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CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FUNDAÇÃO ASSIS GURGACZ 
CURSO DE GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA 
 
 
 
 
 
 
PATOLOGIA GERAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Me. Leandro Pivato 
Monitora Bruna Pupo 
 
 
Cascavel 
2017
Patologia geral 
Prof. Me. Leandro Pivato 
Monitora Bruna Pupo 
 
 
SUMÁRIO 
AULA 01 – INTRODUÇÃO À PATOLOGIA ........................................................................................ 3 
AULA 02 – ADAPTAÇÕES CELULARES AO ESTRESSE........................................................................ 5 
AULA 03 – LESÕES SUBLETAIS: DOENÇAS DEGENERATIVAS.......................................................... 11 
AULA 04 – LESÕES LETAIS: MORTE CELULAR ............................................................................... 20 
AULA 05 – INFLAMAÇÃO ............................................................................................................ 30 
AULA 06 – RENOVAÇÃO, REGENERAÇÃO E REPARO DE TECIDOS ................................................. 45 
AULA 07 – DISTÚRBIOS HEMODINÂMICOS.................................................................................. 54 
AULA 08 - NEOPLASIAS............................................................................................................... 66 
ESTUDOS DIRIGIDOS .................................................................................................................. 87 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................... 94 
Aula 1 – Patologia - Introdução 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
3 
AULA 1 – INTRODUÇÃO À PATOLOGIA 
 
Introdução – conceitos gerais 
 
Patologia 
Patologia é o estudo (logos) do sofrimento (pathos) ou das doenças. Ela envolve a investigação das causas da 
doença e as alterações associadas em nível de células, tecidos e órgãos, que resultam em sinais e sintomas presentes 
no paciente. Para dar o diagnóstico e orientar a terapia na prática clínica, os patologistas identificam alterações na 
aparência macro ou microscópica (morfologia) das células e tecidos, e as alterações bioquímicas nos fluidos corporais 
(como o sangue e a urina). Os patologistas também usam várias técnicas morfológicas, moleculares, microbiológicas 
e imunológicas que identificam as alterações bioquímicas, estruturais e funcionais que ocorrem nas células, nos 
tecidos e nos órgãos em resposta a lesão. Assim, pode-se definir a patologia como a “ciência que estuda a causa das 
doenças, os mecanismos que as produzem, os locais em que ocorrem e as alterações morfológicas e funcionais que 
apresentam”. 
 Compreender a patologia envolve compreender também as definições de saúde e doença. Se gundo a OMS, 
saúde é o estado de adaptação do organismo ao ambiente físico, psíquico e social, enquanto que doença pode ser 
definida como falta de adaptação ao ambiente, no qual o indivíduo se sente mal (sintomas) e/ou apresenta alterações 
orgânicas evidenciáveis (sinais). 
 
Elementos da patologia: 
 Etiologia ou causa pode ser genética (mutações, herdadas, polimorfismos) ou adquiridas (infecção, fator 
nutricional, químico ou físico). Muitas condições patológicas são multifatoriais, e surgem dos efeitos de v ários 
estímulos externos em um indivíduo geneticamente susceptível; 
 Patogenia refere-se à sequência de eventos na resposta das células ou tecidos ao agente etiológico, desde 
o estímulo inicial à expressão final da doença. Mesmo quando a causa inicial é conhecida ela está várias etapas 
distante da expressão da doença; 
 Alterações moleculares e morfológicas as alterações morfológicas referem-se às alterações estruturais nas 
células ou tecidos que são características de uma doença ou diagnósticas de um processo etiológico. A prática 
da patologia diagnóstica é devotada à identificação da natureza e progressão da doença, por meio de estudo 
das alterações morfológicas nos tecidos e alterações químicas nos pacientes. 
 Perturbações funcionais e manifestações clínicas o resultado das alterações são as anormalidades funcionais 
que levam às manifestações clínicas (sinais e sintomas) da doença, bem como sua progressão (curso clínico e 
consequência). 
 
VISÃO GERAL DAS RESPOSTAS CELULARES AO ESTRESSE E AOS ESTÍMULOS NOCIVOS 
Na prática, todas as formas de doenças começam com alterações moleculares ou estruturais nas células, 
(Virchow, sec. XIX), e por isso a patologia se preocupa em estudar as respostas celulares às injúrias. 
As células são participantes ativos em seu ambiente, ajustando constantemente sua estrutura e função para 
se adaptarem às demandas de alterações e de estresse 
extracelular. Normalmente, as células mantêm um estado 
normal chamado homeostasia, no qual o meio intracelular é 
mantido dentro de uma faixa razoavelmente estreita dos 
parâmetros fisiológicos (metabolismo, diferenciação, 
especialização, limitações com células vizinhas e disponibilidade 
de substratos metabólicos). Quando encontram um estresse 
fisiológico ou um estímulo patológico, podem sofrer uma 
adaptação – respostas estruturais e funcionais reversíveis - 
alcançando um novo estado constante, preservando sua 
viabilidade e função. As principais respostas adaptativas são 
hipertrofia, hipotrofia, atrofia, hiperplasia, hipoplasia, aplasia, 
metaplasia e displasia. 
Se a capacidade adaptativa é excedida ou se o estresse 
externo é inerentemente nocivo desde o início, desenvolve-se 
uma sequência de eventos chamada lesão celular. Dentro de 
Aula 1 – Patologia - Introdução 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
4 
certos limites, a lesão é reversível (subletal) e as células 
retornam a um estado basal estável quando o estímulo agressor 
é removido; entretanto, um estresse grave, persistente e de 
início rápido, resulta em lesão irreversível (letal) e morte das 
células afetadas. A morte celular é um dos eventos mais cruciais 
na evolução da doença em qualquer tecido ou órgão. É 
resultante de várias causas, incluindo isquemia (redução do fluxo 
sanguíneo), infecções, toxinas e reações imunes. A morte celular 
constitui também um processo essencial e normal na 
embriogênese, no desenvolvimento dos órgãos e na manutenção 
da homeostasia. 
As desordens metabólicas e as lesões subletais, quando 
crônicas, podem estar associadas a acúmulos intracelulares de 
várias substâncias. O cálcio é geralmente depositado em sítios de 
morte celular, resultando em calcificação patológica. 
A lesão celular é um processo gradativo que produz 
alterações estruturais ou morfológicas, que podem ser macro, 
micro ou submicroscópicas. As alterações submicroscópicas 
podem ser identificadas por meio de métodos bioquímicos ou 
moleculares que inferem lesão de um tecido específico. As lesões 
ocorrem em uma sucessão de eventos, cuja evolução pode 
conduzir para a morte, para a recuperação ou para a cronicidade. 
O aspecto morfológico da lesão irá variar de acordo com o 
momento em que o diagnóstico é feito, isto é, com o momento 
do exame histopatológico. 
A evolução de uma lesão depende de seus fatores 
causais. Geralmente existe um estágio inicial livre de sinais e 
sintomas, que caracteriza o período de incubação da doença. Se for o caso de uma doença infecciosa, esse período 
pode corresponder à janela imunológica, isto é, o período desde a infecção até o início da resposta imunológica contra 
o patógeno, momento que descreve a soroconversão. Em seguida, surgem sinais e sintomas que podem ser 
inespecíficos, isto é, que podem surgir em diferentes tipos de condições patológicas, como cefaleia, náuseas, vômitos, 
entre outros, período este chamado de período prodrômico. O período de estado corresponde ao momento em que 
os sinais e sintomas evidentes são característicos de uma patologiaespecífica, o que facilita o diagnóstico. A partir do 
período de estado, a condição, sendo ou não tratada, pode evoluir para a cura, com ou sem sequelas; pode cronificar, 
sofrer complicações ou ainda evoluir para a morte do paciente. Do estágio de cronicidade, em alguns casos, embora 
não seja comum, pode haver evolução para cura. O mais comum é que da fase crônica surjam complicações e estas 
favoreçam a evolução para o óbito. 
 
Aula 2 – Patologia – Adaptações celulares 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
5 
AULA 2 – ADAPTAÇÕES CELULARES AO ESTRESSE 
 
Introdução 
As adaptações são alterações reversíveis em número, tamanho, fenótipo, atividade metabólica ou das funções 
celulares em resposta às alterações no seu ambiente. Ocorrem por meio de dois tipos de alterações: estruturais e 
metabólicas. Geralmente as adaptações estão mais relacionadas às adaptações estruturais, enquanto que as 
adaptações metabólicas são mais comuns nas lesões subletais, que serão abordadas na próxima aula. 
As adaptações fisiológicas normalmente representam respostas celulares à estimulação normal pelos 
hormônios ou mediadores químicos endógenos (ex.: o aumento da mama e do útero, induzido por hormônio, durante 
a gravidez). As adaptações patológicas são respostas ao estresse que permitem às células modularem sua estrutura e 
função escapando, assim, da lesão. Tais adaptações podem ter várias formas distintas, mas geralmente estão 
relacionadas aos distúrbios de proliferação e diferenciação celulares. Embora as neoplasias caracterizem-se como um 
distúrbio de proliferação e diferenciação celular, trata-se de uma condição patológica já estabelecida e não de um 
processo adaptativo de células, portanto será estudado à parte. 
A multiplicação celular, responsável pela formação do conjunto de células que compõem os indivíduos, é 
indispensável durante o desenvolvimento normal dos organismos e necessária para repor as células que morrem após 
seu período de vida ou por processos patológicos. A diferenciação, que se refere à especialização morfológica e 
funcional das células, permite o desenvolvimento do organismo como um todo integrado. Como esses dois processos 
recebem influência de um grande número de agentes internos e externos, não é surpresa que, com certa frequência, 
surjam transtornos nos mecanismos que o controlam. 
 
Nomenclatura e classificação 
O controle da divisão e da diferenciação celular é feito por um sistema integrado e complexo que mantém a população 
celular dentro de limites fisiológicos. Alterações nesse sistema regulatório resultam em distúrbios ora do crescimento, 
ora da diferenciação, ora dos dois ao mesmo tempo. Embora uma classificação ideal não exista, apresenta-se a seguir 
uma maneira prática de agrupar os distúrbios do crescimento e da diferenciação celular. 
 Alterações do volume celular Quando uma célula sofre estímulo acima do normal, aumentando a síntese de 
seus constituintes básicos e seu volume, tem-se a hipertrofia (do gr. Hyper =excesso, além; trophos = nutrição, 
metabolismo). O aumento do volume é acompanhado de aumento das funções celulares. Ao contrário, se 
sofre agressão que resulta em diminuição da nutrição, do metabolismo e da síntese necessária para a 
renovação de suas estruturas, a célula fica com volume menor, fenômeno que recebe o nome de hipotrofia 
(do gr. hypo = pouco, sob). Alterações da taxa de divisão celular Aumento da taxa de divisão celular 
acompanhado de diferenciação normal recebe o nome de hiperplasia (do gr. plasis = formação). Ao contrário, 
diminuição da taxa de proliferação celular é chamada hipoplasia. O termo aplasia (do grego= ausência) é muito 
usado como sinônimo de hipoplasia, o que não é totalmente correio. Assim, fala-se comumente em anemia 
aplásica quando, na maioria das vezes, trata-se de anemia hipoplásica. 
 Alterações da diferenciação o celular Quando as células de um tecido modificam seu estado de diferenciação 
normal, tem-se a metaplasia (do grego meta = variação, mudança). 
 Alterações do crescimento e da diferenciação celular Se há proliferação celular e redução ou perda de 
diferenciação, fala-se em displasia (do gr. dys = imperfeito, irregular). A proliferação celular autônoma, 
geralmente acompanhada de perda de diferenciação, é chamada neoplasia (do gr. neo = novo). 
 Outros distúrbios Além das condições descritas anteriormente existem outras de posição ou conceituação 
mais imprecisas. A palavra agenesia (do gr. genesis = formação) significa uma anomalia congênita na qual um 
órgão ou uma parte dele não se forma (p.ex. agenesia renal, agenesia do septo interatrial do coração, agenesia 
de um lobo pulmonar). O termo distrofia é empregado para designar várias doenças degenerativas sistêmicas, 
genéticas ou não, como, por exemplo, as distrofias musculares. Ectopia ou heteropia (do gr. ektos = fora; 
hetero = diferente) é a presença de um tecido normal em localização anormal (p. ex., parênquima pancreático 
na parede do estômago). As hamartias são crescimentos focais, excessivos, de determinado tecido de um 
órgão. Quando formam tumores, estes são chamados hamartomas. Coristia consiste em erros locais do 
desenvolvimento em que um tecido normal de um órgão cresce em sítios onde normal mente não é 
encontrado (p. ex. proliferação de cartilagem no pulmão longe da parede brônquica). 
 
Hipertrofia 
A hipertrofia é um aumento do tamanho das células que resulta em aumento do tamanho do órgão. Em 
Aula 2 – Patologia – Adaptações celulares 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
6 
contraste, a hiperplasia é caracterizada por aumento do número de células devido à proliferação de células 
diferenciadas e substituição por células-tronco do tecido. Dito de outro modo, na hipertrofia pura não existem células 
novas, apenas células maiores, contendo quantidade aumentada de proteínas estruturais e de organelas. A hiperplasia 
é uma resposta adaptativa em células capazes de replicação, enquanto a hipertrofia ocorre quando as células possuem 
capacidade limitada de se dividir. A hipertrofia e a hiperplasia podem também ocorrer juntas e, obviamente, ambas 
resultam em órgão aumentado (hipertrófico). 
A hipertrofia pode ser fisiológica ou patológica e é causada pelo aumento da demanda funcional ou por fatores 
de crescimento ou estimulação hormonal específica. 
 Durante a gravidez, o aumento fisiológico maciço do útero ocorre como consequência da hipertrofia e 
hiperplasia do músculo liso estimulado pelo estrogênio. Ao contrário, as células musculares estriadas da 
musculatura esquelética e do coração podem sofrer apenas hipertrofia em resposta ao aumento da demanda 
porque, no adulto, elas possuem capacidade limitada de divisão. Portanto, os levantadores de peso podem 
desenvolver um físico aumentado apenas por hipertrofia de células musculares esqueléticas individuais. 
 Um exemplo de hipertrofia celular patológica é o aumento cardíaco que ocorre com hipertensão ou doença 
de valva aórtica. Os mecanismos que influenciam a hipertrofia cardíaca envolvem, pelo menos, dois tipos de 
sinais: os desencadeantes 
mecânicos, como o 
estiramento, e os 
desencadeantes tróficos, 
que tipicamente são 
mediadores solúveis que 
estimulam o crescimento 
celular, como fatores de 
crescimento (TGF-β, IGF-1, 
FGF) e agentes vasoativos 
(hormônios adrenérgicos e 
também agonistas α-
adrenérgicos, angiotensina 
II e endotelina I) atuam 
coordenadamente para 
aumentar a síntese de 
proteínas. 
 
Embora a hipertrofia geralmente se refira ao aumento em tamanho das células ou tecidos, algumas vezes uma 
organela subcelular pode sofrer hipertrofia seletiva. Ex.: indivíduos tratados com barbitúricos exibem hipertrofia do 
retículo endoplasmático liso dos hepatócitos, o que representa uma resposta adaptativa que au menta a quantidade 
de enzimas (oxidases de função mista citocromo P-450), disponíveis para detoxificardrogas. No decorrer do tempo, os 
pacientes respondem menos às drogas por causa dessa adaptação. A adaptação a uma droga pode resultar em 
aumento da capacidade de metabolizar outras drogas. A ingestão de álcool também causa hipertrofia de REL e podem 
levar a níveis reduzidos de barbitúricos disponíveis que estejam sendo utilizados ao mesmo tempo. Embora o citocromo 
P-450 esteja relacionado a detoxificação, muitas substâncias se tornam mais ativas quando metabolizadas por esse 
sistema. 
 A capacidade hipertrófica das células é limitada. Quando a massa tecidual não é capaz de compensar a 
sobrecarga por ela sofrida, pode haver rotura da membrana plasmática, com lise e extravasamento do conteúdo 
celular. Esse extravasamento pode conduzir à morte de células circunjacentes, produzindo um processo inflamatório, 
com necrose e que pode contribuir para a insuficiência do órgão. Um clássico exemplo é o infarto agudo do m iocárdio 
(IAM). 
 
Atrofia/Hipotrofia 
A diminuição do tamanho da célula, pela perda de substância celular, é conhecida como atrofia. Quando um 
número suficiente de células está envolvido, todo o tecido ou órgão diminui em tamanho, tornando-se atrófico. Assim, 
classicamente, pode-se definir atrofia ou hipotrofia como redução de um órgão ou tecido em função da redução do 
volume e do número de células (vale ressaltar que o termo está mais relacionado à redução do volume celular, mas 
alguns autores consideram que pode haver também redução do número de células; é importante lembrar ainda que 
Aula 2 – Patologia – Adaptações celulares 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
7 
alguns autores diferenciam o termo atrofia de hipotrofia, considerando o primeiro como sendo mais grave e 
acentuado que o segundo). Deve ser enfatizado que, embora as células atróficas tenham sua função diminuída, elas 
não estão mortas. Pode ser fisiológica ou patológica. 
 Atrofia fisiológica: comum durante o desenvolvimento normal – ex.: notocorda, ducto tireoglosso; a perda da 
estimulação hormonal na menopausa; involução fisiológica de órgãos, como útero pós gestação; 
 Atrofia patológica: redução da carga de trabalho – desuso (fraturas, imobilização); perda da inervação; 
diminuição do suprimento sanguíneo (cérebro: atrofia senil ; doença arterial oclusiva); nutrição inadequada 
(marasmo, caquexia); perda da estimulação endócrina; Pressão – compressão tecidual (a desnervação). 
As alterações celulares fundamentais, associadas com a atrofia, são idênticas em todos esses contextos. Elas 
representam uma retração da célula para um tamanho menor no qual a sobrevivência seja ainda possível; um novo 
equilíbrio é adquirido entre o tamanho da célula e a diminuição do suprimento sanguíneo, da nutrição ou da 
estimulação trófica. Os mecanismos da atrofia consistem em uma combinação de síntese proteica diminuída e 
degradação proteica aumentada nas células. 
 A síntese de proteínas diminui por causa da redução da atividade metabólica; 
 A degradação das proteínas celulares ocorre, principalmente, pela via ubiquitina-proteossoma. A deficiência 
de nutrientes e o desuso ativam as ligases da ubiquitina, as quais conjugam as múltiplas cópias do pequeno 
peptídeo ubiquitina às proteínas celulares e direcionam essas proteínas para a degradação nos proteossomas. 
Acredita-se que essa via seja responsável também pela proteólise acelerada observada em várias condições 
catabólicas, incluindo a caquexia associada ao câncer. 
 Em muitas situações, a atrofia é acompanhada também pelo aumento da autofagia, que resulta no aumento 
do número de vacúolos autofágicos. A autofagia (“comer a si próprio”) é o processo no qual a célula privada 
de nutrientes digere seus próprios componentes no intuito de encontrar nutrição e sobreviver. 
 
Hiperplasia 
A hiperplasia ocorre se o tecido contém populações celulares capazes de se dividir; ocorre simultaneamente 
com a hipertrofia, na maioria dos casos, e sempre em resposta ao mesmo estímulo. Caracteriza-se pelo aumento do 
número de células, resultando geralmente em aumento da massa de um órgão ou tecido. Surge como resultado da 
proliferação de células maduras induzidas por fatores de crescimento e, em alguns casos, pelo surgimento elevado de 
novas células a partir de células-tronco teciduais. Pode ser fisiológica ou patológica. Em ambas as situações, a 
proliferação celular é estimulada por fatores de crescimento que são produzidos por vários tipos celulares. 
 Hiperplasia fisiológica 
o Hiperplasia hormonal aumenta a capacidade funcional de um tecido, quando necessário 
exemplificada pela proliferação do epitélio glandular da mama feminina na puberdade e durante a 
gravidez; 
o Hiperplasia compensatória aumenta a massa tecidual após lesão ou ressecção parcial; por exemplo, 
quando o fígado é parcialmente removido, a atividade mitótica das células restantes inicia-se 12 horas 
depois, restaurando o fígado ao seu peso normal. O estímulo para a hiperplasia nesse exemplo são os 
fatores de crescimento polipeptídicos produzidos pelos hepatócitos restantes, assim como as células 
não parenquimatosas do fígado. Após a restauração da massa do fígado, a proliferação celular é 
“desligada” pelos vários inibidores de crescimento. 
 Hiperplasia patológica é causada por estimulação excessiva hormonal ou por fatores do crescimento. Por 
exemplo, após um período menstrual normal, há aumento da proliferação do epitélio uterino, que 
normalmente é estritamente regulada pela estimulação dos hormônios hipofisários, pelo estrogênio ovariano 
e pela inibição através da progesterona. Entretanto, se o equilíbrio entre estrogênio e progesterona é alterado, 
ocorre a hiperplasia do endométrio, causa comum de sangramento menstrual anormal. Outro exemplo é a 
hiperplasia prostática benigna, induzida por resposta a andrógenos. Ainda pode surgir como uma resposta a 
infecção viral (verrugas que surgem nas infecções por papiloma vírus). 
A hiperplasia não é uma condição maligna. Apesar da proliferação excessiva, ela não é descontrolada, pois não há 
mutação gênica. Em muitos casos, a hiperplasia patológica constitui um solo fértil no qual o câncer pode surgir 
posteriormente. Por exemplo, pacientes com hiperplasia do endométrio têm risco aumentado de desenvolver câncer 
endometrial. 
 
Hipoplasia/aplasia 
 Refere-se à diminuição da população celular de um tecido, órgão ou parte do corpo. Também pode ser 
Aula 2 – Patologia – Adaptações celulares 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
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fisiológica ou patológica. 
 Hipoplasia fisiológica involução fisiológica e envelhecimento; 
 Hipoplasia patológica geralmente vinculada a infecções ou por falhas patológicas de estimulação hormonal 
ou por fatores de crescimento. 
 
Metaplasia 
Metaplasia é uma alteração reversível na qual um tipo celular adulto (epitelial ou mesenquimal) é substituído 
por outro tipo celular adulto. Nesse tipo de adaptação celular, uma célula sensível a determinado estresse é substituída 
por outro tipo celular mais capaz de suportar o ambiente hostil. Acredita-se que a metaplasia surja por uma 
reprogramação de células-tronco que se diferenciam ao longo de outra via, em vez de uma alteração fenotípica 
(transdiferenciação) de células já diferenciadas. 
Mecanismos da metaplasia 
 Reprogramação de células tronco sabidamente existentes em tecidos normais, diferenciando-se ao longo de 
uma nova via; 
 Causadas por citocinas, fatores de crescimento e componentes da Matriz Extracelular (MEC) no ambiente das 
células. 
 Expressão de genes direcionando às células para uma via específica de diferenciação através de estímulos 
externos. 
 
Exemplos: 
 Metaplasia epitelial colunar para escamosa no 
trato respiratório em resposta à irritação crônica 
em fumantes. As células colunares ciliadas são 
substituídas por células escamosas estratificadas; 
 Metaplasia escamosa tambémocorre em ductos 
excretores de glândulas salivares, epitélio da 
esclera e da córnea oculares (produz manchas 
opacas chamadas manchas de Bitot, e quando há 
queratinização das manchas sobre a córnea, a 
doença é chamada de ceratomalácia), pâncreas e ductos biliares, em resposta a cálculos; 
 Metaplasia do tipo escamoso para colunar epitélio escamoso do esôfago é substituído por células colunares 
semelhantes às intestinais, sob influência de refluxo do ácido gástrico Esôfago de Barret; 
 Leucoplasia ocorre em áreas de mucosa resultante da transformação de epitélio não queratinizado em 
epitélio queratinizado; 
 Metaplasia de tecido conjuntivo transformação em tecido cartilaginoso, ósseo ou tecido adiposo. 
Obs.: as influências que predispõem à metaplasia, se persistirem, podem iniciar uma transformação maligna no epitélio 
metaplásico. 
 
Displasia 
A palavra displasia é empregada para denominar condições patológicas às vezes muito diferentes, e, por isso 
mesmo, é um termo confuso. Dentro do contexto deste capítulo, displasia é uma condição adquirida caracterizada por 
alterações do crescimento e da diferenciação celular acompanhadas de redução ou perda da diferenciação das células 
afetadas. Os exemplos mais conhecidos são as displasias epiteliais, nas quais ocorrem, em graus variados, aumento da 
proliferação celular e redução na maturação das células, que podem apresentar algumas atipias celulares e 
arquiteturais. Não raro, as displasias estão associadas a tecidos metaplásicos ou se originam neles. As mais 
importantes na prática são as displasias de mucosas, como a do colo uterino, a dos brônquios e a gástrica, pois muitas 
vezes precedem os cânceres que se formam nesses locais. Todavia, nem sempre uma displasia progride para o câncer, 
já que pode estacionar ou até mesmo regredir. A atipia mais importante nas displasias é a cariomegalia, resultante de 
alterações do conteúdo de DNA. No colo uterino, por exemplo, sabe-se que há poliploidia e, até mesmo, aneuploidia. 
Tudo isso demonstra que as displasias são processos mais complexos, nos quais há alterações na expressão 
dos genes que regulam a proliferação e a diferenciação das células de modo muito mais acentuado do que nas 
metaplasias, razão pela qual muitas delas são consideradas lesões pré-cancerosas. Muitas vezes é difícil distingui-las 
de neoplasias, inclusive pelas alterações genômicas que apresentam. Por essa razão, grupos de especialistas da OMS 
têm denominado as displasias nos epitélios de neoplasias intraepiteliais, classificadas em graus discreto, moderado 
Aula 2 – Patologia – Adaptações celulares 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
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ou acentuado, conforme a intensidade e a extensão das alterações celulares. Assim, fala-se em neoplasia intraepitelial 
cervical (NIC I, II e III), neoplasia intraepitelial vulvar (NIV), neoplasia intraepitelial da próstata (PIN) etc. Quanto mais 
grave a displasia, maior o risco de sua evolução para um câncer. 
Ao lado das condições descritas, o termo displasia é empregado também para indicar outros processos 
patológicos cuja patogênese é variada e pouco conhecida. É o caso de certos defeitos malformativos (como a displasia 
renal) ou de doenças proliferativas acompanhadas de desordens arquiteturais, como a displasia óssea. 
 
LESÕES ECONDIÇÕES PRÉ-CANCEROSAS 
É fato bem conhecido que certas lesões morfológicas ou algumas condições patológicas associam-se a maior risco de 
aparecimento de um câncer; são, por isso, conhecidas como lesões ou condições pré-cancerosas. No entanto, esses termos devem 
ser entendidos c aplicados criteriosamente, pois do contrário podem ter conotação imprecisa e incorreta. Antes de mais nada. É 
preciso ficar claro que a ideia de lesão pré-cancerosa é probabilística e estatística. Nesse sentido, chama-se de pré-cancerosa uma 
lesão que tem maior probabilidade de evoluir para o câncer do que o tecido normal onde ela se desenvolve. Subentende -se com 
isso que nem toda lesão pré-cancerosa caminha inexoravelmente para um tumor maligno. Por essa razão, deveriam ser chamadas 
mais apropriadamente lesões potencialmente cancerosas. Além disso, não se sabe ao certo quanto tempo (meses ou anos) 
transcorre entre o achado de uma dessas lesões e o aparecimento do câncer. 
As principais lesões pré-cancerosas conhecidas são as displasias e. entre estas, as do colo uterino, da mucosa gástrica, do 
epitélio brônquico, epitélio glandular da próstata e epitélio vulvar. Nesses locais, pode até ser estabelecida uma graduação de 
intensidade do processo, em que existem lesões discretas, moderadas e acentuadas. Quanto mais desenvolvida é a lesão, maior é 
a probabilidade de evoluir para o câncer e menor é o tempo gasto para ocorrer a transformação cancerosa. Além desses exemplos 
de lesões espontâneas, também na patologia experimental as displasias têm grande interesse, já que precedem muitos dos 
cânceres induzidos em animais. As mais estudadas são as lesões da pele na carcinogênese cutânea por substâncias químicas; nesse 
modelo, podem ser reconhecidas c acompanhadas todas as fases evolutivas do processo de transformação maligna, desde a 
displasia até o câncer invasor. Certas hiperplasias ou neoplasias benignas são também co nsideradas lesões pré-cancerosas, uma 
vez que podem trans formasse em neoplasia maligna. Bons exemplos são a hiperplasia do endométrio e os pólipos adenomatoses 
do intestino grosso, especialmente o adenoma viloso, que tem grande probabilidade de evoluir pa ra um adenocarcinoma. 
A regeneração hiperplásica que ocorre no fígado cirrótico também é um elemento importante no surgimento do 
carcinoma hepatocelular. Outras vezes, o indivíduo tem determinadas doenças. Algumas de natureza genética, que o tornam mais 
predisposto a desenvolver certos tipos de câncer. Trata-se de defeitos hereditários em oncogenes, em genes supressores de 
tumores ou em genes reguladores do reparo do DNA que predispõem ao câncer. São exemplos a polipose familial do cólon (câncer 
do intestino grosso), o xeroderma pigmentoso (câncer cutâneo em regiões expostas à luz solar) e o carcinoma colorretal hereditário 
não-poliposo, que serão abordados adiante quando se tratar dos cânceres hereditários e outras doenças em que há defeitos nos 
mecanismos de reparo do DNA. Nessas doenças, não se encontram, pelo menos durante certo tempo, alterações morfológicas dos 
órgãos ou setores onde se formam os tumores. São, por isso, chamadas condições pré-cancerosas. 
 
Neoplasia intraepitelial cervical: 
Grau I (baixo grau): acomete o terço 
basal das células; o tratamento é 
feito com cauterização local. Grau II 
(alto grau): acomete dois terços do 
epitélio; o tratamento é cirúrgico. 
Grau III (alto grau): acomete toda a 
extensão do epitélio, mas está 
contido no local de origem, não 
tendo ainda rompido a lâmina basal, 
e portanto não é invasivo. É 
considerado pré-câncer neste 
estágio; o tratamento é cirúrgico e 
pode requerer quimioterapia e 
radioterapia. Se tais células se 
tornarem capazes de romper a lamina basal, o quadro evolui de uma NIC pré-invasiva para um quadro de neoplasia invasiva. 
 
Resumo das adaptações celulares ao estresse 
 Hipertrofia: aumento do tamanho da célula e do órgão, sempre em resposta ao aumento da carga de trabalho; 
induzida por fatores de crescimento produzidos em resposta ao estresse mecânico ou outros estímulos; ocorre 
em tecidos incapazes de divisão celular. 
 Hiperplasia: aumento do número de células em resposta a hormônios e outros fatores de crescimento; ocorre 
em tecidos cujas células são capazes de se dividir ou que contenham abundantes células-tronco. 
Aula 2 – Patologia – Adaptações celulares 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
10 
 Atrofia: diminuição da célula e do órgão, como resultado da diminuição do suprimento de nutrientes ou por 
desuso; associada à diminuição de síntese celulare aumento da quebra proteolítica das organelas celulares. 
 Metaplasia: alteração do fenótipo em células diferenciadas, sempre em resposta a irritação crônica que torna 
as células mais capazes de suportar o estresse; geralmente induzida por via de diferenciação alterada das 
células-tronco nos tecidos; pode resultar em redução das funções ou tendência aumentada para 
transformação maligna. 
 
 
 
 
 
Aula 3 – Patologia – Lesões subletais: doenças degenerativas 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
11 
AULA 3 – LESÕES SUBLETAIS: ACÚMULOS INTRACELULARES DOENÇAS DEGENERATIVAS 
 
Introdução 
Em algumas circunstâncias, as células podem acumular quantidades anormais de várias substâncias que 
podem ser inofensivas ou associadas com vários graus de lesão. A substância pode estar localizada no citoplasma, no 
interior de organelas (tipicamente nos lisossomos) ou no núcleo, e 
pode ser sintetizada pelas células afetadas ou produzida em 
qualquer outro lugar. As substâncias armazenadas enquadram-se 
em duas categorias: constituinte normal da célula ou substância 
anormal, seja exógena ou endógena. Essas substâncias podem se 
acumular de modo transitório ou permanente. São caracterizados 
por distúrbios metabólicos que causam doenças degenerativas. 
O termo degenerações se restringe a alterações morfológicas das células, não incluindo as modificações do 
interstício. Ao lado disso, as degenerações são sempre processos reversíveis, ou seja, lesões compatíveis com a volta 
da célula â normalidade após eliminada sua causa. Por essas razões, o termo degeneração será aqui utilizado para 
indicar lesões reversíveis decorrentes de alterações bioquímicas que residiam no acúmulo de substâncias no interior 
das células. Esse conceito restringe o uso da palavra degeneração às lesões cuja característica morfológica 
fundamental é a deposição (ou acúmulo) de substâncias no interior das células. 
 
Mecanismos de acúmulo de substâncias nas células 
1. Metabolismo anormal Substância endógena normal produzida a 
taxas normais ou aumentadas, com taxa de metabolismo 
inadequada para remove-la, secundária a defeitos no mecanismo 
de empacotamento e transporte. Ex.: degeneração gordurosa do 
fígado; 
2. Defeitos no dobramento e transporte de proteínas Substância 
endógena anormal, resultante de defeitos adquiridos ou genéticos 
(geralmente produto de uma mutação) no seu dobramento, 
empacotamento, transporte e secreção. Ex.: mutações da α1-
antitripsina; 
3. Ausência de enzimas Deficiência em degradar um metabólito 
devido a defeito herdado em uma enzima. Os distúrbios 
resultantes são chamados de doenças de armazenamento; 
4. Ingestão de materiais não digeríveis Depósito e acúmulo de uma 
substância exógena anormal quando a célula não possui 
maquinaria enzimática para degradar a substância nem a 
habilidade de transportá-la para outros locais. Os acúmulos de 
partículas de carbono e sílica são exemplos desse tipo de alteração. 
 
ACÚMULO DE ÁGUA E ELETRÓLITOS: DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA 
É a lesão celular reversível caracterizada pelo acúmulo de água e 
eletrólitos no interior da célula, tornando-a tumefeita, aumentada de 
volume. É a lesão não-letal mais comum frente aos mais variados tipos de 
agressão, independentemente da natureza (física, química ou biológica) do 
agente lesivo. Alguns autores falam em edema intracelular para indicar a 
degeneração hidrópica, o que não parece muito correto, pois a palavra 
edema, exceto no tecido nervoso, é reservada para indicar acúmulo de 
líquido no interstício. 
Degeneração hidrópica é provocada por transtornos no equilíbrio hidroeletrolítico que resultam em retenção 
de eletrólitos e água nas células. O trânsito de eletrólitos através das membranas (citoplasmática e das organelas) 
depende de mecanismos de transporte feito pelos canais iônicos e pelas chamadas bombas eletrolíticas, que são 
capazes de transportar eletrólitos contra gradiente de concentração e de manter constantes as concentrações desses 
eletrólitos no interior da célula. Para seu funcionamento adequado, algumas bombas eletrolíticas dependem de 
energia na forma de ATP; outras, que não gastam ATP, dependem da estrutura da membrana e da integridade das 
Aula 3 – Patologia – Lesões subletais: doenças degenerativas 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
12 
proteínas que formam o complexo 
enzimático da bomba. Desse modo, uma 
agressão pode diminuir o funcionamento da 
bomba eletrolítica quando: (1) altera a 
produção ou o consumo de ATP; (2) interfere 
com a integridade de membranas; (3) 
modifica a atividade de uma ou mais 
moléculas que formam a bomba. 
Degeneração hidrópica, portanto, pode ser 
provocada por grande variedade de agentes lesivos: ( 1) hipoxia, desacopladores da fosforilação mitocondrial, 
inibidores da cadeia respiratória e agentes tóxicos que lesam a membrana mitocondrial, porque reduzem a produção 
de ATP; (2) hipertermia exógena ou endógena (febre), por causa do aumento do consumo de ATP; (3) toxinas com 
atividade de fosfolipase e agressões geradoras de radicais livres, que lesam diretamente a membrana; (4) substâncias 
inibidoras da ATPase Na/K dependente (é o caso da ouabaína, substância utilizada no tratamento da insuficiência 
cardíaca). Em todas essas situações, as mais diferentes causas conduzem a um fenômeno comum: retenção de sódio, 
redução de potássio e aumento da pressão osmótica intracelular, levando à entrada de água no citoplasma e expansão 
isosmótica da célula. Como as bombas eletrolíticas do REL são mais sensíveis à redução de ATP, esse é o primeiro 
compartimento a se expandir. Em seguida, expande-se o citosol, provocando certo rearranjo na distribuição das 
organelas citoplasmáticas, que, mais separadas, conferem ao citoplasma o aspecto granuloso visto ao MO; a dilatação das 
cisternas dos retículos granular e liso e o grande acúmulo de água no citosol é que conferem o aspecto vacuolar 
característico da lesão. 
A degeneração hidrópica é um processo reversível; suprimida a causa, as células voltam ao aspecto normal. 
Quase sempre, ela não traz consequências funcionais muito sérias, a não ser que seja muito intensa. Nos hepatócitos, 
por exemplo, degeneração hidrópica intensa do tipo baloniforme pode produzir alterações funcionais no órgão, mas 
insuficiência hepática por lesão exclusivamente do tipo degenerativa é muito rara. 
 
ACÚMULO DE LIPÍDEOS: 
Os principais lipídeos que se acumulam são o 
colesterol e o triglicerídeo. Os níveis normais de 
triglicerídeos plasmáticos estão próximos de 150 
mg/dL (jejum). Os níveis de colesterol giram em 
torno de 180 mg/dL (menos de 200 mg/dL) no jejum. 
As doenças de deposição lipídica se dividem em dois 
grupos: esteatose (acúmulo de gorduras neutras, 
como glicerídeos) lipidoses (acúmulo de colesterol e 
seus ésteres). 
 
Esteatose ou degeneração gordurosa 
A degeneração gordurosa refere-se a qualquer acúmulo anormal de triglicerídeos (ou outras gorduras neutras, 
como mono e diacilglicerois) dentro das células do parênquima de um órgão, que normalmente não armazenam 
gordura. Com frequência é observada no fígado porque ele é o principal órgão envolvido no metabolismo da gordura, 
mas ocorre também no coração, no músculo esquelético, no rim e no pâncreas. A esteatose pode ser causada fatores 
que interferem no metabolismo dos ácidos graxos, aumentando sua síntese ou dificultando sua degradação, como 
toxinas (álcool, hepatotoxina que altera as funções mitocondriais e microssômicas, levando ao aumento da síntese e 
redução da degradação de lipídeos), desnutrição proteica (inibe a produção de apoproteinas e aumenta a mobilização 
de gorduras periféricas), diabetes melitus, obesidade e anóxia (impede oxidação lipídica). Nas nações industrializadas, 
as causas mais comuns da degeneração gordurosa do fígado (fígado gorduroso) são o abuso de álcool e o diabetes 
associado à obesidade.Em condições normais, os hepatócitos retiram da circulação ácidos graxos e triglicerídeos provenientes da 
absorção intestinal e da lipólise no tecido adiposo. Ácidos graxos são utilizados para a síntese de colesterol e seus 
ésteres, síntese de lipídeos complexos ou de glicerídeos, formação de lipoproteínas, geração de energia por meio da 
beta-oxidação e a formação de corpos cetônicos. 
O etanol é a causa mais conhecida e estudada da esteatose hepática. No fígado, o álcool é metabolizado por 
três vias: via da álcool desidrogenase (no citosol, o etanol é oxidado a acetaldeído, e em seguida a ácido acético); a via 
Aula 3 – Patologia – Lesões subletais: doenças degenerativas 
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microssomal, por meio do citocromo, sobretudo o citocromo P450 (CYP2E1) e a via da catalase, nos peroxissomos. O 
produto sempre será o acetaldeído, o qual é convertido em ácido acético. Como as vias de degradação do álcool são 
oxidativas, ocorre uma grande transformação de NAD+ em NADH, reduzindo a disponibilidade de NAD para oxidar o 
ácido acético pelo ciclo de Krebs, e aumentando a disponibilidade de NADH, agente redutor que contribui para a 
utilização do ácido acético na biossíntese de ácidos graxos. 
 
 Significado da esteatose depende da causa e da gravidade do acúmulo. Se leve, pode não afetar a função 
celular. Se acentuada, pode comprometer a função celular e até levar a morte celular; 
 O acúmulo excessivo de 
triglicerídeos dentro do fígado pode 
resultar da entrada excessiva ou de 
defeitos de metabolismo e 
exportação de lipídeos. 
 A morfologia geralmente se 
apresenta com o órgão aumentado 
de volume (aumento de peso e 
volume) e progressivamente 
amarelado (alteração na cor, com 
gotículas gordurosas visíveis a olho 
nu). Na microscopia são vistos 
vacúolos claros no citoplasma 
(áreas ocupadas por gordura, que 
são lavadas no processo de preparo 
de lâminas histopatológicas); 
células adjacentes podem coalescer 
formando grandes vacúolos 
chamados de cistos gordurosos. 
 
