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APOSTILA ESGOTO 2014 (1)

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UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ 
 
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SANEAMENTO BÁSICO - II 
 
SISTEMAS DE COLETA, AFASTAMENTO E 
TRATAMENTO DE ESGOTOS SANITÁRIOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Engº Civil e Sanitarista José Carlos Simões Florençano 
 
 Professor Assistente Doutor 
 Material Didático ▲ 2014 
 
 
 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 2 - 
 
 
 
 
 
 
 
 PREFÁCIO 
 
 
 
 
 
 
 
 
O presente trabalho é o resultado de diversas pesquisas e trabalhos técnico-científicos e 
também, da experiência acumulada ao longo do exercício profissional, que numa linguagem acessível, 
visa servir de orientação didática para o melhor acompanhamento e aproveitamento por parte dos 
alunos deste curso, cujos programas se complementam com a bibliografia apresentada na página final. 
Agradeço todas as sugestões que vierem ser apresentadas e, também, ao Grande Arquiteto do 
Universo pela oportunidade de realizar este trabalho, como uma modesta contribuição para o 
desenvolvimento das condições do saneamento básico e, por consequência, da saúde e da qualidade 
de vida da população. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O Autor * 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Julho/2008 – (1ª ed.) 
 
 Fevereiro/2010 – (2ª ed.) 
 
 Fevereiro/2014 – (3ª ed.) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
___________________________________________________________________________________ 
* JOSÉ CARLOS SIMÕES FLORENÇANO. Engenheiro Civil, Especialista em Engenharia Sanitária e em Saúde Pública, Mestre 
 e Doutor em Ciências Ambientais e Engenheiro da Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde - Reg. Taubaté, SP. 
 
 
 
 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 3 - 
 
 
CAPÍTULO 1 
 
 O ESGOTAMENTO SANITÁRIO 
 
 
1.1 HISTÓRICO 
 
 Desde os tempos remotos, quando os homens começaram a se assentar em cidades, a 
coleta de águas residuárias, passou a se constituir em uma preocupação da civilização. 
 No ano de 3750 a.C. em Nipur (Índia) e na Babilônia já se construíam galerias de esgotos. 
Também existem registros de que, em 3100 a.C., eram utilizadas manilhas de cerâmicas para essa 
mesma finalidade (Azevedo Netto, 1984). Na Roma antiga, eram executadas ligações das casas até os 
canais, também chamados de “cloacas” (Metcalf e Eddy, 1977). Durante a Idade Média, porém, um 
aparente marasmo no avanço de obras e ações voltadas ao saneamento, acrescido do 
desconhecimento da microbiologia, culminaram em grandes epidemias ocorridas em alguns países da 
Europa durante os séculos XIV e XIX, conforme destaques da Tabela 1. 
 
Tabela 1 – Principais epidemias ocorridas na Europa durante os séculos XIV e XIX 
___________________________________________________________________________________ 
 PERÍODO LOCAL OCORRÊNCIAS 
___________________________________________________________________________________ 
1345 / 1349 Toda a Europa Pandemia de Peste Bubônica, com 43 milhões de vítimas fatais. 
 1826 Toda a Europa Pandemia de Cólera. 
 1834 Inglaterra Epidemia de Cólera, com 50 mil vítimas fatais. 
 1848 Inglaterra Epidemia de Cólera, com 25 mil vítimas fatais. 
___________________________________________________________________________________ 
Fonte: Metcalf e Eddy (1977) 
 
 
 Não por acaso, a Inglaterra foi o primeiro País a iniciar pesquisas (1822) e adotar medidas 
corretivas na área do saneamento. Outros seguiram o exemplo inglês, passando a coletar, afastar e 
tratar os esgotos sanitários, como por exemplo, na América do Norte: Memphis, Tennesse em 1847 e 
Lawrence, Massachusetts em 1887 (Metcalf e Eddy, 1997). Sucederam-se, no período de 1914 a 1927, 
outros países europeus como o Canadá, Rússia e Japão. Na América do Sul, os serviços de esgotos 
foram iniciados, com destacado pioneirismo, em Montevidéu (1854) e no Rio de Janeiro (1857). 
 Conforme Azevedo Netto, 1973 e Botafogo, 1984, a primeira rede de esgotos da cidade de São 
Paulo (projetada por engenheiros ingleses) foi construída no ano de 1876, sendo que a primeira 
Estação de Tratamento de Esgotos dos paulistanos - ETE Ipiranga – só veio a ser inaugurada em 1938. 
Posteriormente, vieram ser concluídas a ETE Leopoldina (1959), ETE Pinheiros (1972), ETE Suzano 
(1981), ETE Barueri (1988), ETE ABC (1998), ETE São Miguel (1998), ETE Parque Novo Mundo 
(1998), dentre outras. 
 A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD, realizadas nos anos de 2000 e 2008, 
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – IBGE, demonstram pouco avanço neste setor, pois 
os municípios brasileiros que contavam com rede geral de esgotos, passaram de 52,2% em 2000, para 
apenas 55,2% em 2008. Quanto ao tratamento dos esgotos, a situação é mais agravante, pois as 
pesquisas registraram que, no ano de 2000, apenas 20,2% dos municípios possuíam estes serviços, 
enquanto que, em 2008, o tratamento de esgotos estendeu-se timidamente para 28,5% das 
municipalidades brasileiras. 
 A Taxa de Mortalidade Infantil caiu de 29,7‰ em 2000 para 15,6‰ em 2010. As regiões 
Nordeste e Norte apresentaram taxas superiores à nacional (18,5‰ e 18,1‰, respectivamente), 
enquanto o Sul (12,6‰), Sudeste (13,1‰) e Centro-Oeste (14,2‰) ficaram abaixo. Este indicador 
fornece a frequência de óbitos menores de um ano para cada 1.000 nascidos vivos (IDS/IBGE, 2012). 
 As existências de rede coletora e de tratamento de esgotos, além de se constituírem em 
serviços básicos, são de fundamental importância em termos de qualidade de vida, pois a ausência dos 
mesmos acarreta a poluição e a contaminação dos recursos hídricos, além de favorecer a emissão de 
gases de efeito estufa, especialmente de metano, trazendo prejuízos à saúde coletiva da população. 
 A leitura desses números somada ao atual quadro da saúde pública brasileira, que demonstra o 
“retorno” de diversas doenças endêmicas, algumas tidas até como já erradicadas, nos indica a absoluta 
necessidade de que muitas obras de saneamentobásico devam ser urgentemente executadas em toda 
a extensão territorial deste País. 
 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 4 - 
 
 
1.2 DEFINIÇÕES 
 
1.2.1 Tipos de esgotos 
 A palavra esgoto tem sido utilizada para definir os despejos provenientes das diversas 
modalidades do uso e da origem das águas, tais como: 
� o doméstico; 
� o de utilidades públicas; 
� o comercial; 
� o industrial; 
� as águas de chuva, e 
� as águas de infiltração (subsolo). 
 
 Alguns autores têm empregado o termo “Águas Residuárias“, que significa wastewater, em 
substituição ao termo “esgoto”. Usualmente são classificados em dois grupos principais: Esgotos 
Domésticos e os Esgotos Industriais. 
 
 a) Esgotos industriais 
 Os esgotos industriais, extremamente diversos, adquirem as características próprias em função 
do processo industrial empregado. Assim, cada indústria deverá ser considerada isoladamente para fins 
de se determinar o tipo do tratamento de seus efluentes. 
 Determinados fatores devem ser considerados no tratamento biológico dos efluentes 
industriais: a biodegradabilidade e condições de tratabilidade, a concentração de matéria orgânica, a 
disponibilidade de nutrientes (equilíbrio entre C, N, P) e a sua toxicidade. 
 
 b) Esgotos domésticos 
 Os esgotos domésticos são resultantes do uso da água para a higiene e necessidades 
fisiológicas humanas. Provêm principalmente de residências, edifícios comerciais ou outras edificações 
que contenham instalações de banheiros, lavanderias, cozinhas ou qualquer dispositivo de utilização da 
água para fins domésticos. Compõem-se essencialmente da água de banho, urina, fezes, papel, restos 
de comida, sabão, detergentes, águas de lavagem. 
 O termo "esgoto sanitário", também, tem sido comumente empregado para definir os esgotos 
domésticos quando estão incluídas pequenas quantidades de águas de infiltração dos lençóis 
subterrâneos, as quais não são admitidas intencionalmente. 
 
