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M01_Psicofarmacologia.pdf
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 1 
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
PSICOFARMACOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
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CURSO DE 
PSICOFARMACOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
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SUMÁRIO 
 
MÓDULO I 
1 PRINCÍPIOS DE FARMACOLOGIA 
1.1 INTRODUÇÃO 
1.2 FARMACOCINÉTICA 
1.2.1 Absorção 
1.2.2 Distribuição 
1.2.3 Biotransformação 
1.2.4 Excreção ou Eliminação 
1.3 FARMACODINÂMICA 
2 O SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 
2.1 INTRODUÇÃO 
2.2 INTRODUÇÃO AO SISTEMA NERVOSO 
2.3 DIVISÕES FUNCIONAIS NO SISTEMA NERVOSO 
2.4 ANATOMIA DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 
2.5 FUNÇÕES DO SISTEMA SIMPÁTICO 
2.6 FUNÇÕES DO SISTEMA PARASSIMPÁTICO 
2.7 FUNÇÕES DO SNC NO CONTROLE AUTONÔMICO DAS VÍSCERAS 
2.8 INERVAÇÃO AUTONÔMICA 
3 SISTEMA NERVOSO SOMÁTICO 
3.1 COMUNICAÇÃO QUÍMICA ENTRE CÉLULAS 
3.1.1 Mediadores locais 
3.1.2 Hormônios 
3.1.3 Neurotransmissores 
4 NEUROTRANSMISSORES IMPORTANTES E SUAS FUNÇÕES 
4.1 DOPAMINA 
4.2 SEROTONINA 
4.3 ACETILCOLINA (ACH) 
4.4 NORADRENALINA 
4.5 GLUTAMATO 
 
 
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4.6 ENCEFALINAS E ENDORFINAS 
5 INTRODUÇÃO AO SNC 
5.1 NEUROTRANSMISSÃO NO SNC 
5.2 POTENCIAIS SINÁPTICOS 
5.2.1 Vias excitatórias 
5.2.2 Vias inibitórias 
5.2.3 Efeitos combinados de PPSE e PPSI 
6 INTRODUÇÃO À PSICOFARMACOLOGIA 
7 PRESCRIÇÕES E MEDICAÇÕES 
7.1 USO CLÍNICO DO MEDICAMENTO 
7.2 O PACIENTE E O USO DE MEDICAMENTOS 
8 FÁRMACOS ANSIOLÍTICOS E HIPNÓTICOS 
8.1 INTRODUÇÃO 
8.2 BENZODIAZEPÍNICOS 
8.3 MECANISMO DE AÇÃO 
8.4 AÇÕES 
8.5 USOS TERAPÊUTICOS 
8.6 DEPENDÊNCIA 
9 OUTROS AGENTES ANSIOLÍTICOS E HIPNÓTICOS 
9.1 ZOLPIDEM 
9.2 BUSPIRONA 
9.3 HIDROXIZINA 
10 ANTAGONISTA DE BENZODIAZEPÍNICOS 
11 BARBITÚRICOS 
11.1 MECANISMO DE AÇÃO 
11.2 EFEITOS 
11.3 USOS TERAPÊUTICOS 
11.4 EFEITOS ADVERSOS 
12 SEDATIVOS NÃO BARBITÚRICOS 
12.1 HIDRATO DE CLORAL 
12.2 ANTI-HISTAMÍNICOS 
12.3 ETANOL 
 
 
 
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MÓDULO II 
13 FÁRMACOS ANTIDEPRESSIVOS 
13.1 INTRODUÇÃO 
14 OS ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS/POLlCÍCLlCOS 
14.1 MECANISMO DE AÇÃO 
14.2 AÇÕES 
14.3 UTILIZAÇÕES TERAPÊUTICAS 
15 BLOQUEADORES SELETIVOS DA RECAPTURA DE SEROTONINA 
15.1 FLUOXETINA 
15.2 OUTROS BLOQUEADORES SELETIVOS DA CAPTURA DE SEROTONINA 
16 INIBIDORES DA MONOAMINOXIDASE 
16.1 MECANISMO DE AÇÃO 
16.2 AÇÕES 
16.3 USOS TERAPÊUTICOS 
17 SAIS DE LÍTIO 
18 FÁRMACOS USADOS NO TRATAMENTO DA EPILEPSIA 
18.1 VISÃO GERAL SOBRE EPILEPSIA 
18.2 ETIOLOGIA 
18.3 CLASSIFICAÇÃO DA EPILEPSIA 
18.4 MECANISMO DE AÇÃO DOS FÁRMACOS ANTIEPILÉPTICOS 
19 FÁRMACOS ANTIEPILÉPTICOS 
19.1 FENITOÍNA 
19.2 CARBAMAZEPINA 
19.3 FENOBARBITAL 
19.4 PRIMIDONA 
19.5 ÁCIDO VALPROICO 
19.6 ETOSUXIMIDA 
19.7 BENZODIAZEPÍNICOS 
19.8 GABAPENTIN E LAMOTRIGINE 
20 FÁRMACOS NEUROLÉPTICOS 
20.1 INTRODUÇÃO 
20.2 MECANISMO DE AÇÃO 
 
 
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 6 
20.3 AÇÕES 
20.4 UTILIZAÇÕES TERAPÊUTICAS 
21 ESQUIZOFRENIA 
22 ESTIMULANTES DO SNC 
22.1 ESTIMULANTES PSICOMOTORES 
22.2 METILXANTINAS 
22.3 NICOTINA 
22.4 COCAÍNA 
22.5 ANFETAMINA 
 
 
MÓDULO III 
23 ALUCINÓGENOS 
23.1 DIETILAMIDA DO ÁCIDO LISÉRGICO (LSD) 
23.2 TETRA-HIDROCANABINOL 
23.3 FENCICLIDINA (PCP) 
24 DOENÇA DE PARKINSON 
24.1 VISÃO GERAL 
24.2 ETIOLOGIA 
24.3 ESTRATÉGIA DO TRATAMENTO 
24.4 FÁRMACOS USADOS NA DOENÇA DE PARKINSON 
24.4.1 Levodopa (L-dopa) e Carbidopa 
24.4.1.1 Mecanismo de ação 
24.4.4.2 Ações 
24.4.4.3 Usos terapêuticos 
24.4.2 Bromocriptina 
24.4.3 Amantadina 
24.4.4 Deprenil 
24.4.5 Agentes Antimuscarínicos 
25 ALZHEIMER 
25.1 DEFINIÇÃO 
25.2 FATORES DE RISCO 
25.3 SINTOMAS 
 
 
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25.4 DIAGNÓSTICO 
25.5 TRATAMENTO 
26 DEPENDÊNCIA E TOLERÂNCIA 
26.1 DEPENDÊNCIA E OS BENZODIAZEPÍNICOS 
27 SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA 
27.1 SÍNDROME [ESTADO] DE ABSTINÊNCIA 
27.2 SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA COM DELIRIUM 
28 USO ABUSIVO DE DROGAS 
29 PSICOFÁRMACOS E O PACIENTE IDOSO 
29.1 DROGAS ANTIPSICÓTICAS 
29.2 SAIS DE LÍTIO 
29.3 ANTIDEPRESSIVOS 
 
 
MÓDULO IV 
30 MONOGRAFIA DAS PRINCIPAIS DROGAS E MEDICAMENTOS 
PSICOFÁRMACOS 
30.1 ANSIOLÍTICOS, DISTÚRBIOS DA ANSIEDADE E HIPNÓTICOS 
30.1.1 Alprazolam 
30.1.2 Bromazepam 
30.1.3 Clobazam 
30.1.4 Clordiazepóxido 
30.1.5 Estazolam 
30.1.6 Flunitrazepam 
30.1.7 Flurazepam 
30.1.8 Lorazepam 
30.1.9 Zolpidem 
30.2 ANTIDEPRESSIVOS, DISTÚRBIOS DO HUMOR E ANTIMANIA 
30.2.1 Amineptina 
30.2.2 Amitriptilina 
30.2.3 Fluoxetina 
30.2.4 Nortriptilina 
30.2.5 Sertralina 
 
 
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30.2.6 Lítio 
30.3 ANTIEPILÉPTICOS, ANTICONVULSIVANTES 
30.1.1 Carbamazepina 
30.1.2 Diazepam 
30.1.3 Fenitoína (difenil-hidantoína) 
30.1.4 Metilfenobarbital 
30.4 NEUROLÉPTICOS 
30.4.1 Clorpromazina 
30.4.2 Haloperidol 
30.5 ESTIMULANTES DO SNC 
30.5.1 Anfetaminas 
30.5.2 A Cafeína 
30.6 PSICOFÁRMACOS UTILIZADOS NOS DISTÚRBIOS DEGENERATIVOS DO 
SNC 
30.6.1 Levodopa + Carbidopa 
30.6.2 Selegilina 
30.6.3 Rivastigmina 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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MÓDULO I 
 
 
1 PRINCÍPIOS DE FARMACOLOGIA 
 
 
1.1 INTRODUÇÃO 
 
 
A palavra farmacologia etnologicamente se origina da palavra Pharmakon, 
do grego, que quer dizer droga, fármaco ou medicamento, mais logos que significa 
estudo. De uma maneira genérica e bastante simplificada poderíamos conceituar 
farmacologia de diversas formas: 
 Estudo da interação dos compostos químicos com os organismos 
vivos; 
 Ciência experimental que lida com as propriedades das drogas e seus 
efeitos nos sistemas vivos; 
 Ciência que estuda as alterações provocadas no organismo pelas 
drogas ou medicamentos. 
Pode, ainda, ser definida como o estudo do modo pelo qual a função dos 
sistemas orgânicos é afetada pelos agentes químicos. A farmacologia foi 
reconhecida como ciência na segunda metade do século XIX, quando os princípios 
científicos passaram a ser considerados no estabelecimento das práticas 
terapêuticas. No entanto, desde as civilizações mais antigas, remédios baseados em 
ervas ou outros produtos naturais de origem vegetal, animal ou mineral eram 
amplamente utilizados para combater as diversas enfermidades
que acometiam o 
homem e os animais domésticos, que com ele conviviam. Até o século XIX, a 
terapêutica era pouco influenciada pela ciência. 
A partir desta fase, alguns cientistas importantes contribuíram para que esta 
influência fosse aumentada, dentre eles podemos citar o patologista alemão Rudolf 
Virchow, que naquela época comentou o fato da seguinte forma: “A terapêutica é um 
 
 
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estágio empírico apreciado por clínicos e médicos práticos e é por meio da 
combinação com a fisiologia que precisa ascender para ser uma ciência, o que ela 
não é nos dias de hoje”. (Rudolf Virchow, 1821-1902). 
A falta de conhecimentos acerca do funcionamento do organismo e o 
sentimento de que doença e morte eram assuntos semissagrados dificultavam o 
atendimento dos efeitos das drogas e facilitavam o emprego de doutrinas autoritárias 
e nada científicas. Em termos gerais, a farmacologia, bem como as drogas, pode ser 
caracterizada e a farmacologia correlacionada com as demais áreas do 
conhecimento. 
 A Farmacologia pode ser vista como uma vasta área do conhecimento 
científico e nas suas diferentes abordagens pode ser subdividida em diversas 
disciplinas. Neste curso daremos destaque a alguns princípios de Farmacocinética e 
Farmacodinâmica. Àqueles que desejarem obter maiores informações acerca desta 
ciência e de suas subdivisões é possível encontrar o Curso de Farmacologia Geral, 
disponível no Portal Farmácia On-line (www.farmacia.med.br). 
 
 
1.2 FARMACOCINÉTICA 
 
 
É o estudo da velocidade com que os fármacos atingem o sítio de ação e 
são eliminados do organismo, bem como dos diferentes fatores que influenciam na 
quantidade de fármaco a alcançar o seu sítio. Basicamente, estuda os processos 
metabólicos de absorção, distribuição, biotransformação e eliminação das drogas. 
Os conceitos desses processos serão vistos abaixo. 
 
 
1.2.1 Absorção 
 
 
A absorção ocorre quando o medicamento atravessa barreiras até atingir a 
circulação sanguínea. A absorção pode ser definida, ainda, como o transporte da 
droga do local de absorção até a corrente sanguínea. As barreiras pelas quais as 
 
 
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drogas devem atravessar até alcançar esta região são basicamente constituídas 
pelas membranas celulares. Tratando-se da via de administração intravenosa, não 
se deve considerar a absorção, uma vez que, neste caso, o fármaco é administrado 
diretamente na corrente sanguínea. Alguns fatores influenciam a absorção, tais 
como: características físico-químicas da droga, veículo utilizado na formulação, 
perfusão sanguínea no local de absorção, área de absorção à qual o fármaco é 
exposto, via de administração, forma farmacêutica, entre outros. 
 
 
1.2.2 Distribuição 
 
 
Para que a droga alcance seu sítio de ação é necessário que ela se distribua 
pelos tecidos, a partir do momento que ela alcançou a corrente sanguínea, ou seja, 
a distribuição é a passagem de um fármaco da corrente sanguínea para os tecidos. 
É afetada por fatores fisiológicos e pelas propriedades físico-químicas da 
substância. Os fármacos pouco lipossolúveis possuem baixa capacidade de permear 
membranas biológicas, sofrendo assim restrições em sua distribuição. Já as 
substâncias muito lipossolúveis podem se acumular em regiões de tecido adiposo, 
prolongando a permanência do fármaco no organismo. Além disso, a ligação às 
proteínas plasmáticas pode alterar a distribuição do fármaco, pois pode limitar o 
acesso aos locais de ação intracelular. 
 
 
1.2.3 Biotransformação 
 
 
O destino final dos fármacos ocorre após uma série de transformações 
químicas que denominamos biotransformação. Porções consideráveis de certos 
fármacos podem ser eliminadas de forma intacta sem sofrer biotransformação. De 
forma geral a atividade farmacológica é perdida ou reduzida pela metabolização, 
mas muitas drogas dão origem a metabólitos farmacologicamente ativos. A 
biotransformação ocorre principalmente no fígado, nos rins, nos pulmões e no tecido 
 
 
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nervoso. Entre os fatores que podem influenciar o metabolismo dos fármacos estão 
às características da espécie animal, a idade, a raça e fatores genéticos, além da 
indução e da inibição enzimáticas. 
 
 
1.2.4 Excreção ou Eliminação 
 
 
É a retirada do fármaco do organismo, seja na forma inalterada ou na de 
metabólitos ativos e/ou inativos. Ocorre por diferentes vias e varia conforme as 
características físico-químicas da substância a ser excretada. Outro conceito 
importante que temos nisso tudo é o conceito de meia-vida. A meia-vida (T1/2) é o 
tempo necessário para que a concentração plasmática de determinado fármaco seja 
reduzida pela metade. Supondo que a concentração plasmática atingida por certo 
fármaco seja de 200 mcg/mL e que sejam necessários 60 minutos para que esta 
concentração chegue a 100 mcg/mL, a sua meia-vida é de 60 minutos. 
 
 
1.3 FARMACODINÂMICA 
 
 
A farmacodinâmica estuda a inter-relação da concentração de uma droga e 
a estrutura-alvo, bem como o respectivo mecanismo de ação, ou seja, analisa a 
ação dos fármacos, assim como os efeitos objetivos e subjetivos que eles provocam 
em organismos são e doentes, de modo a obter elementos que orientem o seu uso, 
sendo o estudo do mecanismo de ação dos fármacos. Enquanto a farmacocinética 
estuda o que o corpo faz com a droga, a farmacodinâmica estuda o que a droga faz 
com o corpo. 
Como já explicado, as drogas são administradas, absorvidas, distribuídas 
até que cheguem ao seu local de ação. Para que uma resposta biológica seja 
desencadeada por uma droga é necessário que a molécula da droga interaja com 
algum (ou alguns) constituinte (s) do seu alvo e que esta interação resulte em um 
efeito celular observável. Nesse sentido, é conveniente que saibamos o conceito de 
 
 
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biodisponibilidade, que é a quantidade da droga administrada que consegue chegar 
ao seu local de ação; boa parte da droga se perde durante a administração, 
absorção. Os principais alvos proteicos para a ação das drogas nas células são: 
receptores; canais iônicos; enzimas e moléculas transportadoras. 
Os receptores são moléculas de proteínas localizadas na membrana das 
células ou no citoplasma, e são os locais primários da ligação dos fármacos. A 
ligação do fármaco com o seu receptor promove mudanças estruturais na 
conformação do receptor de modo que um sinal intracelular é gerado. As moléculas 
dos fármacos, neste sentido, são conhecidas como primeiros mensageiros. Os 
segundos mensageiros são moléculas intracelulares geradas pela ligação fármaco-
receptor que serão responsáveis pelo efeito biológico. Muitas drogas sintéticas 
terapeuticamente úteis atuam como agonistas ou antagonistas em receptores de 
mediadores endógenos conhecidos. 
O agonismo pode-se dizer que é o fármaco que se liga ao seu sítio de ação 
e desencadeia a resposta biológica. O antagonismo é quando um fármaco possui 
uma ação inversa ao agonista ou impede sua ligação com o sítio de ação. Os canais 
iônicos estão diretamente ligados a um receptor e só se abrem quando o receptor 
estiver ocupado por um agonista. Entretanto, muitos outros tipos de canais iônicos 
atuam como alvos para a ação de drogas. O tipo de interação mais simples envolve 
o bloqueio do canal pela ligação do ligante.
As enzimas apresentam-se como alvos de muitas drogas. Com mais 
frequência, a molécula da droga é um substrato análogo que atua como inibidor 
competitivo reversível ou irreversível da enzima. O transporte de íons e de pequenas 
moléculas orgânicas pelas membranas celulares exige geralmente uma proteína 
transportadora. Existem muitos exemplos desses transportadores, como aqueles 
responsáveis pelo transporte de glicose, aminoácidos, neurotransmissores, entre 
outros. Essas moléculas podem constituir sítios de ação para drogas que bloqueiem 
o transporte de vários sistemas. 
Os receptores desencadeiam tipos diferentes de efeitos celulares, alguns 
rápidos, como aqueles envolvidos na transmissão sináptica. Outros receptores 
desencadeiam efeitos cuja ordem de tempo pode variar entre minutos e até mesmo 
semanas. Em termos de estrutura molecular e da natureza do mecanismo de 
transmissão, podemos distinguir quatro tipos de receptores: ligados a canais ou 
 
 
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ionotrópicos; acoplados à proteína G ou metabotrópicos; ligados à Tirosina quinase 
e àqueles que regulam a transcrição dos genes. 
A afinidade de uma droga, por algum componente macromolecular 
específico da célula e sua atividade, está intimamente relacionada à sua estrutura 
química. A configuração espacial, o arranjo atômico e a disposição da molécula 
determinam especificidade e encaixe com o receptor farmacológico. Se a estrutura 
do fármaco for específica ao receptor ocorrerá uma interação farmacológica. O 
conhecimento da localização e função do receptor de fármacos permite prever com 
segurança os efeitos colaterais e interações que possam ocorrer com o uso dos 
medicamentos. Assim, o estudo do mecanismo de ação da droga é de grande 
importância, não só para o uso racional adequado e consciente da droga, como para 
a elucidação de fenômenos fisiológicos e bioquímicos nos diversos níveis da 
estrutura do organismo humano. 
 
 
2 O SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 
 
 
2.1 INTRODUÇÃO 
 
 
O sistema nervoso autônomo, em conjunto com o sistema endócrino, 
coordena a regulação e a integração das funções orgânicas. O sistema endócrino 
envia sinais para tecidos-alvo na forma de variações dos níveis sanguíneos de 
hormônios. Em contraposição, o sistema nervoso exerce sua influência pela rápida 
transmissão de impulsos elétricos em fibras nervosas que terminam em células 
efetuadoras, onde os efeitos específicos causados são devido à liberação de uma 
substância neuromediadora. 
Os fármacos que produzem seu efeito terapêutico primário pela reprodução 
(mimetização) ou alteração das funções do sistema nervoso autônomo são 
chamados fármacos autonômicos. Tais agentes autonômicos atuam seja 
estimulando certas partes do sistema nervoso autônomo, seja bloqueando a ação 
dos nervos autonômicos. 
 
 
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2.2 INTRODUÇÃO AO SISTEMA NERVOSO 
 
 
O sistema nervoso está dividido em duas camadas anatômicas: o sistema 
nervoso central (SNC), composto de encéfalo e medula espinal, e o sistema nervoso 
periférico, que compreende os neurônios localizados fora do encéfalo e da medula, 
ou seja, quaisquer nervos que chegam ao SNC ou deixam-no. O sistema nervoso 
periférico pode ser subdividido em divisão eferente, cujos neurônios carreiam sinais 
do encéfalo e da medula espinal para os tecidos periféricos, e a divisão aferente, 
cujos neurônios levam informação da periferia para o SNC. 
 
 
2.3 DIVISÕES FUNCIONAIS NO SISTEMA NERVOSO 
 
 
A porção aferente do sistema nervoso periférico pode ser ainda dividida em 
duas principais subdivisões funcionais: os sistemas somático e autonômico. Os 
aferentes somáticos estão relacionados com funções controladas voluntariamente, 
tais como a contração da musculatura esquelética durante a locomoção. O sistema 
autonômico desempenha suas funções de modo involuntário, no sentido de regular 
as necessidades orgânicas diárias sem a participação consciente da mente. Esse 
sistema compõe-se primariamente de neurônios viscerais motores (eferentes) que 
inervam a musculatura lisa das vísceras, o músculo cardíaco, o sistema vascular e 
as glândulas exócrinas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FIGURA 1 
 
FONTE: Disponível em: <http://cmapspublic.ihmc.us/rid=1HVG7JFW3-LHND5M-
1NMK/sistema%20nervoso.cmap>. Acesso em: 10 jan. 2013. 
 
 
2.4 ANATOMIA DO SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO 
 
 
1. Neurônios eferentes: O sistema nervoso autônomo carreia impulsos 
nervosos do SNC para os órgãos efetuadores, por meio de dois tipos de neurônios 
eferentes. Tais gânglios funcionam como estações reguladoras entre o neurônio pré-
ganglionar e uma segunda célula nervosa, o neurônio pós-ganglionar. Tem seu 
corpo celular localizado dentro do gânglio; é em geral não mielinizado e termina em 
órgãos efetuadores, como musculatura lisa das vísceras, músculo cardíaco e 
glândulas exócrinas; 
 
2. Neurônios aferentes: Os neurônios (fibras) aferentes do sistema nervoso 
autônomo são importantes na regulação reflexa deste sistema; 
 
 
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3. Neurônios simpáticos: O sistema nervoso autônomo aferente divide-se em 
sistema nervoso simpático e parassimpático; 
 
4. Neurônios parassimpáticos: As fibras parassimpáticas pré-ganglionares 
emergem das áreas cefálicas e sacras da medula espinal e fazem sinapse em 
gânglios na proximidade ou nos órgãos efetuadores. Tanto no sistema simpático 
como no parassimpático as fibras pós-ganglionares estendem-se desde os gânglios 
até os órgãos efetuadores. 
 
 
2.5 FUNÇÕES DO SISTEMA SIMPÁTICO 
 
 
1. Efeitos da estimulação da divisão simpática: O efeito da emergência 
simpática é aumentar a frequência cardíaca e a pressão arterial, mobilizar estoques 
energéticos do organismo e aumentar o fluxo sanguíneo para os musculosqueléticos 
e o coração, ao mesmo tempo diminuindo o fluxo na pele e em órgãos internos. A 
estimulação simpática provoca também dilatação das pupilas e dos bronquíolos. 
 
2. Resposta de luta ou fuga: As alterações provocadas pelo organismo 
durante emergências têm sido conhecidas como reações de “luta ou fuga”. Essas 
reações são desencadeadas por ativação simpática direta dos órgãos efetuadores e 
por estímulo da medula adrenal para liberação de adrenalina e pequenas 
quantidades de noradrenalina. Esses hormônios passam para a corrente sanguínea 
e promovem respostas nos órgãos efetuadores que possuem receptores 
adrenérgicos. O sistema nervoso simpático tende a funcionar como uma unidade e 
frequentemente dispara como um sistema completo, por exemplo, durante o 
exercício intenso ou nas reações de pânico. Esse sistema, com sua distribuição 
difusa de fibras pós-ganglionares, está envolvido em amplo complexo de atividades 
fisiológicas, porém não é essencial à vida. 
 
 
 
 
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2.6 FUNÇÕES DO SISTEMA PARASSIMPÁTICO 
 
 
A divisão parassimpática mantém as funções essenciais do organismo, tais 
como processos digestivos e eliminação de substâncias inaproveitáveis, e é 
essencial à vida. Essa divisão usualmente atua de modo a opor-se ou balancear as 
ações do simpático e em geral predomina em situações de “repouso e digestão”. O 
sistema parassimpático não constitui entidade funcional
como tal e nunca se 
descarrega como um sistema completo. Se tal acontecesse, produziria sintomas 
significativos, indesejáveis e desagradáveis. Ao invés disso, fibras parassimpáticas 
isoladas são ativadas separadamente e o sistema opera de modo a afetar órgãos 
específicos, tais como estômago ou globo ocular. 
 
 
2.7 FUNÇÕES DO SNC NO CONTROLE AUTONÔMICO DAS VÍSCERAS 
 
 
Embora sendo um sistema motor, o sistema nervoso autônomo requer 
impulsos sensoriais das estruturas periféricas que o mantenham informado das 
condições funcionais do organismo. Esta retroalimentação é fornecida pelo fluxo de 
impulsos aferentes que se originam nas vísceras e outras estruturas com inervação 
autonômica e se dirigem para centros de integração no SNC – hipotálamo, medula 
oblongata e medula espinal. Esses centros respondem aos estímulos emitindo 
impulsos reflexos aferentes pelo sistema nervoso autônomo. 
1. Arcos reflexos: A maioria dos impulsos aferentes é interpretada e 
transformada em respostas reflexas independentemente da consciência. Por 
exemplo, uma queda da pressão arterial leva neurônios sensíveis à pressão 
(barorreceptores no coração, veia cava, arco aórtico e seios carotídeos) a emitir 
menor número de impulsos para os centros de controle cardiovascular no cérebro. 
Esse provoca a resposta reflexa de aumento dos impulsos simpáticos para o 
 
 
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coração e rede vascular, bem como diminuição de impulsos parassimpáticos para o 
coração, o que resulta em aumento compensatório da pressão arterial e taquicardia. 
2. Emoções e sistema nervoso autônomo: Estímulos que evoquem 
sentimentos de emoção, como ira, pânico ou prazer, podem modificar a atividade do 
sistema nervoso autônomo. 
 
 
2.8 INERVAÇÃO AUTONÔMICA 
 
 
1. Inervação dupla: A maioria dos órgãos é inervada por ambas as divisões 
do sistema nervoso autônomo. Assim, o coração tem inervação parassimpática 
vagal, que diminui a frequência de contração, e inervação simpática, que a acelera. 
A despeito dessa dupla inervação, um dos sistemas comumente predomina no 
controle da atividade de determinado órgão. No coração, por exemplo, o vago é o 
fator controlador de frequência predominante. 
2. Órgãos inervados apenas pelo simpático: Embora a maioria dos tecidos 
tenha dupla inervação, alguns órgãos efetuadores, tais como a medula adrenal, rim, 
músculos pilomotores e glândulas sudoríparas, recebem inervação apenas do 
sistema simpático. O controle da pressão arterial é também uma atividade 
essencialmente simpática, com praticamente nenhuma participação do sistema 
parassimpático. 
 
 
3 SISTEMA NERVOSO SOMÁTICO 
 
 
O sistema nervoso somático aferente difere do sistema autônomo pelo fato 
de um único neurônio motor mielinizado, com origem no SNC, dirigir-se diretamente 
ao musculoesquelético, sem a mediação de gânglios. Como se viu anteriormente, o 
sistema nervoso somático está sob controle voluntário, enquanto o autonômico é 
involuntário. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 20 
 
 
3.1 COMUNICAÇÃO QUÍMICA ENTRE CÉLULAS 
 
 
A neurotransmissão no sistema nervoso autônomo é um exemplo dos 
processos mais gerais de comunicação química entre células. Além da 
neurotransmissão, outros tipos de sinalização química são a liberação de 
mediadores locais e a secreção de hormônios. 
 
 
3.1.1 Mediadores locais 
 
 
A maioria das células secreta substâncias químicas que agem localmente, 
ou seja, agem nas células da vizinhança imediata. Estes sinais químicos são 
rapidamente destruídos ou removidos do local; assim, não passam para a corrente 
sanguínea nem são distribuídos pelo organismo. A histamina e as prostaglandinas 
são exemplos de mediadores locais. 
 
 
3.1.2 Hormônios 
 
 
As células endócrinas especializadas secretam hormônios dentro da 
corrente circulatória, onde circulam pelo organismo exercendo efeitos em células-
alvo amplamente distribuídas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 21 
3.1.3 Neurotransmissores 
 
 
Cada neurônio é uma unidade anatômica individual e não existe 
continuidade estrutural entre a maioria dos neurônios. A comunicação entre células 
nervosas – e entre neurônios e órgãos efetuadores – ocorre pela liberação de sinais 
químicos específicos, chamados neurotransmissores dos terminais neuronais. 
 
 
FIGURA 2 
 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
Esta liberação depende de processos desencadeados pela captação de 
Ca++ e regulados pela fosforilação de proteínas sinápticas. Os neurotransmissores 
difundem-se rapidamente através da fenda sináptica entre terminais nervosos 
(sinapses) e se combinam com receptores específicos localizados na célula-alvo 
pós-sináptica. 
1. Receptores de membrana: Todos os neurotransmissores e a maioria dos 
hormônios e mediadores locais são muito hidrofílicos e não conseguem atravessar a 
bicamada lipídica das membranas plasmáticas das células-alvo; em vez disso, seu 
sinal é mediado pela ligação com receptores específicos na superfície celular dos 
órgãos-alvo. [Nota: Define-se receptor como sítio de reconhecimento de uma 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 22 
substância. Ele apresenta especificidade de união e está acoplado a processos que 
evocam uma resposta. A maioria dos receptores são proteínas e não 
necessariamente se localizam em membranas]. 
2. Tipos de neurotransmissores: Embora no sistema nervoso tenham sido 
identificadas mais de 50 moléculas de sinais químicos, seis compostos sinalizadores 
–noradrenalina (e seu correlato próximo, a adrenalina), acetilcolina, dopamina, 
serotonina, histamina e ácido y-aminobutírico – são os mais usualmente envolvidos 
nas ações de fármacos terapeuticamente úteis. Cada um desses sinais químicos 
liga-se a uma família específica de receptores. Os neurotransmissores colinérgicos e 
adrenérgicos são os sinais químicos primários no sistema nervoso autônomo, ao 
passo que ampla variedade de neurotransmissores tem função no SNC. 
Cerca de 60 neurotransmissores foram identificados e podem ser 
classificados, em geral em uma das quatro categorias: 
 
1) colinas: das quais a acetilcolina é a mais importante; 
 
2) aminas biogênicas: a serotonina, a histamina e as catecolaminas – a 
dopamina e a norepinefrina; 
 
3) aminoácidos: o glutamato e o aspartato são os transmissores excitatórios 
bem conhecidos, enquanto que o ácido gama-aminobutírico (GABA), a glicina e a 
taurine são neurotransmissores inibidores; 
 
4) neuropeptídeos: esses são formados por cadeias mais longas de 
aminoácidos (como uma pequena molécula de proteína). Sabe-se que mais de 50 
deles ocorrem no cérebro e muitos deles têm sido implicados na modulação ou na 
transmissão de informação neural. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 23 
4 NEUROTRANSMISSORES IMPORTANTES E SUAS FUNÇÕES 
 
 
4.1 DOPAMINA 
 
 
Controla níveis de estimulação e controle motor em muitas partes do 
cérebro. Quando os níveis estão extremamente baixos na doença de Parkinson, os 
pacientes são incapazes de se mover voluntariamente. Presume-se que o LSD e 
outras drogas alucinógenas ajam no sistema da dopamina. 
 
 
4.2 SEROTONINA 
 
 
Esse é um neurotransmissor que é incrementado
por muitos 
antidepressivos, tais como o Prozac, e assim tornou-se conhecido como o 
“neurotransmissor do bem-estar”. Ela tem um profundo efeito no humor, na 
ansiedade e na agressão. 
 
 
4.3 ACETILCOLINA (ACH) 
 
 
A acetilcolina controla a atividade de áreas cerebrais relacionadas à 
atenção, aprendizagem e memória. Pessoas que sofrem da doença de Alzheimer 
apresentam tipicamente baixos níveis de ACTH no córtex cerebral e as drogas que 
aumentam sua ação podem melhorar a memória em tais pacientes. 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 24 
4.4 NORADRENALINA 
 
 
Principalmente uma substância química que induz a excitação física e 
mental e o bom humor. A produção é centrada na área do cérebro chamada de 
locus coreuleus, que é um dos muitos candidatos ao chamado centro de “prazer” do 
cérebro. A medicina comprovou que a norepinefrina é uma mediadora dos 
batimentos cardíacos, pressão sanguínea, a taxa de conversão de glicogênio 
(glucose) para energia, assim como outros benefícios físicos. 
 
 
4.5 GLUTAMATO 
 
 
O principal neurotransmissor excitante do cérebro, vital para estabelecer os 
vínculos entre os neurônios, que são a base da aprendizagem e da memória em 
longo prazo. 
 
 
4.6 ENCEFALINAS E ENDORFINAS 
 
 
Essas substâncias são opiáceos que, como as drogas heroína e morfina, 
modulam a dor, reduzem o estresse, etc. Elas podem estar envolvidas nos 
mecanismos de dependência física. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 25 
TABELA DE NEUROTRANSMISSORES 
Molécula 
transmissora 
Derivada 
de 
Local de síntese 
Acetilcolina Colina SNC, nervos parassimpáticos 
Serotonina 
5-Hidroxitriptamina (5-
HT) 
Triptofano 
SNC, células cromafins do trato digestivo, células 
entéricas 
GABA Glutamato SNC 
Glutamato SNC 
Aspartato SNC 
Glicina Espinha dorsal 
Histamina Histidina Hipotálamo 
Metabolismo 
Da epinefrina 
Tirosine Medula adrenal, algumas células do SNC 
Metabolismo da 
norepinefrina 
Tirosina SNC, nervos simpáticos 
Metabolismo da 
dopamina 
Tirosina SNC 
Adenosina ATP SNC, nervos periféricos 
ATP Nervos simpáticos, sensoriais e entéricos 
Óxido nítrico, NO Arginina SNC, trato gastrointestinal 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 26 
Muitos outros neurotransmissores são derivados de precursores de 
proteínas, os chamados peptídeos neurotransmissores. Demonstrou-se que cerca 
de 50 peptídeos diferentes têm efeito sobre as funções das células neuronais. Vários 
desses peptídeos neurotransmissores são derivados da proteína pré-
opiomelanocortina (POMC). Os neuropeptídeos são responsáveis pela mediação de 
respostas sensoriais e emocionais, tais como a fome, a sede, o desejo sexual, o 
prazer e a dor. 
 
 
FONTE: Arquivo Pessoal do autor. 
 
 
5 INTRODUÇÃO AO SNC 
 
 
A maioria dos fármacos que afeta o sistema nervoso central (SNC) atua 
alterando algum passo do processo de neurotransmissão e podem agir de modo 
pré-sináptico, influenciando a produção, o armazenamento ou o término da ação dos 
neurotransmissores; entretanto, outros podem ativar ou bloquear os receptores pós-
sinápticos. 
 
Neurotransmissor 
responsável 
Adrenalina Acetilcolina 
Pupilas Dilata Contrai 
Coração Acelera (taquicardia) Retarda (bradicardia) 
Vasos Sanguíneos Contrai (pessoa pálida) Dilata (pessoa fica 
vermelha) 
Estômago Paralisa Excita 
Intestino Paralisa Excita 
Bexiga Relaxa Contrai 
Útero Relaxa Contrai 
Pênis Relaxa Provoca ereção 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 27 
 
 
5.1 NEUROTRANSMISSÃO NO SNC 
 
 
Sob vários pontos de vista, a função básica dos neurônios no SNC é 
semelhante à do sistema nervoso autônomo. Por exemplo, a transmissão da 
informação tanto no SNC como na periferia envolve a liberação de 
neurotransmissores que se difundem pelo espaço sináptico para unirem-se a 
receptores específicos no neurônio pós-sináptico. 
 