Colesterol e ésteres de colesterol: 
O metabolismo celular do colesterol é estreitamente regulado para assegurar a síntese normal de membranas 
celulares sem acúmulo intracelular significativo. Entretanto, as células fagocíticas podem tornar-se sobrecarregadas 
com lipídios (triglicerídeos, colesterol e ésteres de colesterol) em vários processos patológicos diferentes. Deles, a 
aterosclerose é o mais importante. Os acúmulos são manifestados por vacúolos intracelulares. 
 
Aterosclerose 
 É uma doença caracterizada pelo depósito de colesterol dentro da túnica íntima das artérias (vacúolos lipídicos 
de colesterol e ésteres de colesterol); 
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 Lesões endoteliais, por múltiplas causas (hipertensão arterial, tabagismo, hiperlipidemia, toxinas, vírus, 
reações imunológicas, disfunção do endotélio); favorecem a infiltração de colesterol e seus ésteres no interior 
da túnica íntima arterial, seguida de reação inflamatória, isto é, entrada de células de defesa, como 
macrófagos, neste local. Células musculares lisas da túnica média migram para a íntima, onde proliferam e 
sintetizam matriz extracelular; 
 Macrófagos e células musculares lisas fagocitam as gorduras, ficando vacuolizadas, e passam a ser chamadas 
de células espumosas. As células lisas também proliferam e sintetizam matriz extracelular, criando uma 
cápsula fibrosa sobre as células espumosas Tais células espumosas e agregados dessas células na íntima 
produzem os ateromas, recobertos por uma reação fibroproliferativa, amarelos carregados de colesterol. 
Algumas dessas células cheias de gordura se rompem liberando lipídeos no espaço extracelular. 
 
 
 
 
Xantomas 
 Aglomerados de células espumosas encontrados no tecido subepitelial da pele e em tendões (nas pálpebras: 
xantelasmas); 
 
Arteriosclerose 
 Colesterol e seus ésteres e outros l ipídeos e proteínas plasmáticas podem depositar-se também na íntima de 
pequenas artérias e arteríolas, especialmente no rim de indivíduos com hipertensão arterial. O processo é 
bem diferente da aterosclerose, pois os lipídeos depositados, originários do pl asma, associam-se a proteínas, 
formando o que se denomina lipo-hialinose da íntima. Os depósitos associam-se a outras alterações da íntima 
recebendo o conjunto de lesões, esta denominação. 
 
Colesterolose: 
 Acúmulos focais de macrófagos cheios de colesterol na lâmina própria da vesícula biliar; 
 
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Doença de Niemann-Pick 
 Depósito lisossômico, causado por mutações que afetam uma enzima envolvida no transporte do colesterol, 
resultando em acúmulo em múltiplos órgãos. À microscopia óptica, podem ter aparência amorf a, fibrilar ou 
cristalina. 
 
ACÚMULO DE PROTEÍNAS 
 Os acúmulos intracelulares de proteínas geralmente aparecem como gotículas eosinofílicas arredondadas, 
vacúolos ou agregados no citoplasma. 
Os acúmulos de proteína morfologicamente visíveis são muito menos comuns que os acúmulos de lipídios; 
podem ocorrer porque os excessos são apresentados às células ou porque as células sintetizam quantidades 
excessivas. 
Os excessos de proteínas suficientes para gerar acúmulo intracelular têm diversas causas: 
 Gotículas de reabsorção túbulos renais proximais: proteinúria maciça causa acúmulo de gotículas hialinas 
de coloração rosa (é um processo reversível); no rim, por exemplo, quantidades mínimas de albumina filtradas 
pelo glomérulo são normalmente reabsorvidas por pinocitose nos túbulos contorcidos proximais. Entretanto, 
em distúrbios com extravasamento maciço de proteína através do filtro glomerular (ex.: na síndrome 
nefrótica), ocorre reabsorção muito maior de proteína, e as vesículas contendo essa proteína se acumulam, 
resultando na aparência histológica de gotículas citoplasmáticas hialinas róseas. O processo é reversível; se a 
proteinúria diminuir, as gotículas de proteína são metabolizadas e desaparecem. 
o Proteínas normalmente secretadas produzidas em excesso como por exemplo o acentuado 
acúmulo de imunoglobulinas recentemente sintetizadas, que pode ocorrer no RER de alguns 
plasmócitos, formando os corpúsculos de Russell, redondos e eosinofílicos (degeneração hialina no 
epitélio tubular renal por endocitose excessiva de proteínas, decorrentes de inflamações agudas por 
infecção); 
o Secreção defeituosa de proteínas fundamentais dobramento lento e acúmulo de intermediários. 
Ex.: α-1-antitripsina mutações desta proteína tornam o dobramento significativamente lento, 
levando ao acúmulo de intermediários parcialmente dobrados, que se agregam no RE do fígado e não 
são secretados. A resultante deficiência da enzima circulante causa enfisema. Em muitas dessas 
doenças, a patologia resulta não apenas da perda da função da proteína, mas também do estresse do 
RE causado por proteínas anormalmente dobradas, culminando em morte apoptóticas das células. 
o Acúmulo de proteínas citoesqueléticas os acúmulos de filamentos de queratina e neurofilamentos 
estão associados com certos tipos de lesão celular. Nas células hepáticas, o hialino alcoólico é uma 
inclusão citoplasmática eosinofílica, característica de doença hepática alcoólica e é composto 
principalmente por queratina (corpúsculos de Mallory); os emaranhados neurofibrilares encontrados 
nos neurônios na doença de Alzheimer contém neurofilamentos e outras proteínas (Tau). 
o Agregação de proteínas anormais As proteínas anormais ou anormalmente dobradas podem se 
depositar nos tecidos e interferir com as funções normais. Os depósitos podem ser intra ou 
extracelulares, ou ambos, e os agregados podem causar direta ou indiretamente, as alterações 
patológicas. Certas formasde amiloidose se enquadram nessa categoria de doenças. Esses distúrbios 
são algumas vezes chamados de proteínopatias ou doenças de agregação proteica. 
 
Degeneração mucoide: 
 Sob essa denominação são conhecidas duas condições: hiperprodução de muco por células mucíparas dos 
tratos digestório e respiratório, levando-as a se abarrotar de glicoproteínas (mucina), podendo inclusive causar morte 
celular, e síntese exagerada de mucinas em adenomas e adenocarcinomas, as quais geralmente extravasam para o 
interstício e lhe conferem aspecto de tecido mucoide. 
 
Degeneração hialina: 
 O termo hialino geralmente refere-se a uma alteração dentro das células ou no espaço extracelular que 
confere uma aparência rósea, vítrea e homogênea, em secções histológicas rotineiras, coradas com hematoxilina e 
eosina. Gotículas de reabsorção, corpúsculos de Russell e hialino alcoólico são exemplos de depósitos hialinos 
intracelulares. Os hialinos extracelulares são caracterizados por fibrose, com depósito de colágeno em cicatrizes 
antigas; na hipertensão e diabetes, as paredes das arteríolas tornam-se hialinizadas devido à proteína plasmática 
extravasada e ao depósito de material da membrana basal. 
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 Pode resultar da condensação de filamentos intermediários e proteínas associadas que formam corpúsculos 
no interior das células (doença de Alzheimer), material de origem viral (hidrofobia), ou por proteínas endocitadas. 
 Alteração morfológica causada por uma variedade de alterações; 
 Não representa padrão específico de acúmulo; 
 Qualquer depósito que apresenta uma aparência homogênea, rósea, em cortes histológicos corados por HE. 
 
ACÚMULO DE CARBOIDRATOS 
Glicogênio 
 Comumente armazenado com uma fonte imediata de energia; 
 Depósitos intracelulares em excesso são visualizados em anormalidades chamadas glicogenoses (acúmulo 
maciço, causando lesão e morte celular) e no diabetes melitus (glicogênio encontrado nas células epiteliais 
dos túbulos renais, bem como dentro das células hepáticas, células beta das ilhotas pancreáticas e células 
miocárdicas) anormalidades no metabolismo da glicose ou do glicogênio. A massa de glicogênio aparece 
como vacúolos claros dentro do citoplasma; 
 Glicogenoses são doenças genéticas caracterizadas por acúmulo de glicogênio em células do fígado, rins, 
músculos esqueléticos e coração e que tem como causa deficiência de enzimas que atuam no processo de sua 
degradação. Os depósitos podem ser intralisossômicos ou citosólicos. 
 
Mucopolissacarídeos 
 Depósitos anormais de poliglicanos ou proteoglicanos ocorrem, e resultam de deficiências enzimáticas. 
Caracterizam-se por acúmulos intralisossômicos. Acarretam em anormalidades esqueléticas, vasculares, 
cardíacas, opacidade da córnea e retardo mental 
 
PIGMENTOS 
 A hiperpigmentação ou depósito de pigmentos pode ocorrer por depósito de pigmentos endógenos, como 
melanina, ou exógena, como poeira de carvão. 
 
 Pigmentos exógenos: 
o Carbono ou poeira de carvão macrófagos alveolares assimilam a poeira de carvão, e transportam 
através dos canais linfáticos para linfonodos regionais na região traqueobrônquica. O acúmulo desse 
pigmento escurece os tecidos dos pulmões antracose. 
 Nos mineradores de carvão, os agregados de poeira podem induzir uma reação 
fibroproliferativa ou até mesmo enfisema, e causar pneumoconiose dos mineradores. 
o Pigmentos da tatuagem fagocitados pelos macrófagos permanecendo pelo resto da vida celular. 
 
 Pigmentos endógenos: 
o Liposfuscina também chamado lipocromo ou pigmento de desgaste; pigmento pardo desencadeado pela 
senescência das células (atrofia parda); composta de polímeros de lipídeos e fosfolipídeos formando 
complexos com proteínas, sugerindo que é derivada da Peroxidação dos lipídeos poli -insaturados das 
membranas subcelulares. Logo, sinalizam lesão por radicais livres. Observado em células sofrendo alte rações 
regressivas lentas e é particularmente proeminente no fígado e coração de pacientes que estão envelhecendo 
ou naqueles com desnutrição grave e caquexia do câncer. 
o Melanina pigmento escuro, preto-acastanhado produzido nos melanócitos; excesso de melanina pode 
causar melasmas, cloasmas, efélides, etc. 
o Bilirrubina precursor da bile, e resultante do metabolismo da hemoglobina. Após a remoção do ferro, a 
fração heme é convertida em biliverdina e depois em bilirrubina (o ferro liberado é incorporado à t ransferina 
e depois à apoferritina). A bilirrubina é transportada ao fígado pela albumina, e lá é conjugada ao ácido 
glicurônico para formar glicuronato de bilirrubina, importante componente da bile. Seu acúmulo causa 
icterícia. Crianças que possuem hiperbilirrubinemia idiopática podem sofrer depósito irreversível de bilirrubina 
no encéfalo, causando uma doença degenerativa chamada Kernicterus, que causa retardo mental. Obstrução 
do colédoco também causa icterícia. 
 Obs: a bile lançada no duodeno é convertida em estercobilinogênio no intestino grosso, o qual 
é eliminado em 50% nas fezes, e reabsorvido em 50%. A fração reabsorvida é convertida em 
urobilinogênio nos rins, e excretado na urina. 
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o Hemossiderina pigmento granular ou cristalino, amarelo ou 
castanho dourado, derivado da hemoglobina. O ferro é 
normalmente transportado por proteínas transferrinas. Nas 
células, é armazenado em associação com a apoferritina, para 
formar micelas de ferritina. Quando há um excesso local ou 
sistêmico de ferro, a ferritina forma grânulos de hemossiderina. 
Sob condições normais, pequenas quantidades de hemossiderina 
podem ser observadas em fagócitos mononucleares da medula 
óssea, baço e fígado, que são ativamente dedicados à degradação 
de eritrócitos. Seu acúmulo leva à hemossiderose. Esta patologia 
pode evoluir para hemocromatose secundária (secundária para 
distinguir da forma genética, chamada hemocromatose 
hereditária ou primária, que se caracteriza por depósitos 
anormais de ferro, podendo comprometer a funcionalidade de 
órgãos parenquimatosos e coração). 
 
 
 
 
 
 
 
CALCIFICAÇÃO PATOLÓGICA 
A calcificação patológica é um processo comum em uma ampla variedade de doenças; implica o depósito 
anormal de sais de cálcio, em combinação com pequenas quantidades de ferro, magnésio e outros minerais. Quando 
o depósito ocorre em tecidos mortos ou que estão morrendo, é chamado de calcificação distrófica, que ocorre na 
ausência de perturbações metabólicas do cálcio (isto é, com níveis séricos normais de cálcio). Ao contrário, o depósito 
de sais de cálcio em tecidos normais é conhecido como calcificação metastática e quase sempre reflete hipercalcemia 
secundária à algum distúrbio no metabolismo do cálcio. Deve ser notado que, apesar de a hipercalcemia não ser um 
pré-requisito para a calcificação distrófica, ela pode exacerbá-la. 
Em RX aparece radiopaco, como manchas brancas. No ultrassom (ecografia) pode aparecer como manchas 
brancas (hiperecogênicas) mas não se pode afirmar que é calcificação. O RX é mais confiável. 
 
Ocorre em duas formas: 
 Calcificação distrófica Surge em tecidos não viáveis na presença de níveis séricos normais de cálcio (tecidos 
necróticos, ou com lesão progressiva). A calcificação distrófica é encontrada em áreas de necrose de qualquer 
tipo. Virtualmente, é inevitável nos ateromas da aterosclerose avançada, associada a lesão da túnica íntima 
da aorta e das grandes artérias, e caracterizada pelo acúmulo de lipídeos. A iniciação da calcificação 
intracelular ocorre nas mitocôndrias de células mortas ou que estão morrendo e que tenham perdido sua 
habilidade de regular o cálcio intracelular. Qualquer que seja o local do depósito, os sais decálcio aparecem 
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macroscopicamente como grânulos ou grumos finos brancos, muitas vezes palpáveis como depósitos 
arenosos. A aquisição progressiva de camadas externas cria configurações lamelares chamadas de corpúsculos 
de psamoma. Os acúmulos podem ocorrer intra e extracelularmente. 
 Calcificação mestastática ocorre em tecidos viáveis em casos de hipercalcemia. Podem estar presentes em 
todo o corpo. Em geral não apresentam significado clínico, exceto em grandes deposições renais e 
pulmonares. Resulta da hipercalcemia que tem quatro causas principais: 
o Aumento da secreção de paratormônio devido a tumores primários das paratireoides ou à produção 
de proteína relacionada ao paratormônio por outros tumores malignos; 
o Destruição óssea devida aos efeitos do turnover ósseo acelerado (ex.: doença de Paget), imobilização 
ou tumores (aumento do catabolismo ósseo decorrente de mieloma múltiplo, leucemia ou metástases 
esqueléticas difusas); 
o Distúrbios relacionados à vitamina D, incluindo a intoxicação por vitamina D e sarcoidose (na qual os 
macrófagos ativam um precursor da vitamina D) e hipercalcemia idiopática da lactância (Síndrome de 
Williams) caracterizada por sensibilidade anormal à vitamina D; 
o Insuficiência renal, na qual a retenção de fosfato leva ao hiperparatireoidismo secundário. 
 
Cálculos 
A palavra cálculo é utilizada para designar massas sólidas, esféricas, ovais ou facetadas, compactas, de 
consistência argilosa a pétrea, que se formam em certos órgãos, particularmente vesícula biliar e rins. A origem do 
termo é latina, significando seixos ou pedras, que, em tempos antigos, eram usados para fazer cálculos aritméticos. A 
designação popular "pedra" na vesícula ou nos rins tem o mesmo significado. O termo litíase, também sinônimo, 
quando empregado como sufixo ao nome do órgão afetado, serve para indicar condições específicas: nefrolitíase (rim), 
colelitíase (vesícula biliar), coledocolitíase (colédoco), sialolitíase (glândula salivar). 
A composição dos cálculos varia de acordo com o órgão. Na vesícula biliar, formam-se a partir de modificações 
na compo-sição da bile, sobretudo saturação de um de seus componentes, o que possibilita a precipitação de frações 
insolúveis, em geral em torno de um núcleo orgânico (células descamadas, bactérias ou o próprio muco). Os cálculos 
biliares podem ser únicos ou múltiplos, puros ou mistos, com proporções variáveis de colesterol, bilirrubinato, sais 
orgânicos e inorgânicos de cálcio e sais biliares. Em geral, são radiolúcidos; ultrassonografia é o método de escolha 
para sua detecção. Quando se impactam no colo da vesícula ou em outro ponto das vias biliares, os cálculos podem 
causar obstrução. Se a obstrução ocorrer abaixo da união com o ducto pancreático, pode causar pancreatite aguda. 
Nos rins a composição destes é variável, dadas as próprias características químicas da urina. A maioria dos 
cálculos renais é formada por cálcio, estando o oxalato de cálcio e o fosfato de cálcio envolvidos em 80% dos casos. 
Como em geral os cálculos são radiopacos, radiografia simples possibilita sua detecção. 
Podem localiza-se nos cálices, na pelve renal, no ureter (região proximal, média ou distal) ou na bexiga (cálculo 
vesical). Dependendo do tamanho, é possível a passagem do cálculo pelas vias urinárias e, portanto, sua eliminação. 
Cólica renal, manifestação dolorosa típica da nefrolitíase, está rela-cionada com a impactação do cálculo no trato 
urinário. A formação de cálculos renais parece dar-se por meio de três mecanismos: (1) os cálculos formam-se 
aderidos à super-fície da papila renal, em sítios de placas intersticiais de apatita, denominadas placas de Randall - é o 
que parece ocorrer em indivíduos com propensão idiopática à formação de cálculos; (2) cálculos formados em tampões 
calcários aderidos às saídas dos duetos coletores, como ocorre em casos de hiperoxalúria e acidose tubular distal; (3) 
cálculos formados livres na urina em solução no sistema coletor, como, por exemplo na ci stinúria. 
Em sialolitíases, concreções sólidas formam-se nos ductos de glândulas salivares. Na maioria dos casos, a 
formação do cálculo parece relacionada com sialadenite crônica obstrutiva. Estagnação de secreções ricas em cálcio 
ocasiona a precipita-ção luminal, possivelmente em torno de partículas de muco ou de células degeneradas, formando 
sialólitos. 
 
ENVELHECIMENTO CELULAR 
 Com o aumento da idade, alterações degenerativas afetam a estrutura e a função de todos os sistemas 
orgânicos. O ritmo e a gravidade destas alterações são influenciados por fatores genéticos, hábitos alimentares, 
condições sociais e influência de comorbidades – aterosclerose, diabetes melitus, osteoartrite, dentre várias outras. 
 O envelhecimento reflete o acúmulo progressivo de lesões subletais celulares e moleculares, ocasionando por 
influências genéticas e exógenas. Acarreta morte celular e diminuição da capacidade de resposta celular às lesões. 
 Senescência célula refere-se ao conceito de que as células possuem capacidade limitada de replicação. O 
encurtamento do telômero é um dos principais mecanismos de senescência celular. À medida que as células 
Aula 3 – Patologia – Lesões subletais: doenças degenerativas 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
19 
repetidamente se dividem, os telômeros se tornam progressivamente mais curtos. Como os telômeros se encurtam, 
as extremidades dos cromossomos não podem ser protegidas e são vistas como DNA quebrado, que ativa a resposta 
de lesão de DNA e sinaliza para as células a interrupção do ciclo celular. 
A telomerase é um complexo de enzimas e RNA, que mantém o comprimento dos Telômeros. Utilizam seu 
próprio RNA como modelo para a adição de nucleotídeos às extremidades do cromossomo, mantendo o comprimento 
do telômero. Está presente em células germinativas e em células-tronco. Geralmente não se detectam em células 
somáticas. Assim, quando células somáticas se dividem, sofrem encurtamento do telômero e saem do ciclo celular. 
 Em células cancerosas, a telomerase frequentemente é reativada, dando consistência à noção de que o 
alongamento dos telômeros pode proporcionar imortalidade celular. 
 As espécies reativas de oxigênio modificam de forma covalente as proteínas, lipídeos e ácidos nucleicos, 
acarretando uma variedade de rupturas. A quantidade acumulativa de dano oxidativo aumenta com a idade. A 
diminuição das defesas antioxidantes, contribuem para a senescência celular e estão correlacionadas com um período 
de vida mais curto do organismo. 
 O reconhecimento e o reparo do DNA lesado também exercem papel importante como contrapeso ao 
envelhecimento celular. O equilíbrio entre lesão metabólica cumulativa e a resposta à lesão determina a taxa na qual 
envelhecemos. 
 O envelhecimento pode ser retardado 
pelo decréscimo de acúmulo de lesões ou pelo 
aumento das respostas a lesões. Estudos em 
modelos experimentais sugerem que a forma 
mais eficaz de prolongar o tempo de vida é a 
restrição calórica, provavelmente ligada à sua 
capacidade de promover a atividade das 
sirtruínas, uma família de proteínas que 
aumenta a atividade metabólica, reduze a 
apoptose, estimula o dobramento das 
proteínas e inibe os efeitos nocivos dos 
radicais livres do oxigênio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aula 4 – Patologia – Lesões letais: morte celular 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
20 
AULA 4 – LESÕES LETAIS: MORTE CELULAR 
 
Introdução 
A lesão celular ocorre quando as células são estressadas tão excessivamente que não são mais capazes de se 
adaptar ou quando são expostas a agentes lesivos ou são prejudicadas por anomalias intrínsecas (p. ex., no DNA ou 
nas proteínas). Os diferentes estímulos lesivos afetam muitas vias metabólicas e organelas celulares. A lesãopode 
progredir de um estágio reversível e culminar em morte celular. 
 Lesão celular reversível Nos estágios iniciais ou nas formas leves de lesão, as alterações morfológicas e 
funcionais são reversíveis se o estímulo nocivo for removido. Nesse estágio, embora existam anomalias 
estruturais e funcionais significativas, a lesão ainda não progrediu para um dano severo à membrana e 
dissolução nuclear. 
 
Marcos da Lesão Celular Reversível: 
 Redução da fosforilação oxidativa, diminuição de ATP interfere na funcionalidade da bomba de sódio e 
potássio; 
 Tumefação Celular alteração na concentração dos íons e influxo de água (por consequência da falha de 
funcionamento da bomba de sódio e potássio). 
 Morte celular Com a persistência do dano, a lesão torna-se irreversível e com o tempo a célula não pode se 
recuperar e morre. 
 
Causas da lesão celular: 
Privação de Oxigênio 
A hipóxia, ou deficiência de oxigênio, interfere com a respiração aeróbica oxidativa e constitui uma causa 
comum e extremamente importante de lesão e morte celulares. A baixa oxigenação pode levar à depleção do ATP e 
interferir com os processos ativos celulares, principalmente o funcionamento da bomba de sódio e potássio. 
 A hipóxia pode ser distinguida da isquemia, que é a perda do suprimento sanguíneo em um tecido devido ao 
impedimento do fluxo arterial ou à redução da drenagem venosa. Enquanto a isquemia é a causa mais comum de 
hipóxia, a deficiência de oxigênio pode resultar também da oxigenação inadequada do sangue, devido à insuficiência 
cardiorrespiratória ou como na pneumonia, ou por redução da capacidade do sangue em transportar oxigênio, como 
na anemia ou envenenamento por monóxido de carbono (CO forma um complexo estável com a hemoglobina que 
impede a ligação ao oxigênio) ou grave perda sanguínea (hemorragia). 
 Isquemia parcial hipóxia adaptação (atrofia) ou lesão reversível; 
 Isquemia total anóxia morte celular. 
 
Agentes Químicos 
Enorme número de substâncias químicas que podem lesar as células é amplamente conhecido; mesmo 
substâncias inócuas, como glicose, o sal ou mesmo água, se absorvidas ou administradas em excesso podem perturbar 
o ambiente osmótico, resultando em lesão ou morte celular. Os agentes comumente conhecidos como venenos 
causam severos danos em nível celular por alterarem a permeabilidade da membrana, a homeostasia osmótica ou a 
integridade de uma enzima ou cofator. A exposição a esses venenos pode culminar em morte de todo o organismo. 
Outros agentes potencialmente tóxicos são encontrados diariamente no nosso ambiente; eles incluem poluentes do 
ar, inseticidas, CO, asbesto e os “estímulos” sociais, como o álcool. Mesmo as drogas terapêuticas podem causar lesão 
à célula ou ao tecido em paciente suscetível ou se usadas de modo excessivo ou inapropriado. Até mesmo o oxigênio 
em altas pressões parciais é tóxico. 
 
Agentes Infecciosos 
Esses agentes variam desde vírus submicroscópicos a tênias grandes; entre eles estão as riquétsias, as 
bactérias, os fungos e os protozoários. Há diversas maneiras pelas quais os patógenos infecciosos causam lesão. 
 
Reações Imunológicas 
Embora o sistema imune defenda o corpo contra micróbios patogênicos, as reações imunes podem também 
resultar em lesão à célula ou ao tecido. Os exemplos incluem as reações autoimunes contra os próprios tecidos e as 
reações alérgicas e inflamatórias contra substâncias ambientais, em indivíduos geneticamente suscetíveis. 
 
Aula 4 – Patologia – Lesões letais: morte celular 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
21 
Fatores Genéticos 
As anomalias genéticas resultam em alterações patológicas tão grosseiras como nas malformações congênitas 
associadas com a síndrome de Down ou tão sutis como a substituição de um único aminoácido na hemoglobina S 
originando a anemia falciforme. Os defeitos genéticos causam lesão celular por causa da deficiência de proteínas 
funcionais, como os defeitos enzimáticos nos erros inatos do metabolismo ou a acumulação de DNA danificado ou 
proteínas mal dobradas, ambos disparando a morte celular quando são irreparáveis. As variações genéticas 
(polimorfismos) podem influenciar também a suscetibilidade das células a lesão por substâncias químicas e outras 
lesões ambientais. 
 
Desequilíbrios Nutricionais 
As deficiências nutricionais permanecem como as principais causas de lesão celular. As deficiências proteico-
calóricas entre as populações desfavorecidas é o exemplo mais óbvio; as deficiências de vitaminas específicas não são 
incomuns, mesmo em países desenvolvidos com alto padrão de vida. Ironicamente, os excessos nutricionais são 
também causas importantes de morbidade e mortalidade; por exemplo, a obesidade aumenta consideravelmente o 
risco para diabetes melitus tipo 2. Além disso, as dietas ricas em gordura animal estão fortemente implicadas no 
desenvolvimento da aterosclerose, como também na vulnerabilidade aumentada a muitas desordens, incluindo o 
câncer. 
 
Agentes Físicos 
O trauma, os extremos de temperatura, a radiação, o choque elétrico e as alterações bruscas na pressão 
atmosférica exercem profundos efeitos nas células. 
 
Envelhecimento 
A senescência celular leva a alterações nas habilidades replicativas e de reparo das células e tecidos. Essas 
alterações levam à diminuição da capacidade de responder ao dano e, finalmente, à morte das células e do organismo. 
 
MECANISMOS DE LESÃO CELULAR 
Os mecanismos biológicos que ligam determinada lesão com as manifestações celulares e tissulares 
resultantes são complexos, interconectados e intimamente intercombinados com muitas vias metabólicas 
intracelulares. 
 
Principios gerais 
 A resposta celular ao estímulo nocivo depende do tipo de lesão, sua duração e sua gravidade. Assim, pequenas 
doses de toxina ou breves períodos de isquemia podem levar a lesão celular reversível, enquanto altas doses 
de toxina ou isquemia mais prolongada podem resultar em lesão celular irreversível e morte celular. 
 As consequências de um estímulo nocivo dependem do tipo, status, adaptabilidade e fenótipo genético da 
célula lesada. A mesma lesão gera diferentes resultados dependendo do tipo celular; O estado nutricional ou 
hormonal também pode ser importante; A diversidade geneticamente programada nas vias metabólicas 
também contribui para as diferentes respostas aos estímulos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mecanismos bioquímicos 
Depleção de ATP 
As principais causas de depleção de ATP são a redução do suprimento de oxigênio e nutrientes, o dano 
mitocondrial e as ações de algumas toxinas (ex.: cianeto). Os tecidos com maior capacidade glicolítica (como o fígado) 
são capazes de sobreviver melhor à perda de oxigênio e ao decréscimo de fosforilação oxidativa do que os tecidos 
Aula 4 – Patologia – Lesões letais: morte celular 
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com capacidade limitada para a glicólise (ex.: o cérebro). O fosfato 
de alta energia, na forma de ATP, é necessário para virtualmente 
todos os processos de síntese e degradação dentro da célula, 
incluindo o transporte de membrana, a síntese de proteínas, a 
lipogênese e as reações de diacilação-reacilação, necessárias para a 
renovação dos fosfolipídios. 
A atividade da bomba de sódio na membrana plasmática 
dependente de ATP é reduzida, resultando em acúmulo intracelular 
de sódio e efluxo de potássio. O ganho final de soluto é 
acompanhado por um ganho isosmótico de água, causando 
tumefação celular e dilatação do RE. 
Ocorre aumento compensatório na glicólise anaeróbica, na 
tentativa de manter as fontes de energia celular. Como 
consequência, as reservas de glicogênio intracelular são 
rapidamente exauridas e o ácido lático se acumula, levando à 
diminuição do pH intracelular e à diminuição da atividade de muitas 
enzimas celulares. A falência na bomba de Ca2+ leva ao influxode 
Ca2+, com efeitos danosos em vários componentes celulares. 
A depleção prolongada ou crescente de ATP causa o rompimento estrutural do aparelho de síntese proteica, 
manifestado como desprendimento dos ribossomos do retículo endoplasmático granular (REG) e dissociação dos 
polissomos em monossomos, com consequente redução da síntese de proteína. 
Nas células privadas de oxigênio ou glicose, as proteínas se tornam anormalmente dobradas e iniciam uma 
reação chamada de resposta de proteína não dobrada, que pode culminar em lesão e morte celular. 
Finalmente, ocorre dano irreversível às membranas mitocondriais e lisossômicas, e a célula sofre necrose. 
 
Danos e disfunções mitocondriais 
As mitocôndrias podem ser vistas como “minifábricas” que produzem 
energia de sustentação da vida, na forma de ATP, mas são também 
componentes críticos da lesão e morte celular. As mitocôndrias são sensíveis 
a vários tipos de estímulos nocivos, incluindo hipóxia, toxinas químicas e 
radiação. Os danos mitocondriais resultam em graves anormalidades 
bioquímicas: 
 Falha na fosforilação oxidativa levando a depleção progressiva de ATP; 
 Fosforilação oxidativa anormal leva também à formação de espécies 
reativas de oxigênio; 
 A lesão mitocondrial frequentemente resulta na formação de um canal de 
alta condutância na membrana mitocondrial, chamado de poro de 
transição de permeabilidade mitocondrial. A abertura desse canal leva à 
perda do potencial de membrana da mitocôndria e à alteração do pH, 
comprometendo a fosforilação oxidativa; 
 As mitocôndrias contêm também várias proteínas que, quando liberadas 
para o citoplasma, informam à célula que há uma lesão interna e ativam a via 
de apoptose. 
 
Influxo de Cálcio 
A importância do Ca2+ na lesão celular foi estabelecida pelo achado 
experimental de que o cálcio extracelular depletado retarda a morte celular após 
hipóxia e exposição a algumas toxinas. O aumento dos níveis de Ca2+ intracelular 
resultam, também, na indução de apoptose, através da ativação direta das 
caspases e pelo aumento da permeabilidade mitocondrial (abertura do poro de 
permeabilidade transitória da mitocôndria – deficiência na geração de ATP pela 
dissipação do gradiente de H+ e saída do citocromo C que também ativa caspases). 
Também ativa proteases, nucleases, fosfolipases e ATPases. 
 
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Acúmulo de Radicais Livres Derivados do Oxigênio (Estresse oxidativo) 
Os radicais livres são espécies químicas que possuem um único elétron não pareado em órbita externa. Tais 
estados químicos são extremamente instáveis e reagem prontamente com químicos orgânicos e inorgânicos; quando 
gerados nas células, atacam avidamente os ácidos nucleicos, assim como uma variedade de proteínas e lipídios 
celulares. Além disso, os radicais livres iniciam reações autocatalíticas; as moléculas que reagem com eles são, por sua 
vez, convertidas em radicais livres, propagando, assim, a cadeia de danos. 
As espécies reativas do oxigênio (ERO) são um tipo de radical livre derivado do oxigênio, cujo papel na lesão celular 
está bem estabelecido. Em muitas circunstâncias, a lesão celular envolve danos causados pelos radicais livres; essas 
situações incluem a lesão de isquemia-reperfusão, a lesão química e por radiação, a toxicidade do oxigênio e outros 
gases, o envelhecimento celular, a destruição dos micróbios pelas células fagocíticas e a lesão tecidual causada por 
células inflamatórias. 
 Normalmente as ERO são produzidas em pequenas quantidades, em todas as células, durante as reações de 
oxidação e redução que ocorrem durante a respiração e a geração de energia mitocondrial. 
 O excesso de produção de ERO ou a ineficiência do sistema de remoção resultam no excesso desse radical 
livre que levam ao estresse oxidativo. 
 O estresse oxidativo pode gerar Câncer, envelhecimento, lesão celular e doenças degenerativas. 
 
Modo de geração de radicais livres na célula 
 Reações de redução-oxidação, durante processos metabólicos normais (moléculas parcialmente reduzidas 
durante a CTE); 
 Absorção de energia radiante (UV, RX); 
 Leucócitos ativados durante a inflamação; 
 Metabolismo enzimático de substâncias químicas exógenas ou drogas- não ERO; 
 Metais de transição (Fe, Cu) doam ou aceitam elétrons livres e catalisam a formação de radicais livres ; 
 Oxido nitrico mediador quimico importante que pode agir como radical livre ou ser convertido em ânions 
altamente reativos. 
 
Remoção de radicais livres 
 São naturalmente instáveis e se 
decompõem naturalmente; 
 As células desenvolveram múltiplos 
mecanismos para remoção de radicais 
livres; 
 Antioxidantes - bloqueiam a formação 
dos radicais livres ou os ativam (vit. A, C, 
E, glutationa); 
 Proteínas de armazenamento e 
transporte (ferritina, lactoferrina) que se 
ligam aos íons de Fe e Cu diminuindo a 
formação de ERRO; 
 Enzimas que atuam como sistemas de 
remoção e degradação de radicais livres - 
localizam-se próximas aos locais de 
Geração dos oxidantes: 
 Catalase peroxissomos; decompõem 
peróxido de hidrogênio; 
 Superóxido dismutases (SOD) convertem superóxido em peróxido de hidrogênio (que então é degradado 
pela catalase); mitocôndrias e citosol; 
 Glutationa peroxidase glutationa (2GSH) reduzida reduz peróxido de hidrogênio, torando-se oxidada 
(GSSG), por ação da glutationa peroxidase 
 
Efeitos patológicos dos radicais livres 
 Peroxidação lipídica das membranas duplas ligações das insaturações dos ácidos graxos dos lipídeos das 
membranas biológicas são atacadas, produzindo moléculas instáveis e reativas, que desencadeiam uma 
Aula 4 – Patologia – Lesões letais: morte celular 
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reação em cascata, levando à lesão extensa das membranas; 
 Modificação oxidativa das proteínas alterações nas cadeias laterais dos aminoácidos críticos lesão de 
sítios ativos de enzimas, ruptura de proteínas estruturais; 
 Lesão no DNA quebra de filamentos únicos e duplos; ligações cruzadas de filamentos; formação de 
complexos de adição implicada no envelhecimento celular e transformação maligna da célula. 
 
Defeitos na Permeabilidade da Membrana 
O aumento da permeabilidade da membrana, levando posteriormente a lesão, é uma característica 
consistente da maioria das formas de lesão celular que culmina em necrose. A membrana plasmática pode ser 
danificada por isquemia, várias toxinas microbianas, componentes líticos do complemento e por uma variedade de 
agentes químicos e físicos. 
Mecanismos bioquímicos envolvidos nos danos à membrana: 
 Diminuição da síntese de fosfolipídios; 
 Aumento da degradação dos fosfolipídios – ativação de fosfolipases endógenas por elevação dos níveis de 
cálcio no citosol e nas mitocôndrias acúmulo de produtos de degradação de fosfolipídeos; 
 Os radicais livres do oxigênio causam lesão às membranas celulares; 
 Alterações do citoesqueleto; 
 Produtos de degradação de lipídios 
 Os sítios mais importantes da membrana, durante a lesão celular, são as membranas mitocondriais, a 
membrana plasmática e as membranas lisossômicas; 
 
Consequências da lesão na membrana: 
 Danos na membrana mitocondrial Como já discutido, os danos 
às membranas mitocondriais resultam em decréscimo da 
produção de ATP, levando a alterações osmóticas, culminando 
em necrose, mas também podem liberar produtos mitocondriais 
que acarretam em apoptose; 
 Danos à membrana plasmáticaOs danos à membrana 
plasmática levam à perda do equilíbrio osmótico e influxo de 
fluidos e íons, bem como à perda dos conteúdos celulares. 
 Danos às membranas lisossômicas Resultam em 
extravasamento de suas enzimas para o citoplasma e ativação 
das hidrolases ácidas, em pH intracelular ácido da célulalesada 
(ex.: célula isquêmica). 
 
Danos ao DNA e às Proteínas 
As células possuem mecanismos que reparam as lesões de DNA, porém se o dano é muito grave para ser 
corrigido (ex.: após lesão por radiação ou estresse oxidativo) a célula inicia seu programa de suicídio e morre por 
apoptose. Uma reação semelhante é iniciada por proteínas impropriamente dobradas, as quais podem ser resultantes 
de mutações herdadas ou disparadores externos, como os radicais livres. 
 
Irreversibilidade das lesões celulares 
 O ponto sem retorno, no qual a lesão se torna irreversível está relacionado a dois fenômenos que caracterizam 
consistentemente a irreversibilidade: 
 Incapacidade de reverter a disfunção mitocondrial; 
 Perturbações profundas na função das membranas biológicas (mitocondrial, plasmática e lisossomal). 
 
O extravasamento de proteínas intracelulares através da membrana da célula lesada e, por último, para a 
circulação, fornece um meio de detectar lesão celular e necrose tecido-específica usando-se amostras de soro 
sanguíneo. Ex.: músculo cardíaco contém uma isoformas específica de creatina -cinase e da proteína contrátil 
troponina; o fígado contém uma isoformas da enzima fosfatase alcalina e os hepatócitos contém transaminases. 
Nestes tecidos, lesões irreversíveis e morte celular são refletidas por níveis elevados dessas proteínas no sangue e as 
medidas desses biomarcadores são usadas para avaliar os danos a esses tecidos. 
 
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MORTE CELULAR 
Com a persistência do dano, a lesão torna-se irreversível e, com o tempo, a célula não pode se recuperar e 
morre. Existem dois tipos de morte celular — necrose e apoptose — que diferem em suas morfologias, mecanismos e 
papéis na fisiologia e na doença. Quando o dano às membranas é acentuado, as enzimas extravasam dos lisossomos, 
entram no citoplasma e digerem a célula, resultando em necrose. Os conteúdos celulares também extravasam através 
da membrana plasmática lesada e iniciam uma reação (inflamatória) no hospedeiro. 
A necrose é a principal via de morte celular em muitas lesões comumente encontradas, como as que resultam 
de isquemia, de exposição a toxinas, várias infecções e trauma. Quando a célula é privada de fatores de crescimento 
ou quando o DNA celular ou as proteínas são danificadas sem reparo, a célula se suicida por outro tipo de morte, 
chamado apoptose, que é caracterizada pela dissolução nuclear sem a perda da integridade da membrana. Enquanto 
a necrose constitui sempre um processo patológico, a apoptose auxilia muitas funções normais e não está 
necessariamente associada à lesão celular patológica. Além disso, a apoptose não desencadeia uma resposta 
inflamatória. 
 
