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PSICOMOTRICIDADE 
 
 
Solange Crispim Salazar 
Professora Tutora Externa: Barbara Mª Siqueira Dagostim 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI 
Pedagogia (PED 0786) – Prática do Módulo III 
13/06/14 
 
 
RESUMO 
 
A Psicomotricidade atua no campo da disciplina educativa, reeducativa e terapêutica, que pretende 
destacar a relação entre a motricidade, a mente e a afetividade, facilitando a aproximação geral do 
individuo por meio de uma técnica. A psicomotricidade na educação infantil visa o equilíbrio e o 
desenvolvimento motor e intelectual da criança, ela está ligada ao processo de alfabetização e suas 
contribuições para a aprendizagem, à estrutura da educação psicomotora, é a base fundamental 
para o processo de aprendizagem, contribuindo para o desenvolvimento físico, afetivo e cognitivo 
da criança. 
 
 
Palavras-chave: Psicomotricidade, Desenvolvimento Infantil, Aprendizagem. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A Psicomotricidade trata-se de uma ciência nova, a qual tem o homem como seu objeto de 
estudo através do seu corpo em movimento engloba outras áreas educacionais, pedagógicas e saúde. 
Ela busca conhecimento também em outras ciências como: sociologia, adquirindo conhecimento em 
como ocorre à socialização das crianças, na biologia compreendendo o processo de maturação dos 
músculos e obtenção de novos movimentos corporais e na psicologia integra, unifica o movimento 
do corpo entre o pensamento, pois para a realização do movimento depende do pensamento que o 
produziu. 
 
Através do jogo que é um meio de desenvolver aspectos cognitivos e psicomotores, a 
criança, adolescente aprende a explorar o corpo com movimentos de forma lúdica, se divertindo e 
desenvolvendo diversos elementos que compõem a psicomotricidade, é uma disciplina que estuda a 
ligação do corpo, a vivência corporal, o campo semiótico das palavras e a comunicação dos objetos 
e o meio para realizar-se uma atividade. 
 
A psicomotricidade tem como objetivo maior fazer do individuo: 
 
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- UM SER DE COMUNICAÇÃO; 
- UM SER DE CRIAÇÃO; 
- UM SER OPERATIVO. 
 
O profissional responsável é o psicomotricista, é da área da saúde e educação que pesquisa, 
avalia, previne e trata do Homem na aquisição, no desenvolvimento e nos transtornos da integração 
somato-psíquica e da retrôgenese. Suas áreas de atuação: educação clinica, consultoria, supervisão e 
pesquisa, atendendo crianças em fase de desenvolvimento; bebês de alto risco; crianças com 
dificuldades/atrasos no desenvolvimento global; pessoas portadoras de necessidades especiais; 
deficiências sensoriais, motoras, mentais e psíquicas; famílias e a 3ª idade, seu mercado de trabalho 
é em creches; escolas; escolas especiais; clinicas multidisciplinares; consultórios; clinicas 
geriátricas; postos de saúde; hospitais; empresas.2 A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL. 
 
O movimento é uma importante área do desenvolvimento e da cultura humana. 
 
Na vida intrauterina o feto já se movimenta, mas na vida extrauterina as crianças 
começam a movimentar-se, adquirindo aos poucos maior controle sobre seu próprio corpo, 
se apropriando cada vez mais das possibilidades de interação com o mundo. (BARRETO, 
2010). 
 
O andar, correr, saltar, provêm das influências sociais, são movimentos construídos em 
função de necessidades, interesses e possibilidades corporais humanas, esses movimentos 
introduzem-se aos comportamentos, formando assim uma cultura corporal de movimento, 
decorrente disso diferentes manifestações dessa linguagem foram surgindo (dança, jogos, 
brincadeiras) nas quais se utiliza gestos, posturas e expressões corporais. 
 
A brincadeira é uma necessidade para a criança, que favorece a passagem do período 
sensório-motor ao lógico concreto. Por meio da brincadeira a criança começa de forma 
gradativa a operar mentalmente, formando categorias conceituais e relações lógicas, a 
partir dos símbolos e representações individuais. (BARRETO, 2000). 
 
Nas brincadeiras os conhecimentos que as crianças já possuem elas convertem em conceitos 
gerais com os quais brincam, esses conhecimentos origina-se da imitação de alguém ou de algo 
conhecido, em família ou em outros ambientes. Com esse ato de brincar a criança estabelecem 
diferentes vínculos, necessários ao equilíbrio psicossomático. Com a execução das mais diferentes 
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brincadeiras, a criança, conhece seu corpo e dos demais, formando sua imagem corporal, seu 
esquema corporal, completando o esquema com a imagem corporal ela torna-se equilibrada em 
termos psicossomáticos, satisfazendo suas necessidades presentes. 
 
A criança é um ser dinâmico, possui potencialidades e limitações. A brincadeira é o meio 
natural de desenvolvimento, comunicação e aprendizagem. 
 
3 SUA APLICABILIDADE NO BRASIL 
 
Em 1962 Maria Silva Machado chegou a Belo Horizonte, após um estágio em 
psicomotricidade no Hospital Henri Rouselle em Paris/França iniciando seu trabalho nesta capital. 
Em 1965, foi criado o trabalho de reeducação psicomotora no Instituto Brasileiro E. Claparede 
Instituto Pedagógico e, em 1968 na Clinica Psiquê Psicologia Aplicada nesse ano difundiu-se a 
psicomotricidade no Brasil, com cursos e cadeiras de psicomotricidade em universidades em vários 
estados, no inicio foi introduzida em escolas especializadas como recurso pedagógico que pretendia 
corrigir distúrbios e preencher lacunas de desenvolvimento de crianças excepcionais, nessa 
abordagem foram aplicados exercícios conhecidos dos professores como: coordenação viso-motora, 
ritmo, orientação e estruturação espacial, organização corporal, lateralidade, dentre outros. 
 
