Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Compliance
Niedjha Abdalla-Santos
Introdução
Você conhece o termo compliance? Entende sua relação com a ética no atual mercado de 
trabalho? Nesta aula, aprofundaremos nosso conhecimento acerca deste tema. 
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • reconhecer o conceito de compliance e sua origem; 
 • identificar os elementos essenciais para a implantação de um programa de compliance. 
1 Conceito de compliance e origem do termo
Compliance é o conjunto de ações adotadas para que uma organização trabalhe em conformi-
dade com as exigências dos órgãos regulamentadores e com os padrões legais de seu segmento de 
atuação. Tal postura permite seguir diretrizes e políticas empresariais, governamentais e de mercado, 
prevenindo e mitigando o risco de as organizações sofrerem perdas em decorrência de corrupção ou 
de ações judiciais por descumprimento a leis e regulamentos (LELIS; PINHEIRO, 2012). 
Soluções de compliance são aplicáveis às áreas financeiras, administrativas, econômicas, jurí-
dicas, bem como à gestão pública e privada. Contabilmente, são ativos intangíveis e dizem respeito 
ao investimento feitos nas pessoas, em processos de trabalho e de controles para adequação a 
normas, cujo descumprimento pode resultar em prejuízos para as organizações (ABBI, 2009).
Você sabia que o termo “compliance” deriva do verbo em inglês “to comply”, que significa 
executar, cumprir, adequar-se a, realizar o que lhe foi imposto? Podemos traduzir compliance, por-
tanto, como o dever de estar em conformidade, cumprir e fazer cumprir normas.
FIQUE ATENTO!
A Lei norte-americana Sarbanes-Oxley (SOx), de 2002, impulsionou mundialmente o 
uso de programas de compliance e soluções de governança. Criada para controlar 
fraudes e escândalos contábeis em grandes corporações, é aplicável a todas as em-
presas que negociam ações registradas na SEC (Securities and Exchange Comission), 
equivalente norte-americana à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) brasileira.
Figura 1 – Estar em compliance é sinônimo de estar em conformidade com a lei.
Fonte: Scott Maxwell LuMaxArt/Shutterstock.com
Atribui-se o surgimento do compliance à necessidade de maior controle interno e externo 
sobre as organizações, principalmente financeiras, no intuito de diminuir o chamado risco de con-
formidade legal, ou risco de que os gestores possam agir mais em interesse próprio do que no 
interesse dos acionistas e proprietários (risco de agência).
Embora tenha assumido papel de maior relevância nas instituições financeiras a partir da 
década de 1990, alguns marcos históricos associam a origem da compliance à criação do Banco 
Central norte-americano em 1913, assim como à busca por um sistema financeiro mais seguro e 
estável (SANTOS et al, 2012). 
O termo voltou a emergir no cenário econômico ocidental após a Primeira Guerra Mundial e a 
grande depressão de 1929, que culminou na quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Na oca-
sião, a criação do chamado New Deal, política pública norte-americana de intervenção econômica, 
voltada a corrigir distorções capitalistas, impôs novos mecanismos de controle.
FIQUE ATENTO!
A exemplo da Lei Sox norte-americana, saiba que a promulgação no Brasil da Lei 
Anticorrupção, em 2014, conferiu maior valor às soluções de controle e de moni-
toramento das organizações. Desde então, ampliou-se a importância de estar em 
conformidade, ou em compliance, com as exigências regulatórias e políticas.
A ideia de compliance passou a ser associado à busca por maior confiança nas corporações, 
ao uso de instrumentos de controle e de sistemas capazes de inibir e de lidar com os riscos decor-
rentes da corrupção, estando associada às iniciativas de governança corporativa. 
Figura 2 – Compliance envolve metas de diversos perfis organizacionais. 
