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1 UNIPAC – Campus Governador Valadares Curso – Administração Disciplina – Gestão Financeira Prof: Maria do Perpétuo Socorro Dias Rodrigues Capitulo 1 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E CONTABILIDADE Muitos consideram a função financeira e contábil dentro da empresa como sendo a mesma. Embora haja uma relação estreita entre elas, a função contábil pode ser melhor visualizada como um insumo indispensável à Adm. Financeira. Há uma diferença básica de perspectiva entre a Adm. Financeira e a Contabilidade: enquanto a primeira enfatiza a tomada de decisão, a segunda tem como objetivo de trabalho o tratamento dos fundos. TRATAMENTO DE FUNDOS: A função do Contador é desenvolver e fornecer dados para avaliar o desempenho da empresa, apurar sua situação financeira, bem como atender às exigências legais e tributárias. Neste sentido, são elaboradas normas e princípios padronizados de atuação (os chamados “princípios contábeis aceitos”) que determinam o método contábil, e dos quais o contador não pode se desviar. O REGIME DE COMPETÊNCIA determina que as receitas devem ser reconhecidas por ocasião da venda e as despesas somente quando incorridas. O Administrador Financeiro preocupa-se em manter a solvência da empresa e tem toda flexibilidade para trabalhar as informações da forma que melhor lhe convier, sem se preocupar com normas contábeis. Assim, interessa-lhe receitas e despesas quando estas representam entradas e saídas de caixa. O REGIME DE CAIXA, é, pois, a base para tomada de decisão do administrados financeiro. Esta diferença é muito significativa, pois sabemos que uma empresa pode apresentar uma boa situação econômica (balanço) e uma situação financeira difícil, com indisponibilidade de recursos para saldar suas dívidas, por exemplo. O diagrama a seguir – FLEURIET (1980) ilustra o ciclo econômico e financeiro da empresa: Ciclo Econômico e Ciclo Financeiro Os dados contábeis não descrevem inteiramente a situação de uma empresa, embora sejam indispensáveis. O administrador financeiro precisa olhar além das demonstrações financeiras para receber sua real situação de caixa. Para isto, ele utilizará um FLUXO DE CAIXA, que poderá lhe oferecer estas informações tanto a curto prazo, quanto a projeção para médio e longo prazo, a fim de evitar a insolvência da empresa. TOMADA DE DECISÃO: O administrador financeiro, a partir das informações fornecidas pelo Contador, analisa, desenvolve os dados adicionais e tomas as decisões pertinentes. O papel do Contador é prover dados consistentes que sejam desenvolvidos e interpretados com facilidade e confiabilidade. Eles são um insumo fundamental ao processo de tomada de decisão financeira. Isto não significa que o Contador não tome decisões, nem que o administrador financeiro não colete dados: estamos nos referindo à ênfase básica do trabalho de cada um destes profissionais. 2 ESTRUTURA E PAPEL DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA NA EMPRESA O papel e a importância da função financeira dependem, em grande parte, do tamanho da empresa. Em pequenas empresas, a função financeira é geralmente vinculada aos próprios donos ou à área contábil. A medida que a empresa cresce, a importância da função financeira é separada em uma área própria. O Diretor financeiro (ou qualquer que seja o título do cargo) geralmente é responsável por conduzir atividades tais como a administração e planejamento do caixa, das contas a receber e a pagar, das movimentações bancárias, dos planos de captação de recursos a curto e longo prazos (decisões de financiamento), da análise da viabilidade financeira dos projetos de investimento, da política de dividendos, dos investimentos a curto prazo, bem como participa diretamente das atividades orçamentárias. Em grandes empresas é comum que esta tarefa seja responsabilidade de um profissional da área contábil – o controller – que define a política de impostos da empresa, contabilidade geral e fiscal, contabilidade de custos, etc. A estrutura básica da função pode ser ilustrada pela figura a seguir, extraída de SANVICENTE (1987): Estrutura típica da função financeira de uma empresa AS FUNÇÕES DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO As funções do Administrador Financeiro estão relacionadas a três atividades básicas: A) Análise e Planejamento Financeiro: Envolve a transformação dos dados financeiros de forma que se possa orientar a posição financeira da empresa, avaliar os investimentos futuros e os financiamentos necessários para a realização destes projetos. B) Administração da Estrutura de Ativos da Empresa: A participação dos diversos itens que compõem o ativo da empresa (lado esquerdo do balanço), isto é, quanto de ativos líquidos devem ser mantidos para garantir a solvência da empresa e quanto pode ser investido no Permanente ou em investimentos a longo prazo, é uma das atividades mais importantes a que o administrador financeiro deve se dedicar. Um “mix” ótimo deve ser buscado para cada empresa, com o objetivo de minimizar o risco e maximizar o retorno. C) Administração da Estrutura Financeira da Empresa: Relaciona-se com a administração do lado direito do balanço. É necessário analisar quais são as melhores alternativas de endividamento para a empresa, disponibilidade, custo dos recursos de terceiros a serem utilizados, fontes de recursos e implicações desta decisão para a empresa no futuro. A META DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO O administrador financeiro visa atingir os objetivos de maximização da riqueza dos proprietários da empresa ou dos acionistas, no caso das sociedades anônimas. DIRETOR FINANCEIRO TESOUREIRO CONTROLADOR CAIXA E BANCOS CONTAS A RECEBER CONTAS A PAGAR RELAÇÕES BANCÁRIAS PREPARAÇÃO DO ORÇAMENTO DE CAIXA CONTABILIDADE GERAL E DE CUSTOS ELABORAÇÃO DE ORÇAMENTOS E CONTROLE ORÇAMENTÁRIO AUDITORIA INTERNA PREPARAÇÃO DE RELATÓRIOS FINANCEIROS INTERNOS 3 Muitos consideram a maximização dos lucros como o objetivo primordial da empresa, e esta controvérsia não é apenas semântica. É útil que façamos a distinção entre riqueza e lucro (SOLOMON, 1977), para percebermos a origem da controvérsia. “Os lucros são um conceito orientado para os proprietários. Referem-se ao volume e a fração da renda que é canalizada para aqueles que fornecem o capital para as atividades empresariais. Os lucros relacionam-se com a criação da maior riqueza possível para os proprietários e com a concomitante distribuição dessa riqueza entre eles ou sua inversão na empresa em seu próprio proveito. A rentabilidade é um conceito operacional relacionado com a produção ou criação de novas riquezas... reflete a utilização mais eficiente dos recursos econômicos de uma sociedade, promovendo a maximização da riqueza econômica da sociedade”. Em resumo, o objetivo de maximização de lucros é essencial para a maximização da riqueza, mas é menor que este. A maximização da riqueza considera outras variáveis, tais como: a maximização do retorno do acionista – que se dá através do preço de mercado das ações, que por sua vez é mais influenciado pelo patrimônio da empresa do que pela perspectiva de lucratividade a curto prazo; as melhores alternativas de investimento são as que possibilitam retornos mais cedo; o risco – Quanto maior for o risco de um negócio, maior será a expectativa de retorno. Assim, alterações no risco do negócio (em virtude, por exemplo, de um aumento excessivo do endividamento, de introdução de novos produtos, investimentos arriscados, etc) devem considerar o impacto sobre o retorno dos proprietários. distribuição de retornos– a discussão acerca da disponibilidade do acionista abrir mão de seus dividendos correntes em benefício de dividendos maiores no futuro é bastante complexa. Por enquanto, iremos considerar de forma simplificada, que a maximização da riqueza do acionista considera sua preferência por dividendos regulares. CAPÍTULO 2 CICLOS OPERCIONAL E FINANCEIRO Para entendermos o significado de ciclo operacional de uma empresa, vamos considerar o exemplo de uma indústria. O processo operacional completo da indústria abrange a seqüência de atividade de matérias-primas, pagamento aos fornecedores, produção, estocagem, venda e recebimento das vendas. O intervalo de tempo gasto na execução de todas essas atividades é denominado ciclo operacional. Ele representa o número de dias transcorridos entre a compra de matérias-primas ou produtos e o recebimento da venda dos produtos fabricados ou comercializados. Recebimento de Vendas [----------------------------------Ciclo de Operacional = 90 dias --------------------------------] [------------Prazo de estocagem = 50 dias ----------------------] Dias 0 30 50 90 [--------------------------------------------------------------------------------------------------------- [-----Prazo de -------------] [-------Prazo de Recebimento ---------] Pagamento Compra de Pagto de Venda de Produto Matéria-Prima Compra A duração do ciclo operacional é afetada por fatores como produção, operação e também por suas práticas comerciais e financeiras, que envolvem prazos de pagamento e recebimento. A duração de cada fase integrante do ciclo operacional tem influência sobre o volume de recursos financeiros consumidos ou imobilizados na operação da empresa. 4 Ciclo Financeiro O ciclo financeiro é o intervalo de tempo entre os eventos financeiros ocorridos ao longo de ciclo operacional, representados pelo pagamento a fornecedores e pelo recebimento das vendas. No caso de uma indústria, supondo que a fabricação comece imediatamente após a compra da matéria-prima e que a venda seja realizada logo após a fabricação, o ciclo financeiro é calculado com base no prazo de fabricação e nos prazos de pagamento de compras e de recebimento das vendas. Numa empresa varejista, o prazo de estocagem e os prazos de pagamento e recebimento definem seu ciclo financeiro. O ciclo financeiro de uma empresa prestadora de serviços, na maioria dos casos, é afetado apenas pelos prazos de pagamento e recebimento. Como as empresas têm prazos diferentes para pagamento aos fornecedores e recebimento dos clientes, o ciclo financeiro é determinado com base nos prazos médios de pagamento e de recebimento. Recebimento de Vendas [---------------Ciclo Financeiro = 60 dias ----------------------------] Dias 0 30 50 90 ______________________________________________________________________ [-------Prazo de Pagto ---] [ ----Prazo deRrecebimento --------------] Compra de Pagto de Venda de Matéria-Prima Compra Produto Para o cálculo do ciclo financeiro de uma empresa, é necessário considerar as seguintes variáveis: E Prazo médio de pagamento a fornecedores (PP); Prazo médio de fabricação/estocagem (PE); e Prazo médio de recebimento das vendas (PR). O ciclo financeiro (CF) é calculado pela seguinte fórmula: CF = PE + PR - PP Quando uma empresa opera sem estoques, como é o caso da maioria das empresas prestadoras de serviços, o prazo médio de produção e estocagem (PE) é considerado igual a zero. Na empresa varejista, o prazo médio de produção e estocagem corresponderá apenas à idade média de seus estoques, já que esse tipo de empresa não tem processo de produção. Exemplo: A empresa VXZ apresenta os seguintes prazos médios em seu processo de compra, produção e vendas: Prazo de fabricação e estocagem (PE) = 50 dias Prazo de pagamento (PP) = 30 dias; e Prazo de recebimento (PR) = 40 dias Seu ciclo financeiro tem o seguinte número de dias: CF = PE + PR – PP CF = 50 + 40 – 30 CF = 60 Giro de Caixa O giro de caixa é um parâmetro relacionado com o ciclo de caixa que indica quantas vezes, ao longo de um ano, ocorre o revezamento do caixa da empresa. 5 Se se considerar 360 o número de dias de um ano, o giro de caixa (GC) é dado pelo quociente entre 360 e o ciclo financeiro (CF): GC = 360 / CF Com base nos dados já apresentados, o giro de caixa da empresa VXZ é: GC = 360/CF GC = 360/60 GC = 6 O valor calculado para giro de caixa da empresa VXZ indica que, ao longo do ano, seu caixa se reveza seis vezes. A fórmula de cálculo do giro de caixa indica que quanto menor for o ciclo financeiro, maior será o giro de caixa. É desejável que a empresa tenha alto giro de caixa, de modo que reduza sua necessidade de capital de giro, como será mostrado na seção seguinte. Caixa Operacional O volume mínimo de recursos financeiros de que uma empresa precisa para o giro de suas operações é denominado caixa operacional. Esse parâmetro representa o capital de giro mínimo necessário a um volume de vendas. Um método simples para o cálculo do caixa operacional consiste em dividir o valor da projeção de desembolso anual de caixa (DAC) pelo giro de caixa (GC). Esse cálculo requer a projeção de lucro da empresa para o ano e também da destinação desse lucro. A projeção de desembolso anual deve abranger o pagamento a fornecedores e o desembolso com custos operacionais. A fórmula para cálculo do caixa operacional é a seguinte: CO = DAC / GC Para ilustrar o cálculo da caixa operacional, considerando a empresa VXZ com as seguintes características: Desembolso anual de caixa (DAC) = R$ 600.000,00 O desembolso anual de caixa compõem-se de R$ 360.000,00 referentes a pagamento a fornecedores e R$ 240.000,00 referentes a custos operacionais desembolsáveis mensalmente: Prazo médio de pagamento (PP) = 30 Prazo médio de produção e estocagem (PE) = 90 Prazo médio de recebimento das vendas (PR) = 60 Seus parâmetros de caixa são os seguintes: a) Ciclo Financeiro CF = PE + PR – PP CF = 90 + 60 – 30 = 120 b) Giro de Caixa GC = 360/ CF GC = 360/120 = 3 c) Caixa Operacional CO = DAC/GC CO = 600.000/3 = 200.000 6 CAPITULO 3 GESTÃO/ADMINSTRACÃO DO CAPITAL DE GIRO O termo Capital de Giro significa os ativos que normalmente devem circular e serem substituídos, ao menos em parte, durante o ciclo operacional da empresa. Corresponde às contas do ativo circulante: Caixa, Disponibilidades, Contas a receber, Estoques e Títulos Negociáveis. É necessário fazer uma diferenciação entre as óticas de definição do Capital de Giro (contábil e financeira). Para a contabilidade, Capital de Giro consiste na diferença entre ATIVO CIRCULANTE e PASSIVO CIRCULANTE (CG= AC – PC), neste caso é essencialmente uma medida de liquidez, dando uma base aproximada da capacidade da empresa de pagar seus débitos à medida que vencerem, por isso é chamado de CAPITAL DE GIRO LÍQUIDO. Porém, em finanças, Capital de Giro significa estudara melhor maneira de alocar os recursos financeiros de curto prazo dentro do ativo circulante (Caixa, Contas a Receber, Estoques, etc.); desta forma, é chamado de CAPITAL DE GIRO ATIVO. A importância e a necessidade do Capital de Giro variam de setor para setor. Há empresas que necessitam de um elevado capital de giro para suas operações, já outras não possuem esta necessidade tão elevada. Esta necessidade e importância dependem basicamente: Da natureza das operações da empresa; Das exigências tecnológicas do setor; Da concorrência no setor. Por exemplo, uma empresa de refinaria de petróleo necessita de muito menos Capital de Giro para suas operações do que uma empresa atacadista ou varejista. Há outra divisão do Capital de Giro: Permanente e Variável. Capital de Giro Permanente consiste em um mínimo que sempre será exigido pela empresa enquanto ela continuar em funcionamento. Pois, para que ela continue operando, sempre haverá algumas mercadorias ou matérias-primas no estoque, recursos comprometidos com a manutenção de créditos aos consumidores; todos têm um nível mínimo abaixo do qual podem comprometer as operações da empresa. Capital de Giro Variável é a flutuação temporária acima do mínimo de Capital de Giro Permanente que irá oscilar durante o ano. 7 É de suma importância para o gestor financeiro ter esta divisão sobre seu controle, pois em caso de financiamento para o Capital de Giro, o Permanente poderá, em alguns casos, ser financiado com recursos de longo prazo; já o Variável deverá sempre utilizar recursos de curto prazo para o seu financiamento, a fim de que não comprometa a lucratividade e a rentabilidade da empresa. Na administração do Capital de Giro da empresa, é sempre necessário prever o efeito de vários acontecimentos, tanto endógenos quanto exógenos, que poderão mudar as exigências do Capital de Giro, como: Mudanças no nível de Operações da Empresa: principalmente causados por fatores sazonais (que influenciarão o Capital de Giro Variável); e o crescimento das operações da empresa (que poderá influenciar diretamente o Capital de Giro Permanente). Mudanças na Política. Evolução Tecnológica. Capital de Giro do Ativo – Ativo Disponível Ativo Disponível ou Disponibilidades consiste naquele ativo que a firma pode reunir, sem demora, a fim de satisfazer a demanda de recursos financeiros. Nesta categoria se encontram o caixa (a moeda corrente mantida pela firma), saldos em bancos (movimentados quase sempre na conta corrente) e investimentos de curto prazo (sendo aqueles investimentos com alta liquidez e baixo risco, que a empresa pode resgatar sem demora quando deles necessite). Finalidade Quando a firma compromete fundos com as disponibilidades, ela tem a finalidade de “adquirir” liquidez, ou seja, capacidade de satisfazer a demanda por recursos financeiros. Se a empresa não tiver liquidez, não conseguirá continuar em operação até começar a alcançar seus lucros. A empresa necessita de liquidez devido a duas questões primordiais no meio empresarial: 1) Há sempre uma desigualdade entre as entradas e saídas de caixa, não só quanto ao tempo, mas também com relação aos montantes. Por isso ela deve sempre manter saldos operacionais para que possa continuar em atividade, como por exemplo: saldos para troco no caso de empresas varejistas. 