 
FIGURA 3 
 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
Em ambos os sistemas o reconhecimento do neurotransmissor pelo receptor 
de membrana no neurônio pós-sináptico desencadeia alterações intracelulares. 
Existem algumas diferenças importantes entre os neurônios do sistema nervoso 
autônomo periférico e os do SNC. A rede neuronal do SNC é muito mais complexa 
do que a do sistema nervoso autônomo e o número de sinapses no SNC é muito 
maior. Diferentemente do sistema nervoso autônomo periférico, o SNC contém 
circuitos de neurônios inibitórios eficientes que estão constantemente ativos, 
modulando a velocidade de transmissão neuronal. Além disso, o SNC comunica-se 
por meio de mais de 10 (talvez até 50) diferentes neurotransmissores. Em contraste, 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 28 
o sistema autônomo usa apenas dois neurotransmissores primários: a acetilcolina e 
a noradrenalina. 
 
 
5.2 POTENCIAIS SINÁPTICOS 
 
 
No SNC, os receptores na maioria das sinapses estão acoplados a canais 
iônicos, ou seja, a ligação do neurotransmissor com os receptores da membrana 
pós-sináptica ocasiona abertura rápida, posto que transitória, dos canais iônicos. Os 
canais abertos franqueiam a passagem dos íons do lado externo e interno da 
membrana celular, a favor dos seus gradientes de concentração. A consequente 
alteração da composição iônica pela membrana neuronal muda o potencial pós-
sináptico, produzindo despolarização ou hiperpolarização da membrana pós-
sináptica, dependendo de quais íons se movem e da direção do seu movimento. 
 
 
FIGURA 4 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor 
 
 
5.2.1 Vias excitatórias 
 
 
Os neurotransmissores podem classificar-se como excitatórios ou inibitórios, 
dependendo da natureza do efeito que provocam. A estimulação de neurônios 
excitatórios provoca um movimento iônico que resulta em despolarização da 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 29 
membrana pós-sináptica. Esses potenciais pós-sinápticos excitatórios (PPSE) são 
gerados pelo seguinte: 
1. A estimulação de um neurônio excitatório causa liberação de moléculas de 
um neurotransmissor, tal como noradrenalina ou acetilcolina, que se liga a 
receptores localizados na membrana da célula pós-sináptica. Isso redunda em 
aumento transitório na permeabilidade aos íons sódio (Na+); 
2. O influxo de Na+ provoca certa despolarização ou potencial pós-sináptico 
excitatório (PPSE); 
3. Se o número de fibras excitatórias estimuladas aumenta, mais 
neurotransmissor excitatório é liberado, fazendo com que a despolarização PPSE da 
célula pós-sináptica ultrapasse um limiar, é gerado um potencial de ação tudo ou 
nada. 
 
 
5.2.2 Vias inibitórias 
 
 
A estimulação de neurônios inibitórios causa movimento de íons que resulta 
em hiperpolarização da membrana pós-sináptica. Estes potenciais pós-sinápticos 
inibitórios (PPSI) são gerados pelo seguinte: 
1. A estimulação de neurônios inibitórios libera moléculas de 
neurotransmissor, tais como o ácido y-aminobutírico (GABA) ou glicina, o qual se 
liga aos receptores na membrana da célula pós-sináptica. Isso redunda em aumento 
transitório na permeabilidade
a certos íons específicos, como potássio e cloreto; 
2. O influxo de cloreto (CI-) e o efluxo de potássio (K+) causam certa 
hiperpolarização ou potencial pós-sináptico inibitório (PPSI) que desloca o potencial 
pós-sináptico para uma posição mais distante do seu limiar de deflagração, 
diminuindo a gênese de potenciais de ação. 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 30 
 
5.2.3 Efeitos combinados de PPSE e PPSI 
 
 
A maioria dos neurônios no SNC recebe aferências tanto de PPSE como de 
PPSI. Assim, embora vários neurotransmissores diferentes possam agir sobre o 
mesmo neurônio, cada um se liga ao seu próprio receptor específico. O efeito geral 
resultante deve-se à soma dos efeitos individuais dos vários neurotransmissores 
sobre o neurônio. 
 
 
FIGURA 5 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
Os neurotransmissores não estão distribuídos uniformemente pelo SNC, 
localizando-se em grupos específicos de neurônios cujos axônios podem fazer 
sinapse em regiões específicas do cérebro. Desse modo, muitos tratos neuronais 
parecem estar codificados quimicamente e este fato pode oferecer maior 
oportunidade para a modulação seletiva de certas vias neuronais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 31 
 
6 INTRODUÇÃO À PSICOFARMACOLOGIA 
 
 
Os transtornos mentais, em geral, foram considerados pela Medicina 
somente no século XIX. Em 1892, a obra de Kraepelin “sobre as influências de 
alguns medicamentos em determinados fenômenos psíquicos elementares lança o 
nome ‘farmacopsicologia’ e apresenta os estudos sobre a morfina, chá, álcool, 
cloraldeído e paraldeído” (OLIVEIRA, 1994). Somente na década de 50 surge a 
conhecida psicofarmacologia, com um antipsicótico chamado clorpromazina. 
Daí para frente surgiu os ansiolíticos, antidepressivos, estabilizadores de 
humor, hipnóticos, estimulantes e outros. Até hoje as pesquisas e as evoluções de 
maior repercussão na área psiquiátrica baseiam-se, direta ou indiretamente, na 
psicofarmacologia. Inclusive, em 1917, o psiquiatra Julius Von Wagner Von Jauregg 
ganhou o Prêmio Nobel com a introdução da toxina da malária para tratar à sífilis 
(KAPLAN et al., 1997). 
Alguns psicotrópicos são usados demasiadamente, por vezes, sem uma 
devida indicação e controle médico, como é o caso dos hipnóticos e os ansiolíticos, 
popularmente conhecidos como soníferos e calmantes, respectivamente. A máxima 
de que “a propaganda é a alma do negócio” não deveria ser tão verdadeira na 
relação médico-indústria farmacêutica, a fim de inibir, assim, profissionais de 
lançarem mão dos psicofármacos frente a situações nas quais o alívio da própria 
ansiedade em descrevê-los seria a prioridade, substituindo tal conduta por um 
encaminhamento a quem de devido. 
O preconceito em relação aos transtornos mentais, aos psicofármacos e aos 
profissionais especialistas da área é, por vezes, mais exacerbado entre os próprios 
colegas da saúde, o que pode inviabilizar um encaminhamento claro e desprovido 
de estigmas, assim como um tratamento interdisciplinar adequado. A prática da 
psicofarmacologia clínica exige habilitação e capacitação de diagnosticador, além de 
conhecimento da farmacodinâmica, farmacocinética, posologia, tempo de uso, 
efeitos colaterais, interações medicamentosas e contraindicações da droga 
selecionada, embasados na história de vida do paciente, seu estado geral e 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 32 
planejamento do tratamento. O paciente e a família devem estar cientes de todos 
estes aspectos e propósitos. 
Nos países mais desenvolvidos há a exigência de um consentimento formal 
para o uso de alguns psicotrópicos, tamanha é a importância da administração 
destes produtos. A cada ano, novos psicofármacos são lançados no mercado. Mais 
recentemente, houve o lançamento dos genéricos. Aumentam o número de 
farmácias de manipulação. Com tanta evolução e transformações, a população geral 
busca, por vezes, o mais barato economicamente, o que não significa o de mais 
qualidade, levando-se em conta que um medicamento deve ter bem controlada a 
sua bioequivalência e biodisponibilidade, conceitos não divulgados entre o público 
leigo. 
 
 
7 PRESCRIÇÕES E MEDICAÇÕES 
 
 
Até chegar às farmácias, o remédio levou cerca de 10 anos para percorrer 
estas etapas até que ele esteja pronto para o consumo. Como se vê é uma pesquisa 
com muitos cuidados, porém sujeita a lacunas quanto a interações medicamentosas, 
que costumam ser as questões mais espinhosas para o médico, na prescrição, pela 
enorme quantidade de interações possíveis, sem contar as desconhecidas. 
Muito preocupantes são os possíveis efeitos teratogênicos na gravidez e 
também as consequências de seu uso em mulheres no período de lactação, e no 
Brasil geralmente os dados são quase sempre muito escassos para estas novas 
drogas. Pode também não haver estudos suficientes de seus efeitos em patologias 
específicas, bem como seus efeitos em crianças ou idosos. 
Mais frequentemente estas respostas só são conhecidas depois que a 
medicação já está em uso há muitos anos, como se vê com fármacos pertencentes 
a outras classes. Recentemente tivemos um caso bem típico que foi a retirada do 
consagrado Vioxx, produzido pela Merck, e que ocupava o 8º lugar no ranking dos 
mais vendidos no mundo. Mas a questão não se encerra por aqui. Na verdade 
começa uma nova caminhada. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 33 
 
 
7.1 USO CLÍNICO DO MEDICAMENTO 
 
 
Deve-se lembrar de que a terapêutica não é somente uma farmacologia. 
Não devemos nos limitar à farmacocinética, isto é à dinâmica da absorção da droga, 
sua distribuição no organismo e sua eliminação, nem tampouco à farmacodinâmica, 
que é o estudo dos mecanismos de ação da droga e a relação entre sua 
concentração e os efeitos alcançados. Apesar de estarem sendo cada vez mais 
enfatizados os aspectos biológicos do comportamento, e com razão, pois o 
psiquismo repousa sobre uma base biológica, não se deve esquecer que o homem é 
constituído de seu corpo e de sua mente, cada qual influenciando e sendo 
influenciado pelo outro. E isto se dá em um meio ambiente cujo efeito não pode ser 
descartado, meio esse que não é apenas natural, geográfico, mas também histórico 
e cultural. 
 
 
7.2 O PACIENTE E O USO DE MEDICAMENTOS 
 
 
Os pacientes, principalmente os portadores de doenças crônicas, fazem uso 
de uma polifarmacologia. Doenças como depressão, diabetes, cardiopatias, artroses 
e outras, isoladas ou mesmo associadas, requerem vários medicamentos para seu 
controle, alguns destes inevitáveis. Pacientes idosos, com mais de 65 anos, 
consomem em média 3,5 medicamentos (TIMIRAS, 1997). 
A indústria farmacêutica muitas vezes lança no mercado apresentações 
medicamentosa de difícil uso e manuseio pelo paciente, como por exemplo, frasco 
de xarope de boca larga, comprimidos ou cápsulas difíceis de destacar das cartelas 
ou mesmo de tamanhos exagerados, dificultando a deglutição. Outro fator que obsta 
o uso de medicações é o número de unidades por embalagem. Certos 
medicamentos de uso contínuo são produzidos comercialmente com caixas de 20, 
14 e outras quantias de comprimidos, cápsulas ou drágeas, quando o correto seria 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 34 
que as apresentações fossem em número de 30 ou seus
múltiplos, pois nossos 
pacientes recebem seus pagamentos uma vez ao mês. 
Quando compram um medicamento de uso contínuo com apresentação de 
20 unidades, poderão ocorrer duas situações: o paciente ficará os 10 dias restantes 
sem usar a medicação, com prejuízo ao seu tratamento, ou terá que adquirir duas 
caixas, o que poderá desestruturar seu orçamento. Há vários perfis de pacientes 
como consumidores de medicamentos. Um deles, o hipocondríaco, que consome o 
prescrito e o não prescrito, ingere tudo que se compra em farmácia. O médico deve 
tomar cuidado, por exemplo, ao prescrever um medicamento para tempo restrito. 
Quando se administra um medicamento analgésico e antitérmico para um 
quadro álgido, ou mesmo um ansiolítico, para uma crise de ansiedade aguda e o 
paciente continua tomando a medicação, mesmo após a dor ter sido debelada ou a 
crise de ansiedade já controlada, isso poderá ocasionar toxicidade ou dependência. 
Outros pacientes são aqueles que, na frente do médico, se comprometem a 
seguir a prescrição, mas quando chegam a casa nem mesmo os medicamentos 
adquirem. Para estes a persuasão sobre a importância do uso correto da medicação 
se faz necessária. 
Há outro grupo de pacientes que iniciam o tratamento, sentem melhoras e o 
interrompem. Neste grupo temos que mostrar que com a interrupção do tratamento 
há comprometimento da eficácia terapêutica. Finalmente, outro grupo procura um 
amigo médico, ou mesmo outra consulta, para certificar-se que a prescrição foi 
correta e tendo este aval inicia o tratamento. 
Os pacientes devem receber informações sobre os efeitos adversos da 
medicação. O ser humano sempre teme diante do desconhecido. Um paciente, ao 
ingerir medicamento que provoca xerostomia, isto é sensação de boca seca, ao ser 
orientado pelo seu médico que esta medicação pode provocar tal reação, não se 
assustará diante do referido efeito. Pelo contrário, se não for avisado sobre tal 
fenômeno, poderá interromper o tratamento. 
Muitas vezes, medicamentos provocam efeitos adversos em grupos 
diferentes de pessoas, como certos antidepressivos podem gerar sonolência em uns 
e insônia em outros. Os pacientes que nunca fizeram uso de medicação deste tipo 
deverão ser avisados para aceitarem melhor a terapêutica e não interromperem o 
tratamento. Para pacientes com baixo grau de escolaridade ou analfabetos, 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 35 
símbolos como sol, lua ou um prato para identificar, respectivamente, o dia, à noite e 
as refeições são bastante importantes. O uso de medicamentos é a forma 
terapêutica mais usada, devendo ser os mesmos, prescritos com segurança, 
indicação precisa e bem usado pelo paciente, poderá aliviar a dor, o sofrimento e 
salvar vidas. Quando não são observados estes itens poderemos ter malefícios 
como desperdícios, efeitos colaterais indesejáveis e mesmo serem levados à morte. 
 
 
8 FÁRMACOS ANSIOLÍTICOS E HIPNÓTICOS 
 
 
8.1 INTRODUÇÃO 
 
 
A ansiedade é um desagradável estado de tensão, apreensão ou inquietude 
– temor que parece originar-se de alguma fonte desconhecida. Entre os distúrbios 
mentais mais frequentes estão aqueles envolvendo ansiedade. Os sintomas da 
ansiedade grave assemelham-se aos do pânico (como taquicardia, sudorese, 
tremores, palpitações) e envolvem ativação do simpático. 
Episódios de ansiedade moderada são experiências comuns do cotidiano e 
não requerem tratamento. Entretanto, os sintomas da ansiedade debilitante, crônica, 
grave, podem ser tratados com fármacos ansiolíticos (por vezes denominados 
tranquilizantes menores), acompanhados ou não de alguma forma de terapia 
psicológica ou comportamental. Como todos os fármacos ansiolíticos também 
causam certa sedação, em geral os mesmos são clinicamente úteis como agentes 
duplos, ansiolíticos e hipnóticos (indutores de sono). 
 
 
ANSIOLÍTICOS BENZODIAZEPÍNICOS DISPONÍVEIS NO BRASIL 
Nome Químico 
 
Nome Comercial 
ALPRAZOLAM Apraz, Frontal, Tranquinal 
BROMAZEPAM Brozepax, Deptran, Lexotam, Nervium, 
Novazepam, Somalium, Sulpam 
BUSPIRONA** Ansienon, Ansitec, Bromopirim, Brozepax, 
 
 
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 36 
Buspanil, Buspar 
CLOBAZAM Frizium, Urbanil 
CLONAZEPAM Rivotril 
CLORDIAZEPÓXIDO Psicosedim 
CLOXAZOLAM* Elum, Olcadil 
DIAZEPAM Ansilive, Calmociteno, Diazepam, Diazepan, 
Kiatriun, Noam, Somaplus, Valium 
LORAZEPAM* Lorium, Lorax, Mesmerin 
*- ansiolíticos usados também como hipnóticos devido à grande 
sonolência e sedação. 
**- considerado ansiolítico não benzodiazepínico 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
8.2 BENZODIAZEPÍNICOS 
 
 
Os benzodiazepínicos são os fármacos ansiolíticos mais amplamente 
empregados, tendo substituído os barbitúricos e o meprobamato para o tratamento 
da ansiedade, pois são mais eficazes e mais seguros. Atualmente, há cerca de 20 
derivados benzodiazepínicos disponíveis. 
 
 
8.3 MECANISMO DE AÇÃO 
 
 
A ligação do ácido -aminobutírico (GABA) ao seu receptor na membrana 
celular provoca abertura de um canal de cloreto que culmina em aumento da 
condutância ao cloreto. O influxo de íons cloreto causa discreta hiperpolarização, a 
qual afasta o potencial de membrana pós-sináptica de seu limiar de excitabilidade e, 
assim, inibe a formação de potenciais de ação. Os benzodiazepínicos se ligam a 
sítios específicos, de alta afinidade, localizados na membrana celular, que são 
distintos, porém adjacentes ao receptor de GABA. 
Os receptores para benzodiazepínicos são encontrados somente no sistema 
nervoso central (SNC) e sua localização corresponde à dos neurônios GABA. A 
ligação de benzodiazepínicos aumenta a afinidade dos receptores de GABA com 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 37 
este neurotransmissor, ocasionando abertura mais frequente dos canais de cloreto 
adjacentes. Este fato, por sua vez, acarreta aumento da hiperpolarização e posterior 
inibição da despolarização do neurônio. 
Nota: Os benzodiazepínicos e o GABA aumentam mutuamente as afinidades 
de seus sítios de ligação e na realidade não somam o número total de sítios ligantes. 
Os efeitos clínicos dos vários benzodiazepínicos correlacionam-se bem com a 
afinidade de união de cada fármaco pelo complexo receptor GABA-canal de cloreto. 
 
 
 
Resumos dos 
Fármacos 
Ansiolíticos e 
Hipnóticos 
 
 Antagonistas da 
Benzodiazepina 
 
 Flumazenil 
 Barbituratos 
 
 Aminobarbital 
 Fenobarbital 
 Pentobarbital 
 Secobarbital 
 Tiopental 
 
 Sedativos Não 
Barbituratos 
 
 Anti-histamínicos 
 Hidrato de Cloral 
 Etanol 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 38 
 
 
8.4 AÇÕES 
 
 
Os benzodiazepínicos não possuem atividade antipsicótica nem qualquer 
ação analgésica, nem afetam o sistema nervoso autônomo. Em maior ou menor 
grau, todos os benzodiazepínicos apresentam os seguintes efeitos: 
1. Redução da ansiedade: Em doses baixas, os benzodiazepínicos são 
ansiolíticos. A redução da ansiedade provavelmente deve-se à inibição seletiva de 
circuitos neuronais no sistema límbico cerebral; 
2. Efeitos sedativos e hipnóticos: Todos os benzodiazepínicos usados como 
ansiolíticos apresentam alguma atividade sedativa. Em doses mais altas, certos 
benzodiazepínicos produzem hipnose (sono artificialmente produzido); 
3. Anticonvulsivante:
Alguns benzodiazepínicos têm atividade 
anticonvulsivante e são usados no tratamento da epilepsia e de outros distúrbios 
convulsivos; 
4. Relaxamento muscular: Os benzodiazepínicos reduzem a espasticidade 
do musculoesquelético, provavelmente aumentando a inibição pré-sináptica na 
medula espinal. 
 
 
8.5 USOS TERAPÊUTICOS 
 
 
Os benzodiazepínicos entre si apresentam pequenas diferenças quanto às 
propriedades ansiolíticas, anticonvulsivantes e sedativas. Entretanto, a duração de 
ação varia bastante no grupo e, com frequência, as considerações farmacocinéticas 
são item de importância na escolha do fármaco. 
 
1. Distúrbios ansiosos: Os benzodiazepínicos são úteis no tratamento da 
ansiedade que está associada a algumas formas de depressão e esquizofrenia. 
Esses fármacos não devem ser usados para o alívio do estresse normal da vida 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 39 
diária e, sim, reservados para a ansiedade grave e contínua, em que seriam usados 
apenas por períodos de tempo curtos, em virtude do potencial de causar 
dependência. 
Os agentes de ação mais prolongada, como o diazepam, são em geral 
preferidos para pacientes ansiosos em que pode ser necessário estender o 
tratamento por períodos mais longos. Os efeitos ansiolíticos dos benzodiazepínicos 
estão menos sujeitos à tolerância do que os efeitos sedativos e hipnóticos. Quanto 
às síndromes de pânico, o alprazolam é eficaz para tratamentos de curto ou longo 
prazo, embora possa causar reações de abstinência em cerca de 30% dos 
pacientes. 
 2. Distúrbios musculares: O diazepam é útil no tratamento de espasmos da 
musculatura esquelética – tais como os que ocorrem na distensão muscular – e no 
tratamento da espasticidade de doenças neurodegenerativas, como a esclerose 
múltipla e a paralisia cerebral. 
 3. Convulsões: O clonazepam é útil no tratamento crônico da epilepsia, 
enquanto o diazepam é o fármaco de eleição para a interrupção das convulsões da 
epilepsia grande mal e do mal de estado epiléptico. O clordiazepóxido, o 
clorazepato, o diazepam e o oxazepam são úteis no tratamento agudo da síndrome 
de abstinência do álcool. 
 4. Distúrbios de sono: Nem todos os benzodiazepínicos são úteis como 
agentes hipnóticos, embora todos apresentem efeitos sedativos ou calmantes. Os 
três benzodiazepínicos mais frequentemente prescritos para distúrbios do sono são 
o flurazepam, de longa ação, o temazepam, de ação intermediária, e o triazolam, de 
curta duração de ação. 
- Flurazepam: Este benzodiazepínico de longa duração reduz tanto o tempo 
de indução de sono como o número de despertares noturnos, além de aumentar a 
duração do sono. Tem longa duração de ação e provoca pouca insônia rebote. Com 
a continuação do uso, o fármaco mostra eficácia durante até quatro semanas. O 
flurazepam e seus metabólitos ativos têm meia-vida de aproximadamente 85 horas, 
o que pode acarretar sedação diurna e acúmulo do fármaco. 
 
 
 
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 40 
- Temazepam: Este fármaco é útil para pacientes que despertam com grande 
frequência. Entretanto, o efeito sedativo máximo ocorre 2 a 3 horas após a 
administração oral, podendo ser ministrada algumas horas antes de deitar. 
 
- Triazolam: Por ter duração de ação relativamente curta, este 
benzodiazepínico é usado para induzir o sono em pacientes com insônia recorrente. 
Enquanto o temazepam é útil no controle da insônia causada pela incapacidade de 
manutenção do sono, o triazolam é eficaz no tratamento de indivíduos que têm 
dificuldade de conciliar o sono. É comum desenvolver-se tolerância dentro de 
poucos dias e em geral a retirada do fármaco provoca insônia rebote, levando o 
paciente a procurar nova prescrição. Assim, o melhor uso deste fármaco é de forma 
intermitente e não diária. Em geral, os hipnóticos devem ser prescritos somente por 
períodos de tempo limitados, usualmente menos que 2 a 4 semanas. 
 
 
8.6 DEPENDÊNCIA 
 
 
Podem se desenvolver dependência física e psíquica a benzodiazepínicos 
se houver uso de altas doses durante períodos prolongados. A interrupção abrupta 
da administração provoca síndrome de abstinência, com confusão, ansiedade, 
agitação, inquietação, insônia e tensão. Em virtude das prolongadas meias-vidas de 
alguns benzodiazepínicos, os sintomas da abstinência podem demorar alguns dias 
para manifestar-se, após interrupção do tratamento. Os benzodiazepínicos com 
curta meia-vida de eliminação, como o triazolam, causam reações de abstinência 
mais severas e abruptas do que com os fármacos de eliminação lenta, como o 
flurazepam. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 41 
 
 
9 OUTROS AGENTES ANSIOLÍTICOS E HIPNÓTICOS 
 
 
9.1 ZOLPIDEM 
 
 
Embora o hipnótico zolpidem não seja um benzodiazepínico, age em uma 
subfamília de receptores para benzodiazepínicos. O zolpidem não tem propriedades 
anticonvulsivantes ou miorrelaxantes, não provoca efeitos de abstinência, ocasiona 
mínima insônia rebote e pequena ou nenhuma tolerância com o uso prolongado. É 
absorvido rapidamente no trato gastrintestinal, tem breve início de efeito e curta 
meia-vida de eliminação (cerca de 3 horas). Os efeitos adversos compreendem 
pesadelos, agitação, cefaleia, desconforto gastrintestinal, tontura e sonolência 
diurna. Embora o zolpidem tenha vantagens potenciais sobre os benzodiazepínicos, 
a experiência clínica com este fármaco ainda é pequena. 
 
 
9.2 BUSPIRONA 
 
 
A buspirona é útil no tratamento de distúrbios ansiosos gerais e sua eficácia 
é comparável à dos benzodiazepínicos. As ações da buspirona parecem ser 
mediadas por receptores serotoninérgicos 5HT1A, embora outros possam ser 
envolvidos, pois a buspirona exibe certa afinidade com receptores dopaminérgicos 
DA2 e serotoninérgicos 5-HT2. Seu mecanismo de ação, portanto, é distinto do 
mecanismo dos benzodiazepínicos. Além disso, a buspirona não possui as 
propriedades anticonvulsivantes e miorrelaxantes dos benzodiazepínicos e provoca 
apenas ligeira sedação. A frequência de efeitos adversos é baixa, sendo mais 
comuns cefaleia, tontura, nervosismo e confusão mental. A sedação e as disfunções 
psicomotora e cognitiva são mínimas, sendo improvável a dependência. A buspirona 
tem como desvantagem o lento início de ação. 
 
 
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9.3 HIDROXIZINA 
 
 
A hidroxizina é um anti-histamínico com atividade antiemética. Tem baixa 
tendência a provocar hábito, sendo útil em pacientes com ansiedade que têm 
histórico de abuso de drogas. É também usada frequentemente para produzir 
sedação antes de intervenções odontológicas ou cirúrgicas. 
 
 
10 ANTAGONISTA DE BENZODIAZEPÍNICOS 
 
 
O flumazenil é um antagonista de receptores de GABA que pode 
rapidamente reverter os efeitos dos benzodiazepínicos. O fármaco está disponível 
unicamente para administração I. V. O início dos efeitos é rápido, porém a duração é 
curta, com meia-vida de cerca de 1 hora. Podem ser necessárias administrações 
frequentes, de modo a manter a reversão dos efeitos de um benzodiazepínico de 
longa duração de ação. A administração de flumazenil pode precipitar a síndrome de 
abstinência em pacientes dependentes ou causar convulsões no caso de o 
benzodiazepínico estar sendo usado para controlar quadro convulsivo. Os efeitos 
adversos usuais são confusão, náuseas, vômitos
e agitação. 
 
 
11 BARBITÚRICOS 
 
 
No passado, os barbitúricos formavam a base do tratamento usado para 
sedar o paciente ou para induzir e manter o sono. Na atualidade foram amplamente 
substituídos pelos benzodiazepínicos, principalmente em razão de os barbitúricos 
causarem tolerância e dependência, induzirem enzimas metabolizadoras de 
fármacos e provocarem graves sintomas de abstinência. O aspecto mais grave é 
 
 
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 43 
poderem causar coma em doses tóxicas. Certos barbitúricos, como o tiopental, de 
duração de ação ultracurta, ainda são usados para a indução anestésica. 
 
 
11.1 MECANISMO DE AÇÃO 
 
 
Acredita-se que os barbitúricos interferem no transporte de sódio e potássio 
através da membrana, acarretando inibição do sistema ativador reticular 
mesencefálico. Em todas as áreas do SNC, a transmissão polissináptica é inibida. 
Os barbitúricos também potenciam a ação do GABA quanto à entrada de cloreto no 
neurônio, apesar de não se ligarem ao receptor de benzodiazepínico. 
 
 
11.2 EFEITOS 
 
 
Os barbitúricos são classificados de acordo com sua duração de ação. Por 
exemplo, o tiopental, que age em questão de segundos e tem duração de ação 
cerca de 30 minutos, é usado para a indução intravenosa de anestesia. O 
fenobarbital, ao contrário, cuja duração de ação é maior que 24 horas, é útil no 
tratamento anticonvulsivo. O pentobarbital, o secobarbital e o amobarbital são 
barbitúricos de ação curta, eficazes como agentes sedativos e hipnóticos (mas não 
como ansiolíticos). 
 1. Depressão do SNC: Em doses baixas, os barbitúricos produzem sedação 
(efeito “calmante”, reduzindo a excitação). Em doses mais altas, causam hipnose, 
seguida de anestesia (perda da sensibilidade), para finalmente culminar em coma e 
morte. Assim, todos os graus de depressão do SNC são possíveis na dependência 
da dose. Os barbitúricos não elevam o limiar de sensibilidade dolorosa, não 
apresentando propriedades analgésicas e podendo até mesmo exacerbar a 
sensação de dor. 
 2. Depressão respiratória: Os barbitúricos suprimem a resposta hipóxica e 
quimiorreceptora ao CO2. A superdosagem provoca depressão respiratória e morte. 
 
 
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 44 
 3. Indução enzimática: Os barbitúricos induzem as enzimas microssômicas 
P-450 no fígado. Assim, a administração crônica desses fármacos causa diminuição 
dos efeitos de muitos medicamentos cuja redução de concentração depende de 
metabolismo pelo sistema P-450. 
 
 
11.3 USOS TERAPÊUTICOS 
 
 
1. Anestesia: A seleção de um barbitúrico é grandemente influenciada pela 
duração de ação desejada. Os barbitúricos de ação ultracurta, como o tiopental, são 
usados IV para induzir anestesia. 
2. Anticonvulsivante: O fenobarbital é usado no controle, em longo prazo, de 
convulsões tônico-clônicas, do estado de mal epiléptico e da eclâmpsia. O 
fenobarbital tem sido encarado como fármaco de escolha no tratamento de crianças 
pequenas com convulsões febris recorrentes. Entretanto, nas crianças o fenobarbital 
pode dificultar o desempenho cognitivo, devendo, então, ser usado com cautela. O 
fenobarbital tem atividade anticonvulsivante específica, distinta da atividade 
depressora inespecífica do SNC. 
3. Ansiedade: Os barbitúricos têm sido usados como sedativos menores 
para o alívio da ansiedade, da tensão nervosa e da insônia. A maioria deles foi 
substituída pelos benzodiazepínicos. 
 
 
11.4 EFEITOS ADVERSOS 
 
 
 1. SNC: Os barbitúricos causam sonolência, dificuldade de concentração e 
desânimo; 
 2. Ressaca: Doses hipnóticas de barbitúricos produzem sensação de 
cansaço logo após o despertar. Essa “ressaca” farmacológica causa incapacidade 
de agir normalmente durante muitas horas após o despertar. Podem ocorrer 
náuseas e confusão; 
 
 
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 45 
 3. Precauções: Como visto antes, os barbitúricos induzem o sistema P-450, 
reduzindo o efeito de fármacos que sejam metabolizados por essas enzimas 
hepáticas. Os barbitúricos aumentam a síntese de porfirinas, sendo contraindicados 
em pacientes com porfiria intermitente aguda; 
 4. Dependência: A suspensão abrupta de barbitúricos pode causar tremores, 
ansiedade, fraqueza, inquietação, náuseas e vômitos, convulsões, delírio e parada 
cardíaca. A síndrome de abstinência de barbitúricos é muito mais grave do que a de 
opiáceos e pode ser fatal; 
 5. Intoxicação: Durante muitas décadas a intoxicação barbitúrica tem sido a 
primeira causa de morte por superdosagem farmacológica. A grave depressão 
respiratória associa-se com a depressão cardiovascular central, resultando em 
condição semelhante ao choque, com movimentos respiratórios superficiais e 
infrequentes. O tratamento compreende respiração assistida e lavagem gástrica se o 
fármaco foi ingerido recentemente. Pode ser necessária hemodiálise se a 
quantidade ingerida tiver sido muito grande. A eliminação do fenobarbital é 
normalmente acelerada pela alcalinização da urina. 
 
 
12 SEDATIVOS NÃO BARBITÚRICOS 
 
 
12.1 HIDRATO DE CLORAL 
 
 
O hidrato de cloral é derivado triclorado do aldeído acético, que é convertido 
no organismo a tricloroetanol. O fármaco é eficaz sedativo e hipnótico, induzindo o 
sono, que dura em torno de 6 horas, em cerca de 30 minutos. O hidrato de cloral é 
irritante do trato gastrintestinal, causando desconforto epigástrico. Também produz 
sensação de “gosto ruim” na boca. 
 
 
 
 
 
 
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 46 
 
 
12.2 ANTI-HISTAMÍNICOS 
 
 
Anti-histamínicos de venda livre com propriedades sedativas, tais como a 
defenidramina e a doxilamina, são eficazes no tratamento de formas menores de 
insônia. Entretanto, estes fármacos não atuam a não ser na forma mais suave de 
insônia situacional. Além disso, apresentam numerosos efeitos adversos, o que os 
torna menos úteis do que os benzodiazepínicos. Os anti-histamínicos sedativos são 
comercializados na forma de vários produtos de venda livre (sem necessidade de 
prescrição). 
 
 
12.3 ETANOL 
 
 
O etanol tem efeitos ansiolíticos e sedativos, porém seu potencial tóxico 
sobrepuja os benefícios. É um depressor do SNC, produzindo sedação e então 
hipnose com o aumento da dose. A curva dose-resposta do etanol é suave, a 
sedação ocorrendo em uma ampla faixa de doses. O álcool tem efeito sinérgico com 
muitos outros agentes sedativos e pode ocasionar grave depressão do SNC com 
anti-histamínicos ou barbitúricos. 
 
1. Dissulfiram: O etanol é metabolizado primariamente no fígado, em 
primeiro lugar pela álcool-desidrogenase, dando origem ao acetaldeído, e depois 
pela aldeído-desidrogenase para originar acetato. O dissulfiram bloqueia a 
oxidação do acetaldeído a ácido acético, inibindo a aldeído-desidrogenase. O 
resultado é acúmulo de acetaldeído no sangue, provocando fogachos, taquicardia, 
hiperventilação e náuseas. O dissulfiram tem sido usado por pacientes seriamente 
desejosos de terminar com o vício da bebida. Induz-se, assim, resposta aversiva 
condicionada, de tal modo que o paciente abstém-se do álcool para evitar os 
desagradáveis efeitos do acúmulo de acetaldeído induzido pelo dissulfiram. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 47 
 
 
 
FIM DO MÓDULO I 
M02_Psicofarmacologia.pdf
AN02FREV001/REV 4.0 
 48 
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
PSICOFARMACOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 
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 49 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
PSICOFARMACOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO II 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
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são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
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MÓDULO II 
 
 
13 FÁRMACOS ANTIDEPRESSIVOS 
 
 
13.1 INTRODUÇÃO 
 
 
A depressão psíquica e a doença bipolar são incapacitantes doenças 
alteradoras do humor que afetam a disposição física, o sono, o apetite, a libido e a 
capacidade funcional. A depressão difere da esquizofrenia, que produz distúrbios 
cognitivos. Os sintomas da depressão correspondem à sensação intensa de tristeza, 
desesperança, desespero e incapacidade de sentir prazer em atividades rotineiras. 
A mania se caracteriza pelo comportamento oposto, ou seja, entusiasmo, rapidez 
mental e verbal, extrema autoconfiança e diminuição da capacidade crítica. 
Todos os fármacos antidepressivos de utilização clínica (também chamados 
timolépticos) potenciam, direta ou indiretamente, as ações da noradrenalina, 
dopamina, e/ou serotonina, no cérebro. Isso, em conjunto a outras evidências, levou 
à teoria das aminas biogênicas, que propõe que a depressão se deve à deficiência 
em monoaminas, tais como a noradrenalina e a serotonina, em certos pontos-chave 
cerebrais. Contrariamente, cogita-se que a mania é causada pela superprodução 
desses neurotransmissores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 51 
 
 
FIGURA 6 
 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
A teoria das aminas biogênicas é provavelmente simplista em demasia, 
desde que se sabe, hoje, que os fármacos antidepressivos, em especial os 
antidepressivos tricíclicos, afetam muitos sistemas biológicos em adição à captura 
de neurotransmissor. Não se sabe qual desses sistemas neuroquímicos é o principal 
responsável pela atividade antidepressiva. 
 