NECROSE 
Necrose é o tipo de morte celular que está associado à perda da integridade da me mbrana e extravasamento 
dos conteúdos celulares, culminando na dissolução das células, resultante da ação degradativa de enzimas nas células 
lesadas letalmente. Os conteúdos celulares que escapam sempre iniciam uma reação local do hospedeiro, conhecida 
como inflamação, no intuito de eliminar as células mortas e iniciar o processo de reparo subsequente. As enzimas 
responsáveis pela digestão da célula são derivadas dos lisossomos das próprias células que estão morrendo ou dos 
lisossomos dos leucócitos que são recrutados como parte da reação inflamatória às células mortas. 
 
 
 
Padrões de necrose tecidual 
 A necrose de coagulação é a forma de necrose tecidual na qual a arquitetura básica dos tecidos mortos é 
preservada por, pelo menos, alguns dias. Os tecidos afetados adquirem textura firme. Supostamente, a lesão 
desnatura não apenas as proteínas estruturais, como também as enzimas, bloqueando assim a proteólise das células 
mortas; como resultado, células anucleadas e eosinofílicas persistem por dias ou semanas. Os leucócitos são 
recrutados para o sítio da necrose e suas enzimas lisossômicas digerem as células mortas. Finalmente, os restos 
celulares são removidos por fagocitose. A necrose de coagulação é característica de infartos (áreas de necrose 
isquêmica) em todos os órgãos sólidos, exceto o cérebro. 
Necrose liquefativa é observada em infecções bacterianas focais ou, ocasionalmente, nas infecções fúngicas 
porque os micróbios estimulam o acúmulo de células inflamatórias e as enzimas dos leucócitos a digerirem 
(“liquefazer”) o tecido. Por motivos desconhecidos, a morte por hipóxia, de células dentro do sistema nervoso central, 
com frequência leva a necrose liquefativa. Seja qual for a patogenia, a liquefação digere completamente as células 
Morfologia 
 A tumefação celular é a primeira manifestação de quase todas as formas de 
lesão das células. Quando afeta muitas células, causa alguma palidez, aumento 
do turgor e aumento do peso do órgão. Ao exame microscópico, podem ser 
observados pequenos vacúolos claros dentro do citoplasma, estes representam 
segmentos distendidos e separados do retículo endoplasmático. Esse padrão de 
lesão não letal as vezes é chamado de alteração hidrópica ou degeneração 
vacuolar. A tumefação é reversível. As células podem mostrar aumento da 
Eosinofilia (devido à desnaturação proteica). 
 Alterações ultraestruturais: 
- Formação de bolhas na membrana plasmática; 
- Tumefação das mitocôndrias; 
- Dilatação do retículo endoplasmático vacuolização; 
- Desagregação dos elementos nucleares picnose, cariorrexe e cariólise 
(compactação da cromatina, seguida de fragmentação do núcleo e sua digestão 
enzimática); 
 Ocorre, por fim, rotura da membrana plasmática, permitindo extravasamento 
do conteúdo lítico celular, que ataca células vizinhas, produzindo lesão 
secundária e desencadeando um processo inflamatório, pois libera citocinas. 
 
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26 
mortas, resultando em transformação do tecido em uma massa viscosa líquida. Finalmente, o tecido digerido é 
removido por fagocitose. Se o processo foi iniciado por inflamação aguda, como na infecção bacteriana, o material é 
frequentemente amarelo cremoso e é chamado de pus. 
A necrose gangrenosa não é um padrão específico de morte celular, mas o termo ainda é usado comumente 
na prática clínica. Em geral, é aplicado a um membro, comumente a perna, que tenha perdido seu suprimento 
sanguíneo e que sofreu necrose de coagulação, envolvendo várias camadas de tecido. Quando uma infecção 
bacteriana se superpõe, a necrose de coagulação é modificada pela ação liquefativa das bactérias e dos leucócitos 
atraídos (resultando na chamada gangrena úmida). 
A necrose caseosa é encontrada mais frequentemente em focos de infecção tuberculosa. O termo caseoso 
(semelhante a queijo) é derivado da aparência friável branco amarelada da área de necrose. Ao exame microscópico, 
pela coloração de hematoxilina e eosina, o foco necrótico exibe uma coleção de células rompidas ou fragmentadas, 
com aparência granular amorfa rósea. Diferentemente da necrose de coagulação, a arquitetura do tecido é 
completamente obliterada, e os contornos celulares não podem ser distinguidos. A área de necrose caseosa é 
frequentemente encerrada dentro de uma borda inflamatória nítida; essa aparência é característica de um foco de 
inflamação conhecido como granuloma. 
A necrose gordurosa refere-se a áreas focais de destruição gordurosa, tipicamente resultantes da liberação 
de lipases pancreáticas ativadas na substância do pâncreas e na cavidade peritoneal. Isso ocorre na emergência 
abdominal calamitosa conhecida como pancreatite aguda. Nesse distúrbio, as enzimas pancreáticas que escapam das 
células acinares e dos ductos liquefazem as membranas dos adipócitos do peritônio, e as lipases dividem os ésteres 
de triglicerídeos contidos nessas células. Os ácidos graxos liberados combinam-secom o cálcio, produzindo áreas 
brancas gredosas macroscopicamente visíveis (saponificação da gordura), que permitem ao cirurgião e ao patologista 
identificar as lesões. Ao exame histológico, os focos de necrose exibem contornos sombreados de adipócitos 
necróticos com depósitos de cálcio basofílicos circundados por reação inflamatória. 
A necrose fibrinoide é uma forma especial de necrose, visível à microscopia óptica, geralmente observada nas 
reações imunes, nas quais complexos de antígenos e anticorpos são depositados nas paredes das artérias. Os 
imunocomplexos depositados, em combinação com a fibrina que tenha extravasado dos vasos, resulta em aparência 
amorfa e róseo-brilhante, pela coloração do H&E, conhecida pelos patologistas como fibrinoide (semelhante A fibrina). 
 
No paciente vivo, a maioria das células necróticas e seus conteúdos desaparecem por fagocitose e digestão enzimática 
pelos leucócitos. Se as células necróticas e restos celulares não forem prontamente destruídos e reabsorvidos, tenderão 
a atrair sais de cálcio e outros minerais e a tornarem-se calcificadas. 
 
 
APOPTOSE 
Gr.: ato de cair. 
 
É uma via de morte celular induzida por um programa de suicídio (por ativação de uma cascata de enzimas), 
estritamente regulado, no qual as células destinadas a morrer degradam seu próprio DNA, proteínas nucleares e 
citoplasmáticas. As células se quebram em fragmentos chamados corpos apoptóticos. Seus fragmentos se separam, 
gerando uma aparência responsável pelo nome (cair). Caracteriza-se por um tipo de morte no qual a membrana 
plasmática fica intacta, ou seja, não ocorre extravasamento do conteúdo celular (não havendo, portanto, reação 
inflamatória e lesão secundária), e os corpos apoptóticos revestidos por membrana são fagocitados. 
 
Causas de apoptose: 
A apoptose ocorre normalmente em muitas situações e funciona para eliminar células potencialmente 
prejudiciais e células que tenham sobrevivido mais que sua utilidade. 
 
Apoptose fisiológica 
 A apoptose pode ocorrer em condições fisiológicas: fenômeno normal que funciona para eliminaras células 
que não são mais necessárias e para manter, nos tecidos, um número constante das várias populações celulares. 
 Destruição programada durante a embriogênese; 
 Involução de tecidos hormônio-dependentes sob privação do hormônio; 
 Perda celular de populações proliferativas (Ex.: linfócitos imaturos da medula óssea e do timo); 
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27 
 Eliminação de linfócitos autorreativos potencialmente nocivos, para impedir reações contra tecidos próprios 
(doenças autoimunes); 
 Morte de células que já cumpriram seu papel (Ex.: linfócitos ao término da resposta imune; neutrófilos na 
resposta inflamatória aguda); 
 Morte celular induzida por linfócitos T citotóxicos. 
 
Apoptose patológica 
Elimina células que estão geneticamente alteradas ou lesadas de modo irreparável, sem iniciar uma reação severa 
no hospedeiro, mantendo mínima a lesão tecidual. 
 Lesões ao DNA: hipóxia, drogas, anticancerígenos (quimioterápicos), extremos de temperatura e radiação, 
causam lesão direta ou através de radicais livres; 
 Acúmulo de proteínas anormalmente dobradas, devido a mutações 
genéticas ou por lesões por radicais livres causam estresse de 
Retículo Endoplasmático e constituem doenças degenerativas; 
 Morte celular em certas infecções causados por vírus (adenovírus e 
HIV) ou pela resposta imune do hospedeiro; 
 Morte celular de tumores e em rejeição celular aos transplantes. Em 
todos esses processos estão envolvidos os linfócitos T citotóxicos; 
 Atrofia patológica no parênquima de órgãos após obstrução de ductos 
(pâncreas, parótida, rins); 
 
Alterações bioquímicas e morfológicas na apoptose: 
Alterações morfológicas 
 Retração celular células menores e citoplasma denso; 
 Condensação da cromatina se agrega perifericamente sob a 
membrana celular  picnose, cariorrexe e cariólise; 
 Fragmentação citoplasmática formação de corpos apoptóticos, que 
são fragmentos de citoplasma envoltos por membrana plasmática; 
 Fagocitose dos corpos apoptóticos por macrófagos. 
As células em apoptose podem ser evidenciadas em imunofluorescência, com 
marcadores para DNA e para caspases. 
 
Alterações bioquímicas 
 Ativação das caspases (família de enzimas cisteína-proteases) desencadeadoras e executoras; 
 Quebra de DNA e proteínas mediada por endonucleases e proteases; 
 Alterações de membranas e reconhecimento pelos fagócitos movimento dos fosfolipídeos do folheto 
interno para o externo da membrana e a expressão de trombospondina, reconhecidos pelos receptores de 
fagócitos. 
 
Mecanismos da apoptose 
Fase de iniciação: caspases tornam-se cataliticamente ativas; 
Fase de execução: caspases iniciam degradação de componentes celulares críticos. 
 
Via intrínseca ou via mitocondrial 
As mitocôndrias contêm uma série de proteínas que são capazes de induzir apoptose; essas proteínas incluem o 
citocromo C e outras proteínas que neutralizam inibidores endógenos da apoptose. A escolha entre a sobrevivência e 
a morte celular é determinada pela permeabilidade da mitocôndria, que é controlada por uma família de mais de 20 
proteínas cujo protótipo é a Bcl-2. 
 
 É o principal mecanismo de apoptose; 
 Ocorre pelo aumento da permeabilidade da membrana mitocondrial externa (abertura do poro de 
permeabilidade transitória mitocondrial, formado por proteínas pró-apoptóticas, principalmente BAK e BAX), 
com liberação de moléculas pró-apoptóticas para o citoplasma; 
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28 
 Família Bcl de proteínas citoplasmáticas, 
antiapoptóticas. Previnem a apoptose. Quando a célula 
precisa morrer, estas proteínas precisam ser inibidas para 
permitir o processo; 
 Ativação de sensores de estresse ativam efetores críticos 
que criam canais permitindo o extravasamento das 
proteínas da membrana mitocondrial interna - citocromo C 
e SMAC/diablo – para o citoplasma; 
 A célula recebe continuamente sinais de sobrevivência 
(fatores de crescimento, citocinas, etc.). Se deixar de 
receber, ocorre uma cascata de sinalização intracelular, 
que inibem a Bcl2 e desencadeiam a abertura do poro 
mitocondrial, causando extravasamento do citocromo C. 
Este, por sua vez, se liga a uma proteína adaptadora 
chamada APAF-1, a qual permite a ligação com uma 
caspase específica, que é ativada, e inicia uma cascata 
autocatalítica, que promove ativação de outras caspases, 
que conduzem à morte celular. A SMAC/diablo mantém 
inibidas as proteínas antiapoptóticas. 
 
Via extrínseca ou do receptor de morte 
Várias células possuem em sua membrana receptores de morte - membros 
da família do receptor TNF (FAS), que contêm em suas regiões citoplasmáticas 
um “domínio de morte” conservado, assim chamado porque medeia a interação 
com outras proteínas envolvidas na morte celular. 
Células infectadas, cancerosas ou transformadas, expressam FAS em suas 
membranas. Esses receptores FAS são reconhecidos por ligantes de FAS (FASL) 
expressos na membrana de linfócitos T citotóxicos. Esse sinal por contato ativa 
o FAS, e várias cópias desse receptor se unem formando o domínio FAAD, ou 
domínio de morte, o qual causa ativação de caspases intracelulares. 
As duas vias de iniciação convergem para uma cascata comum, que é a 
cascata de ativação das caspases desencadeantes, que são clivadas para gerar 
sua forma ativa, as quais ativam as caspases executoras, que irão degradar os 
componentes estruturais da matriz nuclear, promovendo sua fragmentação. As 
caspases ativam proteases, DNAses, nucleases, lipases, que causam 
autodestruição celular. 
 
Remoção de células mortas 
As células apoptóticas atraem os fagócitos por meiode sinais. Em células saudáveis, a fosfat idilserina está 
presente no folheto interno da membrana plasmática, mas nas células apoptóticas esse fosfolipídio move -se para fora 
e é expresso no folheto externo da membrana, onde é 
reconhecido pelos macrófagos, levando à fagocitose das 
células apoptóticas. 
Células apoptóticas e seus fragmentos sofrem 
alterações em suas membranas promovendo ativamente 
sua fagocitose de tal modo que são removidos antes de 
sofrer necrose e liberar seus conteúdos. Numerosos 
receptores nos fagócitos e ligantes induzidos nas células 
apoptóticas estão envolvidos na remoção destas células. O 
processo de fagocitose de células apoptóticas é tão 
eficiente que as células mortas desaparecem em minutos, 
sem deixar traços e sem reação inflamatória, mesmo em 
face extensa de apoptose. 
 
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29 
Apoptose desregulada 
 Apoptose defeituosa aumento da sobrevida celular. Se esta célula está alterada e não é eliminada, ela pode 
levar ao desenvolvimento de uma doença; 
o Células com mutações p53 e lesão no DNA, além de não morrerem ficam susceptíveis ao acúmulo de 
mutações no DNA defeituoso originando o câncer; 
o Linfócitos que reagem contra os próprios antígenos, gerando doenças autoimunes. 
 Aumento da apoptose morte celular excessiva: 
o Perda de células que causam doenças neurodegenerativas; lesão isquêmica, morte de células 
infectadas por vírus. 
 
AUTOFAGIA 
A autofagia (“comer a si próprio”) refere-se à digestão lisossômica dos próprios componentes da célula, 
geralmente para renovação do seu conteúdo ou por privação de nutrientes, para aproveitar suas macromoléculas na 
produção e energia. Constitui mecanismo de sobrevivência de tal modo que a célula privada de alimento sobrevive 
ingerindo seu próprio conteúdo e recicla os conteúdos ingeridos para fornecer nutrientes e energia . 
 Organelas e parte do 
citosol são sequestrados em um 
vacúolo autofágico, proveniente 
do retículo endoplasmático, que 
se funde com lisossomas para 
formar um autofagolisossoma, e 
os componentes celulares são 
digeridos pelas enzimas 
lisossômicas. 
 
 
 
 
 
Aula 5 – Patologia – Inflamação 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
30 
AULA 5 – INFLAMAÇÃO 
 
Introdução 
 Inflamação ou flogose consiste na resposta – fundamentalmente protetora – do organismo para se livrar de 
tecidos danificados ou necróticos e invasores estranhos, visando livrar o organismo da causa inicial da injúria celular 
quanto das consequências de tal injúria. É uma resposta do tecido vivo vascularizado à lesão, caracterizada 
morfologicamente pela saída de líquidos e de células do sangue para o interstício . Desencadeada por infecções, 
agentes físicos, agentes químicos, corpos estranhos, tecidos necróticos e reações imunes. Em outras palavras, é uma 
resposta vascular e celular contra agentes estranhos, portanto, possui dois componentes: uma reação celular e uma 
reação vascular. 
 Os efeitos da inflamação são mediados 
por proteínas plasmáticas e por fatores 
produzidos localmente pelas paredes dos vasos 
ou células inflamatórias (leucócitos circulantes, 
fagócitos teciduais e células endoteliais). 
 As reações vasculares e celulares da 
inflamação são disparadas por fatores solúveis 
que são produzidos por várias células ou 
derivadas de proteínas do plasma e são geradas 
ou ativadas em resposta aos estímulos 
inflamatórios micro-organismos, células 
necróticas e hipóxia. 
A inflamação termina com a eliminação 
do agente agressor, destruição dos mediadores 
e ativação de mecanismos anti-inflamatórios e está intimamente relacionada ao processo de reparo, pois ao mesmo 
tempo em que elimina agentes injuriantes, põe em movimento os eventos que tentam curar o tecido danificado. 
O processo inflamatório pode ser prejudicial quando está exacerbado, ou descontrolado, ou desencadeado 
por agentes que normalmente não deveriam desencadeá-lo, isto é, componentes próprios do organismo (doenças 
autoimunes: artrite reumatoide, por exemplo). 
É importante ressaltar que a inflamação não é uma doença, mas uma resposta inespecífica que tem um efeito 
resolutivo no hospedeiro. 
 
Padrões da inflamação: 
Inflamação aguda: 
 Início rápido (segundos ou minutos); 
 Duração curta (horas ou dias); 
 Exsudação de líquidos e proteínas (edema) e migração de células (neutrófilos); 
 Pode progredir para a fase crônica. 
 
Inflamação crônica: 
 Início lento (dias); 
 Duração maior (semanas a anos); 
 Células envolvidas são linfócitos e macrófagos; 
 Proliferação vascular com fibrose (cicatriz); 
 Pode se seguir à inflamação aguda ou ser insidiosa. 
 
Sinais cardinais da inflamação: 
 Calor (aumento de temperatura) devido à vasodilatação; 
 Rubor (eritema) devido à vasodilatação; 
 Tumor (edema) devido ao aumento da permeabilidade vascular, que leva ao extravasamento de plasma 
para o interstício; 
 Dolor (dor) causada por mediadores inflamatórios que irritam as terminações nervosas; 
 Functio laesa (perda de função) devido à dor, edema, lesão tecidual ou cicatrização. 
Esses sinais são tipicamente mais evidentes na inflamação aguda. 
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31 
 
COMPONENTES DA INFLAMAÇÃO 
Diferentes agressões físicas, químicas ou biológicas constituem o que se denominam agentes inflamatórios, 
que carregam ou promovem a síntese de moléculas sinalizadoras de agressão (alarminas), as quais induzem a 
liberação de outras moléculas, genericamente conhecidas como mediadores da inflamação; estes resultam em 
modificações na microcirculação necessárias para a saída de plasma e de leucócitos dos vasos e em estímulos para 
reparar os danos produzidos pelas agressões. Resposta 
inflamatória atua intimamente associada aos processos 
de reparo no organismo; na verdade, inflamação 
representa um processo ao mesmo tempo defensivo e 
reparador. Além disso, resposta imunitária e 
inflamação são indissociáveis, da mesma forma que são 
seus efeitos defensivos e reparadores. Tal como a 
resposta imunitária, a inflamação é um processo 
regulado: algumas moléculas de alarme induzem 
mediadores pró-inflamatórios, enquanto outras 
estimulam mediadores responsáveis por limitar e 
terminar o processo. Durante a evolução das 
inflamações, muitas vezes surgem danos ao 
hospedeiro. Como os efeitos lesivos das inflamações 
dependem do balanço entre mecanismos pró-
inflamatórios e anti-inflamatórios, o conhecimento 
deles é essencial para possibilitar a introdução de 
medicamentos mais eficientes para tratar as doenças 
de natureza inflamatória. 
Qualquer que seja sua causa, a reação 
inflamatória envolve uma série de eventos, etapas ou 
momentos, fundamentalmente semelhantes: (a) 
irritação (que conduz à liberação das moléculas de alarme e mediadores); (b) modificações vasculares locais; (c) 
exsudação plasmática e celular; (d) lesões degenerativas e necróticas; (e) eventos que terminam ou resolvem 
processo; (f) fenômenos reparativos, representados por proliferação conjuntiva ou regeneração do tecido lesado. Por 
essa razão, didaticamente pode-se considerar a reação inflamatória como tendo diferentes momentos ou fenômenos: 
irritativos, vasculares, exsudativos, alterativos, resolutivos e reparativos. Os fenômenos inflamatórios não são 
isolados no tempo. Embora tenham seu início em momentos sucessivos, ou seja, um se inicia depois do início do outro, 
muitas vezes eles se superpõem durante o desenrolar do processo. Fenômenos irritativos, que promovem a liberação 
dos mediadores infla-matórios, podem persistir em todo o transcorrer da inflama-ção. Fenômenos alterativos podem 
ocorrer desde o início do processo (representando inclusive o fenômeno irritativo) ou durante sua evolução. Para 
facilidade de compreensão,no estudo da inflamação são considerados os diferentes momentos ou fenômenos 
mencionados. 
 
INFLAMAÇÃO AGUDA 
Componentes da inflamação aguda 
 Alterações no calibre vascular 
(vasodilatação, com expansão da 
árvore vascular), que causa aumento 
do fluxo sanguíneo; 
 Alterações estruturais na 
microcirculação, com extravasamento 
de proteínas plasmáticas e leucócitos; 
a saída das proteínas plasmáticas é 
responsável pelo edema, pois dissipa 
a pressão oncótica no interior do vaso; 
 Migração de leucócitos (principalmente neutrófilos e monócitos) da microcirculação e acúmulo no local da 
injúria com ativação dos mesmos. 
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32 
Estímulos para a inflamação aguda 
 Infecções e toxinas microbianas identificados por receptores Toll. 
 Necrose tecidual moléculas liberadas por células necróticas são reconhecidas; 
 Corpos estranhos causam injúria traumática e transportam micróbios; 
 Reações imunes hipersensibilidade: sistema imune causa dano aos próprios tecidos do indivíduo. 
Independente do estímulo que as causam, as reações inflamatórias compartilham as mesmas caracter ísticas 
básicas. 
 
Reações vasculares 
 As mudanças sofridas pelos 
vasos, na inflamação, são 
destinadas a maximizar o 
movimento de proteínas 
plasmáticas e células circulantes 
para fora da circulação e para 
dentro do local da infecção ou 
injúria. 
Em condições normais a troca 
de líquidos nos leitos vasculares 
ocorre por equilíbrio entre duas 
forças opostas: a pressão 
hidrostática, que força a saída do 
líquido para o tecido e a pressão 
coloidosmótica, que força o fluido 
de volta para dentro do vaso. 
 Exsudato: líquido 
inflamatório extravascular 
com elevada concentração de proteínas e fragmentos celulares (densidade maior que 1020); 
 Transudato: líquido com pequeno teor proteico, pouco ou nenhum fragmento celular (ultrafiltrado do plasma, 
com densidade menor que 1020); 
 Edema: excesso de líquido no interstício ou nas cavidades corporais, que pode ser decorrente de transudação 
(baixa gravidade específica) ou exsudação (alta gravidade específica); 
 Pus: exsudato purulento, ou seja, coleção de líquido, proteínas plasmáticas, células de defesa e teciduais e 
micro-organismos mortos; característico de tecidos com inflamação aguda. 
 
O edema pode ser causado por aumento da pressão hidrostática ou redução da pressão coloidosmótica. O 
aumento da pressão hidrostática pode ser ocasionado por aumento da pressão arterial, doenças obstrutivas, etc. No 
caso da pressão coloidosmótica, ela pode ser reduzida por doenças renais perdedoras de proteínas (síndrome 
nefrótica), disfunção hepática (as proteínas plasmáticas são produzidas pelo fígado), vasodilatação e aumento da 
permeabilidade vascular sistêmica, causando extravasamento maciço, em casos de choque, por exemplo, ou perda 
sanguínea. 
 
Mudanças no fluxo e no calibre vascular: 
 Vasodilatação (induzida por histamina e NO) com 
aumento do fluxo e da pressão hidrostática causa 
calor e eritema; 
 Aumento da permeabilidade vascular, que ocasiona 
exsudação causa edema; 
 Estase vascular, ou seja, lentificação do fluxo 
sanguíneo (devido aos dois processos anteriores) 
contribui o eritema; 
 Com a estase, os leucócitos se acumulam 
marginalmente, próximos ao endotélio vascular, o 
que irá facilitar sua transmigração; 
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33 
Mecanismos de aumento da permeabilidade vascular: 
 Marginação de leucócitos; 
 Retração das células endoteliais resultando em espaços 
interendoteliais aumentados resposta transitória imediata ocorre 
principalmente nas vênulas pós-capilares, induzida por histamina, 
óxido nítrico e outros mediadores (bradicinina, leucotrienos); 
 Injúria endotelial (agressão com destruição) ocorre nas vênulas, 
arteríolas e capilares; queimaduras, ação de micro-organismos, ação de 
neutrófilos sobre a parede vascular; 
 Injúria vascular mediada por leucócitos (as próprias reações 
leucocitárias podem levar a produção de citocinas que induzem 
aumento da permeabilidade); 
 Transcitose aumentada ocorre nas vênulas pós-capilares induzida 
por VEFG. 
 
Histamina substância vasoativa que age tanto na musculatura lisa 
produzindo relaxamento, quanto nas células endoteliais, produzindo retração. 
Assim, está envolvida na vasodilatação e no aumento da permeabilidade 
vascular. 
 
Respostas dos vasos linfáticos: 
Normalmente drenam o líquido extravascular. Na inflamação, o fluxo 
linfático aumenta para drenar o edema, os leucócitos e os fragmentos celulares. 
Podem também transportar o agente nocivo e ocasionar linfangite (inflamação 
dos vasos linfáticos) e linfadenite (inflamação dos gânglios linfáticos). Os 
linfonodos inflamados frequentemente são aumentados por hiperplasia dos 
folículos linfoides e número aumentado de linfócitos e macrófagos linfadenite reativa ou inflamatória. 
 
Reações celulares (leucocitárias) 
Função fundamental da inflamação – recrutamento dos leucócitos: 
 Leucócitos chegam ao local da lesão, reconhecem os agressores e promovem sua remoção. Também eliminam 
tecidos necróticos, produzem fatores de crescimento, e acabam por produzir, como efeito adverso, dano tecidual. O 
tipo de leucócitos presentes depende da duração da resposta e do estímulo original. Geralmente nas primeiras 24 
horas, os neutrófilos são as células atuantes. Entre 24 e 48 horas, predominam os monócitos (tardios). Após esse 
período, observam-se linfócitos. O extravasamento dos leucócitos envolve marginação, ou seja, aproximação da 
parede vascular, rolamento na superfície endotelial e adesão ao endotélio. Em seguida, deixa o vaso, através da 
transmigração ou diapedese, e ao entrar no tecido injuriado, migram por quimiotaxia até o local da agressão. 
Esses eventos de recrutamento de leucócitos envolvem moléculas de adesão celular, presentes nos leucócitos 
e no endotélio, que são 
complementares, e, portanto, 
permitem a interação entre essas 
células. 
 Gradientes de agentes 
quimiotáticos atraem os leucócitos 
(produtos bacterianos, mediadores 
endógenos (quimiocinas, fragmentos 
do complemento e metabólitos do 
ácido araquidônico). O movimento 
leucocitário se dá por modificações 
citoesqueléticas, que levam à 
emissão de pseudópodes, 
desencadeando um movimento 
ameboide. 
 
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34 
DETALHES DO PROCESSO DE MIGRAÇÃO DE LEUCÓCITOS 
 Ativação endotelial por IL-1 e TNF alfa secretadas por macrófagos locais; 
 Depende da adesão dos leucócitos ao revestimento endotelial das vênulas pós-capilares – através de 
integrinas e selectinas e do movimento através do endotélio e da lâmina basal, para o tecido extravascular 
(células perpassam por entre as células epiteliais do endotélio) - diapedese; as citocinas causam uma retração 
das células endoteliais por mudanças citoesqueléticas, causando o afastamento entre as células, o que 
aumenta a permeabilidade vascular. Isso cria espaços pelos quais as células podem passar. 
 É um processo em múltiplas etapas, em que cada etapa é coordenada por diferentes tipos de moléculas, 
incluindo quimiocinas e moléculas de adesão; 
 Variação em relação as moléculas participantes do processo de recrutamento; 
 Diferentes propriedades de migração para tipo celular. 
 
Moléculas de adesão celular 
Mediada por duas classes de moléculas: selectinas, integrinas e seus ligantes. 
 
Selectinas e seus ligantes: 
 Se ligam a carboidratos da membrana plasmática; 
 Medeiam a etapa inicial na adesão de baixa afinidade entre os leucócitos 
e as células endoteliais; 
 P-Selectinas: endotelial; armazenada em grânulos citoplasmáticos 
(corpúsculo de Weibel-Palade), e é rapidamente distribuídapara a 
superfície da célula, em resposta a produtos microbianos, citocinas, 
histamina dos mastócitos e trombina gerada durante a coagulação; 
 E-Selectinas: endotelial; sintetizada e expressa na superfície da célula 
endotelial, dentro de 1 a 2 horas, em resposta a IL-1 e ao TNF alfa, e 
também a produtos microbianos (ex.: LPS); 
 L-Selectinas: leucócito; 
 Sialil Lewis X (sLeX): Ligantes para selectinas (E e P), presentes nos 
leucócitos; 
 Sialomucinas (adressinas): Ligantes para L-Selectinas no endotélio das 
HEV. 
 
As citocinas induzem as células epiteliais do endotélio vascular a 
expressarem moléculas de adesão celular. Na superfície destas células irão se 
expressar E-selectinas e P-selectinas. Nos leucócitos existem L-Selectinas. As selectinas dos leucócitos e do endotélio 
interagem entre si, mas a interação é fraca (baixa afinidade), com rápida taxa de desligamento, permitindo que haja 
associação e desassociação contínuas, pela força de cisalhamento do fluxo sanguíneo, fazendo com que as células 
“rolem” (ligam-se e desligam-se repetidamente) na superfície do endotélio conforme o fluxo sanguíneo ocorre. A 
velocidade do rolamento vai diminuindo. 
 
Integrinas e seus ligantes: 
As integrinas, presentes nos leucócitos, são proteínas cujo domínio citoplasmático está vinculado ao citoesqueleto. 
Essa interação permite que hajam mudanças na disposição do citoesqueleto, gerando o movimento e à modificação 
da forma celular que levam à migração. Nos leucócitos, as integrinas são FLA -1 e VLA-4, que interagem, 
respectivamente, com ICAM-1 e VCAM-1 na superfície endotelial. 
 
Quimiocinas (CXC e CC) e seus Receptores: 
 Estimulam o movimento dos leucócitos e regulam a migração do sangue para os tecidos; 
 São produzidas, nos locais de infecção em resposta a uma variedade de patógenos ou estímulos endógenos, 
por leucócitos e vários outros tipos de células teciduais (endoteliais, epiteliais e fibroblastos); 
 TNF-α e IL-1 induzem a produção de quimiocinas; 
o Notações: CXC R receptor para CXC; CC R receptor para CC; 
 CXCL e CCL ligante (a própria quimiocina); 
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35 
 Os receptores para quimiocinas são vinculados à proteína G (via da fosfolipase C). A interação da quimiocina 
com seu receptor, desencadeia uma cascata de sinalização intracelular, que ativa proteínas RAP e de interação 
ao citoesqueleto, às quais fazem contato com as caudas citoplasmáticas das integrinas, que modifica a 
disposição dos domínios extracelulares das integrinas na superfície da membrana (sinalização de dentro para 
fora). Em geral, as integrinas apresentam baixa afinidade, ou seja, estão inclinadas e pouco interagem com 
seus correspondentes no endotélio. Quando ativadas por quimiocinas, se tornam estendidas, alcançando alta 
afinidade, conseguindo assim interagir com as integrinas correspondentes no endotélio vascular. As 
quimiocinas também induzem agrupamento das integrinas, o que resulta em um aumento da avidez das 
interações das integrinas com ligantes nas células endoteliais. Isso promove a adesão dos leucócitos ao 
endotélio, que então deixam de rolar, pois as interações fracas das selectinas são reforçadas. 
 Os receptores de quimiocinas podem sofrer rápida regulação negativa, seguindo a exposição à própria 
quimiocina, constituindo um mecanismo para a interrupção da resposta. São expressos em todos os 
leucócitos, dentre os quais, as células T exibem o maior número e a maior diversidade. Os receptores 
apresentam uma sobreposição de especificidade para as quimiocinas dentro de cada família, e o padrão de 
expressão celular dos receptores determina que tipos de células irão responder a quimiocinas específicas. 
 (CCR5 e CXCR4 atuam como correceptores para HIV. Alguns linfócitos T ativados secretam quimiocinas que se 
ligam ao CCR5 e bloqueiam a infecção pelo HIV através de sua competição com o vírus). 
 
Ação das Quimiocinas 
 A função das quimiocinas é o recrutamento dos leucócitos circulantes dos vasos sanguíneos para dentro dos 
tecidos extravasculares; 
 Quimiocinas se ligam ao sulfato de heparina dos proteoglicanos das células endoteliais das através de uma 
forte adesão, ficando disponíveis para atuar sobre os leucócitos que interagem com o endotélio através das 
selectinas, aumentando a avidez das suas integrinas, para que a adesão dos leucócitos ocorra. A interação 
entre integrinas aumenta a superfície de contato do leucócito com o endotélio, o que desencadeia uma adesão 
estável. Quando essas integrinas entre leucócitos e endotélio interage m, provocam uma desmontagem 
transitória das junções de adesão entre células endoteliais, criando os espaços pelos quais as células vão 
extravasar, portanto por movimento paracelular; 
 As quimiocinas extravasculares estimulam o movimento orientado dos leucócitos porque seguem um 
gradiente de concentração da proteína secretada quimiocinese; 
 Estão envolvidas no desenvolvimento de órgãos linfoides e regulam o transito de linfócitos e de leucócitos 
através dos tecidos linfoides periféricos; 
 São necessárias para a migração das células dendríticas dos locais de infecção para os gânglios linfáticos 
regionais (drenantes); 
 
Resumo das etapas do recrutamento: 
 Rolamento: interações de baixa afinidade das selectinas forças de cisalhamento do sangue promovem associação e 
desassociação contínuas; 
 Aumento da afinidade das integrinas mediado por quimiocinas: quimiocinas são transportadas até a superfície luminal 
das células endoteliais das vênulas pós-capilares, onde se ligam aos glicosaminoglicanos que contenham sulfato de 
heparina. Nesse local, ligam-se aos receptores específicos sobre a superfície dos leucócitos em rolamento, aumentando a 
afinidade das integrinas leucocitárias com seus ligantes e o agrupamento das integrinas, aumentando sua avidez; 
 Adesão estável dos leucócitos ao endotélio mediada por integrinas: citocinas (TNF alfa e IL-1) aumentam a expressão 
endotelial de ligantes de integrina, principalmente VCAM-1 (para VLA-1) e ICAM-1 (para FLA-1). O resultado dessas 
interações é a firme fixação dos leucócitos ao endotélio, reorganização do citoesqueleto e adesão a uma área maior da 
superfície endotelial, passo fundamental para que ocorra a transmigração; 
 Transmigração de leucócitos através do endotélio: entre as bordas das células endoteliais (paracelular). A transmigração 
paracelular depende das integrinas dos leucócitos e de seus ligantes sobre as células endoteliais, bem como de outras 
proteínas, como a CD31, expressa nos leucócitos e nas células endoteliais. Esse processo exige uma ruptura transitória e 
reversível das proteínas envolvidas nas junções de adesão que mantém as células endoteliais pós-capilares unidas entre 
si, principalmente o complexo VE-caderina. 
 
Receptores: 
 TLR (tool like receptor) receptores de produtos microbianos; 
 Receptores acoplados a proteína G, para quimiocinas; 
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36 
 Receptores para frações do complemento (opsoninas, isto é, proteínas do sistema complemento que se ligam 
à superfície microbiana e marcam os micro-organismos para fagocitose e destruição); 
 Receptores para citocinas; 
A ativação de tais receptores leva a sinais intracelulares que desencadeiam a resposta inflamatória dos leucócitos. 
 
Remoção dos agentes agressores: 
Identificação pelos receptores induz à ativação leucocitária, com 
aumento de fagocitose e morte intracelular do micro-organismo. Os 
leucócitos ativados também secretam citocinas, fatores de crescimento e 
mediadores inflamatórios, que disparam, ao mesmo tempo, o recrutamento 
de outras células e o início da resposta de reparo tecidual. 
 
Fagocitose: 
 Ligação ao parasita (através dos receptores TLRou receptores para 
opsoninas); 
 Englobamento (pela emissão de pseudópodos e formação de 
fagossomos) 
 Morte e degradação dentro dos lisossomos (por espécies reativas de 
oxigênio e nitrogênio (explosão respiratória), enzimas diversas como 
a mieloperoxidase, entre outras); 
 
Liberação de produtos dos leucócitos e injúria tecidual mediada por 
leucócitos: 
 Uma vez que os leucócitos estejam ativados, seus mecanismos 
efetores não distinguem entre o agressor e o hospedeiro. Durante a ativação 
e a fagocitose, os neutrófilos e macrófagos liberam microbicidas e outros 
produtos não somente dentro do fagolisossomo, mas também no espaço 
extravascular. As mais importantes são as enzimas lisossômicas, presentes 
nos grânulos, e as espécies reativas de oxigênio e nitrogênio. Essas 
substâncias danificam células residentes e células endoteliais, podendo amplificar o efeito do agente injuriante inicial. 
 
Defeitos nas funções dos leucócitos: 
Interferem na inflamação, aumentando a vulnerabilidade às infecções. Podem ser genéticas ou adquiridas, por 
exemplo: 
 Defeitos genéticos: 
o Deficiência genética nas moléculas de adesão celular levam a infecções bacterianas recorrentes; 
o Defeitos genéticos na formação do fagolisossomo (Síndrome de Chediak-Higashi) fusão defeituosa 
dos fagossomos e lisossomos nos fagócitos susceptibilidade a infecções. 
o Defeitos genéticos na atividade microbicida doença granulomatosa crônica por defeito na 
mieloperoxidase; 
 Defeitos adquiridos que levam à neutropenia (doenças do sistema imune; imunossupressão, comum após 
quimioterapia e radioterapia; tumores que comprimem medula óssea); 
 
Células residentes: sentinelas 
 Mastócitos – reagem ao trauma físico, produtos da quebra do complemento, produtos microbianos e 
neuropeptídeos. Liberam histamina, leucotrienos, enzimas e citocinas (TNF, IL-1 e quimiocinas); 
 Macrófagos – reconhecem produtos microbianos e secretam a maioria das citocinas importantes na 
inflamação aguda. 
 
Termino da resposta inflamatória aguda 
 Mediadores produzidos de maneira transitória e com meias-vidas curtas, sendo degradados rapidamente após 
sua liberação. Neutrófilos também têm meia-vida curta e morrem por apoptose em poucas horas. A medida 
que a inflamação se desenvolve, são disparados sinais de parada. 
 REGULAÇÃO ATIVA: 
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37 
o Mudança dos leucotrienos para forma anti-inflamatórias (lipoxinas); 
o Produção de citocinas anti-inflamatórias (fator transformador do crescimento –TGF-beta e 
interleucina 10 – IL10 de macrófagos); 
o Mediadores lipídicos anti-inflamatórios (resolvinas e protectinas, derivados de ácidos graxos poli-
insaturados); 
o Impulsos neurais inibidores da produção de TNF pelos macrófagos. 
 
Mediadores inflamatórios: 
Derivadas do plasma ou das células. Produzidos em resposta a produtos microbianos ou fatores liberados pela 
resposta imune. 
o Várias moléculas, derivadas do PLASMA ou de CÉLULAS. 
o Os derivados de células são estocados em grânulos e são rapidamente secretados por exocitose; 
o Os plasmáticos são as frações do complemento e as cininas; 
o Produzidos em resposta a produtos microbianos ou fatores liberados por tecido necrótico – inflamação ativada 
apenas onde e quando necessária; 
o Geralmente se ligam a receptores específicos; 
o Podem agir em cascata – ampliando a reação; 
o A maioria possui meia-vida curta. 
 