2) A questão da incerteza, ou seja, a impossibilidade de prever a demanda ou fluxo de caixa com toda a precisão. Para combater esta questão a empresa sempre deve manter saldos para compromissos diversos, ou seja, um montante de recursos além das necessidades programadas para que possa estar preparada contra certos erros de previsão, pois os fluxos de caixa não podem 8 ser previstos com precisão absoluta e as necessidades financeiras inesperadas podem colocar a empresa em uma situação complicada de não poder satisfazer suas obrigações prontamente. Decisão Monetária: Benefícios e Custos A questão dos custos das disponibilidades é medida pelos “lucros perdidos”, ou seja, o custo de se manter fundos monetários aplicados nesta forma estéril em vez de empregá-los produtivamente nas operações da empresa, como, por exemplo, no estoque. Já o grande benefício do ativo disponível está nos custos economizados em se ter recursos monetários imediatamente à disposição para cobrir as necessidades da empresa. Fatores que Influenciam a Necessidade de Caixa/Bancos na Empresa Podemos enumerar alguns fatores que influenciam diretamente na necessidade das empresas em manter fundos no caixa e nas contas correntes em bancos, dentre eles os mais importantes são: Nível de Operações: uma expansão nas operações da empresa tende a aumentar entradas e saídas de caixa o que irá provocar um aumento no nível médio de fundos a ser mantido na conta Caixa/Bancos. Exatidão das previsões de Caixa: Quanto mais preciso for o fluxo de caixa da empresa, menor será a necessidade de se manter fundos de precaução ou de compromissos. Disponibilidade e Custo do Crédito “Rápido”: As taxas de juros de empréstimos para curto prazo e outros acordos de crédito influenciam na tomada de decisões quanto às necessidades de caixa, pois, quanto mais altas as taxas, menos a empresa deverá buscar esta forma para cobrir suas necessidades mais imediatas. Custo da Manutenção do Ativo Monetário: quanto maior o custo de se manter o dinheiro “parado” no caixa, menos interessante se torna esta aplicação, pois estes recursos poderiam ser aplicados em atividades mais rentáveis para a empresa, como nos estoques por exemplo. Fatores que Influenciam os Investimentos de Curto Prazo Da mesma forma que existem fatores que influenciam as necessidades de fundos no Caixa/Bancos, existem também certas questões que irão influenciar diretamente nos Investimentos de curto prazo da empresa, ou seja, uma decisão sobre qual a proporção do ativo disponível que poderá ser investida a curto prazo. Os fatores mais importantes são: Taxas do Mercado Financeiro para este tipo de aplicação; A estimativa de excesso de caixa, o qual poderá ser aplicado; A “filosofia” da empresa, pois muitos empresários nunca aplicam recursos da empresa em investimentos financeiros. 9 O que deve ser colocado é que, em cada aplicação em Fundos de Investimentos de Curto Prazo, deve-se objetivar principalmente: segurança, liquidez e rendimento., principalmente no Brasil onde se deve considerar que aplicações geram certos custos como: IOF e Imposto de Renda sobre a rentabilidade, dentre outras questões que não devem ser deixadas de lado nos momentos deste tipo de decisão. Fluxo de Caixa como ferramenta de gestão Será abordada, neste tópico, uma análise de fatores e ferramentas que devem ser utilizados a fim de gerir financeiramente o caixa e a conta em banco, a partir de agora abordado apenas como Caixa. A principal finalidade pela qual uma empresa compromete fundos com o caixa consiste na obtenção de liquidez, ou seja, capacidade de satisfazer a demanda por recursos financeiros. Para estudiosos das finanças, a liquidez é tão importante para a solidez financeira da firma a curto prazo, quanto a lucratividade o é para a solidez a longo prazo. A empresa precisa ter liquidez a curto prazo, para assegurar que ela estará viva na hora de colher os lucros a longo prazo. Há três motivos para manter saldos de caixa: Transação: uma empresa mantém saldos de caixa para fins transacionais, ou seja, para efetuar pagamentos previstos de itens como matérias-primase salários. Precaução: os saldos mantidos por precaução são investidos em títulos negociáveis (investimento de curto prazo) de alta liquidez, de modo que possam rapidamente ser convertidos em caixa. Especulação: as empresas investem seus recursos ociosos em títulos negociáveis e, por vezes, também em instrumentos de longo prazo. A empresa pode ser levada a isso por não dispor momentaneamente de outras alternativas para determinados fundos ou porque deseja ter condições de aproveitar oportunidades inesperadas que porventura apareçam. Alguns modelos de administração do caixa: 10 Caixa Mínimo Operacional: é o valor a ser mantido em caixa, a cada giro de caixa. Pode ser obtido a partir de estimativas acerca de seu desembolso anual estimado. Esta técnica somente é possível se a empresa utilizar instrumentos orçamentários e fluxo de caixa, de tal forma que lhe seja possível estimar quanto pretende desembolsar em um determinado ano. Modelo de Baumol: é aplicado quando existem entradas periódicas de dinheiro no caixa e saídas constantes de recursos. Deve ser aplicado somente em situações em que o fluxo de pagamento é relativamente constante e o recebimento é periódico. Modelo de dia da semana: é uma forma de prever o comportamento do caixa a partir de um padrão observado. Calcula-se o componente sazonal de cada dia do mês e da semana e, a partir da previsão de saldo final de caixa para o fim do mês, faz-se a previsão para o fluxo diário por meio de ajustamentos que levam em conta esta sazonalidade. Conhecendo a estimativa do caixa para o final do mês, pode-se prever facilmente o seu valor diário e, com isto, tomar decisões de financiamento ou investimento, ajustando o caixa ao menor nível possível. É importante explicar que no modelo de Caixa Mínimo Operacional o giro de caixa é calculado utilizando a fórmula: Giro de Caixa = 360 / Ciclo Financeiro Ciclo Financeiro = Prazo Médio de Estoque + Prazo Médio de Cobrança – Prazo Médio de Pagamento. Os ciclos serão tratados no final desta unidade. Cada empresa deve usar o modelo que melhor se adapte às suas características e necessidades de gestão de caixa. Dentre os modelos de administração de caixa citados acima, limitaremos à explicação pormenorizada no mais simples e de fácil adaptação nas empresas brasileiras que é o Modelo de Dia da Semana. Denominado também fluxo de caixa diário, consiste em uma ferramenta de extrema importância para a gestão financeira de caixa, sendo, portanto, uma maneira simples e eficaz de administrar o caixa das empresas. O fluxo de caixa constitui o termômetro do dia-a-dia da empresa, ou seja, como ela está se comportando quanto aos recebimentos e aos pagamentos de suas operações. O papel de uma previsão do fluxo de caixa é primordial. Ele contém, para um período curto subdividido conforme as conveniências da empresa, os valores de entradas e saídas de caixa decorrentes dos planos operacionais. O objetivo básico é saber a que nível ficará o saldo de caixa a cada subperíodo relevante. 11 Este subperíodo pode ser diário, semanal, quinzenal, mensal e anual, apesar de que existem empresas que conseguem fazer uma previsão de fluxo de caixa por mais de um ano, até mesmo qüinqüenal. Isto depende da possibilidade que a empresa possui de conseguir realizar estas previsões e, principalmente, da conveniência para a melhor administração do fluxo de caixa. Os passos para montar um fluxo de caixa é fazer uma projeção dos recebimentos baseada na receita operacional da empresa devido às suas vendas (à vista ou a prazo determinado). Em seguida, faz-se necessária uma projeção dos pagamentos do período (compras, fornecedores, aluguel, salários, impostos, empréstimos). E, por fim, calcular o fluxo líquido de caixa diário, por meio de uma confrontação dos recebimentos e pagamentos, ou seja, as entradas menos as saídas. Para que esta ferramenta atue de forma eficaz na empresa, com qualidade e objetividade, é imprescindível uma boa comunicação do gestor financeiro com os demais setores da empresa, como os departamentos de compra, contas a pagar, vendas, recursos humanos, sempre exigindo informações completas e pormenorizadas para que possa determinar o subperíodo do planejamento e os dados que irão constar do fluxo de caixa. Também deverá estar sempre atento a possíveis mudanças no nível de operações da empresa que irá influir de maneira direta no fluxo. As informações do fluxo de caixa têm uma primordial importância para decisões de investimentos de curto prazo, caso ocorram sobras de caixa e por quanto tempo isto ocorrerá. Mas pode-se citar como a mais importante finalidade desta ferramenta a possibilidade de levantar as necessidades de caixa, em qual período esta necessidade ocorrerá e por quanto tempo irá perdurar; a fim de que se tomem decisões como a aceleração de recebimentos (cobranças, venda de ativos não utilizados) ou redução de saídas (contenção de despesas, negociação com fornecedores para aumentar o prazo de pagamento ou obter descontos maiores) ou ainda, buscar um financiamento para esta necessidade, sempre com recursos menos onerosos possíveis para não prejudicar a rentabilidade da empresa. Apresentadas estas questões, evidencia-se a grande importância de gerir de maneira objetiva o caixa de uma empresa. Todas as decisões sobre esta parte do capital de giro, como também em todas as demais contas, não podem ser tomadas com base em “achismos”, mas terem bases racionais de previsão e planejamento, atentando para o binômio liquidez - rentabilidade, de preponderante importância para a sobrevivência de qualquer empresa. Capital de Giro do Ativo – Estoques Em nosso estudo sobre o Capital de Giro, estamos abordando o seu conceito financeiro que consiste nos recursos que deverão circular dentro do Ativo Circulante, cujas principais contas são: Caixa e 12 Disponibilidades, Duplicatas a Receber e Estoques. Em finanças busca-se a melhor maneira de alocar os recursos dentro dessas contas. Já estudamos as contas Caixa e Bancos e agora abordaremos os ESTOQUES. A correta administração dos estoques é imprescindível visto que esta conta, dependendo do setor em que a empresa atua, pode ser a que consome uma importante fatia dos recursos do Capital de Giro. A definição de estoque tem dois componentes: Industrial: consiste em estoques de matérias-primas para processamento, produtos em processo ou elaboração (que ainda não completaram todo o processo de produção e transformação) e produtos acabados (produtos completados que estão aguardando a venda). Comercial: o termo estoque se aplica aos produtos acabados, adquiridos pela empresa com o propósito de revendê-los, sem qualquer outro processamento. A importância do investimento em estoque varia de acordo com o setor da empresa. Por exemplo: as empresas atacadistas e varejistas comprometem grande parte de seus recursos com o estoque (estudos demonstram que cerca de 31% dos ativos totais), já empresas prestadoras de serviços como as imobiliárias possuem um compromisso de investimento com estoque muito pequeno. A correta administração do estoque também tem uma considerável importância visto que, em muitas empresas, consiste no principal componente do Capital de Giro Permanente, que são aqueles recursos tidos como mínimos para a manutenção e funcionamento da empresa. Finalidade e Decisão de Estoque A principal finalidade ou função do estoque é isolar os processos de compra, produção e venda, de maneira que cada um deles possa seguir sua própria “velocidade”de realização. Sem os estoques, a empresa teria que comprar, produzir e vender tudo ao mesmo tempo. A decisão de estoque está baseada no princípio básico da administração de Capital de Giro: que consiste em uma comparação entre o custo/benefício. Custos e Benefícios de Estoque Existem dois tipos básicos de Custos de Estoques: • Custos de Obtenção: consistem em despesas adicionais, necessárias para adquirir o estoque. Podem ser divididos em dois tipos: - Custos para Processamento dos Pedidos. 13 - Custos de Preparação: quando a firma precisa alterar algum processo de produção para produzir uma peça ou componente para obtenção do bem final. Devido à terceirização das empresas, estes custos foram muito diminuídos. - Custos Incidentais: são despesas adicionais para manutenção de um estoque extra. Podem ser: custos de armazenamento, seguro, declínio dos preços , deterioração etc. Assim como existem custos adicionais para o estoque, este também possui alguns benefícios especiais, dentre eles podemos destacar: redução dos custos com a falta de estoque; descontos na compra de uma grande quantidade de estoque; redução do custo de preparação de pedidos; produção mais eficiente e uniforme, evitando certas despesas como hora extra etc. Existem certos fatores que influem diretamente na demanda por estoque, são eles: Com relação aos estoques de Matérias Primas e de Mercadorias: nível de vendas; prazo de entrega dos fornecedores; alterações de preço. Já quando se trata de estoque de Produtos Acabados são levados em consideração os seguintes fatores: disponibilidade sazonal de matérias-primas; decisões de produção; eficácia do marketing. Análise Financeira de Estoque Na área financeira, são utilizados dois índices a fim de avaliar o compromisso e o controle de estoques: Estoques como porcentagem das vendas: há uma suposição sensata de que o estoque, a curto prazo, mantém uma relação razoavelmente fidedigna com o nível de vendas. Este índice é calculado pela seguinte fórmula: E%Vendas = Saldo Médio dos Estoques x 100 Receita de Vendas 14 Este índice possui grande importância se comparado com alguma norma histórica estabelecida na firma ou em comparação com o mesmo índice das outras firmas similares (comparação setorial). Rotação de Estoque: é considerada a relação entre o custo de mercadoria vendida e o estoque médio, mostrando quantas vezes o estoque girou dentro do período. Rot. Estoque = Custo da Mercadoria Vendida Saldo Médio dos Estoques Também é sempre importante que este índice seja comparado com dados históricos da própria empresa ou de empresas do mesmo setor. Capital de Giro do Ativo – Valores a Receber Em todas as empresas, é perfeitamente possível que parte das vendas seja à vista e, quando ocorre este caso, os recursos financeiros que estavam aplicados no estoque voltam diretamente para o caixa. Porém, na maioria das vezes, a venda é realizada com o pagamento a prazo, quando isso ocorre os recursos passam por um estágio intermediário antes de voltar para o caixa. Este estágio é conhecido como “Valores ou Duplicatas a Receber”. Os Valores a Receber são montantes devidos às firmas, provenientes da venda de mercadorias, produtos acabados ou serviços no curso ordinário dos negócios. Finalidades e Benefícios Dentre as finalidades e os benefícios dos Valores a Receber, podemos citar os seguintes: aumento da receita de vendas; investimento defensivo para enfrentar a concorrência; aumento do giro dos estoques; aumento das atividades da empresa. Em praticamente todos os setores empresariais, a conta Valores ou Duplicatas a Receber pode ter uma participação média de até 45%, segundo alguns especialistas, dos fundos aplicados no Capital de Giro, o que justifica que esta conta exija uma boa gestão. Custos dos Valores a Receber 15 Assim como os Valores a Receber possuem finalidades e benefícios, também possuem custos que devem ser corretamente levantados para que não se comprometam de maneira negativa os recursos que estão aplicados nesta conta. Entre os custos associados a esta conta, podemos citar como principais: Custos dos Fundos Adicionais: pode ser medido pela taxa de juros se os recursos forem obtidos em alguma instituição externa; ou o custo de oportunidade quando os fundos são de origem interna. Custos Variáveis de Produção: são aqueles que estão diretamente ligados ao produto, como o caso das matérias-primas, mão-de-obra direta, mercadorias e também as despesas de entrega, instalação, frete, etc. Despesas Administrativas Adicionais: são resultantes diretamente do aumento das duplicatas a receber. Entre essas despesas, podemos citar a de mais um funcionário para lidar com o volume extra de solicitações de crédito, telefone, correio, análise de clientes, consultas em sistemas de proteção ao crédito, etc. Prejuízos com Devedores Duvidosos e Despesas de Cobrança: para aumentar as vendas a crédito, será necessário afrouxar os padrões de crédito a fim de permitir o acesso de firmas de menor reputação. Adotando esta política, é de se esperar que aumentem os prejuízos com as contas incobráveis e as despesas de cobrança terceirizadas. Em termos gerais será vantajoso para a empresa baixar os padrões de concessão de crédito a fim de conseguir credores marginais, até o ponto em que o lucro adicional esperado das vendas, para este grupo, cubra ao menos os custos adicionais desembolsados, envolvidos nas vendas a crédito. É interessante que a empresa adote uma base de classificação de seus clientes a fim de saber como agir com cada empresa nos casos de concessão de crédito. Esta classificação pode ser feita baseada em dados fornecidos por uma associação ou escritório de informações comerciais e também na própria experiência da empresa. Fatores que afetam os valores a receber Alguns fatores que podem influir na demanda de fundos para manter os valores a receber são apresentados abaixo: mudanças no nível de vendas; mudanças na política de crédito; mudanças no composto de vendas; 