1.2.2 Sistemas de esgotamento 
 Em 1778, Joseph Bramah havia patenteado o vaso sanitário com descarga de água, que 
através da sua rápida popularização, agravou as precárias condições sanitárias, então, enfrentadas 
pela população de Londres, a qual não possuía estrutura para fazer escoar as fezes acumuladas nas 
fossas e tanques espalhados pela cidade. 
 No ano de 1847, com a situação mais agravada e não havendo outro meio mais prático para 
dispor as águas imundas, os ingleses adotaram o transporte daquelas águas em canalizações para 
realizar a coleta e o afastamento dos despejos. Criou-se, assim, o sistema de esgotamento com 
transporte hídrico. 
 Com esse sistema a água passou a ter uma dualidade de usos: água limpa para o cosumo e a 
água suja (servida) utilizada para realizar o afastamento dos excrementos. 
 
 Figura 1 – Esquema de um sistema convencional urbano 
 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 5 - 
 
 
 
 
 
 a) Sistema Unitário ou Combinado (tout à l’égout) 
 Sem muitas opções para dispor os crescentes volumes de excretas humanos, a Europa 
autorizou, no início do século XIX, o lançamento de efluentes domésticos nas galerias de águas pluviais 
existentes criando, deste modo, o “sistema unitário” de esgotamento, o qual prevalece até os dias 
atuais em Paris, com escoamento conjunto e simultâneo em uma mesma canalização. 
 As principais características deste sistema são: 
� dimensões maiores dos coletores; 
� maior volume de obras; 
� maiores investimentos e custos iniciais elevados; 
� oneração para as Estações Elevatórias e de Tratamento Esgotos; 
� problemas de deposição de sólidos nas tubulações, durante os períodos de estiagem; 
� desvantagens para países tropicais ou em desenvolvimento: chuvas mais intensas, ruas 
 não pavimentadas, poucas receitas financeiras. 
 
 
 b) Sistema Separador Absoluto 
 Em 1879, o Engenheiro George Waring Júnior projetou para a cidade americana de Memphis, 
um sistema em que os efluentes domésticos eram coletados e transportados num sistema 
absolutamente separado daquele destinado às águas pluviais, o qual veio a ser denominado de 
“sistema separador absoluto”. 
 Este sistema, adotado no Brasil a partir do ano de 1912, possui as seguintes características: 
� vazões e diâmetros de tubulações bem menores (menor custo); 
� pode-se fazer implantação por partes: Ex. rede de maior importância; 
� melhores condições de operação das Estações Elevatórias e de Tratamento Esgotos; 
� as águas pluviais podem ser lançadas diretamente (sem tratamento) nos corpos 
 receptores, em pontos múltiplos e mais próximos; 
� nem todas as ruas de uma cidade necessitam de galerias de águas pluviais, podendo o 
 projeto ser conjugado com o escoamento superficial, dependendo da topografia local; 
� desvantagem: ligações clandestinas (esgotos nas galerias de águas pluviais e vice-versa) 
 
 
 
 c) Sistema Misto ou Separador Parcial 
 Neste sistema, podem ser lançadas conjuntamente nos coletores de esgotos sanitários, apenas 
uma “parcela” das águas de chuva, aquelas oriundas dos telhados, pátios internos e sacadas das 
edificações. As águas pluviais provenientes de ruas, avenidas, praças e pátios externos, devem ser 
coletadas e transportadas de forma “separada” através de outra canalização específica. 
 Os EUA e a Holanda não executam mais Redes Mistas devido aos elevados custos de 
investimento e de operação superiores àqueles do Sistema Separador Absoluto. 
 Suas principais características são: 
� os coletores e os investimentos são menores que o sistema unitário; 
� mesmo assim, oneram e dificultam a operação das Estações Elevatórias e de Tratamento 
 Esgotos, nos períodos de chuvas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 6 - 
 
 
 
 
CAPÍTULO 2 
 
SISTEMA DE COLETA, AFASTAMENTO E TRATAMENTO DE ESGOTOS 
SANITÁRIOS 
 
 
 
 O sistema convencional de coleta, afastamento e tratamento de esgotos sanitários, é 
composto, conforme descrição e ilustração seguintes: 
 
 
 
 
 Figura 2 – Sistema convencional de coleta, afastamento e tratamento de esgotos sanitários 
 
 
 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 7 - 
 
 
 
2.1 PARTES CONSTITUINTES DO SISTEMA DE COLETA, AFASTAMENTO E TRATAMENTO DE 
ESGOTOS SANITÁRIOS 
 
 a) Rede Coletora 
 É o conjunto constituído por ligações prediais, coletores de esgotos e seus órgãos acessórios, 
destinadas a receber e a conduzir os esgotos. Os coletores podem ser: 
� Coletores Secundários: possuem menores diâmetros que recebem as contribuições das 
edificações e transportando-as para os coletores troncos. 
� Coletores Troncos: ou Principais, possuindo diâmetros maiores, recebem os efluentes dos 
coletores secundários, conduzindo-os para os interceptores. 
 
 b) Interceptor 
 Desenvolve-se ao longo dos fundos do vale, margeando os cursos d’água ou canais. É a 
canalização que recebe a contribuição de coletores tronco e de alguns emissários. Não recebe ligações 
prediais diretas. Ele evita a descarga direta dos efluentes, protegendo o corpo receptor, conduzindo-os 
a uma estação elevatória ou a um emissário.c) Emissário 
Canalização destinada a conduzir os efluentes do final da rede coletora até a estação de 
tratamento, ou desta até ao local de lançamento. Os emissários recebem esgotos exclusivamente na 
extremidade de montante, não recebendo contribuições ao longo de seu percurso. 
 
 d) Estação Elevatória (EE) 
É toda instalação constituída e equipada de forma a poder transportar (quando necessário) o 
esgoto de uma cota mais baixa para outra mais alta, acompanhando aproximadamente as variações 
das vazões afluentes. 
 
 e) Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) 
Conjunto de unidades destinadas à remoção de sólidos grosseiros, matéria orgânica (em 
suspensão ou em solução) e outros poluentes, à níveis suficientes para posterior lançamento em 
cursos d’água, lagos ou oceanos. 
 
f) Sifão Invertido (SI) 
 Canalização rebaixada funcionando sob pressão e destinada à travessia de canais, ferrovias, 
rodovias, etc. 
 
g) Corpo de Água Receptor 
Após o tratamento e a desinfecção, os esgotos são lançados em um corpo de água ou, 
eventualmente aplicados no solo. 
 
 
2.2 ÓRGÃOS ACESSÓRIOS DA REDE COLETORA 
 Visam evitar ou minimizar os entupimentos na rede. Suas distâncias consecutivas devem estar 
limitadas ao alcance dos equipamentos de desobstrução, porém nunca superiores a 100 metros. 
 
 a) Poço de Visita (PV) 
 Dispositivo utilizado em canalizações enterradas para permitir o acesso de pessoas e 
equipamentos de manutenção. Devem ser projetados em todos os pontos singulares da rede: início dos 
coletores, mudanças de direção, de declividade, de diâmetro, de material, na reunião de coletores e nos 
degraus dos tubos de queda. 
 Não devem ser substituídos, nos seguintes casos: na reunião de mais de dois trechos do coletor; 
quando existir tubo de queda; nas extremidades dos sifões invertidos e de outros tipos de passagens 
forçadas e quando a profundidade for maior que três metros. 
 
 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 8 - 
 
A
POÇ O DE VISITA - CORTE A-A
A
LAJE SUPERIOR PLANTA
A
FUNDO DO POÇ O DE VISITA - PLANTA
A
 
 Figura 3 - Detalhes do projeto de um poço de Visita (PV) 
 
 
 
 Figura 4 – Execução de um Poço de Visita (PV) 
 
 
Ele pode ser executado de alvenaria de tijolo, anéis de concreto ou de plástico, nos seguintes 
formatos: 
 
 
 Figura 5 – Tipos de Poços de Visitas (PVs) 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 9 - 
 
 b) Terminal de Limpeza (TL) 
 Tubo que permite a introdução de equipamento de limpeza e por ser mais barato, pode substituir 
o poço de visitas (PV) no início dos coletores e nos casos em que houver mudanças de direção, de 
declividade, de diâmetro, de material. 
 
 Figura 6 – Detalhe de um Terminal de Limpeza (TL) 
 
c) Tubo de Inspeção e Limpeza (TIL) 
Dispositivo não visitável que permite inspeção e introdução de equipamentos d e limpeza. 
 Pode ser utilizado em substituição do PV nas seguintes situações: 
� na reunião de até dois trechos ao coletor (três entradas e uma saída); 
� nos degraus de até 50 cm de altura; 
� a jusante de algumas ligações prediais que possam causar entupimentos. 
 
 Figura 7 – Detalhe de um Terminal de Inspeção e Limpeza (TIL) 
 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 10 - 
 
 
 
 
d) Caixa de Passagem (CP) 
Constitui-se em uma câmara, sem acesso, que pode substituir o PV nas mudanças de direção, 
declividade, diâmetro e de material. 
 
 e) Tubo de queda 
 Deve ser previsto quando o coletor afluente apresentar degrau com altura maior ou igual a 50 
cm. (ver Figura 3). 
 