 
Mediadores celulares 
 Produzidos por: plaquetas, neutrófilos, monócitos, macrófagos, mastócitos, células mesenquimais e epitélio. 
 Aminas vasoativas: aumentam a permeabilidade vascular. 
 Histamina produzida por mastócitos, basófilos e plaquetas. 
Liberada por estímulos por agentes físicos, reações alérgicas 
(ligação de anticorpos na superfície dos mastócitos - IgE), 
fragmentos do complemento (anafilatoxinas), citocinas e 
neuropeptídios; é o principal mediador da fase transitória 
imediata por causar vasodilatação e aumento da 
permeabilidade vascular (age sobre receptores H1 nas células 
endoteliais); 
 Serotonina produzida por plaquetas e células 
neuroendócrinas, liberada pelo contato com colágeno, 
trombina, ADP e complexos antígeno-anticorpo, executando 
um elo entre coagulação e inflamação. Ações semelhantes às da 
histamina. É liberada das plaquetas quando estas se agregam, 
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38 
após contato com o colágeno, trombina e ADP. Assim, a reação de liberação das plaquetas está vinculada 
com a permeabilidade vascular aumenta. 
 PAF derivado dos fosfolipídeos, produzidos por plaquetas, leucócitos e endotélio. Induz agregação 
plaquetária e a maioria das reações vasculares e celulares da inflamação (vaso e broncoconstrição); 
 Metabólitos do ácido araquidônico o AA é um ácido graxo poli-insaturado de 20C, derivado da dieta ou da 
conversão do ácido linoleico; geralmente está esterificado nos fosfolipídeos da membrana. De seu 
metabolismo derivam eicosanoides (prostaglandinas, tromboxanos, leucotrienos e lipoxinas): células ativadas 
liberam o ácido araquidônico (AA), por ação da fosfolipase A2 sobre os fosfolipídeos de membrana. O AA pode 
ser metabolizado por duas vias. A via da ciclo-oxigenase (COX) leva à produção de tromboxanos e 
prostaglandinas. A via da lipo-oxigenase leva à produção de leucotrienos e lipoxinas. 
o Esteroides (anti-inflamatórios esteroidais) inibem a fosfolipase A2. 
 Prostaglandinas sintetizadas por ação da COX-1 (constitutiva) e COX-2 (induzida) pelos mastócitos, células 
endoteliais e outros tipos celulares. Causam vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e são 
quimioatraentes para neutrófilos. Envolvidas na patogenia da dor e da febre na inflamação. 
o Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) inibem a COX. Os não seletivos inibem ambas. Os seletivos 
inibem a COX-1 ou a 2. Apesar de serem eficazes e com maiores efeitos colaterais, os esteroides são 
mais potentes, por inibirem o início da cascata do metabolismo do ácido araquidônico. 
 Leucotrienos sintetizados a partir de lipoxigenases pelos leucócitos. São quimioatraentes para leucócitos e 
também tem efeitos vasculares. São mais potentes que as histaminas em aumentar a permeabilidade vascular 
e causam broncoespasmo. 
 Lipoxinas Tem ação anti-inflamatória. São inibidores da quimiotaxia e da adesão dos neutrófilos ao 
endotélio. Há uma relação inversa entre a produção 
de leucotrienos e lipoxinas. 
 
 
 
 EROs são liberadas extracelularmente pelos 
leucócitos após a fagocitose e após exposição a 
quimiocinas, complexos imunes ou produtos 
microbianos. Causam danos às células endoteliais e injúria aos outros tipos celulares. Também causam 
inativação de antiproteases, o que aumenta a atividade de proteases, com destruição aumentada da matriz 
extracelular (nos pulmões, contribui para a destruição das fibras elásticas enfisema). 
 Óxido nítrico (NO) fator derivado do endotélio. Causa dilatação vascular pelo relaxamento da musculatura 
lisa. São microbicidas e podem exterminar células tumorais. Regula as respostas inflamatórias reduzindo a 
agregação e a adesão plaquetárias, também inibindo várias características da inflamação induzidas por 
mastócitos. 
 Citocinas proteínas produzidas por linfócitos, macrófagos, células endoteliais, epiteliais e tecido conjuntivo, 
ativados que modulam a função de outros tipos celulares; 
Metabólitos do AA 
As prostaglandinas são divididas em série: 
PGD, PGI, PGE, PGF, PGG, PGH. 
As mais importantes são: PGE2, PGD2, PGF2α E PGI2 
(prostaciclinas), além da TXA2 (tromboxano), cada qual 
derivado da ação de uma enzima específica em um 
intermediário da via (as enzimas são tecido-específicas, de 
forma que cada tipo de PG também é). 
PGI2 Potente vasodilatador e inibidor daagregação 
plaquetária; 
TXA2 Vasoconstritor e ativador da agregação plaquetária; 
PGD2 e PGE2 Vasodilatação e aumento da permeabilidade 
das vênulas pós-capilares. PGD2 é quioatraente para 
neutrófilos; 
PGF2α Estimula a contração do músculo liso uterino e 
brônquico e de pequenas arteríolas. 
Prostaglandinas induzem febre, dor e Hiperalgesia. 
Os leucotrienos são quimioatraentes para leucócitos, podem 
ter efeito vasoconstritor, aumento de permeabilidade vascular 
e broncoespasmo, ativam neutrófilos e aumentam a taxa de 
migração. 
As lipoxinas são inibidores da inflamação, por inibir o 
recrutamento dos leucócitos (quimiotaxia e adesão). 
 
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39 
o TNF e interleucina-1 citocinas mais importantes que acarretam inflamação. Secreção estimulada 
por endotoxinas microbianas, imunocomplexos, injúrias físicas e outros. Tem efeitos sobre o 
endotélio, leucócitos (inflamação) e fibroblastos (reparo), induzindo reações sistêmicas de fase aguda, 
como febre, anorexia, letargia, neutrofilia, e liberação de corticosteroides. Induzem moléculas de 
adesão endotelial, síntese de mediadores químicos (citocinas, quimiocinas, fatores de crescimento, 
eicosanoides, NO, aumento da trombogenicidade do endotélio) e també m aumentam as respostas 
dos neutrófilos a outros estímulos. 
 Quimiocinas são uma família de proteínas pequenas, relacionadas estruturalmente, que atuam 
primariamente como quimioatraentes para diferentes grupos de linfócitos. As duas principais funções das 
quimiocinas são o recrutamento dos leucócitos na inflamação e na organização anatômica normal das células 
nos tecidos linfoides e outros tecidos. 
 
Enzimas Lisossômicas dos Leucócitos 
Os grânulos dos lisossomas dos neutrófilos e monócitos contêm muitas enzimas que destroem as substâncias 
fagocitadas e são capazes de causar lesão tecidual. Podem ser liberados de leucócitos ativados. Os efeitos 
potencialmente lesivos das enzimas lisossômicas são mantidos sob o controle das antiproteases, presentes no soro e 
líquidos teciduais. Elas incluem a α-1-antitripsina, o inibidor mais importante da elastase dos neutrófilos, e a α-2-
macroglobulina. A deficiência desses inibidores pode acarretar ativação continuada das proteases leucocitárias, que 
resulta em destruição tecidual nos locais de acúmulo de leucócitos. Por exemplo, a deficiência de a1-antitripsina no 
pulmão causa o grave enfisema pan-acinar. 
 Os neutrófilos possuem dois tipos de grânulos: 
1. Específicos (secundários) lisozima, colagenase, gelatinase, lactoferrina, ativador plasminogênio e 
histaminase; 
2. Azurófilos (primários) mieloperoxidase, lisozima, defensina, hidrolases ácidas e proteases neutras. 
 Estas substâncias podem ser liberadas e contribuir para a resposta inflamatória ou causar lesão tecidual. 
 
Neuropeptídios 
Os neuropeptídios, semelhantes às aminas vasoativas, podem iniciar as respostas inflamatórias; eles são 
pequenas proteínas como a substância P, que transmite os sinais dolorosos, regula o tônus do vaso e modula a 
permeabilidade vascular (mediador de permeabilidade vascular, transmite sinais de dor, regula a pressão arterial e 
estimula secreção celular imune e endócrina). As fibras nervosas que secretam neuropeptídios são proeminentes no 
pulmão e no trato gastrointestinal. 
 
Mediadores derivados de proteínas plasmáticas 
 São três mecanismos inter-relacionados derivados do plasma: 
1. Sistema do complemento; 
2. Sistema das cininas; 
3. Sistema da coagulação. 
 
Complemento 
Consiste em proteínas 
plasmáticas que exercem um papel 
importante na defesa (imunidade) 
do hospedeiro e na inflamação. Sob 
ativação, as diferentes proteínas do 
complemento revestem (opsonizam) 
as partículas, como os micróbios, 
para fagocitose e destruição, e 
contribuem para a resposta 
inflamatória, aumentando a 
permeabilidade vascular e a 
quimiotaxia dos leucócitos. A 
ativação do complemento 
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40 
finalmente gera o complexo de ataque à membrana (MAC) que forma canais nas membranas dos micróbios invasores. 
Aqui, resumiremos o papel do sistema complemento na inflamação. 
Os componentes do complemento, numerados de C1 a C9, estão presentes no plasma em formas inativas e 
muitos deles são ativados por proteólise para que eles mesmos adquiram atividades proteolíticas, iniciando, assim, 
uma cascata enzimática. 
A etapa fundamental na geração de produtos do complemento biologicamente ativos é a ativação do terceiro 
componenteC3. A clivagem de C3 ocorre por três vias: (1) via clássica, desencadeada por fixação do primeiro 
componente do complemento C1, a complexos antígeno-anticorpo; (2) via alternativa, desencadeada por 
polissacarídeos bacterianos (ex.: endotoxinas) e outros componentes da parede celular das bactérias e envolvendo 
um conjunto distinto de proteínas plasmáticas que incluem a properdina e fatores B e D; e (3) via das lectinas, na qual 
uma lectina plasmática se liga a resíduos de manose nos micróbios e ativa um componente inicial da via clássica ( mas 
na ausência de anticorpos). 
Todas as três vias levam à formação de uma C3-convertase que cliva o C3 em C3a e C3b. O C3b se deposita na 
célula ou na superfície microbiana onde o complemento foi ativado e, então, liga-se ao complexo C3-convertase para 
formar a C5-convertase; esse complexo cliva o C5 e gera C5a e C5b, e inicia os estágios finais da montagem de C6 a 
C9. Várias cópias de C9 formam um poro na parede corporal do micro-organismo (complexo de ataque à membrana 
– MAC), permitindo a entrada de água e sua lise. Três categorias da função biológica do complemento: 
1. Lise celular – formação do MAC; 
2. Inflamação – liberação histamina, ativação eicosanoides, quimioatração de leucócitos; 
3. Opsonização – fagocitose através de receptores C3b específicos. 
 
Sistemas da Coagulação e das Cininas 
O sistema de coagulação é dividido em duas vias que convergem, culminando na ativação de trombina e na 
formação de fibrina. A via intrínseca é uma série de proteínas plasmáticas que podem ser ativadas pelo fator de 
Hageman. O fator de Hageman (conhecido também como fator XII da cascata intrínseca da coagulação) é uma 
proteína sintetizada pelo fígado que circula em forma inativa até encontrar colágeno, membrana basal ou plaquetas 
ativadas (ex.: no local da lesão endotelial). O fator de Hageman ativado (fator XIIa) inicia quatro sistemas envolvidos 
na resposta inflamatória: 
(1) o sistema de cininas, produzindo cininas vasoativas; 
(2) o sistema de coagulação, induzindo a ativação de trombina, fibrinopeptídeos e fator X, todos com propriedades 
inflamatórias; 
(3) o sistema fibrinolítico, produzindo plasmina e inativando a trombina, e 
(4) o sistema complemento, produzindo as anafilatoxinas C3a e C5a. 
 
Cininas são peptídeos vasoativos 
derivados de proteínas plasmáticas, chamadas 
cininogênio, pela ação de proteases específicas 
chamadas calicreínas. As calicreínas são 
resultantes da ação do fator de Hageman sobre 
a pré-calicreína plasmática. A calicreína, agora 
ativa, quebra cininogênio para produzir 
bradicinina, a qual aumenta a permeabilidade 
vascular e causa contração do músculo liso, 
dilatação de vasos sanguíneos e dor 
(bradicinina é rapidamente inativada pela 
cininase). A calicreína ativa reciprocamente o 
fator de Hageman, amplificando o efeito, e 
pode ainda agir sobre C5, produzindo C5a. 
O fator de Hageman ativado induz a 
formação do coágulo de fibrina, e ativa o sistema fibrinolítico, ao mesmo tempo. A calicreína, assim como o ativador 
de plasminogênio (liberado do endotélio), transformam o plasminogênio em plasmina, o qual degrada o coágulo de 
fibrina. 
 Inflamação e coagulação funcionalmente interligadas. 
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41 
 Inflamação aumenta produção local e sistêmica de vários fatores de coagulação e torna a superfície endotelial 
pró-trombogênica, e ainda inibe os mecanismos de anticoagulação; 
 Trombina promove a inflamação produção de citocinas, PAF, NO e prostaglandinas; 
 Fator XII ativado gera produção de bradicinina (dilatação e aumento permeabilidade vasos e dor), ativa o 
sistema fibrinolítico e forma a plasmina (cliva o C3); 
 
Resultados da inflamação aguda: 
Embora as consequências da inflamação aguda sejam modificadas pela natureza e intensidade da lesão, pelo 
local e tecido afetado e pela habilidade do hospedeiro de montar uma resposta, a inflamação aguda possui um dos 
três resultados: 
 Resolução: Regeneração e Reparo. Quando a lesão é limitada 
ou breve, onde há pouca ou nenhuma destruição tecidual e 
quando o tecido é capaz de se regenerar, o resultado normal 
é a restauração a uma normalidade estrutural e funcional. 
Antes que o processo de resolução se inicie, a resposta 
inflamatória aguda tem de ser terminada. A resolução da 
inflamação aguda envolve neutralização, decomposição ou 
degradação enzimática dos vários mediadores químicos, 
normalização da permeabilidade vascular, cessação funções 
anormais nos leucócitos). 
1. Resolução completa – regeneração quando há pouca 
destruição e as células parenquimatosas podem se regenerar; 
2. Cura com substituição por tecido fibroso – cicatriz; ocorre nas seguintes condições: 
o Destruição tecidual extensa; 
o Tecidos não regenerativos; 
o Abundante exsudação de fibrina no tecido e cavidades serosas, que não podem ser adequadamente 
limpas; 
3. Progressão para inflamação crônica. 
 
Padrões morfológicos da inflamação aguda: 
 A inflamação serosa é caracterizada pelo extravasamento de um fluido aquoso, 
relativamente pobre em proteína que, dependendo do local da lesão, se origina 
do soro sanguíneo ou das secreções de células mesoteliais que reve stem as 
cavidades peritoneal, pleural e pericárdica. A bolha cutânea resultante de uma 
queimadura ou infecção viral é um bom exemplo do acúmulo de líquido seroso, 
dentro ou imediatamente embaixo da epiderme. O líquido em uma cavidade 
serosa é chamado de efusão. 
 A inflamação fibrinosa ocorre como consequência de lesões mais graves, resultando em maior 
permeabilidade vascular que permite a moléculas grandes (como o fibrinogênio) atravessarem a barreira 
endotelial. Histologicamente, a fibrina extravascular acumulada aparece como uma rede eosinofílica de 
filamentos ou, às vezes, como um coágulo amorfo. Um exsudato fibrinoso é característico de inflamação no 
revestimento de cavidades corporais, como meninges, pericárdio e pleura. Esses exsudatos podem ser 
degradados por fibrinólise, e os restos acumulados podem ser removidos pelos macrófagos, restaurando a 
estrutura normal do tecido (resolução). Se, no entanto, a fibrina não for completamente removida, isso 
resultará no crescimento de fibroblastos e vasos sanguíneos 
(organização) que leva finalmente à cicatrização, podendo 
haver consequências clínicas significativas. Por exemplo, a 
organização de um exsudato fibrinoso pericárdico forma um 
denso tecido cicatricial fibroso que transpõe ou oblitera o 
espaço pericárdico e restringe a função do miocárdio. 
 A inflamação supurativa (purulenta) e a formação de abscesso são caracterizadas pela presença de grande 
quantidade de exsudato purulento (ou pus) consistindo em neutrófilos, células necróticas e líquido de e dema. 
Certos microrganismos (ex.: estafilococos) induzem essa supuração localizada e, por isso, são chamados de 
piogênicos (formadores de pus). Os abscessos são coleções localizadas de pus que podem ser causadas por 
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organismos piogênicos contidos dentro de um tecido ou por 
infecções secundárias de focos necróticos. Os abscessos possuem 
uma região central de células necróticas, tendo em volta uma 
camada de neutrófilos preservados e circundada por vasos 
dilatados e fibroblastos em proliferação, indicando o início do 
reparo. Com o tempo, o abscesso pode tornar-se completamente 
encerrado e ser substituído por tecido conjuntivo. Devido à 
destruição do tecido subjacente, geralmente o resultado do abscesso é a formação de cicatriz. 
 
INFLAMAÇÃO CRÔNICA 
 Processo prolongado – semanas ou meses; 
 Ocorre: 
1. Após inflamação aguda – processo natural de cura; 
2. Persistência de estímulo danoso ou surtos repetidos de inflamação aguda; 
3. Resposta de baixo grau e lenta sem inflamação aguda prévia. 
 
A inflamação crônica é a inflamação de duração prolongada (semanas a meses ou anos) na qual inflamação ativa, 
destruição tecidual e reparação por fibrose ocorrem simultaneamente. Ao contrário da inflamação aguda, que é 
caracterizada pelas alterações vasculares, edema e infiltrado predominantemente neutrofílico, a inflamação crônica 
caracteriza-se por um conjunto de alterações; 
 
Causas da inflamação crônica: 
 Infecção persistente micróbios intracelulares de baixa toxicidade direta (Tb) ; 
 Reações imunes (autoimunes), reações a flora normal hospedeiro (doenças inflamatórias intestinais), alergias; 
 Exposição prolongada substâncias exógenas (sílica, carvão) ou endógenas (aterosclerose). 
 
Características morfológicas: 
 Infiltração com células inflamatórias mononucleares (macrófagos, linfócitos e células plasmáticas); 
 Destruição tecidual – agente agressor e/ou células inflamatórias; 
 Tentativas de cura – fibrose – e proliferação vascular – angiogênese. 
 
Células e Mediadores da Inflamação Crônica 
A combinação de inflamação prolongada e repetida, destruição e fibrose tecidual que caracterizam a 
inflamação crônica envolve interações complexas entre as várias populações celulares e seus mediadores secretados. 
 
Macrófagos 
 Se originam dos monócitos; 
 São ativados por citocinas (células T) ou endotoxinas 
 Produzem mediadores – proliferação fibroblastos, tecidos conjuntivo e angiogênese 
 Alguns mediadores promovem dano direto aos tecidos 
 Na inflamação crônica há contínuo recrutamento de monócitos e proliferação local dos mesmos 
 
Os macrófagos, as células dominantes da inflamação crônica, são células teciduais derivadas dos monócitos 
do sangue circulante, após sua emigração da corrente sanguínea. Os macrófagos estão difusamente dispersos em 
muitos tecidos conjuntivos e são encontrados também em órgãos como o fígado (onde são chamados de células de 
Kupffer), baço e linfonodos (chamados histiócitos sinusais), sistema nervoso central (células microgliais) e pulmões 
(macrófagos alveolares). Em conjunto, essas células constituem o sistema de fagócitos mononucleares, conhecido 
também pelo antigo nome de sistema reticuloendotelial. Em todos os tecidos, os macrófagos atuam como filtros para 
materiais particulados, micróbios e células senescentes, bem como células efetoras que eliminam micróbios nas 
respostas imune humoral e celular. 
Os monócitos se originam de precursores na medula óssea e circulam no sangue por cerca de um dia. Sob a 
influência das moléculas de adesão e das quimiocinas, eles começam a migrar para o local da lesão dentro de 24-48 
horas após o início da inflamação aguda, como descrito previamente. Quando os monócitos alcançam o tecido 
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extravascular, sofrem transformação em macrófagos maiores, de meia-vida mais longa e capacidade maior para 
fagocitose do que os monócitos sanguíneos. 
 
Linfócitos 
Os linfócitos são mobilizados sob a manifestação de qualquer estímulo imune específico (p. ex., infecções), bem como 
na inflamação não mediada imunologicamente (p. ex., devido a necrose isquêmica ou trauma) e são os principais 
orientadores da inflamação em muitas doenças autoimunes e inflamatóriascrônicas. A ativação de linfócitos B e T é 
parte da resposta imune adaptativa em infecções e doenças imunológicas. Os linfócitos T e B migram para os locais 
inflamatórios usando alguns dos mesmos pares de moléculas de adesão e quimiocinas que recrutam outros leucócitos. 
Nos tecidos, os linfócitos B podem se desenvolver em plasmócitos, que secretam anticorpos, e os linfócitos T CD4+ são 
ativados para secretar citocinas. 
 Plasmócitos – células B – produzem anticorpos; 
 Eosinófilos – reações imunes IgE e infecções por parasitas; 
 Mastócitos – tecido conjuntivo – receptores para IgE e liberam histamina – reações anafiláticas. 
 
Inflamação Granulomatosa 
A inflamação granulomatosa é um padrão distintivo de inflamação crônica, caracterizada por agregados de 
macrófagos ativados com linfócitos esparsos. Os granulomas são encontrados em certos estados patológicos 
específicos; consequentemente, o reconhecimento do padrão granulomatoso é importante devido ao número 
limitado de condições (algumas ameaçadoras à vida) que o causam. Os granulomas podem se formar de três modos: 
 Nas respostas persistentes de células T a certos microrganismos (como Mycobacterium tuberculosis, T. 
pallidum ou fungos), nos quais as citocinas derivadas de célula T são responsáveis pela ati vação crônica do 
macrófago. A tuberculose é o protótipo de doença granulomatosa causada por infecção e deveria sempre ser 
excluída como causa quando os granulomas são identificados. 
 Os granulomas podem também se desenvolver em algumas doenças inflamatórias imunomediadas, 
principalmente na doença de Crohn, que é um tipo de doença inflamatória intestinal, importante causa de 
inflamação granulomatosa nos Estados Unidos. 
 Os granulomas também são vistos em uma doença de etiologia desconhecida chamada sarcoidose, e podem 
se desenvolver em resposta a corpos estranhos relativamente inertes (ex.: sutura ou farpa), formando os 
conhecidos granulomas de corpos estranhos. 
Efetivamente, a formação de um granuloma “encerra” o agente ofensor e, portanto, é um mecanismo útil de 
defesa. Entretanto, a formação do granuloma nem sempre leva à eliminação do agente causal, o qual frequentemente 
é resistente a destruição ou degradação e, em algumas doenças, como a tuberculose, a inflamação granulomatosa, 
com fibrose subsequente, pode ser a principal causa da disfunção do órgão. 
 
Aula 5 – Patologia – Inflamação 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
44 
Efeitos sistêmicos da inflamação: 
Qualquer pessoa que tenha sofrido um episódio severo de doença viral (como influenza) experimentou os efeitos 
sistêmicos da inflamação, coletivamente chamados de reação da fase aguda ou síndrome da resposta inflamatória 
sistêmica. 
 A febre, caracterizada por elevação da temperatura corporal, é uma das manifestações mais proeminentes na 
resposta da fase aguda. A febre é produzida em resposta a substâncias chamadas pirogênios, que atuam 
estimulando a síntese de prostaglandina nas células vasculares e perivasculares do hipotálamo. Os produtos 
bacterianos, como o lipopolissacarídio (LPS; chamado pirogênio exógeno) estimula os leucócitos a liberarem 
citocinas como IL-1 e TNF (chamados pirogênios endógenos) que aumentam os níveis de ciclo-oxigenases que 
convertem o AA em prostaglandinas. No hipotálamo, as prostaglandinas, especialmente PGE2, estimulam a 
produção de neurotransmissores, os quais funcionam para reajustar a temperatura e m nível mais alto. Os 
AINEs, incluindo a aspirina, reduzem a febre, inibindo a ciclo-oxigenase, bloqueando assim a síntese de 
prostaglandina. Embora a febre seja reconhecida como um sinal de infecção há centena de anos, o propósito 
dessa reação ainda não é claro. Tem sido mostrado que a temperatura corporal elevada auxilia os anfíbios a 
repelirem as infecções microbianas e assume-se que a febre faça o mesmo com os mamíferos, embora os 
mecanismos sejam desconhecidos. 
 A leucocitose é uma característica comum das reações inflamatórias, especialmente aquelas induzidas por 
infecções bacterianas). A contagem de leucócitos costuma subir para 15.000-20.000 células/ml, mas às vezes 
pode alcançar níveis extraordinariamente altos como 40.000-100.000 células/ml. Essas elevações extremas 
são chamadas de reações leucemoides porque são semelhantes às contagens de leucócitos obtidas na 
leucemia. A leucocitose ocorre inicialmente devido à liberação acelerada de células do pool de reserva pós-
mitótico da medula óssea (causada por citocinas, incluindo TNF e IL-1) e está associada a uma elevação do 
número de neutrófilos mais imaturos no sangue (“desvio para a esquerda”). Uma infecção prolongada 
também estimula a produção de fatores estimuladores de colônia (CSFs), levando a aumento da saída de 
leucócitos da medula óssea, para compensar a perda dessas células na reação inflamatória. A maioria das 
infecções bacterianas induz a um aumento da contagem de neutrófilos chamado de neutrofilia. Infecções 
virais, como mononucleose infecciosa, caxumba e sarampo, estão associadas ao aumento do número de 
linfócitos (linfocitose). Asma brônquica, febre do feno e infestações parasitárias envolvem aumento do 
número absoluto de eosinófilos, criando uma eosinofilia. Certas infecções (febre tifoide e infecções causadas 
por alguns vírus, riquétsias e certos protozoários) estão paradoxalmente associadas a um número reduzido de 
leucócitos circulantes (leucopenia), provavelmente devido ao sequestro de linfócitos nos linfonodos, induzido 
por citocinas. 
 Bactéria – neutrofilia; 
 Vírus – linfocitose; 
 Alergia e parasitoses – eosinofilia; 
 Leucopenia – infecções em pacientes debilitados. 
 
 Anorexia, sonolência e mal-estar – ação citocinas nas células cerebrais. 
 Infecções bacterianas graves – SEPSE – enormes quantidades de citocinas (TNF e IL-1): choque séptico, 
CIVD e distúrbios metabólicos graves. 
Aula 6 – Patologia – Renovação, regeneração e reparo de tecidos 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
45 
AULA 6 – RENOVAÇÃO, REGENERAÇÃO E REPARO DE TECIDOS 
 
Introdução 
A lesão a células e tecidos coloca em movimento uma série de eventos que contém a lesão e inicia o processo 
de cura. De um modo geral, esse processo pode ser dividido em regeneração e reparo. A regeneração resulta na 
restituição completa do tecido perdido ou lesado; o reparo pode restaurar algumas estruturas originais, mas pode 
causar desarranjos estruturais. Em tecidos saudáveis, a cura, na forma de regeneração ou reparo, ocorre praticamente 
após qualquer insulto que cause destruição tecidual e é essencial para a sobrevivência do organismo. 
A regeneração refere-se à proliferação de células e tecidos para substituir estruturas perdidas, como o 
crescimento, em anfíbios, de um membro amputado. Tecidos com alta capacidade proliferativa, como o sistema 
hematopoiético e os epitélios da pele e do trato gastrointestinal, se autorrenovam continuamente e podem regenerar-
se após a lesão, já que as células-tronco desses tecidos não são destruídas. 
O reparo consiste em mais frequentemente em uma combinação de regeneração e formação de cicatriz pela 
deposição de colágeno. A relativa contribuição de regeneração e cicatrização no reparo do tecido depende da 
habilidade do tecido em regenerar e da extensão da lesão. Por exemplo, uma ferida cutânea superficial cicatriza 
através da regeneração do epitélio superficial. Entretanto, a 
formação de cicatriz constitui o processo predominante de 
reparo que ocorre quando a rede de matriz extracelular (MEC) 
é danificada por uma grave lesão. A inflamação crônica que 
acompanha a lesão persistente estimula também a formação 
de cicatriz, devido à produção local de fatores de crescimento 
e citocinas que promovem a proliferação de fibroblastos e 
síntese de colágeno. Os componentes da MEC são essenciais 
para a cura de feridas porque eles fornecem a rede para 
migração celular, mantêma correta polaridade celular para o 
rearranjo de estruturas estratificadas e participam da 
formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese). Além 
disso, as células na MEC (fibroblastos, macrófagos e outros 
tipos celulares) produzem fatores de crescimento, citocinas e 
quimiocinas que são importantes para regeneração e reparo. 
Embora o reparo seja um processo de cura, ele próprio pode 
causar disfunção tecidual, como, por exemplo, no 
desenvolvimento da aterosclerose. 
Em suma, na regeneração o tecido morto é substituído 
por outro morfofuncionalmente idêntico. Na cicatrização, um 
tecido neoformados, originado do estroma (conjuntivo ou glia), 
substitui o tecido perdido. 
 
Definições 
 Regeneração: reconstrução ou restituição completa dos tecidos perdidos ou lesados. Ocorre em tecidos com 
alta capacidade proliferativa (hematopoiético, epitélio GI), desde que não haja destruição de células-tronco 
ou da arquitetura do tecido. A regeneração ocorre por proliferação de células residuais (não lesadas) que 
retêm a capacidade de divisão e por substituição de células-tronco teciduais. Constitui a resposta típica a lesão 
em epitélios que se dividem rapidamente, como na pele e nos intestinos e em alguns órgãos, principalmente 
no fígado. 
 Formação de cicatriz: Se os tecidos lesados são incapazes de regeneração ou se as estruturas de suporte do 
tecido são gravemente lesadas, o reparo ocorre por deposição de tecido conjuntivo (fibrose), um processo 
que resulta em formação de cicatriz. Embora a cicatriz fibrosa não possa realizar a função das células perdidas 
do parênquima, ela fornece estabilidade estrutural suficiente para tornar o tecido lesado hábil nas suas 
funções. 
 Reparação: o reparo pode restaurar algumas estruturas originais, mas pode causar desarranjos estruturais. 
Envolve combinação de regeneração e formação de cicatriz. 
 Cura: em tecidos saudáveis, a cura, na forma de regeneração ou reparo, ocorre praticamente após qualquer 
insulto, que cause destruição tecidual e é essencial para a sobrevivência do organismo. Depende da 
Aula 6 – Patologia – Renovação, regeneração e reparo de tecidos 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
46 
capacidade de proliferação do tecido, da extensão da lesão e da extensão da fibrose (o termo fibrose é mais 
utilizado para indicar deposição excessiva de colágeno no local da cicatriz, que pode comprometer a função 
do órgão). 
 
Controle da proliferação e crescimento celular 
Vários tipos celulares proliferam durante o reparo do tecido. Eles 
incluem as células restantes do tecido lesado (que tentam restaurar a 
estrutura normal), as células endoteliais (para criar novos vasos que fornecem 
nutrientes necessários ao processo de reparo) e fibroblastos (fonte de tecido 
fibroso que forma a cicatriz para preencher os defeitos que não podem ser 
corrigidos por regeneração). A proliferação desses tipos celulares é guiada por 
proteínas chamadas fatores de crescimento. 
 Nos tecidos adultos tamanho das populações celulares se 
determina pelos índices relativos de proliferação, diferenciação e 
morte por apoptose (a manutenção da população celular estável é 
dada pela compensação da proliferação, pela morte de células; 
quando as células proliferam a uma taxa maior do que morrem, pode 
haver hiperplasia do tecido, e, ao contrário, pode haver hipoplasia); 
 Células diferenciadas que não proliferam células terminalmente 
diferenciadas. Em alguns tecidos não são substituídas (Ex.: miócitos 
cardíacos ou cardiomiócitos; neurônios) e em outros, morrem e são substituídas a partir de células-tronco 
(Ex.: epitélio cutâneo). 
 Proliferação pode envolver estímulos fisiológicos (Ex.: hormonais – TSH/tireoide) ou patológicos (Ex.: um 
tumor de hipófise pode levar à hipersecreção de TSH, e ocasionar uma estimulação ex agerada da tireoide, 
causando hipertireoidismo/bócio). 
 Proliferação e diferenciação controlados por sinais solúveis ou mediados por contato, estimulatórios ou 
inibitórios. 
 
Atividade proliferativa do tecido 
 Células de divisão contínua (lábeis): estão em contínua divisão; proliferam por toda a vida substituindo as que 
morrem, em tecidos com alta taxa de renovação (epitélios superficiais, tecido hematopoiético); 
 Células quiescentes (estáveis): baixo nível replicação, ocorrendo apenas para manutenção da população 
celular estável. Sob estímulos, sofrem divisão rápida e podem, portanto, reconstruir o tecido de origem 
(fígado, rins, pâncreas, fibroblastos, células endoteliais, condrócitos, osteócitos, musculatura lisa); 
 Células não divisoras (permanentes): não se dividem na vida pós-natal (neurônios e miócitos cardíacos e 
esqueléticos*). Existem estudos que afirmam que neurônios e cardiomiócitos podem proliferar sob estímulos 
adequados “in vitro”. “In vivo” isso não foi observado. Talvez esteja relacionado com au sência natural dos 
fatores de crescimento necessários para tirar tais células da quiescência. 
o Com exceção dos tecidos compostos primariamente por células permanentes que não se dividem (ex.: 
músculo cardíaco, nervo), a maioria dos tecidos maduros contém proporções variáveis dos três tipos 
celulares: células em divisão contínua, células quiescentes que podem retornar ao ciclo celular e 
células que perderam a habilidade replicativa. 
*Células musculares esqueléticas possuem capacidade muito limitada de regeneração a partir de células-tronco 
adultas não replicantes chamadas células satélites. 
 
Células tronco (CT) 
Duas principais propriedades: 
 Autorrenovação as células mantêm a sua pluripotencialidade; isto é, as células tronco se dividem e originam 
clones (células filhas idênticas, que continuam sendo tronco, e com a mesma potencialidade para se 
diferenciar); 
 Capacidade de diferenciação nos diversos tecidos, de acordo com os estímulos que recebem. 
Dois mecanismos manutenção das propriedades: 
 Replicação assimétrica obrigatória uma célula-filha retém a capacidade de autorrenovação e a outra se 
diferencia; 
Aula 6 – Patologia – Renovação, regeneração e reparo de tecidos 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
47 
 Diferenciação aleatória (estocástica) manutenção da população de CT pelo equilíbrio entre geração de duas 
células autorrenovadoras ou duas que irão se diferenciar; 
 
Células tronco embrionárias 
 As células tronco da mórula, 
antes que ocorra a 
diferenciação em células do 
trofoblasto e do 
embrioblasto, são 
totipotentes, ou seja, 
podem originar qualquer 
tipo celular, inclusive as 
células formadoras dos 
anexos embrionários. 
 As células que formam massa celular interna (embrioblasto) do blastocisto normal são pluripotenciais 
capacidade de se diferenciar em uma grande quantidade de diferentes células e tecidos (podem gerar todos 
os tecidos, exceto os anexos embrionários); 
 As células tronco pluripotentes se diferenciam para dar origem às células multipotentes, a partir do momento 
em que se formam o hipoblasto e o epiblasto; 
 As células multipotentes originam as células tronco comprometidas com linhagem, as quais originam os três 
folhetos germinativos, que darão origem aos tecidos adultos; 
 Células tronco adultas são encontradas nos tecidos maduros, e são responsáveis pela renovação e 
regeneração dos tecidos. Elas são capazes de dar origem a um único tipo celular ou a poucos , mas todas 
residentes naquele tecido de origem. 
 Usadas estudos diferenciação para desenvolver muitos tecidos; 
 Usadas para criar deficiências congênitas em modelos animais camundongos knockout – mais de 500 
modelos de doenças humanas; 
 A perspectiva para o futuro é a possiblidade de repopular tecidos ou até mesmo órgãos lesados. 
Células tronco embrionárias podem ser mantidas em cultura, e a proliferação in vitro gera um maior número de 
clones, que podem ser testados, estudados, investigados. O usode CT embrionárias em pesquisa e terapêutica envolve 
questões éticas e religiosas. Alguns estudiosos condenam o uso de CT embrionárias, pois a partir do momento em que 
o zigoto se forma, já é um 
novo indivíduo. Outros, no 
entanto, defendem que a 
vida humana se inicia a 
partir da formação da 
primeira célula nervosa, 
pois sem sistema nervoso 
um indivíduo é inviável. 
Assim, o estudo com 
células blastocísticas seria 
viável, pois este ainda não 
é considerado um novo 
ser, já que o sistema 
nervoso não começou a se 
formar. 
 
Células tronco pluripotentes induzidas 
 Clonagem reprodutiva transferência de núcleo de uma célula adulta diferenciada para um ovócito 
enucleado. (Ex.: Ovelha Dolly, 1997: geração CT embrionárias); 
o Esta técnica pode ser empregada na clonagem terapêutica, para o tratamento de doenças humanas, 
na qual o núcleo de um fibroblasto da pele, por exemplo, de um paciente, é introduzindo em um 
Aula 6 – Patologia – Renovação, regeneração e reparo de tecidos 
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48 
ovócito, para gerar células pluripotentes, que são colocadas em 
cultura e induzidas a se diferenciarem em vários tipos celulares. 
Tais células podem ser transplantadas e repopular órgãos 
lesados. 
 Células tronco induzidas fibroblastos humanos de adultos e RN – 
reprogramados para células pluripotenciais através de transdução de 4 
genes (Oct3/4, Sox2, c-myc e Klf4) - células iPS - “CT embrionárias sem 
embriões” – são capazes de gerar células endo, meso e ectodérmicas. 
Seria uma alternativa para escapar às questões éticas e religiosas para o 
uso de células tronco, já que não envolve comprometer a vida de um 
indivíduo; 
 
Células tronco adultas 
 Identificadas em muitos tecidos maduros (medula óssea, trato 
gastrointestinal, pele, fígado, pâncreas e tecido adiposo) capacidade 
limitada de diferenciação. 
 Residem em microambientes - nichos – e regulam a sua autorrenovação 
e geração de progênie; (ex.: células tronco epiteliais ou estaminais na 
parte basal dos epitélios; nas criptas do epitélio gástrico; limbo da 
córnea; bulbo do folículo piloso); 
 Dão origem às células amplificadoras de transição proliferam rapidamente e perdem capacidade de divisão 
assimétrica e dão origem a células progenitoras - potencial limitado; 
 Geram células maduras dos tecidos onde residem; 
 Transdiferenciação plasticidade do desenvolvimento - transformação de um tipo de CT somática em outro. 
CT hematopoiéticas são capazes de se transdiferenciar in vitro em neurônios, cardiomiócitos, hepatócitos e 
outras linhagens. 
 Transdiferenciação in vivo ainda é incerta. Para que isso ocorra, é preciso encontrar uma forma de introduzir 
um gene, ou induzir um gene existente nas células do organismo, para que possam executar tal evento. 
 
Células tronco na homeostase 
 CT na medula óssea CT hematopoiéticas - 
pluripotenciais, capazes de regenerar todas 
células sanguíneas; e células estromais da MO - 
multipotenciais (podendo originar osso, 
cartilagem, gordura, endotélio) dependendo de 
para onde migrem; 
 CT hepáticas nicho: canais de Hering (junções 
entre dúctulos biliares e hepatócitos). São 
células ovais - progenitoras bipotenciais que 
podem dar origem à hepatócitos e células 
biliares. São ativadas apenas quando a 
proliferação dos próprios hepatócitos é 
bloqueada (tumorigênese, insuficiência 
hepática fulminante, hepatite crônica, cirrose); 
 CT neurais neurônios, astrócitos e celulas oligodendrogliais zona subventricular e giro denteado do 
hipocampo. Não está claro se os neurônios gerados recentemente são integrados aos circuitos neuronais sob 
condições fisiológicas ou patológicas. 
 CT pele protuberância folículo piloso, regiões inter-foliculares epidérmicas e glândulas sebáceas. 
 CT epitélio intestinal criptas do intestino delgado e do cólon. Regeneram a cripta em 3 a 5 dias. 
 CT cardíacas células satélite????? 
 CT córnea limbo - junção entre córnea e conjuntiva. Transparência da córnea - integridade do epitélio 
corneano. 
 
Aula 6 – Patologia – Renovação, regeneração e reparo de tecidos 
Leandro Pivato e Bruna Pupo 
 
49 
Na quimioterapia, as células em proliferação são inibidas de proliferar, além de morrerem pelo efeito tóxico dos 
quimioterápicos. Por isso é comum a queda de cabelos, pois as células tronco do folículo piloso deixam de proliferar, e 
a estrutura capilar enfraquece. 
 
