Prévia do material em texto
Literatura Medieval inglesa
(1 a parte)
TEMPO DE PEREGRINAÇÕES E CAVALEIROS
O que você verá neste capítulo
Os normandos — O livro do Juízo Final—Nasce um santo — O Coração de Leão - A Magna ,‘ Carta—
Robin Hood - O parlamento —A Peste Negra—A Revolta dos Camponeses —Joana '• D' Arc —A Guerra das
Rosas —A invenção da imprensa - Símbolo: o cavaleiro — Gcoffrey Chaucer - Canterbury Tales—As baladas
populares - Piers Plowman— O drama medieval
O que estava acontecendo
Quando pensamos na Inglaterra, pensamos em reis,
rainhas, cavaleiros e castelos. Todos esses elementos
popularizados em filmes, desenhos e revistas em quadrinhos
serão discutidos aqui.
A invasão dos normandos em 1066 e a instauração de
seu modo de vida causaram uma profunda transformação nas
esferas sociais, políticas e artísticas da Inglaterra cujos
reflexos ainda estão presentes nos dias de hoje. A fim de
melhor analisarmos o impacto dessas mudanças na literatura
medieval inglesa, este período será dividido em dois capítulos.
Neste primeiro, vamos nos deter um pouco mais no
panorama histórico do período considerado pelos críticos
como a Idade Média inglesa (anos 1066 a 1485). Esse
cuidado é importante porque ajudara a compreensAo do
contexto cultural que fomentou o nascimento do teatro ingles,
corn suas pecas de milagre e de moralidade, das fascinantes
baladas populares que imortalizaram um dos personagens
mais famosos do folclore ingles — Robin Hood — e da
primeira obra de lingua inglesa que descreve como nenhuma
outra a sociedade medieval: The Canterbury Tales (1386-
1387), de Geoffrey Chaucer.
A segunda parte, trata do rei Arthur e de todos os
personagens e elementos que compOem o ciclo arthuriano. A
enfase dada a esta figura se justifica por ser ele o
personagem de maior influencia sobre a literatura inglesa
desde o seu inicio —corn os breteies — ate os dias de hoje.
O fim dos reinos angio-saxonicos
Edward, a confessor, foi a ultimo rei sax5o da Inglaterra. Seu
reinado foi marcado pela construcdo de vhrias igrejas e
monasterios, dentre elas a Abadia de Westminster; dal a sua
alcunha "o confessor". Em 1066, quando ele morreu sem
deixar herdeiros, os nobres da Normandia se sentiram no
direito de reclamar coroa inglesa uma vez que Edward tinha
sangue normando. Urn deles, William, o duque da
Normandia, invadiu a Inglaterra corn suas tropas e, apbs uma
batalha corn o rei saxao Harold na qual este foi morto, William
se tornou o rei do pais, dando inicio a Idade Media inglesa.
Comecava, assim, uma nova pagina na historia da Inglaterra.
Quern eram Os normandos
Os normandos tinhain a mesmo sangue dos povos vikings
que já haviam invadido a Inglaterra no seculo IX. Em 911,
esses guerreiros nordicos invadiram a Europa, e o rei Carlos,
o simples, lhes deu a regiao que ainda hoje leva o nome de
Normandia (Terra dos homens do Norte), hoje pertencente a
Franca. Como era caracteristico do povo viking, eles se
adaptaram rapidamente a cultura e a religiiio do local,
adotando inclusive a lingua da regiao. Na epoca da invasiio
de 1066, sue sociedade era muito mais organizada e
elaborada que a anglo-saxOnica. E por isso que, apesar de
possuirem alguns antepassados em comum, os normandos
diferiam, e muito, dos anglo-saxOnicos. Por exemplo, em vez
de produzir uma literatura marcada por um tom melancolico e
cinza, tipico de habitantes de regiões geladas como e o caso
dos anglo-saxonicos —, a cultura dos normandos e mais viva
e colorida, devido ao clima mais quente de sua regiao. Foram
eles que levaram inglaterra os simbolos que associamos a
Idade Media.
O odio contra os normandos
A serimonia de coroacao de William, o conquistador, jal foi urn
sinal de que o relacionamento entre saxoes e normandos
seria turbulento. Ao ouvirem o povo gritar "Deus Salve o rei",
Os guardas normandos pensaram que William seria atacado
e atearam fogo nas casas ao redor da Abadia de
Westminster. Não é preciso dizer que a coroação terminou
em confusão. Depois de ser coroado rei, foram necessários
mais cinco anos para que o dominio normando se
consolidasse na Inglaterra. Quando as tropas nao
conseguiam controlar algum local, as casas cram destruldas
e os habitantes eram mortos sem piedade.
A primeira providencia administrativa de William I foi retirar as
terras dos lordes saxoes e distribuI-las entre os nobres vindos
da Franca. A cada rebeliao saxonica, mais terras cram
tomadas. As terras de mais de quatro mil saxoes foram'
.redistribuidas entre duzentos nobres normandos. No entanto,
nessa distribuicao, o rei teve o cuidado de guardar para si a
maior pocao de terra, assegurando assim o seu poder e o de
sua familia frente aos outros nobres.
Uma das preocupacoes de William, assim como de seus
sucessores, era garantir que os nobres estivessem
satisfeitos, caso contrario eles nao lutariam por de nas
guerras. Apesar dos esforcos, a insatisfacao gerada pelas
taxas reais e a ganancia por mais terras levaram a Inglaterra
a enfrentar varios periodos de turbulencia de 1066 ate
meados do seculo XIV.
0 feudalismo
Como era pratica na epoca, William organizou seu reino de
acordo corn o sistema feudal. "Feudalismo" vem da palavra
francesa feu, que os normandos usavam para designar a
posse de terra, de dinheiro ou de outro direito em troca de
servicos a um senhor. "Senhor" era todo nobre que concedia
feudos a outro senhor. A idéia central do feudalismo era a de
que toda terra pertencia ao rei, mas era mantida por outros
nobres chamados "vassalos". Na base dessa hierarquia
social havia "homens livres", como cavaleiros e comerciantes,
e, por fim, os "servos", pessoas que trabalhavam nas terras
dos nobres.
O livro do juízo Final
Em 1086, William 1 já havia distribuído tantas terras para
satisfazer os nobres que acabou perdendo a conta. Como
precisava organizar a economia de seu reino, ele decidiu
realizar uma pesquisa inédita na história cia Inglaterra: enviou
vários encarregados pelo país para saber quem era dono de
que terra, quanto valiam, qual era o tamanho delas, o que
produziam, quantas famílias trabalhavam nelas, quem eram
essas famílias e muitas outras perguntas.
O povo ficou tão aterrorizado com a idéia de que sua vida
toda seria examinada em detalhes que eles apelidaram o
documento de William I de Domesda_y Book (O livro do Juízo
Final), em referência à passagem da bíblia na qual se diz
que, no dia do Juízo Final, toda a vida da pessoa será
examinada. O Domesdcty Book ainda existe, e dá detalhes
minuciosos sobre a Inglaterra de fins do século XI.
Quem leva a coroa?
Com a morte de William, o primeiro na linha de sucessão do
trono seria seu filho William II. Mas este veio a falecer logo
após o pai, o que provocou uma disputa pelo trono da
Inglaterra entre seus irmãos Robert e Henry. Ao final da
disputa, Henry I foi coroado rei da Inglaterra. O mesmo
problema de sucessão ocorreria em 1134 entre a filha de
Henry I, Matilda, a primeira rainha da Inglaterra, e o sobrinho
do rei, Stephen de Blois, da França. Depois de sangrentas
batalhas e um acordo, Stephen levou a coroa em 1153, mas
morreu no ano seguinte. O filho de Matilda, Henry II, então se
tornou o novo rei.
