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Psicologia da Personalidade 1)Introdução O que é personalidade? Palavra fascinante para o público em geral Usada em vários sentidos Allport (1937) - tem quase 50 definições diferentes 2) Alguns conceitos sobre personalidade... Desde a antiguidade, Sócrates, Platão, Aristóteles, já debatiam sobre questões da personalidade. Quem sou Eu? Por que agimos de determinada maneira? Por que uma pessoa é diferente da outra? Na Psicologia não temos uma Lei ou verdade absoluta que rege nosso conhecimento; temos várias teorias explicando o mesmo assunto. O que buscamos explicar com uma teoria da personalidade? Queremos descobrir o que os indivíduos são, como eles se tornaram daquela forma e por que eles se comportam de certa maneira. “O que” - refere-se às características da pessoa e a forma como estão organizadas em relação às outras; ex: é honesta, persistente e realizadora? “como” – refere-se aos determinantes da personalidade; em que nível e maneira as forças genéticas e ambientais interagem para produzir esse resultado? “Por que” – refere-se às razões para o comportamento do indivíduo. “Personalidade” – palavra Latina persona, que se refere à mascara utilizada pelos atores em uma peça; a nossa personalidade pode ser a máscara que usamos quando enfrentamos o mundo exterior. Assim concluímos que personalidade fala das nossas características externas e visíveis, dos aspectos que os outros podem ver; A maioria dos significados populares se encaixa em dois tópicos: - a personalidade de alguém pode ser avaliada através das reações positivas provocadas nas pessoas em diferentes circunstâncias; - a personalidade de alguém pode ser considerada através da impressão mais destacada ou saliente que cria nos outros; ex. personalidade submissa ou temerosa; Há avaliação boa ou ruim em ambos os usos. A personalidade consiste naquilo que é mais típico e característico da pessoa. (Allport). A diversidade infinita da personalidade é, em si mesma, característica da existência humana. (Fromm, 1981). A Personalidade refere-se também as características permanentes (traços) ; pressupomos que ela seja relativamente estável e previsível. A personalidade não é rígida e imutável , ela pode variar de acordo com as circunstâncias ; Para uma explicação completa da natureza humana, devemos considerar a Interação entre as variáveis pessoais permanentes (como os traços e necessidades) e os aspectos mutáveis das variáveis situacionais. São aspectos indicados por determinadas teorias específicas. Personalidade depende do referencial teórico utilizado. 3) Abordagens da Personalidade 1. Abordagem de Traços –( Como pode ser descrita a personalidade) Considera como deveríamos caracterizar os traços da personalidade de um indivíduo. Abordagem Psicodinâmica –( Como as pessoas se adaptam às suas situações de vida) Como as pessoas são influenciadas pela sociedade e por seus processos cognitivos (pensamento). 3. Abordagem do Desenvolvimento (influência do meio ou fatores biologicos) Como muda a personalidade durante a vida de um indivíduo da infância a idade adulta. ABORDAGENS DA PERSONALIDADE 1. Abordagem de Traços –( Como pode ser descrita a personalidade) Considera como deveríamos caracterizar os traços da personalidade de um indivíduo. Abordagem nomotética- grupos de indivíduos são estudados e as pessoas são comparadas pela aplicação dos mesmos conceitos (traços) ; Abordagem idiográfica – estuda a personalidade do individuo sem fazer comparações com outras pessoas ; Coerência e personalidade – espera-se que a personalidade de um individuo produza comportamentos coerentes em diferentes situações. 2. Abordagem Psicodinâmica – (forma de lidar com o meio, com o mundo) Preocupação central com as forças dinâmicas que determinam o nosso comportamento e com as estruturas defensivas que usamos para nos proteger dessas forças. (Freud, Adler, Jung, Horney, Sullivan, Erikson). Adaptação e ajustamento – A personalidade implica numa maneira individual de lidar com o mundo, de adaptar-se às exigências e oportunidades do meio. Processos cognitivos – a personalidade é influenciada pela nossa maneira de pensar sobre nós mesmos, sobre nossas capacidades e sobre outras pessoas. A sociedade – as teorias da personalidade atuais consideram mais cuidadosamente as influências sociais sobre a personalidade. Influências múltiplas – vários aspectos da personalidade podem se combinar para influenciar o comportamento. 