultar a tabela 6.2, do capítulo 6. Construídos de materiais apropriados, os anodos, ao liberarem corrente para o solo em direção à estrutura que se encontra ligada ao negativo do retificador, sofrem desgaste suave, que depende do material utilizado e da densidade de corrente (a/m2) aplicada nas suas superfícies, conforme mostrado no capítulo 6. A grande vantagem desse método é a possibilidade de poder-se regular, com extrema facilidade, em função das medições dos potenciais estrutura/solo, a corrente de proteção liberada pelos anodos, mediante ajuste nos taps de saída do retificador. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 29 Foto 2.3 – Anodo inerte de ferro-silício. O retificador constitui-se, basicamente, de um transformador que abaixa a tensão de alimentação para o valor desejado no circuito de proteção catódica, de uma coluna retificadora, que pode ser construída com placas de selênio ou com diodos de silício, de instrumentos para as medições das voltagens e das correntes de saída, de um horímetro, de dispositivos convencionais de proteção elétrica, como pára-raios, fusíveis e disjuntores, além de taps, para a regulagem da tensão de saída em corrente contínua. Os anodos são instalados na posição vertical ou horizontal, sendo comum o uso de enchimento condutor de coque metalúrgicomoído. Quando o coque é convenientemente compactado em torno do anodo, obtém-se menor resistência de saída da corrente para o solo, além da diminuição do consumo do anodo, uma vez que boa parte da corrente é descarregada por intermédio do coque metalúrgico. Para o dimensionamento criterioso de um sistema de proteção catódica, torna-se necessário um levantamento de campo no local, onde precisam ser realizados testes, medições, inspeção visual e anotações a respeito das condições encontradas. Mediante a análise criteriosa dos dados assim obtidos, o projetista de proteção catódica possui condições de determoinar a quantidade total de corrente a ser instalada, o uso de anodos galvânicos ou de retificadores, o número, tipo, dimensões, profundidade e espaçamento dos anodos a serem utilizados e todas as outras variáveis envolvidas. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 30 Foto 2.4 – Retificador de corrente para proteção catódica. 2.6 CORRENTE NECESSÁRIA PARA PROTEÇÃO CATÓDICA A corrente necessária para proteção catódica dependente fundamentalmente de vários fatores: – área a proteger e condições do revestimento; – resistividade elétrica do solo; – dificuldades de polarização da estrutura; – forma geométrica da estrutura. Devido às grandes variações existentes nos fatores acima relacionados, seja de uma estrutura para outra ou numa mesma estrutura, podemos afirmar que a única maneira de se avaliar, com precisão, a corrente necessária para a proteção, é por intermédio do “teste de corrente”, no campo. Por outro lado, em muitos casos existem vantagens técnicas e econômicas que ditam a necessidade de se projetar o sistema de proteção catódica antes mesmo da obra ter sido construída. Nessas circunstâncias recorremos, então, à experiência adquirida em casos semelhantes e a valores disponíveis na literatura especializada. Alguns autores, por exemplo, citam valores de densidade de corrente variando de 3 a 60 mA/m2 de superfície nua para tubulações enterradas. Em solos de alta resistividade elétrica, essa variação pode ser considerada de 3 a 10 mA/m2 e de 10 a 60 mA/m2 para o caso de solos de baixa resistividade elétrica. Para água do mar, dependendo das condições podem ser usadas densidades de corrente de até 600 mA/m2. No capítulo 5 o leitor encontrará maiores informações sobre o assunto. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 31 2.7 CRITÉRIOS DE PROTEÇÃO CATÓDICA Após ligado o sistema de proteção catódica, torna-se necessário verificar se a estrutura metálica ficou realmente protegida contra a corrosão. Embora existam outros critérios para permitir tal verificação, o procedimento normalmente adotado consiste em medir os potenciais em relação ao eletrólito, em vários pontos da estrutura, após o sistema de proteção catódica ser colocado em funcionamento. As medições dos potenciais estrutura/eletrólito são feitas com o auxílio de um voltímetro apropriado, com alta resistência interna (igual ou maior que 100.000 ohm/volt), tendo o seu terminal negativo ligado na estrutura a ser testada e o seu terminal positivo ligado a um eletrodo ou meia-célula de referência, que é colocado em contato com o eletrólito (figura 2.3). Figura 2.3 – Medição do potencial tubo/solo de uma tubulação enterrada. Os eletrodos de referência mais utilizados são os seguintes: – instalações enterradas ou embutidas no concreto: Cu/CuSO4 (cobre/sulfato de cobre) ou eletrodo de zinco, com composição igual à dos anodos; – instalações submersas: Ag/AgCl (prata/cloreto de prata) ou eletrodo de zinco, com composição igual à dos anodos; – experiências em laboratório: eletrodo de calomelano saturado (ECS). Para o aço, enterrado ou submerso, os valores limites dos potenciais que devem ser encontrados em todos os pontos medidos da estrutura metálica protegida catodicamente são os seguintes: – usando o eletrodo de Cu/CuSO4: potenciais iguais ou mais negativos que –0,85V; – usando o eletrodo de Ag/AgCl: potenciais iguais ou mais negativos que – 0,80V; – usando o eletrodo de calomelano saturado (ECS): potenciais iguais ou mais negativos que – 0,78V; – usando o eletrodo de zinco: potenciais iguais ou menos positivos qie +0,25V. Outro critério também utilizado consiste em promover, mediante a injeção da corrente de proteção catódica, uma elevação mínima de 0,30V (em alguns casos 0,25 V é suficiente), no campo negativo, no potencial natural (potencial medido antes da ligação do sistema de proteção catódica) da estrutura. Esse critério é válido qualquer que seja o eletrodo de referência usado. Para o aço embutido no concreto, o critério de proteção utilizado é um pouco diferente, conforme mostrado com detalhes no capítulo 21. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 32 Para os metais e ligas, que não o aço, os potenciais mínimos de proteção são outros, dependendo do potencial natural de cada um. Quando não se sabe qual o potencial de proteção de determinada liga ou material metálico, um critério seguro para protegê-lo consiste em elevar seu potencial no campo negativo em 0,30V, sendo que, para os materiais anfóteros (chumbo, zinco, alumínio e estanho), basta que essa variação seja de 0,15V. Esses metais não podem ser polarizados com potenciais mais negativos que –1,2V, pois sofrem corrosão severa, chamada de corrosão catódica, devido aos valores altos de pH desenvolvidos, tornando o meio muito alcalino. 2.8 MANUTENÇÃO DO SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA De uma maneira geral, acredita-se que sistemas de proteção catódica, principalmente quando por anodos galvânicos, não necessitam de manutenção. Essa crença é destituída de fundamento, de vez que a proteção catódica das estruturas depende do funcionamento permanente do sistema instalado. Logicamente, a interrupção no sistema de proteção não provoca, a curto prazo, prejuízos de monta, tais como “lucros cessantes”. Entretanto, se as paralisações forem constantes, a médio e a longo prazo pode-se contar com prejuízos dessa natureza. Além dos prejuízos materiais pode-se também esperar perdas de vidas humanas e, nos casos de companhias concessionárias de serviços públicos, descrédito perante os usuários. Promover a instalação de um sistema de proteção catódica sem cuidar de sua manutenção é desperdícios de recursos. Qualquer que seja o sistema instalado, proteção catódica por anodos galvânicos ou por corrente impressa, deve-se estabelecer um programa de acompanhamento que possibilite os ajustes necessários em temo útil, conforme pode ser visto no capítulo 8. 2.9 CUSTO DA PROTEÇÃO CATÓDICA O custo total de um sistema de proteção catódica não pode ser calculado previamente com precisão. Isso é facilmente compreensível, uma vez conhecidos os componentes desse custo, que são: – custo do levantamento de dados de campo; – custo do projeto; – custo dos materiais; – custo da instalação; – custo da manutenção. O custo do levantamento de dados de campo varia pouco, dependendo das condições de acesso ao traçado da tubulação, bem como da sua extensão. O custo do projeto também pode ser considerado de pequena variação. Os componentes seguintes, entretanto, acarretam a impossibnilidade da precisão no cálculo antecipado do custo de um sistema de proteção catódica. Esses componentes dependem basicamente do projeto que, por sua vez, está ligado aos dados obtidos nos levantamentos de campo. Verificamos, então, que uma vez realizado o levantamento de campo, é perfeitamente possível estabelecer-se o custo da proteção catódica. Os dados que mais influem na composição do custo são: – resistividade elétrica do solo, principalmente dos locais disponíveis para lançamento das camas de anodos; – qualidade do revestimento empregado; – disponibilidade de corrente alternadapara alimentação dos retificadores; SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 33 – correntes de interferência na região; – dimensões e tipo da instalação a proteger. Dispondo desses dados, o engenheiro de proteção catódica pode definir o sistema mais adequado técnica e economicamente para o caso em estudo. Constata-se, assim, a dificuldade de prever-se com precisão o custo de um sistema de proteção catódica. Entretanto, para fins orçamentários, podemos indicar, com base em nossa experiência, que esse custo pode variar desde 5% do valor global da obra, para pequenas instalações, até menos que 1% para as obras de grande porte, valores bastante baixos, principalmente se analisarmos os aspectos relativos à segurança operacional, por tempo ilimitado, que os sistemas de proteção cadótica proporcionam. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 34 CAPÍTULO 3 Medições de Campo para a Elaboração de Projetos de Proteção Catódica 3.1 INTRODUÇÃO A proteção catódica de instalações metálicas enterradas ou submersas constitui-se, em complementação aos revestimentos protetores, no único processo economicamente aplicável para combater o ataque corrosivo, pelo solo ou pela água, de estruturas importantes. Para o dimensionamento criterioso de um sistema de proteção catódica, o engenheiro de corrosão precisa munir-se de uma série de informações técnicas a respeito da instalação a ser protegida, informações essas que, em conjunto com as medições obtidas no campo, fornecerão os dados fundamentais para a elaboração e sucesso do seu projeto. 3.2 INFORMAÇÕES LEVANTADAS ANTES DOS TRABALHOS DE CAMPO Essas informações, além de auxiliarem na previsão dos problemas de corrosão esperados, permitem planejar o programa das medições de campo a serem realizadas. As mais importantes são as seguintes: – material da estrutura a ser protegida, incluindo suas propriedades; – especificação e propriedades do revestimento utilizado; – histórico de furos ou problemas sérios de corrosão já experimentados, caso a estrutura a proteger já se encontre em operação; – características dimensionais e geométricas da estrutura; – características dos tubos-camisa existentes nas travessias com estradas de ferro e de rodagem, dos tipos de uniões utilizados (solda, flange, ponta e bolsa) e localização de ramais, para o caso de tubulações; – número total de estacas, comprimentos enterrados e submersos, detalhes de interligação elétrica e informações detalhadas sobre ciclos de variação de maré da região, para o caso de estacas de piers de atracação; – tipo de fundação empregado, detalhes de interligação elétrica e previsão ou não de sistema de aterramento elétrico, para o caso de tanques de armazenamento; – mapas e desenhos detalhados da obra em estudo; – localização de todas as tubulações ou outras instalações metálicas enterradas ou submersas que cruzem ou se aproximem da estrutura a ser protegida; – presença ou não de sistemas de proteção catódica já existentes para proteção dessas outras estruturas, incluindo o cadastramento de todas as características e as condições de funcionamento de tais sistemas; – localização e levantamento cuidadoso das condições de operação das linhas de transmissão elétrica em alta tensão que sigam em paralelo ou cruzem com as tubulações metálicas enterradas, capazes de causar problemas de indução de corrente; – localização e levantamento cuidadoso de todas as fontes de corrente contínua existentes nas proximidades, que possam causar qualquer problema de corrosão eletrolítica na estrutura metálica; – localização e características de todas as linhas de corrente alternada existentes na região, possíveis de serem utilizadas para a alimentação dos retificadores do sistema de proteção catódica. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 35 3.3 MEDIÇÕES DE CAMPO Depois de levantadas e analisadas com cuidado as informações anteriores, o engenheiro de corrosão organiza o seu programa de medições de campo, que pode utilizar, de acordo com a necessidade, todas ou algumas das técnicas a serem comentadas. A escolha de cada uma delas, bem como dos instrumentos especiais a serem empregados, é ditada pelas características de cada situação em particular, sendo que a experiência com outros trabalhos semelhantes, já executados, muito auxilia o engenheiro de corrosão na sua tarefa. 3.3.1 Resistividades Elétricas Um dos fatores que mais influencia a corrosão das instalações metálicas enterradas ou submersas é a resistividade elétrica do meio onde elas se encontram. A resistividade elétrica da água e dos solos possui ampla faixa de variação, dependendo da quantidade de sais dissolvidos, das características geológicas e da quantidade da água contida no solo. Por exemplo, a água do mar, dependendo da região, pode apresentar valores desde 20 até 100 ohm.cm, sendo que o mais comum se situa em torno de 40 ohm.cm. Para o solo, já medimos resistividades elétricas que variaram desde 200 até 2.000.000 ohm.cm. Como indicação geral, podemos dizer que, na cidade de São Paulo, as resistivades elétricas situam-se, normalmente, acima de 15.000 ohm.cm, enquanto que no Rio de Janeiro os valores que temos medido são bastante baixos, geralmente menores de 5.000 ohm.cm. Existem vários métodos satisfatórios para a medição das resistividades elétricas de águas e de solos. Entretanto, o mais prático e mais utilizado no campo da proteção catódica, usado principalmente para solos, é o Método dos Quatro Pinos, também chamado Método de Wenner. Para medições da resistividade elétrica da água, de amostras de solos ou de outras substâncias, o acessório utilizado com freqüência é o Soil Box, uma pequena caixa dom duas paredes opostas metálicas, onde a resistência e, conseqüentemente, a resistividade elétrica do material, é determinada com boa precisão. Foto 3.1 – Medição da resistividade elétrica do solo. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 36 Com os valores obtidos nas medições das resistividades elétricas ao longo, por exemplo, de um gasoduto enterrado, podemos construir o perfil de resistividades do solo, normalmente em quatro profundidades diferentes (1,5 m, 3,0 m, 4,5 m e 6,0 m), fundamental para a avaliação das condições de corrosão externa da tubulação metálica. As medidas das resistividades elétricas são ainda bastante valiosas para a escolha dos melhores locais para a instalação das camadas de anodos do sistema de proteção catódica destinado à proteção da estrutura, uma vez que, para o funcionamento econômico dos retificadores de correntes ou dos anodos galvânicos, são necessários circuitos de baixa resistência elétrica. Por outro lado, o estudo das influências das linhas de transmissão de corrente alternada em alta tensão, sobre as tubulações metálicas enterradas, depende fundamentalmente da resistividade elétrica do solo. 3.3.2 Potenciais Estrutura/Eletrólito Os potenciais estrutura/eletrólito significam o potencial elétrico existente entre a estrutura metálica e o meio que a envolve. A medição desse potencial é feita, no campo, por intermédio de um voltímetro com alta resistência interna (100.000 ohm/volt, no mínimo), de tal maneira que o terminal negativo seja ligado à estrutura metálica que se deseja testar e o terminal positivo a um eletrodo de referência, normalmente uma meia-célula de cobre/sulfato de cobre (para solos) e prata/cloreto de prata (para água do mar), colocado em contato com o meio. O voltímetro utilizado precisa ter alta resistência interna para que as leituras sejam pouco influenciadas pela resistência externa do circuito elétrico estabelecido (meia-célula/solo/estrutura), o que resulta em boa precisão na medição.As medidas dos potenciais fornecem informações bastante valiosas para o engenheiro de corrosão, incluindo, principalmente, a avaliação das condições de corrosividade do solo ou da água, a localização dos chamados hot spots (pontos de corrosão severa) para o caso das estruturas nuas, a localização de áreas sujeitas à corrosão eletrolítica causada por corrente de fuga e as condições de corrosão ou de proteção catódica de qualquer estrutura metálica testada. Como indicação geral, com base em nossa experiência em tubulações enterradas, verificamos que os valores dos potenciais tubo/solo, medidos com relação ao eletrodo de Cu/CuSO4, variam desde –0,1V até –0,87V, dependendo do revestimento externo dos tubos e das condições do solo. Valores positivos, ou flutuações nas leituras, são indicação segura da presença de correntes de interferência, sendo comum variações desde +50V até –50V, para o caso de tubulações que cruzam ou se aproximam de estradas de ferro eletrificadas. Potenciais positivos são extremamente nocivos para a estrutura metálica, uma vez que significam a existência de descargas de corrente diretamente para o solo, ou seja, que a estrutura encontra-se funcionando como anodo ativo de uma cuba eletrolítica, sofrendo corrosão severa. Nesse caso, para uma análise criteriosa das condições de eletrólise a que a tubulação esteja poventura submetida, torna-se necessária a realização de vários registros prolongados dos potenciais tubo/solo e trilho/solo, em pontos considerados críticos, mediante a utilização de voltímetros registradores apropriados. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 37 Foto 3.2 – Registro do potencial tubo/solo sendo feito no ponto de teste de uma tubulação enterrada. Outra maneira de se verificar a existência de correntes de fuga consiste na execução do teste dos dois eletrodos. Esse teste pode ser feito verificando-se a existência de flutuações na diferença de potencial medida entre dois eletrodos de Cu/CuSO4, instalados no solo e separados por uma distância proximada de 20 m, recomendando-se mais de uma medição em um mesmo ponto, com a modificação das posições dos eletrodos em direções ortogonais. As flutuações dos potenciais indicam, com segurança, a existência de correntes de fuga no solo e a possibilidade de corrosão eletrolítica nas tubulações enterradas na região. O projeto de proteção catódica, em tais circunstâncias, precisa ser definido com extremo cuidado, mediante a previsão de dispositivos de drenagem de corrente, para que se obtenha uma proteção eficiente da estrutura. Foto 3.3 – Medição do potencial tubo/solo de uma tubulação. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 38 3.3.3 Acidez do Solo Na maioria dos casos, os solos encontrados ao longo de tubulações enterradas possuem características aproximadamente neutras (pH 7). Existem, entretanto, regiões que apresentam condições anormais, com a existência de solos ácidos ou alcalinos. As condições alcalinas não apresentam problema sério de corrosão para as tubulações de aço enterradas, sabendo-se mesmo que uma estrutura de aço mergulhada em uma solução suficientemente cáustica, com pH em torno de 11, pode descarregar corrente diretamente para o meio, sem desgaste acentuado. Além disso, uma das características da proteção catódica é tornar alcalino o meio em contato com a superfície metálica protegida. Tais condiçoes, entretanto, são extremamente nocivas para o chumbo, o zinco, o alumínio e o estanho, sendo mesmo impossível a proteção catódica desses metais quando mergulhados em um meio com pH maior que 10. Por outro lado, a existência de condições ácidas em torno de uma estrutura metálica enterrada, possui o grande inconveniente de dificultar a sua polarização ao potencial mínimo de proteção catódica (–0,85V em relação à meia-célula de Cu/CuSO4), uma vez que o ácido atua como agente despolarizante. Isso aumenta consideravelmente a quantidade de corrente necessária para proteção da estrutura. Assim sendo, nas regiões onde supõe-se possível a existência de condições químicas anormais, recomenda-se a realização de um levantamento de pH do solo ou da água que envolva a estrutura metálica em estudo. Os métodos para a medição do pH são por demais conhecidos, sendo que, para aplicações práticas no campo, podem ser utilizadas as leituras de potenciais entre um eletrodo de Cu/CuSO4 e um eletrodo de antimônio, uma vez que o valor de pH é proporcional à diferença de potencial medida. Com o auxílio de uma pequena tabela, as leituras de potenciais são convertidas, com aproximação aceitável, ao valor do pH correspondente. 3.3.4 Pesquisa de Corrosão por Bactéria ou Corrosão Microbiológica Certas bactérias, que podem viver sob condições anaeróbicas (ausência de oxigênio) nas proximidades da supefície de uma tubulação de aço enterrada, possuem a propriedade de reduzir sulfatos, liberando sulfetos e consumindo hidrogênio nesse processo. O consumo de hidrogênio na superfície do aço atua como despolarizante das áreas catódicas, o que aumenta a demanda de corrente para a proteção catódica. Já os sulfetos liberados atacam o fero, acelerando a corrosão do aço. Para a determinação, no campo, da presença de bactérias redutoras de sulfato, utiliza-se o método do potencial Redox, que permite a medição do potencial de redução do oxigênio, na profundidade da tubulação testada, em cada ponto de observação. Esse potencial é medido entre uma lâmina limpa de platina e um eletrodo de referência qualquer, tomando-se o cuidado de converter o valor encontrado para o valor correspondente do eletrodo padrão de hidrogênio. O uso do método não é simples, requer algum tempo, cuidados especiais e não é utilizado com freqüência nos levantamentos de campo. Recomenda-se a sua utilização apenas nos casos em que haja suspeita de que a corrosão por bactéria possa constituir-se em problema grave de corrosão. 3.3.5 Medições de Corrente As medições de corrente são viáveis para o caso de tubulações. Se uma tubulação encontra-se sob processo corrosivo, existe um fluxo de corrente ao longo do seu comprimento, fechando circuito com o solo ou com a água que a envolve, cujo sentido, em alguns pontos, se processa do solo para a tubulação e, em outros, da tubulação para o solo. Esse fluxo de corrente aparece em função das pilhas de corrosão (diferenças de potencial) que se formam sobre a estrutura metálica, sendo que, quando essas pilhas são de grandes proporções, a corrente que circula na tubulação pode ser medida, embora com dificuldade. Por intermédio dessas medições podemos determinar as regiões preferenciais de saída de corrente para o solo, ou seja, as áreas anódicas onde a corrosão se processa na estrutura. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 39 A intensidade de corrente pode ser calculada pela Lei de Ohm, mediante a medição da queda de potencial entre dois pontos suficientemente espaçados (30 a 40 m) da tubulação metálica. A queda de potencial pode ser medida com um voltímetro adequado e a resistência do circuito é função da resistência por metro linear da tubulação testada. 3.3.6 Testes para a Determinação da Corrente Necessária para Proteção Catódica e das Condições de Polarização da Estrtutura Esses testes são realizados mediante a injeção de corrente na estrutura a ser estudada, com auxílio de uma fonte de corrente contínua (bateria, máquina de solda, retificador de corrente) e uma cama de anodos provisória (sucata de aço). Mediante a medição dos potenciais da estrutura em relação ao solo ou à água, a quantidade de corrente injetada pode ser gradativamente aumentada até que parte da estrutura alcance o potencial de proteção catódica. Os valores da corrente injetada e da área protegida temporariamente permitem o cálculoda densidade de corrente (A/m2) a ser utilizada para o dimensionamento do sistema de proteção catódica, conforme mostrado esquematicamente na figura 3.1. Figura 3.1 – Esquema típico para o teste de injeção de corrente em uma tubulação enterrada. Quando o projeto de proteção catódica é definido antes da construção da estrutura, o valo da densidade de corrente precisa ser estimado. Nesse caso, a experiência do engenheiro de corrosão é fundamental, uma vez que os aspectos relativos às dimensões, forma geométrica e revestimento da estrutura, além dos valores das resistividades elétricas do meio, influenciam decisivamente a determinação da quantidade de corrente necessária para proteção. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 40 3.3.7 Testes nas Travessias com Tubos-Camisa A mesma fonte de corrente contínua usada para os testes de corrente pode ser aproveitada para testar, no caso de tubulações enterradas, as condições de isolamente elétrico dos tubos-camisa, normalmente utilizados nas travessias com estradas de fero ou de rodagem. Esse teste é importante porque qualquer contado elétrico entre o tubo-camisa e a tubulação aumenta consideravelmente a quantidade de corrente necessária para a proteção catódica da linha. 3.3.8 Escolha dos Locais para a Instalação dos Retificadores, Leitos de Anodos e Equipamentos de Drenagem A escolha dos locais de instalação dos retificadores, leitos de anodos e equipamentos de drenagem é, na realidade, a etapa mais importante de um trabalho de campo e o êxito do projeto de proteção catódica dependerá bastante da execução correta dessa tarefa. Para a instalação dos conjuntos retificador/leito de anodos em uma tubulação enterrada, devem ser pesquisados locais com as seguintes características: – disponibilidade de energia elétrica em baixa ou média tensão nas proximidades (máximo de 15 kV); – solo co baixa resistividade elétrica (até 6.000 ohm.cm, para sistemas galvânicos e, de preferência, mais baixo que 12.000 ohm.cm, para sistemas por corrente impressa); – fácil acesso; – espaço suficiente para instalação dos anodos./ Para os locais de instalação dos equipamentos de drenagem, são necessárias as seguintes condições: – cruzamento ou proximidade com estrada de ferro eletrificada; – existência de energia elétrica em baixa ou média tensão, para o caso dos equipamentos de drenagem com dispositivo de proteção temporizada, que necessitam ser alimentados eletricamente. Outro ponto importante a ser cuidadosamente considerado consiste na escolha dos locais de instalação dos pontos de teste, caixas de interligação elétrica com outras tubulações e juntas de isolamento elétrico. No capítulo 23 são apresentados os trabalhos de levantamento de campo que executamos para o dimensionamento do sistema de proteção catódica do Gasoduto Rio/São Paulo. Os procedimentos descritos podem ser usados como orientação para os serviços de campo em instalações similares. 3.3.9 Outros Testes, Medições e Observações Além das técnicas acima descritas, o engenheiro de corrosão, dependendo de cada caso específico, pode realizar outros testes, medições e observações. Dentre as tarefas complementares, menos comuns de serem executadas, podemos citar as escavações para exame visual em vários pontos da estrutura metálica enterrada, as determinações, por meio de injeção de corrente, da resistência elétrica média do revestimento utilizado, e a colheita de amostras, para posterior análise de laboratório, do produto oriundo da corrosão da estrutura estudada. 3.4 CONCLUSÃO Qualquer que seja a estrutura metálica a ser protegida, o projeto de proteção catódica só pode ser elaborado com sucesso após a realização das medições e testes de campo convenientes, segundo técnicas de eficiência comprovada, no seu local de instalação. A experiência do engenheiro de corrosão e de seus auxiliares é fundamental para a análise segura das condições encontradas e para a elaboração do projeto de proteção catódica mais adequado para cada caso particular SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 41 CAPÍTULO 4 Instrumentos de Medição para Proteção Catódica 4.1 INTRODUÇÃO Neste capítulo são apresentadas as principais características dos instrumenros e acessórios utilizados em serviços de proteção catódica. Desde logo é preciso observar que os instrumentos utilizados nesses trabalhos estão sujeitos a todo tipo de transporte e manuseio, em situações de campo e clima freqüentemente adversas, o que exige uma construção sólida, compacta e robusta. Além disso, devido á natureza e variação das medições necessárias, é essencial que os instrumentos selecionados atendam a requisitos bem definidos, no que se refere à precisão e exatidão de suas indicações. 4.2 VOLTÍMETROS Uma das medições mais frqeüentemente efetuadas, em serviços de corrosão, é a determinação da voltagem entre um eletrodo de referência e a estrutura metálica em consideração. A utilização de equipamentos inadequados, ou usados de forma incorreta, pode levar a resultados inteiramente distorcidos. 4.2.1 Voltímetros Convencionais Para serviços de proteção catódica é recomendável a utilização de voltímetros que tenham o zero ligeiramente deslocado para a direita, ou mesmo situado no centro da escala de medição, ao invés dos instrumentos mais comuns, com o zero à esquerda. Isso porque, no caso de ocorrência de correntes de interferência, o trabalho do operador é bastante simplificado, pois permite o acompanhamento das variações de potencial sem o acionamento da chave de inversão da polaridade. O princípio básico de funcionamento de um voltímetro é o seguinte: • quando um voltímetro é ligado em paralelo com um potencial desconhecido, esse potencial causa a passagem de uma corrente elétrica através da bobina móvel do instrumento. Esta corrente cria um campo magnético na bobina móvel que reage em função do campo magnético já existente entre os pólos do ímã permanente, que é parte do instrumento. A força do campo magnético na bobina móvel aumenta à medida em que a corrente que passa através da bobina aumenta. Com uma corrente específica circulando através da bobina, o campo magnético estabelecido na bobina reage em função do campo magnético permanente, e a bobina gira sobre seus pontos de apoio, até que a força da reação seja exatamente equilibrada pela força de retenção exercida por uma mola. Uma agulha acoplada à bobina móvel indica, então, sobre uma escala graduada, a intensidade da corrente que passa por ela. Verifica-se, assim, que o voltímetro convencional de corrente contínua é, na realidade, um dispositivo de mediação de corrente. 4.2.1.1 Voltímetros convencionais de alta resistência Um voltímetro de alta resistência interna (ou alta sensibilidade), como os exigidos para medições de potenciais entre uma estrutura e um eletrodo de referência, deve ter uma resistência mínima de 100.000 ohm por volt. Isso é necessário porque a resistência do circuito que está sendo medido pode ser alta. Se o voltímetro exigir muita corrente para operar seus movimentos, haverá uma queda de tensão muito grande na resistência do circuito externo e o potencial verdadeiro não será o indicado pelo voltímetro. Verifica-se, assim, que o uso de um voltímetro inadequado pode facilmente induzir a erro o observador quanto ao nível de proteção de uma estrutura. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 42 4.2.1.2 Voltímetros convencionais de baixa resistência Para a medição de voltagens muito baixas, da ordem de 1 a 2 milivolts, por exemplo, são mais indicados os voltímetros de baixa resistência interna. Isso porque no caso de voltímetros de alta resistência, o conjunto da bobina móvel tem uma resistência tão elevada que não permite a deflexão da agulha parabaixos potenciais. De um modo geral, esses voltímetros apresentam uma resistência interna da ordem de 1.000 ou 2.000 ohms por volt. 4.2.1.3 Voltímetros potenciométricos São utilizados em locais onde a resistividade do solo é muito elevada, em que os voltímetros convencionais estão sujeitos a erros em suas indicados devido à resistência de contato entre o eletrodo de referência e o solo. Tais voltímetros possuem uma fonte própria de energia e a leitura do valor da tensão é obtida mediante a comparação dos valores dos potenciais da estrutura e da sua fonte interna. 4.2.1.4 Voltímetros eletrônicos São construídos para permnitir leituras de potenciais sem drenar quantidade apreciável de corrente do circuito a ser medido. O sinal de entrada é eletronicamente amplificado, de forma a permitir a operação do que seria um instrumento convencional. Antigamente denominados VTVM (vacuum tube voltmeter), ou seja “voltímetros à válvula”, já no prsente são transistorizados, apresentando como maior vantagem sua elevada resistência interna. Foto 4.1 – Voltímetro registrador, voltímetro eletrônico e eletrodo de referência de Cu/CuSO4, para medição do potencial tubo/solo. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 43 4.3 AMPERÍMETROS São instrumentos usados para medir-se a intensidade da corrente elétrica. Em serviços de proteção catódica, são de grande utilidade para a medição de corrente de saída de retificadores, de anodos galvânicos e outras aplicações semelhantes. O princípio de funcionamento de um amperímetro de corrente contínua é o mesmo que o de um voltímetro convencional, conforme já mencionado. Normalmente, são instrumewntos de baixa resistência interna. 4.3.1 Amperímetro de Resistência Nula Assim como nas medições de potenciais, um voltímetro potenciométrico atenua os efeitos de um cicuito de alta resistência externa, um amperímetro de resistência nula reduz os efeitos da resistência de um amperímetro inserido em um circuito de baixa resistência. Isso é obtido usando-se a corrente de uma barreira para compensar a queda de tensão através do amperímetro, o que permite leituras muito precisas. 4.4. MEDIDORES COMBINADOS Os medidores de múltiplas combinações são muito práticos e convenientes por permitirem a redução da quantidade de equipamentos para os serviços de campo. Podem ser construídos com um ou dois instrumentos, sendo que nestes últimos são utilizados um voltímetro de alta e um de baixa resistência. Prestam-se para todos os trabalhos de medição de potenciais, corrente, medições potenciométricas e de resistências de circuitos. Os multi-medidores têm experimentado grande avanço tecnológico nos últimos anos, de forma a incorporar, em suas características principais, tamanho e peso bastante reduzidos, robustez, facilidade de operação e alto nível de precisão, razão pela qual estão sendo cada vez mais utilizados, principalmente os digitais. 4.5 INSTRUMENTOS PARA MEDIÇÕES DE RESISTIVIDADES São essenciais para a escolha de locais apropriados à instalação de leitos de anodos e que devem necessariamente apresentar baixa ou média resistividade elétrica, valor esse que determina o tipo e quantidade de anodos a serem utilizados. 4.5.1 Vibroground É o instrumento mais tradicionalmente empregado para esse fim. Utiliza o Método dos Quatro Pinos, também conhecido como Método de Wenner. Alimentado por pilhas comuns, contém um vibrador síncrono, que transforma a corrente contínua em alternada. Por intermédio de quatro pinos de aço, eqüidistantes, fincados no solo, é medido uma diferença de potencial, entre dois dos pinos, ao injetar-se certa quantidade de corrente, por intermédio dos outros dois. A diferença de potencial medida representa a queda de potencial através do solo compreendido entre os pintos e pode ser traduzida em resistividade elétrica. Uma característica importante desse método é que as resistividades elétricas podem ser medidas a profundidades diferentes, mediante a variação do espaçamento entre os pinos de aço utilizados. 4.5.2 Megger Outro tipo de instrumento disponível, que utiliza também o Método dos Quatro Pinos, caracteriza-se por possuir um gerador acionador por manivela, em substituição às pilhas. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 44 4.5.3 Outros Instrumentos Existem outros instrumentos de diversos fabricantes, com o mesmo princípio de operação, em que o vibrador é substituído por circuito transistorizado. Esses instrumentos têm tido melhor aceitação pelos usuários, por eliminarem os defeitos comumente apresentados pelos vibradores, sendo assim mais confiáveis para trabalhos de campo. Foto 4.2 – Instrumento para medição da resistividade elétrica do solo. 4.5.4 EM’S São instrumentos que permite a determinação da resistividade elétrica do solo por meio de uma técnica eletromagnética de medição. Consistem, basicamente, de um transmissor e um receptor de rádio freqüência. Um sinal de rádio freqüência (RF) emitido pelo transmissor induz no solo “correntes de intensidade variável”. Essas correntes, por sua vez, geram um campo magnético secundário que é captado e medido pelo receptor. A intensidade desse campo magnético é diretamente proporcional à condutividade do solo, valor fornecido pelo instrumento. A partir do valor de condutividade determina-se a resistividade do solo no local. As principais vantagens desse método em relação ao de Wenner são as seguintes: a) maior velocidade de execução; b) possibilidade de otimização do local escolhido para instalação do leito de anodos; c) não sofre influência de anomalias supeficiais do solo. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 45 A principal desvantagem é que as medições não podem ser feitas nas proximidades de condutores metálicos, linhas de transmissão, tubulações aéreas e enterradas, cercas etc. 4.6 VOLT-OHM-MILIAMPERÍMETRO É um instrumento que combina as funções de voltímetro, ohmímetro e miliamperímetro, muito útil para os serviços de manutenção de retificadores e outros equipamentos encontrados no campo. Foto 4.3 – Multímetros digitais. 4.7 REGISTRADORES São instrumentos capazes de registrar continuamente correntes e potenciais, essenciais para os serviços de campo em locais sujeitos a correntes de interferência. Basicamente, um registrador consiste de um voltímetro convencional de corrente contínua, equipado com uma pena ou estilete que efetua a marcação em papel graduado, enrolado em bobina, permitindo um registro periódico ou contínuo. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 46 Foto 4.4 – Instrumento para registro de potencial tubo/solo. 4.8 DATA LOGGERS São instrumentos eletrônicos utilizados em substituição aos voltímetros, amperímetros, multímetros e registradores tradicionais. Possuem, em geral, grande capacidade de armazenamento de dados e podem ser programados para executar diferentes tipos de medições. Os dados obtidos podem ser transferidos para um microcomputador, onde são analisados. 4.8.1 Ramlog (de fabricação da A.B.I. Data) Trata-se de um “registrador eletrônico”, com impedância de 1012 ohm, programável via computador, capaz de armazenar até 8.000 leituras, durante um período de um ano, sem troca da bateria. A principal aplicação desse instrumentos é para a realização de registros simultâneos. Para tanto, possuem um relógio interno que torna possível a sincronização de registros. Pode-se programa até 50 instrumentos para uso num mesmo estudo. 4.8.2 Tricorder (de fabricação da MC MILLER) É o mais versátil de todos os data loggers disponíveis para os serviços de campo de proteção catódica. Possui três canais independentes, que o torna equivalente a três registradores;possui ainda teclado inteligente; porta serial RS-232C, que permite a transmissão de dados diretamente para uma impressora, ou a operação remota do instrumento; memória de 64 K etc. São disponíveis, ainda, diversos softwares para análise de dados e impressão de gráficos, tabelas etc. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 47 4.8.3 Rectifier Controler (de fabricação da Cathodic Technology Limited) Trata-se da combinação de um microprocessador, para controle dos parâmetros de saída do retificador, e um data logger que, além dos parâmetros mencionados, registra, também, os potenciais da estrutura protegida, até 288 vezes por dia. É capaz de armazenar os dados por até 50 dias. O microprocessador mantém os ajustes de saída do retificador dentro dos limites preestabelecidos pelo operador. O controle da corrente de saída pode ser feito pela leitura simultânea de até quatro semi-células diferentes. O instrumento possui, ainda, uma porta RS-232C que permite interfaciá-lo diretamente a uma impressora ou a um modem, permitindo sua operação remota. Pode ser programado diretamente, via teclado ou por computador. 4.8.4 DLINK (de fabricação da Harco Technologies Corporation) Trata-se de um sistema de sensoriamento remoto de dados. Seu uso é indicado para utilização em locais de difícil acesso. É composto por duas unidades: RTU – Unidade Terminal Remota e a MTU – Unidade Terminal Mestre. Cada Unidade Remota pode monitorar simultaneamente até 16 canais independentes. A Unidade Mestre é usada para, a partir de um veículo qualquer (carro, avião, barco) obter-se, por meio de sinais de rádio freqüência, os dados medidos e registrados pelas unidades remotas. A Unidade Mestre pode ser dispensada caso seja possível conectar-se as unidades remotas diretamente a uma linha telefônica. 4.9 INTERRUPTORES AUTOMÁTICOS DE CORRENTE Usados para ligar e desligar automaticamente uma fonte de corrente, geralmente em um sistema provisório de proteção catódica, para o levantamento de dados necessários ao projeto. O requisito essencial do dispositivo é que permita uma perfeita identificação dos períodos de ligação e corte da corrente. Modernamente, os interruptores de corrente têm sido utilizados para a realização de medições de potencial isentas de queda ôhmica no solo. 4.10 LOCALIZADORES DE TUBULAÇÃO São instrumentos úteis para verificar-se o ponto exato em que se encontram tubulações, estruturas metálicas desconhecidas, cabos de camas de anodos e outras estruturas enterradas, das quais não se sabe a localização. Foto 4.5 – Instrumento para localização de tubulações e cabos elétricos enterrados. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 48 4.11 DETECTORES DE FALHA DE REVESTIMENTO PARA TUBULAÇÕES ENTERRADAS Esses instrumentos (figura 4.1) permitem detectar e localizar falhas no revestimento de tubulações enterradas e cabos danificados, sem a necessidade de escavações. O princípio de funcionamento baseia-se na medição dos gradientes superficiais de potencial no solo provocado pela passagem de uma corrente elétrica contínua. Esses gradientes são mais intensos junto às falhas do revestimento. Quanto maior for a falha, maior será o gradiente. Figura 4.1 – Detecção de defeito do revestimento de uma tubulação enterrada. 4.12 EQUIPAMENTOS PARA LEVANTAMENTO DE PERFIL DE POTENCIAL São equipamentos utilizados para levantar-se o perfil de potenciais T/S ao longo de uma tubulação, com intervalos de até um metro entre as medições. São compostos, basicamente, por um microcomputador, um teclado, uma bobina com até oito km de fio 30 AWG, duas semi-células e um multímetro de alta impedância (mínimo de 20 M.ohm). Uma vez montados no campo, são facilmente transportados por um único operador, que percorre a tubulação. O equipamento fornece a distância entre o operador e o ponto de conexão à tubulação. Todos os valores medidos são automaticamente registrados pelo microcomputador. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 49 4.13 ACESSÓRIOS 4.13.1 Eletrodos de Referência Essenciais para serviços de proteção catódica, os eletrodos de referência (meias-células ou semi-células) servem para medir-se o potencial de uma estrutura com relação ao meio e assim verificar-se o nível da corrosão e a existência de correntes de interferência. Foto 4.6 – Eletrodos de referência de Cu/CuSO4. 4.13.2 Caixa Padrão Serve para medir a resistividade de amostras do solo e de água. Consiste, basicamente, num depósito de plástico transparente com placas metálicas em ambas as extremidades, para permitir a passagem de uma corrente elétrica através da amostra e a medição de sua resistência. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 50 Foto 4.7 – Caixa-padrão para medição de resistividade elétrica de amostras de solo e de água. 4.13.3 Fontes para Testes de Corrente Dependendo das circunstâncias e das condições de trabalho no campo, as fontes utilizadas para testes de densidade de corrente e de condições de revestimento podem ser uma bateria de pilhas secas, acumuladores, geradores a óleo ou gasolina ou, ainda, uma máquina de solda. 4.13.4 Carretéis e Fios Para a medição de potenciais de uma estrutura, em relação a um eletrodo de referência afastado, necessita-se de condutores de grande comprimento. Como a resistência interna dos instrumentos é bastante elevada e a queda de potencial desprezível, podem ser usados condutores de pequena bitola (18 a 22 AWG) em carretéis com até mesmo 300 m de extensão. Esses condutores deverão ser de cobre do tipo singelo, de fios finos trançados, revestidos de borracha e muito flexíveis. Para as ligações rápidas dos instrumentos, recomenda-se fios do tipo espiralado com terminais do tipo “jacaré”. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 51 CAPÍTULO 5 Dimensionamento de Sistemas de Proteção Catódica 5.1 INTRODUÇÃO No presente capítulo estamos apresentando, de forma didática e ordenada, as principais orientações a serem adotadas na elaboração dos projetos dos sistemas de proteção catódica. Cumpre destacar, entretanto, que o dimensionamento de um sistema de proteção catódica não consiste simplesmente na aplicação de fórmulas, sendo que a experiência do projetista é de fundamental importância para a elaboração de um bom projeto. 5.2 A IMPORTÂNCIA DOS LEVANTAMENTOS DE DADOS Um projeto de proteção, para ser bem executado deve ser baseado num cuidadoso levantamento de dados. Conforme descrito no capítulo 3, podemos dividir a coleta destas informações em dois tipos: • levantamentos de dados das instalações a proteger; • levantamentos e medições de campo. 5.3 SELEÇÃO DO MÉTODO DE PROTEÇÃO CATÓDICA A SER USADO A escolha do método de proteção catódica depende essencialmente de uma análise técnico- econômica. Nessa definição devem ser analisadas as vantagens e desvantagens de cada sistema, o custo e a viabilidade técnica de se empregar o sistema galvânico ou o sistema por corrente impressa. Para uma escolha criteriosa, o projetista deve levar em consideração as características de cada sistema, que estão apresentadas a seguir. 5.3.1 Sistema Galvânico • Indicado somente para eletrólitos de baixa resistividade elétrica. • Indicado para pequenas instalações. • Contra-indicado para estruturas sujeitas a fortes correntes de interferência. • Não possibilita regulagem, ou aceita regulagem precária. • É menos sujeita a interrupções de funcionamento. • Pode necessitar de substituição periódica dos anodos. • É muito usado para a proteção de plataformas de petróleo e tubulações submersas no mar. 5.3.2 Sistema por Corrente Impressa • Indicado paraqualquer eletrólito (não há limitação quanto à resistividade elétrica). • Indicado para instalações de qualquer porte. • Indicado para instalações sujeitas a correntes de interferência. • Possibilita ampla regulagem. • É mais sujeito a interrupções de funcionamento. • Necessita de inspeção e manutenção dos retificadores. • Custo inicial em geral maior que o do sistema galvânico, dependendo da instalação. 5.4 CÁLCULO DA CORRENTE DE PROTEÇÃO CATÓDICA A corrente necessária à proteção de determinada estrutura independe do tipo de sistema que se utiliza, seja galvânico ou por corrente impressa. Essa corrente pode ser calculada pela seguinte fórmula: SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 52 I = A • Dc • F • (1 – E). Onde: I = corrente necessária, em mA; A = área da estrutura a ser protegida: esta área é obtida a patir da forma geométrica da estrutura, devendo ser considerada somente a área que estiver em contato com o eletrólito, sendo expressa em m2; Dc = densidade de corrente: é a corrente necessária por unidade de área. A densidade de corrente utilizada é obtida em função da resistividade do eletrólito e refere-se à estrutura sem revestimento, sendo expressa em mA/m2. O cálculo da densidade de corrente pode ser feito pela seguinte fórmula: Dc = 73,73 – 13,35 log ρ. Onde: Dc = densidade de corrente (mA/m2); ρ = resistividade elétrica do eletrólito em ohm . cm. Obs.: A fórmula acima só deve ser usada para valores de resistividade elétrica variando entre 1.000 ohm . cm e 300.000 ohm . cm. A determinação da densidade de corrente pode também ser feita através do Gráfico 5.1. Gráfico 5.1 – Variação da densidade de corrente para a proteção do aço, em função da resistividade elétrica do eletrólito. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 53 Para o caso das instalações marítimas, a densidade de corrente depende, além da resistividade elétrica do eletrólito, de outros fatores tais como velocidade das correntes marítimas, turbulência, teor de oxigênio dissolvido na água, temperatura da estrutura metálica (por exemplo os risers das plataformas de petróleo, onde o óleo produzido possui altas temperaturas) e presença de incrustações calcáreas na estrutura. Para as plataformas de petróleo, normalmente construídas em mar aberto, a densidade de corrente pode variar desde cerca de 50 mA/m2 até 600 mA/m2, dependendo das condições, sendo que, para esses casos, a fórmula para o cálculo da densidade de corrente, bem como o gráfico 5.1 não devem ser usados. No capítulo 19 mostramos os procedimentos que devem ser adotados para o cálculo das correntes de proteção catódica necessárias às plataformas de produção de petróleo, sendo comum o cálculo da corrente inicial, da corrente média e da corrente final. E = Eficiência do Revestimento: uma estrutura revestida necessita, para sua proteção, de uma quantidade de corrente bem menor do que uma estrutura nua. Daí a importância da eficiência do revestimento ser estimada corretamente no projeto de proteção catódica. A eficiência do revestimento pode ser determinada, no campo, através de testes de injeção de corrente, ou pode ser estimada, tomando-se como base as orientações descritas no capítulo 9. Para o caso de instalações marítimas, como as plataformas de petróleo e as estacas de piers de atracação de navios, a eficiência de revestimento muitas vezes não é considerada, sendo freqüente a não utilização de revestimentos protetores nas superfícies permanentemente submersas daquelas instalações. A tabela 5.1 indica alguns valores de eficiência utilizados em projetos de proteção catódica. TABELA 5.1 Estrutura Qualidade do revestimento Eficiência Inicial (%) Final (%) Tubulações enterradas Excelente 95 90 Bom 90 80 Regular 80 50 Ruim 50 0 Fundos de tanques (parte externa) Bom ’80 60 Regular 60 40 Ruim 40 0 Fundos de tanques (parte interna) Excelente 95 90 Embarcações Excelente 95 90 Bom 90 80 Regular 80 50 Ruim 50 0 É na estimativa da eficiência dos revestimentos que se estabelece o maior ou menor coeficiente de segurança que se adota no dimensionamento de um sistema de proteção catódica. Neste particular, a experiência do projetista é fator fundamental para um perfeito dimensionamento da corrente de proteção. F = Fator de Correção da Velocidade: é um coeficiente adotado quando existe movimento relativo entre a estrutura e o eletrólito. Esse coeficiente pode ser obtido através do Gráfico II. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 54 Gráfico 5.2 – Fator de correção da corrente em função da velocidade do eletrólito. 5.5 DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS GALVÂNICOS 5.5.1 Instalações Submersas Para as instalações submersas, podem ser adotados os procedimentos a seguir. 5.5.1.1 Escolha do material dos anodos Primeiramente, torna-se necessário escolher o material dos anodos, que deve ser adequado ao eletrólito em contato com a estrutura a proteger. Para essa escolha as seguintes orientações devem ser seguidas: • anodos de magnésio: utilizados para a proteção de instalações enterradas ou mergulhadas em água doce; • anodos de zinco: utilizados para a proteção de instalações enterradas ou submersas; • anodos de alumínio: utilizados somente para instalações submersas, principalmente as instalações marítimas e, em especial, as plataformas de petróleo. As características principais dos anodos galvânicos são a capacidade de corrente (A • h/kg), o potencial em circuito aberto, medido em relação ao eletrodo de Cu/CuSO4 (volts) e o peso específico (g/cm3). Esses valores, para os anodos de magnésio, zinco e alumínio, encontram-se na tabela 6.1, do capítulo 6. 5.5.1.2 Determinação da massa de anodos O segundo passo consiste na determinação da massa necessária de anodos para uma determinada vida. Esse cálculo pode ser feito com o auxílio da seguinte expressão: SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 55 FC IV760.8 M × ×× = onde: M = massa de anodos necessária (kg); V = vida útil desejada para os anodos (anos). A vida útil desejada é função da maior ou menor facildiade de substituição dos anodos, após serem consumidos. As orientações normalmente adotadas para a vida útil são as seguintes: – instalações enterradas: 10 a 20 anos; – instalações marítimas: 10 a nos anos; – embarcações: 2 a 3 anos. I = Corrente necessária á proteção, em A (ampéres), calculada de acordo com o item 5.4; C = capacidade de corrente do anodo, em Ah/kg, de acordo com a tabela 6.1 do capítulo 6; F = fator de utilização do anodo (adimensional). O fator de utilização normalmente adotado é de 0,85 para anodos convencionais e 0,90 para os anodos que apresentam forma alongada; 8.760 = número de horas em um ano. 5.5.1.3 Determinação do número de anodos Essa definição consiste em verificar-se, com o auxílio de catálogos de fabricantes, quais são os formatos e massas unitárias dos anodos disponíveis no mercado. Dividindo-se a massa total de anodos pela massa unitária do anodo selecionado, tem-se o número de anodos a ser utilizado. A experiência do projetista é, mais uma vez, fundamental nessse momento, para que o anodo selecionado seja realmente o mais indicado. Como orientação geral, pode-se adotar o critério de selecionar um anodo para a proteção de cada 30/60 m2 de estrutura. 5.5.1.4 Verificação da corrente liberada pelos anodos A corrente liberada por cada anodo depende do material do anodo, do seu formato e da resistividade elétrica do eletrólito. Para o caso das instalações submersas, basta verificar, no catálogo do fabricante, qual a corrente liberada por cada tipo de anodo. Multiplicando-se esse valor pelo número totalde anodos, tem-se a corrente total liberada pelos anodos, que deve ser igual ou maior que a corrente total necessária. Quando não se dispõe da corrente por cada anodo, pode-se calclá-la com relativa precisão, utilizando-se as fórmulas seguintes: Corrente liberada por cada anodo I = DV/R Onde: I = corrente, em A; DV = diferença de potencial disponível entre o anodo e a estrutura polarizada, em V. Os valores de DV que podem ser utilizados são os seguintes: • anodos de magnésio: DV = 0,70 V; • anodos de zinco e alumínio: DV = 0,25 V. R = Resistência de contato anodo/eletrólito (ohm), calculada com o auxílio das fórmulas abaixo. a) Anodos Alongados, de Forma Cilíndrica: pi ρ = 1– r L4 n L2 R l onde: SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 56 R = resistência anodo/eletrólito (ohm); P = resistividade elétrica do eletrólito (ohm • cm); L = comprimento do anodo (cm); R = raio do anodo (cm), devendo-se considerar o raio remanescente, quando o o anodo já tem um consumo de 40%. b) Anodos Alongados com Seção Trasnversal Quadrada, Retangular ou Tranpezoidal Para o cálculo dessa resistência aplica-se a fórmula anterior, tomando-se o cuidado de calcular, antes, o raio equivalente do anodo, pela seguinte expressão: pi = S6,0 re onde: re = raio equivalente da seção não cilíndrica (cm); S = área da seção transversal do anodo; 0,6 = fator correspondente ao raio remanescente do anodo, após o consumo de 40%. Observação: Para o caso das platadormas de petróleo é comum o cálculo das resistências anodo/eletrólito inicial e final, adotando-se os comprimentos e raios inicial e final dos anodos, conforme mostrado no capítulo 19. c) Anodos em Forma de Braçadeira, para Proteção de Tubulações Marítimas A 315,0 R ρ = A = área da superfície exposta do anodo (cm2). d) Anodos em Forma de Placa, para a Proteção de Embarcações Le2 R ρ = onde: Le = comprimento equivalente do anodo (cm) igual à medade da soma do comprimento e da lagura do anodo, tomadas em sua base. Para que essa fórmula seja válida, o comprimenro do anodo deve ser maior que duas vezes a sua lagura, o que normalmente ocorre. 5.5.2 Instalações Enterradas 5.5.2.1 Escolha do Material e Determinação da Massa dos Anodos Adotar o mesmo procedimento recomendado para as instalações submersas. Os anodos utilizados para a proteção galvânica das instalações enterradas precisam, entretanto, ser ensacados com um enchimento condutor apropriado, consistindo de uma mistura de gesso hidratado e bentonita com ou sem a adição de sulfato de sódio. A resistividade elétrica desse enchimento é da ordem de 250 ohm • cm, sendo que esse valor cai para 50 ohm • cm quando se adiciona cerca de 5% de sulfato de sódio à mistura. A finalidade principal do enchimento condutor é evitar o contato direto do anodo com o solo, diminuindo o aparecimento de pilhas de corrosão no próprio anodo, evitando a formação de películas apassivadoras de alta resistência sobre a superfície do anodo e diminuindo a resistência de contato anodo/solo. 5.5.2.2 Cálculo da corrente liberada pelos anodos Esse cálculo é feito pela fórmula seguinte: R V i ∆ = onde: SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 57 I = corrente liberada por um anodo ou por um leito de anodos (A); DV = diferença de potencial disponível entre o anodo e a estrutura polarizada (V); R = resistência de contato anodo/solo (ohm), calculada com o auxílio das fórmulas a seguir. a) Resistência Anodo/Solo de apenas um Anodo Alongado de Forma Cilíndrica A resistência anodo/solo pode ser obtida mediante a soma da resistência anodo/enchimento com a resistência enchimento/solo, não havendo necessidade de considerar a resistência do próprio enchimento, que é desprezível. Para o cálculo das duas resistências acima, pode ser utilizada a expressão abaixo: pi ρ = 1– 4 L4 n L2 R l onde: R = resistência de contato anodo/enchimento ou enchimento/solo (ohm); L = comprimento do anodo ou comprimento da coluna de enchimento do anodo (cm); R = raio do anodo ou raio da coluna de enchimento do anodo (cm). b) Resistência Anodo/Solo de um Leito de Anodos Para esse cálculo, deve ser adotado o procedimento descrito no item 5.6.5.1, relativo ao cálculo para os anodos inertes, utilizados em sistemas por corrente impressa. 5.5.2.3 Cálculo do número de anodos individuais ou do número de leitos de anodos Esse cálculo pode ser feito dividindo-se a corrente total necessária pela corrente liberada por cada anodo individual ou por cada leito de anodos. 5.5.2.4 Verificação da vida dos anodos Após definido o número total de anodos, torna-se necessário verificar se a sua vida esperada está compatível com a vida desejada, mediante o emprego da fórmula do item 5.5.1.2. Se a massa de anodos não for suficiente para a vida desejada, torna-se necessário selecionar anodos com maior massa ou, mesmo, aumentar o número de anodos. 5.6 DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS POR CORRENTE IMPRESSA Nos sistemas por corrente impressa, uma vez determinada a corrente necessária de proteção, adota-se o procedimento a seguir. 5.6.1 Definição do Número de Pontos de Injeção de Corrente O pontos de injeção de corrente, para os sistemas por corrente impressa, são constituídos de conjuntos retificador/leito de anodos, podendo ser utilizados, em substituição ao retificador, baterias convencionais, baterias solares ou termogeradores, embora não sejam muito comuns. O número de retificadores a ser utilizado deve ser suficiente para fornecer e distribuir, de modo econômico e eficiente, toda a corrente de proteção catódica necessária à estrutura. As características principais dos retificadores a seresm selecionados são as seguintes: – as tensões de saída podem variar desde 10V até 100V, sendo que, em algunas instalações particulares, podem ser usado retificadores de até 140V, embora com restrições de segurança. Nos Estados Unidos existem instalações de proteção catódica, com o emprego desse equipamentos com alta tensão de saída; – as correntes de saída podem variar desde 10A até 500A (as correntes maiores são usadas em instalações marítimas, como é o caso dos piers de atracação de navios); SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 58 – a potência de saída deve ser limitada, tanto quanto possível, em 10 kVA; – os retificadores mais comumente utilizados são os seguintes: • Instalações terrestres: 50V/30A, 50V/50A, 100V/30A e 100V/50A. • Instalações marítimas: 20V/200A, 20V/300A e 20V/400A. • Armaduras de aço das estruturas de concreto: 30V/10A e 30V/15A. Para a instalação dos conuntos retificador/leito de anodos devem ser escolhidos locais com baixa ou média resistividade elétrica (sempre que possível, inferior a 12.000 ohm • cm), com fácil acesso para montagem e inspeção, com disponibilidade de energia elétrica em baixa ou média tensão (máximo de 15 kV) e com espaço suficiente para a instalação do leito de anodos, que algumas vezes precisa ser extenso (faixa de 300 m x 5 m), como é o caso das tubulações enterradas de grande porte. 5.6.2 Escolha do Material do Anodo Os anodos inertes que podem ser usados em sistemas por corrente impressa, incluindo suas aplicações, densidades de corrente, desgaste e formas geométricas em que são fabricados, são descritos com detalhes no capítulo 6. 5.6.3 Cálculo da Massa de Anodos A massa mínima de anodos, necessária para cada equipamento de injeção, pode ser calculada da seguinte maneira: F IVD M ×× = onde: M = massa de anodos (kg); D = desgaste do anodo (kg/A • ano) de acordo com a tabela 6.2 do capítulo 6; V = tempo de vida útil desejada para o leitode anodos (anos). Os sistemas por corrente impressa são dimensionados, normalmente, para uma vida útil variando de 15 a 30 anos, dependendo da instalação; I = corrente máxima a ser injetada pelo leito de anodos (A); F = fator de utilização dos anodos (adimensional). O fator de utilização pode variar de 0,5 a 0,85, de acordo com o critério do projetista. 5.6.4 Escolha do Número Mínimo de Anodos O número mínimo de anodos de um determinado leito pode ser determinado dividindo-se a massa mínima necessária pela massa unitária do anodo escolhido, mediante consulta dos catálogos dos fabricantes. Torna-se necessário verificar se a densidade de corrente no anodo está de acordo com a densidade máxima recomendada para o material escolhido. 5.6.6 Cálculo da Resistência do Circuito Para o cálculo da resistência do circuito retificador/anodo/eletrólito/estrutura/retificador, podem ser adotadas as expressões a seguir. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 59 5.6.6.1 Resistência total do circuito RT = 1,2 (Rce + Rpc + Rca + Rae) Onde: RT = resistência máxima que deve ter o circuito externo, de modo que, com a tensão nominal do retificador, a corrente nominal possa ser injetada; Rce = resistência de contato catodo/eletrólito (ohm). Essa resistência depende da área de contato da estrutura com o eletrólito, da eficiência do revestimento da estrutura e da resistividade elétrica do eletrólito. O valor dessa resistência é, na grande maioria das vezes, muito pequeno, podendo ser desprezado. Somente para o caso de pequenas tubulações, muito bem revestidas e instaladas em solo de resistividade elétrica muito alta, pode ser necessário sua verificação, razão pela qual deixamos de apresentar o seu método de cálculo; Rpc = resistência do próprio catodo (ohm). Essa resistência, para o caso de tubulações, depende da resistência do tubo por metro linear, da resistividade elétrica do metal e da massa do tubo. O seu valor também pode ser desprezado no cálculo; Rca = resistência dos cabos elétricos de interligação (ohm). Essa resistência pode ser facilmente calculada, em função das bitolas e comprimentos dos cabos elétricos, mediante consulta das tabelas fornecidas pelos fabricantes; Rae = resistência de contato anodo/eletrólito (ohm). Esta é a pacela mais significativa no cálculo da resistência total do circuito, podendo ser calculada com o auxílio das expressões a seguir. a) Resistência de um Anodo Cilíndrico Instalado na Posição Vertical pi ρ = 1– D L8 n L2 R l onde: R = resistência (ohm); P = resistividade elétrica do solo (ohm • cm); L = comprimento do anodo (cm); D = diâmetro do anodo (cm). Notas: quando se tratar de anodo galvânico, com enchimento, adotar o procecimento de cálculo do item 5.5.2.2(a). Quando se tratar de anodo inerte, com enchimento de coque metalúrgico moído, L e D podem ser o comprimento e o diâmetro da coluna de coque. b) Resistência de um Leito de Anodos Cilíndricos Instalados na Posição Vertical + pi ρ = )N656,0(n S L2 1– D L8 n NL2 R ll onde: N = número de anodos; S = espaçamento entre anodos (cm). Nota: Quando se tratar de anodo com enchimento, seja galvânico ou por corrente impressa, as dimensões L e D podem ser o comprimento e o diâmetro da coluna de enchimento. c) Resistência de um Anodo Cilíndrico Instalado na Posição Horizontal + + ++ pi ρ = 1– L LP – L P DP LPL4L4 n L2 R 22222 l onde: P = dobro da profundidade do anodo (cm). d) Resistência de um Leito de Anodos Cilíndricos Instalados na Posição Horizontal RV RARH R × = onde: SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 60 RH = resistência de um anodo cilíndrico instalado na posição horizontal (ohm); RA = resistência calculada pela fórmula usada para um leito de anodos cilíndricos na posição vertical; RV = resistência calculada pela fórmula usada para um anodo cilíndrico na posição vertical. e) Resistência de um Leito de Anodos Cilíndricos Instalados na Posição Horizontal, com Coluna de Enchimento Condutor Contínua pi ρ = 2– DP L8 n L2 R 2 l f) Resistências de Leitos de Anodos Não Cilíndricos Quando os anodos não são cilíndricos ou são instalados em coluna de enchimento condutor de seção transversal quadrada ou retangular, como ocorre com freqüência na instalação dos anodos inertes horizontais, o diâmetro equivalente do anodo ou da coluna de enchimento pode ser calculado pela fórmula: pi = A2De onde: De = diâmetro equivalente (cm); A = área da seção transversal (cm2). 5.6.7 Verificação do Número de Anodos O número mínimo de anodos calculado em 5.6.4, pelo critério da massa mínima necessária para uma determinada vida, precisa ser agora verificado, tendo em vista a resistência do circuito, conforme calculado em 5.6.5. O número de anodos a ser usado em determinado leito tem que ser, sempre, igual ou maior que o número mínimo de anodos calculado pelo critério da massa e da resistência. 5.7 AUXÍLIO DE MICROCOMPUTADORES Todos os cálculos para o dimensionamento dos sistemas de proteção catódica podem ser extremamente facilitados mediante o uso dos microcomputadores. O cálculo, por exemplo, da corrente total necessária para a proteção de tubulações enterradas pode ser feito, com boa precisão, se forem adotadas pequenas seções do tubo, utilizando-se o valor de resistividade elétrica do solo medido em cada uma das seções e somando-se as várias correntes parciais. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 61 CAPÍTULO 6 Materiais e Equipamentos Utilizados em Sistemas de Proteção Catódica 6.1 INTRODUÇÃO O presente capítulo descreve as principais características e finalidades dos materiais e equipamentos utilizados nos sistemas de proteção catódica. O conhecimento desse assunto é de fundamental importância no detalhamento e na construção desses sistemas. 6.2 SISTEMAS GALVÂNICOS 6.2.1 Anodos Os materiais usados para fabricação de anodos galvânicos são ligas de zinco, de magnésio e de alumínio. A composição de tais ligas varia de fabricante para fabricante (exceto as de zinco, que são rigidamente especificadas), obtendo-se anodos comerciais. Principais características apresentadas pelos anodos galvânicos • Potencial em relação ao eletrólito, medido com o auxílio de um eletrodo de referência (potencial em circuito aberto). • Capacidade de corrente, em ampére-hora/kg. • Eficiência eletroquímica do anodo (que é a relação entre a corrente utilizável na proteção da estrutura e a corrente total debitada pelo anodo). Quanto maior a eficiência, menor a autocorrosão do anodo. A tabela 6.1 mostra a comparação desses valores para os anodos de zinco, magnésio e alumínio. TABELA 6.1 Propriedade dos Anodos Galvânicos Anodos Capacidade de Potencial em Eficiência Corrente (A . h/kg) volts (Cu/CuSO4) (%) Zinco 740 –1,10 90/95 Magnésio 1.100 –1,60 50/60 Alumínio 2.200/2.844 –1,10 75/95 Os anodos de alumínio embora tenham características eletroquímicas superiores, têm seu uso restrito aos sistemas onde o eletrólito é totalmente líquido. Particularmente na água do mar, os resultados são excelentes. Não é indicado para proteção de estruturas enterradas, devido aos fenômenos químicos que ocorrem em sua superfície. A tecnologia de fabricação desses anodos tem sido bastante desenvolvida. As ligas Al-Zn-Hg, usadas durante alguns anos, foram abandonadas devido a suas implicações ecológicas, risco de envenenamento dos fundidores, causados pelo mercúrio, e devidoàs grandes áreas inativas da superfície dos anodos. Mais recentemente, as ligas Al-Zn-Sn, com adição de índio, foram testadas, aprovadas e estão sendo utilizadas com sucesso nas instalações marítimas. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 62 Foto 6.1 – Anodos de alumínio para proteção catódica de instalações marítimas. Os anodos de zinco, já bem mais testados e conhecidos que os de alumínio, são bastante usados para proteção de estruturas marítimas, podendo, também, proteger estruturas enterradas, desde que instalados em solos de baixa resistividade (da ordem de até 1.500 ohm . cm). São utilizados na proteção de cascos de embarcações, estacas de piers, proteção interna de tanques de armazenamento de petróleo, tanques e linhas de lastro. Para proteção de estruturas enterradas, sua utilização é limitada a locais de muito baixa resistividade, em virtude do seu baixo potencial requerer uma resistência de circuito muito pequena, a fim de debitar a corrente necessária à proteção. Os anodos de zinco são ainda usados para os sistemas de aterramento elétrico de tanques de armazenamento de petróleo e derivados, em substituição às hastes de cobre, que possuem o inconveniente de introduzir pilhas de corrosão, indesejáveis, nos fundos dos tanques, conforme será mostrado no capítulo 13. Os anodos de magnésio, que possuem potencial maior que o alumínio e o zinco, são recomendados para a proteção de instalações metálicas enterradas em solos com resistividade elétrica de até 6.000 ohm.cm, sendo que, resultados melhores são conseguidos em solos com resistividade máxima de 3.000 ohm.cm. Para aplicações em água salgada, de baixa resistividade elétrica, o uso de anodos de magnésio não é recomendado porque a corrente de saída dos anodos seria muito alta, conferindo uma superproteção desnecessária à estrutura. Por motivos de segurança, evita-se instalar anodos de magnésio no interior de tanques com produtos inflamáveis, como os tanques de lastro, devido à possibilidade de gerar centelha, no caso de queda e choque com a estrutura de aço. Os anodos galvânicos podem ser fabricados nos mais variados formatos e dimensões, dependendo da aplicação a que se destinam. Para o caso, por exemplo, da proteção de tubulações submersas, são usados com freqüência anodos em forma de braçadeira, que envolvem o tubo a ser protegido. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 63 Foto 6.2 – Anodo galvânico em forma de braçadeira. Foto 6.3 – Anodos galvânicos de magnésio ensacados com enchimento condutor. A ligação elétrica entre o anodo galvânico e a estrutura pode ser feita de uma das duas maneiras seguintes: – ligação por meio de cabo elétrico, já fornecido com o anodo, usada para a proteção de tubulações enterradas; SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 64 – ligação por meio de solda da alma do anodo com a estrutura, usada paa a proteção de instalações submersas e cascos de navios. – 6.2.2 Enchimento Condutor (Backfill) Quando se instalam anodos galvânicos no solo, é conveniente, em certas circunstâncias, envolvê-los com enchimento condutor apropriado, evitando-se o contato direto anodo-solo. As finalidades do enchimento condutor são as seguintes: – permitir desgaste uniforme do anodo; – evitar o processo de autocorrosão do anodo, aumentando sua eficiência; – facilitar a retenção de umidade, para o caso de solos muito secos; – baixar a resistência de contato do anodo com o solo. O material utilizado para o enchimento dos anodos galvânicos é uma mistura de gesso, bentonita e, às vezes, sulfato de sódio. A mistura pode ter diversas composições, dependendo da principal finalidade que se deseja. Para anodos de zinco, é comum uma mistura de 50% de gesso e 50% de bentonita. Em solos de resistividades elevadas, é conveniente o uso, também, de sulfato de sódio. Uma composição típica seria 75% de bentonita, 20% de gesso e 5% de sulfato de sódio. Anodos de magnésio são encontrados no mercado já acompanhados do backfill, acondicionados em sacos de aniagem, quando se destinam a instalações enterradas. 6.2.3 Cabos Elétricos Nos sistemas de proteção catódica as tensões envolvidas são baixas e, portanto, a classe de tensão do isolamento não é um fator determinante na escolha dos cabos. Para o dimensionamento dos cabos, são observados, principalmente, os itens a seguir. • Resistência Elétrica É de fundamental importância que tenhamos baixa resistência nos cabos, visto que, sobretudo em sistemas galvânicos, dispomos de tensões muito baixas e qualquer parcela de resistência que se some ao circuito poderá ser significativa. Por outro lado, nos sistemas galvânoicos, os anodos se encontram, na maioria das vezes, próximos às estruturas a proteger, o que nos leva a pequenos comprimentos de cabos e, portanto, se devidamente dimensionados, a baixos valores de resistência. • Condução de Corrente As intensidades de correntes nos circuitos elétricos dos sistemas galvânicos são muitos baixas e, nos casos mais freqüentes, os cabos de bitola 6 mm2 satisfazem plenamente, sendo muito utilizados. • Revestimento Isolante É de fundamental importância a especificação adequada do revestimento dos cabos, para que os mesmos suportem as condições de trabalho exigidas. Tratando-se de baixas tensões e baixas correntes, é prática usual instalar os cabos diretamente no solo. A deterioração do revestimento pode acarretar a absorção de umidade que, atingindo as conexões, causa oxidação, introduzindo resistências adicionais indesejáveis no circuito. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 65 Embora o problema de falha do revestimento seja bem mais grave nos sistemas por corrente impressa (principalmente no cabo positivo), é de toda conveniência a especificação de cabos com revestimento da melhor qualidade possível, até mesmo duplo, sobretudo quando se lançam os mesmos diretamente no solo ou em contato com água do mar. 6.2.4 Conectores Elétricos É essencial, para sistemas de proteção catódica, uma perfeita continuidade elétrica do circuito. As conexões elétricas devem ser feitas preferencialmente por soldagem, desde que exeqüível, ou com o auxílio de conectores elétricos de tamanho adequado às bitolas dos cabos. Os conectores de pressão tipo parafuso fendido, ou equivalente, são satisfatórios, desde que bem ajustados. É imprescindível que tais conexões sejam devidamente isoladas por meio de muflas isolantes apropriadas, para evitar contato direto com o solo ou com a água. 6.2.5 Caixas de Ligação ou de Passagem Caixas de ligação ou de passagem podem ser previstas numa instalação galvânica com o objetivo de facilitar diversas operações, tais como: – interligar duas estruturas a proteger, ou desconectar uma delas; – desconectar um ou mais anodos; – introduzir uma resistência no circuito, para reduzir a corrente injetada por um leito de anodos. 6.2.6 Resistores Elétricos Com o objetivo de limitar a corrente injetada pelos anodos, quando se constata que tal corrente é demasiada, um recurso bastante usual é introduzir-se uma resistência de valor adequado no circuito. Utiliza-se, para isso, um resistor de valor fixo ou um reostato. Em sistemas galvânicos, tal prática é particularmente comum quando se utilizam anodos de magnésio. 6.2.7 Materiais Diversos Além dos materiais descritos acima são também amplamente utilizados nos sistemas de proteção galvânica: – solda cadweld: usada para realizar soldagem de cabo elétrico numa estrutura de aço. Equipamento de fácil manuseio, pequenas dimensões, leve, excelente para aplicações no campo; – massa epoxi: usada para recobrimento de conexões cabo-estrutura, conferindo boa proteção contra oxidação; – fitaisolante autovulcanizável e mufla isolante: usadas paa proteção e isolamente de conexões elétricas; – eletrodutos (PVC ou aço galvanizado); usados sempre que as condições o exijam, para a proteção dos cabos elétricos. 6.3 SISTEMAS POR CORRENTE IMPRESSA 6.3.1 Retificadores de Corrente Sendo o equipamento fundamental de um sistema por corrente impressa, sua especificação, instalação, operação e manutenção devem ser as mais criteriosas possíveis para assegurar um bom desempenho da proteção catódica. As características principais de um retificador são apresentadas a seguir. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 66 • Alimentação em C.A. É definida em função da disponibilidade de energia no local da instalação. Utilizam-se tensões de 110, 220 e 440V. Caso haja necessidade de uma maior flexibilidade, podem ser especificados retificadores que admitam mais de uma tensão de alimentação. Os retificadores podem ter alimentação trifásica ou monofásica. Os trifásicos fornecem uma corrente com melhores características de retificação e, além disso, um rendimento mais elevado, sendo mais caros que os monofásicos. • Elementos Retificadores Semi-condutores de silício ou de selênio são os materiais usados como elementos retificadores. Os retificadores de silício têm um tempo de vida maior que os de selênio, em condições normais. Além disso, mantêm quase inalteradas suas características elétricas ao longo do tempo, o que não ocorre com os de selênio, cujo rendimento vai gradativamente se reduzindo. Todavia, o selênio resiste melhor a transientes de tensão e o silício exige maior sofisticação no circuito de proteção dos elementos retificadores. A grande m aioria dos retificadores de proteção catódica são fabricados com diodos de silício. Figura 6.1 – Esquema elétrico de um retificador manual para proteção catódica. • Sistemas de Refrigeração São usados retificadores refrigerados a ar ou imersos em óleo. Os imersos em óleo são indicados para locais cuja atmosfera é muito agressiva, como no caso de ambientes marítimos e, ainda, quando o local exige a instalação de equipamentos à prova de explosão. Nos demais casos, usam-se os retificadores refrigerados a ar. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 67 • Tensão e Corrente Contínua de Saída A corrente contínua máxima que o retificador é capaz de fornecer é função da estrutura a proteger e é especificada em projeto. A tensão máxima de C.C. é função da corrente máxima e da resistência do leito de anodos. A corrente contínua que o retificador fornece pode ser regulada, o que é conseguido por meio da variação da tensão de saída do equipamento. Tal regulagem pode ser feita manualmente (retificadores manuais) ou automaticamente (retificadores automáticos). O funcionamento do controle de um retificador automático é função do potencial estrutura/eletrólito próximo à estrutura, medida continuamente com o auxílio de um eletrodo de referência permanente de zinco, grafite ou Cu/CuSO4. Tal leitura é recebida num elemento sensor do retificador, o qual atua no sistema de regulagem, enviando mais ou menos corrente, dependendo do potencial estrutura-eletrólito. Seu objetivo, portanto, é manter constante tal potencial, num valor previamente fixado, que também é regulável. Os retificadores automáticos são, assim, indicados para sistemas onde ocorra demanda variável de corrente, causada por agentes estranhos ao sistema. Dois exemplos típicos de aplicação são os navios e as tubulações sujeitas a correntes de interferência. Figura 6.2 – Esquema elétrico de um retificador automático para proteção catódica. Os retificadores manuais são usados em locais onde não temos variações na demanda de corrente. As regulagens, feitas normalmente por meio de taps, são esporádicas, apenas para compensar o envelhecimento do revestimento ou o aumento de resistência dos leitos de anodos, fatores que sempre ocorrem ao longo do tempo. 6.3.2 Equipamentos de Drenagem Os equipamentos de drenagem são normalmente instalados nos cruzamentos de tubulações enterradas com estradas de ferro eletrificadas. Os equipamentos de drenagem podem ser de dois tipos, como a seguir. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 68 • Equipamento de Drenagem Simples Constituído, basicamente, por um diodo de silício (figura 6.3), conectado entre a tubulação e os trilhos da estrada de ferro, de forma que as correntes de interferência caminhem sempre no sentido tubulação/ferrovia, sendo bloqueadas em sentido inverso. Esse equipamento é utilizado quando o potencial entre a tubulação e os trilhos é superior à tensão mínima de condução do diodo. Figura 6.3 – Esquema elétrico de um equipamento de drenagem simples. • Equipamento de Drenagem com Controle de Baixo Nível de Potencial Esse equipamento possui uma chave montada em paralelo com o diodo, acionada por um sistema de controle (figura 6.4) Ele é usado quando o potencial entre a tubulação e a ferrovia pode ser inferior à tensão mínima de condução do diodo. Quando a diferença de potencial tubo/trilho é muito baixa, a chave fecha e interliga diretamente o tubo ao trilho, permitindo a drenagem direta da corrente. Figura 6.4 – Esquema elétrico de um equipamento de drenagem com baixo nível de potencial. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 69 Tanto os retificadores quanto os equipamentos de drenagem podem, ainda, ser equipados com um dispositivo de proteção temporizada, para proteção automática dos seus circuitos. 6.3.3 Anodos Inertes Os anodos usados em sistemas por corrente impressa diferem fundamentalmente dos anodos galvânicos pelo fato de serem inertes, apresentando um desgaste bastante baixo e possuindo vida mais longa. As principais características desses anodos são apresentadas a seguir. • Densidade de Corrente É a corrente por unidade de área que pode ser usada na superfície do anodo (A/m2). A utilização de uma densidade de corrente acima da máxima recomendada pode causar desgaste iregular e acentuado, seguido de fratura do anodo. Em certos casos, pode ocorrer, também, o aparecimento de produtos isolantes na superfície dos anodos. Alguns tipos de anodos, como os de chumbo/antimônio/prata, precisam trabalhar com uma densidade de corrente acima de um valor mínimo, pois é necessário que se forme uma película semi-isolante para evitar o seu desgaste prematuro. • Desgaste do Anodo Cada tipo de anodo possui uma taxa de desgaste (kg/A.ano) conhecida, quando opera dentro do limite máximo de densidade de corrente. A taxa de desgaste de determinado tipo de anodo precisa ser considerada para o cálculo da sua vida. • Formato e Dimensões A resistência elétrica de contato anodo/eletrólito é função do formato e das dimensões do anodo, além da resistividade elétrica do eletrólito. Uma vez definida a resistividade elétrica do eletrólito, a resistência de contato de cada anodo dependerá do seu formato e das suas dimensões. Um acréscimo no comprimento ou no diâmetro dos anodos cilíndricos, por exemplo, contribuirá para uma redução da resistência anodo/eletrólito, sendo que a influência do comprimento é bem maior que a do diâmetro. A tabela 6.2 apresenta os principais tipos de anodos inertes usados em sistemas por corrente impressa. TABELA 6.2 Anodos Inertes para Sistemas por Corrente Impressa(1) Densidade de corrente Desgaste médio Anodo recomendada (a/m2) (kg/A . ano) Grafite até 3 0,20 Ferro/silício (Fe-Si) até 15 0,35 Ferro/silício/cromo (Fe-Si-Cr) até 15 0,35(2) Chumbo/antimônio/prata (Pb-Sb-Ag) 50/100 0,10 Titânio platinizado (Ti-Pt) até 1.000 desprezível Nióbio platinizado (Nb-Pt) até 700 desprezível Tântalo platinizado(Ta-Pt) até 1.100 desprezível Titânio oxidado até 1.100 desprezível Magnetita (Fe3O4) até 115 0,04 Ferrita (0,4 MO . 0,6 Fe2O3) até 115 0,0004(3) Ferrita (0,1 Mo . 0,9 Fe2O3) até 115 0,002(3) SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 70 (1) Para dimensionamento, consultar a densidade de corrente e o desgaste recomendados pelo fabricante do anodo. (2) Desgaste em água do mar. (3) M pode ser Ni, Li, Co, Mg, Zn e Mn. As principais aplicações, características e limitações dos anodos inertes são as seguintes: • Anodos de grafite – fabricados em barras circulares e tratados com parafinas ou estearatos. Recomendados para solos, água marinha não pofunda e água doce. • Anodos de ferro/silício (Fe-Si) – fabricados em barras circulares, mediante fundição, com teor de silício em torno de 16%. Recomendados somente para solos ou água com teor de cloreto inferior a 60 ppm. • Anodos de ferro/silício/cromo (Fe-Si-Cr) – fabricados em barras circulares, mediante fundição, com teor de silício da ordem de 16% e teor de cromo não inferior a 4%. Recomendados para solos, água marinha, fundo do mar e água doce. • Anodos de chumbo/antimônio/prata (Pb-Sb-Ag) – fabricados em barras circulares, mediante fundição, com cerca de 6% de antimônio e 1% de prata. Recomendados somente para serem instalados suspensos em água salgada, sem tocar o fundo do mar. • Anodos de titânio, nióbio ou tântalo platinizado (Ti-Pt, Ni-Pt ou Ta-Pt) – fabricados nos formatos de barrinhas, chapas, tubos ou telas, mediante a deposição eletrolítica de platina, ou por laminaçao. Recomendados p ara solos, água doce, água do mar (excluindo o fundo do mar) e concreto (na proteção das armaduras de aço). • Anodos de titânio oxidado – fabricados nos formatos de barrinhas, chapas, fios, tubos ou telas, mediante revestimento eletrocatalítico do titânio à base de óxidos de metias nobres. Redomendados para todas as aplicações, incluindo, também, a proteção das armaduras do concreto. • Anodos de magnetita (Fe3O4) – fabricados no formato de barras circulares, mediante fundição com adição de pequenas quantidades de elementos de liga. Recomendados para solos, água doce e água do mar. • Anodo de ferrita (Fe2O3) – fabricados no formato de barras circulares, quando o btidos por sinterização, ou em praticamente qualquer formato, quando obtidos pela pulverização a quente dos óxidos de ferrita sobre um substrato de titânio, nióbio ou tântalo. Recomendados para todas as aplicações. Foto 6.4 – Anodo de titânio oxidado. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 71 6.3.4 Enchimento (Backfill) Usados para os Anodos Inertes O material clássico para enchimento, no caso de sistemas por corrente impressa, é a moinha de coque metalúrgico. A resistividade do coque não deve ser superior a 50 ohm.cm, na compactação de 800 kg/m3. A granulometria é também de grande importância, a fim de assegurar uma grande superfície de contato com o anodo, bem como possibilitar uma boa compactação. Tem-se obtido excelentes resultados com uma granulometria em torno de 10 mm de diâmetro, embora projetistas europeus prefiram 3 mm. Quando se tem um backfill bem compactado, anodo e backfill funcional como se fossem um anodo de dimensões externas idênticas às do backfill, com uma sensível redução da resistência anodo-solo. Além disso, o tempo de vida do anodo é bastante aumentado, pois o desgaste se processa pelo menos em parte no coque, e não somente no anodo propriamente dito. A redução no desgaste do anodo pode prevista em torno de 50% para a densidade de corrente utilizada. Em solos de resistividade mais elevada, pode ser adicional sal no coque, normalmente sulfato de sódio, mas também se admite cloreto de sódio. Por vezes, são previstos dispositivos que permite a adição periódica de solução salina ao backfill. Em solos sde resistividade bastante elevada ou extremamente secos, o coque e o anodo podem ser envolvidos com uma mistura de gesso a 25% e bentonita a 75%. As dimensões externas dessa camada variam, em geral, de 1 a 2 m de diâmetro. A essa mistura pode ser adicionado, ainda, sulfato de sódio. A operação acima chama-se tratamento do solo, sendo comum obter-se com a mesma uma redução de 15% para furos de 1 m de diâmetro e 35% para furos de 2 m de diâmetro, sobre a resistência dos anodos calculada para um solo sem tratamento. 6.3.5 Cabos Elétricos Nos sistemas por corrente impressa, as características que normalmente definem os cabos elétricos a usar são os apresentados abaixo. • Capacidade de Corrente Particularmente importante nos sistemas de proteção de estruturas submersas, onde a corrente atinge normalmente 200 a 400 A. Em geral, em virtude da corrente debitada exigir bitola elevada, a resistência do cabo é parcela pequena da resistência total do circuito. • Isolamento São extremamente importantes as características de resistência química e mecânica do revestimento dos cabos. Nos sistemas por corrente impressa, a importância do isolamento é bem maior que nos sistemas galvânicos. Isto porque, com corrente impressa, tem-se os cabos positivos ligando o retificador ao leito de anodos. Qualquer defeito no isolamento permitirá um contato direto do cabo com o eletrólito, passando a constituir um ponto de saída de corrente, com um conseqüente intenso processo de corrosão do cabo e, em curto intervalo de tempo, ocorre a sua “degola”. É interessante observar que no cabo negativo (bem como nos cabos dos sistemas galvânicos) o problema não é tão crítico, visto que, nestes, a tendência é dos cabos serem protegidos catodicamente em casos de ruptura do revestimento. O revestimento dos cabos deve ser de alta qualidade e, se possível, duplo, para 1.000V. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 72 No caso de instalações marítimas, revestimentos de polietileno de alta densidade e alto peso molecular são recomendáveis. 6.3.6 Juntas Isolantes. São dispositivos usados em tubulações com a finalidade de isolar eletricamente dois trechos da linha. Com isso, consegur-se: – isolar eletricamente uma estrutura protegida de outra não protegida, evitando, assim, que a corrente atinga a estrutura que não se deseja proteger; – dividir uma estrutura a proteger em trechos isolados e, portanto, tratar cada trecho independentemente do outro. Em certas circunstâncias, tal procedimento facilita a proteção. As juntas isolantes convencionais são constituídas de juntas propriamente ditas, estojos para parafusos e arruelas. O conjunto é montado em flanges. A montagem de tais juntas é bastante delicada e deve ser executada por pessoal experimentado, pois as menores imperfeições redundam num mau isolamento elétrico e a conseqüente perda de finalidade da junta isolante. As limitações das juntas isolantes convencionais são as seguintes: – um pequeno desalinhamento dos flanges provoca o esmagamento do cartucho que envolve o parafuso, resltando na perda do isolamento; – o próprio movimento da tubulação, devido à dilatação térmica, é capaz de provocar a falha do isolamento. Em conseqüência desses problemas foram desenvolvidos outros tipos de juntas isolantes, onde tais deficiências foram eliminadas. Essas juntas (tipo Prochind) são prefabricadas e fornecidas com um pequeno trecho de tubulação. Elas são inseridas na tubulação, sendo suas extremidades, em aço, soldadas no tubo. Na especificação dessas juntas sdevem constar: – classe de pressão da linha; – diâmetro nominal da tubulação; – natureza do fluido transportado; – temperatura de trabalho. Foto 6.5 – Juntas, cartuchos e arruelas para isolamento elétrico de uniões flangeadas. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 73 6.3.7 Dispositivos de Proteçãodas Juntas Isolantes Ao se instalar uma junta isolante é necessário prever um dispositivo de proteção contra descargas atmosféricas. Tal dispositivo pode ser um pára-raio, instalado em paralelo com a junta. Quando se instala num pa de flanges uma junta convencional, é aconselhável envolver todo o conjunto, depois de instalado, com massa epóxi, para impedir a entrada de umidade. É conveniente, quando se instala uma junta isolante, a previsão de uma caixa onde cheguem cabos soldados de um e de outro lado da junta, a fim de facilitar a retirada de operação da junta. Caso se torne necessário, basta conectar os bacos para eliminar o isolamento. 6.3.8 Caixas de Medição, Interligação e Pontos de Teste As caixas de medição e interligação são usadas para receber cabos ligados a pontos diversos, permitindo que facilmente se faça a conexão ou desconexão desses pontos ou, ainda, se introduza ou retire uma resistência no circuito. Os pontos de teste são usados para permitir as medições dos potenciais tubo/solo, para o caso, por exemplo, de uma tubulação enterrada. Os pontos de teste podem ser do tipo aéreo ou em caixa instalada ao nível do piso. Figura 6.5 – Esquema de instalação de uma junta de isolamento elétrico. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 74 Foto 6.6 – Juntas prefabricadas instaladas para isolamento elétrico de tubulações com proteção catódica. Como exemplos típicos de aplicação, citamos os seguintes locais onde normalmente se instalam essas caixas: – próximo às juntas isolantes; – cruzamento ou aproximação com tubulações estranhas; – locais de medição dos potenciais tubo/solo. 6.3.9 Resistores Elétricos As aplicações típicas dos resistores elétricos em sistemas por corrente impressa são: – ligação de estruturas estranhas com a estrutura a proteger. Pode haver necessidade de se efetuar tal ligação, todavia, uma ligação direta poderia acarretar uma perda grande de corrente para a estrutura estranha, com a conseqüente queda de potencial da estrutura a proteger. Introduz-se, então, nessa ligação, uma resistência de valor tal que atinja o ponto ideal de trabalho; – balanceamento da corrente injetada por mais de um leito de anodos supridos por um único retificador. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 75 Foto 6.7 – Caixa de medição e interligação e ponto de teste do tipo aéreo. Os resistores utilizados podem ser de resistência constante ou variável (reostatos). Em seu dimensionamento deve ser levada em conta a resistência, a potência e a corrente. 6.3.10 Materiais Diversos São de uso freqüente nos sistemas por corrente impressa, além dos materiais descritos acima: – solda Cadweld, usada para soldar cabos elétricos em estrutura de aço; – placas de celeron, para isolar tubulações de seus suportes; – eletrodutos, para a proteção dos cabos elétricos; – massa epóxi, para isolamento das soldas Cadweld; – eletrodos de referência permanentes de zinco, grafite ou Cu/CuSO4, usados quando se deseja uma medição permanente de potencial em determinado ponto. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 76 CAPÍTULO 7 Leitos de Anodos em Poços Profundos 7.1 INTRODUÇÃO Com a crescente expansão da malha de estruturas metálicas enterradas, principalmente tubulações, tem se tornado cada vez mais difícil encontrar-se, especialmente em áreas urbanas, locais adequados à instalação de leitos de anodos convencionais. Essa situação pode facilmente ser superada com a utilização de leitos de anodos em poços profundos. Nesse tipo de leito todos os anodos são instalados num mesmo furo, chamado de poço profundo, praticamente sem ocupar espaço. Em que pesem alguns pontos críticos inerentes ao seu funcionamento, esse procedimento vem sendo executado desde 1940 em diversos países, especialmente nos Estados Unidos. O propósito desse capítulo é o de fornecer uma visão geral desse tipo de instalação. 7.2 TIPOS Existem diferentes tipos de instalação de leitos de anodos em poços profundos. Os principais tipos utilizados podem ser classificados de acordo com os seguintes critérios: • Quanto ao meio onde ficam imersos os anodos: a) Sistema Aberto – os anodos ficam imersos num eletrólito aquoso. b) Sistema Fechado – os anodos são instalados envoltos por um enchimento condutor tipo moinha de coque metalúrgico ou coque calcinado de petróleo. • Quanto à possibilidade de recuperação do leito em caso de dano: a) Recuperável – em casos de mal funcionamento do leito, pode-se revitalizá-lo, aproveitando-se o furo e materiais que estiverem em boas condições de uso. b) Não Recuperável – em caso de mal f uncionamento não pode ser recuperado, perdendo-se tanto o furo quanto os materiais. 7.2.1 Estrutura Básica Os leitos em poço profundo possuem a seguinte estrutura básica: uma área ativa, por onde é liberada a corrente de proteção e uma área inerte. O propósito da área inerte é o de tornar distante a área ativa do leito, da estrutura protegida, evitando, assim, a ocorrência no solo de gradientes superficiais de potencial. Na prática, a extensão dessa área varia de 15 a 30 m, podendo, em casos excepcionais, chegar a valores superiores a 100 m. O comprimento da área ativa é função da resistência de aterramento do leito, da corrente liberada e do tipo de anodo utilizado. 7.2.2 Tubos e Trilhos-Sucata Uma das alternativas mais simples para a instalação de um leito de anodos em poço profundo está no uso de tubos e trilhos-sucata. Nesse caso, a área inativa é obtida por intermédio da aplicação de um revestimento à superfície metálica, sendo comum revestir-se, também, uma estreita tira vertical ao longo da superfície ativa, com o propósito de retardar-se o seccionamento do tubo ou trilho-sucata. Esse tipo de sistema deve ser dimensionado considerando-se um desgaste de 10 kg/A.ano para o aço. O sistema deixará de funcionar adequadamente após o seccionamento. Pode- se, opcionalmente, instalar no interior do tubo-sucata anodos envoltos por enchimento condutor. Assim, após o seccionamento do tubo, o leito continuará funcionando por intermédio dos anodos. Nesse caso é necessário prover o leito com um vent para reduzir-se o risco de bloqueio por gases. A figura 7.1 mostra o esquema básico desse tipo de instalação. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 77 Figura 7.1 – Leito de anodos em poço profundo com tubo-sucata. 7.2.3 Sistemas Não Recuperáveis. Os sistemas não recuperáveis são do tipo sistema fechado, isto é, os anodos são instalados ocm um enchimento condutor. Apresentam a desvantagem de não poderem ser recuperados em caso de falha de algum componente, ou bloqueio por gases. Por outro lado, são de instalação mais simples e não requerem o uso de materiais especiais. A figura 7.2 mostra o esquema básico de instalação desse tipo de sistema. Para reduzir o risco de ocorrerem problemas que inutilizem o leito, pode-se utilizar um anodo contínuo, conforme indicado na figura 7.3. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 78 Figura 7.2 – Leito de anodos em poço profundo, do tipo sistema fechado com anodos múltiplos. Figura 7.3 – Leito de anodos em poço profundo, do tipo sistema fechado com anodo contínuo. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 79 7.2.4 Sistemas Recuperáveis Os sistemas recuperáveis foram criados com o propósito de permitir-se a recuperação do leito de anodos, em caso de falha. Com essa alternativa, elimina-se o risco de perder-se o investimento gasto com a instalação. Os sistemas recuperáveis podem ser do tipo sistema aberto ou sistema fechado. a) Sistema AbertoNesse tipo de sistema os anodos são suspenso dentro do poço e imersos num eletrólito aquoso. Os anodos podem ser facilmente retirados a qualquer tempo e, se necessário, substituídos. Em algumas instalações, após concluída a perfuração, o poço tem suas paredes impermeabilizadas e é enchido com água salgada. Caso necessário, para evitar-se o desmoronamento do poço, pode ser usada uma camisa não-metálica perfurada. b) Sistema Fechado Nos últimos anos foram patenteados diversos sistemas fechados substituíveis, todos com a mesma característica básica; é possível, a qualquer tempo, retirar-se os materiais de dentro do poço, sem danificar a perfuração, substituir os deteriorados e repor o leito em funcionamento, numa operação que não demora mais de dois dias de serviço normal. A figura 7.4 mostra o esquema básico de dois desses sistemas. Figura 7.4 – (A) Leito de anodos em poço profundo do tipo recuperável (1º exemplo). (B) Leito de anodos em poço profundo do tipo recuperável (2º exemplo). SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 80 7.3 VANTAGENS E DESVANTAGENS Os leitos em poço profundo possuem vantagens e desvantagens em relação aos leitos superficiais. A principal vantagem é que podem ser instalados em locais onde não haja espaço disponível para a instalação dos leitos tradicionais. Por outro lado, a grande desvantagem está na possibilidade do leito vir a falhar precocemente, devido à elevação da resistência de aterramento causada por bloqueio de gases provenientes das reações anódicas, ou devido a defeitos dos materiais utilizados. As principais vantagens e desvantagens estão resumidas a seguir. 7.3.1 Vantagens a) Não estão sujeitos às limitações de natureza geográfica, topográfica e física, como os leitos convencionais. b) Praticamente eliminam a necessidade de desapropriações, pois os leitos podem ser instalados dentro da faixa de domínio da estrutura protegida. c) Podem ser utilizados em áreas congestionadas, para evitar a ocorrência no solo de fortes gradientes superficiais de potencial, que seriam provocados caso se usasse um leito convencional. d) Podem ser usados para obter-se um baixo valor de aterramento em locais cujo solo apresente elevados valores superficiais de resistividade elétrica e baixos valores nas camadas mais profundas. e) Em alguns casos, permitem uma melhor e mais eficiente distribuição da corrente de proteção. f) Estão menos sujeitos a danos decorrentes de escavações ou atividades agrícolas. g) São menos sujeitos a alterações da resistência de aterramento causadas por flutuações sazonais nos valores da resistividade elétrica do solo. 7.3.2 Desvantagens a) Em alguns tipos de montagem, são suscetíveis ao fenômeno de bloqueio por gases, que eleva substancialmente a resistência do leito, reduzindo expressivamente sua vida útil. Nesse caso, se a instalação for do tipo sistema fechado não recuperável, é necessário instalar-se um novo leito, abandonando-se o antigo. b) Em caso de dano dos seus componentes, tais como anodos e cabos, poderá, também, ser necessário instalar-se um novo leito. c) Os custos de instalação são muito superiores aos dos leitos convencionais. d) Os testes de injeção de corrente são de difícil execução prática. e) Em alguns casos devem ser complementados por leitos convencionais, que terão o propósito de proteger as estruturas, ou partes da estrutura, não atingidas pela corrente de proteção. Convém observar que o mesmo acontece com os leitos convencionais instalados de forma remota para a proteção de estruturas situadas em áreas congestionadas. f) É difícil obter-se uma boa compactação do enchimento condutor. A má compactação ou a ausência localizada desse material pode provocar um desgaste acelerado dos anodos. Os enchimentos de alta densidade e granulometria adequada podem ser usados para melhorar significativamente a compactação. g) Em sistemas abertos, às vezes é necessário instalar-se uma camisa não metálica para impedir o desmoronamento do furo. h) Os sistemas abertos requerem uma profundidade adicional, para depósito de sedimentos. i) Os sistemas abertos requerem a presença permanente de um eletrólito aquoso. j) É extremamente difícil avaliar-se previamente e com exatidão o desempenho esperado para o leito. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 81 7.4 PROJETO Os principais parâmetros necessários ao projeto de um leito de anodos em poço profundo são os seguintes: a) local de instalação; b) corrente mínima de proteção; c) valor máximo admitido para a resistência da cama; d) vida útil prevista para o sistema; e) resistividade elétrica no local do leito; f) seleção de materiais; g) profundidade máxima permissível. A determinação dos parâmetros b, c e d é feita de forma análoga ao descrito no capítulo 5. Os demais parâmetros merecem os comentários abaixo. 7.4.1 Escolha do Local para a Cama Devem ser consultados todos os dados disponíveis quanto à estratificação das propriedades do solo na região escolhida. Caso os dados disponíveis sejam insatisfatórios, é necessário fazer-se um furo exploratório. Nesse caso, pode-se obter um perfil de resistência elétrica da perfuração, com o auxílio de um instrumento tipo Megger e um eletrodo de corrente. 7.4.2 Resistividade Elétrica do Solo A resistividade elétrica do solo pode ser determinada, conforme indicado no capítulo 3, pelo método dos 4 pinos (Método de Wenner). Para grandes espaçamentos, os valores de resistência encontrados serão muito baixos, sendo, portanto, necessário utilizar-se instrumentos de medição adequados a essa condição. Para uma melhor análise, os valores obtidos poderão ser estratificados graficamente ou com o auxílio de um computador. Em regiões sujeitas a interferência, sobretudo pela presença de tubulações metálicas enterradas, e limitações de espaõ, não será possível utilizar-se o Método de Wenner. Nesse caso deverá ser feito um levantamento do perfil da resistência do local previsto para a instalação do leito. 7.4.3 Seleção de Materiais A correta seleção dos materiais é um dos fatores primordiais para assegurar-se um bom desempenho do leito. Deve-se ter em mente que, em geral, quanto menor for a quantidade de materiais dentro do poço, menoes serão as possibilidades de ocorrer uma falha prematura. Tendo-se em vista o alto custo de instalação e manutenção, é essencial que seam escolhidos materiais de excelente qualidade, que apresentem bom desempenho no ambiente de instalação. Em geral, recomendam-se os seguintes cuidados mínimos: • Anodos Quase todos os anodos inertes de proteção catódica podem ser utilizados. É essencial que as conexões dos cabos elétricos aos anodos sejam muito bem isoladas contra a penetração de umidade. Não devem ser feitas conexões entre cabos elétricos no interior do leito, devendo-se trazer o cabo de cada anodo até a supefície, onde serão interligados por intermédio de uma caixa de junção de cabos. O tipo de anodo escolhido deve ser adequado ao tipo de enchimento condutor e ao meio ambiente do local de instalação. Outro ponto crítico está na liberação excessiva de corrente, o que pode acarretar o bloqueio de um ou mais anodos por gases, ou um desgaste acelerado dos anodos. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 82 Um cuidado importante que deve ser tomado é a escolha de um sistema adequado para abaixamento e suporte dos anodos. • Cabos elétricos dos anodos Os cabos elétricos devem ser selecionados, principalmente, em função do meio ambiente onde será instalado o leito. O ponto crítico está na seleção do tipo de isolamento. O problema mais comum de falha dos cabos elétricos tem sido a quebra do isolamento por ação de gases halógenos e outros gases corrosivos. Em locais com presençade íons halógenos, deve ser especificado um isolamento quimicamente resistente a esse fenômeno. Convém mencionar que o isolamento do tipo polietileno de alto peso molecular, muito utilizado nos leitos convencionais, não é quimicamente resistente aos gases halógenos e outros gases corrosivos. Na escolha do tipo de isolamento devem ser consideradas, também, as seguintes características: – propriedades dielétricas; – resistência à abrasão; – ponto de ruptura por tensão. Um outro item que merece destaque especial é a quantidade de cabos dentro do leito. Quanto maior for essa quantidade, tanto maior será o risco de que ocorram danos aos cabos, provocados pela evolução de gases corrosivos. Deve-se, portanto, limitar a quantidade de cabos ao mínimo possível. • Enchimento condutor Um dos pontos críticos em relação ao enchimento condutor está na dificuldade de executar- se uma boa compactação, o que pode ser facilitado pelo uso de um material de peso específico elevado. O uso de enchimento com grãos de formatos iregulares pode danificar os equipamentos e mangueiras de bombeio, além de provocar vazios que podem comprometer o bom funcionamento do leito. Em locais sujeitos à evolução de gases, o enchimento condutor deve fornecer um meio permeável à dissipação desses gases. • Eletroduto para ventilação A princípio, todas as instalações do tipo sistema fechado devem ter um eletroduto perfurado para ventilação dos gases produzidos pelo leito. O material desse eletroduto deve ser imune ao ataque de gases corrosivos. • Camisas Camisas metálicas e não-metálicas são utilizadas para controlar problemas como desmoronamento do leito e liberação indesejável de corrente. As camisas metálicas podem ser utilizadas desde que seu uso não resulte numa liberação indesejável de corrente junto à superfície. As camisas de metal não-metálico (tais como asbestos, cimentos e termoplásticos), quando instaladas junto à parte ativa do leito, devem ser perfuradas de forma a garantir o contato do enchimento com o eletrólito. • Caixa de junção de cabos elétricos Os cabos provenientes dos anodos devem ser agrupados numa caixa de junção de cabos, instalada ao nível do solo, próxima ao retificador. A caixa deverá permitir a medição e o controle, SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 83 por meio de resistências, da corrente liberada por cada anodo. As entradas dos eletrodutos deverão ser seladas para impedir a penetração de gases, e a caixa, se feita de material metálico, deve ser aterrada eletricamente. 7.4.4 Profundidade Máxima Admissível Esse parâmetro é determinado em função dos dados obtidos durante o levantamento de campo e/ou sondagem. 7.4.5 Procedimento para o Dimensionamento O dimensionamento pode ser feito seguindo-se os seguintes passos: a) Determinação do diâmetro do leito Normalmente, o diâmetro é fixado em função do tipo de instalação escolhida e dos materiais empregados. Na prática, são utilizados diâmetros entre 15 e 30 cm, sendo mais comuns os de 20 a 25 cm.. b) Determinação da quantidade de anodos A quantidade de anodos é determinada, conforme visto no capítulo 5, em função de fatores como o meio ambiente da instalação, a corrente de projeto, o tamanho, formato, peso e densidade de corrente na superfície do anodo, o enchimento condutor usado, a resistência de aterramento desejada, a vida útil necessária e o comprimento da parte ativa do leito. c) Distribuição dos anodos dentro da parte ativa A distribuição dos anodos dependerá do tipo escolhido, da sua quantidade e do tipo de instalação e deve ser feita de forma criteriosa, para evitar a ocorrência de problemas durante a instalação e falha precoce durante a operação. d) Determinação do comprimento da parte ativa do leito (La) O valor a ser adotado deverá ser igual ou superior aos seguintes valores: – comprimento mínimo necessário à instalação completa dos anodos e demais acessórios da parte ativa do leito; – comprimento mínimo necessário para atender à resistência de aterramento prevista. O cálculo da resistência de aterramento pode ser feito da seguinte maneira: pi ρ = 1– D La4 n La2 R l onde: R = resistência (ohm); ρ = resistividade elétrica do solo (ohm . cm); La = comprimento total da parte ativa do leito (cm); D = diâmetro do leito (cm). Para facilitar os cálculos pode-se utilizar o ábaco da figura 7.5, que fornece a resistência de aterramento em função do comprimento da parte ativa, para um eletrólito de 1.000 ohm . cm, de resistividade elétrica e um diâmetro de 20 cm. Para outros diâmetros, os valores obtidos podem ser usados como uma primeira aproximação. Para outros valores de resistividade elétrica do eletrólito, a resistência de aterramento é proporcional. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 84 e) Determinação do comprimento da parte inativa do leito (Li) O comprimento da parte inativa (Li) é determinado em função das necessidades de distribuição da corrente de proteção e das características do solo na região. Esse último parâmetro torna-se preponderante quando as formações de baixa resistividade estão localizadas a grandes profundidades. f) Comprimento total do leito O comprimento total do leito será a soma dos comprimentos da parte ativa (La) e inativa (Li). Figura 7.5 – Resistência de aterramento de um leito em poço profundo em função do comprimento da parte ativa, considerando um eletrólito de 1.000 ohm . cm e um diâmetro de 20 cm. 7.5 MONTAGEM Os procedimentos de montagem dependem do tipo de sistema a ser instalado, dos materiais escolhidos, do local de instalação, dos equipamentos utilizados e da experiência prévia do montador. Em qualquer caso, devem ser estabelecidos procedimentos rigorosos para evitar-se a ocorrência de defeitos de montagem. Em instalações do tipo sistema fechado, a perda do leito acarretará em elevado ônus, correspondente a uma nova montagem. 7.6 ENERGIZAÇÃO Durante a energização torna-se muito importante controlar-se a corrente liberada por cada anodo que, em hipótese alguma, deve superar a capacidade de corrente do mesmo. Caso necessário, SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 85 devem ser utilizadas resistências para controlar a corrente injetada. Os valores finais obtidos devem ser arquivados para futuras comparações. 7.7 OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO Os procedimentos de energização, operação e manutenção dos sistemas de proteção catódica com leitos de anodos em poço profundo são, na sua maioria, análogos aos utilizados nos sistemas tradicionais. Alguns procedimentos adicionais são os mencionados a seguir. 7.7.1 Problemas Usuais Durante a Operação e Manutenção Em sistemas fechados, o principal problema costuma ser o bloqueio por gases corrosivos, devido à ventilação inadequada. Esse processo inicia-se, normalmente, pelo anodo mais profundo, progredindo em direção à superfície. Nesse caso, o problema às vezes pode ser corrigido por meio de injeção de água ou de ar, através do eletroduto de ventilação ou desintupindo-se o mesmo com o auxílio de um tubo de menor diâmetro ou com uma vareta. Outro recurso também utilizado consiste em alterar-se as correntes liberadas pelos anodos ou em desligar-se, provisoriamente, o anodo afetado. Caso o sistema seja do tipo não-recuperável, o problema poderá evoluir até o ponto onde ter-se-á que abandonar o leito e instalar um novo. Em leitos recuperáveis, o problema poderá ser sanado, substituind-se os materiais danificados. Outro problema que ocorre é devido a alterações na umidade do solo em contato com a parte ativa da cama, causadas por diminuição do nível hidrostático. Isso resulta num crescente aumento da resistência de aterramentodo leito, e normalmente afeta primeiro os anodos mais superficiais, progredindo em direção aos anodos mais profundos. Esse problema às vezes é corrigido injetando- se água no poço. As principais causas de falha precoce são as seguintes: – seleção inadequada dos materiais; – defeitos de fabricação; – dano mecânico durante o manuseio ou instalação; – procedimentos inadequadas de montagem, energização ou operação. 7.7.2 Registros O desempenho do leito deve ser constantemente verificado, anotando-se os valores de corrente liberados por cada anodo, bem como os valores das resistências de calibração utilizadas. Esses dados serão de fundamental importância na avaliação de qualquer problema que venha a ocorrer com o leito de anodos. 7.8 CONCLUSÕES O uso de leito de anodos em poço profundo é uma alternativa viável para superar dificuldades não solucionáveis pelo uso de camas convencionais. Devido às suas limitações, em particular o risco de bloqueio por gases e o alto custo inicial, seu uso deve ser limitado aos casos onde não seja possível utilizar-se um leito convencional. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 86 CAPÍTULO 8 Inspeção e Manutenção de Sistemas de Proteção Catódica 8.1 INTRODUÇÃO Para serem eficientes, os sistemas de proteção catódica precisam ser inspecionados com uma certa freqüência e reparados sempre que necessário, de modo a manter as tubulações ou estruturas permanentemente energizadas, com potenciais suficientemente negativos em relação ao solo ou à água, dentro dos limites de proteção catódica. Dessa maneira, os seviços periódicos de inspeção e os trabalhos de manutenção, precisam ser executados com critério, por técnicos devidamente treinados, de modo que os sistemas de proteção sejam mantidos operando com eficiência, ao longo dos anos. 8.2 COMPONENTES DE UM SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA Os componentes básicos de um sistema de proteção catódica, para cada tipo de instalação metálica enterrada ou submersa, são os apresentados a seguir. 8.2.1 Para Tubulações Enterradas Os sistemas de proteção catódica para tubulações enterradas são os mais encontrados na prática. Esses sistemas podem ter todos ou parte dos seguintes componentes: – retificadores de corrente, utilizados para converter a corrente alternada de alimentação elétrica em corrente contínua, de modo a injetá-la na tubulação, via anodos e solo; – leitos de anodos inertes, com a finalidade de injetar no solo a corrente contínua liberada pelo retificador. O leito de anodos é sempre ligado ao pólo positivo do retificador, uma vez que o negativo é ligado na tubulação; – pontos de teste, para permitir a medição dos potenciais tubo/solo, com o auxílio de um voltímetro e uma meia-célula de referência, de Cu/CuSO4; – caixas de medição e interligação (M.I.), que sevem para interligar eletricamente duas ou mais tubulações. Essas interligações podem ser feitas ou diretamente ou por meio de um resistor elétrico; – juntas de isolamento elétrico que, instaladas em uniões flangeadas, têm a finalidade de limitar eletricamente a tubulação protegida. As juntas de isolamento possuem, normalmente, um dispositivo para sua proteção contra transientes elétricos na tubulação; – dispositivos de drenagem, usados somente quando a tubulação cruza ou se aproxima de vias férreas eletrificadas. Esses dispositivos devolvem para a via férrea as correntes de fuga captadas ao longo da tubulação; – leitos de anodos galvânicos, usados no lugar dos anodos inertes dos sistemas de corrente impressa, quando a tubulação tem comprimento muito pequeno e bom revestimento, necessitando de pouca corrente para sua proteção. Os leitos de anodos galvânicos são usados, algumas vezes, como auxiliares na drenagem de correntes de fuga para o solo, em locais onde não é possível instalar-se um dispositivo de drenagem (locais onde não existe proximidade da tubulação com a via férrea, por exemplo). SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 87 8.2.2 Para Tubulações Submersas As tubulações submersas, na maioria das vezes, são protegidas catodicamente com o auxílio de sistemas galvânicos, mediante a instalação de anodos de sacrifício, sob a forma de braceletes, distribuídos ao longo da tubulação. Em alguns casos, dependendo das características da tubulação, são usados sistemas por corrente impressa, semelhantes aos utilizados para as tubulações enterradas. 8.2.3 Para Fundos de Tanques de Armazenamento As partes externas, em contato com o solo, dos fundos dos tanques de armazenamento de petróleo e derivados são protegidas normalmente com sistemas por corrente impressa, utilizando-se os seguintes componentes: – retificadores de corrente; – leitos de anodos inertes. Os tanques de armazenamento de pequeno diâmetro não necessitam de pontos de teste, uma vez que as medições dos potenciais tanque/solo são feitas diretamente na própria borda do tanque. Para os tanques de grande diâmetro, utilizam-se eletrodos permanentes de referência, instalados antes da construção, sob o fundo de cada tanque. As pates internas dos fundos dos tanques que armazenam petróleo com lastro de água são protegidas com anodos galvânicos, soldados internamente no fundo do tanque. 8.2.4 Para Estacas de Aço Cravadas no Mar Os sistemas de proteção catódica para as estacas de aço, cravadas no mar, dos piers de atracação de navios empregam, normalmente, os componentes seguintes: – retificadores de corrente; – leitos de anodos inertes; – pontos de teste; – anodos galvânicos, que são utilizados, em alguns casos, onde não há indicação para o sistema de corrente impressa. 8.2.5 Plataformas de Petróleo As plataformas de petróleo são protegidas catodicamente, na maioria das vezes, com auxílio de anodos galvânicos, mediante fixação por meio de solda da alma do anodo aos componentes de aço da plataforma, em suas partes submersas. As plataformas de petróleo podem, também, ser protegidas com os sistemas por corrente impressa. 8.2.6 Armaduras de Aço das Obras de Concreto As armaduras são protegidas com os sistemas por corrente impressa, mediante a utilização de anodos especiais. 8.3 ORIENTAÇÃO PARA OS SERVIÇOS DE INSPEÇÃO E MANUTENÇÃO Os serviços rotineiros sde inspeção e manutenção, necessários aos sistemas de proteção catódica, variam de sistema para sistema e dependem das características de cada estrutura metálica protegida. Uma orientação geral para a execução desses serviços nas instalações de proteção catódica mais comuns é a apresentada a seguir. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 88 8.3.1 Tubulações Enterradas Protegidas com Sistema Galvânico – Inspecionar os leitos de anodos, com medições de corrente e do potencial anodo/solo. A freqüência dessa inspeção pode variar de 6 meses a 2 anos, dependendo do comportamento dos potenciais tubo/solo da tubulação. – Reparar o leito de anodos sempre que houver necessidade. – Medir os potenciais tubo/solo e inspecionar os pontos de teste pelo menos uma vez por mês, cuidando para mantê-los limpos e em condições de uso. – Inspecionar e testar as juntas de isolamento elétrico pelo menos uma vez por mês e repará-las sempre que houver necessidade, de modo a mantê-las operando com eficiência. – Manter fichas de controle de operação do sistema, mediante anotações dos potenciais medidos e dos serviços de reparos executados. 8.3.2 Tubulações Enterradas Protegidas com Sistema por Corrente Impressa – Inspecionar os retificadores pelo menos uma vez por mês, incluindo o seu circuito de alimentação elétrica. Em tubulações influenciadas por correntes de fuga, a freqüência de inspeção dos retificadores precisa ser maior, com inspeções semanais, em alguns casos, ou até mesmo diárias, em outros, dependendoda complexidade do sistema e das características de atuação das correntes de fuga. Nesses casos, torna-se necessário, também, inspecionar os equipamentos de drenagem com a mesma freqüência dos retificadores, incluindo a inspeção das ligações com os trilhos da via férrea. – Reparar os retificadores e as drenagens sempre que necessário, cuidando para mantê-los limpos e em perfeitas condições de uso. – Testar, por meio de instrumentos, as condições de operação dos leitos de anodos. Esses testes devem ser executados com a mesma freqüência da inspeção dos retificadores. – Reparar os leitos de anodos sempre que necessário, de modo a mantê-los operando com eficiência. – Medir os potenciais tubo/solo e inspecionar os pontos de teste e as caixas M.I. pelo menos uma vez por mês, cuidando para mantê-los limpos e em perfeitas condições de uso. – Inspecionar e testar as juntas de isolamento elétrico pelo menos uma vez por mês, cuidando para mantê-las em perfeitas condições de operação. – Regular o sistema, sempre que houver necessidade. – Manter fichas de controle de operação do sistema, mediante anotações das oondições de funcionamento dos retificadores, das drenagens, dos potenciais tubo/solo medidos e dos serviços de reparos e regulagens executados. 8.3.3 Fundos de Tanques de Armazenamento – Inspecionar os retificadores mensalmente, cuidando para repará-los sempre que necessário e mantê-los em perfeitas condições de uso. – Reparar os leitos de anodos sempre que forem danificados por eventuais serviços de escavação na área, ou por outro tipo de acidente. – Medir os potenciais tanque/solo pelo menos uma vez por mês. – Regular o sistema sempre que necessário. – Manter fichas de controle de operação do sistema, mediante anotações das condições de funcionamento dos retificadores, das drenagens, dos potenciais tubo/solo medidos e dos serviços de reparos e regulagens executados. 8.3.4 Estacas Metálicas de Piers de Atracação de Navios com Sistema por Corrente Impressa SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 89 – Inspecionar os retificadores quinzenalmente, cuidado para repará-los sempre que necessário e mantê-los em perfeitas condições de uso. – Inspecionar e testar os anodos inertes do sistema sempre que forem notadas alterações importantes na resistência elétrica do circuito de proteção catódica. – Reparar os anodos e as inteligações elétricas sempre que necessário, cuidando para mantê-los em operação normal. – Medir os potenciais estaca/água pelo menos uma vez por mês. – Regular o sistema sempre que necessário. – Manter fichas de controle de operação do sistema, mediante anotações das condições de operação dos retificadores, dos potenciais estaca/água, bem como dos reparos e regulagens executados no sistema. 8.3.5 Plataformas de Petróleo com Sistema por Anodos Galvânicos Para as estruturas marítimas offshore as medições dos potenciais são mais complicadas, devendo ser executadas por inspetores-megulhadores ou por veículos submarinos (RCV ou mini- submarinos). Os inspetores, nesse caso, precisam ser qualificados pela sociedade classificadora da plataforma. A tarefa é difícil de ser executada e o seu custo é bastante alto. Por isso mesmo, a freqüência das inspeções é um pouco dilatada, sendo determinada de acordo com as exigências das sociedades classificadoras. A DNV e o LLOYD, por exemplo, exigem que as inspeções sejam anuais. A primeira inspeção, entretanto, é a mais importante, uma vez que através dela ficamos sabendo se o projeto, a fabricação dos anodos e a montagem do sistema foram executados corretamente, e se a plataforma encontra-se protegida catodicamente Para evitar gastos excessivos e dificuldades nas inspeções e medições com o auxílio de técnicas submarinas, estão sendo usados, para as plataformas mais modernas, os sistemas de monitoração que permitem a obtenção de informações sobre o desempenho dos anodos e sobre os valores dos potenciais, sem a necessidade do uso dos inspetores-mergulhadores ou de equipamentos sofisticados, uma vez que as informações são colhidas em instrumentos de medição instalados em um painel na própria plataforma. 8.3.6 Armaduras de Aço do Concreto – Inspecionar os retificadores mensalmente, cuidando para mantê-los em operação normal. – Medir os potenciais aço/concreto pelo menos uma vez por mês. – Manter fichas de controle de operação do sistema. 8.4 CONCLUSÃO Os sistemas de proteção catódica são indispensáveis para a conservação das instalações metálicas enterradas, submersas ou embutidas no concreto. Para serem eficientes, os sistemas de proteção catódica precisam ser mantidos em operação permanentemente, necessitando inspeções periódicas e reparos eventuais, que devem ser executados com rigor e por meio de técnicos treinados. Recomenda-se que esses serviços sejam executados com todo o cuidado pelas equipes responsáveis pela operação das instalações metálicas enterradas ou submersas de cada companhia, ou mediante contratação de firma especializada, quando a empresa não dispuser de técnicos com treinamento específico em proteção catódica. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 90 CAPÍTULO 9 Revestimentos Protetores para Instalações Metálicas Enterradas e Submersas 9.1 INTRODUÇÃO Os revestimentos protetores são empregados em estruturas metálicas enterradas ou submersas, com a finalidade específica de formar uma barreira isolante entre o material metálico e o eletrólito (solo ou água), para combater a corrosão. Os processos corrosivos das estruturas enterradas ou submersas ocorrem quando as correntes das pilhas de corrosão fluem para o solo ou para a água, abandonando o material metálico. Os revestimentos são usados para reduzir o fluxo de corrente das pilhas e diminuir a corrosão, que cessaria totalmente se fosse possível a obtenção de um revestimento perfeito, com 100% de eficiência. Os revestimentos possuem sempre poros e são danificados com certa facilidade, adquirindo falhas que, associadas à absorção de umidade, permitem o funcionamento da spilhas de corrosão. Para complementar a proteção parcial do revestimento, utiliza-se, então, um sistema de proteção catódica, cujo fluxo de corrente, proveniente dos anodos galvânicos ou dos retificadores, penetra nos poros e falhas da camada isolante, bloqueia as correntes de corrosão e elimina totalmente o processo corrosivo, conforme mostrado na figura 9.1. Figura 9.1 – A proteção catódica protege os poros e as falhas dos revestimentos. Pela análise da figura 9.1 pode-se concluir que, quanto maior o número de falhas do revestimento, maior será a quantidade de corrente requerida para a proteção catódica integral da tubulação. É necessário, portanto, que os revestimentos protetores sejam especificados adequadamente para a obtenção da maior eficiência possível. Serão discutidas, no presente capítulo, as principais técnicas de aplicação dos revestimentos, utilizados normalmente na proteção de estruturas enterradas ou submersas. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 91 9.2 CARACTERÍSTICAS NECESSÁRIAS A UM REVESTIMENTO Um bom revestimento protetor para as instalações metálicas enterradas ou submersas deve ter as seguintes características principais: • Resistência à água Essa característica evita a absorção de umidade pelo revestimento, garantindo, assim, a sua capacidade de isolamento elétrico. • Resistência elétrica Impedindo a absorção de umidade e possuindo boas características dielétricas, o revestimento tende a isolar o material metálico do eletrólito, minimizando a passagem das correntes de corrosão. • Adesão ao material metálico Essa característica depende basicamente de boa limpeza da superfície a proteger e, uma vez obtida,assegura vida mais longa ao revestimento. • Resistência a produtos químicos Um revestimento quimicamente inerte tem condições de manter sua capacidade protetora por mais tempo, sendo essa característica muito importante para o prolongamento de sua vida. • Resistência aos impactos Devido aos impactos a que os revestimentos são submetidos durante o manuseio, transporte e instalação da estrutura metálica, torna-se necessário que eles sejam os mais resistentes possíveis, para que não sejam danificados com facilidade. • Resistência às ações mecânicas do solo Devido às contrações e expansões dos solos, torna-se necessário que os revestimentos utilizados em tubulações enterradas possuam, também, essa característica. • Estabilidade sobre os efeitos de variações de temperatura Essa característica é desejável, principalmente para regiões com grandes variações de temperatura, não muito comuns aqui no Brasil. • Ductibilidade Essa propriedade consiste na capacidade dos revestimentos de absorverem as tensões e os esforços a que são submetidas as estruturas revestidas. • Durabilidade É resultante da obtenção de todas as características acima e de grande importância para a vida da estrutura metálica. • Fácil aplicação Por razões óbvias, o revestimento protetor deve ser, tanto quanto possível, de fácil aplicação. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 92 9.3 REVESTIMENTO PARA TUBULAÇÕES ENTERRADAS Muitos tipos de revestimentos podem ser aplicados para a proteção das tubulações enterradas, sendo mais utilizados os seguintes: – esmalte de piche de carvão (coal tar enamel); – esmalte de asfalto de petróleo (asphalt enamel); – fitas plásticas de cloreto de polivinila (PVC), polietileno ou poliéster; – espuma rígida de poliuretana; – tintas betuminosas (coal tar epóxi e alcatrão epóxi). 9.3.1 Revestimento à Base de Esmalte de Piche de Carvão O revestimento à base de esmalte de piche de carvão (coal tar) é o mais utilizado e o apresenta melhor desempenho para as tubulações de aço enterradas. Esse revestimento é aplicado a quente, segundo as seguinte etapas (figura 9.2). 1ª etapa: Limpeza cuidadosa da superfície metálica do tubo por intermédio de escovas de aço ou jateamento de areia. Essa operação é de extrema importância para a perfeita adesão do revestimento ao tubo. 2ª etapa: Aplicação de uma pintura base ou primer, compatível com o esmalte de piche de carvão. Os mais mais indicados para esse primer são tintas que constituem-se de uma solução de coal tar pigmentada com óxido de ferro e/ou óxido de chumbo. 3ª etapa: Aplicação de uma camada mínima de 3/32” do esmalte de piche de carvão. Esse material deve ser aplicado à quente, com a temperatura recomendada pelo fabricante, que se situa na faixa de 230 ºC a 270 ºC. Cuidados deverão ser tomados para que a aplicação seja feita sobre o primer convenientemente curado, devendo ser evitada a aplicação sobre o primer ainda “verde”, ou após ter ficado exposto por longo tempo, quando se diz que a tinta encontra-se “morta”. Nessas circunstâncias corre-se o risco de não haver uma perfeita aderência entre o primer e o esmalte, o que contribuirá para a obtenção de um revestimento de má qualidade. 4ª etapa: Após o esmalte aplicado e ainda na fase líquida, aplica-se, embebida no esmalte, uma camada de lã de vidro, convenientemente especificada. A finalidade principal desse reforço de lã de vidro é a de conferir ao revestimento uma boa resistência mecânica. Em algumas aplicações esse reforço de lã de vidro não é utilizado, com o objetivo principal de diminuir o custo do revestimento protetor, o que diminui també a sua qualidade. 5ª etapa: A etapa seguinte consiste na aplicação, também embebido no esmalte, de uma camada de papel de feltro de asbestos, de modo a se obter uma superfície lisa e isenta de defeitos visíveis. Essa camada de papel de feltro, em muitos casos utilizada em substituição à capa protetora de lã de vidro, possui como finalidades principais fornecer ao revestimento boa resistência ao impacto, boas características de absorção das tensões do solo sobre o tubo e aumentar a resistência do revestimento à passagem das correntes elétricas. 6ª etapa: Aplicação de papel Kraft ou caiação (pintura branca resistente à água) sobre o revestimento de papel de feltro, com as seguintes finalidades: – ajudar a proteger o revestimento contra aquecimento excessivo, quando os tubos revestidos são expostos ao Sol por longo período; – proteger o tubo contra os danos por abrasão, durante o transporte; – servir como indicador visual dos danos causados aos revestimentos durante os períodos de estocagem, manuseio e transporte. 7ª etapa: Finalmente, após revestidos, os tubos precisam ser inspecionados, para localização e reparos de defeitos, utilizando-se para tal um detector elétrico de porosidade, como o holiday detector, convenientemente calibrado para a espessura do revestimento, conforme orientação mostrada na tabela 9.1, exigindo-se que todos os defeitos encontrados sejam cuidadosamente reparados antes do tubo ser lançado na vala. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 93 Figura 9.2 – Revestimento de um tubo com esmalte de piche de carvão. TABELA 9.1 Voltagens Recomendadas para a Utilização do Holiday Detector Máxima espessura do revestimento Máxima voltagem 3/32” 7.200 V 4/32” 9.600 V 5/32” 12.000 V 6/32” 14.400 V O revestimento aplicado na seqüência das etapas acima mencionadas constitui-se no chamado revestimento simples. Em locais de maior agressividade do solo, em trechos submarinos ou em tubulações sujeitas a fortes correntes de interferência, emprega-se o chamado revestimento duplo. Para a execução do revestimento duplo, repete-se, após a aplicação da 4ª etapa, as 3ª e 4ª etapas novamente, seguindo-se depois a 5ª, a 6ª e a 7ª etapas na seqüência normal. Para esse revestimento, os valores de eficiência normalmente utilizados em projetos de proteção catódica são os seguintes: – para revestimentos simples: 95% inicial e 90% final; – para revestimentos duplos: 98% inicial e 94% final. 9.3.2 Revestimento à Base de Esmalte de Asfalto de Petróleo Esse revestimento, embora em menor escala que o anterior, é também muito usado para tubulações enterradas, sendo que os métodos e os cuidados na sua aplicação são basicamente os mesmos. Com relação ao desempenho, quando comparado ao revestimento de piche de carvão, ele possui, de um modo geral e enquanto novo, as mesmas características de facilidade de aplicação, espessura, aderência, resistência química à ação dos solos e águas (não possui boa resistência química aos produtos de petróleo), flexibilidade, resistência aos esforços do solo (que não é muito boa) e eficiência. Esse revestimento, entretanto, envelhece mais rapidamente com o passar do SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 94 tempo, perdendo eficiência, sendo essa a sua grande desvantagem em relação ao revestimento de esmalte coal tar. O envelhecimento dá-se, principalmente, pela maior taxa de absorção de água. Para esse revestimento, os valores de eficiência normalmente utilizados em projetos de proteção catódica são os seguintes: – para revestimentos simples: 95% inicial e 75% final; – para revestimentos duplos: 98% inicial e 85% final. 9.3.3 Revestimento com Fitas Plásticas O revestimento à base de fitas plásticas, normalmente as de polietileno, cloreto de polivinila (PVC) e outras, deve ser especificado e aplicado de acordo com as recomendações dos fabricantes, que diferem de um produto para outro. Esse revestimento apresenta a vantagem de ser aplicado a frio, normalmente no campo, e possui, de um modo geral, as características seguintes: – aplicação muito fácil; – necessidade de tinta base(primer), de acordo com a orientação dos fabricantes. Alguns recomendam essa aplicação e outros não; – tendência a furos: maior que o revestimento á base de piche de carvão e de asfalto; – aderência: bem menor que a dos revestimentos anteriores; – resistência química: boa resistência à ação química dos solos e águas e resistência química muito baixa aos produtos de petróleo; – flexibilidade: boa; – resistência aos esforços do solo e aos impactos: é muito baixa, principalmente quando submetido a materiais ponteagudos, como as pedras; – resistência à abrasão: o revestimento desliza e é sujeito a cortes; – eficiência logo após a aplicação: regular, menor que a eficiência conseguida com o revestimento de piche ou asfalto; – usos mais comuns: proteção de pequenas tubulações com pequenos diâmetros, como os ramais de serviço, de um modo geral, e redes de incêndio. Os valores de eficiência mais usuais para esse revestimento são os seguintes: – para revestimento com uma camada de fita: 40% inicial e 30% final; – para revestimento com duas camadas de fita: 50% inicial e 40% final. 9.3.4 Revestimento com Tintas Betuminosas (Epóxi Piche de Carvão ou Alcatrão Epóxi) É um revestimento aplicado a frio, de fácil aplicação, que apresenta, no entanto, duas grandes desvantagens: – baixa resistência mecânica; – pouca espessura, o que acarreta baixa eficiência de revestimento. As etapas de aplicação desse revestimento são as seguintes: – jateamento ao metal branco (SSPC-SP-5-63); – três demãos de tinta epóxi piche de carvão ou alcatrão de hulha epóxi, aplicação a trincha com espessura mínima de 150 mm por demão; – eficiência: 60% inicial e 50% final. 9.3.5 Revestimento com Espuma Rígida de Poliuretano Esse revestimento é aplicado em tubulações que transportam fluidos aquecidos. Tem, em geral, espessura da ordem de 5 cm. É um excelente revestimento anticorrosivo, porém de alto custo, sendo aplicado somente nos casos em que se deseja combinar a proteção contra a corrosão com o revestimento térmico. Os valores de eficiência mais usuais são os seguintes: 95% inicial e 90% final. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 95 9.4 REVESTIMENTO PARA TUBULAÇÕES SUBMERSAS As tubulações submersas são revestidas, em geral, com piche de carvão, véu de fibra de vidro e papel de feltro, em revestimento duplo. Para as tubulações com diâmetro acima de 10”, usam-se blocos de concreto para ancoragem no fundo do mar. Os blocos de concreto, quando distribuídos ao longo de toda a tubulação, contribuem também para o revestimento anticorrosivo, embora muito pouco. 9.5 REVESTIMENTO PARA TANQUES DE ARMAZENAMENTO Os tanques metálicos para armazenamento de produtos, tais como água, petróleo, derivados de petróleo e produtos químicos são construídos: – totalmente enterrados; – aéreos, com o fundo apoiado a uma base constituída da compactação do solo e uma camada de areia e brita no interior de um anel de concreto (tanques de fundação direta); – aéreos, com o fundo apoiado sobre uma laje de concreto com estacas cravadas no solo (tanques de fundação indireta). 9.5.1 Revestimento para Tanques de Aço Totalmente Enterrados O revestimento para tanques de aço totalmente enterrados constitui-se, em geral, de piche ou asfalto aplicado a quente sobre uma superfície limpa, limpeza essa normalmente obtida com o emprego de escovas rotativas. Os valores de eficiência usuais, em projetos de proteção catódica, são os seguintes: 75% inicial e 60% final. 9.5.2 Revestimento para Fundo de Tanque • Revestimento externo: as partes externas dos fundos dos tanques, tanto os de fundação direta quanto os de fundação indireta, são geralmente revestidas com uma camada de piche ou asfalto entre a chapa do fundo e a base. Em alguns casos, aplica-se uma tinta betuminosa de solução, nas chapas, antes da soldagem do fundo. Os valores de eficiência usuais, em projetos de proteção catódica, são os seguintes: 60% inicial e 50% final. • Revestimento interno: as partes internas (fundo e a até um metro do costado) nos tanques de armazenamento de petróleo rebem um revestimento por pintura, sendo comum o seguinte sistema: – jateamento ao metal branco (SSPC-SP-5-63); – aplicação de duas demãos de zarcão-óxido de fero epóxi a rolo ou a trincha, com espessura mínima de 35 mm por demão; – aplicação de duas demãos de piche de carvão epóxi a trincha, com espessura mínima de 150 mm por demão. Os valores de eficiência usuais são os seguintes: 95% inicial e 90% final. 9.6 REVESTIMENTO PARA CASCO DE EMBARCAÇÕES São utilizados diversos sistemas para o revestimento de cascos de embarcações. São sistemas adequados para imersão, baseados em tintas epoxi, borrachas cloradas e betuminosas. O revestimento de cascos de embarcações na região submersa sofre muita abrasão, com conseqüente dano da camada de pintura. Os valores de eficiência mais usuais são os seguintes: 95% inicial e 60% final. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 96 9.7 REVESTIMENTO PARA ESTACAS DE AÇO DE PIERS DE ATRACAÇÃO As estacas de aço de piers de atracação são, em geral, revestidas somente na região de variação das marés. Há dois tipos de revestimento empregados nesses caos: – revestimento com massa epóxi poliamida, aplicado após a cravação das estacas; – revestimento com tinta, aplicado às estacas antes da cravação, compreendendo desde 3 m abaixo da maré mínima até a plataforma; – o revestimento aplicado na zona de variação das marés não é considerado no cálculo da corrente de proteção catódica, ou seja, não tem a sua eficiência considerada. 9.8 CONCLUSÃO As estruturas metálicas enterradas ou submersas estão sujeitas a ataque corrosivo severo pelo solo e pela água, em especial a água do mar. A proteção contra a corrosão dessas instalações é obtida, com economia e segurança, mediante a aplicação de revestimentos protetores, criteriosamente especificados e aplicados, complementados pela instalação dos sistemas de proteção catódica que, quando conveniemente dimensionados, conferem proteção integral às estruturas ao longo dos anos, como se um revestimento perfeito tivesse sido aplicado sobre o material metálico. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 97 CAPÍTULO 10 Sistemas de Drenagem de Corrente para Controle da Corrosão Eletrolítica em Tubulações Enterradas 10.1 INTRODUÇÃO Os problemas mais graves de corrosão que ocorrem com as tubulações enterradas são causados pelas estradas de ferro eletrificadas, em corrente contínua, para a tração de trens (incluindo o metrô) e de bondes. As correntes de fuga provenientes dos trens, dos bondes, ou de qualquer outra fonte de força eletromotriz que seja capaz de injetar corrente contínua no solo, podem ser captadas pelas tubulações enterradas em uma região e descarregadas para o solo em outra, causando corrosão eletrolítica severa nos tubos. Foto 10.1 – Estrada de ferro eletrificada. O presente capítulo mostra como esse problema pode ser solucionado, mediante a instalação dos equipamentos de drenagem de corrente. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 98 10.2 A CORROSÃO ELETROLÍTICA O fenômeno da corrosão eletrolítica nas tubulações enterradas, causado pelas correntes de fuga das estradas de ferro eletrificadas em corrente contínua, se processa da seguinte maneira, conforme mostrado na figura 10.1. Figura 10.1 – Corrosão eletrolítica causada por estradas de ferro eletrificadas. A corrente contínua utilizada no sistema de tração é enviada por cabos até determinado trem, retornando à subestação pelos trilhos. Dependendo do traçado da tubulação em relação à estrada de ferro, ela se constituirá num condutor ligado emparalelo aos trilhos por meio do solo. Uma parcela da corrente de retorno abandona os trilhos, penetra na tubulação e flui pelo tubo até alcançar uma região favorável, onde é descarregada para o solo, retornando à estrada de ferro. No ponto onde a corrente abandona a tubulação e retorna aos trilhos, desenvolve-se um processo corrosivo bastante severo, cuja intensidade é proporcional à corrente tubo/trilho. Na região onde a tubulação recebe a corrente não há problema de corrosão. Pelo contrário, os potenciais tubo/solo desenvolvidos são normalmente potenciais de proteção (mais negativos que – 0,8V). Entretanto, essa corrente, quando de grande intensidade, pode provocar o empolamento e o descolamento do revestimento, diminuindo sua eficiência. Em tubulações sujeitas a corrente de fuga, observa-se que os potenciais tubo/solo e tubo/trilho variam constantemente, sendo freqüentes as inversões de polaridade. Para o combate de seus efeitos, torna-se necessário ter em mente que a corrente retorna aos trilhos vinda do tubo, em regiões em geral bem definidas, o que, na maioria das vezes, não ocorre quando ela sai dos trilhos para atingir a tubulação. Além disso, sua intensidade é função não somente dos potenciais tubo/trilho, como também da resistência total do circuito elétrico formado, que se compõe das seguintes resistênciais parciais: resistência de entrada (trilho-solo-tubo), resistência de condução do tubo e resistência de saída (tubo-solo-trilho). O circuito elétrico percorrido pelas correntes de fuga pode ser desde o mais simples até o mais complexo, dependendo basicamente do congestionamento das tubulações e das estradas de ferro existentes na região, além da posição geográfica das subestações. São bastante freqüentes casos de malhas envolvendo tubulações de diversas companhias e também várias estradas de ferro, o que contribui para a maior complexidade do problema. É o caso típico das instalações urbanas. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 99 10.3 SISTEMAS DE DRENAGEM Para o combate da corrosão eletrolítica, nesses casos, utilizam-se os chamados sistemas de drenagem elétrica. A drenagem deve ser feita nos pontos em que a corrente abadona a tubulação e retorna para os trilhos através do solo. A drenagem elétrica pode ser feita de diversas formas: • conexão elétrica tubo-trilho – este tipo de ligação é feito quando há caruamento dentre a tubulação e os trilhos da estrada de ferro ou, pelo menos, uma aproximação razoável entre ambos; • conexão elétrica para o solo – este tipo de ligação é feito quando se tem na tubulação um trecho predominantemente anódico e não há aproximação com a ferrovia. A ligação é feita por meio de um leito de aterramento de baixa resistência elétrica, de modo a criar um caminho preferencial da corrente que sai do tubo para o solo com destino aos trilhos. Os leitos de aterramento usado neste tipo de conexão podem ser constituídos com anodos (galvânicos ou inertes) ou com sucata de aço; • conexão elétrica com uma segunda tubulação – este tipo de ligação é feito quando uma determinada tubulação cruza com uma outra que cruze ou se aproxime de uma estrada de ferro eletrificada. Com essa conexão, qualquer corrente captada pela primeira tubulação fluirá imediatamente pela segunda, para retornar aos trilhos da estrada de ferro. A segunda tubulação, nesse caso, pode ser ligada à estrada de ferro por meio de uma conexão tubo/trilho, como a descrita acima. A ligação entre as duas tubulações pode ser feita, quando necessário, com o auxílio de um diodo. Em todos os casos citados, é importante que a conexão elétrica entre a tubulação e a ferrovia possua resistência muito inferior à resistência de contato da tubulação com o solo, a fim de que essa conexão seja realmente um caminho preferencial para o retorno das correntes de fuga para a estrada de ferro. A drenagem de corrente da tubulação para os trilhos da estrada de ferro pode ser feita das maneiras a seguir. 