Nasce um santo
Henry II foi o primeiro rei incontestável desde William I. No
entanto, ele entrou para a história por outra razão. Henry
queria a Igreja Católica mais sob seu controle, e isso gerou
atritos entre ele e seu ex-amigo, o arcebispo de Canterbury,
Thomas Becket. A tensão atingiu o seu auge quando, após
ouvir o rei reclamando em voz alta alta que gostaria que
alguém o livrasse daquele "padre turbulento", quatro
cavaleiros foram até a Catedral de Canterbury e mataram
Becket no altar em 29 de dezembro de 1170.
o assassinato escandalizou o mundo cristão. A repercussão
foi tamanha que Henry II teve de pedir perdão ao papa e
permitir que o chicoteassem por padres em julho de 1174.
Sua situação só não piorou porque osnobres ficaram do seu
lado. Três anos após seu assassinato, Becket foi canonizado,
e o caminho para a Catedral de Canterbury e o túmulo do
"Santo Thomas Becket" viraram rota de peregrinação para os
cristãos não apenas da Inglaterra, mas de toda a Europa. A
maior Obra da literatura medieval inglesa que será discutida
em breve, The Cantetbary Tales, usa esta peregrinação como
pano de fundo de sua história.
Richard Lionheart
A queda de Henry II começou quando ele se desentendeu
com o rei da França, de quem era vassalo por possuir terras
naquele país. Seguindo seus juramentos fidelidade ao rei da
França, os dois filhos de Henry II, Richard e John, lutaram
contra o pai. Após a derrota deste, Richard I assumiu o trono.
Richard 1, apelidado de Richard Lionheart (Coração de
Leão), é, até hoje, um dos mais conhecidos reis da Inglaterra.
O interessante é que em seus dez anos de reinado ele
passou apenas seis meses em solo Inglês. Simbolizando o
ideal do cavaleiro, Richard 1 se juntou às Cruzadas para
retomar Jerusalém dos muçulmanos. Após ser morto na
França, seu irmão John assumiu a coroa em 1199.
A magna Carta
durante o seu reinado, John conseguiu a proeza de
desagradar a todos os principais segmentos da sociedade
inglesa, ou seja, os nobres, os comerciantes e a Igreja. Esta
insatisfação decorrente da ganância de John por dinheiro e
terras os lordes a organizarem uma marcha contra ele em
1215, a fim de forçá-lo a assinar o documento que ficaria
conhecido como a Magna Carta. A Magna Carta, na qual o rei
reconhecia suas obrigações como senhor feudal, foi um
divisor de águas na Idade Média, porque subvertia a
hierarquia da sociedade da época. Alguns historiadores a
consideram como um sinal do declínio do feudalismo porque
pela primeira vez os nobres trabalharam em cooperação com
outras classes para alcançarem seus objetivos.
Robin Hood
Será que existe alguém que não conhece o personagem
Robin Hood, o príncipe dos ladrões? Serão lenda ou
realidade a vida e os feitos do fora da lei da floresta de
Sherwood que tirava dos ricos para dar aos pobres com a
ajuda de seu arco e flecha? De todas as histórias contadas
entre o povo durante os séculos XIV, XV e XVI, aquelas sobre
Robin Hood foram as mais populares. Nascida do ódio dos
saxões contra a tirania dos nobres normandos e da corrupção
da Igreja, a lenda do primeiro herói popular da Inglaterra foi
difundida e estendida pelas canções de menestréis e
trovadores medievais, e somente no fim do século XV ganhou
sua primeira forma escrita. A balada "A Gest of Robyn Hode",
que veremos em Quem é quem. O que ler, é a obra mais
conhecida sobre Robin Hood, pois reúne as várias narrativas
sobre a lenda.
O que se sabe com certeza sobre o personagem real advém
da descoberta de um documento de 1226 no qual há o
registro de um fora da lei ainda no período do rei John
chamado Robert Bode (na Idade Média, Robert e Robin eram
o mesmo nome). Perseguido pelo xerife de Yorkshire (que
depois também assumiria o condado de Nottingham), este
homem foi preso e deixado pendurado em urna corrente até
morrer. Quarenta anos depois de sua morte, o nome "Robe
Hood" era usado pelo povo como sinônimo de fora da lei, e é
daí que se acredita que a lenda nasceu.
O Parlamento é fundado
Quando o rei John morreu repentinamente em 1216 seu filho
Henry III, de apenas 9 anos, assumiu o trono. Depois que
completou 25 anos e ficou livre para governar por conta
própria, ele acabou despertando a ira dos nobres ingleses
devido a influência que conselheiros estrangeiros tinham
sobre seu reinado. Novamente agindo como uma classe, os
nobres tomaram o poder cm 1258 liderados por Simon de
Montfort. Ele criou um conselho de nobres que recebeu o
nome de Parliament ou Parlement, uma palavra francesa que
significa "reunião • para debate". Como alguns nobres ficaram
do lado cio rei, Henry foi capaz de retomar o poder e matar
Montfort. Porém, ele foi sábio o bastante para manter o
conselho como um ponto de equilíbrio entre o rei e os nobres.
Assim foi criado o Parlamento. No início, havia apenas a
Câmara dos Lordes, formada pelo conselho de nobres de
Simon de Montfort. Percebendo que os homens comuns do
comércio concentravam muita renda, Edward 1, que sucedeu
a Henry III no trono, criou a Câmara dos Comuns. A Câmara
dos Lordes e a Câmara dos Comuns permanecem até hoje
na estrutura do Parlamento inglês.
O Coração Valente
Com a morte de Henry III em 1272 seu filho, Edward I, virou
rei. Esse período foi marcado tanto pelos esforços de Edward
1 de trazer o País de Gales e a Escócia para seu controle,
quanto pela resistência dos homens dessas regiões, que se
tornaram heróis de seus povos.
Desde William I, os normandos dominavam o País de Gales.
Um dos poucos governantes galeses, porém, acreditou que
poderia libertar seu país da Inglaterra; seu nome era Llewelyn
ap (filho de) Gruffydd, príncipe de Gwynedd. Em 1282,
Edward I capturou e matou Llewelyn. Mas não parou por aí.
Para humilhar os galeses, Edward nomeou seu filho ainda
bebê (o futuro Edward II), príncipe de Gales. Desde então, o
primeiro filho do regente da Inglaterra sempre é nomeado
com esse título. Já na Escócia, o desfecho de Edward foi
diferente.
Você se lembra de Coração Valente (1995), estrelado por Mel
Gibson? Neste filme ele mostrou a luta de William Wallace,
um cavaleiro escocês, contra o desejo de Edward 1 de fazer
com que os escoceses o reconhecessem como seu rei.
Apesar de sua feroz resistência, o exercito popular de
Wallace foi destruído em 1297 e ele foi capturado, torturado e
morto e sua cabeça foi colocada em um poste na ponte de
Londres. Apesar de alguns nobres escoceses reconhecerem
Edward I como rei, o povo o rechaçou, motivado pelo
exemplo de Wallace. Assim corno mostrado no filme, o
cavaleiro escocês Robert Bruce usou a revolta d6 povo para
retomar a luta de Wallace e conseguir reunir um novo
exército. Este exército foi capaz de expulsar as tropas
inglesas e Robert Bruce foi proclamado rei da Escócia.