3. Desenvolvimento – Influências biológicas e Experiência na infância e idade adulta. As três abordagens são importantes e cada teoria as considera de alguma forma; Algumas teorias enfatizam mais uma questão que outra; A forma como cada teoria descreve a personalidade implica sobre a sua dinâmica e seu desenvolvimento; Os temas estão interrelacionados. Personalidade- Definição ampliada - características da pessoa que explicam padrões consistentes de sentimentos, pensamentos e comportamentos. 4) Tipos de Traços da Personalidade – Catell Reservado x Expansivo Submisso x Dominante Sério x Descontraído Tímido x Aventureiro Insensível x sensível Relaxado x Tenso Prático x Imaginativo Estável x Instável Extrovertido x Introvertido Empatia x Egocentrismo Confiante x Defensivo Outros 5)Teorias da Personalidade São teorias gerais do comportamento. São tentativas de formular ou representar aspectos significativos do comportamento dos indivíduos. Essa observação separa as teorias da personalidade da maioria das outras teorias psicológicas (percepção, memória, aprendizagem – estas são de domínio único) . Uma teoria confiável será: - abrangente – explica vários fenômenos - parcimoniosa – explica de forma simples e concisa - testável – passiva de ser testável para correção - produtiva – novas idéias, novos prognósticos e investigações – (Campbell, 1988). Há várias teorias explicando o mesmo assunto. 6) A Teoria da Personalidade e a História da Psicologia Origem ou Fontes de Influência das Teorias da Personalidade – De onde são provenientes Originaram-se de observações meticulosas e da profunda instrospecção de pensadores criteriosos Tradição da observação clínica (Freud, Jung e McDougall)- determinou a natureza da teoria da personalidade; Ex: Freud foi o primeiro a observar em seus pacientes, o poder das pulsões reprimidas e transformou essa idéia em abrangente teoria sobre a psique humana; Partindo de suposições próprias sobre o conflito relacionado às pulsões sexuais, Freud aperfeiçoou sua teoria para examinar problemas anteriormente observados no desempenho da sua profissão e, concomitantemente, para abarcar os conflitos existentes na sociedade. Origem das Teorias da Personalidade – De onde são provenientes Tradição gestáltica e de William Stern – impressionados com a unidade do comportamento e convencidos que o comportamento fragmentado nunca seria esclarecedor; Impacto da Psicologia experimental em geral e da teoria da aprendizagem em particular – surgiu preocupação com a pesquisa empírica controlada e construção de teoria de como o comportamento é modificado; Tradição psicométrica – foco na mensuração e estudo das diferenças individuais maior sofisticação de avaliação/mensuração do comportamento e análise quantitativa dos dados; Genética e a Fisiologia – aumento nas tentativas de identificar e descrever as características da personalidade, influenciados por Eysenc e Freud. Os psicólogos da personalidade ... Tendem a evitar reflexões filosóficas ou religiosas abstratas concentrando-se , em vez disso, nos pensamentos, sentimentos e comportamentos de pessoas reais. Em geral, a personalidade não é estudada em termos de conceitos não- psicológicos, como ganhos e perdas, almas e espíritos ou moléculas e eletromagnetismo.A personalidade é um subcampo da psicologia. A psicologia da personalidade pode ser definida como : “ o estudo científico das forças psicológicas que tornam as pessoas Únicas”. 7)Os psicólogos da personalidade ... Tendem a evitar reflexões filosóficas ou religiosas abstratas concentrando-se , em vez disso, nos pensamentos, sentimentos e comportamentos de pessoas reais. Em geral, a personalidade não é estudada em termos de conceitos não- psicológicos, como ganhos e perdas, almas e espíritos ou moléculas e eletromagnetismo. A personalidade é um subcampo da psicologia. A psicologia da personalidade pode ser definida como : “ o estudo científico das forças psicológicas que tornam as pessoas Únicas”. 