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Mecânica dos Solos II Aula 04 – Estabilidade de taludes Profa Paloma Medeiros Introdução • Chama-se talude a qualquer superfície inclinada em relação a horizontal que delimita uma massa de solo, rocha ou outro material qualquer (minério, escória, lixo etc.). Podem ser naturais (encostas) ou construídos pelo homem (cortes e aterros). Introdução • Nomenclatura dos elementos de um talude • Inclinação do talude H:V Introdução • Sob condições específicas, uma porção do material de um talude pode deslocar-se em relação ao maciço restante, desencadeando um processo genericamente denominado de movimento de massa, ao longo de uma dada superfície chamada superfície de ruptura. Introdução • Queda; Tombamentos; Introdução • Expansões laterais (ou espalhamento); Escoamentos Introdução • Escorregamentos Introdução Forças atuantes em um talude Forças instabilizadoras: • Induzem o movimento de massa ao longo da superfície de ruptura por meio das tensões cisalhantes mobilizadas; • Comumente forças gravitacionais e/ou de percolação Forças resistentes: • Se opõem a ação do movimento de massa, em função da resistência ao cisalhamento do material. Introdução A instabilidade do talude é deflagrada quando as tensões cisalhantes mobilizadas se igualam à resistência ao cisalhamento. Influência da água intersticial • aumento do peso específico do solo pela retenção parcial das águas de infiltração; • desenvolvimento de poropressões no terreno, com consequente redução das tensões efetivas; • eliminação coesão aparente (sucção) em solos não saturados; • perda da cimentação existente entre as partículas de solo; • introdução de uma força de percolação na direção do fluxo, que tende a arrastar as partículas do solo. Ação Antrópica • execução de cortes com geometria incorreta; • execução deficiente de aterros (geometria, compactação e fundação; • lançamento de lixo, entulho nas encostas ou nos taludes; • remoção da cobertura vegetal; • lançamento e concentração de águas pluviais e/ou servidas; • vibrações produzidas por tráfego pesado, explosões etc. Análise de estabilidade de taludes A análise da estabilidade de taludes é amplamente utilizada para garantir que o dimensionamento de obras de terra como escavações, encostas, barragens de terra, aterros e barragens de rejeitos seja tanto seguro quanto econômico. Para analisar a estabilidade dessas estruturas de solo, é comum a utilização da Teoria do Equilíbrio Limite. Fatores de segurança – Métodos de equilíbrio-limite • A função do engenheiro encarregado da análise de estabilidade do talude é determinar o fator de segurança. Fs = fator de segurança com relação à resistência; τf = resistência média ao cisalhamento do solo; τd = tensão média de cisalhamento desenvolvida ao longo da superfície potencial de ruptura. Estabilidade dos taludes finitos • Presumindo que a poropressão seja zero; • Se um solo possui coesão e atrito, a profundidade do plano ao longo de onde o equilíbrio crítico (ruptura iminente) ocorre pode ser determinada pela substituição de Fs = 1 e H = Hcr. Exemplo 1 Para a inclinação infinita indicada na figura (considere que não exista percolação pelo solo), determine: a) O fator de segurança contra o escorregamento ao longo da interface solo-rocha; b) A altura H que fornecerá um fator de segurança (Fs) de 2 contra escorregamentos ao longo da interface solo-rocha. Talude infinito com percolação constante Vamos supor que exista uma percolação pelo solo e que o lençol freático coincida com a superfície do solo. Talude infinito com percolação constante Vamos supor que exista uma percolação pelo solo e que o lençol freático coincida com a superfície do solo. Exemplo 2 Se existir percolação pelo solo conforme indicado e o lençol freático coincidir com a superfície do solo, qual é o fator de segurança, Fs, dados que H = 1,16 m e Ysat = 18,55 kN/m³? Estabilidade de um talude finito considerando uma superfície de ruptura plana • Seja o talude finito de altura H e inclinação β; • Admitindo-se como hipótese que sua ruptura ocorre ao longo de uma superfície plana. Estabilidade de um talude