Edward 1 ainda tentou retomar a Escócia com um novo
exército, rnas.morreu em 1307 antes de consegui-lo. Em seu
túmulo, foi escrito: "Edward, o' Martelo dos escoceses" como
referência a sua malograda tentativa de martelar os.
Escoceses no .chão e destruí-los.
O século do apocalipse
No século XIV, o povo inglês poderia pensar que os quatros
cavaleiros do Apocalipse — morte, guerra, fome e pestilência
-- cavalgavam na Inglaterra. É lógico que esses quatro
elementos sempre estiveram presentes na dura realidade da
Idade Média, mas nunca antes do século XIV a conjugação
de seus efeitos fora tão devastadora. Realçava esse
sentimento de fim de mundo a falta de certeza sobre os
rumos da Inglaterra, devido à crise envolvendo o rei e os
nobres. Basta dizer que o século começou e terminou com
um rei sendo assassinado. Esta crise perdurou até o fim da
Idade Média na Inglaterra, em 1485.
Edward 11 inaugurou a lista dos reis assassinados. A
representação dele em Coração Valente corno um herdeiro
fraco e hesitante condiz com a verdade histórica. Em 1314,
ele tentou retomar o controle da Escócia, mas foi duramente
combatido pelo rei Robert Bruce e quase não escapou com
vida. O seu reinado já demonstrava que o feudalismo estava
em franco declínio .com a crescente insatisfação do povo
com a fome, doenças e as altas taxas por ele cobradas. Ele
acabou sendo deposto e cruelmente morto por ambiciosos
nobres. A coroa passou então para seu filho de 11 anos,
Edward III.
Os anos que abrangem os reinados de Edward III e de seu
neto, Richard 11, foram dos mais significativos para a
literatura inglesa, visto que os dois principais artistas do
período, William Langland (1330-1387) e Geoffrey Chaucer
(13431400) viveram nesta época. Pode-se perceber, em suas
obras, as rápidas mudanças políticas, econômicas e sociais
pelas quais a Inglaterra de então estava passando. Mas
certamente nenhumevento testemunhado por estes homens
causou maior impacto sobre a cultura da Idade Média do que
a Peste Negra.
Peste Negra
Nunca na história da humanidade uma doença, guerra ou
catástrofe de qualquer ,natureza matou tanta gente em tão
pouco tempo. Trazida do Oriente por ratos e pulgas que
estavam nos navios de mercadores genoveses e venezianos,
a peste bubônica chegou na Europa pela Sicília. A partir dali,
se espalhou rapidamente por todos os países europeus,
matando uma em cada três pessoas. 25 milhões -Morreram
entre os anos de 1347 e 1351, o que representava um terço
da populaçao européia. O povo acreditava piamente que o
fim do mundo havia chegado. Os sintomas eram claros:
primeiro, apareciam caroços do tamanho de um ovo,
conhecidos como bubos ou bubões, na região do pescoço,
das axilas e da virilha. No segundo estágio, vinham a febre
alta e os delírios. Os mais fortes poderiam sobreviver à dor
lancinante da ruptura dos bubos. Em geral, a morte era o
único alívio para a dor.
Se para nós este cenário já é aterrador, imagine há 650 anos,
quando não se conhecia a causa da Peste Negra, como a
peste bubônica foi chamada então. Os doutores da Sorbonne
de Paris, por exemplo, após exaustivas pesquisas,
concluíram na época que a doença era derivada de um mau,
alinhamento dos astros. Chegou-se a sugerir que o mero
olhar de um doente era fatal. Os judeus também foram vistos
como sendo os responsáveis pela propagação da doença;
resultado: em uma cidade da Suíça todos os judeus foram
amarrados a estacas e queimados vivos em uma fogueira
coletiva. A mesma cena se repetiu por toda a Europa. O povo
de forma geral também considerava a Peste Negra como um
castigo de Deus enviado contra os pecadores; assim, os
contaminados "pecadores" eram abandonados até pela
família.
A peste desembarcou nas Ilhas Britânicas pelo porto de
Weymouth no dia 7 de julho de 1348. Também chegou pelo
porto de Bristol, que na época era a segunda maior cidade da
Inglaterra. Lá a doença matou dez mil pessoas. A Peste não
respeitava idade, sexo, ou classe social; ricos e pobres,
camponeses e reis morreram agonizando do mesmo jeito.
Três arcebispos de Canterbury morreram, assim como 27
monges da Abadia de Westminster. Somente em 1351 a
Peste arrefeceu, como se o cavaleiro da pestilência estivesse
saciado com o número de vidas ceifadas em 5 anos de
cavalgada pela Europa.
O povo contra o rei
É incrível que o povo não tenha se revoltado contra o rei
Edward III durante Os anos da Peste Negra visto que,
enquanto o povo morria, o rei estava metido em guerras na
Escócia e na França. De fato, Edward III e seu filho Edward,
"o príncipe negro", eram muito admirados pelo povo devido
às suas habilidades como cavaleiros. Eles eram grandes
admiradores da lenda celta sobre o guerreiro Arthur e foram
os responsáveis pela sua transformação na imagem que
conhecemos hoje de Arthur como um rei medieval. Com a
morte do príncipe negro, quem assumiu a coroa foi o neto de
Edward III, Richard II.
Richard II foi o segundo rei assassinado do século XIV. Este
foi um desfecho previsível para um regente que era ruim em
todos os sentidos. Por não possuir a habilidade política nem a
popularidade que eram características respectivamente de de
seu avô e de seu pai, Richard II teve de enfrentar a revolta do
povo devido a uma taxa que foi criada durante seu reinado.
Essa "Revolta dos Camponeses", como ficou conhecida, só
durou quatro semanas, mas foi tempo o suficiente para que
os revoltosos tomassem Londres e executassem o arcebispo
de Canterbury em 1381. É aí que entra a outra faceta ruim de
Richard. Como todo bom político, ele acalmou os exaltados
camponeses, prometendo-lhes que ouviria suas
reivindicações. Ele até mesmo anotou as reclamações dos
revoltosos. Quando eles foram para casa, ele enviou as
tropas e prendeu os líderes rebeldes, enforcando-os em
seguida. O principal líder rebelde, Wat Tyler foi apunhalado e
morto pelo prefeito de Londres. Devido a suas atitudes com o
povo e com os nobres que ele gostava de humilhar, Richard
acabou sendo deposto e morrendo misteriosamente em 1399.
A deposição de Richard II trouxe uma nova disputa entre dois
grupos da família real. O primeiro, ligado ao sobrinho do rei,
era os "Yorkistas". O segundo, relacionado ao primo de
Richard, Henry Lancaster, era os "Lancastristas". Por ser
mais poderoso, Henry ganhou o trono e se tornou Henry IV.
Ele passou a maior parte do seu reinado tentando
estabelecer sua autoridade e morreu em 1413. Seu filho,
Henry V, herdou um reino em paz, se tornando, ao lado de
Richard I, um dos mais populares reis da Inglaterra, como
atesta a peça Henry V, de William Shakespeare.
Joana D’arc
Uma dasfrazões da enorme popularidade de Henry V era sua
habilidade militar, habilidade esta que o levou a derrotar os
franceses em várias batalhas e conseguir o trono da França.
Henry V, no entanto, não viveu para ser coroado pois morreu
em 1422, passando os tronos inglês e francês para seu filho
Henry VI.
O domínio da Inglaterra sobre a França não durou muito.