 
2.3 LICENCIAMENTO AMBIENTAL 
 A Resolução CONAMA nº 001/1986 considera como impacto ambiental, qualquer alteração das 
propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria 
ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente afetam: 
� a saúde, a segurança e o bem estar da população; 
� as atividades sociais e econômicas; 
� a biota; 
� as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; 
� a qualidade dos recursos ambientais. 
 
 O artigo 2º desta Resolução dispõe que, depende da elaboração de EIA (Estudo de Impacto 
Ambiental) e o respectivo RIMA (Relatório de Impacto ao Meio Ambiente) submetidos ao órgão estadual 
competente, o licenciamento de diversas atividades modificadoras do meio ambiente, entre as quais se 
incluem “troncos coletores e emissários de esgotos sanitários” e, ainda, “obras de saneamento”. 
 
 Em 2006, o CONAMA expediu a Resolução nº 377/2006 dispondo sobre os critérios para o 
licenciamento ambiental simplificado de sistemas de esgotamento sanitários de pequeno e médio porte, 
desde que, não estejam situados em áreas ambientalmente sensíveis. 
 
 Para, tanto a Resolução considera: 
“.....I - unidades de transporte de esgoto de pequeno porte: interceptores, emissários e respectivas 
estações elevatórias de esgoto com vazão nominal de projeto menor ou igual a 200 L/s; 
 
 II - unidades de tratamento de esgoto de pequeno porte: estação de tratamento de esgoto com 
vazão nominal de projeto menor ou igual a 50 L/s ou com capacidade para atendimento até 30.000 
habitantes, a critério do órgão ambiental competente; 
 
 III - unidades de transporte de esgoto de médio porte: interceptores, emissários e estações 
elevatórias de esgoto com vazão nominal de projeto maior do que 200 L/s e menor ou igual a 1.000 L/s; 
 
 IV - unidades de tratamento de esgoto de médio porte: estação de tratamento de esgoto com vazão 
nominal de projeto maior que 50 L/s e menor ou igual a 400 L/s ou com capacidade para atendimento 
superior a 30.000 e inferior a 250.000 habitantes, a critério do órgão ambiental competente.” 
 
 Conforme a classificação acima, a Resolução nº 377/2006 estabelece que no Licenciamento 
Ambiental Simplificado das unidades de transporte e de tratamento de esgoto sanitário, de médio porte, 
será apresentado menos documentos e, ainda, com a possibilidade da expedição concomitante da 
Licença Prévia (LP) e da Licença de Instalação (LI). 
 
 E para as unidades de transporte e de tratamento de esgoto de pequeno porte, além da redução 
dos documentos a serem apresentados, é prevista a expedição somente da Licença Ambiental Única 
de Instalação e Operação (LIO). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 11 - 
 
 
CAPÍTULO 3 
 
 REDES COLETORAS DE ESGOTOS SANITÁRIOS 
 
 
3.1 REGIME HIDRÁULICO DE ESCOAMENTO DAS REDES COLETORAS DE ESGOTOS 
SANITÁRIOS 
 
 Diferentemente das redes de água potável, que se processam em Condutos Forçados, a 
secções plenas (cheias) fechadas e sob pressão geralmente maior que a atmosférica, os coletores e 
interceptores de esgotos, operam em Condutos Livres, a secções parciais, fechadas e sob pressão 
atmosférica, apresentando uma superfície livre do contato com as paredes da canalização. 
 Os sifões elinhas de recalque das Estações Elevatórias funcionam como Condutos Forçados 
e os emissários podem operar tanto como Condutos Livres ou Forçados. 
 A área molhada (Am) refere-se à seção útil de escoamento, ou seja, a área que corresponde à 
lâmina líquida (Y) na seção transversal do conduto. O perímetro molhado (Pm) é a parte do perímetro 
total do conduto em contato com a lâmina líquida. Por definição, a relação Am / Pm é chamada de raio 
hidráulico (RH). Também por definição, o diâmetro hidráulico é quatro vezes o valor do raio hidráulico, 
ou seja: DH = 4 . RH. 
 
 Figura 8 - Elementos geométricos dos condutos de secção circular 
 
 
 
 Quando o escoamento se processa a seção plena (Conduto Forçado), eles correspondem: 
Am = π . D² e Pm = π . D Sendo: RH = Am → RH = D Como: DH = 4 RH → DH = D 
 4 Pm 4 
 
 Outros parâmetros que intervêm no dimensionamento dos condutos são a vazão (Q) e a 
velocidade (v) que, conforme a “equação da continuidade”, mantém entre si a relação: Q = Am . v 
 
 
 Devido operar através da pressão atmosférica (escoamento livre), as redes coletoras e os 
interceptores de esgotos sempre devem ser projetados e executados observando uma declividade 
mínima. 
 
 Assim, quanto mais extensa for a rede coletora, ou o interceptor de esgotos, maior deverá ser a 
sua profundidade, implicando na maior dificuldade e riscos decorrentes da escavação do solo. 
 
 
 
Figura 9 – Perfil longitudinal de uma rede coletora de esgotos 
 
 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 12 - 
 
 
3.2 ASPECTOS CONSTRUTIVOS DAS REDES COLETORAS DE ESGOTOS SANITÁRIOS 
 
 A execução de redes coletoras de esgotos merece ser precedida de estudos, projetos 
complementares e detalhamentos construtivos, a fim de garantir a segurança e evitar acidentes. 
 
3.2.1 Principais características de alguns tipos de solo 
 É importante e necessário conhecer bem o tipo de solo a ser trabalhado para que sejam 
adotadas as adequadas técnicas construtivas e de segurança dos operários envolvidos nas obras de 
escavações e assentamento de tubulações de rede coletoras de esgotos. Com o objetivo de facilitar 
uma identificação expedita, são apresentadas as principais características de alguns tipos de solo: 
 
 a) Argilas 
 Apresentam partículas com dimensões inferiores a 0,005 mm. Quando suficientemente úmidas, 
moldam-se facilmente em diferentes formas e quando secas apresentam coesão suficiente para 
constituir torrões dificilmente desagregáveis pela pressão dos dedos. Quanto à consistência, podem ser 
muito moles, moles, médias, rijas e duras; 
 
 b) Siltes 
 Com partículas com dimensões entre 0,005 e 0,05 mm, possuem coesão necessária para 
formar, quando seco, torrões facilmente desagregáveis pela pressão dos dedos; 
 
 c) Solos arenosos 
 Possuem partículas componentes com dimensões entre 0,05 e 4,8 mm. 
 
 d) Pedregulhos 
 Apresentam partículas componentes com dimensões entre 4,8 mm e 76 mm. 
 
 e) Solos compostos 
 Encontrados na natureza, misturados em proporções variáveis, sendo designados pelo nome 
do solo mais predominante, seguindo-se do(s) nome(s) do(s) outro(s) tipo(s) de solos. Ex: argila silto-
arenosa, areia grossa argilosa compacta, etc. 
 
 f) Turfas 
 Possuem grandes percentagens de partículas fibrosas constituídas de material carbonoso 
juntamente com matéria orgânica finamente dividida. Podem ser identificadas por serem fofas, não 
plásticas e muito moles quando úmidas; 
 
 g) Alterações de rochas 
 São provenientes da desintegração das rochas “in sita”; 
 
 h) Solos superficiais 
 São encontrados abaixo da superfície do solo, constituindo-se geralmente de misturas de 
areias, argilas e matéria orgânica expostas à ação das intempéries e de agentes de origem vegetal e 
animal. Ex: raízes, restos de peixes, etc. 
 
Figura 10 - Ilustrações de alguns tipos de solo 
 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 13 - 
 
 
3.2.2 Métodos Não Destrutivos (MND) para a execução de redes coletoras de esgotos sanitários 
 O fenômeno da conurbação urbana das cidades ocorreu de forma desordenada, principalmente 
na segunda metade do século XX, devido ao crescimento dos centros urbanos sem a preocupação com 
o planejamento e a infraestrutura básica. Aliados a estes fatores, os dispendiosos gastos na área da 
saúde pública que os órgãos governamentais vinham se deparando, impuseram uma maior e imediata 
competitividade a todo o setor de saneamento, com o surgimento de novos materiais e tecnologias no 
mercado brasileiro. 
 Uma grande evolução pôde ser observada no segmento de obras lineares, com o uso de 
tecnologias que possibilitam a instalação de tubulações em áreas urbanas já densamente habitadas. 
Isto pôde ser constatado no Projeto de Despoluição do Rio Tietê, em São Paulo, com a adoção de 
Métodos Construtivos Não Destrutivos, o que possibilitou evitar maiores transtornos dos que 
eventualmente seriam causados pelos métodos tradicionais de escavação a “Céu Aberto”. 
 Um dos principais e mais utilizados, é o de Tubos Cravados. Também existem os 
denominados New Austrian Tunnelling Method - NATM e o Tunnel Liner, porém ambos os métodos 
são baseados nas técnicas de construção de grandes túneis que servem de passagem e 
caminhamento para as grandes tubulações. 
 