8) Oito Aspectos Principais Que, Reunidos, Ajudam-nos A Compreender A Natureza Complexa Do Indivíduo Primeiro lugar - O indivíduo é influenciado por aspectos inconscientes, forças que não estão na consciência imediata. Exemplo: poderíamos dizer ou fazer coisas para outras pessoas, que nossos pais costumavam dizer ou fazer para nós, sem dar conta de estarmos sendo motivados pelo desejo de ser semelhantes a eles. Segundo lugar- O indivíduo é influenciado pelas chamadas forças do ego, que oferecem um sentimento de identidade ou self. Exemplo: na maioria das vezes nos esforçamos por manter um senso de domínio e consistência em nosso comportamento. Terceiro lugar - Uma pessoa é um ser biológico, com uma natureza genética, física, fisiológica e temperamental. A espécie humana vem evoluindo há milhões de anos e ainda assim cada um de nós é um sistema biológico único. Quarto lugar- as pessoas são condicionadas e modeladas pelas experiências e pelo ambiente à sua volta. Ou seja, as circunstâncias à nossa volta, nos ensina a responder de determinada forma, possibilitando nosso crescimento em diversas culturas. A cultura é um aspecto fundamental na determinação de quem somos. . Quinto lugar- . As pessoas têm uma dimensão cognitiva. Elas pensam e interpretam ativamente o mundo a seu redor. Diferentes pessoas interpretam os acontecimentos de maneira única. Sexto lugar - Um individuo é um conjunto de traços, habilidades e predisposições específicas. Não há como negar que cada um de nós tem determinadas capacidades e inclinações . Sétimo lugar – Os seres humanos tem uma dimensão espiritual em relação à própria vida, que os enobrece e os induz a ponderar sobre o significado de sua existência. As pessoas não são meros robôs programados por computador. Elas buscam a felicidade e auto-satisfação. Oitavo lugar – e, finalmente, a natureza do indivíduo é uma interação contínua entre a pessoa e determinado ambiente. Se considerados em conjunto, esses oito aspectos nos auxiliam a definir e a compreender a personalidade. 9) A Teoria da Personalidade e a História da Psicologia Principais diferenças entre os Teóricos e os Pesquisadores da Personalidade (sec XIX) Principal influência dos teóricos da personalidade = baseavam-se na experiência clínica; Principal influência dos teóricos experimentais = baseavam-se nos achados do laboratório experimental. Freud, Janet, McDougall e Stern primeiros teóricos da personalidade Pavlov, Thorndike, Watson, Wundt primeiros teóricos experimentais. Experimentalistas = foco nas inspirações e valores das ciências naturais; baseavam-se no rigor e na precisão da investigação delimitada. Teóricos da personalidade = foco nos dados clínicos e reconstruções criativas; baseavam-se na intuição, insights e habilidades técnicas rigorosas. Origem da teoria da personalidade deve-se a prática médica = Freud, Jung, McDougal = eram médicos e psicoterapeutas. A teoria da personalidade ocupou papel dissidente no desenvolvimento da psicologia; Os teóricos da personalidade foram rebeldes em sua época: rebeldes na medicina, na ciência experimental, rebeldes contra idéias convencionais, contra técnicas de pesquisas, etc; O fato dos teóricos da personalidade não se inserir na psicologia acadêmica teve implicações importantes: os eximia de parte da disciplina e da responsabilidade de uma formulação sistemática e organizada, que faz parte da herança do cientista; As teorias da personalidade eram funcionais = se preocupavam com questões que faziam diferença no ajustamento e na sobrevivência do indivíduo; psicologia experimental: se preocupava com pensamento sem imagens, velocidade dos impulsos nervosos, controvérsias sobre as localizações cerebrais; teóricos da personalidade queriam saber sobre sintomas neuróticos incapacitantes na ausência de patologia orgânica, papel do trauma infantil no ajustamento adulto, motivações subjacentes aos comportamentos humanos, etc. Os teóricos acadêmicos eram livres sobre o que pesquisar, seguir suas inclinações, decidiam sobre o que era significativo partindo de seus interesses; Em contraste, os primeiros teóricos da personalidade eram praticantes, além de estudiosos; se dedicavam a formulações que contribuísse para solução dos problemas da vida cotidiana; Assim o que era visto como incômodo para o teórico experimental, passa a ser alvo de estudo intensivo e interesse focal para o teórico da personalidade. Insistiam que o sujeito deveria ser visto como uma pessoa inteira funcionando em um habitat natural ; Esse era o foco da prática clínica, onde a pessoa inteira se apresentava para a cura, onde era difícil limitar o indivíduo a uma modalidade sensorial ou série de experiências; A prática integrativa, um dos aspectos mais distintivos da teoria da personalidade ao promover o estudo da pessoa em sua totalidade e não em partes segmentadas. O experimentalista poderia saber muito sobre motricidade, audição, percepção, visão, mas