Motivados pela misteriosa figura de uma camponesa
chamada Joana D'Arc, que alegava ser guiada por vozes
divinas, os franceses começaram a derrotar as tropas
invasoras. Joana contudo foi traída por seus compatriotas e
entregue aos ingleses. Estes, por sua vez, a entregaram à
Igreja Católica, que a queimou como bruxa em 1431. Mas a
sua luta não foi em vão. Em 1453, com a expulsão das tropas
inglesas da França, a Guerra dos Cem Anos chegava ao fim
junto com o sonho inglês de dominar aquele país.
A Guerra das Rosas
Ao contrário de seu pai, que amava batalhas, a paixão de
Henry VI eram os livros. Este fato acabou despertando, mais
uma vez, a cobiça dos nobres, e em particular a do duque de
York, que pertencia a um dos ramos da família de Henry VI.
Essa disputa entre nobres foi chamada anos depois pelo
escritor escocês Walter Scott de "Guerra das Rosas", porque
o símbolo da casa de York era uma rosa branca enquanto a
de Lancaster, a casa do rei Henry VI, era uma rosa vermelha.
Em uma das várias lutas que se seguiram para saber quem
iria tomar a coroa, o duque acabou morrendo. Seu filho,
então, deu continuidade à sua luta e venceu as batalhas
seguintes, sagrando-se rei Edward IV.
A primeira providência de Edward foi colocar o deposto Henry
VI na prisão da torre de Londres. Depois de sair e voltar a
essa prisão inúmeras vezes, Edward acabou sendo morto,
assegurando o poder de Edward IV. A paz não durou muito,
pois, com a morte de Edward IV em 1483, a coroa inglesa foi
tomada por seu irmão Richard III depois que este colocou na
prisão o legítimo sucessor, EdWard V, e seu irmão mais novo.
Pouco tempo depois, os dois jovens príncipes morreram na
prisão, e apesar da falta de provas, o assassinato foi
creditado a Richard III. Em sua peça Richard III, Shakespeare
abertamente culpa Richard pelas mortes.
Richard III teve pouco tempo para desfrutar a coroa. Em
1485, Henry Tudor, duque de Richmond, conseguiu a adesão
de nobres das duas casas para derrubar Richard III. O rei de
fato era tão impopular que metade de seu exército mudou de
lado na hora da batalha. Richard foi morto e Henry VII foi
coroado em pleno campo de batalha. Acabou, assim, em
1485, a Guerra das Rosas e a Idade Média Inglesa. Começa
então a era dourada da literatura inglesa.
A inveneÃo da imprensa
Em 1476 a Idade Média testemunhou urna revolução que só
encontraria equivalência na era moderna com a invenção da
televisão: a imprensa. Criada na Alemanha, a técnica de
reproduzir textos revolucionou a literatura medieval, que até
então contava com as mãos de copistas para sua
reprodução. O processo de propagação de grandes obras se
tornou mais rápido e barato, e os livros, mais belos. Outra
conseqüência dessa novidade foi o aumento do número de
pessoas alfabetizadas e o estabelecimento de um padrão
gramatical. Na Inglaterra,, WilliamCaxton foi o pioneiro da
imprensa, reproduzindo sucessos da época como The
Canterbury Tales (1386-1387), de Geoffrey Chaucer e Morte
D' Arthur (1485), de Thomas Malory.
Qual é o símbolo?
O Cavaleiro
Junto com o rei, o cavaleiro é, com certeza, a figura mais
representativa quando pensamos na Idade Média. Ele é um
símbolo universal que representa um tipo superior de
humanidade. Sua imagem evoca uma era de destemor e
honra e a idealização de alguém que sublima seus desejos
em prol de seus princípios.
O patrono dos cavaleiros é o arcanjo Miguel, que em batalha
derrotou e expulsou Lúcifer e sua horda de demônios do céu.
Dentro do simbolismo de seu código de cores o cavaleiro
verde é o imaturo; o vermelho é o experiente em batalhas e
que atingiu sua maturidade espiritual; já o cavaleiro branco é
o herói vitorioso e puro, enquanto o negro pode ser uma
representação do mal ou de alguém que se isolou do inundo
para expiar seus pecados.
É interessante saber que a conhecida imagem do cavaleiro
vestindo sua armadura brilhante pertence de fato ao final
desse período histórico. Durante a invasão dos normandos
em 1066, no princípio da Idade Média na Inglaterra, os
cavaleiros de William, o conquistador, usavam apenas uma
cota de malha de ferro. No século XIII, a cota cobria todo o
corpo e a cabeça do cavaleiro era protegida por um elmo. As
armas eram a lança e uma espada. No século XIV, o elmo
ganhou um visor mais amplo, e além da malha, aparecem as
primeiras proteções metálicas para braços, pernas e pés.
Finalmente, no século XV, a famosa armadura completa
aparece, dispensando o uso de escudos.
Os ideais do cavaleiro eram a habilidade com as armas, a
força física, a coragem, a honra e a lealdade aos seus
senhores. No século XII, esses elementos se mesclaram com
princípios cristãos para formar um código cavalheiresco.
Começando como escudeiro, um jovem passava por um
árduo aprendizado até se elevar a condição de cavaleiro. A
ele não era apenas ensinada a arte do combate, mas também
suas regras, assim como a ética cavalheiresca, pois o
verdadeiro cavaleiro era um trovador que sabia cantar as
dores e os prazeres platônicos do amor cortês. Quando não
estavam em batalhas, os cavaleiros treinavam suas
habilidades em torneios. No começo não havia regras ou
sistemas de segurança nesses eventos, e os homens
acabavam literalmente matando uns aos outros. Os reis
perceberam então que estavam perdendo seus melhores
homens nessas ocasiões e decidiram criar regras, licenças,
locais e datas para os torneios. Esses eventos também
davam ao cavaleiro a oportunidade de demonstrar seu
comportamento cortês e eram um mercado aberto no qual os
cavaleiros desempregados poderiam mostrar seus talentos e,
quem sabe, serem contratados por algum senhor para
defender suas terras.
Na literatura medieval, o cavaleiro é figura de destaque. Ele é
o herói, o exemplo, sempre relacionado a ações extremas,
como em Sir Gawain and the Green Knight. No próximo
capítulo, veremos como as lendas do rei Arthur e os contos
de cavalaria influenciaram a criação do código de conduta
para os cavaleiros, mencionado anteriormente. A obra Don
Quixote' de Ia Mancha (1605-1615), do escritor espanhol
Miguel de Cervantes, satiriza 'este mundo mostrando como
Dom Quixote, um pobre cavaleiro da província de La Mancha,
na Espanha Central, tem sua sanidade abalada devido a sua
devoção aos contos de cavalaria. Montado em seu velho e
magro cavalo Rocinanté. acompanhado de seu fiel amigo
Sancho Panza, Dom Quixote acredita viver grandes
aventuras sem percebei' que esta época havia ficado para
trás.
A obra á,,,
The Canterbury Tales (1386-1387), de Geoffrey Chaucer
A primeira vista pode causar estranheza que a obra analisada
aqui pertença ao final do século XIV, como se nada tivesse
sido escrito na literatura inglesa de meados do século XI,
época da invasão normanda, até a era de Chaucer. De fato,
ao levarem seu estilo de vida da França para a Inglaterra, os
normandos também trouxeram sua língua. A língua inglesa
nativa continuou a ser falada pelo povo, mas foi sendo
gradativamente influenciado pela língua oficial da aristocracia
Normanda, o francês.