Fonte: STEVEN CHIANG/Shutterstock.com 
A governança corporativa, por sua vez, retrata um conjunto de decisões e de práticas que 
tem por objetivo controlar o desempenho e dirigir estrategicamente as corporações. Seu objetivo 
é garantir a qualidade das relações entre gestores, proprietários e demais partes interessadas 
na melhoria da gestão organizacional e nos resultados positivos das organizações (ABDALLA-
-SANTOS, 2014).
EXEMPLO
Uma organização pode criar programas de compliance por meio de diversos ins-
trumentos de controle de riscos, como código de ética, regimento interno, canal de 
denúncias, plano de capacitação, manuais de boas práticas e guia anticorrupção.
A relação entre compliance e governança é facilmente explicável, pois ambas as soluções 
decorrem da necessidade de controlar custos e riscos do chamado “conflito de agência”, con-
ceito que tem origem na Teoria do Agente (ou da agência) e na Teoria da Firma. Tais teorias são 
amplamente utilizadas em ciências sociais aplicadas, especialmente em Economia, Administra-
ção e Contabilidade. 
FIQUE ATENTO!
Embora tenha origem nas Ciências Econômicas, a Teoria da Agência é utilizada 
em estudos de variadas áreas do conhecimento. Por isso, você poderá encontrar 
a mesma teoria sendo tratada indistintamente por diferentes nomes, como se fos-
sem diferentes: Teoria da Agência, Teoria da Firma, Teoria Agente-principal ou Prin-
cipal-agente, Teoria do Agente etc.
Figura 3 – Programas de compliance requerem comprometimento de todos. 
Fonte: Konstantinos Kokkinis/Shutterstock.com 
Essas teorias analisam organizações nas quais uma das partes (chamada de principal) con-
trata outra parte (o agente) para realizar funções que requerem a delegação de autoridade do prin-
cipal para o agente. Trata-se do caso típico de administradores de uma empresa (agentes) e seus 
acionistas (principais), ou da relação entre advogado (agente) e cliente (principal). 
Nesse cenário, o controle se torna indispensável, pois numa relação principal-agente um indivíduo 
é beneficiado (o principal), enquanto o outro (o agente) se dedica a realizar a tarefa que lhe foi confiada. 
SAIBA MAIS!
Conheça a rica discussão sobre compliance, teorias de riscos corporativos e 
governança na monografia publicada no Boletim de Inovação e Sustentabilidade 
(BISUS) do Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP. Disponível em: <http://www.
pucsp.br/sites/default/files/download/posgraduacao/programas/administracao/
bisus/bisus2015-2-vol3.pdf>.
Agora que já conhecemos o conceito de compliance, veremos as ações e programas que 
compõem sua prática. Continue acompanhando!
2 Elementos essenciais de um programa de compliance
Como vimos, compliance designa o conjunto de ações voltadas a mitigar riscos e a prevenir 
corrupção, cujos programas são compostos por sistemas formais de controle, códigos de ética, 
ações educativas, ouvidorias, entre outros. 
Tais programas permitem que colaboradores de todos os níveis, clientes e fornecedores exer-
citem seu compromisso com os valores e objetivos da organização. São soluções que exigem 
definição e implantação de procedimentos, além de ajustes na cultura corporativa.
SAIBA MAIS!
Conheça o Guia das Melhores Práticas para Organizações do Terceiro Setor, 
Organizações e Fundações, disponível no website do Instituto Brasileiro de 
Governança Corporativa - IBCG: <http://www.ibgc.org.br/userfiles/2014/files/
Arquivos_Site/GUIA_3SETOR_2016.pdf>.
Figura 4 – Compromisso ambiental é área de grande interesse de compliance.
Fonte: Vaclav Volrab/Shutterstock.com
Os programas de compliance evidenciam a necessidade de alinhamento da ética corporativa com 
a individual. Tendo em vista a diferenciação entre os indivíduos, um programa de compliance tem o desa-
fio de ditar valores e objetivos comuns, buscando observância permanente às normas (BRASIL, 2016).