 
14 OS ANTIDEPRESSIVOS TRICÍCLICOS/POLlCÍCLlCOS 
 
 
Os antidepressivos tricíclicos e policíclicos bloqueiam a captura de 
noradrenalina e serotonina para o interior do neurônio. O tratamento prolongado leva 
a alterações em receptores específicos do sistema nervoso central (SNC). Os 
fármacos importantes neste grupo são a imipramina, a amitriplina, a desipramina 
(um derivado desmetilado da imipramina), a nortriptilina, a protriptilina e a doxapina. 
 
 
 
 
 
 
 
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 52 
 
 
FIGURA 7 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor 
 
 
A amoxapina e a maprotilina são denominados de “segunda geração”, para 
distingui-las dos antidepressivos tricíclicos de introdução mais antiga. [Nota: Estes 
fármacos de segunda geração possuem ações semelhantes às da imipramina, 
embora exibam farmacocinética ligeiramente diferente.] Todos os antidepressivos 
tricíclicos (ADTs) tem eficácia terapêutica semelhante e a escolha do fármaco leva 
em conta a tolerância aos efeitos colaterais e a duração de ação. Pacientes que não 
respondem a um dos ADTs podem se beneficiar de um fármaco diferente desse 
grupo. 
 
 
FIGURA 8 
 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
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 53 
 
 
14.1 MECANISMO DE AÇÃO 
 
 
1. Inibição da recaptura de neurotransmissor: Os ADTs inibem a recaptura 
neuronal de noradrenalina e serotonina para o interior das terminações nervosas 
pré-sinápticas. Em bloqueando o principal mecanismo de remoção de 
neurotransmissor, os ADTs levam a concentrações aumentadas de monoaminas na 
fenda sináptica, o que resulta em efeitos antidepressivos. Esta teoria tem sido 
questionada por alguns pesquisadores, em razão de uma série de observações. Por 
exemplo, a potência de um ADT em bloquear a recaptura de neurotransmissor 
frequentemente não se correlaciona com os efeitos antidepressivos observados 
clinicamente. 
Ademais, o bloqueio da recaptura do neurotransmissor ocorre 
imediatamente após a administração do fármaco, mas o efeito antidepressivo do 
ADT requer muitas semanas de tratamento continuado para se estabelecer. Isto 
sugere que a captura diminuída de neurotransmissor é simplesmente um evento 
inicial que pode não estar relacionado aos efeitos antidepressivos. Sugeriu-se que a 
densidade de receptores monoaminérgicos no cérebro pode se alterar durante o 
período de 2 a 4 semanas de utilização da medicação e isto pode ser importante na 
instalação do efeito. 
2. Bloqueio de receptores: Os ADTs também bloqueiam receptores 
serotoninérgicos, a-adrenérgicos, histaminérgicos e muscarínicos. Não se sabe qual, 
ou se algum, dentre eles, é responsável pelo benefício terapêutico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 54 
 
 
FIGURA 9 
 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
14.2 AÇÕES 
 
 
Os ADTs melhoram o humor, reforçam o alerta mental, aumentam a 
atividade física e reduzem a preocupação mórbida em 50 a 70% dos indivíduos com 
depressão psíquica. A instalação da melhora do humor é lenta, requerendo duas 
semanas ou mais. Estes fármacos não produzem estimulação do SNC ou melhora 
do humor em indivíduos não deprimidos. A tolerância aos efeitos anticolinérgicos 
dos ADTs desenvolve-se rapidamente. Alguma tolerância aos demais efeitos 
autonômicos dos ADTs também se desenvolve. Já se relatou a ocorrência de 
dependência dos tipos psicológica e física. Esses compostos podem ser utilizados 
prolongadamente, no tratamento da depressão, sem perda de eficácia. 
 
 
14.3 UTILIZAÇÕES TERAPÊUTICAS 
 
 
Os antidepressivos tricíclicos são eficazes no tratamento da depressão 
psíquica severa. Alguns tipos de doença do pânico também respondem ao 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 55 
tratamento com os ADTs. A imipramina tem sido utilizada no controle da enurese 
noturna em crianças (com mais de seis anos) por causar contração do esfíncter 
interno de bexiga. No presente ela é utilizada cautelosamente, por causa da indução 
de arritmias cardíacas e outros problemas cardiovasculares sérios. 
 
 
15 BLOQUEADORES SELETIVOS DA RECAPTURA DE SEROTONINA 
 
 
Os bloqueadores seletivos da recaptura de serotonina (BSRS) constituem 
um grupo de antidepressivos de introdução mais recente e com características 
químicas peculiares. Eles inibem especificamente a recaptura de serotonina. Isso 
contrasta com os antidepressivos tricíclicos que inibem de maneira não seletiva a 
recaptura de noradrenalina e serotonina e bloqueiam receptores muscarínicos, H1-
histaminérgicos e a1-adrenérgicos. Em comparação aos antidepressivos tricíclicos os 
efeitos anticolinérgicos e cardiotóxicos dos BSRS são de menor monta.
Entretanto, 
os inibidores da recaptura de serotonina de introdução recente devem ser utilizados 
com cautela até que seus efeitos em longo prazo tenham sido avaliados. 
 
 
15.1 FLUOXETINA 
 
 
1. Ações: A fluoxetina é o protótipo dos fármacos antidepressivos que inibem 
seletivamente a recaptura de serotonina. A fluoxetina é tão eficaz quanto os 
antidepressivos tricíclicos no tratamento da depressão psíquica. O fármaco é isento 
da maioria dos perturbadores efeitos colaterais dos antidepressivos tricíclicos, 
incluindo efeitos anticolinérgicos, hipotensão ortostática e ganho de peso. Os 
médicos não especialistas, responsáveis pela maioria das prescrições de fármacos 
antidepressivos, têm indicado preferencialmente a fluoxetina ao invés dos 
antidepressivos tricíclicos. 
Como resultado, a fluoxetina é, na atualidade, o antidepressivo mais 
prescrito nos Estados Unidos. 
 
 
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 56 
2. Usos terapêuticos: A indicação primária da fluoxetina é a depressão, na 
qual ela é tão efetiva quanto os antidepressivos tricíclicos. A fluoxetina é eficaz no 
tratamento da bulimia nervosa e da doença obsessivo-compulsiva. O fármaco tem 
tido uma variedade de outras indicações, incluindo anorexia nervosa, síndrome do 
pânico, dor associada à neuropatia diabética e tensão pré-menstrual. 
 
 
15.2 OUTROS BLOQUEADORES SELETIVOS DA CAPTURA DE SEROTONINA 
 
 
Outros fármacos antidepressivos que afetam primariamente a recaptura de 
serotonina incluem a trazodona, a fluvoxamina, a nefazodona, a paroxetina, a 
sertralina e a venlafaxina. Estes BSRS diferem da fluoxetina em seus efeitos 
relativos sobre a recaptura de serotonina e noradrenalina. Eles não parecem mais 
eficazes que a fluoxetina, mas seus perfis de efeitos colaterais são diferentes. Existe 
uma grande variabilidade entre pacientes no tocante à velocidade de eliminação 
desses fármacos (incluindo a fluoxetina) e intolerância a um fármaco não descarta 
tentar-se utilizar outro BSRS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 57 
 
 
FIGURA 10 
 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
16 INIBIDORES DA MONOAMINOXIDASE 
 
 
A monoaminoxidase (MAO) é uma enzima mitocondrial encontrada em 
tecidos neurais e não neurais, como o intestinal e o hepático. No neurônio a MAO 
funciona como uma “válvula de segurança”, ao desaminar oxidativamente, e inativar, 
qualquer excesso de moléculas neurotransmissoras (noradrenalina, dopamina e 
 
 
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 58 
serotonina) que pode extravasar das vesículas sinápticas quando o neurônio está 
em repouso. 
Os inibidores da MAO podem inativar a enzima, reversível ou 
irreversivelmente, permitindo que as moléculas neurotransmissoras escapem da 
degradação e, consequentemente, tanto se acumulem dentro do neurônio pré-
sináptico como extravasem para a fenda sináptica. Isto causa ativação de receptores 
de noradrenalina e serotonina e pode ser responsável pelos efeitos antidepressivos 
desses fármacos. Três inibidores da MAO são disponíveis na atualidade, para o 
tratamento da depressão: a fenelzina, a isocarboxazida e a tranilcipromina; nenhum 
deles constitui um protótipo. A utilização dos inibidores da MAO é limitada, na 
atualidade, por causa das complicadas restrições dietéticas requeridas dos 
pacientes que os utilizam. 
 
 
16.1 MECANISMO DE AÇÃO 
 
 
Muitos inibidores da MAO, como a isocarboxazida, formam complexos 
estáveis com a enzima, causando inativação irreversível. Isto resulta em estoques 
aumentados de noradrenalina, serotonina e dopamina no interior do neurônio e 
subsequente difusão do excesso de neurotransmissor para a fenda sináptica. Esses 
fármacos inibem não só a MAO cerebral, mas também oxidases que catalisam a 
desaminação oxidativa de fármacos e substâncias potencialmente tóxicas, como a 
tiramina, que é encontrada em alguns tipos de alimentos. Consequentemente 
observa-se, com os inibidores da MAO, uma alta incidência de interações fármaco-
fármaco e fármaco-alimento. 
 
 
16.2 AÇÕES 
 
 
Embora a MAO já esteja completamente inibida após alguns dias de 
tratamento, a ação antidepressiva dos inibidores da MAO, semelhantemente àquela 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 59 
dos ADTs, tem latência de várias semanas. A fenelzina e a tranilcipromina têm um 
leve efeito estimulante anfetamina-símile. 
 
 
16.3 USOS TERAPÊUTICOS 
 
 
Os inibidores da MAO são indicados para pacientes deprimidos que não 
respondem ou são alérgicos aos antidepressivos tricíclicos ou que estão em estado 
de grande ansiedade. Os pacientes com baixa atividade psicomotora podem se 
beneficiar das propriedades estimulantes dos inibidores da MAO. Estes fármacos 
também são úteis no tratamento dos estados fóbicos. Uma subcategoria especial de 
depressão, chamada de depressão atípica, é responsiva aos inibidores da MAO. A 
depressão atípica se caracteriza por humor lábil, sentimento de rejeição e alterações 
do apetite. 
 
 
17 SAIS DE LÍTIO 
 
 
Os sais de lítio são utilizados profilaticamente no tratamento de pacientes 
maníaco-depressivos e no tratamento de episódios de mania. Eles são eficazes em 
cerca de 60 a 80% de pacientes exibindo mania ou hipomania. Embora muitos 
processos celulares sejam alterados pelo tratamento com os sais de lítio, o 
mecanismo de ação é desconhecido. O lítio é administrado por via oral e é 
excretado pelo rim. Os sais de lítio são muito tóxicos. O seu índice terapêutico e 
margem de segurança são extremamente baixos – comparáveis aos dos digitálicos. 
Os efeitos adversos incluem ataxia, tremores, confusão mental e convulsões. O lítio 
não causa efeitos perceptíveis em indivíduos normais. Ele não é sedativo, 
euforizante ou depressor. 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 60 
 
 
18 FÁRMACOS USADOS NO TRATAMENTO DA EPILEPSIA 
 
 
18.1 VISÃO GERAL SOBRE EPILEPSIA 
 
 
A epilepsia está disseminada na população de modo geral, com mais de dois 
milhões de indivíduos atingidos nos Estados Unidos. Ela não é entidade única, é 
uma família de diferentes alterações convulsivas recorrentes que apresenta em 
comum à despolarização de neurônios cerebrais de modo repentino, excessivo e 
desordenado. Isso resulta em movimentos ou percepções anormais de curta 
duração, porém com tendência a repetir-se. 
O local da descarga elétrica determina os sintomas que se produzem. Por 
exemplo, manifestações epilépticas podem causar convulsões, se houver 
envolvimento do córtex motor. Os episódios podem incluir alucinações visuais, 
auditivas ou olfatórias, se o córtex parietal ou occipital for atingido. A terapêutica 
com fármacos é o modo mais amplamente efetivo de tratamento da epilepsia. As 
crises podem ser completamente controladas em aproximadamente 50% dos 
pacientes epilépticos, além de alcançar-se melhora acentuada em pelo menos 
metade dos restantes. 
 
Fármacos Antiepilépticos: 
 Carbamazepina; 
 Clonazepam; 
 Clorazepato; 
 Diazepam; 
 Ac. Valproico; 
 Fenitoína; 
 Etosuximida; 
 Primidona; 
 Lamotrigine; 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 61 
 Gabapentin. 
 
 
18.2 ETIOLOGIA 
 
 
As descargas neuronais
na epilepsia resultam do disparo de pequena 
população de neurônios em algumas áreas específicas do cérebro, assinaladas 
como o foco primário. Anatomicamente, esta área focal pode parecer perfeitamente 
normal. Não há, geralmente, causa identificável para a epilepsia, apesar de as áreas 
focais que são funcionalmente anômalas poderem ser postas em atividade (disparos 
neuronais) por alterações em grande variedade de fatores ambientais, incluindo os 
níveis gasosos circulantes, o pH, os eletrólitos ou a disponibilidade de glicose. 
 
 1. Epilepsia primária: Quando não há causa anatômica específica para a 
crise, como trauma ou neoplasia, é evidente que a síndrome é chamada idiopática 
ou epilepsia primária. Estas crises podem ser produzidas por anormalidade 
hereditária do sistema nervoso central (SNC). Os pacientes são tratados 
cronicamente com fármacos antiepilépticos, frequentemente por toda a vida. 
 2. Epilepsia secundária: Certas alterações reversíveis, como tumores, lesões 
da cabeça, hipoglicemia, infecção meníngea ou retirada abrupta do álcool de um 
alcoólatra podem precipitar as crises. Os fármacos antiepilépticos são administrados 
até que a causa primária das crises possa ser corrigida. Crises secundárias a 
acidentes vasculares cerebrais ou traumatismos podem causar danos irreversíveis 
ao SNC. 
 
 
18.3 CLASSIFICAÇÃO DA EPILEPSIA 
 
 
As crises epilépticas têm sido classificadas em dois amplos grupos: parcial 
(ou focal) e generalizada. A escolha do fármaco para o tratamento é baseada na 
classificação da epilepsia. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 62 
 
1. Parcial: Os sintomas de cada tipo de crise dependem do local da 
descarga neuronal e da extensão com a qual a atividade elétrica se espalha para os 
outros neurônios do cérebro. As crises parciais podem progredir, transformando-se 
em convulsões generalizadas tônico-clônicas. 
a. Parcial simples: Estas crises são causadas por um grupo de neurônios 
hiperativos que mostram atividade elétrica anômala e estão confinados a um local 
único no cérebro; a alteração elétrica não se espalha. O paciente não perde a 
consciência e frequentemente mostra atividade anômala de um único membro ou de 
um grupo muscular, o qual é controlado pela região do cérebro na qual ocorre o 
distúrbio. O paciente também pode mostrar distorções sensoriais. Crises parciais 
simples podem ocorrer em qualquer idade; 
b. Parcial complexa: Estas crises apresentam alucinações sensoriais 
complexas, distorção mental e perda da consciência. A disfunção motora pode 
apresentar movimentos mastigatórios, diarreia ou perda de urina. A maioria dos 
portadores de crise parcial complexa (80%) costuma iniciar suas crises antes dos 20 
anos de idade. 
 
2. Generalizadas: Estas crises iniciam-se localmente, mas espalham-se de 
maneira veloz, com descarga elétrica anômala por meio de ambos os hemisférios 
cerebrais. As crises generalizadas podem ser convulsivas ou não convulsivas; o 
paciente, geralmente, apresenta perda imediata da consciência. 
a. Tônico-clônica (grande mal): Esta é a forma de epilepsia mais encontrada 
e também a mais dramática. As crises resultam em perda da consciência, seguida 
por fases tônicas e, em seguida, clônicas. A crise é seguida por período pós-ictal de 
confusão e exaustão; 
b. Ausência (pequeno mal): Estas crises envolvem perda de consciência 
breve, abrupta e autolimitante. As primeiras crises ocorrem em pacientes com idades 
entre três e cinco anos e duram até a puberdade. O paciente apresenta olhar fixo e 
rápido piscar dos olhos, que dura três a cinco segundos; 
c. Mioclônica: Estas crises consistem de curtos episódios de contrações 
musculares que podem reaparecer por muitos minutos. As crises mioclônicas são 
raras, ocorrem em qualquer idade e são, frequentemente, resultado de dano 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 63 
neurológico permanente adquirido como resultado de hipóxia, uremia, encefalite ou 
envenenamento por algum fármaco; 
d. Crises febris: Crianças (entre 3 meses e 5 anos de idade) frequentemente 
desenvolvem estas crises com moléstias acompanhadas por febre elevada. As 
crises febris consistem em convulsões tônico-clônicas generalizadas de curta 
duração. Apesar de essas crises febris serem assustadoras para os observadores, 
elas são benignas e não causam morte, lesão neurológica, danos ou alterações do 
aprendizado e raramente necessitam de medicação; 
e. Estado epiléptico: As crises (convulsivas) são rapidamente recorrentes. 
 
 
18.4 MECANISMO DE AÇÃO DOS FÁRMACOS ANTIEPILÉPTICOS 
 
 
Os fármacos que são efetivos no tratamento das crises podem tanto 
bloquear o início da descarga elétrica da área focal como, mais comumente, inibir a 
difusão da descarga elétrica anômala para as áreas cerebrais adjacentes. 
 
 
19 FÁRMACOS ANTIEPILÉPTICOS 
 
 
O tratamento farmacológico inicial para suprimir ou reduzir a incidência das 
crises está baseado no tipo específico. Assim, as crises tônico-clônicas (grande mal) 
são tratadas de modo diferente das crises de ausência (pequeno mal). Muitos 
fármacos podem ser efetivos para ambas e a toxicidade do agente é frequentemente 
a principal consideração na escolha do fármaco. A monoterapia é instituída com um 
único fármaco, até que as crises sejam controladas ou ocorram sinais de toxicidade. 
Quando a terapia com um único fármaco é ineficaz, um segundo fármaco pode ser 
acrescentado ao regime terapêutico. A terapia antiepiléptica para as crises tônico-
clônicas nunca devem ser interrompidas abruptamente, caso contrário podem 
ocorrer convulsões. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 64 
 
 
19.1 FENITOÍNA 
 
 
A fenitoína é eficaz na supressão das convulsões tônico-clônicas e parciais e 
é o fármaco de escolha para a terapia inicial, particularmente no tratamento de 
adultos. 
 1. Mecanismo de ação: A fenitoína estabiliza a membrana neuronal 
para a despolarização por diminuir o fluxo do íon sódio nos neurônios no estado de 
repouso ou durante a despolarização. Também reduz o influxo de íons cálcio 
durante a despolarização e suprime o disparo repetitivo dos neurônios. 
2. Ações: A fenitoína não é depressor generalizado do SNC, como os 
barbitúricos, porém promove algum grau de sonolência e letargia, sem progressão 
para a hipnose. A fenitoína reduz a propagação de impulsos anômalos no cérebro. 
3. Usos terapêuticos: A fenitoína é muito eficaz nas crises parciais (simples e 
complexas), crises tônico-clônicas e no tratamento do estado epiléptico causado por 
crises tônico-clônicas recorrentes. A fenitoína não é eficaz nas crises de ausência, 
que podem mesmo piorar se o paciente for tratado com ela. 
 
 
19.2 CARBAMAZEPINA 
 
 
1. Ações: A carbamazepina reduz a propagação de impulsos anômalos no 
cérebro pelo bloqueio de canais de sódio, inibindo assim a geração de potenciais de 
ação repetitivos no foco epiléptico. 
2. Usos terapêuticos: A carbamazepina é bastante eficiente em todas as 
crises parciais (simples e complexas) e é frequentemente o fármaco de primeira 
escolha nesses casos. Além disso, este fármaco é também muito eficaz nas crises 
tônico-clônicas e é também usado no tratamento da neuralgia trigeminal. Tem sido 
ocasionalmente usado em pacientes maníaco-depressivos com o sentido de 
melhorar seus sintomas. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 65 
 
 
19.3 FENOBARBITAL
1. Ações: O fenobarbital apresenta atividade antiepiléptica, limitando a 
expansão das descargas anômalas pelo cérebro e elevando o limiar de disparo. Seu 
mecanismo de ação é desconhecido, porém pode envolver os efeitos inibitórios dos 
neurônios mediados pelo ácido -amino-butírico (GABA). As doses necessárias para 
a ação antiepiléptica são menores do que as que causam pronunciada depressão do 
SNC. 
2. Usos terapêuticos: O fenobarbital promove taxa de resposta favorável de 
50% em crises parciais e não é muito efetivo em crises parciais complexas. Esse 
fármaco tem sido visto como de primeira escolha nas crises recorrentes da infância, 
inclusive as causadas pela febre. Entretanto, o fenobarbital pode deprimir o 
desempenho cognitivo na criança tratada por convulsões febris e, então, este 
fármaco deve ser usado com cautela. O fenobarbital é também usado no tratamento 
das crises tônico-clônicas recorrentes, especialmente em pacientes que não 
respondem ao diazepam com fenitoína. O fenobarbital é também usado como 
sedativo suave no alívio da ansiedade, tensão nervosa e insônia, apesar de os 
benzodiazepínicos serem superiores. 
 
 
19.4 PRIMIDONA 
 
 
A primidona é estruturalmente relacionada ao fenobarbital e assemelha-se a 
ele em sua atividade anticonvulsivante. A primidona é escolha alternante nas crises 
parciais e tônico-clônicas. Muito da eficácia da primidona vem de seus metabólitos: o 
fenobarbital e a fenil-etilmalonamida, que apresentam meias-vidas maiores que o 
fármaco-mãe. O fenobarbital é efetivo nas crises tônico-clônicas e nas crises parciais 
simples; e a fenil-etilmalonamida, nas crises parciais complexas. A primidona é 
frequentemente usada em associação com a carbamazepina e a fenitoína, 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 66 
permitindo que sejam utilizadas menores doses destes agentes. Ela é ineficaz nas 
crises de ausência. A primidona é bem absorvida por via oral. Ela mostra pouca 
ligação às proteínas. Esse fármaco apresenta os mesmos efeitos adversos que o 
fenobarbital. 
 
 
19.5 ÁCIDO VALPROICO 
 
 
O ácido valproico diminui a propagação da descarga elétrica anômala no 
cérebro. Ele pode potenciar a ação do GABA nas sinapses inibitórias. O ácido 
valproico é o mais efetivo agente disponível para o tratamento das crises 
mioclônicas. Ele diminui as crises de ausência, porém é de segunda escolha em 
razão de seu potencial hepatotóxico. O ácido valproico reduz a incidência e 
severidade das crises tônico-clônicas. 
 
 
19.6 ETOSUXIMIDA 
 
 
A etosuximida reduz a propagação da atividade elétrica anômala no cérebro 
e é de primeira escolha na ausência de crises. 
 
 
19.7 BENZODIAZEPÍNICOS 
 
 
Muitos benzodiazepínicos mostram atividade antiepiléptica. O clonazepam e 
o clorazepato são usados em tratamentos crônicos, enquanto o diazepam é o 
fármaco de escolha no tratamento agudo do estado epiléptico. O clonazepam 
impede o espalhamento da crise do foco epileptógeno e é efetivo nas ausências e 
crises mioclônicas, porém desenvolve tolerância. O clorazepato é efetivo nas crises 
parciais, quando usado em associação a outros fármacos. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 67 
De todos os antiepilépticos, os benzodiazepínicos são os mais seguros e 
mais livres de efeitos adversos severos. Todos os benzodiazepínicos apresentam 
propriedades sedativas; assim, podem ocorrer letargia, sonolência e fadiga com 
doses elevadas; também podem ocorrer ataxia, tonturas e alterações do 
comportamento. Podem ocorrer depressões respiratória e cardíaca, quando usados 
por via intravenosa em situações agudas. 
 
 
19.8 GABAPENTIN E LAMOTRIGINE 
 
 
Pela primeira vez, em muitos anos, estão disponíveis novos fármacos 
antiepilépticos. O gabapentin é substância análoga do GABA, porém seu mecanismo 
de ação não é conhecido. O lamotrigine inibe a liberação de glutamato e aspartato, 
bloqueia os canais de sódio e impede o disparo repetitivo. Ambos os fármacos estão 
aprovados para o tratamento das crises parciais simples e complexas, além das 
crises generalizadas tônico-clônicas. 
 
 
20 FÁRMACOS NEUROLÉPTICOS 
 
 
20.1 INTRODUÇÃO 
 
 
Os fármacos neurolépticos (também chamados fármacos 
antiesquizofrênicos, fármacos antipsicóticos ou tranquilizantes maiores) são usados 
primariamente no tratamento da esquizofrenia, mas são também eficazes, em outros 
estados psicóticos, como os de mania e delírio. Os fármacos neurolépticos clássicos 
são inibidores competitivos de uma variedade de receptores, mas seus efeitos 
antipsicóticos refletem o bloqueio competitivo dos receptores dopaminérgicos. Estes 
fármacos variam em potência, mas, clinicamente, nenhum é mais eficaz do que os 
outros. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 68 
Em contraste, os novos fármacos antipsicóticos “atípicos” parecem dever 
sua exclusiva atividade ao bloqueio dos receptores serotoninérgicos. Na terapia a 
tendência tem sido a de usar fármacos de alta potência, como o tiotixeno, o 
haloperidol e a flufenazina. A clorpromazina, o protótipo dos agentes neurolépticos, 
é pouco utilizada devido à alta incidência de efeitos colaterais graves. Os fármacos 
neurolépticos constituem tratamento sintomático e não eliminam a doença mental de 
base; mas, frequentemente, permitem ao paciente psicótico exercer atividade 
funcional num ambiente favorável. 
Os fármacos neurolépticos podem ser divididos em cinco grandes grupos, 
com base em sua estrutura química. Esta classificação não é de grande importância, 
porque diferentes cadeias laterais propiciam grandes modificações na potência dos 
fármacos. O controle das desordens psicóticas pode ser obtido, na maioria das 
vezes, em se familiarizando com os efeitos de um ou dois fármacos de cada classe. 
 
 
FIGURA 11 
 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 69 
 
 
20.2 MECANISMO DE AÇÃO 
 
 
1. Atividade bloqueadora de receptores dopaminérgicos cerebrais: Todos os 
fármacos neurolépticos bloqueiam receptores dopaminérgicos centrais e periféricos. 
Os fármacos neurolépticos se ligam a esses receptores com diferentes afinidades; 
entretanto, a eficácia clínica dos fármacos neurolépticos clássicos se correlaciona 
muito bem com sua capacidade relativa de bloquear os receptores D2 no sistema 
mesolímbico cerebral. As ações dos fármacos neurolépticos são antagonizadas por 
agentes que aumentam a concentração de dopamina, por exemplo, L-dopa e 
anfetaminas. 
2. Atividade bloqueadora de receptores serotoninérgicos cerebrais: Os novos 
agentes, “atípicos”, parecem exercer parte de sua exclusiva ação pela inibição dos 
receptores para serotonina (S). 
 
 
20.3 AÇÕES 
 
 
As ações antipsicóticas dos fármacos neurolépticos refletem o bloqueio de 
receptores dopaminérgicos e/ou serotoninérgicos. Entretanto, muitos desses 
agentes bloqueiam também receptores colinérgicos, adrenérgicos e histaminérgicos, 
causando uma quantidade de efeitos colaterais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 70 
 
 
FIGURA 12 
 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor. 
 
 
20.4 UTILIZAÇÕES TERAPÊUTICAS 
 
 
1. Tratamento da esquizofrenia: Os neurolépticos são o único tratamento 
eficaz para a esquizofrenia.
Nem todos os pacientes respondem e uma completa 
normalização do comportamento só raramente é obtida. Os neurolépticos clássicos 
são principalmente eficazes no tratamento dos sinais positivos da esquizofrenia 
(ilusões, alucinações e desordens cognitivas). Os agentes de introdução mais 
recentes, com atividade bloqueadora da serotonina, são especialmente eficazes no 
tratamento dos sinais negativos da esquizofrenia (retraimento, embotamento da 
emoção, reduzida capacidade de relacionamento social). 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 71 
 
 
21 ESQUIZOFRENIA 
 
 
A esquizofrenia é um tipo de psicose, ou seja, uma doença mental causada 
por alguma disfunção cerebral intrínseca. Ela se caracteriza por ilusões, alucinações 
(frequentemente na forma de vozes) e distúrbios cognitivos e da fala. Esta doença 
mental é comum, ocorrendo em cerca de 1% da população, ou seja, numa 
incidência semelhante à do diabetes mellitus. A doença comumente acomete as 
pessoas durante a adolescência e é crônica e incapacitante. A esquizofrenia tem um 
forte componente genético e provavelmente reflete alguma anormalidade bioquímica 
fundamental, possivelmente uma hiperatividade dos neurônios dopaminérgicos 
mesolímbicos. 
 
 
22 ESTIMULANTES DO SNC 
 
 
22.1 ESTIMULANTES PSICOMOTORES 
 
 
Estimulantes do 
SNC 
 
 Estimulantes 
Psicomotores 
 
 Anfetamina 
 Cafeína 
 Cocaína 
 Metilfenidato 
 Nicotina 
 Teobromina 
 Teofilina 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 72 
 
 Fármacos 
Psicotomiméticos 
 Dietilamida do Ácido Lisérgico 
(LSD) 
 Fenciclidina (PCP) 
 Tetraidrocanabinol (THC) 
 
 
22.2 METILXANTINAS 
 
 
As metilxantinas incluem a teofilina, encontrada no chá, a teobromina, 
presente no cacau, e a cafeína. A cafeína, o estimulante mais amplamente 
consumido no mundo, é encontrada em concentrações elevadas no café, embora 
também esteja presente no chá, bebidas tipo coca-cola, bolos de chocolate e cacau. 
 
 
 Mecanismo de ação: As metilxantinas podem atuar por inúmeros 
mecanismos, incluindo a translocação de cálcio extracelular, o aumento no 
monofosfato cíclico de adenosina (AMPc) e monofosfato cíclico de guanosina 
(GMPc), causados pela inibição de fosfo-diesterase, e o bloqueio de receptores à 
adenosina. 
 
 Ações 
 
- Sistema nervoso central: A cafeína contida em duas xícaras de café (100 a 
200 mg) promove diminuição da fadiga e aumenta o estado de alerta mental, como 
resultado do estímulo do córtex e de outras áreas cerebrais. O consumo de 1,5 g de 
cafeína (12 a 15 xícaras de café) produz ansiedade e tremores. A medula espinal 
somente é estimulada por doses muito elevadas de cafeína (2 a 5 g); 
- Sistema cardiovascular: Elevada dose de cafeína mostra efeitos inotrópicos 
e cronotrópicos positivos sobre o coração. [Nota: O aumento na contratilidade pode 
ser prejudicial aos portadores de angina pectoris. O aumento na frequência cardíaca 
pode desencadear contrações ventriculares prematuras em outros cardiopatas]; 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 73 
- Ação diurética: A cafeína apresenta discreta ação diurética, a qual aumenta 
a perda de sódio, cloreto e potássio pela urina; 
- Mucosa gástrica: Em razão de todas as metilxantinas estimularem a 
secreção de ácido clorídrico (HCI) pela mucosa gástrica, os indivíduos portadores de 
úlceras pépticas deverão evitar as bebidas que contêm metilxantinas. 
 
 Usos terapêuticos: A cafeína e seus derivados promovem o relaxamento 
da musculatura lisa dos bronquíolos. A teofilina, antigamente o principal recurso 
terapêutico para o tratamento da asma, foi substituída pelos agonistas -
estimulantes e pelos corticosteroides. 
 
 
22.3 NICOTINA 
 
 
A nicotina é a substância ativa do tabaco. Apesar deste fármaco não ser 
usualmente empregado em terapêutica (exceto no tratamento da interrupção do 
fumo; a nicotina permanece importante em razão de ser o segundo fármaco mais 
amplamente usado como estimulante do SNC, nisto perdendo apenas para a 
cafeína e, em relação a drogas que viciam, perde apenas para o álcool. Em 
combinação com o alcatrão e o monóxido de carbono do cigarro, a nicotina 
representa importante fator de risco em relação a moléstias cardiopulmonares, 
cânceres, bem como outras doenças. 
 
 Mecanismo de ação 
 
Em doses baixas, a nicotina promove estímulo ganglionar por 
despolarização. Em doses elevadas, a nicotina causa bloqueio ganglionar. Existem 
receptores para nicotina no SNC, onde ocorrem ações semelhantes. 
 
 
 
 
 
 
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 74 
 
 
 Ações: 
 
- SNC: A nicotina é altamente solúvel em lípides e atravessa rapidamente a 
barreira hematoencefálica. A fumaça do cigarro ou a administração de pequenas 
doses de nicotina promove algum grau de euforia e de despertar, mas também 
relaxamento; melhora a atenção, o aprendizado, a solução de problemas e o tempo 
de resposta. Elevadas doses de nicotina resultam em paralisia respiratória central e 
hipotensão severa causada por paralisia medular 
- Efeitos periféricos: Os efeitos periféricos da nicotina são complexos. O 
estímulo dos gânglios simpáticos, assim como da medula adrenal, aumenta a 
pressão sanguínea e a frequência cardíaca. Assim, o uso do tabaco é 
particularmente prejudicial aos pacientes hipertensos. Muitos pacientes portadores 
de moléstias vasculares periféricas apresentam exacerbação de seus sintomas com 
o fumo. Por exemplo, a vasoconstrição induzida pela nicotina pode diminuir o fluxo 
sanguíneo, atingindo de modo adverso o paciente anginoso. A estimulação dos 
gânglios parassimpáticos também aumenta a atividade motora do intestino. Em 
doses mais elevadas ocorre queda na pressão arterial e cessa a atividade tanto do 
trato intestinal, quanto da musculatura da bexiga, como resultado do bloqueio 
nicotínico induzido pelos gânglios parassimpáticos. 
 
 Síndrome de Abstinência (retirada abrupta do cigarro) 
 
Como outros fármacos desta classe, a nicotina é substância que promove 
dependência; a dependência física à nicotina desenvolve-se rapidamente e é grave. 
A retirada abrupta é caracterizada por irritabilidade, ansiedade, inquietude, 
dificuldade de concentração, cefaleias e insônia. O apetite é afetado e 
frequentemente ocorrem dores gastrintestinais. [Nota: Os programas de retirada do 
cigarro que associam a terapêutica farmacológica com a comportamental são os que 
apresentam maior sucesso no auxílio aos indivíduos para pararem de fumar]. Os 
contatos transdérmicos e as gomas de mascar que contêm nicotina têm mostrado 
que são úteis para reduzir os sintomas da retirada abrupta da nicotina e têm 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 75 
auxiliado os fumantes a pararem o vício. Por exemplo, a concentração sanguínea de 
nicotina obtida com a goma de mascar é, em geral, cerca da metade daquela do 
nível de pico que se observa com o fumo. 
 