Ciclo celular e regulação da replicação 
 Proliferação celular estimulada fatores de 
crescimento solúveis e sinalização da MEC através 
das integrinas. 
 Ciclo Fases G1(pré-sintese), S (síntese DNA), G2 
(pré-mitótica) e M (mitótica). 
 Células quiescentes estado especial - G0. 
 Células continuamente replicantes entram em G1 
após completar a mitose (ou podem ir para G0). 
 Alguns tipos de célula podem entrar em G1 a partir 
de G0; alguns estão indefinidamente em G0 
(neurônios adultos); 
 O ciclo possui múltiplos controles - entre G1 e S 
existem moléculas que funcionam como 
ativadores, inibidores, sensores de dano molecular as células em G1 progridem e alcançam um estado crítico 
G1/S, conhecido como ponto de restrição, uma etapa limitante da velocidade para replicação. Se a célula 
conseguir transpor esse ponto, elas ficam comprometidas com a replicação do DNA; 
 O controle é feito por meio de ciclinas (proteínas regulatórias) e de quinases ciclina-dependentes (CDKs), 
principalmente; 
 As CDK ativadas direcionam o ciclo celular através de fosforilação de proteínas que são críticas para as 
transições do ciclo celular; a atividade delas é regulada por inibidores de CDK, os quais são desligados por 
fatores de crescimento quando a célula precisa se dividir. 
 Os pontos de controle verificam a integridade do DNA antes da replicação (ponto de controle G1/S) e sua 
integridade após replicado (G2/M) – se for detectado algum dano, são ativados mecanismos de reparo ou 
apoptose – envolvem os produtos do gene p53. 
 
Fatores de crescimento 
 A proliferação de muitos tipos celulares é orientada por polipeptídeos conhecidos como fatores de 
crescimento; 
 Ligantes que se ligam a receptores específicos; 
 Fontes típicas macrófagos, plaquetas e células mesenquimais (endotélio epitélio células T); 
 Atividades induzidas dependem das células atingidas: proliferação, movimento, contratilidade, diferenciação 
e angiogênese celulares. 
 
Os fatores de crescimento induzem a proliferação celular através da ligação a receptores específicos e influenciam 
a expressão de genes cujos produtos possuem várias funções: eles promovem a entrada das células no ciclo celular; 
atenuam bloqueios na progressão do ciclo celular (promovendo, assim, a replicação), impedem a apoptose e 
aumentam a síntese de proteínas celulares, na preparação para a mitose. A principal atividade dos fatores de 
crescimento é estimular a função dos genes de controle do crescimento, muitos dos quais são chamados de proto-
oncogenes porque suas mutações levam a proliferação celular descontrolada, característi ca do câncer (oncogênese) 
 
 FC epidérmico (EGF) e fator transformador de crescimento-α (TGF-α) mitogênicos para fibroblastos, 
hepatócitos e células epiteliais. 
 FC do hepatócito (HGF) mitogênico para hepatócitos e a maioria células epiteliais. 
 FC derivado de plaquetas (PDGF) migração e proliferação de fibroblastos, monócitos e células. Musculatura 
lisa. 
 FC endotelial vascular (VEGF) vasculogênese (embrião), angiogênese (inflamação crônica, cura lesões e 
tumoral) e linfangiogênese (adulto). O quimioterápico AVASTIN é um bloqueador do VEGF, impedindo a 
angiogênese tumoral, retardando o crescimento do tumor. 
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50 
 FC fibroblasto mais de 20; angiogênese,reparação de ferimentos, hematopoiese e desenvolvimento de 
tecidos. 
 FC transformador de crescimento β (TGF-β) mais de 30; inibidor do crescimento para células epiteliais, anti-
inflamatório potente. Promove fibrose. Cicatrizes hipertróficas; 
 Citocinas mediadores resposta imune e inflamatória - muitas também apresentam atividades promotoras 
de crescimento; 
 
MECANISMOS DE REGENERAÇÃO DE TECIDOS E ÓRGÃOS 
Existem vários tecidos e órgãos com capacidade regenerativa e os processos envolvidos são similares. O fígado, 
entretanto, é o mais bem compreendido. 
Em humanos, a ressecção de aproximadamente 60% do 
fígado de doadores vivos resulta na duplicação do fígado 
remanescente em torno de 1 mês. As partes do fígado que 
permanecem após hepatectomia parcial constituem um mini 
fígado intacto, que se expande rapidamente, alcançado a massa 
original. A restauração hepática é alcançada sem eu haja um 
novo crescimento dos lobos que foram retirados. Em vez disso, 
o crescimento ocorre por aumento dos lobos que restaram, um 
processo conhecido como crescimento ou hiperplasia 
compensatória restituição da massa funcional ao invés da 
forma original. 
 
Como os hepatócitos são células quiescentes, eles levam várias horas para entrar no ciclo celular, progredir 
para G1 e alcançar a fase S de replicação do DNA. A onda de replicação dos hepatócitos é sincronizada e acompanhada 
por replicação sincrônica de células não parenquimatosas (células de Kupffer, células endoteliais e células estreladas). 
Existem evidências substanciais de que a proliferação do hepatócito, no fígado que está se regenerando, seja 
desencadeada por ações combinadas de citocinas e fatores de crescimento polipeptídicos. 
Os hepatócitos quiescentes tornam-se competentes para entrar no ciclo celular através de uma fase de 
preparação, que é mediada principalmente pelas citocinas TNF e IL-6 e por componentes do sistema complemento. 
Os sinais de preparação ativam várias vias de transdução de sinais como uma introdução necessária para a proliferação 
celular. Sob a estimulação do HGF, TGF-α e HB-EGF, os hepatócitos preparados entram no ciclo celular e sofrem 
replicação do DNA. Norepinefrina, serotonina, insulina, hormônios do crescimento e da tireoide atuam como 
adjuvantes para a regeneração hepática, facilitando a entrada dos hepatócitos no ciclo celular. 
Hepatócitos individuais replicam-se uma ou duas vezes durante a regeneração e retornam, então, ao estado 
quiescente em uma sequência de eventos estreitamente regulada, mas os mecanismos de pausa do crescimento não 
foram estabelecidos. Os inibidores do crescimento, como o TGF-β e as ativinas, podem estar envolvidos no término 
da replicação dos hepatócitos, mas seu modo de ação não está esclarecido. As células-tronco ou progenitoras intra-
hepáticas não exercem papel no crescimento compensatório que ocorre após hepatectomia parcial, e não há evidencia 
de geração de hepatócitos a partir de células derivadas da medula óssea durante este processo. Contudo, células 
endoteliais e outras células não parenquimatosas, no fígado em regeneração, podem originar-se de células 
precursoras na medula óssea. 
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51 
MEC e interações célula-matriz 
 Proteínas estruturais fibrosas força tênsil e recuo (colágeno e 
elastina); 
 Glicoproteínas adesivas conectam elementos MEC entre si e às 
células; 
 Gel de proteoglicanos e ácido hialurônico elasticidade e 
lubrificação. 
 
CURA POR REPARO: CICATRIZAÇÃO 
 Na maioria das lesões, o reparo se dá por combinação de regeneração e cicatrização. Depende de: 
o Capacidade de proliferação do tecido afetado (se o tecido for lábil ou estável, ele pode regenerar, 
desde que a lesão não seja extensa, ou não comprometa o interstício); 
o Integridade da MEC; 
o Cronicidade da inflamação associada tecidos com inflamação aguda podem regenerar, mas na 
inflamação crônica, os tecidos podem apenas sofrer reparo; 
o Quando a lesão ao tecido é grave ou crônica e resulta em lesão das células parenquimatosas e do 
arcabouço do estroma, a cura não pode ser efetuada por regeneração. Sob estas condições, o principal 
processo de cura ocorre por deposição de colágeno e outros elementos da MEC, promoven do a 
formação de uma cicatriz. O reparo é uma resposta fibroproliferativa, ou seja, uma substituição das 
células parenquimatosas por fibroblastos e seus produtos, provenientes do estroma. 
 
Sequência de cura: 
 Inflamação A primeira etapa é finalizar o processo inflamatório, e isso envolve eliminar estímulo inicial e 
remover tecido lesionado (debridamento); 
o A reação inflamatória contém a lesão, ao mesmo tempo em que a angiogênese é estimulada. Contudo, 
se a lesão persiste, a inflamação torna-se crônica, levando a uma excessiva deposição de tecido 
conjuntivo, conhecida como fibrose. 
 Angiogênese novos vasos sanguíneos são produzidos para que o tecido em reparo possa receber 
suprimento de nutrientes e oxigênio para manter a viabilidade celular e acelerar o metabolismo das células 
que estão proliferando e sintetizando MEC; 
o Ocorre por meio de ramificação e extensão de vasos preexistentes (vasodilatação degradação 
proteolítica da membrana basal por metaloproteinases de matriz migração de células endoteliais 
proliferação das células endoteliais), mas pode ocorrer por recrutamento de células progenitoras 
endoteliais da medula óssea; 
 Migração e proliferação de células parenquimatosas e conjuntivas (fibroblastos); 
 Síntese e deposição proteínas da MEC (formação da cicatriz); 
 Remodelamento do tecido conjuntivo. 
 
Cura de feridas cutâneas 
Três fases superpostas: 
 Inflamação: lesão adesão e ativação plaquetária 
formação coágulo, alterações vasculares e celulares 
resulta em inflamação; 
 Proliferação: migração e expansão de células 
parenquimais (reepitelização), endoteliais (angiogênese) 
e células tecido conjuntivo formação do tecido de 
granulação; 
 Maturação: depósito da MEC e remodelagem com 
contração da ferida e recuperação da força tênsil. 
 
Cicatrização por primeira intenção (união primária) e segunda intenção (união secundária) 
 A cicatrização por primeira intenção ocorre quando o ferimento (corte ou incisão) tem bordos próximos e 
podem ser suturados ou se aproximam naturalmente, para que ocorra o fechamento da ferida. A reepitelização ocorre 
com a formação de uma cicatriz fina. Na segunda intenção, os bordos são distantes (ferimento por excisão), 
Reparação tecidual depende da MEC intacta e 
de suas interações com as células! A MEC regula 
o crescimento, a proliferação, o movimento e a 
diferenciação das células que vivem no seu 
interior, e está em constante remodelamento. 
Sua síntese e degradação acompanham a 
morfogênese, a regeneração, a cura de feridas, 
os processos fibróticos crônicos, a invasão e a 
metástase de tumores. 
 
Aula 6 – Patologia – Renovação, regeneração e reparo de tecidos 
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52 
dificultando intervenções como a sutura, e requerendo muito mais tempo para que a cicatrização se complete. Envolve 
reação inflamatória mais intensa, formação de abundante tecido de granulação e extensa deposição de colágeno, 
levando à uma cicatrização substancial. 
 Formação do coágulo logo após a lesão ocorre a formação do coágulo para estancar sangramento; é rico 
em FC e quimiocinas, recrutando, dentro de 24h, os neutrófilos, que participam da esterilização e remoção 
resíduos; ocorre edema devido ao aumento da permeabilidade vascular, mas na superfície externa ocorre 
desidratação, formando a crosta do ferimento; 
 Formação tecido de granulação dentro de 1 a 2 (24-72h) dias fibroblastos e endotélio proliferam, formando 
um tecido conjuntivo frouxo bastante vascularizado, com aspectovermelho, úmido e esponjoso; 
o Frequentemente é edemaciado, pois os vasos neoformados são permeáveis; 
 Proliferação celular e deposição colágeno em 2 a 4 dias (48 a 96h) ocorre substituição de neutrófilos por 
macrófagos que auxiliam no debridamento e 
estimulam fibroblastos a proliferarem e realizarem 
deposição da MEC; 
o Inicialmente as fibras colágenas são 
depositadas verticalmente, e não 
estabelecem pontes sobre a incisão; 
o Em 24 a 48h, células epiteliais proliferam e 
se movem da borda da ferida ao longo das 
margens da derme, fundindo-se na linha 
média da ferida, abaixo da crosta; as 
células epiteliais vão proliferar e ocupar 
todo o espaço da crosta. 
o Simultaneamente a epitelização, fibras 
colágenas tornam-se mais abundantes e 
começam a formar pontes na incisão; 
 Formação da cicatriz Dentro de 2 semanas, a 
deposição colágeno é abundante e ocorre 
regressão da vasculatura - epitélio intacto 
arcabouço de tecido de granulação convertido em cicatriz avascular; no fim do primeiro mês a cicatriz é 
destituída de inflamação e recoberta por epiderme intacta; 
 Contração da ferida geralmente em lesões maiores, realizada por miofibroblastos, levando à redução área 
da ferida; 
 Remodelamento do tecido conjuntivo transições na composição da MEC síntese e degradação da MEC 
remodela a trama das fibras do tecido; 
 Recuperação da força tênsil após uma semana (remoção das suturas) a resistência da ferida é 10% da pele 
normal. Após 3 meses, 70 a 80%. O remodelamento aumenta a força tênsil o aumento da tensão é conferido 
pela substituição de colágenos do tipo III por colágenos do tipo I, diminuição da degradação e aumento da 
síntese. 
 
Fatores que influenciam a cura de feridas 
 
Sistêmicos: 
 Estado nutricional (deficiência de C, hipoproteinemia) a vitamina C está envolvida na biossíntese de 
colágeno, e os aminoácidos provenientes da dieta proteica irão servir de substrato para a síntese desta 
proteína estrutural envolvida na cicatrização; 
 Estado metabólico (Ex.: diabetes melitus dificulta os processos de cicatrização); 
 Estado circulatório (arterioesclerose, varizes, dificultam fluxo sanguíneo, comprometendo o metabolismo das 
células em proliferação); 
 Hormônios (glicocorticoides). 
 
Locais: 
 Tamanho, localização e tipo da ferida (necrose); 
 Infecção, fatores mecânicos e corpos estranhos. 
Aula 6 – Patologia – Renovação, regeneração e reparo de tecidos 
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53 
Aspectos patológicos do reparo 
 Formação deficiente da cicatriz deiscência (abertura de feridas, geralmente por rotura da sutura, em 
cicatrizes cirúrgicas; dependendo do local pode ocorrer evisceração) e ulcerações (vascularização inadequada; 
como por exemplo, úlceras varicosas, ou em áreas destituídas de sensibilidade, como em casos de diabetes 
melitus); 
 Reparação excessiva: 
o Cicatriz hipertrófica deposição 
excessiva de colágeno, com formação 
grosseira, porém limitada aos bordos 
da lesão; ocorre devido a lesões 
traumáticas ou térmicas, envolvendo 
camadas mais profundas da derme; 
o Queloide produção excessiva de 
colágeno por distúrbios genéticos; a 
cicatrização é grosseira e extrapola os bordos da 
lesão; 
o Granulação exuberante formação de quantidades 
excessivas de tecido de granulação, que fazem 
protrusão acima do nível da pele e bloqueiam a 
reepitelização (carne esponjosa); 
o Contraturas geralmente resultante de 
queimaduras, com retração da pele, na área da 
ferida e nos tecidos circundantes, propensas a se desenvolverem na planta dos pés, palmas das mãos 
e face anterior do tórax; reversível cirurgicamente. 
o Fibroses deposição excessiva de colágeno e outros componentes da MEC, geralmente em doenças 
crônicas. 
 
 
 
 
 
Aula 7 – Patologia – Distúrbios hemodinâmicos 
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54 
AULA 7 – DISTÚRBIOS HEMODINÂMICOS 
 
Introdução: 
A saúde das células e dos tecidos depende da circulação do sangue, que libera oxigênio e nutr ientes, 
removendo os resíduos gerados pelo metabolismo celular. Em condições normais, quando o sangue passa através dos 
leitos capilares, proteínas plasmáticas são retidas na vasculatura e há um movimento líquido de água e eletrólitos 
dentro dos tecidos. 
Esse equilíbrio quase sempre é perturbado por condições patológicas que alteram a função endotelial, 
aumentam a pressão vascular ou diminuem o conteúdo de proteína no plasma, e tudo isso promove edema — o 
acúmulo de fluido resultante de um movimento líquido de água para fora dentro dos espaços extravasculares. 
Dependendo de sua gravidade e localização, o edema pode ter efeitos mínimos ou profundos. Nas extremidades 
inferiores, ele pode fazer apenas o indivíduo sentir os sapatos apertados após um longo dia s edentário; nos pulmões, 
contudo, o fluido do edema pode encher os alvéolos, causando hipóxia potencialmente fatal. 
Nossos vasos sanguíneos são submetidos, com frequência, a traumas de graus variáveis. Hemostasia é o 
processo de coagulação sanguínea que impede o sangramento excessivo após um dano ao vaso sanguíneo. A 
hemostasia inadequada pode resultar em hemorragia, capaz de comprometer a perfusão tecidual regional e, se for 
maciça e rápida, pode levar a hipotensão, choque e óbito. Por outro lado, a inadequada coagulação (trombose) ou a 
migração de coágulos (embolia) pode obstruir os vasos sanguíneos, causando potencialmente a morte celular 
isquêmica (infarto). De fato, o tromboembolismo ocorre no coração nas três principais causas de morbidade e óbito 
nos países desenvolvidos: infarto do miocárdio, embolia pulmonar e acidente vascular cerebral. 
 
Fluidos corporais 
 60% do peso corporal magro é constituído de água; 
o 2/3 LIC; 
o 1/3 LEC (interstício ou terceiro espaço); 
 5% da água está no espaço intravascular; 
 
Controle do movimento da água intravenosa extracelular: 
 Pressão hidrostática vascular força o movimento de água para fora do vaso (porção arteriolar); 
 Pressão coloidosmótica plasmática atrai água de volta para o interior do vaso (porção venular); 
o A pressão 
hidrostática no 
interstício auxilia a 
pressão 
coloidosmótica no 
retorno do fluido 
para o espaço 
intravascular; 
 A saída de líquido da 
terminação arteriolar é 
quase equilibrada pelo 
influxo na terminação 
venular. Uma pequena 
quantidade de fluido 
deixada no interstício, é 
drenado pelos capilares 
linfáticos de fundo cego, e 
finalmente, retorna para o 
fluxo sanguíneo através do 
ducto torácico. 
 
EDEMA 
 Aumento anormal de líquido intersticial dentro dos tecidos ou cavidades corporais; 
 Hidrotórax edema de cavidade torácica – derrame pleural; 
Aula 7 – Patologia – Distúrbios hemodinâmicos 
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55 
 Hidropericárdio derrame pericárdico; 
 Hidroperitônio edema de cavidade abdominal – ascite; 
 Hidrocele edema entre as túnicas vaginais dos testículos; 
 Anasarca edema generalizado, grave, com um amplo aumento tecidual subcutâneo. 
 Pode ocorrer por transudação ou exsudação inflamatória. 
 
Causas não inflamatórias do edema: 
 Aumento da pressão hidrostática – retorno venoso deficiente (TVP, ICC, ICD [insuficiência cardíaca direita], IR, 
pericardite constritiva); 
o TVP edema localizado – membro inferior; 
o ICC edema sistêmico ICC reduz débito cardíaco reduz perfusão renal ativa sistema renina-
angiotensina-aldosterona aumenta reabsorção de sódio e água aumenta pressão hidrostática; 
 Redução da pressão osmótica plasmática – ocorre quando a albumina não sintetizada em quantidades 
adequadas (insuficiência hepática – cirrose) ou é perdida (glomerulopatias perdedoras de proteínas - síndrome 
nefrótica; gastroenteropatias perdedoras de proteínas) ou ainda por desnutrição diminuição do volume 
intravascular; diminuiçãoda perfusão renal (ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona mas o sal 
e a água retidos não podem corrigir o déficit do volume plasmático devido à persistência do defeito primário 
de hipoproteinemia); 
 Retenção de água e sódio – por doenças renais, ou por secreção inadequada do hormônio antidiurético 
(diabetes insipidus) provoca aumento da pressão 
hidrostática e a diminuição da pressão 
coloidosmótica, devido à diluição; 
 Obstrução linfática – bloqueia a drenagem linfática 
que remove líquido intersticial, causando linfedema. 
Pode ser ocasionado por tumores malignos, 
inflamação crônica com fibrose, radiação ionizante, 
agentes infecciosos (filaríase); 
 Inflamação aumento da permeabilidade vascular; 
 Angiogênese vasos em formação apresentam 
permeabilidade aumentada; 
A restrição de sal, os diuréticos e os antagonistas da 
aldosterona são importantes no tratamento do edema 
generalizado decorrentes de outras causas. 
 
Morfologia do edema: 
O edema é facilmente reconhecido macroscopicamente; microscopicamente, apresenta-se como um clareamento 
e separação da MEC e um discreto aumento celular. É mais comum nos tecidos subcutâneos, pulmões e cérebro. 
O edema subcutâneo pode ser difuso, mas normalmente acumula-se nas partes do corpo posicionadas em maior 
distância abaixo do coração, onde as pressões hidrostáticas são maiores. Assim, o edema é tipicamente mais 
pronunciado nas pernas na posição em pé e no sacro na posição encostada, uma relação denominada edema 
dependente. A pressão digital sobre o tecido subcutâneo edematoso desloca o fluido intersticial deixando uma 
depressão na forma do dedo; essa aparência é chamada de edema depressível ou edema com cacifo. O edema 
decorrente de disfunção renal ou síndrome nefrótica com frequência se manifesta primeiro em tecidos conjuntivos 
frouxos (ex.: nas pálpebras, causando edema periorbital – evidencia doença renal grave). No edema pulmonar, em 
geral, os pulmões têm duas a três vezes seu peso normal, e a secção revela um fluido espumoso, algumas vezes 
sanguinolento, que consiste em uma mistura de ar, fluido de edema e hemácias extravasadas. O edema cerebral pode 
ser localizado (ex.: devido a abscesso ou tumor) ou generalizado, dependendo da natureza e extensão do processo 
patológico ou lesão. No edema generalizado, os sulcos são estreitos, enquanto os giros estão intumescidos e achatados 
contra o crânio. 
 
Consequências clínicas do edema: 
 Edema cutâneo nem sempre o edema traz consequências graves por si mesmo, mas evidenciam doenças 
de base (cardíaca ou renal), que podem causar grandes danos; pode dificultar a cura de feridas ou eliminação 
de infecção; 
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56 
 Edema pulmonar insuficiência cardíaca (ventricular) esquerda, insuficiência renal, SARA (pulmão de 
choque), inflamação ou infecção pulmonar: impedem trocas gasosas e favorece infecção bacteriana (SIRS e 
sepse); 
 Edema cerebral é potencialmente fatal: compressão de estruturas do tronco encefálico, por herniação e 
compressão de fornecimento vascular. Edema cerebral tem de ser resolvido imediatamente. 
 
HIPEREMIA E CONGESTÃO 
Caracterizam aumento local do volume sanguíneo. A hiperemia é um 
evento ativo e a congestão é um processo passivo. 
 Hiperemia processo ativo, de dilatação arteriolar (músculo em 
exercício ou processo inflamatório), evidenciando tecidos 
avermelhados pelo aumento do fluxo de sangue oxigenado; 
 Congestão processo passivo, resultante da redução do fluxo 
sanguíneo, em um tecido. Pode ser sistêmica (ICC) ou localizada 
(obstrução venosa). Pode ser aguda ou crônica. Os tecidos aparecem 
com coloração vermelho-azulada (cianose) por acumulo de 
hemoglobina desoxigenada; 
o Leva ao edema; 
o Quando de longa duração pode causar hipóxia tecidual 
crônica, com lesão isquêmica e fibrose; 
o Morfologia: 
 Aguda distensão de vasos com edema intersticial e 
órgãos hiperêmicos; 
 Crônica Ruptura de capilares com hemorragia focal Macrófagos carregados de 
hemossiderina (fagocitose de hemácias e metabolismo da hemoglobina). Degeneração ou 
morte celular presentes. Órgãos com coloração pardacenta, contraídos e fibróticos. 
 Ex. 1: Congestão pulmonar aguda Capilares alveolares congestionados; edema septal alveolar e 
hemorragia intra-alveolar focal; Congestão pulmonar crônica septos espessados e fibróticos, alvéolos 
contém macrófagos com hemossiderina (células da insuficiência cardíaca). 
 Ex. 2: Congestão hepática aguda veia central e sinusoide distendidos; hepatócitos centrolobulares 
isquêmicos; hepatócitos periportais podem desenvolver alteração gordurosa; congestão hepática 
crônica regiões centrolobulares apresentam cor intensa que varia de vermelho a marrom, e estão 
levemente deprimidas; zonas circunjacentes não congestionada com cor amarelo-castanho (fígado em 
noz moscada); microscopicamente observam-se hemorragia centrolobular, macrófagos carregados de 
hemossiderina e degeneração dos hepatócitos. 
 
HEMORRAGIA 
 É o extravasamento de sangue para o espaço extravascular. Pode ser ocasionada por ruptura de grandes vasos, 
que ocorre por lesão, como trauma, aterosclerose, inflamação, erosão ou neoplasia. O sangramento capilar pode 
resultar de congestão crônica. As hemorragias por lesões insignificantes são vistas em várias doenças denominadas 
diáteses hemorrágicas. As hemorragias podem ser internas (confinadas dentro de um tecido, formando hematomas) 
ou externas, quando deixa o corpo. 
 Os hematomas podem ser insignificantes ou potencialmente fatais: 
 Petéquias minúsculas hemorragias (1 a 2 mm), na pele, mucosas ou serosas. Decorrem de pressão 
intravascular aumentada ou distúrbio nas plaquetas; associadas ao aumento local da pressão intravascular, 
diminuição da contagem de plaquetas ou defeitos na função plaquetária; 
 Púrpuras hemorragias maiores de 3 mm. Mesmas causas de petéquias ou secundárias a traumas, vasculites 
ou fragilidade vascular; 
 Equimoses sangramentos subcutâneos superficiais maiores ou iguais a 1-2 cm. Causado por traumas, 
distúrbios de sangramento e sua coloração se modifica ao longo do tempo de acordo com o metabolismo da 
hemoglobina (hemoglobina [vermelho-azulada] convertida em bilirrubina [azul-esverdeada] convertida 
em hemossiderina [castanho-dourada]). 
 Hemorragias de cavidades hemotórax, hemoperitônio, hemopericárdio (pode ocasionar tamponamento 
cardíaco mais facilmente do que em casos de hidropericárdio), hematocele, hemartrose; 
 Hemorragias extensas causam icterícia pela destruição de hemácias e liberação de bilirrubina. 
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57 
 
Significado clínico: 
Depende de: 
 Volume perdido e da taxa de sangramento. Perdas rápidas de até 20% da volemia ou perdas lentas até maiores 
podem ter pouco impacto. Perdas maiores resultam em choque hipovolêmico; 
 Localização do sangramento em determinadas áreas, como no encéfalo, é muito mais grave do que em 
outras (pele); 
 Hemorragia crônica (úlceras, metrorragias) podem levar a anemias, como anemia ferropriva. 
 
HEMOSTASIA E TROMBOSE 
 Hemostasia processo fisiológico normal que mantém o sangue em um estado líquido livre de coágulos 
dentro dos vasos normais, enquanto induz um tampão hemostático rápido e localizado no local da lesão 
vascular. 
 Trombose processo patológico, causado por uma ativação inapropriada dos processos hemostáticos na 
vasculatura não lesionada, ou em um vaso após lesão relativamente pequena, gerando um coágulo (trombo) 
dentro de vasos intactos. 
 
A hemostasia e a trombose estão intimamente relacionados e dependem de 3 compone ntes: 
 Endotélio vascular; 
 Plaquetas; 
 Cascata de coagulação. 
 
Hemostasia normal após a lesão,há uma resposta característica: 
1. Vasoconstrição arteriolar neurogênica transitória reflexa, com 
liberação de endotelina (vasoconstritor derivado do endotélio); 
2. A lesão expõe a MEC subendotelial, facilitando a adesão e ativação 
plaquetárias pela ligação à matriz extracelular subendotelial exposta. 
A ativação das plaquetas resulta em uma alteração importante em sua 
forma, assim como a liberação do conteúdo de seus grânulos. 
Produtos secretados recrutam plaquetas adicionais, formando um 
tampão temporário (hemostasia primária); 
3. Ativação da cascata de coagulação exposição, pelo endotélio, de 
fator tecidual (fator III ou tromboplastina), que atua conjuntamente 
com o fator VII, resultando na formação de trombina, que converte 
fibrinogênio em fibrina insolúvel, e esta atrai mais plaquetas e forma 
o tampão permanente (hemostasia secundária); 
4. A ativação dos mecanismos contrarregulatórios limita o tampão 
hemostático ao local da lesão. 
 
Endotélio: 
 As células endoteliais são reguladoras centrais da hemostasia ; o 
equilíbrio entre as atividades anti e protrombóticas do endotélio determina se 
ocorre formação, propagação ou dissolução de trombo. Células endoteliais 
normais expressam uma variedade de fatores anticoagulantes que inibem a 
agregação plaquetária e a coagulação, e promovem fibrinólise; após a lesão ou 
a ativação, porém, esse equilíbrio se altera, e as células endoteliais adquirem 
numerosas atividades pró-coagulantes. Além do trauma, o endotélio pode ser 
ativado por patógenos microbianos, forças hemodinâmicas e uma série de 
mediadores pró-inflamatórios e citocinas. 
 
 Propriedades antitrombóticas bloqueio da MEC subendotelial, 
produzindo prostaciclinas e NO, que inibem a ligação plaquetária; 
produz trombomodulina, inibidor da via do fator tecidual, bloqueando 
a cascata; 
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58 
o Efeitos antiplaquetários previne as plaquetas do encontro com a MEC, pelas prostaciclinas (PGI2) e NO. Esses 
mediadores também são vasodilatadores; 
o Efeitos anticoagulantes na membrana do endotélio há moléculas semelhantes a heparina (inibem a ativação da 
trombina e outros fatores de coagulação, por atuar como cofator para a antitrombina III), trombomodulina (se liga 
a trombina, convertendo-a de um procoagulante para um anticoagulante, por meio de sua capacidade de ativar a 
proteína C, que inibe a coagulação pela inativação dos fatores Va e VIIIa), inibidor da via do fator tecidual (inibe a 
atividade do fator tecidual VIIa e do fator Xa), e proteína S (cofator para proteína C); 
o Efeitos fibrinolíticos sintetizam ativador de plasminogênio tecidual, protease que cliva o plasminogênio para 
formar plasmina, e esta, degradada a fibrina, desfazendo o trombo. 
 Propriedades pró-trombóticas 
fator de von Willebrand 
(promove ligação das plaquetas 
a ME); fator tecidual (ativação 
da cascata), e inibidores da 
ativação do fibrinogênio. 
o Efeitos plaquetários produzem 
fator de von Willebrand, e o deposita 
no colágeno subendotelial; quando 
exposto, esse fator serve como 
âncora para as plaquetas, isto é, um 
cofator essencial para a ligação das 
plaquetas aos elementos da MEC; 
o Efeitos procoagulante em resposta 
a citocinas ou toxinas, sintetizam fator tecidual (fator III ou tromboplastina), ativador da via extrínseca da 
coagulação; aumentam a atividade catalítica dos fatores de coagulação IXa e Xa; 
o Efeitos antifibrinolíticos as células endoteliais secretam inibidores do ativador do plasminogênio (PAI) que 
limitam a fibrinólise e favorecem a trombose. 
 
Plaquetas: 
São fragmentos de células anucleadas em forma de disco, que se deslocam dos megacariócitos, na medula 
óssea, para o fluxo sanguíneo. Desempenham um importante papel na hemostasia normal. Sua função depende de 
vários receptores de glicoproteínas, citoesqueleto contrátil e dois tipos de grânulos citoplasmáticos. Os grânulos α 
expressam P-selectina, contém fibrinogênio, fibronectina, fatores V e VIII e fator plaquetário 4 (quimiocina ligada à 
heparina), fator de crescimento derivado de plaquetas e fator de crescimento transformante β. Os grânulos densos 
(delta) contém ADP e ATP, cálcio ionizado, histamina, serotonina e epinefrina. Após a lesão vascular, as plaquetas 
encontram-se com os constituintes da MEC, como o colágeno e a glicoproteínas adesivas do fator de von Willebrand 
(FvW). Em contato com essas proteínas, as plaquetas sofrem adesão e mudança na forma, secreção e agregação. 
1. Adesão à MEC mediada por FvW este fator funciona como uma ponte entre os receptores da superfície 
plaquetária (GpIb) e o colágeno exposto (superam as forças de cisalhamento do fluxo sanguíneo) 
2. Secreção de grânulos plaquetários (ADP, Ca e aminas vasoativas, como histamina) em resposta a 
sinalizadores que atuam na superfície das plaquetas; cálcio é utilizado na cascata de coagulação e ADP é 
importante na agregação plaquetária; fosfatidilserina transloca 
para o folheto externo da membrana da plaqueta, e funciona 
como um sinal de marcação para Cálcio (devido à sua carga 
negativa), que promove a nucleação de outros fatores de 
coagulação; 
3. Agregação plaquetária (ADP e tromboxano A2) formação do 
tampão hemostático primário, o qual é estabilizado pela 
trombina ativada (que atua em conjunto com ADP e TXA2); 
mais ADP e TXA2 atraem mais plaquetas; a mudança na 
disposição do citoesqueleto faz com que as plaquetas se 
tornem mais achatadas, as quais se compactam, formando o 
tampão hemostático secundário; trombina converte 
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59 
Aspirina 
Aspirina é um bloqueador irreversível da COX, que inibe permanentemente a síntese de TXA2 nas plaquetas. Apesar de a produção de 
PGI2 no endotélio também ser inibida, as células endoteliais podem realizar uma nova síntese de COX ativa, e assim, superar o 
bloqueio. 
fibrinogênio em fibrina, que cria uma rede sobre o tampão secundário; 
4. Fibrinogênio não clivado formam pontes cruzadas entre GpIIb-IIIa na superfície das hemácias, e estabelece 
pontes cruzadas entre elas, contribuindo para a agregação. 
 O reconhecimento de receptores e mediadores na ligação plaquetária levou ao desenvolvimento de 
agentes terapêuticos que bloqueiam a agregação plaquetária. Ex.: clopido grel interfere com a 
atividade da trombina, por bloquear a ligação ao ADP; antagonistas sintéticos ou anticorpos 
monoclonais que se ligam aos receptores GpIIb-IIIa. 
5. Hemácias e leucócitos (aderem as plaquetas por P-selectina e ao endotélio por várias CAMs) se agregam aos 
tampões hemostáticos. 
 
Cascata de coagulação: 
Ocorre por meio de diversas conversões enzimáticas, onde pró-enzimas inativas são convertidas em enzimas 
ativadas, formando a trombina, que atua em várias fases do processo. No final da cascata, a trombina converte o 
fibrinogênio (solúvel) em fibrina (gel insolúvel), que irá formar o tampão hemostático definitivo. Tradicionalmente, 
existem duas vias, intrínseca ou extrínseca, que convergem na ativação do fator X. 
 Via extrínseca exige desencadeador exógeno, o fator tecidual (Fator III ou tromboplastina) exposto no local 
da lesão, agindo com o fator VII; 
 Via intrínseca exposição do fator XII (Hageman) à superfície trombogênica. 
o Há superposição de fatores – divisão artefato de teste in vitro: TAP E KPTT. 
 
TAP (tempo de ativação da protrombina) examina a função na via extrínseca (VII, X, II, V e fibrinogênio); 
KPTT (tempo de tromboplastina parcial) avalia a função da via intrínseca (XII, XI, VIII, X, V, II e fibrinogênio). 
 
Os mecanismos de controle: 
 Coagulação deve ser restrita ao local da lesão vascular; 
 Anticoagulantes endógenos (antitrombinas, proteínas 
C e S) inibem a via do fator tecidual; 
o A antitrombinaé ativada pela ligação às 
moléculas semelhantes a heparina nas células 
endoteliais, daí o benefício clínico da 
administração da heparina para minimizar a 
trombose; 
o As proteínas C e S são dependentes de 
vitamina K e atuam no complexo proteolítico 
que inativa os fatores Va e VIIIa; 
o O inibidor da via do fator tecidual inibe o 
complexo fator tecidual-Fator VIIa. 
 A cascata fibrinolítica é revertida pela fibrinólise feita 
pela plasmina, formando subprodutos da fibrina (FSP), 
com ação anticoagulante; 
 FSP (dímeros derivados de fibrina) podem ser 
utilizados no diagnóstico de TVP, embolia pulmonar e 
CIVD; 
 Células endoteliais - liberam inibidor do ativador do 
plasminogênio (PAI) - bloqueia a fibrinólise - efeito 
procoagulante. Produção PAI aumentada pela 
trombina. 
 
 
 
 
 
 
 
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Trombose 
 Ocorre pela ativação inapropriada da coagulação na vasculatura não lesionada, ou oclusão trombótica de um 
vaso após lesão relativamente pequena. 
 
Tríade de Virchow 
1. Lesão endotelial Particularmente importante para a formação de trombos no coração ou na circulação 
arterial, onde altas taxas do fluxo podem impedir a coagulação por prevenir a adesão plaquetária e diluir os 
fatores de coagulação; é dominante e pode causar trombose independentemente. Perda física do endotélio 
gera exposição MEC subjacente. Porém, endotélios sem lesão física podem produzir trombos (células 
disfuncionais) - desequilíbrio entre as atividades pró e antitrombóticas (que pode ser causado por HAS, endo 
ou exotoxinas, radiação, fluxo sanguíneo turbulento, hipercolesterolemia); 
2. Estase ou turbulência do fluxo sanguíneo trombose em circulação 
venosa e câmaras cardíacas e aneurismas arteriais, respectivamente; 
síndromes de hiperviscosidade (policitemias) ou hemácias 
deformadas (anemia falciforme), causam estase em pequenos vasos, 
que podem levar à trombose; 
 Plaquetas circulam no fluxo laminar do sangue, na porção central 
do lúmen do vaso; estase e turbulência rompem o fluxo laminar e 
permitem que plaquetas entrem em contato com o endotélio; 
 Placas ateroscleróticas não só aumentam o contato das plaquetas 
com o endotélio, mas também tornam o fluxo turbulento; 
aneurismas causam estase; estenose valvar e fibrilação atrial 
causam estase. 
3. Hipercoagulabilidade sanguínea (trombofilia) qualquer alteração das vias de coagulação que predispõe a 
trombose. 
a. Fatores genéticos (desordens primárias): mutações em genes para fator V; 
b. Adquiridos (desordens secundárias): contraceptivos orais, gravidez, lesão tecidual por cirurgia, 
repouso ou imobilização excessivos, IAM, FA, valvas cardíacas protéticas. 
 
Morfologia da trombose: 
 Trombos venosos (flebotrombose) em áreas de estase e oclusivos (retém mais hemácias trombos 
vermelhos ou de estase); 
 Trombos arteriais ou cardíacos por lesão endotelial ou turbulência, nos pontos de entroncamento de vasos. 
Geralmente não são oclusivos (murais), mas podem ser oclusivos em artérias de menor cal ibre; 
 Trombos nas valvas cardíacas vegetações: geralmente causados por endocardite infecciosa ou podem ser 
estéreis, sendo causadas por Hipercoagulabilidade (endocardite trombótica não bacteriana); 
 Os trombos são firmemente aderidos ao local de origem e se propagam na direção do coração 
(retrogradamente nas artérias e anterogradamente nas veias). 
A parte propagadora do trombo está pouco fixada, 
propensa a fragmentação e embolização. Apresentam com 
frequência laminações macro e microscópicas, chamadas l inhas de 
Zahn (depósitos pálidos de fibrina e plaquetas alternando-se com 
camadas escuras cheias de glóbulos vermelhos). Os trombos 
arteriais oclusivos (coronárias, cérebro e femoral) geralmente são 
sobrepostos a placas ateroscleróticas rompidas. A trombose 
venosa, é oclusiva quando grandes trombos com longo trajeto se 
encontram no lúmen do vaso. Em 90% dos casos ocorrem nos 
membros inferiores, e são trombos vermelhos ou de estase (contém mais eritrócitos). 
 Coágulo post-mortem - gelatinosos, porção vermelha pendente e amarela superior, não aderidos à parede 
vascular. 
 Trombos em valvas cardíacas recebem a denominação de vegetações. 
 
Consequências da trombose: 
Destino do trombo se o paciente sobreviver à trombose inicial: 
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61 
 Propagação em direção ao coração; 
 Embolização: se desprendem e são transportados a outros locais; 
 Dissolução: pela atividade fibrinolítica; 
 Organização e recanalização (trombos antigos): canais vasculares endotelizados restabelecem a continuidade 
do lúmen; ou incorporação do trombo à parede do vaso; 
Consequências clínicas: são mais significativas quando causam obstrução venosa ou arterial ou são fontes de êmbolos. 
 Trombose venosa geralmente em membros inferiores. 
o Superficiais: safena (varicosidades). Raramente embolizam; podem causar dor, tumefação, 
sensibilidade; o edema e a drenagem deficiente, predispõem a pele sobrejacente a infecções após 
traumas leves com o desenvolvimento de úlceras varicosas; 
o Trombose venosa profunda (TVP) em veias poplíteas, femorais ou ilíacas podem acarretar em embolia 
pulmonar. Em 50% dos casos, os pacientes são assintomáticos. Causas são: repouso e imobilização, 
cirurgias, queimaduras, trauma, tabagismo, anticoncepção, gravidez, tumores malignos e idade 
avançada; 
 Trombose arterial e cardíaca Aterosclerose é a principal causa. IAM (trombos murais), doença reumática 
cardíaca (valvas), arritmias. Os trombos murais podem embolizar para o cérebro, baço e rins. 
 