em geral, sabia pouco como essas funções ser relacionavam uma com as outras; O psicólogo da personalidade estava, nesse sentido, mais preocupado com a reconstrução ou integração do que com a análise ou estudo segmental do comportamento. Distinção entre os teóricos da personalidade dos tradicionais teóricos da psicologia: São mais especulativos e menos ligados a experimentos e mensurações; a visão rígida do positivismo afetou menos o psicólogo da personalidade do que o psicólogo da psicologia experimental que fixa sua atenção em uma série limitada de observações e registros. Contudo, resta ver ao observador do comportamento humano, se esta disposição para tratar dessas questões, fará avançar a ciência da psicologia. 10) Algumas Raízes da Psicologia da Personalidade O Teatro e a Auto-representação Teofrasto, discípulo de Aristóteles, é um dos primeiros criadores conhecidos de esquetes de personagens – descrições resumidas de um tipo de indivíduo que pode ser identificado ao longo do tempo e do espaço, como pessoa vulgar ou metódica ou preguiçosa ou grosseira (Allport, 1961). Os atores romanos e gregos antigos usavam máscaras para mostrar que estavam interpretando personagens diferentes e não eles mesmos. Isso revelava fascinação pela natureza verdadeira (desmascarada) do indivíduo. Na época de Shakespeare, as máscaras praticamente deixaram de ser usadas, mas havia um tremendo encantamento pelos papéis que as pessoas representavam. Em As You Like It (Como Gosta), Shakespeare observou que ”O mundo inteiro é um palco e todos os homens e mulheres são meramente atores”. Porém, nessa época, não se duvidava que o papel do rei ciumento ou do amante rejeitado poderia ser ocupado (interpretado) de modo semelhante por diferentes pessoas. Todo o mundo reconhece e entende os personagens básicos. Haverá, de fato, algo estabelecido por trás dos papéis que as pessoas desempenham na própria vida ? No século XX, o teatro deu outro passo imaginativo quando teatrólogos como Luigi Pirandello (1867-1936) brincou com a idéia de que os personagens poderiam sair de cena. Ex: um ator poderia sair totalmente do palco (ou do set de filmagem) e fazer comentários sobre a peça. De uma hora para outra, o personagem parece ter uma realidade própria – o considerado realidade é, na verdade,uma série de ilusões. Os Filósofos Sociais Os filósofos sociais começaram a levar em conta a idéia do self relativo – isto é, não há nenhum self subjacente e nenhuma máscara visível, mas, ao contrário, o self “verdadeiro” consiste simplesmente em máscaras (G. Mead, 1968). Em outras palavras, essas reflexões do século XX desafiaram a idéia de que há algum self ou personalidade central a ser descoberta. Todas essas noções teatrais foram subsequentemente abordadas na psicologia da personalidade, em especial, quando se tentou compreender a importância da circunstância social. Essas idéias influenciaram os psicólogos humanistas e existenciais que especularam sobre o que significa ser um “ser humano”. As Filosofias e Religiões Orientais As filosofias e religiões orientais enfatizam a auto-consciência e a auto-realização espiritual por meio de técnicas como a meditação. Zen-Budismo, Ioga e a tradição Hindu, Sufismo. Muita atenção tem sido direcionada igualmente aos estados alterados da consciência (como o transe). Aqui também, há pouco espaço para a objetividade. Essas preocupações orientais com a consciência, a auto-realização e o espírito humano passaram a desempenhar papel fundamental em determinados aspectos da teoria moderna sobre a personalidade. Essa influência é mais claramente observada no trabalho de psicólogos humanistas e existenciais como Abraham Maslow, embora o pensamento oriental também tenha influenciado psicólogos da personalidade como C.G.Jung. Hoje, contudo, em sua maioria, as pesquisas universitárias sobre a personalidade estão mais voltadas ao campo da ciência positivista moderna do que para temas espirituais. As influências religiosas sobre as concepções ocidentais da natureza humana, começaram a desgastar-se na Renascença, especialmente no século XVII. Em 1600 observamos nos escritos de filósofos como Descartes, Spinoza, Leibnitz e seus seguidores, discussões sobre a mente e o corpo, motivação e emoção, percepção e consciência. A natureza do espírito humano não foi tomada como certa, mas analisada e observada. Esse tema continuou a ser desenvolvido nos dois séculos seguintes. Na teoria moderna da