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Estabilidade de Talude
Chama-se talude a qualquer superfície inclinada em 
relação a horizontal que delimita uma massa de solo, 
rocha ou outro material qualquer (minério, escória, lixo 
etc.). Podem ser naturais (encostas) ou construídos pelo 
homem (cortes e aterros).
Estabilidade de Talude
Nomenclatura dos elementos do talude: 
Inclinação do talude  H:V ou V:H 
Estabilidade de Talude
Sob condições específicas, uma porção do material de 
um talude pode deslocar-se em relação ao maciço 
restante, desencadeando um processo genericamente 
denominado de movimento de massa, ao longo de uma 
dada superfície chamada superfície de ruptura.
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa
Para os movimentos de massa (encosta), existem 
inúmeras classificações: Varnes (1958,1978), Guidicini e 
Nieble (1976), Turner e Schuster (1996), Augusto Filho 
(1992) etc.
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa:
Movimento descendente, lento e contínuo da massa de 
solo de um talude, caracterizando uma deformação 
plástica, sem geometria e superfície de ruptura definidas. 
Ocorrem geralmente em horizontes superficiais de solo e 
de transição solo/rocha, como também em rochas 
alteradas e fraturadas.
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa:
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa
Movimento rápido de massas do solo e/ou rocha;
Volume bem definido;
Centro de gravidade do material (para baixo e para fora 
do talude). 
Escorregamentos Planares (Translacionais): em maciços 
rochosos o movimento é condicionado por estruturas 
geológicas planares. Nas encostas serranas brasileiras são 
comuns escorregamentos planares de solo.
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa
Escorregamentos em cunha: desloca o material na forma 
de um prisma. São comuns em taludes de corte ou 
encostas que sofreram algum tipo de desconfinamento.
Escorregamentos Circulares (Rotacionais): apresenta 
superfície de deslizamento encurvada. Ocorre 
geralmente em aterros.
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa:
Deslocamentos, por gravidade, de blocos de rocha, sendo divididos em 4 
tipos básicos:
Queda de Blocos: blocos de rochas que se desprendem do maciço e se 
deslocam em queda livre encosta abaixo.
Tombamento de Blocos: movimento de rotação de blocos rochosos, 
condicionado por estruturas geológicas no maciço rochoso subvertias.
Rolamento de Blocos: movimento de blocos rochosos ao longo de 
encostas, que ocorre geralmente pela perda de apoio (descalçamento).
Desplacamento: movimento em queda livre ou por deslizamento de 
blocos rochosos, ao longo de superfícies estruturais (xistosidade, 
acamamento), que ocorre devido às variações térmicas ou por alívio de 
pressão.
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa:
Movimentos gravitacionais na forma de escoamento rápido, envolvendo 
grandes volumes de materiais, apresentando alto potencial destrutivo. 
Considerando as características do material mobilizado, as corridas 
podem ser classificadas em 3 tipos básicos:
Corrida de Terra (earth flow): fluxo de solo com baixa quantidade de 
água, apresentando baixa velocidade relativa.
Corrida de Lama (mud flow): fluxo de solo com alto teor de água, 
apresentando média velocidade relativa e com alto poder destrutivo.
Corrida de Detritos (debris flow): material predominantemente grosseiro, 
constituído por blocos de rocha de vários tamanhos, apresentando um 
maior poder destrutivo.
Estabilidade de Talude
Classificações dos movimentos de massa
Estabilidade de Talude
Movimento de massa:
Um dado talude está submetido basicamente a dois tipos 
de forças:
– Forças instabilizantes (comumente forças gravitacionais 
e/ou de percolação) que induzem o movimento de 
massa ao longo da superfície de ruptura através das 
tensões cisalhantes mobilizadas;
– Forças resistentes que se opõem a ação do movimento 
de massa, em função da resistência ao cisalhamento do 
material;
A instabilidade do talude é deflagrada quando as tensões 
cisalhantes mobilizadas se igualam à resistência ao 
cisalhamento.