16 mudanças nas condições de crédito. A política de crédito consiste nas diretrizes fundamentais com o propósito de alinhar as funções de recebimentos e crédito com as metas financeiras gerais da firma. Às vezes, a política de crédito é caracterizada como “voltada para as vendas”, outras vezes, “voltada para o crédito”. A primeira visa o cumprimento de metas de vendas, a outra tende a manter uma qualidade dos valores a receber por meio de uma aplicação rígida dos padrões de crédito. Na verdade, a empresa não deve se orientar especificamente por nenhuma das duas formas, mas sim buscar um equilíbrio de lucro potencial e risco, racionalmente pressuposto, que maximizará o valor da firma. Este lucro potencial e este risco devem ser estimados com base na análise cuidadosa de custo/benefício e serem sempre revisados. Análise Financeira dos Valores a Receber Existem três índices que são utilizados para cálculo da análise financeira dos Valores a Receber das empresas: Valores a receber com porcentagem das vendas: mantendo-se os demais fatores inalterados, o compromisso de fundos com as contas a receber deve alterar-se proporcionalmente com as alterações das vendas. VR%V= Valores a Receber x 100 Vendas Rotação dos valores a receber: consiste em uma medida do período médio que as contas a receber estãoem circulação. Mostra quantas vezes as contas a receber giraram dentro do período. RVR= Vendas Valores a Receber Dias de vendas a receber ou período de recebimento: constitui a relação entre as contas a receber e as vendas diárias médias. Mostra o número médio de dias exigidos para receber uma conta média. PR = Contas a Receber x 360 Vendas Ciclos: Operacional, Econômico e Financeiro 17 O ciclo operacional de uma empresa industrial inicia-se com a compra de matéria-prima e encerra-se com o recebimento da venda. Durante esse período, ocorrem vários outros eventos que caracterizam o ciclo econômico e o ciclo financeiro. O ciclo operacional é a soma do prazo de rotação dos estoques e prazo de recebimento da venda. O ciclo econômico inicia-se com a compra de matéria-prima e encerra-se com a venda do produto fabricado. Caso ocorram desembolsos ou gastos antes da compra da matéria-prima, é nesse momento que se inicia o ciclo econômico. Da mesma forma, caso a empresa incorra em custos e despesas relacionadas com as operações após o recebimento da venda, o ciclo econômico se encerra após a ocorrência desses eventos. O ciclo financeiro tem início com o primeiro desembolso e termina, geralmente, com o recebimento da venda. Caso haja pagamento de custos ou despesas após o recebimento da venda, é nesse momento que se encerra o ciclo financeiro. Ocorrem-se gastos ou pagamentos de outros custos e despesas (ou adiantamento para compras) antes da compra de matéria-prima, é num desses momentos que se inicia o ciclo operacional. Existem casos em que a empresa adianta pagamentos para compras de estoques. É o caso de empresas do ramo agropecuário ou de agroindústria que, normalmente, adiantam recursos para os produtores ou fazem compra antecipada de safras. Nesse caso, o ciclo operacional inicia-se juntamente com o ciclo financeiro. Administração do Contas a Pagar: O princípio básico da gestão de contas a pagar é não pagar nenhuma conta antes do vencimento. Existem outras considerações que devem ser levadas em conta, como por exemplo: possibilidade de melhores condições de prazo com outros fornecedores; compensações entre prazos e descontos; e possibilidade de renegociação de contratos de longo prazo. Se a empresa tem uma margem de lucro que absorve bem os custos financeiros de mercado e se esses custos são maiores que o custo do financiamento dos fornecedores, ela deve procurar estender os prazos do contas a pagar até onde for possível. Assim, ela aumenta a sua capacidade de caixa, que pode ser investida em estoques ou no Contas a Receber e pode alcançar um volume maior de vendas. Para um mesmo volume de compras, sem atrasos, quanto maior o período de pagamento, maior o investimento dos fornecedores no contas a pagar da empresa. É interessante ter em separado as compras de materiais e serviços das outras despesas, tais como aluguéis e salários, cujos 18 pagamentos são fixos e incidem sobre uma mesma data, normalmente nos primeiros dias do mês vencido. É fundamental ter um bom relacionamento com os fornecedores, pois isso tem um impacto direto no caixa da empresa, porque atinge o volume de compras e os créditos obtidos. Assim, existem dois aspectos que favorecem o relacionamento: primeiro, efetuação dos pagamentos em dia; segundo, manter os canais de comunicação abertos. Devem-se fazer os pagamentos a fornecedores e funcionários através de cheques nominativos, créditos em conta bancária e documento de crédito (DOC) e/ou transmissão eletrônica de dados (TED), evitando assim riscos. Todos os cheques emitidos pela Tesouraria devem ser, obrigatoriamente, nominativos ao beneficiário do pagamento, e podem também ser cruzados. Em alguns casos, por segurança, pode ainda ser declarada no verso do cheque a finalidade do pagamento, com a assinatura do (s) emitente(s). Esses procedimentos são para assegurar que os pagamentos sejam feitos aos beneficiários de direito. Entendendo melhor a situação financeira Nesse grupo, vamos estudar quantos dias a empresa demora, em média, para receber suas vendas, para pagar suas compras e para renovar seu estoque. Para fins de análise, quanto maior a velocidade de recebimento de vendas e de renovação de estoque, melhor. Por outro lado, quanto mais lento for o pagamento das compras, desde que não corresponda a atrasos, melhor. Observe que a soma do Prazo Médio de Recebimento de Vendas (PMRV) com o Prazo Médio de Renovação de Estoques (PMRE) aproxima-se bastante do Ciclo Operacional da empresa, já que medimos, em média, quantos dias os estoques levam para serem vendidos, e somamos ao prazo de recebimento das vendas. O ideal seria que a empresa atingisse uma posição em que a soma do Prazo Médio de Renovação de Estoques (PMRE) com o Prazo Médio de Recebimento de Vendas (PMRV) fosse igual ou inferior ao Prazo Médio de Pagamento de Compras (PMPC). PMRE + PMRV 1 PMPC Dessa forma , a empresa poderia vender e receber a mercadoria adquirida para, depois, liquidá-la junto a seu fornecedor. Assim, se o PMRE for de 30 dias, o PMRV for de 54 dias e o PMPC for de 90 dias, a empresa terá ainda, em média uma folga de seis dias. Seu posicionamento será de: 19 30 + 54 = 0,93 (favorável) Posição Relativa 90 Nem sempre trazer esse índice em situação favorável (inferior a 1) é tarefa fácil. No entanto, não resta dúvida de que melhorar esse índice deve ser uma meta que a empresa estará sempre perseguindo. Valores Médios 1º) PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTO DE VENDAS PMRV= 360 X DUPLICATAS A RECEBER (Indica, em média, quantos dias VENDAS BRUTAS a empresa espera para receber suas vendas.) 2º) PRAZO MÉDIO DE PAGAMENTO DE COMPRAS PMPC= 360 X FORNECEDORES (Indica, em média, quantos dias COMPRAS a empresa demora para pagar suas compras) Compras CMV= EI + C – EF 3º) PRAZO MÉDIO DE RENOVAÇÃO DE ESTOQUES PMRE = 360 X ESTOQUES (Indica, em média, quantos dias CMV a empresa leva para vender seu Estoque) 4º) POSICIONAMENTO DE ATIVIDADE (POSIÇÃO RELATIVA) PA= PMRE + PMRV PMPC O ideal seria que esse índice se aproximasse de 1, ou de valor menor que 1. Necessidade de capital de giro: 20 Exemplo trabalhando com prazos: PMRE (PRAZO MÉDIO DE RENOVAÇÃO DE ESTOQUES) =30 DIAS PMRV(PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTO DE VENDAS) =54 DIAS PMPC (PRAZO MÉDIO DE PAGAMENTO DE COMPRRAS) = 60 DIAS CICLO FINANCEIRO = 30 + 54 – 60= 24 DIAS = NECESSIDADE DE CAPITAL DE GIRO. LINHA DE TEMPO- CICLO OPERACIONAL= 84 DIAS PMRE= 30 DIAS PMRV= 54 DIAS PMPC= 60 DIAS NCG= 24 DIAS --------------------------- CICLO FINANCEIRO Posição Relativa= PMRE + PMRV = 30 + 54= 1,40 PMPC 60 O período de 24 dias que a empresa pagaria antes de receber as vendas, conhecido como Ciclo Financeiro, significa Necessidade de Capital de Giro a ser financiada. Para um cálculo mais adequado da NCG não poderíamos comparar o Giro de Estoque (PMRE) e Recebimento das Vendas a Prazo (PMRV) apenas com o Pagamento de Fornecedores (PMPC). Para se produzirestoque e vendê-los, outros componentes operacionais, além das compras, fazem parte do ciclo ininterrupto das operações da empresa. Esses outros componentes são conhecidos como contas cíclicas, pois sempre estão sendo alimentadas na produção e vendas dos estoques: Ativo Circulante Passivo Circulante Quando compra Matéria-Prima gera Fornecedores Quando transforma Mat.Prima em estoques gera Salários a Pagar 21 Quando vende a prazo os estoques gera Impostos a Recolher Dentro desta análise de NCG, trabalharemos agora uma empresa em que a Posição Relativa é de 2,85 ( o ideal seria menor que 1). No ano de X7, as contas cíclicas eram: ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE Duplicatas a Receber 220.000 Fornecedores 220.000 Estoques 420.000 Salários a Pagar 40.000 Total 640.000 Total 260.000 NCG= Ativo Cíclico – Passivo Cíclico NCG= 640.000-260.000 NCG= 380.000 Essa necessidade de Capital de Giro de $380.000 representa em montante o Ciclo Financeiro. O administrador financeiro terá que correr atrás de recursos para cobrir essas contas vincendas, sendo que as vendas e o recebimento das vendas são lentos demais. Exercícios 1) A empresa Tudo do Bom Ltda, apresentou os seguintes dados, retirados de seu Balanço Patrimonial e de sua DRE do ano de 20X7. Baseado nestes valores, calcule o ciclo financeiro e o ciclo operacional. Fazer análise da situação da empresa. Descrição Valores Estoque Final 1.600.000,00 Estoque Inicial 2.200.000,00 Custo das Vendas 8.200.000,00 Saldo inicial de Duplicatas a Pagar 2.400.000,00 Saldo final de Duplicatas a Pagar 1.750.000,00 Saldo inicial de Duplicatas a Receber 1.800.000,00 Saldo final de Duplicatas a Receber 3.800.000,00 Receita Bruta de Vendas 7.400.000,00 2) A empresa Vila Rica apresentou os seguintes dados, retirados de seu Balanço Patrimonial e de sua DRE do ano de 20X7. Baseado nestes valores, calcule o ciclo financeiro e o ciclo operacional. Analise. Estoque Final 1.200.000,00 22 Estoque Inicial 750.000,00 Custo das Vendas 3.100.000,00 Saldo inicial de Duplicatas a Pagar 600.000,00 Saldo final de Duplicatas a Pagar 700.000,00 Saldo inicial de Duplicatas a Receber 1.500.000,00 Saldo final de Duplicatas a Receber 1.800.000,00 Receita Bruta de Vendas 4.800.000,00 CAPÍTULO 4 SALDOS DE CAIXA E TÍTULOS NEGOCIÁVEIS Caixa e títulos negociáveis são as formas mais líquidas de ativo da empresa. Caixa é a moeda corrente pronta para a qual todos os ativos líquidos podem ser reduzidos. Títulos negociáveis são os instrumentos do mercado, a curto prazo, com receitas de juros, que são usados pela empresa para obter um resultado a partir de recursos temporariamente parados. Juntos, caixa e títulos negociáveis servem como um fundo comum que podem ser usados para pagar contas quando elas vencem, assim como atender a despesas inesperadas. Tendo em vista que a taxa de juros aplicada pelos bancos a conta circulantes é relativamente baixa, as empresas tendem a usar o excesso de saldos bancários para comprar títulos negociáveis. A empresa deve, portanto, determinar cuidadosamente os saldos apropriados tanto para o caixa quanto para os títulos negociáveis. Quanto maiores forem esses saldos, menor o risco de insolvência técnica e quanto menores forem os saldos, maior o risco de insolvência técnica. MOTIVOS PARA MANTER SALDOS DE CAIXA E TÍTULOS DE LIQUIDEZ IMEDIATA Existem três motivos para se manter saldos de caixa e quase-caixa (títulos negociáveis de liquidez imediata). Cada motivo é baseado em duas questões fundamentais: (1) Qual é o grau apropriado de liquidez que devemos manter? (2) Qual é a distribuição de liquidez apropriada entre caixas e títulos negociáveis? O Motivo das Transações Uma empresa mantém saldos de caixa para atender ao motivo das transações, que é fazer pagamentos planejados para itens como materiais e salários. Se fluxos de entrada e saída de caixa são bem próximos, os saldos de caixa transacionais podem ser minimizados. Apesar de as empresas terem de satisfazer esse motivo, elas geralmente tentam satisfazer também os dois motivos seguintes. Motivo de Segurança Saldos mantidos para satisfazer o motivo de segurança são investidos em títulos negociáveis altamente líquidos que podem ser imediatamente transferidos de títulos de caixa. Tais títulos protegem a empresa contra possibilidade de não ser capaz de satisfazer demandas inesperadas por caixa. Motivo Especulativo Quando satisfazem seu motivo de segurança, as empresas podem investir seus fundos em excesso em títulos negociáveis, assim como instrumentos a longo prazo. Uma empresa essa atitude, pois ela no momento não tem outro uso para certos recursos ou porque ela quer ser capaz de tirar vantagem rapidamente de oportunidades que possam aparecer. Esses fundos satisfazem o motivo especulativo, que é o menos comum dos três motivos. ESTIMADO SALDOS DE CAIXA DESEJÁVEIS A meta do gerenciamento deveria ser a de manter níveis de investimentos de saldos de caixa transacionais e títulos negociáveis que contribuam para aumentar o valor da empresa. Se os níveis de caixa e títulos negociáveis forem mantidos.( esse conceito foi examinado o capitulo precedente na discussão sobre a tradeoff entre lucratividade e risco). As empresas podem usar modelos 23 quantitativos ou abordagens subjetivas para determinar saldos de caixa transacionais apropriadas.Modelos quantitativos de saldos de caixa estão fora da alçada deste texto. Uma abordagem subjetiva pode ser feita pra manter um saldo transacional igual a 10 % da previsão de vendas do mês seguinte. Por exemplo, se o montante previsto de vendas para o mês seguinte fosse de $ 500 mil. A empresa manteria um saldo de caixa transacional de $ 500 mil ( isto é, 0,10 x $ 500 mil ). O NIVEL DE INVESTIMENTO EM TITULOS NEGOCIAVEIS Mais do que obter um resultado de recursos temporariamente parados, o portfólio de títulos negociáveis serve como uma reserva de segurança de caixa que pode ser usada para satisfazer demandas inesperadas por fundos. O nível de reserva de saldo de caixa transacional determinado pela empresa. Por exemplo, se a alta administração espera manter $ 70 mil de recursos líquidos e um saldo de caixa transacional de $ 50 mil, uma reserva de segurança de caixa de $ 20 mil ( $ 70 mil - $ 20 mil ) seria mantido como títulos negociáveis. A empresa pode usar uma linha de crédito ( como discutido no capitulo 15 ) em vez de um portfóliode títulos negociáveis, ou uma combinação de reservas de linha de credito e títulos negociáveis, como reservas de segurança. Questões de Revisão Liste e descreva os três motivos para manter saldos de caixa e quase-caixa. Quais são os motivos mais comuns ? Qual é a meta da alta administração com relação ao gerenciamento de caixa e títulos negociáveis ? Como e determinado o nível de reserva de segurança ? De quais formas ele seria mantido ? O GERENCIAMENTO EFICIENTE DE CAIXA Saldos de caixa e títulos são influenciados de forma significativa pelas técnicas de produção e venda da empresa, assim como por seus procedimentos de cobrança de receitas de vendas e pagamento por compras. Estas influências podem ser mais entendidas ao se analisar os ciclos operacionais e de caixa da empresa. Ao gerenciar de forma eficiente estes ciclos, o administrador financeiro pode manter um nível baixo de investimento em caixa e, dessa forma, contribuir para a maximização do valor da ação. O CICLO OPERACIONAL O Ciclo Operacional (CO) de uma empresa é definido como o montante de tempo que vai do ponto em que a empresa coloca material e trabalho no processo de produção (isto é, começa a formar o estoque) até o momento em que o dinheiro da venda do produto acabado, que contém esses insumos de produção, é arrecadado. O ciclo é formado por dois componentes: a idade média do estoque e o período médio de cobrança das vendas. O ciclo operacional da empresa (CO) é simplesmente a soma da idade média do estoque (IME) e do período médio de cobrança (PMC). CO = IME + PMC (16.1) Um exemplo simples ilustra o ciclo operacional. EXEMPLO: A RIF Company, uma produtora de pratos e talheres descartáveis, vende todas suas mercadorias a crédito. As condições de crédito exigem que os clientes paguem dentro de 60 dias a partir da venda. Em média, a empresa leva 85 dias para fabricar, armazenar e finalmente vender um produto terminado. Em outras palavras, a idade média do estoque da empresa (IME) é de 85 dias. Em média, a empresa está levando 70 dias para cobrar suas duplicatas a receber. Substituindo IME = 85 dias e PMC = 70 dias, na Equação 16.1, nós achamos que o ciclo operacional da RIF é de 155 dias (85 dias + 70 dias), como mostrado acima da linha de tempo, na Figura 16.1. O CICLO DE CAIXA Uma companhia normalmente é capaz de adquirir muitos dos seus insumos de produção (isto é, matérias primas e trabalho) a crédito. O tempo que leva a empresa a pagar por esses insumos é chamado de período médio de pagamento (PMP). Esses insumos de produção, portanto, geram fontes espontâneas a curto prazo. Como foi mostrado no capítulo 15, financiamento espontâneo representa financiamento livre, enquanto a empresa aceitar quaisquer descontos financeiros oferecidos. A capacidade de adquirir insumos de produção a credito permite à empresa compensar em parte, ou mesmo totalmente, a extensão de tempo em que os recursos ficam retidos no ciclo de 24 produção. O número total de dias no ciclo operacional menos o período médio de pagamento para insumos