finito considerando uma superfície de ruptura plana Método de Culmann Exemplo 3 Na figura, AC representa uma possível superfície de rutura. Para a cunha ABC, determine o fator de segurança contra deslizamento a partir do método de Culmann. Método de Culmann – Altura Crítica Qual a máxima altura que esse talude pode ter para que se possa garantir sua segurança? • O plano de ruptura crítico para um talude será aquele com uma inclinação em que a coesão desenvolvida será máxima. (c’ = cd) Exemplo 4 Deve ser realizado um corte em um solo, com as seguintes características: γ=19kN/m³ c′=12kN/m² ϕ′=20º • A face do corte formará um ângulo de 50º com a horizontal, conforme ilustrado na figura abaixo. •Determine qual é a altura crítica. Método das fatias • Parte da definição de uma superfície de deslizamento qualquer para toda a massa do talude; • Esta superfície é dividida em um número de fatias verticais. Métodos das fatias W : peso da fatia kW : força horizontal para incorporar efeitos sísmicos N : força normal à base da fatia S : força tangencial à base da fatia (S = τ l ) E1, E2 : componente horizontal das forças entre as fatias T1, T2 : componente vertical das forças entre as fatias D : força aplicada na superfície b : largura da fatia l : comprimento da base da fatia A1, A2 : forças hidrostáticas Método das fatias Os diferentes métodos de fatias propostos na literatura (Fellenius, Bishop Simplificado, 1955; Janbu Simplificado, 1968; Morgenstern & Price, 1965; Sarma 1973, 1979; entre outros) se diferenciam conforme as simplificações adotadas no processo de cálculo, geralmente em relação às forças entre fatias e no modo de se determinar a força normal N na base da fatia. Método das fatias • O talude é subdividido em fatias, assumindo-se a base da fatia como linear. Não podem existir dois materiais na base da lamela e o topo da fatia não deve apresentar descontinuidades; • Realiza-se o equilíbrio de forças em cada fatia, assumindo-se que as tensões normais na base da fatia sejam geradas pelo peso de solo contido na fatia; • Calcula-se o equilíbrio do conjunto por meio da equação de equilíbrio de momentos em relação ao centro do círculo, considerando os pesos e as forças tangenciais na base das fatias. Método de Fellenius O equilíbrio de forças em cada fatia é feito na direção normal e tangencial à superfície de ruptura. Método de Fellenius • Equilíbrio de forças em cada fatia segundo a direção do raio que passa pelo meio da base; • Equilíbrio de momentos de todas as fatias em relação ao centro da superfície de deslizamento; • FS é a relação entre a resistência ao cisalhamento máxima ao longo da superfície e a tensão cisalhante mobilizada média. • o método é conservador: baixos valores de FS. Método de Fellenius • O FS é a relação entre o momento devido às forças resistentes (Mr) e o momento devido às forças atuantes (Ma) do número total de fatias (n) do círculo de ruptura adotado; Método de Fellenius • Simplificação: admite-se que os efeitos de Hi-1e Hi+1, Vi-1e Vi+1 anulam-se mutuamente, ou seja, não há influência de uma fatia sobre a outra Método de Fellenius Método de Fellenius • A determinação do FS é feita por tentativas, pesquisando-se uma série de círculos, com centros diferentes. Para cada centro deve-se também calcular os FS para diferentes raios. • A pesquisa do centro do círculo é feita considerando-se uma malha de pontos equidistantes, que permitem o traçado de curvas com igual FS, que são concêntricas, em torno do valor mínimo. Exemplo 5 Método de Bishop Simplificado • O método de Bishop Simplificado, da mesma forma que o de Fellenius, considera a superfície de ruptura com forma circular; • Tem como hipótese que a resultante das forças entre as fatias é horizontal; Método de Bishop Simplificado• A solução resulta de um processo iterativo, no qual é arbitrado o valor do fator de segurança FSi da Equação e calcula-se o fator FS. O processo repete-se até que o valor calculado (FS) se iguale ao valor arbitrado Si); • O método de Bishop Simplificado fornece resultados mais próximos aos dos métodos mais rigorosos, quando comparado com o método de Fellenius. Exemplo 6