A literatura inglesa, no sentido estrito da palavra, continuou
em outras palavras: o termo amou,. courtois (amor cortês) foi cunhado por Gastou Paris em 1883 par;
descrever a idealização do autor em unta sociedade medieval marcada por casamentos arranjados devido a
barganhas comerciais e interesses familiares e políticos. Foi um fenômeno estritamente literário aristocrático que
se caracterizava pela idealização da mulher e da corte de um amante a sua amada na qual o autor romântico só
poderia existir fora do casamento.
apenas por transmissão oral, uma vez que estava afastada
dos meios escritos controlados pelos governantes. Somente
no começo do século XIII é que ela reaparece na forma de
poemas líricos e baladas que apresentavam uma enorme
diversidade não apenas de linguagem, mas também de
estilos e temas. Contribuiu para esse reaparecimento o
gradual desenvolvimento de um sentimento patriótico inglês.
Mesmo escrita em latim, a obra de Geoffrey de IVIonmouth,
The History of the Kings of Britain (1136) ajudou a fomentar o
orgulho de viver em um local que já havia sido governado
pelo lendário rei Arthur. Posteriormente, na época da Magna
Carta, os escribas passaram a rejeitar abertamente o latim
em favor cio inglês. E em 1339, no começo das campanhas
da Guerra dos Cem Anos, o rei Edward III proibiu o uso da
língua francesa pelas suas tropas a fim de estabelecer uma
identidade inglesa.
Foi durante o século XIV que a literatura medieval inglesa
floresceu, com poetas como William Langland e com os
romances de cavalaria, dentre os quais, como • veremos, Sir
Gawain and the Green Koight (1375-1400) é um dos mais
conhecidos. Mas se há unia obra que, define a literatura
inglesa de então, esta é The Canterbury Tales, de Geoffrey
Chaucer.
Geoffrey Chaucer
Chaucer (1343-1400) foi o produto de uma até então
inexistente classe média cuja influência sobre os rumos da
Inglaterra medieval abalariam a tradicional estrutura social
estabelecida entre a aristocracia, o clero e o povo. Filho de
um próspero comerciante de vinho de Londres, ele teve a
oportunidade de desfrutar da melhor educação de seu tempo.
Devido também às oportunidades inerentes à atividade de
seu pai, Chaucer entrou em contato com a cultura dos
principais centros europeus de seu tempo, algo que marcaria
profundamente sua obra. Aos 16 anos, tornou-se pajem do
filho de Edward III, ou seja, sua função incluía carregar
mensagens, aprender a cavalgar, a usar uma espada e a
competir em um torneio, além de ajudar seu senhor a se
vestir. Chaucer atuou como soldado na Guerra dos Cem Anos
e como diplomata na Itália e na França.
Sua segunda missão na Itália, em 1378, o levou à Florença.
Esta viagem foi um divisar de águas em sua vida, pois o
colocou em contato direto com a renascença italiana através
da obra de Dante, Petrarca e Boccaccio, os dois últimos
ainda vivos na ocasião dá viagem de Chaucer. Muito se
especula sobre a possibilidade de Chaucer ter encontrado
pessoalmente estes artistas, mas o fato é que a influência
deles sobre o escritor inglês foi decisiva. Eles o apresentaram
a novas estratégias de representação, a novos temas e
formas poéticas. Em "The House of Fame" (1385), um poema
na forma de um sonho, por exemplo, percebe-se a presença
de elementos derivados de A Divina Comédia (1314), de
Dante. O poema de Boccaccio "II Filostrato", por sua vez,
forneceu o tema para a grande obra de Chaucer depois de
Os Contos de Canterbury: "Troilus and Criseyde" (1385); o
seu poema maior, que trata da natureza do amor.
Em 1386, Chaucer se tornou um cavaleiro, e apesar de
sempre ter estado ligado à aristocracia inglesa, seu talento o
permitid paSsar incólume pelas tensões políticas de fimdo
século XIV (ver Capítük en-1 Q povo contra o rei). Ele se
mudou para Kent, onde passou o resto•de.sda vida
escrevendo pequenos poemas líricos e trabalhos em prosa.
Acredita-se que sua obra máxima, The Canterbury Tales,
tenha sido iniciada nesta época. Chaucer morreu em 1400, e
foi enterrado na abadia de Westminster, no local que ficaria
famoso por se tornar a última residência dos maiores artistas
da Inglaterra desde essa época: The Poet's Comer.
A trama
Em um dia de primavera, 29 pessoas se encontram na
hospedaria Tabard, em Southwark, Inglaterra. Elas são
peregrinas e estão a caminho da catedral de Canterbury para
a tradicional reverência ao mártir da Igreja Católica naquele
pais, Thomas Becket, morto por defender a Igreja contra os
abusos do rei Henry II (ver Capítulo 4, em Nasce um santo).
O dono do local então propõe que, para a peregrinação
parecer mais curta e mais alegre, cada peregrino conte duas
histórias no caminho para Canterbury e duas mais no
caminho de volta. Aquele que contar a melhor história terá
direito, como prêmio, a uma refeição paga pelas outras
pessoas no final da peregrinação, na própria hospedaria, é
claro. O anfitrião se oferece para acompanhá-los e servir de
juiz da competição, impondo a condição de que qualquer um
que se rebelasse contra as suas ordens teria de pagar as
despesas da viagem de todos os participantes.
O grupo de trinta pessoas que parte da hospedaria, formado
por diferentes membros da sociedade medieval e
parcialmente dividido em subgrupos, é apresentado na
seguinte ordem por Chaucer no prólogo da obra:
❖ um cavaleiro (knight), seu filho escudeiro (sofre) e a
ordenança (yeoman) deles;
❖ uma madre superiora (prioress) acompanhada por
uma freira (nun), um padre .(prieSt), um monge
(monk) e um frei (Trim.); .
❖ um mercador (merchant);
❖ um jovem clérigo estudante em Oxford (clerk);
❖ um advogado (sergeant of the law) acompanhado de
um pequeno proprietário de terra (f•anklin);
❖ um grupo de cinco pequenos comerciantes
formados por: um tecelão (wea ver), um tintureiro
(dyer), um carpinteiro (catpenter), um tapeceiro
(tapestrymaker) e um comerciante de miudezas
(haberdasher), além do cozinheiro (cook) deles;
❖ um capitão de navio (skipper);
❖ um médico (physician);
❖ uma mulher da cidade de Bath (wife of Bath);
❖ um vigário (parson) e seu irmão lavrador (plowman);
❖ completando o grupo, temos um capataz (recite), um
moleiro (miller), um oficial de justiça (summoner), um
absolvidor (pardoner), ou seja, um representante da
Igreja na Idade Média autorizado pelo papa a vender
perdões para os pecados, um dispenseiro (manciple),
cujo trabalho era organizar dispensas, o dono da
hospedaria, e o próprio Chaucer;
❖ na estrada, o número de peregrinos aumenta com a
chegada de uni ordenança (yeoman) que foi
abandonado na estrada por seu cônego (canon),
completando assim trinta pessoas a caminho de
Canterbury (se contarmos com o anfitrião dos
peregrinos, que não contará nenhuma história, o
número sobe para 31).
A estrutura
A obra The Canterbury Tales consiste em dezessete mil
versos predominantemente em rhyming couplets ("rimas
emparelhadas" ou "dísticos")'. Ela tem um Prólogo Geral
(General Prologue) no qual vemos o número de histórias a
serem contadas, a maneira como elas serão apresentadas e
as pessoas que irão narrá-las.
