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Jesus perante Pilatos_Breve comparação entre sinóticos

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EAD CLARETIANO 
Educação à Distância Centro Universitário 
 
 
 
 
 
 
 
ISIDORO DA SILVA LEITE - 1104501 
 
 
 
 
 
JESUS PERANTE PILATOS 
BREVE COMPARAÇÃO ENTRE OS SINÓTICOS 
 
 
 
 
Centro Universitário Claretiano 
Teologia 
Sinóticos, Escritos Joaninos e Apocalipse 
Ricardo Boone Wotckoski 
 
 
 
 
 
SÃO PAULO 
2014 
 
TEXTOS DOS SINÓTICOS 
 
Mateus 27,11-26 
 
27.11 Jesus estava em pé ante o governador; e este o interrogou, dizendo: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu 
o dizes. 
27.12 E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. 
27.13 Então, lhe perguntou Pilatos: Não ouves quantas acusações te fazem? 
27.14 Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador. 
27.15 Ora, por ocasião da festa, costumava o governador soltar ao povo um dos presos, conforme eles quisessem. 
27.16 Naquela ocasião, tinham eles um preso muito conhecido, chamado Barrabás. 
27.17 Estando, pois, o povo reunido, perguntou-lhes Pilatos: A quem quereis que eu vos solte, a Barrabás ou a Jesus, 
chamado Cristo? 
27.18 Porque sabia que, por inveja, o tinham entregado. 
27.19 E, estando ele no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas com esse justo; porque hoje, em sonho, 
muito sofri por seu respeito. 
27.20 Mas os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus. 
27.21 De novo, perguntou-lhes o governador: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam eles: Barrabás! 
27.22 Replicou-lhes Pilatos: Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? Seja crucificado! Responderam todos. 
27.23 Que mal fez ele? Perguntou Pilatos. Porém cada vez clamavam mais: Seja crucificado! 
27.24 Vendo Pilatos que nada conseguia, antes, pelo contrário, aumentava o tumulto, mandando vir água, lavou as mãos 
perante o povo, dizendo: Estou inocente do sangue deste [justo]; fique o caso convosco! 
27.25 E o povo todo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos! 
27.26 Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para ser crucificado. 
 
Marcos 15, 1-15 
 
15.1 Logo pela manhã, entraram em conselho os principais sacerdotes com os anciãos, os escribas e todo o Sinédrio; e, 
amarrando a Jesus, levaram-no e o entregaram a Pilatos. 
15.2 Pilatos o interrogou: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes. 
15.3 Então, os principais sacerdotes o acusavam de muitas coisas. 
15.4 Tornou Pilatos a interrogá-lo: Nada respondes? Vê quantas acusações te fazem! 
15.5 Jesus, porém, não respondeu palavra, a ponto de Pilatos muito se admirar. 
15.6 Ora, por ocasião da festa, era costume soltar ao povo um dos presos, qualquer que eles pedissem. 
15.7 Havia um, chamado Barrabás, preso com amotinadores, os quais em um tumulto haviam cometido homicídio. 
15.8 Vindo a multidão, começou a pedir que lhes fizesse como de costume. 
15.9 E Pilatos lhes respondeu, dizendo: Quereis que eu vos solte o rei dos judeus? 
15.10 Pois ele bem percebia que por inveja os principais sacerdotes lho haviam entregado. 
15.11 Mas estes incitaram a multidão no sentido de que lhes soltasse, de preferência, Barrabás. 
15.12 Mas Pilatos lhes perguntou: Que farei, então, deste a quem chamais o rei dos judeus? 
15.13 Eles, porém, clamavam: Crucifica-o! 
15.14 Mas Pilatos lhes disse: Que mal fez ele? E eles gritavam cada vez mais: Crucifica-o! 
15.15 Então, Pilatos, querendo contentar a multidão, soltou-lhes Barrabás; e, após mandar açoitar a Jesus, entregou-o 
para ser crucificado. 
 