Eles podem, ainda, envolver diversas áreas organizacionais de forma independente ou agregada. 
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), do Ministério da Justiça (BRASIL,2016) 
relaciona alguns elementos essenciais para a implantação de um robusto programa de compliance: 
 • o comprometimento, que se concretiza pelo envolvimento da alta direção, disponibili-
zação de recursos, autonomia e independência do gestor do programa; 
 • prévia e concomitante análise dos riscos inerentes à atividade organizacional; 
 • mitigação dos riscos por meio de treinamento e comunicação interna, do monitora-
mento do programa, da documentação das iniciativas, das punições internas que 
devem ser independentes da posição hierárquica; 
 • revisão e adaptação do programa ao longo do tempo.
EXEMPLO
Uma forma comum de produzir envolvimento e o comprometimento nos progra-
mas de compliance é garantir que a adesão ao programa se reflita na remuneração 
de empregados dos vários níveis, por meio de prêmios e incentivos em dinheiro, 
viagens, hospedagens etc.
Segundo o CADE (BRASIL, 2016), o benefício dos programas de compliance se estende a inves-
tidores, parceiros comerciais e consumidores, uma vez que garante mercados eticamente compe-
titivos, prevenindo infrações e evitando a perda de valor da empresa. Consequentemente, podemos 
afirmar que esses programas beneficiam a sociedade, a economia e a concorrência como um todo.
Fechamento 
Chegamos ao final desta aula. Aqui, vimos a origem e o conceito de compliance, bem como 
seus elementos essenciais. 
Nesta aula, você teve a oportunidade de:
 • conhecer o conceito de compliance e relaciona-lo aos estudos da ética no contexto 
organizacional;
 • identificar as ações e iniciativas que compõem um programa de compliance. 
Referências
ABBI, Associação Brasileira de Bancos Internacionais. Função de compliance. ABBI website 
institucional. Disponível em: <http://www.abbi.com.br/download/funcaodecompliance_09.pdf>. 
Acesso em: 06 ago. 2016.
ABDALLA-SANTOS, Niedjha L. Governança na gestão de espaços públicos urbanos: territoriali-
dades e cidadania na Galeria dos Estados, em Brasília - Distrito Federal. 2014. 181f. Dissertação 
(Mestrado em Geografia - Gestão Ambiental e Territorial) – Universidade Federal de Brasília, GEA/
IH/UnB. Brasília, 2014. 
BRASIL, Ministério da Justiça - Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Guia para 
programas de compliance: orientações sobre estruturação e benefícios da adoção dos progra-
mas de compliance concorrencial. Brasília: 2016. Disponível em: <http://www.cade.gov.br/aces-
so-a-informacao/publicacoes-institucionais/guias_do_Cade/guia-compliance-versao-oficial.pdf>. 
Acesso em: 05 ago. 2016.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA. Guia das melhores práticas para 
organizações do Terceiro Setor. Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. São Paulo, SP: 
IBGC, 2016. Disponível em: <http://www.ibgc.org.br/userfiles/2014/files/Arquivos_Site/GUIA_3SE-
TOR_2016.pdf>. Acesso em: 20 set. 2016.
LELIS, Débora Lage Martins; PINHEIRO, Laura Edith Taboada. Percepção de auditores e auditados 
sobre as práticas de auditoria interna em uma empresa do setor energético. Rev. contab. finanç., 
São Paulo, v. 23, n. 60, p. 212-222, dez. 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?scrip-
t=sci_arttext&pid=S1519-70772012000300006&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 06 ago. 2016.
SANTOS, Renato Almeida dos et al. Compliance e liderança: a suscetibilidade dos líderes ao 
risco de corrupção nas organizações. Einstein (São Paulo), São Paulo, v. 10, n. 1, p. 1-10, mar. 
2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-450820120 
00100003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 06 ago. 2016.

Mais conteúdos dessa disciplina