personalidade, essas influências apresentam-se como assuntos relacionados com a integração da personalidade individual Biologia Evolucionista As influências mais diretas sobre a moderna psicologia da personalidade podem ser remontadas aos avanços nas ciências biológicas durante o século XIX. Por que alguns animais como os tigre são agressivos e solitários, enquanto outros, como os chipanzés, são sociáveis e cooperativos? Que características os seres humanos compartilham com os outros animais? O maior avanço no pensamento biológico no sec.XIX, foi a teoria da evolução. CHARLES DARWIN Afirmou que as características individuais que evoluíram foram aquelas que permitiram ao ser vivo transmitir os gens aos descendentes. Os indivíduos que não se adaptassem bem às exigências do ambiente em que viviam não conseguiriam sobreviver para reproduzir. Um forte impulso sexual, por exemplo, tinha valor adaptativo; naqueles que não o tinham, a probabilidade de que reproduzissem, era menor. Do mesmo modo, determinada quantidade de agressividade e certo tipo de cooperatividade social poderiam demonstrar-se adaptativos. Os animais que pudessem dominar outros quanto à comida ou aos companheiros, e aqueles que pudessem cooperar com outros para garantir a segurança, sobreviveriam e transmitiriam seus genes. Esse enfoque sobre a função, - isto é, a utilidade do comportamento – continuou sendo um importante aspecto do nosso pensamento sobre a personalidade. Entretanto, a principal contribuição da teoria da evolução darwiniana para a psicologia da personalidade foi a maneira pela qual ela libertou o pensamento das suposições de controle divino. Quando já não havia dúvida de que as pessoas estão sujeitas às leis da natureza, os cientistas começaram a estudar o comportamento humano sistematicamente. 11) Perspectivas Teóricas da Psicologia da Personalidade Perspectiva de Bases Biológicas Perspectiva Psicanalítica Perspectiva de Traços Perspectiva da Aprendizagem Perspectiva Humanista 1 1.1 - Perspectiva de Bases Biológicas – Interconexão corpo x mente, biologia x personalidade O caso de Phineas Cage (relação entre biologia x personalidade) Trabalhava numa ferrovia, realizava explosões numa rocha sólida; Perfurou o chão, encheu furo com pólvora, colocou barra de ferro; Num instante de distração, a carga explodiu em seu rosto; A barra de ferro penetrou em sua bochecha esquerda, cravou-se na base do crânio, penetrando na parte frontal do cérebro, saindo na parte superior da cabeça; Cage ficou atordoado mas não morreu; conseguiu caminhar e falar sobre o ocorrido de forma racional; Porém, sua disposição, seus gostos e aversões, seus sonhos e aspirações, tudo mudou; Cage não era mais um homem sério, vigoroso e responsável; ficou irresponsável, indiferente e imprevidente às consequências de seus atos; A barra de ferro havia destruído grande parte da córtex frontal de Cage. Esta história demonstra a importância do cérebro para propriedades humanas específicas; Corpo e mente, biologia e personalidade estão interconectadas; O temperamento de Cage foi alterado quando a barra de ferro atravessou seu cérebro; Darwin com sua teoria da evolução das espécies, possibilitou a descoberta de vários aspectos da personalidade; Ex: temperamento e sua flexibilidade que se adapta às circunstâncias de vida... Todos tem a capacidade de crescer e mudar a cada estágio da vida; nossas emoções podem influenciar nosso funcionamento imunológico causando maior ou menor resistência a doenças. Weber também uniu a Psicologia às ciências naturais e ajudou a abrir caminho para uso da pesquisa experimental no estudo da mente. (Schultz e Schultz, 2002). 1.2 - A Perspectiva Psicanalítica A perspectiva psicanalítica da personalidade tornou-se uma das mais conhecidas fora do âmbito da psicologia; Idéia central: o inconsciente = conceito que afirma que as pessoas não tem consciência das determinações mais importantes do seu comportamento. A autocompreensão é limitada e bastante incorreta. Freud = o inconsciente consiste em desejos sexuais e agressivos que são inaceitáveis para a personalidade consciente; Jung = o inconsciente não é basicamente sexual; consiste em motivações, que podem ter um conteúdo espiritual; Melanie Klein e Sullivan = descreveram o insconsciente como constituído de conceitos primitivos sobre o self e as relações com outras pessoas, particularmente a mãe, como o primeiro “outro” que a criança encontra; Psicologia Analítica de