 
22.4 COCAÍNA 
 
 
A cocaína é fármaco de baixo custo, amplamente disponível e altamente 
sujeito à dependência (vício), usado diariamente por mais de três milhões de 
pessoas nos EUA. 
 Mecanismo de ação 
O mecanismo de ação primário relacionado aos efeitos central e periférico 
da cocaína é o bloqueio à captação da noradrenalina, serotonina
e dopamina nas 
terminações pré-sinápticas, das quais estes transmissores são liberados. Este 
bloqueio potencializa e prolonga as ações periféricas e no SNC destas 
catecolaminas. Particularmente, o prolongamento dos efeitos dopaminérgicos na 
área do bem-estar (prazer) cerebral (sistema límbico) produz a intensa euforia que a 
cocaína desencadeia inicialmente. O uso crônico de cocaína depleta a dopamina. 
Esta depleção desencadeia o ciclo vicioso da necessidade pela cocaína, o qual 
alivia temporariamente a depressão severa. 
 Ações 
- Sistema nervoso central: Os efeitos sobre o comportamento que a cocaína 
causa resulta de poderoso estímulo do córtex e do tronco cerebral. A cocaína 
aumenta, em curto prazo, a atenção e produz sensação de bem-estar e euforia 
semelhante à causada pela anfetamina. Como a anfetamina, a cocaína pode 
produzir alucinações, ilusões e paranoia. A cocaína aumenta a atividade motora e, 
em doses elevadas, causa tremores e convulsões, seguidas por depressão 
respiratória e vasomotora. 
- Sistema nervoso simpático: Perifericamente, a cocaína potencializa a ação 
da noradrenalina e produz a síndrome de “luta e fuga”, característica da estimulação 
adrenérgica. Ela é associada com taquicardia, hipertensão, dilatação das pupilas e 
vasoconstrição periférica. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 76 
 
 Usos terapêuticos 
A cocaína apresenta ação anestésica local, que representa seu único uso 
racional em terapêutica; a cocaína é aplicada topicamente, como anestésico local 
em cirurgias oculares, nasais e da garganta. Porquanto sua ação anestésica local 
seja devido ao bloqueio dos canais de sódio ativados por diferença de voltagem, a 
interação com canais de potássio pode contribuir para a capacidade da cocaína em 
promover arritmias cardíacas. [Nota: A cocaína é o único anestésico local que 
promove vasoconstrição. Esse efeito é responsável pela necrose e perfuração do 
septo nasal que ocorre com a inalação crônica do pó de cocaína]. 
 
 
22.5 ANFETAMINA 
 
 
A anfetamina apresenta efeitos neurológicos e clínicos muito semelhantes 
aos da cocaína. 
 
  Mecanismo de ação 
 Como com a cocaína, os efeitos da anfetamina sobre o SNC e sobre o 
sistema nervoso periférico são indiretos; isto é, eles dependem da elevação dos 
níveis de transmissores catecolamínicos nos espaços sinápticos. A anfetamina, 
entretanto, atinge esses efeitos pela liberação de estoques intracelulares. Como a 
anfetamina também bloqueia a monoaminoxidase (MAO), elevados níveis de 
catecolaminas são rapidamente liberados para os espaços sinápticos. Apesar de 
diferentes mecanismos de ação, os efeitos comportamentais da anfetamina são 
semelhantes aos da cocaína. 
 
 Ações 
- Sistema nervoso central: A principal causa dos efeitos comportamentais 
das anfetaminas é provavelmente devido à liberação de dopamina, em vez de 
noradrenalina. A anfetamina estimula todo o eixo cérebro-espinal, o córtex, o tronco 
cerebral e a medula. Isso leva ao aumento do estado de alerta, à diminuição da 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 77 
fadiga, à diminuição do apetite e à insônia. Em doses elevadas podem desencadear-
se convulsões. Estes efeitos estimulantes da anfetamina e seus derivados sobre o 
SNC causaram depressões, hiperatividade das crianças, narcolepsia e controle do 
apetite. 
- Sistema nervoso simpático: Em adição à sua acentuada ação sobre o SNC, 
a anfetamina age sobre o sistema adrenérgico, estimulando indiretamente os 
receptores pela liberação de noradrenalina. 
 
  Usos terapêuticos 
 Os fatores que limitam a utilização terapêutica da anfetamina incluem as 
dependências psicológicas e físicas, semelhantes à cocaína, e o surgimento de 
tolerância aos efeitos euforizantes e anoréxicos que ocorrem com o uso crônico. 
[Nota: Desenvolve-se menor tolerância aos efeitos tóxicos sobre o SNC (p. ex., 
convulsões)]. 
 - Síndrome da deficiência de atenção: Algumas crianças são hipercinéticas e 
falta-lhes capacidade para concentrar-se em qualquer atividade por mais do que 
alguns minutos. A anfetamina, e mais recentemente um derivado seu, o 
metilfenidato, alivia muitos desses problemas comportamentais associados a essa 
síndrome e reduz a hipercinesia que as crianças demonstram. Assim, sua atenção é 
prolongada, permitindo-lhes atuar melhor na esfera escolar. 
 - Narcolepsia: O metilfenidato é usado no tratamento da narcolepsia, 
moléstia em que ocorre incontrolável desejo de dormir (Hipersônia). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 78 
 
 
FIGURA 13 
 
 
FONTE: Arquivo pessoal do autor 
 
 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO II 
M03_Psicofarmacologia.pdf
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 79 
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
PSICOFARMACOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 
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 80 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
PSICOFARMACOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
MÓDULO III 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 81 
 
 
MÓDULO III 
 
 
23 ALUCINÓGENOS 
 
 
Poucos fármacos apresentam como ação primária a qualidade de induzir a 
estados perceptivos alterados remanescentes de sonhos. Muitos destes estados 
alterados são acompanhados por alterações brilhantes e coloridas do meio e por 
plasticidade de alterações constantes de forma e cor. O indivíduo sob a influência 
destes fármacos torna-se incapaz de tomar uma decisão normal, visto que o mesmo 
interfere com o pensamento racional. Estes compostos são conhecidos como 
alucinógenos ou psicotomiméticos. 
 
 
23.1 DIETILAMIDA DO ÁCIDO LISÉRGICO (LSD) 
 
 
Ocorre ativação do sistema nervoso simpático, o que causa dilatação 
pupilar, aumento da pressão sanguínea, piloereção e aumento da temperatura 
corpórea. Pequenas doses de LSD, por via oral, podem induzir a alucinações de 
cores brilhantes e também ocorrem alterações do humor. Têm ocorrido tolerância e 
dependência física, porém a verdadeira dependência é rara. Os efeitos adversos 
incluem hiper-reflexia, náusea e fraqueza muscular. Elevadas doses, algumas 
vezes, em indivíduos suscetíveis, produzem alterações psicóticas de longa duração. 
O haloperidol e outros neurolépticos podem bloquear a ação alucinatória do LSD e 
rapidamente abortar esta síndrome. 
 
 
 
 
 
 
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23.2 TETRA-HIDROCANABINOL 
 
 
Ele diminui a força muscular e dificulta muito a atividade motora refinada - a 
necessária para dirigir automóvel. Aumenta o apetite, causa xerostomia, alucinações 
visuais, ilusões e aumento da atividade sensorial. Apesar da identificação de 
receptores ao THC em SNC, seu mecanismo de ação é desconhecido. Os efeitos
do 
THC ocorrem imediatamente após o fumo da droga, porém seus efeitos máximos 
ocorrem após cerca de 20 minutos. 
Após três horas, os principais efeitos desaparecem. Os efeitos adversos 
incluem taquicardia, hipotensão e avermelhamento das conjuntivas oculares. Em 
doses elevadas, desenvolve-se psicose tóxica. Ocorre tolerância e moderada 
dependência física com o uso frequente e continuado do fármaco. O THC é usado, 
algumas vezes, quando da ocorrência de emese severa causada por agentes 
quimioterápicos anticâncer. 
 
 
23.3 FENCICLIDINA (PCP) 
 
 
A fenciclidina, análogo da quetamina, causa anestesia dissociativa 
(insensibilidade à dor, sem perda da consciência) e analgesia. Nesse estado, produz 
adormecimento de extremidades, andar cambaleante, falar pastoso e rigidez 
muscular. Algumas vezes, ocorre comportamento hostil e bizarro. Em dose 
aumentada, ocorre anestesia, estupor ou coma, porém, estranhamente, os olhos 
permanecem abertos. Existe sensibilidade aumentada a estímulos externos e as 
ações sobre o SNC podem persistir por semanas. Com o uso continuado, 
desenvolve-se, frequentemente, tolerância. 
 
 
 
 
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 83 
 
 
24 DOENÇA DE PARKINSON 
 
 
24.1 VISÃO GERAL 
 
 
O parkinsonismo é distúrbio neurológico progressivo do movimento muscular 
caracterizado por tremores, rigidez muscular, bradicinesia (lentidão em iniciar e 
continuar os movimentos voluntários) e anomalias de postura e marcha. A doença 
de Parkinson é a quarta doença neurológica mais comum entre idosos, afetando 
500.000 pessoas somente nos Estados Unidos. A maioria dos casos envolve 
indivíduos com idade de 65 anos, entre os quais a incidência é cerca de 1:100. 
 
 
24.2 ETIOLOGIA 
 
 
Para a maioria dos pacientes a causa da doença de Parkinson é 
desconhecida. A doença correlaciona-se com redução na atividade dos neurônios 
dopaminérgicos inibitórios na substância negra e no estriato – partes do sistema de 
gânglios da base do encéfalo que são responsáveis pelo controle do movimento. Os 
fatores genéticos não desempenham papel dominante na etiologia da doença de 
Parkinson, embora possam ter alguma influência sobre a suscetibilidade individual. 
Parece cada vez mais provável que certo fator ambiental não identificado possa ter 
influência na perda de neurônios dopaminérgicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 84 
 
 
24.3 ESTRATÉGIA DO TRATAMENTO 
 
 
Muitos dos sintomas do parkinsonismo refletem um desequilíbrio entre os 
neurônios colinérgicos excitatórios e o número de neurônios dopaminérgicos 
inibitórios, grandemente diminuídos. A terapêutica visa restaurar a dopamina nos 
gânglios da base e antagonizar o efeito excitatório dos neurônios colinérgicos, 
restabelecendo assim o correto balanço dopamina/acetilcolina. 
 
 
24.4 FÁRMACOS USADOS NA DOENÇA DE PARKINSON 
 
 
Os fármacos atualmente disponíveis oferecem alívio temporário dos 
sintomas da doença, mas não interrompem nem reverte à degeneração neuronal 
causada por ela. 
 
Principais medicamentos para a Doença de Parkinson 
DROGA (PRINCÍPIO 
ATIVO) 
NOME COMERCIAL® 
MECANISMO DE 
AÇÃO 
LEVODOPA OU L-
DOPA 
SINEMET/CRONOMET/´PROLOPA 
PRECURSORA DA 
DOPAMINA 
BROMOCRIPTINA PARLODEL/BAGREN 
AGONISTA 
DOPAMINÉRGICO 
LISURIDE DOPERGIN 
AGONISTA 
DOPAMINÉRGICO 
PRAMIPEXOL MIRAPEX 
AGONISTA 
DOPAMINÉRGICO 
PRAMIPEXOL SIFROL 
AGONISTA 
DOPAMINÉRGICO 
PERGOLIDA CELANCE 
AGONISTA 
DOPAMINÉRGICO 
BIPERIDENO AKINETON ANTICOLINÉRGICO 
TRIHEXIFENIDIL ARTANE ANTICOLINÉRGICO 
AMANTADINA MANTIDAN DOPAMINA 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 85 
ENDÓGENA 
SELEGILINA/L-
DEPRENIL 
NIAR -DEPRILAN -JUMEXIL - 
ELEPRIL 
INIBIDOR DA MAO-B 
(*) 
TOLCAPONE TASMAR 
INIBIDOR DA 
COMT(**) 
ENTACAPONE COMTAN 
INIBIDOR DA 
COMT(**) 
(*) MAO-B = monoamino-oxidase B - (**) COMT-catecol-O-metil-transferase 
 
 
24.4.1 Levodopa (L-dopa) e Carbidopa 
 
 
A levodopa é um precursor metabólico da dopamina. Esse fármaco restaura 
os níveis de dopamina nos centros extrapiramidais (substância negra) que se 
atrofiam no parkinsonismo. Em pacientes no início da doença, o número de 
neurônios dopaminérgicos residuais na substância negra (tipicamente cerca de 20% 
do normal) é adequado para a conversão da levodopa a dopamina. Assim, nos 
pacientes novos a resposta terapêutica a levodopa é consistente e eles raramente 
se queixam de que os efeitos do fármaco “desaparecem”. 
Infelizmente, com o passar do tempo o número de neurônios decai e passa a 
haver menos células capazes de captar a levodopa exógena e convertê-la à 
dopamina para armazenagem e liberação posteriores. Consequentemente aparecem 
variações do controle motor. A melhora proporcionada pela levodopa é apenas 
sintomática e perdura somente enquanto a droga está presente no organismo. 
 
 
24.4.1.1 Mecanismo de ação 
 
 
a. Levodopa: Como o parkinsonismo é o resultado de insuficiência de 
dopamina em regiões específicas do cérebro, as tentativas feitas são no sentido de 
repor a dopamina faltante. Ela própria não atravessa a barreira sangue-cérebro, mas 
seu precursor imediato, a levodopa, é facilmente transportada para o SNC, sendo 
convertida a dopamina no cérebro. São necessárias doses altas de levodopa, pois 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 86 
grande parte é descarboxilada a dopamina na periferia, ocasionando efeitos 
periféricos adversos (náuseas, vômitos, arritmias cardíacas, hipotensão). 
b. Carbidopa: Os efeitos da levodopa no SNC podem ser muito aumentados 
pela administração concomitante de carbidopa, um fármaco inibidor da dopamina-
descarboxilase que não atravessa a barreira hematoencefálica. A carbidopa diminui 
o metabolismo da levodopa no trato gastrintestinal e nos tecidos periféricos. Desse 
modo, aumenta a disponibilidade da levodopa no SNC. A utilização da carbidopa 
diminui em 4 a 5 vezes a dose de levodopa necessária e, consequentemente, 
diminui a gravidade dos efeitos adversos da dopamina formada na periferia. 
 
 
24.4.4.2 Ações 
 
 
A levodopa diminui a rigidez, os tremores e outros sintomas do 
parkinsonismo. 
 
 
24.4.4.3 Usos terapêuticos 
 
 
A levodopa, em associação com a carbidopa, constitui regime 
medicamentoso potente e eficaz, atualmente disponível para o tratamento da 
doença de Parkinson. Em aproximadamente dois terços dos pacientes com doença 
de Parkinson, o tratamento com levodopa/carbidopa reduz substancialmente a 
gravidade da doença durante os primeiros anos de tratamento. Normalmente entre o 
terceiro e o quinto ano de terapia os pacientes sentem que a resposta terapêutica 
diminui. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 87 
 
 
24.4.2 Bromocriptina 
 
 
A bromocriptina é derivada da ergotamina (um alcaloide com ação 
vasoconstritora) e agonista de receptores dopaminérgicos. Este fármaco produz 
discreta resposta em pacientes que não reagem a levodopa, mas é frequentemente 
empregado quando associado a ela em pacientes responsivos. A dose é 
gradativamente aumentada durante um período de 2 a 3 meses. Os efeitos adversos 
limitam bastante a utilidade dos agonistas dopaminérgicos.
As ações da 
bromocriptina são semelhantes às da levodopa, exceto que alucinações, confusão, 
delírio, náusea e hipotensão ortostática são mais comuns, enquanto discinesia é 
menos evidente. 
Em doentes psiquiátricos, a bromocriptina faz com que a condição mental 
piore. Podem desenvolver-se problemas cardíacos graves, particularmente em 
pacientes com histórico de infarto do miocárdio. Em pacientes com doença vascular 
periférica, ocorre piora do vasoespasmo; nos pacientes com úlcera péptica, há piora 
do quadro ulceroso. 
 
 
24.4.3 Amantadina 
 
 
Foi acidentalmente descoberto que a droga antiviral amantadina, eficaz no 
tratamento da influenza, possui ação antiparkinsoniana. Ao que parece, este 
fármaco aumenta a síntese, a liberação ou a recaptura de dopamina pelos neurônios 
remanescentes. [Nota: Se a liberação de dopamina já alcançou o máximo, a 
amantadina não tem efeito.] A droga pode causar inquietação, agitação, confusão e 
alucinações; em altas doses pode provocar psicose tóxica aguda. 
Podem ocorrer também hipotensão ortostática, retenção urinária, edema 
periférico e secura de boca. A amantadina é menos eficaz do que a levodopa, e a 
tolerância desenvolve-se mais rapidamente, porém provoca menos efeitos adversos. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 88 
A droga tem pouco efeito sobre o tremor, mas é mais eficaz do que os 
anticolinérgicos contra a rigidez e a bradicinesia. 
 
 
24.4.4 Deprenil 
 
 
O deprenil, também denominado selegilina, inibe seletivamente a 
monoaminoxidase B (que metaboliza a dopamina), mas não a monoaminoxidase A 
(que metaboliza a noradrenalina e a serotonina). Diminuindo deste modo a 
metabolização da dopamina, o deprenil mostrou aumentar os níveis de dopamina no 
cérebro. Assim, esse fármaco aumenta as ações da levodopa e, quando são 
administrados concomitantemente, o deprenil reduz de forma substancial a dose 
necessária de levodopa. 
Diferentemente dos inibidores da MAO não seletivos, o deprenil nas doses 
recomendadas apresenta pequeno potencial de causar crises hipertensivas. 
Entretanto, se o deprenil é administrado em doses altas, à seletividade é perdida, e 
o paciente fica exposto a risco de grave hipertensão. Dados recentes sugerem que o 
uso precoce de deprenil pode efetivamente postergar o advento dos sintomas 
graves em até 50%, possivelmente reduzindo a formação de radicais livres. 
 
 
24.4.5 Agentes antimuscarínicos 
 
 
Os agentes antimuscarínicos são muito menos eficazes do que a levodopa, 
desempenhando papel apenas coadjuvante na terapia antiparkinsoniana. As ações 
da benztropina, do trihexafenidil e do biperiden são semelhantes, embora cada 
paciente possa responder mais favoravelmente a um determinado fármaco. Todos 
os fármacos podem induzir alterações de humor e causar xerostomia (secura da 
boca) e problemas de visão, tal como qualquer bloqueador muscarínico. 
Interferem com o peristaltismo gastrintestinal e não podem ser usados em 
pacientes com glaucoma, hipertrofia prostática ou estenose do piloro. O bloqueio da 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 89 
transmissão colinérgica causa efeitos similares ao aumento da transmissão 
dopaminérgica (mais uma vez, por causa da criação de um desbalanço da relação 
dopamina/acetilcolina). Os efeitos adversos são semelhantes aos causados por 
doses altas de atropina, por exemplo, dilatação pupilar, confusão, alucinações, 
retenção urinária e boca seca. 
 
 
25 ALZHEIMER 
 
 
25.1 DEFINIÇÃO 
 
 
A doença de Alzheimer é uma doença que provoca deficiência cognitiva, 
afetando principalmente a memória necessária para reter novas informações. À 
medida que a doença evolui, várias outras funções cognitivas, como orientação, 
linguagem, julgamento, função social e habilidade de realizar tarefas motoras 
também declinam. Essa doença esta fortemente associada à idade, sendo bastante 
incomum antes dos 50 anos, mas podendo afetar metade das pessoas na faixa dos 
noventa anos. Ainda não foi encontrada uma cura, mas existem várias formas de 
tratamento que podem amenizar os sintomas de DA (doença de Alzheimer). 
Desde a descoberta da DA por Alois Alzheimer, surgiram muitas dúvidas e 
confusões sobre a relação dessa doença com o envelhecimento normal, uma vez 
que alterações microscópicas observadas no cérebro de pacientes com doença de 
Alzheimer também se encontram em cérebros de pessoas idosas sadias. A 
diferença está na quantidade e distribuição dessas alterações. 
A senilidade é a deterioração das funções físicas e mentais resultantes da 
idade avançada, não tendo necessariamente relação com a DA. Demência é um 
termo médico utilizado para denominar disfunções cognitivas globais, podendo 
ocorrer em várias doenças diferentes, como doenças cerebrovasculares (AVCs), 
alcoolismo, AIDS, doença de Parkinson e doença de Alzheimer. Contudo, a DA é a 
causa mais comum de demência no mundo todo. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 90 
Não se devem confundir distúrbios causados pelo envelhecimento normal 
com distúrbios causados pela demência, erro muito comumente cometido. Algumas 
alterações de memória e outras funções cognitivas são comuns em idosos sadios. 
Na demência, há um declínio cognitivo que resulta na perda da função (habilidade 
de administrar as responsabilidades em casa e no trabalho, nas atividades sociais 
ou nas atividades do dia a dia). A perda de memória sempre ocorre na demência, 
mas não é suficiente para o diagnóstico desta, sendo necessário o declínio de pelo 
menos outra área da função cognitiva. 
 
 
25.2 FATORES DE RISCO 
 
 
Uma série de fatores parece aumentar a probabilidade de um indivíduo 
desenvolver doença de Alzheimer. A maioria desses fatores parece estar fora de 
controle do indivíduo. 
- Idade; 
- Hereditariedade de certos genes; 
- Exposição a Metais: o alumínio e o zinco têm sido associados às alterações 
do tecido cerebral que ocorrem na doença de Alzheimer. Porém, não há evidências 
diretas que liguem a exposição física a esses metais com a doença. 
 
 
25.3 SINTOMAS 
 
 
Os pacientes com Doença de Alzheimer têm dificuldade com o pensamento 
(cognição), com os padrões de comportamento e com a rotina diária. Cognição inclui 
memória, orientação, linguagem, julgamento e resolução de problemas. Os padrões 
de comportamento abrangem a personalidade, o humor, o nível de atividade e as 
percepções do ambiente. A rotina diária refere-se à capacidade de trabalhar, cuidar 
das necessidades pessoais e da casa e participar da comunidade. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 91 
À medida que a doença evolui, o indivíduo afetado depara-se com mais e 
mais desafios nessas áreas. Geralmente, a Doença de Alzheimer se divide em três 
estágios: leve, moderado e grave. Cada estágio pode durar alguns anos. 
 
Estágio Leve: 
- Esquecimento de eventos recentes; 
- Comprometimento do aprendizado de novas informações; 
- Relações de tempo levemente alteradas; 
- Orientação espacial prejudicada fora do ambiente familiar; 
- Dificuldade em realizar tarefas complexas; 
- Necessidade de ser lembrado sobre os cuidados pessoais e higiene. 
 
Estágio Moderado: 
- Esquecimento eventual do nome e identidade de familiares e amigos; 
- Dificuldades com a noção de tempo; 
- Desorientação espacial dentro de casa; 
- Dificuldade em encontrar a palavra certa e em nomear
objetos; 
- Fala menos espontânea e complexa; 
- Incapacidade de lidar com dinheiro; 
- Dificuldade em lidar com emergências domésticas; 
- Perda da iniciativa; 
- Dificuldade em realizar as atividades da vida diária (AVDs); 
- Incontinência urinária e fecal; 
- Irritabilidade, agressividade; 
- Delírios e alucinações; 
- Perambulação. 
 
Estágio Grave: 
- Problemas com a memória de longo prazo; 
- Perda gradual da orientação de tempo, lugar e pessoa; 
- Dificuldade em terminar uma frase; 
- Comunicação é melhor por modo não verbal; 
- Perda total da independência; 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 92 
- Aparência fragilizada; 
- Irritabilidade extrema. 
 
 
25.4 DIAGNÓSTICO 
 
 
O diagnóstico da doença de Alzheimer é feito com base na exclusão de 
diversas patologias que também podem evoluir para um quadro de demência, tais 
como: 
 Traumatismos cranianos; 
 Tumores cerebrais; 
 Acidentes Vasculares Cerebrais; 
 Arteriosclerose; 
 Intoxicações ou efeitos colaterais de medicamentos; 
 Intoxicação por drogas e álcool; 
 Depressão; 
 Hidrocefalia; 
 Hipovitaminoses; 
 Hipotireoidismo. 
 
 
25.5 TRATAMENTO 
 
 
Ainda não existe tratamento preventivo ou curativo para a doença de 
Alzheimer. No entanto, há uma série de medicamentos que ajudam a aliviar alguns 
sintomas. Infelizmente, estes medicamentos são apenas eficazes em um número 
limitado de doentes, apenas por um breve período de tempo e podem causar efeitos 
secundários indesejáveis. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 93 
 
Tratamento dos sintomas de comportamento: agitação, ansiedade, 
depressão, alucinações, confusão e insônia 
 
Antes do uso de qualquer medicamento deve-se fazer um levantamento 
sobre os possíveis fatores ambientais ou físicos desencadeadores como: 
 Mudança no ambiente; 
 Novas doenças; 
 Trocas de cuidador; 
 Novos medicamentos; 
 Evitar essas circunstâncias desencadeadoras, oferecer distração e dar 
apoio. 
Para tratar as consequências mais difíceis de comportamento, como 
agitação, insônia e paranoia há várias drogas disponíveis que variam de agentes 
com propriedades sedativas leves a neurolépticos. Quando a medicação é 
necessária deve-se usá-la na menor dose possível e pelo tempo estritamente 
necessário, pois muitos dos medicamentos para controle de agitação e 
agressividade podem piorar a confusão mental ou deixar a pessoa rígida, trazendo 
dificuldades para a movimentação. 
Os neurolépticos (ou antipsicóticos) são usados para tratar manifestações 
psicóticas (alucinações e delírios) de doenças psiquiátricas, como esquizofrenia, e 
também podem reduzir a agitação inespecífica e o comportamento agressivo. O 
efeito antipsicótico das drogas é atribuído à sua ação bloqueadora de dopamina, 
mas elas também têm propriedades anticolinérgicas. Essas drogas são subdivididas 
em drogas de alta, média ou baixa potência. Quanto maior a potência de um agente 
neuroléptico, menor sua atividade anticolinérgica, por isso os neurolépticos de alta 
potência são geralmente prescritos a pacientes com doença de Alzheimer. 
O efeito neuroléptico no paciente com doença de Alzheimer é imprevisível, 
pois o comportamento pode melhorar ou piorar, sendo possível ocorrer sedação 
exacerbada e mais confusão. Os efeitos tóxicos, principalmente os sintomas 
parkinsonianos, podem ocorrer com qualquer dose. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 94 
 
Tratamento dos sintomas cognitivos: visa melhorar a deficiência de memória, 
corrigindo o desequilíbrio químico do cérebro 
 
- Inibidores da acetilcolinesterase: Como os portadores da doença de 
Alzheimer possuem níveis reduzidos de acetilcolina, um modo de controlar o 
problema é evitar que a pequena quantidade de acetilcolina produzida seja 
degradada pela enzima responsável pela sua destruição, impedindo a ação da 
enzima pelos seus inibidores. 
Os pacientes que respondem aos inibidores da acetilcolinesterase podem 
manter ou mesmo melhorar a função cognitiva durante um período significativo, 
porém alguns não respondem à inibição da acetilcolinesterase. Os inibidores têm 
efeito sintomático discreto sobre a cognição, contudo apresentam efeitos colaterais 
resultantes da hiperativação colinérgica periférica: gastrintestinais, cardiovasculares 
e outros. 
É possível aumentar a atividade da acetilcolina por várias vias e a inibição 
da enzima que quebra a acetilcolina é apenas uma das formas. Outras incluem 
aumentar-se a liberação de acetilcolina e estimular diretamente os receptores da 
acetilcolina. Essas outras vias estão em estudo. 
 
Outras modalidades de tratamento em estudo 
 
- Reposição hormonal com estrógeno: O estrógeno, além dos seus efeitos 
no trato reprodutivo da mulher, no sistema cardiovascular e na estrutura óssea, já 
demonstrou ter efeitos importantes nas células cerebrais. Há evidências de que 
promova a sobrevivência das células cerebrais e que também possa beneficiar 
ligeiramente o processo cognitivo. 
 
- Antioxidantes, em especial a vitamina E: Segundo a teoria dos radicais 
livres no processo de envelhecimento, várias manifestações de declínio funcional e 
doenças relacionadas à idade são causadas por um excesso de radicais livres em 
vários tecidos. Existem evidências de que o dano causado pelos radicais livres 
contribui para as lesões nos tecidos cerebrais encontradas na doença de Alzheimer. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 95 
Os antioxidantes combatem os radicais livres. Estudos recentes têm 
investigado a eficácia da suplementação da vitamina E e outras medicações com 
propriedades antioxidantes na lentificação da evolução da doença. Os resultados 
são encorajadores. 
 
- Agentes fitoterápicos, como o ginkgo biloba: Na literatura médica existe 
também o relato de um estudo controlado sobre a formulação específica de ginkgo 
biloba. Parece que há um pequeno benefício nos processos cognitivos associados 
ao uso de ginkgo, quando comparado ao placebo. É importante ressaltar, contudo, 
que as preparações de ginkgo encontradas nas lojas de produtos naturais podem 
ser bem diferentes daquela formulação utilizada nesse estudo. 
 
- Anti-inflamatórios: Os pacientes com doença de Alzheimer apresentam 
alterações associadas à inflamação e à função do sistema imunológico, que podem 
representar um reflexo da atividade inflamatória do cérebro. A questão é se a 
inflamação está contribuindo para o fenômeno de deteriorização das células 
cerebrais ou se isso é só uma reação às placas e emaranhados que, de fato, não 
causa qualquer malefício. 
No entanto, há motivos para vários pesquisadores estarem otimistas quanto 
à possibilidade de a supressão da inflamação cerebral com drogas trazer benefícios 
importantes em relação à doença de Alzheimer. 
 
 
26 DEPENDÊNCIA E TOLERÂNCIA 
 
 
O abuso de substâncias ocorre em todos os segmentos da sociedade. O 
abuso provoca uma redução do desempenho no trabalho e nos estudos, acidentes, 
intoxicação durante o trabalho, faltas injustificadas, crimes violentos e furtos. Os 
adolescentes são o grupo etário mais vulnerável ao desenvolvimento de problemas 
relacionados ao uso de substâncias. Os homens estão em maior risco do que as 
mulheres. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 96 
A dependência é a necessidade
psicológica ou física de continuar 
consumindo a substância. A dependência física é caracterizada pela síndrome de 
abstinência e pela tolerância: ou seja, a necessidade de consumir a substância para 
evitar a síndrome de abstinência. Faz parte da natureza do homem, uma vez que 
toda a existência humana está compreendida entre estados de dependência. 
Durante a vida, o ser humano cria relações de dependência com objetos, 
pessoas e situações. Algumas dessas relações são importantes para o bem-estar, 
outras causam prejuízo, perda de autonomia, etc. Vínculo extremo em que a droga é 
priorizada em detrimento de outras relações. Na falta da droga, as pessoas que se 
acostumaram em consumi-la, são invadidas por sintomas penosos. Pode ser a 
consequência de um desejo sem medida. 
Termo recomendado em 1964 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) 
para substituir outros com maior conotação moral como “vício”. A dependência 
constitui-se a partir de três elementos: 
- A substância psicoativa com características farmacológicas peculiares; 
- O indivíduo com suas características de personalidade e sua singularidade 
biológica; 
- O contexto sociocultural dinâmico e polimorfo, onde se realiza o encontro 
entre o indivíduo e o produto. 
Existem dois tipos de dependência: 
- Dependência física; 
- Dependência psíquica. 
Por ocasião da 9ª Revisão da Classificação Internacional das Doenças, os 
aspectos psicológicos e físicos foram unificados sob a definição de dependência de 
drogas. Sabe-se, hoje, que várias drogas sem a capacidade de produzir 
dependência física geram intensa compulsão para o uso e sérios problemas 
orgânicos. Portanto, soaria estranho classificá-las como drogas “leves”. Assim, hoje 
se aceita que uma pessoa seja dependente, sem qualificativo, enfatizando-se que a 
condição de dependência seja encarada como um quadro clínico. 
A administração repetida ou prolongada de alguns medicamentos resulta em 
tolerância – uma resposta farmacológica diminuída. Tolerância ocorre quando o 
corpo adapta-se à contínua presença da droga. Comumente, são dois os 
mecanismos responsáveis pela tolerância: 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 97 
 O metabolismo da droga é acelerado (mais frequentemente porque 
aumenta a atividade das enzimas que metabolizam os medicamentos no fígado); 
 Diminui o número de receptores ou sua afinidade pelo medicamento. 
O termo resistência é utilizado para descrever a situação em que uma 
pessoa não mais responde satisfatoriamente a um medicamento antibiótico, antiviral 
ou quimioterápico para o câncer. Dependendo do grau de tolerância ou resistência 
ocorrente, o médico pode aumentar a dose ou selecionar um medicamento 
alternativo. Em certas situações, o uso continuado pode levar à dependência 
psíquica ou física do medicamento. 
 
 
26.1 DEPENDÊNCIA E OS BENZODIAZEPÍNICOS 
 
 
A prática clínica tem demonstrado que a dependência aos 
benzodiazepínicos acontece, embora não invariavelmente. A tendência do paciente 
em aumentar a dose para obter o mesmo efeito, ou seja, a tolerância aos 
benzodiazepínicos parece ser rara. Em relação a isso notamos, no mais das vezes, 
uma má utilização da droga. Isto é, em não sendo tratada a causa básica da 
ansiedade e esta se tornando mais intensa, haverá maior necessidade de droga. 
Essa maior necessidade da droga decorrente do aumento da ansiedade não deve, 
de forma alguma, ser confundida com o fenômeno da tolerância. 
Quanto aos sintomas de abstinência aos benzodiazepínicos, o que 
observamos, com frequência, é o retorno dos sintomas psíquicos que promoveram 
sua indicação por ocasião de sua retirada. Isso pode, eventualmente, ser confundido 
com abstinência na expressiva maioria dos casos. Ora, se situação psicoemocional 
que determinou a procura pela droga não foi decididamente curada com o 
benzodiazepínico, foi apenas protelada, então, retirando os sintomas recrudescerão. 
Isso não pode ser tomado como síndrome de abstinência. 
Em alguns pouquíssimos casos, de fato observamos sintomatologia de 
abstinência. Estes ocorrem, predominantemente, com o Clonazepam. Quando 
ocorre a síndrome de abstinência ao benzodiazepínico, esta tem início 
aproximadamente 48 horas após a interrupção da droga e os sintomas 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 98 
correspondem à ansiedade acentuada, tremores, visão turva, palpitações, confusão 
mental e hipersensibilidade a estímulos externos. Antes de confirmar o diagnóstico 
de síndrome de abstinência a benzodiazepínicos convém observar, como alertamos, 
se tais sintomas não são os mesmos que anteriormente levaram o paciente a iniciar 
o tratamento. 
Os casos de dependência aos benzodiazepínicos relatados na literatura ou 
constatados na clínica se prendem, na grande maioria das vezes, ao uso muito 
prolongado e com doses acima das habituais. Há uma tendência atual em se 
considerar o fenômeno da dependência ao benzodiazepínico, até certo ponto, mais 
subordinado aos traços da personalidade que a alguma atribuição da droga. De 
qualquer forma, parece que o Clonazepam e o Lorazepam são os benzodiazepínicos 
mais facilmente relacionados à dependência. 
Antes de considerarmos a dependência, pura e simplesmente, devemos ter 
em mente que se o benzodiazepínico não foi bem indicado e esteja sendo utilizado 
como paliativo de uma situação emocional não resolvida, como atenuante de uma 
circunstância vivencial problemática, como um corretivo de um “modus vivendi” 
ansiogênico, enfim, como um “tapa-buracos” para uma condição existencial 
anômala, então a sua supressão colocará à tona a penúria situacional em que se 
encontra a pessoa, dando assim a falsa impressão de dependência ou até de 
síndrome de abstinência. 
 
