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RESPONSABILIDADE CIVIL 2

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no transporte cumulativo, no qual todos os transportadores responderão 
solidariamente pelo dano causado perante o remetente, ressalvada a apuração final da responsabilidade entre 
eles, de modo que o ressarcimento recaia, por inteiro, ou proporcionalmente, naquele ou naqueles em cujo 
percurso houver ocorrido o dano. 
 
12 DO SEGURO (arts. 757 a 802, CC) 
 
12.1. Definição e a socialização dos riscos 
 
Sua definição está presente no art. 757 da lei civil, dispondo que: “Pelo contrato de seguro, o segurador se 
obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a 
coisa, contra riscos predeterminados. Parágrafo único. Somente pode ser parte, no contrato de seguro, como 
segurador, entidade para tal fim legalmente autorizada. 
 
O seguro tem por função econômica socializar riscos entre os segurados. A companhia seguradora recebe 
de cada um o prêmio, calculado conforme a probabilidade de ocorrência do evento danoso. Todavia, obriga-se 
a dar garantia, pagando certa prestação pecuniária ao segurado, ou a terceiros beneficiários, em geral de 
caráter indenizatório, no caso de ocorrência do sinistro. 
 
12.2. Natureza jurídica 
 
a) Bilateral ou sinalagmático - os direitos e deveres são proporcionais para ambas as partes. 
b) Oneroso - o prêmio representa a remuneração a ser paga pelo segurado ao segurador. Vigendo o contrato, 
os prêmios pagos não são irrepetíveis, haja vista sua natureza aleatória. 
c) Consensual - se forma pela vontade das partes, pelo consenso. 
d) Aleatório - é aquele que sua natureza apresenta o risco. 
 
 
 
 
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Atenção: Parte da doutrina sustenta a natureza comutativa do contrato de seguro, tendo em vista que o risco 
poderia ser determinado com base em cálculos. 
 
e) Adesão - aquele autorizado por autoridade competente ou estipulado por uma das partes, em regra a 
seguradora. 
 
12.3. Preceitos do contrato 
 
O contrato de seguro deverá ser feito por escrito, vedada a forma verbal. A proposta é fase contratual na qual 
dever estar presente a boa-fé objetiva, pois o segurado obriga-se a prestar todas as informações com base na 
lealdade e na confiança, tornando possível à seguradora avaliar os riscos, aceitar ou não o contrato e o prêmio 
a ser pago. E a apólice ou o bilhete de seguro serão nominativos, à ordem ou ao portador, mencionando os 
riscos assumidos, o início e o fim de sua validade, o limite da garantia e o prêmio devido, e, quando for o caso, 
o nome do segurado e o do beneficiário. Assim, esse contrato apresenta uma interpretação restritiva, não sendo 
possível a ampliação da álea e dos termos. 
 
Atenção: No seguro de pessoas, a apólice ou o bilhete não podem ser ao portador. 
 
O cosseguro está disciplinado no art. 761, do CC e trata-se de uma operação securitária na qual duas ou mais 
seguradoras, com a concordância do segurado, compartilham, em percentuais previamente estabelecidos, os 
riscos de uma apólice de seguro, respondendo cada cossegurador unicamente pelo limite da responsabilidade 
assumida. No cosseguro também é admitida a pluralidade de apólices para cada cosseguradora e não existindo 
responsabilidade solidária entre elas. 
 
É nulo o contrato de seguro em que tenha por objeto a cobertura de atividades ilícitas ou de ato doloso do 
segurado. Nesse caso é atingido o plano de validade do negócio jurídico, tratando-se de nulidade textual, 
consoante a conjugação dos artigos 104, 166, VI, e 762 da norma civilista. 
 
Não terá direito à indenização o segurado que estiver em mora no pagamento do prêmio e se ocorrer o sinistro 
antes de sua purgação. A regra em questão é um meio de exceção do contrato não cumprido, e não forma de 
resolução do contrato. Salvo disposição especial, o fato de o risco não ter sido verificado, em previsão do qual 
se faz o seguro, não exime o segurado de pagar o prêmio. 
 
