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Resumo constitucional II

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DIREITO CONSTITUCIONAL II 
 
Federalismo: Divisão de poder 
Século XVIII – Experiência norte-americana 
Convenção da Filadélfia – Constituição americana de 1787 
 
União das 13 ex-colônias americanas por razões religiosas, políticas e econômicas, formando assim, uma 
confederação. Posteriormente, na federação, estas 13 colônias abriram mão de suas soberanias, 
constituindo um poder que abrangesse a todas elas: o Estado Federal. Desta forma, cada colônia passou 
a ser um estado-membro, dotado de autonomia. 
 
Autonomia (poder de ente político) ≠ Soberania (poder independente) 
• Auto-organização – Elaborar a própria constituição e suas próprias leis; 
• Autogoverno – Direito de escolher seus governantes (legislativo, executivo e judiciário); 
• Autoadministração – Gerir sua própria máquina burocrática; 
 
Relembrando: A Confederação seria uma outra forma de organização, na qual estados soberanos se 
unem através de tratado e em razão de um objetivo comum, mas sem que haja perda de soberania. Há 
a possibilidade de retirada da Confederação, isto é, está assegurado o direito de secessão. 
 
Principais características da Federação Brasileira: 
• Sobreposição de ordens políticas - mais de uma ordem jurídica incidindo sobre o indivíduo. 
• Descentralização política e administrativa; 
• Pacto federativo (manifestação livre e eficiente da vontade dos representantes de cada estado 
federado, criando uma união de todos eles) >> Decisão constituinte criadora; 
• Repartição de competências entre o Estado Federal e os estados federados; 
• Indissolubilidade; 
• Divisão de arrecadação; 
• Base jurídica: Constituição; 
• Intervenção Federal, em casos estabelecidos na Constituição; 
• Poder legislativo bicameral; 
• Senado (representação das unidades federativas); 
• Poder político compartilhado; 
• Poder jurídico federal, como Corte Suprema, para interpretar e proteger a Constituição; 
 
Federalismo Centrípeto – Tendência de fortalecimento do poder central da União Federal; 
Federalismo Centrífugo – Tendência de fortalecimento dos estados integrantes; 
Federalismo de Cooperação – Quando há equilíbrio entre estas duas forças. 
 
Ex.: O Brasil é exemplo de federalismo centrífugo. 
 
Inovação do federalismo brasileiro >> O art. 18 da CF apresenta o município como ente federativo, ao 
lado da União, dos Estados e do Distrito Federal. 
 
Algumas questões que impossibilitam o município de exercer a autonomia política plena própria de um 
“ente federativo”: 
• Inviabilidade econômica – falta de gestão financeira; 
• Falta de capacidade de poupança; 
• Falta de infraestrutura (saúde pública, saneamento básico e etc); 
• Falta de know how tecnológico e administrativo; 
• Não tem representação no Senado; 
• Não tem Poder Judiciário; 
• Suas contas são fiscalizadas pelo tribunal de contas dos estados; 
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Os Entes Federativos 
 
União – É fruto da junção dos Estados. É a união indissolúvel destes. É quem age em nome da federação. 
 
Possui dupla personalidade, ou seja, ora se manifesta como parte (assumindo papel internamente) , ora 
se manifesta como o todo (assumindo papel internacionalmente). 
 
Internamente – Pessoa jurídica de direito público interno, detentora de suas próprias competências; 
Internacionalmente – Representante da República Federativa do Brasil. 
 
Estados Federados (Art. 25 a 28) – Pessoa jurídica de direito público interno. Dotadas de poder 
legislativo autônomo. 
 
Possuem a tríplice capacidade já citada (auto-organização, autogoverno, autoadministração). 
 
Requisitos para a formação, incorporação e subdivisão de novos Estados (Art. 18, δ3˚, CF) 
• Plebiscito – Consulta prévia à população diretamente interessada; 
• Audiência das Assembleias Legislativas – De acordo com o Art.48,VI, a Casa perante a qual for 
proposto o projeto de lei deve ouvir as Assembleias Legislativas dos Estados diretamente 
envolvidos. 
• Aprovação final pelo Congresso Nacional – Reserva de Lei Complementar. 
 