 
27 SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA 
 
 
A abstinência é uma síndrome psicoativa específica à substância após a 
cessação de uso prolongado (implica em tolerância e indica dependência). É um 
conjunto de sinais e sintomas decorrentes da falta de drogas em usuários 
dependentes e caracteriza-se por sensações de mal-estar e diferentes graus de 
sofrimento mental e físico, particulares para cada tipo de droga. 
Pode-se definir também como sendo a manifestação de um desajuste 
metabólico no organismo provocado pela suspensão do uso de algumas substâncias 
com quadro clínico que revela a falta que determinada substância está fazendo ao 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 99 
metabolismo orgânico. A característica essencial da abstinência de substância é o 
desenvolvimento de uma alteração comportamental mal-adaptativa e específica à 
substância, com concomitantes fisiológicos e cognitivos, devido à cessação ou 
redução do uso pesado e prolongado de uma substância. 
A síndrome específica à substância causa sofrimento ou prejuízo 
clinicamente significativo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas 
importantes. Os sintomas não se devem a uma condição médica geral nem são mais 
bem explicados por outro transtorno mental. A abstinência geralmente, mas nem 
sempre, está associada com dependência de substância. A maior parte dos 
indivíduos com abstinência (talvez todos) tem uma premência por readministrar à 
substância para a redução dos sintomas. 
O diagnóstico de abstinência é reconhecido para os seguintes grupos de 
substâncias: álcool; anfetaminas e outras substâncias correlatas; cocaína; nicotina; 
opioides e sedativos, hipnóticos ou ansiolíticos. Os sinais e sintomas de abstinência 
variam de
acordo com a substância usada, sendo a maior parte dos sintomas o 
oposto daqueles observados na intoxicação com a mesma substância. 
A dose e a duração do uso e outros fatores, tais como a presença ou 
ausência de doenças adicionais também afetam os sintomas de abstinência. A 
abstinência desenvolve-se quando as doses são reduzidas ou cessadas, ao passo 
que os sinais e sintomas de intoxicação melhoram (gradualmente, em alguns casos) 
após a cessação das doses. Algumas síndromes de abstinência podem ser tão 
graves a ponto de colocar em risco a vida da pessoa, como é o caso da abstinência 
do álcool e da heroína. 
 
 
27.1 SÍNDROME [ESTADO] DE ABSTINÊNCIA 
 
 
Conjunto de sintomas que se agrupam de diversas maneiras e cuja 
gravidade é variável. Ocorrem quando há uma abstinência absoluta ou relativa de 
uma substância psicoativa consumida de modo prolongado. O início e a evolução da 
síndrome de abstinência são limitados no tempo e dependem da categoria e da dose 
da substância consumida imediatamente antes da parada ou da redução do 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 100 
consumo. A síndrome de abstinência pode se complicar pela ocorrência de 
convulsões. 
 
 
27.2 SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA COM DELIRIUM 
 
 
Estado no qual a síndrome de abstinência se complica com a ocorrência de 
delirium, esse estado pode igualmente comportar convulsões. 
 
 
28 USO ABUSIVO DE DROGAS 
 
 
A característica essencial do Abuso de Substância é um padrão mal-
adaptativo de uso de substância, manifestado por consequências adversas 
recorrentes e significativas relacionadas ao uso repetido da substância. Pode haver 
um fracasso repetido em cumprir obrigações importantes relativas a seu papel, uso 
repetido em situações nas quais isto apresenta perigo físico, múltiplos problemas 
legais e problemas sociais e interpessoais recorrentes. 
Esses problemas devem acontecer de maneira recorrente, durante o mesmo 
período de 12 meses. À diferença dos critérios para Dependência de Substância, os 
critérios para Abuso de Substância não incluem tolerância, abstinência ou um 
padrão de uso compulsivo, incluindo, ao invés disso, apenas as consequências 
prejudiciais do uso repetido. Um diagnóstico de Abuso de Substância é cancelado 
pelo diagnóstico de Dependência de Substância se o padrão de uso da substância 
pelo indivíduo alguma vez já satisfez os critérios para Dependência para esta classe 
de substâncias. 
Embora um diagnóstico de Abuso de Substância seja mais provável em 
indivíduos que apenas recentemente começaram consumir. Alguns indivíduos 
continuam por um longo período de tempo sofrendo as consequências sociais 
adversas relacionadas à substância, sem desenvolverem evidências de 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 101 
Dependência de Substância. A categoria Abuso de Substância não se aplica à 
nicotina e à cafeína. 
O indivíduo pode repetidamente apresentar intoxicação ou outros sintomas 
relacionados à substância, quando deveria cumprir obrigações importantes relativas 
a seu papel no trabalho, na escola ou em casa. Pode haver repetidas ausências ou 
fraco desempenho no trabalho, relacionados a “ressacas” recorrentes. Um estudante 
pode ter ausências, suspensões ou expulsões da escola. Enquanto intoxicado, o 
indivíduo pode negligenciar os filhos ou os afazeres domésticos. A pessoa pode 
apresentar-se repetidamente intoxicada em situações nas quais isto representa 
perigo físico (por ex., ao dirigir um automóvel, operar máquinas ou em 
comportamentos recreativos arriscados, tais como nadar ou praticar montanhismo). 
Podem ser observados problemas legais recorrentes relacionados à 
substância (por ex., detenções por conduta desordeira, agressão e espancamento, 
direção sob influência da substância). O indivíduo pode continuar utilizando a 
substância, apesar de uma história de consequências sociais ou interpessoais 
indesejáveis, persistentes ou recorrentes (por ex., conflito com o cônjuge ou divórcio, 
lutas corporais ou verbais). 
 
 
29 PSICOFÁRMACOS E O PACIENTE IDOSO 
 
 
29.1 DROGAS ANTIPSICÓTICAS 
 
 
Os derivados fenotiazínicos e o haloperidol são muito utilizados em 
pacientes geriátricos no tratamento da esquizofrenia, sintomas associados a delírio 
ou demência, agitação e síndrome paranoide. Essas drogas, especialmente os 
primeiros derivados fenotiazínicos, como a clorpromazina, podem provocar 
hipotensão ortostática no início do tratamento. A posologia dessas drogas deve ser 
reduzida, nos pacientes idosos, por causa do prolongamento da sua meia-vida de 
eliminação. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 102 
 
 
29.2 SAIS DE LÍTIO 
 
 
Estes sais podem ser utilizados em pacientes idosos. Na presença de 
insuficiência renal, sua posologia deve ser ajustada. Os diuréticos tiazídicos 
reduzem o clearance renal dos sais de lítio, o que implica maior redução da sua 
dose. 
 
 
29.3 ANTIDEPRESSIVOS 
 
 
A depressão é um quadro muito comum na velhice. Nem sempre é 
diagnosticada, pois sempre se atribuem à apatia, à falta de relacionamento social e 
a pouca afetividade à demência senil, e não à depressão. Os antidepressivos 
tricíclicos produzem bons resultados nos idosos deprimidos, apesar de estes serem 
mais sensíveis a essas drogas. Na insuficiência renal, os tricíclicos devem ter sua 
posologia ajustada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO III 
M04_Psicofarmacologia.pdf
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 103 
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA 
Portal Educação 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
PSICOFARMACOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aluno: 
 
EaD - Educação a Distância Portal Educação 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 104 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE 
PSICOFARMACOLOGIA 
 
 
 
 
MÓDULO IV 
 
 
 
 
 
 
 
Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este 
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição 
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido 
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 105 
 
 
MÓDULO IV 
 
 
30 MONOGRAFIA DAS PRINCIPAIS DROGAS E MEDICAMENTOS 
PSICOFÁRMACOS 
 
 
30.1 ANSIOLÍTICOS, DISTÚRBIOS DA ANSIEDADE E HIPNÓTICOS 
 
 
30.1.1 Alprazolam 
 
 
Descrição da 
DCB 
ALPRAZOLAM 
Código DCB 00431.01-0 
Descrição da 
DCI (Inglês) 
 ALPRAZOLAM 
Código DCI 3426 
Código CAS 28981-97-7 
Código ATC N05BA12 
NCM - Sistema 
Harmonizado 
2933.91.11 
Nome Químico 
(Inglês) 
8-chloro-1-methyl-6-phenyl-4H-s-triazolo[4,3-
a][1,4]benzodiazepine 
Nome Químico 
(Espanhol) 
8-cloro-1-metil-6-fenil-4H-s-triazolo[4,3-a][1,4]benzodiazepina 
Categoria 
Terapêutica 
Ansiolítico 
Natureza Substância sintética 
Categoria 
Química 
Base 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 106 
Fórmula 
Molecular 
Peso Molecular 308,8 
Fator de Ajuste 
(%) 
100 
Fórmula 
Estrutural
Procedimento 
de Importação 
Procedimento 1 da Resolução RDC nº 1/2003 e de suas 
atualizações 
"Status" do Uso 
Substância de uso permitido no Brasil para fins médicos e 
científicos 
Controle 
Nacional 
 
Lista - B1 (Lista das Substâncias Psicotrópicas) da Portaria SVS/MS nº 
344/98 e de suas atualizações 
Controle 
Internacional 
Lista IV da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 
1971 da Organização das Nações Unidas 
FONTE: Psico-Index, ANVISA, 2003. 
 
Alprazolam 
 
Ações terapêuticas. 
Ansiolítico. 
 
Propriedades. 
O alprazolam, como outras benzodiazepinas, é um potencializador das ações do ácido 
gama-aminobutírico (GABA). A absorção oral é quase completa, o pico plasmático foi observado 
entre a primeira e a segunda hora; a meia-vida plasmática de eliminação é de 12 a 15 horas. As 
doses repetidas podem acumular-se. O alprazolam é biotransformado no fígado em metabólitos 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 107 
inativos que são excretados na urina. 
 
Indicações. 
Ansiedade moderada a grave. Ansiedade associada com depressão. 
 
Dose. 
A dose ótima deve ser individualizada para cada paciente, usando-se a menor dose que 
controle os sintomas. Dose em adultos: 0,25 a 0,5mg, 3 vezes ao dia, até um máximo de 3mg/dia; em 
idosos ou pacientes desnutridos: 0,25mg, 2 a 3 vezes ao dia. Não deve ser utilizado em tratamentos 
prolongados com mais de 4 semanas de duração, a não ser que haja uma indicação médica 
específica. As doses devem ser aumentadas e diminuídas de forma gradual. Para minimizar os riscos 
de dependência, devem ser considerados tratamentos intermitentes. 
 
Reações adversas. 
Sonolência. Sedação. Visão turva. Instabilidade. Ataxia. Diminuição do estado de alerta e da 
performance. Confusão. Amnésia (especialmente em idosos), reações paradoxais com agressividade 
e excitação. Hipotensão, distúrbios gastrintestinais, erupção cutânea, retenção urinária, cefaleias, 
vertigem, alterações na libido, discrasias sanguíneas e icterícia. A síndrome de abstinência e a 
dependência foram relatadas com doses elevadas e durante tratamentos prolongados; a suspensão 
brusca após doses elevadas pode produzir confusão, psicose tóxica e convulsões. A suspensão 
brusca após um tratamento com doses terapêuticas e durante períodos curtos pode apresentar 
sintomas como sono, irritabilidade, diarreia e sudoração. 
 
Precauções. 
Insuficiência pulmonar crônica e insuficiência hepática e renal. Deve-se controlar o 
tratamento com alprazolam em pacientes psicóticos, não sendo indicado como primeira seleção. 
Deve ser cuidadoso o uso em pacientes com depressão grave ou tendência ao suicídio. Gravidez, 
não deve ser utilizada no 1º e 3º trimestres. Lactação. 
 
Interações. 
Seu efeito é potencializado quando usado com outros depressores do SNC e álcool. 
 
Contraindicações. 
Reconhecida hipersensibilidade às benzodiazepinas, insuficiência pulmonar aguda e 
miastenia grave. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 108 
Produtos Comerciais 
 
 FRONTAL 
 TRANQUINAL 
 APRAZ 
 ALTROX 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.1.2 Bromazepam 
 
 
Descrição da 
DCB 
BROMAZEPAM 
Código DCB 01054.01-5 
Descrição da 
DCI(Inglês) 
 BROMAZEPAM 
Código DCI 2692 
Código CAS 1812-30-2 
Código ATC N05BA08 
NCM - Sistema 
Harmonizado 
2933.33.22 
Nome Químico 
(Inglês) 
7-bromo-1,3-dihydro-5-(2-pyridyl)-2H-1,4-benzodiazepin-2-one 
Nome Químico 
(Espanhol) 
7-bromo-1,3-dihidro-5-(2-piridil)-2H-1,4-benzodiacepin-2-ona 
Categoria 
Terapêutica 
Ansiolítico 
Natureza Substância sintética 
Categoria 
Química 
Base 
Fórmula 
Molecular 
Peso Molecular 316,2 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 109 
Fator de Ajuste 
(%) 
100 
Fórmula 
Estrutural 
 
Procedimento 
de Importação 
Procedimento 1 da Resolução RDC nº 1/2003 e de suas 
atualizações 
"Status" do Uso 
Substância de uso permitido no Brasil para fins médicos e 
científicos 
Controle 
Nacional 
 
Lista - B1 (Lista das Substâncias Psicotrópicas) da Portaria SVS/MS nº 
344/98 e de suas atualizações 
Controle 
Internacional 
Lista IV da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 
1971 da Organização das Nações Unidas 
FONTE: Psico-Index, ANVISA, 2003. 
 
Bromazepam 
Ações terapêuticas. 
Ansiolítico. 
 
Propriedades. 
O bromazepam é uma benzodiazepina com estrutura molecular composta por anéis 
benzênicos acoplados a um anel diazepínico e um átomo de bromo em um dos anéis benzênicos. O 
bromazepam é absorvido com rapidez e de forma total pela mucosa gastrintestinal e alcança o pico 
de concentração plasmática entre 1 e 4 horas. Logo após sua absorção é gerada uma distribuição 
"rápida" inicial seguida de uma redistribuição "mais lenta" por tecidos menos perfundidos (tecido 
gorduroso). O bromazepam, como outras benzodiazepinas, é altamente lipofílico e passa com 
facilidade a barreira hematoencefálica. Liga-se às proteínas plasmáticas, em especial à albumina, em 
70%. Sua biotransformação ocorre em nível hepático, primeiro por reações oxidantes, para gerar 
metabólitos ativos (3-hidroxibromazepam) e inativos (3-hidroxibenzoilpiridina), e em seguida por 
reações de conjugação com ácido glicurônico (metabólitos inativos) que são posteriormente 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 110 
excretados por via renal. A meia-vida de eliminação do bromazepam e seus metabólitos é de 12 
horas. Está classificado, portanto, no grupo de benzodiazepinas de meia-vida curta intermediária. 
Dado que os processos de oxidação hepática podem ser influenciados pela idade avançada, as 
hepatopatias ou coadministração de outros fármacos que possam estimular ou inibir a capacidade de 
oxidação do fígado, o bromazepam deve ser indicado com cuidado em pacientes idosos e naqueles 
com insuficiência hepática acentuada. 
 
Indicações. 
Ansiedade, angústia, obsessão, compulsões, fobias e hipocondria. Tratamento das reações 
emocionais provocadas por situações conflitantes e de estresse. 
 
Dose. 
Pacientes em tratamento ambulatorial: 1,5mg três vezes ao dia. Casos graves: de 3 a 12mg, 
2 a 3 vezes ao dia. As doses recomendadas são aproximadas e devem ser adaptadas caso a caso. 
Ao cabo de 3 a 6 semanas e conforme a evolução é possível reduzir de forma lenta a dose para 
posteriormente suspender o tratamento. 
 
 
Reações adversas. 
É bem tolerado, inclusive em doses altas que as terapêuticas. Em pacientes, idosos ou 
debilitados é recomendado dosar de forma mais cuidadosa, dada a sensibilidade variável destes 
pacientes aos fármacos psicotrópicos. O uso de bromazepam pode causar dependência física ou 
psíquica, que ocorre após a administração ininterrupta durante longo tempo. Sua suspensão pode 
causar inquietude, ansiedade e insônia. 
 
Precauções. 
Não é recomendada a interrupção do tratamento de forma brusca e sim gradualmente. Os 
pacientes devem evitar a ingestão de álcool. O bromazepam pode modificar as reações do pacientes 
(habilidade em dirigir; comportamento) de forma variável, conforme a dose empregada, a 
administração e a idiossincrasia individual. 
 
Interações. 
O uso simultâneo de outros depressores do SNC, como neurolépticos, tranquilizantes, 
antidepressivos, hipnóticos, analgésicos e anestésicos,
pode aumentar seu efeito sedativo, o que em 
alguns casos pode ser utilizado terapeuticamente. 
 
Contraindicações. 
Miastenia grave. A relação risco-benefício deverá ser avaliada durante a gravidez e o 
período de lactação. Hipersensibilidade às benzodiazepinas. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 111 
 
Produtos Comerciais 
 
 BROZEPAX 
 DEPTRAN 
 LEXOTAM 
 NERVIUM 
 NOVAZEPAM 
 SOMALIUM 
 SULPAM 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.1.3 Clobazam 
 
 
Descrição da 
DCB 
CLOBAZAM 
Código DCB 01760.01-7 
Descrição da 
DCI(Inglês) 
 CLOBAZAM 
Código DCI 3055 
Código CAS 22316-47-8 
Código ATC N05BA09 
NCM - Sistema 
Harmonizado 
2933.72.10 
Nome Químico 
(Inglês) 
7-chloro-1-methyl-5-phenyl-1H-1,5-benzodiazepine-2,4(3H,5H)-
dione 
Nome Químico 
(Espanhol) 
7-cloro-1-metil-5-fenil-1H-1,5-benzodiazepin-2,4(3H,5H)-diona 
Categoria 
Terapêutica 
Ansiolítico 
Anticonvulsivante 
Natureza Substância sintética 
Categoria Base 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 112 
Química 
Fórmula 
Molecular 
Peso Molecular 300,7 
Fator de Ajuste 
(%) 
100 
Fórmula 
Estrutural 
 
Procedimento 
de Importação 
Procedimento 1 da Resolução RDC nº 1/2003 e de suas 
atualizações 
"Status" do 
Uso 
Substância de uso permitido no Brasil para fins médicos e 
científicos 
Controle 
Nacional 
 
Lista - B1 (Lista das Substâncias Psicotrópicas) da Portaria SVS/MS nº 
344/98 e de suas atualizações 
Controle 
Internacional 
Lista IV da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971 
da Organização das Nações Unidas 
FONTE: Psico-Index, ANVISA, 2003. 
 
 
Clobazam 
Ações terapêuticas. 
Tranquilizante. Ansiolítico. 
 
Propriedades. 
sedante tranquilizante e neurodepressor central. Seu mecanismo de ação é similar ao restante dos 
derivados benzodiazepínicos, sobre o receptor específico das membranas neuronais para 
potencializar a inibição gabaérgica [facilita a atividade neurodepressora do neurotransmissor ácido 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 113 
gama aminobutínico (GABA)]. Também diminui a atividade das vias noradrenérgicas, 
serotoninérgicas e colinérgicas, que são ativadas em situações de medo, temor e ansiedade. É 
administrada por via oral, tendo uma lenta absorção digestiva e ampla biodisponibilidade. Sofre 
biotransformação hepática com hidroxilação e posterior desmetilação, sem gerar fenômenos de 
indução enzimática ao nível microssômico sobre outras drogas. Este fenômeno é observado em seu 
próprio metabolismo, como demonstram seus menores níveis em terapias prolongadas. 
 
Indicações. 
Transtornos por ansiedade. Ansiedade associada com depressão mental. Sintomas de 
supressão alcoólica aguda. Insônia por ansiedade ou situações passageiras de estresse. 
 
Dose. 
Um total de 30mg por dia, divididos a cada 8 horas (10mg, 3 vezes por dia). 
 
Precauções. 
Evitar o consumo de álcool ou de outros depressores do SNC durante o tratamento. Ter 
precaução com idosos, principalmente se ocorrer sonolência, enjoos, torpeza ou instabilidade. A 
administração IV muito rápida pode ocasionar apneia, hipotensão, bradicardia ou parada cardíaca. A 
relação risco-benefício deverá ser avaliada para a administração durante a gravidez, posto que 
atravesse a placenta e pode originar depressão do SNC no neonato. Uma vez que se excreta no leite 
materno, durante o período de lactação pode ocasionar sedação no recém-nascido, dificuldade na 
alimentação e perda de peso. 
 
Interações. 
O uso de antiácidos pode retardar, mas não diminui a absorção; a administração prévia de 
clobazam pode diminuir a dose necessária de um derivado da fentanila para induzir anestesia. O uso 
simultâneo com levodopa pode diminuir os efeitos terapêuticos desta droga. A escopolamina, junto 
com lorazepam parenteral, pode aumentar a incidência de sedação, alucinação e comportamento 
irracional. 
 
Contraindicações. 
A relação risco-benefício deverá ser avaliada na presença de intoxicação alcoólica aguda, 
coma ou choque, antecedentes de abuso ou dependência de drogas, glaucoma de ângulo fechado, 
disfunção hepática ou renal, hipoalbuminemia, depressão mental grave, miastenia grave, porfiria, 
psicose e doença pulmonar obstrutiva crônica grave. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 114 
Produtos Comerciais 
 
 FRIZIUM 
 URBANIL 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.1.4 Clordiazepóxido 
 
 
Descrição da 
DCB 
CLORDIAZEPÓXIDO 
Código DCB 01848.01-1 
Descrição da 
DCI(Inglês) 
 CHLORDIAZEPOXIDE 
Código DCI 1049 
Código CAS 58-25-3 
Código ATC N05BA02 
NCM - Sistema 
Harmonizado 
2933.91.15 
Nome Químico 
(Inglês) 
7-chloro-2-(methylamino)-5-phenyl-3H-1,4-benzodiazepine-4-
oxide 
Nome Químico 
(Espanhol) 
7-cloro-2-(metilamino)-5-fenil-3H-1,4-benzodiazepin-4-óxido 
Categoria 
Terapêutica 
Ansiolítico 
Natureza Substância sintética 
Categoria 
Química 
Base 
Fórmula 
Molecular 
Peso Molecular 299,8 
Fator de Ajuste 
(%) 
100 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 115 
Fórmula 
Estrutural 
 
Procedimento 
de Importação 
Procedimento 1 da Resolução RDC nº 1/2003 e de suas 
atualizações 
"Status" do 
Uso 
Substância de uso permitido no Brasil para fins médicos e 
científicos 
Controle 
Nacional 
 
Lista - B1 (Lista das Substâncias Psicotrópicas) da Portaria SVS/MS nº 
344/98 e de suas atualizações 
Controle 
Internacional 
Lista IV da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971 
da Organização das Nações Unidas 
FONTE: Psico-Index, ANVISA, 2003. 
 
 
Clordiazepóxido 
Ações terapêuticas. 
Ansiolítico, sedante hipnótico. 
 
Propriedades. 
As benzodiazepinas atuam, em geral, como depressores do SNC. Produzem todos os níveis 
de depressão, desde uma leve sedação até hipnose, conforme a dose. Foram propostos vários 
mecanismos de ação para as benzodiazepinas; calcula-se que, após interatuarem com um receptor 
neuronal específico de membrana, potencializam ou facilitam a ação inibidora do neurotransmissor 
ácido gama aminobutírico (GABA), mediador da inibição tanto a nível pré-sináptico como pós-
sináptico em todas as regiões do SNC. Calcula-se que estimulam os receptores GABA no sistema 
reticular ativador ascendente, com aumento da inibição e bloqueio da excitação cortical e límbica 
após estimular a formação reticular do talo cerebral. É bem absorvido no trato gastrintestinal. Após a 
administração IM a absorção é lenta e errática, e sua união às proteínas é muito alta. Metaboliza-se 
no fígado; sua meia-vida é longa, 5 a 30 horas, e seus metabólitos ativos são demoxepam, 
desmetildiazepam, oxazepam e desmetilclordiazepóxido. É excretado por via renal. É uma 
benzodiazepina de meia-vida longa. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 116 
Indicações. 
Tratamento da ansiedade em curto prazo, sintomas de supressão alcoólica aguda (agitação, 
tremor, delirium tremens e alucinações) e como coadjuvante da anestesia. 
 
Dose. 
Adultos: 5 a 25mg 3 a 4 vezes ao dia. Sedante hipnótico - privação alcoólica: 50 a 100mg 
repetidos conforme a necessidade, até 300mg/dia; reduzir
logo a dose até os níveis de manutenção. 
Pacientes debilitados: 5mg 2 a 4 vezes ao dia; aumentar a dose conforme a necessidade e tolerância. 
Doses geriátricas: 5mg 2 a 4 vezes ao dia. Ampolas: IM ou IV, 50 a 100mg e, se necessário, 25 a 
50mg 3 a 4 vezes ao dia. Pré-operatório: IM, 50 a 100mg uma hora antes da cirurgia. Em pacientes 
debilitados, a dose deve ser reduzida para 25mg a 50mg/dose. 
 
Reações adversas. 
Sinais de superdosagem que requerem atenção médica: confusão contínua, sonolência 
grave, agitação, bradicardia, balbuciação, tonturas e debilidade grave. São de rara incidência e 
menos frequentes: confusão, convulsões, náuseas ou vômitos, sudoração e tremores. Os sintomas 
de privação são mais comuns em pacientes que tenham recebido doses excessivas durante um 
período prolongado. Pode ocorrer sonolência, torpeza e instabilidade. 
 
Precauções. 
Os pacientes de idade avançada, debilitados ou crianças com disfunção renal ou hepática 
devem receber uma dose inicial reduzida, pois pode haver diminuição da eliminação das 
benzodiazepinas. Após a administração parenteral, deve manter-se o paciente em observação por 
um período de até 3 horas. Evitar o consumo de álcool e de outros depressores do SNC. O 
clordiazepóxido atravessa a placenta, devendo-se, portanto, avaliar a relação risco-benefício durante 
a gravidez e a lactação, já que pode provocar sedação no recém-nascido, dificuldades de 
alimentação e perda de peso. As crianças, principalmente as menores, são mais sensíveis aos efeitos 
sobre o SNC. Em neonatos pode ocorrer depressão prolongada do SNC devido à incapacidade para 
biotransformar as benzodiazepinas em metabólitos. 
 
Interações. 
Os medicamentos que produzem depressão do SNC podem aumentar esse efeito do 
clordiazepóxido. O uso de antiácidos pode retardar, porém não diminuir, a absorção de 
clordiazepóxido. A cimetidina pode inibir o metabolismo hepático e provocar um aumento nas 
concentrações plasmáticas. A cetamina, especialmente em altas doses ou quando administrada de 
forma rápida, pode aumentar o risco da hipotensão ou depressão respiratória. Pode diminuir o efeito 
terapêutico da levodopa. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 117 
 
Contraindicações. 
A relação risco-benefício deve ser avaliada na presença de intoxicação alcoólica, coma ou 
choque, antecedentes de abuso ou dependência de drogas, glaucoma de ângulo fechado, disfunção 
hepática, hipercinesia, hipoalbuminemia, depressão mental grave, miastenia grave, porfiria, psicose, 
disfunção renal. 
 
Produtos Comerciais 
 
PSICOSEDIN - (FARMASA) 
Clordiazepóxido 
Ansiolítico. 
 
Composição. 
Cada comprimido contém: clordiazepóxido 10mg e 25mg. Cada frasco-ampola de solução 
injetável contém: clordiazepóxido 100mg. 
 
Apresentações. 
Comp. cx. c/20 de 10mg e 25mg. Inj. fr. amp. emb. c/25 + solvente IM. 
 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.1.5 Estazolam 
 
 
Descrição da 
DCB 
ESTAZOLAM 
Código DCB 02786.01-0 
Descrição da 
DCI(Inglês) 
 ESTAZOLAM 
Código DCI 3611 
Código CAS 29975-16-4 
Código ATC N05CD04 
NCM - Sistema 2933.91.23 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 118 
Harmonizado 
Nome Químico 
(Inglês) 
8-chloro-6-phenyl-4H-s-triazolo[4,3-a][1,4]benzodiazepine 
Nome Químico 
(Espanhol) 
8-cloro-6-fenil-4H-s-triazolo[4,3-a][1,4]benzodiazepina 
Categoria 
Terapêutica 
Hipnótico 
Sedativo 
Natureza Substância sintética 
Categoria 
Química 
Base 
Fórmula 
Molecular 
Peso Molecular 294,8 
Fator de Ajuste 
(%) 
100 
Procedimento de 
Importação 
Procedimento 1 da Resolução RDC nº 1/2003 e de suas 
atualizações 
"Status" do Uso 
Substância de uso permitido no Brasil para fins médicos e 
científicos 
Controle 
Nacional 
 
Lista - B1 (Lista das Substâncias Psicotrópicas) da Portaria SVS/MS nº 
344/98 e de suas atualizações 
Controle 
Internacional 
Lista IV da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 
1971 da Organização das Nações Unidas 
FONTE: Psico-Index, ANVISA, 2003. 
 
Estazolam 
 
Ações terapêuticas. 
Hipnótico. 
 
Propriedades. 
É uma triazolobenzodiazepina útil como hipnótico por via oral. 93% do fármaco ligam-se a 
proteínas plasmáticas. Sua farmacocinética está submetida a grandes variações interindividuais e 
responde a uma cinética linear. O pico plasmático aparece em indivíduos sadios em 
aproximadamente duas horas (faixa de 0,5 a 6,0 horas) e a faixa de meias-vidas de eliminação 
C16H11ClN4 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 119 
estimada para o estazolam vai de 10 a 24 horas. O clearance é acelerado em fumantes. 
 
Indicações. 
Insônia de diferentes etiologia e intensidade. 
 
Dose. 
Administrar 1mg imediatamente antes de deitar-se. Em idosos é aconselhável uma dose de 
0,5mg. 
 
Superdose. 
Pode provocar sonolência, depressão respiratória, confusão, falhas na coordenação e 
coma. Para seu tratamento induzir ao vômito e lavagem gástrica imediata. A manutenção da 
ventilação é essencial. Os sinais vitais devem ser monitorados e devem-se administrar líquidos para 
manter a pressão sanguínea e estimular a diurese. 
 
Reações adversas. 
Sonolência, vertigem, cefaleia, hipocinesia, tonturas e instabilidade, desorientação matinal, 
astenia, secura da boca. 
 
Precauções. 
Não operar máquinas pesadas, dirigir ou realizar outras atividades perigosas que requeiram 
alerta mental total. Podem ocorrer amnésia e reações paradoxais (agitação, excitação). O estazolam 
pode provocar dependência, por isso com a retirada abrupta do fármaco podem ocorrer sintomas 
característicos como disforia moderada, insônia e, em casos mais graves, uma síndrome que pode 
incluir câimbras abdominais e musculares, vômitos, sudorese, tremores e convulsões. Evitar 
administrar a mulheres jovens que possam ficar grávidas ou que amamentam. 
 
Interações. 
A ação dos fármacos tipo benzodiazepinas, como o estazolam, pode ser potenciada por 
anticonvulsivantes, anti-histamínicos, álcool, barbitúricos, inibidores da monoamino oxidase, 
narcóticos, fenotiazinas, psicotrópicos e qualquer outro que provoque depressão do sistema nervoso 
central. 
 
Contraindicações. 
Gravidez pode ocorrer dano fetal e má-formação com a administração de fármacos tipo 
benzodiazepina. O estazolam, administrado nas últimas semanas de gravidez, provoca dependência 
e sintomas de retirada do fármaco. Miastenia grave, insuficiência respiratória severa. 
Hipersensibilidade ao fármaco. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 120 
Produtos Comerciais 
 
NOCTAL - (ABBOTT) Composição. 
Cada comprimido contém: estazolam 2mg, excipiente q.s.p. Apresentações: Comp. emb. 
c/20. Laboratório: Abbott Laboratórios do Brasil Ltda. 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.1.6 Flunitrazepam 
 
 
Descrição da 
DCB 
FLUNITRAZEPAM 
Código DCB 03213.01-3 
Descrição da 
DCI(Inglês) 
 FLUNITRAZEPAM 
Código DCI 2951 
Código CAS 1622-62-4 
Código ATC N05CD03 
NCM - Sistema 
Harmonizado 
2933.91.32 
Nome Químico 
(Inglês) 
5-(o-fluorophenyl)-1,3-dihydro-1-methyl-7-nitro-2H-1,4-
benzodiazepin-2-one 
Nome Químico 
(Espanhol) 
5-(o-fluorofenil)-1,3-dihidro-1-metil-7-nitro-2H-1,4-
benzodiazepin-2-ona 
Categoria
Terapêutica 
Hipnótico 
Sedativo 
Natureza Substância sintética 
Categoria 
Química 
Base 
Fórmula 
Molecular 
Peso Molecular 313,3 
Fator de Ajuste 100 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 121 
(%) 
Fórmula 
Estrutural 
 
Procedimento 
de Importação 
Procedimento 1 da Resolução RDC nº 1/2003 e de suas 
atualizações 
"Status" do Uso 
Substância de uso permitido no Brasil para fins médicos e 
científicos 
Controle 
Nacional 
 
Lista - B1 (Lista das Substâncias Psicotrópicas) da Portaria SVS/MS nº 
344/98 e de suas atualizações 
Controle 
Internacional 
Lista III da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971 
da Organização das Nações Unidas 
FONTE: Psico-Index, ANVISA, 2003. 
 
Flunitrazepam 
 
Ações terapêuticas. 
Hipnótico. 
 
Propriedades. 
É uma benzodiazepina fluorada que desenvolve uma ação hipnótica rápida e efetiva. Por via 
oral seu efeito começa de 15 a 30 minutos após a administração e a duração do sono é de 6 a 8 
horas. Seu mecanismo de ação é devido à facilitação e potenciação do efeito inibitório mediado pelo 
ácido gama-aminobutírico (GABA), ao se fixar em sítios específicos do SNC (receptor GABA-
benzodiazepínico) com uma afinidade que está estreitamente relacionada com a potência 
neurodepressora. Suas qualidades como indutor da anestesia são aproveitáveis quando administrado 
por via intravenosa. Possui uma biodisponibilidade oral de 85% e sua meia-vida é de 15  5 horas. 
Seu metabólito ativo é o dimetilflunitrazepam. 
 
Indicações. 
Hipnótico. Indução da anestesia. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 122 
 
Dose. 
Como hipnótico: adultos, 1 a 2mg imediatamente antes de se deitar, dose máxima 6mg; 
idosos, 0,5 a 1mg, dose máxima 3mg. Como pré-medicação anestésica: 1 a 2mg via IM. Como 
indutor da anestesia: 1 a 2mg em injeção IV lenta (1mg cada 30 segundos). Para manutenção da 
anestesia: injeção lenta de doses adequadas para manter o efeito desejado. Em crianças, a dose 
recomendada para indução e pré-medicação anestésica é de 0,015 a 0,030mg/kg. 
 
Superdose. 
Não há antídoto específico. Aparece sonolência, confusão mental, coma, depressão 
respiratória e da atividade reflexa. Tratamento: assistência respiratória, tratamento sintomático e 
reidratação. 
 
Reações adversas. 
Fadiga, hipotonia muscular e embotamento (hangover) que podem aparecer com doses 
acima de 4mg. Amnésia temporária, amnésia anterógrada após a injeção. Reações paradoxiais 
(raras): excitação aguda, alteração do sono, ansiedade, alucinações. Por via parenteral produz uma 
leve diminuição da pressão arterial. 
 
Precauções. 
Ingerir o medicamento imediatamente antes de se deitar. Durante o tratamento o paciente 
deve abster-se de operar maquinaria pesada ou conduzir veículos. Os pacientes idosos podem 
responder de maneira exacerbada ou paradoxal ao flunitrazepam. Administrar com precaução a 
pacientes com insuficiência hepática ou renal e glaucoma. Não consumir álcool. O flunitrazepam pode 
intensificar a depressão respiratória. Por não existirem provas conclusivas, recomenda-se não utilizar 
em mulheres grávidas a menos que o benefício para a mãe supere o risco potencial para o feto. A 
lactação deve ser suspensa. 
 
Interações. 
Com IMAO, fenotiazinas e outros psicotrópicos. Álcool: sinergismo. Potencializa o efeito de 
hipnoindutores, neurolépticos, tranquilizantes, antidepressivos, anestésicos e analgésicos. A 
cimetidina pode inibir o metabolismo hepático e provocar um retardo na sua eliminação. As 
benzodiazepinas podem diminuir os efeitos terapêuticos da levodopa, e a rifampicina potenciar a 
eliminação do flunitrazepam. 
 