10.3.1 Ligação Direta Essa drenagem consiste na ligação direta, por meio meio de um cabo elétrico, entre a tubulação e os trilhos, conforme mostrado esquematicamente na figura 10.2. Figura 10.2 – Esquema elétrico de ligação de uma drenagem por meio de ligação direta. Nas estradas de ferro com sistema de sinalização, o cabo elétrico de interligação não deve ser soldado diretamente no trilho, tendo em vista que este procedimento pode, eventualmente, interferir no sistema de sinalização da ferrovia. Nesses casos, a ligação aos trilhos é feita com o auxílio de um indutor ou bond de impedância. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 100 A drenagem direta possui o inconveniente de permitir a passagem de corrente tanto no sentido tubo/trilho (o que é desejável), quanto no sentido trilho/tubo (que precisa ser evitado), em função das variações dos potenciais do tubo e do trilho. Por essa razão, esse tipo de ligação só pode ser usado quando o tubo for permanentemente positivo em relação ao trilho, condição que raramente acontece. 10.3.2 Ligação por Meio de um Equipamento de Drenagem Para fazer com que as correntes de fuga sejam drenadas sempre no sentido do tubo para o trilho, utiliza-se um equipamento de drenagem, que consiste basicamente de uma caixa onde existe um diodo convenientemente ligado entre o tubo e os trilhos, de modo a bloquear as correntes no sentido trilho/tubo, quando o potencial do trilho for positivo em relação ao potencial do tubo. Os equipamentos de drenagem podem ser dos tipos a seguir. a) Equipamentos de Drenagem Simples Esse equipamento consiste apenas de um diodo instalado em paralelo com um pára-raios ou supressor de transientes, conforme mostrado esquematicamente na figura 10.3. Figura 10.3 – Esquema elétrico de ligação de um equipamento de drenagem simples. b) Equipamento de Drenagem Simples com Medição de Corrente e Tensão Esse equipamento possui, além do diodo e do pára-raios ou supressor de transientes, um voltímetro CC (para medir a diferença de potencial tubo/trilho) e um amperímetro CC (para medir a corrente drenada), conforme mostrado esquematicamente na figura 10.4. Figura 10.4 – Esquema elétrico de ligação de um equipamento de drenagem simples com medição de corrente e tensão. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 101 Eventualmente podem ser instalados três voltímetros, sendo um para medir o potencial tubo/solo, outro para medir o potencial trilho/solo e o terceiro para medir a diferença de potencial tubo/trilho. Além disso, o diodo pode ser protegido por meio de um dissipador de calor, circuito RC e fusível. c) Equipamento de Drenagem com Controle de Baixo Nível de Potencial Esse equipamento é utilizado em situações onde a diferença de potencial tubo/trilho pode ficar, em determinado momento, inferior à tensão de condução do diodo, ocasião em que a drenagem de corrente fica bloqueada nos dois sentidos. O equipamento possui, além dos dispositivos do equipamento de drenagem simples, uma chave montada em paralelo com o diodo que é acionada por um sistema de controle alimentado por energia elétrica externa. Quando a diferença de potencial tubo/trilho é inferior à tensão de condução do diodo, a chave se mantém fechada, permitindo uma ligação direta. O esquema elétrico desse equipamento pode ser visto na figura 6.4, do capítulo 6. d) Equipamento de Drenagem com Controle da Intensidade de Corrente Drenada Esse equipamento cosntitui-se da combinação de um dos equipamentos anteriores, ligado em série com um conjunto de lâmpadas reguladoras, como, por exemplo, as de ferro-hidrogênio (figura 10.5). Figura 10.5 – Esquema elétrico de ligação de um equipamento de drenagem com controle da intensidade de corrente. As lâmpadas de ferro hidrogênio têm comopropriedade a variação de sua resistência interna proporcionalmente à tensão aplciada em seus terminais. Assim, introduzindo-se um conjunto de lâmpadas em série, em paralelo ou em série/paralelo no circuito, a corrente drenada pode ser mantida constante, qualquer que seja a diferença de potencial tubo/trilho. e) Equipamento de Drenagem com Dispositivo de Proteção Temporizada Os equipamentos de drenagem que necessitem de um circuito de alimentação elétrica, como os equipamentos com controle de baixo nível de potencial, podem, ainda, ser equipados com um dispositivo de proteção temporizada, para proteção elétrica do seu circuito (foto 10.2). SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 102 Foto 10.2 – Equipamento de drenagem instalado no cruzamento de uma tubulação enterrada com uma estrada de ferro eletrificada. 10.4 COMPLEMENTAÇÃO COM SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA Os equipamentos de drenagem instalados em uma tubulação enterrada são sempre complementados com o auxílio de um sistema de proteção catódica, normalmente por corrente impressa, mediante o uso de retificadores de corrente e leitos de anodos inertes. 10.5 CONCLUSÃO Os sistemas de drenagem de corrente, complementados pelos sistemas de proteção catódica, são fundamentais para o combate da corrosão eletrolítica em tubulações enterradas. A experiência do engenheiro de proteção catódica é fundamental para o dimensionamento correto e escolha do tipo de drenagem e do equipamento mais indicado para um bom projeto de proteção catódica e de drenagem elétrica das correntes de fuga que afetam a tubulação. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 103 CAPÍTULO 11 Influência das Linhas de Transmissão Elétrica em Alta Tensão sobre as Tubulações Enterradas 11.1 INTRODUÇÃO As tubulações metálicas revestidas enterradas, como os oleodutos, gasodutos, adutoras e minerodutos, quando cruzam ou seguem paralelas a uma ou mais linhas de transmissão elétrica em alta tensão, podem ficar sujeitas a tensões elétricas perigosas, que precisam ser estudadas e evitadas. O problema não é de corrosão, mas sim de segurança, uma vez que as tensões tubo/solo resultantes podem atingir valores suficientemente altos para pôr em risco as pessoas e as instalações enterradas. O problema tende a se agravar com a construção, cada vez maior, de tubulações enterradas extensas e com a expansão das linhas de transmissão elétrica em alta tensão. Em zonas urbanas, por exemplo, é comum a construção de dutos enterrados na mesma faixa de servidão das linhas elétricas de alta tensão. 11.2 ANÁLISE DO FENÔMENO Uma corrente elétrica quando percorre um condutor cria um campo eletromagnético em sua volta. A variação do fluxo desse campo eletromagnético induz, no circuito, uma força eletromotriz. É o fenômeno da auto-indução. Num circuito, sob a ação de um campo magnético criado por outro circuito, será induzida uma força eletromotriz, por efeito da variação do fluxo do campo. Uma tubulação metálica revestida externamente, instalada nas proximidades de uma linha de transmissão de energia elétrica, pode ficar sujeita a forças eletromotrizes que poderã ocasionar danos de natureza material ou pessoal. Figura 11.1 – Indução de potencial em uma tubulação enterrada causada por uma linha de transmissão elétrica em alta tensão. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 104 A corrente elétrica que circula em condições normais na linha de transmissão, não ocasiona tensões induzidas importantes na tubulação. Quando, entretanto, ocorre um curto-circuito fase-terra na linha, a tubulação construída próxima à torre, ou lançada paralelamente à linha de transmissão, nas proximidades do defeito, pode ficar sujeita a duas tensões importantes, conforme mostrado na figura 11.2: a) tensão induzida, devido à alta corrente de defeito (Ia) que circula na fase em curto; b) tensão no solo, devido à corrente que é descarregada pelo aterramento elétrico da torre (Ib), e retorna à subestação elétrica da linha de transmissão. Figura 11.2 – Esquema típico da circulação de correntes em caso de defeito em uma das fases. A tensão resultante das duas tensões acima será aplicada sobre o revewstimento isolante da tubulação enterrada, entre o metal do tubo e o solo, podendo ocorre uma das situações seguintes: a) se a tensão resultante for inferior ao valor máximo da tensão suportável pelo revestimento (rigidez dielétrica), nenhum dano será causado à camada isolante do tubo. Normalmente, o revestimento, do tipo simples, com apenas uma camada, usado nas tubulações enterradas, suporta, em média, 5.000 volts, sem sofrer danos; b) se a tensão resultante for superior à rigidez dielétrica, o revestimento de romperá em vários pontos, diminuindo sua eficiência e sobrecarregando o sistema de proteção catódica da tubulação, que precisará ser regulado ou reforçado para atender às novas condições; c) se a tensão resultante for muito elevada, poderá ocorrer a formação de um aco elétrico, cujos efeitos térmicos poderão fundir e romper a parede do tubo, com vazamento de produtos, muitas vezes inflamável e poluente; d) em qualquer uma das situações acima, a tensão resultante é transferida a pontos distantes da tubulação, que é metáica e eletricamente contínua. Dessa maneira, uma pessoa que esteja ao mesmo tempo em contato com o metal da tubulação e o solo, nos trechos aéreos ou operando uma válvula, pode levar choques, muitas vezes fatais. A única maneira segura de evitar o problema seria não construir tubulações metálicas enterradas nas proximidades das linhas de transmissão elétrica em alta tensão. Essa solução, entretanto, é inviável, devido à necessidade cada vez maior de se construir novas linhas de transmissão e novos dutos enterrados, sendo inevitável os cruzamentos e paralelismos entre ambos. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 105 Estudos da Eletricité de France, publicados em 1967, definem a distância mínima que deve existir entre a tubulação enterrada e a linha elétrica, para que os problemas de tensões elevadas na tubulação não ocoram. Essa distância, em metros, deve ser superior a dez vezes a raiz quadrada da resistividade elétrica do solo no local )10d( ρ> , expressa em ohm.cm. Para os valores de resistividade elétrica do solo normalmente encontrados na prática, superiores a 10.000 ohm.cm, a aplicação da fórmula nos conduz a distãncias de quilômetros, mostrando que a tubulação e a linha elétrica precisam estar muito afastadas entre si para que o fenômeno não ocorra. Torna-se necessário, dessa maneira, sempre que a tubulação cruzar com a linha de transmissão elétrica, ou sempre que a distância entre as duas for inferior à distância mínima de segurança, calcular as tensões resultantes na tubulação enterrada e compará-las com os valores abaixo, também definidos nos estudos da Eletricité de France, para o caso de tubos revestimentos com revestimento convencional à base de coal-tar: – tensão inferior a 5 kV – não ocorre nenhum dano ao revestimento e ao material metálico do tubo, no fim de um segundo; – tensão entre 5 kV e 10 kV – o revestimento do tubo é danificado, no fim de um segundo; – tensão superior a 15 kV – o revestimento é danificado e a parte metálica do tubo é perfurada, em menos de um segundo. Convém lembrar que qualquer uma dessas tensões é muito perigosa paa uma pessoa que esteja apoiada no solo e em contato com a tubulação, mesmo em uma região distante do defeito. Com relação à tensão nominal da linha de transmissão, testes práticos demonstram que, somente nos cruzamentos com linhas com tensão inferior a 138 kV, as tensões induzidas na tubulação são consideradas como insignificantes, não apresentandoproblemas. Mesmo assim, recomenda-se que os cruzamentos sejam sempre feitos no meio do vão entre duas torres e o mais perpendicularmente possível, procedimento que contribui para minimizar os efeitos do campo eletromagnético. Por outro lado, no caso de longos paralelismo (condição mais desfavorável) de uma tubulação com uma linha de transmissão de tensão nominal igual ou superior a 69 kV, os problemas podem ocorrer e as tensões resultantes precisam ser verificadas. 11.3 MÉTODOS DE CÁLCULO DAS TENSÕES TUBO/SOLO Os métodos de cálculos mais precisos não são simples, exigem cuidados na definição dos parâmetros mais importantes e estão sendo constantemente aperfeiçoados. Um dos primeiros métodos foi desenvolvido em 1967 pela Eletricité de France, constando de cálculos relativamente simples, que fornecem pouca precisão. Esse método só deve ser usado em estudos preliminares, para se ter uma idéia aproximada das tensões a serem esperadas. Os métodos mais precisos são bem mais complexos e exigem o uso, pelo menos, de um microcomputador, sendo que, à medida que os problemas aparecem, os técnicos desenvolvem programas de cálculos cada vez mais eficientes, levando em consideração, sempre, o maior número de variáveis. Um dos métodos de cálculo que temos usado com freqüência em estudos para nossos clientes consiste, basicamente, do procedimento seguinte: – a linha de transmissão e a tubulação são plotadas graficamente em um mesmo sistema de coordenadas geográficas; – os trechos de cruzamento entre a linha de transmissão e a tubulação são transformados em trechos de paralelismo, pelo processo das aproximações geométricas; – são calculadas as impedâncias próprias e mútuas da linha de transmissão e da tubulação; – o circuito elétrico simulado é analisado e resolvido; – os valores das tensões induzidas, em pontos previamente escolhidos, são então calculado. As informações necessárias para que esse método possa ser aplicado são as seguintes: SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 106 – diâmetro e profundidade da tubulação; – comprimento do trecho de paralelismo e locação dos pontos de cruzamento, mediante análise das plantas de traçado da linha elétrica e da tubulação; – características do revestimento dos tubos, mediante análise de sua especificação; – resistividades elétricas do solo medidas na região, sendo que, quanto mais detalhado for o levantamento de campo para essa finalidade, mais preciso será o valor médio a ser considerado; – informações sobre as características da linha de transmissão, sendo as mais importantes: configuração e locação das torres; características dos condutores elétricos de fase e cabo pára- raios; resistência de aterramento elétrico real dos pés das torres; esquema de instalação dos cabos contra-peso de aterramento; tensão nominal da linha e correntes de curto-circuito previstas. No item 11.5 apresentamos os resultados obtidos no estudo de um exemplo prático de interferência. 11.4 SOLUÇÕES PRÁTICAS PARA CONTORNAR O PROBLEMA Quando as tensões calculadas são iguais ou superiores à tensão máxima suportada pelo revestimento da tubulação, todos ou alguns dos procedimentos abaixo devem ser adotados, para que a tubulação possa operar com segurança e as pessoas em contato com os tubos não sofram risco de vida: • modificação, quando possível, do traçado da tubulação ou da linha de transmissão. Essa solução, entretanto, na maioria das vezes, não pode ser adotada; • como a fonte geradora das tensões tubo/solo é a linha de transmissão elétrica, as medidas mais eficazes consistem em modificar suas características de construção. Algumas modificações, contudo, são muito difíceis de serem introduzidas, como pode ser observado abaixo, mediante análise das mudanças mais recomendadas: a) aumentar as resistências de aterramento dos pés das torres adjacentes ao cruzamento ou ao paralelismo com a tubulação. O aumento da resistência de aterramento pode ser conseguido modificando-se a configuração e as dimensões dos cabos de aterramento ou, simplesmente, cortando-se os cabos e abandonando-os no solo. Esse procedimento, entretanto, só pode ser executado mediante consulta e autorização da companhia proprietária da linha de transmissão. A finalidade desse procedimento consiste em promover o chamado “efeito de blindagem”. Esse procedimento possui a grande vantagem de ser barato e fácil de executar. Ao aumentarmos a resistência de aterramento torre/solo, dificultamos o retorno da parcela da corrente de defeito que retorna à subestação pelo solo (corrente Ib, da figura 11.2). Dessa maneira, a maior parte da corrente de defeito retorna pelo cabo pára-raios (corrente Ic, da figura 11.2). O efeito de blindagem consiste em que, sendo a corrente de retorno pelo cabo pára-raios (Ic) de sentido contrário à corrente de defeito (Ia), somente a componente resultante das duas correntes atua sobre a tubulação, causando uma tensão induzida menor, conforme pode ser observado pela análise da figura 11.2; b) outra maneira de aumentar o efeito de blindagem, consiste em diminuir a resistência elétrica do cabo pára-raios, mediante a substituição por outro de diâmetro maior ou de material com resistência elétrica menor que o aço, como o cobre. Essa solução é mais difícil de ser executada que a primeira, pois possui custo mais alto e implica em paralisação temporária da linha de transmissão elétrica. As duas medidas, quando feitas em conjunto, contribuem bastante para melhorar o efeito de blindagem e diminuir as tensões tubo/solo desenvolvidas; c) as modificações no projeto da tubulação que podem contribuir para diminuir o efeito da tensão resultante são as seguintes: – melhorar a qualidade do revestimento do tubo, mediante aumento da sua espessura, fazendo com que ele suporte tensões mais elevadas sem sofrer danos; – aterrar eletricamente a tubulação, mediante a instalação de um cabo elétrico de cobre nu, enterrado paralelamente aos tubos, com várias ligações elétricas feitas com o auxílio de soldas Cadweld. Essa solução possui o grande inconveniente de sobrecarregar o sistema de proteção SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 107 catódica da tubulação, uma vez que o cabo de aterramento rouba grande parcela da corrente destinada à proteção catódica dos tubos. Outro inconveniente dessa solução é a possibilidade de roubo desse cabo elétrico, aliada ao seu custo; – outra maneira de baixar a resistência de aterramento da tubulação consiste em eliminar totalmente o seu revestimento externo, no trecho influenciado pela linha de transmissão, solução que também sobrecarrega o sistema de proteção catódica, e só deve ser adotada em condições extremas, assim como a solução anterior. d) Para contornar os efeitos perigosos do elevado potencial transferido ao longo da tubulação, com problemas para as pessoas que estejam em contato simultâneo com o tubo e a terra no momento do defeito, são adotados os seguintes procedimentos, independentes dos cuidados com a tensão tubo/solo desenvolvida: – dificultar o acesso de pessoas estranhas aos trechos aéreos da tubulação, mediante a instalação de cercas e avisos nesses locais; – instalar plataformas, isoladas do solo, junto às válvulas de manobra manual, com o objetivo de manter o operador no mesmo potencial do tubo ao acionar a válvula. As plataformas podem ser construídas com um isolado elétrico em cada um dos seus pés, conforme mostrado na foto abaixo. Foto 11.1 – Plataforma isolada do solo para manobra manual de válvula. 11.5 EXEMPLO PRÁTICO O exemplo de cálculo abaixo refere-se a um gasoduto sujeito às seguintes situações de cruzamento e/ou paralelismo com linhas de transmissão em alta tensão: – três cruzamentos não ortogonais, com linhas de transmissão de 230 kV; – um cruzamento não ortogonal, com linhasde transmissão de 500 kV; – um cruzamento não ortogonal, com paralelismo de 400 m, com linha de transmissão de 230 kV – um cruzamento não ortogonal, com paralelismo de 1.660 m, com linha de transmissão de 230 kV. A partir dos dados do gasoduto, das linhas de transmissão e das respectivas subestações terminais, utilizando-se o método computacional enunciado no item 11.3, foi analisado cada um dos seis cruzamentos e/ou paralelismos existentes, concluindo-se que, dentre esses, cinco pontos apresentavam riscos à segurança de pessoas e da tubulação. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 108 Apresentamos, a seguir, os dados, conclusões e recomendações obtidas na análise de dois cruzamentos, sendo que um deles não apresentou risco. 11.5.1 Dados do Gasoduto As características principais do gasoduto são comuns a todos os casos, conforme se segue: – diâmetro externo: 12,75”; – tipo de revestimento: sintético (polietileno extrudado simples); – espessura média do revestimento: 3,0 mm; – profundidade média da tubulação: 1,0 m; – resistência de aterramento admitida para as estações terminais do gasoduto: 5,0 ohms; – tensão máxima suportável pelo revestimento: 5 kV. 11.5.2 Primeiro Cruzamento Dados da Linha de Transmissão – Tensão: 500 kV. – Cabo condutor: quatro por fase, espaçamento 0,457 mm. – Circuito 1 – ACSR 477 MCM 26/7. – Circuito 2 – ACSR 636 MCM 26/7. – Cabos pára-raios: circuito 1 – ALUMOWELD 3, número 7 AWG. Circuito 2 – aço 3/8” EHS 7 fios. – Cabo contrapeso: COPPERWELD 4 AWG. Enterrado a uma profundidade de 0,5 m. Resistência de aterramento, calculada para a configuração dada, de 3,4 ohms. – Resistividade média do solo: 360 ohm.m. Medida ao longo dos traçados do gasoduto e da linha de transmissão, no trecho considerado para o estudo. – Vão básico: circuito 1 – 305 m; circuito 2 – 480 m. – Flecha do condutor: circuito 1 – 5,0 m; cicuito 2 – 18,0 m. – Flecha do pára-raio: cicuito 1 – 3,4 m; cicuito 2 – 13,8 m. – Configuração da torre: dois cicuitos simples horizontais. – Distância entre os circuitos: 45,0 m (eixo a eixo). – Altura da torre: cicuito 1 – 25,6 m (até cabo pára-raios); cicuito 2 – 19,9 m (até cabo pára-raio). – Espaçamento entre fases: circuito 1 – 10,0 m; circuito 2 – 10,8 m. – Altura dos condutores: circuito 1 – 15,7 m; circuito 2 – 13,5 m. Dados das Subestações Terminais – Subestação I: resistência de aterramento de 0,6 ohm. – Subestação II: resistência de aterramento de 1,0 ohm. Dados da Corrente de Curto-Circuito – Corrente de curto monofásico total na torre mais próxima ao cruzamento: 30,5 kA (circuito 1). – Contribuição de curto-circuito da SE I: 27,6 kA. – Contribuição de curto-circuito da SE II: 2,9 kA. – Corrente que circula no circuito paralelo: 2,8 kA (circuito 2). Tensão Calculada no Isolamento do Gasoduto A partir das informações dos itens 11.5.1 e 11.5.2 foi obtido, no ponto de cruzamento, o valor de tensão de 9,2 kV, superior ao máximo admissível (5 kV). Afastando-se do ponto de cruzamento, a tensão cai, sendo da odem de 1,0 kV a 2,5 km de distância. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 109 Solução Recomendada Como já vimos, a solução mais viável do ponto de vista econômica é a alteração da configuração do aterramento do pé da torre (cabo contrapeso), visando o aumento de sua resistência. Utilizando-se esse raciocínio, simulou-se diversas situações que resultaram nos seguintes valores: • resistência de aterramento mínima recomendada: 5,6 ohms; • número de torres atingidas: – circuito 1 – duas; – circuito 2 – duas. • Configuração recomendada para os cabos-contrapeso das torres: – Circuito 1 – dois condutores de 77,5 m de comprimento, espaçados de 35,0 m. – Circuito 2 – mesma configuração do circuito 1. Para a solução proposta, o nível máximo de tensão obtido no ponto de cruzamento foi reduzido paa 4,6 kV, inferior ao valor máximo recomendado para o revestimento do gasoduto (5 kV). Além dessa recomendação, que visa à segurança do gasoduto, foi solicitado, para segurança do pessoal de operação, o isolamento elétrico dos pés das plataformas de operação das válvulas do gasoduto, na região de interferências das linhas de transmissão. 11.5.3 Segundo Cruzamento Dados da Linha de Transmissão – Tensão: 230 kV. – Cabo condutor: um por fase. ACSR 636 MCM 26/7. – Cabos pára-raios: aço 3/8” EHS 7 fios. – Cabo contra-peso: COPPERWELD 4 AWG. Enterrado a uma profundidade de 0,5 m. Resistência de aterramento calculada para a configuração dada de 2,4 ohms. – Resistividade média do solo: 300 ohm.m medida ao longo dos traçados do gasoduto e da linha de transmissão no trecho considerado para o estudo. – Vão básico: 420 m. – Flecha do condutor: 11,0 m. – Flecha do pára-raio: 6,4 m. – Configuração da torre: triplo/vertical. – Distância entre os circuitos: 45,0 m (eixo a eixo). – Altura da torre: 35,5 metros (até cabo pára-raio). – Espaçamento entre fases: 6,7 m. – Altura dos condutores próximos do solo: 14,7 m. Dados das Subestações Terminais – Subestação I: resistência de aterramento de 0,6 ohm. – Subestação II: resistência de aterramento de 1,0 ohm. Dados de Corrente de Curto-Circuito – Corrente de curto monofásico total na torre mais próxima ao cruzamento: 11,1 kA. – Contribuição de curto-circuito da SE I: 8,6 kA; – Contribuição de curto-circuito da SE II: 2,5 kA. – Corrente que circula no circuito paralelo: 0,3 kA. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 110 Tensão Calculada no Isolamento do Gasoduto A partir das informações acima foi obtido, no ponto de cruzamento, o valor de tensão de 3,65 kV, inferior ao máximo admissível (5 kV). Afastando-se do ponto de cruzamento, a tensão cai, sendo da odem de 0,15 kV a 3,0 km de distância. Essa situação não requer qualquer pocedimento de mitigação para a segurança do gasoduto, visto que o nível de tensão calculado é inferior ao máximo recomendado. Apesar disso, é necessário, para segurança do pessoal de operação, o isolamento elétrico dos pés das plataformas de operação das válvulas do gasoduto, na região de influência da linha de transmissão. 11.6 CONCLUSÃO O problema da influência das linhas de transmissão elétrica em alta tensão, sobre as tubulações metálicas revestidas enterradas, possui conseqüências importantes que podem prejudicar tanto as tubulações quanto as pessoas em contato simultâneo com a tubulação e o solo. Recomenda-se que em situações de cruzamentos e paalelismos, as tensões tubo/solo que podem ser desenvolvidas sejam criteriosamente calculadas. Na hipótese de valores perigosos, cuidados precisam se tomados para minimizar ou eliminar os riscos de danos aos tubos, ao seu revestimento e às pessoas que tenham acesso à tubulação nos seus trechos aflorados. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 111 CAPÍTULO 12 Sistemas de Aterramento Elétrico com Anodos de Zinco 12.1 INTRODUÇÃO Os anodos de zinco podem ser utilizados, com vantagem, para o aterramento elétrico de subestações elétricas, torres de linhas de transmissão, tanques de armazenamento de petróleo e derivados e em todas as aplicações que envolvam o escoamento para o solo de descargas elétricas. Embora os eletrodos de cobre, ou de aço com deposição de cobre, sejam largamento utilizados para tais aplicações, deve-se sempre ter em mente os prejuízos que essa solução normalmente acarreta, devido à diferença natural de potencial entre o aço e o cobre, ocasionando a corrosão do aço em benefício do cobre. Os problemas de corrosão aumentam extremamente quando a instalação metálica a ser aterrada encontra-se em contato com solos de baixa resistividade elétrica ou, ainda, onde a aeração e outras condições no soloreduzam a polarização do cobre. As hastes (ou anodos) de zinco, além de servirem como aterramento elétrico, eliminam as indesejáveis pilhas de corrosão cobre/aço e, em adição, fornecem alguma proteção catódica para o aço enterrado, devido à posição que o zinco ocupa na série galvânica prática (o potencial do zinco é mais negativo, em relação ao solo, que o potencial do aço). No caso da aplicação de um sistema de proteção catódica por corrente impressa para a proteção de instalações enterradas de aço, os anodos de zinco devem ser instalados para aterramento elétrico. Se uma quantidade suficiente de anodos for utilizada é possível, inclusive, conseguir-se proteção catódica total da instalação. Os anodos de zinco são gradualmente consumidos ao longo do tempo devido à corrente de natureza galvânica por eles liberada (as descargas de corrente alternada não afetam os anodos), havendo necessidade de serem dimensionados para que tenham vida suficientemente longa. Conhecendo-se a resistividade elétrica do solo, podemos definir com segurança as dimensões e quantidade de anodos a serem utilizadas para que a vida do sistema de aterramento elétrico seja suficientemente longa. Em alguns casos, paticularmente com solos de resistividade elétrica moderada ou alta, os anodos de zinco podem ser usados com economia e vantagem, para duação de 40 anos ou mais, desde que o tempo previsto para a vida útil da planta industrial justifique tal dimensionamento. Os anodos de zinco, usados como eletrodos de aterramento, são dimensionados com cabos elétricos com capacidade suficiente para drenar os valores de corrente que poderão eventualmente ser descarregados para o solo, quando o aterramento elétrico for solicitado. A bitola mínima do cabo elétrico do anodo deve ser de 10 mm2. 12.2 INSTALAÇÃO Para a instalação dos anodos de zinco são adotados, basicamente, os mesmos procedimentos de montagem dos de cobre, com a diferença que, para o zinco, os anodos são colocados em furos cilíndricos no solo (feitos por meio de trados) e envoltos com um enchimento condutor apropriado. Os anodos já são fornecidos pelo fabricante com cabo elétrico para a ligação à estrutura, sendo que essa ligação pode ser feita com solda do tipo Cadweld ou por meio de conectores apropriados. O enchimento condutor (50% de bentonita e 50% de gesso hidratado) utilizado, envolvendo o anodo, tem baixa resistividade elétrica da ordem de 250 a 300 ohm.cm) e possui duas funções principais: – possibilita a obtenção de uma resistência de aterramento baixa; – contribui para que o zinco seja consumido uniformemente, ao longo dos anos, liberando continuamente a corrente galvânica para a proteção catódica da estrutura metálica enterrada. Para melhorar ainda mais a proteção e o aterramento elétrico da instalação metálica enterrada, o anodo de zinco, com seu enchimento condutor, deve, sempre que possível, ser instalado SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 112 em solo permanentemente úmido. Em alguns áreas torna-se necessário instalar o anodo de zinco de modo que seu topo fique enterrado a uma profundidade maior que 800 mm. Embora a instalação do anodo na posição vertical seja preferida, ele pode também ser instalado na posição horizontal, solução utilizada quando as condições do solo no local assim determinam (como no caso da ocorrência de pedras), ou quando a resistividade elétrica do solo é mais baixa nas camadas superiores. A tabela abaixo mostra as quantidade de corrente que podem ser drenadas pelo cabo de 10 mm2, de acordo com o tempo de descarga, de modo a proporcionar a elevação da temperatura do cobre em até 700 ºC. TABELA 12.11.03 Descargas Elétricas Possíveis de serem Drenadas por um Anodo com o Cabo de Cobre de 10 mm2 Duração da Corrente em ampéres drenada por um anodo com Descarga cabo de cobre de 10 mm2, de modo a elevar a em segundos temperatura do cobre até 700 ºC 3 2.500 O projeto do sistema de aterramento deve limitar 1 4.500 abaixo desses valores a corrente possível de ser drenada por cada anodo. Se necessário, poderão ser usadas bitolas superiores a 10 mm2. 0,1 14.000 As correntes de descarga raramente, ou nunca, 0,01 45.000 atingirão esses valores. Quando um anodo de zinco é instalado, o enchimento condutor deve estar seco e bem compactado, com o objetivo de evitar que fiquem espaços vazios em torno do anodo. Após instalado, o enchimento condutor absorve a umidade do solo e completa todos os espaços vazios que porventura tenham ficado entre o anodo e as paredes do furo no solo. Se o enchimento condutor for umedecido antes da instalação no buraco, os resultados iniciais serão muitos bons, mas, com o passar do tempo, existe a possibilidade de ocorrer uma contração da coluna de enchimento, o que resultará na diminuição da sua performance. 12.3 COMPARAÇÃO ENTRE OS ANODOS DE ZINCO E AS HASTES DE ATERRAMENTO CONVENCIONAIS Uma vantagem importante dos anodos de zinco é que, exceto em solos com resistividade elétrica muito baixa, a resistência de aterramento de um anodo com 1,5 m de comprimento (instalado em enchimento condutor) é menor que a resistência de aterramento de uma haste comvencional com 3,0 m de comprimento. Para permitir melhor comparação, podemos citar que um anodo de zinco de seção reta quadrada com 3,5 cm de lado e comprimento de 1,5 m, instalado com enchimento condutor de 300 ohm.cm (gesso + bentonita), proporciona menor resistência de aterramento que uma haste convencional com 5/8” de diâmetro e 2,5 m de comprimento instalada em um solo com resistividade elétrica em torno de 500 ohm.cm. O mesmo anodo de zinco fornece melhores resultados que uma haste com 5/8” de diâmetro e 3,0 m de comprimento quando instalada em solo de aproximadamente 1.200 ohm.cm. É bem possível que a grande maioria das hastes de aterramento seja instalada em solos com alta resistividade elétrica, sendo que, nesses casos, os anodos de zinco são muito mais vantajosos, uma vez que as resistências de aterramento obtidas com as hastes comuns aumentam extremamente com o aumento da resistividade elétrica do solo, o que não acontece, na mesma proporção, com os anodos de zinco. As experiências demonstram que SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 113 normalmente não é necessário dimensionar anodos de zinco com mais de 1,5 m de comprimento (existem anodos no mercado padronizados nesse comprimento). A tabela 12.2 ilustra a vantagem de se usr anodos de zinco com 1,5 m de comprimento e enchimento condutor, mediante comparação com as hastes convencionais que deveriam ser utilizadas para a obtenção da mesma resistência de aterramento. TABELA 12.2 Comprimentos que Devem Possuir Hastes Convencionais de 5/8” para a Mesma Resistência de Aterramento de um Anodo de 3,5 cm x 3,5 cm x 1,5 cm Instalado em Enchimento Condutor Em solo Em solo Em solo Em solo Em solo de 1.000 de 2.000 de 3.500 de 5.000 de 10.000 ohm.cm ohm.cm ohm.cm ohm.cm ohm.cm 3,0 m 3,2 m 3,5 m 3,6 m 3,6 m 12.4 VIDA DOS ANODOS A vida do anodo depende da corrente de natureza galvânica por ele liberada, da sua capacidade de corrente e do seu fator de utilização. A corrente liberada pelo anodo depende da resistência do circuito e da diferença de potencial entre o anodo e a estrutura a que ele se encontra ligado, sendo que essas variáveis são função das características do próprio material do anodo (zinco ou magnésio) e do eletrólito (solo ou água) onde o mesmo é instalado. Os anodos de zinco, quando convenientemente instalalados em enchimento condutor apropriado, possuem uma eficiência de operação em torno de 90%, o que significa que, durante o seu período de vida, 90% do zinco é consumido para liberar corrente para a estrutura, enquanto 10% é consumido pela corrosão própria do zinco. Um anodo de zinco pode ser usado continuamenteo coma finalidade de aterramento, até que o zinco seja consumido em 85%, valor que define o seu coeficiente de utilização. Para o cálculo da vida dos anodos galvânicos podemos utilizar a expressão abaixo: I760.8 85,0CM V × ×× = onde: V = vida dos anodos em anos; M = massa total dos anodos utilizados em kg; C = capacidade de corrente do anodo em A.h/kg. Para o zinco, C = 740 Ah/kh; I = corrente liberada pelos anodos, em ampéres. Como exemplo, se um anodo de zinco de aproximadamente 15 kg é instalado em solo com 2.000 ohm.cm de resistividade elétrica e ligado a uma estrutura de aço, a corrente liberada pelo anodo e sua vida serão, aproximadamente, 65 mA e 15 anos. Para aumentarmos a vida do sistema de aterramento elétrico, torna-se necessário apenas que aumentemos o peso ou a quantidade de anos a serem instalados. 12.5 CONCLUSÃO Por meio do cálculo da resistência de aterramento anodo/solo, conforme indicado no capítulo 5 e mediante a verificação da vida esperada para os anodos, o sistema de aterramento elétrico pode ser dimensionadl com segurança, sendo que, mediante a utilização de material apropriado (zinco), os problemas de corrosão da estrutura aterrada, causados pelos componentes de cobre do sistema de aterramento convencional, podem ser completamente eliminados. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 114 CAPÍTULO 13 Aterramento Elétrico de Tanques Metálicos de Armazenamento 13.1 INTRODUÇÃO Um dos problemas com que se defronta o projetista de proteção catódica para a definição de um projeto com a finalidade de proteger contra a corrosão as faces externas, em contato com o solo, dos fundos dos tanques de aço para armazenamento de água, petróleo, derivados de petróleo e outros produtos, consiste no fato desses tanques serem normalmente construídos com aterramento elétrico composto de hastes e cabos de cobre nu. Os problemas resultantes sde tal procedimento, além da elevação substancial do custo de construção dos tanques, são basicamente os seguintes: – aceleração do processo corrosivo das chapas dos fundos dos tanques, devido ao par galvânico formado, aço/cobre; – desvio de grande parte da corrente de proteção catódica para o sistema de aterramento, uma vez que as hastes e cabos de cobre constituem-se de áreas nuas significativas, com baixa resistência para a terra; – dificuldade de fornecer ao cobre o mesmo potencial do aço com proteção catódica, devido às suas características de polarização catódica; – aumento do custo da proteção catódica, devido ao super dimensionamento que se torna necessário para os retificadores e anodos. Para o perfeito acompanhamento do raciocínio e explanação aqui apresentados, o leitor mais interessado no assunto deve consultar também o capítulo 15 da presente publicação, intitulado Proteção catódica de tanques de armazenamento de petróleo e derivados. 