COAGULAÇÃO INTRAVASCULAR DISSEMINADA 
CIVD não é doença primária. Surge como complicação de qualquer condição associada a ativação disseminada 
da trombina (complicações obstétricas, malignidade avançada, etc.); 
 Caracterizada por microtrombos de fibrina disseminados na microcirculação, causada por insuficiência 
circulatória difusa (cérebro, pulmões, coração e rins); 
 Ocorre um consumo de plaquetas e fatores coagulação (coagulopatia de consumo), associado a mecanismos 
fibrinolíticos ativados, de forma que uma desordem inicialmente trombótica pode evoluir para sangramento 
descontrolado; 
 
EMBOLIA 
 ÊMBOLO massa intravascular sólida, líquida ou gasosa carregada pelo sangue para um local distante do seu 
ponto de origem; 
o 99% êmbolos provem dos trombos – Tromboembolismo; 
o Formas raras de êmbolos: gotas de gordura, bolhas de ar, resíduos ateroscleróticos, fragmentos 
tumorais, fragmentos de MO, corpos estranhos (projéteis); 
o Resultam em oclusão e necrose isquêmica (infarto); 
o Se alojam em vasos muito pequenos para permitir uma passagem adicional, causando oclusão 
vascular parcial ou total; uma consequência importante é a necrose isquêmica (infarto) do tecido 
distal. Dependendo de onde são originados, os êmbolos podem alojar-se em qualquer parte da 
estrutura vascular. 
 
Embolia pulmonar 
 Ocorre em cerca de 0,5% dos pacientes hospitalizados; 
 95% das vezes se origina de uma TVP; 
Trombos fragmentados são transportados através de canais progressivamente maiores para o lado direito do 
coração antes de colidir na vasculatura arterial pulmonar. Dependendo do tamanho do trombo, ele pode ocluir a 
artéria pulmonar principal, impactar-se através da bifurcação da artéria (êmbolo em sela) ou distribuir-se nas 
arteríolas menores ramificadas. Com frequência, existem êmbolos múltiplos. O paciente que teve um êmbolo possui 
risco aumentado de apresentar outros. 
 Provoca 200.000 mortes ao ano nos EUA; 
 Maioria das EP (60 a 80%) são pequenas e clinicamente silenciosas; 
com o tempo se incorporam na parede do vaso; 
 Morte súbita, insuficiência cardíaca direita (cor pulmonale) ou colapsocardiovascular ocorre quando 60% ou mais da circulação pulmonar é 
acometida; 
 EP de artérias médias causam hemorragia pulmonar; 
 EP de pequenos vasos causam hemorragia e/ou infarto; 
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62 
Tromboembolismo sistêmico: 
 Refere-se a êmbolos na circulação arterial surgem a partir de trombos murais intra-cardíacos, sendo que 
dois terços estão associados a infartos da parede ventricular esquerda; 
 O ponto de parada do êmbolo dependerá da fonte e do volume relativo do fluxo sanguíneo aos tecidos os 
principais locais são as extremidades inferiores e o cérebro; 
 As consequências dependem da vulnerabilidade isquêmica do tecido, do calibre do vaso ocluído e se existe 
um suprimento colateral. Em geral causam infartos. 
 
Embolia gasosa 
 Bolhas gasosas dentro da circulação podem coalescer para formar massas espumosas que obstruem o fluxo 
vascular, causando lesão isquêmica distal; 
 Bolhas gasosas circulantes provocam obstrução do fluxo e isquemia; 
 Pequenas quantidades na circulação coronariana ou cerebral podem sem fatais (comum em cirurgias); 
 Pulmões - mais de 100 ml de ar; 
 Doença da descompressão - mergulhadores e aeronaves não pressurizadas (ascensão rápida e 
despressurização); 
Quando o ar é inalado em alta pressão, quantidades aumentadas de gás, principalmente nitrogênio, são 
dissolvidas no sangue e nos tecidos. Quando ocorre despressurização rápida, o n itrogênio sai da sua forma de solução 
nos tecidos e no sangue, formando bolhas de gás. A formação de bolhas gasosas no interior dos músculos e nos tecidos 
de suporte dentro e ao redor das articulações, é responsável por uma condição dolorosa denominada encurvamento. 
Nos pulmões, as bolhas causam edema, hemorragia, atelectasia focal ou enfisema, levando a uma forma de 
desconforto respiratório chamado engasgo. O tratamento é a câmera hiperbárica, para que as bolhas se desfaçam 
pela liquefação dos gases, e descompressão lenta para formação gradual e exalação do gás. 
 
Embolia gordurosa e de medula óssea 
 Ocorre após fratura de ossos longos. Ocorre em quase 90% das lesões ósseas graves, mas só 10% destes 
apresentam algum achado clínico; 
 Obstrução mecânica de microêmbolos de gordura seguida de agregação plaquetária e de eritrócitos; 
 Causam: insuficiência pulmonar, sintomas neurológicos, anemia, trombocitopenia, edema e hemorragia 
pulmonar; 
 Entre 1 e 3 dias após a lesão: taquipneia dispneia e taquicardia, delírio e coma. 
 
Embolia de líquido amniótico 
 Complicação grave e incomum do parto e puerpério; 
 Passagem do líquido amniótico para a circulação pulmonar materna – pela ruptura de veias uterinas ou das 
membranas placentárias; 
 Dispneia abrupta grave com cianose e choque hipotensivo, com alterações neurológicas graves. 
Resumo: 
Um êmbolo é uma massa sólida, líquida ou gasosa transportada pelo sangue para um local distante de sua origem; 
em sua maioria são trombos desalojados. 
 Os êmbolos pulmonares derivam principalmente de trombos de veia profunda na extremidade inferior; seus 
efeitos dependem sobretudo de seu tamanho e da localização em que se alojam. As consequências podem 
incluir insuficiência cardíaca direita, hemorragia pulmonar, infarto pulmonar ou morte súbita. 
 Os êmbolos sistêmicos derivam principalmente de trombos murais cardíacos ou valvulares, aneurismas 
aórticos ou placas ateroscleróticas; para um êmbolo causar infarto tecidual, isso dependerá do local da 
embolização e da presença ou ausência de circulação colateral. 
 
INFARTO 
 Área de necrose isquêmica causada pela oclusão do suprimento arterial (97%) ou da drenagem venosa num 
tecido; 
 Quase todos infartos resultam de eventos trombóticos ou embólicos; 
 Outras causas são vasoespasmo, compressão extrínseca de um vaso (tumor, edema ou saco herniário), torção 
dos vasos (torção testicular e volvos intestinais). 
 
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63 
Morfologia do infarto: 
 Podem ser vermelhos ou brancos, sépticos ou assépticos; 
 Infartos vermelhos ocorrem em oclusões venosas (torção ovariana), tecidos frouxos (pulmões), tecidos com 
circulação dupla (pulmões e intestino delgado), 
 Os infartos vermelhos ocorrem: 
o Com as oclusões venosas (como na torção ovariana); 
o Em tecidos frouxos (ex.: pulmão) onde o sangue pode se 
acumular em zonas infartadas 
o Em tecidos com circulações duplas, como pulmão e intestino 
delgado, onde é típica a perfusão parcial inadequada do 
suprimento arterial colateral; 
o Em tecidos previamente congestionados (como 
consequência de um lento fluxo de saída venoso); 
o Quando o fluxo é restabelecido após ocorrer o infarto (ex.: após angioplastia de uma obstrução 
arterial. 
 Infartos brancos- órgãos sólidos com circulação terminal (coração, baço, pâncreas e rim). 
Os infartos brancos ocorrem com as oclusões arteriais em órgãos sólidos com circulações arteriais terminais (ex.: 
coração, baço e rim) e onde a densidade tecidual limita o escoamento do sangue dos leitos vasculares patentes 
adjacentes. Os infartos tendem a ser cuneiformes, com o vaso ocluído no ápice e a periferia do órgão formando a 
base; quando a base é uma superfície serosa, há geralmente um exsudato fibrinoso sobrejacente. As margens laterais 
podem ser irregulares, refletindo o fluxo dos vasos adjacentes. As margens dos infartos agudos são tipicamente 
indistintas e ligeiramente hemorrágicas; com o tempo, as bordas se tornam mais bem definidas por uma margem 
estreita de hiperemia atribuível à inflamação; 
 Tendem a apresentar forma de cunha, com o vaso ocluído no ápice; 
 Característica histológica dominante é a necrose coagulativa, seguida por resposta inflamatória e por resposta 
reparativa, das margens para o centro; 
 A maioria é substituída por tecido cicatricial; 
 Infartos no SNC não formam necrose coagulativa, mas sim necrose liquefativa; 
 Infartos sépticos - vegetações infectadas valvas cardíacas embolizam ou bactérias em área necrose, formando 
abscesso. 
É importante ressaltar que, se a oclusão vascular ocorrer brevemente antes da morte do indivíduo, as alterações 
histológicas podem não ser identificadas, pois o tecido leva de 4 a 12 horas para exibir uma necrose evidente. A 
inflamação aguda está presente ao longo das margens dos infartos em poucas horas e está geralmente bem definida 
dentro de 1 a 2 dias. Eventualmente, a resposta inflamatória é acompanhada por uma resposta reparadora que se 
inicia nas margens preservadas. A maioria dos infartos são substituídos por cicatriz, exceto o cérebro, pois resulta em 
necrose liquefativa. 
 
 Infartos sépticos ocorrem quando vegetações em valvas cardíacas infectadas embolizam ou quando micro-
organismos se instalam no tecido necrótico. Nesses casos, o infarto é convertido em abscesso, com uma 
resposta inflamatória maior. 
 
Fatores que influenciam o desenvolvimento de um infarto: 
 Natureza do suprimento vascular suprimento vascular alternativo (fígado, pulmão, mão e antebraço); 
 Taxa de desenvolvimento da oclusão Se a oclusão é lenta: proporcionam tempo para o desenvolvimento de 
vias de perfusão alternativas. 
 Vulnerabilidade à hipóxia dos tecidos neurônios (3 a 4 min); miócitos cardíacos (20 a 30min); 
 Teor oxigênio sanguíneo anemia ou cianose. 
 
CHOQUE 
 É uma hipotensão sistêmica causada pela redução no débito cardíaco ou no volume sanguíneo circulante 
efetivo acarreta em hipoperfusão (perfusão tecidual deficiente e hipóxia tecidual); 
 
Características: 
 Perfusão tecidual ineficiente e hipóxia celular; 
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 Via final comum para muitos eventos letais: hemorragia intensa, trauma, ou queimadurasgraves, IAM amplo, 
EP grave, sepse microbiana; 
 Lesão celular inicial reversível choque prolongado é fatal. 
 Choque cardiogênico baixo débito cardíaco, por insuficiência de bomba (IAM, arritmia, tamponamento) ou 
obstrução do fluxo de drenagem (EP); 
 Choque hipovolêmico DC baixo devido à perda de volume sanguíneo ou plasmático, por hemorragia ou 
perda de líquidos (queimadura); 
 Choque séptico vasodilatação e acúmulo sanguíneo periférico como um componente de uma reação imune 
sistêmica à infecção microbiana e resposta do hospedeiro; 
 Choque neurogênico lesão medular, acidente anestésico: perda tônus vascular; 
 Choque anafilático vasodilatação sistêmica causada por ligação de IgE à membrana do mastócito, que 
degranula e libera histamina, potente vasoativo; 
 
Choque séptico: 
 Índice de mortalidade é de 20%: 200.000 mortes anuais EUA; 
 Pode ser causado por infecção localizada: Bactérias gram positivas, gram negativas e fungos; 
 Morbidade e mortalidade causada por hipoperfusão tecidual e disfunção de múltiplos órgãos, com 
vasodilatação sistêmica e lesão disseminada das células endoteliais; 
 Patogenia do choque séptico: combinação de lesão microbiana direta e resposta inflamatória. 
 
Patogenia do choque séptico 
 Mediadores inflamatórios e componentes microbianos ativam leucócitos, que liberação citocinas, 
prostaglandinas, ERO, PAF, e desencadeiam cascatas de coagulação (estado pró coagulante risco de 
trombose) e complemento (resulta na produção de anafilatoxinas, fatores quimiotáticos e osponinas que 
contribuem para o estado proinflamatório); 
 Ativação e lesão de células endoteliais, que executam ações pró-trombóticas (CIVD) e promovem 
vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular efeitos combinados que resultam em hipotensão; 
 Anormalidades metabólicas: resistência à insulina, hiperglicemia (citocinas e hormônios de estresse [glucagon, 
GH e cortisol] induzem a 
gliconeogênese), insuficiência 
da glândula suprarrenal 
estados que reduzem a 
atividade dos neutrófilos, ou 
seja, reduzem a atividade 
microbicida; 
 Supressão imune: estado 
hiperinflamatório ativa 
potentes mecanismos 
imunossupressores 
contrarregulatórios; 
 Disfunção orgânica: 
hipotensão, edema e trombose 
de pequenos vasos redução 
da oxigenação e nutrição 
tecidos. 
 
Gravidade e consequências dependem de: 
 Extensão e virulência da infecção; 
 Estado imune do hospedeiro; 
 Comorbidades; 
 Padrão de produção mediadores pelo hospedeiro. 
 
Terapia: 
 Antibióticos, insulina, ressuscitação hemodinâmica (drogas vasoativas), esteroides, correção da acidose; 
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65 
Estágios: 
 Doença progressiva que, se não corrigida, leva a óbito; 
 Óbito por choque séptico: ocasionado por falência múltipla de órgãos; 
 Choque cardiogênico ou hipovolêmico, se não fatais de início, tendem a evoluir em três fases: 
o Fase não progressiva ativação de mecanismos compensatórios neuro-humorais (catecolaminas, 
reflexos baroceptores, ADH, renina-angiotensina) para a manutenção perfusão de órgãos vitais (tais 
mecanismos visam taquicardia, vasoconstrição periférica e conservação do líquido renal); 
 A vasoconstrição cutânea é responsável pela frieza e palidez características da pele no choque); 
 Vasos coronarianos e cerebrais são pouco responsivos a estes mecanismos compensatórios; 
o Fase progressiva hipoperfusão tecidual, agravamento de anormalidades circulatórias e metabólicas 
(acidose) metabolismo anaeróbico ácido lático acidose órgãos vitais afetados inicia-se a 
falência; 
o Fase irreversível dano muito grave, com sobrevida impossível, a despeito de os defeitos 
hemodinâmicos serem corrigidos: IRA por NTA, sepse intestinal. 
 
Morfologia: 
 Alterações teciduais e celulares da lesão hipóxica em qualquer tecido; 
 Rins – NTA (necrose tubular aguda); 
 Pulmões – sepse dano alveolar difuso: pulmão de choque; 
 Suprarrenais – depleção células corticais; 
 CIVD – microtrombos generalizados no cérebro, coração, pulmões rins, glândulas suprarrenais e trato GI; 
 
Consequências clínicas do choque: 
Choque hipovolêmico e cardiogênico: 
 Primeira ameaça à vida causa de base para o choque (IAM, hemorragia, sepse); 
 Hipotensão; 
 Pulso rápido e fraco; 
 Taquipneia e pele cianótica, fria e pegajosa; 
Choque séptico: 
 Pele quente e com rubor (pela VD periférica); 
 
Alterações cardíacas, cerebrais e pulmonares secundárias ao choque agravam o problema insuficiência renal 
queda do débito urinário, desequilíbrios líquidos e eletrolíticos graves. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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AULA 08 - NEOPLASIAS 
 
Introdução 
O câncer é a segunda causa de morte mais comum nos Estados Unidos; somente as doenças cardiovasculares 
atingem taxas mais altas. Ainda mais perturbadora do que a taxa de mortalidade é o sofrimento emocional e físico 
infligido pelas neoplasias. O câncer não é uma doença, mas muitas desordens que compartilham uma profunda 
desregulação do crescimento. Algumas neoplasias malignas, como o linfoma de Hodgkin, são curáveis, enquanto 
outras, como o adenocarcinoma pancreático, apresentam uma alta mortalidade. 
Neoplasia significa “novo crescimento”, e um novo crescimento é denominado de neoplasma. O termo tumor 
foi originalmente aplicado ao edema causado pela inflamação, mas o uso não neoplásico de tumor praticamente 
desapareceu; portanto, o termo atualmente se iguala a neoplasma. Oncologia (do grego oncos = tumor) ou 
Cancerologia é o estudo dos tumores ou neoplasmas. 
Considerando que a reprodução é uma atividade fundamental das células, contudo a taxa de proliferação de 
cada tipo de célula é controlada com precisão por um sistema altamente integrado que permite replicação apenas 
dentro dos estreitos limites que mantém a população normal em níveis homeostáticos. A neoplasia é justamente a 
proliferação celular descontrolada. Em relação à diferenciação, quanto mais avançada, menor é a taxa de proliferação 
de um determinado tipo celular. Assim, em neoplasias, ocorre paralelamente o aumento da proliferação com a perda 
da diferenciação celular, isto é, as cé3lulas neoplásicas progressivamente sofrem perda de diferenciação e tornam-se 
atípicas. Dessa forma, o neoplasma é uma massa anormal de tecido, cujo crescimento é excessivo e não coordenado 
com aquele dos tecidos normais, marcado por autonomia, com perda ou redução da diferenciação em consequência 
de alterações em genes e proteínas que regulam a multiplicação e a diferenciação das cé lulas, e persiste da mesma 
maneira excessiva após a interrupção do estímulo que originou as alterações. 
É relevante lembrar que na displasia e na hiperplasia, há um aumento na taxa proliferativa, porém o que 
diferencia esses processos adaptativos da neoplasia, é que nesta última há uma autonomia da proliferação, isto é, as 
células deixam de responder aos sinais químicos que regulam a divisão celular. 
Sabe-se que a persistência dos tumores, mesmo depois que o estímulo iniciador se foi, resulta de alterações 
genéticas que são passadas adiante para a prole das células tumorais. Tais alterações genéticas permitem a 
proliferação excessiva e desregulada que se torna autônoma (independente do estímulo fisiológico de crescimento). 
Toda a população de células neoplásicas dentro de um tumor individual surge de uma única célula que sofreu 
alterações genéticas e, portanto, se diz que os tumores são clonais. 
As neoplasias desfrutam de certo grau de autonomia e tendem a aumentar de tamanho independentemente 
de seu ambiente local. Sua autonomia, porém, não é absolutamente completa. Algumas neoplasias requerem suporte 
endócrino, e tais dependências algumas vezes podem ser exploradas terapeuticamente.Todas as neoplasias 
dependem do hospedeiro para sua nutrição e suprimento sanguíneo. 
Vale ressaltar que o termo Neoplasia se refere à doença, como um todo, em seu conjunto de desordens, 
enquanto neoplasma refere-se ao tumor propriamente. É importante ainda lembrar que nem todo neoplasma é um 
câncer. Os tumores podem ser benignos ou malignos, e apenas os malignos são definidos como câncer. 
 
CLASSIFICAÇÃO 
 A classificação dos tumores é muito ampla. Segundo o comportamento clínico, são benignos ou malignos 
 Tumor é benigno quando suas características micro e macroscópicas são consideradas relativamente 
inocentes, indicando que permanecerá localizado, e é tratável com a remoção cirúrgica; geralmente 
o paciente sobrevive. Note-se, porém, que os tumores benignos podem produzir mais do que massas 
localizadas e, algumas vezes, são responsáveis por doença grave. 
 Os tumores malignos são coletivamente referidos como cânceres, termo derivado da palavra 
carcinoma, que do latim significa “karkinos = crustáceo, caranguejo” — ou seja, eles aderem a 
qualquer parte onde se agarram e de maneira obstinada, semelhante ao comportamento do 
caranguejo. O termo maligno aplica-se a uma neoplasia indicando que a lesão pode invadir e destruir 
estruturas adjacentes e disseminar-se para locais distantes (metástases) para causar morte. Nem 
todos os cânceres prosseguem em um curso tão mortal. Os mais agressivos também são alguns dos 
mais curáveis, mas a designação “maligno” constitui uma bandeira vermelha. 
 Todos tumores, benignos e malignos, apresentam dois componentes: 
1. Expansões clonais de células neoplásicas que constituem o parênquima do tumor (parênquima neoplásico); 
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67 
2. Estroma de sustentação - tecido conjuntivo e vasos sanguíneos (estroma reativo). Apesar de as células 
neoplásicas determinarem em grande parte o comportamento de um tumor e suas consequências patológicas, 
seu crescimento e evolução são criticamente dependentes do seu estroma. Um suprimento sanguíneo 
estroma adequado é requisito para as células tumorais viverem e se dividirem, e o tecido conjuntivo estromal 
provê o molde estrutural essencial para as células em crescimento. Além disso, há uma conversa cruzada entre 
as células tumorais e as células estromais que influencia diretamente o crescimento dos tumores. Em alguns 
tumores, o suporte estromal é escasso e então o neoplasma é mole e carnoso. Em outros casos, as células do 
parênquima estimulam a formação de um estroma colagenoso abundante, referido como desmoplasia. 
 
NOMENCLATURA 
Tumores benignos 
 Em geral, a designação 
dos tumores benignos é 
feita acrescentando-se o 
sufixo -oma ao tipo 
celular do qual eles 
surgem. Um tumor 
benigno que surge em 
tecido fibroso é um 
fibroma; um tumor 
benigno cartilaginoso é 
um condroma. A 
nomenclatura dos 
tumores epiteliais 
benignos é mais 
complexa. Eles são 
classificados, algumas 
vezes, com base em seu padrão microscópico e, em outras ocasiões, com base em seu padrão 
macroscópico. Outros são classificados por suas células de origem. 
 
Tumores malignos 
 Neoplasias malignas que surgem em tecidos 
mesenquimais “sólidos” ou seus derivados são 
chamadas de sarcomas, enquanto aquelas surgidas de 
células mesenquimais sanguíneas são chamadas de 
leucemias ou linfomas. Os sarcomas são designados 
pelo tipo celular de que são compostos, que é 
presumivelmente sua célula de origem. Assim, um 
câncer com origem no tecido fibroso é um 
fibrossarcoma, enquanto uma neoplasia maligna 
composta por condrócitos é um condrossarcoma. 
 Embora os epitélios do corpo derivem das três camadas 
germinativas, as neoplasias malignas das células 
epiteliais são chamadas de carcinomas, 
independentemente do tecido de origem. Assim, uma 
neoplasia maligna que surge no epitélio tubular renal 
(mesoderma) é um carcinoma, como o são os cânceres 
que surgem na pele (ectoderma) e no epitélio do 
revestimento intestinal (endoderma). Além disso, o 
mesoderma pode dar origem a carcinomas (epiteliais), 
sarcomas (mesenquimais) e tumores hematolinfoides (leucemias e linfomas). 
 Os carcinomas são ainda mais subdivididos. Os carcinomas que crescem em padrão glandular são 
chamados de adenocarcinomas, enquanto aqueles que produzem células escamosas são chamados 
de carcinomas de células escamosas. Algumas vezes, pode-se identificar o tecido ou órgão de origem, 
Pólipo colônico. A: Esse tumor glandular benigno (adenoma) se projeta na luz do cólon e está 
aderido à mucosa por um pedículo distinto. B: Aspecto macroscópico de diversos pólipos 
colônicos. 
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68 
como na designação adenocarcinoma de células renais. Outras vezes, o tumor mostra pouca ou 
nenhuma diferenciação e deve ser chamado de carcinoma mal diferenciado ou indiferenciado. 
 Teratoma é um tipo especial de tumor misto que contém células maduras ou imaturas reconhecíveis 
ou tecido representativos de mais de uma camada de células germinativas e, algumas vezes, de três. 
Os teratomas originam-se de células germinativas totipotentes, como aquelas anormalmente 
presentes em restos embrionários sequestrados da linha média. As células germinativas têm 
capacidade de se diferenciar em quaisquer tipos celulares no corpo adulto; portanto, não surpreende 
que possam dar origem a neoplasias que simulam, de maneira confusa, porções de osso, epitélio, 
músculo, gordura, nervo e outros tecidos. 
 
 CARACTERÍSTICAS DAS NEOPLASIAS BENIGNAS E MALIGNAS 
 A classificação em benigno e maligno dependem do comportamento clínico; 
 A avaliação morfológica e de perfil molecular permitem a categorização baseada em: 
 Grau de diferenciação; 
 Índice de crescimento; 
 Invasão local; 
 Metástases. 
 
o Na prática, a determinação de benigno versus maligno é efetuada com notável acurácia usando critérios 
clínicos e anatômicos bem estabelecidos, mas algumas neoplasias desafiam a fácil caracterização. Certas 
características podem indicar inocência e outras podem indicar malignidade. Tais problemas não são a regra, 
contudo, e há quatro características fundamentais pelas quais se pode distinguir tumores benignos e malignos: 
diferenciação e anaplasia, velocidade de crescimento, invasão local e metástase. 
 
Diferenciação e anaplasia 
A diferenciação e a anaplasia são características observadas apenas em células parenquimatosas que 
constituem os elementos transformados das neoplasias. A diferenciação das células tumorais parenquimatosas refere-
se à extensão em que se assemelham aos seus antepassados normais morfológica e funcionalmente. 
o Anaplasia é a falta de diferenciação; 
o Neoplasias benignas são compostas por células bem diferenciadas que se assemelham estreitamente a suas 
contrapartes normais; 
o Em tumores benignos bem diferenciados, normalmente as mitoses são raras e sua configuração é normal; 
o Neoplasias malignas caracterizam-se por ampla gama de diferenciações de células parenquimatosas, desde as 
bem diferenciadas até as completamente indiferenciadas. Portanto, o diagnóstico morfológico de 
malignidade, em tumores bem diferenciados pode, algumas vezes, ser bem difícil. Entre os dois extremos 
estão os tumores que são imprecisamente referidos como moderadamente bem diferenciados; 
o Diz-se que as neoplasias malignas compostas por células indiferenciadas são anaplásicas. A falta de 
diferenciação, ou anaplasia, é considerada uma característica de malignidade. O termo anaplasia significa, 
literalmente, “transformar-se para trás”, indicando uma reversão da diferenciação para um nível mais 
primitivo. Acredita-se, contudo, que a maioria dos cânceres não representa uma “diferenciação reversa” das 
células normais maduras, mas, de fato,surgem de células menos maduras com propriedades “semelhantes a 
células-tronco”, tais como as células-tronco teciduais. 
o Quanto mais diferenciada é a célula tumoral, mais ela retém de forma completa as capacidades funcionais de 
suas contrapartes normais. Neoplasias benignas e até cânceres bem diferenciados de glândulas endócrinas 
geralmente elaboram os hormônios característicos de sua origem. 
 
 Alterações histológicas nos tumores: 
 Pleomorfismo: variação na forma e tamanho das células e/ou núcleos; 
 Morfologia nuclear anormal: coloração escura, nucléolos proeminentes, relações núcleo-citoplasma altas 
(próximas a 1:1); 
 Mitoses abundantes e/ou atípicas: aumento atividade proliferativa e divisão celular anormal (mitoses 
tripolares= sinal Mercedes-Benz); 
 Perda de polaridade: desarranjo na orientação celular - massas anárquicas e desorganizadas; 
 Células tumorais gigantescas; 
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69 
 Necrose isquêmica: insuficiência de suprimento 
vascular. 
 
o As células anaplásicas mostram acentuado pleomorfismo 
(isto é, variação de tamanho e forma). Muitas vezes, os 
núcleos são extremamente hipercromáticos (coloração 
escura) e grandes, resultando em aumento da proporção 
nuclear para a citoplasmática que pode se aproximar de 1:1 
em vez do normal 1:4 ou 1:6. Células gigantes que são 
consideravelmente maiores que suas vizinhas podem se 
formar e têm um núcleo enorme ou vários núcleos. Os 
núcleos anaplásicos são variáveis e têm tamanho e forma 
bizarros. A cromatina é grosseira e grumosa, e os nucléolos 
podem ter tamanho surpreendente. O mais importante é que 
as mitoses com frequência são numerosas e distintamente 
atípicas; múltiplos fusos anárquicos podem produzir figuras 
mitóticas tripolares ou quadripolares. Além disso, células 
anaplásicas normalmente falham em desenvolver padrões 
reconhecíveis de orientação para um outro padrão (isto é, 
elas perdem a polaridade normal). Elas podem crescer em 
lâminas, com perda total de estruturas comunais, como 
glândulas ou arquitetura escamosa estratificada. Quanto 
mais diferenciada é a célula tumoral, mais ela retém de forma 
completa as capacidades funcionais de suas contrapartes 
normais. 
 
TAXAS DE CRESCIMENTO 
A maioria dos tumores malignos cresce mais rápido que os benignos. Alguns cânceres se expandem 
rapidamente desde o início. Outros crescem lentamente por anos e só então entram na fase de crescimento rápido. 
Quando um tumor sólido puder ser detectado clinicamente ele já completou a maior parte de seu ciclo de vida. 
 
 A taxa de crescimento se determina por três fatores principais: 
1. Tempo de duplicação das células tumorais; 
2. Fração de células que se encontram no grupo replicativo - ciclo celular (fração de crescimento); 
3. Taxa com que as células são perdidas ou morrem. 
 
 Crescimento progressivo dos tumores e a taxa com que eles crescem são determinados por um excesso de 
produção celular em relação à perda celular; 
 Diversas lições conceituais (e práticas) importantes podem sem aprendidas por meio do estudo da cinética da 
célula tumoral: 
 Tumores de crescimento rápido podem ter renovação celular alta - taxas de proliferação e de apoptose 
altas; 
 Fração de crescimento das células tumorais - efeito profundo na susceptibilidade à quimioterapia - 
somente age nas células que estão no ciclo celular; 
 Reduções no volume do tumor (RTX ou cirurgia) podem transferir células do G0 para o ciclo e aumentar a 
eficiência das drogas antineoplásicas; 
 Tumores agressivos (linfomas e leucemias, oat cells) que apresentam grande grupo de células em divisão 
(fração de crescimento) literalmente se desmancham com a QTX; 
 Taxa de duplicação dos tumores - extremamente ampla, de menos de 30 dias (TU infância) até anos (TU 
próstata, glândulas salivares); 
 Geralmente, a taxa de crescimento se correlaciona com diferenciação celular; 
 Taxas de crescimento de tumores não são constantes durante um período de tempo; 
 Estimulação hormonal, suprimento sanguíneo adequado e fatores desconhecidos afetam as taxas de 
crescimento; 
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70 
 Tumores podem diminuir de tamanho e até desaparecerem espontaneamente. 
 
Muitos tumores benignos crescem lentamente, e a maioria dos cânceres cresce muito mais depressa, 
eventualmente disseminando-se localmente e para sítios distantes (por metástase) e causando morte. Mas há muitas 
exceções a essa generalização, e alguns tumores benignos crescem com mais facilidade do que alguns cânceres. Outras 
influências, como a adequação de suprimento sanguíneo ou restrições de pressão, também podem afetar a taxa de 
crescimento dos tumores benignos. Presumivelmente, eles sofrem uma onda de necrose, à medida que o aumento 
progressivo comprime seu suprimento sanguíneo. Apesar dessas advertências e da variação na taxa de crescimento 
de uma neoplasia para outra, geralmente é verdadeiro que muitos tumores benignos aumentam de tamanho 
lentamente no período de meses a anos. A taxa de crescimento dos tumores malignos normalmente correlaciona-se 
inversamente com o seu nível de diferenciação. Em outras palavras, tumores mal diferenciados tendem a crescer mais 
rapidamente do que os tumores bem diferenciados. Entretanto, há ampla variação na taxa de crescimento. Alguns 
crescem lentamente durante anos e então entram em fase de crescimento rápido, significando a emergência de um 
subclone agressivo de células transformadas. Outros crescem de forma relativamente lenta e uniforme; em casos 
excepcionais, o crescimento pode chegar quase a parar. De forma ainda mais excepcional, alguns tumores primários 
(particularmente coriocarcinomas) podem se tornar totalmente necróticos, deixando apenas implantes metastáticos 
secundários. Apesar dessas raridades, a maioria dos cânceres aumenta progressivamente de tamanho com o tempo, 
alguns lentamente, outros rapidamente, mas a noção de que eles “são completamente inesperados” não é verdadeira. 
Muitas linhas de evidência experimentais e clínicas documentam que a maioria dos cânceres, se não todos, leva anos 
e às vezes décadas para evoluir em lesões clinicamente manifestas. Isso é verdadeiro mesmo nas leucemias “agudas” 
da infância, que muitas vezes começam durante o desenvolvimento fetal, apesar de se manifestarem anos depois. Os 
tumores malignos de crescimento rápido geralmente contêm áreas centrais de necrose isquêmica, porque o 
suprimento sanguíneo tumoral, derivado do hospedeiro, falha em manter o mesmo ritmo para atender às 
necessidades de oxigênio da massa celular em expansão. 
 
Invasão local 
A maioria tumores benignos cresce como massas expansivas coesas que desenvolvem uma borda de tecido 
conjuntivo circundante, ou cápsula. Estes tumores não penetram nesta cápsula ou nos tecidos normais ao redor, e o 
plano de clivagem entre a cápsula e os tecidos circunvizinhos facilita sua enucleação cirúrgica. Tumores malignos em 
geral são invasivos e infiltrativos, destruindo os tecidos adjacentes. Comumente não apresentam cápsula bem definida 
nem plano de clivagem, tornando a simples excisão impossível. Devem ser ressecados com “margem de segurança”. 
 
 Uma neoplasia benigna permanece localizada em seu sítio de origem. Não tem capacidade de se infiltrar, 
invadir ou metastatizar-se para locais distantes, como as neoplasias malignas. Por exemplo, como os 
adenomas apresentam lenta expansão, a maioria desenvolve uma cápsula fibrosa envoltória que os separa do 
tecido hospedeiro. Essa cápsula provavelmente deriva do estroma do teci do hospedeiro, uma vez que as 
células parenquimatosas se atrofiam sob a pressão do tumor em expansão. O estroma do próprio tumor 
também pode 
contribuir para 
a cápsula. 
Note-se, 
porém, que 
nemtodas as 
neoplasias são 
encapsuladas. 
Os cânceres 
crescem por 
meio de 
infiltração, 
invasão, 
destruição e 
penetração do tecido circundante. Não desenvolvem cápsulas bem definidas. Há, porém, situações ocasionais 
em que um tumor maligno de crescimento lento parece ser enganosamente envolvido pelo estroma do tecido 
hospedeiro circundante, mas o exame microscópico normalmente revela diminutos pedículos cancerosos que 
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71 
penetram a margem e infiltram as estruturas adjacentes. O modo infiltrativo de crescimento torna necessária 
a remoção de ampla margem de tecido normal circunjacente, quando se tenta a excisão cirúrgica de um tumor 
maligno. Para assegurar que elas são desprovidas de células cancerosas (margens livres). Além do 
desenvolvimento de metástases, a invasividade local é a característica mais confiável que distingue os tumores 
malignos dos benignos. 
 A maioria dos tumores malignos é obviamente invasiva e pode-se esperar que penetrem, por exemplo, a 
parede do intestino ou do útero, ou perfurem a superfície cutânea. Eles não reconhecem as barreiras 
anatômicas normais. Tal invasividade torna sua ressecção cirúrgica difícil ou mesmo impossível, e mesmo 
quando o tumor parece bem circunscrito é necessário remover uma margem considerável de tecidos 
aparentemente normais adjacentes ao neoplasma infiltrante. Afora o desenvolvimento de metástases, a 
invasividade é a característica mais confiável para diferenciar os tumores malignos dos benignos. Alguns 
cânceres parecem evoluir de um estágio pré-invasivo referido como carcinoma in situ. Isso ocorre comumente 
nos carcinomas da pele, mama e outros sítios e é mais bem ilustrado pelo carcinoma do colo uterino. Os 
cânceres epiteliais in situ mostram características citológicas de malignidade sem a invasão da membrana 
basal. Eles podem ser considerados uma etapa anterior ao câncer invasivo; com o tempo, a maioria penetra a 
membrana basal e invade o estroma subepitelial. 
 
METÁSTASES 
 Crescimento de massas tumorais secundárias descontínuas do tumor primário; 
 Aspecto importante de distinção entre tumores benignos e malignos; 
 Quase todos os tumores malignos podem metastatizar (gliomas, carcinoma basocelular cutâneo); 
 Quanto mais agressivo e rápido o crescimento maior a chance de metástase (30% indivíduos diagnosticados 
com TU sólidos já apresentam). 
 
As metástases são implantes secundários de um tumor, as quais são descontínuas com o tumor primário e 
localizadas em tecidos remotos. Mais do que qualquer outro atributo, a propriedade da metástase identifica uma 
neoplasia como maligna. Entretanto, nem todos os cânceres têm capacidade equivalente de se metastatizar. Em um 
extremo, estão os carcinomas de células basais da pele e a maioria dos tumores primários do sistema nervoso central, 
que têm alta invasividade local, mas raramente se metastatizam. No outro extremo estão os sarcomas osteogênicos 
(ósseos), que normalmente se metastatizam para os pulmões no momento da descoberta inicial. Aproximadamente 
30% dos pacientes com tumores sólidos recém-diagnosticados (excluindo outros cânceres além dos melanomas) se 
apresentam com metástases clinicamente evidentes. Cerca de 20% adicionais iniciais têm metástases ocultas 
(escondidas) no momento do diagnóstico. Em geral, quanto mais anaplásica e maior a neoplasia primária, mais 
provável será a disseminação metastática, mas, como na maioria das regras, há exceções. Sabe-se que alguns cânceres 
extremamente pequenos metastatizam-se; por outro lado, algumas lesões de aparência ameaçadora podem não fazer 
isso. A disseminação prejudica muito e pode obstar a possibilidade de cura da doença; assim, obviamente, junto com 
a prevenção do câncer, nenhum progresso seria de maior benefício aos pacientes do que a prevenção das metástases. 
 
Vias de disseminação: 
 Implante cavidades e superfícies corporais: ocorre pela dispersão para dentro dos espaços peritoneais, 
pleurais, pericárdicos, subaracnóideos ou das articulações. A disseminação por semeadura ocorre quando as 
neoplasias invadem uma cavidade corporal natural. Esse modo de disseminação é particularmente 
característico dos cânceres de ovário, que muitas vezes cobrem amplamente as superfícies peritoneais. 
Literalmente, os implantes podem comprometer todas as superfícies peritoneais e, ainda assim, não invadir 
os tecidos subjacentes. Há aqui uma situação em que a capacidade de se reimplantar em outra parte parece 
ser distinta da capacidade de invadir. As neoplasias do sistema nervoso central, como o meduloblastoma ou 
o ependimoma, podem penetrar nos ventrículos cerebrais e ser transportadas pelo líquido cefalorraquidiano 
para se reimplantar nas superfícies meníngeas, dentro do cérebro ou na medula espinal. 
 
 Disseminação linfática: transporte de células tumorais para linfonodos regionais e daí, para todo o corpo. O 
padrão de envolvimento do linfonodo depende principalmente do local da neoplasia primária e das vias 
naturais de drenagem linfática local. Os carcinomas pulmonares que surgem nas passagens respiratórias 
metastatizam-se primeiro para os linfonodos bronquiais regionais e depois para os linfonodos 
traqueobronquiais e hilares. O carcinoma da mama surge normalmente no quadrante ex terno superior e 
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72 
dissemina-se primeiramente para os linfonodos axilares. Entretanto, as lesões mamárias mediais podem 
drenar através da parede torácica para os nodos ao longo da artéria mamária interna. Em seguida, em ambos 
os casos, os linfonodos supraclaviculares e infraclaviculares podem ser semeados. Em alguns casos, as células 
cancerosas parecem atravessar os canais linfáticos dentro dos linfonodos imediatamente próximos para serem 
capturadas em linfonodos subsequentes, produzindo as chamadas metástases saltadas. As células podem 
atravessar todos os linfonodos, alcançando finalmente o compartimento vascular por meio do ducto torácico. 
Um “linfonodo-sentinela” é o primeiro linfonodo regional que recebe o fluxo linfático de um tumor primário. 
Pode ser identificado por injeção de corantes azuis ou radiotraçadores próximos do tumor. A biópsia do 
linfonodo-sentinela permite a determinação da extensão da disseminação do tumor e pode ser usada para 
planejar o tratamento. 
 