de produção representa o ciclo de caixa (CC). CC = CO – PMP = IME + PMC – PMP (16.2) Uma continuação do exemplo da RIF Company ilustra esse conceito. Figura16.1 CO e CC. Ciclos operacionais e de caixa da RIF Company EXEMPLO: As condições de crédito atuais para as compras de matérias primas para a empresa exigem o pagamento em 40 dias, sendo que os empregados são pagos a cada 15 dias. O período médio mensurado de pagamento calculado para as matérias primas e trabalho é de 35 dias, os quais representam o período médio de pagamento (PMP). Substituindo o ciclo operacional (CO) de 155 dias da RIF Company, achado no exemplo anterior e seu período médio de pagamento de 35 dias (PMP), na Equação 16.2, resulta o seu ciclo de caixa (CC): CC = CO – PMP = 155 – 35 = 120 dias O ciclo de caixa da RIF Company é mostrado abaixo da linha de tempo, na Figura 16.1. Há 120 dias entre a saída de caixa para pagamento de duplicatas a pagar (no dia 35) e a entrada de caixa da cobrança da duplicata a receber (no dia 155). Durante esse período – o ciclo de caixa -, o dinheiro da empresa está imobilizado. Ciclo Operacional O montante de tempo que vai do ponto em que a empresa coloca material e trabalho no processo de produção até o momento em que o dinheiro da venda do produto acabado resultante é arrecadado. Ciclo de Caixa O montante de tempo em que o caixa da empresa está imobilizado entre o pagamento por insumos de produção e a cobrança do pagamento da venda do produto acabado rsultante. GERENCIANDO O CICLO DE CAIXA Um ciclo de caixa positivo, como o da RIF Company, significa que a empresa dever usar formas negociadas de financiamento, tais como financiamento com garantia, para sustentar o ciclo de caixa. De forma ideal, uma empresa gostaria de ter um ciclo negativo. Um CC negativo significa que o período médio de pagamento (PMP) excede o ciclo operacional(CO).Ver figura 16.2. Fabricas normalmente não terão ciclos de caixas negativos, a não ser que elas estendam seus períodos médios de pagamento por um período de tempo excessivo. Outras empresas, que não fabricam seus produtos, são propensas a terem ciclos de caixa negativos, pois elas geralmente têm estoques menores, que se movimentam mais rapidamente, bem como muitas vezes vendem seus produtos ou serviços a vista. Como resultado, essas empresas têm ciclos operacionais mais curtos, os quais podem ser excedidos em comprimento do período médio de pagamento da empresa, resultando em ciclos de caixa negativos. Quando um ciclo de caixa de uma empresa é negativo, a empresa deve ser beneficiada, pois pode ser capaz de usar financiamentos espontâneos para dar apoio a aspectos dos negócios que não apenas o ciclo operacional. No caso mais freqüente de um ciclo de caixa positivo, a empresa precisa ir em busca de estratégias que minimizem o CC sem perder em vendas ou prejudicar credito no mercado. Estratégias básicas para gerenciar o ciclo de caixa são as seguintes: 1 . Girar o estoque o mais rápido possível, evitando falta de estoque ( esgotamentos de estoques ) que podem resultar em uma perda de vendas. 2 . Cobrar as duplicatas a receber de alta pressão. Descontos financeiros, se economicamente justificáveis, podem ser usados para conseguir esse objetivo. 3 . Efetuar o pagamento das duplicatas a pagar o mais tarde possível, sem prejudicar o credito no mercado da empresa, mas tirar vantagens de quaisquer descontos financeiros favoráveis. Os efeitos de se implementar essas estratégias são descritos nos parágrafos seguintes, usando os dados da RIF company. Nós ignoramos os custos de se implementar cada estratégia proposta; na 25 prática, esses custos seriam mensurados contra as economias planejadas para tomar decisão estratégica apropriada. GERENCIAMENTO EFICIENTE DE ESTOQUE-PRODUÇÃO Um estratégia disponível para o RIF é aumentar o giro de estoque. Para fazer isso, a empresa pode aumentar o giro de matérias-primas, diminuir o ciclo de produção ou aumentar o giro de produtos acabados. Cada uma dessas abordagens vai resultar em uma redução no montante de financiamento necessário – isto é, o ciclo de caixa será encurtado. Exemplo Se a RIF company aumentar o giro de estoque através da redução da idade media do estoque do nível atual de 85 dias, para 70 dias, ela vai reduzir seu ciclo de caixa em 15 dias, para 105 dias ( CC = 120 DIAS – 15 DIAS ). O efeito dessa mudança na empresa pode ser estimado como a seguir: suponha que a RIF atualmente gasta $ 12 milhoes anualmente em investimentos em ciclos operacionais.o gasto diário é de $ 33.333 ( $ 12 milhoes + 360 dias ). Tendo em vista que o ciclo de caixa é reduzido em 15 dias, $ 500 milde financiamento ($ 33.333 x 15) podem ser ressarcidos. Se a RIF pagar 10 % pelos seu financiamento e por conseguinte aumentar o lucro em $ 50 mil (0,10 x $ 500 mil ) como resultado do gerenciamento mais eficiente do estoque. ACELERANDO A COBRANÇADE DUPLICATAS A RECEBER Outro meio de reduzir o ciclo de caixa é aumentar a velocidade – acelerar – da cobrança de duplicatas a receber. Duplicatas a receber, assim como estoque, imobilizam unidades monetárias que poderiam de outra forma ser usados para reduzir o financiamento ou ser investidos em ativos permanentes. Considere o exemplo seguinte. Se a RIF Company, ao mudar suas condições de credito, é capaz de reduzir o período médio de cobrança do nível atual de 70 dias para 50 diass, ela vai reduzir seu ciclo de caixa em 20 dias, para 100 dias ( CC = 120 dias – 20 dias – 100 dias ). Mais uma vez, suponha que 12 milhões sejam pagos anualmente - $ 33.333 diariamente – para dar apoio ao ciclo operacional. Através da melhora do gerenciamento de duplicatas a receber em 20 dias, a empresa vai necessitar $ 666.666 a menos financiamento e por aumentar os lucros em $ 66.666 ( 0,10 x $ 666.666 ). PRORROGANDO AS DUPLICATAS A PAGAR Um terceira estratégia é prorrogar as duplicatas a pagar – isto é, pagar as contas o mais tarde possível sem causar danos ao credito da empresa no mercado. Apesar de essa abordagem ser financeiramente atraente, ela envolve uma importante questão ética. Evidentemente, um fornecedor não favoreceria um cliente que atrasasse o pagamento propositadamente. Se a RIF Company estender o período de pagamento, da media atual de 35 dias, para media de 45 dias, seu ciclo de caixa será reduzido em 10 dias, para 110 dias ( CC = 120 dias – 10 dias = 110 dias ). Mais uma vez, se o total de despesas do ciclo operacional for de $ 12 milhões anualmente, estender duplicatas a pagar por 10 dias a mais reduzir necessidade de financiamento negociado da empresa em $ 333.333 [( $ 12 milhões / 360 ) x 10 dias ]. Com uma taxa de juros de 10 %, a empresa pode reduzir seus custos de financiamento e por conseguinte aumentar os lucros em $ 33.333 ( 0,10 x $ 333.333 ). COMBINANDO ESRATÉGIAS DE GERENCIAMENTO DE CAIXA Empresas não tentam implementar apenas uma estratégia de gerenciamento de caixa; uma vez disso, elas tentam usar todas para reduzir sua dependência de financiamentos negociados. É claro que; ao implementar essas estratégias, as empresas deveriam tomar cuidado para evitar repetidos esgotamentos de estoque, perder vendas devido ao uso de técnicas de cobrança de alta pressão e também não causar dano ao credito da empresa no mercado ao estender demais duplicatas a pagar. Uma combinação dessas estratégias teria os efeitos seguinte na RIF Company. Exemplo Se a RIF simultaneamente diminuísse a idade média do estoque em 15 dias, aumentasse a cobrança de duplicatas a receber em 20 dias e aumentasse o período médio de pagamento em 10 dias, seu ciclo de caixa seria reduzido a 75 dias, como mostrado abaixo. A redução de 45 dias no ciclo de caixa significa que a RIF Company pode reduzir sua dependência com relação a financiamentos negociados. Se as despesas anuais para operações são de $ 12 milhões, então o financiamento a 26 juros pode ser reduzido em $ 1,5 milhão [($ 12 milhões / 360 dias) x 45 dias]. Se a companhia paga 10% de juros sobre seu financiamento, então ela pode poupar $ 150 mil (isto é, 0,10 x 1,5 milhão) através de uma melhora do gerenciamento do ciclo de caixa. Ciclo inicial de caixa 120 dias Redução devido a: 1. Diminuição da idade média do estoque 85 dias para 70 dias 15 dias 2. Diminuição do período médio de cobrança 70 dias para 50 dias 20 dias 3. Aumento no período médio de pagamento 35 dias para 45 dias 10 dias Menos: Redução total no ciclo de caixa 45 dias Novo ciclo de caixa 75 dias Questões de Revisão 16.3 Compare e contraste o ciclo operacional da empresa e seu ciclo de caixa. Qual é o objetivo da empresa com relação a cada um deles? 16.4 Quais são as estratégias-chave com relação ao estoque, que efeito pode essa ação ter sobre o ciclo de caixa? Sobre o total de vendas da empresa? Há uma trade off entre a média do estoque e das vendas? Dê razões para suas respostas. TÉCNICAS DE GERENCIAMENTO DE CAIXA Administradores têm à sua disposição uma variedade de técnicas de gerenciamento de caixa que são direcionadas a minimizar as necessidades de financiamento negociado da empresa. Levando-se em consideração que a empresa fez tudo o que pôde para estimular seus clientes a pagar prontamente e para selecionar fornecedores que oferecem os termos de crédito mais atraentes e flexíveis, ela pode aumentar a velocidade das cobranças e retardar os pagamentos ao tirar vantagem do float existente nos sistemas de cobrança e pagamento. FLOAT: RECURSOS EM TRÂNSITO No sentido mais amplo, float se refere aos recursos que foram remetidos pelo pagador (a empresa ou o indivíduo efetuando o pagamento), mas não estão ainda em uma forma disponível ao beneficiário (a empresa ou indivíduo recebendo o pagamento). O float também existe quando o recebedor recebe recursos em uma forma que pode ser usada, mas esses fundos ainda não foram retirados da conta do pagador. Atrasos no sistema de cobrança e pagamento resultantes do transporte e processamento de cheques são responsáveis pelo float. No entanto, com os sistemas eletrônicos de pagamento, assim como mudanças sendo introduzidas pelo Federal Reserve System, em um futuro previsível, o float vai virtualmente desaparecer. Até que isso ocorra, os administradores financeiros vão continuar a tirar vantagem do float. TIPOS DE FLOAT Atualmente, empresas e indivíduos podem vivenciar durante o processo de efetuar transações financeiras tanto de float de cobrança quanto de pagamento. Float de cobrança resulta do atraso entre o momento em que o pagador deduz um pagamento da sua conta bancária e o momento em que o credor efetivamente recebe esses recursos de forma que possa usá-los. Portanto, o float de cobrança é experimentado pelo credor e é um atraso no recebimento de fundos. Float de pagamento resulta do lapso entre o momento em que o pagador deduz um pagamento da sua conta bancária (efetua o pagamento) e o momento em que os recursos são efetivamente retirados de sua conta. Float de pagamento é experimentado pelo pagador e é um atraso na retirada efetiva dos recursos. COMPONENTES DO FLOAT Tanto o float de cobrança quanto o float de pagamento têm os três mesmos componetes básicos: 1. Float postal: tempo entre a postagem do pagamento nos postais e o recebimento pelo credor. 2. Float de processamento: tempo entre o recebimento do cheque pelo credor e seu depósito na conta da empresa. 3. Float de compensação: tempo entre o depósito de um cheque por um pagador e a disponibilidade real dos fundos. Este componente do float é atribuível ao tempo necessário para o cheque ser 27 compensado no sistema bancário. O uso de novos métodos eletrônicos para processar cheques dentro do sistema bancário segue reduzindo o tempo do float de compensação. A figura 16.2 ilustra os componentes-chave do float resultantes da emissão e do envio pelo correio de um cheque pelo pagador de uma companhia, para a companhia recebedora no dia zero. O prorcesso inteiro exigiu um total de 9 dias: 3 dias de float postal 2 dias de float de processamento e 4 dias de float de compensação. Para a companhia pagadora, o atraso é float de desembolso; para a companhia recebedora, o atraso e float de cobrança. ACELERANDO AS COBRANÇAS As empresas não querem estimular os clientes a pagar contas o mais prontamente possível, mas também converter seus pagamentos em uma forma que possa ser usada o mais rápido possível – em outras palavras, minimizar o floatde cobrança. Uma variedade de técnicas tem o intuito de acelerar o recebimento e por conseguinte reduzir o float de cobrança. CONCENTRAÇÃO BANCÁRIA Empresas com numeroso distribuidores por todo o país muitas vezes designam certos escritórios como centros de cobrança para determinadas áreas geográficas. Clientes nessas áreas remetem seus pagamentos para esses escritórios, os quais por sua vez depositam as receitas em bancos locais. Em certas datas, ou quando necessário, fundo são transferidos eletronicamente de bancos regionais para um banco concentrador ou de pagamento a partir do qual os pagamentos de caixa são liberados. O conceito de concentração bancária é usado para reduzir o float de cobrança ao encurtar os componentes de float postal e de compensação. O float postal é reduzido, pois centros regionais de cobrança estão mais próximos do pontos do qual o cheque é remetido. O float de compensação também pode ser reduzido, pois o banco regional do credor provavelmente será o mesmo distrito do Federal Reserve ou a mesma cidade que o banco no qual o cheque é emitido; ele pode até mesmo ser o mesmo banco. Uma redução no float de compensação vai, é claro, tornar os recursos disponíveis mais rapidamente para a empresa. Suponha que Style Inc., uma fábrica de produtos para o cabelo, recorresse à concentração bancária para a redução de seu período de cobrança em 3 dias. Se a companhia normalmente tivesse $ 10 milhões a receber e esse nível representasse 30 dias de vendas, diminuir 3 dias do processo de cobrança resultaria em um redução de títulos em carteira de $ 1 milhão [(3 + 30) x $ 10 milhões]. Dado um custo de oportunidades de 10 %, os benefícios anuais brutos de concentração bancária chegariam ao montante de $ 100 mil ( 0,10 x $ 1 milhão ). Obviamente, considerando-se que não há nenhuma mudança de risco, enquanto o total de custos anuais – aumento nos custos administrativos e as taxas de serviços bancários e custo de oportunidade de manter saldos mínimos bancários específicos – forem menores do que os benefícios anuais esperados de $ 100 mil, o programa proposta de concentração bancária de Style Inc. deve ser implementado. CAIXA POSTAL Outro método usado para reduzir o float de cobrança é o sistema de caixa postal, que se diferencia da concentração bancária de várias formas importantes. Em vez de enviar via postal o pagamento para um centro de cobrança, o pagador o envia para uma caixa postal próximo que é esvaziada pelo banco da empresa várias vezes ao dia. O banco deposita os cheques na conta da empresa e envia para empresa que esta cobrando um comprovante de depósito ( ou um registro de computador ), indicando os pagamentos recebidos. A caixa postal normalmente é geograficamente dispersa, e os recursos, quando arrecadados, são remetidos eletronicamente de cada banco da caixa postal pra o banco pagador da empresa. O sistema de caixa postal é superior ao de concentração bancária, pois reduz o float de processamento, assim como os floats postal e de compensação. O banco imediatamente deposita os recebimentos na conta da empresa, de forma que o processamento ocorre após os fundos serem depositados. Isso permite que a empresa use os recursos quase imediatamente. Reduções adicionais no float postal podem também ocorrer, pois os pagamentos não precisam ser entregues, mas buscados pelo banco nos correios. Exemplo A Davidson Products, uma fábrica de lâminas descartáveis, tem receitas de vendas anuaus de $ 6 milhões, que são faturadas em um ritmo constante a cada dia. Leva em torno de 4 dias para receber os pagamentos dos clientes na sede da sociedade anônima. Leva outro dia para o departamento de crédito processar os recebimentos e deposita-los no banco. Um consultor de gerenciamento de caixa 28 disse à davidson que um sistema de caixa postal diminuiria o float de processamento. O sistema de caixa postal custaria à empresa $ 8 mil por anos. A davidson atualmente ganha 12 % sobre investimentos de risco comparável. O sistema de caixa postal liberaria $ 58.333 de caixa [( $ 6 milhôes / 360 dias ) x ( 4 dias de float postal + 1 dia de float de processamento – 1 dia 1 ½ de float postal)] que estão atualmente imobilizados em floats postal e processamento. O beneficio anual bruto seria de $ 7 mil( 0,12 x $58.333). Tendo em vista que $ 7 mil de beneficiamento anual bruto é menos do que o custo anual de $ 8 mil. A Davidson não deveria usar caixa postal. REMESSAS DIRETAS Para reduzir o float de compensação, empresas que recebem cheques de alto valor emitidos em bancos distantes, ou um grande numero de cheques emitidos em banco de uma carta cidade, podem providenciar a apresentação desses cheques diretamente para o pagamento ao banco no qual eles foram emitidos. Tal procedimento é chamado de remessa direta. Em vez de depositar esses cheques em sua conta de cobrança a empresa providencia a apresentação dos cheques ao banco no qual eles foram emitidos e receber o pagamento imediato. A empresa pode usar o Express Mail ou os serviços privados de postais expressos pra transportar os cheques a um banco na mesma cidade ou para um escritório de vendas onde um empregado pode levar os cheques ao banco e apresentá-los para o pagamento. Na maioria dos casos, os fundos serão transferidos eletronicamente para a conta corrente de desembolso da