Lucas 23,2-25 
 
23.2 E ali passaram a acusá-lo, dizendo: Encontramos este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a 
César e afirmando ser ele o Cristo, o Rei. 
23.3 Então, lhe perguntou Pilatos: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes. 
23.4 Disse Pilatos aos principais sacerdotes e às multidões: Não vejo neste homem crime algum. 
23.5 Insistiam, porém, cada vez mais, dizendo: Ele alvoroça o povo, ensinando por toda a Judéia, desde a Galiléia, onde 
começou, até aqui. 
23.6 Tendo Pilatos ouvido isto, perguntou se aquele homem era galileu. 
23.7 Ao saber que era da jurisdição de Herodes, estando este, naqueles dias, em Jerusalém, lho remeteu. 
23.8 Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; 
esperava também vê-lo fazer algum sinal. 
23.9 E de muitos modos o interrogava; Jesus, porém, nada lhe respondia. 
23.10 Os principais sacerdotes e os escribas ali presentes o acusavam com grande veemência. 
23.11 Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-o com desprezo, e, escarnecendo dele, fê-lo vestir-se de um 
manto aparatoso, e o devolveu a Pilatos. 
23.12 Naquele mesmo dia, Herodes e Pilatos se reconciliaram, pois, antes, viviam inimizados um com o outro. 
23.13 Então, reunindo Pilatos os principais sacerdotes, as autoridades e o povo, 
23.14 disse-lhes: Apresentastes-me este homem como agitador do povo; mas, tendo-o interrogado na vossa presença, 
nada verifiquei contra ele dos crimes de que o acusais. 
23.15 Nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar. É, pois, claro que nada contra ele se verificou digno de morte. 
23.16 Portanto, após castigá-lo, soltá-lo-ei. 
23.17 [E era-lhe forçoso soltar-lhes um detento por ocasião da festa.] 
23.18 Toda a multidão, porém, gritava: Fora com este! Solta-nos Barrabás! 
23.19 Barrabás estava no cárcere por causa de uma sedição na cidade e também por homicídio. 
23.20 Desejando Pilatos soltar a Jesus, insistiu ainda. 
23.21 Eles, porém, mais gritavam: Crucifica-o! Crucifica-o! 
23.22 Então, pela terceira vez, lhes perguntou: Que mal fez este? De fato, nada achei contra ele para condená-lo à morte; 
portanto, depois de o castigar, soltá-lo-ei. 
23.23 Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado. E o seu clamor prevaleceu. 
23.24 Então, Pilatos decidiu atender-lhes o pedido. 
23.25 Soltou aquele que estava encarcerado por causa da sedição e do homicídio, a quem eles pediam; e, quanto a Jesus, 
entregou-o à vontade deles. 
 
 
 
COMENTÁRIOS: 
 
Uma primeira observação sobre estes textos: Marcos, o que primeiro escreveu 
seu evangelho, é o mais conciso, tendo descrito o fato em apreço em apenas 15 versículos, 
seguido por Mateus que o fez em 16 versículos. Lucas revelou-se o mais prolixo: precisou de 
24 versículos nessa descrição. 
Mateus nomeia a autoridade romana pelo cargo e não pelo seu nome, ao 
contrário de Marcos e Lucas, que o citam pelo nome próprio. Talvez a intenção destes 
últimos fosse a de personalizar, de maneira mais acentuada do que aquele, a 
responsabilidade no julgamento e na crucificação de Jesus, deixando de envolver claramente 
o império romano nessa contenda. 
Em Lucas existe uma passagem não presente em Mateus ou Marcos: a ida de 
Jesus até Herodes. Com isso, parece que Lucas quer mostrar de forma indiscutível a 
inocência de Jesus em relação a qualquer crime político: ele não é um terrorista, ele não 
quer o trono de César! E, ao final o que sobrou? Uma frágil acusação religiosa. 
Outro momento onde aparece um indicativo da necessidade lucana de mostrar a 
inocência de Jesus e o comprometimento das autoridades judaicas com a crucificação de 
Jesus torna-se perceptível ao se constatar que Lucas não apresenta nada sobre a flagelação 
de Jesus, ao contrário de Mateus e Marcos. E ele é o mais enfático em querer mostrar que a 
autoridade romana – o império romano, em última instância – não teve qualquer culpa no 
julgamento e morte de Jesus. Ele quer mostrar, de forma bem categórica que são as 
autoridades judaicas as responsáveis pela paixão de Jesus. E mais:

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