Estabilidade de Talude
Movimento de massa:
Estabilidade de Talude
Formas de ruptura de um talude de terra:
Ausência de uma descontinuidade em profundidade:
Materiais Homogêneos: Materiais Não homogêneos:
Presença de uma descontinuidade em profundidade:
Estabilidade de Talude
Ação antrópica: 
– Execução de cortes com geometria incorreta 
(altura/inclinação);
– Execução deficiente de aterros (geometria, 
compactação e fundação);
– Lançamento de lixo, entulho nas encostas ou nos taludes;
– Remoção da cobertura vegetal;
– Lançamento e concentração de águas pluviais e/ou 
servidas;
– Vazamentos na rede de abastecimento, de esgoto, 
presença de fossas;
– Vibrações produzidas por tráfego pesado, explosões etc.
Estabilidade de Talude
Influência da água intersticial
– Aumento do peso específico do solo pela retenção 
parcial das águas de infiltração;
– Desenvolvimento de poropressões no terreno, com 
consequente redução das tensões efetivas;
– Eliminação coesão aparente (sucção) em solos não 
saturados;
– Perda da cimentação existente entre as partículas de 
solo;
– Introdução de uma força de percolação na direção 
do fluxo, que tende a arrastar as partículas do solo.
Estabilidade de Talude
Chuva 
– As chuvas relacionam-se diretamente com a 
dinâmica das águas de superfície e subsuperfície;
– Os índices pluviométricos críticos para a deflagração 
dos escorregamentos variam com o regime de 
infiltração no terreno;
– As chuvas atuam como o principal agente não 
antrópico na deflagração de escorregamentos no 
Brasil;
– Alguns pesquisadores tentaram estabelecer 
correlações entre a pluviosidade e os movimentos de 
massa (Guidicini e Iwasa, 1976).
Estabilidade de Talude
Exemplo de ruptura de talude: 
Salvador (BA) – 2005
Perdas de vidas Humanas e danos materiais.
Estabilidade de Talude
Exemplo de ruptura de talude: 
Estabilidade de Talude
Análise de estabilidade
O objetivo da análise de estabilidade é avaliar a possibilidade de 
ocorrência de escorregamento de massa do solo presente em 
talude natural ou construído.
•Métodos probabilísticos: análise quantitativa expressa sob a 
forma de uma probabilidade ou risco de ruptura;
•Métodos determinísticos: análise quantitativa expressa sob 
a forma de um coeficiente ou fator de segurança (FS).
Estabilidade de Talude
NBR 11682 (ABNT, 2009): Fsadm
Estabilidade de Talude
NBR 11682 (ABNT, 2009): Fsadm
Estabilidade de Talude
NBR 11682 (ABNT, 2009): Fsadm
Estabilidade de Talude
NBR 9061 (ABNT, 1985): Escavações com H≥5,0m:
Estabilidade de Talude
Método de Equilíbrio Limite
A análise da estabilidade de taludes é feita avaliando-se as 
condições de equilíbrio da massa de solo num estado de ruptura 
iminente.
Hipóteses básicas:
• Superfície potencial de ruptura é pré-definida e de geometria 
qualquer;
• Equações de equilíbrioestático válidas até a iminência de 
ruptura;
• Validade do critério de ruptura ao longo de toda a superfície 
de ruptura considerada;
• FS é constante ao longo de toda a superfície de ruptura 
considerada;
A superfície potencial de ruptura, associada ao FSmínimo, é 
determinada por um processo de procura (processo iterativo).
Estabilidade de Talude
Método de Equilíbrio Limite
Método das Fatias:
•O talude é subdividido em fatias, assumindo-se a base 
da fatia como linear. Não podem existir dois materiais na 
base da lamela e o topo da fatia não deve apresentar 
descontinuidades;
•Realiza-se o equilíbrio de forças em cada fatia, 
assumindo-se que as tensões normais na base da fatia 
sejam geradas pelo peso de solo contido na fatia;
•Calcula-se o equilíbrio do conjunto por meio da 
equação de equilíbrio de momentos em relação ao 
centro do círculo, considerando os pesos e as forças 
tangenciais na base das fatias.