empresa. Decidir quanto a usar remessas diretas é uma decisão relativamente clara. Se os benefícios do tempo de compensação reduzidos são maiores do que os custos, os cheques devem ser enviados diretamente para pagamento, em vez de serem compensados através dos canais bancários normais. Exemplo Se uma empresa com uma oportunidade de ganhar 10 % sobre seus saldos parados pode, através de uma remessa direta, tornar disponíveis $ 1,2 milhão 3 dias mais cedo do que a outra forma seria o caso, o benefício dessa remessa direta seria de $ 1 mil [ 0,10 x ( 3 dias + 360 dias ) x $ 1,2 milhão ]. Se o custo de conseguir esta redução de 3 dias no float for menor do que $ 1 mil, a remessa será recomendável. OUTRAS TÉCNICAS Um número de outras técnicas pode ser usado para reduzir o float de cobrança. Um método comumente usado pelas empresas que arrecadam um montante fixo de clientes em uma base regular é o cheque pré-autorizado. Um cheque pré-autorizado ( PAC ) é emitido contra a contra corrente de um cliente por um montante previamente acertado pela empresa a qual ele é pagável. Tendo em vista que o cheque foi legalmente autorizado pelo cliente, ele não necessita a assinatura do cliente. O credor recebedor meramente emite e então deposita o PAC em sua conta. O cheque então é compensado através do sistema bancário da forma usual. Empresas com múltiplos pontos de cobrança usam ordens de créditos para acelerar a transferência de fundos. Um ordem de crédito, que dispensa assinatura, é sacado de uma das contas circulantes da empresa e depositado em sua conta em outro banco – geralmente um banco concentrador ou pagador. Tão logo a ordem de crédito dê baixa no banco contra o qual foi emitido, a transferência real dos fundos está completa. A maioria das empresas atualmente transmite informações de depósitos através do telefone, em vez do postais para seus bancos concentradores, os quais então preparam os ordens de créditos nas contas das empresas. Empresas também usam frequentemente transferências eletrônicas para reduzir o float de cobrança. Transferências eletrônicas são comunicações por linha telefônica que, através de lançamentos nos registros contábeis, removem fundos do banco do pagador e os depositam no banco do credor. Transferências eletrônicas podem eliminar os floats de postais e compensação,assim como reduzir o float de processamento. Elas são algumas vezes usadas em vez de ordens de créditos para mover fundos principais contas de movimentação, apesarde uma transferênciaeletrônica ser mais cara do que uma ordem de credito. Outro método popular de acelerar fluxos de entrada de caixa é o uso de débito automático ( ACH debits ). Estas são retiradas eletrônicas pré-autorizadas da conta do pagador. Uma instalação de compensação por computador ( chamada de compensação automatizada, ou ACH ) faz uma transferência de fundos eletrônica entre os bancos do pagador e do recebedor, assim como liquida contas entre os bancos participantes. As contas de depositantes individuais são líquidas através de ajustes dos respectivos saldos bancários. Transferências automáticas são compensadas em 1 dia, na maioria dos casos reduzidos os floats de postais, o processamento e a compensação. 29 RETARDANDO PAGAMENTOS Com relação às duplicatas a pagar, a empresa não quer somente pagar suas contas o mais tarde possível, mas também atrasar a disponibilidade dos fundos para os fornecedores e empregados uma vez que o pagamento foi liberado – em outras palavras o float de pagamento. Uma variedade de técnicas com a intenção de retardar os pagamentos e, portanto aumentar o float de pagamento está à disposição. Pagamento Controlado O pagamento controlado envolve o uso estratégico de pontos de envio de postais e contas bancárias para aumentar o float de postais e de compensação respectivamente. Quando a data de envio dos postais é considerada efetiva para o pagamento do fornecedor, a empresa pode ser capaz de aumentar o tempo de postais associados aos pagamentos. Ela pode colocar os pagamentos nos postais, em lugares a partir dos quais eles vão levar um tempo considerável para alcançar o fornecedor. Geralmente, pequenas cidades que não são próximas a importantes auto-estradas ou cidades, oferecem oportunidades para estender o float de postais. É claro, os benefícios de se usar pontos de postais selecionados pode não justificaros custos dessa estratégia, particulamente porque o serviço postal norte-americano dá reduções em taxas sobre correspondências, que são pré- selecionadas através de seu número de código postal e enviados a partir de grandes agencias de postais designadas. A disponibilidade de dados sobre os tempos de compensação de cheques permite que as empresas desenvolvam esquemas que maximizem o float de compensação sobre os seus pagamentos. Esses métodos envolvem designar pagamentos para vendedores em certas áreas geográficas para serem emitidos em bancos específicos, a partir dos quais resultará o float máximo de compensação. Manipulando o Float Manipulando o float é um método de antecipação consciente do float resultante ou atraso, associado ao processo de pagamento. Empresas muitas vezes manipulam o float ao emitirem cheques que não estão no momento em suas contas circulares. Elas podem fazer isso, porquê sabem que um atraso vai ocorre entre o recebimento e o deposito de cheques por parte dos fornecedores, assim como a retirada real dos recursos de suas contas circulantes. Apesar de o uso ineficiente dessa pratica provocar problemas associados a “cheques sem fundo”, muitas empresas usam o float para estender suas duplicatas a pagar. Empresas manipulam o floar de várias formas – todas com intuito de manter s recursos em uma forma que gere juros pelo maior tempo possível. Por exemplo, uma forma de se manipular o float é depositar uma certa proporção da folha de pagamento na conta corrente da empresa, em vários dias sucessivos, após a emissão de um grupo de cheques. Essa técnica é comumente referida escalonar recursos. Se a empresa pode determinar a partir de dados históricos que apenas 25 % de seus clientes da folga de pagamento são descontados no dia imediatamente após a emissão dos mesmos, então apenas 25 % do valor da folha de pagamento necessita estará na sua conta corrente 1 dia depois. O montante de cheques descontados em cada um de vários dias sucessivos pode também ser estimado até que a folha de pagamento seja liquidada. Normalmente, no entanto, para se proteger contra quaisquer irregularidades, a empresa vai colocar um pouco mais de caixa do que é necessário em sua conta para cobrir as retiradas esperadas. Gestão Financeira Fluxo de Caixa I O fluxo de caixa é um instrumento de planejamento financeiro que tem por objetivo fornecer estimativas da situação de caixa da empresa em determinado período de tempo à frente. As necessidades de informações sobre os saldos de caixa podem ser em base diária para o gerenciamento financeiro de curto prazo, ou períodos mais longos, como mês ou trimestre, quando a empresa precisa fazer um planejamento por prazo maior. 30 O fluxo de caixa é o instrumento capaz de traduzir em valores e datas os diversos dados gerados pelos demais sistemas de informações da empresa. Finalidades do Fluxo de Caixa As projeções de caixa da empresa têm várias finalidades. A principal delas é informar a capacidade que a empresa tem para liquidar seus compromissos financeiros a curto e longo prazo. Outras finalidades do fluxo de caixa são: 1. Planejar a contratação de empréstimos e financiamentos; 2. Maximizar o rendimento das aplicações das sobras de caixa; 3. Avaliar o impacto financeiro de variações de custos; 4. Avaliar o impacto financeiro de aumento das vendas Características do Fluxo de Caixa Os principais fatores determinantes do formato do fluxo de caixa são o prazo de cobertura, sua utilização e a disponibilidade de recursos humanos e materiais a serem alocados a sua implantação e operação. a) Prazo de cobertura e período de informação Um fluxo de caixa projeta o saldo de caixa para um horizonte de tempo (semana, mês, ano, etc) que é chamado de prazo de cobertura. Quando o fluxo de caixa tem um prazo de cobertura de uma semana até três meses, é considerado de curto prazo. Se o prazo de cobertura fica entre 91 dias e um ano, o fluxo de caixa é de médio prazo. Um fluxo de caixa de longo prazo tem um prazo de cobertura superior a um ano. A unidade de tempo em que se divide o prazo de cobertura do fluxo de caixa é denominada período de informação. Um fluxo de caixa com prazo de cobertura mensal habitualmente tem um período diário de informação. A formatação de fluxo de caixa mais comum tem prazo de cobertura de 30 dias corridos e período de informação de um dia. b) Grau de detalhamento das entradas e saídas de caixa Os dados sobre entradas e saídas de caixa podem ser apresentados de forma resumida ou detalhada. À medida que aumenta o número de funções do fluxo de caixa, ele precisará ter maior nível de detalhamento para as entradas e saídas de caixa. É recomendável que os objetivos do fluxo de caixa limitem-se às informações sobre a posição de caixa da empresa. Assim, o fluxo de caixa não deve incluir funções de controle financeiro. c) Grau de Precisão O grau de precisão dos dados do fluxo de caixa varia em função de seu prazo de cobertura. Para um fluxo de caixa mensal, uma variação de até 10% entre os valores previstos e realizados é considerada satisfatória. Já no caso de fluxo de caixa trimestral, semestral ou anual, uma margem de variação de até 15% é aceitável. d) Funções do Fluxo de Caixa 31 O Fluxo de caixa deve ser apenas um instrumento de planejamento financeiro. Outras funções como controle de inadimplência, controle bancário, ou mesmo controle de gastos não devem ser objeto do fluxo de caixa. Relações Básicas no Fluxo de caixa Em determinado período de informação, existe a seguinte relação entre os elementos de caixa: Saldo Inicial de Caixa + Entrada de Caixa – Saída de Caixa = Saldo Final de Caixa Além da relação anterior, há a seguinte relação secundária: O saldo inicial de caixa de um período de informação é igual ao saldo final de caixa do período anterior Exemplo: João contraiu um empréstimode $ 100,00 no Banco X, e pagará $ 108,00 daqui a dois meses. Então o fluxo de caixa será: De acordo com o ponto de vista do João: Recebeu $100,00 do banco Terá que pagar, passados dois meses, $108,00 ao banco Entrada de dinheiro Desembolso Seta para baixo Seta para cima Ponto de vista do Banco X: Entregou $100,00 ao João Será ressarcido do empréstimo, dentro de dois meses, de $108,00 pelo João. Saída de dinheiro Entrada de dinheiro Seta para baixo Seta para cima Observe que nesta situação temos: C = $ 100,00 M = $ 108,00 32 J = $ 8,00 i = 8% a.b. (ao bimestre ou bimestral) Conseqüência de Financiamentos/Empréstimos e Vendas a Prazo Tem impacto direto na formação do Preço de Venda do Produto DESAFIO DAS EMPRESAS REPASSAR OS CUSTOS FINANCEIROS PARA OS PRODUTOS (FORMAÇÃO DE PREÇO DE VENDA) SEM PERDER A COMPETITIVIDADE NO MERCADO Capitulo 5 ADIMINISTRAÇÃO DE CONTAS A RECEBER VOLUME DE VENDAS E INVESTIMENTO EM CONTAS A RECEBER Causas da existência de contas a receber Na economia moderna a utilização do crédito tanto como método de venda e pagamento quanto sob a forma de arma de concorrência entre empresas é um dos mecanismos mais corriqueiros. No entanto, é sempre importante compreender porque existe entre as empresas, e quais são as suas formas. Estamos analisando problemas de administração financeira de uma empresa, e assim devemos considerar a quem (pessoas e instituições) ela concede crédito. Embora o problema de contas a pagar tenha elementos próprios que implicitamente refletimos, mas não esgotamos nos capítulos anteriores esses capítulos já devem ter dado uma idéia da importância das operações a crédito, principalmente entre empresas. Assim sendo, vimos um exemplo fictício da maneira pela qual a expansão das operações de uma empresa provoca necessidade de financiamento, ou de crédito, num sentido geral aplicável a esta introdução. Estamo-nos referindo, nada mais, nada menos, à possibilidade de utilizar os serviços de fatores de produção (matérias-prima, mão-de-obra, equipamentos e até recursos financeiros) sem contrapartida (isto é, sem pagamento pelo seu uso), até um momento adequado, em que a utilização dos fatores já estiver trazendo rendimentos próprios que permitam remunerar os fornecedores dos seus serviços à empresa. Sendo essa a importância do crédito em geral para uma pessoa ou empresa compradora, também não deve ser difícil entender porque ele adquire relevância para quem concede o crédito, cujo ponto de vista estaremos analisando neste capítulo. Não só é uma arma de concorrência, como pode ser financiado pelo crédito que a empresa consegue, por sua vez, junto aos diversos fornecedores dos recursos por ela utilizados. Outra ressalva deve ser feita. Uma empresa pode oferecer crédito aos seus funcionários, por exemplo, através daquilo que chamamos adiantamentos; em geral, porém, a administração financeira de contas a receber preocupa-se com o crédito concedido aos compradores de produtos e serviços da empresa, e interage com a área de marketing, já que a política de crédito, compreendendo diretrizes e procedimentos de seleção de clientes, cobrança e descontos, constitui importante 33 _________ 2. Ressalta-se, porém, o seguinte: Os saldos de “contas a receber” são contabilizados pelo valor de venda, segundo as faturas emitidas. Todavia, esse não é o “investimento” feito pela empresa. Mais corretamente, seria o custo direto incorrido na produção ou obtenção dos bens ou serviços vendidos. 3. Traduzido de BARTELS, R. “Marketing Manager and Credit Administration”, in BUELL, U. P., e HEYEL, C. Handbook of Modern Marketing. Nova York, MCGraw-Hill, 1970, Parte 15, Cap. 2, p. 23. elemento para a consecução dos objetivos de venda, como instrumento de atração de procura para o que a empresa oferece no mercado. Portanto, ao falarmos genericamente em contas a receber, estamo-nos referindo a contas correntes, crédito parcelado e contratos de venda a prazo e de venda condicional. No caso de contas correntes, estamos tratando dos clientes permanentes da empresa que efetuam pagamentos periódicos. Nessa situação especial o problema da delimitação do prazo de crédito é resolvido pela não fixação de um período limitado. O prazo é indeterminado, em outras palavras. Aplica-se, como deve estar evidente, aos clientes sobre cujas compras a empresa acredita haver constância, regularidade e relativa segurança. Quanto ao crédito parcelado, estamo-nos referindo a vendas de acordo com planos de pagamento diferentes, conforme auxiliem ou seja permitido à empresa pela procura dos seus produtos ou serviços, não só em face da concorrência como pelas necessidades dos clientes e pelos custos de investimento em contas a receber. Esse investimento, que será o ponto básico de nossa discussão, corresponde ao saldo médio mantido em contas a receber, em conseqüência da necessidade de venda a prazo com concessão de crédito. 1 Finalmente, temos os contratos de venda a prazo e de venda condicional. São utilizados principalmente nas vendas de bens ou serviços previamente encomendados e de execução ou instalação demorada, com pagamentos parciais que podem ocorrer antes, durante e/ou após a execução ou instalação. Como se pode notar referem-se com mais propriedade a bens de capital e prédios, bem como a serviços de assessoria e consultoria. Apesar das distinções, iremos tratar os três tipos sob o título geral “contas a receber”, como já foi salientado. Isso se deve ao fato de que o problema geral é o mesmo: vender a prazo, com o reconhecimento de que há um ganho (o cliente compra da empresa, porque pagar a prazo lhe é financeiramente importante), de um lado, contra um custo (o dos recursos imobilizados proporcionalmente ao saldo médio de contas a receber) adicionado a um risco (de que o cliente não pague), de outro lado, exigindo, pois, as avaliações que iremos analisar ao longo deste capítulo. A política de crédito como arma de concorrência O que entendemos como política de crédito de uma empresa possui diversos elementos: os prazos concedidos para pagamento, os critérios de aceitação de pedidos de crédito e os critérios para a fixação de limites (montantes) de crédito. A natureza dessa política como arma de venda e como “produto”, para a área de marketing, não deixa margem a dúvida, como aliás atesta este trecho. 