 
 Figura 11 - Escavação pelo método NATM Figura 12– Método Tunnel Liner em execução 
 
 
 O Quadro a seguir, apresenta uma simulação comparativa entre esses principais métodos, para 
a execução de uma rede de esgoto de 150,00 metros de comprimento, diâmetro de 1200 mm, na 
profundidade de 4,00 metros e com dois poços de visitas. 
 
 Quadro 1 – Simulação dos métodos construtivos para conduto de esgotos 
 
 
 O Método dos Tubos Cravados (ou pipe jacking) consiste na escavação mecânica 
executada através de um disco rotativo, acionado por motores elétricos. Na parte posterior da máquina 
(shield), são colocados os tubos que serão cravados sucessivamente no solo com a ajuda dos 
macacos hidráulicos. O avanço do túnel é dependente da linha de tubos consecutivos ao shield, pois a 
cravação sequencial de tubos é realizada a partir do poço de serviço. 
 
 
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 Figura 13 – Disco rotativo para escavação do solo Figura 14 – Shield acoplado ao macaco hidráulico 
 
 
 Ao longo da rede são construídos poços de visitas, com dimensões internas mínimas 
necessáriaspara a instalação dos equipamentos de cravação. Na parede do poço, oposta à direção de 
avanço do túnel, é executado um quadro rígido para a reação do macaco hidráulico (parede de reação). 
 As máquinas de escavação podem ser tripuladas ou não tripuladas, dependendo do diâmetro 
da tubulação a ser assentada. Quando não tripuladas, o comando e o controle do direcionamento é 
feito externamente através de um emissor de raio laser, situado no poço de serviço, atuando sobre um 
alvo instalado no shield. 
 Os tubos utilizados neste método devem resistir aos esforços horizontais causados pelas 
cargas dos macacos hidráulicos, bem como serem cravados de forma bem justa no solo, evitando 
folgas externas que possam vir a causar recalque no terreno. 
 O funcionamento do equipamento consiste na perfuração do terreno por ferramentas de corte 
instaladas no disco rotativo na parte frontal do shield e, com a cravação simultânea dos tubos em 
conjunto com o avanço da escavação. O movimento é realizado a partir do empuxo, aplicado por 
potentes pistões hidráulicos, instalados no poço de serviço, que empurram todo o conjunto cravando os 
tubos no solo. 
 
 
 
 Figura 15 – Esquema de funcionamento do Método dos Tubos Cravados 
 
 
 Em situações onde o solo apresenta rigidez e coesão elevadas (solos terciários silto- arenosos 
ou silto argilosos) pode-se utilizar água bombeada com alta pressão. Todo o material escavado é 
transferido, através de uma esteira, para caçambas que realizam o descarte do material. 
 Após o término da cravação dos tubos, os poços de serviços devem ser transformados em 
poços de visitas das redes, destinados a facilitar os trabalhos de manutenção e limpeza. 
 Este método permite que os trabalhos sejam efetuados abaixo do nível do lençol freático ou em 
terrenos colapsíveis, sem causar inconvenientes como recalques e trincas em edificações 
circunvizinhas, transtornos ao trânsito e a população em geral. 
 No entanto, cabe lembrar que esta tecnologia deve ser precedida de sondagens de 
reconhecimento do subsolo, para evitar o encontro com rochas e matacões. 
 
 
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3.2.3 Método Destrutivo (a céu aberto) para a execução de redes coletoras de esgotos sanitários 
 Na execução de redes de esgotos, através deste método, há necessidade de se realizar 
previamente a escavação da vala, desde a superfície do terreno, até a profundidade onde será 
assentada a tubulação. É a forma mais utilizada, apesar dos transtornos que proporcionam para o 
trânsito de veículos e de pedestres. Este método é composto das seguintes etapas: 
 
a) Locação da vala 
Deve observar a seguintes procedimentos: 
� Montagem da sinalização de segurança, com a colocação de cavalete de trânsito 
(trânsito impedido, obras etc.); 
� Marcação do eixo da vala, em função da posição de rede, no eixo ou no terço da 
rua (a cada 20,00 metros ou de PV a PV). Geralmente é utilizada a caiação para a 
delimitação da vala no solo; 
� Montagem das réguas ou visores sobre os piquetes dos Poços de Visitas (PVs), 
fixando-os nos suportes em nível e em altura concorde com a cruzeta. 
 
 
 
 
 
 Figura 16 – Montagem da régua e marcação do eixo da vala 
 
 
 
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b) Abertura da vala 
Deve observar a seguintes procedimentos: 
� Remoção de pavimentação e/ou entulho da mesma; 
� Escavação manual ou mecânica da vala, cujas paredes podem ser verticais, 
inclinadas ou mistas, dependendo do tipo do subsolo local; 
 
 Figura 17 – Posições das paredes da vala 
 
 
 
 Figura 18 – Abertura mecânica de uma vala 
 
 
c) Escoramento das paredes laterais da vala 
 Em função do tipo de subsolo, da profundidade da vala, da presença de água e da natureza e 
do vulto da obra, existe um tipo de escoramento mais recomendado para a utilização durante a 
escavação de valas. 
 Face à importância do tema, que está diretamente relacionado com a segurança e a vida dos 
funcionários que trabalham na obra, o “Escoramento das paredes laterais da vala” será tratado em um 
item próprio. 
 
d) Preparo do fundo da vala 
Deve observar a seguintes procedimentos: 
� Acerto da profundidade da vala; 
� Regularização do fundo da vala: terra apiloada, berço de pedra britada, berço de 
areia e berço de concreto. 
 
e) Assentamento da Tubulação 
Deve observar a seguintes procedimentos: 
� Assentamento do tubo-guia com a cruzeta, e marcação do alinhamento dos 
demais; 
 
 Figura 19 – Verificação do alinhamento e profundidade da tubulação 
 
 
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� Assentamento dos demais tubos, realização das juntas e verificação da existência 
de possíveis de falhas nas vedações (teste de fumaça). 
 
 
 Figura 20– Assentamento de tubos de concreto 
 
f) Fechamento da vala 
 Deve ser realizado, manual ou mecanicamente, compactando-se a terra em camadas de 10 
cm, até 15 cm acima da tubulação. Desta altura até a superfície compacta-se em camadas de 20 cm. 
 
 Figura 21 – Compactação por camadas da vala 
 
3.2.4 Escoramento das paredes laterais da vala 
 O escoramento de valas tem por objetivo garantir a segurança dos trabalhadores, evitando-se 
desabamentos das paredes laterais da vala. Normas do Ministério do Trabalho estabelecem, que as 
valas com profundidades superiores a 1,25 m devem ser escoradas, além da obrigatoriedade do uso de 
Equipamentos de Proteção Coletiva – EPC (escoramento, cavaletes, cones e placas de sinalização, 
etc.) e, também, de Equipamentos de Proteção Individuais - EPI (capacete, botas, etc.) a fim de 
diminuir o risco de acidentes. Os tipos mais utilizados de escoramento são: 
a) Pontaleteamento 
 Pela facilidade de execução, este é o escoramento mais utilizado em obras pequenas. È 
composto de tábuas (2,5 cm x 20 cm ou 30 cm) dispostas verticalmente, espaçadas de 1,35 m e 
travadas horizontalmente por estroncas hidráulicas ou de eucalipto (diâmetro ≈ 20 cm), distanciadas 
verticalmente de 1,00 m. Para evitar possível deslocamento das estroncas, pode-se usar os chapuzes. 
 Este tipo de escoramento oferece boa segurança, dependendo do tipo de solo, porém não é 
indicado quando da presença de água no subsolo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 22 – Corte longitudinal de uma vala com escoramento do tipo pontaleteamento 
 
 
 
 
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 Figura 23 – Vala com escoramento do tipo pontaleteamento e estroncas hidráulicas 
 
 
b) Descontínuo 
 Constitui-se de tábuas (2,5 cm x 20 cm ou 30 cm) espaçadas igualmente e na vertical, fixadas 
pelas longarinas (6 cm x 16 cm), travadaspor estroncas hidráulicas ou de eucalipto (diâmetro 20 cm) 
distanciadas horizontalmente de 1,35 m e verticalmente de 1,00 m e, ainda, de chapuzes. 
 Este tipo de escoramento poderá ser utilizado quando o solo apresentar razoável firmeza e 
pouca presença de água. 
 