Estabilidade de Talude
Método de Equilíbrio Limite
Método das Fatias:
Onde: Wi – Peso da Fatia; 
Vi – 1 e Vi + 1 – Resultantes das tensões cisalhantes nas laterais da fatia;
Hi – 1 e Hi + 1 – Resultantes das tensões normais nas laterais da fatia; 
Ui – Resultante da poro-pressão na base da fatia; 
N’i – Resultante das tensões efetivas normais na base; 
Tm,i – Resistência mobilizada na base da fatia.
Estabilidade de Talude
Método de Fellenius: características
– Fellenius em 1927, apôs a observação de inúmeros 
escorregamentos ocorridos na Suécia, que apresentaram 
superfícies de ruptura de forma cilíndrica ou esférica, 
apresentou o método das Fatias ou Lamelas;
– Análise bidimensional (estado plano de deformação);
– Superfície de escorregamento cilíndrica, tendo por diretriz
um arco de circunferência;
Estabilidade de Talude
Método de Fellenius: características
– O FS é a relação entre o momento devido as forças resistentes (Mr) 
e o momento devido as forças atuantes (Ma) do número total de 
fatias (n) do círculo de ruptura adotado;
– simplificação: admite-se que os efeitos de Hi-1 e Hi+1, Vi-1 e Vi+1 
anulam-se mutuamente, ou seja, não há influência de uma fatia 
sobre a outra;
– Equilíbrio de forças em cada fatia segundo a direção do raio que 
passa pelo meio da base;
Estabilidade de Talude
Método de Fellenius: características
– Equilíbrio de momentos de todas as fatias em relação ao centro da 
superfície de deslizamento;
– FS é a relação entre a resistência ao cisalhamento máxima ao 
longo da superfície e a tensão cisalhante mobilizada média
– O método é conservativo: baixos valores de FS;
– Círculos muito profundos e poropressão elevada: FS pouco 
confiáveis.
Estabilidade de Talude
Método de Fellenius:
Estabilidade de Talude
Método de Fellenius:
Roteiro de cálculo:
1) Arbitrar uma superfície de potencial de ruptura, com centro O e 
raio R.
2) Dividir o talude em fatias verticais (15 a 30 fatias). As seções 
verticais devem passar pelos pontos:
• De mudança de geometria do talude;
• De cruzamento entre a superfície de ruptura e planos 
estratificação;
• De cruzamento entre a superfície de ruptura e a linha de fluxo 
superior.
Estabilidade de Talude
Método de Fellenius:
Roteiro de cálculo:
3) Medir a largura Δxi de cada fatia e os ângulos θi entre a 
horizontal e a corda que une as extremidades de cada 
fatia. θi será positivo quando tiver o mesmo sentido do 
ângulo de inclinação do talude.
4) Calcular o peso Wi de cada fatia (w = ϒ x A = ϒ x Δx x H).
5) Calcular a poropressão média Ui na base de cada fatia.
6) Calcular FS.
7) Arbitrar outras superfícies potenciais de ruptura, com 
diferentes centros O e raios R e repetir os procedimentos.
Estabilidade de Talude
Método de Fellenius:
A determinação do FS é feita por tentativas, pesquisando-
se uma série de círculos, com centros diferentes. Para cada 
centro deve-se 
também calcular os FS para diferentes raios. 
A pesquisa do centro do círculo é feita considerando-se 
uma malha de pontos equidistantes.
Estabilidade de Talude
Método de Fellenius:
Estabilidade de Talude
Método de Bishop: características
– Considera as forças atuantes entre as fatias;
– Equilíbrio de forças em cada fatia segundo as direções 
horizontal e vertical;
– Equilíbrio de momentos de todas as fatias em relação ao 
centro da superfície de ruptura;
– FS é a relação entre o momento devido a resistência ao 
cisalhamento máxima ao longo da superfície e o 
momento devido a tensão cisalhante mobilizada média.