2 “Tradicionalmente, os administradores de vendas têm desempenhado um papel passivo nas operações de crédito, principalmente porque se acreditava que a administração de crédito era uma função da administração financeira e algo antagônica ao ponto de vista das vendas. Porém, à medida que o serviço de crédito começou a ser visto como elemento do “marketing mix”, os gerentes de marketing passaram a participar cada vez mais das iniciativas e responsabilidades pelo desenvolvimento de serviços de crédito”. A concessão de crédito atua como elemento do processo de oferecimento de um produto ou serviço não só porque afeta diretamente o preço de aquisição, distribuindo os pagamentos no tempo, como proporciona maior flexibilidade operacional ao comprador, que ganha tempo para gerar recursos com vista a efetuar os pagamentos devidos. É evidente, porém, que a concessão de crédito para estimular a procura dos produtos e serviços oferecidos pela empresa encontra limites na capacidade que uma dada firma pode ter para ser liberal nesta área. Assim, tendem a ter políticas de crédito menos liberais e, conseqüentemente, a usá-las menos satisfatoriamente como arma de concorrência das empresas (1) cujo capital próprio não permite sustentar grandes investimentos em contas a receber pela limitação de seu endividamento para financiá-los, e (2) que nãopossam assumir riscos muito grandes com a concessão de crédito, por exemplo, quando possuem poucos clientes, suas próprias necessidades de capital de giro são prementes, suas vendas são pouco numerosas e de elevado custo direto por unidade etc. 34 _________ 4. VAN HORNE, J. C. Política e Administração Financeira. Tradução para o português. Rio de Janeiro, Livros Técnicos e Científicos e Editora da Universidade de São Paulo, 1974, Cap. 17, p. 359. Fatores condicionantes do investimento em contas a receber Numa empresa qualquer, o volume de recursos empatados no saldo médio de contas a receber, o investimento com o qual se preocupa o administrador financeiro neste caso, é afetado pelas seguintes variáveis ou “fatores condicionantes”: a) o volume de vendas a prazo; b) a proporção entre o custo direto do produto ou serviço e o valor de venda faturado; c) a sazonalidade das vendas; d) as regras do ramo de atividade quanto a limites de crédito; e) as políticas de prazo de crédito da empresa; f) as políticas de cobrança da empresa; g) as políticas de desconto da empresa. Alguns desses fatores, como já mencionamos, são elementos da política geral de crédito da própria empresa e estão interligados (por exemplo, uma política de prazos mais longos aumenta as vendas; uma política de descontos especiais pode modificar a sazonalidade das vendas, e assim por diante); além disso, o fato de serem elementos da política de crédito da empresa significa que está sob a alçada da própria empresa fixar, em parte, o investimento a ser mantido em contas a receber. Essa margem de escolha, porém, está ligada a uma comparação entre benefícios e custos, sob a responsabilidade do administrador financeiro: “A política de concessão de crédito envolve um equilíbrio entre os lucros nas vendas a prazo e o custo de manutenção de valores a receber adicionado aos possíveis prejuízos decorrentes de dívidas incobráveis”. 3 Já vimos como e por que a política de crédito pode ser utilizada para aumentar as vendas e os lucros da empresa. Além disso, o investimento em contas a receber não apenas exige recursos para financiá-lo, como é uma aplicação sem retorno direto, como ocorre com as outras categorias de ativos correntes, e possui um custo de oportunidade. Como vimos na parte inicial do Capítulo 8, quanto maior for o saldo médio de qualquer item de ativo corrente, dado um certo volume de operações, menor será a rotação dos recursos usados pela empresa, prejudicando, por conseguinte, a sua rentabilidade. Vejamos o seguinte exemplo: Inicialmente, as vendas da empresa são de $ 5.000.000,00 por ano e a política de crédito, cobrança e desconto adotada resulta numa rotação de contas a receber (ao custo) da ordem de 6 vezes por ano. Os demais elementos são constantes. Vendas $ 5.000.000,00 Custo direto (60%) $ 3.000.000,00 Rotação de contas a receber 6 vezes por ano Logo, prazo médio de cobrança 6 360 = 60 dias e saldo médio de contas a receber (ao custo) $ 6 00,000.000.3 = $ 500.000,00 Uma política de crédito menos liberal que signifique restrições de prazos ou critérios de seleção de clientes mais rigorosos pode levar a uma redução dos saldos em contas a receber, diminuindo os custos incorridos pela empresa. Conseqüentemente, pode aumentar o seu lucro, desde que não haja uma redução de vendas e lucros que contrabalance o benefício obtido com a redução 35 do investimento. Suponhamos, em relação aos dados acima, que as vendas e os lucros (de 5% das vendas) sofram uma redução de 10% em conseqüência de uma política menos liberal, diminuindo o prazo médio de cobrança para 45 dias. Finalmente, acrescente-se que o custo de oportunidade dos recursos aplicados em contas a receber é de 20%. Na situação inicial, portanto, o lucro era de $ 250.000,00 (5% das vendas). Na nova situação eles caem para $ 225.000,00, pois diminuíram 10%, com uma queda de $ 25.000,00. O custo de oportunidade do investimento a receber totalizava 20% de $ 500.000,00, ou seja, $ 100.000,00. Para que a nova política seja vantajosa à empresa, esse investimento deve cair para $ 75.000,00 ou menos. Verifiquemos o que ocorre: Novo prazo médio de cobrança 45 dias Novo índice de rotação de contas a receber (ao custo) 45 360 = 9 vezes ao ano Novo volume de vendas (ao custo) 60% de $ 4.500.000,00 = $ 2.700.000,00 Novo saldo médio de contas a receber (ao custo) $ 9 00,000.700.2 = $ 300.000,00 Custo de oportunidade total: 20% de $ 300.000,00 = $ 60.000,00 Conseqüentemente, a nova política de crédito menos liberal ainda seria vantajosa porque permitiria uma redução de custos de $ 40.000,00, em que pese uma perda de lucros de $ 25.000,00, com um benefício líquido de $ 15.000,00. Entretanto, trata-se de uma situação fictícia, de caráter meramente ilustrativo. Como já dissemos, há também um elemento de risco envolvido na política de crédito, além de benefícios e custos. Para medir o risco enfrentado, que é inerente à possibilidade de que o cliente não pague as suas compras à empresa, a análise da sua capacidade de pagamento é, evidentemente, o instrumento mais apropriado. Toda empresa deve ter limites de risco aceitável; considerando-se que o grau de risco assumido afeta: a) a velocidade com que as contas são cobradas; b) o valor investido em contas a receber; e c) o volume total de prejuízos com dívidas incobráveis, fica evidente que também contribui para o custo do investimento em contas a receber. Discutidos os problemas gerais do investimento que uma empresa é forçada a fazer e contas a receber, podemos passar agora a analisar mais detalhadamente os elementos e procedimentos utilizados nas áreas de concessão de crédito e cobrança. Trataremos dos descontos no item Descontos para Pagamento Antecipado. Antes de iniciar o item abaixo, e a título de recapitulação para maior clareza, devemos enumerar o que entendemos como elementos da administração financeira de contas a receber: a) fixação de prazos para pagamento pelos clientes (prazo de crédito); b) fixação de critérios para a aceitação (seleção) de clientes; c) estabelecimento de limites para a concessão de crédito, ou seja, os valores máximos financiáveis pela empresa a cada cliente; d) formulação da política de cobrança, incluindo métodos de cobrança (instrumentos, agressividade relativa etc.); e e) estabelecimento de descontos por pagamento antecipado, visando acelerar o recebimento de valores devidos pelos clientes da empresa. POLÍTICAS DE CONCESSÃO DE CRÉDITO E COBRANÇA 36 _________ 5. WESTON, J. F. e BRIGHAM, E. F. Managerial Finance, 3ª ed., Nova York, Holt, Rinehart and Winston, 1969, Cap. 13. Na lista anterior, os três primeiros itens – prazo de crédito, seleção de clientes e limites de crédito – compõem o que chamamos de política de crédito, em administração financeira. O quarto item, política de cobrança, também será discutido nesta secção. O último item, relativo a descontos, será coberto no item Descontos para Pagamento Antecipado. Política de crédito Fundamentalmente, a primeira questão a ser resolvida é quanto à fixação do prazo geral de crédito. Ou seja, trata-se de delimitar de quanto tempo disporá o cliente para efetuar os seus pagamentos. Dado um volume de vendas a prazo, como vimos, além da relação entre custo direto e preço unitário de venda, o prazo concedido determina não só a rotação do investimento em contas a receber, como também o valor aproximado desse investimento. É evidente que, quanto mais longo for o prazo concedido, maior tenderá a ser o investimento em contas a receber. Em segundo lugar, deve-se passar à questão da aceitação ou não de um cliente em potencial.Trata-se de avaliar o risco que ele produz em face do incremento de vendas e lucros que pode proporcionar. WESTON e BRIGHAM falam em cinco aspectos a serem avaliados. 4 São, original em inglês, os 5 C's do crédito, como dizem esses autores: a) o cliente procurará cumprir a sua obrigação? (character); b) o desempenho operacional e financeiro do cliente permitirá a geração de recursos para efetuar o pagamento? (capacity); c) o cliente possui bens e outros recursos disponíveis para cobrir o valor exigido pela transação? (capital); d) o cliente pode oferecer garantias, reais ou não? (collateral); e e) quais serão os possíveis efeitos de acontecimentos externos (por exemplo, nível de atividade da economia) sobre a capacidade do cliente para pagar as suas dívidas? (conditions). Os parâmetros para as decisões de aceitação ou rejeição de clientes assumem a forma de padrões rígidos ou liberais. A relativa rigidez ou liberalidade dos padrões de concessão de crédito reflete a atitude da administração quanto ao risco que está disposta a assumir nesta área, mas não apenas isso. Tende também a ser afetada pelo estágio do ciclo econômico que esteja sendo atravessado e pela concorrência enfrentada. Em fase de recessão, por exemplo, os padrões tendem a ser mais liberais, para compensar vendas em declínio, enquanto numa fase de expansão um mercado vendedor aumenta o poder de imposição de crédito menos liberal pela empresa aos seus clientes. É preciso considerar também que uma mudança desse grau de rigidez ou liberalidade não deixa de ter as suas contrapartidas. Por exemplo, quando os padrões são relaxados um pouco a empresa deve ter em mente que, embora possa conseguir aumentos de vendas e lucros, ela também estará elevando os seus saldos em contas a receber, bem como as perdas decorrentes de dívidas incobráveis e a própria atividade do departamento de crédito e cobrança. O processo que pode ser seguido para a avaliação de um pedido de crédito é, em linhas gerais, o seguinte: a) obter dados sobre o candidato ao crédito; em geral, isso envolve (1) a coleta de demonstrações financeiras, para avaliar os aspectos de capacidade de pagamento, capital e possibilidades de garantias; (2) consultar agências especializadas em informações de crédito; no Brasil, há serviços prestados nesta área por Dun and Bradstreet e Cia. Ltda., pelo Serviço de Proteção ao Crédito das Associações Comerciais, Centralização de Serviços Bancários S.A. (SERASA) e por outras organizações; (3) consultar os departamentos de crédito dos bancos com os quais a empresa trabalha, em busca de dados sobre hábitos de pagamento e referências; e (4) trocar informações com outros fornecedores do solicitante, por exemplo, procurar saber qual o crédito máximo 37 _________ 5. Atualmente, análises estatísticas da capacidade de pagamento (“previsão de insolvência”, ou “análise de risco de crédito”) contam com modelos baseados em indicadores econômico-financeiros das empresas. Veja-se por exemplo: concedido, qual a rapidez dos pagamentos, há quanto tempo existe contato com o cliente em potencial, e assim por diante, b) proceder a uma análise dos elementos de decisão, apoiada em índices de liquidez e estimativas do risco de não-pagamento; 5 c) decidir pela aceitação ou rejeição do pedido, mediante uma comparação dos seguintes custos: Custo de aceitação = [Probabilidade de prejuízo x Custo variável unitário x Q] + [Retorno exigido x (Prazo médio de cobrança/360) x Custo variável unitário x Q] + Custo médio de cobrança, e Custo de rejeição = (1 - Probabilidade de prejuízo) x (Margem de contribuição por unidade) x Q, onde Q é o número de unidades encomendadas e, por simplificação, o retorno exigido, o prazo médio de cobrança e o custo médio de cobrança podem ser os que tenham sido obtidos para a empresa como um todo. Obviamente, deve ser escolhida a alternativa de custo mais baixo. Fixados esses elementos acima, e também tendo sido estimada a probabilidade de prejuízo, poderemos comparar as duas expressões, que são dos tipos, Ya = a + bQ e Yr = cQ, da seguinte maneira (sendo a, b e c constantes, calculadas com as informações acima enumeradas): Na figura, uma encomenda inferior a E unidades deverá ser rejeitada, pois o custo de rejeição é inferior. Evidentemente, as inclinações e posições das duas linhas dependem das hipóteses feitas sobre probabilidades de prejuízo, custo médio de cobrança, prazo médio de cobrança e retorno mínimo exigido sobre o investimento. Em todo este processo, não há dúvida de que a investigação do candidato ao crédito deve ser rápida, pois o atendimento não pode a ela ficar subordinado, especialmente se for demorada ou o cliente em potencial tiver urgência em obter o produto ou serviço. Finalmente, deve ser estabelecido o limite de crédito, ou seja, o valor que a empresa está disposta a financiar. Esta decisão deve levar em conta o risco de perda assumido pela empresa, em 38 _________ ALTMAN, E. I. “Financial Ratios, Discriminant Analysis and the Prediction of Corporate Bankruptcy”, Journal of Finance, setembro de 1968, pp. 589-609. MENTA, D. R. Administração do Capital de Giro, Tradução para o português, Atlas, São Paulo, 1978. SILVA, J. P. Administração de Crédito e Previsão de Insolvência, Atlas, São Paulo, 1983. vista da probabilidade de não-pagamento. Trata-se de comparar o que podemos ganhar com a venda ao valor esperado de um prejuízo (isto é, custo de produção e venda incorrido vs. probabilidade de não-pagamento). Política de cobrança Os tópicos acima discutidos, em relação à política de concessão de crédito da empresa, envolvem possibilidades diversas de alteração do nível do investimento em contas a receber: maior ou menor liberalidade nos critérios de aceitação de clientes, riscos mínimos variáveis e objetivos diferentes quanto a prazos médios podem ser alguns exemplos dessas possibilidades. No caso da cobrança dessas contas a receber, a primeira idéia que ocorre é a de uma liberalidade menor, com a imagem de algo destinado a assegurar os pagamentos devidos, ou a impedir que sejam feitos mais tarde do que a empresa deseja. A finalidade da política de cobrança está refletida exatamente nessas observações: ela existe para que vendas já efetuadas efetivamente transformem-se em recebimentos. Em princípio, é evidente que a empresa não deve gastar mais com o seu esforço de cobrança do que tem a receber, mas, mais importante do que isso, as despesas de cobrança devem ter como parâmetro básico de comparação o que a empresa pode perder sob a forma de acréscimo de dívidas não liquidadas por seus clientes ao promover qualquer redução no seu esforço de cobrança. Em si mesma, a atividade de cobrança não levará diretamente um cliente incapaz de pagar a saldar as suas dívidas. Uma atividade mínima, entretanto, é indispensável mesmo nesse caso, compreendendo até os procedimentos a utilizar em caso extremo de cobrança judicial. Entretanto, a idéia de que as despesas de cobrança devem ser limitadas pelo que se tem a cobrar é válida apenas para contas isoladas. O que é realmente importante é considerar se os gastos com a cobrança produzem alguma contribuição igual ou superior em termos de perdas com devedores insolventes. Além disso não deixa de haver uma certa relação entre vendas (conseqüentemente, lucros) e esforço de cobrança; na verdade, os esforços de cobrança não afetam apenas o volume extraído de um dado cliente mas as vendas futuras a esse cliente, bem como as cobranças de outros clientes. Em outras palavras, a agressividade ou impertinência excessiva da cobrança pode até prejudicar as vendas em geral, pois a cobrança é vista como parte do conjunto de concessão de crédito e da política de vendas da empresa. Apresentamosa seguir um exemplo destinado a avaliar alternativas de programas de cobrança, refletindo os seus gastos totais um grau variável de agressividade em termos de utilização de correspondência, telefonemas, visitas e meios judiciais. Há três programas futuros alternativos, sendo feita a hipótese, até certo ponto discutível, como vimos, de que o volume de vendas não se altera. Os três programas de cobrança provocam perdas diferentes com dividas incobráveis; no programa atualmente usado, as perdas são de $ 90.000,00 e a cobrança custa $ 20.000,00. Programa A Programa B Programa C Vendas anuais (ao custo) $ 1.000.000,00 $ 1.000.000,00 $ 1.000.000,00 Perdas com dívidas incobráveis 8% 5% 3% Valor das perdas (A) 80.000,00 50.000,00 30.000,00 Despesas com cobrança (B) 35.000,00 45.000,00 80.000,00 Total (A + B) 115.000,00 95.000,00 110.000,00 Diferença em relação ao programa anual + 5.000,00 - 15.000,00 - Dos três programas, o B é sem dúvida o melhor, pois acresce $ 15.000,00 ao lucro líquido da empresa, porque o aumento das despesas de cobrança ($ 25.000,00) mais do que compensa a redução das perdas ($ 40.000,00), em relação ao custo direto do produto ou serviço vendido. Especificamente, o programa C deixa a empresa na mesma situação, embora seja discutível 39 que as vendas se mantenham a $ 1.000.000,00. Apesar disso, para reenfatizar algo já mencionado, o efeito do esforço de cobrança sobre as vendas não é tão direto quanto o de um relaxamento dos padrões de concessão de crédito. Avaliação das políticas de crédito Ao executar uma determinada política voltada para a administração de contas a receber, uma empresa pode cometer dois erros possíveis, felizmente não ao mesmo tempo, a menos que não haja coordenação entre os diversos elementos dessa política: a) adotar uma política de crédito muito restritiva, em termos de prazos, limites de crédito, critérios de seleção de clientes, cobrança etc., defendendo o investimento em contas a receber - ele será pequeno e de elevada qualidade - a ponto de provocar perdas de vendas e aumentar os custos do departamento de crédito, isto é, o setor encarregado de executar as atividades que estivemos descrevendo e