 
 
 PERSPECTIVA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 24 - Ilustrações de escoramento do tipo descontínuo 
 
c) Contínuo 
 Escoramento idêntico ao Descontínuo no que se refere aos elementos construtivos, diferindo 
apenas na colocação das tábuas, que neste caso devem ser colocadas uma ao lado da outra, formando 
uma “continuidade” no escoramento das paredes laterais da vala. 
 Por ser mais resistente, pode ser utilizado em qualquer tipo de subsolo, com exceção dos 
arenosos com a presença de água. 
 
 
 
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 PERSPECTIVA 
 Figura 25 - Ilustrações do escoramento tipo contínuo 
 
d) Especial 
 Constituí-se de pranchas de madeira (6 x 16 cm) com encaixes tipo macho e fêmea, colocadas 
verticalmente de modo a abranger toda a parede da vala, contidas por longarinas (6 x 16 cm) dispostas 
horizontalmente e travadas por estroncas hidráulicas ou de eucalipto (diâmetro 20 cm) espaçadas de 
1,35 m, menos as das extremidades, onde devem ficar a 40 cm. As longarinas devem ser distanciadas 
verticalmente de 1,00 m, devendo a mais profunda situar-se a 50 cm do fundo da vala. 
 É utilizado quando se tem subsolos arenosos com a presença de água e que necessita de 
estanqueidade no escoramento. 
 
Figura 26 – Escoramento do tipo especial 
 
e) Misto (metálico e madeira) 
 A contenção do solo lateral na cava é feita através de pranchões de madeira (6 x 16 cm) 
encaixadas em perfis metálicos “duplo T” com dimensões variando de 25 a 30 cm, cravados no terreno 
e espaçados 2,00 m um do outro. O travamento é realizado com longarinas e estroncas metálicas de 
perfil “duplo T” de 30 cm. 
 Para valas com profundidades até 6,00 m, basta um quadro de estroncas – longarinas. E para 
valas com profundidades entre 6,00 m a 7,00 m têm necessidade de outro quadro adicional. 
 
 Figura 27 – Escoramento do tipo especial 
 
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 Assim, os escoramentos são determinados em função do tipo do subsolo local, da profundidade 
da vala, da presença de água e da natureza e do vulto da obra. 
 
 
 
 
� Para valas com até 2,50 m de profundidade, os escoramentos recomendáveis para os 
principais tipos de subsolo, estão indicados na tabela a seguir: 
 
 
 
 
Tabela 2 - Escoramentos recomendáveis X Tipos de subsolo (para valas até 2,50 m profundidade) 
________________________________________________________________________________ 
 TIPOS DE SUBSOLO ESCORAMENTOS RECOMENDÁVEIS 
________________________________________________________________________________ 
 
* Terra compacta ou argila consistente (compacta) Escoramento Descontínuo ou Pontaleteamento 
 
*Silte ou Taguá Seco ou Taguá Úmido: 
 Terra com listras de cor rosada, branca e marrom Escoramento Descontínuo ou Contínuo 
 
*Barro Grudado 
 Mistura de areia e argila Escoramento Descontínuo ou Contínuo 
 
*Turfa ou Solo Orgânico 
 Terra escura com camadas de areia ou terra cinza Escoramento Contínuo, Especial ou Misto 
 
*Areia Fina ou Grossa (seca) 
 Terra branca ou pedrinhas grossas Escoramento Contínuo 
 
*Areia Fina ou Grossa (saturada) 
 Terra branca ou pedrinhas grossas com mina Especial ou Misto 
 d’água 
 
* Pedregulho (seco) 
 Pedras pequenas e soltas Escoramento Contínuo 
______________________________________________________________________________ 
 
 
 
 
� Para valas com profundidades superiores a 2,50 m e até 4,00 m, é recomendado o 
Escoramento Contínuo, Especial ou Misto, dependendo do tipo do subsolo local e da 
presença da água. 
 
 
 
 
� Para valas com profundidades superiores a 4,00 m, recomenda-se o escoramento 
Especial ou Misto, dependendo do tipo do subsolo local e da presença da água. 
 
 
 
 Porém, a relação “Escoramentos Recomendáveis X Tipos de Subsolo” pode ser alterada por 
alguns fatores externos, tais como: a presença de água, de formigueiro, de vibrações externas, de 
cargas verticais etc. 
 
 
 
 
 
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 E a largura da vala é determinada em função do diâmetro da rede e do tipo de escoramento 
escolhido, conforme demonstrado no quadro abaixo. 
 
 
 Quadro 2 – Larguras de valas recomendadas 
 
 
 
 (*).......O escoramento do tipo pontaleteamento, somente é recomendável para valas com até 2,00 m de 
 profundidade e, ainda, sempre que as condições do terreno forem favoráveis. 
 NR......Não recomendável. 
 Fonte: NUVOLARI, A. (2011). 
 
 
 
Exercício 3.1 
 Quantificar os materiais a serem utilizados no escoramento mais recomendado (técnica e 
economicamente), para a execução de uma vala com 43,20 m de extensão e 2,00 m de profundidade, 
onde deverá ser assentada uma rede de esgoto com diâmetro de 300 mm. Considerar: 
* Dois níveis de estroncas, com espaçamentos horizontais de 1,35 m e verticais de 1,00 m. 
* Profundidade do Lençol Freático = - 4,50 m. 
* Tipo do Subsolo = Areia Fina (seca), composta de terra branca. 
 
 
 
 
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 Solução 
 Da Tabela 2, temos que o tipo de escoramento mais indicado é o “Contínuo”. 
 Do Quadro 2 ,sabe-se que a largura recomendada para a vala, é de L =1,00 m. 
 
 Relação de materiais: 
 
Tábuas (2,5 X 30 cm) = 43,20 m ÷ 0,30 m x 2 lados = 288 (de 2,00 m de comprimento cada) = 576,00 m 
 
Vigas/Longarinas (6 x 16 cm) = 43,20 m x 2 níveis de estroncas x 2 lados = 172,80 m 
 
Estroncas (Ø=20 cm) = (43,20 m ÷ 1,35 m + 1) x 2 níveis = 66 (1,00 m de comprimento cada) = 66,00 m 
 
 ______________________________________________________________________________________ 
 Tipo de Escoramento Largura Tábuas Vigas/Long. Estroncas de Madeira 
 da Vala (2,5 x 30 cm) (6 x 16 cm) (Ø=20 cm) 
 ______________________________________________________________________________________ 
 Contínuo 1,00 m 576,00 m 172,80 m 66,00 m 
 ______________________________________________________________________________________ 
 
 
Exercício 3.2 
 Desenvolver o cálculo comparativo dos materiais necessários para a execução dos tipos de 
escoramentos recomendáveis para a escavação de umavala com 81,00 m de extensão e 2,50 m de 
profundidade, na qual deverá ser assentada uma rede de esgoto de diâmetro de 500 mm. Considerar: 
* Três níveis de estroncas, com espaçamentos horizontais de 1,35 m. 
* Profundidade do Lençol Freático = - 4,00 m. 
 * Tipo do Subsolo = Argila Consistente (compacta). 
 * Indicar os resultados em metros. 
 
 Solução 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 ____________________________________________________________________________________ 
 Tipo de Escoramento Largura Tábuas Vigas /Long Estroncas de Madeira 
 da Vala (2,5 x 30 cm) (6 x 16 cm) (Ø=20 cm) 
 ____________________________________________________________________________________ 
 
 ____________________________________________________________________________________ 
 
 ____________________________________________________________________________________ 
 
 
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3.2.5 Drenagem e rebaixamento do lençol freático 
 Quando se encontra água no subsolo ou mesmo por ocasião das chuvas, há necessidade de 
utilização de técnicas específicas para poder assentar a rede coletora de esgotos. 
 
a) Drenagem 
 Para a drenagem das valas deve-se instalar bombas (geralmente do tipo submersíveis) para o 
esgotamento da águas decorrentes de enchentes, ou mesmo da infiltração do lençol freático do 
subsolo. Nestes casos, devem-se encaminhar as águas para os pontos baixos da vala que, com a 
execução de pequenos poços provisórios, permitirão o bombeamento das águas subterrâneas para fora 
das valas. 
 Para evitar que a água de bacias de contribuições vizinhas venham adentrá-la, aumentando o 
volume a ser bombeado, pode-se realizar valas de desvio (provisória) com a própria terra da 
escavação. 
 
 
 
 Figura 28 – Rede com esgotamento de bomba Figura 29 – PV com esgotamento com bomba 
 
 
b) Rebaixamento do lençol freático 
 O rebaixamento do lençol freático deve ser previsto sempre que o solo for arenoso e a 
profundidade da vala ultrapassar o nível do lençol freático. 
 Um dos sistemas mais utilizados é o de Ponteiras Filtrantes com uma ou duas linhas em 
paralelo à vala a ser esgotada. 
 
