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RESPONSABILIDADE CIVIL 2

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compensação razoável, exceto quando a proibição da 
prestação de serviço resultar de lei de ordem pública. 
 
7.13. Formas de extinção do contrato 
 
A lei civil estabeleceu algumas formas de extinção do contrato, dentre elas consta a morte de qualquer das 
partes, escoamento do prazo contratualmente determinado, conclusão da obra, rescisão do contrato mediante 
aviso prévio, inadimplemento de qualquer das partes ou impossibilidade da continuação do contrato motivada 
por força maior. 
 
7.14. Aliciamento do prestador de serviço 
 
Atente-se para a leitura do artigo 608 do Código Civil: 
 
Art. 608. Aquele que aliciar pessoas obrigadas em contrato escrito a prestar serviço a outrem pagará a este a 
importância que ao prestador de serviço, pelo ajuste desfeito, houvesse de caber durante dois anos.” 
 
7.15. Alienação do prédio agrícola e suas consequências 
 
Não implica a rescisão do contrato quando o prédio agrícola, local da prestação de serviços, é alienado, salvo 
no caso em que o prestador opte em continuar com o adquirente da propriedade ou com o contratante inicial. 
 
8. EMPREITADA (arts. 610 a 626 do CC) 
 
8.1. Conceito 
 
Trata-se de contrato em que o contratado/empreiteiro se obriga, sem subordinação ou dependência, a realizar 
pessoalmente ou por terceiros determinada obra para o dono ou para o empreiteiro contratado, com material 
 
 
 
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próprio ou fornecido pelo dono da obra, mediante remuneração determinada ou proporcional ao trabalho 
executado. 
 
8.2. Natureza jurídica 
 
a) Bilateral – gera deveres a ambas as partes. 
b) Comutativo – possui o prévio conhecimento das obrigações contratuais. 
c) Oneroso – proporciona repercussão econômica. 
d) Informal e não solene – não há previsão legal expressa quanto à sua forma, podendo ser verbal, escrito ou 
por instrumento particular. 
e) Consensual – deriva da vontade comum das partes. 
f) Instantâneo ou de longa duração – o primeiro se consumará com a prática do ato, já o segundo necessita 
de tempo para se exaurir. 
g) Não personalíssimo – sua execução pode ser confiada a terceiros, sob a responsabilidade do empreiteiro. 
 
8.3. Espécies 
 
a) de lavor – neste contrato o empreiteiro somente contribui com o seu trabalho; 
b) mista – o empreiteiro contribui com o seu trabalho, mas também com os materiais necessários para a sua 
realização; 
c) de projeto – a obrigatoriedade do empreiteiro é somente entregar o seu projeto final; 
d) instantânea – é estabelecida remuneração fixa para a execução da obra; 
e) por medida/ad mensuram – nesta modalidade, a fixação do preço é determinada pelas etapas realizadas, 
isto é, a remuneração é proporcional ao trabalho executado; 
f) por administração – na qual o empreiteiro se encarrega da execução do projeto, pesquisando preço, 
profissionais, dentre outros aspectos, sendo remunerado de forma fixa ou através de um percentual sobre o 
custo da obra. 
 
8.4. Deveres e direitos do dono da obra 
 
Quando a obra for concluída de acordo com o que foi pactuado inicialmente, o dono da obra será obrigado a 
aceitá-la, podendo rejeitá-la caso o empreiteiro se afaste das instruções recebidas, dos planos dados ou das 
regras técnicas em trabalhos de tal natureza. 
 
8.5. Responsabilidade do empreiteiro 
 
Existem três pontos a serem analisados: 
 
a) Consoante o artigo 617 do CC: 
 
Art. 617. O empreiteiro é obrigado a pagar os materiais que recebeu, se por imperícia ou negligência os 
inutilizar. 
 
b) O empreiteiro responderá durante o irredutível prazo de cinco anos, pela solidez e segurança do trabalho, 
como também em razão dos materiais utilizados; contudo decairá o direito do dono da obra que não propuser 
a ação contra o empreiteiro, nos 180 dias seguintes ao aparecimento do vício ou defeito; cumpre ressaltar que 
tal responsabilidade é objetiva segundo a norma do artigo 618 do CC, cuja obrigação é de resultado. 
 
c) Se a obra ficar paralisada sem justo motivo resolve-se em perdas e danos, podendo o empreiteiro suspender 
a obra nos casos do artigo 625 do CC. 
 