 Disseminação hematogênica: típica de sarcomas, mas também de alguns carcinomas. As veias são mais 
invadidas (paredes mais delgadas) e as metástases seguem o padrão do fluxo venoso. A disseminação 
hematogênica é a via favorecida para os sarcomas, mas os carcinomas também a utilizam. Como seria de 
esperar, as artérias são penetradas menos prontamente que as veias. Com a invasão venosa, as células 
sanguíneas seguem o fluxo venoso drenando o local da neoplasia, com as células tumorais frequentemente 
parando no primeiro leito capilar que encontram. Como a drenagem de toda a área portal flui para o fígado e 
todos os fluxos sanguíneos cavais fluem para os pulmões, o fígado e os pulmões são os locais secundários 
envolvidos com mais frequência na disseminação hematogênica. Os cânceres que surgem próximos da coluna 
vertebral quase sempre embolizam-se através do plexo paravertebral; essa via provavelmente está envolvida 
nas frequentes metástases vertebrais dos carcinomas da tireoide e da próstata. Certos carcinomas têm 
propensão a crescer dentro das veias. O carcinoma de células renais muitas vezes invade a veia renal para 
crescer de maneira serpenteante até a veia cava inferior, alcançando algumas vezes o lado direito do coração. 
Os carcinomas hepatocelulares geralmente penetram radículas portais e hepáticas para crescer dentro delas 
nos principais canais venosos. Notavelmente, tal crescimento intravenoso pode não ser acompanhado por 
disseminaçãoampla. 
 
EPIDEMIOLOGIA 
 Os cânceres podem estar associados à exposições a agentes carcinogênicos ambientais (radiação UV, 
poluição), medicamentos, ocupação (minas carvão) alimentação (gorduras saturadas) obesidade, álcool e 
tabagismo; 
 É influenciada pela idade: a maioria dos cânceres ocorre após os 55 anos de idade - acúmulo de mutações 
somáticas e diminuição da vigilância imune. Há exceções (tumores de testículo). Em crianças os carcinomas 
extremamente raros. Os tumores mais comuns são leucemia, sarcomas, Tumor do SNC e linfomas. 
 
Estudos epidemiológicos permitem a identificação de fatores de risco ambientais, raciais, culturais e de sexo. 
 Com base no documento World 
cancer report 2014 da International Agency 
for Research on Cancer (Iarc), da 
Organização Mundial da Saúde (OMS), é 
inquestionável que o câncer é um problema 
de saúde pública, especialmente entre os 
países em desenvolvimento, onde é 
esperado que, nas próximas décadas, o 
impacto do câncer na população 
corresponda a 80% dos mais de 20 milhões 
de casos novos estimados para 2025. 
No Brasil, os registros de Câncer de 
Base Populacional (RCBP) fornecem 
informações sobre o impacto do câncer nas 
comunidades, configurando-se uma 
condição necessária para o planejamento e 
a avaliação das ações de prevenção e 
controle de câncer. Em conjunto com os 
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73 
Registros Hospitalares de Câncer (RHC) e com o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Departamento de 
Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), formam o eixo estruturante para a vigilância de câncer e para o 
desenvolvimento de pesquisas em áreas afins. 
A estimativa para o Brasil, biênio 
2016-2017, aponta a ocorrência de cerca de 
600 mil casos novos de câncer. Excetuando-
se o câncer de pele não melanoma 
(aproximadamente 180 mil casos novos), 
ocorrerão cerca de 420 mil casos novos de 
câncer. O perfil epidemiológico observado 
assemelha-se ao da América Latina e do 
Caribe, onde os cânceres de próstata (61 
mil) em homens e mama (58 mil) em 
mulheres serão os mais frequentes. Sem contar os casos de câncer de pele não melanoma, os tipos mais frequentes 
em homens serão próstata (28,6%), pulmão (8,1%), intestino (7,8%), estômago (6,0%) e cavidade oral (5,2%). Nas 
mulheres, os cânceres de mama (28,1%), intestino (8,6%), colo do útero (7,9%), pulmão (5,3%) e estômago (3,7%) 
figurarão entre os principais. 
 
Câncer de próstata 
Estimam-se 61.200 casos novos de câncer de próstata para o Brasil em 2016. Esses valores correspondem a um risco 
estimado de 61,82 casos novos a cada 100 mil homens. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é 
o mais incidente entre os homens em todas as Regiões do país, com 95,63/100 mil na Sul, 67,59/100 mil, na região Centro-Oeste, 
62,36/ 100 mil no Sudeste, 51,84/100 mil no Nordeste e 29,50/100 mil na Norte. 
O câncer de próstata é considerado o segundo mais comum na população masculina em todo o mundo. Foram esperados, 
para 2012, de acordo com a última estimativa mundial, cerca de 1 milhão de casos novos para essa neoplasia. Aproximadamente 
70% dos casos diagnosticados ocorrem em regiões mais desenvolvidas. As mais altas taxas de incidência são observadas na 
Austrália/Nova Zelândia, Europa Ocidental e América do Norte. Esse aumento pode ser reflexo, em grande parte, das práticas de 
rastreamento por meio do teste do antígeno prostático específico (PSA). Entretanto, algumas regiões menos desenvolvidas, como 
o Caribe, países da América do Sul e países do Sul da África apresentam altas taxas de incidência. O câncer de próstata ocupa a 
15ª posição em mortes por câncer, em homens, representando cerca de 6% do total de mortes por câncer no mundo. 
O Brasil vem passando, nas últimas décadas, por alterações de contexto social, econômico e, consequentemente, de 
saúde. O aumento da expectativa de vida, a melhoria e a evolução dos métodos diagnósticos podem explicar o crescimento das 
taxas de incidência ao longo dos anos no país. Além disso, a melhoria da qualidade dos sistemas de informação do país e a 
ocorrência de sobre diagnóstico, em função da disseminação do rastreamento do câncer de próstata com PSA e toque retal, 
também influenciam na magnitude da doença. 
Os maiores fatores de risco identificados para o câncer de próstata são: idade, história familiar de câncer e etnia/cor da 
pele. Entretanto, a idade é o único fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento do câncer de próstata. A maioria d os 
cânceres de próstata é diagnosticada em homens acima dos 65 anos, sendo que somente menos de 1% é diagnosticado em homens 
abaixo dos 50 anos. Com o aumento da expectativa de vida mundial, é esperado que o número de casos novos de câncer de 
próstata aumente cerca de 60%. Com relação à história familiar, aproximadamente 25% dos casos diagnosticados apresentam 
história familiar de câncer de próstata. 
No Brasil, em 2013, ocorreram quase 14 mil mortes por câncer de próstata. O Ministério da Saúde do Brasil, assim como 
ocorre em outros países (Austrália, Canadá e Reino Unido), não recomenda a organização de programas de rastreamento de câncer 
de próstata. Tal prática não está indicada, pois ainda existe considerável incerteza sobre a existência de benefícios associa dos. 
Portanto, ações de controle da doença devem focar em outras estratégias, como a prevenção primária e o diagnóstico precoce. 
A sobrevida em cinco anos para o câncer de próstata é considerada boa, entretanto existe uma ampla variação no mundo. 
O Brasil apresenta sobrevida de próstata em cinco anos acima de 95% para o período de 2005 a 2009. 
 
Câncer de mama 
Para o Brasil, em 2016, são esperados 57.960 casos novos de câncer de mama, com um risco estimado de 56,20 casos a 
cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer também é o primeiro mais frequente 
nas mulheres das Regiões Sul (74,30/100 mil), Sudeste (68,08/100 mil), Centro-Oeste (55,87/100 mil) e Nordeste (38,74/100 mil). 
Na região Norte, é o segundo tumor mais incidente (22,26/100 mil). 
O câncer de mama é o tipo que possui a maior incidência e a maior mortalidade na população feminina em todo o mundo, 
tanto em países em desenvolvimento quanto em países desenvolvidos. 
Foram esperados, para o ano de 2012, aproximadamente 1,67 milhões de casos novos dessa neoplasia em todo o mundo, 
representando aproximadamente 25% de todos os tipos de câncer diagnosticados nas mulheres. As mais altas taxas de incidência 
encontram-se na Europa Ocidental e as menores taxas na Ásia Oriental. Em geral, as taxas de mortalidade são mais elevadas em 
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74 
regiões mais desenvolvidas socioeconomicamente. 
Entretanto, configura como a principal causa de morte 
(324 mil óbitos) nas regiões menos favorecidas e ocupa 
agora a segunda posição (198 mil óbitos) nas regiões 
mais desenvolvidas ficando atrás apenas do câncer de 
pulmão. 
O câncer de mama é considerado uma doença 
heterogênea com relação à clínica e à morfologia. É um 
tipo de câncer considerado multifatorial, envolvendo 
fatores biológico-endócrinos, vida reprodutiva, 
comportamento e estilo de vida. Envelhecimento, fatores 
relacionados à vida reprodutiva da mulher, história 
familiar de câncer de mama, alta densidade do tecido 
mamário (razão entre o tecido glandular e o tecido 
adiposo da mama) são os mais bem conhecidos fatores 
de risco para o desenvolvimento do câncer de mama. 
Além desses, consumo de álcool, excesso de peso, 
sedentarismo e exposição à radiação ionizante também 
são considerados agentes potenciais para o 
desenvolvimento desse câncer. 
A idade continua sendo um dos mais 
importantes fatoresde risco. As taxas de incidência 
aumentam rapidamente até os 50 anos. Após essa idade, 
o aumento ocorre de forma mais lenta, o que reforça a 
participação dos hormônios femininos na etiologia da 
doença. Entretanto, o câncer de mama observado em 
mulheres jovens apresenta características clínicas e 
epidemiológicas bem diferentes das observadas em 
mulheres mais velhas. 
A história familiar de câncer de mama também é 
um importante fator de risco para o surgimento da 
doença. Alterações em genes, como os da família BRCA, 
aumentam o risco de desenvolver câncer de mama. 
Ressalta-se, entretanto, que cerca de nove em cada dez 
casos de câncer de mama, ocorrem em mulheres sem 
história familiar. Fatores relacionados à vida reprodutiva 
da mulher também estão ligados ao risco de desenvolver 
esse tipo de neoplasia. A nuliparidade e ter o primeiro 
filho após os 30 anos de idade contribuem para aumento 
no risco do câncer de mama. Por outro lado, a 
amamentação está associada a um menor risco de 
desenvolver esse tipo de câncer. 
A prevenção primária dessa neoplasia tem como 
medidas uma alimentação saudável, prática de atividade 
física regular e manutenção do peso ideal, podendo evitar 
cerca de 30% dos casos de câncer de mama. 
A mamografia bienal para mulheres entre 50 a 
69 anos é a estratégia recomendada pelo Ministério da 
Saúde no Brasil para o rastreamento do câncer de mama. 
Para as mulheres consideradas de risco elevado (alto 
risco) para câncer de mama (aquelas com história 
familiar de câncer de mama em parentes de primeiro 
grau), recomenda-se o acompanhamento clínico 
individualizado. 
O câncer de mama é a maior causa de morte por câncer nas mulheres em todo o mundo, com aproximadamente 522 mil 
mortes estimadas para o ano de 2012. O câncer de mama é a segunda causa de morte por câncer nos países desenvolvidos (atrás 
do câncer de pulmão) e a maior causa de morte por câncer nos países em desenvolvimento. Apesar de ser considerado um câncer 
relativamente de bom prognóstico, se diagnosticado e tratado oportunamente, as taxas de mortalidade por câncer de mama 
continuam elevadas no Brasil (14 óbitos a cada 100 mil mulheres em 2013). 
NORTE 
NORDESTE 
CENTRO
-OESTE 
SUDESTE 
SUL 
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75 
A sobrevida em cinco anos está aumentando na maioria dos países desenvolvidos, aproximadamente 85% durante o 
período de 2005 a 2009. Por outro lado, a sobrevida em cinco anos é menos de 70% em países como Malásia (68%), Índia (60%), 
Mongólia (57%) e África do Sul (53%). Na América do Sul, particularmente no Brasil, a sobrevida em cinco anos aumentou entre os 
períodos de 1995 a 1999 e 2005 a 2009 (de 78% para 87%). 
 
Câncer de colo uterino 
Para o ano de 2016, no Brasil, são esperados 16.340 casos novos de câncer do colo do útero, com um risco estimado de 
15,85 casos a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma , o câncer do colo do útero é o primeiro 
mais incidente na Região Norte (23,97/100 mil). Nas Regiões Centro-Oeste (20,72/100 mil) e Nordeste (19,49/100 mil), ocupa a 
segunda posição; na Região Sudeste (11,30/100 mil), a terceira; e, na Região Sul (15,17 /1 00 mil), a quarta posição. 
O câncer do colo do útero é considerado um importante problema de saúde pública. Foi estimada a ocorrência de 527 mil 
casos novos em mulheres, no mundo, em 2012, configurando, assim, o quarto tipo de câncer mais comum nessa popul ação. Cerca 
de 70% dos casos diagnosticados de câncer do colo do útero ocorrem em regiões menos desenvolvidas e, quase um quinto ocorre 
na Índia. A taxa de incidência do câncer do colo do útero vem diminuindo, ao longo das últimas três décadas, na maioria dos países 
em processo de transição socioeconômica. Tal fato reflete, principalmente, as implementações de programas de prevenção. 
Geralmente a doença começa a partir dos 30 anos e aumenta seu risco rapidamente até atingir as faixas etárias acima de 50 ano s. 
O principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer do colo do útero é a infecção pelo papilomavírus humano 
(HPV). Infecções persistentes por HPV podem levar a transformações intraepiteliais progressivas que podem evoluir para lesões 
intraepiteliais precursoras do câncer do colo do útero, as quais, se não diagnosticadas e tratadas oportunamente, evoluem para o 
câncer do colo do útero. A infecção por HPV é a doença sexualmente transmissível (DST) mais comum em todo o mundo e a maioria 
das pessoas sexualmente ativas, homens e mulheres, terá contato com o vírus durante algum momento da vida. Aproximadamente 
291 milhões de mulheres no mundo apresentam infecção por HPV em algum período da vida, correspondendo a uma prevalência 
de 10,4%. Entretanto, mais de 90% dessas novas infecções por HPV regridem espontaneamente em seis a 18 meses. Existem hoje 
13 tipos de HPV reconhecidos como oncogênicos. Contudo, a infecção pelo HPV, por si só, não representa uma causa suficiente 
para o surgimento dessa neoplasia, sendo necessária a persistência da infecção. A associação com outros fatores de risco, como o 
tabagismo e a imunossupressão (pelo vírus da imunodeficiência humana - HIV ou outras causas), influencia no surgimento desse 
câncer. A vacina contra o HPV é uma das ferramentas para o combate ao câncer do colo do útero. No Brasil, o Ministério da Saúde 
implementou, no calendário vacinal, em 2014, a vacina tetravalente contra o HPV para meninas de 9 a 13 anos. Essa vacina protege 
contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os dois primeiros causam verrugas genitais e os dois últimos são responsáveis por cerca 
de 70% dos casos de câncer do colo do útero. Vale ressaltar que, mesmo as mulheres vacinadas, quando alcançarem a idade 
preconizada, deverão realizar o exame preventivo, pois a vacina não protege contra todos os subtipos oncogênicos do HPV. O 
rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil, recomendado pelo Ministério da Saúde, é o exame citopatológico em mulheres 
de 25 a 64 anos. A rotina é a repetição do exame Papanicolau a cada três anos, após dois exames normais consecutivos realizados 
com um intervalo de um ano. A efetividade do programa de controle do câncer do colo do útero é alcançada com a garantia da 
organização, da integralidade e da qualidade dos serviços, bem como do tratamento e do seguimento das pacientes. 
A última informação para mortalidade no Brasil aponta que ocorreram, em 2013, 5.430 mortes por câncer do colo do 
útero em mulheres. A sobrevida em cinco anos para esse tipo de câncer obteve melhora ao longo dos anos, variando de menos de 
50% para mais de 70% em todo o mundo, de uma forma geral. No Brasil, para o período de 2005 a 2009, a sobrevida ficou em 
torno de 61%. 
 
Leucemias 
Para o Brasil, no ano de 2016, estimam-se 5.540 casos novos de leucemia em homens e 4.530 em mulheres. Esses valores 
correspondem a um risco estimado de 5,63 casos novos a cada 100 mil homens e 4,38 para cada 100 mil mulheres. Sem considerar 
os tumores de pele não melanoma, a leucemia em homens é o sexto mais frequente na Região Norte (3,81/100 mil). Nas Regiões 
Sudeste (6,03/100 mil) e Nordeste (4,41/100 mil), ocupa a nona posição. Na Região Sul (8,55/100 mil), ocupa a décima posição. 
Na Região Centro-Oeste (4,38/100 mil), ocupa a 11ª posição. Para as mulheres, é o sétimo mais frequente na Região Norte 
(3,01/100 mil) e o oitavo na Região Sul (6,62/100 mil). Na Região Nordeste (3,71/100 mil), ocupa a décima posição. É o 11º ma is 
frequente na Região Centro-Oeste (3,62/100 mil), e, na Região Sudeste (4,45/100 mil), ocupa a 12ª posição. 
A leucemia é um tipo de doença que se origina na medula óssea. O tipo de leucemia depende do tipo celular de origem, 
como a leucemia linfoblástica que se origina da mesma diferenciação celular que origina os linfoblastos. Foramestimados 352 mil 
casos novos de leucemia no mundo em 2012, correspondendo a 2,5% de todos os casos novos de câncer. Já para a mortalidade, 
foram estimados 265 mil óbitos no mundo nesse mesmo ano. A alta mortalidade para esse tipo de câncer reflete um pior 
prognóstico, particularmente em populações de menor nível socioeconômico. As baixas taxas de incidência e de mortalidade em 
partes da África subsaariana podem ser explicadas, em parte, devido a falhas no diagnóstico da doença, principalmente em 
pessoas muito idosas ou muito jovens. 
Tanto do ponto de vista clínico quanto do patológico, a leucemia é dividida em grandes grupos. Uma primeira divisão é 
com relação ao tempo de desenvolvimento, que pode se dar de forma aguda ou crônica. A forma aguda é caracterizada pelo 
aumento rápido de células imaturas do sangue, fazendo com que a medula óssea seja incapaz de produzir células sanguíneas 
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saudáveis. Na forma crônica, esse aumento excessivo é formado por células maduras anormais, levando meses ou até anos para 
progredir. 
A segunda grande divisão das leucemias é com relação ao tipo celular afetado pelas desordens, e pode ser do tipo linfoide 
ou mieloide. Em geral, a leucemia linfoblástica aguda é mais comum em crianças, sendo, inclusive, o tipo de câncer mais comum 
nessa faixa etária. Já a leucemia linfocítica crônica é mais comum em adultos, principalmente em países mais industrializados. 
Apesar de ainda existir uma lacuna sobre a etiologia e as causas para o desenvolvimento da leucemia, existem evidências para 
alguns fatores de risco, como exposição à radiação ionizante e à medicamentos utilizados em quimioterapia e exposição 
ocupacional ao benzeno. 
O diagnóstico e o tratamento das leucemias apresentaram uma considerável progressão nas últimas décadas. A aplicação 
de métodos genômicos tem sido responsável por essa melhoria, principalmente para as leucemias mieloides agudas, em que a 
classificação desse tipo é baseada no conhecimento de anormalidades genética, que influenciam diretamente no prognóstico e no 
tratamento. 
Para os adultos, as maiores sobrevidas relativas em cinco anos (cerca de 60%) são observadas em países da América do 
Norte, Oeste da Ásia, Europa e Oceania. Já para as leucemias infantis, a sobrevida é bem maior, chegando a mais de 90% em 
lugares como Áustria, Bélgica, Canadá, Alemanha e Noruega. No Brasil, para o período de 2000 a 2005, a sobrevida relativa em 
cinco anos de leucemia em adultos foi de 20%. Para as leucemias infantis, a sobrevida, no mesmo período, chega a 70%. 
 
BASES MOLECULARES DO CÂNCER 
O dano genético não letal forma a base da carcinogênese. Tal dano genético (ou mutação) pode ser adquirido 
pela ação de agentes ambientais, como substâncias químicas, radiação, ou vírus, ou pode ser herdado na linhagem 
germinativa. O termo ambiental, usado nesse contexto, envolve qualquer defeito adquirido, provocado por agentes 
exógenos ou produtos endógenos do metabolismo celular. Contudo, nem todas as mutações são “ambientalmente” 
induzidas. Algumas podem ser espontâneas e estocásticas, se enquadrando na categoria da má sorte. 
Um tumor se forma pela expansão clonal de uma única célula precursora que sofreu lesão genética (tumores 
monoclonais). 
A carcinogênese é processo de diversas etapas. Características de malignidade (crescimento rápido, 
invasividade local, escape do 
sistema imune) são adquiridas 
incrementalmente - progressão 
tumoral - e resultam do 
acúmulo de mutações 
sucessivas. Além disso, está 
bem estabelecido que, com o 
decorrer do tempo, muitos 
tumores se tornam mais 
agressivos e adquirem um 
maior potencial maligno. Esse 
fenômeno é referido como 
progressão tumoral e não é 
uma simples função do 
aumento do tamanho tumoral. 
 
 Quatro classes de genes normais são alvos da lesão: 
1. Proto-oncogenes promotores de crescimento; 
2. Genes supressores inibidores de crescimento; 
3. Genes que regulam a apoptose; 
4. Genes que regulam o reparo do DNA. 
 
Oncogenes são genes que induzem um fenótipo transformado quando expresso em células. Uma importante 
descoberta sobre o câncer foi a percepção de que os oncogenes, em sua maioria, são versõe s mutadas ou 
superexpressas de genes celulares normais, os quais são chamados de proto-oncogenes. Grande parte dos genes 
conhecidos codifica fatores de transcrição, proteínas reguladoras do crescimento ou proteínas envolvidas na 
sobrevivência celular e interações célula-célula e célula-matriz. Eles são considerados dominantes pois a mutação de 
um único alelo pode levar à transformação celular. 
Os genes supressores de tumor são genes que normalmente impedem o crescimento descontrolado e, quando 
sofrem mutação ou se perdem de uma célula, permitem o desenvolvimento de fenótipo transformado. Em geral, para 
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ocorrer transformação, ambos os alelos normais dos 
genes supressores tumorais devem ser danificados. 
Entretanto, um estudo recente demonstrou claramente 
que, em alguns casos, a perda de um só alelo de um gene 
supressor tumoral pode promover transformação 
(haploinsuficiência). Os genes supressores de tumor 
normalmente são colocados em dois grupos gerais, 
“governantes” e “guardiões”. Os “governantes” são os 
genes supressores de tumor clássicos, como os RB, 
quando a mutação do gene leva à transformação pela 
remoção de um importante freio à proliferação celular. Os 
genes “guardiões” são responsáveis pelo sensoriamento 
do dano genômico. Alguns desses genes iniciam e 
coreografam uma complexa “resposta de controle do 
dano”. 
Os genes que regulam a apoptose e o reparo do 
DNA podem agir como proto-oncogenes (a perda de uma 
cópia é suficiente) ou genes supressores de tumor (perda 
de ambas as cópias). 
 
Alterações essenciais para a transformação maligna 
 Autossuficiência de sinais de crescimento 
(proliferação sem estímulos externos); 
 Insensibilidade aos sinais inibidores crescimento; 
 Evasão da apoptose; 
 Defeitos no reparo do DNA; 
 Potencial ilimitado de replicação; 
 Angiogênese mantida (nutrição adequada); 
 Capacidade de invadir e metastatizar; 
 Capacidade escapar da regulação imune. 
 
CARACTERÍSTICAS DO CÂNCER 
 Cada gene do câncer tem uma função específica, 
cuja desregulação contribui para a origem ou a 
progressão da malignidade. É melhor, portanto, considerar os genes relacionados ao câncer no contexto de 
várias alterações fundamentais na fisiologia celular, as chamadas características do câncer, que em conjunto 
ditam o fenótipo maligno. 
• Autossuficiência nos sinais de crescimento; 
• Insensibilidade aos sinais inibidores de crescimento; 
• Evasão da morte celular; 
• Potencial ilimitado de replicação; 
• Desenvolvimento de angiogênese sustentada; 
• Capacidade de invadir e metastatizar. 
Acrescente-se a essa lista duas características “emergentes” de câncer, reprogramação do metabolismo de 
energia e evasão ao sistema imune, e duas características capacitantes, instabilidade genômica e inflamação 
promotora de tumor. 
 
Autossuficiência nos sinais de crescimento 
 Câncer se caracteriza por proliferação na ausência de sinais promotores do crescimento; 
 Oncogenes são genes que promovem o crescimento celular autônomo em células cancerosas; 
 Proto-oncogenes são a contraparte normal não mutada dos oncogenes; 
 Oncoproteínas são os produtos dos oncogenes, semelhantes aos produtos normais dos proto-oncogenes, mas 
não possuem elementos reguladores normais e sua síntese pode ser independente dos estímulos de 
crescimento normais; 
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 As mutações convertem proto-oncogenes em oncogenes constitutivamenteativos que proporcionam à célula 
autossuficiência de crescimento: 
 
 Fatores de crescimento: os tumores podem adquirir capacidade de produzir fatores de crescimento aos 
quais eles também são responsivos. 
 Todas as células normais requerem estimulação por fator de crescimento para se submeter à proliferação. Os 
fatores de crescimento mais solúveis são feitos por um tipo de célula e agem sobre a célula vizinha para 
estimular a proliferação (ação parácrina). 
 Muitas células cancerosas adquirem autossuficiência de crescimento pela aquisição da capacidade de 
sintetizar os mesmos fatores de crescimento aos quais são responsivas. 
 Outro mecanismo pelo qual as células cancerosas adquirem autossuficiência é por interação com o estroma. 
Em alguns casos, as células tumorais enviam sinais para ativar as células normais no estroma de suporte, o 
qual por sua vez produz fatores de crescimento que promovem o crescimento tumoral. 
 
 Receptores de fator de crescimento: diversos oncogenes codificam receptores de fator de crescimento. 
Estes, por serem constitutivamente ativados, conduzem à transformação maligno. 
 O grupo subsequente na sequência de transdução de sinal é o de receptores do fator de crescimento, sendo 
identificados vários oncogenes que resultam de superexpressão ou mutação dos receptores do fator de 
crescimento. Proteínas receptoras mutantes liberam sinais mitogênicos contínuos para as células, mesmo na 
ausência do fator de crescimento no ambiente. 
 
 Proteínas transdutoras de sinal: oncoproteínas que simulam função das proteínas transdutoras de sinal 
citoplasmáticas normais. 
 Um mecanismo relativamente comum, pelo qual as células cancerosas adquirem autonomia de crescimento, 
é o de mutações em genes codificadores de vários componentes das vias de sinalização a jusante dos 
receptores do fator de crescimento. Essas proteínas sinalizadoras acoplam-se ao fator de crescimento ativado 
e o transmitem ao núcleo, seja por meio de segundos mensageiros ou de cascata de fosforilação e ativação 
das moléculas de transdução de sinal. 
 
Genes supressores do tumor 
 O câncer também pode surgir pela 
inativação de genes supressores que 
normalmente inibem a proliferação 
celular. Geralmente ambos os alelos de 
um gene supressor devem sofrer 
mutação para que a carcinogênese 
ocorra; 
 Gene p53 - localizado cromossomo 17 é 
o alvo mais comum de alterações 
genéticas em tumores humanos. A p53 
conecta o dano celular ao reparo do 
DNA, à interrupção do ciclo celular e à 
apoptose. 
 p53 tem sido chamada de guardiã do 
genoma. 
 Com a perda da função da p53 o dano ao 
DNA segue sem ser reparado, as 
mutações se acumulam e a célula 
caminha para a transformação maligna. 
 
Evasão da apoptose 
 Acúmulo de células neoplásicas requer também mutações nas vias que induziriam a apoptose da célula 
aberrante; 
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 A proteína antiapoptótica prototípica é a BCL2 - limita a saída do citocromo C da mitocôndria. Hiperexpressão 
de BCL2 prolonga a sobrevida da célula. Se esta célula já for geneticamente instável, irá acumular oncogenes 
e mutações em genes supressores. 
 
Potenciais de replicações ilimitados – telomerase 
 Telomerase não é ativa na maioria das células somáticas (células tronco e germinativas); 
 Encurtamento telômeros - senescência celular mediada por p53 e RB; 
 Células cancerosas reativam as telomerases; 
 
Angiogênese 
 Tumores necessitam de nutrientes e de remoção de resíduos. Não podem aumentar mais de 2mm sem a 
angiogênese; 
 Novos vasos são dilatados, com má vedação e fluxo anormal; 
 Hipóxia é forte estímulo para a angiogênese - fator de transcrição HIF1α; 
 Fator de crescimento endotelial (VEFG) tem papel importante; 
 A vascularização dos tumores é essencial para o seu crescimento e é controlada pelo equilíbrio entre os fatores 
angiogênicos e antiangiogênicos que são produzidos pelo tumor e pelas células estromais. 
 
Invasão e metástase 
 Para que células tumorais se soltem do TU primário, entrem nos vasos (sanguíneos ou linfáticos) e produzam 
um segundo crescimento elas devem passar por uma série de processos: 
 Alterações (“relaxamento”) das interações célula-célula do tumor; 
 Degradação da MEC; 
 Ligação a novos componentes da MEC; 
 Migração das células tumorais. 
 Essas etapas consistem em invasão local, intravasamento nos vasos 
sanguíneos e vasos linfáticos, trânsito na vasculatura, saída dos vasos, 
formação de micrometástases e crescimento de micrometástases em 
tumores macroscópicos. Previsivelmente, essa sequência de etapas pode 
ser interrompida em qualquer estádio, por fatores relacionados ao 
hospedeiro ou ao tumor. 
 A dissociação das células, uma da outra, é frequentemente uma 
consequência das alterações nas moléculas de adesão intercelulares. As 
células normais estão organizadamente coladas umas às outras e aos seus 
ambientes circunjacentes por uma diversidade de moléculas de adesão. 
Provavelmente, essa diminuição da regulação reduz a capacidade das 
células de se aderirem umas às outras e facilita o seu desligamento do 
tumor primário e consequente avanço em direção aos tecidos 
circunjacentes. 
 O segundo passo na invasão é a degradação local da membrana basal e do 
tecido conjuntivo intersticial. As células tumorais podem elas mesmas 
secretar enzimas proteolíticas, ou induzir as células estromais a elaborar 
proteases. Muitas famílias de proteases diferentes, tais como as 
metaloproteinases (MMP), a catepsina D e o ativador de plasminogênio 
uroquinase, foram relacionadas à invasão por células tumorais. As MMP 
regulam a invasão tumoral através da remodelação de componentes 
insolúveis da membrana basal e da matriz intersticial, mas também 
através da liberação de fatores de crescimento sequestrados na MEC. A 
MMP9 é uma gelatinase que cliva o colágeno tipo IV da membrana basal 
epitelial e vascular. 
 As células tumorais podem adotar um segundo modo de invasão, denominado migração ameboide. Nesse tipo 
de migração, as células se apertam através dos espaços da matriz em vez de recortar seu caminho através 
dela. Essa migração ameboide é muito mais rápida e as células tumorais parecem ser capazes de usar as fibras 
de colágeno como estradas de alta velocidade em sua jornada. 
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 As células epiteliais normais possuem receptores, como as integrinas, para a laminina da membrana basal e 
para o colágeno que estão polarizados em sua superfície basal; esses receptores ajudam a manter as células 
em um estado quiescente, diferenciado. A perda de adesão nas células normais leva à indução da apoptose, 
enquanto que, não surpreendentemente, as células tumorais são resistentes a essa forma de morte celular. 
Além disso, a própria matriz se torna modificada de maneira a promover a invasão e a metástase. 
 A locomoção é a última etapa da invasão, impulsionando as células tumorais através da membrana basal 
degradada e das zonas de proteólise da matriz. A migração é um processo complexo, em múltiplas etapas, que 
envolve muitas famílias de receptores e proteínas de sinalização que eventual mente colidem no citoesqueleto 
de actina. As células devem se ligar à matriz na extremidade de avanço, soltar-se da matriz na extremidade 
final e contrair o citoesqueleto de actina para seguir adiante. Tais movimentos parecem ser potencializados e 
direcionados por citocinas derivadas das células tumorais, tais como os fatores de mobilidade autócrinos. 
 Uma vez que atinjam a circulação, as células tumorais 
ficam vulneráveis à destruição por uma variedade de 
mecanismos, incluindo o estresse mecânico de 
cisalhamento, a apoptose estimulada pela perda de 
adesão(que foi denominada anoikis) e a defesa imune 
inata e adaptativa. Dentro da circulação, as células 
tumorais tendem a agregar-se formando massa. A 
formação de agregados plaqueta-tumor pode 
aumentar a sobrevida da célula tumoral e sua 
capacidade de se implantar. As células tumorais 
também podem se ligar e ativar os fatores de 
coagulação, resultando na formação de êmbolos. A 
interrupção e o extravasamento dos êmbolos tumorais 
em sítios distantes envolvem a adesão ao endotélio, 
seguida pelo egresso através da membrana basal. 
 O sítio em que as células tumorais circulantes deixam os 
capilares para formar depósitos secundários está 
relacionado, em parte, à localização anatômica do 
tumor primário, com a maioria das metástases 
ocorrendo no primeiro leito capilar disponível para o 
tumor. Muitas observações, contudo, sugerem que uma 
via natural de drenagem não explica totalmente a 
distribuição das metástases. 
 Como o primeiro passo para o extravasamento é a 
adesão ao endotélio, as células tumorais podem ter 
moléculas de adesão cujos ligantes são expressos 
preferencialmente nas células endoteliais do órgão-
alvo. De fato, foi mostrado que as células endoteliais 
dos leitos vasculares de vários tecidos diferem em sua expressão dos ligantes para moléculas de adesão. As 
quimiocinas possuem um importante papel na determinação dos tecidos-alvo para metástases. Alguns órgãos-
alvo podem liberar quimioatraentes que recrutam células tumorais para o sítio. Em alguns casos, o tecido-alvo 
pode ser um ambiente não permissivo – solo infértil, como se diz, para o crescimento de mudas tumorais. Por 
exemplo, apesar de bem vascularizados, os músculos esqueléticos raramente são locais de metástases. 
 
Alterações metabólicas 
EFEITO WARBURG: células cancerosas preferencialmente utilizam a glicólise para geração de energia em vez 
das vias da fosforilação oxidativa mitocrondrial. A reprogramação do metabolismo de energia é tão comum aos 
tumores que é considerada agora uma característica do câncer. Mesmo na presença de oxigênio abundante, as células 
cancerosas desviam seu metabolismo de glicose das mitocôndrias famintas de oxigênio, mas eficientes, para a 
glicólise. Esse fenômeno, chamado de efeito de Warburg e também conhecido como glicólise aeróbica, é reconhecido 
há muitos anos (de fato, Otto Warburg recebeu o Prêmio Nobel pela descoberta do efeito que leva seu nome, em 
1931), mas bastante negligenciado até recentemente. A glicólise aeróbica é, sabidamente, menos eficiente que a 
fosforilação oxidativa mitocondrial, produzindo duas moléculas de ATP por molécula de glicose versus 32. 
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Evasão do sistema imune 
 A maioria dos tumores surge em hospedeiros imunocompetentes; consequentemente, uma provável 
estratégia para o sucesso é enganar o sistema imune, de modo que o tumor não seja identificado ou eliminado, 
ainda que o corpo do indivíduo afetado tenha um exército de células bastante capazes de frustrar uma 
infecção microbiana ou rejeitar um transplante de órgão alogênico. 
 
AGENTES CARCINOGÊNICOS 
 Agentes ambientais podem causar lesão e induzir transformação neoplásica das células: 
 Carcinógenos químicos; 
 Energia radioativa; 
 Vírus oncogênicos e alguns outros micróbios; 
 
Carcinógenos químicos 
 Transformação neoplásica se divide em duas fases: 
A iniciação resulta da exposição das células a uma dose 
suficiente de agentes carcinogênicos (iniciadores); uma célula iniciada 
está alterada, tornando-a potencialmente capaz de dar origem a um 
tumor. A iniciação isoladamente, contudo, não é suficiente para a 
formação do tumor. A iniciação provoca dano permanente ao DNA 
(mutações). Ela é, portanto, rápida e irreversível, possuindo 
“memória”. Podem ser de ação direta - não requerem conversão 
metabólica ou ação indireta - seus metabólitos são carcinogênicos. 
para que a iniciação ocorra, as células alteradas pelo carcinógeno 
devem sofrer pelo menos um ciclo de proliferação de forma que as 
alterações no DNA se tornem fixas. A promoção é o processo de 
indução do tumor em células previamente iniciadas - induzem 
proliferação (hormônios, drogas, fenóis). 
Os agentes que não provocam mutação, mas, em vez disso, 
estimulam a divisão de células mutadas, são conhecidos como 
promotores. A carcinogenicidade de alguns iniciadores é aumentada 
pela administração subsequente de promotores (tais como ésteres de 
forbol, hormônios, fenóis e drogas) que, por si sós, não são 
tumorigênicos. A aplicação de promotores leva à proliferação e à 
expansão clonal das células iniciadas (mutadas). Essas células 
possuem exigência diminuída de fatores de crescimento e podem 
também ser menos responsivas a sinais inibitórios do crescimento em 
seu ambiente extracelular. Levadas à proliferação, as células do clone 
iniciado sofrem mutações adicionais, desenvolvendo-se, eventualmente, em um tumor maligno. 
 
Carcinogênese por radiação 
A energia de radiação, quer seja na forma de raios UV da luz solar ou sob a forma de ionização eletromagnética 
e radiação particulada, é um carcinógeno bem estabelecido. A luz UV está claramente envolvida na etiologia dos 
cânceres de pele, e a exposição à radiação ionizante devido à exposição médica ou ocupacional, acidentes de usinas 
nucleares e detonações de bombas atômicas produziu uma diversidade de cânceres. Apesar de a contribuição da 
radiação para o número total de cânceres ser provavelmente pequena, a bem conhecida latência do dano provocado 
por energia de radiação e o seu efeito cumulativo requerem períodos extremamente longos de observação e tornam 
difícil a averiguação de seu significado completo. Uma incidência crescente de câncer de mama se tornou aparente 
somente décadas depois entre as mulheres expostas durante a infância ao teste da bomba atômica. 
 Raios UV e outras radiações ionizantes: radiação de fontes eletromagnéticas (RX) e particuladas (partículas α 
e β e nêutrons) é carcinogênica; 
 Induz diretamente mutações no DNA; 
 Indiretamente pela geração de radicais livres da água ou do oxigênio; 
 Mais frequentes: leucemia mieloide e tumor de tireoide; 
 Menos frequentes: osso, intestinos e pele. 
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Carcinogênese microbiana 
 H. pylori - 3% dos infectados desenvolvem carcinoma gástrico por vias que envolvem inflamação crônica; 
 Vírus RNA oncogênicos: 
 HTLV-1 - Retrovírus que causa leucemia/linfoma de células T. Endêmico no Japão e no Caribe. Tropismo 
por células CD4+; 
 Vírus DNA oncogênicos: 
 HPV - 70 tipos. Tipos 16 e 18 são oncogênicos. Estão relacionados ao câncer de colo uterino; 
 EBV – (Epstein Barr) herpesvírus que infecta células B e epitélio orofaríngeo. Envolvido em 4 tipos de 
cânceres: 
1. Linfoma de Burkitt; 
2. Linfoma Hodgkin; 
3. Carcinoma nasofaríngeo; 
4. Linfoma monoclonal em imunossuprimidos com linfoma de células B. 
 HBV e HCV - 70 a 85% dos hepatocarcinomas decorrem destas infecções. Mecanismo multifatorial, 
predominando inflamação crônica imunologicamente mediada: 
 Lesão hepática/regeneração - aumento de células ativas no ciclo mitótico; 
 Células imunes ativadas produzem uma gama de mediadores mutagênicos (EROs); 
 HBV codifica elemento regulador que pode inativar a p53. 
 
IMUNIDADE TUMORAL 
 Os tumores podem ser potencialmente controlados pelo sistema imune (vigilância imunológica); 
 Cânceres podem acionar células T específicas de tumor e anticorpos; 
 Células imunes frequentemente se acumulam dentro e em torno dos tumores. 
 