 
 
 Figura 30 – Ponteiras filtrantes com uma linha Figura 31 – Bomba de esgotamento do sistema 
 
 
 
 
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3.3 MATERIAIS EMPREGADOS NAS REDES COLETORAS DE ESGOTOS SANITÁRIOS 
 
 A escolha do material a empregar (tipo de tubulação) nas redes coletoras de esgotos sanitários 
é função das características dos efluentes, das condições locais e dos métodos construtivos, mas os 
seguintes aspectos normalmente devem ser considerados: 
� Condições de escoamento; 
� Resistências à: cargas internas e externas: abrasão; ação de substâncias agressivas; 
� Condições de impermeabilidade e juntas adequadas; 
� Disponibilidade no mercado, dos diâmetros necessários; 
� Facilidade de transporte, assentamento e instalação de equipamentos e acessórios; 
� Custos (material transporte e assentamento). 
. As tubulações mais utilizadas para as redes coletoras de esgotos sanitários são: tubos cerâmicos, 
tubos de concreto, tubos plásticos, tubos de ferro fundido e tubos de aço. 
3.3.1 Tubos cerâmicos (manilhas de barro) 
 
 Figura 32 – Tubos cerâmicos 
 Os tubos cerâmicos, ainda hoje, apresentam grande aceitação para a construção de redes 
coletoras de esgotos. São fabricados com argila cozida à elevadas temperaturas e vidrados 
internamente e/ou externamente. São produzidos com diâmetro nominal (DN) variando de 75 mm a 600 
mm e comprimento nominal de 0,60 m; 0,80 m; 1,00 m; 1,25 m; 1,50 m e 2,00 m. 
 Apresentam as seguintes características: 
� Baixa rugosidade; 
� Resistência a cargas provocadas por aterros comuns; 
� Resistência a ácidos e outras substâncias químicas (não atacado por ácido sulfúrico); 
� Boa impermeabilidade; 
� Baixo custo; 
� Facilidade de quebra. 
Os tubos cerâmicos são fabricados com juntas do tipo “ponta e bolsa” e as especificações e 
métodos relativos aos ensaios são fixados por normas técnicas da ABNT. 
 Existem três tipos de juntas disponíveis no mercado: 
 • Junta de argamassa de cimento e areia (1:3): é uma junta rígida que, por apresentar alguns 
inconvenientes, não é muito utilizada (cuidados especiais durante a execução, possibilidade de 
agressão pelo esgoto, possibilita a penetração de raízes para o interior da canalização); 
 • Junta com betume: é uma junta semi-rígida, com betume quente após o estopeamento (cordão 
de estopa entre a ponta e a bolsa). È um tipo de junta muito utilizada em tubos cerâmicos. 
• Junta elástica: utiliza um anel de borracha entre a ponta e a bolsa de um tubo ou conexão 
cerâmica. 
 
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3.3.2 Tubos concreto (de alta resistência) 
 
 Figura 33 – Tubos de concreto 
 Estas tubulações podem ser de concreto simples (ponta e bolsa) ou de concreto armado 
(moldados no local ou pré-moldados). Os tubos de concreto simples apresentam o diâmetro nominal 
variando de 200 mm a 1000 mm e os tubos de concreto armado possuem o diâmetro nominal variando 
de 400 mm a 2000 mm. 
Estes tubos apresentam baixa rugosidade e são mais utilizados nas seguintes situações: 
� Em canalizações a partir de 400 mm, para as quais não são normalmente oferecidos tubos 
cerâmicos (coletores tronco, interceptores e emissários); 
� Em canalizações que exigem resistência acima da oferecida por outros tipos de tubos, devido à 
resistência da tubulação variar de acordo com a espessura e com a armadura utilizada; 
� Quando a fabricação no local da utilização se torna mais conveniente (transporte). 
Os tubos de concreto estão sujeitos a ataques químicos (corrosão por ácido sulfúrico 
proveniente de compostos originados da decomposição anaeróbica do esgoto), que atingem o cimento 
diminuindo a resistência da tubulação e proporcionando o seu rompimento. Para as canalizações de 
esgotos sanitários, normalmente se empregam tubos de “ponta e bolsa” com anel de borracha 
(concreto simples e concreto armado), mas as tubulações podem ser também de “pontas lisas” para 
luvas ou de encaixe a meia espessura. Estes tubos, bem como os anéis de borracha para a junta 
elástica, devem ser submetidos a ensaios normalizados pela ABNT (resistência à compressão 
diametral, verificação da permeabilidade, estanqueidade e índice de absorção de água/dureza, tração, 
deformação, envelhecimento e determinação da absorção de água). 
 
 3.3.3 Tubos plásticos 
 Os principais tipos de plásticos utilizados em sistema de coleta e transporte de esgotos, são: 
 a) Tubos de PVC 
 
 Figura 34 – Tubos de PVC rígido com junta elásticaOs tubos de Poli Cloreto de Vinila - PVC rígidos com juntas elásticas, são destinados à rede 
coletora e ramais prediais enterrados para a condução de esgoto sanitário e despejos industriais, cuja 
temperatura não exceda a 40 o C sendo, também, normatizados pela ABNT. 
 
 
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 O PVC rígido, devido as suas propriedades físicas e químicas, confere à tubulação excelentes 
características, entre as quais podemos citar: 
� Leveza; 
� Estanqueidade; 
� Comprimento grande; 
� Flexibilidade; 
� Resistência química e resistência à abrasão; 
� Baixa rugosidade; 
� Ligações simples; 
� Facilidade e rapidez no transporte e assentamento. 
Os tubos de PVC rígido para coletores de esgoto, também normatizados pela ABNT, são 
fornecidos nos diâmetros de 100 mm, 150 mm, 200 mm, 250 mm, 300 mm, 350 mm a 400 mm, com 
ponta e bolsa e 6,00 m de comprimento. 
 
 b) Tubos de polietileno de alta densidade (PEAD) 
 O PEAD está sendo mais utilizado para interceptores e em emissários submarinos de esgotos. 
 
 Figura 35 – Tubo de Polietileno de Alta Densidade (PEAD) 
 
 
 c) Tubos de poliéster armado com fios de vidro 
 
 Figura 36 – Tubos de poliéster armado com fios de vidro 
 
 
 Apresentam basicamente as mesmas características do PVC. Os utilizados em esgotos 
sanitários são do tipo “ponta e bolsa”, com junta elástica. A Norma prevê diâmetros nominais de 200 a 
1200 mm, com variação de 50 em 50 mm até DN= 600 e de 100 em 100 mm a partir de DN=600 mm. 
 
 
 
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3.3.4 Tubos de ferro fundido 
 
 
 Figura 37 – Tubos e conexões de ferro fundido Figura 38 – Tubo de FºFº revestido internamente 
 
Os tubos de ferro fundido (FºFº) são fabricados com ponta e bolsa (junta de chumbo ou junta 
elástica) em diâmetros de 100 mm a 1200 mm (variação de 50 em 50 mm até DN= 400 mm e variação 
de 100 em 100 mm a partir de DN= 400 mm) e com comprimento de 6,00 m. 
 Apresentam alta resistência a cargas externas, porém são sensíveis à corrosão pelos esgotos 
ácidos e por solos ácidos. Nestes casos, devem ser revestidos interna e/ou externamente. São 
utilizados principalmente nas seguintes situações: 
� Em locais de transito pesado e pouco recobrimento do piso; 
� Em casos de a tubulação ser assentada a grande profundidade, acima dos limites de carga dos 
outros materiais; 
� Em casos de tubulação aparente; 
� Em casos de travessias de obstáculos, vãos de pontes, rios e estruturas sujeitas a trepidação; 
� Em linhas de recalque e, também, em elevatórias. 
 
3.3.5 Tubos de aço 
 
 Figura 39 – Tubos de aço 
 Os tubos de aço são utilizados quando se deseja tubulação com pequeno peso, com absoluta 
estanqueidade, com flexibilidade e com grande resistência a pressão de ruptura. No mercado, estão 
disponíveis tubos de aço com ponta e bolsa e junta elástica com diâmetros nominais de 150 a 1200mm 
(variação de 50 em 50 mm até DN= 500 mm e variação de 100 em 100 mm a partir de 600 mm). 
Podem também ser fabricados no próprio local (tubo de aço soldado e rebitado). 
 