Contraindicações. 
Hipersensibilidade às benzodiazepinas. Miastenia gravis, gravidez, glaucoma, insuficiência 
respiratória grave. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 123 
Produtos Comerciais 
 
 FLUZERIM 
 ROHYPNOL 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.1.7 Flurazepam 
 
 
Descrição da 
DCB 
 FLURAZEPAM 
Código DCB 03251.01-2 
Descrição da 
DCI(Inglês) 
 FLURAZEPAM 
Código DCI 2551 
Código CAS 17617-23-1 
Código ATC N05CD01 
NCM - Sistema 
Harmonizado 
 2933.91.33 
Nome Químico 
(Inglês) 
 
7-chloro-1-[2-(diethylamino)ethyl]-5-(o-fluorophenyl)-1,3-dihydro-2H-
1,4-benzodiazepin-2-one 
Nome Químico 
(Espanhol) 
 
7-cloro-1-[2-(dietilamino)etil]-5-(o-fluorofenil)-1,3-dihidro-2H-1,4-
benzodiazepin-2-ona 
Categoria 
Terapêutica 
 
Hipnótico 
Sedativo 
Natureza Substância sintética 
Categoria 
Química 
 Base 
Fórmula 
Molecular 
 
 
Peso Molecular 387,9 
Fator de Ajuste 
(%) 
 100 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 124 
Fórmula 
Estrutural 
 
 
Procedimento de 
Importação 
 
Procedimento 1 da Resolução RDC nº 1/2003 e de suas 
atualizações 
"Status" do Uso 
Substância de uso permitido no Brasil para fins médicos e 
científicos 
Controle 
Nacional 
 
 
Lista - B1 (Lista das Substâncias Psicotrópicas) da Portaria SVS/MS nº 
344/98 e de suas atualizações 
Controle 
Internacional 
 
Lista IV da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971 da 
Organização das Nações Unidas 
FONTE: Psico-Index, ANVISA, 2003. 
 
Flurazepam 
 
Ações terapêuticas. 
Hipnótico. 
 
Propriedades. 
Pertence quimicamente ao grupo dos benzodiazepínicos. Seu efeito evidencia-se por redução 
significativa do tempo de latência para conciliar o sono, mantendo-o sem interrupções por períodos de 7 a 8 
horas. Sua meia-vida é de 2,3 horas e sua metabolização hepática origina metabólitos ativos como o 
desalquilflurazepam (meia-vida entre 30 e 200 horas) e o N-1-hidroxietilflurazepam (meia-vida de 2 a 4 
horas). Seu equilíbrio cinético plasmático é alcançado em 7-10 dias. A eliminação renal é lenta. 
 
Indicações. 
Insônia de diferentes tipos e intensidade. Dificuldade para conciliar o sono, despertares noturnos 
frequentes e/ou matutinos muito cedo. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 125 
Dose. 
Por via oral, em dose única de 15mg a 30mg/dia, ao deitar-se. Em pacientes debilitados ou 
geriátricos, recomenda-se começar com 15mg e depois ajustar a dose se necessário. Não foi estabelecida 
a dose para crianças menores de 15 anos. 
 
Superdose. 
Sonolência, confusão e enjoos. Recomendam-se imediata lavagem gástrica e tratamento 
sintomático. 
 
Reações adversas. 
Pode provocar sonolência diurna. Raramente observam-se confusão, depressão mental, 
câimbras, visão turva, irritabilidade, obstipação, diarreia, sensação de enjoo, boca seca, dor de cabeça, 
náuseas e vômitos. 
 
Precauções. 
Evitar funções em que a falta de atenção aumenta o risco de acidentes (operar máquinas 
pesadas, dirigir automóveis etc.). Não consumir álcool nem outros depressores do SNC durante o 
tratamento. Ocorrência da síndrome de abstinência por suspensão abrupta do fármaco. O seu uso 
prolongado pode levar a dependência física e psíquica. Não utilizar durante a gravidez (risco de 
teratogenia) e o aleitamento. O flurazepam atravessa a placenta e atua sobre o SNC do feto. 
 
Interações. 
Fármacos que causam sinergismo, em especial os depressores do SNC que levam a 
dependência (aumentam o risco de dependência). 
 
Contraindicações.
Hipersensibilidade ao flurazepam ou a outros benzodiazepínicos. Pacientes com glaucoma de 
ângulo fechado. 
 
Produtos Comerciais 
 
DALMADORM - (ROCHE) Composição: Cada comprimido ranhurado contém: Flurazepam 30mg. 
Apresentações: Comp. cx. c/20. Laboratório: Prod. Roche Químicos e Farmacêuticos S.A. 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 126 
 
 
30.1.8 Lorazepam 
 
 
Descrição da 
DCB 
LORAZEPAM 
Código DCB 04217.01-2 
Descrição da 
DCI(Inglês) 
 LORAZEPAM 
Código DCI 2809 
Código CAS 846-49-1 
Código ATC N05BA06 
NCM - Sistema 
Harmonizado 
2933.91.42 
Nome Químico 
(Inglês) 
7-chloro-5-(2-chlorophenyl)-1,3-dihydro-3-hydroxy-2H-1,4-
benzodiazepin-2-one 
Nome Químico 
(Espanhol) 
7-cloro-5-(2-clorofenil)-1,3-dihidro-3-hidroxi-2H-1,4-
benzodiazepin-2-ona 
Categoria 
Terapêutica 
Ansiolítico 
Anticonvulsivante 
Natureza Substância sintética 
Categoria 
Química 
Base 
Fórmula 
Molecular 
Peso Molecular 321,2 
Fator de Ajuste 
(%) 
100 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 127 
Fórmula Estrutural 
 
Procedimento de 
Importação 
Procedimento 1 da Resolução RDC nº 1/2003 e de suas 
atualizações 
"Status" do Uso 
Substância de uso permitido no Brasil para fins médicos e 
científicos 
Controle Nacional 
 
Lista - B1 (Lista das Substâncias Psicotrópicas) da Portaria SVS/MS nº 
344/98 e de suas atualizações 
Controle Internacional 
Lista IV da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971 
da Organização das Nações Unidas 
FONTE: Psico-Index, ANVISA, 2003. 
 
Lorazepam 
 
Ações terapêuticas. 
Benzodiazepínico de ação sistêmica. Ansiolítico. Sedativo/hipnótico. Relaxante do 
musculoesquelético. 
 
Propriedades. 
Atua geralmente como depressor do SNC em todos os seus níveis, dependendo da dose. 
Embora seu mecanismo exato de ação não seja conhecido, ao que parece, após interagir com um 
receptor específico da membrana neuronal, potencializa ou facilita a ação inibidora do 
neurotransmissor ácido gama-aminobutírico (GABA), mediador da inibição no nível pré-sináptico e 
pós-sináptico em todas as regiões do SNC. É bem absorvido no trato gastrintestinal e após a 
administração por via IM a absorção é rápida e completa. O lorazepam tem meia-vida de curta a 
intermediária e o início da ação, após a administração oral, evidencia-se entre 15 e 45 minutos. Sua 
união às proteínas é alta; metaboliza-se no fígado e é eliminado por via renal. 
 
Indicações. 
Distúrbios por ansiedade. Ansiedade associada com depressão mental. Sintomas de 
supressão alcoólica aguda. Insônia por ansiedade ou situação passageira de estresse. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 128 
 
Dose. 
Adultos, ansiolítico: 1 a 3mg 2 a 3 vezes ao dia. Sedativo hipnótico: 2 a 4mg como dose 
única ao deitar. Em pacientes idosos: 1 a 2mg ao dia em doses fracionadas, com aumento da dose 
conforme a tolerância e necessidade. Ampolas  via IM: 0,05mg/kg até um máximo de 4mg. Via IV  
inicial: 0,044mg/kg ou 1 dose total de 2mg. 
 
Reações adversas. 
Os pacientes geriátricos e debilitados; as crianças e os pacientes com doença hepática são 
mais sensíveis aos efeitos dos benzodiazepínicos no SNC. A administração parenteral pode 
ocasionar apneia, hipotensão, bradicardia ou parada cardíaca. São de incidência mais frequente: 
torpor ou instabilidade, sonolência, cansaço ou debilidade não habituais. Raramente se observam: 
confusão (por intolerância), debilidade muscular, visão turva ou outros distúrbios de visão, 
constipação, náuseas ou vômitos. São sinais de superdosagem que requerem atenção médica: 
confusão contínua, sonolência grave, agitação, bradicardia, cambaleios e debilidade grave. 
 
Precauções. 
Evitar o consumo de álcool ou de outros depressores do SNC durante o tratamento. Ter 
precaução com os idosos, principalmente se ocorrer sonolência, enjoos, torpor ou instabilidade. A 
administração IV muito rápida pode produzir apneia, hipotensão, bradicardia ou parada cardíaca. A 
relação risco-benefício deve ser avaliada para administração durante a gravidez, uma vez, que 
atravessa a placenta e pode originar depressão do SNC no neonato. Devido ao fato de excretar-se no 
leite materno, durante o período de lactação pode produzir sedação no recém-nascido, dificuldades 
na alimentação e perda de peso. 
 
Interações. 
O uso de antiácidos pode retardar, porém não diminuir, a absorção; a administração prévia 
de lorazepam pode diminuir a dose necessária de um derivado da fentanila para induzir anestesia. O 
uso simultâneo com levodopa pode diminuir os efeitos terapêuticos desta droga. A escopolamina 
junto com lorazepam parenteral pode aumentar a incidência de sedação, alucinação e 
comportamento irracional. 
 
Contraindicações. 
A relação risco-benefício deve ser avaliada na presença de intoxicação alcoólica grave, 
coma ou choque, antecedentes de abuso ou dependência de drogas, glaucoma de ângulo fechado, 
disfunção hepática ou renal, hipoalbuminemia, depressão mental grave, miastenia grave, porfiria, 
psicose e doença pulmonar obstrutiva crônica grave. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 129 
Produtos Comerciais 
 
 LORIUM 
 LORAX 
 MESMERIN 
 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
 
 
30.1.9 Zolpidem 
 
 
Descrição da 
DCB 
ZOLPIDEM 
Código DCB 07292.01-5 
Descrição da 
DCI(Inglês) 
ZOLPIDEM 
Código DCI 5741 
Código CAS 82626-48-0 
Código ATC N05CF02 
NCM - 
Sistema Harmonizado 
2933.99.99 
Nome 
Químico (Inglês) 
N,N,6-trimethyl-2-(4-methylphenyl)-imidazo[1,2-a]pyridine-3-
acetamide 
Nome 
Químico (Espanhol) 
N,N,6-trimetil-2-(4-metilfenil)-imidazo[1,2-a]piridina-3-acetamida 
Categoria 
Terapêutica 
Hipnótico 
Natureza Substância sintética 
Categoria 
Química 
Base 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 130 
Fórmula 
Molecular 
Peso 
Molecular 
307,4 
Fator de 
Ajuste (%) 
100 
Fórmula 
Estrutural 
 
Procedimento 
de Importação 
Procedimento 1 da Resolução RDC nº 1/2003 e de suas 
atualizações 
"Status" do 
Uso 
Substância de uso permitido no Brasil para fins médicos e 
científicos 
Controle 
Nacional 
 
Lista - B1 (Lista das Substâncias Psicotrópicas) da Portaria SVS/MS nº 
344/98 e de suas atualizações 
Controle 
Internacional 
Lista IV da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971 
da Organização das Nações Unidas 
FONTE: Psico-Index, ANVISA, 2003. 
 
Zolpidem 
 
Ações terapêuticas. 
Hipnótico não benzodiazepínico. 
 
Propriedades. 
O zolpidem é um hipnótico sintético do grupo das imidazopiridinas. Trata-se de um agente 
clinicamente seletivo, característica esta atribuível ao seu caráter agonista dos receptores omega-1. 
O zolpidem demonstrou possuir uma absorção rápida e boa quando administrado por via oral a 
voluntários sãos. Sua biodisponibilidade absoluta é de 70% para doses de 5 a 20mg. Após 45 
minutos de sua administração encontram-se 80 a 90% das doses no SNC; possui, além disso, grande 
afinidade com os tecidos granulares e lipídicos. A união às proteínas plasmáticas é alta e a fração 
livre é de aproximadamente 8,1% nas pessoas sãs, de 11%
nos pacientes com cirrose hepática e de 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 131 
15% nos urêmicos crônicos. A biotransformação do zolpidem segue 4 vias principais e, como 
resultado final, obtêm-se 10 metabólitos inativos. 1) Oxidação do grupo fenil, cujo resultado é um 
ácido carboxílico denominado metabólito 1 (responsável pela metabolização de aproximadamente 
51,5% da dose). O metabólito resultante é eliminado pela urina. 2) Oxidação do grupo 
imidazopiridínico com formação de outro ácido carboxílico, produto denominado metabólito 
II.Metaboliza 11,5% da dose administrada. 3) Oxidação do grupo amida. Esta via metabólica não foi 
encontrada em seres humanos. 4) Hidroxilação do grupo imidazopiridínico cujo resultado é o 
metabólito X, encontrado somente nos seres humanos. Metaboliza 10% da dose administrada. Após 
a administração de 8mg por via intravenosa, a meia-vida de eliminação (V½) de zolpidem em 
voluntários sãos é de aproximadamente 1 hora e 40 minutos, (de 1½ a 2¼ horas) no primeiro dia e de 
1 hora e 50 minutos após 15 dias de administração diária de 20mg por via oral (3,27). Entre 79% e 
96% da dose aparecem em forma de metabólitos inativos na bile, fezes e urina; a eliminação renal é 
de 48% a 67% da dose oral dentro das primeiras 24 horas. 
 
Indicações. 
Insônia de qualquer etiologia. 
 
Dose. 
10mg ao deitar. Em pessoas com menos de 65 anos a dose inicial do tratamento é de 10mg 
por via oral em dose noturna. Se esta for ineficiente, pode ser aumentada para 15 ou 20mg. Em 
maiores de 65 anos a dose inicial é de 5mg, sendo o máximo 10mg. 
 
Reações adversas. 
A incidência de efeitos adversos foi de 6% em pacientes que receberam uma dose de 10mg 
e de 23,3% nos que receberam 20mg. As mais frequentes são: enjoos e vertigem 5,2%, sonolência 
5,2%, cefaleias 3%, náuseas e vômitos 2,5%, fadiga 2,4%, dificuldades amnésicas 1,8%, pesadelos 
1,6%, confusão 1,6%, "hang-over" 1,4%, depressão 1,2%, dores gastrintestinais 1,1% e secura da 
boca 1,1%. 
 
Precauções. 
Recomenda-se a redução da dose em pacientes com doença hepática ou renal até obter 
um equilíbrio ótimo entre hipnose e efeitos adversos. Embora tenham sido observados efeitos 
mínimos do tipo "hang-over", a administração de zolpidem deve ser cautelosa em operários de 
máquinas e condutores de veículos. A duração total do tratamento deve ser curta e não se 
recomenda o uso por meses, pois, apesar da aparente produção nula de efeitos de tolerância e 
dependência, estes efeitos ainda não foram suficientemente estudados. Os efeitos adversos 
dependem da dose e, portanto, deve-se usar a menor dose efetiva possível. 
 
Interações. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 132 
O uso concomitante de zolpidem e clorpromazina diminui significativamente as destrezas 
motoras em comparação com a administração separada de cada medicamento. A meia-vida de 
eliminação da clorpromazina pode ser aumentada. A imipramina aumenta o efeito sedante do 
zolpidem. Observou-se o desenvolvimento de amnésia anterógrada em 5 entre 8 voluntários tratados 
com a associação de imipramina e zoldipem. 
 
Contraindicações. 
Hipersensibilidade conhecida ao zoldipem. Gravidez. Lactação. 
 
Produtos Comerciais 
 
STILNOX - (SANOFI/SYNTHÉL) 
Zolpidem 
Hipnótico. 
 
Composição. 
Cada comprimido contém: hemitartarato de zolpidem 10mg. 
 
Apresentações. 
Comp. revest. cx. c/10 e 20. 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.2 ANTIDEPRESSIVOS, DISTÚRBIOS DO HUMOR E ANTIMANIA 
 
 
30.2.1 Amineptina 
 
 
Descrição 
da DCB 
AMINEPTINA 
Código 
DCB 
00497.01-0 
Descrição 
da DCI(Inglês) 
 AMINEPTINE 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 133 
Código 
DCI 
3998 
Código 
CAS 
57574-09-1 
Código 
ATC 
N06AA19 
NCM - 
Sistema 
Harmonizado 
2922.49.90 
Nome 
Químico (Inglês) 
7-[(10,11-dihydro-5H-dibenzo[a,d]cyclohepten-5-yl)amino]-heptanoic 
acid 
Nome 
Químico (Espanhol) 
ácido 7-[(10,11-dihidro-5H-dibenzo[a,d]ciclohepten-5-il)amino]-
heptanoico 
Categoria 
Terapêutica 
Antidepressivo 
Natureza Substância sintética 
Categoria 
Química 
Base 
Fórmula 
Molecular 
Peso 
Molecular 
337,5 
Fator de 
Ajuste (%) 
100 
Fórmula 
Estrutural 
 
Procedime
nto de Importação 
Procedimento 1 da Resolução RDC nº 1/2003 e de suas atualizações 
"Status" 
do Uso 
Substância de uso permitido no Brasil para fins médicos e científicos 
Controle 
Nacional 
 
Lista - B1 (Lista das Substâncias Psicotrópicas) da Portaria SVS/MS nº 344/98 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 134 
e de suas atualizações 
Controle 
Internacional 
Lista II da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971 da 
Organização das Nações Unidas 
FONTE: Psico-Index, ANVISA, 2003. 
 
Amineptina 
Ações terapêuticas. 
Antidepressivo. 
 
Propriedades. 
Usada na forma de cloridrato, a amineptina é um antidepressivo tricíclico dopaminérgico que 
inibe a recaptação ("reuptake") do neurotransmissor dopamina no SNC. Distingue-se dos 
antidepressivos tricíclicos imipramínicos pela presença de uma cadeia de aminoácidos inserida num 
ciclo mediano. A amineptina é rapidamente absorvida no trato gastrintestinal, com distribuição 
uniforme por todo o organismo, sendo eliminada principalmente pelos rins, com meia-vida em torno 
de 8 horas. Seu mecanismo de ação é essencialmente dopaminérgico, atuando sobre a lentificação 
psicomotora após 3 a 5 dias de tratamento, sobre o humor a partir do 7§ dia e sobre as alterações do 
sono após 3 semanas. 
 
Indicações. 
Síndromes depressivas. Depressão reativa, involutiva, neurótica. Episódios depressivos em 
PMD. 
 
Dose. 
200mg/dia, subdivididos em 2 tomadas de 100mg pela manhã e 100mg e ao meio-dia. 
 
Reações adversas. 
Irritabilidade, ansiedade, palpitações, insônia (principalmente depois de tomada vespertina). 
Mais raramente, observam-se queda da pressão arterial dentro dos limites fisiológicos, gastralgias, 
náuseas e vertigens. Foram observadas reações imunoalérgicas de tradução clínica (mialgias, febre 
inexplicada, icterícia, dores abdominais) ou laboratorial (aumento de transaminases ou fosfatase 
alcalina) reversíveis com a suspensão do tratamento. Com posologias muito superiores às doses 
habituais foram relatados casos de acne. 
 
Precauções. 
Não administrar simultaneamente com IMAO. Evitar tomada vespertina pelo risco de induzir 
insônia. Evitar doses superiores a 200mg/dia, pelo maior risco de efeitos colaterais, sem maior 
eficácia antidepressiva. Em caso de icterícia, dor abdominal, mialgias, febre inexplicada, anorexia ou 
náuseas persistentes, é aconselhável a dosagem de enzimas hepáticas. Nos casos de se 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 135 
encontrarem elevadas, suspender o medicamento e não expor posteriormente o paciente novamente 
à amineptina, pois se trata de reação imunoalérgica. Desaconselha-se o uso durante a gravidez e o 
aleitamento, pela ausência de experiência clínica nessas condições. 
 
Contraindicações. 
Coreia de Huntington, insuficiência hepática, antecedentes de hepatite por amineptina. 
 
Produtos Comerciais 
 
 Survector 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.2.2 Amitriptilina 
 
 
Amitriptilina 
 
Ações terapêuticas.
Antidepressivo tricíclico. 
 
Propriedades. 
Embora não tenha sido descrito o exato mecanismo de ação no tratamento da depressão, 
calcula-se que os antidepressivos tricíclicos aumentam a concentração na sinapse de norepinefrina 
ou de serotonina no sistema nervoso central, ao bloquear sua recaptação pela membrana neuronal 
pré-sináptica. A amitriptilina parece ser mais potente no bloqueio da serotonina. Recentes 
investigações com antidepressivos mostram uma dessensibilização dos receptores da serotonina e 
dos alfa-adrenérgicos ou beta-adrenérgicos. Calcula-se que a ação antidepressiva se relaciona 
melhor com as mudanças nas características dos receptores, produzidos pela administração crônica 
dos antidepressivos tricíclicos, que com o bloqueio da recaptação dos neurotransmissores; isto 
explica o atraso de 2 a 4 semanas na resposta terapêutica. Também aparecem importantes efeitos 
antimuscarínicos periféricos e centrais, devido a sua potente e alta afinidade de união aos receptores 
muscarínicos; efeitos sedantes por sua grande afinidade de união pelos receptores H1 da histamina e 
possíveis efeitos depressores miocárdicos semelhantes aos produzidos pela quinidina. É bem e 
rapidamente absorvida por via oral. Metaboliza-se exclusivamente no fígado e seu metabólito ativo é 
a nortriptilina. A união a proteínas é elevada no plasma e em tecidos (96%). A eliminação é 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 136 
principalmente renal, durante vários dias, e não é dializável por sua alta união às proteínas. Sua 
meia-vida é de 10 a 50 horas. É um dos antidepressivos tricíclicos com maior efeito sedante. 
 
Indicações. 
Síndrome depressiva maior, doença maníaco-depressiva, distúrbios depressivos na 
psicose. Estados de ansiedade associados com depressão. Depressão com sinais vegetativos. Dor 
neurogênica: em dose de até 100mg/dia em dor crônica grave (câncer, doenças reumáticas, nevralgia 
pós-herpética, neuropatia pós-traumática ou diabética). 
 
Dose. 
A dosagem deve ser individualizada para cada paciente. Embora com a dose inicial se 
possa produzir uma ação sedante, são necessárias de 1 a 6 semanas de tratamento para se obter a 
resposta antidepressiva desejada. No tratamento de manutenção, a dose diária pode ser reduzida 
para, em geral, uma só dose ao deitar, durante seis meses a um ano. Em pacientes de idade 
avançada, adolescentes ou pacientes com doença cardiovascular é preferível fracionar a dose. Dose 
usual para adultos: oral, inicialmente 25mg, 2 a 4 vezes ao dia, ajustando logo a dosagem. Dose 
máxima em pacientes ambulatoriais: até 150mg/dia. Hospitalizados: até 300mg/dia. De idade 
avançada: até 100mg/dia. Em adolescentes, inicialmente 10mg, 3 vezes ao dia e 20mg ao deitar, 
ajustando logo a dose, até um máximo de 100mg/dia. Doses geriátricas usuais: inicialmente 25mg ao 
deitar, ajustando a dose até um máximo de 10mg 3 vezes ao dia e 20mg ao deitar. 
 
Reações adversas. 
Visão turva, movimentos de mastigação, sucção, linguais; movimentos incontrolados das 
pernas ou braços; confusão, delírio, alucinações. Constipação, principalmente em idosos. Dificuldade 
ao falar ou engolir. Nervosismo. Agitação. Rigidez muscular. Fotossensibilidade. Crises convulsivas. 
Sudorese excessiva. Pirose. Vômitos. As seguintes reações indicarão a suspensão do tratamento: 
náuseas, vômitos, diarreia, excitação não habitual, perturbações do sono. 
 
Precauções. 
Evitar a ingestão de bebidas alcoólicas. É possível que se apresente sonolência, portanto é 
necessário ter cuidado ao dirigir. A possível secura da boca implicará o uso de um substituto da saliva 
para o alívio. Não suspender a medicação de forma brusca. Não se recomenda seu uso em menores 
de 12 anos. Os pacientes de idade avançada necessitam, com mais frequência, uma redução da 
dose, devido à lentificação do metabolismo ou da excreção. Assim mesmo, mostram um aumento da 
sensibilidade aos efeitos antimuscarínicos, tais como retenção urinária ou delírio anticolinérgico. 
 
Interações. 
Os corticoides, anti-histamínicos ou antimuscarínicos potencializam os efeitos 
antimuscarínicos; principalmente os de confusão mental, alucinações e pesadelos. O uso simultâneo 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 137 
com atropina pode bloquear a detoxificação da atropina, e pode produzir íleo paralítico. Aumenta a 
ação dos anticoagulantes por inibição do metabolismo enzimático do anticoagulante. Potencializa a 
depressão do SNC, o que diminui o limiar das crises convulsivas a doses elevadas e diminui os 
efeitos da medicação anticonvulsiva. O uso simultâneo com antitireóideos pode aumentar o risco de 
agranulocitose. Os efeitos dos antidepressivos tricíclicos podem ser diminuídos quando usados com 
barbitúricos. A cimetidina inibe o metabolismo da amitriptilina e aumenta sua concentração 
plasmática. Outros depressores do SNC potencializam sua ação. Não é recomendado seu uso com 
IMAO devido ao aumento do risco de convulsões graves e crises hipertensivas. Potencializam-se os 
efeitos pressores da nafazolina oftálmica, oximetazolina nasal, fenilefrina nasal ou oftálmica ou 
xilometazolina nasal. O uso concomitante com drogas simpaticomiméticas pode potencializar os 
efeitos cardiovasculares e dar lugar a arritmias, taquicardia ou hipertensão. 
 
 
Contraindicações. 
É contraindicada sua prescrição durante o período de recuperação imediato a infarto do 
miocárdio. Deverá ser avaliada a relação risco-benefício na presença de alcoolismo ativo ou tratado, 
asma, síndrome maníaco-depressiva ou bipolar, distúrbios hemáticos, alterações cardiovasculares, 
principalmente em idosos e crianças, glaucoma, disfunção hepática ou renal, hipertireoidismo, 
esquizofrenia, crises convulsivas, retenção urinária. 
 
Produtos Comerciais 
 
 AMITRIPTILINA 
 AMYITRIL 
 TRYPTANOL 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.2.3 Fluoxetina 
 
 
 
Fluoxetina 
 
Ações terapêuticas. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 138 
Antidepressivo. 
 
Propriedades. 
Usada como cloridrato, é uma droga antidepressiva, não relacionada quimicamente com os 
tricíclicos, tetracíclicos ou com outros antidepressivos de uso corrente, dos quais difere não só por 
sua estrutura química, como também por seu mecanismo de ação. É um composto bicíclico cujo 
nome químico é cloridrato de s(DL)-N-metil-3-fenil-3[(, , -trifluor-p-tolil)oxi] propilamina. É um 
inibidor potente e específico da recaptação de serotonina no neurônio pré-sináptico. É absorvido, sem 
inconvenientes, por via oral, com pouco efeito de primeira passagem hepática. A magnitude da 
absorção não é afetada pelos alimentos, embora estes diminuam ligeiramente a velocidade de 
absorção. Por conseguinte, pode ser administrada sem levar em consideração a relação com os 
alimentos. O pico de concentração plasmática ocorre entre as 6 e 8 horas posteriores a uma única 
dose oral de 40mg. As maiores alterações eletroencefalográficas e as variáveis psicométricas 
ocorrem entre 8 e 10 horas após a dose. Sua capacidade de união às proteínas plasmáticas é muito 
importante, aproximadamente 94%. Este fato deve ser considerado devido a possíveis interações 
medicamentosas. Não foram observadas diferenças significativas entre os pacientes normais e os 
urêmicos. A fluoxetina é desmetilada no fígado em norfluoxetina, seu principal metabólito ativo. 
Excreta-se pela urina em 80%, dos quais 2,5% não como droga-mãe e 10% como norfluoxetina. O 
restante são metabólitos conjugados. Com a
matéria fecal elimina-se 15%. A meia-vida da fluoxetina 
é de 2 a 3 dias e a da norfluoxetina de 7 a 9 dias. 
 
Indicações. 
Depressões moderadas e graves. Distúrbios obsessivo-compulsivos. 
 
Dose. 
A dose usual inicial é de 20mg/dia, administrados pela manhã. Deve ser considerado um 
aumento, se após várias semanas de tratamento não for observada melhora clínica. As doses 
superiores (até 80mg/dia) devem ser administradas em duas doses, pela manhã e durante o almoço. 
Após a remissão do quadro, deve ser utilizada a menor dose efetiva para a manutenção da melhora 
clínica. 
 
Reações adversas. 
Náuseas, diarreia, boca seca. Erupções cutâneas, reações anafilactoides. Reações 
maníacas ou psicóticas em indivíduos predispostos. Perda de peso. Aumento das transaminases e 
leucopenia assintomática ou ambas. Confusão mental, ideias suicidas, discinesias, trombocitopenias, 
hiperprolactinemia, ginecomastia, mastodinia, dismenorreia, sangramento vaginal. 
 
Precauções. 
Avisar os operadores de máquinas e os condutores de veículos sobre o risco de sonolência. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 139 
Nos diabéticos pode ser necessário o ajuste da dose de insulina ou de hipoglicemiantes orais. 
 
Interações. 
A grande afinidade de fluoxetina pelas proteínas plasmáticas e seu importante metabolismo 
hepático levam-nos a pensar que as interações com outras drogas são produzidas por deslocamento 
ou por competição enzimática. Em doses terapêuticas, não inibe o metabolismo do etanol nem 
interatua com ele o suficiente para potencializar seus efeitos centrais. A fluoxetina altera as variáveis 
farmacocinéticas dos barbitúricos em ratos, porém em seres humanos os resultados obtidos não são 
conclusivos. De outro lado, a meia-vida plasmática da varfarina prolonga-se de 8 a 22,8 horas. Foram 
avaliados efeitos colaterais em pacientes que simultaneamente receberam os seguintes fármacos: 
antiácidos, antibióticos, anti-histamínicos, agentes bloqueadores beta-adrenérgicos, bloqueadores 
dos receptores H1, catárticos, hidrato de cloral, cimetidina, anticoncepcionais orais, diuréticos 
tiazídicos, anti-inflamatórios não esteroides, hormônios tireóideos, antidiarreicos, antieméticos, 
antiparkinsonianos, barbitúricos, broncodilatadores, digitálicos, hipoglicemiantes, lítio, opiáceos, 
cloreto de potássio, glicocorticoides ou simpaticomiméticos. Embora tenham sido observados alguns 
efeitos adversos, estes não diferiram do padrão habitualmente esperado para cada uma destas 
drogas. Dado que em várias destas situações as drogas foram administradas em monodoses, serão 
necessários estudos posteriores para clarear os aspectos referentes à administração prolongada. É 
recomendável deixar um lapso de duas semanas entre a administração de IMAO e cloridrato de 
fluoxetina ou de cinco semanas no caso inverso. A administração combinada com outros 
antidepressivos pode aumentar os níveis plasmáticos destes. Também é possível com a digitoxina e 
os anticoagulantes. Em alguns pacientes aumenta a meia-vida plasmática do diazepam. 
 
Contraindicações. 
Hipersensibilidade à droga. Crianças menores de 15 anos. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 140 
Produtos Comerciais 
 
 BIOZAC 
 CLORIXETIN 
 DAFORIM 
 DEPRAX 
 DEPRESS 
 EUFOR 
 FLUOXETIN 
 FLUOXIL 
 FLUOXON 
 FLUOZET 
 FLUXENE 
 FLUXTINA 
 NORTEC 
 PROZAC 
 PSIQUIAL 
 SOSTAC 
 VEROTINA 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.2.4 Nortriptilina 
 
 
 
Nortriptilina 
 
Ações terapêuticas. 
Antidepressivo. 
 
Propriedades. 
É um antidepressivo tricíclico cujo mecanismo de ação é desconhecido. Inibe a ação de 
certos neurotransmissores, como a histamina, a serotonina e a acetilcolina, e aumenta o efeito 
pressor da noradrenalina, mas bloqueia o da fenetilamina. 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 141 
 
Indicações. 
Síndromes depressivas de diversas etiologias; a depressão endógena parece responder 
melhor que outros estados depressivos. Depressão reativa, neurose reativa, neurose depressiva, 
coadjuvante da terapêutica hormonal na síndrome do climatério, arritmia ventricular, incontinência 
urinária. 
 
Dose. 
Adultos: 100mg diários divididos em quatro tomadas. Adolescentes e idosos: 30 a 50mg 
diários divididos em tomadas ou como tomada única. 
 
Superdose. 
Pode provocar confusão, agitação, vômitos, rigidez muscular, hiper-reflexia, taquicardia, 
choque, falha cardíaca congestiva, estupor, coma, convulsões seguidas de depressão respiratória. 
Deve ser instituído tratamento de suporte; o uso de digitálicos pode auxiliar em casos de insuficiência 
cardiovascular ou falha cardíaca. O diazepam age como anticonvulsivante com pouco efeito sobre a 
depressão respiratória. 
 
Reações adversas. 
São basicamente devidas à ação anticolinérgica do medicamento: boca seca, sonolência, 
constipação, retenção urinária, midríase, insônia. No caso de retirada brusca pode aparecer dor de 
cabeça e mal-estar. 
 
Precauções. 
Pode provocar exacerbação das psicoses dos pacientes esquizofrênicos. Não deve ser 
administrados nos primeiros três meses da gravidez nem a crianças menores de seis anos, até não 
haver maiores informações a respeito. Devido ao seu efeito anticolinérgico, deve ser empregada com 
precaução em pacientes com glaucoma ou hipertrofia de próstata ou com transtornos 
cardiovasculares, hepáticos ou renais severos e quando é associada com simpatomiméticos. 
 
Interações. 
Em pacientes medicados com IMAO é aconselhável deixar transcorrer pelo menos duas 
semanas desde a interrupção, antes de iniciar o tratamento com nortriptilina. Deve ser evitada a 
ingestão simultânea de álcool ou fármacos estimulantes do SNC. A cimetidina aumenta os níveis 
séricos de nortriptilina. 
 
Contraindicações. 
Hipersensibilidade a outros benzodiazepínicos. Período de recuperação do infarto de 
miocárdio. Não deve ser administrado simultaneamente com IMAO. Se tiver de ser mudada a 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 142 
medicação de IMAO para nortriptilina ou vice-versa, é necessário abandoná-la umas duas semanas 
antes de receber a outra. 
 
 
Produtos Comerciais 
 
 Pamelor 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.2.5 Sertralina 
 
 
 
Sertralina 
 
Ações terapêuticas. 
Antidepressivo. 
 
Propriedades. 
O cloridrato de sertralina é um derivado da naftilamina. A sertralina é um inibidor potente da 
recaptação neuronal de serotonina, pelo que produz uma potenciação dos efeitos da 5HT. O fármaco 
tem efeitos apenas muito débeis sobre a recaptação neuronal de norepinefrina e dopamina; não 
possui ação estimulante, sedativa ou anticolinérgica, nem cardiotoxicidade em animais. A sertralina 
não tem afinidade pelos receptores muscarínicos (colinérgicos), serotoninérgicos, dopaminérgicos, 
adrenérgicos, histaminérgicos, gabaérgicos ou benzodiazepínicos, e exibe uma farmacocinética 
proporcional à dose na faixa de 50 a 200mg. No homem, após uma dose diária oral única na faixa de 
50 a 200mg durante 14 dias, as concentrações plasmáticas pico (Cmax) da sertralina são produzidas 
entre 4½ e 8½ horas após a dose. A meia-vida de eliminação terminal plasmática de setralina é de 
aproximadamente 26 horas. Em concordância com a meia-vida de eliminação terminal, há um 
acúmulo aproximado do dobro até
chegar a concentrações estáveis, que são alcançadas depois de 
uma semana com uma dose diária única. Aproximadamente 98% da droga circulante se unem as 
proteínas plasmáticas. Estudos em animais indicam que a sertralina tem um grande volume aparente 
de distribuição e uma primeira passagem metabólica ampla. O principal metabólito, N-
desmetilsertralina, é substancialmente menos ativo in vitro que a sertralina (cerca de 8 vezes) e é 
virtualmente inativo em testes farmacológicos in vitro. A meia-vida da N-desmetilsertralina está na 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 143 
faixa de 62 a 104 horas. No homem, a sertralina e a N-desmetilsertralina são metabolizadas de forma 
extensa, e os metabólitos resultantes são excretados com as fezes e a urina em quantidades 
similares. Somente uma pequena quantidade (<0,2%) da sertralina é excretada pela urina sem 
modificação. A farmacocinética da sertralina em pacientes idosos é similar à dos adultos mais jovens. 
Dado que a biodisponibilidade das cápsulas de sertralina é aumentada na presença de alimentos, 
recomenda-se administrá-la nas refeições. 
 