Estabilidade de Talude
Método de Bishop: características
Estabilidade de Talude
Método de Bishop: simplificado Vi-1=Vi+1=0
– Como FS aparece em ambos os lados da igualdade, este 
valor deve ser obtido por processos iterativos. Em geral, 
usa-se o FS obtido por Fellenius como primeira 
aproximação;
Estabilidade de Talude
Método de Bishop: simplificado Vi-1=Vi+1=0
Roteiro de cálculo:
1) Arbitrar uma superfície de potencial de ruptura, com centro O e raio R.
2) Dividir o talude em fatias verticais (15 a 30 fatias). As seções verticais devem passar pelos 
pontos:
• De mudança de geometria do talude;
• De cruzamento entre a superfície de ruptura e planos estratificação;
• De cruzamento entre a superfície de ruptura e a linha de fluxo superior.
3) Medir a largura Δxi de cada fatia e os ângulos θi entre a horizontal e a corda que une as 
extremidades de cada fatia. θi será positivo quando tiver o mesmo sentido do ângulo de 
inclinação do talude.
4) Calcular o peso Wi de cada fatia (w = ϒ x A = ϒ x Δx x H).
5) Calcular a poropressão média Ui na base de cada fatia.
Estabilidade de Talude
Método de Bishop: simplificado Vi-1=Vi+1=0
Roteiro de cálculo:
6) Arbitrar um fator de segurança FS0 (pode ser o FS 
calculado por Fellenius).
7) Calcular FS a partir da equação (Bishop simplificado), 
utilizando na expressão o valor FS0.
8) Comprar FS com FS0. Repetir iterativamente as 
operações até a coincidência do dois FS.
9) Arbitrar outras superfícies potenciais de ruptura, com 
diferentes centros O e raios R e repetir os procedimentos.
Estabilidade de Talude
Exemplo: Determinar o fator de segurança do talude pelo método 
Fellenius:
ϒ = 17,3 KN/m³
Ø = 27º
C = 3KPa
U = 6KPa
Estabilidade de Talude
Resistência ao cisalhamento:
MRi = ci x Δxi + [wi x cosθ – Ui x Δxi] x tg Ø
cosθ cosθ
MR1 = 3 x 1,9 + [(17,3x1,9x2,0) x cos 64º - 6 x 1,9 ] x tg27º = 14,4KNxm
cos 64º cos64º
MR2 = 3 x 1,9 + [(17,3x1,9x4,6) x cos 35º - 6 x 1,9 ] x tg27º = 62,98KNxm
cos 35º cos35º
MR3 = 3 x 2,1 + [(17,3x2,1x4,8) x cos 16º - 6 x 2,1 ] x tg27º = 85,29KNxm
cos 16º cos16º
MR4 = 3 x 2,1 + [(17,3x2,1x3,3) x cos -3º - 6 x 2,1 ] x tg27º = 60,88KNxm
cos -3º cos-3º
MR5 = 3 x 2,1 + [(17,3x2,1x1,2) x cos -21º - 6 x 2,1 ] x tg27º = 20,61KNxm
cos -21º cos-21º
MRtotal = 244,19KNxm
Estabilidade de Talude
Solicitações:
Msi = wi x senθi
Ms1 = (17,3x1,9x2,0) x sen64º = 59,09KNxm
Ms2 = (17,3x1,9x4,6) x sen35º = 86,73KNxm
Ms3 = (17,3x2,1x4,8) x sen16º = 48,07KNxm
Ms4 = (17,3x2,1x3,3) x sen-3º = -6,27KNxm
Ms5 = (17,3x2,1x1,2) x sen-21º = -15,62KNxm
MsTotal = 171,98KNxm
FS = MRtotal = 244,19 = 1,42 
MsTotal 171,98
Estabilidade de Talude
2) Determinar o fator de segurança do talude pelo método Fellenius:
ϒ = 18,6 KN/m³
Ø = 31º
C = 4KPa
U = 3KPa

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