Jung e Psicologia Individual de Adler = sistemas atrelados a psicanálise que, com o passar do tempo, tornaram-se dissidentes, chegando a ser críticos ferrenhos de Freud. Determinismo Psíquico = Freud afirmou que nada ocorre ao acaso, muito menos os processos mentais. Há uma causa para cada pensamento, para cada memória revivida, sentimento ou ação; Cada evento mental é determinado pelos fatos que o precederam; “parecem” ocorrer espontaneamente, porém, são causados pela intenção consciente ou inconsciente; Freud procurou descrever os elos ocultos que ligavam um evento consciente a outro. Consciente, Pré-consciente e Inconsciente = a consciência é o ponto de partida dessa investigação; o consciente é somente uma pequena parte da mente, inclui tudo do que estamos cientes num dado momento; Freud teve interesse maior em relação às áreas da consciência menos expostas e exploradas, chamadas por ele de pré-consciente e inconsciente. Pulsões ou instintos: Instintos= pressões que dirigem um organismo para fins particulares; dá uma direção ao comportamento; forças propulsoras que incitam as pessoas a ação. Desejos = aspecto mental do instinto Necessidades = aspecto físico do instinto Estrutura da Personalidade Constituída por três grandes sistemas: Id, Ego e Superego Cada uma dessas estruturas tem suas funções, propriedades,componentes, porém interagem de forma estreita; O comportamento é quase sempre o produto da interação entre esses três sistemas. I D É o sistema original da personalidade; é a matriz da qual se originaram o ego e o superego; é a sede e o reservatório dos instintos. O Id consiste em tudo que é psicológico, que é herdado e que se acha presente no nascimento, incluindo os instintos; é o reservatório da energia psíquica e fornece toda a energia para a operação dos outros dois sistemas; Freud chamou o id de a “verdadeira realidade psíquica” porque ele representa o mundo interno da experiência subjetiva e não conhece a realidade objetiva; Opera através do princípio do prazer = reduz a tensão interna do organismo que é produzida por estimulação externa ou excitações internas. Para atingir seu objetivo de evitar dor e atingir o prazer se utiliza de dois processos: ações reflexas e o processo primário. Ações reflexas – são reações inatas e automáticas como espirrar e piscar, e, geralmente reduzem a tensão imediatamente; Processo primário – tenta descarregar a tensão formando a imagem de um objeto que vai remover a tensão; ex: o processo primário apresenta à pessoa faminta a imagem mental de um alimento; Ex: sonho noturno = melhor exemplo do processo primário, que Freud acreditava representar a realização ou tentativa de realizar um desejo; A pessoa faminta não pode comer imagens mentais da comida. Assim, desenvolve-se um processo psicológico novo ou secundário; quando isso ocorre, o ego começa a tomar forma. E G O O ego passa a existir para atender as reais necessidades do organismo; a pessoa faminta tem que buscar, encontrar e comer o alimento para eliminar a tensão da fome; O ego obedece ao princípio da realidade e opera através do processo secundário. O objetivo do principio da realidade é evitar a descarga de tensão até que um objeto apropriado possa satisfazer uma necessidade . O ego opera através do processo secundário, ou seja, quer saber se a experiência é falsa ou verdadeira, se tem existência externa ou não, enquanto o princípio do prazer só quer saber se a experiência é dolorosa ou prazeirosa. Processo secundário = é o pensamento realista. Ego é a porção organizada do Id, passa a existir para atingir os objetivos do id e não para frustrá-los; todo seu poder deriva do id; não existe separadamente do id e nunca se torna completamente independente dele; Principal papel do ego = é o mediador das exigências instintuais do organismo e as condições do meio circundante. O ego tem 3 senhores: o Id, a realidade externa e o superego. O ego é a sede das angústias; é o executivo da personalidadeSuperego Representante interno dos valores tradicionais e dos ideais da sociedade, impostos por sistemas de recompensa e punição; Força moral da personalidade; Representa o ideal mais que o real e busca a perfeição mais que o prazer; Desenvolve-se como resposta às recompensas e punições impostas pelos pais; Tem dois sub-sistemas: a consciência (castigos) e o ideal de Ego; A consciência pune a pessoa fazendo-a sentir-se culpada; O ideal de ego recompensa; fazendo-a sentir-se orgulhosa; A