13.2 MÉTODOS DE ATERRAMENTO ELÉTRICO Como se sabe, o aterramento elétrico dos tanques em uma instalação industrial é feito, normalmente, mediante a construção de uma malha de aterramento com hastes do tipo copperweld e cabos de cobre nu, sendo as dimensões, locações, distribuição e quantidades de hastes e cabos, função da resistência de aterramento desejada e, em conseqüência, função das resistividades elétricas do solo, no local. Os tanques têm sido eletricamente aterrados, com as seguintes preocupações por parte dos projetistas, construtores ou usuários: – oferecer um caminho de baixa resistência para as descargas atmosféricas que atinjam diretamente o tanque ou nele induzam cargas estáticas; – possibilitar a descarga para a terra de cargas estáticas formadas no interior do tanque pelo atrito de moléculas do seu conteúdo, durante as operações de enchimento ou de agitação. Em 1969, a já extinta Seção de Sistemas Elétricas do Setor de Utilidades da Divisão de Engenharia do Departamento Industrial da Petrobras, publicou um trabalho que, mediante a análise de literatura proveniente de diversas entidades técnicas de renome internacional, conclui pela inutilidade de aterrar eletricamente os tanques metálicos, mesmo os destinados ao armazenamento de produtos inflamáveis. Os trechos mais importantes das fontes consultadas naquela oportunidade são bastante conclusivos e aparecem transcritos, em seguida, a título de ilustraç;ao. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 115 13.2.1 American Petroleum Institute API-RP-540 – Recommended Practice for Electrical Installation in Petroleum Refineries. Comentários: As observações contidas nessa publicação dizem respeito ao aterramento de estruturas metálicas, inclusive tanques, com vistas à proteção de suas fundações e, quando de altura elevada, com vistas à proteção de equipamentos localizados dentrod o seu cone de proteção. A norma não faz nenhuma referência quanto à proteção do tanque em si, ou do seu conteúdo, contra eletricidade estática ou raio, mediante a construção de malha de aterramento elétrico. API-RP-2003 – Protection Against Ignition Arising Out of Static, Lightning and Stray Currents. Comentários: No capítulo II dessa publicação, onde são tratados os aspectos relativos à eletricidade estática, são sugeridas diversas medidas contra a sua formação no interior do tanque, sendo que nenhuma delas inclui o aterramento do costado ou da base do tanque. No capítulo III, relativo a raios, afirma-se categoriamente que o aterramento não aumenta nem diminui a possibilidade de o tanque ser atingido por raio, além de não diminuir a possibilidade de ignição do conteúdo do tanque. 13.2.2 National Bureau of Stantard Handbook Code for Protection Against Lightning Comentários: Em sua edição de 1952, a publicação informa que não há registro de perfuração por raio em tanques com tetos de espessura igual ou maior que 3/15”. 13.2.3 National Fire Protection Association Fire Protection Handbook Comentários: Na seção 17, do capítulo VII, da 12ª edição daquela publicação, está claramente indicado que um tanque com fundação de concreto (fundação indireta) ou diretamente apoiado sobre o solo (fundação direta) é considerado eletricamente aterrado. Para melhor caracterizar o poblema, é dado um exemplo de tanque não aterrado: trata-se de um tanque montado sobre u caminhão com os pneus secos (isentos de umidade). É ainda mencionado que, para uma resistência entre o costado e a terra inferior a 106 ohms, o costado do tanque permanece ao potencial de terra, ainda que hajam cargas estáticas na superfície do líquido. O Manual também reconhece que a instalação de um sistema de aterramento é uma media ineficaz para remover cargas estáticas. No capítulo IX da mesma edição, que trata de raios, o Manual informa que quando há interesse de proteger um tanque contra a ação de raios, devem ser empregados mastros ou fios aéreos que mantenham o tanque a proteger dentro do seu cone de operação. Os tanques que poderiam inspirar tais cuidados são somente aqueles com conteúdo inflamável, com ponto de fulgor abaixo de 37,8 ºC e sem dispositivo de proteção contra chamas nos respiros. Ainda no mesmo capítulo XI, o Manual cita que tanques metálicos em contato direto com a terra, ou tanques elevados mas ligados a sistemas de tubulações, são considerados perfeitamente aterrados. A publicação informa, ainda, baseaeando-se na experiência, que os tanques de tetos flutuantes, sem espaços com vapor, dispensam medidas de proteção e que os reservatórios de GLP também são considerados seguros, sob o ponto de vista da ação de raios. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 116 13.2.4 American Oil Company Hazards of Electricity – Booklet Nº Comentários: No capítulo referente à Eletricidade Estática, 2ª edição – 1962, não é feita nenhuma referênciaao aterramento dos tanques. A publicação cita como exemplo de tanque isolado o mesmo exemplo a que se refere o Fire Protection Handbook, na NFPA, ou seja, um tanque montado sobre um caminhão com os pneus secos. No capítulo sobre raios, a publicação diz com clareza que qualquer tanque de aço montado sobre a terra ou mesmo sobre base de concreto, possui resistência para a terra tão baixa que dispensa aterramento elétrico artificial, mesmo com a tubulação desconectada do tanque. 13.2.5 Esso Esso Engineering Standard B-14-86 Comentários Essa publicação considera desnecessário o aterramento de tanques com fundação direta sobre terra ou areia. 13.2.6 Standard Handbook for Electrical Engineers Seção 17-642 Na seção 17-642, da 9ª edição dessa publicação, a umidade relativa do ambiente é mencionada como fator de limitação na ocorrência de cargas estáticas, sendo que em regiões com umidade relativa acima de 65%, o acúmulo de cargas estáticas é praticamente impossível de ocorrer. 13.3 ESTIMATIVA DAS RESISTÊNCIAS TANQUE/TERRA NA REPLAN No mesmo trabalho referido anteriormente, publicado pela Petrobras em 1969, os autores apresentam uma tabela com as estimativas, em função das características de construção dos tanques e do tipo de solo da região, das resistências de aterramento tanque/solo, para todos os tanques da Refinaria do Planalto, atualmente em operação na localidade de Paulínea, em São Paulo. Nos cálculos foram considerados valores conservativos para as resistividades elétricas do solo e condições de isolamento do revestimento (uma camada de asfalto) das faces externas das chapas dos fundos dos tanques. Os resultados obtidos mostram que, em todos os casos, as resistências de aterramento estavam bastante abaixo do valor máximo de 106 ohm citado no Fire Protection Handbook, da NFPA. Por outro lado, as medições que temos realizado em vários parques de tanques, mesmo os construídos em locais de alta resistividade elétrica, têm apresentado valores também abaixo daquele limite, o que atesta a correção dos cálculos acima referidos. 13.4 CONCLUSÕES Pela análise das fontes consultadas e tendo em vista a experiência acumulada ao longo dos anos com o projeto, a montagem e a operação de vários sistemas de proteção catódica para as bases de tanques de armazenamento de diversos parques de tanques em todo o Brasil, apresentamos, em seguida, nossas conclusões a respeito do assunto: • o aterramento elétrico dos tanques, com o auxílio de hastes e cabos elétricos de cobre nu, é um procedimento desnecessário para eliminar a ação de raios e eletricidade estática naquelas construções; SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 117 • o mesmo procedimento, além de oneroso na maioria das vezes, dificulta a proteção catódica das faces externas das bases dos tanques, com o agravante de acelerar o processo corrosivo daquelas estruturas; • considerando que, na grande maioria dos casos, dependendo das resistividades elétricas do solo, as faces externas dos tanques precisam ser protegidas catodicamente contra a corrosão que nelas incidem, julgamos, além de desnecessário, bastante inconveniente o procedimento de aterrar os tanques com hastes e cabos de cobre nu. Na hipótese de, a despeito das considerações acima, o projetista dos tanques ou o proprietário das instalações julgar conveniente a construção de aterramento elétrico, devem ser utilizadas hastes de aterramento fabricadas de um material anódico em relação ao aço, como o magnésio, o zinco e o alumínio, recomendando-se, nesse caso, a utilização de anodos galvânicos de zinco (como os usados nos sistemas de proteção catódica), com enchimento condutor de baixa resistividade elétrica (mistura de gesso, bentonita e sulfato de sódio) e a utilização de cabos elétricos de cobre revestidos. As técnicas para a utilização dos anodos de zinco em sistemas de aterramento elétrico são descritas no capítulo 12. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 118 CAPÍTULO 14 Proteção Catódica de Tubulações Enterradas e Submersas 14.1 INTRODUÇÃO As tubulações de aço são largamento utilizadas para o transporte e distribuição de petróleo e seus derivados, produtos químicos, água, esgoto, gás e, mais modernamente, produtos sólidos, como minério de ferro e fosfato. Por questões de segurança, essas tubulações são construídas enterradas e protegidas contra a corrosão, constituindo-se, assim, na principal aplicação dos sistemas de proteção catódica. O presente capítulo trata da proteção dessas importantes construções metálicas, enterradas ou submesas, 14.2 PROTEÇÃO CATÓDICA PARA TUBULAÇÕES ENTERRADAS As tubulações enterradas podem ser protegidas catodicamente com o auxílio de anodos galvânicos ou por meio de retificadores de corrente. A escolha de um ou outro método depende das informações colhidas durante os trabalhos de levantamento de campo, conforme mostado no capítulo 3. 14.2.1 Proteção Catódica com Anodos Galvânicos Os anodos galvânicos, ou anodos de sacrifício, são normalmente escolhidos quando se precisa de pouca quantidade de corrente para proteger a tubulação (revestimento de boa qualidade e tubulação de pequenas dimensões) e quando o solo possui baixa resistividade elétrica. A vantagem da utilização dos anodos galvânicos para proteger tubulações enterradas é a de não requerer fonte de suprimento de corrente alternada na região de construção da tubulação. As desvantagens são as seguintes: – a quantidade de corrente fornecida à estrutura é l imitada pela diferença de potencial, bastante baixa, entre os anodos e a tubulação; – a proteção ficará muito difícil e antieconômica se as resistividades elétricas do solo, no local, não forem suficientemente baixas; – se o revestimento dos tubos não for muito bom, ou se a tubulação tiver grande diâmetro e grande comprimento, a proteção com anodos galvânicos ficará também muito cara, devido à grande quantidade de anodos a ser utilizada; – se a tubulação estiver sujeita a correntes de fuga provenientes, por exemplo, de uma estrada de ferro eletrificada, dificilmente os anodos galvânicos serão suficiente para a proteção necessária. Pela análise dos itens acima, verificamos que as limitações dos sistemas galvânicos são grandes, o que nos leva a concluir que esse tipo de instalação não é muito comum para a proteção de tubulações enterradas. Quando um ou mais anodos galvânicos são ligados a uma tubulação metálica enterrada surge uma pilha galvânica, conforme mostrado na figura 2.1 do capítulo 2. A corrente gerada por essa pilha galvânica abandona o anodo, caminha pelo solo e penetra na tubulação, tornando mais negativo o potencial do tubo, protegendo-o contra a corrosão. Para a utilização em solos, o magnésio e o zinco são os materiais utilizados, sendo que, para a água do mar, o zinco e, mais recentemente, o alumínio, são os melhores anodos. Esses metais, utilizados em ligas apropriadas, são eletronegativos em relação ao aço, podendo protegê-lo. Os anodos galvânicos são geralmente enterrados envoltos em uma mistura de gesso, bentonita e sulfato de sódio, que é utilizado como enchimento condutor. Esse enchimento permite a diminuição da resistividade elétrica anodo/solo, reduz os efeitos da polarização do anodo e distribui uniformemente o seu desgaste. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 119 As características mais importantes de um anodo galvânico, além da composição química, são o seu potencial em circuito aberto (potencial medido em relação ao solo, utilizando um eletrodo de referência), a sua capacidade de corrente (expressa normalmente em A.h/kg) e sua eficiência eletroquímica (expressa em %). A tabela 6.1, do capítulo 6, mostra a comparação desses valores para os anodos de zinco, magnésioe alumínio. A figura 14.1 mostra um esquema típico da instalação de um sistema galvânico de proteção catódica para uma tubulação enterrada. Figura 14.1 – Esquema galvânico da distribuição de leitos de anodos galvânicos ao longo de uma tubulação enterrada. 14.2.2 Proteção Catódica por Corrente Impressa O segundo método de aplicação de proteção catódica em uma tubulação metálica enterrada ou submersa, conforme mostrado na figura 2.2 do capítulo 2, utiliza uma fonte externa de força eletromotriz, sendo, por isso mesmo, denominado como método por corrente impressa. As fontes externas de força eletromotriz, largamente utlizadas na prática, são os retificadores, equipamentos simples que, alimentados por um circuito de corrente alternada, fornecem a corrente contínua necessária para a proteção catódica da tubulação. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 120 Foto 14.1 – Retificador de corrente instalado para a proteção catódica de uma tubulação enterrada. Os sistemas por corrente impressa são os mais utilizados para a proteção de tubulações enterradas, uma vez que possuem as seguintes vantagens sobre os sistemas galvânicos: – possibilidade de fornecer maiores quantidades de corrente; – possibilidade de controlar as quantidades de corrente fornecidas; – possibilidade de ser aplicado em quase todos os tipos de solo, mesmo naqueles de elevada resistividade elétrica; – possibilidade de ser aplicado, com sucesso, para a proteção de estruturas nuas ou pobremente revestidas; – possibilidade de ser aplicado, com economia, para a proteção de estruturas metálicas de grande porte. No sistema de corrente impressa, uma pilha eletrolítica é criada de propósito, na qual fazemos com que a estrutura a ser protegida funcione como catodo e a cama de anodos utilizada libere corrente para o solo. Os anodos mais utilizados são construídos de grafite ou de ligas metálicas, como as de ferro-silício e ferro-silício-cromo. Construídos de materiais apropriados, os anodos, ao liberarem corrente para o solo, sofrem desgaste suave, que depende do material utilizado e da densidade de corrente A/m2 aplicada nas suas supefícies (ver tabela 6.2 do capítulo 6). Quando convenientemente dimensionados, os anodos de corrente impressa possuem vida superior a 20 ou até 30 anos, sendo extremamente econômicos. A grande vantagem desse método é a possibilidade de poder-se regular, com extrema facilidade, em função das medições dos potenciais tubo/solo, a corrente de proteção catódica liberada pelos anodos, mediante ajustes nos taps de saída do retificador. O retificador constitui-se, basicamente, de um transformador, que abaixa a tensão de alimentação para o valor desejado no circuito de proteção catódica, de uma coluna retificadora, que pode ser construída com placas de selênio ou com diodos de silício, e de dois instrumentos comuns para as medições das voltagens e das correntes de saída, além dos dispositivos normais de proteção. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 121 Os anodos são instalados na posição vertical ou horizontal, sendo comum o uso de enchimento condutor de coque metalúrgico moído. Quando o coque é conveniemente compactado em torno do anodo, obtém-se menor resistência de saída da corrente para o solo, além da diminuição do consumo do anodo, uma vez que boa parte da corrente é descarregada por intermédio do coque metalúrgico. Na figura 14.2 podemos observar a distribuição dos equipamentos de proteção catódica ao longo de uma tubulação protegida por corrente impressa, incluindo um sistema de drenagem das correntes tubo/trilho no cruzamento com uma estrada de ferro eletrificada, a instalação de uma caixa de medição e interligação no cruzamento com uma tubulação estranha, a instalação de juntas isolantes com os respectivos dispositivos de proteção e a distribuição de pontos de teste para as medições dos potenciais tubo/solo. Figura 14.2 – Esquema típico de distribuição de um sistema de proteção catódica por corrente impressa para uma tubulação enterrada. 14.2.3 Como Saber se a Tubulação está Protegida Catodicamente O potencial tubo/solo tem sido usado ao longo dos anos como medida de avaliação do funcionamento do sistema de proteção catódica de uma tubulação enterrada ou submersa. Para a medição do potencial tubo/solo utiliza-se um voltímetro especial com alta resistência interna (100.000 ohm/volt) e um eletrodo de referência de Cu/CuSO4, quando a tubulação for enterrada, ou um eletrodo de Ag/AgCl, quando a tubulação estiver submersa. Os valores limites dos potenciais tubo/solo, para proteção catódica das tubulações, são os seguintes: – tubulações enterradas: potencial igual ou mais negativo que –0,85 V, medido com o eletrodo de Cu/CuSO4, ou uma elevação mínima de 0,25 V a 0,30 V, no campo negativo, do potencial natural da tubulação; – tubulações submersas: potencial igual ou mais negativo que –0,80 V, medido com o eletrodo de Ag/AgCl, ou uma elevação mínima de 0,25 V a 0,30 V, no campo negativo, do potencial natural da tubulação. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 122 Medindo-se os potenciais tubo/solo, ao longo de toda a linha, temos condições de garantir, se todo sos pontos levantados apresentarem potencial igual ou mais negativo que –0,85 V, ou variação mínima de 0,25/0,30 V, que a tubulação encontra-se totalmente isenta de corrosão. As medições são feitas em pontos criteriosamente localizados ao longo da tubulação, chamados pontos de teste. A figura 2.3 do capítulo 2 mostra o esquema de medição do potencial tubo/solo de uma tubulação enterrada. 14.2 PROTEÇÃO CATÓDICA PARA EMISSÁRIOS SUBMARINOS Os emissários submarinos construídos em aço, normalmente revestidos e dotados de encamisamento de concreto para flutuação negativa, sofrem ataque corrosivo severo devido às características da água do mar, de baixíssima resistividade elétrica. A proteção catódica, também nesses casos, é requisito indispensável para eliminar totalmente o ataque corrosivo externo a que ficam submetidos os tubos de aço. Para essas estruturas podem ser utilizados tanto os anodos galvânicos quanto os sistems por corrente impressam, sendo esses últimos os preferidos, uma vez que proporcionam maiores facilidades de montagem, vida mais longa e custo mais baixo, devido às grandes quantidade de corrente requeridas para a proteção do aço na água do mar. Para a proteção galvânica, nesses casos, os anodos de zindo ou alumínio são os mais indicados, de preferência sob a forma de braçadeiras, fixados ao longo da superfície de aço da tubulação do emissáio. Exemplos típicos da aplicação dos anodos galvânicos sob a forma de braçadeira, são os oleodutos e gasodutos submarinos utilizados para o escoamento de petróleo ou gás dos poços no mar. Nos sistemas por corrente impressa, os anodos mais indicados são os de ferro-silício-cromo, lançados no fundo do mar e interligados por meio de um cabo elétrico ligado ao pólo positivo do retificador, conforme mostrado na figura 14.3. Figura 14.3 – Esquema típico de sistema de proteção catódica por corrente impressa para um emissário submarino. 14.4 PROTEÇÃO CATÓDICA DE TUBOS-CAMISA PARA POÇOS PROFUNDOS Os tubos-camisa dos poços de água e de petróleo, tal como as tubulações enterradas, ficam sujeitos, também, à incidência de corrosão severa, devido às variações da composição química, gra de aeração e resistividade elétrica do solo em contato com estrutura de aço. A corrosão, nesses SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 123 casos, se apresenta mais severa, uma vez que essas estruturas, de um modo geral, não são revestidas externamente. Em vários países, e mesmo aqui no Brasil, existemnotícias sobre o colapso de vários poços desse tipo, causados pela corrosão do solo. A proteção catódica, nesses casos, constitui-se na única solução tecnicamente viável e economicamente recomendável, podendo, como nos casos anteriormente apresentados, ser conseguida tanto com os anodos galvânicos quanto com a utilização de corrente impressa, dependendo das características do solo e das dimensões do poço a proteger. 14.5 CONCLUSÕES De acordo com o exposto e considerando os excelentes resultados obtidos através dos anos em várias instalações no mundo inteiro, concluímos que a técnica da proteção catódica é o único método seguro e econômico para garantir proteção contra a corrosão das tubulações metálicas enterradas ou submersas, como os oleodutos, gasodutos, minerodutos, linhas de incêndio, linhas de processo em unidades industriais, adutoras, emissários submarinos, linhas de escoamento de petróleo ou gás e tubos-camisa de poços de água ou de petróleo. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 124 CAPÍTULO 15 Proteção Catódica de Tanques de Armazenamento de Petróleo e Derivados 15.1 INTRODUÇÃO Os tanques metálicos para armazenamento de petróleo e derivados estão sujeitos a processos corrosivos internos e externos, ocasionados pela presença de eletrólitos agressivos. A proteção anticorrosiva para as partes aéreas constitui-se de pintura ou revestimento. As partes enterradas ou em contato com o solo, partes submersas ou, ainda, partes internas submersas, são protegidas com o auxílio dos sistemas de proteção catódica, em complementação aos revestimentos. A importância de um controle adequado da corrosão em tanques de armazenamento vem aumentando consideravelmente à medida em que se projetam tanques com maior capacidade, nos quais os custos de parada e de manutenção são extremamente elevados. 15.2 TIPOS DE TANQUES DE ARMAZENAMENTO 15.2.1 Tanques Aéreos Apoiados no Solo Os tanques aéreos apoiados no solo são muito usados na indústria de petróleo, indústria petroquímica e nas companhias de distribuição de derivados de petróleo e álcool. Esses tanques são montados em bases, destacando-se dois tipos: – tanques de base com fndação direta: quando o fundo do tanque é montado na supefície de uma base constituída da compactação do solo, seguindo-se a compactação de uma camada de areia e brita, no interior de um anel de concreto; – tanques de base, com fundação indireta: quando o fundo do tanque é montado sobre uma laje de concreto, moldada sobre estacas previamente cravadas. 15.2.2 Tanques Enterrados Os tanques metálicos totalmente enterrados são, de um modo geral, cilíndricos. Esse tipo de tanque é muito usado para o armazenamento de derivados de petróleo, álcool e produtos químicos, nos postos de serviço e em unidades industriais. 15.2.3 Tanques Submersos Os tanques metálicos submersos são usados apenas em casos especiais, como no armazenamento de petróleo proveniente de campos submarinos. 15.3 PROTEÇÃO CATÓDICA Os fundos dos tanques de armazenamento, aéreos, apoiados no solo, e as superfícies externas dos tanques enterrados, são revestidos, precariamente, á base de piche ou de asfalto. As superfícies internas dos tanques de armazenamento de petróleo possuem pintura à base de epóxi. Os problemas de corrosão dos fundos dos tanques apoiados no solo e das superfícies externas dos tanques enterrados são grandes, principalmente quando a resistividade elétrica do solo é média ou baixa (abaixo de 50.000 ohm.cm). Nesses casos, torna-se necessária a instalação dos sistemas de proteção catódica, como a única solução tecnicamente segura para eliminar a corrosão e garantir a segurança operacional dos tanques. Descrevemos, em seguida, as principais orientações a serem adotadas para a implantação dos sistemas de proteção catódica nos tanques de armazenamento. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 125 15.3.1 Proteção Catódica Interna dos Tanques de Petróleo com Lastro de Água O petróleo bruto e seus derivados não são eletrolíticos e não causam problemas de corrosão. Entretanto, a presença de água salgada ou doce no interior dos tanques é bastante comum, principalmente a primeira, parte integrante do petróleo bruto, fazendo com que os problemas de corrosão apareçam. O sistema de proteção catódica galvânico é muito utilizado nesses casos, sendo que os anodos são soldados na chapa do fundo, ficando submersos na coluna de água depositada dentro do tanque. Os anodos mais usados são os de zinco e de alumínio. Os anodos de magnésio são usados apenas quando o eletrólito é água doce, porque para a água salgada a eficiência do magnésio é muito baixa. O dimensionamento dos anodos pode ser feito de acordo com o capítulo 5. Após dimensionados, os anodos são distribuídos no interior do tanque, de modo que a corrente seja injetada em toda a superfície a proteger. A figura 15.1 mostra um tipo de distribuição, com o objetivo de proteger apenas a supefície interna do fundo. Figura 15.1 – Proteção catódica galvânica interna de um tanque. 15.3.2 Proteção Catódica Externa Todos os três tipos de tanque estão sujeitos a processos de corrosão causados pelo solo ou pela água. Os tanques aéreos apoiados no solo, que constituem a grande maioria dos tanques para armazenamento de petróleo e derivados, necessitam quase sempre de proteção catódica externa. Em primeira aproximação, apenas os tanques sobre bases de concreto muito elevadas e com boa impermeabilização entre a base e a chaparia do fundo estariam isentos de corrosão. Os tanque enterrados precisam sempre ser protegidos catodicamente, a não ser que esteam construídos em solos com resistividade elétrica muito alta. Sob o ponto de vista econômico, o custo do controle da corrosão é sempre bem menor que os custos de manutenção e lucros cessante ocasionados por parada do tanque devido a esse tipo de problema. Os tanques apoiados no solo são, na maioria das vezes, protegidos com sistemas por corrente impressa. Eventualmente, a proteção de um tanque isolado de pequeno porte, instalado em solo de baixa resistividade elétrica, pode ser feita com anodos galvãnicos. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 126 Os tanques enterrados são protegidos com anodos galvânicos, quando a resistividade elétrica do solo é menor que 6.000 ohm.cm, e com sistemas por corrente impessa quando a resistividade elétrica do solo for mais alta. O isolamento elétrico dos tanques apoiados no solo é uma prática às vezes necessária, a fim de concentrar a corrente de proteção, evitando as fugas para instalações estranhas. O isolamento elétrico é feito, nas tubulações ligadas aos tanques, por meio de juntas isolantes convencionais ou prefabricadas, conforme mostrado no capítulo 6. A proteção galvânica externa dos tanques apoiados ou enterrados pode ser feita individualmente para cada tanque, consistindo na ligação direta de anodo, ou leito de anodos. Os anodos usados são os de magnésio ou zinco, dependendo da resistividade elétrica do solo. O dimensionamento dos anodos pode se feito de acordo com as orientações do capítulo 5. A figura 15.2 mostra alguns esquemas típicos de instalação para os tanques apoiados no solo e a figura 15.3 mostra o esquema típico de montagem para um tanque cilíndrico enterrado. Figura 15.2 – Esquemas típicos de proteção galvânica externa para tanques apoiados no solo. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 127 Figura 15.3 – Esquema típico de proteção galvânica externa para um tanque enterrado. A proteção catódica externa por corrente impressa é utilizada, de modo geral, para todos os tipos de tanques, com qualquer disposição e em todos os tipos de eletrólito,constituindo-se, assim, na prática mais comum de controle de corrosão externa de tanques metálicos. A utilização de proteção por corrente impressa é feita normalmente para grupos de tanques e, apenas em casos especiais, para tanques individuais. O dimensionamento do sistema pode ser feito de acordo com as mesmas orientações do capítulo 5. A proteção pode ser feita de uma das duas maneiras abaixo: • proteção dirigida apenas aos tanques: para este tipo de proteção torna-se necessário o isolamente de todos os tanques das demais estruturas vizinhas, seguindo-se uma interligação entre eles por cabos elétricos. Este procedimento é particulamente adotado quando há grande quantidade de estruturas enterradas próximas aos tanques e que não se deseje proteger; • proteção global: este tipo de proteção é o mais freqüentemente utilizado, sendo que a proteção é dirigida não só aos tanques mas, também, a todas as estruturas no parque de tanques, incluindo tubulações, eletrodutos e malhas de aterramento elétrico. Com este procedimento, tem-se um menor aproveitamento da corrente injetada para a proteção dos tanques, principalmente devido à inclusão da malha de aterramento elétrico no circuito. A figura 15.4 mostra os esquemas típicos de instalação que podem ser usados para a proteção por corrente impressa externa de tanques apoiados no solo, e a figura 15.5 apresenta um esquema de instalação que pode ser usado para a proteção por corrente impressa para os tanques enterrados de um posto de serviço. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 128 Figura 15.4 – Esquemas típicos de proteção externa por corrente impressa para tanques apoiados no solo. Figura 15.5 – Esquema típico de instalação de um sistema por corrente impressa para os tanques enterrados de um posto de serviço. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 129 Tem sido prática comum o aterramento elétrico dos tanques metálicos para proteção contra eletricidade estática e raios. Estudos recentes demonstram, entretanto, não ser necessário o aterramento de tanques aéreos apoiados no solo, quer nos de base com fundação direta, quer nos de base com fundação indireta. A razão principal de dispensar-se o aterramento está no fato de que, em climas úmidos e até mesmo nos secos, uma resistência tanque-terra da ordem de 106 ohms é suficiente para dissipar eletricidade estática, e ainda porque o aterramento de tanques não aumenta nem diminui a possibilidade de os mesmos serem atingidos por raios. Os aterramentos, quando utilizados, constituem problema para a proteção catódica dos tanques, pelas seguintes razões: – sendo os aterramentos instalações de baixa resistência ligadas em paralelo com os tanques, dividem com aqueles parcelas consideráveis da corrente de proteção; – as superfícies dos aterramentos de cobre são áreas adicionais, normalmente nuas, que consomem grande quantidade de corrente do sistema de proteção catódica. Os tanques metálicos apoiados, por possuírem grandes superfícies em contato com o solo, principalmente grandes tanques ou grupos de tanques, são considerados auto-aterrados. Entretanto, quando se deseja aterrá-los, devem ser preferidos materiais metálicos anódicos em relação ao aço, como o zinco e o magnésio. O aterramento convencional de cobre deve sempre ser evitado porque, além de dificultar a proteção catódica, tem sido a causa freqüente de grandes problemas de corrosão devido à forte pilha formada, aço/cobre, conforme mostrado com mais detalhe no capítulo 13. 15.4 CRITÉRIOS DE PROTEÇÃO Os potenciais de proteção para tanques metálicos de aço são os valores universalmente aceitos de –0,85 V em relação à semi-célula de Cu/CuSO4, e –0,80 V em relação à semi-célula de Ag/AgCl. Para tanques aéreos apoiados no solo é comum verificar-se o potencial em quatro pontos nas bordas dos tanques e, excepcionalmente, em outras posições como na parte central do fundo, quando são instalados eletrodos de referência permanente durante a fase de montagem do tanque. Em tanques apoiados de grande diâmetro, a maior dificuldade consiste sempre em proteger o centro do tanque. Para garantia de proteção no centro, um posicionamento criterioso dos anodos deve ser realizado. Um posicionamento inadequado levaria a proteção a restringir-se, provavelmente, a um anel próximo à periferia. Em sistemas bem projetados, é comum adotar-se, como critério de proteção, o fato de que um potencial de –1,0 V em relação à semi-célula de Cu/CuSO4, na borda, garante um potencial mínimo de –0,85 V no centro. O mais seguro, no entanto, é a colocação de eletrodos de referência permanente no centro do tanque. O eletrodo permanente mais usado, para esta finalidade, é o de zinco, cujo potencial de proteção deve ser igual ou menos positivo do que +0,25 V. 15.5 Distribuição da Corrente em Grupo de Tanques A distribuição da corrente para tanques, no caso de grupo de tanques, é função direta do posicionamento dos anodos e da resistividade do solo ao longo dos tanques. Deve-se procurar um posicionamento para os anodos que permita a melhor distribuição possível da corrente injetada. Por outro lado, como sempre há um ligeiro desequilíbrio em termos de resistividade, é comum os tanques apresentarem pontos com valores de potenciais além do mínimo necessário, o que, no entanto, não causa qualquer prejuízo. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 130 15.6 CONCLUSÃO A proteção catódica é um excelente processo de controle de corrosão para tanques metálicos de aço apoiados no solo ou enterrados. Sua aplicação é simples e econômica, devendo, entretanto, se criteriosamente estudada, para que se obtenham resultados satisfatórios. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 131 CAPÍTULO 16 Proteção Catódica para Piers de Atracação de Navios 16.1 INTRODUÇÃO O emprego de estruturas de aço nas construções marítimas é uma prática muito difundidade e aceita no mundo inteiro, em virtude da suas excelentes propriedades mecânicas, associadas a um custo global muito atraente, especialmente nas instalações de grande porte, mesmo sabendo-se que a agressividade da água do mar é das mais intensas. O sucesso desse material, entretanto, deve-se fundamentalmente ao desenvolvimento de uma tecnologia de prevenção e combate à corrosão, de custo baixo e resultados comprovados, de modo a preservar, por um tempo muito longo, a integridade dessas estruturas: o emprego adequado de proteção catódica, associado ou não a um revestimento. O objetivo deste capítulo é rever o mecanismo da corrosão do aço pela água do mar, para mostrar como a proteção catódica, associada ao revestimento das estruturas, proporciona sua proteção integral. 16.2 CARACTERÍSTICAS DAS ESTRUTURAS Quanto à forma, as estruturas metálicas usadas nessas construções são constituídas essencialmente de estacas tubulares (tanto para pontes como para dolfins e plataformas de atracação) e estacas-prancha que são empregadas nas construções de células para apoio das plataformas de atracação e similares, construção de cortinas metálicas em cais e outras instalações. As estacas-prancha (sheet pilings) são fabricadas com os mais variados formatos. Quanto à composição química, é comum usar-se nestes perfis um aço com cerca de 0,5% de cobre, o que melhora as propriedades de resistência à corrosão pela água do mar. Foto 16.1 – Estacas tubulaes cravadas no mar para construção de um pier de atracação de navios. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 132 16.3 CARACTERÍSTICAS DA ÁGUA DO MAR A agressividade da água do mar está diretamente ligada ao teor de sal. Em geral, asalinidade dos oceanos é praticamente constante, situando-se em torno de 3,5% a 4%. Os mares fechados e os isolados geralmente se afastam destes valores, às vezes para menos e às vezes para mais. Esta salinidade é representada aproximadamente pela composição química mostrada na tabela 16.1. TABELA 16.1 Teores Aproximados de Sais que Constituem a Água do Mar Sal Teor (%) NaCl 77,8 Mg Cl2 10,9 Mg SO4 4,7 Ca SO4 3,6 K2 SO4 2,5 Ca CO3 0,3 Mg Br2 0,2 Os sais dissolvidos fazem com que a água do mar seja um excelente eletrólito, apresentando baixa resistividade elétrica. Quanto mais baixa a resistividade elétrica da água do mar, tanto mais facilmente se desenvolverá o processo eletroquímico da corrosão, como veremos mais adiante. A resistividade média da água do mar, medida em função de trabalhos realizados em vários países, situa-se na faixa de 20 a 100 ohm.cm. Em baías que recebem rios, tornando a água salobra, podemos encontrar resistividade de até 1.200 ohm.cm. Apresentamos na tabela 16.2 alguns valoes que temos encontrado, em fnção de medições realizadas em várias regiões do nosso litoral. TABELA 16.2 Resistividades Elétricas Médias da Água do Mar em Alguns Pontos do Litoral Brasileiro Local Resistividade elétrica Média (ohm.cm) Costa de Sergipe – a 12 milhas do litotal (1971) 23 Costa de Sergipe – no litoral (1970) 65 Bahia – Terminal de Madre de Deus, da Petrobras (1970) 34 Baía da Guanabara – Terminal da Petrobras (196) 45 Canal de S. Sebastião – Terminal da Petrobras (1970) 30 Canal do Porto de Santos – Pier da Ultrafértil (Piaçaguera) (1967) 18 Guarujá (SP) – Terminal da Dow Química (1971) 31 Costa do Rio Grande do Sul – Tramandaí – Terminal da Petrobras (1970) 48 Costa do E. Santo – Terminal da SAMACO (1977) 52 Angra dos Reis – Terminal da Petrobras (1976) 50 Além destas propriedades, é importante frisar que certos íons são particularmente agressivos a vários materiais, principalmente o cloreto (Cl–), que destrói a passividae até de aços inoxidáveis, ocasionando corrosão por pites. Outro fator que agrava o índice de corrosividade da água do mar é a poluição, uma vez que a resistividade elétrica, de um modo geral, diminui em baías poluídas. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 133 16.4 CORROSÃO DO AÇO PELA ÁGUA SALGADA A corrosão do aço pela água do mar, de um modo geral, em função de experiências realizadas em diversas instalações marítimas de vários países, pode ser considerada como sendo de aproximadamente 0,005” por ano, quando as condições são normais. Existen, entretanto, uma série de fatores que fazem com que esta taxa sea grandemente elevada, contribuindo para o colapso da estrutua em tempo bastante curto. A literatura especializada registra casos de estruturas metálicas de piers de atracação que falharam após 10 anos de serviço. Os fatores que mais influem paa a variação dessa taxa de corrosão são o emprego de revestimentos protetores, a ocorrência de pites na estrutura, a velocidade da água do mar, as marés, a poluição, o tipo de estrutura, a resistividade elétrica da água, o pH e o grau de aeração do meio. A corrosão em tais condições é de natureza eletroquímica. Ocorre em função dos fatores acima descritos e em conseqüência das heterogeneridades que existem na supefície dos aços comuns. Essas heterogeneidades resultam de várias causas, dentre as quais podemos citar a variação na composição química dos grãos que constituem a estrutua metalográfica, a prsença de inclusões não metálicas e a existência de tensões internas diferenciais, resultantes de processo de conformação, soldagem e outras causas. Em conseqüência, há o aparecimento de pilhas de corrosão na superfície metálica, causando sua destruição. Nas áreas anódicas, o ferro perde elétrons, ocasionando a dissolução do metal segundo uma reação anódica. Fe → Fe++ + 2e Conseqüentemente, surgem as reações catódicas, que ocorrem na água auxiliadas pela migração, através de massa metálica, dos elétrons liberados. Essas reações catódicas dependem do meio, o qual pode ser ácido ou alcalino e ter diferentes graus de aeração. Considerando o meio neutro e aerado, a reação que se processa é a seguinte: H2O + ½ O2 + 2e → 2OH – O resultado das duas reações acima é a reação de corrosão que pode ser expressa pelas equações: Fe + H2O + ½ O2 → Fe ++ + 2 OH– Fe++ + 2 OH– → Fe (OH)2 Uma vez que o meio é aerado, a transformação continua conduzindo à formação do óxido de ferro hidratado, de cor avermelhada, conhecido vulgamente como ferrugem, responsável pela acentuada deterioração das estruturas metálicas marítimas. A equação abaixo mostra essa transformação. 2Fe (OH)2 + H2O + ½ O2 → 2Fe (OH)3 ou 2Fe2 O3 H2O Em geral, nas estruturas marítimas distinguimos cinco zonas bem distintas, apresentando taxas de corrosão também diferentes, conforme esquematicamente ilustrado na figura 16.1. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 134 Figura 16.1 – Variação das taxas de corrosão de uma estaca submersa. 1 – Zona aérea; 2 – zona sujeita a respingos; 3 – zona de variação de maré; 4 – zona constantemente submersa; 5 – zona enterrada. 16.5 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA A proteção catódica constitui-se no mais eficiente processo para a proteção das estruturas metálicas constantemente submersa sna água do mar. Consiste basicamente em fornecer, à superfície que se deseja proteger, um permanente fluxo de elétrons,d e tal maneira que se tenha somente reações catódicas, eliminando-se com isso o desgaste da estrutura. De acordo com a maneira pela qual o fluxo de elétrons é fornecido à superfície metálica, temos os dois sistemas básicos de proteção catódica, que são o sistema galvânico e o sistema por corrente impressa. A escolha de um ou outro sistema depende das condições de cada instalação, associadas ao fator econômico. Ambos os sistemas apresentam vantagens e desvantagens relativamente um ao outro. Contudo, não é difícil a avaliação criteriosa dessas condições para se chegar a uma boa decis;ao. 16.5.1 Sistema Galvânico No sistema galvânico ligamos eletricamente ao aço certos materiais, formando pilhas, cujas reações são semelhantes às apresentadas anteriormente, estabelecendo-se um fluxo de elétrons que alcança a estrutura, modificando-lhe o potencial. Os materiais normalmente utilizados, tradicionalmente encontrados no mercado, constituem- se de ligas de zinco, ligas de magnésio e ligas de alumínio. Estes materiais são muito mais ativos que o aço, na água do mar, funcionando como anodo de sacrifício, conforme ilustrado esquematicamente na figura 16.2. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 135 Figura 16.2 – Proteção catódica galvânica para pier. O potencial estático (sem proteção) do aço no mar é da odem de –0,55 V, medido em relação à semi-célula de Ag/AgCl. As ligas de zinco e as de alumínio apesentam, em relação àquela semi-célula, um potencial estático de –1,10 V, enquanto as de magnésio podem atingir até –1,60 V. Na tabela 6.1 do capítulo 6, apresentamos ma comparação das principais características dos três tipos de anodos. A modificação do potencial em conseqüência da passagem de uma corrente elétrica chama- se polarização e ocorre tanto no anodo como no catodo, dependendo de vários fatores. A polarização do aço a um potencial de –0,80 V em relação à citada semi-célula é universalmente aceita como m critério de p roteção integral da estrutura. Existem outros critérios de proteção igualmente aceitos, conforme mostrado no capítulo 2. O sistema galvânico para instalações de grande porte geralmente implica em custo inicial elevado, uma vez que a intensidade da corrente depende da forma, da distribuiçõ e do número de anodos, e suavida depende da massa total dos anodos instalados, conforme mostrado no capítulo 5. Um fato importante que não pode deixar de se considerado é a observância rigorosa dos requisitos de composição química dos anodos, de qualque um dos três tipos acima referidos. 16.5.2 Sistema por Corrente Impressa No sistema de proteção catódica por corrente impressa, a corrente elétrica de proteção é provida por uma fonte externa de força eletromotriz, diferentemente do sistema anterior, combinado com o uso de anodos, conforme ilustrado na figura 16.3. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 136 Figura 16.3 – Proteção catódica por corrente impressa para pier. Os anodos são empregados com o objetivo de completar o circuito e, para a sua fabricação, empregam-se materiais, tanto quanto possível, inertes no meio aquoso. Os materiais normalmente usados como anodos em sistemas de corrente impressa para a proteção catódica de estruturas submersas são a grafite, liga de fero com alto teor de silício e baixo cromo, liga de chumbo-antimônio-prata, e o titânio, nióbio ou tântalo com revestimento de platina. Quanto à fonte externa de f.e.m. contínua, podemos usar uma bateria, um gerador, ou um retificador de corrente. Nos locais onde existe corrente alternada, a utilização do retificador é a melhor solução. Um retificador de corrente para sistemas de proteção catódica constitui-se, basicamente, de um transformador, para reduzir a voltagem de entrada da corrente alternada, combinando com o uso de elementos retificadores, que recebem a corrente alternada e a convertem em corrente contínua. Como elementos retificadores são usados, normalmente, placas de selênio ou diodos de silício. As placas de selênio foram usadas, preferencialmente, durante muitos anos. Atualmente, porém, utilizam-se quase que exclusivamente os diodos de silício. As vantagens principais dos diodos de silício são a sua alta eficiência e o seu envelhecimento praticamente desprezível, sendo que sua desvantagem é a indispensável proteção contra as oscilações de corrente. As placas de selênio são capazes de suportar as oscilações de corrente, mas possue a desvantagem de envelhecerem com maior rapidez. Os retificadores podem ser refrigerados a ar ou a óleo, dependendo das condições atmosféricas do local onde estejam instalados. Considerando a agressividade da atmosfera marítima, é comum usar-se retificadores do tipo imerso em óleo. Em piers de atracação operando com produtos explosivos, a instalação do sistema de proteção catódica precisa ser realizada com maiores cuidados, empregando-se, para isso, retificadores e acessórios à prova de explosão, o que torna o sistema um pouco mais caro. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 137 16.5.3 Comparação Entre o Sistema Galvânio e o Sistema por Corrente Impressa A escolha de um sistema para a proteção catódica de estruturas marítimas de piers de atracação depende de uma série de fatores, existindo vantagens e desvantagens para cada um deles. Em termos gerais, prefere-se o sistema de proteção catódica por corrente impressa quando se tem grandes superfícies a proteger e há disponibilidade de corrente alternada no local da instalação. Na tabela 16.3 são comparadas as principais caracrterísticas sde cada um dos sistemas. TABELA 16.3 Principais Características dos Sistemas Galvânicos e por Corrente Impressa Sistema por anodos galvânicos Sistema por corrente impressa 1) Não requer fonte externa de corrente. 1) Requer fonte externa de corrente.. 2) Em geral, econômico paa requisitos 2) Em geral, econômico para requisitos de corrente de até 5 A. . de corrente acima de 5 A 3) Não requer manutenção. 3) Requer manutenção. 4) Possui vida limitada. 4) Pode ser projetado para vida bastante longa. 5) Necessita de acompanhamento operacional. 5) Necessita de acompanhamento operacional. 6) Usadao em eletrólitos de baixa resistência Elétrica. 6) Pode ser usado em eletrólitos de alta resistividade elétrica. 7) Não apresenta problemas de interferência com estruturas 7) Pode apresentar problemas de interferência com estruturas estranhas. Figura 16.4 – Esquema básico de proteção catódica por corrente impressa para estacas-prancha. 16.6 ZONA DE VARIAÇÃO DE MARÉ E DE RESPINGO A zona sujeita a variações de marés e a zona de respingos constituem as regiões mais críticas da estrutura no que se refere à corrosão. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 138 Para a proteção dessas zonas foram desenvolvidos revestimentos, à base de epóxi, que são aplicados com sucesso mesmo em superfícies molhadas, como é o caso. Considerando que esses revestimentos geralmente são de custo elevado, faz-se um estudo criterioso de cada instalação, a fim de se determinar, em cada caso específico, qual a faixa mínima que deve receber esta proteção, de modo a ficar inteiramente preservada. O estudo é feito a partir do levantamento de um maregrama do local, abrangendo um período de um mês, ou mais, de modo a incluir marés de sizígias e de quadraturas, permitindo uma visão ampla das áreas envolvidas, facilitando, assim, a definição técnica e econômica do problema. Assim, a proteção das estruturas metálicas marítimas é feita de modo integral, preservando-as indefinidamente da ação destruidora da corrosão devida à água do mar. 16.7 CONCLUSÃO Em face do que acaba de ser exposto, é fácil concluir-se que o emprego de aço nas construções marítimas é, hoje em dia, uma prática absolutamente segura, do ponto de vista estrutural, apresentando, ainda, uma vida útil muito prolongada, desde que convenientemente protegido com o auxílio de um sistema de proteção catódica. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 139 CAPÍTULO 17 Proteção Catódica de Navios 17.1 INTRODUÇÃO Uma da mais importantes aplicações da proteção catódica, nos últimos anos, tem sido no controle e combate à corrosão dos cascos de navios e embarcações construídos em aço. O presente capítulo é uma condensação sobre o assunto, mostrando os princípios básicos da corrosão e da proteção catódica nas superfícies dos casos dos navios (incluindo a proteção catódica interna dos tanques de lastro), as orientações para a utilização dos tipos de proteção empregados (galvânica ou por corrente impressa), com dados comparativos sobre os dois sistemas, incluindo ainda considerações importantes sobre o desempenho dos esquemas de revestimento normalmente utilizados, em função das condições de operação do sistema de proteção catódica. 17.2 CORROSÃO E PROTEÇÃO CATÓDICA A corrosão dos casos dos navios em contato com a água do mar é a destruição eletroquímica do aço provocada pela reação com a água. Essa destruição, responsável pro grandes prejuízos, seja pela necessidade da substituição de chapas de aço, ou pelo aumento da rugosidade das superfícies do casco, com conseqüente aumento no consumo de combustível utilizado para deslocamento do navio, é ocasionada sempre por um fluxo de elétrons que proporciona a transformação do aço, fazendo com que o mesmo retorne à sua forma primitiva, ou seja, o minério de ferro (óxido de ferro hidratado). Para a eliminação da corrosão, nessas circunstâncias, utilizam-se revestimentos protetores nas superfícies metálicas, complementados por um sistema de proteção catódica que consiste, em última análise, em modificar o potencial do casco, em relação à água, para um valor de imunização abaixo do qual a corrosão cessa totalmente, resolvendo o problema. O casco fica completamente protegido quando polarizado com potencial de �0,80 V ou mais eletronegativo, medido em relação a um eletrodo de prata/cloreto de prata (Ag/AlCl), ou com um potencial equivalente medidoem relação a um outro eletrodo de referência, sempre posicionado próximo ao ponto (ou região) onde se deseja medir as condições de proteção. Nas aplicações práticas, para o caso de navios, os eletrodos de referência normalmente utilizados são os de Ag/AgCl e os de zinco. Na tabela 17.1 encontram-se os potenciais mínimos de proteção segndo três diferentes tipos de eletrodos. A figura 17.1 compara os diferentes potenciais fornecidos pelos eletrodos utilizados na prática e fornece uma idéia das zonas de corrosão, de proteção catódica e de super-proteção, sendo essa última prejudicial ao revestimento do casco do navio. TABELA 17.1 Potenciais de Proteção para Cascos de Aço Medidos em Relação a Diferentes Tipos de Eletrodos de Referência Eletrodo de Eletrólito Potencial de proteção em água do mar com resistividade elétrica de 20 ohm.cm a 20 ºC Ag/AgCl Água do mar –0,80 V Cu/CuSO4 Solução saturada de CuSO4 –0,85 V Zinco Água do mar +0,25 V SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 140 Figura 17.1 – Zonas de corrosão de proteção e de super-proteção do casco na água do mar. A mudança do potencial do casco do navio, por intermédio de um sistema de proteção catódica, é conseguida através de inejção de corrente contínua em toda a supefície de aço abaixo da linha d’água. Essa corrente é normalmente fornecida ao casco mediante a utilização de um dos dois métodos existentes: anodos galvânicos (placas de zinco ou alumínio, que possuem potencial mais negativo que o do aço, fixadas e distribuídas ao longo do casco), ou corrente impressa (retificador de corrente que, sendo uma fonte de força eletromotriz externa, distribui a corrente na superfície a ser protegida, com o auxílio de anodos inertes, normalmente de chumbo-antimônio-prata ou de titânio com revestimento de platina). 17.3 PROTEÇÃO CATÓDICA GALVÂNICA A proteção catódica galvânica, ou por anodos galvânicos, consiste na fixação de anodos, de zinco ou de alumíinio, na supefície de aço do navio que se deseja proteger. Os anodos galvânicos são muito utiilzados para proteção dos cascos de navios pequenos e médios, sendo que, para navios maiores, ou navios grandes, os sistemas por corrente impressa são mais utilizados, em função da maior economia que propocionam ao longo dos anos. Os sistemas galvânicos são ainda muito usados para a proteção interna dos tanques de lastro (a utilização do sistema por corrente impressa, para lastros de óleo, não é permitida pelas sociedades classificadoras) e para a proteção de equipamentos navais, tais como condensadores, permutadores de calor e tubulações (parte interna). A tabela 6.1 do capítulo 6 apresenta uma comparação entre os anodos de zinco, magnésio e alumínio. Os anodos de zinco e os anodos de alum~inio são muito utilizados para a proteção catódica galvânica de navios. Nos últimos anos, entretanto, com o desenvolvimento das ligas de alumínio com boas propriedades para proteção catódica, esse tipo de material tem sido muito bem aceito, devido ao seu baixo peso e preço mais atraente por ampére produzido, quando comparado com o zinco. As ligas de magnésio, devido ao seu elevado potencial em circuico aberto, não são usadas para a proteção dos cascos de navios que naveguem em água do mar. Eventualmente, para embarcações que só naveguem em água doce, o magnésio pode ser considerado como uma alternativa de proteção catódica galvânica. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 141 17.3.1 Proteção Galvânica de Tanques de Lastro Para a proteção galvânica interna dos tanques de lastro, as seguintes orientações básicas devem ser adotadas: – os anodos devem ser dimensionados para uma vida não inferior a quatro anos; – as viagens com lastro devem ser consideradas como tendo, no mínimo, cinco dias de duração; – a resistividade elétrica da água de lastro deve ser considerada como sendo de aproximadamente 25 ohm.cm. Se existe possibilidade da utilização de água salobra ou água com resistividade elétrica alta, o sistema precisa ser dimensionado para atender essa condição; – a parte superior do tanque (faixa de 1,5 m) deve ser revestida, com o objetivo de se obter proteção total para o tanque; – os anodos devem ser distribuídos ao longo de toda a estrutura interna dos tanques, com especial atenção para as superfícies horizontais do fundo, que retêm água com facilidade; – os anodos devem ser instalados em locais que não prejudiquem as operações de limpeza do tanque, quando for o caso; – para os tanques de lastro que contenham combustível ou vapores combustíveis, o uso dos anodos de magnésio não é permitido pelas sociedades classificadoras, umav ez que eles produzem centelhas ao chocarem-se com superfícies metálicas, quando em queda livre. Pelo mesmo motivo, os anodos de alumínio só podem ser usados quando instalados a uma altura tal que, em queda livre no fundo do tanque, a energia total produzida seja inferior a 27,7 kg.m ou 200 lb.ft. Foto 1.1 – Anodos galvânicos instalados paa proteção do casco. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 142 17.3.2 Corrente Necessária A quantidade de corrente necessária para a proteção catódica eficiente das estrutuas de aço (tanques de lastro e supefícies do casco) dos navios depende de vários fatores, sendo os mais importantes as áreas a proteger, a registividade elétrica da água (influenciada pela salinidade e temperatura), a velocidade desenvolvida pelo navio (somente para proteção do casco), a quantidade de oxigênio dissolvido na água e as condições e qualidade do revestimento empregado. A tabela 17.2 apresenta as densidades de corrente aproximadas para a proteção galvânica dos tanques de lastro e dos cascos de navios. TABELA 17.2 Densidades de Corrente Aproximadas para a Proteção Galvânica Interna dos Tanques de Lastro e das Superfícies Externas do Casco Características do tanque ou da Densidade de superfície externa do casco corrente (1) TANQUES mA/m2 Carga/tanques de lastro sujo 50 Carga/tanques de lastro limpo 86 Apenas lastro e tanques de lastro de claros 108 Tanques superiores 120 Tanques inferiores 86 Tanques de fundo duplo (apenas lastro) 86 Tanques de fundo duplo (lastro/óleo combustível) 45 Tanques de colisão (avante e ré) 108 Superfícies pintadas (200 mm) 5 CASCO mA/m2 Navios com revestimento à base de epóxi 10/15 Navios com pintura convencional 0/25 (1) Valores apenas orientativos – não utilizar para o dimensionamento. O dimensionamento dos anodos galvânicos (supefícies internas dos tanques de lastro ou supefície externa dos cascos) deve satisfazer aos cálculos da vida e da quantidade de corrente necessária, de acordo com o seguinte: peso total de anodos = número de anodos x peso por anodo; corrente total liberada = número de anodos x corrente liberada por anodo. A corrente total necessária obtém-se mediante a multiplicação da área total a proteger pela densidade de corrente recomendada para cada situação particular. A vida dos anodos, normalmente calculada para dois ou três anos no caso da proteção externa do casco, é diretamente proporcional ao peso total de anodos e à capacidade de corrente do anodo utilizado e inversamente proporcional à área que se deseja proteger e à densidade de corrente utilizada. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 143 Foto 17.2 – Anodos galvânicos instalados para proteção de tanque de lastro. Figura 17.2 – Concentração de anodos galvânicos para a proteção catódica da região da hélice e do leme. 1.4 PROTEÇÃO CATÓDICA POR CORENTE IMPRESSA Os sistemas por corrente impressa têm sido muito utilizados, nos últimos anos, para a proteção externa dos cascos de navios, principalmente os de médio e grandeportes, incluindo, SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 144 ainda, em muitos casos, a proteção interna dos sistemas de resfriamento de água e outros equipamentos navais. O sistema por corrente impressa consiste, normalmente, das seguintes partes principais, conforme mostrado na figura 17.3; Figura 17.3 – Esquema de um sistema de proteção catódica por corrente impressa para casco de navio. – um ou mais transformadores/retificadores – alimentados pelo próprio circuito elétrico do navio, diretamente, no caso do navio dispor de alimentação em corrente alternada, ou através de alternador, para os navios que somente dispõem de circuitos de corrente contínua. – anodos especiais – normalmente de titânio platinizado, ou de chumbo/antimônio/prata, montados no casco, com o objetivo de distribuir a corrente de proteção ao longo da superfície submersa do casco. Eletrodos de referência especiais – normalmente de zinco, com o objetivo de controlar automaticamente, em função dos potenciais alcançados pelo casco, a quantidade de corrente fornecida pelo retificador através dos anodos. Os eletrodos de referência, tal como os anodos, são montados na superfície do casco completamente isolados do aço. Com o seu auxílio, o transformador/retificador ajusta automaticamente a corrente contínua de saída, de modo a manter os potenciais ao longo do casco do navio o mais próximo possível do limite de proteção, com o objetivo de não prejudicar o revestimento protetor das superfícies submersas. A outra finalidade do eletrodo de referência é medir o potencial do casco, com o navio parado ou em movimento, sendo que a leitura pode ser observada no milivoltímetro apropriado, instalado no painel do transformador/retificador (Com o navio parado, as leituras podem ser feitas, também, com um eletrodo de Ag/AgCl e um voltímetro portátil especial com alta resistência interna.); – um dispositivo para a ligação elétrica eficiente do casco com a hélice do navio – mediante escovas especiais permanentemente em contato com o eixo e eletricamente ligadas ao casco do navio. Com a instalação desse dispositivo, garante-se a eficiente proteção a hélice, evitando problemas de corrosão e cavitação em suas superfícies. A diferença de potencial entre o caso e a hélice deve ser mantida abaixo de 20 mV; – um dispositivo para a ligação elétrica eficiente do casco com a estrutura metálica do leme – essa ligação é feita por intermédio de um cabo elétrico robusto, soldado ao caso e ao leme; – blidagens para os anodos – com o objetivo de evitar danos à pintura do casco nas imediações dos anodos, cada anodo inerte é instalado sobre uma blindagem, normalmente um revestimento espesso de poliéster-fibra de vidro, ou à base de epóxi. Essa blindagem se estende a aproximadamente 80 cm, a partir do perímetro do anodo, dependendo do sistema empregado para cada navio; – dispositivos para montagem dos anodos e dos eletrodos de referência – os cabos elétricos que ligam o transformador/retificador aos anodos e aos eletrodos de referência, caminham dentro de eletrodutos na parte interna do casco. Para a ligação dos anodos e dos eletrodos de SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 145 referência aos cabos elétricos, são utilizadas caixas apropriadas (cofferdams), aprovadas pelas sociedades classificadoras e soldadas na parte interna do casco, de modo a obter-se um conjunto completamente estanque. 17.4.1 Quantidade de Corrente Necessária para o Sistema de Corrente Impressa A quantidade de corrente necessária para a proteção do casco, em qualquer momento, é automaticamente escolhida pelo dispositivo de controle do sistema por corrente impressa. Assim, compete ao projetista do sistema apenas dimensionar a corrente máxima capaz de ser fornecida pelo conjunto a ser instalado e, em função disso, escolher as características do transformador/retificador, tipo e quantidade de anodos, sendo que, para tal dimensionamento, é comum considerar-se um valor de 40 a 50 mA/m2 como densidade média de corrente possível de ser obtida para as condições máximas de saída do transformador/retificador, dependendo das características e dimensões do navio e do tipo de revestimento a ser usado. 17.5 COMPARAÇÃO ENTRE OS SISTEMAS GALVÂNICOS E POR CORRENTE IMPRESSA A tabela 17.3 compara as principais características de cada um dos sistemas de proteção catódica normalmente utilizados para a proteção dos cascos dos navios. TABELA 17.3 Características do Sistema Galvânico e por Corrente Impressa para o Casco de um Navio Sistema galvânico Corrente impressa 1. Fonte de corrente Própria. Externa. 2. Instalação. Mais simples. Menos simples. 3. Penetrações no casco. Não necessário. Necessário. 4. Soldas no casco. Necessário. Necessário. 5. Isolamento elétrico entre Não deve existir. Necessário. o anodo e o casco. 6. Cabos elétricos. Não necessário. Necessário. 7. Blidagem elétrica dos anodos Somente necessário para Necessário. o caso de anodos de magnésio. 8. Peso dos anodos. Grande. Pequeno. 9. Número de anodos. Grande. Pequeno. 10. Uso em água doce. Limitado Sem problemas, com anodos de titânio platinizado. 11. Manutenção do sistema.. Requer substituição Vida bastante longa periódica dos anodos. do sistema. 12. Operação do sistema. Normalmente sem Requer que o retificador problemas durante a vida permaneça sempre ligado. útil dos anodos. 13. Custo inicial do sistema. Relativamente baixo, Econômico para médios principalmente para e grandes navios. pequenos navios. 14. Custo ao longo dos anos O custo aumenta devido Econômico, comparado à necessidade periódica com duas ou três de substituição dos anodos. substituições dos anodos galvânicos. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 146 17.6 INFLUÊNCIA DO REVESTIMENTO DO CASCO SOBRE AS CONDIÇÕES DE OPERAÇÃO DO SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA As condições de proteção catódica do casco do navio são extremamente influenciadas pela qualidade e tipo do revestimento protetor aplicado, sabendo-se que, quanto melhor as suas características protetoras, mais fácil se torna a distribuição de corrente nas superfícies a serem protegidas e mais econômico fica o sistema de proteção catódica, em fnção da menor quantidade de corrente requerida para a obtenção dos potenciais de proteção. Com o auxílio de um sistema de proteção catódica bem dimensionado, consegue-se proteção integral do aço, mesmo se a aplicação de qualquer revestimento, mas a condição de m aior economia é obtida mediante a aplicação de um bom esquema de revestimento complementado com proteção catódica. Entende-se como um bom esquema de revestimento, para o caso dos cascos de navios, a aplicação de tindas de boa qualidade (as tintas à base de epóxi estão sendo utilizadas, com excelentes resultados, nos últimos anos), de forma correta, sendo que o preparo da superfície influi grandemente nos resultados obtidos. Assim sendo, a aplicação de um bom revestimento no casco permite diminuir a densidade de corrente necessária para a proteção catódica desde valores tão altos quanto 250 mA/m2 (aço nu) até valores tão baixos quanto 1,8 mA/m2 (revestimento novo, bem aplicado). Com relação às incrustações de organismos marinhos na superfície do casco, extremamente prejudiciais às condições de operação do navio, devido ao aumento do atrito casco/água que provocam, as experiências mostram que o cloro gerado nas superfícies dos anodos é suficiente para evitar o seu aparecimento apenas nas imediações dos mesmos, não atuando nas incrustações do restante do casco, uma vez que o cloro se dissolve na água do mar. Por essa razão, o revestimento anti-fouling, normalmente utilizado, não pode ser dispensadopara os cascos, mesmo com proteção catódica. Por outro lado, em condensadores protegidos catodicamente, onde a quantidade de água envolvida é muito menor, o cloro produzido fornece efeitos benéficos, reduzindo extremamente as incrustações marinhas nas superfícies metálicas. 17.7 INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES DE OPERAÇÃO DO SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA SOBRE O REVESTIMENTO As experiências demonstram que, para as superfícies do casco, potenciais de superproteção causam efeitos indesejáveis no revestimento e, por isso mesmo, devem ser evitados. A liberação do hidrogênio na superfície do metal, ao atingir determinados valores, que podem ser controlados pelos potenciais casco/água, provocam empolamento e eventual remoção da película de tinta. Assim sendo, tanto os sistemas galvânicos quanto os por corrente impressa devem ser dimensionados e/ou controlados de tal maneira que potenciais de superproteção não sejam atingidos. Os valores desses potenciais dependem do tipo de revestimento utilizado, recomendando-se, para os casos dos navios, que os potenciais da tabela 17.4 não sejam alcançados. TABELA 17.4 Potenciais Casco/Água a Partir dos quais Começam a Aparecer Problemas de Empolamento no Revestimento Revestimento Volts (Ag/AgCl) A óleo –0,8 a –1,0 Aluminio (betuminoso) –1,1 Borracha clorada –1,1 Vinil –1,1 a –1,2 Coal-tar/epóxi –1,6 Epóxi –2,0 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 147 17.8 CONCLUSÃO Pelo que foi exposto, conclui-se que a proteção catódica, aplicada em complementação aos revestimentos protetores, constitui-se no único meio eficiente para assegurar a proteção contra a corrosão dos cascos, tanques de lastro e equipamentos navais. Para o caso específico das superfícies externas do casco, a proteção catódica, bem controlada, além de garantir a ausência de corrosão, contribui para a manutenção de superfícies lisas, sem rugosidades nas chapas e no revestimento, permitindo o melhor desempenho do navio, com um mínimo consumo de combustível. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 148 CAPÍTULO 18 Proteção Catódica de Estações de Tratamento de Água, Esgotos e Efluentes Industriais 18.1 INTRODUÇÃO As estações de tratamento são constituídas de grandes tanques de concreto onde são instaladas, para permitir a movimento e o tratamento de água, do esgoto ou dos efluentes, várias estruturas construídas em aço carbono e outros materiais, como as ligas de cobre e de alumínio. Essas estruturas metálicas, de vários formatos e dimensões, são os rastelos giratórios, os pantógrafos, as cortinas vertedouras, os anteparos, os baffles periférios, os baffles centrais, as caixas de escuma, as lâminas escumadoras, os escumadores superficiais, as lâminas raspadoras, os suportes, as escadas, os braços raspadores, os carretéis, os vertedouros, os conjuntos de rodas, as válvulas e vários outros dispositivos com as mais diversas denominações. Essas instalações são construídas com o auxílio de chapas, perfis, tubos, parafusos, placas, cabos de aço, porcas, aruelas, curvas, braçadeiras, pinos, rebites etc., todos de aço carbono, pintados à base de epóxi, ou galvanizados, como é o caso dos parafusos, porcas, aruelas e cabos de aço. A pintura usada para proteger essas instalações contra a corrosão, por melhor que seja especificada e aplicada, não consegue fornecer proteção integral a todas as peças que, devido a seus formatos irregulares, ponteagudos e com frestas, são de difícil limpeza, aplicação e aderência da película de tinta. Além disso, os revestimentos de tinta, mesmo à base de epóxi, possuem poros, falhas, absorvem umidade e envelhecem com o passar do tempo, deixando o material metálico exposto aos processos corrosivos. Os sistemas de proteção catódica são, dessa maneira, requisito indispensável para complementar a proteção fornecida pela pintura e garantir proteção integral contra a corrosão de rigorosamente todas as superfícies metálicas submersas. 18.2 PROTEÇÃO CATÓDICA GALVÂNICA A proteção catódica galvânica para esses casos, é feita mediante a fixação, nas estruturas metálicas, de barras de liga de magnésio, alumínio ou zinco, que possuem potencial mais negativo que o aço. Essas barras possuem formato alongado, com um comprimento variável de 10 cm a 10 m, seção reta circular ou em formato de “U” com diâmetro da ordem de 1/2 a 1” e são capazes de liberar corrente para o aço. Essas barras galvânicas, ou anodos galvânicos, possuem uma alma de aço que é fixada por meio de solda (elétrica ou cadweld) na estrutura de aço a ser protegida. As ligas de magnésio, alumínio ou zinco utilizadas possuem composição química apropriada, normalizadas por instituições técnicas ou pelos fabricantes. As ligas de zinco, por exemplo, devem seguir a norma da ABNT NBR-9358 – Anodos de Liga de Zinco para Proteção Catódica – Especificação, ou a especificação americana MIL-A-18001-J. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 149 Foto 18.1 – Sistema de tratamento de efluentes em uma fábrica de celulose. As ligas de magnésio e de alumínio possuem composição química que varia de fabricante para fabricante. Todas as ligas, entretanto, para serem eficientes, não podem conter teores acima de certos percentuais em peso (normalmente 0,002% a 0,005%) para alguns componentes importantes como o ferro, o chumbo, o cobre e o níquel. As características mais importantes dessas ligas são a eficiência eletroquímica (%), a capacidade de corrente (A.h/kg), o potencial estático referido à meia-célula de Ag/AGCl (V) e o peso específico (g/cm3), conforme mostrado no capítulo 6. Os anodos galvânicos são distribuídos ao longo de todas as instalações a serem protegidas, de modo a propiciar uma boa distribuição da corrente de proteção catódica. A quantidade de corrente liberada por cada anodo galvânico é função do formato, de suas dimensoes e da resistividade elétrica do eletrólito, podendo ser calculada com facilidade. A quantidade total de corrente a ser utilizada para a proteção integral de todas as estruturas metálicas submersas de uma determinada estação de tratamento é função da área a ser protegida, do revestimento aplicado, da resistividade elétrica do eletrólito (água, esgoto ou efluente) e da movimentação relativa do eletrólito em relação às estruturas metálicas. O anodo galvânico, ao liberar a corrente de proteção, se consome. Torna-se necessário, dessa maneira, que sua vida seja calculada com razoável precisão, o que pode ser conseguido facilmente, levando-se em consideração que essa vida depende do material do anodo, do seu formato, das suas dimensões e do seu peso. Dessa maneira, podemdo escolher o tempo de duração dos anodos, aumentando-se ou diminuindo-se a sua quantidade e o seu peso. 18.8 PROTEÇÃO CATÓDICA POR CORRENTE IMPRESSA A proteção catódica por corrente impressa é usada quando se deseja proteger grandes estações de tratamento, onde a corrente de proteção catódica necessária é superior a 5 A. Nesse processo, a diferença de potencial entre os anodos e as estruturas metálicas é garantida por um retificador de corrente contínua, construído e dimensionado especialmente para essa finalidade. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 150 Os anodos são fabricados em barras de um material inerte, como as ligas de ferro-silício- cromo, chumbo-antimônio, prata ou hastes de titânio com revestimento de platina, que são as mais utilizadas. Os anodos inertes são fixados normalmente às paredes de concreto dos tanques e locados de modo a garantir uma distribuição de corrente uniforme às estruturas metálicas. O retificador de corrente utilizado é constituído basicamente por um transformador, uma coluna retificadorade diodos de silício, um voltímetro e um amperímetro. O equipamento, alimentado por um circuito de corrente alternada (110 ou 220 V), possui o terminal negativo ligado nas estruturas metálicas (que precisam ser eletricamente contínuas) e o terminal positivo ligado aos anodos inertes. A corrente de injeção pode, dessa maneira, ser facilmente aumentada ou diminuída, de acordo com as necessidades, mediantes ajustes nos taps de regulagem do retificador. Mediante tal instalação, consegue-se um fluxo de corrente permanente e uniforme que sai do retificador pelo terminal positivo, passa pelos cabos elétricos e pelos anodos, entra no eletrólito e alcança as estruturas metálicas, retornando pelo cabo elétrico ligado ao terminal negativo do equipamento. O fluxo de corrente, assim dirigido sobre as superfícies metálicas submersas, elimina totalmente os processos corrosivos. 