8.6. Subempreitada 
 
Esta modalidade contratual não possui natureza personalíssima, podendo a execução da obra ser confiada a 
terceiros, desde que os mesmos não assumam a direção ou fiscalização do serviço, ficando limitados os danos 
resultantes de defeitos durante o irredutível prazo de cinco anos. 
 
 
 
 
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9. DEPÓSITO (arts. 627 a 652 do CC) 
 
9.1. Conceito 
 
Neste contrato, o depositário recebe um objeto móvel para guardar até que o depositante o reclame, sendo em 
regra gratuito, exceto se houver convenção em contrário e for fruto de atividade negocial ou se o depositário o 
praticar por profissão. 
 
9.2. Natureza jurídica 
 
a) Real – depende da entrega da coisa. 
b) Unilateral – somente gera obrigações a uma das partes, todavia excepcionalmente na hipótese do artigo 
643 do Código Civil, poderá se tornar contrato bilateral imperfeito. 
c) Gratuito – regra geral onera somente uma das partes, havendo extraordinariamente remuneração ao 
depositário. 
d) Informal – não obstante o deposito voluntário se provar por escrito, não há regramento específico para a 
sua celebração. 
e) Não solene – pode ser feito por instrumento particular. 
f) Personalíssimo – o contrato será ajustado de acordo com o depositário, podendo ser afastado quando o 
depositário for pessoa jurídica. 
g) Temporário – pode ser estipulado prazo final ou não nesta modalidade de contrato. 
 
9.3. Modalidades 
 
a) voluntário – decorre da autonomia da vontade das partes; 
b) necessário – não resulta da autonomia da vontade, sendo subdividido em: 
 
b.1) legal – origina-se do direito positivo; 
b.2) miserável – sucede de calamidade pública; 
b.3) hospedeiro – depende da guarda das bagagens de hospedes; 
 
c) regular – deriva de bem infungível e inconsumível; 
d) irregular – oriunda de bem fungível ou consumível; 
e) judicial – possui como finalidade resguardar a coisa até a decisão final judicial, derivando de mandado 
judicial; 
f) bem indivisível – diz o artigo 639 da lei civilista: 
 
Art. 639. Sendo dois ou mais depositantes, e divisível a coisa, a cada um só entregará o depositário a respectiva 
parte, salvo se houver entre eles solidariedade. 
 
g) fechado – conforme o artigo 630 do Código Civil: Art. 630. Se o depósito se entregou fechado, colado, 
selado, ou lacrado, nesse mesmo estado se manterá.” 
 
9.4. Direitos e deveres do depositário 
 
A lei traz ao longo do texto os seguintes direitos: 
 
a) o depositante terá o direito de obter a restituição sobre as despesas necessárias; 
b) direito de retenção do bem depositado para o caso de inadimplemento; 
c) ser remunerado, nas hipóteses que é devida a remuneração. 
 
Além disso, terá como dever: 
 
a) custodiar a coisa com o devido zelo; 
b) obter autorização do depositante para usar a coisa depositada; 
c) restituir o bem no prazo final, no local pactuado, se responsabilizando pela coisa até a sua efetiva entrega. 
 
 
 
 
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9.5. Direitos e deveres do depositante 
 
Como dever, consta o de pagar pelas despesas referentes à manutenção do depósito, bem como sobre os 
prejuízos que a coisa gerar ao depositário. O depositário tem o direito de ser ressarcido no caso de deterioração 
do bem depositado. 
 
9.6. Da prisão do depositário infiel 
 
A presente matéria, objeto de antigas controvérsias, foi pacificada pela Súmula Vinculante n. 25 do STF e 
Súmula n. 419, do STJ estabelecendo que: 
 
Súmula Vinculante n. 25. É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito. 
 
Súmula n. 419, do STJ. Descabe a prisão civil do depositário judicial infiel. 
 
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