 
 
 
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3.4 LIGAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTOS SANITÁRIOS 
 
A ligação predial, também chamada de ramal predial, é o trecho do coletor predial 
compreendido entre a rede coletora de esgotos até o alinhamento público. 
Geralmente, utiliza-se um único ramal predial que é encaminhado à rede coletora, de tal forma 
que fique perpendicular (ortogonal) ao alinhamento do imóvel. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 40 – Ramal predial ortogonal ao alinhamento do imóvel 
 
 
 
O ramal predial deve ter diâmetro mínimo de 100 mm (100 DN) e o seu dimensionamento pode 
ser feito considerando o número máximo de unidades Hunter de Contribuição (UHC), assentado de 
acordo com as declividades mínimas indicadas no quadro abaixo: 
 
 
 Quadro 3 – Diâmetros e declividades do ramal predial 
 
 DIÂMETRO NOMINAL – DN 
 (mm) 
 DECLIVIDADE MÍNIMA 
 (%) 
 100 2,0 
 150 0,7 
 200 0,5 
 
 
 O sistema de ligação do ramal predial à rede coletora de esgotos depende principalmente dos 
seguintes fatores: 
� Profundidade e posição da rede coletora na via pública; 
� Tipo do terreno e da pavimentação; 
� Época de execução da rede coletora em relação ao pedido de ligação do coletor predial; 
� Do conhecimento correto das testadas dos lotes; 
� Razões de ordem econômica. 
 
 Os tipos de ligações prediais de esgotos são determinados em função da posição da rede 
coletora na via pública, as quais podem estar situadas no passeio adjacente, no terço adjacente ao 
passeio ou, ainda, no eixo do passeio. 
 
 
 
 
 
 RAMAL 
 PREDIAL 
RAMAL INTERNO 
 R
E
D
E
 C
O
L
E
T
O
R
A
 D
E
 
 
 
 
 
 
 E
S
G
O
T
O
S
 
 
 
 
 
 
ALINHAMENTO 
 
 
PASSEIO 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 29 - 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 41 - Ligação de esgotos com a rede situada no passeio adjacente 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 42 - Ligação de esgotos com a rede situada no terço adjacente ao passeio 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 43 - Ligação de esgotos com a rede situada no eixo do passeio 
 
 
ALINHAMENTO 
 
RALMAL 
INTERNO 
PASSEIO 
 
 RAMAL PREDIAL 
CURVA DE 90º 
COLUNA 
 REDE COLETORA 
 
 
CURVA DE 45º 
COLUNA CURVA DE 45º 
PASSEIO 
PONTO DE 
CONEXÃO 
TERÇ EIXO TERÇO 
LEITO CARROÇAVEL 
 
PASSEIO 
LEITO CARROÇAVEL 
 
PROFUNDIDADE MÍNIMA 
NA SOLEIRA: 0,50 m 
CURVA DE 45º 
RAMAL INTERNO 
RAMAL 
PREDIAL 
COLUNA 
CURVA DE 45º 
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3.5 PROJETO DO SISTEMA DE COLETA E AFASTAMENTO DE ESGOTOS SANITÁRIOS 
 
 As tubulações dos coletores e interceptores devem ser projetadas e calculadas através do 
regime hidráulico denominado “condutos livres”, enquanto os sifões invertidos e as linhas de recalque 
das estações elevatórias devem se submeter ao regime de “condutos forçados”. Os emissários podem 
ser projetados para funcionar tanto por um ou outro regime,dependendo da sua concepção. 
 
 Estes tipos de projetos estão normatizados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas 
(ABNT), através da NBR 9648/1986 (Estudo e Concepção de Sistemas de Esgotos Sanitários) e da 
NBR 9649/1986 (Projeto de Redes de Esgotos). 
 
 As principais atividades desenvolvidas durante a concepção do projeto de redes coletoras de es- 
gotos são: 
 
� Estudo da população da cidade e sua distribuição territorial, delimitando, em planta, os se- 
tores, conforme suas densidades demográficas; 
 
� Estabelecimento dos critérios para a previsão das vazões: cota de consumo diário de água 
 per capita; coeficiente de retorno (relação esgoto/água); coeficientes de variação de vazão; 
 taxa de infiltração; 
 
� Estimativas das vazões dos grandes contribuintes: indústrias, grandes edifícios, hospitais, 
shopping centers etc; 
 
� Determinação, para cada setor de densidade demográfica, da vazão de esgotos específica 
(L/s.ha, L/s.m); 
 
� Divisão da cidade em bacias e sub-bacias de contribuição; 
 
� Traçado e pré-dimensionamento dos coletores-troncos; 
 
� Traçado e pré-dimensionamento dos coletores secundários, com as localizações dos 
 órgãos acessórios; 
 
� Quantificação preliminar dos materiais, equipamentos e serviços a serem executados. 
 
 
 E a apresentação destes trabalhos deverá contemplar: 
 
� Memorial descritivo e justificativo contendo: evolução da população, descrição do sistema, 
critérios e parâmetros de cálculo, cálculos hidráulicos, materiais a serem empregados, as 
 pectos construtivos, medidas de segurança e outros que se fizerem necessários; 
 
� Planta planialtimértrica da cidade, em escala 1:5000 ou 1:10000 com curvas de nível de 
 5 em 5 metros, contendo a localização do empreendimento e seus limites, a setorização 
 das densidades demográficas, a divisão em bacias e sub-bacias de contribuição, o traçado 
 dos coletores-troncos com seus diâmetros, declividades e extensões; 
 
� Planta planialtimértrica da área, em escala 1:2000 ou 1:1000 com as curvas de nível de 
 metro em metro, com as cotas de cruzamentos e com os pontos singulares, contendo, 
 ainda, a delimitação das bacias e sub-bacias de contribuição, a localização e identificação 
 dos órgãos acessórios devidamente unidos pelas tubulações com a identificação dos 
 seus diâmetros, declividades e extensões. Também deverá ser desenhado o corte 
 longitudinal com os perfis das ruas e das redes; 
 
� Estimativa das quantidades e dos custos dos materiais, equipamentos e serviços a 
 serem executados; 
 
� Cronograma de obras e serviços. 
 
 
 
 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 31 - 
 
 
3.5.1 Localização da rede coletora na via pública 
 A rede coletora de esgotos sanitários deve ser assentada em uma das posições abaixo 
indicadas, sendo que a numeração dos prédios da rua, é que determina a denominação do lado “par ou 
ímpar”. 
 
 Figura 44 - Posições de assentamento da rede coletora na via pública 
 
 
 As Redes Simples são assim denominadas quando existir apenas a tubulação de esgoto 
sanitário na rua, devendo estar localizada no eixo da rua. Se existir também a galeria de águas pluviais, 
loca-se a rede de esgoto a 1/3 da largura entre o meio fio (do lado par ou ímpar) e o eixo da rua a ser 
ocupada pela galeria pluvial. 
 No caso de existir, em um dos lados da rua, soleiras negativas, o coletor deverá ser 
obrigatoriamente colocado no terço correspondente. 
 
 
Figura 45 - Rede simples de esgoto no terço da rua Figura 46 - Rede simples de esgoto no eixo da rua 
 
 
 Em algumas situações torna-se vantajosa a colocação de duas tubulações coletoras de esgoto 
sanitário na via pública, passando sob cada passeio. São as denominadas Redes Duplas, que devem 
ser utilizadas sempre que as ruas possuírem: 
 
� Largura superior a 15,00 m; 
� Largura superior a 10,00 m e bem pavimentadas; 
� Tráfego intenso; 
� Galerias pluviais, coletores- tronco ou outras tubulações que impeçam as ligações prediais; 
� Com coletores muito grandes (∅ ≥ 400 mm) que não recebem ligações prediais diretas ou, 
ainda, quando os coletores são colocados em grandes profundidades (p ≥ 4,00 m). 
 
 
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 Figura 47 – Rede Dupla de esgoto sob os passeios (Rua B) 
 
 
 Figura 48 – Rede Dupla em paralelo ou com coletor profundo (Rua A) 
 
 Caso haja interferências nos passeios que dificultem a obra, pode-se lançar no leito carroçável, 
próximo à sarjeta. Portanto, a rede dupla pode estar situada no passeio, no terço ou uma rede no 
passeio e outra no terço da rua. 
 
3.5.2 Concepção do traçado da rede de esgoto sanitário 
O traçado da rede de esgoto tem relação com a topografia da cidade, uma vez que o 
escoamento dos esgotos se dá por gravidade (caimento do terreno). Desta maneira tem-se, ou melhor, 
podem-se ter os seguintes tipos de rede: 
 
 a) Rede perpendicular 
Aparece em cidades atravessadas ou circundadas por cursos de água. Coletores - troncos e 
independentes compõe a rede de esgoto, sendo o seu traçado o mais perpendicular possível ao curso 
d’água. Para se levar os efluentes ao destino final devem-se construir um interceptor margeando o 
curso d’água conforme a figura a seguir: 
 
 Figura 49 - Rede perpendicular 
 
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 b) Rede em leque 
Utilizada em terrenos acidentados. O coletor-tronco corre pelo fundo dos vales ou pela parte 
baixa das bacias e nele incidem os coletores secundários, O seu traçado lembra a forma de um leque 
ou uma espinha de peixe. 
 