Os objetivos da época seria não deixar se perder a diversidade e a riqueza humana dos 
profissionais interessados pela psicomotricidade, pois ela constitui um campo específico por si 
mesmo, sendo uma especificidade que atende diversas áreas. 
 
Os profissionais procuram fazer grupos de estudos, pois o trabalho psicomotor mostrava 
como era difícil atuar com pessoas portadoras de necessidades especiais, com dificuldades ou 
perturbações psicomotoras, sem alcançar primeiro o conhecimento de si mesmo, pois para atuar 
com seres humanos, deve-se conhecer bem a si próprio e trabalhar as suas dificuldades para que 
possa ter uma boa compreensão e saber lidar com as dificuldades do outro. A educação especial foi 
o elo de surgimento da psicomotricidade na Europa e no Brasil. 
 
Atualmente luta-se pela regulamentação da profissão psicomotricista no Brasil, têm-se 
cursos de graduação, cursos de especificações em vários estados brasileiros, muitos trabalhos 
científicos publicados, mas não se tem o reconhecimento da profissão de direito; apenas de fato. 
 
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Muitas dificuldades de teorização nascerão, muitos conflitos da prática se equacionarão, 
na evolução da psicomotricidade não pode deixar de ter como orientação básica que o ser 
humano é único, total evolutivo, e que ela na sua essência interventiva, lhe deve facilitar o 
acesso a um funcionamento psíquico normal otimizado. (FONSECA, 1988, p.98). 
 
4 A PSICOMOTRICIDADE NA PREVENÇÃO DAS DIFICULDADES DE 
APRENDIZAGEM 
 
Algumas dificuldades de aprendizagem estão associadas à elementos da psicomotricidade 
como: dificuldades em relação ao esquema corporal, à lateralidade, à aspectos perceptivos, aspectos 
como inversão ou troca de letras, textos mal escritos ou sem linha de 
 
MULTIDISCIPLINARES. Porto Alegre: Artmed, raciocínio com lógica, dificuldades em relação à 
escrita, à leitura, à fala, à solução de problemas e resolução de cálculos matemáticos. 
 
Segundo Le Boulch (1983) e Meur & Staes (1984) as dificuldades escolares se apresentam 
em relação a elementos básicos ou “pré-requisitos”, condições mínimas necessárias para 
uma boa aprendizagem, que constituem a estrutura da educação psicomotora, sendo assim 
a atividade lúdica realizada em atividades psicomotoras é importante na colaboração do 
desenvolvimento integral da criança e depositar bem esses “pré-requisitos”, fundamentais 
para sua vida escolar. 
 
Segundo Freire (1989, p.76) [...] “causa mais preocupação, na escola da primeira infância, 
ver crianças que não sabem saltar, que crianças com dificuldades para ler ou escrever”. 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Ressalta-se a importância de um trabalho integrado entre professores, coordenadores, 
orientadores educacionais e pedagógicos e o profissional de educação física avaliando 
criteriosamente o aluno e sua contribuição na superação das dificuldades apresentadas, em situações 
complexas se faz necessário à intervenção de outros profissionais como: psicólogos e médicos. 
 
O principal objetivo da educação psicomotora é ajudar a criança chegar uma imagem do 
corpo operatório, possibilitando que se desenvolva da melhor maneira possível aproveitando todos 
os seus recursos preparando-a para a nova etapa do desenvolvimento motor, afetivo e cognitivo. 
 
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Como argumenta Le Boulch (1984), [...] “a educação psicomotora atingirá seus objetivos 
quando trabalhada na escola, nas séries iniciais, pois é nessa fase que a criança passa a conhecer a 
si, seu corpo, suas vontades, constrói sua personalidade, definindo conceitos, pensamentos, ideias, 
crenças, enfim, torna-se um ser consciente.”[...] 
 
O docente deve conhecer o desenvolvimento infantil e as suas funções psicomotoras, depois 
seus alunos, suas dificuldades, para assim organizar seu planejamento de aula e garantir 
aprendizagem de qualidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
 
BARRETO, SIDIRLEY DE JESÚS. PSICOMOTRICIDADE, EDUCAÇÃO E 
REEDUCAÇÃO. 2ª ed. Blumenau: Livraria Acadêmica, 2000. 
 
COSTE, JEAN CLAUDE. A PSICOMOTRICIDADE, Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981. 
 
FONSECA, V. DA. PSICOMOTRICIDADE: PERSPECTIVAS MULTIDISCIPLINARES. 
Porto Alegre: Artmed, 2004. 
 
FREIRE, JOÃO BATISTA. EDUCAÇÃO DE CORPO INTEIRO: TEORIA E PRÁTICA DA 
EDUCAÇÃO FÍSICA. São Paulo. Editora Scipione. 1991. 
 
LE BOULCH, JEAN. A EDUCAÇÃO PELO MOVIMENTO: A PSICOCINÉTICA NA 
IDADE ESCOLAR. Porto Alegre: Artes Médicas, 1984. 
 
MEUR, A. & STAES, L. PSICOMOTRICIDADE: EDUCAÇÃO E REEDUCAÇÃO. São 
Paulo: Ed. Manole, 1984. 
 
RAPPCORT, CLARA REGINA. PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO: A IDADE 
ESCOLAR E A ADOLESCENCIA. São Paulo: EPU, 1981-1982.

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