discutindo; por outro lado, a empresa pode; b) adotar uma política por demais liberal, enfatizando o objetivo de máximo volume de vendas e maior rentabilidade a curtíssimo prazo, mas sofrendo perdas de liquidez e, finalmente, causando reduções subseqüentes de sua rentabilidade. Para avaliar uma política na área de concessão de crédito, sugerimos a adoção, para fins de comparação no tempo, de um índice relacionando o valor dos pedidos rejeitados e o volume de vendas a prazo. É certo que ele pode ser afetado por fatores externos, como a situação da economia. Mas, de certo modo importante, ele pode mostrar a posição da política da empresa relativamente a padrões que indicariam excessiva liberalidade ou demasiado rigor. DESCONTOS PARA PAGAMENTO ANTECIPADO O último elemento que costuma ser associado à administração de contas a receber é a política de concessão de descontos para pagamento dentro de um prazo especificado, geralmente significando um recebimento mais rápido para a empresa do que a média do período de crédito concedido e utilizado por muitos outros clientes. É comum expressar os descontos oferecidos do seguinte modo: “2/10, 30 dias líquidos”; isso significa que se o pagamento for efetuado até o 10º dia a contar da data de emissão da fatura, o cliente pagará 98% do preço; não o fazendo, terá até 30 dias para pagar o valor faturado. Do ponto de vista da empresa que oferece o desconto, ele pode ser considerado como um estímulo para maiores vendas, mas é fundamental lembrar que mais importante do que isso talvez seja a possibilidade de acelerar os recebimentos das vendas. Economicamente a empresa será beneficiada pelo desconto se a diferença entre a taxa efetiva do desconto e o custo dos recursos de terceiros a curto prazo for inferior à margem de contribuição do produto (excluído o desconto do preço de venda), isto porque, analisado apenas o desconto em si mesmo, ele precisa obrigatoriamente ser superior ao custo dos recursos que podem ser obtidos, no mercado financeiro, pelos clientes da empresa. Se não fosse assim, o desconto não funcionaria como estímulo tanto a maiores vendas quanto a pagamentos mais rápidos. Essa idéia pode ser entendida mediante o seguinte exemplo numérico: Custo do financiamento bancário a curto prazo 3% ao mês Desconto efetivo (2% em 10 dias) 6% ao mês Valor da venda (10.000 unidades a $ 5,00) $ 50.000,00 Custo direto (80%) $ 40.000,00 Como a utilização do desconto pelo comprador implica uma redução de $ 1.000,00 da receita, mas a margem de contribuição efetiva ainda é de $ 9.000,00, a venda adicional é claramente favorável à empresa. Além disso, a empresa está deixando de recorrer a financiamento bancário a 3% ao mês, porque não precisa financiar os seus clientes pelos vinte dias após o prazo de desconto. Assim, a rotação das suas contas a receber, em vez de ser igual a 12 vezes, como ocorreria com um prazo médio de 30 dias, é de 36 vezes ao ano (prazo médio de 10 dias). Supondo que o investimento médio em contas a receber, na hipótese de não haver desconto, alcançasse $ 100.000,00, a empresa estaria gastando $ 3.000,00 (3% de $ 100.000,00) para 40 sustentá-lo, o que deve ser acrescido como vantagem. Por outro lado, há a redução da receita de venda, pois o preço é efetivamente diminuído pelo desconto. No caso, a redução ($ 1.000,00) é inferior à eliminação de custos de manutenção do investimento em contas a receber; portanto, a política é vantajosa nesses termos. É uma situação em que o custo total do desconto é superado pela vantagem da redução do investimento em contas a receber. Já indicamos que a taxa de desconto, para produzir seus resultados, deve levar a uma comparação favorável e por margem significativa, entre o custo dos recursos a curto prazo, vigente no mercado financeiro, e a taxa representativa da não utilização do desconto (como custo para o comprador). Esta última deve ser bastante superior ao primeiro para que o desconto seja realmente utilizado e a empresa vendedora atinja os seus objetivos. Os compradores que utilizam o desconto pagam o seguinte preço efetivo: P[ 1 – h – 360 k (1 – h) t ] onde P = preço unitário (a vista) t = período de desconto T = período de pagamento líquido k = custo do capital no mercado financeiro h = taxa de desconto Os compradores que não utilizam o desconto pagam o seguinte preço: P[ 1 – 360 k T ] Nos dois casos , as parcelas subtraídas de P - 360 k (1 – h) t e ( 360 k T) – representam, respectivamente, (1) o custo implícito de financiamento de contas a receber por t dias, para a empresa e (2) o custo de financiamento de contas a receber por T dias. Em termos anuais, portanto, o custo do crédito comercial para o comprador é tT 360 h, e reflete a não utilização do desconto. Conseqüentemente, o uso desse tipo de crédito só lhe é favorável quando esse valor é inferior à taxa k, ou seja, quando tT 360 h < k. Supondo os seguintes valores: t = 10 dias, T = 60 dias (ou seja, “h/10, 60 dias líquidos”), e k = 3% ao mês, o desconto será usado se chegar, no mínimo, a h > 360 )50(3,0 = 0,00417 ou 0,417% do preço bruto. Tudo o que foi visto anteriormente diz respeito à taxa de desconto. Mas a política de desconto também envolve a manipulação do prazo pelo qual o pagamento pode ser feito como desconto indicado por essa taxa. É o que chamamos de período de desconto. Em certas circunstâncias, a variação do período de desconto, ou seja, o prazo pelo qual há possibilidade de pagar um preço inferior (digamos, passando para “2/20, 30 dias líquidos”) pode alterar os prazos médios de cobrança (e o investimento em contas a receber, conseqüentemente) de dois modos: a) alguns clientes podem usar o desconto, ao contrário do que faziam antes; isso faz com que o prazo médio caia; 41 _________ 7. LERNER, F. M. Managerial Finance: A Systems Approach. Nova York, Harcourt Brace Jovanovich, 1971, Cap. 7. 8. BARTELS, R. op. cit. 9. BARTELS, R. op. cit., p. 15-29. b) outros clientes, porém, que já utilizavam o desconto, simplesmente poderão atrasar um pouco mais os seus pagamentos, já que esse procedimento é facilitado, e isso elevará o prazo médio de cobrança. Portanto, ao ser manipulada esta variável com o objetivo de aumentar a velocidade de recebimento das contas de clientes (e a liquidez da empresa), o resultado dependerá da composição das vendas em termos desses tipos de clientes. O importante é reconhecer que essa política não melhorará automaticamente a liquidez da empresa. RELACIONAMENTO ENTRE MARKETING E FINANÇAS A observação de que a política de crédito, com todos os elementos até aqui discutidos, é uma importante arma de vendas, não deve ter deixado qualquer dúvida de que se trata de uma área com significativa sobreposição entre as funções de marketing e finanças numa empresa. Na verdade, a posição de determinadas responsabilidades pela política de crédito pode situar-se numa ou noutra das áreas funcionais mencionadas. Dois autores divergem quanto à localização do poder de definir os prazos, as taxas de desconto e os períodos de desconto. Para LERNER, 6 pertence à área financeira; para BARTELS, 7 à área de marketing. Mas, realmente, isso não importa muito. O que efetivamente decide onde tais tarefas devem estar localizadas é a situação peculiar da empresa, ou seja, as condições ambientais em que opera. Se a ênfase residir em fazer face à concorrência, tais tarefas estarão na área de marketing. Se a luta pelo mercado não for intensa poderão ficar sob a jurisdição de um administrador financeiro. Em especial, BARTELS 8 indica de que maneira os gerentes de marketing (tendo em mente um esquema de organização por divisão de produtos) interagem com o tesoureiro - um elemento da área financeira, de assistência à administração central - e com o administrador do departamento de crédito, quando este também trabalha na área de finanças da empresa. O tesoureiro está “... encarregado da utilização rentável dos fundos investidos em contas a receber, ... e interage com o gerente de marketing em relação à sustentação do volume de vendas contra o qual são medidos o investimento e os custos das contas a receber. As perdas planejadas, incorridas para aumentar o volume de vendas, constituirão um plano não só para o tesoureiro, mas também para o gerente de marketing, cuja expectativa de aumento de vendas deve trazer um aumento de lucros superior à elevação das perdas”. Por fim, BARTELS recomenda a coordenação entre o gerente do departamento de crédito e os gerentes de marketing, e não o recurso ao posicionamento típico do já consagrado conflito entre “administradores de crédito cautelosos”, de um lado, e “administradores de vendas agressivos”, de outro. 42 Reportagens SONHO DO CARRO ZERO VIRA PESADELO COM A DIFICULDADE DE HONRAR PAGAMENTOS, CONSUMIDORES ELEVARAM VOLUME DE INADIMPLÊNCIA EM 234% CÁSSIA EPONINE REPÓRTER Com as entradas cada vez menores e os prazos cada vez mais alongados, o segundo principal sonho de consumo do brasileiro ficou mais acessível, mas também mais arriscado. De 2005 para cá exatamente quando os prazos começaram a se alongar até atingir 96 meses - a carteira de financiamento de veículos dobrou de volume, saltando de R$ 39 bilhões em operações para R$ 83 bilhões em fevereiro de 2008, um crescimento de 112% que revela a força do fôlego comprador. A animação, no entanto, também se traduziu em mais inadimplentes, que praticamente triplicaram o vo- lume devido no mesmo período. Se em 2005 eles somavam R$ 777 milhões com atrasos acima de 90 dias, hoje já somam R$ 2,6 bilhões, mais que três vezes o valor de três anos atrás, ou seja, alta de 234%. O aperto de uns tem se refletido em bons negócios para outros. Com o crescimento do volume de veículos retomados por bancos e financeiras por inadimplência, o movimento nas casas de leilões cresceu e já há quem comemore operações até três vezes maiores neste ano em relação a 2005. O leiloeiro da Espaço Leilões, Emerson Moreira de Oliveira, que trabalha com veículos retomados por bancos e financeiras desde 2000, conta que hoje faz três leilões mensais com 200 veículos cada, mais do que o triplo dos 150 que eram leiloados mensalmente em 2005. “Com a aber- tura do crédito e aumento do número de parcelas, a inadimplência vem crescendo. O problema é que muita gente se esquece de que a compra de um carro não implica apenas no valor da parcela. Tem IPVA, seguro, manutenção. Tudo isso faz com que a inadimplência aumente”, aponta o leiloeiro, que também destaca o crescimento significativo da oferta de carros mais novos, com até dois anos de uso, em leilões. “Antes, a média era de quatro, cinco anos de uso”, afirma Emerson Moreira, destacando que além do crescimento da inadimplência também houve mudanças na legislação que tomaram mais ágil o processo de apreensão e leilão de veículos. Segundo Oliveira, para os carros de maior saída, os populares de até R$ 15 mil, os preços são cerca de 10% inferiores ao valor de mercado. “Já para os importados, a redução pode chegar a 70%. Mas é preciso lembrar que não há garantia. O bem é vendido no estado de conservação em que se encontra”, destaca. No pátio da Espaço Leilões há hoje cerca de cinco mil veículos avaliados entre R$1 mil e R$ 300 mil. Já o leiloeiro da Centraleilões, Marco Antônio Barbosa de Oliveira Júnior - que trabalha com veículos de consórcios e bancos - diz que sentiu um pequeno crescimento na oferta, mas os efeitos dos longos financiamentos ainda não chegaram efetivamente. “O boom ainda não aconteceu”, opina. Para o professor do Ibmec e consultor financeiro. Lucas Sodré, com o crédito facilitado e o alongamento de prazos, o consumidor pode estar se endividando além da sua capacidade de pagamento. “Ainda não há estudos sobre isso, mas uma hipótese é que ao tomar financiamentos simultâneos em várias frentes - para casa própria, carro e bens de consumo - o consumidor possa estar comprometendo um percentual muito elevado da sua renda. Ele até pode conseguir suportar a prestação por seis meses, um ano. O problema é que o crédito em demasia diminui a margem de segurança do orçamento. No caso de um imprevisto, se ele bate o carro, precisa fazer uma reforma de urgência no telhado ou perde o emprego, a margem está tão comprometida que ele não consegue lidar com a despesa extra”, aponta. Na avaliação de Sodré, o prazo máximo ideal para o financiamento de veículos é de 48 meses. “É preciso lembrar que o automóvel está sujeito a depreciação. Não vejo como saudável o prazo de 96 meses, que é mais adequado para o segmento imobiliário”, avalia. Para Lucas Sodré, o prazo máximo ideal para o financiamento é de 48 meses. ESTUDANDE ATRASA OUTRAS CONTAS 43 Mesmo dentro do prazo considerado “razoável” pelos analistas, o técnico de áudio e estudante de engenharia civil Eduardo Garcia, 26 anos, conta que está passando aperto para pagar as prestações mensais de R$ 452,00 do financiamento de 48 meses que contratou para adquirir um FordFiesta, ano 97. Nos últimos dez meses, para manter as prestações do carro em dia, o técnico já teve de atrasar o pagamento da conta do celular e pagar um valor inferior ao total de sua fatura do cartão de crédito. “Como o financiamento carro é alto, os juros por atraso são pesados. Por isso, o pagamento do financiamento do veículo e prefiro atrasar outras coisas, até poder corrigir no mês seguinte. Eu preferia ter parcelado em 36 vezes. Nunca tinha parcelado nada num prazo tão longo antes, mas com o prazo menor o valor da parcela aumentaria demais, o que inviabilizaria a compra”, relata o técnico, que precisa do veículo para o trabalho, que exige deslocamento noturno. O presidente do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais (Corecon-MG), Wilson Benício Siqueira, também aponta a expansão da oferta de crédito como causa do crescimento da inadimplência, mas lembra que no país os preços são “inflacionados” pela carga tributária. “Há três anos, não tinha carro facilitado em 90 meses. O crédito era mais restrito. Mas não é só isso. O problema é que no Brasil o automóvel é covardemente caro. Três vezes mais caro do que nos Estados Unidos e duas vezes mais caro do que na Europa. Cerca de 50% do preço pago pelo cidadão refere-se a impostos. Quem pode comprar um automóvel à vista no Brasil?”, questiona. De acordo com o presidente do Corecon, qualquer financiamento acima de 48 meses, que é o padrão histórico do brasileiro, já começa a gerar risco porque só agora o mercado está inaugurando financiamentos mais longos para veículos. Para Siqueira, a questão da inadimplência também passa pela educação para o consumo, ou falta dela. “A população começa a ser educada para financiamentos de mais longo prazo. O Corecon vem batendo muito nessa questão. Temos de educar o cidadão para saber usar não só o seu salário, mas também o crédito. Ele não deve comprometer mais do que 30% do seu rendimento com prestações ou empréstimos”, orienta o economista. Nem sempre, no entanto, a orientação dos economistas é seguida à risca. O administrador de redes Ricardo Pereira de Almeida Júnior, 19 anos, realizou seu sonho de consumo há cerca de um mês, ao comprar um Stilo, ano 2005, em 72 parcelas. Com prestações mensais de R$ 830,00, o administrador comprometeu cerca de 70% do seu salário com o carro novo. “No começo, eu estava pensando em comprar um carro mais barato, mas acabei optando por um carro mais novo e estendi o máximo que pude as parcelas”, relata Ricardo, que não se intimida diante dos possíveis contratempos financeiros que podem surgir em seis anos. “Vou ter de sair menos, comprar menos roupa e ficar apertado durante um tempo, mas não estou preocupado. Se der uma zebra, passo o carro para frente”, explica. O perfil do consumidor em busca de um carro mais novo e um financiamento mais alongado não é exceção. Nas concessionárias, o movimento em busca de prazos mais longos é grande. “A pro- cura está enorme, principalmente para 60 e 72 meses. É o que mais vende”, aponta o gerente de vendas da concessionária Garra, Maurício Turquia. O diretor da concessionária Mila, Antônio João Teixeira, lembra que o movimento de alongamento de prazos começou há cerca de três, quatro anos. “Antes, a maioria fazia em 24, 36 meses, um ou outro cliente optava pelos 48 meses. Agora, a maioria prefere de 48 a 60 meses”, destaca. PRAZO PODE CAIR COM ALTA DO CALOTE Com o descompasso entre o crescimento da carteira de financiamento de veículos e do volume de atrasos acima de 90 dias, a taxa de inadimplência subiu de 1,97% em fevereiro de 2005 para 3,20% em fevereiro deste ano, patamar apontado como razoável por analistas e instituições financeiras. Caso a inadimplência deixe o patamar dos 3%, ainda considerado confortável, a tendência é de redução dos prazos, aumento de juros e maior rigor na concessão de crédito. “Isso já aconteceu no Canadá e nos Estados Unidos. Primeiro houve uma expansão muito grande nos prazos, seguida de retração”, aponta o consultor financeiro Lucas Sodré. Para o economista Luis Miguel Santacreu, analista de bancos da Austin Rating, é difícil falar em tendências em um momento tão incerto. “Os indicadores econômicos, como inflação e juros, estão cercados de polêmica. As interpretações, nesse momento, ainda são muito díspares. Os bancos tanto podem continuar nos mesmos moldes como reduzir os prazos. Não sabemos, ainda, se trata de um resfriado ou de uma gripe", brinca. 