18.4 VERIFICAÇÃO DO FUNCIONAMENTO DO SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA Para verificar se realmente o sistema de proteção catódica galvânico, ou por corrente impressa, está protegendo todas as superfícies metálicas submersas, basta medir os potenciais das estruturas metálicas em relação ao eletrólito. Isso pode ser feito facilmente, em qualquer ocasião, com o auxílio de um voltímetro portácil com alta resistência interna (100.000 ohm/V) e uma meia-célula de Ag/AgCl (prata/cloreto de prata), conforme mostrado esquematicamente na figura 18.1. Figura 18.1 – Medição do potencial aço/eletrólito nas unidades de tratamento com proteção catódica. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 151 18.5 CUSTO O custo da implantação de um sistema de proteção catódica para todas as instalações metálicas submersas de uma estação de tratamento, a despeito do grande benefício conseguido, é extremamente baixo, situando-se entre 1% 3 5% do custo de construção das unidades, incluindo-se o tanque e os dispositivos de tratamento. 18.6 CONCLUSÃO As estruturas metálicas submersas das estações de tratamento de água, esgotos e efluentes sofrem ataque corrosivo severo, devido às características agressivas do eletrólito onde são merglhadas. Rotineiramente, essas instalações são revestidas com o auxílio de um esquema de pintura à base de epóxi. Esse revestimento, entretanto, por melhor que seja especificado e aplicado, possui poro, falhas, absorve umidade e envelhece com o passar do tempo, não conseguindo garantir proteção eficiente e duradoura contra a corrosão. Nestas condições, para uma perfeita conservação das estruturas, é essencial a utilização de sistemas de proteção catódica, em complementação ao esquema de pintura. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 152 CAPÍTULO 19 Proteção Catódica de Plataformas Fixas de Petróleo 19.1 INTRODUÇÃO A produção de petróleo no mar exige vultosos investimentos, especialmente em se tratando de lâminas d’água profundas e de estruturas de grande porte. O meio ambiente dessas instalações é extremamente agressivo em termos de corrosividade, impondo a necessidade de adoção de medidas de controle anti-corrosivo, sem o que sua integridade e segurança estariam comprometidas. A solução adotada é a proteção catódica, que permite um completo controle dos processos corrosivos atuantes sobre as superfícies metálicas enterradas ou submersas da plataforma. Nesse capítulo apresentamos os procedimentos básicos utilizados no dimensionamento de sistemas de proteção catódica de plataformas fixas de produção de petróleo. Para outros tipos de estruturas offshore, os procedimentos utilizados são semelhantes aos aqui descritos. 19.2 LEVANTAMENTO DE DADOS PARA O PROJETO Para um dimensionamento adequado do sistema de proteção catódica de uma plataforma marítima, é necessário ter-se um perfeito conhecimento das propriedades físico-químicas da água do mar e do leito marinho e das características da estrutura a ser protegida. Esses dados poderão ser obtidos por meio de consulta aos desenhos de fabricação, especificações de montagem, levantamento de dados no campo e experiência prévia com outras estruturas na mesma região. Os principais parâmetros a serem obtidos são apresentados a seguir. 19.2.1 Parâmetros Associados à Estrutura – Área e localização das superfícies a proteger. – Tipos de revestimentos especificados. – Temperatura de operação dos dutos de interligação, condutores etc. – Potencial de proteção. – Geometria da estrutura. – Cronograma de montagem. – Disponbilidade de energia elétrica. – Vida útil prevista para a estrutura. – 19.2.2 Parâmetros Associados ao Meio Ambiente Os principais dados necessários paa a avaliação da agressividade do meio ambiente marinho são os seguintes: – temperatura; – teor de oxigênio; – composição química da água do mar; – resistividade elétrica; – velocidade e turbulência das correntes marinhas; – pH; – erosão; – sólidos em suspensão; – atividade biológica no solo marinho; – densidades de corrente de proteção; – profundidade da lâmina d’água; – profundidade prevista para a cravação de estacas; – pesquisa de fontes de correntes de interferência; SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 153 – suscetibilidade à formação de depósitos calcários; – necessidade de monitoração permanente; – experiência prévia com outros sistemas de proteção catódica operando na mesma região. 19.2.3 Parâmetros Associados aos Sistemas de Proteção Catódica Esses parâmetros são abordados nos itens 19.9 e 19.10. 19.3 CRITÉRIO DE PROTEÇÃO O principal critério de proteção utilizado para as plataformas marítimas fixas e demais estruturas offshore é a polarização das partes enterradas e submersas da estrutura a potenciais iguais ou inferiores a –0,80 V, medidos com referência à semi-célula de Ag/AgCl. É necessário, contudo, evitar-se a ocorrência de potenciais muito neativos, para resguardar a estrutura contra risco de fragilização pelo hidrogênio ou de redução da resistência à fadiga. A tabela 19.1 apresenta os valoes utilizados na prática. TABELA 19.1 Potenciais de Proteção Estrutura/Eletrólito (Volts) Metal Eletrodo de referência Cu/CuSO4 Ag/AGCl Zn Aço carbono em meio aeróbico: a) limite superior –0,85 –0,80 +0,25 b) limite inferior –1,10 –1,05 +0,00 Aço carbono em meio anaeróbico: a) limite superior –0,95 –0,90 +0,15 b) limite inferior –1,10 1,05 +0,00 Aço carbono de alta resistência (limite de resistência à tração superior a 700 N/mm2: a) limite superior –0,85 –0,80 +0,25 b) limite inferior –1,00 –0,95 +0,10 Observações: 1) Os valores acima são considerados isentos de quda ôhmica no eletrólito. 2) Os potenciais indicados são válidos para temperaturas ambiente entre 5 ºC e 25 ºC. para faixas de temperatura entre 25 ºC e 100 ºC, os potenciais acima devem ser corrigidos subtraindo-se 1 mV/ºC. 3) Os potenciais medidos com referência à semi-célula de Ag/AgCl são afetados pelo teor de cloretos presente na água do mar. Os valores obtidos em locais cuja resistividade elétrica seja significativamente diferente de 25 ohm cm deverão ser corrigidos adequadamente. 19.4 VIDA ÚTIL DO SISTEMA DE PROTEÇÃO CATÓDICA Normalmente, a vida útil do sistema de proteção catódica deve ser igual à vida útil prevista para a estrutura. O projetista deve ter em mente que o elevado custo dos tabalhos submarinos, especialmente no caso de procedimentos de mergulho hiperbárico, inviabiliza a substituição ou a instalação de novos materiais para o sistema de proteção catódica e, assim, o sistema instalado deve ser definitivo. Em alguns casos especiais, o projeto poderá prever a instalação de dispositivos que permitam o aumento da capacidade de corrente instalada. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 154 19.5DENSIDADES DE CORRENTE DE PROTEÇÃO A densidade de corrente de proteção é determinada em função das características do meio ambiente onde será instalada a plataforma. Para estruturas de aço sem revestimento e submersas, a densidade de corrente requerida para a proteção deverá diminuir com o tempo, devido à formação de depósitos calcáreos causada pela corrente de proteção catódica. Para estruturas revestidas, entretanto, a densidade de corrente de proteção poderá aumentar com o tempo, à medida que o revestimento envelheça. A densidade de corrente de proteção poderá, também, ser obtida a partir da experiência prévia com estruturas semelhantes operando na mesma região. A densidade de corrente elétrica de proteção poderá variar também em função da temperatura. Para tubulações e dutos de interligação transportando óleo ou gás quente, observa-se um aumento da densidade, da ordem de 1 mA/m2, em função da diferença de temperatura entre o gás ou óleo transportado e o meio ambiente. 19.6 ESCOLHA DO TIPO DE SISTEMA O principal critério a nortear a escolha do tipo de sistema ser utilizado é o da confiabilidade do sistema. O projetista deve ter sempre em mente que qualquer defeito ou dano ao sistema de proteção catódica de uma plataforma submarina será de difícil e dispendioso reparo, o que poderá pôr em risco a segurança e a durabilidade da estrutura. Podem ser utilizados tanto sistemas galvânicos quanto sistemas por corrente impressa. AS principais características de funcionamento, bem como as vantagens de cada um desses sistemas já foram analisadas no capítulo 5. 19.7 ISOLAMENTO ELÉTRICO Para não prejudicar a distribuição de correntes, todas as estruturas metálicas em contato elétrico com a plataforma e que não estejam integradas ao sistema de proteção catódica deverão ser isoladas eletricamente por um meio adequado. Os dutos de interligação devem ser isolados da plataforma e protegidos catodicamente, em separado. 19.8 CORRENTES DE INTERFERÊNCIA Em condições normais, as únicas correntes de interferência que poderão afetar as plataformas são as provenientes das operações de montagem da estrutura do convés. Isso ocorrerá caso as máquinas de solda estejam instaladas numa embarcação de apoio com o negativo aterrado ao casco dessas embarcação. Nesse caso, o retorno da corrente das máquinas de solda dar-se-á pelo eletrólito (água do mar), com saída de corrente na interface estrutura/meio. Esse tipo de interferência é eliminado isolando-se os negativos das máquinas de solda em relação à embarcação e forçando-se o retorno da corrente por intermédio dos cabos negativos ligados à plataforma. 19.9 SISTEMAS GALVÂNICOS Os sistemas galvânicos, dada a sua confiabilidade, têm sido os mais utilizados na proteção das plataformas fixas de petróleo. Esses sistemas apresentam, contudo, as seguintes desvantagens: a) dada a elevada vida útil requerida para o sistema, é necessário utilizar-se anodos de massa líquida muito elevada, cjos valores normalmente se situam entre 400 e 600 kg; b) face à grande área de superfície exposta e à pequena capacidade de liberação de corrente dos anodos, é necessário utilizar-se um grande número de anodos. A massa total desses anodos SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 155 atinge a algumas centenas de toneladas, o que torna necessário o reforço estrutural da plataforma; c) o grande número de anodos utilizados torna trabalhosa a montagem do sistema; d) dificuldade em monitorar-se a corrente liberada dos anodos; e) dificuldade ou até mesmo impossibilidade de substituição dos anodos, em caso de dano ou falha desses elementos. 19.9.1 Dimensionamento As plataformas marítimas e dutos submarinos instalados em águas profundas requerem, face à elevada vida útil necessária ao sistema de proteção catódica, um procedimento de cálculo mais complexo que o utilizado tradicionalmente (ver capítulo 5). Os procedimentos atualmente utilizados foram desenvolvidos a partir da experiência obtida com as bacias petrolíferas do Mar do Norte. O dimensionamento pode ser feito com o auxílio de sofisticados programas de computador, baseados em métodos numéricos, tais como diferenças finitas, elementos finitos etc., ou de acordo com o método tradicional, modificado de forma a atender às exigências do meio ambiente offshore, conforme explicado a seguir. a) Cálculo das Áreas A partir dos desenhos de construção são avaliadas as áreas submersas e enterradas de todos os componentes da jaqueta. O cálculo é feito para cada elemento, em função do tipo de membro da estrutura e sua respectiva localização, de acordo com as condições a seguir. • Áreas submersas: – áreas localizadas ab aixo da zona de variação de maré e acima do leito marinho; – áeas externas dos segmentos de estaca não cravados e não cortados, slocalizados acima das luvas; – áreas da bandeja de lama; – áreas situadas na zona de variação de maré, consideradas com uma redução de 50% do valor efetivo. • Áreas enterradas: – área enterrada das estacas, considerando-se um comprimento máximo cravado de 100 m, ou uma folga de corrente equivalente a até 10A por estaca; – áreas relativas aos revestimentos dos poços, considerando-se um comprimento enterrado de 100 m, ou uma folga de corrente equivalente a até 10A por poço. • Outras áreas: – todas as estruturas metálicas em contato elétrico com a plataforma devem ser avaliadas; – área da camada mais externa das armaduras das estruturas de concreto em contato elétrico direto com a plataforma. Principais componentes da plataforma a serem considerados: • dutos de interligação; • mesa; • condutores; • contraventamentos; • pernas; • tubos coletores de óleo; • tubos de revestimentos; • guias de estacas; • luvas de estacas; SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 156 • tubos “I” e tubos “J”; • bandeja de lama; • outros. Foto 19.1. Anodos galvânicos instalados em uma plataforma de petróleo. b) Determinação das Densidades de Corrente de Proteção Para cada área calculada são utilizadas três densidades de corrente distintas, expressas em mA/m2: Din = densidade inicial de corrente necessária à polarização inicial da superfície “n”; Dmn = densidade média de corrente utilizada para o cálculo da massa anódica necessária à manutenção da polarização da superfície “n” durante a vida útil prevista para a estrutura; Dfn = densidade final de corrente necessária à polarização ao término da vida útil prevista para o sistema de proteção catódica. Esse valor pode ser estimado entre 3/4 e 2/3 da densidade inicial de corrente. A densidade média de corrente pode ser determinada a partir da densidade inicial de corrente, de acordo co a seguinte fórmula: ]3–V2)1V(n[ )1–V(3 Di Dm nn ++= l onde: V = vida útil do sistema (anos). A tabela 19.2 indica alguns valores de densidades de corrente utilizados na prática. TABELA 19.2 Densidades de Corrente mA/m2 para a Proteção Catódica de Aço Nu Local Valor inicial Valor médio Valor final Bacia de Campos 120 90 80 Armadura de concreto – 01* – Tubulações enterradas 50 40 30 Dutos de interligação dentro de colunas com água do mar corrente 180 140 120 Dutos de interligação dentro de SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 157 colunas com água estgnada 120 90 80 Lama salina (na temperatura ambiente) 25 20 15 * O valor para as armaduras de aço do concreto refere-se apenas às necessidades de folga de corrente para cobrir as perdas para essas estruturas. c) Determinação das Densidades de Corrente para Superfícies Revestidas Caso seja utilizado algum tipo de revestimento, os valores obtidos em (b) poderão ser corrigidos, em função da eficiência prevista, de acordo com a seguinte fórmula:Dxr,n = Dxn (1 – Er) onde: Dxr,n = densidade de corrente para a superfície “n”, com revestimento do tipo “r”, conforme se tratar de densidade inicial, média ou final (mA/m2); Dxn = densidade de corrente para a superfície nua (mA/m2). Er = eficiência do revestimento do tipo “r” (em fração decimal). A tabela 19.3 fornece os valores adotados para a eficiência de alguns tipos de revestimentos. TABELA 19.3 Eficiência de Alguns Tipos de Revestimento Inicial Médio Final (%) (%) (%) Revestimento de tubulação com filme espesso 99 90 80 Sistema vinílico 98 80 50 Tintas betuminosas 98 80 50 Coal-tar epóxi 98 80 50 Os anodos utilizados para as plataformas marítimas fixas são normalmente de liga de zinco ou de liga de alumínio, sendo mais comum a utilização destes últimos, por apresentar um menor custo ampére-hora e uma capacidade de corrente muito superior à dos anodos de liga de zinco. Convém observar que os anodos de zinco não devem ser utilizados para estruturas operando em alta temperatura, pois podem sofrer corrosão intergranular ou, em determinados ambientes, os potenciais do zinco podem ser tornar mais positivos que os do aço. As principais características dos anodos necessários ao projeto são as seguintes: d.1) Capacidade de corrente A capacidade de corrente é uma característica da liga do anodo. Para fins de projeto podem ser adotados os seguintes valores: – anodos de liga de zinco: entre 740 e 815 Ah/kh; – anodos de liga de alumínio: entre 2.200 e 2.800 Ah/kg. d.2) Fator de Utilização O fator de utilização é um parâmetro adimensional determinado em função da geometria do anodo e do posicionamento da alma. Os valores normalmente adotados são os seguintes: – anodos longos: 0,85 a 0,95; – anodos-braçadeira: 0,70 a 0,80; – anodos em forma de placa: 0,75. d.3) Massa Líquida Normalmente os anodos utilizados para as plataformas marítimas possuem massa líquida elevada, sendo comum a utilização de até 600 kg. Os anodos utilizados para os dutos de interligação estão normalmente na faixa de 100 a 180 kg. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 158 d.4) Potencial Eletroquímico O potencial eletroquímico em circuito aberto, medido com referência à semi-célula de Ag/AgCl para as ligas de zinco e de alumínio, está na faixa de –1,00 V a –1,05V. Para algumas ligas de alumínio esse valor pode atingir a –1,10V. e)Determinação das Correntes Drenadas pelos Anodos Para cada tipo de anodo escolhido são determinadas duas intensidades de corrente: Ii = intensidade inicial de corrente drenada, calculada considerando-se as dimensões iniciais do anodo; If = intensidade final de corrente drenada, calculada considerando-se as dimensões do anodo ao término da vida útil do sistema. O cálculo desses valores é feito segundo a Lei de Ohm: R V I ∆ = onde: I = corrente liberada pelo anodo (A); DV = força eletromotriz (V), dada pela diferença de potencial do anodo e do potencial de proteção; R = resistência de contato anodo/eletrólito (ohm), calculada conforme indicado no capítulo 5. f) Otimização do Formato dos Anodos Selecionados A otimização do formato dos anodos escolhidos é feita mediante a comparação entre as áreas protegidas por cada anodo durante a vida útil das estruturas, calculadas de acordo com o seguinte: Df If Af; DmV760.8 FuCM Am; Di Ii Ai = ×× ×× == onde: Ai =área protegida por um anodo durante a polarização inicial do sistema (m2); Am =área média protegida por um anodo durante sua vida útil (m2); Af =área potegida pelo anodo ao final da sua vida útil (m2); C =capacidade de corrente do anodo (A.h/kg); 8.760=número de horas em um ano; V =vida útil prevista paa o sistema de proteção catódica (anos); Dm =densidade média de corrente para a superfície “n” (A/m2). O formato mais econômico, para uma mesma massa e liga, será aquele para no qual os valores calculados para Ai, Am e Af sejam aproximadamente os mesmos. A instalação de anodos adicionais com dimensões reduzidas pode ser utilizada como recurso para satisfazer à alta demanda inicial de corrente durante os dois ou três primeiros anos. Tal procedimento poderá ser mais econômico do que encontrar um formato de anodo que satisfaça a todos os critérios. g) Cálculo da Quantidade de Anodos A determinação da quantidade mínima de anodos é feita de forma a atender-se simultaneamente os requisitos de corrente inicial, média e final. Para cada áea calculada são determinados os seguintes quantitativos: SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 159 Af S Nf; Am S Nm; Ãi S Ni nnn === onde: Ni = número de anodos necessários à polarização inicial da superfície “S”; Nm = número de anodos necessários à manutenção da polarização; Nf = número de anodos necessários à polarização da estrutura, ao final da vida útil do sistema; S = área referente à superfície “n” (m2). Para cada área deverá ser utilizado o valor referente ao maior número de anodos. h) Distribuição dos Anodos A distribuição criteriosa dos anodos é condição essencial para garantir o bom funcionamento do sistema. Os principais fatores que devem ser considerados nessa distribuição são a corrente drenada pelos anodos, a distância entre anodos e a estrutura, o tipo de revesgtimento, se existente, a área a proteger e a geometria da estrutura. Em geral, a área protegida por um anodo pode ser estimada de acordo com o seguinte: – plataformas marítimas: 30 a 60 m2/anodo; – dutos de interligação: 20 a 150 metros lineares/anodo. Na distribuição dos anodos deve-se procurar localizá-los na estrutura de forma a garantir-se a rápida polarização das soldas dos nós, que são pontos críticos para a resistência estrutural da plataforma. i) Dimensionamento dos Suportes dos Anodos Os suportes dos anodos devem ser capazes de atender às condições de carregamento durante as operações de montagem, transporte, lançmento e operação. j) Determinação da Vida Útil Teórica do Sistema A vida útil teórica do sistema de proteção catódica pode ser avaliada com o auxílio da seguinte fórmula: )DmSn(760.8 FuCM V n× ×⋅ = onde: M = massa total de anodos no sistema (kg); Sn = área da superfície “n” (m2); C = capacidade de corrente do anodo (A.h/kg); Fu = fator de utilização do anodo (fração decimal); Dmn = densidade média de corrente para a superfície Sn (mA/m2). 19.10 SISTEMAS POR CORRENTE IMPRESSA A utilização de sistemas por corrente impressa, principalmente paa o caso de estruturas metálicas em lâmina d’água superior a 30 m, tem sido relegada a um segundo plano. A experiência com esse tipo de sistema mostra que são suscetíveis a falhas pouco tempo após sua energização, havendo registro de falhas anteriores ao próprio início de operação do sistema. As principais causas dessas falhas podem ser atribuídas aos seguintes fators: – dificuldade de um posicionamento adequado dos anodos em termos de distribuição da corrente de proteção; – risco de superproteção localizada; – interferência elétrica com outras estruturas; SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 160 – falha na conexão entre cabo elétrico e anodo devido à penetração de umidade ou efeito de ponta; – falha mecânica dos cabos elétricos dos anodos; – deterioração do material de isolamento dos cabos elétricos; – dano físico aos cabos elétricos e anodos provocado pela queda ou arrasto de materiais; – curto-circuito entre depósito calcário e os anodos de corrente impressa; – escolha inadequada de materiais; – outros motivos. A despeito desse problemas, a utilização de sistemas por corente impressa tem sido objeto de constantes pesquisas, uma vez que a correta utilização desse tipo de sistema acarretará substancial redução na quantidade de materiaise, principalmente, na massa total do sistema. Por falta de disponibilidade de energia elétrica, os sistemas por corrente impressa não são postos em operação imediatamente a instalação da jaqueta. Devem, portanto, ser complementados por um sistema galvânico, dimensionado para operação durante o período em que o sistema por corrente impressa permanecer inativo. Em alguns casos, é comum instalar-se anodos galvânicos para proteger áreas que, devido a efeitos de blindagem elétrica, não receberão uma densidade de corrente adequada. 19.10.1 Dimensionamento Da mesma forma que nos sistemas galvânicos, o dimensionamento de um sistema por corrente impressa pode ser feito por meio de métodos numéricos de computador, ou com o auxílio das fórmulas práticas vistas no capítulo 5. Em qualquer caso, inexistem procedimentos sistematizados do tipo “receita de bolo”. Os sistemas por corente impressa apresentam uma distribuição de corrente deficiente, devido à pequena quantidade relativa de anodos utilizados e sua proximidade com a estrutura. Para compensar essa deficiência, o sistema deve ser projetado com uma capacidade de corrente entre 1,25 e 1,50 vez superior ao valor calculado para a demanda da corrente. É essencial que o projetista procure obter uma distribuição uniforme da corrente de proteção. 19.10.2 Materiais a) Retificadores Os retificadores utilizados são normalmente automáticos, de corrente ou potencial controlado, semelhantes aos utilizados para a proteção de navios. Para certas aplicações, especialmente em lâminas d’água, inferiores a 30 m, poderão ser utilizados retificadores manuais. b) Anodos Podem ser utilizados quaisquer anodos de corrente impressa compatíveis com o meio ambiente da instalação. Normalmente, os anodos mais eficientes para essa aplicação são os de nióbio, titânio ou tântalo platinizados. Em qualquer caso, é essencial que a conexão entre os anodos e os cabos elétricos seja impermeável e mecanicamente perfeita. As caracrerísticas dos principais tipos de anodos utilizados nos sistemas por corrente impressa encontram-se no capítulo 6. c) Cabos Elétricos Os cabos elétricos utilizados devem ser compatíveis para utilização no meio ambiente de instalação, não devem possuir emendas e devem ser protegidos por meio de eletrodutos. 19.11 SISTEMAS DE MONITORAÇÃO Em algumas plataformas, para permitir-se um melhor acompanhamento operacional do sistema de proteção catódica, são instalados sistemas de monitoração para os seguintes parâmetros: – potencial estrutura/meio ambiente; – potencial eletroquímico dos anodos; – corrente drenada pelos anodos galvânicos. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 161 Os anodos galvânicos selecionados para monitoramento da corrente drenada são providos de shunts de medição, que são interligados por meio de cabos elétricos a um painel de monitoração instalado no convés da plataforma. 19.12 ACOMPANHAMENTO OPERACIONAL Da mesma forma que em qualquer outro sistema de proteção catódica, é indispensável fazer- se um acompanhamento constante do sistema instalado. Os elevados custos dos trabalhos submarinos, contudo, inviabilizam a inspeção completa de todo o sistema. Deve-se estabelecer, portanto, em função das características da estrutura, do meio ambiente de instalação, da qualidade do sistema de proteção catódica e da experiência prévia com estruturas semelhantes, uma programação de inspeção. Nessa programação são determinados os pontos considerados mais críticos e que devem ser medidos periodicamente. Os dados obtidos na inspeção inicial serão úteis para a confirmação ou redefinição dos pontos considerados críticos. Os principais parâmetros medidos durante essas inspeções são os seguintes: a) desgaste dos anodos; b) potencial estrutura/solo; c) potencial dos anodos galvânicos. Foto 19.2 – Anodos galvânicos com dispositivos para monitoração. A inspeção inicial é feita após a entrada em operação do sistema de proteção catódica, para garantir que os potenciais do aço esteam dentro dos limites exigidos. Os prazos recomendados para essa inspeção são os seguintes: a) um ano, para os sistemas galvânicos; b) um mês, para os sistemas por corrente impressa. Um levantamento anual poderá ser feito por um dos seguintes métodos: a) eletrodo de referência transportado por um mergulhador; b) eletrodo de referência transportado por um veículo de controle remoto; c) eletrodo de referência transportado por um submarino; d) eletrodos de referência fixos. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 162 A seleção do método é feita em função de fatores, tais como acessibilidade, disponibilidade de equipamentos e custo. No caso de sistema por corrente impressa, os retificadores podem ser inspecionados regularmente, anotando-se os dados fornecidos pelo seu painel. Todos os dados obtidos durante as inspeções devem ser arquivados cuidadosamente. A análise desses dados permitirá detetar as eventuais falhas do sistema e fornecerá subsídios para determinar as ações corretivas cabíveis. 19.13 CONCLUSÕES Os sistemas de proteção catódica são de fundamental importância para garantir a integridade e a segurança das estruturas offshore. Os sistemas galvânicos, dada a sua confiabilidade, são os mais utilizados para a proteção das plataformas fixas de petróleo. Os sistemas por corrente impressa, contudo, poderão se tornar predominantes caso seja possível garantir-se que terão um bom desempenho, sem falhas prematuras. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 163 CAPÍTULO 20 Proteção Catódica de Pés de Torres de Linhas de Transmissão Elétrica 20.1 INTRODUÇÃO Os pés das torres das linhas de transmissão elétrica são freqüentemente construídos de aço galvanizado e estão sujeitos às mesmas condições de corrosão de outras instalações metálicas enterradas, como as adutoras, os oleodutos, os gasodutos e as tubulações de um modo geral. Quando uma tubulação é corroída, ocorrem furos nos tubos e o proprietário é imediatamente advertido da presença de problemas sérios de corrosão, permitindo providências imediatas paa os reparos necessários e a proteção catódica da linha. No caso dos pés das torres, entratanto, a primeira indicação visível da ocorrência de corrosão pode ser quando da falha de uma ou mais torres, por ocasião, por exemplo, de uma tempestade acompanhada de ventos fortes. A galvanização das estruturas de aço dos pés das torres confere, normalmente, proteção razoável contra a corrosão pelo solo por vários anos mas, quando a torres se encontra em solos altamente corrosivos, ou onde existe aterramento elétrico ou contrapeso construídos com cobre nu, a galvanização torna-se ineficiente muito antes da torre alcançar o final do seu período econômico de vida. Revestimentos adicionais (tintas) são utilizados, muitas vezes, para reduzir a corrosão pelo solo, mas estão sempre sujeitos a danos mecânicos e normalmente possuem vida curta, não resolvendo o problema. A proteção catódica com anodos galvânicos (magnésio ou zinco), ou por corrente impressa, torna-se, então, uma solução simples, econômica, prática e eficiente, eliminando a corrosão pelo solo nas partes enterradas das bases das torres. Embora a proteção catódica por anodos galvânicos, para esses casos, seja recomendada para solos com até 10.000 ohm.cm de resistividade elétrica, as experiências demonstram que a maior parte dos danos ocorre em solos com resistividade elétrica abaixo de 5.000 ohm.cm, sendo que, para locais com menos de 1.000 ohm.cm, as conseqüências são desastrosas. 20.2 ATERRAMENTO ELÉTRICO Quando as torres são aterradas com cabos elétricos de cobre, são criadas pilhas galvânicas adicionais, devido à diferença de potencial que existe entre o aço e o cobre, ou entre ozinco da galvanização e o cobre. O uso de anodos de zinco e/ou hastes de aterramento de zinco (em substituição às de cobre) proporciona, para esses casos, uma solução econômica e duradoura, evitando a corrosão do aço galvanizado enterrado. O uso de anodos (hastes) de zinco em substituição aos materiais de cobre (ou aço com revestimento de cobre) elimina as indesejáveis pilhas galvânicas causadas pelo cobre, sendo inclusive recomendável esta substituição, mesmo para os sistemas já em operação e, principalmente, quando o solo no local possui baixa resistividade elétrica. No capítulo 12 apresentamos mais algumas considerações e recomendações sobre o assunto. 20.3 INSTALAÇÃO DOS ANODOS GALVÂNICOS Os anodos galvânicos são instalados envoltos em enchimento condutor (50% de gesso hidratado e 50% de bentonita), sendo que a quantidade e dimensões dos anodos, bem como a distância entre cada anodo e a estrutura, deverão ser definidas em função das dimensões das partes enterradas das estruturas, do tratamento das superfícies (nuas, galvanizadas ou pintadas), da existência ou não de aterramento elétrico com cobre e da resistividade elétrica do solo no local. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 164 20.4 INSTALAÇÃO DE SISTEMA POR CORRENTE IMPRESSA Para a instalação de sistema por corrente impressa, torna-se necessária a existência de alimentação elétrica em baixa tensão próxima à torre, exigência que muitas vezes inviabiliza esse tipo de instalação. Os anodos inertes, de ferro-silício ou ferro-silício-cromo, para os sistemas por corrente impressa, devem ser instalados junto às torres, sendo possível a proteção de mais de uma torre a partir de um único retificador. 20.5 CONCLUSÃO Assim sendo, com o objetivo de garantir a completa segurança operacional (sob o ponto de vista da corrosão pelo solo) das linhas de transmissão de energia elétrica construídas com torres metálicas, os seguintes procedimentos devem ser adotados rotineiramente: • realizar um levantamento criterioso das resistividades elétricas do solo, ao longo do traçado da linha, principalmente nas imeditações da construção de cada uma das torres. Essas medições são realizadas com eficiência pelo “Método dos Quatro Pinos” ou “Método de Wenner”, sendo recomendável, para cada ponto, medições nas profundidades aproximadas de 1,5 m, 3,0 m e 4,5 m do nível do solo; • analisar os dados obtidos e verificar a necessidade e viabilidade técnicas de instalação do sistema de proteção catódica; • na hipótese da proteção catódica ser viável, definir a necessidade de sua utilização em todas as torres, ou somente em algumas delas, sendo que, com base ainda nas medidas de campo, o melhor sistema (galvânico ou corrente impressa) deverá ser escolhido, considerando-se os aspectos técnicos e econômicos; • para o caso da construção de novas linhas, procurar, sempre que possível, evitar a utilização de componentes de cobre interligados às estruturas de aço, principalmente se a resistividade elétrica do solo, no local, for baixa. SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 165 CAPÍTULO 21 Proteção Catódica de Armaduras de Aço de Estruturas de Concreto 21.1 INTRODUÇÃO Recentemente foi reconhecido que nem sempre o ambiente alcalino proporcionado pelo concreto é capaz de garantir ao aço nele contido proteção contra a corrosão. A carbonatação e a penetração de íons ácidos agressivos podem provocar a despassivação do aço, iniciando-se o processo de corrosão. Em alguns casos, principalmente quando ocorre a penetração ou a contaminação por íons cloreto, é impossível, na prática, fazer-se uma recuperação efetiva e permanente da estrutura afetada. As técnicas tradicionais de recuperação não passam, nesses casos, de mero paliativo, cuja aplicação terá que ser periodicamente repetida ao longo da vida útil restante da estrutura. Nosso propósito, neste capítulo, é o de apresentar uma introdução às técnicas básicas utilizadas no emprego da proteção catócida como método de prevenção da corrosão das armaduras do concreto, única técnica capaz de efetivamente deter a corrosão das armaduras provocada pela contaminação de agentes agressivos, como os íons cloreto, sulfato etc. 21.1 HISTÓRICO O emprego da proteção catódica para as estruturas de concreto esteve por muito tempo limitado aos tanques e tubulações enterrados, de concreto armado ou protendido. Para essas instalações, o esquema básico da p roteção é similar ao utilizado para as estruturas metálicas convencionais. O desenvolvimento de novas técnicas para a proteção catódica de estruturas aéreas de concreto teve início nos Estados Unidos, como única forma encontrada para controlar a corrosão das armaduras das pontes e viadutos contaminados por cloretos. Esse problema foi muito agravado no início dos anos 1960, devido à política adotada pelo FHWA (Federal High-Way Administration) de manter as pistas de rolamentos livres de gelo, por intermédio do uso intensivo de sal. As experiências iniciais com sistemas de proteção catódica para as armaduras das estruturas de concreto datam de 1958. Contudo, somente em 1973 e 1974 seriam instalados os primeiros sistemas nos Estados Unidos e Canadá, respectivamente. Esses sistemas iniciais, apesar de terem funcionado com pleno êxito, apresentavam algumas restrições de uso decorrentes do fato de serem compostos por materiais e equipamentos tradicionais de proteção catódica, adaptados de forma a contornar as restrições impostas pelo concreto. A despeito desse fato, até o final de 1984 haviam sido instalados nos Estados Unidos e Canadá, com algumas modificações, cerca de 60 desses sistemas. No final desse período sugiram novos materiais, revestimentos condutores e anodos em forma de malha expandida. Em grande parte devido ao êxito desses novos materiais, a partir dessa época a proteção catódica para as estruturas aéreas de concreto tomou ímpeto, atingindo-se a marca de 200 estruturas protegidas até 1987 e 300 até meados de 1988. Esse aumento vertiginoso no número de sistemas existentes comprova a eficácia desse emergente novo campo de aplicação da proteção catódica. 21.3 MECANISMO BÁSICO DA CORROSÃO DAS ARMADURAS NO CONCRETO Em condições normais, o concreto apresenta um pH alcalino de cerca de 12,5. Nesse ambiente, as armaduras entram em estado passivo, com uma taxa de corrosão virtualmente igual a zero. Todavia, nem sempre essa condição prevalece, pois, sob a presença de sais, normalmente cloretos, ou quando o cobrimento do concreto é carbonatado, o aço das armaduras torna-se suscetível à corrosão. Os produtos resultantes da corrosão do aço ocupam um volume de cerca de 2,2 a 10 vezes superior ao volume ocupado pelo material original. Devido a esse aumento de volume, aparecem enormes pressões, superiores a 15 Mpa, na interface entre o concreto e o aço, que, por sua vez, provocam o fissuramento do concreto. O progressivo fissuramento e lascamento SISTEMAS DE PROTEÇÃO CATÓDICA LUIZ PAULO GOMES IEC Instalações e Engenharia de Corrosão Ltda. Página 166 do concreto facilitam ainda mais a penetração de agentes agressivos e a difusão de oxigênio e de CO2, acelerando cada vez mais o processo corrosivo, processo que culminará com o colapso da estrutura. A elevada alcalinidade do concreto resulta das reações de hidratação dos silicatos de cálcio presentes no cimento. A carbonatação é o fenômeno pelo qual os hidróxidos alcalinos do cimento reagem com o dióxido de carbono e outros gases ácidos, como SO2 e H2S, presentes na atmosfera, reduzindo o pH do concreto. Caso a cobertura do concreto seja pequena, ou se o concreto não for de boa qualidade, a carbonatação atingirá as armaduras, levando à corrosão generalizada desses elementos metálicos. As taxas médias de penetração da carbonatação, observadas na prática, têm sido de cerca de 1 mm/ano,