Indicações. 
Depressão com antecedentes de mania, ou sem ela. 
 
Dose. 
Ministrar uma só vez ao dia, de manhã ou à noite, das refeições. A dose terapêutica é de 
50mg/dia, mas pode ser aumentada no caso de necessidade até um máximo de 200mg/dia. O início 
do efeito terapêutico é verificado ao término de sete dias, mesmo que geralmente sejam necessárias 
de 2 a 4 semanas para a completa atividade antidepressiva. 
 
Reações adversas. 
As mais comuns observadas são: distúrbios gastrintestinais (diarreia, náuseas e dispepsia), 
tremores, vertigens, insônia, sonolência, transpiração abundante, boca seca, disfunção sexual 
masculina. 
 
Precauções. 
Não utilizar em combinação com IMAO. No caso de empregá-los com sertralina, deixar 
passar 14 dias entre o final de uma medicação e o início da outra. 
 
 
 
Interações. 
Pode produzir-se um aumento das concentrações plasmáticas da sertralina, quando 
administrada com outras drogas que são combinadas fortemente com as proteínas plasmáticas, 
como, por exemplo, varfarina e digitoxina. 
 
Contraindicações. 
Pacientes com hipersensibilidade conhecida à droga. Gravidez. 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 144 
Produtos Comerciais 
 
 LIRIOL 
 NOVATIV 
 SERCERIN 
 SERTAX 
 TOLREST 
 ZOLOFT 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.2.6 Lítio 
 
 
 
Lítio 
Propriedades. 
Não foi estabelecido seu mecanismo exato de ação. Postulam-se duas teorias. A primeira 
relaciona o efeito estabilizador do ânimo com uma redução na concentração do neurotransmissor 
catecolamina, mediada possivelmente pelo efeito do íon lítio na enzima adenosina trifosfatase Na
+
/K
+
-
dependente, para produzir um aumento no transporte transmembrana neuronal do íon sódio. A 
segunda é que o lítio pode diminuir as concentrações de monofosfato de adenosina cíclico 
(AMPcíclico), o que por sua vez pode originar diminuição da sensibilidade dos receptores da 
adenilatociclase sensíveis aos hormônios. É absorvido por via oral de forma rápida e completa. Não 
se une às proteínas plasmáticas nem é metabolizado, e elimina-se 95% de forma inalterada pelo rim. 
A eliminação é inicialmente rápida e, após tratamento prolongado, torna-se mais lenta. Na forma 
ativa, podem ser reabsorvidos 80% no túbulo proximal. A velocidade de excreção diminui com o 
aumento da idade. No início do tratamento a meia-vida é bifásica, a concentração sérica diminui com 
rapidez durante as 5 a 6 horas iniciais, seguida de uma diminuição gradual durante as 24 horas 
seguintes. O início de sua ação terapêutica pode demorar de 1 a 3 semanas. 
 
Indicações. 
Tratamento da doença maníaco-depressiva. 
 
Dose. 
A dose usual para adultos na fase maníaca aguda é de 600mg por via oral, três vezes ao 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 145 
dia; para manutenção, 300mg por via oral, 3 ou 4 vezes ao dia. 
 
Reações adversas. 
Frequência de micção aumentada, aumento da sede, náuseas, tremor das mãos, 
desvanecimentos, taquicardia, pulso irregular, dispneia de esforço, sonolência, confusão. 
 
Precauções. 
O lítio é excretado no leite materno e em alguns lactentes foram descritos sinais de 
toxicidade, tais como hipotonia, hipotermia, cianose e alterações no eletrocardiograma. Os idosos 
necessitam, geralmente, de uma dose menor, devido ao volume de distribuição e a velocidade do 
clearance renal estarem reduzidos. É potencialmente tóxico para o sistema nervoso central, inclusive 
em concentrações séricas dentro do alcance terapêutico. Deve ser administrado com precaução na 
presença de doença cardiovascular (pode exacerbar-se), na presença de alterações do sistema 
nervoso central (epilepsia e parkinsonismo), em casos de desidratação grave (aumenta o risco de 
toxicidade) e quando existir insuficiência renal ou retenção urinária. A toxicidade por lítio pode 
aparecer em concentrações séricas terapêuticas ou próximas a elas. Durante a fase maníaca aguda, 
o paciente pode ter uma grande capacidade para tolerar o lítio, dado que este diminui a reabsorção 
de sódio pelos túbulos renais. Recomenda-se o consumo de cloreto de sódio e uma adequada 
ingestão de líquidos (2,5 a 3 litros por dia). Sua administração deve ser cuidadosa nos casos de bócio 
ou Hipotireoidismo, já que pode agravá-los. Antes e durante o tratamento, recomenda-se efetuar a 
determinação da função renal, contagem de leucócitos e eletrocardiogramas. É aconselhável efetuar 
exames do lítio sérico durante o tratamento. 
 
Interações. 
O uso simultâneo com antitireóideos, iodeto de cálcio, glicerol iodado ou iodeto de potássio 
pode potencializar os efeitos hipotireóideos destes fármacos e do lítio. Os anti-inflamatórios não 
esteroides (AINE) podem aumentar os efeitos tóxicos do lítio pela diminuição de sua excreção renal. 
O uso de diuréticos pode provocar uma toxicidade grave ao retardar sua excreção renal e aumentar, 
em consequência, as concentrações séricas. A associação com haloperidol (frequente) tem 
produzido, em alguns casos, toxicidade neurológica e lesão cerebral irreversível. 
 
Contraindicações. 
Gravidez, lactação, disfunção renal ou cardíaca grave. 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 146 
Produtos Comerciais 
 
 CARBOLIM 
 CARBOLITIUM 
 LITIOCAR 
 NEUROLITHIUM 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.3 ANTIEPILÉPTICOS, ANTICONVULSIVANTES 
 
 
30.1.1 Carbamazepina 
 
 
 
Carbamazepina 
Ações terapêuticas. 
Anticonvulsivo, antineurálgico. 
 
Propriedades. 
Derivado tricíclico do iminostibeno. Estruturalmente é similar aos fármacos psicoativos (imipramina, 
clorpromazina e maprotilina) e compartilha algumas características estruturais com os anticonvulsivos 
(fenitoína, clonazepam e fenobarbital). O mecanismo exato de sua ação anticonvulsiva é desconhecido; pode 
deprimir a atividade do núcleo ventral anterior do tálamo, porém o significado não está completamente 
esclarecido. Como antineurálgico pode atuar no SNC diminuindo a transmissão sináptica ou a adição da 
estimulação temporal que dá origem à descarga neuronal. Estimula a liberação de hormônio antidiurético. 
Outras ações secundárias descritas: anticolinérgico, antidepressivo, inibidor da transmissão neuromuscular e 
antiarrítmico. A absorção é lenta e
variável, porém é quase completamente absorvido no trato gastrintestinal. 
Sua união às proteínas é muito alta (de 55% a 59% em crianças e 76% em adultos). É metabolizado no fígado 
e um metabólito, a carbamazepina-10, 11-epóxido, tem atividade anticonvulsiva, antidepressiva e 
antineurálgica. Seu início de ação como anticonvulsivo varia entre dias e meses, o que depende de cada 
paciente devido à autoindução do metabolismo; o alívio da dor na neuralgia do trigêmeo varia entre 24 a 72 
horas. É eliminado em 72% por via renal (3% como fármaco inalterado). 
 
 
 
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 147 
 
Indicações. 
Epilepsia. Tratamento das crises convulsivas parciais com sintomatologia simples ou complexa, 
crises convulsivas tônico-clônicas generalizadas (grande mal), crises convulsivas mistas. Anticonvulsivo de 
primeira eleição. Neuralgia do trigêmeo. 
 
Dose. 
Adultos - como anticonvulsivo: dose inicial de: 200mg 2 vezes no primeiro dia, com aumentos até 
200mg ao dia em intervalos semanais, até obter a resposta ótima; manutenção: 800mg a 1,2g/dia; dose 
máxima: em pacientes de 12 a 15 anos, 1g/dia; maiores de 15 anos, 1,2g/dia. Antineurálgico: no início 100 mg, 
2 vezes no primeiro dia, com aumento de até 200mg em dias alternados em frações de 100mg a cada 12 
horas até o alívio da dor; manutenção: 200mg a 1,2g/dia em várias doses; dose máxima: 1,2g/dia. Doses 
pediátricas - crianças até 6 anos: 10 a 20mg/kg/dia, divididos em 2 a 3 doses; manutenção: 250 a 350mg/dia, 
sem ultrapassar 400mg/dia; crianças de 6 a 12 anos: 100mg, 2 vezes no primeiro dia, com aumento de até 
100mg/dia, com intervalos semanais até obter a resposta ótima; manutenção: 400 a 800mg/dia. A dosagem 
não deve superar, em geral, 1g/dia. Sempre que for possível, a dose diária total deve ser dividida em 3 a 4 
doses. 
 
Reações adversas. 
Em pacientes que apresentam letargia, debilidade, náuseas, vômitos, confusão ou hostilidade, 
anomalias neurológicas ou estupor, deve-se suspeitar de hiponatremia. São de incidência mais comum: visão 
turva, cefaleia contínua, aumento da frequência de crises convulsivas, sonolência e debilidade. Raramente: 
bradicardia, dificuldade de respiração, disartria, rigidez, tremor, alucinações visuais, fezes pálidas, 
hemorragias ou hematomas, febre, adenopatias, linfadenopatias e parestesias. Sinais de superdosagem: 
enjoos agudos, sonolência grave, taquicardia, depressão respiratória, crises convulsivas, tremores ou 
contrações. Erupção cutânea ou prurido. 
 
Precauções. 
Deve-se ter cuidado ao dirigir, no manuseio de máquinas ou ao realizar trabalhos que exijam atenção 
e coordenação. Em pacientes diabéticos poderá haver um aumento nas concentrações de açúcar na urina. Os 
pacientes de idade avançada podem ser mais sensíveis que os jovens à agitação e confusão, bloqueio 
cardíaco auriculoventricular ou bradicardia induzidos pela carbamazepina. Os efeitos leucopênicos e 
trombocitopênicos podem originar maior incidência de infecção microbiana, retardo na cicatrização e 
hemorragia gengival. 
 
Interações. 
O paracetamol pode aumentar o risco de hepatoxicidade e diminuir os efeitos terapêuticos desta 
droga. Pode diminuir o efeito dos corticosteroides devido ao aumento do metabolismo destes. Se estimulado o 
metabolismo hepático das xantinas (teofilina, aminofilina), podem diminuir os efeitos dos anticoagulantes 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 148 
derivados da cumarina por indução da atividade enzimática microssômica hepática. Diminuição das 
concentrações séricas e redução das vidas médias de eliminação de primidona, ácido valproico, barbitúricos, 
benzodiazepinas ou anticonvulsivos do grupo succinimida ou hidantoína. Os efeitos depressores sobre o SNC 
são potencializados com o uso simultâneo de antidepressivos tricíclicos, aloperidol, loxapina, fenotiazinas ou 
tioxantenos. Os inibidores da anidrase carbônica podem produzir um aumento do risco de osteopenia. A 
cimetidina pode aumentar a concentração plasmática de carbamazepina. Aumenta o metabolismo e, portanto, 
diminuem os efeitos terapêuticos da ciclosporina, anticoncepcionais orais que contenham estrogênios, 
dacarbazina, glicosídeos digitálicos, estrogênios, levotiroxina, mexiletina e quinidina. O danazol, diltiazem, 
eritromicina, dextropropoxifeno ou verapamil podem inibir o metabolismo da carbamazepina. Em pacientes 
tratados com doses elevadas de mebendazol, foi demonstrado que as concentrações plasmáticas da 
carbamazepina são diminuídas. O uso de IMAO pode originar crises hiperpiréticas, crises hipertensivas e 
convulsões graves. 
 
Contraindicações. 
Crises de ausência atípicas ou generalizadas. Crises atônicas. Crises convulsivas mioclônicas, 
bloqueio A-V, antecedentes de depressão da medula óssea. A relação risco-benefício deverá ser avaliada na 
presença de gravidez, lactação, diabetes mellitus, glaucoma, disfunção hepática ou renal e reações hemáticas 
adversas por outros medicamentos. 
 
Produtos Comerciais 
 
 CARBAMAZEPINA 
 TEGRETARD 
 TEGRETOL 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
 
 
 
30.1.2 Diazepam 
 
 
 
Diazepam 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 149 
Ações terapêuticas. 
Ansiolítico, miorrelaxante, anticonvulsivo. 
 
Propriedades. 
As benzodiazepinas atuam geralmente como depressoras do SNC, desde uma leve sedação até 
hipnose ou coma, dependendo da dose. Acredita-se que seu mecanismo de ação é potencializar ou facilitar a 
ação inibidora do neurotransmissor ácido gama aminobutírico (GABA), mediador da inibição tanto a nível pré-
sináptico como pós-sináptico, em todas as regiões do SNC. É bem absorvido no trato gastrintestinal e, quando 
injetado no músculo deltoide, geralmente a absorção é rápida e completa. O estado de equilíbrio da 
concentração plasmática é produzido entre cinco dias e duas semanas após o início do tratamento. A 
eliminação é lenta, posto que os metabólitos ativos podem permanecer no sangue vários dias ou semanas, 
produzindo possivelmente efeitos persistentes. O início da ação é evidenciado entre 15 e 45 minutos após sua 
administração oral, por via IM antes de 20 minutos, e por via IV entre 1 e 3 minutos. Elimina-se por via renal. 
 
Indicações. 
Comprimidos: ansiedade, distúrbios psicossomáticos, torcicolos, espasmos musculares. Ampolas: 
sedação prévia a intervenções (endoscopias, biopsias, fraturas); estados de agitação motora, delirium 
tremens, convulsões. 
 
Dose. 
As doses ótimas devem ser avaliadas para cada paciente. Ansiedade: 5 a 30mg/dia. Espasmos 
musculares: 5 a 15mg/dia. Convulsões: 10 a 20mg. Crianças: 0,2mg/kg/dia. É conveniente nos tratamentos da 
ansiedade ou distúrbios psicomotores não ultrapassar as quatro semanas. Se for necessário continuar além 
deste prazo, a suspensão deverá ser gradual. Idosos e pacientes desnutridos requerem doses menores 
devido a variações na sensibilidade e farmacocinética. 
 
Reações adversas. 
Sedação, sonolência, ataxia, vertigem, hipotensão, distúrbios gastrintestinais, retenção urinária, 
alteração na libido, icterícia, discrasias sanguíneas. Reações paradoxais: excitação e agressividade (crianças 
e idosos). A administração parenteral pode produzir hipotensão ou debilidade muscular. Em pacientes 
geriátricos ou debilitados, assim como em crianças ou indivíduos com doenças hepáticas, aumenta a 
sensibilidade aos efeitos das benzodiazepinas no SNC. 
 
Precauções. 
As benzodiazepinas podem modificar a capacidade de reação
quando se dirigem veículos ou 
máquinas de precisão. A dependência é importante quando são utilizadas doses elevadas durante períodos 
prolongados. Após a suspensão brusca podem ocorrer depressão, insônia por efeito de rebote, nervosismo, 
salivação e diarreia. Foi descrita síndrome de abstinência (estados de confusão, manifestações psicóticas e 
convulsões) logo após a suspensão de doses elevadas e administradas por longo tempo. Na gravidez não se 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 150 
recomenda seu uso no primeiro trimestre. Durante a lactação deve ser evitado, dado que o diazepam é 
excretado no leite materno. 
 
Interações. 
Os efeitos sedantes são intensificados quando se associam benzodiazepinas com álcool, 
neurolépticos, antidepressivos, hipnóticos, hipoanalgésicos, anticonvulsivos e anestésicos. Não se deve 
consumir álcool durante o tratamento com benzodiazepinas. O uso simultâneo de antiácidos pode retardar, 
porém não diminuir, sua absorção. A cimetidina pode inibir o metabolismo hepático do diazepam e provocar 
um atraso em sua eliminação. As benzodiazepinas podem diminuir os efeitos terapêuticos da levodopa e a 
rifampicina pode potencializar a eliminação de diazepam. 
 
Contraindicações. 
Miastenia grave, glaucoma, insuficiência pulmonar aguda, depressão respiratória, insuficiência 
hepática e renal. A relação risco-benefício deverá ser avaliada em pacientes com antecedentes de crises 
convulsivas, hipoalbuminemia, psicose. 
 
Produtos Comerciais 
 
 ANSILIVE 
 CALMOCITENO 
 DIAZEFAST 
 DIAZEPAM 
 DIAZEPAN 
 KIATRIUN 
 NOAM 
 SOMAPLUS 
 VALIUM 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
 
30.1.3 Fenitoína (Difenil-Hidantoína) 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 151 
 
Difenil-hidantoína 
Ações terapêuticas. 
Anticonvulsivante. Antiepiléptico. Antiarrítmico. 
 
Propriedades. 
A difenil-hidantoína (fenitoína) exerce um efeito estabilizador sobre as membranas excitáveis de 
diversas células, inclusive neurônios e miócitos cardíacos. Pode reduzir os fluxos de repouso de Na
+
 assim 
como as correntes deste que fluem durante os potenciais de ação ou da despolarização induzida 
quimicamente. A capacidade da fenitoína para reduzir a duração das pós-descargas e limitar a propagação da 
crise é mais pronunciada que seu efeito sobre o limiar de estimulação; ou seja, pode prevenir a disseminação 
do foco mais que abolir sua descarga convulsiva. As características farmacocinéticas da fenitoína são 
afetadas por sua limitada solubilidade em água e pela eliminação dependente da dose. A absorção após a 
administração oral é lenta, variável e, em certas ocasiões, incompleta. Foram detectadas diferenças 
significativas na biodisponibilidade dos diversos preparados farmacêuticos orais. As concentrações 
plasmáticas máximas, após uma dose, podem ocorrer entre 3 a 12 horas. A absorção lenta durante a 
medicação crônica reduz as flutuações entre as doses. A fenitoína une-se às proteínas, especialmente a 
albumina, em 90%. A concentração em LCR é similar à plasmática; 95% da fenitoína metaboliza-se no retículo 
endoplasmático liso hepático, e o metabólito mais abundante é inativo. Quando as concentrações plasmáticas 
são inferiores a 10g/ml, a eliminação segue um ritmo exponencial (primeira ordem) e a meia-vida varia entre 
6 e 24 horas. Se as concentrações forem mais elevadas, a eliminação é dependente da dose e a meia-vida 
plasmática aumenta (60 horas), talvez porque a reação de hidroxilação se aproxime da saturação. Em um 
percentual mínimo de indivíduos foi detectada uma limitação, determinada geneticamente, da capacidade de 
metabolização da fenitoína. 
 
Indicações. 
Tratamento de base das convulsões tônico-clônicas (grande mal epiléptico), parciais, simples e 
complexos (lóbulo temporal). Estado de doença epiléptica resistente a diazepam. Prevenção e tratamento das 
convulsões que ocorrem durante ou após a neurocirurgia ou traumatismos cranianos graves. Tratamento de 
segunda linha após a carbamazepina, na neuralgia do trigêmeo. Arritmias cardíacas, especificamente 
causadas por digital. 
 
Dose. 
As doses devem ser individualizadas, já que pode haver uma grande variação dos níveis séricos com 
doses equivalentes. O tratamento deve ser iniciado com pequenas doses e aumentos graduais, até ser 
adquirido o controle das convulsões ou aparecer algum efeito tóxico. Em diversos casos é necessário 
determinar os níveis plasmáticos para uma posologia exata; os níveis séricos clinicamente efetivos, em geral, 
são de 10 a 20g/ml, embora em alguns casos controlem-se níveis séricos menores. São necessários de 7 a 
10 dias para atingir o estado médio ou de equilíbrio nas concentrações sanguíneas. Adultos: 3 a 4mg/kg/dia. 
 
 
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 152 
Dose de manutenção: 200 a 500mg/dia em uma ou várias doses. Crianças  dose inicial: 5mg/kg/dia com um 
máximo de 300mg/dia. Dose de manutenção: 4 a 8mg/kg/dia. Neonatos: doses conforme os níveis séricos. 
 
Reações adversas. 
Sistema nervoso central: a maioria das manifestações colaterais da terapêutica com fenitoína foram 
observadas neste sistema e estão relacionadas com as concentrações sanguíneas. Nistagmo ( 20g/ml), 
ataxia (30g/ml) e confusão mental (49g/ml). Enjoos, insônia, nervosismo transitório, tremor e cefaleias. 
Discinesias (coreia, distonia, tremor). Disfunção cerebral irreversível. Neuropatia periférica. Trato 
gastrintestinal: náuseas, vômitos, constipação. Pele e mucosas: exantemas morbiliformes ou 
escarlatiniformes, frequentemente com febre. Mais raramente: dermatite ampolar, exfoliativa ou purpúrica; 
lúpus eritematoso, síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica. Tecido conectivo: 
engrossamento labial, hiperplasia gengival (20% do total de pacientes tratados com hidantoínas), hirsutismo e 
mal de Peyronie. Hematológicos: trombocitopenia, leucopenia, granulocitopenia, agranulocitose, pancitopenia 
e aplasia medular. Desenvolvimento de linfadenopatia (local e geral), que inclui hiperplasia nodular benigna, 
linfoma, pseudolinfoma e doença de Hodgkin. Outros: lúpus eritematoso sistêmico, poliartrite, hepatite tóxica, 
poliarterite nodosa, poliartropatia e anormalidades das imunoglobulinas. 
 
Precauções. 
Em pacientes epilépticos a suspensão brusca da fenitoína pode precipitar um estado de doença 
epiléptica; quando a droga tiver que ser reduzida, suspensa ou substituída por outro antiepiléptico, a 
diminuição deve ser feita de forma gradual. Em pacientes com insuficiência hepática a dose deve ser reduzida 
para evitar a acumulação e toxicidade. Em caso de uremia há uma redução da união às proteínas plasmáticas 
da fenitoína, e, portanto, deve-se reduzir a dose desta. Ter cuidado ao administrar fenitoína em mulheres em 
idade fértil, pelo risco de gravidez com possíveis más-formações. Lactação: pequenas quantidades de 
fenitoína são excretadas no leite materno. 
 
Interações. 
Drogas que aumentam os níveis séricos de hidantoína: cloranfenicol, sulfonamidas, dicumarol, 
dissulfiram, isoniazida, cimetidina e fenilbutazona. Drogas que diminuem os níveis séricos de hidantoína: 
carbamazepina e álcool em forma crônica. Drogas que podem aumentar ou diminuir os níveis séricos de 
hidantoína: fenobarbital, ácido valproico, certos antiácidos. Drogas cujo efeito é diminuído pela hidantoína: 
corticosteroides, dicumarol, anticoncepcionais orais, quinidina e vitamina D. Drogas cujo efeito pode ser 
aumentado ou diminuído pela
hidantoína: varfarina. A determinação sanguínea da fenitoína é particularmente 
útil quando há suspeita de interação medicamentosa. Com relação aos exames laboratoriais, a fenitoína pode 
causar um aumento dos níveis séricos de glicose, fosfatase alcalina, gama-glutamiltranspeptidase e diminuir 
os níveis séricos de cálcio e ácido fólico. 
 
Contraindicações. 
Gravidez: foi descrito um aumento da incidência de más-formações congênitas com vários 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 153 
anticonvulsivos e, em particular, com a hidantoína. Entre elas se incluem: lábio leporino, fenda palatina, más-
formações cardíacas e síndrome fetal por hidantoína (microcefalia, déficit de crescimento pré-natal e 
deficiência mental). Hipersensibilidade à hidantoína. 
 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum. 
 
 
30.1.4 Metilfenobarbital 
 
 
Descrição da 
DCB 
METILFENOBARBITAL 
Código DCB 04508.01-7 
Descrição da 
DCI(Inglês) 
 METHYLPHENOBARBITAL 
Código DCI 2901 
Código CAS 115-38-8 
Código ATC N03AA01 
NCM - Sistema 
Harmonizado 
2933.53.50 
Nome Químico 
(Inglês) 
5-ethyl-1-methyl-5-phenyl-2,4,6(1H,3H,5H)-pyrimidinetrione 
Nome Químico 
(Espanhol) 
5-etil-1-metil-5-fenil-2,4,6(1H,3H,5H)-pirimidinetriona 
Categoria 
Terapêutica 
Anticonvulsivante 
Hipnótico 
Sedativo 
Natureza Substância sintética 
Categoria 
Química 
Base 
Fórmula 
Molecular 
Peso Molecular 246,3 
Fator de Ajuste 100 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 154 
(%) 
Fórmula 
Estrutural 
 
Procedimento 
de Importação 
Procedimento 1 da Resolução RDC nº 1/2003 e de suas 
atualizações 
"Status" do Uso 
Substância de uso permitido no Brasil para fins médicos e 
científicos 
Controle 
Nacional 
 
Lista - B1 (Lista das Substâncias Psicotrópicas) da Portaria SVS/MS nº 
344/98 e de suas atualizações 
Controle 
Internacional 
Lista IV da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971 
da Organização das Nações Unidas 
FONTE: Psico-Index, ANVISA, 2003. 
 
 
Fenobarbital 
Ações terapêuticas. 
Sedativo-hipnótico. Anticonvulsivante. 
 
Propriedades. 
Barbitúrico, depressor não seletivo do SNC, capaz de produzir distintos níveis de alteração 
do estado anímico. Recentes estudos demonstraram que os efeitos sedativos-hipnóticos e 
anticonvulsivantes podem estar relacionados com sua capacidade de potencializar ou mimetizar a 
ação simpática inibidora do ácido gama-aminobutírico (GABA). Deprime o córtex sensorial, diminui a 
atividade motora, altera a função cerebral e produz sonolência, sedação e hipnose. Parece ter um 
efeito no nível do tálamo, onde inibe a condução ascendente na formação reticular, interferindo assim 
na transmissão dos impulsos até o córtex. Como anticonvulsivante, acredita-se que atue deprimindo a 
transmissão monossináptica e polissináptica no SNC. Aumenta o limiar de estimulação elétrica 
motora do córtex. É metabolizado no fígado mediante o sistema de enzimas microssômicas 
hepáticas. 
 
Indicações. 
Tratamento de insônia, coadjuvante de anestesia (medicação pré-operatória), crises 
 
 
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epilépticas tônico-clônicas. Profilaxia e tratamento das crises convulsivas. 
 
Dose. 
Adultos – anticonvulsivante: 60 a 250mg ao dia, em dose única ou dividida em várias 
ingestões; sedativo-hipnótico: 100 a 320mg ao deitar-se. Crianças– anticonvulsivante: 1 a 6mg/kg/dia; 
sedativo-hipnótico: a dose deve ser estabelecida pelo médico. Pré-operatório: 1 a 3mg/kg. Ampolas – 
anticonvulsivante: por via IV 100 a 320mg e, se necessário, repetir até uma dose de 600mg/dia; 
hipnótico: IM ou IV 100 a 325mg; sedativo pré-operatório: IM 130 a 200mg, 60 a 90 minutos antes da 
cirurgia. Crianças – anticonvulsivante: IV 10 a 20mg/kg dose única da carga; dose de manutenção: IV 
1 a 6mg/kg/dia; pré-operatório: IM ou IV 1 a 3mg/kg. 
 
Reações adversas. 
Em raras ocasiões pode produzir dermatite esfoliativa como resultado de hipersensibilidade. 
Pode ser produzida dependência com doses elevadas ou tratamentos prolongados. São de incidência 
frequente: torpor e instabilidade, enjoos, sonolência e, raras vezes, ansiedade, nervosismo, 
constipação, cefaleias, irritabilidade, náuseas, vômitos, excitação não habitual, hemorragias ou 
hematomas não habituais. Com o uso crônico ou prolongado pode aparecer dor nos ossos, anorexia, 
perda de peso ou debilidade muscular. Os sinais de toxicidade aguda são: confusão grave, febre, 
diminuição ou perda de reflexos, bradicardia, bradipneia, andar instável, debilidade grave. 
 
Precauções. 
Evitar a ingestão de álcool ou outros depressores do SNC. Ter precaução se aparecerem 
tonturas, sensações de enjoos ou sonolência. Em pacientes com disfunção hepática ou renal devem 
ser prescritas doses menores. A medicação não deve ser suspensa abruptamente, e sim de forma 
gradual. Atravessa facilmente a placenta, as concentrações mais altas são encontradas nela, no 
fígado fetal e cérebro fetal. Por ser excretado no leite materno, seu uso pelas mães pode provocar 
depressão do SNC dos lactentes. Algumas crianças podem reagir ao tratamento com excitação 
paradoxal e os idosos com excitação, confusão ou depressão mental. 
 
Interações. 
Pode diminuir os efeitos do paracetamol pelo aumento do metabolismo por indução de 
enzimas microssômicas hepáticas e, pelo mesmo mecanismo, diminuir o efeito de corticoides, ACTH, 
ciclosporina, dacarbazina, glicosídeos digitálicos, levotiroxina, quinidina e antidepressivos tricíclicos. 
O mesmo efeito é evidenciado com anticoagulantes derivados da cumarina. Aumenta a excreção de 
ácido ascórbico na urina. Diminuição da segurança de anticoncepcionais orais que contenham 
estrogênios. O uso simultâneo de guanetidina ou diuréticos pode agravar a hipotensão ortostática. O 
ácido valproico pode diminuir o metabolismo dos barbitúricos com aumento da depressão do SNC. 
Diminui a absorção quando é empregado juntamente com a griseofulvina. O haloperidol pode 
produzir uma troca na frequência das crises epileptiformes. As fenotiazinas e os tioxantenos podem 
 
 
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diminuir o limiar das crises convulsivas. O metabolismo da mexiletina pode ser acelerado e diminuir 
suas concentrações plasmáticas. Os inibidores da MAO podem prolongar os efeitos depressores do 
SNC. O fenobarbital pode reduzir os efeitos da vitamina D e aumentar o metabolismo das xantinas 
(teofilina, cafeína, aminofilina). 
 
Contraindicações. 
Porfiria aguda, gravidez e lactação. A relação risco-benefício deverá ser avaliada na 
presença de anemia grave, antecedentes de asma, diabetes mellitus, coma hepático, hipercinesia, 
hipertireoidismo, depressão mental, disfunção hepática ou renal. 
 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum 
 
 
30.4 NEUROLÉPTICOS 
 
 
30.4.1 Clorpromazina 
 
 
Clorpromazina 
Ações terapêuticas. 
Antipsicótico (Neurolépticos), antiemético. 
 
Propriedades. 
Como antipsicótico, atua bloqueando os receptores pós-sinápticos dopaminérgicos 
mesolímbicos no cérebro. As fenotiazinas também produzem um bloqueio alfa-adrenérgico e 
deprimem a liberação de hormônios hipotalâmicos e hipofisários. Ainda assim, o bloqueio dos 
receptores dopaminérgicos aumenta a liberação de prolactina na hipófise. Como antiemético, inibe a 
zona disparadora quimiorreceptora medular, e sua ação
ansiolítica pode ocorrer por redução indireta 
dos estímulos sobre o sistema reticular do talo encefálico. Além disso, os efeitos de bloqueio alfa-
adrenérgico podem ocasionar sedação. Seu metabolismo é hepático e elimina-se por via renal e 
biliar. 
 
Indicações. 
Tratamento dos distúrbios psicóticos; é eficaz na esquizofrenia e na fase maníaca da 
doença maníaco-depressiva. Tratamento do controle de náuseas e vômitos graves em pacientes 
selecionados. Terapêutica alternativa para fármacos de primeira linha no tratamento de curto prazo 
 
 
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(não mais de 12 semanas) da ansiedade não psicótica. Tratamento de problemas graves de 
comportamento em crianças (hiperexcitabilidade). Tratamento coadjuvante de tétano e na porfiria 
aguda intermitente. 
 
Dose. 
Forma oral: comprimidos. Dose usual para adultos: 10 a 50mg, de 2 a 6 vezes ao dia, 
ajustando a dose de forma gradual conforme a necessidade e tolerância. Os pacientes geriátricos e 
debilitados requerem uma dose menor. Dose máxima: até 1 grama diário. Doses pediátricas usuais, 
crianças de 6 meses em diante: 0,55mg/kg ou 15mg/m
2
 4 vezes ao dia (geralmente em solução oral 
ou xarope). Injetável, adultos, via IM: de 25 a 50mg repetidos em uma hora, se for necessário, e a 
cada 3 a 12 horas; a partir de então, conforme a necessidade ou tolerância. Via IV: de 25 a 50mg 
diluídos em uma concentração de não mais que 1mg/ml com cloreto de sódio injetável e 
administrados a um ritmo de 1mg por minuto. Dose máxima: até 1 grama ao dia. Doses pediátricas, 
crianças com mais de 6 meses: via IM ou IV, 0,55mg/kg ou 15mg/m
2
 a cada 6 a 8 horas, conforme a 
necessidade; até 40mg ao dia para crianças de 6 meses a 5 anos e até 75mg ao dia para crianças de 
5 a 12 anos. 
 
Reações adversas. 
São de aparição mais frequente: visão turva ou qualquer alteração na visão, movimentos de 
torção do corpo por efeitos parkinsonianos extrapiramidais distônicos. Hipotensão, constipação, 
enjoos, sonolência, secura na boca, congestão nasal. Raramente se observa discinesia tardia, 
micção difícil (por efeito antimuscarínico), erupção cutânea, distúrbios do ciclo menstrual, 
hipersensibilidade à luz solar, galactorreia, náuseas, vômitos. 
 
Precauções. 
Os pacientes que não toleram uma fenotiazina podem não tolerar outras. As medicações 
antipsicóticas elevam as concentrações de prolactina, que persistem durante a administração crônica. 
Em recém-nascidos cujas mães receberam fenotiazinas no final da gravidez foram descritas icterícia 
prolongada, hiporreflexia ou hiper-reflexia e efeitos extrapiramidais. Durante a lactação observa-se 
sonolência no lactente. Os pacientes geriátricos necessitam de uma dose inicial mais baixa, pois 
tendem a desenvolver concentrações plasmáticas mais elevadas, são mais propensos à hipotensão 
ortostática e mostram uma sensibilidade aumentada aos efeitos antimuscarínicos e sedativos das 
fenotiazinas. Também são mais propensos a desenvolver efeitos colaterais extrapiramidais, tais como 
discinesia tardia e parkinsonismo. Sugere-se administrar aos pacientes idosos a metade da dose 
usual do adulto. Por seu efeito antimuscarínico, pode diminuir ou inibir o fluxo salivar e contribuir para 
o desenvolvimento de cáries, doença periodontal e candidíase oral. Os efeitos leucopênicos e 
trombocitopênicos das fenotiazinas podem aumentar a incidência de infecção microbiana, retardo na 
cicatrização e hemorragia gengival. 
 