44 O Banco do Brasil, por exemplo, se baseia na queda dos índices de desemprego e condições econômicas favoráveis para oferecer prazos de financiamento de até 84 meses. “O momento é bom e o índice de inadimplência, na casa dos 3%, é aceitável. Os bancos fazem constantemente o acompa- nhamento da carteira”, destaca o gerente executivo de Novos Negócios do Banco do Brasil, Maurício Fernandes. Para o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, no entanto, os bancos e financeiras estão menos seletivos na concessão de crédito hoje do que eram em 2005. “Há cerca de um mês, o próprio ministro da Fazenda (Guido Mantega) se reuniu com os diretores dos grandes bancos brasileiros para pedir seletividade na concessão de crédito. Foi uma sinalização de que talvez estejam exagerando”, opina. Na avaliação do vice-presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito (Acrefi), Aristeu Zanuncio, a inadimplência na carteira de veículos ainda é relativamente baixa. “Pela própria condição de se dar o bem em garantia, as pessoas procuram efetuar o pagamento das parcelas em dia. Como as carteiras cresceram bastante, e há clientes comprando pela primeira vez, é natural uma inadimplência maior, mas não há motivo para preocupação”, avalia. “Há cerca de um mês, o próprio ministro da Fazenda se reuniu com os diretores dos grandes bancos brasileiros para pedir seletividade na concessão de crédito” CAPITULO 6 ALAVANCAGEM E ESTRUTURA DE CAPITAL 1. Alavancagem: é o uso de ativos ou recursos com um custo fixo, a fim de aumentar os retornos dos proprietários da empresa. 1.1. Alavancagem x Risco x Retorno 1.2. Tipos de Alavancagem: operacional, financeira e total 2. Análise do Ponto de Equilíbrio: custos fixos e seus efeitos 2.1. É usada pela empresa para: a) Determinar o nível de operações necessário para cobrir todos os custos operacionais b) Avaliar a lucratividade associada a vários níveis de venda 2.2. Ponto de Equilíbrio Operacional 2.2.1. Abordagem algébrica Receita de Vendas p x Q (-) Custos Operacionais Fixos F (-) Custos Operacionais Variáveis v x Q (=) Lucro Antes Juros e Imp. de Renda LAJIR LAJIR = (p x Q) – F – (v x Q) LAJIR = Q (p-v) – F No ponto de equilíbrio o LAJIR = 0. Solucionando para Q: vp F Q Exemplo: um pequeno varejista tem custos operacionais fixos de R$ 2.500, preço de venda por unidade de R$ 10,00 e seus custos operacionais variáveis por unidade somam R$ 5,00. Qual o seu ponto de equilíbrio? 2.2.2. Abordagem gráfica 2.2.3. Sensibilidade do ponto de equilíbrio: mudanças nas variáveis chaves 3. Alavancagem Operacional: uso potencial de custos operacionais fixos para aumentar os efeitos das mudanças nas vendas sobre o LAJIR. 3.1. Exemplo: considerando o varejista do exemplo anterior que tem custos fixos de R$ 2.500, custos variáveis unitários de R$ 5 e preço de venda por unidade de R$ 10, verifique os efeitos sobre o LAJIR de um aumento ou redução das vendas a partir de um volume de 1.000 unidades. 3.2. Grau de Alavancagem Operacional: é a medida numérica da alavancagem operacional da empresa (para um dado nível de venda). VendasnasVariação LAJIRdoVariação GAO __%_ __%_ OU FvpQ vpQ GAO )( )( 45 3.3. Custos fixos e alavancagem operacional:quanto mais elevados os custos fixos em relação aos custos variáveis, maior o grau de alavancagem operacional. 4. Alavancagem Financeira: capacidade da empresa para usar encargos financeiros fixos a fim de maximizar os efeitos de variações no LAJIR sobre os lucros por ação (LPA). 4.1. Exemplo: considerando que o varejista tem um título de dívida de R$ 2.000 com uma taxa de juros anuais de cupom de 10% e 500 ações preferenciais que pagam R$ 0,40 de dividendo anual por ação. Como possui 800 ações ordinárias em circulação, calcule o LPA, considerando um acréscimo e diminuição de 80% no LAJIR e uma alíquota do imposto de renda de 15%. 4.2. Grau de Alavancagem Financeira: é a medida numérica da alavancagem financeira da empresa (para um dado nível de LAJIR). LAJIRnoVariação LPAnoVariação GAF __%_ __%_ OU ) 1 1( T DPJLAJIR LAJIR GAF 5. Alavancagem Total: uso potencial de custos fixos, tanto operacionais como financeiros, para aumentar o efeito de variações nas vendas sobre o LPA. 5.1. Exemplo: com os dados dos exemplos de alavancagem operacional e financeira anteriores, verifique os efeitos sobre o LPA de um aumento e redução nas vendas. 5.2. Grau de Alavancagem Total: é a medida numérica da alavancagem total da empresa. VendasnasVariação LPAnoVariação GAT __%_ __%_ OU ) 1 1()( )( T DPJFvpQ vpQ GAT 5.3. Relação entre alavancagem operacional, financeira e total GAT = GAO x GAF 6. Estrutura de Capital da Empresa 6.1. Tipos de Capital 6.1.1. Capital de terceiros: fundos de longo prazo obtidos via empréstimos. Seus custos são relativamente mais baixos pos os credores tem maiores riscos que os outros fornecedores de capital. 6.1.2. Capital próprio: fundos de longo prazo fornecidos pelos acionistas (proprietários), que não precisam ser reembolsados. Fontes são as ações preferenciais e ordinárias, que incluem os lucros retidos. 6.1.3. Características dos tipos de capital Característica Terceiros Próprios Voz na administração Não Sim Direitos sobre lucros Prioritário ao próprio Subordinado a terceiros Prazo Declarado Nenhum Tratamento tributário Dedução dos juros Sem dedução ou limitada Rentabilidade esperada Menor Maior 6.2. Medidas de Avaliação da Estrutura de Capital 6.2.1. Índice de Endividamento Geral TotalAtivo TotalExigível IEG _ _ 6.2.2. Índice Exigível a Longo Prazo /Patrimônio Líquido LíquidoPatrimônio azoLongoExigível PLIELP _ Pr__ / 6.2.3. Índice de Cobertura de Juros JuroscomAnualDespesa LAJIR ICJ ___ 46 6.2.4. Índice de Cobertura de Pagamentos Fixos )] 1 1()___[(sin_ sin__ T DPxprefaçõesdividprincipalamortgLeaPagamJuros gLeaporPagamentosLAJIR ICPF 7. Teoria da Estrutura de Capital 7.1. Estudos teóricos sugerem a existência de uma estrutura ótima de capital para a empresa, sem produzir uma metodologia específica para determiná-la. 7.2. Modigliani e Miller demonstraram que a estrutura de capital não afeta o valor da empresa, admitindo-se a hipótese de mercados perfeitos. 7.3. No mundo real, existe a hipótese de uma estrutura ótima de capital que afeta o valor da empresa, baseada nos benefícios e custos dos empréstimos. 7.3.1. Benefício fiscal: dedução tributária dos juros pagos sobre empréstimos, reduzindo o seu custo e elevando o lucro para os acionistas – ki = kd*(1-T). 7.3.2. Custos do empréstimo 7.3.2.1. Elevação da probabilidade da falência por incapacidade de saldar compromissos em razão dos riscos operacional e financeiro. a) risco operacional: risco da empresa ser incapaz de cobrir seus custos operacionais. quanto maior a alavancagem operacional – o uso de custos fixos, maior o risco operacional. afetado também pela estabilidade das receitas e custos. risco operacional afeta a estrutura de capital – alavancagem financeira. b) risco financeiro: risco da empresa ser incapaz de cobrir seus compromissos financeiros – falência. risco financeiro depende da estrutura de capital da empresa, a qual é afetada pele seu risco operacional. c) exemplo dos riscos financeiro e operacional e seus reflexos. Uma empresa calculou que há 25% de probabilidade de suas vendas totalizarem R$ 400.000, 50% de R$ 600.000 e 25% de totalizarem R$ 800.000. Os custos fixos somam R$ 200.000 e os custos variáveis equivalem a 50% das vendas. Sendo os ativos totais da empresa de R$ 500.000 e suas ações ordinárias tendo um valor contábil de R$ 20 por ação, calcule os valores solicitados a seguir, considerando que a índices de endividamento de 0%,10, 20, 30, 40, 50 e 60% estão associadas taxas de juros de 0%, 9%, 9,5%, 10%, 11%, 13,5% e 16,5%, respectivamente, e que a alíquota do imposto de renda seja de 40%: - LAJIR associado as probabilidades das vendas; - LPA associado as probabilidades das vendas; - LPA esperado, desvio padrão do LPA e CV do LPA; - mostre a distribuição de probabilidades do LPA associadas aos índices de endividamento de 0% e 60%; - construa o gráfico que mostra a relação entre o LPA esperado e o seu CV com as diversas alternativas de estrutura do capital; - que conclusões podem ser extraídas? 7.3.2.2. Custos de agência impostos pelos credores: cláusulas restritivas, monitoramento, elevação de custos em futuras operações. 7.3.2.3. Informações assimétricas: administradores têm mais informações operacionais e perspectivas futuras do negócio do que investidores e credores. 8. A Estrutura Ótima de Capital 8.1. Acredita-se que o valor da empresa é maximizado quando o custo de capital é minimizado. Assim: Ka TLAJIR V )1( onde ka é o custo médio ponderado de capital 47 8.2. Função custo de capital: estabelece a relação entre o custo do empréstimo após o IR – Ki; o custo de capital próprio – ks; e o custo médio ponderado de capital – ka, com a alavancagem financeira medida pelo índice de endividamento. 8.3. Apresentação gráfica da estrutura ótima de capital a) não existe modo para se calcular a estrutura ótima de capital; b) devido a dinâmica dos negócios,a estrutura ótima é definida num intervalo, ao invés de um ponto único. 9. Abordagem LAJIR x LPA para a Estrutura de Capital 9.1. Envolve a relação da estrutura de capital que maximiza o LPA acima da faixa esperada de LAJIR,enfatizando os efeitos dessa estrutura sobre os retornos dos proprietários (medido pelo LPA). 9.2. Gráfico LAJIR x LPA: utilizando os dados do item 7.3.2.c) como exemplo e os valores de LAJIR de R$ 0, R$ 100.000 e R$ 200.000, calcule os valores associados do LPA e encontre graficamente as ordenadas do LAJIR x LPA. Indique o ponto de equilíbrio financeiro para cada estrutura. 9.3. Comparando estruturas de capital Para determinadas faixas de LAJIR, cada estrutura de capital reflete superioridade sobre as demais, em termos de maximização do LPA. 9.4. Considerando o risco na análise LAJIR x LPA Pode ser visto graficamente a luz do ponto de equilíbrio financeiro e do grau de alavancagem financeira refletida na inclinação da reta de cada estrutura da função LAJIR x LPA.Também pode ser visto através do índice de cobertura de juros. 9.5. Deficiências básicas da análise LAJIR x LPA Ao ignorar o risco, se concentra na maximização dos lucros e não na maximização da riqueza dos proprietários. 10. A Escolha da Estrutura Ótima de Capital 10.1. Para determinar o seu valor, a empresa deve indicar o nível de retorno que precisa obter para compensar os investidores e proprietários pelos riscos assumidos, ou seja, o risco associado a cada estrutura deve ser relacionado a taxa de retorno exigida.10.2. O retorno exigido, associado a um dado nível de risco, pode ser determinado: a) estimando o beta associado a cada estrutura de capital alternativa e utilizando o modelo CAPM para calcular o retorno exigido – ks. b) ligando o risco financeiro (medido, por exemplo, pelo CV do LPA) associado a cada estrutura de capital alternativa diretamente ao retorno exigido. Exemplo: utilizando os dados do item 7.3.2.c) Índice de Endividamento - % Coeficiente de Variação do LPA Retorno Exigido Estimado – ks% 0 0,71 11,5 10 0,74 11,7 20 0,78 12,1 30 0,83 12,5 40 0,91 14,0 50 1,07 18,5 60 1,40 19,0 10.3. Determinando o valor da empresa a) utilizando-se um dos modelos de avaliação, pode-se estimar o valor da empresa associado a cada estrutura de capital alternativa. b) Supondo que todos os lucros do exemplo 7.3.2.c) seja distribuídos como dividendos e utilizando o modelo de avaliação de crescimento zero, o valor esperado da ação para cada estrutura de capital será: Ks LPA P 0 Índice de Endividamento % LPA Esperado Taxa de Retorno Exigida - ks Valor Esperado por Ação 0 2,40 11,5 20,87 10 2,55 11,7 21,79 20 2,72 12,1 22,48 48 30 2,91 12,5 23,28 40 3,12 14,0 22,29 50 3,18 16,5 19,27 60 3,03 19,0 15,95 10.4. Maximização do valor da ação x maximização do LPA A riqueza dos proprietários, refletida no valor estimado da ação, deve servir como critério para a escolha da melhor estrutura de capital. A falha da abordagem de maximização do LPA provem da desconsideração pelo risco 10.5. Considerações finais 10.5.1. Não existe um modo prático de se determinar a estrutura ótima de capital da empresa. Análise quantitativa deve ser ponderada com outros fatores. 10.5.2. Fatores importantes para decisões de estrutura de capital 10.5.2.1. Risco operacional a) estabilidade da receita b) fluxo de caixa 10.5.2.2. Custos de agência a) obrigações contratuais b) preferências da administração c) controle 10.5.2.3. Informações assimétricas a) avaliação externa do risco b) timing 11. Exercícios 11.1. A Cia. Levi tem custos operacionais fixos de R$ 72.000, custos operacionais variáveis de R$ 6,75 por unidade e um preço de venda unitário de R$ 9,75. Pede-se: a) calcule o ponto de equilíbrio em unidades; b) calcule o GAO para os seguintes níveis de venda: 25.000, 30.000 e 40.000 unidades. c) coloque em um gráfico os números do GAO que você calculou em b (no eixo y) contra os níveis de venda (no eixo x); d) calcule o GAO a 24.000 unidades. Acrescente esse ponto ao gráfico. e) que princípio está ilustrado através de seu gráfico e dos dados obtidos? 11.2. A Cia. W & A tem um LAJIR de R$ 67.500. As despesas com juros são de R$ 22.500 e a firma tem 15.000 ações ordinárias em circulação. Suponha um alíquota do imposto de renda de 40%. a) calcule o GAF para a empresa (use a fórmula); b) usando um conjunto de eixos LAJIR-LPA, trace o plano de financiamento para a W & A. c) supondo que a empresa tenha 1.000 ações preferenciais pagando um dividendo ded R$ 6 por ação, qual é o GAF? d) trace o plano de financiamento em um gráfico,incluindo as 1.000 ações preferenciais nos eixos usados em b; e) discuta sucintamente os gráficos dos dois planos de financiamento. 11.3. A Cia. Lito de Impressos está considerando duas estruturas de capital possíveis mostradas abaixo. Suponha uma alíquota do imposto de renda de 40%. Fonte de Capital Estrutura A Estrutura B Exigível a longo prazo R$ 75.000 a taxa de juros de 16% R$ 50.000 a taxa de juros de 15% Ações preferenciais R$ 10.000 com um dividendo anual de 18% R$ 15.000 com um dividendo anual de 18% Ações ordinárias 8.000 ações 10.000 ações a) calcule duas coordenadas LAJIR-LPA para cada uma das estruturas, selecionando qualquer dos dois valores de LAJIR e encontre os seus LPA associados. b) coloque em gráfico as duas estruturas de capital no mesmo conjunto de eixos LAJIR- LPA; c) discuta o risco e a alavancagem associados a cada uma das estruturas; d) em que faixa de LAJIR cada estrutura seria preferida? e) qual estrutura você recomendaria se para a empresa fosse esperado um LAJIR de R$ 35.000? Explique. 49 ALAVANCAGEM OPERACIONAL 1 - Decorre da existência de gastos fixos relacionados a ativos(investimentos) e atividades operacionais da empresa, como depreciação, folha de pessoal, alugueis, etc. 2 - Resulta da existência de despesas operacionais fixas, no fluxo de lucros da empresa. Esses custos fixos não variam com as vendas; precisam ser cobertos, independente do montante de receitas disponíveis. Os gastos fixos do ativo proporcionam a alavancagem operacional, os gastos fixos do passivo, proporcionam a alavancagem financeira. Sempre que houver custos operacionais fixos, existe a alavancagem operacional. ALAVANCANGEM OPERACIONAL E A DRE Receitas de Vendas (-) custo dos produtos, serviços ou mercadorias vendidas = Lucro Bruto (-) Despesas operacionais (no Brasil, os juros são lançados como despesas financeiras, dentro das operacionais) = Lucro Operacional Formula = % lucro operacional % vendas EXEMPLO 1 – CIA ABC DRE -20% BASE +20% Receitas 80 100 120 (-) Custos Fixos (20) (20) (20) (-) Custos Variáveis (40%) (32) (40) (48) =Lucro Operacional ou LAJIR 28 40 52 (-) Juros 0 0 0 = Lucro antes do IR 28 40 52 Variação -30% - 30% EXEMPLO II – CIA DFG DRE -20% BASE +20% Receitas 80 100 120 (-) Custos Fixos (40) (40) (40) (-) Custos Variáveis (40%) (32) (40) (48) =Lucro Operacional ou LAJIR 8 20 32 (-) Juros 0 0 0 = Lucro antes do IR 8 20 32 Variação -60% - 60% 50 EXEMPLO III – CIA XYZ DRE -20% BASE +20% Receitas 80 100 120 (-) Custos Fixos (40) (40) (40) (-) Custos Variáveis (40%) (32) (40) (48) =Lucro Operacional ou LAJIR 8 20 32 (-) Juros (5) (5) (5) = Lucro antes do IR 3 15 27 Variação -80% - 80% Cia ABC Cia DFG Cia XYZ Grau Alavancagem Operacional 30%/20% = 1,50 60%/20% = 3,00 80%/20%= 4,00 Nível Ideal de Custos e Despesas Fixas // Qual é o nível ideal para a Empresa? Esta e uma questão que frequentemente se encontra, devido a falta de parâmetros práticos, fica resolvida, na maioria das vezes, nos usos e costumes. Para que se avalie o nível ideal de custos fixos e despesas fixas de maneira técnica, repensando a empresa sem os hábitos comuns e tradicionais do ramo, e preciso que se definam alguns pontos: 1. Os produtos, mercadorias ou serviços que se pretende trabalhar 2. O preço possível e praticável no mercado 3. O volume possível a se atingir com o preço e o "atendimento da empresa" 4. Estimativa de vendas 5. Objetivos mercadológicos 6. Objetivos econom1cos 7. Nível de investimentos 8. Custos e despesas variáveis das vendas e margem de contribu1cao da empresa. 9. Estrutura de custos e despesas fixas para satisfazer ao objetivo econômico 10. Percentual sobre vendas ideal. EXEMPLO 1 1. Produtos A,B,C 2. Preços unitários- A=l 00,00, B=150,00, C=180,00 3. Vendas possíveis unid/ano – A = l8.000, B = 20.000, C = 15.000 4. Vendas/ano - A= 1.800.000,00, B=3.000.000,00 C = 2.700.000,00 5. Objetivos econômicos: retorno de 25% s/capital empregado 6. Capital empregado para atender: 7. Permanentes - 4.500.000,00 Giro - 2.250.000,00 8. Custos variáveis por unidade – A = 40,00, B = 55,00, C = 70,00 9. Desp. Variáveis- ICMS = 18%, Pis/Cofins = 3,65%, Comissões- 3%, Fretes= 1%, total = 25,65%. 10. Margem de Contribuição : A = (100,00-25,65%)- 40,00 = 34,35 ou 34,35% B = (150,00-25,65%)- 55,00 = 56,53 ou 37,69% C= (180,00-25,65%)- 70,00 = 63,83ou 35,46% 11. Retorno do Capital Investido 25% de 6.750.000,00 = 1.687.500,00