Este prólogo descreve o encontro de 29 peregrinos na
hospedaria Tabard, em Southwark, Inglaterra, A peregrinação
ao túmulo do mártir da Igreja Thomas Becket é a estratégia
narrativa utilizada por Chaucer para reunir vários
representantes da sociedade medieval em um mesmo plano,
visto que apenas em peregrinações essas pessoas de níveis
e classes sociais tão distintas se interrelacionavam durante a
Idade Média.
É aceito de forma geral que Chaucer pretendia se ater ao seu
projeto original e escrever quatro histórias para cada um dos
trinta peregrinos, duas no caminho de ida para Canterbury e
mais duas no de volta a hospedaria, somando um total de
120 estórias. Porém, ele abandonou seu plano original e
escreveu 22 histórias, além de duas que aparecem em
fragmentos. A mudança de idéia é comprovada pelo fato de o
anfitrião dizer ao vigário (parson) que "todos", com exceção
do religioso, "contaram sua estória". Na verdade, os
peregrinos nem sequer chegam a Canterbury.
As narrativas são ligadas umas às outras por meio de
prólogos e epílogos. As histórias oferecem uma coletânea
dos estilos literários mais populares na Idade Média, tais
como a fábula, o conto exemplar, a sátira, o romance de
cavalaria e muitos outros. A estratégia de reunir várias
pessoas com um objetivo em comum era corrente na
literatura medieval. Em Decamerão (1348-1353), de
Boccaccio, por exemplo, dez jovens aristocratas reúnem-se
em uma casa de campo fugindo de uma epidemia de Peste
Negra em Florença. Para passar o tempo, eles decidem que
cada um contará uma história pelos próximos dez dias.
Análise
Não se deixe desanimar pelo tamanho e pela linguagem de
The Canterbury Tales. Poucas obras na literatura universal
são tão cativantes ou se mantêm tão atuais depois de tantos
Em outras palavras: "rimas emparelhadas" ou "dísticos" são rimas de dois versos seguidos. Veja um exemplo nos versos iniciais dc The Canterbury Tales. Observe como as últimas
palavras de cada verso rimam: As soou as April pierces the root / The drought of Marc& and barbes each bud and shoot / Through every veio of sap ►vith senue
showers / Frios whose engendering liquor spriug the flowers.
séculos quanto essa. Essa constatação é derivada da matéria
prima que Chaucer usou para estruturar sua narrativa: um
elemento que a despeito da passagem do tempo e da
evolução da sociedade ainda continua essencialmente o
mesmo — o ser humano. Pensando assim, pode-se
considerar Geoffrey Chaucer o primeiro escritor realista da
literatura inglesa pela extraordinária descrição dos tipos
humanos presentes em Time Canterbury Tales. Como
principais' pontos dessa obra, podemos destacar:
❖ a origem dos contos: ao contrário do que pode ser
pensado, a maior parte dàs narrativas que compõem
The Cwzterbury Tales não são criações cie Chaucer.
Elas são versões de histórias populares que
circulavam pela Europa. Medieval. "The Knighr s
Tale", por exemplo, é baseado no romance II Tes.eida
(A história de Te.s.eu), de Boccaccio. Acredita-se que
"The Canon's Yeoman Tale" seja uma, senão a Única,
das poucas histórias criadas pelo próprio Chaucer;
❖ a inovação: Chaucer foi um inovador da estrutura
literária utilizada por Boccacio em O Decamerão,
pois, se nessa coletânea de histórias são mostradas
dez pessoas, cinco rapazes e cinco damas, da
mesma faixa etária, classe social, educação e estilo
urbano, em The Canterbury Tales o que se vê é uma
representação de toda a sociedade medieval com
suas diferentes classes sociais, políticas, econômicas
e religiosas;
❖ a sociedade medieval: os peregrinos podem ser
divididos nas seguintes
categorias: O médico, o jovem clérigo estudante de
Oxford, o advogado o poeta Chaucer representam a
classe erudita. O cavaleiro, seu filho escudeiro e a
ordenança deles são a classe guerreira. O moleiro, o
lavrador, capataz e o pequeno proprietário de terra
representam a terra. O mercador, o tecelão, o
tintureiro, o carpinteiro, o tapeceiro, o comerciante de
miudezas, o cozinheiro, o capitão do navio, a mulher
da cidade de Bath, o dispenseiro e o dono da
hospedaria são representantes do comércio, a classe
econômica. Por fim, a madre superiora, a freira, o
padre, o monge, o frei, o humilde vigário, o oficial de
justiça (na época, ligado a corte eclesiástica) o
absolvidor e o -cônego fugitivo são membros da
classe religiosa;
❖ a ordem dos contos: seguindo a estrutura social de
seu tempo, Chaucercomeça sua coletânea pelo topo
da hierarquia social medieval: o cavaleiro é
convidado pelo dono da hospedariaa abrir a
competição com sua história. Da mesma forma, a
narrativa termina com o membro mais inferior desta
mesma cadeia: o vigário, irmão do lavrador. No
entanto esta ordem nem sempre é seguida. Para
manter o interesse do público depois do refinado
conto do cavaleiro, Chaucer diz que o embriagado
moleiro interrompe o convite feito ao monge pelo juiz
da competição e começa a contar a sua história;
❖ a diversidade dos contos: é interessante observar
como a grande variedade de contos de The
Canterbury Tales é resultado da diversidade de seus
contadores. Dessa forma, vemos um contraste de
vozes, tons, gêneros, estilos e valores. Assim, "The
Knight's. Tale" é um refinado romance de cavalaria
sobre a rivalidade entre dois cavaleiros que amam a
mesma dama. "The Parson's Tale", por sua vez, é um
sermão do vigário sobre os sete pecados capitais,
como eles destroem nossa chance de salvação e
como podemos evitá-los;
❖ a comédia: os contos não são isolados uns dos
outros. Eles são interligados por Chaucer de maneira
a dar um tom cômico ao texto. Como juiz da
competição, o dono da hospedaria também comenta
os contos. É ele que
gera um dos momentos cômicos quando manda o
próprio Chaucer calara boca porque o conto do poeta
é tedioso;
❖ a crítica: o elemento cômico também é o veículo da
forte crítica de Chaucer, principalmente contra a
corrupção e os vícios dos membros da Igreja Católica
medieval, crítica esta audaciosa para a época. Assim,
a freira é apresentada como uma tola, o monge,
como um vaidoso e o frei, corno um corrupto que
aceita dinheiro em troca de perdão. O único retratado
como um homem verdadeiramente religioso é o
humilde vigário;
❖ a mulher de Bath: a personagem mais famosa de
The Canterbury Tales com certeza é a mulher de
Bath (em uma tradução literal, "A Esposa de Bath").
Tagarela, irônica e extremamente mundana, ela atrai
o leitor por sua vivacidade. Contrariando todas as
convenções da Idade Média, ela declara abertamente
que a cortesia e as boas maneiras não são
exclusividade ou virtudes apenas dos nobres e que
essas características podem ser alcançadas pelo
homem comum. Afirma também que a mulher pode
se igualar em rapidez de pensamento e inteligência a
um homem, e que o amor e o casamento, ao
contrário do que prega o amor cortês, não são
incompatíveis;
❖ o legado: o principal legado literário de The
Canterbury Tales é a comprovação de que a língua
inglesa é capaz de alcançar versatilidade poética,
algo antes restrito principalmente ao francês e ao
italiano. O uso dos dísticos não foi invenção de
Chaucer, mas sua utilização nessa obra foi um
presente para a poesia inglesa.