 
 
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Interações. 
Os anti-histamínicos e os antimuscarínicos intensificam os efeitos antimuscarínicos das 
fenotiazinas, principalmente confusão, alucinações e pesadelos. As anfetaminas podem produzir 
redução dos efeitos antipsicóticos das fenotiazinas e estas diminuem o efeito estimulante das 
anfetaminas. As fenotiazinas podem baixar o limiar para crises convulsivas, sendo necessário ajustar 
a dose dos anticonvulsivos. Podem inibir o metabolismo da fenitoína e dar origem a toxicidade por 
fenitoína. O uso simultâneo com antitireoidianos pode aumentar o risco de agranulocitose; com a 
bromocriptina, podem aumentar as concentrações séricas de prolactina. Podem-se inibir os efeitos 
antiparkinsonianos da levodopa devido ao bloqueio dos receptores dopaminérgicos no cérebro. O uso 
simultâneo com bloqueadores beta-adrenérgicos origina uma concentração plasmática elevada de 
cada medicação. 
 
Contraindicações. 
Depressão grave do SNC, estados comatosos, doença cardiovascular grave. A relação 
risco-benefício deve ser avaliada nas seguintes situações: alcoolismo, angina pectoris, discrasias 
sanguíneas, glaucoma, disfunção hepática, mal de Parkinson, úlcera péptica, retenção urinária, 
síndrome de Reye, distúrbios convulsivos, vômitos (posto que a ação antiemética pode mascarar os 
vômitos como sinal de superdosagem de outras medicações). 
 
 
Produtos Comerciais 
 
AMPLICTIL 
CLORPROMAZINA 
FONTE: P.R. Vade-mécum 
 
 
30.4.2 Haloperidol 
 
 
Haloperidol 
Ações terapêuticas. 
Antipsicótico (Neurolépticos) 
 
Propriedades. 
É um derivado da butirofenona com efeitos similares aos das fenotiazinas derivados da 
piperazina. Produz um bloqueio seletivo sobre o SNC por bloqueio competitivo dos receptores 
 
 
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 159 
dopaminérgicos pós-sinápticos, no sistema dopaminérgico mesolímbico, e um aumento do 
intercâmbio de dopaminas no nível cerebral para produzir a ação antipsicótica. O decanoato, que é a 
forma de ação prolongada, atua como pró-fármaco, liberando de forma lenta e estável haloperidol do 
veículo. O bloqueio dos receptores de dopamina provoca reações motoras extrapiramidais, diminui a 
liberação do hormônio de crescimento e aumenta a liberação de prolactina pela hipófise. Também 
existe certo bloqueio dos receptores alfa-adrenérgicos do sistema autônomo. Absorve-se por via oral 
em 70%; seu metabolismo, que é extenso, realiza-se no fígado; une-se às proteínas em 90% ou 
mais. Aproximadamente 40% de uma dose oral única excretam-se pela urina em cinco dias, dos 
quais 1% é fármaco inalterado. Os 15% da dose oral excretam-se nas fezes por eliminação biliar. 
 
Indicações. 
Tratamento de distúrbios psicóticos agudos e crônicos que incluem esquizofrenia, estados 
maníacos e psicose induzida por fármacos (psicose esteróidea). Pacientes agressivos e agitados. Em 
esquizofrenia crônica, é indicado o decanoato de haloperidol. Tratamento de problemas graves de 
comportamento. Síndrome de Gilles de La Tourette. 
 
Dose. 
A forma farmacêutica oral pode ser ingerida com alimentos ou com leite para diminuir a 
irritação gastrintestinal. Dose para adultos: 0,5 a 5mg de 2 ou 3 vezes ao dia, ajustando-a de forma 
gradual conforme as necessidades e a tolerância. Dose máxima: 100mg/dia. Doses pediátricas: não 
foram estabelecidas doses para crianças menores de três anos; crianças de 3 a 12 anos – distúrbios 
psicóticos: 0,5mg/kg/dia em 2 ou 3 ingestões, com acréscimos de 0,5mg a intervalos de 5 a 7 dias, 
até 1 dose diária total de 0,15mg/kg/dia. Tratamento de comportamento não psicótico e síndrome de 
Gilles de La Tourette: 0,05mg/kg/dia em 2 ou 3 ingestões. Doses geriátricas: de 0,5 a 2mg 2 ou 3 
vezes ao dia. Injetável – adultos: 2 a 5mg por via IM; repetir a dose se for necessário, a intervalos de 
1 hora ou de 4 a 8 horas se os sintomas forem controlados. Dose máxima: 100mg/dia. Decanoato: de 
10 a 15 vezes a dose oral diária prévia de haloperidol até
uma dose inicial máxima de 100mg a 
intervalos mensais. Não foram estabelecidas as doses para crianças. 
 
Reações adversas. 
As crianças são muito sensíveis aos efeitos extrapiramidais. Os pacientes geriátricos ou 
debilitados são mais propensos ao desenvolvimento de efeitos extrapiramidais adversos e de 
hipotensão ortostática. Requerem atenção médica: disartria, instabilidade, rigidez de braços ou 
pernas, tremor e agitação de dedos e mãos, disfagia, movimentos de torção do corpo. São de 
incidência mais rara: movimentos de mastigação, cansaço ou debilidade não habituais, tonturas, 
alucinações, erupção cutânea, aumento de sudorese. Sinais de superdosagem: dificuldade para 
respirar, tonturas, sonolência grave ou estado comatoso, tremores musculares, espasmos, rigidez ou 
movimentos descontrolados ou graves. 
 
 
 
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 160 
Precauções. 
Evitar a ingestão de bebidas alcoólicas ou de outros depressores do SNC durante o 
tratamento. Ter precaução se provocar sonolência durante a realização de exercícios. Podem 
aparecer secura na boca (efeito antimuscarínico) e possível fotossensibilidade da pele. Não é 
recomendável sua utilização em crianças menores de três anos. Os pacientes geriátricos são mais 
propensos à discinesia tardia e parkinsonismo. Os efeitos leucopênicos e trombocitopênicos do 
haloperidol podem provocar um aumento na incidência de infecção microbiana, retardamento na 
cicatrização e gengivas sangrentas. 
 
Interações. 
A ação do álcool é potenciada e pode ser produzida hipotensão grave. Diminui os efeitos 
estimulantes das anfetaminas e reduz os efeitos antipsicóticos do haloperidol. Pode aumentar ou 
diminuir a atividade anticoagulante de derivados cumarínicos ou da indandiona. Intensifica os efeitos 
antimuscarínicos da atropina e compostos relacionados. Aumenta as concentrações séricas de 
prolactina ao indicar-se simultaneamente com bromocriptina. Potencia a ação de depressores do 
SNC. Diminui os efeitos hipotensores da guanetidina e os efeitos terapêuticos da levodopa. Pode 
provocar efeitos mentais não desejados (desorientação) usando-se simultaneamente com metildopa. 
 
Contraindicações. 
Depressão do SNC, grave ou tóxica (induzida por fármacos). Mal de Parkinson. A relação 
risco-benefício será avaliada em alcoolismo ativo, alergias, epilepsia, disfunção hepática ou renal, 
hipertireoidismo ou tireotoxicose, glaucoma e retenção urinária. 
 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 161 
 
 
30.5 ESTIMULANTES DO SNC 
 
 
30.5.1 Anfetaminas 
 
 
FIGURA 14 
 
A anfetamina foi preparada 
pela primeira vez por Edellano, em 
1887 e sintetizada no final da década 
de 1920; sendo introduzida na prática 
médica apenas em 1936. A substância 
foi amplamente utilizada na segunda 
Guerra Mundial por soldados aliados, 
alemães e japoneses com a finalidade 
de aumentar a coragem e reduzir a 
fadiga. Tais efeitos eram realmente percebidos por seus usuários, mas em 1943 as autoridades 
médicas britânicas proibiram o uso de anfetamínicos por parte de pilotos da Royal Air Force, 
incorrendo em sucessivos erros fatais quando sob o efeito destas drogas. 
Após o término da guerra em 1945, o mundo foi invadido pela anfetamina e especialmente 
por dois de seus derivados: a melanfetamina (Pervitin) e a fenmetrazina (Perludin). Os objetivos 
almejados pelos usuários eram: a redução da fadiga, do sono e do apetite, além do aumento da 
capacidade de trabalho. Logicamente os que se deixaram seduzir por esse vasto universo de 
promessas pagaram um tributo relativamente caro à toxicidade dos anfetamínicos. 
As anfetaminas são drogas estimulantes da atividade do sistema nervoso central, isto é, 
fazem o cérebro trabalhar mais depressa, deixando as pessoas mais “acesas”, “ligadas” com “menos 
sono”, “elétricas”, etc. É chamada de rebite principalmente entre os motoristas que precisam dirigir 
durante várias horas seguidas sem descanso, a fim de cumprir prazos predeterminados. Também é 
conhecida como bolinha por estudantes que passam noites inteiras estudando, ou por pessoas que 
costumam fazer regimes de emagrecimento sem o acompanhamento médico. Nos USA, a 
metanfetamina (uma anfetamina) tem sido muito consumida na forma fumada em cachimbos, 
recebendo o nome de “ICE” (gelo). 
Outra anfetamina, metilenodioximetanfetamina (MDMA), também conhecida pelo nome de 
“Êxtase”, tem sido uma das drogas com maior aceitação pela juventude inglesa e agora, também, 
com um consumo crescente nos USA. As anfetaminas são drogas sintéticas, fabricadas em 
 
FONTE: Hospital Israelita Albert Einstein, 2009 
 
 
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 162 
laboratório. Não são, portanto, produtos naturais. Existem várias drogas sintéticas que pertencem ao 
grupo das anfetaminas e como cada uma delas pode ser comercializada sob a forma de remédio, por 
vários laboratórios e com diferentes nomes de fantasia, temos um grande número destes 
medicamentos, conforme mostra a tabela. 
 
Nomes comerciais de alguns medicamentos à base de drogas do tipo 
anfetamina, vendidos no Brasil. Dados obtidos do Dicionário de Especialidades 
Farmacêuticas — DF — ano 1996/1997. 
Droga do tipo Anfetamina Produtos (remédios comerciais) 
vendidos nas farmácias 
Dietilpropiona ou Anfepramona Dualid S; Hipofagin S; Inibex S; 
Moderine 
Fenproporex Desobesi-M; Lipomax AP; Inobesin 
Mazindol Dasten; Fagolipo; Absten-Plus; 
Diazinil; Dobesix 
Metanfetamina Pervitin* 
Metifenidato Ritalina 
* Retirado do mercado brasileiro, mas encontrado no Brasil graças à importação 
ilegal de outros países sul-americanos. Nos USA cada vez mais usado sob o nome de ICE. 
 
As anfetaminas agem de uma maneira ampla, afetando vários comportamentos do ser 
humano. A pessoa sob sua ação tem insônia (isto é, fica com menos sono), inapetência (ou seja, 
perde o apetite), sente-se cheia de energia e fala mais rápido, ficando “ligada”. Assim, o motorista 
que toma o “rebite” para não dormir, o estudante que ingere “bolinha” para varar a noite estudando, 
um gordinho que as engole regularmente para emagrecer ou ainda uma pessoa que se injeta com 
uma ampola de Pervitin ou com comprimidos dissolvidos em água para ficar “ligadão” ou ter um 
“baque’ estão na realidade tomando drogas anfetamínicas. A pessoa que toma anfetaminas é capaz 
de executar uma atividade qualquer por mais tempo, sentindo menos cansaço. Este só aparece 
horas mais tarde quando a droga já se foi do organismo; se nova dose é tomada as energias voltam 
embora com menos intensidade. De qualquer maneira, as anfetaminas fazem com que um 
organismo reaja acima de suas capacidades, exercendo esforços excessivos, o que logicamente é 
prejudicial para a saúde. E o pior é que a pessoa ao parar de tomar sente uma grande falta de 
energia (astenia), ficando bastante deprimida, o que também é prejudicial, pois não consegue nem 
realizar as tarefas que normalmente fazia antes do uso dessas drogas. 
As anfetaminas não exercem somente efeitos no cérebro. Assim, agem na pupila dos 
nossos olhos produzindo uma dilatação (o que em medicina se chama midríase); este efeito é 
 
 
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 163 
prejudicial para os motoristas, pois à noite ficam mais ofuscados pelos faróis dos carros em direção 
contrária. Elas também causam um aumento do número de batimentos
do coração (o que se chama 
taquicardia) e um aumento da pressão sanguínea. Aqui também pode haver sérios prejuízos à 
saúde das pessoas que já têm problemas cardíacos ou de pressão, que façam uso prolongado 
dessas drogas sem o acompanhamento médico, ou ainda que se utilizarem de doses excessivas. 
Se uma pessoa exagera na dose (toma vários comprimidos de uma só vez) todos os 
efeitos acima descritos ficam mais acentuados e podem começar a aparecer comportamentos 
diferentes do normal: ela fica mais agressiva, irritadiça, começa a suspeitar de que outros estão 
tramando contra ela: é o chamado delírio persecutório. Dependendo do excesso da dose e da 
sensibilidade da pessoa pode aparecer um verdadeiro estado de paranoia e até alucinações. É a 
psicose anfetamínica. Os sinais físicos ficam também muito evidentes: midríase acentuada, pele 
pálida (devido à contração dos vasos sanguíneos) e taquicardia. Essas intoxicações são graves e a 
pessoa geralmente precisa ser internada até a desintoxicação completa. Às vezes, durante a 
intoxicação a temperatura aumenta muito e isto é bastante perigoso, pois pode levar a convulsões. 
Finalmente, trabalhos recentes em animais de laboratório mostram que o uso continuado 
de anfetaminas pode levar à degeneração de determinadas células do cérebro. Esse achado indica 
a possibilidade de o uso crônico de anfetaminas produzir lesões irreversíveis em pessoas que 
abusam destas drogas. Quando uma anfetamina é continuamente tomada por uma pessoa, esta 
começa a perceber com o tempo que a droga faz a cada dia menos efeito; assim, para obter o que 
deseja, precisa ir tomando a cada dia, maiores doses. Há até casos que de 1-2 comprimidos a 
pessoa passou a tomar até 40-60 comprimidos diariamente. Este é o fenômeno de tolerância, ou 
seja, o organismo acaba por se acostumar ou ficar tolerante à droga. Discute-se até hoje se uma 
pessoa que vinha tomando anfetamina há tempo e para de tomar, apresentaria sinais desta 
interrupção da droga, ou seja, se teria uma Síndrome de abstinência. Ao que se sabe algumas 
pessoas podem ficar nestas condições em um estado de grande depressão, difícil de ser suportada; 
entretanto, isto não é uma regra geral, isto é, não aconteceria com todas as pessoas. 
O consumo dessas drogas no Brasil chega a ser alarmante, tanto que até a Organização 
das Nações Unidas vem alertando o Governo brasileiro a respeito. Por exemplo, entre estudantes 
brasileiros do 1º e 2º graus das 10 maiores capitais do país, 4,4% revelaram já ter experimentado 
pelo menos uma vez na vida uma droga tipo anfetamina. O uso frequente (6 ou mais vezes no mês) 
foi relatado por 0,7% dos estudantes. Este uso foi mais comum entre as meninas. Outro dado 
preocupante diz respeito ao total consumido no Brasil: em 1995 atingiu mais de 20 toneladas, o que 
significa muitos milhões de doses. 
 
FONTE: Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – CEBRID 
 
 
 
 
 
 
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 164 
 
 
30.5.2 A Cafeína 
 
 
A Cafeína 
 
A forma pura da cafeína foi extraída das plantas em 1820, mas, 
atualmente, pode ser produzida em laboratório. É o estimulante legal mais 
usado no mundo. A cafeína é mais comumente associada ao café e às 
bebidas à base de cola que contém cafeína e flavorizantes extraídos de fontes 
naturais (grãos de café e nozes de cola, respectivamente). 
O café é a bebida que contém cafeína mais consumida no mundo. O cafeeiro é originário da 
Etiópia, tendo chegado à Arábia no século XIII e à Turquia no século XVI. Mas é somente com sua 
chegada à Itália, no princípio do século XVII, que se dá sua grande expansão, pois começaram a 
surgir, desde então, casas de café por toda Europa, servindo de local de encontro e discussões 
sérias. Na segunda metade do século XVII, o café chegou à América. Antes de ser consumido da 
maneira que conhecemos, o café, há cerca de 700 anos, foi uma comida, depois vinho e também 
remédio. 
No século XVII, em vários condados da Alemanha e na Rússia Czarista, consumidores de 
café foram condenados à morte. Tendo se popularizado com sua chegada à Europa, foram os 
Estados Unidos, após sua independência, que se tornaram o principal consumidor mundial, 
respondendo hoje pelo consumo de cerca de 1/3 (um terço) do café cultivado no mundo. O Brasil 
entra, por sua vez, na estatística do café com o primeiro lugar entre os produtores, vindo 
acompanhado da Colômbia, detentora do segundo. Atualmente é também cultivado em Java, 
Sumatra, Índia, Arábia, África Equatorial, Havaí, México, Antilhas, América Central e outros países da 
América do Sul. 
O chá contém quantidade significativa de cafeína e teofilina, enquanto que o chocolate 
(cacau) contém quantidades relativamente baixas de cafeína e teobromina. Teofilina e teobromina 
são parentes químicos da cafeína. O café foi inicialmente usado para ajudar a manter as pessoas 
acordadas nas noites frias, durante longos eventos religiosos. A cafeína não produz uma verdadeira 
euforia, mas causa dependência psicológica, aumenta a vivacidade, a performance mental e a 
motora, especialmente nos fadigados. Esses sintomas, junto com alguns dos efeitos de doses altas – 
por exemplo, agitação e até convulsões – acontecem principalmente pelo bloqueio dos receptores de 
adenosina. A adenosina é um hormônio local autorregulável que modula (normalmente inibe) a 
função da maioria das células no corpo. A quantidade de cafeína em duas ou três xícaras de café 
bloqueia 50% dos receptores de adenosina. 
A cafeína é a 1, 3, 7-trimetilxantina – um pó branco cristalino muito amargo. Na medicina, é 
utilizada como um estimulante cardíaco e um diurético. Ela também produz um “boost” de energia, ou 
 
 
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 165 
um aumento no estado de alerta – por isso, motoristas e estudantes tomam litros de café para 
permanecerem acordados. A cafeína é uma droga que causa dependência – física e psicológica. Ela 
opera por mecanismos similares às anfetaminas e à cocaína. Seus efeitos, entretanto, são mais 
fracos do que essas drogas, mas ela age nos mesmos receptores do sistema nervoso central (SNC). 
A ligação da adenosina, um neurotransmissor natural, aos seus receptores, diminui a 
atividade neural, dilata os vasos sanguíneos, entre outros. A cafeína se liga aos receptores da 
adenosina e impede a ação da mesma sobre o SNC. Estimula a atividade neural e causa a constrição 
dos vasos sanguíneos, pois bloqueia a ação da adenosina. Muitos medicamentos contra a dor de 
cabeça, tal como a Aspirina Forte, contém cafeína – na dor de cabeça vascular, a cafeína irá contrair 
os vasos sanguíneos e aliviar a dor. Com o aumento da atividade neural, a glândula pituitária 
(localizada sobre os rins, libera grandes quantidades de adrenalina, que causa uma série de efeitos 
no corpo humano, como a taquicardia, aumento da pressão arterial, abertura dos tubos respiratórios 
(por isso muitos medicamentos contra a asma contém cafeína), aumento do metabolismo e contração 
dos músculos, entre outros. 
Outro modo de ação da cafeína é o bloqueio da enzima fosfodiesterase, responsável pela 
quebra do mensageiro cAMP, então os sinais excitatórios da adrenalina persistem por muito mais 
tempo. Repare como as estruturas da cafeína, adenosina e cAMP são similares. A cafeína também 
aumenta a concentração de dopamina no sangue (assim como fazem as anfetaminas e a cocaína), 
por diminuir a recaptação desta no SNC. A dopamina também é um neurotransmissor (relacionado 
com o prazer) e suspeita-se que seja justamente
este aumento dos níveis de dopamina que leve ao 
vício da cafeína. 
 
Sistema Cardiovascular 
 
Duas a três xícaras de café forte (aproximadamente 250 mg de cafeína), em uma pessoa 
que não faz uso regular da bebida, pode causar aumento da frequência cardíaca (taquicardia). Em 
alguns casos pode haver sensação de palpitação produzida pela ocorrência de extrassístoles. Há 
também maior probabilidade de haver um aumento da pressão sanguínea desencadeada pela 
cafeína, juntamente com vasodilatação e aumento do fluxo sanguíneo para os tecidos em geral, 
incluindo as coronárias. Os vasos sanguíneos cerebrais, por sua vez, apresentam diminuição do 
calibre. Essa vasoconstrição cerebral é a propriedade que justifica o emprego da cafeína no 
tratamento de crises de enxaqueca, onde a vasodilatação existente é responsável pelo quadro, e é 
combatida pela cafeína. 
 
Sistema Respiratório 
 
A cafeína possui dois efeitos importantes no sistema respiratório. Ela estimula os 
neurônios do centro respiratório do cérebro, proporcionando um aumento discreto da frequência e a 
intensidade da respiração, juntamente com um efeito local nos brônquios, produzindo um satisfatório 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 166 
efeito broncodilatador. Essas propriedades sugerem benefícios no consumo regular de cafeína por 
pacientes asmáticos. 
 
Sistema Geniturinário 
 
A ingestão aguda de cafeína produz um moderado aumento no volume de urina e na 
excreção urinária de sódio, diminuindo a reabsorção de sódio e de água nos túbulos renais. Assim, 
ela tem algum efeito diurético que pode ser útil no alívio de cólicas menstruais (dismenorreia) 
produzidas pela retenção de líquidos. Esse efeito de alívio na dismenorreia é realçado pelos efeitos 
analgésicos da substância. 
 
Sistema Digestivo 
 
A cafeína estimula a secreção gástrica de ácido clorídrico e da enzima pepsina no ser 
humano, em doses a partir de 250 mg (duas xícaras de café forte). Essa característica da cafeína a 
contraindica em pacientes com úlcera digestiva. Entretanto, em pessoas sem nenhuma patologia 
digestiva a cafeína não tem sido associada a um maior risco de úlcera péptica. Essa associação 
ainda não foi definitivamente investigada e esclarecida, por meio de pesquisas clínicas convincentes. 
 
Sistema Endócrino 
 
A cafeína tem sido associada a um aumento nos níveis de ácidos graxos livres no sangue, 
portanto, funcionaria como uma substância capaz de mobilizar gorduras. Esse efeito não teria 
influência da tolerância, ou seja, ele se observaria tanto em pessoas que usam cafeína 
esporadicamente, como nos usuários crônicos. O efeito termogênico, de aumento dos níveis de 
ácidos graxos, ocorre devido a uma mobilização das gorduras de seus depósitos (lipólise), muito 
provavelmente em consequência da ação da cafeína como antagonista dos efeitos da adenosina no 
tecido adiposo. Atualmente, já existem evidências de que possa ter algum efeito da cafeína no 
emagrecimento de pessoas obesas, principalmente quando ingerida junto com as refeições. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 167 
 
 
30.6 PSICOFÁRMACOS UTILIZADOS NOS DISTÚRBIOS DEGENERATIVOS DO 
SNC 
 
 
30.6.1 Levodopa + Carbidopa 
 
 
Carbidopa + levodopa 
Ações terapêuticas. 
Antidiscinésico. 
 
Propriedades. 
A carbidopa é um análogo hidrazínico de levodopa, inibidor da descarboxilase de L-
aminoácidos aromáticos. A carbidopa inibe a descarboxilação periférica da levodopa, retardando 
assim sua conversão a dopamina nos tecidos extracerebrais. Tem como resultado um aumento da 
disponibilidade de levodopa para seu transporte ao cérebro, onde sofre descarboxilação a dopamina. 
É absorvida de 40 a 70% da dose oral. Sua união às proteínas é moderada (36%), com meia-vida de 
1 a 2 horas, aumentando a meia-vida plasmática da levodopa em 1 a 2 horas e, em alguns casos, até 
15 horas. É eliminada por via renal na urina em 24 horas, e aumenta em 6% a quantidade de 
levodopa excretada na urina. A levodopa é um precursor da dopamina. A pequena dose que 
atravessa a barreira hematoencefálica se descarboxila a dopamina. Estimula os receptores 
dopaminérgicos nos gânglios basais e melhora o equilíbrio entre a atividade colinérgica e a 
dopaminérgica, o que melhora a modulação dos impulsos nervosos voluntários transmitidos ao córtex 
motor. Absorve-se com rapidez no intestino delgado; a enzima descarboxilase de aminoácidos L-
aromáticos converte 95% em dopamina no estômago, no intestino e no fígado por metabolismo de 
primeiro passo. Sua meia-vida é de 1 a 3 horas. É eliminada por via renal como metabólitos da 
dopamina (ácido di-idroxifenilacético e ácido homovainílico). 
 
Indicações. 
Parkinsonismo idiopático, pós-encefalítico ou sintomático. Essa associação permite 
conseguir alívio sintomático com uma dose menor de levodopa do que com levodopa isoladamente. 
 
Dose. 
Inicial: 10mg de carbidopa e 100mg de levodopa ou 25mg de carbidopa e 100mg de 
levodopa, três vezes ao dia; aumentar a dose diária de forma gradual com intervalos de um a dois 
dias. Os pacientes de idade avançada e pós-encefalíticos podem ser mais sensíveis aos efeitos da 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 168 
dose usual para adultos. 
 
Reações adversas. 
Os pacientes que recebem esta medicação por um ou vários anos podem apresentar 
acinesia inesperada, tremor e rigidez repentinos, assim como o fenômeno on-off. São de incidência 
mais frequente: depressão mental, alterações no estado de ânimo, como comportamento agressivo. 
Movimentos incontrolados do corpo; estão, em geral, relacionados com a dose. De incidência menos 
comum: micção dificultada, enjoos, arritmias, náuseas ou vômitos graves ou contínuos. Raramente se 
observa hipertensão, cansaço ou debilidade não habituais. 
 
Precauções. 
A eficácia máxima da medicação pode não aparecer durante várias semanas após o início 
do tratamento. Os diabéticos devem ter cautela com os testes de glicosúria ou cetonúria, posto que 
podem interferir na sua leitura. Não foram realizados estudos adequados em menores de 18 anos e, 
portanto, não é recomendada sua administração a eles. Os efeitos colaterais psíquicos, tais como 
ansiedade, confusão ou nervosismo, são mais comuns em pacientes de idade mais avançada que 
recebem outra medicação antiparkinsoniana. 
 
Interações. 
O triexifenidil aumenta a ação da levodopa; os anestésicos orgânicos por inalação podem 
produzir arritmias cardíacas por aumento da concentração de dopamina endógena. Os antiácidos que 
contêm cálcio, magnésio ou bicarbonato de sódio podem aumentar a absorção de levodopa. O uso 
simultâneo com aloperidol, fenotiazina, alcaloides da rauwolfia, tioxantenos, anticonvulsivos ou 
benzodiazepinas diminui os efeitos terapêuticos da levodopa. A bromocriptina pode produzir efeitos 
adicionais, o que permite reduzir a dose de levodopa. Os medicamentos hipotensores podem 
aumentar o efeito hipotensor da carbidopa mais levodopa. O uso simultâneo de metildopa pode 
alterar os efeitos antiparkinsonianos da levodopa. 
 
Contraindicações. 
A relação risco-benefício deve ser avaliada na presença de asma brônquica, enfisema e 
outras doenças pulmonares graves; doença cardiovascular grave, antecedentes de distúrbios 
convulsivos, diabetes mellitus, glaucoma de ângulo fechado, disfunção hepática ou renal, melanoma, 
antecedentes de úlcera péptica,
estados psicóticos, gravidez e lactação. 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum 
 
 
 
 
 
 
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 169 
 
 
30.6.2 Selegilina 
 
 
 
Selegilina 
Ações terapêuticas. 
Antiparkinsoniano. 
 
Propriedades. 
Moderno antiparkinsoniano que parece agir inibindo de forma irreversível a enzima 
monoamino oxidase B, acarretando a degradação da dopamina no cérebro. A selegilina pode 
aumentar a transmissão dopaminérgica por outros mecanismos, como o de impedir a recaptura da 
dopamina ao nível da sinapse. Nas doses preconizadas inibe seletivamente a MAO B; porém em 
doses maiores, a MAO A pode também ser inibida. A não ocorrência de crises hipertensivas na 
vigência de doses terapêuticas da selegilina associada a alimentos que contêm tiramina (queijo, 
vinho, licores, peixes, leveduras, etc.) pode ser explicada pela presença da MAO A também ao nível 
do intestino; dessa forma a tiramina ingerida seria normalmente metabolizada sob ação dessa 
enzima. Seu efeito benéfico no tratamento do mal de Parkinson ocorre, sobretudo, como coadjuvante 
a outros fármacos como a levodopa e a carbidopa. 
 
Indicações. 
Mal de Parkinson, como coadjuvante de levodopa/carbidopa, em pacientes que apresentem 
falha no tratamento com levodopa/carbidopa. Tem sido utilizado de forma isolada ou como 
coadjuvante no tratamento da demência do tipo Alzheimer e na depressão endógena. 
 
Dose. 
Em pacientes que recebem levodopa/carbidopa, recomendam-se 10mg/dia, subdivididos em 
duas doses de 5mg: uma no café da manhã e outra no almoço. Após três dias de tratamento, pode-se 
proceder a redução da dose de levodopa/carbidopa (conseguindo-se uma redução de 10 a 30%) que 
com o tratamento prolongado pode até permitir novas reduções da dose de levodopa/carbidopa. 
 
Superdose. 
Agitação psicomotora, hipotensão severa e sintomas similares aos resultantes da superdose 
de inibidores da MAO A. O tratamento deve ser de suporte e sintomático. A indução do vômito e a 
administração de diazepam podem ser necessárias. Deve-se evitar a administração de derivados 
fenotiazínicos. 
 
 
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 170 
 
Reações adversas. 
Costumam aparecer com frequência, porém não muito severa, náuseas, enjoos, fraqueza, 
dor abdominal, confusão, alucinações, sensação de boca seca, sonhos vividos e discinesias. 
 
Precauções. 
Depois do início do tratamento observa-se aumento dos efeitos adversos da levodopa, o 
que obriga a redução da dose dessa última. Recomenda-se não superar a dose diária de 10mg para 
evitar o risco da aparição dos efeitos decorrentes da inibição da MAO A. O risco/benefício deve ser 
avaliado durante a gravidez. O aleitamento deve ser suspenso. A segurança e a eficácia em crianças 
não foram ainda estabelecidas. 
 
Interações. 
Meperidina: rigidez muscular, estupor, agitação severa. 
 
Contraindicações. 
Hipersensibilidade à selegilina. Pacientes que recebem meperidina ou outros opioides. 
 
 
Produtos Comerciais 
 
 ELEPRIL 
 JUMEXIL 
 
FONTE: P.R. Vade-mécum 
 
 
30.6.3 Rivastigmina 
 
 
Rivastigmina - Ações terapêuticas. 
Inibidor pseudoirreversível da acetilcolinesterase cerebral. 
 
Propriedades. 
Trata-se de um composto do tipo carbamato que inibe seletivamente a enzima 
acetilcolinesterease cerebral; dessa maneira, pela diminuição da degradação da acetilcolina liberada 
nas terminações nervosas, melhora a neurotransmissão colinérgica. Essa inibição é benéfica para os 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 171 
pacientes com mal de Alzheimer, pois nesses há deficiência cognitiva mediada por aquele 
neurotransmissor. A este respeito, observou-se que o efeito da rivastigmina sobre a enzima poderia 
diminuir a formação da proteína precursora do beta-amiloide e, assim, diminuiria a formação das 
placas amiloides características da doença. Sua absorção após administração oral é rápida e 
completa. O fármaco liga-se moderadamente a proteínas plasmáticas (aproximadamente 40%) e 
atravessa facilmente a barreira hematoencefálica. O metabolismo é realizado principalmente por 
hidrólise mediada por esterases hepáticas, e os metabólitos são eliminados totalmente por via renal. 
A meia-vida plasmática do fármaco é de 1 hora. 
 
Indicações. 
Demência leve a moderadamente severa tipo Alzheimer (provável Mal de Alzheimer). 
 
Dose. 
Dose inicial: 1,5 mg duas vezes ao dia. Dose de manutenção: 1,5 a 8 mg duas vezes ao dia. 
Dose máxima recomendada: 12 mg ao dia. 
 
Superdose. 
O tratamento a seguir em casos de superdosagem é administrar sulfato de atropina por via 
intravenosa, iniciando com uma dose de 0,03 mg por quilo de peso. 
 
Reações adversas. 
São leves a moderadas, e compreendem náuseas, vômitos, diarreia, dores abdominais, 
perda de apetite, dispepsia, fadiga, astenia, tremores, agitação, insônia e depressão. A severidade e 
incidência destes efeitos aumentam proporcionalmente com a dose administrada. 
 
Precauções. 
Administrar com precaução em paciente com arritmias cardíacas, úlcera gastrintestinal, 
enfermidades respiratórias, obstrução urinária e crises convulsivas. Como não se dispõe de estudos 
adequados em mulheres grávidas ou no período de lactação, recomenda-se administrar o fármaco 
somente nos casos em que o benefício para a mãe supere o potencial risco para a criança. 
 
Interações. 
Não administrar concomitantemente com relaxantes musculares tipo succinilcolina durante a 
anestesia, pois há aumento de sua ação farmacológica. Não utilizar com fármacos colinomiméticos, 
pois há intergerência mútua. A rivastigmina pode ser administrada juntamente com os seguintes 
fármacos: digoxina, varfarina, diazepam, fluoxetina, antiácidos, antieméticos, antidiabéticos, anti-
hipertensivos de ação central, beta-bloqueadores dos canais de cálcio, antianginosos, anti-
inflamatórios não esteroidais, estrógenos, analgésicos, anti-histamínicos e benzodiazepínicos. 
 
 
 
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 172 
Contraindicações. 
Hipersensibilidade à rivastigmina ou a outros derivados do carbamato. 
 
 Produtos Comerciais: EXELON 
FONTE: P.R. Vade-mécum 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO MÓDULO IV 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AN02FREV001/REV 4.0 
 173 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
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limites das análises toxicológicas para substâncias psicoativas. Disponível em: 
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2009. 
 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. ANVISA. Alprazolam. Disponível em: 
<http://www7.anvisa.gov.br/datavisa/Substancia/ConsultaSubstancia03.asp?NU_SU
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BRASIL. Ministério da Saúde. ANVISA. Bromazepam. Disponível em: 
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BRASIL. Ministério da Saúde. ANVISA. Flunitrazepam. Disponível em: 
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BRASIL. Ministério da Saúde. ANVISA. Flurazepam. Disponível em: 
<http://www7.anvisa.gov.br/datavisa/Substancia/ConsultaSubstancia03.asp?NU_SU
BSTANCIA_TABELA=03251012>. Acesso em: 29 set. 2009. 
 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. ANVISA. Lorazepam. Disponível em: 
<http://www7.anvisa.gov.br/datavisa/Substancia/ConsultaSubstancia03.asp?NU_SU
BSTANCIA_TABELA=04217012>. Acesso em: 29 set. 2009. 
 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. ANVISA. Zolpidem. Disponível em: 
<http://www7.anvisa.gov.br/datavisa/Substancia/ConsultaSubstancia03.asp?NU_SU
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 AN02FREV001/REV 4.0 
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HARVEY R. A.; CHAMPE P. C. Farmacologia Ilustrada. 2. ed. Porto Alegre: 
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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Unifesp Virtual. Disponível em: 
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PSIQWEB – TEMAS DE PSIQUIATRIA GERAL. Disponível em: 
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SITE OFICIAL DR. DRAUZIO VARELLA. Disponível em: 
<http://drauziovarella.com.br>. Acesso em: 28 set. 2009. 
 
 
SOUZA, J. C.; CAMARGO, D. A. Psicofarmacologia e Equipe Multidisciplinar. 1. 
ed. Campo Grande: UCDB, 2002. 
 
 
 
 
 
 
 
FIM DO CURSO

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