Antígenos tumorais 
Os antígenos que desencadeiam uma resposta imune foram demonstrados em muitos tumores induzidos e 
em alguns cânceres humanos. Inicialmente, eles são classificados de maneira ampla em duas categoriasem seus 
padrões de expressão: antígenos específicos de tumor, que estão presentes somente em células tumorais e não em 
quaisquer células normais, e em antígenos associados a tumor, que estão presentes em células tumorais e também 
em algumas células normais. Essa classificação, porém, é imperfeita porque muitos antígenos supostamente 
específicos de tumor acabaram sendo expressos também por algumas células normais. A moderna classificação dos 
antígenos tumorais baseia-se em sua estrutura e fonte molecular. 
 
Mecanismos efetores antitumorais 
 
 Linfócitos T citotóxicos CD8+ reagem contra antígenos tumorais. Papel protetor em neoplasias associadas a 
vírus. 
o O papel dos linfócitos T citotóxicos especificamente sensibilizados (CTLs) em tumores induzidos 
experimentalmente é bem estabelecido. Em seres humanos, parecem ter um papel protetor, 
principalmente contra neoplasias associadas a vírus (p. ex., linfoma de Burkitt induzido por EBV, 
tumores induzidos por HPV). 
 
 Células NK - capazes de destruir células tumorais sem sensibilização prévia. Linfócitos T e células NK geram 
mecanismos complementares (IF-γ) que ativam os: 
o As células NK são linfócitos capazes de destruir as células tumorais sem prévia sensibilização; elas 
podem proporcionar a primeira linha de defesa contra células tumorais. Após a ativação com IL-2, as 
células NK podem lisar ampla gama de tumores humanos, incluindo muitos que parecem ser não 
imunogênicos para as células T. As células T e as células NK aparentemente fornecem mecanismos 
antitumorais complementares. Os tumores que falham em expressar antígenos MHC classe I não 
podem ser reconhecidos pelas células T, mas esses tumores podem deflagrar células NK porque as 
últimas são inibidas pelo reconhecimento de moléculas autólogas de classe I normais. Assim, os 
tumores podem fazer a regulação decrescente de moléculas MHC de classe I para evitar o 
reconhecimento pelas células T, as quais então as tornam os alvos primordiais das células NK. 
 
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83 
 Macrófagos, que ativados, exercem citotoxicidade contra células tumorais in vitro. 
Os macrófagos classicamente ativados do tipo M1 mostram citotoxicidade contra as células tumorais in vitro. 
As células T, as células NK e os macrófagos podem colaborar na reatividade antitumoral, porque o interferon gama, 
uma citocina secretada por células T e células NK, é um potente ativador de macrófagos. Os macrófagos ati vados 
podem matar tumores por mecanismos semelhantes aos usados para matar micróbios (p. ex., produção de 
metabólitos de oxigênio reativo) ou pela secreção de fator de necrose tumoral (TNF). 
 
Vigilância e escape imunes 
 A maioria dos cânceres ocorre em indivíduos imunocompetentes. Células tumorais devem desenvolver 
mecanismos para escapar do sistema imunológico. 
 
 Crescimento seletivo de variantes antígeno-negativos 
o Durante a progressão do tumor, podem ser eliminados subclones fortemente imunogênicos. Essa 
noção é amparada por experimentos nos quais os tumores que surgem em camundongos 
imunossuprimidos expressam antígenos que são reconhecidos, com consequente eliminação dos 
tumores pelo sistema imune em camundongos normais, enquanto tumores semelhantes que surgem 
em camundongos imunocompetentes são não imunogênicos. 
 
 Perda ou redução expressão de moléculas de MHC 
o As células tumorais falham em expressar níveis normais de antígeno leucocitário humano (HLA) classe 
I, escapando ao ataque dos CTLs. Mas essas células podem disparar células NK. 
 
 Falta de coestimulação - sensibilização de células T necessitam dois sinais 
o As moléculas coestimuladoras são necessárias para iniciar fortes respostas das células T. Muitos 
tumores reduzem a expressão dessas moléculas coestimuladoras. 
 
 Mascaramento de antígenos - moléculas glicocálice 
o Muitas células tumorais produzem uma cobertura mais espessa de moléculas glicocálices externas, 
como os mucopolissacarídeos que contêm ácido siálico, que as células normais. Essa cobertura 
espessa pode bloquear o acesso de células imunes às moléculas apresentadoras de antígenos, 
impedindo, portanto, o reconhecimento do antígeno e a morte da célula. 
 
 Imunossupressão 
o Muitos agentes oncogênicos (p. ex., 
substâncias químicas, radiação 
ionizante) suprimem as respostas 
imunes do hospedeiro. Os tumores 
ou produtos tumorais também 
podem ser imunossupressores. Por 
exemplo, TGF-b, secretado em 
grande quantidade por muitos 
tumores, é um potente 
imunossupressor. Em alguns casos, 
a resposta imune induzida pelo 
tumor pode inibir a imunidade 
tumoral. Vários mecanismos de tal 
inibição foram descritos. Por 
exemplo, o reconhecimento das 
células tumorais pode levar ao 
engajamento do receptor inibidor 
de célula T, CTLA-4, ou à ativação de 
células T reguladoras que suprimem as respostas imunes. De maneira mais insidiosa, alguns tumores 
expressam FasL, que pode engajar Fas nas superfícies celulares imunes e induzir a célula imune a 
entrar em apoptose! 
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 Apoptose de células T citotóxicas 
o Alguns melanomas e hepatocarcinomas expressam o FasL. 
 
ASPECTOS CLÍNICOS 
A importância das neoplasias está, finalmente, em seus efeitos sobre os pacientes. Embora os tumores 
malignos sejam, é claro, mais ameaçadores que os benignos, morbidade e mortalidade podem ser associadas a 
qualquer tumor, até os benignos. De fato, tanto os tumores malignos como os benignos podem causar problemas 
decorrentes de: 
o Localização e compressão de estruturas adjacentes; 
o Atividade funcional, como síntese de hormônio ou desenvolvimento de síndromes paraneoplásicas ; 
o Sangramento e infecções quando o tumor se ulcera através das superfícies adjacentes; 
o Sintomas que resultam da ruptura ou infarto; 
o Caquexia ou consunção. 
 
Efeitos locais e hormonais 
 Localização - tumores intracranianos como o adenoma de hipófise podem expandir e destruir o restante da 
glândula. Tumores intestinais podem causar oclusão intestinal, sangramento e infecções; 
 Produção de hormônios - Tumores em glândulas endócrinas podem produz hormônios e causar distúrbios, 
como hipoglicemia (adenoma de células beta pancreáticas - insulina) ou hipercalcemia (paratormônio). 
 
Caquexia 
 Perda progressiva de gordura e massa corporal magra e fraqueza profunda; 
 Causa multifatorial - largamente desencadeada por TNF e outras citocinas elaboradas por células inflamatórias 
em resposta aos tumores; 
 Perda de apetite, síntese e armazenamento reduzido de gorduras, aumento catabolismo muscular e adiposo 
por vias de ubiquitina-proteassoma; 
o Muitos pacientes com câncer sofrem progressiva perda de gordura e massa corporal magra, associada 
a profunda fraqueza, anorexia e anemia — condição referida como caquexia. Existe alguma correlação 
entre o tamanho e a extensão da disseminação do câncer e a gravidade da caquexia. Entretanto, a 
caquexia não é causada pelas demandas nutricionais do tumor. Embora os pacientes com câncer com 
frequência sejam anoréxicos, a evidência atual indica que a caquexia resulta da ação de fatores 
solúveis, como as citocinas produzidas pelo tumor e pelo hospedeiro, e não da redução na ingestão 
alimentar. Em pacientes com câncer, o gasto calórico permanece alto, enquanto a taxa metabólica 
basal está aumentada, apesar da reduzida ingestão de alimentos. Isso está em contraste com a taxa 
metabólica mais baixa que ocorre como resposta adaptativa na inanição. A base dessas anormalidades 
metabólicas não é totalmente compreendida. Suspeita-se que o TNF produzido por macrófagos em 
resposta às células tumorais ou pelas próprias células tumorais seja o mediador da caquexia. O TNF 
suprime o apetite e inibe a ação da lipoproteínalipase, inibindo a liberação de ácidos graxos livres das 
lipoproteínas. Além disso, um fator mobilizador de proteína chamado fator indutor de proteólise, que 
causa a quebra das proteínas da musculatura esquelética pela via ubiquitina-proteossoma, foi 
detectado no soro de pacientes com câncer. Outras moléculas com ação lipolítica também foram 
encontradas. Não existe tratamento satisfatório para a caquexia do câncer a não ser a remoção da 
causa de base, o tumor. 
 
Síndromes paraneoplásicas 
Os complexos sintomas que ocorrem em pacientes com câncer e que não podem ser prontamente explicados 
pela disseminação local ou distante do tumor ou pela elaboração de hormônios não nativos do tecido de origem do 
tumor são referidos como síndromes paraneoplásicas. Elas aparecem em 10-15% dos pacientes com câncer, e seu 
reconhecimento clínico é importante por várias razões: 
 Tais síndromes podem representar a mais precoce manifestação de uma neoplasia oculta; 
 Em pacientes afetados, as alterações patológicas podem estar associadas a significativa doença clínica, 
podendo até ser letais. 
O complexo de sintomas pode simular doença metastática, confundindo assim o tratamento. 
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85 
 As síndromes paraneoplásicas são diversas e estão associadas a muitos tumores diferentes. As mais comuns 
dessas síndromes são: hipercalcemia, síndrome de Cushing e endocardite trombótica não bacteriana; as 
neoplasias associadas com mais frequência a essas e outras síndromes são os cânceres de pulmão e de mama, 
bem como as malignidades hematológicas. A hipercalcemia em pacientes com câncer é multifatorial, mas o 
mecanismo mais importante é a síntese de uma proteína relacionada ao hormônio paratireóideo (PTHrP) pelas 
células tumorais. Também estão implicados outros fatores derivados do tumor, como TGF-α, um fator 
polipeptídico ativador de osteoclastos, e a forma ativa da vitamina D. Outro possível mecanismo para a 
hipercalcemia é a doença metastática osteolítica disseminada do osso; note-se, porém, que a hipercalcemia 
resultante de metástases esqueléticas não é uma síndrome paraneoplásica. A síndrome de Cushing que surge 
como um fenômeno paraneoplásico normalmente se relaciona à produção ectópica de ACTH ou de 
polipeptídeos semelhantes ao ACTH pelas células cancerosas, como ocorre em cânceres de pulmão de células 
pequenas. Às vezes, um tumor induz várias síndromes concomitantemente. Por exemplo, carcinomas 
broncogênicos podem elaborar produtos idênticos ao ACTH ou ter os efeitos desse hormônio, de hormônio 
antidiurético, hormônio paratireóideo, serotonina, gonadotrofina coriônica humana e de outras substâncias 
ativas. As síndromes paraneoplásicas também podem manifestar-se como hipercoagulabilidade, levando à 
trombose venosa e à endocardite trombótica não bacteriana. 
 
GRADUAÇÃO E ESTADIAMENTO 
Métodos para quantificar a provável agressividade clínica de determinada neoplasia e sua aparente extensão 
e disseminação em cada paciente são necessários para fazer um prognóstico acurado e comparar os resultados finais 
de vários protocolos de tratamento. Por exemplo, os resultados de se tratar adenocarcinomas tireoideos altamente 
diferenciados localizados na glândula tireoide provavelmente serão diferentes daqueles obtidos com o tratamento de 
cânceres de tireoide altamente anaplásicos que invadiram os órgãos do pescoço. 
 A graduação do câncer tenta estabelecer alguma estimativa de sua agressividade ou nível de malignidade com 
base na diferenciação citológica das células tumorais, assim como no número de mitoses dentro do tumor. 
Pode-se classificar o câncer em graus I, II, III ou IV em ordem de anaplasia crescente. Os critérios para os graus 
individuais variam com cada forma de neoplasia. 
 O estadiamento dos cânceres baseia-se no tamanho da lesão primária, extensão de sua disseminação para 
linfonodos regionais e presença ou ausência de metástases. Essa avaliação normalmente baseia-se em exames 
clínicos e radiográficos (tomografia computadorizada e ressonância magnética) e, em alguns casos, em 
exploração cirúrgica. Dois métodos de estadiamento estão em uso atualmente: o sistema TNM ( T, tumor 
primário; N, envolvimento de linfonodo regional; M, metástases) e o sistema AJC (American Joint Committee). 
No sistema TNM, T1, T2, T3 e T4 descrevem o tamanho crescente da lesão primária; N0, N1, N2 e N3 indicam 
avanço progressivo do envolvimento nodal, e M0 e M1 refletem ausência e presença, respectivamente, de 
metástases distantes. No método AJC, os cânceres dividem-se em estádios 0 a IV, incorporando o tamanho de 
lesões primárias e a presença de disseminação nodal e metástases distantes. Note-se que, quando comparado 
à graduação, o estadiamento se comprovou de maior valor clínico . 
 
DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DO CÂNCER 
 
Métodos citológicos e histológicos: 
 Exame histológico é o método 
mais importante de diagnóstico. 
Diagnóstico histológico 
apropriado requer: dados 
clínicos completos (idade, sexo, 
local da biópsia, tratamentos e 
biópsias anteriores), boa 
preservação do tecido (meio de 
fixação adequado) e obtenção 
adequada de amostra. 
 Biópsias, aspiração por agulha, 
esfregaços de células 
 
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Imunohistoquímica: 
 Detecta produtos celulares ou marcadores de superfície com a utilização de anticorpos específicos, 
visualizadas por marcações fluorescentes. É útil para: 
o DX de TU indiferenciados por detecção de filamentos intermediários específicos de tecido; 
o Determinação do local de origem de metástases com uso de reagentes para células específicas ; 
o Detecção de moléculas com significado terapêutico ou prognóstico (receptores hormonais em CA 
mama). 
 
Marcadores tumorais: 
 Moléculas derivadas de ou associadas ao tumor que podem ser detectadas no sangue ou outros líquidos. 
 Na maioria dos casos não são específicos para malignidade, e níveis elevados devem ser interpretados no 
contexto de outras patologias. 
 Auxiliares de diagnóstico - triagem de grandes populações; 
 Úteis na determinação das respostas terapêuticas e da recorrência dos tumores. 
o PSA - antígeno prostático específico: produzido pelo epitélio normal da próstata. Células cancerosas produzem 
dez vezes mais PSA. Valores elevados PODEM revelar malignidade, ou também significar HPB ou infecções 
(prostatites, ITUs). 
o CEA - antígeno carcinoembrionário: produzido normalmente pelo tecido embrionário do intestino, pâncreas e 
fígado. Pode ser elaborado por CA cólon, pâncreas, gástrico e de mama, assim como em cirrose a lcoólica, 
hepatite e colite ulcerativa. 
o Alfa-fetoproteína: sintetizada normalmente no início da vida fetal pelo saco vitelino e fígado fetais. Elevações 
ocorrem em tumores hepáticos e em neoplasias germinativas testiculares, mas também podem ocorrer em 
cirrose ou hepatite. 
Estudos dirigidos 
 
87 
ESTUDOS DIRIGIDOS 
 
TEMA 1: RESPOSTAS CELULARES AO ESTRESSE ADAPTAÇÃO, LESÃO E MORTE. 
 
1. Diferencie os termos e explique as consequências para o organismo em cada caso: 
a) Lesão primária; 
b) Lesão secundária; 
c) Lesão subletal; 
d) Lesão letal; 
e) Agressão celular; 
f) Adaptação celular; 
2. Diferencie adaptações fisiológicas e patológicas e exemplifique. 
3. Descreva os mecanismos da hipertrofia e explique em detalhes a hipertrofia subcelular. 
4. Dê um exemplo de adaptação celular, e explique-o em suas causas, desenvolvimento e consequências. 
5. Explique o que pode gerar a insuficiência de um órgão, quando, na hipertrofia, a adaptação celular não 
compensa a sobrecarga. 
6. Explique e de exemplos de: 
a) Hipertrofia; 
b) Hipotrofia; 
c) Atrofia; 
d) Hiperplasia; 
e) Hipoplasia; 
f) Displasia; 
g) Metaplasia. 
7. O que permiteque um órgão, como útero gravídico por exemplo, cresça tanto por hipertrofia quanto por 
hiperplasia? Todos os tecidos têm a mesma capacidade? Justifique. 
8. Explique o que é, como evolui, quais alterações morfológicas se observa, como se dá o diagnóstico e a 
prevenção das neoplasias intraepiteliais cervicais. 
9. Diferencie e explique a metaplasia de esôfago, de traqueia, de córnea e de cálices renais. 
10. Defina necrose e apoptose. Explique as diferenças entre esses dois padrões de morte celular. 
11. Descreva os padrões de necrose, em suas características macro e microscópicas: 
a) Necrose isquêmica ou de coagulação; 
b) Necrose liquefativa; 
c) Necrose caseosa; 
d) Necrose fibrinoide; 
e) Necrose gordurosa. 
12. Explique o que é, como evolui e quais as consequências de uma gangrena. Diferencie gangrena seca, úmida e 
gasosa. 
13. Quais são os estímulos que podem levar uma célula à morte? 
14. Explique o que significa isquemia, e diferencie isquemia parcial e total. Qual é a consequência para os tecidos 
de cada um dos tipos de isquemia? 
15. O que é degeneração celular? Explique os 4 mecanismos que podem levar uma célula à degeneração. 
16. Explique esteatose hepática e aterosclerose, delineando suas principais causas, desenvolvimento e 
consequências para o organismo. 
17. Descreva macro e microscopicamente a estrutura de um fígado esteatótico. 
18. Explique e dê exemplos de pigmentação endógena e exógena. 
19. Caracterize hiper e hipopigmentação melânica. Quais as causas para cada classe de discromia? Dê exemplos e 
cite as causas das principais formas de hiperpigmentação melânica. 
20. Explique por que os pigmentos da tatuagem não são eliminados pelo organismo e mantém-se por muitos anos. 
21. Descreva o metabolismo da hemoglobina, destacando os destinos do ferro e os destinos do heme. 
22. Explique: 
a) Hiperbilirrubinemia direta e indireta, suas possíveis causas, consequências e manifestações clínicas no 
organismo; 
b) Hemossiderose e hemocromatose, suas possíveis causas, consequências e manifestações clínicas no 
organismo. 
Estudos dirigidos 
 
88 
23. Um jovem de 16 anos sofreu um trauma na região abdominal quando o veículo que estava dirigindo bateu em 
alta velocidade na pilastra de uma ponte. A laparotomia (manobra cirúrgica que e nvolve a incisão através da 
parede abdominal para ter acesso à cavidade abdominal) , revelou que uma pequena parte do fígado foi 
removida devido à lesão. Várias semanas depois, a tomografia computadorizada do abdome mostrou que o 
fígado recuperou quase totalmente o tamanho que apresentava antes da lesão. 
a) Defina parênquima e estroma de um órgão. 
b) Considerando o fígado como um órgão cujo parênquima é formado por tecido epitelial, a recuperação 
do órgão se dá através de reparo por cicatrização ou por regeneração? 
c) O crescimento do órgão para recuperação do seu tamanho original representa que tipo de adaptação 
celular? Explique esse tipo de adaptação. 
d) Compare essa adaptação sofrida pelo fígado ao que ocorre no sistema nervoso central quando há 
morte de neurônios. 
e) Além da lesão hepática, foi observado neste paciente, áreas peritoneais com necrose. Explique como 
uma célula evolui para necrose e por que esse tipo de morte é seguida de lesão secundária e 
inflamação. 
24. Em uma consulta médica de rotina, um homem de 51 anos de idade, aparentemente saudável, apresentou 
pressão sanguínea de 150/95 mmHg. Se sua hipertensão permanecesse sem tratamento durante anos, que 
tipo de alteração celular poderia ser observada em seu miocárdio? Explique por que a pressão arterial elevada 
provoca tal tipo de adaptação. Explique ainda os mecanismos moleculares que conduzem a esse estado 
adaptado da célula. 
25. Um homem de 32 anos de idade tem azia e refluxo gástrico ao término de uma grande refeição. Depois de os 
sintomas se manifestarem por muitos meses, foi realizada uma endoscopia gastrintestinal superior e uma 
biópsia da mucosa esofágica foi obtida. A biópsia revelou áreas revestidas por epitélio estratificado 
pavimentoso e áreas com epitélio colunar simples permeado por células caliciformes. O laudo emitido foi: 
Esôfago de Barret. 
a) Que tipo de alteração é essa? Descreva o mecanismo e o propósito dessa adaptação. 
b) Essa alteração é benigna ou maligna? Justifique. 
c) Se o estímulo agressor persistir, esse tecido pode sofrer ainda mais alterações. El e pode perder a 
histoarquitetura, aumentar a taxa proliferativa, perder a uniformidade entre as suas células 
constituintes e apresentar células caracteristicamente imaturas. A que tipo de adaptação estamos nos 
referindo? 
d) O que significa chamar uma adaptação celular de pré-invasiva? 
e) As alterações coilocitóticas são alterações pré-malignas. Caracterize-as. 
26. Uma mulher de 49 anos, tabagista, obesa, ingere álcool esporadicamente e apresenta dieta inadequada, 
sofreu um acidente vascular encefálico. É provável que o acidente ocorreu por isquemia, devido a 
deslocamento de trombos formados perifericamente que se deslocaram e acabaram por obstruir pequenos 
vasos que irrigam o sistema nervoso central. Neurônios são células muito sensíveis à hipóxia e/ou anóxia. 
a) Explique por que essas condições conduzirão os neurônios à necrose. 
b) Descreva as alterações celulares sequenciais das células necróticas. 
c) Que padrão de necrose tecidual normalmente é observada no tecido nervoso devido à isquemia? 
d) Caso o encéfalo seja rapidamente reperfundido, é mais provável que ele se recupere ou que a 
reperfusão agrave o problema? Explique. 
e) Caso haja recuperação, isso só será possível se a agressão não houver alcançado o ponto sem retorno. 
O que isso significa? 
f) Esta mulher foi submetida a tomografia computadorizada total, e foi identificado aumento do volume 
de seu fígado. Considerando o modo de vida dessa paciente, o seu fígado pode estar degenerado. Que 
tipo de degeneração seria essa? Caracterize-a bioquímica e morfologicamente. 
27. Uma mulher de 22 anos de idade que tem leucemia sofreu um transplante de 
medula óssea cujo doador era parcialmente compatível. Um mês depois, sua pele 
apresentava escamação e exantemas (manchas vermelhas). O exame de uma 
amostra de biópsia de pele revelou a alteração celular mostrada na figura abaixo. 
Laudo: apoptose. 
a) Analise a figura e explique as características morfológicas observadas. 
Estudos dirigidos 
 
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b) Neste caso, a célula entra em vias de apoptose devido à perda de sinais de sobrevivência. 
Bioquimicamente falando, essa via é considerada intrínseca ou extrínseca? Explique-a. 
c) Diferencie a via anteriormente explicada da outra via existente. 
d) Descreva a sequência de eventos que ocorre na apoptose até a eliminação da célula alterada ou 
danificada. 
e) Explique porque na apoptose não há lesão secundária e inflamação. 
 
TEMA 2: INFLAMAÇÃO. 
 
1. O que é inflamação? 
2. Defina e dê exemplos de agentes inflamatórios. 
3. Quais são os componentes da inflamação? 
4. Explique os fenômenos envolvidos na inflamação (irritativos, exsudativos, vasculares, reparativos e resolutivos) e 
sua ligação com agentes inflamatórios, alarminas e mediadores inflamatórios. 
5. Quais são os sinais cardinais da inflamação? Explique cada um deles e relacione-os com os fenômenos vasculares e 
exsudativos. 
6. Quais as possíveis evoluções para um quadro inflamatório? 
7. Diferencie inflamação aguda e crônica. 
8. Descreva detalhadamente um quadro de inflamação aguda. 
9. O que são e como atuam os anti-inflamatórios? Diferencie anti-inflamatórios esteroides e não esteroidais. 
10. O que é um exsudato inflamatório? Qual a diferença entre exsudato e transudato? 
11. Como se forma o pus? 
12. Explique por que a circulação linfática está diretamente envolvida na inflamação e quais consequências podem 
haver para o sistema linfáticoquando ocorre um processo inflamatório no organismo. 
13. Qual o papel dos leucócitos na inflamação? 
14. Explique como se dá o recrutamento dos leucócitos para o tecido injuriado (destaque como ocorre o aumento da 
permeabilidade vascular até a fagocitose do agente inflamatório). 
15. O que são e qual o papel das alarminas? 
16. Como os leucócitos atuam para eliminar o patógeno? Por que isso pode causar dano tecidual? 
17. O que são mediadores inflamatórios? Exemplifique e explique as funções da histamina, do fator de necrose tumoral 
alfa e dos metabólitos do ácido aracdônico. 
18. Faça um quadro comparativo entre os principais padrões morfológicos de inflamação. 
19. Descreva as características histológicas e clínicas da inflamação granulomatosa. 
20. Um homem de 47 anos apresentou sintomas de faringite e se automedicou com antibióticos e anti-inflamatórios 
não esteroides. Os sintomas diminuíram em 4 dias, e o mesmo interrompeu o “tratamento”. Dias depois os 
sintomas recidivaram acompanhados de tosse crônica. Decidiu procurar um médico, o qual, ao exame físico 
identificou vermelhidão e edema na região faríngea e solicitou exame de escarro e raio X de tórax. 
a) Edema e vermelhidão são sinais cardinais mais acentuados em qual padrão inflamatório? Explique quais 
fenômenos envolvidos na inflamação estão relacionados a estes sinais cardinais. 
b) A histamina, as prostaglandinas e os leucotrienos são importantes mediadores envolvidos na geração dos 
sinais cardinais acima mencionados. Sobre estes mediadores, explique onde e como se originam e 
classifique-os como primários ou secundários. Destaque seus tecidos ou células-alvo, explicando como 
produzem tais sinais. 
c) Os anti-inflamatórios não esteroides usados pelo paciente atuam em quais alvos para produzir seus 
efeitos? 
21. Um homem de 54 anos de idade está com dores articulares há meses. Apresentou 
temperatura de 38º C ao exame físico e hidroartrose na articulação do joelho direito. 
Uma tomografia dessa região revelou a presença de muitas opacidades nodulares 
pequenas e mal definidas na capsula articular. Uma amostra de biópsia mostrou 
infiltrados intersticiais contendo linfócitos, monócitos e macrófagos. Foram 
solicitados exames adicionais, como testes para doenças autoimunes pois a suspeita 
é de artrite reumatoide. 
a) Sabendo que a artrite reumatoide é uma doença de base que apresenta 
inflamação crônica subjacente, explique o desenvolvimento desse tipo de 
inflamação. 
Estudos dirigidos 
 
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b) Quanto às causas, além de doenças autoimunes, o que mais pode levar a quadros de inflamação crônica? 
c) A inflamação crônica se manifesta, em diversos tipos de doenças, como reações granulomatosas. Descreva-
as histologicamente e dê exemplos de doenças nas quais essas reações são comuns. 
d) Na biópsia foram observadas células gigantes multinucleadas. Explique a origem destas células. 
e) Sabe-se que o macrófago é uma célula componente do sistema mononuclear fagocitário (SMF) que está 
envolvida tanto na inflamação aguda quanto na inflamação crônica. Compare o papel destas células em 
ambos os processos. Qual é a principal citocina envolvida no recrutamento de macrófagos? 
f) Explique a figura abaixo e classifique o tipo de inflamação por ela representado. 
 
 
TEMA 3: RENOVAÇÃO, REGENERAÇÃO E CICATRIZAÇÃO DE TECIDOS 
 
1. Defina “cura”. Defina resolução completa e resolução incompleta. 
2. Diferencie renovação, regeneração e reparo tecidual. 
3. O que define se um tecido produzirá resolução completa ou não diante de uma lesão? 
4. Explique as diferenças entre tecidos lábeis, estáveis e permanentes e exemplifique. 
5. Como o organismo é capaz de manter uma população celular estável? 
6. Explique o potencial diferencial das células-tronco e como podem ser empregadas na terapia celular. 
7. Explique os mecanismos de regeneração tecidual. Para isso, revise o ciclo celular e sua regulação. 
8. Em que condições um tecido, teoricamente estável, ou seja, capaz de regenerar-se, sofre reparo por 
cicatrização? 
9. Explique o que é angiogênese e como acontece. 
10. Defina tecido de granulação e explique o que é granulação exuberante. 
11. Descreva passo a passo o processo de cura por cicatrização. 
12. Explique como se dá o desbridamento tecidual. 
13. Diferencie incisão e excisão. 
14. Diferencie cicatrização por primeira intenção e cicatrização por segunda intenção. 
15. Diferencie cicatriz hipertrófica, queloides e fibroses. 
16. Cite e explique os fatores locais e sistêmicos que influenciam na cura de feridas. 
17. Porque o estado nutricional influencia na velocidade de cicatrização de feridas? 
18. Explique o que é deiscência da ferida e o que pode provoca-la. 
19. Uma mulher de 60 anos de idade desenvolveu uma dor no tórax que persistiu por 4 horas. Um procedimento 
de imagem por radiografia apontou um aparente infarto do miocárdio envolvendo uma área de 3x4 cm da 
parede posterior do ventrículo esquerdo. Qual dos seguintes achados patológicos é o que mais provavelmente 
será observado no ventrículo esquerdo após 1 mês? 
a) Abscesso 
b) Resolução completa 
c) Regeneração nodular 
d) Cicatriz fibrótica 
e) Necrose de coagulação 
20. Um homem de 18 anos de idade sofreu um acidente de trabalho, teve sua mão esquerda dilacerada e 
necessitou de suturas. As suturas foram removidas após 1 semana. O processo de cura do ferimento continuou, 
porém o local se tornou desfigurado por uma cicatriz elevada e nodular que extrapolou as bordas da lesão 
inicial. 
a) A que tipo de cicatrização o relato se refere? Explique porque isso ocorre. 
b) Que outros padrões de cicatrização podem se desenvolver no reparo de um ferimento? Explique cada um 
deles. 
c) O processo de cura de feridas por cicatrização envolve inúmeras etapas, as quais podem se sobrepor. 
Explique como se dá a cicatrização desde a formação do coágulo inicial até a recuperação da força tênsil 
tecidual. 
d) Diferencie a cicatrização por primeira intenção e a cicatrização por segunda intenção. 
e) Dentre os aspectos patológicos associados à cicatrização, além da cicatrização exacerbada, pode-se ter um 
déficit na produção do colágeno e também complicações de aderência entre margens de uma ferida por 
Estudos dirigidos 
 
91 
incisão devido à retirada dos pontos da sutura prematuramente ou por esforço físico durante o período de 
recuperação do paciente. Quais são essas complicações? Explique. 
21. Fibroblastos dérmicos são coletados de uma biópsia de pele obtida de homem adulto. Esses fibroblastos são 
transduzidos com genes que codificam fatores de transcrição específicos. Em condições adequadas de cultura, 
essas células se tornam capazes de gerar células endodérmicas, mesodérmicas e ectodérmicas. 
a) Em que tipo de célula tronco esses fibroblastos foram transformados? 
b) Diferencie células tronco toti, pluri e multipotentes e diferencie-as das células tronco comprometidas com 
linhagem. 
c) Células tronco adultas podem replicar-se continuamente ou apenas diante de estímulo agressor. Quais 
diferenças existem entre esses dois processos? Como se classificam os tecidos nos quais cada um deles 
ocorre? Exemplifique. 
d) Com relação às células tronco, diferencie a proliferação assimétrica obrigatória da proliferação e 
diferenciação aleatória. 
e) Explique a importância dos pontos de checagem durante o ciclo celular pelo qual as células tronco e 
também adultas lábeis proliferam. 
22. Analise a figura abaixo e explique-a. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23. Ainda com relação à figura anterior, o que determina a via de cura de um tecido danificado? Exemplifique. 
24. Por que a regeneração é vista como um processo de hiperplasia compensatória?25. Um paciente chegou ao consultório médico relatando a presença de “carne esponjosa” ou “carne crescida” na 
mucosa nasal. Essa “carne esponjosa” refere-se a: 
a) Fibrose em local dano tecidual que impede reepitelização; 
b) Tecido de granulação exuberante que impede reepitelização; 
c) Queloide acentuada com dificuldade de reepitelização; 
d) Cicatriz hipertrófica com dificuldade de reepitelização; 
e) Cicatrização normal com baixa proliferação epitelial. 
 
 
TEMA 4: DISTÚRBIOS HEMODINÂMICOS 
 
1. O que se define como distúrbio hemodinâmico? 
2. Explique a dinâmica normal dos fluidos corpóreos, enfatizando a pressão hidrostática, a pressão coloidosmótica 
e a drenagem linfática. 
3. Defina edema. Explique suas possíveis causas. 
4. Explique porque lesões hepáticas podem ser causa de edema. 
5. Descreva a histologia do edema. 
6. Explique porque a transfusão de plasma sanguíneo ou a terapia com hemoderivados podem ser eficazes no 
tratamento paliativo de doenças hepáticas graves. 
7. Defina os termos: 
a) Hidroperitônio; 
b) Hidrotórax; 
c) Hidropericárdio; 
d) Hidrocefalia; 
Estudos dirigidos 
 
92 
e) Anasarca; 
f) Edema com cacifo; 
g) Edema dependente; 
h) Hiperemia; 
i) Congestão; 
j) Hemorragia; 
k) Hemartroses; 
l) Petéquias; 
m) Púrpuras; 
n) Equimoses; 
8. O que são diáteses hemorrágicas? Explique e exemplifique. 
9. Diferencie hemorragia interna e externa, venosa e arterial. 
10. Explique a hemostasia normal/ cascata de coagulação. 
11. Explique os efeitos anticoagulantes da aspirina (ácido acetilsalicílico). 
12. Descreva a tríade de Virchow na trombose. 
13. Quais são os tipos de trombose? Explique cada um deles. 
14. Detalhe a trombose venosa profunda e suas principais consequências. 
15. Explique o que é coagulação intravascular disseminada (CID) e sua relação com as “coagulopatias de consumo”. 
16. Defina embolia e diferencie embolia sólida, líquida e gasosa, e exemplifique. 
17. Explique o tromboembolismo pulmonar. 
18. Diferencie infarto branco e infarto vermelho. 
19. Quais fatores influenciam o desenvolvimento de um infarto? Explique. 
20. Diferencie choque séptico e choque hipovolêmico. 
21. Explique como se desenvolve o choque anafilático e quais medidas devem ser tomadas com um indivíduo 
acometido. 
22. Uma mulher de 21 anos de idade sofre várias lesões incluindo fraturas no fêmur e na tíbia direita, e no úmero 
esquerdo, em um acidente envolvendo uma colisão de carros. No hospital suas fraturas foram estabilizadas 
cirurgicamente. Logo após sua admissão hospitalar, as condições da paciente eram estáveis. Entretanto, 2 dias 
depois, ela apresentou uma dispneia grave. Qual das seguintes complicações é a causa mais provável dessa 
repentina dificuldade respiratória: 
a) Hemotórax direito; 
b) Edema pulmonar; 
c) Embolismo gorduroso; 
d) Tamponamento cardíaco; 
e) Infarto pulmonar. 
23. Uma mulher de 19 anos de idade tem história de sangramentos nasais frequentes e fluxo sanguíneo 
aumentado. Ao exame físico, é detectada a presença de petéquias e púrpuras na pele de suas extremidades. 
Estudos laboratoriais mostraram tempo de protrombina e contagem de plaquetas normais, bem como 
diminuição da atividade do fator de von Willebrand. Essa paciente provavelmente apresenta alteração de qual 
das seguintes etapas da hemostasia: 
a) Vasoconstrição; 
b) Adesão plaquetária; 
c) Agregação de plaquetas; 
d) Inibição de protrombina; 
e) Polimerização de fibrina. 
24. Uma mulher de 45 anos trabalha como caixa de um supermercado permanecendo mais de 8 horas diárias em 
pé, sem movimentar os membros inferiores. A mesma desenvolveu tromboembolismo pulmonar. O 
tromboembolismo é definido como um tipo de embolia que ocorre m função de um trombo que se desloca. 
Neste caso o trombo formou-se devido à estase sanguínea, pois o retorno venoso nos membros inferiores fica 
dificultado em indivíduos imobilizados ou que permanecem por muito tempo em pé. Sabe-se que a formação 
de um trombo é um processo hemostático normal que visa tamponar uma região agredida de um vaso 
sanguíneo para conter o sangramento. Assim: 
a) Diferencie hemostasia normal e hemostasia patológica. 
b) Explique como se dá o processo de formação de um trombo a partir da lesão endotelial. 
Estudos dirigidos 
 
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c) Explique as propriedades anticoagulantes e antiplaquetárias das células endoteliais. 
d) Explique por que indivíduos portadores de doença de von Willebrand e hemofilia apresentam distúrbios 
coagulativos. 
25. Paciente com hepatopatia grave desenvolveu anasarca. Defina esse termo e explique a relação entre esse 
distúrbio hemodinâmico com a doença de base citada. 
 
 
TEMA 5: NEOPLASIAS 
 
1. Defina neoplasma. 
2. Defina neoplasia. 
3. Em que se diferenciam as neoplasias e as displasias e metaplasias. 
4. Diferencie neoplasia e câncer. 
5. Diferencie: neoplasias benignas, pré-invasivas e malignas, quanto às características morfológicas e fisiológicas. 
6. Como é feita a nomenclatura dos tumores? Construa um quadro explicativo. 
7. Diferencie tumores monoclonais e policlonais. 
8. Explique as três vias de disseminação das células cancerosas. 
9. Defina metástases. 
10. Como as metástases se originam? 
11. Faça um breve resumo sobre a epidemiologia do câncer. 
12. Explique a heterogeneidade morfológica dos tumores. 
13. Descreva a histomorfologia de uma neoplasia maligna (parênquima neoplásico e estroma reativo). 
14. Defina desmoplasia. 
15. Explique o processo de diferenciação e anaplasia dos tumores e relacione isso ao seu grau de malignidade. 
16. Quais as possíveis alterações morfológicas celulares e histológicas na neoplasia? 
17. Escolha um tipo de tumor e descreva-o quanto à: origem, nomenclatura, causas, patogenia, tratamento, 
prevenção e diagnóstico. 
18. Explique a taxa de crescimento tumoral. 
19. Quais são os genes que podem estar envolvidos na origem de um tumor? Explique como cada um deles está 
atrelado ao câncer. 
20. Construa um fluxograma ou mapa conceitual para explicar as alterações necessárias para a transformação 
maligna de uma célula. 
21. Cite 5 carcinógenos e relacione quais os principais tipos de câncer que cada um tem potencial para causar. 
22. Explique o que é predisposição familiar ao câncer. 
23. Diferencie câncer esporádico de síndrome do câncer hereditário. 
24. Explique o que é caquexia e como ela se desenvolve. 
25. Explique o que são síndromes paraneoplásicas e exemplifique. 
26. Explique como células tumorais são combatidas pelo sistema imunológico. 
27. Como uma célula tumoral é capaz de evadir da apoptose e do sistema imunológico? 
28. Explique o efeito Warburg. 
29. Como se faz o diagnóstico para tumores? 
30. Defina e explique o que é graduação e estadiamento. 
31. Pesquise sobre a terapêutica do câncer: efeitos terapêuticos, efeitos adversos, eficácia, tipos de tratamento, 
resultados e prognósticos. 
Referências 
 
94 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ALBERTS, B. et al. Fundamentos de biologia celular: uma introdução à biologia molecular da célula. 3ª ed. Porto Alegre: 
Artes Médicas Sul Ltda., 2011. 
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BRASILEIRO FILHO G. Bogliolo Patologia. 8 ed. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 2012. 
BURITY, C.H.F. Caderno de atividades práticas em morfologia humana: embriologia, histologia e anatomia. Rio de 
Janeiro: Editora Guanabara Koogan, 2004. 
FRANCO, M. Patologia Processos Gerais. São Paulo: Atheneu, 2010. 
GARTNER, L.P.; HIATT, J.L. Tratado de Histologia em cores. 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. 
GOLDMAN, L.; AUSIELLO, D. CECIL Medicina. 23ª ed.v. 1 e v. 2. Elsevier: Rio de Janeiro, 2009. 
KIERSZENBAUM, A.L. Histologia e biologia celular: uma introdução à patologia. 3ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. 
ROBBINS S L; COTRAN, R S. Patologia: Bases Patológicas das Doenças. 8ª ed. Elsevier: Rio de Janeiro, RJ, 2010. 
RUBIN, E & FARBER, J L. Patologia. 3 ed. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, RJ, 2010. 
TORTORA e DERRICKSON. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 12ª Edição. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 
2010.

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