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RESPONSABILIDADE CIVIL 2

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e companhia, mesmo que 
provarem não agir com negligência. A responsabilidade será objetiva, e os pais irão substituir os filhos, 
consoante a Teoria da Substituição. 
 A responsabilidade do tutor e curador pelos pupilos e curatelados que se acharem sob sua autoridade e 
companhia é aplicada nos mesmos moldes que a responsabilidade dos genitores. Importante ressaltar que 
inexiste proibição legal sobre direito de regresso em face dos pupilos ou curatelados. 
 No caso do empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho 
que lhes competir ou em razão dele, o CC/02 inovou. 
 
Anteriormente, a aplicação do Código Civil de 2002, nesses casos, havia a responsabilidade por culpa in 
elegendo, como culpa presumida na forma da Súmula n. 341 do STF que, ao final, resultava nas mesmas 
consequências previstas no atual diploma civil, que transformou em responsabilidade objetiva. 
 
A norma abrange não somente a relação de emprego, mas toda e qualquer outra relação empregatícia com 
subordinação, chamada de preposição. 
 
 Referente aos donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, 
mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos, alguns pontos merecem 
destaque. 
 
A responsabilidade é objetiva como acima mencionado. Os hotéis, em especial, responderiam também, caso o 
CC/02 não dispusesse sobre essa matéria, de maneira objetiva, por força do artigo 14 da Lei n. 8.078/90, visto 
que está presente o risco da atividade desenvolvida. 
 
Tanto nos casos dos hospitais, clínicas e outros estabelecimentos similares, bem como nas escolas, enquanto 
estiverem no referido local, aplica-se a teoria da guarda. 
 
Quando o paciente nos hospitais for menor ou adolescente, deverá ser observado o artigo 12 da Lei n. 
8.069/90 do ECA: 
 
Art. 12. Os estabelecimentos de atendimento à saúde deverão proporcionar condições para a permanência em 
tempo integral de um dos pais ou responsável, nos casos de internação de criança ou adolescente. 
 
Atualmente, estão na moda os casos de bullying, que consiste em apertadíssima síntese na prática infantil de 
deboche com isolamento da pessoa naquela comunidade, geralmente ocorrendo nos colégios. Logo há 
responsabilidade pedagógica do estabelecimento de ensino, sob pena de infração administrativa, conforme 
artigo 245 do ECA: 
 
 
 
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Art. 245. Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino 
fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha 
conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente. Pena – 
multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. 
 
Atenção: Sobre o tema, importa observar a recente Lei n. 13.185, de 06.11.2015 que institui o Programa de 
Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). 
 
 Em relação aos que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, será responsabilizado 
objetivamente até a concorrente quantia da qual tirou o proveito efetivo, consagrando o Princípio da reparação 
do indevido. 
 Deve ser ressaltada a norma do artigo 934 da lei civil, que trata do direito de regresso. Somente no caso do 
inciso I do artigo 932 não será cabível tal direito. Atenção! 
 
5.1. Independência das responsabilidades civil e criminal 
 
A responsabilidade civil e criminal possui comunicação, no entanto, irá prevalecer de forma absoluta o 
reconhecimento do fato e de autoria na justiça penal (art. 935 do CC). Não corre a prescrição antes do trânsito 
em julgado da sentença penal condenatória (art. 200 do CC) e esta formará título executivo judicial na jurisdição 
civil, consoante disposição do CPC. 
 
6. Responsabilidade por fato da coisa ou do animal 
 
O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta 
de reparos, cuja necessidade seja manifesta. 
 
Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responsabiliza-se pelo dano proveniente das coisas que dele caírem 
ou forem lançadas em lugar indevido. Quando não é possível identificar em um prédio com diversos blocos o 
autor do lançamento de objetos, a doutrina entende que se aplica a Teoria da Pulverização dos Danos, 
respondendo todos os condôminos por não se conseguir individualizar a conduta. 
 
Já a responsabilidade por fato do animal se aplica também a teoria da guarda, devendo o dono ou o detentor 
de animal ressarcir o dano causado por este. Essa regra é aplicável tanto ao adestrador quanto aos 
estabelecimentos especializados. Para estes casos, são aplicáveis a isenção de responsabilidade mediante 
produção probatória da culpa exclusiva da vítima ou força maior. 
 
8. Excludentes de ilicitude e excludentes de responsabilidade 
 
As excludentes de ilicitude afastam a ilicitude da conduta, mas não o dever de indenizar, respondendo o agente 
pelos atos lícitos. Têm-se, como exemplos, o estado de necessidade, a legítima defesa e o exercício regular 
do direito. 
 
Por sua vez, as excludentes de responsabilidade rompem o nexo causal e afastam o dever de indenizar. 
Exemplos: o caso fortuito, a força maior e a culpa exclusiva da vítima. 
 
8.1. Estado de necessidade 
 
Baseia-se na deterioração ou destruição da coisa alheia, ou lesão à pessoa, com o fim de remover perigo 
iminente, quando as circunstâncias não autorizarem outra forma de atuação. Nesse caso, o agente irá atuar 
com o fim de resguardar direito seu ou de outra pessoa em situação de perigo concreto. 
 
Esta excludente foi regulamentada no artigo 188, inciso II, c/c artigo 929, ambos do Código Civil. 
 
8.2. Legítima defesa 
 
Este instituto preceitua que o agente, diante de situação de injusta agressão atual e iminente, a si ou a outra 
pessoa, age de forma moderada a repelir o acometido. Tal forma de exclusão de ilicitude encontra-se prevista 
no artigo 188, inciso I, 1ª parte, do diploma civil. 
 
 
 
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No caso da defesa gerar danos a terceiros, deverá o agente, ainda que licitamente em sua defesa ou de outrem, 
indenizar o terceiro na forma dos artigos 929 e 930 do Código Civil. 
 
8.3. Exercício regular do direito 
 
Presente no artigo 188, inciso I, 2ª parte, da norma civilista, consiste na extrapolação dos fins colimados pela 
lei. Quando não for ilícito, será exercício regular do direito. Ressalte-se que o estrito cumprimento do dever 
legal não está previsto, dessa forma deve ser encarado como uma espécie de exercício regular do direito. 
 
8.4. Caso fortuito e força maior 
 
São institutos bem parecidos e podem ser conceituados da seguinte maneira: 
 
a) Caso fortuito – marcado pela imprevisibilidade, advém de causa desconhecida. 
b) Força maior – caracterizada pela inevitabilidade, sobrevém de causa conhecida. 
 
8.5. Culpa exclusiva da vítima 
 
Diferente da culpa concorrente da vítima, a culpa exclusiva da vítima ocorrerá quando ela concorrer sozinha 
para a ocorrência do evento danoso. Há previsão legal neste sentido no artigo 14, § 3º, inciso II, da Lei n. 
8.078/90. Um exemplo seria um consumidor que compra uma passagem para um determinado horário e não 
comparece. A companhia não é obrigada a devolver o valor da passagem em razão do serviço ter sido prestado 
adequadamente e o consumidor não ter se beneficiado pelo seu não comparecimento. 
 
Já a culpa concorrente, prevista no artigo 945 do Código Civil, ocorrerá se a vítima tiver concorrido 
culposamente para o evento danoso. A indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa 
em confronto com a do autor do dano. 
 
É importante destacar que se houver previsão legal de responsabilidade objetiva não se discute a culpa, exceto 
quando

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