criança absorve ou introjeta os padrões morais dos pais; Com a formação do superego o autocontrole substitui o controle parental. Principais funções do superego: Inibir impulsos do Id, principalmente os sexuais e agressivos (mais condenados pela sociedade; Persuadir o ego a substituir objetivos realistas por moralistas; Buscar a perfeição = está inclinado a se opor ao Id e ao Ego e a reformar o mundo conforme sua imagem. A personalidade funciona como um todo integrado e não como três segmentos separados; O Id pode ser pensado como o componente biológico da personalidade, o Ego como componente psicológico e o Superego como componente social. Dinâmica da Personalidade – Freud Forma pela qual a energia psíquica é distribuída e utilizada pelo Id, Ego e Superego Freud – educado sob influência da filosofia determinista e positivista do séc. XIX; O organismo era sistema complexo de energia obtida do alimento consumido e gastava em processos como circulação, respiração, etc. A energia era definida em termos do trabalho que realiza; Se a atividade era pensar, Freud chamava essa energia de psíquica; A energia psíquica pode se transformar em energia fisiológica e vice-versa; A ponte entre a energia do corpo e da personalidade = o Id e seus instintos. Instinto – representação psicológica inata de uma fonte somática interna de excitação são os fatores propulsores da personalidade; impulsionam o comportamento e dá-lhe direção. Representação psicológica do instinto = Desejo (aspecto mental do instinto) Excitação corporal da qual se origina = Necessidade (aspecto físico do instinto) Fome – fisiologicamente = condição de déficit nutricional dos tecidos do corpo Fome – psicologicamente = desejo de alimento Freud achava que os estímulos ambientais (externos) de excitação tem desempenho menor na dinâmica da personalidade do que os instintos inatos; Os estímulos externos fazem menos exigências ao indivíduo com formas de ajustamentos menos complicadas que as necessidades; Sempre podemos fugir de um estímulo externo, mas é impossível fugir de uma necessidade; Um instinto é um quantum de energia psíquica ou segundo Freud “uma medida da exigência feita à mente para trabalhar” (1905 a., p. 168) O instinto pode ser considerado um dínamo que fornece energia psicológica para as múltiplas operações da personalidade. Essa energia é derivada dos processos metabólicos do corpo. Um instinto tem quatro aspectos: fonte, meta, objeto e um ímpeto. Fonte = uma condição corporal ou uma necessidade Meta = remoção da excitação corporal Objeto = atividades entre o aparecimento do desejo e sua realização Ímpeto = é a força de um instinto, determinada pela intensidade da necessidade Compulsão à repetição – o instinto é descrito como um processo que se repete tão frequentemente quanto aparece um ciclo de eventos que se inicia com a excitação e termina com o repouso; Instintos de vida = tem o propósito da sobrevivência individual e da propagação racial; a fome, a sede e o sexo se enquadram nessa categoria; Libido = a forma de energia pela qual os instintos de vida realizam sua tarefa sexo – instinto de vida ao qual Freud prestou mais atenção no início da psicanálise Instintos de morte = instintos destrutivos ou “a meta de toda vida é a morte” (1920 a, p.38). Catexia – investimento de energia. Ansiedade Ansiedade é um estado de tensão; é uma pulsão como a fome ou o sexo; é produzida originalmente por causas externas ; Quando despertada, motiva a pessoa a fazer algo; ela pode fugir da região ameaçadora, inibir o impulso perigoso ou obedecer a voz da consciência. O ser humano quando esmagado por estimulação excessiva que não consegue controlar, o ego é inundado pela ansiedade. Mecanismos de Defesa do Ego – Quando o ego não consegue lidar com a ansiedade por métodos racionais, recorre a métodos irrealistas. Freud reconheceu três tipos de ansiedade: Ansiedade de realidade, ansiedade neurótica e ansiedade moral ou sentimento de culpa. Ansiedade de realidade – é o tipo básico = medo de perigos reais do mundo externo; dele se derivam os outros dois. Ansiedade neurótica – medo que os instintos escapem ao controle e levem a pessoa a tomar atitude pela qual será punida; é baseada na realidade , pois o mundo conforme é representado pelos pais e outras autoridades, pune as crianças por ações impulsivas. Ansiedade moral – medo da consciência – pessoas com superegos bem desenvolvidos tendem a sentir culpa quando praticam ato contrário