Trecho da obra
Para exemplificar as mudanças na língua inglesa a partir de
Chaucer, escolhemos um trecho do início de "Prologue to the
Wife of Bath's Tale". Lado a lado temos a versão original no
inglês de fins do século XV e seu equivalente na versão
moderna. No começo de sua apresentação, a mulher fala
sobre sua imensa experiência no casamento (ela já casou
cinco vezes).
Experiente, though 'mon auctoritee
Were in this warld, is right enough for me To speke of woe
that is in marriage.
For lordings, sith I twelve yeer was af age, Thanked be God
that is eterno on live, Husbands at chirche door 1 have had
flue (I 1 so afie might luta wedded be).
And all were worthy men in hir degree.
But me was told, certain, not long agon is, That sitio that
Christ ne went never but ones To wedding ia the Cane of
Galilee,
That by the same ensample taught he me That I ne sholde
wedded be but ones.
Experience, though all authority
Was lacking in the world, confers on me
The right to speak of marriage, and unfold its woes, For, lords,
since I was twelve
years old — Thanks to eternal God ia heaven alive — 1 have
married at church door no less than tive Husbands, provided
that I can have been
So ofien wed, and ali were zi.,orthy men. But I was told,
indeed, and not long since, That Christ went to a wedding only
once At cana, in the land of Galilee.
By dois example he instructed me
To wed once only — that's what 1 have heard!
Quem é quem? O que ler?
Ao lado de grandes obras como The Canterbury Tales, a
literatura inglesa medieval também é caracterizada por duas
vertentes: uma vertente popular (secular), representada pelas
Baladas, as líricas e os romances de cavalaria (que falaremos
no próximo capítulo); e uma vertente religiosa, exemplificada
no poema alegórico Piers Plowman, nas líricas e no drama
medieval representado nas peças de Mistério, de Milagres e
de Moralidade.
As baladas
Ainda que não sejam exclusividade da Idade Média, as
baladas alcançaram grande popularidade durante esse
período e no reinado da rainha Elizabeth, no Século XVI. Por
terem sua origem no meio popular, sua transmissão através
das gerações foi primordialmente oral, sendo posteriormente
registrada em forma escrita. As baladas escritas eram
vendidas nas ruas e nas feiras da Inglaterra do séCUlo XVI.
O século XVIII também viu um renovado interesse por essa
que é .uma das mais antigas formas de arte. A balada foi feita
para ser cantada ou recitada. Dentre suas outras
características estão:
❖ autoria desconhecida;
❖ compressão e concentração (centralização em um
único evento em um estilo simples, sem a presença
de figuras de linguagem como metáforas e
metonímias. O poeta-cantor dá apenas os pontos
principais da situação, deixando o público adivinhar
os detalhes);
❖ impessoalidade e objetividade na apresentação (a
situação fala por si só. Ela se desenvolve com pouco
comentário do poeta);
❖ as possíveis intenções moralizantes ou pregadoras
não são passadas de forma direta;
❖ sugestão e criação de uma atmosfera (as histórias
são raramente contadas de forma direta; a atmosfera
é muito importante, e o artista está mais preocupado
em criar um efeito emocional do que meramente
contar uma história);
❖ estrutura dramática e episódica (a narrativa é
geralmente desenvolvida por meio do dialogo, e a
história é apresentada em uma serie de rápidos
flashes);
❖ simplicidade de dicção;
❖ o uso de vários tipos de repetição (especialmente o
uso de um refrão, ou de um refrão incrementado, isto
é, a repetição dos versos com o acréscimo ou
incremento de forma que cada verso avance um
pouco com a narrativa);
❖ o uso de frases padrões, ou expressões
estereotipadas;
❖ a presença de elementos populares (narrativas
folclóricas, lendas e crenças);
❖ utilização de estrofes;
Foi por meio das baladas que a lenda de Robin Hood
perpetuou-se na literatura. inglesa. "A Gest of Robyrt Hood", a
principal fonte de propagação da lenda, é produto da reunião
de várias baladas que cantam os feitos do fora-da-lei. Nesse
poema de 456 estrofes é apresentado o bando do herói, sua
proteção aos pobres, sua luta contra os opressores
normandos e sua morte.
Basicamente, os temas das baladas mais famosas se dividem
em:
❖ incidentes históricos registrados: como "The
Bonny Earl of Murray", "Sir Patrick Spens" e o próprio
Robin Hood;
❖ narrativas folclóricas: geralmente tratam de um
evento trágico e, por vezes, da presença do
sobrenatural, como por exemplo "Lord Randall", "The
Wife of Usher's Well", "Bonny Barbara Allan", "The
Unquiet Grave" e "The Three Ravens"
Piers Plowman (1367-1386) , de William Langland
Depois de The Canterbury Tales, The Vision of Piers
Plowman, ou simplesmente Piers Plowman, é a maior obra da
literatura inglesa medieval. Certamente é a melhor alegoria'
em verso aliterado2 de toda a Idade Média.
A obra
Este poema é uma sátira alegórica que exalta o trabalho
árduo e as virtudes do homem ao mesmo tempo em que
critica os seus vícios e os rumos da Igreja Católica. Existem
três versões distintas do mesmo texto que os estudiosos
chamam de textos A, B e C e cujas diferenças são resultados
de acréscimos e revisões.Apesar das diferenças entre os textos, todas elas seguem a
tradicional estratégia poética da Idade Média de apresentar o
poema como o produto de um sonho. Nesse sonho, somos
apresentados à visão que o narrador, chamado Will, tem
sobre Piers Plowman e sua busca pela salvação. Como é um
sonho, as imagens adquirem um duplo sentido, daí a
presença da alegoria.
O autor
Muito pouco se sabe sobre a vida de William Langland (1330-
1387). Ao que tudo indica, ele nasceu no oeste da Inglaterra
e foi um jovem educado para entrar na igreja; circunstâncias
pessoais acabaram por afastá-lo da instituição, mas não da -.
vida de pregador. Muitas das informações sobre Langland
foram inferidas por elementos presentes em Piers Plowinan.
As líricas medievais
Como foi dito anteriormente, as líricas medievais podiam ser
de origem religiosa ou secular. Assim como as baladas, elas
eram:
❖ feitas para serem cantadas;
❖ de autoria desconhecida;
❖ simples no tratamento de seu tema.
Em geral, os temas das líricas religiosas variavam sobre o
poder da fé, o amor de Cristo pela humanidade, entre outros.
As líricas seculares, por sua vez, tratavam de temas ligados à
realidade do povo, como relacionamentos amorosos, a
corrupção do clero e a primavera.
Exemplos de líricas medievais são "Alison", "The Cuckoo
Song" e "The Corpus Christi Carol".
O drama medieval
O drama na Idade Média se desenvolveu a partir das práticas
litúrgicas da Igreja Católica. No começo, algumas partes da
missa eram representadas por padres a fim de servirem como
E
m
outras palavras: "alegoria" é uma história em verso ou prosa que pode ser interpretada em dois níveis. É, portanto, muito similar à fábula e à parábola.
Em Piers Plowman, por exemplo, existe a personagem "Lady Igreja Sagrada", que explica ao poeta os princípios cristãos, e outra, chamada "Lady
Pagamento", que é unta crítica ao suborno aceito por membros corruptos do clero.