Municípios (Art. 29 a 31) – Pessoa jurídica de direito público interno, regida por lei orgânica. 
 
Também possui a tríplice capacidade: 
Auto-organização e autolegislação – Elaboração da lei orgânica, que deve ser aprovada pela Câmara 
Municipal, e criação de leis municipais. 
Autogoverno – Capacidade de escolha do poder executivo e legislativo pelos eleitores. 
Autoadministração – Exercício de suas competências previstas na CF. 
 
Requisitos para a formação, incorporação e subdivisão de novos Municípios (Art. 18, δ4˚, CF) 
• Lei Estadual e Lei complementar federal; 
• Consulta à população dos municípios envolvidos; 
• Divulgação prévia do estudo de viabilidade municipal. 
 
Distrito Federal (Art. 32) – Criado para abrigar a sede da União. É vedada sua divisão em municípios. 
Regida por lei orgânica. 
 
Não se confunde com os Estados-membros nem com os municípios. É um ente autônomo e especial que 
possui suas competências próprias. 
 
Possui a tríplice capacidade: 
Auto-organização e autolegislação – Elaboração da lei orgânica e das leis distritais 
Autogoverno – Poder de escolha do Governador, vice e deputados distritais pelos eleitores. 
*Não tem prefeito!! 
Autoadministração - Exercício de suas competências previstas na CF. 
 
O Poder judiciário atua em seu território, mas é organizado e mantido pela União. 
 
Brasília está dentro do DF, sendo a capital federal e sede do DF. Mas não é um município. 
 
OBS.: Os Territórios Federais (Art. 32) não são entes federativos. Apesar de possuírem personalidade, 
não são dotados de autonomia política. Trata-se de mera descentralização administrativo-territorial da 
União. 
 
Eles são autarquias e integram a União. 
Sua organização e administração estarão especificadas em lei federal. 
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Ao contrário do DF, podem ser divididos em municípios. 
A CF de 1988 aboliu completamente todos os territórios existentes. 
 
Repartição de Competências 
 
Técnica utilizada pelo constituinte para distribuir entre os entes federados as diferentes atividades do 
Estado Federal. 
 
Não é cláusula pétrea, isto quer dizer que poderia haver uma emenda constitucional que modificasse 
esta repartição de competências. 
 
Mas jamais poderia ocorrer o esvaziamento, ou seja, a abolição do Estado Federado. 
 
Modelos de Repartição 
 
• Clássico - Enumera somente as competências da União, deixando as demais, não enumeradas 
na Constituição, aos estados-membros. Podemos denominar de competência remanescente ou 
competência residual. Ex.: Federação norte-americana. 
• Moderno - As competências da União e as competências dos estados-membros estão 
enumeradas na Constituição. 
• Horizontal - Não existe subordinação entre os entes federados no exercício da competência. 
Isto é, todos os entes federativos possuem autonomia para exercer suas competências que lhes 
são atribuídas pela Constituição. 
• Vertical - Existe uma subordinação entre os entes federativos quanto às matérias situadas em 
seu campo de atuação. 
 
OBS.: No Brasil, prevalecem os modelos moderno, horizontal e vertical. 
 
Princípio da Preponderância de Interesses - Leva em consideração a lógica de atribuir a solução dos 
problemas aos entes que são por eles mais afetados: 
 
Geral >>> União 
Regional >>> Estados e DF 
Local >>> Municípios e DF 
 
Competências Exclusivas – São competências administrativas da União. (Art. 21 CF) 
✓ Declarar a guerra e celebrar a paz; 
✓ Assegurar a defesa nacional; 
✓ Decretar estado de sítio, estado de defesa e intervenção federal; 
✓ Emitir moeda; 
✓ Conceder anistia... 
 
Competências Privativas – São competências da União, mas que podem ser delegadas se houver 
autorização legal. (Art. 22 CF) 
✓ Direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, do trabalho e etc.. 
✓ Desapropriação; 
✓ Águas, energia, informática,