A boa-fé objetiva se encontra destacada nos arts. 765 e 766 do da lei civil. De acordo com a matéria sob 
comento, importa mencionar a VII Jornada de Direito Civil: “Arts. 765 e 766 – Impõe-se o pagamento de 
indenização do seguro mesmo diante de condutas, omissões ou declarações ambíguas do segurado que não 
guardem relação com o sinistro. 
“(Enunciado n. 585) 
 
Atenção: Sobre o tema veja a Súmula n. 302, do STJ - “É abusiva a cláusula contratual de plano de saúde 
que limita no tempo a internação hospitalar do segurado”. 
 
Atenção: Importa ainda mencionar a Súmula n. 469 do STJ dispondo que “Aplica-se o Código de Defesa do 
Consumidor aos contratos de plano de saúde”. 
 
De acordo com o art. 767 do CC, no seguro à conta de outrem, o segurador pode opor ao segurado exceções 
que contra o estipulante, por descumprimento das normas de conclusão do contrato, ou de pagamento do 
prêmio. 
 
O segurado perderá o direito à garantia se agravar intencionalmente o risco objeto do contrato. 
 
Atenção: Súmula n. 465 do STJ. Ressalvada a hipótese de efetivo agravamento do risco, a seguradora não se 
exime do dever de indenizar em razão da transferência do veículo sem a sua prévia comunicação. 
 
O dever de informação, intimamente ligado à boa-fé, está presente no art. 769 do CC. 
 
Note que, salvo disposição em contrário, a diminuição do risco no curso do contrato não acarreta a redução do 
prêmio estipulado; mas, se a redução do risco for considerável, o segurado poderá exigir a revisão do prêmio, 
ou a resolução do contrato. 
 
 
 
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A falta de comunicação do sinistro é apresentada pela lei no art. 771, assegurando que: “sob pena de perder o 
direito à indenização, o segurado participará o sinistro ao segurador, logo que o saiba, e tomará as providências 
imediatas para minorar-lhe as consequências. Parágrafo único. Correm à conta do segurador, até o limite fixado 
no contrato, as despesas de salvamento consequente ao sinistro.” 
 
Atenção: O atraso não motivado acarreta a perda do direito à indenização. 
 
Caso haja mora do segurador no pagamento do sinistro, o mesmo será obrigado à atualização monetária da 
indenização devida de acordo com índices oficiais regularmente estabelecidos, sem prejuízo dos juros 
moratórios (art. 772 do CC). 
 
O art. 773 CC apresenta penalidade à seguradora que age de má-fé. A fim de garantir um pacto equilibrado e 
que seja protegida a função social do negócio, reza o art. 774 do CC que a recondução tácita do contrato pelo 
mesmo prazo, mediante expressa cláusula contratual, não poderá operar mais de uma vez. 
 
O corretor de seguros é o agente autorizado do segurador e presumem-se seus representantes para todos os 
atos relativos aos contratos que agenciarem. 
Na hipótese de o corretor causar danos ao segurado, a seguradora responderá solidariamente com o mesmo 
ou por ele. 
O segurador é obrigado a pagar em dinheiro o prejuízo resultante do risco assumido, salvo se convencionada 
a reposição da coisa (art. 776, CC). 
 
Atenção: Súmula n. 188 do STF. “O segurador tem ação regressiva contra o causador do dano, pelo que 
efetivamente pagou, até ao limite previsto no contrato de seguro” 
 
12.4. Seguro de dano (arts. 778 a 788, CC) 
 
De acordo com o art. 778, nos seguros de dano, a garantia prometida não pode ultrapassar o valor do interesse 
segurado no momento da conclusão do contrato, sob pena do disposto no art. 766, e sem prejuízo da ação 
penal que no caso couber. Assim, o segurador terá o ônus da prova de que o valor excede o do bem e ainda 
que o segurado agiu de má-fé. 
 
Atenção: Súmula n. 31 do STJ. “A aquisição, pelo segurado, de mais de um imóvel financiado pelo Sistema 
Financeiro da Habitação, situados na mesma localidade, não exime a seguradora da obrigação de pagamento 
dos seguros.” 
 
O risco do seguro compreenderá todos os prejuízos resultantes ou consequentes,

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