 
 
Figura 50 - Rede em leque 
 
 
 c) Rede radial ou distrital 
É utilizada em cidades planas. Divide-se em setores ou distritos independentes criando-se 
pontos baixos, para onde são encaminhados os esgotos. Destes pontos baixos recalcam-se os esgotos 
para o destino final. 
 
 
 Figura 51 - Rede radial ou distrital 
 
 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 34 - 
 
3.5.3 Fatores que influenciam no traçado da rede de esgotos sanitários 
 São diversos os fatores que podem influenciar no traçado de uma rede de esgoto sanitário: 
 a) Órgãos acessórios 
 O esgoto coletado por tubulações é lançado em poços de visita (PVs). A orientação do fluxo 
desse esgoto é feita por canaletas situadas no fundo dos poços de visitas, possibilitando ao 
projetista concentrar a vazão em determinados coletores. 
 
Ponto A: Características de local alto (ponto seco) 
Ponto B: Características de local baixo (recebem esgoto) 
 Figura 52 – Orientações dos fluxos do esgoto 
 
De acordo com os fluxos indicados nas canaletas localizadas nos fundos dos poços de visitas, 
pode-se obter diferentes tipos de traçados para uma mesma área. Novamente verifica-se a importância 
da topografia na solução dos diferentes traçados de uma tubulação.Deve ser evitada Melhor que a anterior 
 
 Melhor traçado 
 Figura 53 - Possibilidades de traçados de uma rede em função das orientações dos fluxos 
 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 35 - 
 
 b) Profundidade 
Em função da maior ou menor dificuldade de escavação do solo, serão adotadas as 
profundidades máximas e mínimas dos coletores. Portanto, o conhecimento do subsolo é indispensável 
para prever a presença de rochas, solos de baixa resistência, lençol freático e outros problemas. O 
ideal seria o reconhecimento completo do subsolo por meio de sondagens. 
Todavia, se recomenda trabalhar com profundidades máximas de 3,00 a 4,00 m quando 
locadas nas ruas e de 2,00 a 2,50 m quando situadas sob os passeios. 
Quanto às profundidades mínimas, é recomendável que o menor recobrimento para 
tubulações assentadas no leito carroçável seja de 1,00 m, acrescido do diâmetro da tubulação. Para 
redes assentadas nos passeios e/ou vielas, admite-se profundidades não inferiores a 0,65 m. 
 
 c) Interferências 
Dentre as principais interferências que devem ser consideradas estão as canalizações de 
drenagem urbana, os cursos de água que atravessam a área urbana e as grandes tubulações de água 
potável. Também o trânsito que pode ser considerado como interferência importante, devendo a 
concepção da rede ser feita de maneira a causar o mínimo impacto possível nesse aspecto. 
 
 d) Aproveitamento de canalizações existentes (quando for o caso) 
 A concepção do traçado da rede deverá considerar o possível aproveitamento do sistema de 
coletores existentes. Para isso, deve-se dispor de um cadastro do sistema com as seguintes 
informações: localização da tabulação e dos poços de visitas em planta, sentido de escoamento; 
diâmetro de cada trecho e as profundidades a montante e a jusante dos trechos e do poço de visitas. 
 
 e) Planos diretores de municipais 
 Será importante que a concepção da rede leve em consideração os planos diretores de 
urbanização do município. Normalmente, esses planos estabelecem a setorização de densidades 
demográficas, áreas industriais, sistema viário principal e as zonas de expansão urbana. 
 
3.6 VAZÕES DE ESGOTOS SANITÁRIOS 
 
 Os sistemas de esgotos projetados no Brasil, desde o ano 1912, devem adotar os critérios e 
características do denominado “Sistema Separador Absoluto”, cuja rede coletora recebe contribuições 
apenas do Esgoto Sanitário, que é composto de Esgoto Doméstico, de Águas de Infiltração do subsolo 
(as quais não são admitidas intencionalmente) e, também, de Efluentes de alguns tipos de indústria. 
 
 onde: Q..........vazão de esgoto sanitário (L/s); 
 Qd........vazão doméstica (L/s); 
 Qinf......vazão das águas de infiltração (L/s); 
 Qc........vazão concentrada ou singular (L/s). 
 
 A vazão concentrada ou singular refere-se àquela contribuição “pontual” de esgotos e, ainda, 
bem superior às demais lançadas na rede coletora, acarretando alterações nas vazões a jusante. 
Podem ser assim consideradas, as contribuições provenientes de clubes, hospitais, quartéis, escolas, 
estações terminais de transportes, grandes edifícios, comerciais e/ou residenciais, alguns tipos de 
indústria etc. 
 
3.6.1 Vazão de esgoto doméstico 
 A vazão de esgoto doméstico (decorrente da água de banho, urina, fezes, papel, restos de 
comida, sabão, detergentes e águas de lavagem) depende diretamente dos seguintes parâmetros: 
 
 a) População a ser atendida 
 O sistema de coleta e afastamento de esgoto deve ser projetado levando-se em consideração 
a demanda que se verificará numa determinada época em razão de sua população futura. Admitindo 
ser esta variável crescente, é fundamental fixar a época até a qual o sistema poderá funcionar 
satisfatoriamente, sem sobrecarga nas instalações ou deficiências no seu funcionamento. 
 
 
Q = Qd + Qinf + Qc 
 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ ▲ Prof. Dr. José Carlos Simões Florençano - 36 - 
 
 
 O tempo estabelecido para projeto desses sistemas está diretamente relacionado a: 
� Durabilidade ou vida útil das obras e equipamentos; 
� Amortização do capital investido; 
� Crescimento da população. 
 
 Para pequenas e médias instalações, costuma ser adotado o período mínimo de 20 a anos. 
 
 Assim, devem ser levantados todos os elementos históricos da evolução da população no 
município e na área do projeto. A população flutuante que ocorre em determinados períodos do ano, 
nas localidades turísticas, pode ser estimada através de registros do consumo de água, de energia 
elétrica, da ocupação dos leitos em hotéis etc. A população fixa (residente no local), além da 
contagem direta, pode ser projetada com base nos censos demográficos, plano diretor, além dos 
Métodos Gráficos e Matemáticos (Aritmético, Geométrico, Curva Logística e Mínimos Quadrados / 
Ajustagem da Curva), conforme já visto em SISTEMAS DE TRATAMENTO E DISTRIBUIÇÃO DE 
ÁGUA, capítulo Métodos de Previsão da População (FLORENÇANO, J.C.S., 2012). 
 No Estado de São Paulo, a SABESP recomenda, ainda, a adoção de um Plano de Ocupação 
Inicial de 35% dos lotes e um crescimento geométrico da população em 3,5% ao ano. 
 
 b) Coeficiente de retorno: relação esgoto / água (C) 
É a relação média entre as contribuições do esgoto doméstico e o consumo efetivo de água 
da população. Da água consumida, somente uma parcela “retorna” ao esgoto, e a outra restante é 
utilizada para lavagem de calçadas, rega de jardins etc, não retornando para a rede de esgoto. Alguns 
pesquisadores e chegaram aos seguintes valores para esse coeficiente: 
 
 *Martins...C = 0,7 a 0,9; *Azevedo Netto...C = 0,7 a 0,8; *Metcalfy – Eddy... C = 0,7 
 
 Em áreas com muitos jardins os valores são menores, enquanto que em regiões mais 
centrais e pavimentadas estes valores tendem a ser mais altos. A norma brasileira NBR 9649 (ABNT, 
1986) recomenda o valor médio de “C = 0,8” na falta de dados oriundos de pesquisas in loco. 
 
c) Contribuição per capta de esgoto 
 A quantidade de esgoto doméstico coletada depende intimamente da quantidade da água de 
abastecimento distribuída à população. Em projetos de sistemas de abastecimento de água é utilizado 
o conceito do “Consumo de Água Per Capita” para atender o consumo doméstico, comercial, público, 
industrial e, ainda, às perdas que têm correspondido a cerca de 20 a 30% do consumo total. Porém, 
como tais “perdas de água”, normalmente não são coletadas (não retornam) pelas redes de esgotos, 
tem se empregado o conceito do “Coeficiente de Retorno” e do “Consumo Efetivo de Água Per Capita”, 
o qual exclui o valor referente às perdas, para os projetos de sistemas de esgoto. A SABESP mediu os 
“Consumos Efetivos de Água Per Capita” em algumas cidades do Estado de São Paulo: 
 
 Quadro 4 - Consumos efetivos de água per capita, em algumas cidades do Estado de São Paulo 
Cidade 
População urbana estimada para 
1986 (habitantes) 
Consumo efetivo de água 
per capita 
Cardoso 8044 124 
Fernandópolis 49208 165 
 São José dos Campos 392968 170 
Taubaté 215513 184 
Tremembé 21271 135 
 Fonte: Tsutiya, M. T. e Além Sobrinho, P. A. (2000) 
 
 Assim, a Contribuição Per Capta de Esgoto Doméstico

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