Em outras palavras: "verso aliterado" foi o tipo de verso !sais usado na literatura anglo-saxônica (Deowulfi
e na medieval inglesa (Piers Plowman), e se caracteriza pela repetição de consoantes ou silabas tônicas.
um instrumento de conversão e instrução. Representadas a
princípio em latim por padres dentro do ambiente das igrejas,
pouco a pouco essas encenações ganharam as vilas e as
feiras livres medievais, iniciando um processo de
secularização. ou seja, de controle das pessoas comuns e
sem vínculos religiosos diretos. O drama na Idade Média
pode ser dividido em:
❖ peças de Mistério: derivado do latim mi[ní]steríum
(comércio), as peças de Mistério foram a primeira
forma de expressão dramática da Idade Média e
estavam relacionadas aos grandes festivais da Igreja
Católica como Natal, Páscoa, Pentecostes e Corpus
Christi. As peças tratavam de diversos episódios da
Bíblia, da criação do mundo ao dia do Juízo Final.
Com a secularização, os comerciantes passaram a
patrocinar e a atuar nas peças de acordo com a sua
profissão; assim temos por exemplo, “A última ceia”
representada pelos padeiros; “A descida ao inferno”,
pelos cozinheiros, e por aí vai. A maior parte dessas
peças em de autoria desconhecida;
❖ peças de Milagre: essa vertente dramática foi uma
consequencia do desenvolvimento das peças de
Mistério. O termo peças de Milagre às vezes é usado
para designar todos os tipos de peça de teatro
representadas durante a Idade Média sem distinção.
Seus temas tratavam da vida, dos. feitos e dos
milagres dos seguidores de Cristo e das lendárias
intervenções divinas da Virgem Maria;
❖ peças de Moralidade: suas origens podem ser
encontradas nas peças de Mistério e de Milagres.
Mas enquanto as peças de Mistério pretendiam
passar ensinamentos às pessoas por meio de
passagens da Biblia, as peças de Moralidade
utilizavam a alegoria como sua estratégia de
comunicação. Seu principal tema era a luta entre bem
e mal, e mostravam a exteriorização da luta interna
do homem pela salvação de sua alma. Simplicidade
de linguagem e “de tratamento do tema são
características básicas das peças de Moralidade, cujo
exemplo mais famoso é Everyman (1485). Nesta
peça, o personagem Everyman (Todo mundo) é
chamado a comparecer diante de Death (Morte). Ele
chama alguns de seus companheiros para irem com
ele, tais como Fellowship (Amizade), Good Deeds
(Bons Feitos), Goods (Bens), Knowledege
(Conhecimento), Beauty (Beleza) e Strength (Força),
mas apenas Good Deeds o acompanha. Everyman
também é considerada por alguns críticos um marco
final do drama medieval, cedendo espaço para a
influência clássica que seria desenvolvida no século
XVI por Christopher - Marlowe, Ben Jonson e William
Shakespeare, entre tantos outros.
❖ Interlúdio: Uma pequena peça geralmente
representada durante uma festa ou no intervalo de
outra peça. O Interlúdio é o link entre as peças de
Mistério, de Milagre, de Moralidade e o teatro
Elizabetano. A única diferença significativa entre o
Interlúdio e as outras vertentes dramáticas medievais
está no seu lugar de atuação, uma vez que ela era
primordialmente encenada nos salões para
entretenimento dos mais nobres.
Para saber maisA fascinação do público pela Idade Média
gerou muitos filmes que oferecem um bom retrato deste
período histórico. Dentre tantas opções, selecionamos os
mais relevantes para um melhor entendimento de alguns
pontos tratados neste capítulo. Os filmes estão apresentados
pela ordem em que os assuntos foram abordados neste
capítulo.
Filmes
Ladyhawke, O Feitiço de Áquila (EUA, 1985)Este cult dos
anos 1980 dá um panorama geral sobre a Idade Média
mostrando o poder da Igreja, a corrupção do clero, as
temidas prisões e a situação dos pobres. Todo esse cenário
serve de pano de fundo para a história de amor entre o
capitão Etienne Navarre (Rutger Hauer) e Isabeau D'Anjour
(Michelle Pfeiffer).Amaldiçoados pelo bispo de Áquila, que
deseja doentiamente Isabeau, o casal luta para quebrar o
encanto jogado sobre eles: de dia ela é uma águia, e de
noite, ele é um lobo. Sempre juntos, mas eternamente
separados, os amantes encontram um aliado no ladrão
foragido Phillipe Gaston, apelidado de “o rato” vivido por
Matthew Broderick.
O Nome da Rosa (ITA/ALE/E RA, 1986)Adaptação do
romance homônimo do escritor Italiano Umberto Eco.
Estrelado por Sean Connery e Christian Slater, este filme é
uma história policial passada na Europa do ano 1327.
Excelente retrato da Igreja Católica medieval, suas
dissidências internas, a Inquisição, a alienação do clero em
relação ao povo e a corrupção. Estranhas mortes associadas
a um livro secreto estão acontecendo em um monastério
Beneditino, e para resolver o caso, é chamado o monge
franciscano William de Baskerville (Sean Connery), que
chega ao local acompanhado de seu auxiliar, o noviço Adso
de Melk (Christian Slater).Robin Hood: O Príncipe dos
Ladrões (EUA, 1991) eAs Aventuras de Robin Hood (EUA,
1938) 'Existem dezenas de adaptações sobre Robin Hood, o
que comprova não apenas a popularidade desta lenda
através do tempo, mas também o fato de que certas histórias
ultrapassam as fronteiras de seu país para se tornarem
universais. Muitas pessoas se recordam do clássico As
Aventuras de Robin Hood, de 1938, com Errol Flynn, que
ainda pode ser vista nas reprises de filmes na televisão, mas
certamente a adaptação mais lembrada pelas novas
gerações é justamente a'última, Robin Hood: O Príncipe dos
Ladrões, estrelado por Kevin Costner e Morgan Freeman.
Esta versão se destaca por mostrar o choque cultural entre o
Ocidente e o Oriente personificado no personagem de
Morgan Freeman, um muçulmano. Destaque para a aparição
de Sean Connery como o rei Richard 1, o coração de
leão.Coração Valente (EUA/ESC, 1995)Este enorme sucesso
vencedor de onze Oscars mostra a luta de William Wallace
pela independência da Escócia. O roteiro foi baseado na
única fonte disponível sobre este herói escocês —
interpretado no filmepor Mel Gibson —-, um poema de doze
mil versos publicado no século XV por um escritor cego
conhecido como Blind Harry (Harry Cego). Destaque para as
convincentes cenas de batalha que ilustram bem a diferença
de poderio bélico entre o exército inglês e os revoltosos
escoceses na passagem do século XIII para o XIV. Outro
ponto a ser observado é a crueldade com que, o rei Edward l
tratou igualmente escoceses e irlandeses.Joana D' Arc de
Luc Besson (FRA/EUA, 1999)Existem mais de dez filmes que
mostram a fascinante trajetória desta santa francesa. A
menção do diretor no título deste filme se deve ao
lançamento simultâneo de outra versão americana (também
excelente) da mesma história. Nesta superprodução franco—
americana, a personagem é vivida com competência por Mila
Jovovich.Coração de Cavaleiro (EUA, 2001)Esta aventura
simpática mostra com precisão a miséria e as acentuadas
diferenças sociais da Inglaterra do século XIV ao mostrar a
luta de um camponês para se passar por um cavaleiro e
assim competir nos torneiosda época.
NA
INTERNETwww.bLuk/treasures/caxton/homepage.htmlMantid
o pela biblioteca Britânica, este site oferece a chance de se
comparar as duas edições de Canterbury Tales produzidas
por William Caxton em 1476 e 1483. O leitor pode ler a obra
máxima de Chaucer diretamente no manuscrito digitalizado
pela instituição.