ao código moral pelo qual foram criadas. Função da ansiedade – alertar a pessoa em relação a um perigo iminente; é um sinal para o ego de que algo pode aniquilá-lo. Ansiedade traumática – reduz a pessoa a um estado de desamparo infantil. Trauma do nascimento – estímulos do mundo externo para os quais o neonato não está preparado e aos quaisnão consegue se adaptar. O bebê precisa de um ambiente protegido até o ego se desenvolver a ponto de dominar os fortes estímulos do meio. 1.3 - Perspectiva de Traços Traços de personalidade - Referem-se a padrões consistentes na forma como os indivíduos se comportam, sentem e pensam. Ex: o indivíduo bondoso tende a agir bondosamente com o passar do tempo e em situações diferentes (com o idoso e com o cão manco) Traços de personalidade tem três funções: Podem ser usados para prever, explicar e resumir a conduta de uma pessoa. Os traços da personalidade permitem que façamos previsões sobre o comportamento futuro da pessoa; sugerem que a explicação para o comportamento será encontrado no indivíduo e não na situação. Teóricos concordam que a intensidade dos traços indicam a probabilidade de um comportamento acontecer Ex: traço consistente de irritabilidade numa situação de estresse. Teóricos consideram que a personalidade de traço tem uma hierarquia de organização e que as pessoas respondem de forma padronizada a situações semelhantes: Ex: pessoas que preferem se reunir para estudar, também se sentem bem numa festa = dois hábitos podem ser agrupados no traço de impulsividade. 1.4 - Perspectiva da Aprendizagem Divide-se em Aprendizagem Comportamental e Aprendizagem Social Aprendizagem Comportamental – É a relação entre a pessoa e o estímulo percebido que se for repetitivo tende a gerar o aprendizado. Quase todo o comportamento é aprendido. Ex: psicopatologia – fracasso em aprender comportamentos adaptativos. Capacidade de aprender = vencer na luta da seleção natural e da sobrevivência A maioria dos comportamentos problemáticos foi aprendido, então podem ser desaprendidos ou modificados através da aprendizagem. Comportamentos específicos devem ser modificados ao invés de conflitos subjacentes resolvidos ou uma personalidade modificada. Aprendizagem Social Envolve a aprendizagem do comportamento e a relação deste comportamento com os fatores cognitivos que o influenciam. Ex: não se pode estudar os aspectos fisiológicos da emoção sobre o comportamento, sem considerar o que as pessoas estão pensando quando estão com medo, zangadas ou com outra emoção qualquer. Os teóricos da perspectiva cognitiva comportamental sustentam que, a personalidade se forma pela interação com o meio, e o que as pessoas fazem é determinado pelo meio e por situações específicas. O Behaviorismo radical de Skinner são contrários à inclusão de variáveis cognitivas nas teorias comportamentais; Afirmam que não são construtos apropriados para explicar as causas do comportamento; Dizem que as variáveis cognitivas não são diretamente observáveis e não podem ser reproduzidas sem ambiguidades pelas manipulações experimentais. 1.4 - A Perspectiva Humanista Representa a terceira força na teoria da personalidade; Propõe o combate as tendências da psicanálise e do deterministas e fragmentadoras behaviorismo; Organizada formalmente em 1961 (Gordon Allport, Erick From, George Kelly, Abraham Maslow, Rollo May, Henry Murray, Carl Rogers). Pontos Essenciais do Humanismo Ênfase na experiência consciente; Crença na integralidade da natureza e da conduta do ser humano; Concentração no livre-arbítrio, na espontaneidade e no poder de criação do indivíduo; Estudo de tudo o que tenha relevância para condição humana. Rogers – propôs que cada pessoa possui uma tendência inata para atualizar as capacidades e potenciais do Eu. Suas formulações foram feitas a partir do tratamento de pessoas emocionalmente perturbadas através da terapia centrada na pessoa. Maslow – desenvolveu uma escala de hierarquia de necessidades seguida pelo ser humano, onde o fluxo natural é buscar a satisfação de todas as necessidades e alcançar a realização, ou seja, a motivação humana de alcançar a realização é movida pelas deficiências , segundo Maslow. A maior intenção dos humanistas não é medir as diferenças individuais, mas sim, o próprio ser humano. 12) Bibliografia: Campos, Luiz Antonio Monteiro – Psicologia da Personalidade - 1ª. Edição, SESES, RJ, 2016 Hall, C.S. Lindzey, G – Teorias da Personalidade. EPU, 2004, SP.